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A LUDICIDADE COMO ELEMENTO MEDIADOR DA APRENDIZAGEM NA

PERSPECTIVA DA INCLUSÃO

Lilian Márcia Pereira Carvalho¹


Prof. Orientador: Augusto de Lima Júnior

Resumo 

O objetivo deste estudo foi o de verificar a importância do lúdico na sala de aula,


como o brincar pode auxiliar no processo de inclusão e também identificar jogos e
brincadeiras que servissem de instrumento para o processo de inclusão e
alfabetização. Para isso foi realizada pesquisa bibliográfica, para que, através da
análise de artigos, livros e outros materiais que abordassem o tema Ludicidade e
Educação, fosse possível elaborar algumas conclusões acerca do assunto. Os
jogos, brinquedos e brincadeiras são atividades fundamentais da infância, pois o
brincar pode favorecer a imaginação, o desenvolvimento da linguagem, do
pensamento, da criatividade e da concentração. Ao brincar as crianças não fazem
distinções e não destacam diferenças, pelo contrário, criam laços afetivos com seus
pares de brincadeira, auxiliando assim, no processo inclusivo. Os resultados da
pesquisa apontam para a grande importância do processo lúdico, como promotor de
aprendizagens cognitivas, afetivas e sociais, sendo fundamental o professor
organizar os tempos e espaços, ocupando o papel de mediador entre a criança e o
brincar
.
Palavras-chave: Lúdico – Inclusão escolar – Brincar.

Abstract

The purpose of this study was to verify the importance of play in the classroom, how
play can help the inclusion process and also identify games and games that serve as
instruments for the process of inclusion and literacy. For this, a bibliographic
research was carried out, so that, through the analysis of articles, books and other
materials that approached the theme Ludicidade e Educação, it was possible to
elaborate some conclusions about the subject. Games, toys and games are
fundamental activities of childhood, for playing can favor imagination, the
development of language, thinking, creativity and concentration. By playing the
children, they do not make distinctions and do not highlight differences, on the
contrary, they create affective ties with their play pairs, thus helping in the inclusive
process. The results of the research point to the great importance of the play
process, as a promoter of cognitive, affective and social learning, being fundamental
the teacher to organize the times and spaces, playing the role of mediator between
the child and the play.

Keywords: Playful - School inclusion - Play.

INTRODUÇÃO

O presente estudo traz como tema a ludicidade e inclusão, o lúdico como estratégia
de inclusão. Todas as sociedades reconhecem o brincar como parte da infância,
mas já foi constatado que em todas as fases da vida humana as atividades lúdicas
são muito importantes, pois é através delas que o ser humano explora sua
criatividade, melhora sua conduta e eleva sua autoestima. O jogo tem como função
primordial no ser humano aliviar a tensão interior e permitir a educação do
comportamento.
De acordo com Soares:

(...) o jogo na vida da criança é de fundamental importância, pois quando ela


brinca, explora e manuseia tudo aquilo que está a sua volta, através de
esforços físicos e mentais e sem se sentir coagida pelo adulto, começa a ter
sentimentos de liberdade e satisfação pelo que faz, dando, portanto, real
valor e atenção às atividades vivenciadas naquele instante (SOARES, p. 3).

O brincar se manifesta na vida humana desde o nascimento até a vida adulta.


