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Minuta do movimento de pais e estudantes contra à obrigatoriedade do retorno

às aulas presenciais previstas para 02 de agosto de 2021 no Distrito Federal

O presente documento traz o posicionamento do coletivo de mães, pais, responsáveis


e estudantes do DF que consideram que a situação epidemiológica do Distrito Federal
não é propícia para a retomada das atividades presenciais nas escolas.

Infelizmente o retorno às aulas tem se dado sem a devida análise do contexto


epidemiológico e das condições da infraestrutura das instituições de ensino, fatores
imprescindíveis para uma reabertura segura.

Além disso, segundo recomendações da FIOCRUZ, “o planejamento para uma


reabertura segura requer uma discussão profunda, multiprofissional e que envolva
toda a comunidade escolar e os governos municipais, estaduais e federal, garantia de
políticas de vigilância ativa e participação popular. Essas medidas devem ser
urgentes” (FIOCRUZ, fev de 2021). No entanto, não houve qualquer diálogo sobre a
resolução de retorno presencial para o segundo semestre de 2021, por parte da
Secretaria de Educação do Distrito Federal, com a população e comunidade escolar.

Ressalta-se que são muitos os pontos que estão a gerar insegurança entre famílias,
crianças, adolescentes e toda comunidade escolar diante da imposição da
obrigatoriedade do retorno às aulas presenciais.

Situação atual do DF

Os dados a seguir são do dia 25 de julho de 2021, tendo por referência o Boletim
Epidemiológico produzido diariamente pela Gerência de Epidemiologia de Campo,
Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Subsecretaria de Vigilância à Saúde da
Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Até às 17h do dia 25/07/2021 foram notificados no Distrito Federal 446.136 casos
confirmados de COVID-19 (712 casos novos em relação ao dia anterior). Do total de
casos notificados, 430.030 (96,4%) estão recuperados e 9.557 (2,1 %) evoluíram para
óbito.

Do total de casos confirmados, os maiores números absolutos estão nas faixas etária
de 30 a 39 anos e de 40 a 49 anos. Considerando-se apenas os residentes do Distrito
Federal, as maiores incidências dos casos confirmados estão nos grupos de 40 a 49
anos e 30 a 39 anos respectivamente. A letalidade do Distrito Federal é de 2,2 %
enquanto a taxa de mortalidade é de 286,2 por 100 mil habitantes. A maior letalidade
por faixa etária está no grupo de 80 ou mais, bem como a maior taxa de mortalidade.

A média móvel consolidada no dia 18/07/2021 (há uma semana da data de hoje) foi de
11,3 óbitos/dia, e a da semana anterior a ela (11/07/2021, há duas semanas da data
de hoje) foi de 10,9 óbitos/dia.

Os maiores valores de R(t) registrados foram em março 2,61 e 2,25. Com oscilações
abaixo de 2.0 entre os meses de abril a julho, e atualmente com um R(t) de 0,97.

Segundo dados do Ministério da Saúde do dia 18 de julho de 2021: “O Distrito Federal


ocupa a 14ª posição entre as Unidades da Federação em número de casos
confirmados de COVID-19; O DF se encontra na 11ª posição em número de novos
casos diários; Ocupa a 3ª colocação em número de casos por 100 mil habitantes, com
14.650 casos por 100 mil habitantes, atrás de Roraima (19.349) e Santa Catarina
(15.234); Está na 15ª posição em número de óbitos por COVID-19; No coeficiente de
mortalidade, se encontra na 5ª colocação. Ocupa a 20ª posição na taxa de letalidade;
Considerando o período entre os dias 12/07/2021 e 18/07/2021, registrou-se uma
redução de 4,69% do número de novos casos no DF em relação à semana anterior.
Com isso, o DF é o 6º colocado entre as UFs no aumento proporcional do número de
novos casos no período; O DF é o 1º colocado na variação percentual de óbitos entre
12/07/2021 a 18/07/2021, apresentando um crescimento de novos óbitos diários no
período” [Boletim_Codeplan_n66_20.07.21].

