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CM – Notas

Unidade 1

Conceito de comunicação
- tornar comum
- os acontecimentos são/podem ser rapidamente conhecidos em qualquer parte (era da
informação/comunicação)
- aldeia global de McLuhan ->evolução tecnológica, transformações sociais possíveis através da
comunicação

Comunicar:
- tornar comum, estabelecer comunhão, participar da comunidade através da troca de informações.
Perspectivas para analisar conceito de comunicação:
- Científica – abordagens etimológica, biológica, pedagógica, histórica, sociológica, antropológica,
psicológica. Conceito funcional que analiza a comunicação como instrumento de satisfação de
necessidades.
- Filosófica – transcententalista, naturalista, marxista. Tipo especulativo, preocupado com a natureza
intrínseca do processo de comunicação.
- Estrutural – baseia-se na estrutura do fenómeno comunicativo, tomando como modelo o processo em
toda a sua globalidade.

O conceito de comunicação é complexo demais para ser visto segundo um só prisma.


Destaques:
- Biológicamente – tem a ver com a sobrevivência da espécie, actividade sensorial e nervosa
materializada pela recolha de informações do ambiente ou do corpo.
- Naturalista – pessoas comunicam entre si porque têm uma estrutura física e intelectual semelhante,
inseridas em contextos comuns.
- Pedagógica – modificar o comportamento dos outros. Intercâmbio de experiências entre
pessoas/gerações, renovação constante das experiências, saberes individuais, transformam-se em
património colectivo.
- Psicológica – factor de modelação de comportamentos. Induzir da necessidade de modificar
comportamentos dos outros em função das nossas convicções.
- Sociológica – instrumento de relações sociais, interactividade entre membros de uma comunidade.
Possibilita e determina interacção social.
Fenómeno comunicacional – amálgama das diferentes vertentes.

Componentes:
- Fonte – (emissor) Origem das mensagens; inicia o ciclo de comunicação
- Receptor – intérprete das mensagens. Decisões deste, alterações de atitude, medem eficácia da
comunicação
Código – sinais comuns, signos sintonizados
- Mensagem – conjunto de sinais enviada pelo emissor ao receptor, ficando clara através do
comportamento de cada receptor.
- Canal de comunicação (veículo) meio físico que transmite a mensagem. Meio – recurso técnico ou físíco
que converte a mensagem num sinal capaz de ser transmitido ao longo do canal.
Veículos de comunicação adequam as mensagens às suas próprias características. Cada veículo exerce
influência própria sobre a mensagem.
Processo de comunicação – fluxo de comunicação bidireccional/interactivo. Emissor fonte de mensagens,
mas tb receptor de mensagens enviadas pelo receptor.

Ruído: interferência no processo de comunicação.


Fontes de ruído
- Interferências mediáticas
- Barreiras psicológicas (verbalismo, referênciais confusos, percepção limitada, desconforto físico,
daydreaming)

Particularmente importantes em contexto educacional.

Cultura absorvida pelos meios de comunicação é uma cultura de mosaico, estanque e pouco organizada
(Abraham Moles). Professor pode aproveitar esta característica para tornar o ruído mediático aliado no
processo comunicacional.
Veículos de comunicação não são neutros. Igualmente com o processo de comunicação.
Comunicador ao transmitir mensagem pretende alterar o comportamento do receptor, embora o possa de
fazer de forma não deliberada.
Comunicação mediatizada

Tecnologias foram proporcionando ferramentas de auxílio ao processo comunicacional. Linguagens


específicas dos medium trasnformam a linguagem. A linguagem tem de ser trabalhada de acordo com o
medium escolhido, este influencia a mensagem.

Mediatização: conjunto de operações destinadas a melhorar a qualidade da comunicação.

Modelos comunicacionais
- Escola Processual – processo técnico de transmissão de mensagem
- Escola Semiótica – produção e troca de signos

Modelo de Shannon e Weaver

Sinal
Fonte –>Emissor –> Canal –> Receptor -> Destinatário
|
Ruído
Mede a qualidade da recepção em três níveis de análise:
- técnico – precisão do sistema de funcionamento de transmissão dos símbolos
- semântico – garantia do conhecimento mútuo dos códigos
- eficácia – adequação da resposta do receptor face às expectativas do emissor
Defeitos:
- situações de comunicação despojadas de contexto
- ruído simples, incidindo fundamentalmente no trânsito pelo canal de comunicação
- sem noção de feedback (introduzida por Wiener, 1948), reacção do receptor à mensagem, reenvio.

Modelo de Jakobson

Tenta reunir a complexidade da comunicação humana


Seis factores constitutivos, associados a funções.
Destinador (emissor) – função emotiva: relação da mensagem com o destinador
Mensagem – função poética: relação da mensagem consigo própria
Destinatário – função conativa: efeito da mensagem sobre o destinatário
Contexto (enquadra e valida a mensagem) – função referencial: exactidão da mensagem
Contacto (canal físico e ligações psicológicas) – função fática: desimpedimento dos canais de
comunicação, propiciando fluir
Código (sinais comuns que permitem a formulação e compreensão da mensagem) – função
metalinguística: identificação do código

Modelo de Newcomb

Estrutura triangular, que introduz o papel das relações sociais e seu equilíbrio no processo.
Elementos da comunicação procuram consenso em relação a um elemento.
Modelo útil para gestão de grupos

Modelo de Lasswell

5W – Who (quem); What (o quê), Where (meio); Whom (receptor); Why (porquê)
Descreve um processo informacional ao invés de um processo comunicacional.
Contexto
- conjunto de circunstâncias de carácter físico ou emocional que definem a qualidade da comunicação
- contextos linguísticos- adequação dos discursos
- contexto explícito – formas de expressão (não verbal)
- contexto implícito – o que o receptor conhece acerca do emissor
Redundância
- reenvio, reforço da mensagem, utilizando os mesmos códigos ou outros, para se certificar que conteúdo
da mensagem não é perdido. Tentativa de fazer com que a mensagem seja fielmente entregue ao
receptor sem adulteração.
Entropia
Oposto da redundância, estados não previsíveis

Manipulação e condicionamento
Pode ser difuso: o emissor pode condicionar inconscientemente a informação de acordo com a sua visão.