Jogar ou brincar são fundamentais na interação do homem com seu meio e com as
demais pessoas que participam do mesmo. Desde o nascimento, com as primeiras
interações com a mãe, a criança já manifesta a necessidade do brincar. 
De acordo com Vygotsky (2003) no o início do desenvolvimento infantil, o
adulto aparece como o mediador entre a criança e o mundo a sua volta, ajudando-o
a estabelecer relações e experiências afetivas, motoras e cognitivas. Essas relações
se dão principalmente através do brincar, ato pelo qual a criança experiência
situações lúdicas ainda não vividas por ela, desenvolvendo-se. 
O brincar favorece a imaginação, desenvolvimento da linguagem, do
pensamento, da criatividade e da concentração. É através das atividades lúdicas,
dos jogos e brincadeiras que se dá o contato físico e significativo com outros
colegas, desta forma é impossível pensar a aprendizagem social e afetiva sem esse
convívio, essa interação com o outro, que torna a aprendizagem espontânea e
propicia momentos de significativas experiências de vida. 
Assim, torna-se importante pensar, como o Lúdico pode auxiliar na inclusão e
aprendizagem dos alunos com Deficiências Educativas Especiais? Objetiva-se com
este questionamento verificar a importância do lúdico na sala de aula, observar
como o brincar auxilia no processo de inclusão e identificar jogos e brincadeiras que
auxiliem no processo de inclusão e alfabetização. 
O presente estudo foi realizado por meio do método indutivo, através de
pesquisa bibliográfica. Desta forma, foram lidos e analisados artigos, livros e outros
materiais que abordam a temática ludicidade e inclusão, para assim verificar o que já
existe na literatura e o que está sendo produzido. A análise foi realizada de forma
qualitativa, com base nas seguintes categorias definidas a priori: 
a. o lúdico em sala de aula 
b. o brincar no processo de inclusão 
c. jogos e brincadeiras para potencializar a alfabetização e a inclusão 

1.1 Definição do Assunto

O “brincar” ocupa um importante espaço na infância e no desenvolvimento


infantil. É brincando que a criança conhece a si mesma, seus desejos, limitações e
aprende a comunicar-se com o mundo. 
Desta forma, como pensar a escola e principalmente a escola inclusiva sem o
“brincar”? Como inserir a criança nesse mundo escolar, diferente? 
O brincar possui a magia de tornar a escola um local onde o conhecimento
pode ser adquirido de uma forma agradável e criativa e na qual as relações afetivas
e sociais ajudam na construção da identidade, personalidade e a nos formarmos
como cidadãos. 
Assim, cabe à escola facilitar a aprendizagem e a inclusão, utilizando
atividades lúdicas que criem um ambiente alegre, afetivo e familiar no qual as
relações humanas e a individualidade de cada um sejam respeitadas. 

1.2 Tema

A Ludicidade como Elemento Mediador da Aprendizagem na Perspectiva da


Inclusão: As revelações da pesquisa apontam para a necessidade de se investir
esforços para o brincar de crianças portadoras de deficiências, no referente ao
cumprimento da legislação voltada para a acessibilidade nos espaços escolares e
provimento de equipamentos e materiais que respeitem as características das
crianças, como também em prover oportunidades de formação inicial e continuada
dos professores, na perspectiva da educação inclusiva e do brincar

1.2.1 Delimitação do Tema

O lúdico presente no cotidiano do educando. A temática para delimitação do


tema revela que ao brincar a criança também adquire a capacidade de simbolização,
permitindo que ela possa vencer realidades angustiantes e domar medos instintivos.
O brincar é um impulso natural da criança, que aliado à aprendizagem torna-
se mais fácil à obtenção do aprender devido à espontaneidade das brincadeiras
através de uma forma intensa e total.

1.2.2 Problematização

A problemática que será analisada busca compreender a importância dos


jogos e brincadeiras como subsídios eficazes na construção do conhecimento
através de estimulações necessárias na produção de sua aprendizagem. Com o
objetivo de servir aos educadores, pais, psicólogos e a profissionais de áreas afins, 
o incentivo da ludicidade as crianças como uma das principais fontes de
aprendizagem. 
Portanto, partindo de tal pressuposto fundamenta-se a necessidade
de evidenciar como lúdico influencia no processo de ensino-
aprendizagem estabelecendo a consciência da importância dos jogos no
desenvolvimento e na educação da criança?
1.3 Objetivos

1.3.1 Objetivo Geral

Verificar como as atividades lúdicas promovem os processos de inclusão


escolar de uma criança com deficiência no ensino regular. E tendo como os
específicos: avaliar através do diagnóstico a aprendizagem, usando o lúdico na
fixação da aprendizagem; compreender como crianças com dificuldade de
aprendizagem aperfeiçoam- se com a utilização da metodologia lúdica; citar como o
psicopedagogo usa o lúdico no seu trabalho diário.

