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ATIVIDADE ESTRUTURADA

INVESTIGAÇÃO – INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA E FONÉTICA – CCJ0165


Resenha crítica acerca da temática.

Problemáticas da interpretação extensiva da Lei de Interceptação Telefônica

O caso dos aplicativos de comunicação instantânea

Não resta dúvida que os históricos de localização são dados que adentram a
vida pessoal dos indivíduos interceptados, na medida em que revelam o local em que
as pessoas estiveram em determinado horário, e podem ser o ponto de partida para
extração de diversas outras informações, sem qualquer conexão com as investigações.
E pior, inserindo pessoas que não possuem relação com os fatos investigados, no cerne
do inquérito policial.

Não fosse suficiente a violação das garantias constitucionais da intimidade e


vida privada, eventual quebra de sigilo massiva não se mostra proporcional, na medida
em que não observa a tríade de adequação, necessidade e proporcionalidade em
sentido estrito. Em primeiro, a indeterminação do objeto coloca as autoridades
investigativas diante de um número abundante de informações de usuários, sem
qualquer garantia de que o autor do delito tenha sido atingido pela quebra de sigilo,
não sendo, por consequência, medida mais adequada para atingir o objetivo
pretendido. Em segundo, o modelo investigativo proposto inverte a lógica
de necessidade de demonstração de que a medida acarretaria provas concretas. Em
terceiro, devassar o sigilo de diversos usuários inocentes, apenas porque estavam
conectados ao celular, em um local específico, sob a justificativa de que a medida pode
vir a ser útil para as investigações não se mostra proporcional em sentido estrito.

Nota-se, portanto, que a argumentação de que a identificação dos usuários que


estão em determinado local, em período específico, não fragiliza a intimidade, pois não
adentraria o conteúdo de comunicações, se mostra falaciosa e flexibiliza
indevidamente a privacidade e a proteção dos dados de milhares, se não milhões, de
usuários inocentes, expondo os brasileiros à vigilância governamental ilegal e abusiva.
Em uma era em que os dados são tão valiosos, tendo o próprio legislador reconhecido
a importância e necessidade de proteção das informações pessoais, ao promulgar a Lei
Geral de Proteção de Dados, é impensável que um Estado Democrático de Direito
utilize a tecnologia de empresas privadas, no âmbito de investigações criminais, para
autorizar a imposição de medidas que violam tão caras garantias fundamentais.

Não obstante seja inegável o interesse público no combate aos crimes, não se
justifica a adoção de toda e qualquer medida investigativa, sem observância à
legislação federal e aos dispositivos constitucionais. A existência de inovações
tecnológicas não pode ser um subterfúgio para desrespeito dos direitos fundamentais
e inversão da lógica de proteção de dados, na tentativa de corresponder ao anseio
público punitivista. Desta forma, o risco oriundo da banalização de ordens judiciais
genéricas, ilegais e exploratórias, por intermédio da transformação das empresas
privadas em longa manus investigatória, deve ser tema central da análise dos nossos
Tribunais, de forma a sopesar, de maneira adequada e proporcional, a relação entre o
interesse público das investigações criminais e a privacidade de dados dos usuários.

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