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Sinalização

7 Sinalização

Figura A.7.1 Modelo de referência – De forma figurada, a sinalização serve como


um agente de ligação na rede de telecomunicações

7.1 Introdução ................................................................................................. 298


7.2 Telecomunicação interativa e distributiva ................................................. 298
7.3 Controle da telecomunicação interativa .................................................... 299
7.4 Sinalização básica ..................................................................................... 300
7.5 Métodos de sinalização ............................................................................. 304
7.6 Sinalização entre centrais em redes comutadas por circuitos ................... 306
7.7 Informação de sinalização nas diferentes redes ........................................ 312
7.8 Sinalização entre nós de comutação e nós de inteligência de rede ........... 316

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Entendendo Telecomunicações 1

7.1 Introdução
Nos capítulos anteriores descrevemos as diferentes funções e unidades de equipamento
controláveis na rede de telecomunicações (tais como seletores e nós de inteligência
de rede). Os processadores com programas de controle são normalmente usados para
o que, neste contexto, chamamos de controle por programa armazenado (SPC).
Para que a rede opere e responda ao propósito pretendido, devemos vincular as várias
funções de forma que interajam. Isto requer a transferência e a troca de informações
de controle. A supervisão das funções de rede requer também esse tratamento de
informação.
A fim de obter um melhor domínio sobre esse tipo de “transferência de informação”
na rede, iniciaremos fazendo uma distinção entre dois conceitos de comunicação –
telecomunicação interativa e distributiva. Esses dois conceitos, podemos dizer, também
representam diferentes tipos de “carga útil” transportados pela rede.

7.2 Telecomunicação interativa e


distributiva
A telefonia e a comunicação de dados são exemplos de telecomunicação interativa
(bidirecional). A transmissão e a recepção podem ocorrer em ambas as extremidades
de um circuito de telecomunicação.
A difusão de rádio e de TV são exemplos de telecomunicação distributiva; a informação
é transferida em uma direção de um transmissor para um ou mais receptores. Veja a
Figura A.7.2.

Figura A.7.2 Telecomunicação distributiva e interativa

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Sinalização

A rede de telecomunicação interativa e seu tráfego são particularmente exigentes em


relação ao controle e à supervisão. O controle pode ser iniciado tanto por um usuário
de serviço como pela operadora da rede.
(A maioria dos assinantes de hoje usa outros serviços além da telefonia. O termo
usuário de serviço é, portanto, aplicável aos contextos seguintes.)
Quando fazemos uma chamada telefônica, ou estabelecemos um circuito de dados,
controlamos as funções de tráfego da rede de telecomunicações e iniciamos uma
quantidade de atividades na rede. A troca e a transferência de informações de controle,
entre o usuário do serviço e o nó da rede – normalmente uma central local – e entre os
nós, chamamos tradicionalmente de sinalização.
Sob o ponto de vista da operadora da rede, o propósito principal do controle da rede é
observar que os serviços e a tecnologia funcionem sem distúrbios e interrupções.

7.3 Controle da telecomunicação


interativa
O controle da telecomunicação distributiva não é tratado neste capítulo.

7.3.1 Controle pelo usuário do serviço


O usuário do serviço controla a rede por meio da escolha do serviço e do
“endereçamento” de sua chamada. No caso de uma chamada telefônica normal, o
controle significa que o usuário levanta seu fone do gancho e, – após o tom de discar
– marca o número telefônico da pessoa que deseja alcançar.
Exige-se da rede que a conexão seja estabelecida em tempo real, significando que a
tentativa de chamada deva ser tratada imediatamente. Os nós (centrais) da rede devem
estar preparados para interpretar e tratar a informação de controle que entrar. O
procedimento para esse tratamento difere um pouco, dependendo de qual serviço é
utilizado e qual o tipo de modo de transferência (modo de circuitos, modo de pacotes,
modo de células) que está sendo empregado.
O software do sistema de processador contém tabelas de análise, a fim de interpretar
as informações de endereço e para selecionar os procedimentos para a reserva de um
tronco apropriado de saída. Por tradição, a sinalização entre um assinante telefônico e
a central local é chamada de sinalização de assinante, enquanto a sinalização entre as
centrais é chamada de sinalização entre centrais.