1.3.2 Objetivos Específicos

Identificar a postura do professor alfabetizador com relação ao uso de jogos e


brincadeiras no cotidiano escolar;
O professor alfabetizador que assume uma postura positiva em relação aos
jogos e brincadeiras como estratégias mediadoras têm resultados favoráveis no
processo de aprendizagem dos alunos;
Analisar as estratégias utilizadas pelo professor na utilização de jogos e
brincadeiras como mediadores do processo de aprendizagem no cotidiano escolar e
na organização do trabalho pedagógico;
A inserção de jogos e brincadeiras como estratégias mediadoras e a postura
que o professor assume na utilização desses recursos na alfabetização promovem a
aprendizagem significativa;
Estabelecer relação entre a proposição do professor alfabetizador e as
expectativas dos alunos diante de atividades com jogos e brincadeiras;
Os alunos se desenvolvem melhor em atividades propostas pelo professor
alfabetizador que se fundamentam em jogos e brincadeiras.

1.4 Justificativa
Justifica- se o lúdico como instrumento de aprendizagem na atuação do
psicopedagogo, tornado- se frequente, trazendo um trabalho consciente, observando
o avanço de cada caso, tendo a importância de se compreender a dificuldade,
procurando desenvolver diariamente atividades com o lúdico, para o diagnóstico da
dificuldade de aprendizagem.

1.5 Hipótese

Nesse contexto, parte-se da hipótese de que as atividades lúdicas tornam a


aula mais interessante, fazendo o aluno sentir-se envolvido e motivado durante as
atividades propostas, pois, diferentemente da proposta tradicional, aquela conhecida
pela oferta da alfabetização de forma mecânica, sem conexões com a realidade,
direcionada a materiais didáticos específicos e generalizados (cartilhas), a que
propus leva em consideração o contexto e a realidade dos alunos. 
A proposta inerente ao brinquedo é o da descoberta, da experimentação, da
reinvenção. A criança, em contato com o brinquedo, desenvolva a imaginação, mas
também desenvolve a capacidade de análise, de comparação, de criação.
Desenvolvem, em paralelo, habilidades e enriquece seu mundo interior; a leva a
participar do mundo real.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Fundamentação Teórica

O lúdico proporciona à criança a relação com o ambiente em que vive,


considerando como meio de expressão e aprendizado. As atividades lúdicas
possibilitam o desenvolvimento cultural, a assimilação de novos conhecimentos, o
desenvolvimento da sociabilidade e da criatividade. Assim, a criança encontra o
equilíbrio entre o real e o imaginário e tem a oportunidade de se desenvolver de
maneira prazerosa.
Atividades lúdicas criam um clima agradável, é este aspecto de
desenvolvimento emocional que torna a ludicidade um ato motivador, capaz de gerar
um estado de euforia.
 