Além desses dados, leva-se em conta que muitos professores e funcionários ainda
não tomaram a segunda dose da vacina. Portanto, não estão seguramente imunizados
e correm risco direto com a volta ao ensino presencial. O decreto afirma que aqueles
que tomarem a segunda dose tem 15 dias para voltar ao ensino presencial, porém os
próprios fabricantes indicam prazos diferentes para a imunização máxima. A fabricante
da Janssen, por exemplo, indica o prazo de 28 dias.

Até o dia 26 de julho, os dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, disponíveis


no portal InfoSaúde, registraram 504.886 pessoas totalmente imunizadas no DF, com
duas doses ou a vacina da Janssen de dose única. Isso representa menos de 20% da
população total do DF. Número muito inferior ao de 70%, indicado pela OMS, como
sendo o percentual de vacinados de uma população que permite um controle da
transmissão do coronavírus.

Indicadores da Fiocruz para o retorno das escolas em segurança

Indicador 1: Redução da transmissão comunitária: número de casos novos por dia por
100.000 habitantes, nos últimos 07 dias (baseado nos critérios do CDC/EUA - Centers
for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos da América).

“Este indicador estabelece como critério de retorno às atividades presenciais


a redução da transmissão comunitária avaliada pelo número de novos casos por
100.000 habitantes, nos últimos 7 dias (semana epidemiológica). Segundo o critério
da Fiocruz, a média semanal de 100 novos casos por 100 mil habitantes determina
risco altíssimo para a reabertura das escolas, colocando em risco de contaminação a
comunidade escolar, bem como o próprio esforço de controle da pandemia. Um baixo
fator de risco para o retorno às atividades presenciais é determinado pelo patamar de
0 a 9 novos casos por 100 mil habitantes em 7 dias”. Nota Técnica elaborada
conjuntamente pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o Observatório
COVID-19 BR e a Rede Análise COVID-19.

SITUAÇÃO: O DF se encontra na 11ª posição em número de novos casos diários e


ocupa a 3ª colocação em número de casos por 100 mil habitantes, com 14.650 casos
por 100 mil habitantes, conforme Boletim COVID-19, nº 66, da Codeplan, publicado
em 20 de julho de 2021.

Nas semanas anteriores, o número acumulado de casos confirmados subiu de


437.248 na semana 04 a 10 de julho de 2021 para 441.251 na semana de 11 a 17 de
julho de 2021, ou seja, em uma semana houve um incremento de 4.003 novos casos,
conforme o Painel Brasil – Dados consolidados para as Unidades Federativas,
considerando os boletins epidemiológicos mais recentes. Atualizado em 18/7/2021.
Dados das Secretarias Estaduais de Saúde, via Ministério da Saúde. Com esses
dados, o índice de novos casos por 100 mil habitantes no DF é de 23, apresentando
risco moderado de contaminação nas escolas segundo os critérios da FIOCRUZ.
Na data de 25 de julho 712 novos casos foram registrados em relação ao dia anterior.
Houve uma subida nesses números em relação aos dias anteriores, provavelmente
pela maior propagação da Variante Delta no Distrito Federal, conforme o BOLETIM
EPIDEMIOLÓGICO N o 510 disponível no portal da Secretaria de Saúde do DF.

Indicador 2: Indicadores de medidas sanitárias a serem implementadas nas escolas:


uso correto e constante de máscara, distanciamento nos ambientes escolares,
higiene respiratória, rastreamento de contatos em colaboração com a saúde e
testagem.

Situação: Embora venha sendo anunciado pela Secretaria de Educação, muitas


escolas do Distrito Federal não estão suficientemente equipadas e com infraestrutura
necessária para cumprir com os protocolos de segurança. O número de equipamentos
de proteção individual (EPIs) eficazes disponibilizados é insuficiente para toda a
comunidade escolar. A reorganização do espaço e do cotidiano escolar com
adaptações arquitetônicas para melhorar a circulação de ar nas escolas não foi
executada por falta de verba.. Além disso, a testagem e o rastreamento sequer têm
sido empreendidos pelas escolas privadas de altíssima mensalidade.

