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Leonardo de Freitas Costa

Advogado - OAB/DF 23.173


-EXELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA PRIMEIRA VARA CIVEL DA
CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE CEILÂNDIA – DF.

Autos n° 2010.03.1.023445-3

AURO ZICA DA SILVA, brasileiro, solteiro,


desempregado, inscrito no CPF nº 090.059.028 e portador do RG nº 2.311.383
SSP/DF residente e domiciliado na QNM 2, Conj. “A”, Casa nº 44, Ceilândia – DF,
vem, por meio de seu advogado infra-assinado, à presença de Vossa Excelência,
nos termos do artigo 300 e seguintes do Código de Processo Civil, apresentar

CONTESTAÇÃO

a Ação de Busca e Apreensão ajuizada por BFB LEASING SA


ARRENDAMENTO MERCANTIL, pelas razões de fato e de direito a seguir
aduzidas.

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Tel: (61) 8122-1647 / 3363

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I - DAS PRELIMINARES
I.a) CARÊNCIA DA AÇÃO – DA FALTA DE INTERESSE DE AGIR

Em princípio, imperioso lembrar as condições da ação,


quais sejam: (a) a possibilidade jurídica do pedido, (b) o interesse de agir e (c)
legitimidade das partes.

Pois bem, a autora ajuizou a presente demanda em


razão do requerido não ter, supostamente, quitado as prestações de junho, julho e
agosto de 2010, do contrato de financiamento ora firmado (doc. 1).

Todavia, a requerente omitiu que as partes realizaram


um acordo extrajudicial (doc 2), tendo o requerido quitado as parcelas em atraso,
conforme se extraí dos comprovantes de pagamento em anexo (docs. 3, 4, 5).

Na verdade o requerido pagou até a prestação com


vencimento no mês de setembro de 2010 (doc 6).

Ora Excelência, estando o requerido em dia com a


obrigação em tela, carece à autora interesse de agir, devendo ser extinta a ação
nos termos do incido VI, do artigo 267, do Código de Processo Civil, verbis:

Art. 267. Extingue-se o processo, sem resolução de


mérito:
(...)
Vl - quando não concorrer qualquer das condições da
ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das
partes e o interesse processual;

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Infere-se, portanto, ser impossível a realização da
busca e apreensão do veículo, devido o requerido estar em dia com as prestações
do financiamento assumidas junta a requerente.

II – DOS FATOS

No dia 11 de agosto de 2009, o requerido celebrou


com a autora um contrato de adesão (doc 1) com a finalidade de financiar o
automóvel de marca: Fiat, Modelo: Pálio Fire Economy, Cor: Cinza, Ano de Fab.
2009, Placa: JHM-9592.

O contrato previa o pagamento de 57 prestações no


valor de R$ 820,77 (oitocentos e vinte reais e setenta e sete centavos) cada uma,
totalizando o valor de R$ 46.783,89 (quarenta e seis mil, setecentos e oitenta e
três reais e oitenta e nove centavos).

Ainda, no momento da contratação, o preposto da


autora informou ao requerido que, ao contratar o financiamento, estaria incluído
nas prestações um seguro denominado proteção financeira (doc 7 e 8), em que
restaria assegurado o pagamento de quatro parcelas em caso de desemprego do
contratante.

Na verdade, o requerido deixou de pagar as referidas


prestações, o que ensejou a carta de cobrança anexa, expedida pelo próprio
escritório de advocacia, representante da autora.

Imediatamente, o requerido realizou acordo


extrajudicial (doc. 2), quitando as prestações em atraso dos meses de junho, julho
e agosto de 2010 (docs. 3, 4 e 5).

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No final do mês de agosto de 2010, o requerido foi
demitido, conforme Termo de Rescisão Contratual anexo (doc 09 e 10), entrando
imediatamente em contato com a requerente, a fim de acionar o mencionado
seguro.

Na mesma ocasião, o preposto da autora orientou o


requerido a enviar, por meio dos correios, cópias do termo de rescisão do contrato
de trabalho, documento de identidade e CPF e carteira de trabalho.

Ainda, o preposto solicitou ao réu que pagasse a


prestação de setembro de 2010 (doc. 6), visto que o processo de seguro levaria
30 (trinta) dias e, provavelmente, não estaria concluído até o vencimento daquela
prestação.

Então, conforme o orientado, o réu pagou a parcela do


mês de setembro de 2010 (doc 06).

No inicio do mês de dezembro de 2010, o requerido


recebeu um ligação da requerente, solicitando, através de seu preposto, que
enviasse novamente cópias de algumas páginas de sua carteira de trabalho, o que
fez de imediato (doc 11).

