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UNIESP

DIREITO COMERCIAL - 3BADN e 3CADN

9 . SOCIEDADES EMPRESARIAIS:

9.1. Sociedade Empresária

No direito brasileiro, as pessoas jurídicas são divididas em dois grandes grupos. De um lado, as
pessoas jurídicas de direito público e do outro o de direito privado.

As de direito público gozam de uma posição jurídica diferenciada em razão da supremacia dos
interesses, já as de direito privado estão sujeitas a um regime jurídico caracterizado pela
isonomia.

As chamadas estatais cujo capital social é formado, majoritariamente ou totalmente, por


recursos do poder público e as já as chamadas de direito privado não-estatais sendo: fundação,
associação e as sociedades. As sociedades se distinguem da associação e da fundação de
escopo negocial subdividindo-se em simples e empresárias.

O que irá de verdade, caracterizar a pessoa jurídica de direito privado não-estatal como
sociedade simples ou empresaria, será o modo de explorar se objeto. A empresária elegeu
o modo de exploração do objeto social, sendo apenas excepcionadas pelas sociedades
por ações. Estas serão sempre empresárias, as cooperativas nunca serão empresárias.

Sociedade limitada poderá ser empresária ou simples: se for exercente de atividade econômica
organizada será empresária; se dedicando à atividade econômica civil será simples.

9.2. Personalização da Sociedade Empresária

A pessoa jurídica não se confunde com as pessoas que a compõem.


Sujeito de direito e pessoa não são conceitos sinônimos.

O que distingue o sujeito de direito despersonalizado do personalizado é o regime jurídico a que


ele esta submetido.

Estas definições acerca do regime jurídico dos sujeitos de direito personalizado


despersonalizados convivem com três exceções:
1 - os atos jurídicos típicos da pessoa física, como casamento ou a adoção:
2 - os atos jurídicos da essência dos sujeitos de direito personalizados podem ser por
estes da celebração de contrato de trabalho pelo condomínio horizontal;
3 – o Estado embora seja pessoa jurídica, depende de autorização expressa do direito
para praticar validamente, ato jurídico, em virtude do sentido especifico que assume
o principio da legalidade no direito público.

A sociedade empresária, como uma pessoa jurídica é sujeito de direito personalizado, a


personalização das sociedades empresariais gera três conseqüências bastante precisas, a saber:

a) titularidade negocial;
b) titularidade processual;
c) responsabilidade patrimonial.

9.3. Classificação das Sociedades Empresárias

Classificam-se segundo aos seguintes cretérios:


- responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais;
- regime de constituição e dissolução;
- condições para alienação da participação societária.

Antes de examinar faz-se necessário apresentar a enumeração dos tipos societários:

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1- Sociedade em Nome Coletivo (N/C);
2- - Sociedade em Comandita Simples (C/S);
3- - Sociedade em Comandita por Ações (C/A);
4- Sociedade em Conta de Participação (C/P);
5- - Sociedade Limitada (Ltda);
6- - Sociedade Anônima ou Companhia (S/A).

Obs: A Sociedade em Conta de Participação (C/P) a lei define como despersonalizado.

9.3.1. Quanto à responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais

A responsabilidade dos sócios pelas obrigações na sociedade empresária é sempre subsidiaria,


asseguram aos sócios o direito de exigirem o prévio exaurimento do patrimônio social.

As sociedades empresárias segundo o critério que considera a responsabilidade dos sócios pelas
obrigações sociais, dividem-se em:

a) sociedade ilimitada;
b) sociedade mista;
c) sociedade limitada.

9.3.2. Quanto ao regime de constituição e dissolução

Um determinado conjunto de tipos societários tem a sua constituição e dissolução disciplinadas


pelo CC de 2002. Outro grupo de tipos societários rege-se neste assunto pelas normas da Lei nº
6.404/76.

a) Sociedades contratuais
b) Sociedades institucionais

9.3.3. Quanto às Condições de Alienação da Participação Societária

Há sociedades em que os atributos individuais do sócio interferem com a realização do objeto


social e as sociedades em que não ocorre esta interferência.