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7.3.2 Controle pela operadora da rede


A equipe de operação e manutenção da operadora da rede deve ser capaz de se
comunicar com a rede, para que possa controlar e supervisionar sua operação. Por
exemplo, o tráfego poderá ser reencaminhado se alguma parte da rede for atingida
por transtornos de operação. Então, devem ser enviadas ordens para os sistemas de
processador e para os elementos de rede envolvidos.
Um outro exemplo é a conexão de linhas arrendadas, que é um serviço comercial
usual. A equipe de operação pode usar comandos (controle a distância) para estabelecer
tais conexões na rede. Também deve ser possível transferir os alarmes dos nós da rede
até os centros de apoio à operação, para que as ações necessárias possam ser tomadas.
As funções de gerenciamento da rede, relacionadas aos serviços – a implementação
de novos serviços IN pela operadora da rede, por exemplo – representa um outro
grande e importante campo de atividade. A tendência é em direção ao controle mais
centralizado dos serviços e das funções de rede. A rede de gerenciamento de
telecomunicações (TMN43) é um conceito usado globalmente para desenvolver
estruturas e padrões para a operação e manutenção centralizadas. Tudo isso é uma
conseqüência natural da complexidade e do volume aumentados dos serviços e da
tecnologia na rede. Por trás da tendência em direção ao controle centralizado, existem
também forças motivadoras de cunho financeiro.
As redes dedicadas de comunicação de dados – a maioria do tipo X.25 – foram
construídas para capacitar à operadora de rede o controle e a supervisão tanto na
operação do dia-a-dia, quanto nas funções subjacentes.
Trata-se do gerenciamento da rede no Capítulo 8.

7.4 Sinalização básica

7.4.1 Sinalização: passado e presente


Mesmo quando a telefonia estava na sua infância, a sinalização era um requisito básico.
Naqueles dias, entretanto, a sinalização entre um assinante e a central local era manual.
Quando o assinante acionava a manivela do “magneto” do aparelho telefônico, gerava-se
uma corrente alternada, que disparava um sinal de chamada na central. Esse sinal
chamava a atenção da telefonista para a chamada.

43
NR - TMN = Telecommunications Management Network.

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Outros tipos de informação, tais como números telefônicos, eram trocados entre os
assinantes e a telefonista, e entre as telefonistas em diferentes centrais. Mais tarde,
quando a rede telefônica foi automatizada, esses procedimentos foram inteiramente
substituídos pela sinalização. O gerador a magneto foi substituído por contatos
acionados pela forquilha no telefone, para enviar os sinais “fora do gancho” e “no
gancho” para a central local. O número não era mais transferido verbalmente, mas
sim por meio do disco – substituído, mais tarde, por um teclado nos aparelhos
telefônicos modernos. O restante da comunicação entre o assinante e a central local é
realizado, atualmente, por meio de diferentes tipos de mensagens de tons (tom de
discar, tom de controle de chamada, tom de ocupado).

Figura A.7.3 Sinalização de assinante e sinalização entre centrais

7.4.2 Portadores de sinalização


Com o tempo, foram desenvolvidos diferentes tipos de portadores de sinalização na
rede telefônica. Nas antigas redes analógicas ainda são usados pulsos e tons, enquanto
está se tornando cada vez mais comum o uso de pacotes de dados como portadores de
sinalização nas modernas redes digitais.

7.4.3 Diferentes requisitos de sinalização


Já mencionamos que existem diferenças e similaridades entre os serviços quanto à
sinalização. Uma chamada telefônica comum requer uma sinalização relativamente
simples, enquanto uma chamada com cartão de crédito envolve uma sinalização mais
complexa na rede. Neste último caso, será necessária também uma sinalização para
uma base de dados, a fim de verificar a validade do cartão de crédito.
Portanto, a complexidade da sinalização varia conforme o tipo de serviço, porém o
principal propósito da sinalização é o mesmo para todos os serviços: transferir a
informação de controle requerida para o estabelecimento, a monitoração e a liberação
da conexão. Naturalmente, a sinalização também é requerida em todos os serviços

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suplementares distribuídos, tais como a chamada de retorno automático e o desvio de


chamada.

