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MANUAL DE APOIO

CURSO /UNIDADE: FORMADOR/A:


Legislação Administrativa Patrícia Ribeiro

CÓDIGO DA UNIDADE: CARGA HORÁRIA:


0593 25 Horas

ÍNDICE
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ÍNDICE................................................................................................................................................... 2
OBJETIVO GERAL................................................................................................................................. 3
OBJETIVOS ESPECÍFICOS.................................................................................................................. 3
CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS........................................................................................................ 4
INTRODUÇÃO....................................................................................................................................... 5
DIREITO ADMINISTRATIVO …………………………………………………………………………………..6
NOÇÃO …………………………………………………………………………………………………………...6
PESSOA COLETIVA PÚBLICA ……………………………………………………………………………..…6
ÓRGÃOS …………………………………………………………………………………………………………6
TITULARES ………………………………………………………………………………………………………6
ADMINISTRAÇÃO CENTRAL E ADMINISTRAÇÃO LOCAL …………………………………………..…10
ESTADO COMO PESSOA COLETIVA PÚBLICA ………………………………………………………….15
ADMINISTRAÇÃO CENTRAL………………………………………………………………………………...20
GOVERNO………………………………………………………………………………………………………21
MINISTÉRIOS E SECRETARIAS DE ESTADO…………………………………………………………….21
ADMINISTRAÇÃO AUTÁRQUICA……………………………………………………………………………24
MUNICÍPIOS E FREGUESIAS………………………………………………………………………..………24
CONCLUSÃO....................................................................................................................................... 26

OBJETIVOS DO CURSO

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Objetivo Geral

 Enunciar os conceitos fundamentais de direito administrativo.

 Reconhecer a orgânica da administração central do estado.

Objetivos Específicos

 Os formando deverão ser capazes de:

- Descrever o que é o Direito administrativo, sem recurso ao manual de apoio, em 2 minutos;

- Distinguir, sem recurso ao manual, administração pública de privada, em 5 minutos;

- Descrever, com recurso ao manual de apoio, o Estado-Administração, em 5 minutos;

- Distinguir, sem recurso ao manual, administração central de local, em 5 minutos;

-Indicar, sem recurso ao manual, as entidades institucionais do Governo, em 3 minutos;

- Identificar, com recurso ao manual de apoio, as responsabilidades individuais do Primeiro-ministro em 5 minutos;

- Definir, de cor, pessoa coletiva pública, em 2 minutos;

- Identificar e descrever, com recuso ao manual, a classificação de órgãos, em 10 minutos;

- Indicar, com recurso ao manual, os ministros que integram o Governo, em 5 minutos;

- Descrever, de cor, as características da Administração autárquica sendo os municípios e freguesias, em 5


minutos.

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CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS

• Direito administrativo
◦ Noção de direito administrativo
◦ Pessoa coletiva pública
- Órgãos
- Titulares

◦ Administração central e administração local


◦ Estado como pessoa coletiva pública

• Administração central
◦ Governo
◦ Ministérios
◦ Secretarias de estado
◦ Administração autárquica
◦ Municípios
◦ Freguesias

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INTRODUÇÃO

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de curta duração
nº 0593 – Legislação administrativa, de acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.

Direito Administrativo é o ramo do direito público que trata de princípios e regras que disciplinam a
função administrativa e que abrange entes, órgãos, agentes e atividades desempenhadas pela
Administração Pública na consecução do interesse público.

Na Constituição da República Portuguesa (CRP) podemos encontrar uma “constituição


administrativa” onde se encontram as bases do direito administrativo. O artigo 266º CRP enuncia
os princípios constitucionais da atividade administrativa. Entre os princípios enunciados um dos mais
importantes é sem dúvida o Princípio da Legalidade.         
Uma das características essenciais do Estado Moderno é a submissão da Administração Pública ao
Direito. Nas palavras do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa “Constitui pedra basilar do Estado de Direito
a subordinação jurídica de todos os podres públicos, entre os quais a administração.” O princípio que
exprime a subordinação jurídica da administração é o Princípio da Legalidade que para além de se
encontrar consagrado no artigo 266º nº 2 CRP encontra-se também no 3º do  Código de
Procedimento Administrativo (CPA).  
O objetivo fundamental da administração pública é a prossecução do interesse público, mas a
administração para alcançar este seu objetivo tem de respeitar certos limites e certos valores. A
Administração Pública tem de prosseguir o interesse público em obediência à lei, ou seja, respeitando
o Princípio da Legalidade.
Atualmente define-se o Princípio da legalidade da seguinte forma: os órgãos e agentes da
Administração pública só podem agir com fundamento na lei e dentro dos limites por ela impostos .

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Direito Administrativo
Noção

Trata-se do ramo de direito constituído pelo sistema de normas jurídicas que regulam a organização
(normas orgânicas), o funcionamento (normas funcionais) e as relações estabelecem com os
particulares (normas relacionais), bem como a normas de controlo da administração publica. As
normas de Dtº administrativo procuram a conciliação dos interesses da administração e dos
particulares. Trata-se de um puro ramo de Dtº público, seja olhado, na perspetiva do critério dos
interesses, da qualidade ou da posição.

A administração publica – prossegue o interesse publico, o interesse coletivo, é constituída por


pessoas coletivas de direito publico, relaciona-se pela via da hierarquia encontram-se no topo o
governo, a sua atividade visa a satisfação de necessidades coletivas de sujeitos indeterminados, atua
ou pode atuar numa posição de soberania em relação ao particulares, através da figura de comando
unilateral, produzindo um ato normativo.

A administração privada – Prossegue interesse privado de determinados sujeitos, constituem como


pessoas singulares ou coletivas de Dtº privado, atuam numa relação de paridade, com base no
contrato, visam a obtenção do lucro, dirigem-se a fins claramente definidos, subordinam-se aos seus
órgãos.