Manipulação
- existência, por parte do manipulador, intenção deliberada de suscitar mudança de opinião, empregando
técnicas várias, e inconsciência no manipulado dos mecanismos e fins utilizados.
Indicadores:
- critério de escolha da informação
- amputação de parte do todo informativo
- não indicação do contexto suporte
- sobrevalorização do secundário face ao essencial
- comentário utilizando linguagens não verbais não neutras
- difusão de pressupostos, rumores
Surge por:
- influência de interesses económicos
- conveniência de grupos políticos dominantes
- necessidades de concorrência entre serviços

Condicionamento
- fenómenos de natureza psicológica que levam a que os profissionais tratem a informação de uma
determinada maneira, tendo em conta o envolvimento social e político (auto-censura).
Características
- económicas e políticas: difusão de valores

Homem adapta o seu discurso aos condicionalismo existentes.


Comunicação de massas / comunicação social

Media – tudo o que possa facilitar a comunicação (McLuhan)

Comunicação de massas:
Receptor comporta-se como uma massa, o emissor não conhece de forma particular os receptores.
Apenas conhece o perfil psicológico médio.
Comunicação de massas: fenómeno de massificação da informação.
Mass media: meios de difusão de mensagem, influenciam a mensagem, designam técnicas de
comunicação. Transmissão de mensagens de um único emissor para uma pluralidade de receptores.

Massa: agregado de indivíduos que não apresenta nenhuma estrutura definida nem se delimita
claramente no espaço
Meio de difusão de massas – tende a homogeneizar os indivíduos, criando neles
comportamentos, gostos e hábitos quase idênticos.

Meios de comunicação social: tentam atingir o maior número de pessoas possível, individualizando de
acordo com o perfil do público.
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Unidade 2

Discursos dos Media

Questões Gerais
Media Fortes – cada media tem uma contribuição específica e única para a aprendizagm
Media Fracos – media têm pouca ou nenhuma influência sobre a aprendizagem, embora possam
influenciar a enconomia desta.
Eixos de utilização de media em educação (Richard Clarke, 1990)
- qual o meio mais eficaz
- que aprendizagem podem ser conseguidas à custa de um medium
- que efeitos motivacionais
- que vantagens?

Motivação - os novos meios apresentam durante algum tempo maiores índices motivacionais (efeito
novidade). Fugaz.

Diferentes media não apresentam diferenças significativas em termos de influência nas aprendizagens.
No entanto, características destes podem favorecer a rapidez/eficácia das aprendizagens.
Factores
- características do contéudo: adequação dos conteúdos às características dos media
- estilos de aprendizagem
- percepção do estudante sobre facilidade do medium (contextos culturais)

Não há conclusões definitivas sobre media fortes/fracos. A vantagem reside em factores económicos,
tornando aprendizagens mais rápidas e baratas.
Comunicação: processo central aos actos de natureza pedagógica.

Modelos de ensino baseados em meios de comunicação Multimedia


- perfeito conhecimento da tecnologia, adequando a tecnologia aos conteúdos
- integração da tecnologia no processo comunicacional
- tecnologia como facilitadora do desenvolvimento da comunicação

Novos meios não tornam obsoletos os anteriores.


Os media podem ser apresentados com diferentes tecnologias.

Discurso Verbal Oralizado

Baseado na linguagem oral. Comunicação é eficaz quando as mensagens são percebidas pelos
receptores precisamente nos mesmos termos em que os emissores as entendiam no momento da sua
formulação.
Eficácia medida através de aceitação genérica e empatia.
Cuidados:
- condições materiais dos espaços
- preparação pessoal

Ambientes de Comunicação:
- dimensão dos espaços: espaços com dimensões adequadas ao público esperado
- Iluminação: adequada de forma a não provocar esforços visuais
- Amplificação sonora: garantir audição do discurso; garantir processo bidireccional de comunicação
- Disponibilidade de equipamentos de apoio: condições necessárias à apresentação de materiais
mediatizados
- Conforto do local: assegurar conforto adequado aos participantes.

Técnicas de expressão
Uso da fala, garantindo interactividade, de forma intelígivel.
Clareza do discurso:
- estruturalmente claro: introdução, desenvolvimento, conclusão
- preparação prévia: textos, sumários, tópicos
- frases curtas
- linguagem simples

Eficácia do discurso
- interesse e conhecimento prévio da audiência
- adequação de linguagem e postura ao público-alvo
- empatia comunicacional

Contexto educacional:
- grupos reduzidos (até25/30)
- diálogo e interactividade constantes
- postura de ajuda activa, próximo da audiência

Outras situações:
- Comunicação Visual: olhar para a audiência de forma calma e serena
- Movimentação e atitude corporal: postura direita, evitar movimentos largos e bruscos
- Gestos e expressões faciais: expressão calma e sorriso
- Vestuário e aparência: roupa escolhida de acordo com o perfil da audiência
- Modulação Vocal: forma de modular a voz
- Auxiliares de linguagem: pode impedir a fluência do discurso
- Humor: ajuda a retomar a atenção, usar com cautela
- Naturalidade: evitar artificialismos, comunicar como se é, mesmo tendo atenção aos aspectos formais.

Categorizações

Cloutier (anos 70)


Era de EmeRec
Linguagens Base
Linguagem Audio (A) – destinada a ser percebida pelo ouvido
Linguagem Visual (V) – destinada a ser percebida pelo olho
Liguagem Scripto (S) – linguagem de significação, apoiada em signos e códigos
Linguagens Sintéticas
Combinação das linguagens-base: AV, audiovisual, AVS, SV...
Homem existe e comunica de forma contínua no espaço e no tempo, sendo sempre emissor e receptor.
Linguagem ASV- noção de utilização de diferentes linguagens de forma integrada.