Figura A.7.4 Sinalização para serviços suplementares distribuídos

A crescente oferta de novos serviços suplementares centralizados – chamada com


cartão de crédito, só para dar um exemplo – impõe novos requisitos nos procedimentos
de sinalização na rede.

Figura A.7.5 Sinalização para serviços suplementares centralizados

A telefonia móvel e a comunicação móvel de dados impõem requisitos especiais ao


sistema: o sistema deve se manter informado sobre onde um certo terminal (um telefone
móvel) se encontra. Essa informação – e outras informações importantes – são
atualizadas e armazenadas continuamente em bases de dados, chamadas de registro
de localização da origem (HLR) e de registro de localização do visitante (VLR). Veja

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a Figura A.7.6. Será necessária uma rede de sinalização bem desenvolvida para que
esses procedimentos sofisticados funcionem. Essa rede usualmente é baseada no
sistema de sinalização nº 7 da ITU-T (SS7), chamada de sinalização por canal comum
(CCS).
Como o notável crescimento da telefonia móvel e da comunicação de dados prossegue
acelerado, e estão sendo criados novos serviços, a rede de sinalização terá que satisfazer
requisitos cada vez mais rigorosos em termos de capacidade, velocidade,
confiabilidade, segurança e flexibilidade.

Figura A.7.6 Sinalização na telefonia móvel

7.4.4 Diferentes tipos de modos de transferência


Existem dois tipos principais de modos de transferência nas modernas redes de
telecomunicações:

· conexões comutadas por circuitos e


· conexões comutadas por pacotes.

A comutação de pacotes evoluiu para diferentes variantes:

· X.25, rede comutada por pacotes para a transferência de dados orientada


para conexão e sem conexão;
· conexões por transferência de quadros (orientadas a conexão) para a trans-
ferência de dados; e
· conexões comutadas por células (orientadas a conexão) para voz, dados e
imagens móveis.
Os métodos de sinalização para os diferentes modos de transferência estão descritos
na seção seguinte.

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7.5 Métodos de sinalização

7.5.1 Sinalização em redes comutadas por circuitos


Via de regra, usam-se canais dedicados de sinalização nas redes comutadas por
circuitos. Os antigos sistemas de sinalização também podem usar canais de tráfego
para a sinalização.
Como usuários telefônicos, nós nos comunicamos com a rede de telecomunicações
todos os dias. Nós “sinalizamos” quando levantamos o fone, quando marcamos um
número e – após um espaço de tempo – quando desligamos. Nós realmente nos
comunicamos com (ou “controlamos”) o sistema de processador da central local à
qual o telefone está conectado.
Para a comunicação entre os processadores das centrais (sinalização entre centrais),
há equipamentos especiais de sinalização que enviam e recebem as informações de
sinalização.
Atualmente, o SS7 é o exemplo mais típico dos modernos e potentes sistemas de
sinalização. Esse sistema está sendo usado cada vez mais nas redes comutadas por
circuitos, sobretudo na PSTN, na ISDN e na PLMN. A longo prazo, também será
usado na B-ISDN. O sistema em si é um tipo de rede de pacotes de dados para a
transferência de informações de sinalização. Veja as Recomendações Q.700 – Q.716
da ITU-T.

7.5.2 Sinalização em redes comutadas por pacotes


Nas redes comutadas por pacotes, a informação de sinalização é transferida numa
“etiqueta” em cada pacote de dados. A informação na etiqueta é analisada em cada
nó, possibilitando que o pacote de dados seja encaminhado pela rede. Este é o princípio
fundamental das três variantes de conexões comutadas por pacotes, mencionadas na
Subseção 7.4.4. Veja a Figura A.7.7.
Não existe qualquer equipamento específico de sinalização nessas redes. Em vez disso,
usam protocolos de sinalização e procedimentos de sinalização; por exemplo, X.25 e
transferência de quadros.