Todavia, para sua surpresa, no dia 31 de janeiro de


2011, o requerido teve seu automóvel reintegrado à posse da autora, conforme se
depreende do mandado de reintegração de posse acostado aos autos.

Ainda, ao tentar efetuar o pagamento da prestação com


vencimento no mês de fevereiro, o requerido notou que a autora bloqueou o carnê
de pagamento, impossibilitando que o mesmo continue a arcar com sua
obrigação.

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Dessa forma, a situação acima não merece prosperar,
pois, desacorde com o bom senso e a legislação consumerista em vigor.

III – DO DIREITO

III.a) DA APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Conforme remansosa jurisprudência, o contrato de


leasing trata-se de relação de consumo, incidindo os dispositivos do Código de
Defesa do Consumidor, verbis:

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL - RESOLUÇÃO


CONTRATUAL - PRESSUPOSTO PARA A
REINTEGRAÇÃO DE POSSE - APLICAÇÃO DO
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR -
RESILIÇÃO CONTRATUAL - VONTADE DAS
PARTES - DEVOLUÇÃO DO V.R.G -
CONDICIONAMENTO À RESTITUIÇÃO DO BEM
01. Se o autor/arrendante formulou a ação de
reintegração de posse, com base na inexecução
culposa do contrato pelo arrendatário e tendo sido
esta reconhecida, é lógico que declare resolvido o
contrato, sendo, aliás, tal providência necessária e
pressuposto para a tutela possessória pretendida.
02. Aplica-se o Código de Defesa do
Consumidor às instituições financeiras,
conforme sedimentado pela Súmula 297 do STJ,
cujas normas de ordem pública permitem ao
Estado-Juiz a análise de cláusulas contratuais,
sobretudo em casos de abusividade.
03. Resolvido o contrato de leasing, é de se impor a
devolução do V.R.G, acrescido dos consectários
legais, correção monetária e juros de mora.
04. Apelo conhecido e desprovido. Unânime
(20090310252927APC, Relator ROMEU
GONZAGA NEIVA, 5ª Turma Cível, julgado em
10/11/2010, DJ 24/11/2010 p. 173)

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O artigo 47, do diploma legal acima citado, prevê que
as cláusulas contratuais devem ser interpretadas em favor do consumidor.

No presente caso, merece atenção ao seguro de


proteção financeira contratado pelo requerido.
No momento da contratação, o requerido foi informado
que em caso de desemprego o seguro arcaria com quatro parcelas do seu
financiamento, diferentemente do que prevê o contrato anexo, o qual limita o
prêmio a não mais de 2 (duas) parcelas do financiamento do requerido.

Nota-se que a propaganda da requerida (doc 8) é clara


ao prometer o pagamento de 4 (quatro) prestações em caso de desemprego do
contratante.

Dessa forma, tendo o requerido enviado toda a


documentação necessária ao deferimento do seguro oferecido, devem as
prestações referente aos meses de outubro do ano de 2010 a janeiro do ano de
2011, serem consideradas quitadas.

III.b) DO SEGURO DE PROTEÇÃO FINANCEIRA E DAS PRESTAÇÕES


JÁ PAGAS

Como já dito, ao firmar o contrato de financiamento


(leasing), o preposto da requerente informou que o requerido contava com o
seguro de proteção financeira.

Este seguro cobria 4 (quatro) prestações do


financiamento em caso de eventual desemprego do contratante.

Pois bem, considerando que as prestações de junho,


julho, agosto e setembro de 2010 estão pagas, que o seguro de proteção
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financeira foi acionado no mês de agosto do mesmo ano e levaria 30 (trinta) dias
para seu deferimento, infere-se que as prestações do referido financiamento
estariam quitadas até o mês de janeiro de 2011.

Dessa forma, o requerido encontra-se em dia com sua


obrigação, devendo, portanto, ser extinta a presente demanda com resolução do
mérito, nos termos do artigo 269, inc. I, do CPC.

III.c) DA AUSÊNCIA DE NOTIFIÇÃO VÁLIDA

A súmula nº 369, do Superior Tribunal de Justiça, prevê


que nos contratos de leasing, indispensável a notificação do arrendatário, a fim de
constituí-lo em mora.

Súmula nº 369 - No contrato de arrendamento


mercantil (leasing), ainda que haja cláusula resolutiva
expressa, é necessária a notificação prévia do
arrendatário para constituí-lo em mora.

Infere-se da súmula acima descrita que a notificação


válida é requisito indispensável para a propositura da ação visando a resolução
contratual.

