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Ordem dos

REVISTA da
Trimestral | Ano 2
Número 6/7

Farmacêuticos
ANGOLA de
ABR-SET 2015
Director:
Boaventura
Moura

6 e 7 de Outubro de 2015 · Hotel de Convenções de Talatona · Luanda

Coreia país convidado de honra

Alto patrocínio: Organização:

Inclui o Programa e Catálogo

Nutrição parentérica: Quais os principais A prescrição de antipalúdicos


o papel do farmacêutico problemas relacionados aos pacientes do hospital
A nutrição parentérica consiste na com os medicamentos? Josina Machel
administração total ou parcial, por Os aspectos mais importantes a conside- O uso não adequado dos antipalúdicos pode
via intravenosa, dos nutrientes rar nos medicamentos, as reacções levar, entre outros problemas, ao incremento
necessários à sobrevivência do adversas e os erros de medicação. Como da resistência e à ocorrência de reacções
paciente. A inclusão do serviço estabelecer uma estratégia e objectivos adversas. Com o objectivo de avaliar a
de nutrição parentérica dá um quando há suspeitas de problemas rela- qualidade de prescrição de antipalúdicos,
contributo valiosíssimo à prestação cionados com medicamentos? Constitui realizou-se um estudo observacional em
de cuidados de saúde de qualidade uma oportunidade de revisão e melhoria pacientes internados no Hospital Josina
e ao desenvolvimento da farmácia das intervenções dos profissionais de Machel com diagnóstico confirmado
hospitalar. | Pág.9 saúde? Reveja o essencial. | Págs. 15 a 18 de malária. | Págs. 19 a 22
2 | Revista da
Abril/Setembro Ordem dos Farmacêuticos de Angola
2015 Revista da Ordem dos FarmacêuticosJaneiro/Março
de Angola2014|3

Editorial
Índice
Índice
Boaventura Moura Eventos
Bastonário e Presidente do Conselho Nacional II Semana da Farmácia Angolana e Expo Farma
É já no início de Outubro que tem lugar a mais importante realização anu-
al da OFA: a Semana da Farmácia Angolana. A segunda edição de um

Bem-vindos à II Semana evento que reúne toda a classe farmacêutica de Angola e convidados dos
países de língua portuguesa para debaterem as grandes questões que se
colocam à profissão. Um programa científico de excelência e um salão

da Farmácia Angolana profissional simultâneo mostram o vigor e a determinação dos farmacêu-


ticos e da sua Ordem. | Págs. 4 a 8 e 10/11

Conselho Farmacêutico
Estimados colegas, Nutrição parentérica: o papel do farmacêutico
A nutrição parentérica consiste na administração total ou parcial, por via

É
É com muita alegria e satisfação que o/a acolhemos na II Semana da intravenosa, dos nutrientes necessários à sobrevivência do paciente. A in-
Farmácia Angolana – o fórum e ponto de encontro dos farmacêuticos, clusão do serviço de nutrição parentérica dá um contributo valiosíssimo
técnicos de farmácia e outros profissionais de saúde ligados ao medi- para a prestação de cuidados de saúde de qualidade e para o desenvolvi-
camento e sector farmacêutico em Angola, este ano sob o lema “Acesso mento da farmácia hospitalar. | Pág. 9
a farmacêuticos é acesso a medicamentos eficazes, seguros e com qua-
lidade". Comunicação
O programa visa actualizar os nossos conhecimentos, partilhar expe- Como deve o farmacêutico comunicar com o cliente
Cabe ao farmacêutico incentivar a adesão à terapêutica, entre outros as-
riências e debater as grandes questões que se colocam ao sector far-
pectos fundamentais na área da comunicação e aconselhamento ao
macêutico, à nossa farmácia angolana, à profissão farmacêutica e à doente, promovendo a sua segurança e conforto. | Págs. 12 a 14
saúde em geral, reforçando o compromisso do farmacêutico angolano
para com a excelência na prestação de cuidados e serviços de saúde ao Folha Farmacoterapêutica
utente e à população no seu todo, ao mesmo tempo que fortalece a nos- Quais os principais problemas relacionados
sa classe e desempenho profissional. Por essa razão, mantivemos e re- com os medicamentos?
forçámos a qualidade das nossas conferências, mas ampliámos tam- Os aspectos mais importantes a considerar nos medicamentos, as
bém a nossa oferta através dos cursos pré e pós conferência, ao mesmo reacções adversas e os erros de medicação. Reveja o essencial. | Págs. 15 a 18
tempo que alargámos a oferta dispo-
nível aos nossos alunos finalistas de Investigação