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Figura A.7.7 Sinalização em redes comutadas por pacotes

7.5.3 Sinalização em redes comutadas por células


As conexões comutadas por células são um fenômeno relativamente novo nas
telecomunicações. O procedimento de sinalização não foi ainda definitivamente
padronizado e, por isso, a descrição seguinte está baseada nos acordos preliminares.
Como já mencionamos, a B-ISDN é um dos campos de aplicação que usará redes
comutadas por células. A B-ISDN será baseada na tecnologia ATM.
A conexão de um serviço na B-ISDN é um procedimento em dois passos.
O primeiro passo é chamado de controle da chamada. Por meio da SS7, envia-se para
a central receptora um “pedido” de um serviço específico e de uma conexão apropriada.
Por exemplo, isso pode significar que será feito um controle para verificar se o terminal
receptor está disponível para (pronto para receber) uma “chamada” de entrada e para
descobrir quais os requisitos de transmissão que serão aplicados.
O segundo passo é o controle da conexão. Uma via lógica na rede comutada por
células será preparada para a conexão. Isto significa que serão atribuídos certos valores
de endereço à etiqueta de uma célula pertencente a uma conexão específica. A célula
será então despachada por meio dos nós da rede até que chegue ao lado receptor. Veja
a Figura A.7.8.

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Figura A.7.8 Sinalização em uma rede comutada por células

7.6 Sinalização entre centrais em redes


comutadas por circuitos

7.6.1 Visão geral


Equipamentos de sinalização e canais de sinalização são necessários para a troca de
informações entre os nós de rede. Essa sinalização entre centrais informa aos nós o
que deve ser executado quando uma chamada telefônica, ou de dados, tiver que ser
estabelecida ou liberada em uma conexão comutada por circuitos. Durante a
conversação vigente, a sinalização é normalmente limitada à transferência de impulsos
de tarifação.
Nas décadas recentes, os desenvolvimentos de sinalizações entre centrais obrigaram
a distinguir entre dois grupos principais de técnicas de sinalização: a sinalização por
canal associado (CAS) e a sinalização por canal comum (CCS).

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Figura A.7.9 Sinalização entre centrais em conexões comutadas por circuitos

A classificação em sinalização por canal associado e por canal comum é algo como
uma divisão entre “velho” e “novo”. Todos os antigos sistemas tradicionais de
sinalização são por canal associado.
A sinalização por canal comum, SS7, existe desde o começo dos anos 80. A SS7 é
usada em paralelo com sistemas por canal associado na maior parte da rede de
telecomunicações de hoje. Mais cedo ou mais tarde, a SS7 irá substituir inteiramente
os sistemas por canal associado que não possuem, nem de perto, a mesma capacidade,
velocidade, confiabilidade, flexibilidade e economia.

7.6.2 Sinalização por canal associado


A sinalização por canal associado ainda é usada em larga escala na PSTN, porém,
quando as redes são ampliadas, a sinalização por canal comum é aplicada quase sem
exceção.
Uma facilidade característica da sinalização por canal associado – usada tanto em
redes analógicas quanto digitais – é que a voz e os sinais são transferidos ao longo da
mesma rota por meio da rede.
Nas redes analógicas, todos os sinais de uma determinada chamada são transferidos
no respectivo canal de voz. A sinalização por corrente contínua (DC) e por freqüência
de voz (VF) são os métodos de sinalização mais comumente usados nas redes
analógicas.
A sinalização DC é uma técnica antiga, embora muito comum em vários países. Os
sinais são transferidos como pulsos, mudando a polaridade e a resistência da conexão
física. Existem muitas variantes disponíveis desse sistema.
A sinalização VF é mais moderna do que a sinalização DC, sendo usada em larga
escala tanto no nível de trânsito nacional quanto no de trânsito internacional. Os sinais
são transferidos como tons com diferentes freqüências. Os diferentes sistemas foram

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desenvolvidos ao longo dos anos. A variante mais moderna – chamada R2 – também