Justamente em função dessa realidade é que o direito comercial criou um grupo de sociedades
em que a alienação da participação societária por um dos sócios, a terceiro estranho da
sociedade, depende da anuência dos demais sócios e um outro grupo em que esse ato jurídico
independe da mencionada anuência.

Desta forma, a alienação da participação societária condiciona-se a anuência dos demais quando
se trata de adquirente não sócio.

Em vista deste quadro, dividem-se:

9.3.3.1. Sociedades das pessoas - em que o sócio tem direito de vetar o ingresso de estranho
no quadro associativo;

9.3.3.2. Sociedades de capital – em relação às quais vige o princípio da livre circulabilidade


da participação societária

9.3.3.3. Sociedades Irregulares -

A sociedade empresária deve ser registrada na junta comercial. O seu ato constitutivo (contrato
social ou estatuto) será objeto de registro. O registro deve ser anterior ao início das atividades
sócias.
A sociedade sem registro é chama na doutrina, de sociedade irregular, ou “de fato”.

No CC de 2002 a sociedade empresaria irregular ou “ de fato” é disciplinada sob a designação de


“sociedade em comum”. Não se trata de novo tipo societário mais de uma situação em que a
sociedade empresaria ou simples pode eventualmente se encontrar.

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Alem das restrições, vale dizer a ilegitimidade ativa para o pedido de falência e de recuperação
judicial e ineficácia probatória dos livros comerciais.

9.3.3.4. Sociedade de Garantia Solidária

Uma das maiores dificuldades que o micro empresário ou o empresário de pequeno porte tem,
no desenvolvimento de seu negócio é representada pelo acesso ao crédito.

Com objetivo de superar esses obstáculos o estatuto da ME e empresa de pequeno porte (Lei nº
9.841/99) introduziu no direito brasileiro a sociedade de garantia solidária (SGS), cuja principal
finalidade é oferecer garantia as obrigações de ME e empresários de pequeno porte (seus
acionistas), perante bancos financiadores ou decorrentes de securitização de recebíveis.

9.4. Principais Sociedades Empresariais:

9.4.1. Sociedade em nome coletivo é formada por duas ou mais pessoas, em que todos os sócios
respondem subsidiariamente pelas obrigações sociais, de forma solidária e ilimitada; é aquela formada
por duas ou mais pessoas, ainda que algumas não sejam comerciantes, que se unem para comerciar
conjuntamente, sob uma forma social.

9.4.2. Sociedade em Comandita Simples (C/S) é aquela constituída por sócios que possuem
responsabilidade subsidiária, ilimitada e solidária, e sócios que limitam a sua responsabilidade à
importância com que entram para o capital; os sócios que assumem a responsabilidade ilimitada se
chamam comanditados; os que tem responsabilidade limitada à importância com que entram para o
capital tem o nome de comanditários;

9.4.3. Sociedade em Comandita por Ações (C/A) é aquela constituída Trata-se de sociedade
personificada em que o capital é dividido em ações, respondendo os sócios ou acionistas, tão-somente,
pelo valor das ações subscritas ou adquiridas, com responsabilidade subsidiária, solidária e ilimitada dos
diretores ou gerentes pelas obrigações sociais. Regem-se pelas normas relativas à sociedade anônima.

9.4.4. Sociedade Limitada (Ltda) é aquela formada por duas ou mais pessoas, assumindo todas, de
forma subsidiária, responsabilidade solidária pelo total do capital social.

A responsabilidade dos sócios é limitada à integralização do capital social cada sócio é diretamente
responsável pela integralização da quota por ele subscrita; relativamente à integralização das quotas
subscritas pelos demais sócios, responde cada sócio de forma indireta ou subsidiária; estando as quotas
completamente integralizadas, não respondem os sócios com seus bens particulares pelas obrigações
sociais; caso não estejam integralizadas todas as quotas, o sócio que não integralizou a quota que
subscreveu responde com seus bens particulares; se insuficientes, respondem os demais sócios,
subsidiariamente, inclusive com seus bens particulares.