Ciências Farmacêuticas - um com- A prescrição de antipalúdicos aos pacientes
promisso OFA. do hospital Josina Machel
Esta segunda edição conta com a Co- O uso não adequado dos antipalúdicos pode levar, entre outros proble-
reia como país convidado de honra, mas, ao incremento da resistência e à ocorrência de reacções adversas,
com desfavorável repercussão para os pacientes e para o sistema de
pelo que teremos também a oportu- "A caminho da
saúde. Com o objectivo de avaliar a qualidade de prescrição de antipalúdi-
nidade de conhecer as experiências
da evolução rápida deste país na área internacionalização:
cos, realizou-se um estudo observacional, descritivo e transversal, em pa-
cientes internados no Hospital Josina Machel com diagnóstico confirma-
da saúde em geral, e farmacêutica este ano contamos do de malária. Saiba quais foram as conclusões. | Págs. 19 a 22
em particular.
Para além do programa integral da II com a participação Reportagem
Semana da Farmácia Angolana, po- da Coreia como país Casos de sucesso de farmácias em Angola
de ler ainda nesta edição da sua revis- Os jornalistas da OFA continuam a sair à rua e a visitar as farmácias,
ta um artigo sobre a adequação da
convidado de honra" procurando conhecer e relatar os bons exemplos. Nesta edição encon-
prescrição de antipalúdicos aos pa- traram mais um caso de êxito bem no centro de Luanda. Saiba qual a es-
cientes do hospital Josina Machel, tratégia por detrás do bom desempenho dos profissionais. | Pág. 23
uma matéria sobre a comunicação
em saúde, mais um caso de sucesso nas farmácias angolanas e a habi- Formação
tual Folha Farmacoterapêutica que analisa os principais problemas A pele do adolescente, os cuidados diários
relacionados com os medicamentos. Na coluna Conselho Farmacêu- e o drama da acne
Cuidados de hidratação e limpeza a ter no quotidiano. | Págs. 24 e 25
tico veja a matéria sobre nutrição parentérica. No espaço regulamentar
encontra a continuação das bases gerais da política nacional farma- Espaço Regulamentar
cêutica - um diploma que devemos ter sempre presente. As bases gerais da política nacional farmacêutica
Saudações farmacêuticas e aquele forte e caloroso abraço galénico! As bases gerais da política nacional farmacêutica foram definidas pelo
Decreto Presidencial n.º 180/10, de 18 de Agosto. Pela sua magna im-

Ficha Técnica portância, a Revista OFA iniciou a sua publicação na última edição. Neste
número, publicam-se os capítulos referentes ao abastecimento de
medicamentos e meios médicos, à produção nacional de medicamentos
Propriedade:Ordem dos Farmacêuticos de Angola | Director:Boaventura Moura | Conselho editorial: João
Novo, Helena Vilhena, Pedro Zangulo e Santos Nicolau | Endereço: Rua Kwame Nkrumah, nº 52 / 53, Maianga, e garantia de qualidade dos produtos farmacêuticos. | Págs. 26 a 28
Luanda, Angola. Tel.: (+244) 935 333 709 / 912 847 892 | E-mails: ofangola@gmail.com ofangola@hotmail.com
| Web site:www.ordemfarmaceuticosangola.org | Editor: Rui Moreira de Sá - Marketing For You, Lda / Jornal da Crónica do exterior
Saúde www.marketingforyou.co.ao | Redacção: Cláudia Pinto; Francisco Cosme; Magda Cunha Viana | Mar- Encontros internacionais
keting e publicidade: Eileen Barreto Tel.: (+244) 945046312 / 928013347 e-mail: eileen.salvacaobarreto@mar- A reunião anual do Conselho do Colégio de Especialidades de Assuntos
ketingforyou.co.ao | Periodicidade: trimestral | Design e maquetização: Fernando Almeida | Impressão e Regulamentares da Ordem dos Farmacêuticos de Portugal. | Pág. 30
acabamento:EAL - Edições de Angola | Tiragem:3.000 exemplares
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Eventos
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Eventos
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Eventos
Abril/Setembro 2015 Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola | 9