é usada largamente nas redes digitais.
Nas redes digitais, os sinais são transferidos nos intervalos de tempo de voz de cada
enlace PCM e em um intervalo de tempo de sinalização separado (normalmente o
intervalo de tempo 16). A razão para esse arranjo é que existem dois grupos diferentes
de sinais: sinais de registrador e sinais de linha.
Os sinais de registrador, que contêm informações exclusivas relacionadas a uma
chamada específica (o número telefônico do assinante chamado, por exemplo), são
transferidos no intervalo de tempo de voz, reservado para a chamada em questão.
Os sinais de linha podem se relacionar com a ocupação de uma linha tronco para a
próxima central, ou podem transportar informações de mensagens sobre as mudanças
de estado em uma conexão específica (por exemplo, liberação). Esses sinais são usados
por todos os intervalos de tempo de voz e são usualmente transferidos no intervalo de
tempo 16.
Para resumir, sinalização por canal associado significa que a transferência da voz e a
transferência dos sinais acham-se integradas de alguma forma, porém a voz e os sinais
são transferidos ao longo da mesma via por meio da rede. Também podemos dizer
que a sinalização está associada ao canal de voz usado para a chamada.

7.6.3 Sinalização por canal comum


Sinalização por canal comum significa que os sinais possuem uma via própria. A
portadora do sinal é uma rede em si.

Figura A.7.10 Sinalização por canal comum

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A tarefa da rede de sinalização é transferir informações de sinalização entre as centrais


que podem, portanto, ser consideradas como “assinantes” da rede de sinalização. E,
uma vez que os processadores das centrais estão se comunicando, estamos no domínio
da comunicação de dados. O “canal comum” forma parte de uma rede de dados na
qual os processadores estão incluídos. Veja a Figura A.7.10 apresentada anteriormente.
A sinalização por canal comum oferece um número de vantagens, sobretudo do ponto
de vista da capacidade. O tempo total da sinalização para cada chamada é muito
pequeno. Esta é a razão por que um único canal comum de sinalização pode tratar
toda a sinalização entre duas centrais, para cerca de dois mil intervalos de tempo de
voz, que correspondem a uns sessenta enlaces PCM.
Uma outra facilidade da sinalização por canal comum é que, em princípio, o mesmo
sistema de sinalização pode apoiar os serviços na PSTN, na ISDN e na PLMN, com
uma ampla faixa de sinais para diferentes tarefas.
As características do SS7 podem ser resumidas como segue:
· alta capacidade;
· alta velocidade;
· confiabilidade;
· flexibilidade; e
· eficiência em custo.

7.6.4 Sistemas padrão para a sinalização por canal


comum
A ITU-T (antigamente CCITT) já publicou as recomendações (padrões) para dois
diferentes sistemas de sinalização por canal comum. Um deles, o SS6, foi especificado
já no ano de 1968 e foi planejado principalmente para o tráfego internacional. O outro
– o SS7, especificado em 1980 – é hoje o sistema predominante. O sistema SS7 é
destinado principalmente às redes digitais nas quais a taxa de transferência de 64
kbit/s pode ser usada para os canais de sinalização. Gradualmente, o SS6 está sendo
substituído pelo seu sucessor, o SS7, muito mais poderoso.

7.6.5 Redes de sinalização


Rede de sinalização é um conceito usado na sinalização por canal comum. Este é o
único tipo de sinalização que possui sua própria rede para a sinalização entre centrais.
Uma vez que a capacidade de transmissão do SS7 é muito alta, todas as centrais em
uma rede não precisam estar interligadas por enlaces de sinalização. Na Figura A.7.11,

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as centrais A e B não possuem enlaces de sinalização diretos entre elas, mas ambas
possuem enlaces para uma terceira central, C. Então, a sinalização entre A e B pode
ser encaminhada via C.
Portanto, a rede de sinalização consiste em enlaces de sinalização e de centrais. Neste
contexto, as centrais da rede são chamadas de pontos de sinalização (SP). O tráfego
na rede de sinalização consiste em um fluxo de mensagens de sinal, transportado
entre os pontos de sinalização.

