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Conexões entre Psicologia da

Saúde e a Religiosidade
Estudantes: Elisa Victor, João Leonardo, João
Giffoni
Professora: Camila de Aquino Morais
Conceitos
Espiritualidade: busca pessoal de respostas sobre o significado e sentido
da vida (Koenig, 2001).
É algo presente em todo ser humano.
Religiosidade: forma pela qual indivíduos/grupos se relacionam com o
sagrado/transcendente (Jodelet, des Hautes, 2013; Koenig, 2001;).
Religião: sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos
projetados para auxiliar a proximidade do indivíduo com o
sagrado/transcendente (Jodelet, des Hautes, 2013; Koenig, 2001;).
Uma das formas de resposta à busca espiritual.
Religiosidade subjetiva: a importância da religião na vida da pessoa.
(Moreira-Almeida, Lotufo Neto, & Koenig, 2006).
Conceitos
Bem-estar espiritual: causado pelo encontro com o sentido da
vida (Marques, Sarriera, & Dell’Aglio, 2009; Volcan, Sousa,
Mari, & Horta, 2003).

existencial
propósito de vida, saúde,
completude, satisfação, paz,
unidade, integração,
proximidade, significado,
otimismo religioso comunhão, relação
(Blomfield, 1996; pessoal íntima com Deus
Marques et al., 2009) (Paloutzian & Ellison, 1982)
Escala de Bem-Estar Espiritual (EBE)

(Marques et al., 2009; Paloutzian & Ellison, 1982)


A escala
Alta fidedignidade, consistência interna e confiabilidade da
escala
Bem-estar espiritual - EUA: 0,86; 0,85; 0,84; Brasil: 0,92
Bem-estar religioso (BER) - EUA: 0,96; Brasil: 0,92
Bem-estar existencial (BEE) - EUA: 0,93; Brasil: 0,85
Correlação entre BER e BEE - EUA: 0,32 p<0,001
Alta qualidade psicométrica

(Ellison, 1983; Ledbetter, Smith, Fisher, Vosler-Hunter & Crew,


1991; Marques et al., 2009; Paloutzian & Ellison, 1982)
A escala
Alto nível de bem-estar espiritual indicou (em 464 estudos):
• Em idosos com câncer
- combate à enfermidade, diminuição da ansiedade;
• Em estudantes universitários
- diminuição do risco de depressão e suicídio, diminuição da
ansiedade e uso inadequado de substâncias, melhor saúde mental;
● No geral
- menor solidão, maiores habilidades sociais, intrínseco compromisso
religioso.

(Ellis & Smith, 1991; Fehring, Miller, & Shaw, 1997; Fering,
Brennan, & Keller, 1987; Flensler, Klemm, & Miller, 1999;
Kaczorowski, 1989; Nad, Marcinko, Vuksan-AEusa, Jakovljevic, &
Jakovljevic, 2008; Paloutzian, & Ellison, 1982; Volcan et al., 2003)
A escala
Baixo/moderado nível de bem-estar espiritual indicou (em 464
estudos):
● Em estudantes universitários
- Duas vezes maior frequência de transtorno de ansiedade,
depressão e uso inadequado de substâncias;
● No geral
- Valores mais individualistas (maior solidão e menores
habilidades sociais).

(Paloutzian, & Ellison, 1982; Volcan et al., 2003)


A escala
A sub-escala Bem-Estar Existencial apresentou maior
influência do que a sub-escala Bem-Estar Religioso, que não
teve resultados significativos.
• Religiosidade por si mesma não tem valor psicogênico sem
o fator de bem-estar existencial;
• Uma pessoa não-religiosa pode ter uma profunda vida
espiritual.