Indicador 3: Taxa de contágio: valor de R < 1 (ideal 0,5) por um período de pelo
menos 7 dias.

SITUAÇÃO em 25 de julho de 2021 no DF: R(t) de 0,97.

Indicador 4: Disponibilidade de leitos clínicos e leitos de UTI COVID, na faixa de


pelo menos 25% livres. (Faixa verde – CONASS/CONASEMS).

SITUAÇÃO: No dia 26 de julho de 2021 o DF registrava uma taxa de ocupação de


78,44% dos leitos de UTI na rede pública de saúde para COVID-19 ocupados, sendo
que dos leitos de UTI para adultos a taxa de ocupação é de 83,22%. Nos hospitais
privados a taxa de ocupação de leitos de UTI COVID-19 é de 62,22%. No entanto, o
setor privado é responsável por 40% dos leitos de UTI COVID-19 do DF, totalizando
270 leitos. Enquanto o setor público disponibiliza 405 nesse momento. O DF nesse
caso está com uma taxa de leitos vagos inferior a 25%, estando fora dos critérios
estabelecidos pela FIOCRUZ.

Indicador 5: Redução de 20% ou mais em número de óbitos e casos de Síndrome


Respiratória Aguda Grave (SRAG) comparando à Semana Epidemiológica
(SE) finalizada, em relação a duas Semanas anteriores (Faixa verde – CONASS
/ CONASEMS)

Indicador 6: Taxa de positividade para COVID-19 menor que 5% - número


de positivos/número de amostras para SARS- CoV-2 realizadas em determinado
período. Porcentagem de testes positivos de RT-PCR na comunidade durante os
últimos 07 dias.

Indicador 7: Capacidade para detectar, testar (RT-PCR), isolar e


monitorar pacientes/contactantes. Diagnosticar pelo menos 80% dos casos no
município ou território. Este indicador se relaciona diretamente com a rede do Sistema
Único de Saúde e o investimento necessário, na Atenção Primária em Saúde, no nível
de atenção especializada e hospitalar para atender com qualidade a população.

COVID-19 em crianças e adolescentes no Brasil


O número de internações de crianças e adolescentes com covid-19 disparou no país
no ano de 2021. Dados do InfoTracker, plataforma criada por pesquisadores da USP e
da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para monitorar o avanço da pandemia no
Brasil, mostram, em março de 2021, um crescimento médio de 24% nas internações
de crianças e adolescentes com covid-19, na comparação com os meses entre
dezembro de 2020 e fevereiro de 2021. No final de 2020, 128 crianças entre 0 e 4
anos eram internadas por dia, em média. Em fevereiro, foram 171 por dia, um
aumento de 34% para esta faixa etária. Já entre crianças de 5 a 9 anos, o aumento
nas internações por covid-19 foi de 15% no mesmo período. E na faixa dos 10 aos 14
anos, o aumento foi de 7%. Desde o início da pandemia até março de 2021, segundo
a Rede Brasil Atual, 779 crianças com até 12 anos morreram da doença, no Brasil.
Deste total, 24% das mortes e 22% das internações ocorreram nos primeiros três
meses de 2021, segundo dados do DataSUS.

Segundo reportagem do Olhar Digital de 30 de junho de 2021, o Brasil pode ter tido
um número muito maior de mortes de crianças por Covid-19 do que o relatado
oficialmente. De acordo com a organização global de saúde Vital Strategies, que
trabalha em mais de 70 países ao redor do mundo, o país teve um número grande de
subnotificação. A organização analisou os registros e viu que em 2020 o país teve um
número bem maior de crianças mortas com síndrome respiratória aguda grave, uma
alta de 2.975 mortes, quando comparado com 2018 e 2019. Oficialmente, a Covid-19
levou 1.122 delas, mas os especialistas acreditam que a maior parte dos óbitos de
crianças por SRAG tenham sido por coronavírus.