Pessoa coletiva publica


– Órgãos
– Titulares

A Administração Pública é hoje uma pessoa jurídica. A sua existência deste modo não é recente,
dado que se mostra anterior ao Século XVI mas só no Século XIX é direcionado para o Direito
Administrativo português.
A Administração Pública é composta por várias pessoas coletivas, sendo que cada entidade desta
prossegue interesses públicos, designados por atribuições. Quanto à aplicabilidade destas, importa
verificar o processo de formação e imputação de vontade. A vontade é formada e expressa através
dos órgãos que têm competências para executá-la. As pessoas coletivas públicas têm um referencial
potencial de vontade e efeitos.
No que diz respeito ao modelo da Organização Administrativa, este é um conjunto estrutural de
entidades que desempenham a título principal a Função Administrativa, ou seja, entidades que
exercem a função de prosseguir interesses públicos. Dentro da organização administrativa encontra-
se então, a Administração Estadual e a Administração Autónoma.

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A Administração Estadual divide-se na Administração Direta (figura do Estado em sentido estrito)
exercida pelos serviços interessados na pessoa coletiva, da qual fazem parte a Administração Central
(ex: Ministérios) e a Administração Local/Periférica (ex: Serviços públicos);  e, na Administração
Indireta (figura do Estado em sentido amplo) criada pelo próprio Estado e exercida por pessoas
coletivas públicas destintas deste, para a realização dos fins do próprio, sendo estas pessoas
coletivas públicas: os Institutos Públicos, as Empresas Públicas Empresariais (E.P.E’s), as
Associações e Fundações Públicas.

No que diz respeito à Administração Autónoma, esta divide-se em Administração Territorial (ex:
Autarquias Locais- Artigo 235º/5 CRP; Regiões Autónomas- Artigo 225ºCRP) e Administração
Corporativa (ex: Ordens profissionais).

No contexto de Administração Estadual é a própria figura do Estado como pessoa coletiva pública
que é responsável por representar as diferentes pessoas coletivas públicas e privadas constituídas no
seu território. No seio da comunidade nacional, o Estado desempenha sob direção do Governo, a
atividade administrativa. 

O Estado-Administração é uma pessoa coletiva pública autónoma, não confundível com os


governantes que o dirigem, nem com os funcionários que o servem, nem com outras entidades
autónomas que integram a Administração, nem com os cidadãos que com ele entram em relação.
Desta forma, afirma-se que o Estado é responsável por atribuir competências pelos diferentes órgãos
centrais e locais.
Acerca do conceito de pessoa coletiva pública, é importante referir que esta tem personalidade
jurídica própria, pois é possuidora de direitos e deveres e, tem também autonomia própria, como é o
caso dos Institutos Públicos, das E.P.E's, das Associações e Fundações Públicas que têm autonomia
administrativa, financeira e organizativa e aparecem sempre reguladas por Decreto-Lei. Por pessoa
coletiva pública com autonomia entende-se que esta se trata de atribuições cedidas pela lei, ou seja,
fins/objetivos da pessoa coletiva pública em si cedida por lei.  Dentro das pessoas coletivas públicas
inserem-se os órgãos que, por sua vez têm serviços, sendo estes mesmos serviços desempenhados
por agentes.
Aqui é chamada à colação no âmbito do conceito de pessoa coletiva pública, a sua iniciativa pública,
a prossecução de interesses públicos e a tutela sobre poderes públicos de autoridade.
Faz- se referência à relevância do Direito da União Europeia na definição de entidade pública, ao
facto de se saber se uma entidade pública ou privada tem incidência ao nível do Direito aplicável e,
aqui, admite-se que tem, ou seja, a uma entidade pública será aplicado Direito Público-
Administrativo, enquanto que a uma entidade privada será aplicado Direito Privado e, por fim, faz-se
referência ao facto de se saber qual o tribunal que tem competência para julgar os atos de entidade
privada- Tribunais Comuns e os atos de entidade pública- Tribunais Administrativos.
Dado que o Estado como pessoa coletiva pública tem atribuições e não competências, é importante
saber quais são essas atribuições. Estas atribuições do Estado não estão claramente determinadas

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em textos legais como sucede com outras pessoas coletivas públicas, a definição das mesmas cabe
sempre à lei. No entanto, Bernard Gournay dividiu as atribuições em 3 categorias: as principais, as
auxiliares e as de comando.

 Atruibuições principais:

a) Atribuições de soberania;
b) Atribuições económicas;
c) Atribuições sociais;
d) Atribuições educativas e culturais.

 Atribuições auxiliares:

a) Gestão do pessoal;
b) Gestão do material;
c) Gestão financeira;
d) Funções jurídicas e de contencioso;
e) Funções de arquivo e documentação.

 Atribuições de comando:

a) Estudos e planeamento;
b) Previsão;
c) Organização;
d) Controlo;
e) Relações públicas.

Distinto do conceito de pessoa coletiva pública, surgem então os órgãos (Artigo 20º/1 CPA). Os
órgãos definem-se, portanto, como figuras institucionais dotadas de poderes (consultivos, decisórios
ou de fiscalização) capazes de preparar, manifestar ou controlar a vontade do ente a que pertence,
isto é, os atos jurídicos imputáveis ao referido ente. Aos órgãos cabe a função de tomar decisões em
nome da pesssoa coletiva pública (Artigo 2º/2 CPA). São centros de imputação de
poderes/competências funcionais. É importante referir que os órgãos são apenas um conceito legal,
pois não existe realmente um órgão.

Em relação à Estrutura da Administração Pública, os órgãos têm de ser concebidos como instituições,
ou melhor, os órgãos atuam como indivíduos para efeitos da atividade administrativa. Os principais
órgãos centrais do Estado são o Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo e
os Tribunais. Desta forma, é importante referir que os Tribunais e a Assembleia da República não são
órgãos administrativos. Na opinião do Prof. FREITAS DO AMARAL, o Presidente da República é um
órgão político, mas não administrativo. Deste modo, para além de órgão político, o Governo é o
principal órgão administrativo do Estado, permanente e direto. No entanto, existem outros órgãos do
Estado, na administração central, colocados sob a direção do Governo:

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a) Diretores-gerais, diretores de serviços e chefes de divisão ou de repartição de ministérios, bem
como respetivos secretários-gerais;
b) Chefe do Estado-Maior- General das Forças Armadas e os chefes de Estado-Maior da Armada, do
Exército e da Força Aérea;
c) Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana;
d) Procurador-Geral da República;
e) Inspetores-gerais;
f) Dirigentes de gabinetes, centros e institutos não personalizados.