2.1.1 Políticas e Leis que norteiam a Educação Inclusiva

Os educandos com deficiências têm seus direitos garantidos após muitas


lutas ao longo dos anos. Para que isso acontecesse foi necessária a manifestação
da sociedade e do mundo em geral que não aceitavam mais a exclusão
dos portadores de deficiências no ambiente social, do fato deles, muitas vezes, ter
seus direitos negados pelo governo. 
Segundo Soares (2010) em meio a manifestações nacionais e internacionais
foi que iniciou as mudanças, na qual se começava a visualizar o deficiente como
sujeito, como qualquer outro na sociedade, que tem limitações leves ou severas,
mas, independente das limitações, deveriam ser respeitados por todos, e seus
direitos garantidos perante a lei.
Soares (2010) ainda destaca que além de alguns acontecimentos em favor da
inclusão do deficiente, ocorreu a organização de congressos internacionais
importantes para se discutir ações em favor dos portadores de deficiências. Desses
congressos três, declarações fundamentais foram divulgadas, que aprovaram
conquistas para todas as pessoas, independente de terem ou não alguma
deficiência, seja ela motora, sensorial, intelectual. Os encontros internacionais
deram origem às seguintes declarações: a Declaração Universal dos Direitos do
Homem (1948); Declaração Mundial de Educação para Todos (1990); e a
Declaração de Salamanca (1994).
A Declaração Universal dos Direitos do Homem não é considerada
exatamente uma lei, porém determina direitos a humanidade, independente dos
aspectos referente à nacionalidade, religião, cor, sexo, política e de uma forma mais
abrangente esclarece em um documento oficial os direitos comuns para todos os
cidadãos, inclusive a garantia de educação para todos, sendo assim, incluiu os
educandos que têm alguma deficiência. 
No que diz respeito à Declaração Mundial de Educação para Todos, criada
nos anos 90 menciona que: "garante educação para todos independente das
possíveis dificuldades ou limitações que o sujeito apresente". Segundo Miranda
(2003 apud SOARES, 2010, p. 7). A Lei n. 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional) garante aos portadores de deficiências os seguintes direitos
nos artigos citados abaixo:
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a
modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de
ensino, para educandos com deficiências. Art. 59. Os sistemas de ensino
assegurarão aos educandos com deficiências: I - currículos, métodos, técnicas,
recursos educativos e organização específica, para atender às suas necessidades; II
- terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para
a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração
para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III -
professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para
atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados
para a integração desses educandos nas classes comuns; IV - educação especial
para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive
condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no
trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como
para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual
ou psicomotora; (Brasil, 2005, p.18)
O Estatuto da Criança e do Adolescente também dispõem em seu Art. 53 que
“criança e o adolescente têm” direito à educação, visando o pleno desenvolvimento
de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho
assegurando-lhes: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na
escola; III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência,
preferencialmente na rede regular de ensino. (BRASIL, 1990, p. 14).
As leis ou políticas voltadas para garantir os direitos dos portadores de
deficiência são muito importantes, pois todos esses direitos não foram conseguidos
facilmente, e sim através de desejos e luta da sociedade para que fossem
assegurados os seus direitos. Conferências internacionais acontecerão, políticas
foram pensadas para que aconteça a inclusão das pessoas que têm alguma
deficiência, nas escolas sejam elas públicas ou privadas. Para que esses direitos
sejam concretizados nada melhor que o ambiente escolar, que é democrático, que é
um espaço de socialização, reflexão, aprendizagem. Com isso o ambiente escolar
pode ser visto como um local que se pode trabalhar para que as diferenças e
diversidades sejam aceitas e respeitadas por todos.