Bates (1995)
Cinco meios mais importantes
- pessoa
- texto
- audio
- video
- informática

Trindade (1992)
Agrupar dos discursos mediáticos em quatro grandes grupos, com características próprias que actuam de
forma diferente nos processos de aprendizagem.
- Discurso scripto
- Discurso áudio
- Discurso vídeo
- Discurso informo

Acrescenta-se um novo discurso, o mulimedia interactivo, incluindo formas emergentes de comunicação


disponibilizadas pelas novas tecnologias geradas pela SI.

Discurso Scripto:
- o mais largamente utilizado nos processos de transmissão da informação e conhecimento. Caracteriza-
se pela disposição de dados em superfície (bidimensional), com carácter estático e permanente.
Linguagens: texto verbal, texto alfanumérico, desenho e pintura, fotografia, gráficos e diagramas
Suportes: papel, acetato, películas (slides), outras superfícies
Documentos: livros, jornais, revistas, cartazes, letreiros, desenho e pintura, sinais de trânsito, fotografia

Permite fazer descrições, representar realidades, apresentar informação de forma objectiva e concreta.

Livro: expoente do discurso scripto. Portátil, manuseável, permite leitura não linear, não necessita de
meios complementares, barato. Na concepção de manuais escolares há que ter cuidado, adequando-os
às regras básicas para uma boa comunicação em discurso scripto.

Discurso Áudio
- baseia-se na percepção auditiva de estímulos externos, de natureza fugaz ou permanente, conforme se
trate de discurso oral directo ou registo permanente.
Linguagens: verbal, canto, música, sinais sonoros, sons ambientes
Suportes: mecânicos, magnéticos, ópticos, electrónicos
Documentos: vini, tape, fita magnética, cd, dvd, disco rígido

Poucas são as situações conhecidas onde o discurso áudio se apresente como dominante na
transmissão de informação.
- aperfeiçoamento de línguas através de listening, ensino de línguas à distância, aprendizagem musical,
percursos turísticos, suporte de informação para grupos com dificuldades de leitura verbal escrita.

Presta-se a utilização pedagógica em contextos de baixa literacia, educação de adultos ou crianças pré-
letradas, caso:
- sejam desenvolvidas competências de audição
- contexto cultural favoreça a oralidade face ao texto/imagem

Suporte de baixo custo, que permite ser escutado enquanto se desenvolvem outras actividades.

Discurso Video
- caracterizado pela existência de imagens em movimento, a duas dimensões.
Linguagens: cinema do real, animação, video, televisão
Suportes: película de filme, discos ópticos, fita magnética
Documentos: filme, videograma, documentário TV, documentos TV
Linguagem da televisão: a início, fugaz, instantânea com impossibilidade de retrocesso. Materiais
pedagógicos de ritmo lento, adequados a correcta compreensão das mensagens, com dificuldades no
cumprir de objectivos e horários rígidos de transmissão. O surgir do video colmatou estas questões,
permitindo revisão dos materiais e flexibilidade de exibição, bem como surgir de linguagens específicas.
Discurso apropriado para transmissão de informações a populações com baixo nível de escolaridade
Conotação do video com media de entretenimento causa dificuldades de leitura, podendo levar
estudantes a assumir papel passivo. O enquadramento da utilização deste material é relevante. Discurso
video deve ser seguido de exploração adequada para sedimentação das aprendizagens.
Condicionantes:
- motivador de aprendizagens
- produção cuidadosa
- conteúdos organizados
O formato televisivo, adequando a mensagem ao espectador, com utilização de técnicas de realização,
permite elaboração de documentos atractivos e pedagógicamente correctos.
- video adequa-se a materializar demonstrações, visualizar processos, visualizar experiências e situações,
demonstrar processos, acelarando a compreensão.

Video útil para demosntrar situações (Bates, 1995)


- imagem video permite observação de trabalho experimental
- edição de imagem foca os aspectos mais importantes
- redução de tempo de aprendizagem
- gravação de experiências potencialmente perigosas
- mostrar realidades de difícil acessibilidade

No discurso video, existe sinergia entre imagem e som na transmissão de uma mensagem.

Discurso Informo

- radicado nos termos informática e informação, relacionado com a capacidade que os equipamentos
informáticos têm de trabalhar a informação. Discurso recente, caracteriza-se pela capacidade de
armazenar, tratar e processar informação, permitindo visualização da forma como o utilizador define.
Informo não é um discurso híbrido. Visualmente pode ser semelhante a outros discursos, o que o
distingue é a capacidade de tratamento e utilização da informação. É um discurso que se está a
generalizar em meio educativo.

Linguagens:
Obedecem a um conjunto de regras (sintaxe) e compõe-se por leque de elementos de significado nativo
(semântica).
- Software básico – firmware, read-only
- Software de gestão e exploração – sistemas operativos. Conjunto de serviços que permitem uma
máquina virtual que simplifica as diferentes tarefas de operação, disponíveis ao administrador de
sistemas, utilizadores, programadores e software. G(raphic)U(ser)I(nterface).
- Softeware de aplicação – software que permite resolver os problemas dos utilizadores (programas).
Exemplo dado – linguagens de programação.

Linguagens de programação
Baixo nível
- linguagem máquina – programação binária directa
- linguagem assembly – conjunto de instruções básicas a nível de máquina codificadas pelo assembler
Alto Nível
- expressam mais directamente o raciocínio humano
- Fortran, Algol, Cobol, Rpg, Pascal, Prolog, C, Ada, Basic, Java

Discurso multimédia interactivo

- sistemas que permitem associar de forma integrada e coerente num único suporte diferentes discursos.
Pode afirmar-se como um novo discurso, uma evolução do discurso informo. Caracterizados por grande
grau de liberdade de exploração (navegar). Dependem de trabalho de concepção por equipes
multidisciplinares. Suportes físicos: CD-ROM, DVD, internet. Demonstram possibilidades imensas de uso
pedagógico.