Esse é o entendimento do E. Superior Tribunal de


Justiça, verbis:
CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO DE
LEASING. CLÁUSULA RESOLUTIVA EXPRESSA.
AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO NA POSSE.
INTERPELAÇÃO PRÉVIA AO DEVEDOR.
NECESSIDADE. CONSTITUIÇÃO EM MORA.
AUSÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA QUARTA TURMA.
DISSÍDIO CARACTERIZADO. PRECEDENTES.
RECURSO DESPROVIDO.
– Para fins de ajuizamento de ação de reintegração
na posse, é necessária a notificação prévia ao
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devedor, para a sua constituição em mora, nos
contratos de arrendamento mercantil (leasing),
ainda que o contrato contenha cláusula expressa
que a dispense.
(REsp 185.984/SP, Rel. Ministro SÁLVIO DE
FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA,
julgado em 27/06/2002, DJ 02/09/2002, p. 192)

Não por menos, a jurisprudência do Tribunal de Justiça


do Distrito Federal e Territórios acompanhou o entendimento acima, verbis:

PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO


DE POSSE. ARRENDAMENTO MERCANTIL.
MORA NÃO COMPROVADA. NOTIFICAÇÃO
EXTRAJUDICIAL ENTREGUE NO ENDEREÇO
DECLINADO NO CONTRATO. RECEBIMENTO
POR TERCEIRO. CARTÓRIO DE REGISTRO DE
TÍTULOS E DOCUMENTOS. INOCORRÊNCIA.
1. Conforme dicção da Súmula 369 do STJ, no
contrato de arrendamento mercantil (leasing),
ainda que haja cláusula resolutiva expressa, é
necessária a notificação prévia do arrendatário
para constituí-lo em mora.
2. Para a comprovação da mora é suficiente o
recebimento da notificação extrajudicial no
endereço declinado no contrato, não se exigindo
recebimento pessoal do devedor.
3. A mora ex re poderá ser comprovada por carta
registrada e expedida por meio de Cartório de
Títulos e Documentos ou pelo protesto do título, a
critério do credor, o que não ocorreu na espécie,
uma vez que foi encaminhada notificação
extrajudicial elaborada pelo demandante.
4. Nas ações de reintegração de posse
fundamentada em contrato de arrendamento
mercantil, impõe-se o indeferimento da petição
inicial quando a parte autora não instrui a demanda
com o comprovante da notificação extrajudicial do
arrendatário acerca da inadimplência.
5. Recurso conhecido e desprovido.
(20090710303433APC, Relator JOÃO BATISTA

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TEIXEIRA, 3ª Turma Cível, julgado em 14/07/2010,
DJ 09/08/2010 p. 70) (grifo nosso)

Ainda,

PROCESSO CIVIL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE.


ARRENDAMENTO MERCANTIL DE VEÍCULO.
INDEFERIMENTO DA INICIAL. AUSÊNCIA DE
NOTIFICAÇÃO VÁLIDA PARA A CONSTITUIÇÃO
EM MORA DO DEVEDOR. 1. A EXIGÊNCIA DE
NOTIFICAÇÃO PRÉVIA PARA A CONSTITUIÇÃO
EM MORA DO DEVEDOR NOS CONTRATOS DE
ARRENDAMENTO MERCANTIL É AMPLAMENTE
SUSTENTADA PELA JURISPRUDÊNCIA COMO
REQUISITO DA AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE
POSSE. INCLUSIVE O COLENDO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA A RECONHECE COMO
MEDIDA NECESSÁRIA PARA EVITAR A PERDA
DO BEM PELO ARRENDATÁRIO SEM QUE LHE
TENHA SIDO DADA A POSSIBILIDADE DE
DEFESA, OPORTUNIZANDO-LHE A PURGA DA
MORA OU A DEMONSTRAÇÃO DA
INEXISTÊNCIA DE MORA. 2. NOS TERMOS DA
SÚMULA 369 DAQUELE TRIBUNAL SUPERIOR,
"NO CONTRATO DE ARRENDAMENTO
MERCANTIL (LEASING), AINDA QUE HAJA
CLÁUSULA RESOLUTIVA EXPRESSA, É
NECESSÁRIA A NOTIFICAÇÃO PRÉVIA DO
ARRENDATÁRIO PARA CONSTITUIR EM MORA.
3. DEIXANDO A PARTE AUTORA DE ATENDER,
DE FORMA SATISFATÓRIA, O DESPACHO QUE
ORDENOU A EMENDA À INICIAL, PARA O FIM
DE COMPROVAR A CONSTITUIÇÃO DO
DEVEDOR EM MORA, MOSTRA-SE IMPOSITIVA
A MANUTENÇÃO DA R. SENTENÇA QUE
EXTINGUIU O PROCESSO SEM RESOLUÇÃO
DO MÉRITO. 4. APELO IMPROVIDO.
(20090210060230APC, Relator JOÃO EGMONT, 5ª
Turma Cível, julgado em 25/08/2010, DJ
26/08/2010 p. 121) (grifo nosso)

Verificando os autos, nota-se que a correspondência


remetida pela autora, notificava o requerido sobre o inadimplemento das
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prestações dos meses de junho a agosto de 2010, as quais foram devidamente
quitadas pelo requerido, conforme o acordo firmado e comprovantes de
pagamentos anexos.