Figura A.7.11 Enlaces de sinalização

7.6.6 Relações de sinalização


Todas as centrais na figura A.7.12 possuem relações de sinalização entre si, o que
significa que podem enviar e receber mensagens de sinal entre elas. Uma das centrais
– um ponto de transferência de sinal (STP) – funciona como uma “central” da rede de
sinalização e assegura que o fluxo de mensagens alcance o receptor correto. O STP
não influencia a mensagem de forma alguma – ele só lê seu endereço do ponto de
sinalização e encaminha a mensagem para adiante na rede de sinalização.
Um ponto de transferência de sinalização é um STP integrado ou um STP independente.
Um STP integrado é um ponto de sinalização que pode ser o transportador das
mensagens de sinal de outros pontos de sinalização, mas ele próprio também pode ser
o emissor ou o receptor de mensagens de sinal.
Um STP independente é um nó da rede cuja única tarefa é transferir mensagens de
sinal entre pontos de sinalização da rede. O STP independente possui uma capacidade
quatro a cinco vezes maior do que a de um STP integrado, porque toda a sua capacidade
de processador pode ser usada para a tarefa a ele atribuída.

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Sinalização

Em um STP integrado, que é usualmente uma central de trânsito com função STP,
também são tratados todos os processos de comutação de chamadas. Isso exige uma
grande parcela da sua capacidade de processador.
Em uma rede de sinalização para o SS7, a solução mais comum é ter STPs integrados.
Em áreas metropolitanas, que têm uma carga de tráfego muito alta, poderá ser
necessário um par de STPs independentes.

Figura A.7.12 Ponto de transferência de sinal

7.6.7 Distribuição de tráfego em redes de sinalização


Em um ponto de sinalização (SP ou STP), as mensagens de sinal são encaminhadas –
como indicado por seus endereços de ponto de sinalização – para o grupo de enlaces
de sinalização, conectado ao nó receptor apropriado. A seleção de um enlace de
sinalização livre não é feita ao acaso: o sistema está programado para distribuir a
carga da melhor maneira possível entre os enlaces do grupo.
O canal de sinalização entre as centrais na Figura A.7.10 pode ser, por exemplo, o
intervalo de tempo 1 em uma conexão PCM.
A alta capacidade de transmissão permite que o tráfego seja concentrado em poucos
enlaces. A maioria das centrais só precisa de um enlace, porém, por questões de
confiabilidade, deve sempre haver pelo menos dois enlaces separados – de preferência
a dois STPs diferentes. Veja a Figura A.7.13.

Ericsson Telecomunicações 311


Entendendo Telecomunicações 1

Figura A.7.13 Rede de sinalização

7.6.8 Hierarquia na rede de sinalização


Teoricamente, várias e diferentes estruturas de rede podem satisfazer o requisito de
sinalização entre as centrais conectadas. Um modelo é uma estrutura achatada em
forma de malha, na qual todos os pontos de sinalização possuem também uma função
de STP. Um outro modelo é a estrutura puramente hierárquica, em forma de estrela,
com poucos pontos de sinalização, que também servem como STPs para o tráfego de
sinalização entre todos os outros pontos de sinalização conectados. Usa-se, geralmente,
uma combinação das duas estruturas.
A rede é usualmente dividida em áreas de sinalização, servidas por um par de centrais
STP. A sinalização para as centrais de outras áreas de sinalização é efetuada por uma
rede hierárquica de sinalização, compreendendo três níveis de STP: STP nacional,
STP regional e pontos finais de sinalização (SP).

7.7 Informação de sinalização nas


diferentes redes
7.7.1 Visão geral
Como já mencionamos, todas as redes públicas interativas possuem uma tarefa comum
e global – a de transportar tráfego entre usuários de serviço (assinantes). Isso se aplica
à rede telefônica e aos diferentes tipos de redes de dados.

312 Ericsson Telecomunicações


Sinalização

Na tarefa principal de “transportar tráfego”, podemos distinguir quatro fases:

· a fase livre – quando o terminal de um assinante (o telefone ou o PC) está livre;


· a fase de estabelecimento da conexão – quando se estabelece uma chamada
telefônica, ou uma conexão de dados entre dois ou mais assinantes;
· a fase de transferência – quando a chamada está em progresso, ou a informação
está sendo trocada entre os assinantes; e
· a fase de liberação – quando a chamada, ou a conexão de dados, estiver sendo
liberada.