Além disso, um estudo em andamento feito pela National Institutes of Health está
avaliando as consequências a longo prazo em crianças que foram infectadas pela
Covid-19. Segundo a pesquisa, assim como adultos, elas também podem permanecer
muitas semanas, ou até meses, com sintomas do coronavírus. Embora muitas
crianças com infecção pela Covid-19 tenham sintomas leves, os Centros de Controle e
Prevenção de Doenças dos Estados Unidos afirmam que qualquer pessoa que já teve
a doença, mesmo com sintomas leves ou inexistentes, pode ter efeitos derivados de
longo prazo. [Olhar Digital, 05 de maio de 2021].

Ainda, um estudo da Academia Americana de Neurologia aponta que metade das


crianças que tiveram SIM-P (síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica), após a
covid-19, apresentou algum sintoma neurológico. Os resultados mostram que as
crianças sentiram dores de cabeça, encefalopatia e alucinações. Há meses, a SIM-P
após a covid-19 em crianças tem servido de alerta para pais e médicos. [Istoé
Dinheiro, 14 de abril de 2021]

Um grupo de cientistas brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),


da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto D'Or de Pesquisa descreveu pela
primeira vez como o Sars-CoV-2 invade as células neuronais e provoca danos ao
cérebro. Os cientistas constataram que, embora o vírus não se replique dentro dos
neurônios, ele provoca uma resposta inflamatória sistêmica que leva a danos nas
células neuronais [CNN Brasil, 19 de junho de 2021].

Deve-se levar em conta ainda que a Covid-19 já é a maior causa de morte entre
jovens de 10 a 19 anos no Brasil. Ao todo, foram 1.581 óbitos até julho de 2021. Em
2019, foram 1406 óbitos em 12 meses. A reportagem consultou os dados de registro
civil e identificou que até a segunda-feira, dia 19 de julho, a pandemia matou, em
média, 168 crianças e jovens por mês no Brasil. O levantamento foi feito pelo Viva
Bem, do UOL. [Carta Capital, 20 de julho de 2021].
Se as crianças começarem a aglomerar em escolas e transportes escolares, também,
estarão mais suscetíveis e expostas ao vírus, o que, provavelmente, fará com que
aumente esse quadro de rejuvenescimento da pandemia.

A Variante Delta

Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) em conjunto com o Imperial


College, do Reino Unido, sugeriu que a variante Delta do coronavírus é a mais
contagiosa entre as que já foram sequenciadas. Apenas cinco a dez segundos com
alguém contaminado pela variante Delta do coronavírus já é suficiente para contrair a
cepa. Esse é um alerta feito pela diretora Geral de Saúde de Queensland, na
Austrália, Jeannette Young. [CATRACA LIVRE, 20 de julho de 2021].A variante delta
tem atingido jovens ainda não vacinados. Levantamentos da Fiocruz mostram que a
doença tem sido mais letal na faixa etária dos 20 aos 40 anos. Por sinal, essa é a faixa
etária de muitos pais que levarão seus filhos à escola, devido a imposição do governo.
Enfrentam trânsito, ônibus cheios, pessoas na rua, aglomeração e, assim, por falta do
distanciamento e isolamento necessários, poderão deixar seus filhos órfãos se, ainda
por cima, correrem o risco de ter que dormir em hospitais lotados, caso eles se
contaminem. [NF Notícias, 21 de julho de 2021].

Toxicidade do álcool em gel

De acordo com as orientações de retorno ao presencial apresentadas pela SEDF,


todos os presentes, tanto alunos, quanto funcionários, usarão álcool 70 para limpeza
frequente das mãos e superfícies durante 5 horas diárias de aula presencial.
Certamente este é um meio seguro de impedir que o SARS-COV-2 contamine os
presentes. Ressalta-se que o uso do álcool no ambiente doméstico previamente limpo
e livre de contaminações é totalmente dispensável. Entretanto, a exposição ao álcool
será inevitável aos alunos de todas as idades. Segundo a Companhia Nacional de
Álcool, como descrito na FISPQ em conformidade com a NBR 14725:2014, o álcool
gel (Álcool Etílico Hidratado gel 70° INPM Higienizador de mãos) está classificado na
categoria 3 de toxicidade para órgãos-alvo específicos em exposição única. Pode
provocar irritação das vias respiratórias, exigindo precauções. Deve-se evitar inalar
vapores e lavar as mãos cuidadosamente após seu manuseio. Além disso, deve ser
utilizado ao ar livre ou em locais bem ventilados (o que não se aplica às salas de aula).
A exposição ao produto pode provocar irritação ocular com lacrimejamento,
vermelhidão e ardor. A inalação do produto provoca irritação das vias respiratórias
com tosse e espirros. Dessa forma, considera-se bastante perigoso às crianças e
adolescentes o uso contínuo do álcool gel na sala de aula. [Companhia Nacional de
Álcool, 2019].