Pertencem ainda à administração central direta, e são também órgãos do Estado, apesar de não
dependerem do Governo por serem órgãos independentes, os seguintes:

a) Provedor de Justiça;
b) Conselho Económico e Social;
c) Comissão Nacional de Eleições;
d) Entidade Reguladora da Comunicação Social.

Como já foi referido anteriormente, os órgãos manifestam a vontade da pessoa coletiva pública
através de competências/ poderes. Estas competências são conjuntos de poderes conferidos por
lei(em sentido material) aos órgãos das pessoas coletivas públicas pela prática de atos intendentes à
prossecução das suas atribuições. Essas atribuições são objetivos ou fins que a pessoa coletiva
pública tem intuito de alcançar. Desta forma, para a prossecução das atribuições, as pessoas
coletivas públicas dispõem de órgãos a quem a lei confere poderes ou competências para a práticas
dos atos, os quais necessariamente deverão visar a satisfação das necessidades coletivas a que
pertencem. Exemplo: Entidade Reguladora da Saúde, o órgão é o conselho diretivo. 
Em suma, a pessoa coletiva pública tem vontade própria, ou seja, personalidade jurídica própria,
enquanto que os órgãos não têm essa personalidade jurídica própria e executam a vontade das
pessoas coletivas públicas através dos poderes que lhes são atribuídos. Uma pessoa coletiva pública
não tem competências, apenas atribuições. A vontade da pessoa coletiva é manifestada pelos seus
órgãos, através dos seus titulares, as pessoas físicas para os efeitos eleitas ou nomeadas.  As
atribuições são os fins ou objetivos da pessoa coletiva pública, enquanto as competências servem
para executar a vontade da pessoa coletiva pública através dos seus órgãos.

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Administração central e administração local

A Administração Central é a Administração Direta do Estado que abrange todo o território nacional
(ou continental). A Administração Direta distingue-se da Administração Periférica, porque esta
abrange apenas uma porção maior ou menor deste território (uma circunscrição). A Administração
Periférica pode ser comum ou especializada.

O principal órgão da Administração Central do Estado é o Governo. Os órgãos da Administração


Periférica comum do Estado eram os Governadores Civis (agora extintos).

O universo da administração local é constituído pelas autarquias locais - municípios e freguesias,


pelas entidades intermunicipais - áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais, pelas
associações de fins específicos de municípios e freguesias e pelas empresas locais.

Em Portugal, a administração local consiste na administração pública exercida pelas autarquias


locais: os municípios e as freguesias. Estas são entidades autónomas, com larga tradição histórica,
que visam prosseguir os interesses coletivos próprios da população residente numa determinada área
de circunscrição territorial, através de órgãos representativos eleitos democraticamente por sufrágio
universal direto e secreto dos cidadãos residentes.

Administração central do Estado – o Governo

Segundo o site ‘Governo de Portugal’, “O Governo conduz a política geral do país e dirige a
Administração Pública, que executa a política do Estado.” Para o Professor Freitas do Amaral, o
Governo é órgão principal da administração central do estado, dotado do poder executivo. Embora,
muitas vezes, essa função administrativa se confunda com a política.

A Constituição da República Portuguesa dá-nos conta das funções principais do governo, no seu
artigo 182º: “ o Governo é o órgão de condução da política geral do país e o órgão superior da
administração pública.” E toda a matéria relativa à organização do governo vem regulada no título IV
da CRP. São enumeradas outras funções, tais como:

·      Negociar com outros Estados ou organizações internacionais;

·      Propor leis à Assembleia da República;

·      Estudar problemas e decidir sobre as melhores soluções, através de leis;

·      Fazer regulamentos técnicos para que as leis possam ser cumpridas;

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·      Decidir onde se gasta o dinheiro público.

As funções do governo traduzem-se na prática de atos e desempenho de atividades diversas. Age


através de regulamentos, atos administrativos e contractos administrativos. Esta competência pode
ser exercida de várias formas:

·        Ou através de órgão colegial, o Conselho de Ministros. Com as resoluções adotadas por consenso
ou maioria no Conselho de Ministros;

·        Ou pode ser exercida individualmente pelos vários membros do governo, a saber: Primeiro-Ministro,
Ministros, Secretários de Estado e Subsecretários de Estado.

O artigo 183º da CRP dá-nos conta da estrutura do governo, além do que já ficou explícito, fazem
parte do governo: o Primeiro-Ministro; os Vice- Primeiros- Ministros; os Ministros; os Secretários de
Estado e os Subsecretários de Estado.

Dentro do funcionamento do governo, há que distinguir duas funções de grande importância: dirigir o
funcionamento do governo e a coordenação e orientação dos ministros. Esta função cabe
primordialmente ao primeiro-ministro e ele que vai, como o próprio Professor Freitas do Amaral diz,
ser o responsável pelo insucesso ou sucesso da legislatura. Assim, este último guia-se pelo
Programa de Governo e escolhe os seus próprios ministros, de modo a desenvolver um governo forte
com pessoas da sua confiança. Nem faria sentido ser de outra forma, já que poderiam gerar-se
desentendimentos mais graves.

É claro que estas competências variam muito de país para país, e de regime político para regime
político. Não podemos, por exemplo, comparar os poderes do primeiro-ministro atualmente, aos do
Presidente do Conselho de Ministros, estabelecidos pela Constituição de 1933. Estes, como se sabe,
pertenciam a Salazar e eram muito mais amplos.

De qualquer das formas, o Governo pretende, acima de tudo, trazer estabilidade política ao país e
esforçar-se na prossecução do interesse dos seus cidadãos. Para isso, e querendo esquecer a
Primeira República (onde houve 45 governos em apenas 16 anos) deve ser assegurada uma
estabilidade política, para melhor prosseguir a atividade administrativa.