2.1.2 A Inclusão no Ambiente Escolar


Durante muitos anos a sociedade em geral assistiu, sem incômodo, a total
segregação das pessoas com necessidade especial: elas já viveram nas ruas, já
foram prisioneiras em asilos e até mesmo em casa por não ser aceitas pela sua
própria família, já freqüentaram escolas especial, onde fica bem distante de ter uma
convivência social e uma sociedade igualitária. Porém esse contexto felizmente vem
mudando graças a grandes lutas das pessoas com deficiência, seus familiares e
organizações visto que é um direito garantido pela lei e Diretrizes e Bases
da educação nacional (Lei n9.934/96), que afirma a oferta da educação especial que
se inicia na Educação infantil  até o fundamental.
Outra razão para se lutar por uma sociedade inclusiva seria a legislação. O
direito a inclusão está assegurado na constituição Federal de 1988,quando em seu
artigo 208,inciso terceiro, garante atendimento educacional especializado aos
portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, e se
precisarem de ensino especializado, que também seja realizado dentro da rede
regular.
Nesse sentido as escolas precisam se reestruturar para que possam
assegurar que todos os alunos possam ter acesso ás oportunidades educacionais e
sociais oferecidas pela escola, impedindo à segregação e o isolamento dessas
crianças no âmbito educacional, pois estamos vivendo nas escolas momentos  de
transformação para que possam atender a todos sem distinção, com o objetivo de
satisfazer as necessidade básica da aprendizagem  de todos as crianças ,jovens e
adultos devem estar  em condições de aproveitar as oportunidades  educativas 
voltadas para satisfazer suas necessidades básica de aprendizagem.
Essas necessidades compreendem tanto os instrumentos essenciais para a
aprendizagem como leitura e escrita, a expressão oral, o cálculo, a solução de
problemas, quanto os conteúdos básicos da aprendizagem (como conhecimentos,
habilidades, valores e  atitudes) são  necessários para que os seres humanos
possam sobreviver desenvolver com dignidade, participar plenamente do
desenvolvimento político, econômico e tecnológico da atualidade, pois só assim
estarão gozando dos seus direitos os quais são assegurados pela Declaração de
Salamanca (BRASIL, 1994) passam a influenciar a formulação das políticas públicas
da educação inclusiva.
Em 1944, a declaração de Salamanca proclama que as escolas regulares
com orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater  atitudes
discriminatórias e que educando com deficiências educacionais especiais em ter
acesso à escola regular tendo como princípio orientador que "as escolas deveria
acomodar todas as crianças independentemente de condições físicas, intelectuais,
sociais emocionais, linguísticas ou outras" (BRASIL,1994, p. 330).  
A Convenção da Guatemala (1999), promulgada no Brasil pelo Decreto n:
3.956/2001, afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmo direitos humanos
e liberdades fundamentais que as demais pessoas, definindo como discriminação
com base na deficiência toda diferenciação ou exclusão  que possa impedir ou
anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. Para
Brasil (2001), este documento tem importante repercussão na educação especial,
compreendida no contexto da diferenciação, adotado para eliminar as barreiras o
acesso à escolarização.
A pessoa com necessidade especial geralmente precisa de atendimento
especializado, seja para fins terapêuticos, como fisioterapia ou estimulação motora,
seja para que possa aprender a lidar com sua dificuldade e a desenvolver suas
potencialidades intelectuais e cognitivas. A Educação especial tem se organizado
para atender especifica e exclusivamente alunos com necessidade especial tem sido
uma das áreas que vem desenvolvendo estudos científicos e metodológicos para
melhorar o atendimento a essas pessoas principalmente na rede regular de ensino. 
Educação inclusiva segundo Sassaki (1997) é um processo no qual se amplia
a participação de todas as pessoas com deficiência na educação. Trata de uma
reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de
modo que estas respondam à diversidade de alunos como o direito de todos.       
As nossas escolas brasileiras infelizmente não estão preparadas para
inclusão, pois o que vimos na verdade e o despreparo para acolher e lidar com o
diferente. 
A ideia de uma sociedade inclusiva fundamenta-se numa filosofia que
reconhece e valoriza a diversidade como característica inerente à constituição de
qualquer sociedade, portanto pensar nessa diversidade é pensar na diversidade de
valores sociais sem distinção alguma. É resgatar todo valor histórico cultural de cada
indivíduo indistintamente, buscando a integração e a socialização para que, não se
sintam mais o número, mais uma cadeira ocupada em sala de aula, mas sintam-se
pessoas capazes de integrar-se no ensino aprendizagem, no entanto, a prática
pedagógica deve acontecer sucessivas mudanças, buscando novos métodos de
ensino, novos currículos, novos valores e novas práticas educacionais.        
Segundo Edler (1988), não se trata apenas de garantir a matrícula e
conseguir um lugar numa turma para os educandos especiais. Embora o tema esteja
ganhando espaços nos fóruns nacionais e internacionais, deve ser debatido. Os
educadores devem examinar a questão, buscando seus pontos e contrapontos,
sempre em busca de boa qualidade das respostas educativas das escolas, para
tanto, de um lado, há que remover as barreiras arquitetônicas e de outro melhorar a
qualidade da aprendizagem e das interações entre todos os alunos.       
Quanto à modalidade de inserção, uma das opções de integração escolar
denomina-se mainstreaming (corrente principal) e seu sentido é analógico a um
canal educativo geral, que em seu fluxo vai levando todo tipo de aluno, com ou
sem capacidade ou necessidade especifica.
O educando com deficiência ou com dificuldades de aprendizagem, pelo
conceito referido, deve ter acesso à educação, sua formação sendo adaptado ás
suas necessidades especificas. Existe um leque de possibilidades e de serviços
disponíveis aos alunos, que vai de inserção as classes regulares ao ensino em
escolas especiais.