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Cap. III
Utilização de diferentes linguagens

Livro e manuais

Livro é um suporte com tradição, portátil e auto-suficiente. Organização da informação (títulos, indice,
subtítulos) propicia o encontrar rápido de informação. Proporciona análise de gráficos de boa qualidade,
não causa fadiga visual.
E-books permitem recursos além da obra, procura rápida.

Estrutura pedagógica de manuais


- apresentação de estrutura modular de conteúdos
- índice geral
- apresentação de objectivos gerais
- apresentação do capítulo (resumo do tema)
- apresentação de objectivos específicos
- índice de capítulo
- desenvolvimento dos conteúdos
- resumo no final do capítulo, itemizado, de acordo com os objectivos definidos no capítulo
- leituras complementares
- bibliografia de apoio
- estratégia comunicacional apoiada em lay out específico e linha condutora de imagem

Manuais/livros devem ter em conta público-alvo, têm dupla estruturação


-Forma de apresentação: tipo e corpo de letra, adequada inserção de imagens e quadros de dados
(ilustrações, simulações, estudos de caso), relação texto/imagem contextualizando a imagem. Imagens
meramente decorativas não são decisivas para compreensão das mensagens contidas no texto.
- Estruturação formal: evolução da numeração de capítulos de modelos complexos (1, 1.1, 1.1.2, etc) para
modelos simples destacando sub-capítulos por grafismo e tipos de letra; aspecto da mancha gráfica,
envolvendo espaçamento de linhas, dimensão dos caracteres e posicionamento de ilustrações; tipos de
letras com ou sem serifas é irrelevante, excepto se o texto se destinar a ser fotocopiado, onde o
esbatimento das serifas pode dificultar a leitura do texto; corpo da letra adequado ao tamanho da linha,
permitindo leituras pela mancha gráfica; correcta estruturação do tamanho da linha; estruturação do texto
de forma organizada e transparente, utilizando índices e sub-índices, para situar o leitor, podendo ser
utilizados recursos gráficos (tipo e corpo de letra) para destacar; uniformidade de tipos de letra.

Schallart, Alexander, Goetz (1988)


Funcionalidades dos manuais (do mais útil ao mais perturbador)
- Títulos; - resumos iniciais; - capítulos curtos – ilustrações - cor realçando conteúdo - destaques
sublinhados – fotografias - lay outs agradáveis - sub-títulos – tabelas - resumos de final de capítulo –
gráficos - questões no final de capítulo - sugestões de leitura complementar É dada preferência aos
aspectos formais que facilitam a percepção/organização da informação.

Cartaz

Forma de discurso scripto com força motivacional elevada.


Funções:
- Informativa: factuais, com indicações precisas (locais, preços, direcções), bastante texto, pouca
ilustração
- Publicitária: sedução para convencer o destinatário da mensagem; imagens e/ou palavras chave
ligadas ao consumo; mensagens mais ou menos explícitas. Muita ilustração
- Educativa: elevada redundância da mensagem; vincula-se ao conhecimento, psicologia social e cultura;
aponta valores; ilustração suficiente para identificar o tema, com texto de complemento e reforço
- Ambiência: psicologia do ambiente urbano, cartaz como elemento de paisagem
- Estética: técnica de construção do cartaz, processos de criação submetidos a cadernos de encargos.
Cartaz sugere mais do que diz, evocando imagens memorizadas

Elementos principais:
- Tema – ideia chave que se quer transmitir; uma ideia chave para que a mensagem seja muito clara.
- Ilustração – desenho no espaço comunicacional do cartaz; desenho, fotografia, gráfico. Simples e clara,
associada à ideia-chave. Ambiguidade pode ser explorada.
- Texto – complenta a ilustração, para tornar a transmissão da mensagem o mais eficaz possível; deve
poder ser lido sem esforço; linguagem adequada ao objectivo do cartaz; estilo, tamanho, espaçamento,
corpo, ênfase, fundo, direcção.

Cor
Essencial para o cartaz
Cores: primárias (cyan, magenta, amarelo – cmyk; vermelho primário, azul primário, amarelo primário –
process); secundárias (mistura em partes iguais de primárias – laranja, verde, violeta); terciárias
(combinação entre primárias e secundárias), neutras (branco – soma de todas as cores; preto – ausência
de todas as cores)
Cores complementares: duas cores localizadas em locais opostos do círculo cromático – as que
apresentam maior contraste. Normalmente combinam-se cores que estão próximas das complementares.
Policromia em excesso deve ser evitada.
Cor pode ser associada a simbologia/predisposição psicológica
Vermelho – dinamismo, entusiasmo, erotismo, violência
Laranja – estimulante, atrai indecisos
Verde – tranquilizante, repousante
Azul – calmo e frio
Violeta – neutra, sem valor preciso

Foco
Local para onde o espectador dirige primeiro o olhar. Correcto posicionamento determina a qualidade
comunicacional do cartaz.

Equilíbrio
Disposição dos elementos do cartaz, feita de acordo com estruturas compositivas (simetria, triângulos,
quadrados, linhas guia, etc)

Força entrópica do foco – apela à comunicação.

Regras de grafismo
- disposição da mancha de comunicação e espaço gráfico envolvente deve ser consonante (harmonia)
- manchas irregulares de texto colocadas na parte interna
- entrelinhamento do lay out de texto deve dar a sensação de um todo
- direcções de fuga: sentido das figuras não deve dar a sensação que estas vão sair do espaço gráfico
Regras de grafismo são maleáveis e dependem da imaginação artística.