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O Governo

Art.º 182º da Constituição da República Portuguesa


«O Governo é o órgão de condução da política geral do país e o órgão superior da Administração
Pública.»
Pela própria ideia que se retira da Lei fundamental, percebe‐se que «Governo» é uma palavra com
diversos significados. Na verdade, tendo em conta o contexto que nos interessa analisar, o termo
Governo pode indicar todas aquelas instituições que permitem a função política do estado, mas pode
também indicar o órgão de soberania que possui a competência para conduzir a estratégia definida
ao nível económico, social, financeiro, ou cultural, de acordo com o plano apresentado aos eleitores
durante a votação para a Assembleia da República, (de onde o Governo emana), superintendendo
também a Administração Pública, que é o seu «braço de trabalho» efetivo.

O Governo em Portugal é constituído por várias entidades institucionais:


a) O Primeiro Ministro
b) O Conselho de Ministros
c) Os Ministros

Nestes termos, deveremos considerá‐lo como uma entidade colegial ou coletiva e procurar depois
enquadrar todas estas três ideias numa única entidade de que normalmente falamos de uma forma
generalista.
O Primeiro-ministro surge como um dirigente do coletivo, e a sua imagem prevalece como um primus
inter pares, sendo ele o principal responsável pela política seguida durante o período em que o
Governo está em funções, já que define as linhas de direção que devem ser seguidas pelo colégio de
Ministros. Para além disso, é a ele que compete a seleção dos outros Ministros, na composição do
Governo, bem como a direção dos trabalhos do Conselho de Ministros.

A lei portuguesa atribui ao Primeiro-ministro responsabilidades individuais que reforçam este carácter
especial da sua figura no panorama institucional do país. Eis alguns exemplos:

I) Só o Primeiro-ministro é responsável perante o Presidente da República, e é ele quem responde


perante o Chefe de Estado
II) É ao Primeiro-ministro que está atribuída a direção do Governo e o seu efetivo funcionamento, num
regime de inter‐coordenação e solidariedade.
III) É o Primeiro-ministro que apresenta o Programa de Governo à Assembleia da República para que
esta o possa discutir e apreciar.
IV) O afastamento ou demissão do Primeiro-ministro implica a natural demissão de todos os Ministros
e, consequentemente, de todo o Governo constituído.
V) O Primeiro-ministro é a pessoa que escolhe o seu gabinete e os Ministros a quem competirá
executar o programa de Governo pré-determinado, apresentando propostas dos nomes escolhidos ao

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Presidente da República, que depois os nomeará. Estes Ministros serão depois responsáveis perante
o próprio Primeiro-ministro, que os indicou.

O Conselho de Ministros é a estrutura coletiva efetiva do Governo. Composto pelo Primeiro-ministro e


pelos Ministros nomeados, define as linhas gerais da política governamental, depois dirigidas pelo
Primeiro-ministro, bem como a execução dessa linha de política.
Como órgão colegial, o Conselho de Ministros tem também o encargo de aprovar propostas de lei,
depois apresentadas para votação na Assembleia da República, o encargo de produzir Decretos‐Lei
relativos à efetiva execução do programa de governo da nação, a análise e tomada de decisões
relativas ao aumento ou diminuição das receitas e das despesas públicas (tarefa hoje especialmente
importante devido aos limites de endividamento impostos pela União Europeia aos países integrados
no espaço do €uro, e que requer um rigor particular face à racionalização de recursos do país), e
outras funções, essencialmente de carácter executivo e regulamentar.
Os Ministros são pessoas que tutelam uma determinada área da governação. São propostos pelo
Primeiro-ministro e nomeados pelo Presidente da República.
Como elementos de um órgão de soberania com regras próprias, e voltado para a realização do
poder executivo, isto é, da efetiva condução política do estado, os Ministros têm o dever de atuar
segundo normas de boa administração, gerindo os recursos que lhes são adstritos e a parte da
Administração Pública, (os funcionários, gabinetes, repartições e institutos) que estão sob a sua
tutela, sempre tendo em conta o plano geral do programa de governo e as direções do Primeiro-
ministro.
Normalmente os Ministros são escolhidos de acordo com as suas competências para determinadas
áreas, entre personalidades de reconhecido mérito na sua especialidade. Surgem assim os Ministros
das Finanças, da Saúde, da Educação e todos os outros, auxiliados pelos Secretários de Estado.
Neste contexto, a Lei fundamental (Constituição da República Portuguesa) não determina quantos
ministros ou outros elementos deve haver num governo, embora se confie no bom senso e
capacidade de gestão do Primeiro-ministro tendo em conta as suas funções de executor e as suas
obrigações de boa administração da «coisa pública». Ministro, na verdade, tem uma origem
etimológica interessante significando «aquele que serve», que pratica um serviço em prol da
comunidade, diríamos nós, numa interpretação um pouco mais extensiva da origem latina do termo.
Trabalhar com racionalização de meios e ter sempre em conta o interesse público é, por isto também,
parte da sua vocação operativa.
Por aqui vemos que o Governo, como entidade autónoma e órgão de soberania independente, age
coletivamente, mas é supervisionado por uma personalidade maior ‐o Primeiro-ministro‐, detendo os
seus colaboradores diretos ‐ os Ministros ‐ um certo poder de autonomia, dentro daquilo que é a
execução eficaz do programa de governo.

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Em Resumo:
O Governo é o órgão de soberania que detém funções políticas, legislativas e administrativas; isto
significa, entre outras coisas, o poder de negociar com outros Estados ou organizações
internacionais, de legislar (através de instrumentos que se chamam, depois de aprovados, decretos ‐
leis), estudar problemas e decidir sobre eles, fazer regulamentos técnicos para que as leis possam
ser cumpridas, decidir onde se gasta o dinheiro público, tomar decisões administrativas para o bem
comum, de acordo com a lei, etc...