Falta de condições nas escolas do DF

Sobre as condições e adaptações da estrutura das escolas para receber a


comunidade escolar, não há qualquer informação pública da SEE-DF. Uma vistoria da
secretaria da educação verificou quais necessidades de reformas e adaptações nas
escolas e em quantas e quais escolas? Vai haver um processo de acompanhamento
epidemiológico das escolas e da comunidade escolar, com testagem, levantamento de
casos positivos, rastreamento e testagem das pessoas que tiveram contato com os
casos confirmados na escola? Vai haver distribuição de máscaras aos estudantes,
profissionais da educação? se vai haver, quantas máscaras, qual tipo de máscara,
com que frequência serão disponibilizadas? Para essas questões, entre outras, não há
informações claras do GDF.

Taxa de ocupação dos leitos


A taxa de ocupação dos leitos de UTI de adultos por pacientes com covid-19 no
Distrito Federal continua muito alta, acima de 78%, de acordo com os dados de 26 de
julho, e sinaliza aumento por duas semanas seguidas, inclusive com pacientes
aguardando disponibilidade de leitos de UTI, segundo dados da secretaria de Saúde.
A proporção de ocupação de leitos críticos em uso para covid-19 é um dos mais
importantes indicadores de saúde para medir a criticidade da pandemia, bem como,
denota pelo menos dois pontos: sofrimento da população pela doença, e de alguma
forma, a magnitude da doença e sua gravidade, assim como o custo social; e a
capacidade operacional do sistema de saúde, na rede pública e privada, na oferta de
um serviço especializado. Portanto, sugere-se que toda a vez que a proporção de
ocupação dos leitos de UTI aproximar-se ou ultrapassar 85%,
seguindo recomendações da OPAS/OMS e de especialistas do Coes/UnB, medidas
de controle mais eficazes devem ser tomadas pelos gestores dos poderes
públicos para minorar a ocorrência de casos novos de covid-19 a serem
internados. Abrir as escolas em meio à pandemia é uma medida de controle?

Outros setores da comunidade que podem ser afetados

A questão da volta às aulas é preocupante, pois as crianças e adolescentes são


potenciais vetores de contaminação à medida que convivem, e por consequência,
entram em contato com outras pessoas em escolas, creches e em sua casa e
comunidade. O efeito cascata se concretiza a partir do primeiro contágio, pois a
probabilidade de contaminação é grande, visto que a distância entre as crianças é
difícil de ser controlada.

Tais medidas de comportamento e hábitos não devem ser mudadas colocando vidas
em risco. Principalmente em se tratando de crianças. As crianças já estão ansiosas,
mudando a maneira como lidam com os alimentos e demais compras de mercado
antes de trazerem para dentro de suas casas. Precisaram reprogramar o modo como
lidam com roupas e calçados que devem ser retirados para não contaminarem o
ambiente em que vivem. Estão aprendendo como se comportar com o uso das
máscaras, que devem ser trocadas de duas em duas horas e as pessoas não podem
tocar na superfície destas. Estão começando a entender que devem evitar levar as
mãos aos olhos, que muitas vezes é um gesto involuntário e impensado. São muitas
medidas que elas já tomaram, sem terem sido vacinadas e junto com a família
orientando. Acha mesmo que elas devem servir de cobaias humanas, justamente de
mudanças de hábitos? E que a escola, com uma enorme demanda de crianças para
observar e cuidar terá como gerir esses novos hábitos?