Assim, mesmo que não seja considerado o seguro de


proteção financeira, deveria a Autora, por meio de nova notificação, constituir o
requerido em mora, em relação as prestações vencidas a partir de outubro de
2010.

Dessa forma, ausente requisito indispensável a


propositura da presente demanda (notificação válida), imperioso se faz a extinção
do processo sem o julgamento do mérito.

III.d) DA IMPOSSIBILIDADE DE LIMINAR

Dois são os requisitos para concessão da medida


liminar, quais sejam: (a) fummus boni iuris e (b) periculum in mora.

Analisando as provas dos autos, verifica-se que as


prestações em atraso, alegada pela autora, encontram-se quitadas, afastando
assim a fumaça do bom direito. Ainda, levando em consideração o seguro de
proteção financeira, pode-se dizer que as prestações estão quitadas até o mês de
janeiro, não havendo em que se falar em atraso de pagamento.

Também, não resta configurado o periculum in mora,


pois, a importância eventualmente devida a autora em razão do leasing pode ser
devidamente compensado pela quantia paga antecipadamente pelo requerido a
título de VRG, não havendo assim prejuízo para a requerente.

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Ausente os requisitos para sua concessão deve a
liminar ser revogada, restituindo o veículo ao requerido.

III.e) DA RESTITUIÇÃO DO VRG

Caso Vossa Excelência entenda pela rescisão do


contrato, importante esclarecer que o VRG – Valor Residual Garantido, está
incluso nas prestações, sendo pago antecipadamente pelo requerido.

Isso pode ser observado claramente no contrato


firmado, nos campos 4.5 e 4.6, onde demonstram a composição da prestação.

Como é cediço, o VRG, previsto no artigo 11, § 2º, da


Lei 6.099/74, é a opção de compra do bem pelo arrendante ao final do contrato.
No presente caso, o valor residual foi fracionado e embutido nas parcelas,
conforme o contrato de arrendamento anexo.

Em casos idênticos, a jurisprudência do TJDFT tem


entendido que na rescisão do contrato de leasing o VRG pago adiantado deve ser
restituído ao arrendatário corrigido monetariamente, verbis:

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. ARRENDAMENTO


MERCANTIL. LEASING. REINTEGRAÇÃO DE
POSSE. RESCISÃO CONTRATUAL. VALOR
RESIDUAL GARANTIDO. DEVOLUÇÃO. 1. Em
se tratando de arrendamento mercantil, tem o
arrendatário o direito à devolução do Valor
Residual Garantido (VRG), depois de rescindido
o contrato, após ação de reintegração de
posse. 2. Tal entendimento se encontra
consolidado neste Tribunal e no e. STJ, verbis:
"O Valor Residual Garantido - VRG - é a
importância estipulada no contrato de
arrendamento mercantil que possibilita o
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exercício de compra do bem arrendado, ao
final. Dessa forma, resolvido o contrato em
razão do inadimplemento do arrendatário e
reintegrado o bem na posse da arrendadora,
impõe-se a restituição dos valores pagos a
título de VRG ao arrendatário" (Desembargador
José Divino de Oliveira). 2.1 É dizer ainda: "os
valores pagos antecipadamente, a título de
VRG, devem ser devolvidos à arrendatária, sob
pena de enriquecimento ilícito da instituição
financeira arrendante." (AgRg no Ag
1230887/PR, Rel. Ministro Sidnei Beneti, DJe
29/06/2010). 3. Apelo improvido.
(20100910096604APC, Relator JOÃO EGMONT,
5ª Turma Cível, julgado em 19/01/2011, DJ
26/01/2011 p. 109) (Grifo Nosso)