Para a formação do Governo, é normalmente necessário que haja uma eleição para a Assembleia da
República – o parlamento. Após as eleições ou a Demissão do Governo anterior, o Presidente da
República ouve todos os partidos que elegeram deputados à Assembleia e, tendo em conta os
resultados das eleições legislativas, convida uma pessoa (normalmente o líder do Partido mais
votado) para formar Governo: será ele o novo Primeiro -ministro, nomeado pelo Presidente da
República, a convidar as pessoas que entende para ocupar as pastas dos diferentes Ministérios. O
Presidente da República dá posse ao Primeiro ‐Ministro e ao Governo que, seguidamente, faz o
respetivo Programa, (documento do qual constam as principais orientações políticas e as medidas a
adotar ou a propor para governar Portugal), apresentando ‐o à Assembleia da República.
As funções do Governo terminam quatro anos após as eleições para a Assembleia da República, que
lhe terão dado origem, tomando posse um novo Governo, mesmo que seja composto pelas mesmas
pessoas que o Governo anterior.
As suas funções cessam também quando, em momentos de crispação política, o Governo apresenta
uma moção de confiança ao Parlamento e este o rejeita, ou quando a maioria absoluta dos
deputados aprova uma moção de censura ao Governo. Da mesma forma, cessa quando o seu
programa não é aprovado pela Assembleia da República, quando o Presidente da República entende
dever demiti‐lo para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas portuguesas ou
quando o Primeiro‐Ministro apresenta a demissão, falece ou se encontra em impossibilidade física
duradoura.
Ao Governo compete a direção da Administração Pública, que é o seu braço de trabalho, através da
qual se cumprem as instruções ou indicações especiais do programa de Governo, sendo aquela
composta pelo conjunto de funcionários ou agentes com competências específicas em diversas áreas
de atuação, servindo o Estado e o interesse público, através da realização das tarefas que lhe estão
distribuídas. Conforme os tipos de estado e as conceções políticas em vigor, esta função é mais ou
menos preponderante na vida do país, contratando mais ou dispensando mais funcionários,
procedendo à sua redistribuição pelos serviços aumentando ou reduzindo ao máximo a sua
participação no exercício do poder executivo, sempre sob o controlo do poder político e da lei.

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Estado como pessoa coletiva publica

Pessoas coletivas publicas

Para haver uma pessoa coletiva publica não se pode atender só aos poderes exorbitantes, à
finalidade nem à origem.

Assim, pessoa coletiva publica são pessoas criadas por iniciativa pública para assegurar a
prossecução necessária dos interesses públicos e por isso dotadas de poderes ou deveres públicos.

As Pessoas Coletivas Públicas nascem sempre de uma decisão pública quer esta decisão seja
tomada pela comunidade nacional quer local.
As PCP também podem ser criadas por outras pessoas coletivas publicas já existentes.
As PCP existem para a persecução do interesse publico.
Mesmo que haja entidades privadas que exerçam funções públicas, estas estão sempre sobre tutela,
fiscalização da Administração Publica.

Podemos ter o Estado e demais entidades públicas territoriais: Regiões autónomas, autarquias locais.

Pessoas coletivas públicas: Estado, Institutos Públicos, as associações públicas, autarquias locais e
as próprias regiões autónomas.

Tipos de pessoas coletivas públicas

Pessoas Coletivas Publicas de População e território: Autarquias locais, Regiões Autónomas, Estado.

Pessoas Coletivas de tipo institucional: EPEs = entidades públicas empresariais.

PCP de tipo associativo: associações Publicas

Aspetos Predominantes das Pessoas coletivas em geral

Quanto à criação são criadas por ato do poder central mas também podem ser criadas por iniciativa
local. Não tem o direito de se dissolver por iniciativa própria.
Tem autonomia administrativa e financeira, isenções fiscais, tem capacidade para celebrar contratos
administrativos com particulares, possuem bens de domínio público, estão submetidos ao regime da
função pública, estão sujeitos a um regime de responsabilidade próprio, estão sujeitos a tutela
administrativa do estado e à fiscalização do tribunal de contas.

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As pessoas coletivas Publicas manifestam a sua vontade através dos seus órgãos, a quem cabe as
decisões em nome da PCP.
São centros institucionais de poder funcionais, exercidos por indivíduos que os constituem para
manifestar a vontade da PCP, vão ‘’falar em nome da PCP’’, estes indivíduos são os titulares dos
órgãos.
Para que uma pessoa física possa representar um órgão é necessário um ato formal, ato de
investidura.

Classificações de Órgãos

Órgãos singulares e colegiais: órgão singular é o que é composto apenas por um titular, os
colegiais por dois ou mais titulares.

Órgãos centrais e órgãos locais: órgãos centrais têm competência em todo o território (estado), os
órgãos locais tem competência apenas a uma parcela do território (câmara municipal).

Órgãos primários, secundários ou vicários: tem competência própria para decidir matérias que lhe
estão confiada, órgãos secundários tem competência delegada, órgãos vicários só exercem
competência por substituição do órgão principal.

Órgãos representativos ou não representativos: Representativos são designados por eleição, não
representativos não são designados por eleição.

Órgãos Ativos ou Consultivos e de controlo: Ativos, participam ativamente na tomada de


decisões, consultivos são aqueles que dão os pareceres, esclarecem , controlo tem competência de
supervisionar o funcionamento de outros órgãos.

Órgãos decisórios e executivos: Os decisões tomam decisões, os executivos executam essas


decisões.

Regra dos Órgãos Colegiais

Adotamos a conceção que diz que os órgãos são instituições.


Definem-se como sendo centros institucionalizados de poderes (institucionais ou funcionais?),
exercidos pelos indivíduos que constituam os órgãos, com o objetivo de expressar a pessoa coletiva
publica a que pertencem.
Os indivíduos é que agem no mundo real, são titulares dos órgãos. Os órgãos são centros
institucionalizados de poderes funcionais.

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Segundo o Professor Afonso Queiroz os indivíduos são os órgãos. Há o problema de distinguir entre
o titular e o órgão.

Relativamente ao órgão, como é um centro de poderes institucionais, temos de saber distinguir entre
titular do órgão do órgão em si. Há um ato formal que liga a pessoa física ao ato de investidura.
Todos os órgãos têm competências, todas as PCP, a única exceção são os ministérios, estes não
tem poderes funcionais, cada um tem uma determinada função (atribuição), trata-se de órgãos que
não tem competências mas sim atribuições.

Lei 69/2015 16/07


Artigo 20.º
Órgãos singulares: decisões
Órgãos colegiais: deliberações

Artigo 35.º —> Imagine que no âmbito de uma deliberação num órgão colegial, aprovada por maioria,
um membro considera a deliberação ilegal que no futuro podem vir consequências, para que este
membro fique inibido de responsabilidade, este pode votar contra e justificar o voto vencido.