Cada fase, geralmente, requer a troca de informações entre os elementos da rede e


entre os equipamentos de assinante e a rede. Em outras palavras, são necessários
sinais diferentes para transferir tais informações para as funções relevantes da rede.
Nas subseções seguintes, vamos estudar inicialmente a sinalização na rede telefônica
e fornecer um resumo sobre os tipos de sinais usados nas diferentes fases do tráfego
telefônico. Em seguida, estudaremos a sinalização nas redes de dados e suas diferenças
em comparação com a rede telefônica.

7.7.2 Fases de tráfego e de sinalização na rede


telefônica
Na rede telefônica, a fase livre corresponde à condição existente quando o receptor
está no gancho (repousando no comutador). A rede deve ser capaz de identificar essa
condição. Ela também deve ser capaz de detectar falhas – no telefone ou na linha do
assinante – e reagir enviando um tom de interceptação, caso necessário.
A fase de estabelecimento da conexão inclui uma seqüência de operações, que se
inicia quando o assinante que chama (o assinante A) levanta seu fone do gancho. O
estabelecimento da conexão não é completado até que o assinante chamado (o assinante
B) levante o seu fone, atendendo à chamada. Para que a tentativa de chamada seja
bem sucedida, a rede deve ser capaz de executar os seguintes procedimentos:

· identificar o sinal de fora do gancho;


· enviar uma informação para o assinante A, sob a forma do tom de discar, infor-
mando-o que a informação de seleção pode ser enviada (pode ser marcado um
número telefônico); e
· receber os dígitos do número B (o número do assinante chamado).

Essa sinalização de assinante ocorre na linha do assinante. Quando o número B tiver


sido recebido na central local, os seguintes procedimentos ocorrerão nessa central:

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Entendendo Telecomunicações 1

· análise do número B e seleção da rota para a próxima central da rede;


· transferência de informação (o número B, e assim por diante) para a próxima
central (esta é a fase da sinalização entre centrais);
· informação da central de destino para o assinante B: uma chamada foi estabelecida
(sinal de toque de chamada);
· informação para o assinante A: um tom de controle de chamada indica que o
telefone do assinante B está tocando; caso contrário, envia-se um tom de ocupado
para A; e
· identificação do sinal de fora do gancho (o “estado do comutador de gancho”) do
assinante B; isso interrompe o envio da sinalização de toque de chamada e do tom
de controle de chamada.

Na fase de transferência, a rede telefônica provê uma conexão direta para a transferência
de voz ou de dados entre as partes. Durante toda a fase de transferência, são monitorados
os estados do comutador de gancho tanto do assinante A quanto do assinante B. A
informação sobre as mudanças desses estados é enviada para as centrais envolvidas,
por meio da sinalização entre centrais. Normalmente, a liberação inicia-se
imediatamente quando o assinante A repõe o fone no gancho. Se o assinante B repuser
o seu fone no gancho e A não o fizer, a fase de liberação iniciar-se-á após uma
temporização específica. Liberação, como definido pela ITU-T, é o evento que muda
a condição de um recurso de ocupado para livre.
Naturalmente, não devemos esquecer a função de tarifação da rede. Embora os
princípios de tarifação possam variar entre as diferentes operadoras de rede, uma
chamada é usualmente tarifada pelo seu tempo de duração e distância entre os
assinantes. Geralmente, a função de tarifação realiza-se na central local do assinante
A, mas, para determinados casos de tráfego, pode residir mais acima na hierarquia da
rede.
A sinalização por ocasião do estabelecimento de uma chamada telefônica está ilustrada
na Figura A.7.14.

314 Ericsson Telecomunicações


Sinalização

Figura A.7.14. Procedimentos para a conexão e a liberação de uma chamada


telefônica

7.7.3 Fases de tráfego e de sinalização em redes de


dados
A similaridade entre o tráfego na rede telefônica e o tráfego na rede pública de dados
comutada por circuitos é surpreendente. As redes de dados também devem ser capazes
de:

· distinguir entre “linha de assinante livre” e “linha de assinante ocupada”;