Conselho Farmacêutico

Nutrição parentérica:
o papel do farmacêutico
A estrutura e os serviços da farmácia hospitalar armazenar e distribuir, criteriosamente, os produ-
sofreram inúmeras transformações nas últimas dé- tos necessários para a preparação da nutrição pa-
cadas. A farmácia hospitalar, como integrante do renteral; seleccionar e qualificar fornecedores que
ambiente hospitalar, possui acções avaliadas num assegurem a entrega dos produtos acompanhados
processo de acreditação hospitalar por meio dos do certificado de análise emitido pelo fabricante;
serviços prestados e de acordo com a complexida- avaliar a formulação da prescrição médica quanto
Dr.ª Helena Vilhena de do hospital. A inclusão do serviço de nutrição à adequação, concentração e compatibilidade fí-
parentérica contribui para a acreditação, dando sico-química e esterilidade; determinar prazos de
um contributo valiosíssimo para a prestação de cui- validade para cada nutrição parenteral padroni-
dados de saúde de qualidade e para o desenvolvi- zada, com base em critérios rígidos de controlo de
mento da farmácia hospitalar. Esta actividade en- qualidade; assegurar que os rótulos da nutrição pa-
volve uma perfeita integração profissional entre a renteral sejam claros e que seja feita a recolha cor-
equipa: farmacêutica, médica, enfermagem e nu- recta da amostragem da nutrição parenteral para
tricionistas. análise microbiológica; participar de estudos de
Dr.ª Lucinda Figueiredo A nutrição parentérica consiste na administra- farmacovigilância com base em análise de reac-
ção total ou parcial, por via ções adversas e interacções fármaco-nutriente e
intravenosa, dos nutrientes A nutrição nutriente-nutriente, a partir do perfil farmacote-
necessários à sobrevivência parentérica rapêutico registado; participar, promover e regis-
do paciente. Ela está indica- tar as actividades de formação operacional e de
consiste na
da nos casos em que a ali- educação continuada, garantindo a actualização
mentação oral não é possí- administração de todos os profissionais envolvidos na preparação
vel ou é indesejada, quando total ou para garantir a competência técnica da equipe de
a absorção de nutrientes é parcial, por via trabalho.
incompleta e, principal- intravenosa, Além das actividades de supervisão na manipu-
mente, quando as condi- dos nutrientes lação das formulações e controle de qualidade, o
ções acima estão associa- farmacêutico participa no acompanhamento clí-
necessários à
das ao estado de desnutri- nico do paciente, juntamente com a equipa multi-
ção. Os requisitos estrutu- sobrevivência disciplinar.
rais, ambientais, físicos do do paciente. A comunicação é fundamental nas relações en-
serviço de nutrição paren- tre o farmacêutico-paciente e o farmacêutico e os
térica e as boas práticas de demais profissionais de saúde, para a condução de
manipulação são funda- uma orientação técnica que traga benefícios à te-
mentais para a garantia da qualidade da nutrição rapia nutricional.
parentérica. A implantação do serviço do serviço de nutrição
O profissional farmacêutico é responsável pela parentérica significa um avanço na abordagem far-
manipulação das nutrições parentéricas devido, macêutica a nível da farmácia hospitalar, promo-
principalmente, à sua formação académica que vendo uma perfeita integração do farmacêutico
lhe confere habilidade para: seleccionar, adquirir, com a restante equipa envolvida no processo.

Referências bibliográficas
1.Ciências Farmacêuticas: uma abordagem em farmácia hospitalar/Maria José Vasconcelos do Magalhães Gomes, Adriano Max Moreira Reis. – 1. Ed. São
Paulo: Editora Atheneu, 2001
2. Nutrição parentérica em pediatria – Abordagem e experiência farmacêutica fonte:http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAy1gAJ/central-mistura-
intravenosa#ixzz20EhSccX7
3.Nutrição parentérica fonte: http://www.infarmed.pt/formulario/navegacao.php?paiid=197
4.http://www.portaleducacao.com.br/farmacia/artigos/670/atuacao-do-farmaceutico-hospitalar-na-equipe-multidisciplinar
5.http://www.nutritotal.com.br/perguntas/?acao=bu&categoria=5&id=149
10 | Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola Abril/Setembro 2015

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Abril/Setembro 2015 Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola | 11

genéricos, medicamentos de venda livre, produtos ção de alimentos infantis, medicamentos e cosméti-
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12 | Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola Abril/Setembro 2015