Ecrãs

Importância do acetato.
Pode ser organizado de forma semelhante ao cartaz, a sua má utilização pode ser um obstáculo à
comunicação.
Funções:
- suporte de comunicação
- motivador para discussão
- suporte de aprendizagens

Até anos 90 – realizados à mão, com canetas próprias. Massificar do computador veio facilitar concepção
de acetatos.
Suporte pode não corresponder às suas funções:
- quantidade de informação
- grafismo
- qualidade da projecção.

Imagem projectada (ecrã, acetato): forma do discurso scripto que mais impacto produz em grupos de
dimensão reduzida ou média.

Técnicas de Concepção
- Objectivo: que função comunicacional se pretende que o ecrã exerça? Suporte de comunicação;
elemento catalisador e motivador; factor de construção de aprendizagens.
Os objectivos condicionam o tipo de elementos a colocar no ecrã/acetato
- Definição do Conteúdo: o que se pretende transmitir? Definição clara da informação a transmitir;
mensagens reduzidas, apoiadas num mesmo tema.
- Organização do lay-out: evitar excesso de informação textual e gráfica; lay-outs mistos (texto e
imagem) e sóbrios, os mais eficazes.

Texto no ecrã:
- Título (extensivo aos lay-outs)
- Tema único
- 10 linhas na vertical, máximo de 7 palavras por linha
- Espaçamento de linhas: mais ou menos duas vezes altura da letra
- Letras legíveis (5mm ou corpo 20/24 pt)
- Escrever palavras completas
- Concentração das imagens: 15 cm diâmetro, centro da placa, zona de maior impacto visual
(retroprojector)
Técnicas de produção
A qualidade pedagógica exige o respeito por regras técnicas, preocupação estética. Transparências
fotocopiadas não indicadas. O uso de molduras, concentrando a luminosidade, concentra a atenção e
desperta motivação.
Realização manual
- a partir de papel quadriculado A4 (facilita a organização formal da escrita)
- canetas, tinta solúvel em alcool
- cuidado nos grafismos

Produção informática de ecrãs


Modos de projecção
- computador ligado a projector ou monitor tv/video – se fluxo luminoso for adequado, fundos escuros
letras claras.
- projecção de transparência impressa – letras escuras, fundos claros.
Duas versões, a verificar antes da comunicação, de acordo com as características do local.
Forma de apresentação
- ecrãs isolados/séries de ecrãs controlados pelo utilizador
- ecrãs associados para projecção automática
Concepção
- orientações de lay out de ecrãs
- recursos de animação
- uniformidade visual da cor de fundo nos ecrãs, ou evitar fortes contrastes
- efeitos de transição adequados ao conteúdo
- apresentação gradual de ecrãs, evitando utilização excessiva de efeitos
- evitar efeitos sonoros, excepto se para chocar espectador

Verificação e avaliação do ecrã


- deve ser legível, visível e conciso
- verificar se projecção corresponde aos objectivos que se pretende atingir

Retroprojector – Técnicas de utilização


Projecta (4/5X ampliação com boa luminosidade)
- imagens estáticas ou simulação de movimento
- grafismos, textos, desenhos em acetato
- silhuetas, moldes, experiências
- destina-se a ilustrar, completar, ajudar a memorizar
Técnicas:
- evitar simples leitura
- completar e dar exemplos
- desligar quando não é necessário (explanações)
- apontar no prato do projector, não entrando no campo de projecção
- mostrar o que interessa, através de: janelas; montagens deslizantes, sobreposição em molduras

Técnicas:
- projecção de opacos: objectos, imagens negras – numeros por barras, execução de gráficos, figuras
planas
- objectos transparentes
- apresentação progressiva: desocultação sucessiva de vários componentes
- sobreposição: construção metódica de aprendizagens complexas através de documento com partes
sobreponíveis.

Técnicas (ecrã electrónico)


- sequência de ecrãs tem efeito semelhante à projecção de filme
- antes do primeiro ecrã de conteúdo, apresentar ecrã neutro
- evitar ler os ecrãs, promover discurso através de palavras-chave
- utilizar figuras que ilustrem o que se diz
- apresentação progressiva
- escrever no ecrã

Vantagens pedagógicas:
- não é necessário obscurecer a sala
- não é cortado o diálogo
- cortinas podem melhorar condições de visualização
- material simples, barato e de fácil projecção
- apresentação imediata
- sobreposição de imagens que complementa o assunto
- possibilidade de escrever sobre imagem existente
- projecção de fotocópias de documentos
- projecção de objectos verticais

Video
Refere-se a linguagens de discurso video em suporte fita magnética, CD ou DVD.
Video é um modo de comunicação e expressão dotado de características específicas que permitem
activar nos estudantes potencialidades que a comunicação verbal não permite só por si.
Importância da utilização:
- concilia imagem animada com som
- possibilita o alargamento de experiências pessoais~
- integra um media em situação de aprendizagem (Cloutier, group-media)
- utilização em grupos de pequenas ou médias dimensões
- amplia a imagem, recria o real, ensina técnicas de actuação, visita locais distantes
- meio através do qual o estudante alarga as suas experiências, permitindo chegar à compreensão e
reflexão após retenção da informação.

Video em contexto educativo não é mass media, não se apropria a grandes grupos.