Resolução do CNE (Conselho Nacional de Educação)

O Conselho Nacional de Educação em resolução de seu conselho definiu na


RESOLUÇÃO CNE/CP Nº 2, DE 10 DE DEZEMBRO DE 2020:

Art. 12. Os sistemas de ensino devem criar protocolos pedagógicos, quando possível, em
conformidade com decisões tomadas por comitês estaduais articulados com seus respectivos
municípios e por comitês promovidos por comissões escolares municipais, objetivando o
retorno gradual em respeito a regras sanitárias de prevenção.

§ 1º Os sistemas de ensino, as secretarias de educação e as instituições escolares devem


planejar o retorno a atividades presenciais, segundo número limitado de alunos em cada sala
de aula, conforme protocolos locais e condições de funcionamento efetivo de cada unidade
escolar, garantida a reorganização dos horários e dias de atendimento aos estudantes e às
famílias.
§ 2º Cabe aos pais ou responsáveis legais, em comum acordo com a escola e com as regras
estabelecidas pelos sistemas de ensino, a opção pela permanência do estudante em atividade
não presencial, mediante compromisso das famílias ou responsáveis pelo cumprimento das
atividades e avaliações previstas no replanejamento curricular

Conclusão

Diante de todos os elementos que foram desenvolvidos acima, entendemos que é um


erro o retorno das aulas presenciais de forma obrigatória no dia 2 de agosto, como
está impondo o GDF.

Sem dúvida o ensino remoto, na forma como foi implementada e dadas os problemas
sociais, de estrutura, de formação dos profissionais de educação, de investimentos, de
acesso a internet representam uma perda pedagógica muito grande para a
ampla maioria dos estudantes. Contudo, não conseguiremos superar esse déficit
educacional impondo o retorno das aulas presenciais num momento em que a
pandemia da COVID-19 não está sob controle, como demonstram os dados
epidemiológicos do Distrito Federal, que não cumprem os requisitos estabelecidos
pela escola de saúde pública da FIOCRUZ para um retorno mais seguro das
atividades escolares presenciais.

Além do mais, o GDF em nenhum momento consultou ou envolveu o conjunto da


comunidade escolar no processo de organização dos protocolos e critérios para o
retorno das atividades presenciais. Obviamente, todos os protocolos, critérios e
procedimentos para o retorno das atividades presenciais devem estar baseados e
estruturados por estudos e critérios científicos rigorosos, mas de nenhuma maneira
isso significa excluir o conjunto da comunidade escolar de participar desse debate e
dessa decisão.

O GDF deve fazer cumprir a resolução do CNE, que garante que o processo de
retorno do estudante às aulas presenciais aconteça em comum acordo com os
estudantes e suas famílias. Diante da insegurança, das especificidades de cada
família do DF em lidar com todos os problemas gerados pela pandemia, não é
aceitável que o retorno das aulas presenciais seja uma imposição do GDF. Queremos
a revogação da decisão que determinou o retorno das atividades no dia 2 de agosto e
a construção de um novo ato normativo construído de forma democrática, respeitando
o direito das famílias e estudantes serem ouvidos.

Referências

Info Saúde – DF – Secretaria de Saúde do Distrito Federal SES-DF


https://info.saude.df.gov.br/. Acesso em 26 de julho de 2021.

Boletim Epidemiológico No 510. Gerência de Epidemiologia de Campo, Diretoria de


Vigilância Epidemiológica, Subsecretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Saúde
do Distrito Federal. Publicado em 25 de julho de 2021.
https://www.saude.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2020/03/Boletim_510.pdf.