Comunicação

Como o farmacêutico deve


comunicar com o cliente

Daí que o comportamento do em larga maioria, é efectuada que posso ser-lhe útil", "Tenha a
Uma das tarefas mais farmacêutico e seus colaborado- com recurso a medicamentos. A amabilidade de dizer", já que es-
importantes da pres- res tenha que ser de grande proximidade de relação com o tas palavras transmitem uma
pragmatismo quanto ao desem- doente, já que em muitas cir- forma mais educada de comuni-
tação de cuidados penho da sua função. Na realida- cunstâncias este frequenta assi- cação, e toda a gente aprecia ser
de saúde é a promo- de, cabe aos farmacêuticos in- duamente a mesma farmácia, correctamente tratada.
centivar a adesão à terapêutica pode propiciar uma importante No caso de existir um sistema
ção da segurança e instituída pelo médico, pelo que ajuda ao médico no sentido de de chamada de vez (ordenação
do conforto daque- é fundamental, no exercício da serem dados contributos signi- de pessoas em fila de espera), é
sua atividade laboral, ter um ficativos quanto à inserção so- aconselhável não chamar nin-
les que sofrem por adequado comportamento co- cial e cultural do paciente. guém pelo número, mas com
causa da doença, pe- municacional no tocante às re- um "quem está a seguir por fa-
lações com outros profissionais Boa abordagem vor", tal como, quando se pre-
lo que é necessário de saúde, em especial o clínico. Da mesma forma que um tende perguntar ao cliente, no
fornecer ao doente Cabe assim ao farmacêutico bom acolhimento se torna rele- decurso do atendimento, se
uma função de inegável impor- vante para uma boa comunica- quer levar mais alguma coisa, ao
explicações sobre a tância, dada a sua posição privi- ção com o cliente, é imprescindí- invés do tradicional " ... e mais
doença e a melhor legiada no contexto do circuito vel que a equipa utilize uma boa por favor" ou "mais alguma coi-
do doente no sistema de saúde, abordagem. sa?", utilizar expressões como
forma de lidar com considerando que constitui o úl- Assim, expressões como "O "vai pretender algo mais" ou "de-
ela. timo contacto do doente antes que é que quer?", "Diga lá ... ", de- seja mais algum produto?".
de iniciar uma terapêutica que, vem ser substituídas por "Em
Abril/Setembro 2015 Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola | 13