(Blomfield, 1996; Davis, Kerr, Robinson Kurpius, 2003; Ellis &


Smith, 1991; Fehring, Miller, & Shaw, 1997; Kaczorowski, 1989;
Nad, Marcinko, Vuksan-AEusa, Jakovljevic, & Jakovljevic, 2008;
Paloutzian, & Ellison, 1982; Volcan et al., 2003)
Organização Mundial da Saúde
1988 - A OMS incluiu a dimensão espiritual no conceito de saúde;
• Dimensão espiritual relacionada ao significado e sentido da
vida;
• Há atualmente uma visão mais holística sobre a saúde, incluindo
a dimensão não-material de conexão entre corpo e mente;
• A necessidade de sentido é universal e quando a pessoa não
encontra sentido, há angústia, desespero e sensação de vazio.
• Para a Saúde de todos, é necessário esperança e desejo de
viver.

(Organização Mundial da Saúde, 1998)


Organização Mundial da Saúde
• Pacientes e médicos estão começando a reconhecer o valor da
fé, esperança e compaixão (caridade/empatia);
• Mais de 100 estudos epidemiológicos possibilitam concluir que:
a fé em Deus diminui a taxa de mortalidade e aumenta a saúde;
• Os principais fatores associados ao aumento da sobrevivência
em pacientes com câncer/doenças cardíacas foram:
- baixo consumo de álcool, cigarro e drogas;
- baixa ansiedade, depressão e agressividade;
- baixa pressão arterial;
● Esses fatores estão associados com a fé em Deus.
(Organização Mundial da Saúde, 1998)
Organização Mundial da Saúde
● Pacientes hospitalizados experimentam a perda de controle
sobre a vida e por isso muitos que não valorizavam a dimensão
espiritual começam a:
○ ter a necessidade de encontrar sentido para a vida;
○ desejar acreditar em Deus através de práticas religiosas
formais;
● Os pacientes querem o alívio do medo e da dúvida, da solidão e
desejam se sentir irmãos dos outros e filhos de Deus (desejam
a relação de parentesco).

(Organização Mundial da Saúde, 1998)


Religiosidade e Saúde
Os grupos religiosos auxiliam:
• Na prevenção de doenças:
- propiciando hábitos saudáveis como diminuição do uso de
drogas/álcool, de comportamentos criminosos e violentos;
- Prevenindo transtornos menores como depressão e
ansiedade e maiores como as psicoses;
- Diminuindo risco de suicídio.

• Tratamento de doenças: (Alves, et. al., 2010; Dalgalarrondo, 2007;


- Oração, meditação; Moreira-Almeida, Lotufo Neto, & Koenig, 2006;
- Suporte psicossocial. Murakami & Campos, 2012; Panzini & Bandeira,
2005; Peres, Simão & Nasello, 2007; Volcan, et al.
2003)
Conselho Regional de Psicologia
Em Dezembro de 2017, criou a Comissão Especial de Psicologia

e Religiosidade (CRP 01/DF).