Considerações sobre o retorno às aulas no Município do Rio de Janeiro Rio de


Janeiro, 5 de abril de 2021 Elaboração: 1. Hermano Albuquerque de Castro – Médico
Pneumologista e Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca e
Pesquisador Titular ENSP/FIOCRUZ 2. André Reynaldo Santos Périssé – Médico
epidemiologista, Pesquisador Titular ENSP/FIOCRUZ

Resolução CNE/CP Nº 2, DE 10 DE DEZEMBRO DE 2020. MINISTÉRIO DA


EDUCAÇÃO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CONSELHO PLENO
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=16714
1-rcp002-20&category_slug=dezembro-2020-pdf&Itemid=30192

Semana Epidemiológica 28. Observatório Moara. Boletim referente a semana de 11 a


17 de julho de 2021, publicado em 22 de julho de 2021.
http://moara.observatorio.bsb.br/wp-
content/uploads/2021/07/ResumoDF42_ObservatorioMoaraCovid19_SemanaEpidemio
logica28.pdf

Boletim Codeplan - Boletim COVID-19 n˚ 66, publicado em 20 de julho de 2021.


http://www.codeplan.df.gov.br/wp-
content/uploads/2020/04/Boletim_Codeplan_n66_20.07.21.pdf

Covid-19 pode estar matando milhares de crianças no Brasil sem diagnóstico. Olhar
Digital, caderno medicina e saúde, publicado em 30/06/2021.
https://olhardigital.com.br/2021/06/30/coronavirus/covid-19-pode-estar-matando-
milhares-de-criancas-no-brasil-sem-diagnostico/

Covid-19: crianças e adolescentes podem apresentar sintomas com longa duração, diz
médico. Olhar Digital, caderno medicina e saúde, publicado em 05/05/2021.
https://olhardigital.com.br/2021/05/05/coronavirus/covid-19-criancas-adolescentes-
podem-apresentar-sintomas-de-longa-duracao-diz-medico/

Síndrome pós-covid em crianças chega a causar alucinações, diz estudo. Istoé


Dinheiro. Publicado em 14 de abril de 2021.
https://www.istoedinheiro.com.br/sindrome-pos-covid-em-criancas-chega-a-causar-
alucinacoes/

Covid-19 já é a maior causa de mortes entre jovens de 10 a 19 anos.


CARTACAPITAL. Publicado em 20 de julho de 2021.
https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/covid-19-ja-e-a-maior-causa-de-mortes-
entre-jovens-de-10-a-19-anos/.

Pela 1ª vez, cientistas descrevem como o coronavírus danifica células do cérebro.


CNN Brasil. Publicado em 19 de junho de 2021.
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/06/19/pela-1-vez-cientistas-descrevem-
como-coronavirus-danifica-celulas-do-cerebro

Estudos identificam sintomas neurológicos e psiquiátricos em pacientes pós-Covid.


CNN Brasil. Publicado em 20 de abril de 2021.
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/04/20/estudos-identificam-sintomas-
neurologicos-e-psiquiatricos-em-pacientes-pos-covid

Novas variantes da covid-19 atingem os mais jovens com mais agressividade.


SINESP. Publicado em 09 de fevereiro de 2021.
https://www.sinesp.org.br/noticias/aconteceu-no-sinesp/11554-medico-alerta-para-
novas-variantes-que-atingem-mais-as-criancas

Covid-19 em crianças: o que aprender com outros coronavírus sobre prejuízos


neurológicos? PEDMED. Publicado em 25 de maio de 2021.
https://pebmed.com.br/covid-19-em-criancas-o-que-aprender-com-outros-coronavirus-
sobre-prejuizos-neurologicos/
Exclusivo: Doutor Charbell Cury alerta para o risco da variante Delta e uma possível
quarta onda. NF Notícias. Publicado em 21 de julho de 2021.
https://www.nfnoticias.com.br/noticia-28594/exclusivo:-doutor-charbell-kury-alerta-
para-o-risco-da-variante-delta-e-uma-possivel-quarta-onda-no-municipio

Os sintomas mais relatados pelos infectados pela variante Delta no Rio. Catraca Livre.
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FICHA DE INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA DE PRODUTOS QUÍMICOS


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The Lancet July 14, 2021DOI:https://doi.org/10.1016/S2352-4642(21)00193-0
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Zhao K, Huang J, Dai D, Feng Y, Liu L, Nie S. Acute myelitis after SARS-CoV-2
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