A gestão da comunicação somente para a comercialização


corrente de medicamentos e outros produ- Melhorar a
Um aspecto que habitualmen- tos. capacidade
te concorre para a percepção, por de escuta
parte do cliente, de um serviço efi- Causas de má comunicação
caz , é seguramente a forma como Comunicar é também aceitar Observar para
se comunicam alguns aspectos. o nosso interlocutor na sua globa- uma escuta objectiva
Por exemplo, quando não existe lidade, independentemente do
em stock um medicamento que o seu sexo, raça, idade, preferência Ser atento ao desenrolar do estado de
cliente necessita, deve-se referir sexual ou estatuto social, procu- saúde dos clientes é algo que deve fazer
"De momento não disponho do rando reconhecer em que aspec- parte das competências de um técnico
produto X. Se necessita urgente- tos as opiniões convergem, bem superior de saúde. Numa farmácia,
mente, posso arranjá-lo para as Y como identificar os pontos de dis- pela frequência de visitas por parte da
horas", ou "O produto que é solici- córdia. população, é relativamente fácil à
tado pelo seu médico(a) está em Por esta razão, emitir uma equipe técnica aperceber-se de alter-
falta. Vou tentar saber se o consigo mensagem clara pressupõe o co- ações nos clientes, devendo por isso,
encomendar para as Z horas: faz- nhecimento das razões que presi- não só estar atenta à automedicação
lhe diferença voltar a essa hora?". dem à sua génese, a compreensão efectuada pelos mesmos, que em
Um dos aspectos que se deve pro- da existência de diferentes pontos muitas situações é desadequada e mas-
curar gerir com eficácia é facultar de vista e a modulação da comu- cara os sinais da doença, como igual-
ao cliente uma informação cor- nicação em função do interlocu- mente conduzir a conversação de for-
recta e concreta, sem ambiguida- tor de forma a assegurar o impac- ma a conhecer mais profundamente as
des. to final dessa mesma mensagem. causas da eventual patologia, e assim
Desta forma, em situações em Embora se possa reconhecer poder orientar mais conveniente-
que não haja o produto em stock, maior ou menor facilidade de ex- mente o tratamento, ganhando simul-
dever-se-á dizer de imediato ao pressão num determinado indiví- taneamente a confiança do cliente.
cliente que está esgotado no mer- duo, a comunicação é algo que se
cado, caso exista essa informação apura em função da utilização de Colocar o corpo em
actualizada. Caso se verifique que determinadas técnicas. posição de escuta
é uma falta pontual na farmácia, é Para se perceber até que ponto
aconselhável a gestão da enco- são relevantes o seu emprego, re- Naturalmente que, para escutar, pre-
menda do produto de acordo com pare-se nas causas que mais fre- cisamos de ouvir, pelo que a posição do
as necessidades do cliente. Se se quentemente afectam a comuni- corpo tem, não só de refletir predis-
tratar de um caso urgente, a alter- cação, no decurso de um atendi- posição para o acto (com o tronco
nativa será ligar para uma farmá- mento: ligeiramente inclinado para a frente, a
cia próxima com quem habitual- cabeça inclinada, os braços ao longo do
mente exista troca de produtos. Receio do envolvimento pes- corpo ou repousando sobre o balcão),
Caso isso não seja possível, dever- soal - Certas expressões, quando como igualmente se deve promover
se-á solicitar ao fornecedor que fa- mal usadas provocam retração no uma predisposição especial, com o
ça uma entrega dentro do prazo cliente. Por exemplo em vez de se olhar direccionado para o cliente, sem
pretendido. O facto de procurar dizer "Pode comprar o artigo X naturalmente o fixar exageradamente,
resolver de imediato o problema que melhorará após uma toma de o que o poderá tornar menos acolhe-
do cliente, não só é fundamental y dias" deveria optar-se por "Eu dor. As palavras devem ser proferidas
para este ter uma maior percep- aconselho o artigo X e estou certo em tom baixo, mas de forma clara e au-
ção da eficácia do serviço da far- que após uma toma de y dias, sen- dível.
mácia, como igualmente permite tir-se-á melhor”.
ao farmacêutico poder confirmar Estar atento às particulari-
de imediato a entrega do produto Serviço executado contra-reló- dades linguísticas
e comprometer o cliente a vir bus- gio- O serviço de atendimento e o
cá-lo. aconselhamento associado não Cada pessoa utiliza no decurso da sua
A comunicação nestas situa- devem ter como pressuposto a ra- comunicação como que uma lin-
ções deve ser feita em tom corda- pidez de execução. Os clientes são guagem própria, com determinado
to, não forçando o cliente a aceitar também, na grande maioria, tipo de vocabulário e referências cul-
nada, mas informando-o sobre as doentes que, como tal, precisam turais particulares. Deve-se procurar
opções para o satisfazer. A resolu- de atenção, mesmo nas horas de detectar rapidamente tais particulari-
ção de uma situação deve fazer maior afluxo. dades e utilizar referências seme-
parte da conduta ética e profissio- lhantes no decurso da conversação,
nal do farmacêutico, pois contri- Espaço inadaptado às exigên- pois facilitará bastante o entendimen-
bui para a melhoria do estado de cias actuais- A farmácia deve ser to.
saúde das populações que serve e um espaço onde se possa falar
14 | Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola Abril/Setembro 2015