2.1.3 A Importância da Ludicidade no Processo de Inclusão

Desde os primórdios da humanidade já se tinha registro sobre o brincar, tal


fato pode ser visto nas pinturas rupestres, nas danças, nas manifestações de
alegria. Já nos dias de hoje percebe-se a brincadeira de várias maneiras, nos
esportes, nos jogos, nas danças, no teatro e até na política. (Santos, 2000).
Para os autores Freitas e Salvi (2008) a ludicidade é mencionada:
O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo". Seachasse
confinado a sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao
brincar, ao movimento espontâneo. “A evolução semântica da palavra lúdica”,
entretanto, não parou apenas nas suas origens e acompanhou as pesquisas de
Psicomotricidade. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de
psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser o
simples sinônimo de jogo. As implicações da necessidade lúdica extrapolaram as
demarcações do brincar espontâneo.
Diante disso entende-se que a atividade a lúdica é importante para uma
saúde física, mental, social. É também coisa muito séria. Mexe com o emocional e
intelectual do ser humano. Porque é através da brincadeira que a criança (re)
significa seu mundo, se reequilibra, recicla suas emoções e sacia sua necessidade
de conhecer. É brincando que a criança vai interagindo com o mundo que a cerca,
na troca com o outro, vai se constituindo sujeito. 
Para Vygotsky (1984), o brincar é definido pela situação da imaginação criada
pela criança, e que tende a suprir necessidades que mudam conforme a idade. Com
o crescimento surgem novas necessidades que poderão ser satisfeitas através da
capacidade imaginária da criança. 
Segundo Nhary (2006) As atividades lúdicas são importantes no
desenvolvimento do sujeito que tenha ou não alguma limitação, durante as
atividades lúdicas todos são vistos como  capazes de realizar a atividade
coletivamente, dentro das suas capacidades físicas,  intelectuais, sociais.
Desta  maneira o educando especial é incluído através  da ação lúdica. Isso
porque o mais importante nestas atividades é o desejo de estar junto com o outro,
mesmo que seja para competir, é poder usufruir do movimento de prazer.
Consideramos que o processo de ensino-aprendizagem no ambiente escolar
utilizando a atividade lúdica torna-se elemento motivador e facilitador, fazendo com
que os educandos com deficiências possam  assimilar  os conteúdos, vivenciem
valores e atitudes de maneira prazerosa e divertida. 
A ludicidade é um instrumento pedagógico essencial, sendo utilizado como
meio de interação ou como forma de despertar na criança o interesse pela leitura e
escrita, possibilitando a formação do autoconceito positivo, havendo assim um
desenvolvimento integral do educando. Portanto, brincar é uma necessidade básica
que ajuda no desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social.  Reforçando esta
afirmação, Santos destaca que:

As atividades lúdicas possibilitam fomentar a "resiliência", pois permite a


formação do autoconceito positivo. As atividades lúdicas possibilitam o
desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a
criança se desenvolver efetivamente, convive socialmente e opera
mentalmente; O brinquedo e o jogo são produtos de cultura e seus usos
permitem a inserção da criança na sociedade; Brincar é uma necessidade
básica assim como é a nutrição, a saúde, a habitação e a educação; Brincar
ajuda a criança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social,
pois, através das atividades lúdicas, a criança forma conceitos, relaciona
ideias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão oral e corporal,
reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade
e constrói o seu próprio conhecimento; O jogo é essencial para a saúde
física e mental; O jogo simbólico permite à criança vivências do mundo
adulto e isto possibilita a mediação entre o real e imaginário.   (SANTOS
2000 p. 20).

Portanto, quando valorizamos as atividades lúdicas, percebemos como a


atividade natural, espontânea é necessária para o aluno, pois através dela, o
educando pode exercer sua capacidade de criar e imprescindível que haja riqueza e
diversidade nas experiências que lhes são ofertadas. Diante disso a atividade lúdica
pode contribuir para melhorar o processo de aprendizagem do educando com
deficiência e sua inclusão no ambiente escolar.
A ludicidade deve estar dentro  do espaço da salas de aula, pois este um
lugar de encontro de pessoas com suas singularidades, no momento em que estão
descobrindo muitos conhecimentos, com relação a vida e o mundo, começando uma
caminhada que marcará profundamente a sua história, as inter-relações entre os
indivíduos, seus sentimentos, afetos e sonhos, precisam ser legitimados, buscando
a superação da fragmentação e do isolamento.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A revisão de literatura foi conduzida com o foco nas publicações atuais,


referente ao tema analisado acima supracitado. O levantamento bibliográfico foi
conduzido com a ferramenta de busca publicado em livros, revistas, jornais,
biblioteca virtual, isto é, material acessível ao publico em geral. As bases de dados
revisados foram Scientific Electronic Library Online (Scielo), Vergara (2007) seguida
de vários outros autores.
O resultado da pesquisa aponta que determinados pontos devem ser
ponderados bem como da utilização: A LUDICIDADE COMO ELEMENTO
MEDIADOR DA APRENDIZAGEM NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO.

3.1 Técnicas Para Coletas de Dados


Os dados da coleta foram extraídos como fonte metodológica,
correspondendo aos embasamentos teóricos para dissertação referente ao tema
proposto. 
A análise do estudo decorreu desta busca cientifica assim sequenciada:
iniciou com a leitura analítica, leitura seletiva exploratória, de forma indispensável a
conhecer as peculiaridades do problema, aperfeiçoando as ideias; possibilitando
distinguir a literatura pertinente aos propósitos do referido estudo; leitura analítica de
forma qualitativa e absorvendo informações, salientando as principais características
interpeladas relativas ao tema; e finalizando, a leitura elucidada conquistada
na experiência dos pesquisadores, outorgou amplamente aos resultados
significativos logrados através da mesma.