9.4.5. Sociedade em Conta de Participação (C/P) consiste na reunião de duas ou mais pessoas,
sendo ao menos uma comerciante, para a realização de uma ou mais operações comerciais, sendo essas
operações feitas em nome e sob responsabilidade de um ou alguns sócios comerciantes; é uma espécie
de sociedade, constituída mediante contrato particular entre os sócios, não tendo validade perante
terceiros; não tem personalidade jurídica própria, nome, capital, estabelecimento, contrato social
registrado.

Por sua natureza, é oculta, existindo apenas entre os sócios; perante os terceiros, aparece somente o
sócio comerciante, chamado sócio ostensivo ou gerente, que realiza a operação ou as
operações, em seu próprio nome, assumindo, assim, pessoalmente, a responsabilidade dos
compromissos sociais; não possui livros comerciais próprios.

19.5.6. Sociedade Anônima ou Companhia (S/A) é a sociedade em que o capital é dividido em


ações, limitando-se a responsabilidade do sócio ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.

A ação é um título de propriedade, negociável, representativo de uma fração do capital social de uma
S/A; confere a qualidade de sócio; é um título de crédito; pode ser vendida, cedida, caucionada, etc.

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A divisão do capital social em partes, em regra, de igual valor nominal (ações); responsabilidades dos
sócios limitadas apenas ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas, não respondendo,
assim, os mesmos, perante terceiros, pelas obrigações assumidas pela sociedade; livre cessibilidade das
ações por parte dos sócios, não afetando à estrutura da sociedade a entrada ou retirada de qualquer
sócio; a possibilidade da subscrição do capital social mediante apelo ao público; uso de uma
denominação ou nome de fantasia para nome comercial, devendo, contudo, a essa denominação serão
sempre acrescidas as palavras sociedade anônima; a possibilidade de pertencerem à sociedade
menores ou incapazes, sem que esse fato acarrete nulidade para a mesma. São consideradas
sociedade de capital, pois vivem em função deste, não merecendo atenção especial a pessoa dos
sócios.

Pode possuir qualquer objeto, desde que este tenha um fim lucrativo e não seja contrário a lei, à
ordem pública e os bons costumes; será sempre considerada comercial; o objeto deve ser
definido no estatuto de modo preciso e completo; o poder estatal interfere na organização e
funcionamento dessas sociedades, tendo em vista a defesa dos interesses nacionais ou da coletividade.

Usam em vez de firma, uma denominação particular; esta deverá ser acrescida das palavras sociedade
anônima, por extenso ou abreviadamente, ou antecipada da palavra companhia que, por
igualmente, poderá ser abreviada.

A responsabilidade, em princípio, é absolutamente limitada, restringindo-se à integralização das ações


por ele subscritas; os acionistas controladores, porém, que são majoritários e que usam efetivamente
seu poder, bem como os administradores, poderão responder pessoalmente pelos danos causados por
atos praticados com culpa ou dolo ou com abuso de poder.

As sociedade que têm as sua ações negociadas na Bolsa de Valores, são chamadas sociedades
abertas; quando as ações das sociedades não são negociadas por intermédio dessas instituições
especiais, a sociedade é denominada de sociedade fechada.

As ações têm a natureza jurídica de bem móvel, fungível dentro da mesma classe se de mesma
natureza, desde que emitidas em massa pela sociedade anônima, classificam-se em

Ações ordinárias: são aquelas em que normalmente se divide o capital social, e que não conferem aos
titulares quaisquer privilégios nem lhes impõem restrições, concedendo-lhes tão-somente os direitos
usuais de sócio, tais como o direito de voto nas assembléias.

Ações preferenciais: são aquelas que conferem aos titulares determinados privilégios, em relação aos
titulares das ações ordinárias, como, por exemplo, ter prioridade no reembolso de seu capital, em caso
de liquidação da empresa.; dá a seu possuidor prioridade no recebimento de dividendos.