Comunicação

sem elevar a voz e em ambiente de a confiança do cliente. pelo cliente (de forma verbal e mais intimista, é fundamental que
intimidade. O espaço deve ser não verbal) e demonstrar a este a tal postura exista e se promova in-
portanto concebido em função da Demissão- Escutar e compreen- disponibilidade e interesse para clusive o seu desenvolvimento no
dimensão da relação humana que der o interlocutor sem abandonar resolver a situação. seio da equipe técnica.
se pretende estabelecer, quer com a própria opinião, mesmo que isso Para se saber escutar tem de - Permanecer "aberto", pois a es-
os clientes, quer com os próprios signifique dizer não às suas críti- existir uma condição mental ade- cuta exige uma primeira recep-
colaboradores. cas, é algo que deve fazer parte da quada, ou seja, manifestar um ção da mensagem, sem qualquer
postura do farmacêutico, enquan- comportamento e atitudes volun- julgamento a priori. O aspecto, ra-
Linguagem inapropriada- O es- to profissional. tárias. ça ou etnia, linguagem e idioma
tar no mesmo "comprimento de não devem influenciar a forma
onda" do cliente é fundamental Rotina - O quotidiano laboral ge- O comportamento como os farmacêuticos e seus co-
para se transmitir uma mensa- ra por vezes situações de acomo- preliminar de escuta laboradores encaram a sua mis-
gem. Deve-se pois utilizar uma lin- dação que são totalmente con- Existem seguramente algumas são social e muito menos pautam
guagem simples e de fácil com- trárias ao espírito de missão que circunstâncias que permitem me- a sua intervenção profissional.
preensão, mesmo que isso signifi- deve nortear a profissão. Deve-se lhorar a escuta, nomeadamente: - Conhecer-se a si mesmo, já
que ter de recorrer a expressões lutar contra a inércia que se ten- - Reconhecer o outro como que a capacidade de escuta dos
populares ou sem carácter técni- de a estabelecer no seio da orga- portador de uma mensagem. receptores está ligada a factores
co. nização e ter suficiente motiva- Significa ter a percepção do tipo pessoais. Os problemas e desor-
ção para servir quem mais preci- de necessidades e expectativas de dens dos clientes podem encon-
Curiosidade - Colocar questões sa: o cliente. quem procura. trar um eco particular, já que os
que entram na intimidade do Talvez já lhe tenha acontecido receptores têm as próprias difi-
cliente sem ter justificação ou per- Saber escutar entrar numa casa comercial e exis- culdades e limites, tendo assim de
missão do mesmo, é algo que se- Quarenta por cento do tempo tir um funcionário que, após al- saber gerir todas as solicitações,
guramente condiciona a evolução da vida de um farmacêutico é dis- gum tempo de espera e observa- inclusivamente aquelas que são
da relação. Por isso deve-se deixar, pendido a escutar. Provavelmen- ção do seu comportamento, o provenientes de contextos desfa-
dentro do possível, ser o cliente a te mais no caso de um farmacêu- aborda simpaticamente e parece voráveis à escuta. O cliente irrita-
escolher a direcção que pretende tico comunitário. Naturalmente adivinhar o que quer. Compreen- do, de mau humor e fatigado, é
dar à conversação. que o receptor tem uma posição derá facilmente que tal atitude ge- sempre um interlocutor mais
activa na comunicação interpes- ra uma enorme fidelização do complexo de servir.
Desumanidade- Independente- soal. Da qualidade da sua escuta cliente e que haverá uma predispo-
mente de se ser profissional de depende igualmente o sucesso ou sição suplementar para este se dar
saúde é-se igualmente, e em pri- insucesso deste processo. mais a conhecer ao dito funcioná- Adaptado de: Aguiar, António Hipólito.
meiro lugar, um ser humano. Nin- A escuta tem dois objetivos: rio. Numa farmácia, em que os Boas Práticas de Comunicação na Farmá-
guém se deve alhear deste facto, descortinar o mais apuradamen- problemas dos clientes assumem cia – Guia de acção para o sucesso. Hollyfar;
pois só assim será possível ganhar te possível o pedido efectuado porventura uma dimensão ainda Lisboa, 2014
Abril/Setembro 2015 Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola | 15

Folha Farmacoterapêutica

Órgão informativo
CINFARMA– Centro de Informação Farmacêutica no
REPÚBLICA DE ANGOLA
MINISTÉRIO DA SAÚDE
DIRECÇÃO NACIONAL
DE MEDICAMENTOS E EQUIPAMENTOS