3.2 Análise e Interpretação dos Dados

No decorrer do estudo refletimos a importância da ludicidade no processo


de inclusão de educandos com deficiência na esfera regular de ensino ponderando
sempre o problemático envolto do mesmo.
Percebeu-se um significativo interesse, por parte da sociedade no
reconhecimento do ser humano como ser único e cheio de possibilidades.
O resultado deste estudo permite-nos compreender conquanto o atendimento
de educandos com deficiências no ensino regular seja uma prática atual
recomendada pela legislação e determinada pelos órgãos gestores da educação a
nível nacional, e da evidência desse público pela efetiva efetivação desse direito;
inadequação de equipamentos e materiais didáticos apropriados vinculados a não
qualificação apropriada dos professores em consonância a essas especialidades,
suscitando o comprometimento a qualidade da educação que deve ser
proporcionada. A inclusão não é uma prática educativa, demanda conhecimento dos
pais, professores e demais profissionais e sociedade reforça a realidade de que
as diferenças devem ser aceitas e respeitadas.
Os autores mostraram em suas discorridas opiniões, a empregabilidade da
ludicidade como instrumento importante educandos de inclusão.
Atualmente é perceptível as mudanças nos setores: educacional, político e
social e econômico, evitando assim os erros do passado ao trabalhar com crianças
deficientes, criando estratégias e recursos adequados para o melhor desempenho e
conhecimento dentro dos espaços educacionais, facilitando uma verdadeira inclusão
escolar, lembrando que o poder público exerce um papel fundamental como suporte
as instituições. A inclusão é mudança no que observamos o outro, de agirmos e
respeitarmos o seus direitos.
Ressalta-se a ludicidade auxiliará tanto no processo de ensino-aprendizagem
do educando com deficiência, igualmente aos educandos considerados "normais". 
Portanto a ludicidade é linguagem da criança, brincar é a maneira de se
expressar, prazerosa, interessante e principalmente motivadora, o que leva o aluno
a cultivar a vontade de buscar desenvolvendo cada vez mais .

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vimos através das leituras analisadas à importância e a efetividade da


ludicidade no processo de desenvolvimento de alunos inclusão 
A ludicidade deverá ser uma ferramenta imprescindível no processo ensino
aprendizagem, pois com o educando trabalhará a individualidade ou em grupos e ele
mesmo poderá buscar respostas para suas dúvidas e corrigir o que é de real
dificuldade. Assim, ela passará a se conhecer melhor, com novas estratégias para
um melhor aprendizado, que será prazeroso e significativo.
Uma das grandes preocupações em trabalhar a inclusão são as adequações
do ambiente escolar, ou seja, uma estrutura que acolha as necessidades dos
referidos educandos, qualificação específica de profissionais e as obrigações do
poder público.
Vale considerar que a inclusão da ludicidade no planejamento escolar e nas
atividades desenvolvidas na sala de aula, acarreta a propagação de uma educação
flexível direcionada para a qualidade e a significação de todo o processo educativo,
norteando aspectos e características que serão a chave principal para o aprendizado
do educando e sua inserção no meio social do qual faz parte.
Essa inclusão visa, portanto, a flexibilização e dinamização das atividades
realizadas ao longo de toda a prática docente, oportunizando a eficácia e
significação da aprendizagem, são necessários métodos e técnicas adaptadas para
que a inclusão aconteça. Um planejamento sistematizado ao que se refere a
ludicidade para que seja aplicada como elemento mediador auxiliando os educandos
com deficiência a reconhecerem o mundo ao seu redor que propicie a interação
entre os pares.
Considera-se, então, que é, de fato, importante levar em conta as
especificidades e particularidades dos educandos com deficiência, pois são essas
diferenças que estimulam a reflexão. É preciso esforços para romper as barreiras,
eliminando preconceitos e garantindo o direito à educação de qualidade e
reconhecimento das diferenças. O estudo contribuiu positivamente para a
compreensão do tema proposto.
Ao finalizar esta analise sobre a ludicidade como elemento mediador da
aprendizagem na perspectiva da educação inclusiva, o objetivo geral foi cumprido:
observar como as atividades lúdicas promovem os processos de inclusão escolar de
uma criança com deficiência no ensino regular. .
Concluímos, portanto, que através da ludicidade a inclusão escolar se tornou
possível, proporcionando às essas crianças com deficiências uma aprendizagem
efetiva e interessante, considerando suas necessidades e suas peculiaridades.
Talvez, seja esse o caminho para que compreendamos a intensidade e imensidade
das disparidades humanas e que conscientemente possamos saber dar o verdadeiro
valor aos nossos educandos, à escola e a toda a diversidade existente na
sociedade.

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Senado,


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