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II CONGRESSO BRASILEIRO DE PSIQUIATRIA

Palestra: “Transtorno da Compulsão Alimentar: Critérios para


Diagnóstico e Tratamento”
(Taki Cordás e José Carlos Appolinario)

Taki Cordás
O TCA é um transtorno recente na DSM, assim como a bulimia é caracterizada
pela compulsão ao comer, há grande prevalência de comorbidade com transtornos de
personalidade (evitativo, histriônico e borderline principalmente), além de outros
transtornos.
Há alguns estudos que correlacionam o TCA com uso abusivo de substâncias, e
verificaram que isso ocorre geralmente com pacientes com transtornos de
personalidade, principalmente o evitativo, borderline e anancástico.
Geralmente as mulheres tendem a esconder a compulsão (alimentação
secreta), mostram maiores preocupações com o peso, com a boa alimentação e
grande parte apresenta depressão.
Há pessoas que iniciam a compulsão após dietas muito restritivas, mas isso não
é generalizado.
Os psiquiatras deveriam fazer parte da equipe médica para cirurgias bariátricas,
pois antes da cirurgia há grande prevalência do TCA e de depressão, após cirurgia o
TCA pode surgir ou continuar naqueles que já o tinham, apesar da quantidade limitada
de ingestão de alimentos, pois o que permanece é a perda de controle na alimentação.

José Carlos Appolinario


O TCA foi descrito inicialmente em 1959, mas só foi mencionado na DSM-III em
1980, depois disso houve algumas tentativas para ser incluído diretamente na DSM e
apenas em 2013 foi incluído definitivamente como um transtorno alimentar, junto da
bulimia nervosa e da anorexia nervosa.
Quanto ao diagnóstico, há baixo reconhecimento, as pessoas geralmente não
procuram tratamento para esse transtorno, os próprios médicos e profissionais de
saúde ainda têm dificuldade para reconhecer o TCA. Pesquisas mostram que apenas
5% dos pacientes com TCA são adequadamente diagnosticados.
Para fazer o diagnóstico então, o profissional usa a anamnese e o exame mental
do paciente, ainda pode usar a BES – Escala de Compulsão Alimentar e o QEWP-5 –
Questionário sobre Padrões de Alimentação e Peso (este último baseado nos critérios
da DSM-V). Devem ser verificados cinco aspectos: ocorrência de episódios recorrentes
de compulsão alimentar (alta quantidade de alimentos ingeridos em curto espaço de
tempo que depois gera descontrole, a recorrência deve ser maior que uma vez por
semana nos últimos três meses), três características de perda de controle (comer
escondido, comer sem estar com fome, se sentir culpado após comer etc.), presença
de angústia, ausência de comportamentos compensatórios (uso de laxantes, vomito
induzido, exercício físico em excesso etc.).
Evidências mostram que o TCA é um transtorno impulsivo/compulsivo,
caracterizado por sensibilidade de recompensa alterada e desvios atencionais
relacionados aos alimentos.
O tratamento deve envolver um agente que remita a compulsão, redução do
peso corporal e tratamento das psicopatologias associadas (depressão, ansiedade e
impulsividade). O paciente deve ser tratado por uma equipe multiprofissional
(psiquiatra, psicólogo, endocrinologista, nutricionista e outros profissionais, como
educadores físicos, fisioterapeutas, entre outros).