Ainda,
ARRENDAMENTO MERCANTIL. VALOR
RESIDUAL GARANTIDO. ANTECIPAÇÃO.
DESCARACTERIZAÇÃO. COMPRA E VENDA A
PRAZO. INOCORRÊNCIA. RECURSO PROVIDO.
I - O VRG é ordinariamente pago ao final do
contrato, haja vista ser esse o momento do
arrendatário escolher uma das tríplices opções que
lhe são oferecidas. Contudo, inexistem óbices a
que o faça em momento diverso, não influindo tal
ocorrência na natureza jurídica do contrato,
porquanto a cobrança antecipada do citado valor
não retira do arrendatário a faculdade de optar pela
compra do bem ao final do contrato.
II - A antecipação do VRG não retira do
arrendatário a tríplice opção. Ele continua
podendo renovar o contrato, adquirir o bem ou
devolvê-lo. Em optando por esta última
alternativa, basta que lhe seja restituído o VRG
adiantado, devidamente corrigido na forma do
contrato, ou seja, pelos índices de correção
monetária e taxa de juros previstos no pacto.
III - A única coisa que pode descaracterizar o
contrato de leasing, convertendo-o em operação de
compra e venda é o exercício da opção de compra
antes de findo o prazo do arrendamento, e pagar
antecipadamente o VGR não importa o exercício
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da opção de compra, a qual só será empreendida
ao final do contrato.
IV - A antecipação do VRG não desnatura o
contrato de leasing (precedentes do STJ).
V - Apelo provido.(20030310160838 APC, Relator
NÍVIO GERALDO GONÇALVES, 1ª Turma Cível,
julgado em 12/04/2004, DJ 01/06/2004 p. 87)
(Grifo Nosso)

Dessa forma, em razão de eventual rescisão contratual,


deve a autora restituir o valor desembolsado pelo requerido à título de VRG,
devidamente corrigido na forma do contrato.

IV – DA LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ

Elenca o artigo 17 do CPC, os casos de litigância de


má-fé, verbis:

Art. 17. Reputa-se litigante de má-fé aquele que:


(...)
II - alterar a verdade dos fatos;

Para legitimar a obtenção da liminar a autora afirmou


ter constituído o requerido em mora, conforme notificação anexa. Todavia, a
correspondência juntada aos autos é anterior ao acordo firmado.

Nota-se que a requerente desvirtuou os fatos,


incorrendo no inciso II do artigo acima citado.

Dessa forma, deve ser decretada a litigância de má-fé,


condenando a autora ao pagamento da multa prevista no art. 18 do CPC.

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V – DA JUSTIÇA GRATUITA

Conforme preceito constitucional o Estado deve


promover a assistência judiciária aos que provarem insuficiência de
recursos.

O requerido possui família e encontra-se


desempregado, conforme termo de rescisão contratual anexo.

Ainda, possui a obrigação de pagar as prestações do


próprio financiamento ora discutido, não possuindo capacidade financeira para
suportar os custos judiciais.

Concernente com os motivos supra citados, a


requerida se faz merecedora do benefício da justiça gratuita nos termos da lei,
uma vez que não possui condições para arcar com as custas e honorários
advocatícios, sem que haja prejuízo de seu sustento e de sua família.

VI - DO PEDIDO

Ante o exposto, requer o requerido:

a) a concessão da justiça gratuita nos termos da lei


1060/50;

b) a revogação da medida liminar, pois, ausente os seus


requisitos;

c) que seja acolhida a preliminar de carência de ação em


razão da impossibilidade jurídica do pedido, vez que as prestações em atraso
encontram-se quitadas;
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d) que seja acolhida a preliminar de ausência de


requisito indispensável à propositura da presente demanda, qual seja: notificação
válida, extinguindo o processo sem resolução do mérito;

e) ultrapassada as preliminares acima, requer no mérito


o improvimento in totum do pedido autoral;

f) a condenação da autora ao pagamento das custas e


honorários advocatícios nos termos da lei;

g) provar o alegado por todos os meios de prova


admitidos em direito, notadamente a documental, testemunhal e depoimento
pessoal da autora.

Nesses termos,
Pede deferimento.

Brasília, 28 de fevereiro de 2011.

____________________________
LEONARDO DE FREITAS COSTA
OAB/DF Nº 23.173

Doc 1 – Contrato de Leasing;

Doc 2 – Acordo Extrajudicial;

Doc 3 a 5– Boletos referente ao pagamento das prestações especificadas no


acordo (junho a agosto de 2010);

Doc 6 – Pagamento da prestação referente ao mês de setembro de 2010;

Doc 7 – Cópia do Contrato de Seguro de Proteção Financeira;


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Doc 8 – Propaganda do Seguro de Proteção Financeira;

Doc 9 – Cópia do Termo de Rescisão de Contrato do Trabalho;

Doc 10 – Cópia de declaração emitida pela antiga empresa do Autor;

Doc 11 – Cópia do histórico de envio de correspondência para a requerente;

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