1. Pode haver reuniões ordinárias e reuniões extraordinárias: as reuniões ordinárias (Artigo 23.º CPA)
são aquelas que se realizam em datas e períodos certos, as extraordinárias(Artigo 24.ºCPA) são
convocadas inesperadamente fora dessas datas e períodos.

2. Quanto à publicidade: por regra salvo quando a lei dispuser em contrario as reuniões dos órgãos
colegiais não são publicas (Artigo 27.º).

3.Relativamente a marcação das reuniões: consiste na marcação da data e da hora que a reunião
terá lugar. Convocação é a notificação feita a todos os membros do orgão a cerca das reuniões a
realizar, na qual são indicados o dia, a hora, o local de reunião e a ordem do dia. A ordem do dia deve
ser entregue a todos os membros com antecedência de 48 sobre a data da reunião (Artigo 25.º nº2).

4. Só pode ser objeto de deliberação aquilo que esta na ordem do dia(Artigo 26.º). Exceto se 1/3 dos
órgãos…. (ver no artigo).

O desrespeito destas regras determina a ilegalidade das reuniões e das deliberações determinadas
nas reuniões (Artigo 28.º).

5.O quórum é o numero mínimo de membros para que possa ser tomada uma deliberação valida e
para que o órgão funcione regularmente (Artigo 29.º).

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Artigo 21.º —> exige um presidente e um secretario

No artigo 21.º estão presentes as funções do presidente e secretario.

Maioria esta 32.º

A lei determina os fins da PCP, mas para o fazer, as PCP necessitam de poderes, poderes
funcionais, atribuídos aos órgãos da PCP para que estes prossigam o fim da pessoa coletiva publica
a que pertencem.

Competência é o conjunto de poderes funcionais que a lei confere aos órgãos para a prossecução
dos fins da pessoa coletiva publica a que pertence.

Temos aqui uma dupla limitação, os órgãos estão limitados pela sua própria competência, não podem
invadir a esfera da competência de outros órgãos da PCP e por outro lado o órgão esta limitado pelas
atribuições da PCP a que pertencem.

Tudo isto é assim em geral em todas as pessoas coletivas publicas, no entanto no estado é um pouco
mais complexo. Porque no caso do Estado o que separa os vários ministérios uns dos outros são as
atribuições.

Enquanto que, em geral mas PCP, os órgãos tem competências diferentes para prosseguir as
mesmas atribuições (da pessoa coletiva publica a que pertencem), no estado os vários ministros tem
competências idênticas para prosseguir atribuições diferentes, aqui são as próprias atribuições que se
encontram repartidas pelos vários ministérios. Cada ministério possui atribuições especificas
(finanças, saúde, educação) embora usando para isso poderes jurídicos idênticos aos colegas do
governo.

Ou seja, os órgãos tem competências diferentes para prosseguir o mesmo fim (fim da pessoa coletiva
a que pertencem). No Estado os órgãos tem formas idênticas para prosseguir atribuições diferentes.

Competência especial

Artigo 36.º só pode ser concedida, limitada ou retirada por lei. Daqui é possível retirar uma serie de
consequências:

A Competência não se presume, só existe a lei inequivocamente a confere a um dado órgão.

A competência é Imodificável, ou seja, nem a administração nem os particulares podem alterar o


conteúdo ou repartição da competência estabelecida por lei.

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A competência é irrenunciável e inalienável ou seja, os órgãos administrativos não podem em caso
algum praticar atos pelos quais renunciem aos seus poderes ou os transmitam para outros órgãos da
administração ou até para entidades privadas.

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Administração central

Administração pública

Pensar em todas as necessidades coletivas a que o Governo tem que dar resposta, através da sua
missão de «executor político», é pensar numa tarefa gigantesca, que requer meios e organizações de
grande envergadura. Tal tarefa é levada a acabo pela Administração Pública.
Mas o que é, ‐ afinal esta estrutura mais ou menos comum ‐ todos os países, com a missão de
responder materialmente às necessidades coletivas, correspondendo à estratégia delimitada
previamente?
Quando falamos em Administração Pública, falamos necessariamente numa organização, ou melhor,
numa organização administrativa. Isto quer dizer que encontramos nela uma série de instituições,
serviços, organismos ou entidades que respondem diretamente ao trabalho pedido. Por outro lado,
falamos também na forma como trabalham e se coordenam essas instituições, de uma forma regular
e continuada, levando a cabo a atividade típica dos serviços públicos, obtendo os recursos mais
adequados e utilizando as formas mais convenientes
A atividade administrativa pública é, então, aquele conjunto de funções que conhecemos
individualmente como a promoção da cultura, da educação, do bem-estar socioeconómico e da
segurança interna e externa, levadas a cabo com o interesse público no horizonte, e recorrendo, se
necessário, à autoridade do Estado para fazer valer a sua vontade. Tudo isto, dentro de um círculo de
controlo exercido por parte do poder político e fiscalizado por via jurídica, com recurso aos tribunais
sempre que haja, por exemplo, confrontos entre a atividade pública do Estado e os direitos
particulares dos cidadãos individualmente considerados. A prossecução do interesse público e das
necessidades coletivas estão, também elas, submetidas à lei e desviadas de exercícios eventuais de
prepotência ou autorrecreação.

Esta ideia organizatória de Administração Pública orienta‐se com base em várias realidades, de que
fazem parte, por exemplo:

- A Administração Central (diretamente dependente do Governo, nas suas diversas realidades e


hierarquias; já falámos, por exemplo, dos Ministérios, compostos pelas Secretarias de Estado,
Direcções‐Gerais e respetivos serviços, etc...)
- A Administração Regional Autónoma (tomemos como exemplo a Região
Autónoma dos Açores, que toma em mãos alguns serviços autonomamente organizados, mas nem
por isso distantes da Administração Pública, como atrás a definimos)
- A Administração Local (que tem em conta os Municípios e as Freguesias, subdivisões
administrativas do poder local normalmente designados por «autarquias»)
- A Administração Judicial Autónoma (os Tribunais são uma entidade autónoma das restantes formas
de Administração Pública)

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- A Administração Indireta (que inclui a gestão de institutos públicos com autonomia, corporações,
entre outras entidades)
O Governo é o órgão principal da administração central do Estado e é incumbido do poder executivo.
O governo é também um órgão político. O artigo 182º da Constituição da República Portuguesa
(CRP) determina que o Governo é “o órgão de condução da política geral do país e o órgão superior
da administração pública”.