● Coordenadora: Marta Helena de Freitas


● Membras: Andreza Sorrentino e Vanuza Sales
● Membra convidada: Nicole Bacellar Zaneti
Conselho Regional de Psicologia
● Iniciamos a desenvolver pesquisas no campo intitulado
psicologia da religião há cerca de 15 anos.
● O número de jovens pesquisadores, da graduação ao pós-
doutorado, que nos procuram interessados em desenvolver
ou aprofundar seus estudos acerca do papel da
religiosidade na vida das pessoas foi alto e surpreendente.
● Artigo: religiosidade e saúde: experiências dos pacientes e
percepções dos profissionais (Freitas, 2014)
Experiências dos pacientes
• A religiosidade apresenta efeitos positivos sobre a saúde e
o bem-estar, em especial, nas situações críticas e geradoras
de preocupação tais como:
- doença, violencia e perda (Dutra, 2008; Barbosa, 2006;
Freitas, 2005; Nascimento, 2005)
• Os contextos mais investigados são:
- unidades de oncologia ou cuidados paliativos (Fornazari
& Ferreira, 2010; Elias, 2014; Freitas, de Giglo, Pimenta,
2008);
- geriatria (Duarte, Wanderley, 2011);
- atendimento a pessoas com aids.
Experiências dos pacientes
• A religiosidade tem se mostrado como um elemento de estratégias
de:
- coping, resiliência, superação ou ressignificação da dor, promoção
de sentido ou, elemento propulsor da própria cura.
• A oração e suas relações tem mostrado importante ligação com:
- a promoção da qualidade de vida em idosos, e outros;
- redução da ansiedade, habilidade para administração do
estresse, impulso para a solidariedade e a cooperação mútua;
- direcionamento e propósito existenciais, socialização e
ressocialização dos pacientes
Percepção dos profissionais
• As teorias psicológicas tendem a “psicologizar” e “patologizar” a
religiosidade.
• Pesquisas realizadas com os psicólogos recém-formados mostram:
- eles reconhecem a religiosidade no discurso e na experiência
de seus pacientes, mas se sentem despreparados para lidar,
demonstrando receios de virem a incorrer em problemas éticos
• Já as pesquisas feitas com psicólogos e psiquiatras mais
experientes mostram:
- a criação de um modus operandi individual e independente por
meio desses profissionais para o acolhimento do assunto
religião de seus pacientes.
Percepção dos profissionais
• Mesmo quando não praticam atividades religiosas, os
profissionais entrevistados reconhecem:
- os temas religiosos são muito presentes durante os
atendimentos e têm papel relevante na vida do paciente e,
muitas vezes, até mesmo em sua recuperação ou cura.
• Existe o reconhecimento de que muitos pacientes explicam as
próprias doenças, especialmente as mentais, em função de
aspectos religiosos ou espirituais;
• Por outro lado, observa-se que as crenças religiosas dos próprios
profissionais influenciam o modo como lidam com a doença, a
morte e a própria religiosidade dos pacientes e de seus
Espiritualidade/Religiosidade e Saúde
Há estudos que apontam uma relação positiva entre espiritualidade e

melhores indicadores de saúde (Lukoff, 2003; Melo et al., 2015).

Pessoas que apresentam envolvimento religioso têm menor

probabilidade de apresentar comportamentos de risco, como violência,

delinquência e crime, o uso e abuso de substâncias que criam

dependência como álcool e droga (Panzini & Bandeira, 2005).


Referências
Blomfield, H. (1996). Transcendental meditation as an adjunct to therapy. Em S. Boorstein (Ed.),
Transpersonal psychotherapy (pp. 143-164). Albany: State University of New York Press.
CRP-DF (2017, 11 de Junho). Comissão Especial de Psicologia e Religiosidade é apresentada em
lançamento oficial no CRP 01/DF [Matéria de site] Retirado de http://www.crp-01.org.br/?p=6853
Dalgalarrondo, P. (2007). Estudos sobre religião e saúde mental no Brasil: histórico e perspectivas atuais.
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Davis, T.L., Kerr, B.A., Robinson Kurpius, S.E. (2003) Meaning, purpose and religiosity in at-risk youth: The
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Referências
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Psicologia da Religião no Mundo Ocidental Contemporâneo: Desafios da Interdisciplinaridade. Brasília:
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Lukoff, D. (2003). Emergência espiritual e problemas espirituais. In Anais do 4o . Congresso Internacional


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Recuperado de http://www.espacoguia.com.br/index.php?option=com_content&view=arti
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Referências
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Nad, S., Marcinko, D., Vuksan-AEusa, B., Jakovljevic, M. & Jakovljevic, G. (2008). Spiritual well-being,
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Panzini, R. G., & Bandeira, D. R. (2005). Escala de coping religioso-espiritual (Escala CRE): elaboração e
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Referências
Volcan, S. M. A., Sousa, P. L. R., Mari, J. J., & Horta, B. L.. (2003). Relação entre bem-estar espiritual e
transtornos psiquiátricos menores: estudo transversal. Revista de Saúde Pública, 37(4), 440-445.
https://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102003000400008

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