Departamento de Farmacovigilância
DNME/MINSA
ANO 0 Nº 6 Abril a Junho de 2015

MENSAGEM QUAIS OS PRINCIPAIS PROBLEMAS


DE ABERTURA RELACIONADOS COM OS MEDICAMENTOS?
Todo o nosso esforço tem um Introdução Reacções Adversas a Medicamentos (RAM’s), consideradas
único objectivo: proporcio- A partir da década de 40 (século XX), o uso de fármacos em não evitáveis e que sempre produzem dano ao paciente, ou
nar-lhe, a si e à sua família, larga escala foi acarretando uma preocupação em relação Erros de Medicação (EM), considerados evitáveis e que po-
à utilização de medicamentos 1,2. Em 1985, a Organização dem ou não causar danos ao paciente. Os EM classificam-
melhores dias. Com o seu se em erros de prescrição, dispensa e administração.
Mundial de Saúde (OMS) definiu o uso racional de medica-
apoio e amizade atingimos mentos como sendo “o emprego de medicamentos apro-
grandes metas, e outras nos priados para a situação clínica, nas doses que satisfaçam as DEFINIÇÃO DE PROBLEMAS RELACIONADOS COM
esperam. Sentimo-nos realiza- necessidades individuais, por um período adequado e ao MEDICAMENTOS (PRMS)
dos com a sua alegria, menor custo possível” 3. Desta forma, a prescrição de um Em 1999, durante a Conferência Europeia sobre Atenção
medicamento deveria estar baseada em uma análise prévia Farmacêutica da “Pharmaceutical Care Network Europe”
prosperidade e felicidade, (PCNE), o Problema Relacionado ao Medicamento (PRM)
da relação risco/benefício e também do custo do tratamen-
bem como com a valorização to. Apesar dos esforços em prol do uso racional de medica- já havia sido definido como “a ocorrência de problemas na
da nossa profissão. mentos, existem estudos que demonstram a existência de farmacoterapia de um indivíduo que causa, ou pode causar,
Nós acreditamos que é problemas de saúde cuja origem está relacionada ao uso de interferência nos resultados terapêuticos”. Assim, um PRM
preciso acreditar. medicamentos 4,5. Entre as causas mais comuns encontram- acontece se houver uma ocorrência ou mesmo a possibili-
se: cumprimento inadequado do tratamento, automedica- dade de uma ocorrência na terapêutica medicamentosa
Nós acreditamos que só acre- (Ivama et al., 2002). Por outro lado, segundo o II Consenso
ção, interacções medicamentosas, reacções adversas, into-
ditando é possível construir. xicações, falhas terapêuticas e erros de medicação 5. de Granada (2002) “PRMs são problemas de saúde enten-
Nós acreditamos que só A farmacoterapia acessível e rápida, na qual se analisa ape- didos como resultados clínicos negativos, derivados da far-
construindo conseguiremos nas a eficácia e efectividade relegando para segundo plano macoterapia que, produzidos por diversas causas, interfe-
vencer. o aspecto segurança, parece ser a predominante 6. rem no resultado terapêutico ou levam a efeitos indeseja-
O aumento no consumo de medicamentos, nos últimos dos”. Esta definição contraria o conceito estabelecido pela
Nós acreditamos na nossa PCNE que considera também como PRM todas as ocorrên-
tempos, permite visualizar o problema crescente relacio-
profissão. Em si. nado ao uso destes produtos 7,8. De facto, o tema “problemas cias que possam gerar danos (potenciais) à saúde, não sen-
Por isso, apresentamos-lhe relacionados com medicamentos (PRM)” tem-se mostrado do necessária a real ocorrência de efeitos indesejados.
mais um feito farmacêutico cada vez mais frequente na literatura 5-12. Os PRM’s incluem também o Erro de Medicação (EM), que
que gostaríamos que fizesse Em 2002, foi elaborado o Segundo Consenso de Granada é definido como “qualquer erro que ocorra durante o pro-
sobre Problemas Relacionados com Medicamentos que de- cesso de prescrição e utilização do medicamento” (Bates et
parte do seu quotidiano labo- al., 1993). Estes erros podem estar relacionados com os pro-
finiu PRM como sendo problemas de saúde, entendidos co-
ral, para a sua actualização mo resultados negativos, derivados da farmacoterapia que, cedimentos e sistemas da prática profissional que incluem:
profissional. Pedimos-lhe que produzidos por diversas causas, conduzem à não obtenção a prescrição, comunicação de pedido, rotulagem, dispensa,
contribua para a sua do objectivo terapêutico ou ao aparecimento de efeitos in- distribuição, administração e adesão do paciente. Implícito
melhoria. desejados 12. na definição de EM está que ele é evitável (Aspden et al.,
O uso em larga escala pode apresentar situações adversas 2007) e ocorre devido a limitações do conhecimento, lapsos,
Esta Folha Farmacoterapêuti- falhas ou defeitos no sistema. Podem ser cometidos, tanto
que são classificadas como problemas relacionados com
ca estará sempre presente medicamentos (PRM) BARBERO GONZÁLES & AFONSO por profissionais inexperientes como pelos experientes, se-
nesta sua Revista da OFA. GALÁN, 1999). Os primeiros trabalhos sobre o tema datam jam médicos, farmacêuticos, enfermeiros, técnicos, cuida-
do início da década de 70 e os que relatam esse tipo de estu- dores e o próprio paciente.
Abrace esta causa. do em emergências acontecem na década seguinte. Entre- O termo PRM não é o único utilizado para descrever um
tanto, segundo STRAND e colaboradores 1999, foi em 1990 problema farmacoterapêutico. Outros termos têm sido pro-
que se estabeleceu uma definição e uma classificação sis- postos como: Problemas Relacionados à Terapia (Cipolle,
temática para PRM. 1998), Falhas Farmacoterapêuticas (FernandezLlimos,
O Director Nacional As pressões sociais às quais estão submetidos os prescrito- 2004), entre outros (Van Mill, 2004; Rissato et al., 2008).
Boaventura Moura res, a estrutura de sistema de saúde e o marketing farma-
cêutico são habitualmente citados como factos envolvidos De acordo com o segundo consenso de granada (comi-
nesta problemática a (TUNEAU VALLS et al.; 2000). té de consenso, 2002), os problemas relacionados com
Problemas Relacionados a Medicamentos (PRMs) é um ter- medicamentos (PRMs), são classificados em12:
mo frequentemente utilizado na Atenção Farmacêutica e Necessitude
na Farmácia Clínica. Os PRM’s podem estar relacionados a PRM 1: O paciente sofre um problema de saúde em conse-
16 | Revista da ordem dos farmacêuticos de angola Abril/Setembro 2015