Governo

Atualmente a composição do governo, segundo a Lei Orgânica do XIX Governo Constitucional, é a


seguinte:
Primeiro-ministro, ministros, secretários de Estado e uma subsecretária de Estado.

Integram o governo os seguintes ministros:


 Ministro de Estado e das Finanças;
 Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros;
 Ministro da Defesa Nacional;
 Ministro da Administração Interna;
 Ministra da Justiça;
 Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares;
 Ministro da Economia e do Emprego;
             Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território;
            Ministro da Saúde;
Ministro da Educação e Ciência;
Ministro da Solidariedade e da Segurança Social;

Ministérios e Secretarias de Estado

Nas palavras do Prof. Marcello Caetano os Ministérios compreendem um certo número de


departamentos e serviços que preparam e executam as decisões do respetivo ministro. Os serviços
que cada Ministério abrange, a sua organização e as suas designações encontram-se na respetiva
Lei Orgânica.
Os “Ministérios” são, segundo o Prof. Freitas do Amaral, os departamentos da administração central
do Estado dirigidos pelos respetivos ministros.
Hoje em dia existem vários ministérios e por isso a doutrina tem tentado classifica-los podendo se
verificar algumas divergências.
Zanobini sustenta que existem quatro classes/ tipos de ministérios:

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-ministérios destinados a recolher e distribuir os meios económicos necessários à
organização e funcionamento do Estado (como as finanças, tesouro, orçamento e participações do
Estado);
-ministérios relacionados com as relações internacionais e a defesa militar do Estado
(negócios estrangeiros, defesa nacional);
-ministérios relativos à manutenção da ordem pública e à ordem jurídica interna
-ministérios relativos à realização do bem-estar e progresso material e moral da população
O Prof. Freitas do Amaral considera que esta classificação não é adequada e que não se ajusta à
realidade portuguesa na medida em que o primeiro grupo apresentado não existe em Portugal, todas
as funções enunciadas pertencem ao Ministério das Finanças.
O Prof. Freitas do Amaral considera ainda que as designações não são adequadas pois classificar
ministério do interior ou da administração interna como meros departamentos “voltados para a defesa
da ordem pública” é manifestamente insuficiente e considera ainda que engloba numa mesma
categoria ministérios muito diferentes e com funções distintas como é o caso da última categoria que
se refere aos ministérios que se destinam à realização do bem, estar e do progresso material e moral
da população e que abrange distintas áreas como a saúde e o trabalho.
O Prof. Freitas do Amaral apresenta quatro categorias para classificar os ministérios e que são:
-ministérios de soberania: aqueles em que as atribuições políticas são predominantes por lhes ser
conferida o exercício das principais funções de soberania do Estado. São por exemplo o Ministério da
Administração Interna, Justiça, Negócios Estrangeiras e Defesa Nacional.
-ministérios económicos: são aqueles que tratam dos assuntos de carácter económico, financeiro e
monetário como o Ministério das Finanças, Agricultura, Comércio e Indústria.
-ministérios sociais: são aqueles que se destinam a realizar a intervenção do Estado nas questões de
natureza social e cultural e no trabalho como os Ministérios relativos à Educação, Cultura, Saúde,
Segurança Social entre outros.
-ministérios técnicos: são todos aqueles que se dedicam à promoção de infra-estruturas e grandes
equipamentos coletivos e com funções predominantemente técnicas como os Ministérios das Obras
Públicas, Urbanismo, Ambiente, Transportes e Comunicações. O Prof. Freitas do Amaral explica
ainda que este critério é um critério convencional.
É corrente fazer-se ainda uma distinção entre Ministérios técnicos e políticos. Na realidade todos os
ministérios são ao mesmo tempo políticos e técnicos. Políticos porque em todos surgem questões
com implicações políticas e na medida em que todos eles tem de definir e executar politicas públicas,
pelas quais respondem perante o parlamento e perante os eleitores. São também técnicos na medida
em que em todos eles os problemas têm de se analisados tecnicamente e todos eles realizam
atividades e operações de carácter técnico.
Assim, quando se fala em Ministérios Políticos estes são também técnicos mas o seu carácter público
sobressai mais que o carácter técnico e o mesmo se pode dizer dos Ministérios Técnicos.
Fazendo agora referência à estrutura interna dos Ministérios podemos referir que os ministérios são
constituídos por uma série de serviços e de organismos (Direcções-Gerais, Repartições, Inspecções).

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Todos os ministérios obedecem a um mesmo esquema-tipo relativamente à sua organização interna.
Nem sempre foi assim uma vez que inicialmente os ministérios foram-se estruturando em serviços
conforme as necessidades de cada o que acabou por gerar alguma confusão, aquilo a que o Prof.
Freitas do Amaral considerou como” o sistema da falta de sistema”.
Assim, em 1935, surge pela primeira vez um esquema-tipo para a estruturação interna dos
Ministérios. Este esquema surge através do Decreto-Lei nº 26115 de 23 de Novembro de 1935 e no
âmbito das medidas de reorganização administrativa e financeira que decorreram nesta altura.
Este sistema veio a ser alterado na década de 60 devido ao crescimento económico e ao
alargamento das funções do Estado impuseram outras soluções que não estavam previstas no
esquema de 1935.
Nos anos 70 a Secretaria-Geral da Presidência do Concelho trabalhou sobre um projeto elaborado
por especialistas e que foi aprovado pelo Conselho de Ministros em 1972. Adotou-se assim uma
diretiva sobre a reorganização dos ministérios.
Esta diretiva após o 25 de Abril nem sempre foi respeitada apesar de se poder considerar o modelo
predominante dos ministérios atualmente existentes.
Esta diretiva apresenta uma certa maleabilidade, não tendo de ser rigidamente cumprida. Assim
segundo esta diretiva a estrutura interna dos Ministério portugueses comportam seis tipos de
serviços:
-gabinetes ministeriais
-serviço de estudo e conceção
-serviços de coordenação, apoio e controlo
-serviços executivos
-serviços regionais e locais
-organismos dependentes