· reagir a uma tentativa de chamada e confirmá-la;
· receber sinais de seleção (endereço de B);
· estabelecer uma conexão por meio da rede;
· atrair a atenção do assinante B;
· monitorar o tráfego em progresso;
· liberar uma conexão quando a “conversação” estiver concluída; e
· calcular e memorizar os dados de tarifação.
Em geral, as redes de dados comutadas por circuito requerem mais sinalização do que
a rede telefônica. Os sinais são necessários para permitir ao transmissor e ao receptor

Ericsson Telecomunicações 315


Entendendo Telecomunicações 1

sincronizar suas velocidades binárias e identificar o início e o final dos caracteres ou


das seqüências de caracteres. Na rede telefônica, o assinante possui um telefone de
um determinado tipo, mas, na rede de dados, podemos ter que usar sinais para identificar
um tipo específico de terminal. Também poderão ser necessários sinais para solicitar
a conversão de uma velocidade binária para outra. Esse é o caso na comunicação de
dados via modems.
Porém, uma rede de dados comutada por circuitos oferece maiores possibilidades de
desenvolver sinais para diferentes funções. Em princípio, os dados de usuário e os
sinais são elaborados de maneira similar – e, do ponto de vista de transmissão, são
tratados da mesma forma. Isso nos permite usar uma quantidade de sinais relativamente
grande nas redes de dados. Também significa que podemos oferecer serviços mais
sofisticados aos usuários de serviço (em complemento à transferência comum de
dados), tais como grupos fechados de usuários.
A sinalização é relativamente limitada nas redes de dados comutadas por pacotes. De
modo geral, é só uma transferência de endereço do receptor para os nós envolvidos.
Por outro lado, essas redes possuem procedimentos bem desenvolvidos para tratamento
de falhas.

7.8 Sinalização entre nós de comutação e


nós de inteligência de rede
Muitos dos novos serviços que estão sendo introduzidos na rede de telecomunicações
requerem um transporte rápido e eficiente de informações, entre os nós de rede. Em
particular, esse é o caso dos serviços suplementares centralizados e descritos no
Capítulo 6, Subseção 6.2.3; do serviço da telecomunicação pessoal universal e descrito
na Subseção 6.2.4; e dos serviços celulares tratados na Parte D do Volume 2. De
forma característica, a informação é trocada entre os nós de comutação de trânsito e
os nós de inteligência de rede.
Alguns dos nós de inteligência de rede são bases de dados e com grande quantidade
de dados. Os registros nos sistemas de telefonia móvel – o registro de posicionamento
de origem (HLR) e o registro de posicionamento de visitante (VLR), que armazenam
informações sobre os assinantes – são exemplos de tais bases de dados. Outros
exemplos são os nós que tratam a lógica de serviço e os dados para os serviços IN
(tais como o serviço telefônico gratuito e os serviços com tarifa prêmio). Toda a
sinalização necessária para essa transferência de informações é, geralmente,
transportada pela SS7.
Esse tipo de sinalização, em que as bases de dados permutam dados, via a rede de
sinalização, é referido como a “sinalização não associada a circuitos”, oposto à

316 Ericsson Telecomunicações


Sinalização

“sinalização associada a circuitos”, empregada quando as chamadas são estabelecidas


e liberadas.
A ITU-T definiu o conceito de capacidades de transação (TC), para oferecer funções
gerais de tratamento para a transferência, entre nós, dos sinais não associados a
circuitos. Existe também um protocolo correspondente, especificado pela ITU-T e
definido como parte de aplicação das capacidades de transação (TCAP44). Esse
protocolo descreve o manejo relevante do diálogo e os procedimentos de comunicação.
TCAP é um protocolo geral que reduz a necessidade de desenvolver novos protocolos,
sempre que novas facilidades forem introduzidas nas redes de telecomunicações. O
TCAP pertence à camada 7 do modelo OSI e foi especificado na Recomendação
Q.771 da ITU-T.

Figura A.7.15 TCAP em relação ao modelo OSI

As informações adicionais sobre as capacidades do sistema de sinalização SS7


são encontradas na Parte E do Volume 2.

44
NR - TCAP = Transaction Capabilities Application Part.

Ericsson Telecomunicações 317


Entendendo Telecomunicações 1

318 Ericsson Telecomunicações

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