Utilização
- matérias complexas, conceitos abstractos traduzíveis em imagens
- necessidade de mostrar relações entre elementos e descrever processos
- comportamentos difíceis de reproduzir
- dados numéricos ou estatísticos
- conhecimento de locais distantes
- interesse e motivação sobre um tema

Eficácia
- adequado ao público-alvo: linguagem clara e compreensível
- objectivos definidos e conteúdos claros
- função clara no processo de comunicação e aprendizagem
- duração adequada ao público-alvo e condições do contexto: entre 5 min a 2 h
- ritmo adequado: aos conteúdos e público, nem demasiado rápido nem demasiado lento
- linguagem adiovisual atractiva e motivadora

Duração
- entre 5 min a 2 h
- video motivação – duração média de 5 min
- video informação – duração média de 15 min
- utilização do video entre 10 min a 30 min, dependendo da duração da sessão, para permitir exploração
- um video pode ser utilizado em várias sessões de trabalho

Funções de aprendizagem
-motivar
- apresentar conteúdos
- informar
- ilustrar
- sintetizar
- reforçar

Utilizações
- videograma de motivação/sensibilização: início de unidade didáctica; concreto, apresentando factos
reais dignos de crédito e familiares àqueles que pretende motivar (Lebel, 1979); elementos de carácter
afectivo. Concretos e verdadeiros, não devem ter carácter interpretativo nem apresentar soluções. Não
ultrapassar 10 min.
- videograma de apresentação de conteúdos: utilizado no decorrer de unidade didáctica. Deve partir do
conhecido, mas original, o já visto não capta atenção. Ritmo de apresentação adequado para que haja
tempo para compreender o que é dito ou mostrado, embora possa ser variável. Deve conter síntese final.
Duração máxima de 15 minutos, possibilitando tempo de exploração.
- videograma de síntese: final de unidade didáctica; apresenta todos os elementos fundamentais,
mostrando coerência e encadeamento de ideias (Moderno, 1992). Documento sintético, cerca de 5 min,
poderá ser o mesmo com que se iniciou a actividade.

Exploração
- definição prévia de objectivos
- introdução aos trabalhos, indicando objectivos
- pré-requisitos de conhecimento
- forma de motivar
- aspectos/acontecimentos a ter em atenção
- necessidade de realização de actividades prévias (materiais de suporte)
- nível de atracção exercido sobre o público-alvo
Utilização pedagógica:
- preparação prévia para o visionamento
- 1º visionamento sem interrupções, na íntegra
- trabalho posterior de exploração oral e escrita: reforço de aprendizagem
- revisão após trabalho de exploração: utilizando possibilidades técnicas

Actividades a desenvolver após o visionamento:


- materiais suplementares
- actividades complementares
- forma de encorajar generalizações de aprendizagens
- actividades a promover para aplicar aprendizagem a novas realidades
- avaliação da aprendizagem
- planear outras actividades caso visionamento não resulte

Fichas de observação
- explorar um videograma logo após visionamento
- debate oral
- fichas de observação

Destinam-se a dar origem a conclusões que respondam aos objectivos definidos no início da actividade.
Tipos:
- de espaços
- escolha multipla
- resposta aberta
Devem:
- orientar o estudo dos conteúdos
- incluir instuções claras
Questões:
- variadas
- cobrir os objectivos
- claras da formulação
- difícil resposta, embora realistas
- bem ordenadas
- atractivas e encorajadoras
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Cap. V
Comunicação na sociedade de informação

Sociedade da Informação

Vertiginosa evolução tecnológica, em particular no domínio da electrónica e informática, contribui para


mudanças significativas na sociedade. Anos 80 – massificação da informática e digitalização das
telecomunicações – Era da informação (Toffler). O local torna-se global, graças às redes de comunicação.
Acesso desigual à informação, controle da informação, disseminação.

Sociedade da Informação (Malraux), 3ª Vaga (Toffler)


Pilares:
- existência de novo modelo cultural
- sistema em rápida e permanente mudança
- entrecruzar de interesses económicos e políticos
Características:
- superabundância de informação
- instantaneidade da informação
- organização bipolar da informação
- sistemas interactivos de informação
- inovação tecnológica constante
- formato digital
- omnipresença da internet

Factor decisivo, influenciador: internet (1969 – Arpanet; 1978 – TCP/IP [Vint Cerf, Postel, Cohen]; 1990 –
WWW [Berners-Lee, CERN])

Superabundância de informação
- enorme quantidade de informação disponível, quer tratada quer em bruto. Capacidade de seleccionar
informação mais relevante do que o acesso à informação. Perversão no sistema: informação disponível
ainda disponibilizada pelas agências de informação (macromedia). Contraponto: micromédia, na internet.
Instantaneidade da Informação
- chega em directo, de multiplas fontes, o que se passa num local pode ser imediatamente visto em
qualquer parte do mundo. Efeito perverso: fabricação de acontecimentos tentanto antecipar informação.
Funcinalidades de controlo sobre o sistema: sistemas interactivos
Organização bipolar da informação
Aglutinação dos grande produtores de informação (Macromédia) contrariada pela proliferação de
produtores de tratamento e difusão de informação especializada (Micromédia), que exploram nichos de
mercado. Segmentação de mercados, reduzindo potenciais utilizadores.
Macromedia: grupos empresariais. Micromédia: média temáticos, em vários suportes.
Interactividade
Comunicação em tempo real; capacidade do utilizador editar informação recebida; libertação da
programação rígida. Evolui a Individualização da informação em oposição à massificação da
informação que caracterizou a actividade da comunicação social.
Constante inovação tecnológica
Constante surgir de novos equipamentos: computadores mais potentes que tratam a informação de forma
mais eficiente; redes de comunicação mais eficazes; satélites que alargam ligações de alta qualidade. Por
um lado, contribui para maior exigência pelos utilizadores, por outro alarga o fosso entre os que têm
acesso à informação e os que não têm (infoexclusão). Internet, móvel, pda: informação desmaterializa-se
(Negroponte).

A Idade Digital
Comunicação “tradicionalmente” transmitida por meios analógicos. Meados do sec XX, invasão das
tecnologias digitais. Informação disponibilizada em suporte (papel, cd, etc) começa a ser disponibilizada
unicamente em formato digital. Do Átomo ao Bit – unidade fundamental da informação (on/off).
Disponibilização digital reduz custos, facilita tratamento e manipulação de informação. Ser e estar digital
modificará a natureza dos meios de comunicação de massas, que passarão de um processo de empurrar
bits para as pessoas para processo em que as pessoas puxem os bits através dos computadores
pessoais.