Este sistema foi mantido pela Lei nº4/2004 de 15 de Janeiro e que veio revoga o Decreto-Lei nº
26115. Esta lei estabeleceu ainda os princípios e normas a que devem obedecer a organização da
administração directa do Estado. A Lei nº4/2004 estabelece assim no seu artigo 11º que os serviços
se agrupam em:
-serviços executivos: são as Direções Gerais ou regionais consoante sejam serviços centrais
ou regionais; Os serviços executivos de carácter central que tenham funções de apoio técnico são os
gabinetes ou Secretárias-gerais.
-serviço de controlo, auditoria e fiscalização: são predominantemente inspetivas e que são
as inspeções gerais ou regionais.
 -serviço e de coordenação.
Com esta análise da composição do Governo, nomeadamente quanto os seus Ministérios, pretendi
chamar a atenção para esta figura que tem uma grande importância para o bom funcionamento da
Administração Pública.

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Administração Autárquica

O poder local integra as freguesias, os municípios e também as associações de municípios.

Nas eleições locais são eleitos a assembleia de freguesia, a assembleia municipal  e a câmara
municipal.

Aos órgãos do poder local podem candidatar-se grupos de cidadãos organizados em listas
independentes dos partidos.

As assembleias da freguesia são eleitas, sendo o presidente da Junta de Freguesia o primeiro


candidato da lista que reunir maior número de votos, e sendo-lhe dada a possibilidade de escolher o
executivo que o acompanha entre os restantes membros eleitos para a assembleia de freguesia, quer
pertençam à lista apresentada pelo seu partido quer por qualquer outra força política.

Nas assembleias de freguesia, assembleias municipais e câmaras municipais a representação é


proporcional, isto é em cada um destes órgãos estão representadas todas as forças políticas
(partidos, coligações de partidos ou grupos de cidadãos) que obtiveram votos suficientes.

Municípios e Freguesias

Nos termos da Constituição da República Portuguesa, a organização democrática do Estado


compreende a existência de autarquias locais, as quais são pessoas coletivas territoriais dotadas de
órgãos representativos e que visam a prossecução de interesses próprios das populações respetivas
(artigo 235.º).

No continente, as autarquias locais são as freguesias, os municípios e as regiões administrativas


(artigo 236.º, n.º 1), embora estas últimas ainda não tenham sido instituídas em concreto (artigos
255.º e 256.º).

Os municípios são as autarquias locais que visam a prossecução de interesses próprios da população
residente na circunscrição do concelho, mediante órgãos representativos por ela eleitos.

Os órgãos representativos do município são a assembleia municipal (órgão deliberativo) e a câmara


municipal (órgão executivo).

O quadro de competências e regime jurídico de funcionamento dos órgãos dos municípios constam
da Lei n.º 75/2013, de 12 de Setembro e ainda da Lei n.º 169/99 de 18 de setembro, com as
posteriores alterações, nas partes não revogadas pela Lei n.º 75/2013.

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Atualmente existem 308 municípios, dos quais 278 municípios no Continente, 19 na Região
Autónoma dos Açores e 11 na Região Autónoma da Madeira.

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CONCLUSÃO

Em suma, podemos afirmar que o Direto Administrativo se rege por princípios constitucionais, dos
quais:

Legalidade - Na atividade particular tudo o que não está proibido é permitido; na Administração
Pública tudo o que não está permitido é proibido. O administrador está rigidamente preso à lei e sua
atuação deve ser confrontada com a lei.

Impessoalidade - O administrador deve orientar-se por critérios objetivos, não fazer distinções com
base em critérios pessoais. Toda atividade da Administração Pública deve ser praticada tendo em
vista a finalidade pública.

Moralidade - O dever do administrador não é apenas cumprir a lei formalmente, mas cumprir
substancialmente, procurando sempre o melhor resultado para a administração.
Publicidade - Requisito da eficácia e moralidade, pois é através da divulgação oficial dos atos da
Administração Pública que ficam assegurados o seu cumprimento, observância e controle.

Eficiência - É a obtenção do melhor resultado com o uso racional dos meios. Atualmente, na
Administração Pública, a tendência é prevalência do controle de resultados sobre o controle de
meios.

Supremacia do Interesse Público - O interesse público têm SUPREMACIA sobre o interesse


individual; Mas essa supremacia só é legítima na medida em que os interesses públicos são
atendidos.

Presunção de Legitimidade - Os atos da Administração presumem-se legítimos, até prova em


contrário (presunção relativa ou juris tantum – ou seja, pode ser destruída por prova contrária.)
Finalidade - Toda atuação do administrador se destina a atender o interesse público e garantir a
observância das finalidades institucionais por parte das entidades da Administração Indireta.
Auto-Tutela - A autotutela se justifica para garantir à Administração: a defesa da legalidade e
eficiência dos seus atos; nada mais é que um autocontrole SOBRE SEUS ATOS.

Continuidade do Serviço Público - O serviço público destina-se a atender necessidades sociais. É


com fundamento nesse princípio que nos contratos administrativos não se permite que seja invocada,
pelo particular, a exceção do contrato não cumprido. Os serviços não podem parar!

Razoabilidade - Os poderes concedidos à Administração devem ser exercidos na medida necessária


ao atendimento do interesse coletivo, SEM EXAGEROS.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Bibliografia:
Diogo Freitas do Amaral, "Curso de Direito Administrativo", Almedina, Coimbra-volume 1, 3ªEdição,
2006
Marcello Caetano, "Manual de Direito Administrativo", Alemdina, Coimbra, Tomo 1, 10ª Edição, 1984
Legislação
-Constituição da República Portuguesa
-Decreto-Lei nº 86-A/2011 de 12 de Julho (Lei organica do XIX Governo Constitucional)

Apontamentos de direito - https://apontamentosdedireito.wordpress.com/licenciatura/2-%C2%BA-


ano/direito-da-actividade-administrativa/apontamentos/

Infopedia - https://www.infopedia.pt/$direito-administrativo

Tudo sobre concursos - http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/direito-administrativo/quadro-


resumo-dos-principios-constitucionais-do-direito-administrativo

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