Ações de fruição: são aquelas que resultam da amortização integral das ações comuns ou
preferenciais, desde que assim dispuser o estatuto ou determinar a assembléia geral extraordinária,
contendo restrições fixadas pelo estatuto ou pela assembléia; são destituídas de capital. e devolvem ao
acionista o valor de seu investimento; a amortização das ações não impede seus titulares de
participarem na vida social da empresa, podendo eles participar dos lucros, fiscalizar a sociedade e
exercer demais direitos.

Ações nominativas: são aquelas que inscrevem em seu texto o nome do titular, devendo constar de
registro próprio, mantido pela sociedade.

Ações escriturais: são as que dispensam corporificação do título em certificado emitido pela
sociedade, devendo ser registradas em livro especial, não sendo consideradas títulos de crédito; têm por
finalidade negar direito de voto aos titulares das ações ao portador.

Ações ao portador: são as que não trazem escrito o nome do titular no texto; foram abolidas pela lei
8.021/90, que modificando o art. 20 da Lei das S/A, dispôs que as ações devem ser nominativas.

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Constituição das sociedades anônimas (requisitos preliminares): a fim de que se possam
constituir, é necessária a observância dos requisitos preliminares, que devem ser cumpridos
obrigatoriamente:
a) a subscrição por um número de 2 pessoas de todo o capital social;
b) a realização de uma décima parte, no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro;
c) o depósito, em um banco, das importâncias recebidas pelos fundadores referentes às ações subscritas
em dinheiro.

As sociedades anônimas realizam as seguintes assembléias:

Assembléia Geral: é a reunião de acionistas para a deliberação de matéria de interesse para a


sociedade; deve ser convocada e instalada na forma da lei e do estatuto.

Assembléia Geral Ordinária: deve reunir-se pelo menos uma vez por ano, nos 4 primeiros meses após
o encerramento do exercício social; deve receber a prestação de contas dos administradores, analisar as
demonstrações financeiras, deliberar a destinação do lucro líquido e distribuir os dividendos, eleger ou
destituir os administradores e os membros do Conselho Fiscal e aprovar a correção da expressão
monetária.

Assembléia Geral Extraordinária: pode ser convocada e instalada a qualquer tempo, sempre que
houver necessidade de deliberação sobre assuntos fora da rotina da cia., que não sejam de competência
da Assembléia Ordinária.

Assembléias Especiais: tratam dos interesses dos titulares de ações preferenciais, de debêntures e de
partes beneficiárias, para deliberar sobre temas referentes à comunidade de direitos e interesses
específicos de cada grupo.

As sociedades anônimas apresentam os segmentos abaixo:

Conselho de Administração que se compõe de no mínimo 3 acionistas e funciona como órgão de


fixação das diretrizes e dos negócios da companhia; elege e destitui diretores e determina suas
atribuições.

Diretoria: os diretores atuam segundo suas atribuições, de forma isolada, mas em harmonia, embora o
estatuto possa determinar que as decisões sejam tomadas de forma colegiada; é o órgão executivo da
cia., que é representada pelos diretores.

Administradores: devem exercer suas atribuições segundo a lei e o estatuto, de forma a perseguir os
fins e interesses da cia., levando em conta as exigências do bem público e a função social da empresa;
são deveres éticos e morais; além disso, têm o dever de diligência (consiste em desenvolver suas
atividades com competência e probidade, não privilegiando interesses de grupos ainda que por eles
eleitos), de lealdade, de sigilo e o dever de informar.

Responsabilidade dos administradores: é solidária em relação à pratica ou à omissão de atos


irregulares, exceto se contar de ata seu dissenso; no caso de atos ilícitos, praticados por um
administrador, a responsabilidade será somente daquele que o praticou, exceto de houver conivência ou
negligência.

Conselho Fiscal: tem por atribuições a fiscalização de contas e a fiscalização dos atos da
administração, além de ser o órgão que presta informações à Assembléia Geral.

2º sem. 2008