Internet
Alavanca decisiva para a implantação da SI, possibilitando democratização do acesso aos bits. Avanços e
recuos em serviços, fonte de esperança para serviços e negócios, em fase de rearrumação.
Umberto Eco: nova tecnologia de comunicação e informação inicia processo de disseminação, individuos
(integrados)apontam benefícios e contribuições para evolução social. Outros apontam aspectos
negativos que contribuem para a desestabilização da ordem vigente (apocalípticos). Primeira fase:
discussão sobre impacto negativo nula; segunda fase, medos: porno e pedofilia, segurança online,
transações comerciais, direitos de autor.
Vantagens da internet
- biblioteca digital
- comércio electrónico
- correio electrónico
- mundos digitais
- e-democracia e e-governo
- novo media
- internet: acervo de informação
- internet: novo media
- internet: junção de velhos media
- internet: comunidades comunicacionais que vencem barreiras

Internet:
Vasta, impossível de quantificar e qualificar. Informação não é indexada de forma especialidade; não é
validada na maior parte dos casos, informação volátil. Internet não é biblioteca. Biblioteca digital será uma
extensão online do espaço físico, ou repositório de documentos.

Internet:
Novo media/Mass media? Definição não unívoca, net assume vários papeis.
Duas vertentes distintas:
- meio de comunicação interpessoal
- meio de comunicação de massas
Como mass media, ameaça os mass media tradicionais. O multimedia e o hipertexto permitem ir além do
que é possível com media tradicionais.

Internet e comunidades
- colocar em causa da cultura oral e visual, readquirindo importância hábitos de escrita. Meio condiciona a
mensagem. Existência de linguagem universal na internet e WWW, surgir de novas expressões
linguísticas. CMC veio contrapor ideia que tecnologia criava isolamento – comunidades virtuais.
- novo espaço virtual que recria espaço geográfico pré-existente
- pontos de encontro em comum de interesses
Características:
- Partilha de um fim ou bem comum – sem o qual comunidade não tem sentido
- Igualdade – membros tratados de forma idêntica
- Lealdade – solidariedade entre membros
- Autonomia/autogoverno – definem os seus modos de actuar, estar
- Espaço (virtual) – local independente de localização geográfica
- Deliberação – essência da comunidade
- Número – após número mínimo, quantos menos elementos tiver mais forte é

Educação na SI
- SI conceito global com problemas de generalização e acesso: infoexclusão. Aposta forte em programas
de educação e formação, políticas sustentadas de acesso.
Novo papel do professor
Rápida mutação: papel de informador privilegiado está tendencialmente a terminar. Neste papel, para
além do professor, predominam meios de comunicação de massas, acesso fácil a bibliotecas, utilização
de software educativo, acesso à internet. Papel do professor: gestor de aprendizagens dos alunos – fazer
com que alunos percorram processo formativo, ordenar e sistematizar mosaico de informação em
conhecimento verdadeiro. Novo desafio: enfrentar alunos mais conhecedores dos sistemas informáticos.
Não basta saber utilizar as ferramentas; é preciso saber que informação se vai encontrar, preparar e
utilizar para dar sentido a um corpo pedagógico.
Novas Salas de Aula
Presença de computadores na sala; extravasar dos limites da sala graças à internet, computador pessoal
dos alunos; produtos multimédia. Aprender, acto centrado em quem aprende e independente do local
onde aprende.
Novas Formas de Aprender
- Aluno responsável pela construção das suas aprendizagens; análise autónoma ou grupal, com acesso a
vastas fontes de informação; aprendizagem colaborativa; uso de software de gestão de aprendizagens ou
plataformas/meios online. Comunicação mais rápida, fácil e económica.
Questões ligadas à tecnologia
Introdução de tecnologia na sala de aula sempre causou temores aos professores: inabilidade, medo de
substitiuição. Primeiros sistemas foram acusados de desumanizar a relação pedagógica, argumento
semelhante quanto a tv foi utilizada na massificação do acesso à educação.
Trabalho grupal permitido por comunicação por computador, redes de comunicação, mostra que este
humaniza ambiente educativo.
Professores: tecnologia propicia acesso à informação; partilha de experiências pedagógicas. Escolas
dotadas de infraestruturas, banda larga, permitindo acesso à informação e “fim” do papel. Mudança de
estratégias por parte do professor, processos de ensino centrados no indivíduo ensinante não são
possíveis.
Outra vertente: equipamentos obsoletos, condicionantes económicas, localização restrita do computador,
pouca segurança, redes sem funcionar, sentimento de falta de fiabilidade.
Informatização: processo irreversível. Maior disponibilidade dos computadores, redes, banda larga. Novas
funcionalidades, sinergias de comunicação, maior acesso de professores, alunos e encarregados de
educação.
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Cap. VI
Processos de comunicação em diferentes regimes de ensino

Ensino à distância
Surge em consequência da impossibilidade dos processos de ensino/aprendizagem não se poderem
realizar de forma presencial.
Razões:
- não existência de escolas adequadas à formação
- não existência de formadores
- deficiência física do aluno
- impossibilidade de ausência da residência
- inibição de carácter psicológico

Surgiu no Reino Unido (1840). Evoluiu ao ritmo das inovações tecnológicas, mantendo o seu princípio
básico.
Marcos:
- aparecimento da televisão: ver formadores, perceber melhor conteúdos através da ilustração e
demonstração de gestos.
- vulgarização do videogravador: visionamento dos conteúdos sempre que necessário.
- fax: interacção rápida e eficaz entre tutor/alunos
- generalização da telemática: veículo de suporte/facilitador de processos de comunicação
Comunicação entre ensinantes e aprendentes:
- Ensino presencial: discursos verbais oralizados, auxiliados de forma variável por suportes mediáticos
diversos.
- Ensino à distância: de forma mediatizada, utilizando os diferentes meios.
Processa-se:
- através dos materiais pedagógicos, que substitue o papel mais típico do professor.
- comunicação a cargo do tutor, questões pedagógicos, orientação, aconselhamento e resolução de
problemas.
- comunicação com a coordenação do sistema, carácter administrativo.
Meios:
- correio clássico
- telefone
- fax
- televisão
- rádio
- meios telemáticos (CMC/email)

Caracterização dos Sistemas de EaD


Holmberg (1977): “o termo educação à distância abrange várias formas de estudo a qualquer nível e que
não estão sobre a contínua e imediata supervisão de tutor presente em sala de aula ou no mesmo
edifício, mas que apesar disso, beneficiam de suporte, aconselhamento e tutoria por parte da instiuição
formadora.”

Keegan (1997)
- quase permanente separação do professor e do aluno no processo de ensino:
Em comparação com regime presencial, ead formador e aluno não se encontram no mesmo espaço físico
quando se desenvolvem processos de comunicação conducentes à aprendizagem.

- influência de uma instituição de educação no planeamento e disponibilização dos materiais,


disponibilização de serviços de apoio ao estudante: enquadramento institucional. Garante ao aluno
condições necessárias ao sucesso e reconhecimento formal das qualificações. Baseia-se em currículso
estruturados e adequados, condições logísticas adequadas, escolha e disponibilização de materiais
pedagógicos.
Instituição mantém três tipos de relação: administrativa (tarefas burocráticas), de aconselhamento
(escolha do percurso formativo a partir de perfil de competências; actos de natureza pedagógica de
aconselhamento do aluno), pedagógico (tutor: esclarecimento de dúvidas, resolução de questões,
exercícios, discussão de dúvidas, debates temáticos, aconselhamento individual).

- utilização de diferentes materiais de aprendizagem em diferentes suportes: o papel do formador


transfere-se para os materiais mediatizados. Características: transmissão da informação, veícular
estímulos motivacionais. Materiais claros, atractivos, de fácil utilização. Aposta na qualidade, guias de
estudo, interactividade. Suportes: texto, áudio, video, informático. Suporte papel privilegiado, internet vem
ocupando esse espaço (hipertexto, hipermedia). Materiais criados por especialistas qualificados,
adequando materiais aos conteúdos, características do público-alvo, acesso a equipamentos.
Condicionantes: custos e tempo,

- disponibilização de sistemas de comunicação bidireccional (diálogo tutor/aluno): formas de


comunicação: sessões presenciais, correio clássico, telefone, fax, e-mail, teleconferência, conferência por
computador. Os meios telemáticos são privilegiados dada a sua rapidez. Correio e telefone perdem
importância por morosidade e custos. Fax permitiu maior rapidez. Internet e email revolucionou os meios
de comunicação.
Email:
- menor custo
- maior rapidez
- possibilidades de edição, arquivo e consulta
Problema da autenticação dos documentos.
Internet:
- conferências por chat
- LMS (acesso a vários serviços – recolha de materiais, participação em fóruns)
Papel do Tutor:
- elo de ligação entre aluno e instiuição
- actividades de aconselhamento, avaliação, coordenação de sessões, facilitador de interacção,
acompanhamento, esclarecimento de dúvidas
- depende da estratégia do estabelecimento: relação de tutoria pode não ser provocada directamente,
relação de tutoria pode ter um papel mais activo que se confunde com professor.
Definir curso de EaD
- tipo de interacção (quantidade, tipologia)
- formas de comunicação possíveis

- quase permanente ausência de encontros entre aluno e grupo de colegas, havendo possibilidade
de reuniões ocasionais: ensino individualizado. À partida, o estudo e formação são autónomas. Podem
ser previstas sessões presenciais e reuniões ocasionais mediadas por sistemas com fins didácticos ou
sociais. Existência de sessões presenciais depende dos conteúdos a abordar, podendo tornar-se parte
obrigatória do currículo. Novas tecnologias permitem estratégias de aprendizagem colaborativa, em
classe virtual, fomentando possibilidades de efectivação de aprendizagens e diminuindo risco de
abandono.

Modelos intermédios/novos conceitos

Modelos:
- single mode : sem deslocações à entidade formadora, relação estabelecida através de meios de
comunicação.
- dual mode : mistura de ensino formal presencial e ensino à distância (formação contínua)
- mixed mode : forma híbrida – formação à distância/presencial, de acordo com adequação das
disciplinas.

e-learning
aprendizagem feita num sistema cuja característica principal é a utilização de tecnologias standard da
internet, protocolos de comunicação TCP/IP, browsers web, para permitirem uma difusão universal da
informação.
Permite:
- aprendizagens de forma organizada e tutorada (processo de formação)
- acesso à informação (gestão de informação)
Apoia-se em sistemas LMS, não se relaciona com formação formal.
Vertentes:
- gestão da informação global na organização
- gestão da formação estruturada
Utilizadores poderão realizar formação sem que isso se traduza numa certificação.

b-learning
complementeo de e-learning, incluindo espaços de relação social, treino de competências que não podem
ser tratadas em formação à distância. Estratégia mista, a metodologia mais utilizada.

Escola Virtual
- melhor motivação para aprendizagens, informação disponibilizada de forma atractiva
- telemática: diminui sensação de isolamento, reduzido taxas de abandono, recriando carácter
socializante, facilitando a relação social fundamental para o processo de aprendizagem.
Isto é dificultado pela tradição do EaD. Escolha de percursos pessoais de aprendizagem inibe criação de
turmas virtuais e ambientes de inter-relação.
Conduzem a aprendizagens mais efectivas
- desenvolvimento de espírito de classe
- sentimento de pertença a um grupo
- desenvolver de laços e relações