Folha Farmacoterapêutica
quência de não receber um medicamento de que ne- medicação. Assim, caso este efeito adverso venha a enormes danos à população17. Outro estudo demons-
cessita. ocorrer, o apropriado é considerá-lo como uma RAM. trou que prescrições erradas levaram ao óbito ou ge-
PRM 2: O paciente sofre um problema de saúde em Os PRMs levam a um aumento substancial na morbi- raram lesões graves em mais pacientes norte-ameri-
consequência de receber um medicamento de que dade (Mannesse et al., 2000) e da mortalidade (Ebbe- canos do que se poderia ter imaginado, tendo sido es-
não necessita. sen et al., 2001), assim como aumentam os custos nos timado que dois terços desses problemas poderiam
efectividade cuidados da saúde (Ernst, 2001), prejudicando tanto ter sido evitados18.
PRM 3: O paciente sofre um problema de saúde em o indivíduo, como a sociedade. A prevenção de um Desta forma, uma vez estabelecidos os conceitos, po-
consequência de uma inefectividade não quantitativa PRM seria a condição ideal para que não fosse neces- demos classificá-los em função de sua ocorrência na
do medicamento. sária a sua correcção. Todavia, alguns PRMs podem terapêutica. As tabelas 2, 3, 4 mostram a classificação
PRM 4: O paciente sofre um problema de saúde em ser consequência de uma reacção particular e não evi- dos EM que podem ser erros de prescrição, erros de
consequência de uma inefectividade quantitativa do tável de um paciente, como é o caso das reacções de dispensa e erros de administração. A tabela 5 classifica
medicamento. hipersensibilidade causadas por agentes anti-infla- os EM em função da sua gravidade (Van den Bemt,
segurança matórios não esteroidais (AINEs), antibióticos, anti- 2007), enquanto a tabela 1 classifica as RAM
PRM 5: O paciente sofre um problema de saúde em convulsivantes, entre outros, comumente diagnosti- em relação as suas características e ocorrências
consequência de uma insegurança não quantitativa cadas como Síndrome de Stevens-Johnson (Ghislain (WHO, 2002). A utilização de vários termos para tratar
de um medicamento. & Roujeau, 2002). Nesse caso, os PRMs se constituem do mesmo assunto dificulta a comunicação entre os
PRM 6: O paciente sofre um problema de saúde em nas Reacções Adversas aos Medicamentos (RAMs). profissionais de saúde. Assim, é conveniente a unifor-
consequência de uma insegurança quantitativa de mização nas definições e classificações.
um medicamento. ERROS DE MEDICAÇÃO EVITÁVEIS A classificação apresentada reflecte uma tendência
Quanto à ocorrência, os PRMs podem ser: PODEM OU NÃO CAUSAR DANO mundial de artigos científicos publicados nesta área,
• Os não evitáveis que causam dano ao paciente. São São comuns em toda parte do mundo. Na Inglaterra, especialmente os desenvolvidos no continente euro-
as reacções adversas a medicamentos (RAMs). cerca de 85 mil erros de medicação foram registados peu (Paulino et al., 2004).
• Os evitáveis que podem ou não causar dano. São os pelo Serviço Nacional de Saúde14. Nos EUA, os erros de A utilização de definições e classificações adequadas,
erros de medicação (EM). medicação contribuíram, anualmente, com a morte aceites pela comunidade científica, facilitará a comu-
RaMs não evitáveis - Causam dano ao paciente de mais de sete mil pacientes dentro e fora dos hospi- nicação entre os profissionais de saúde e pesquisado-
Actualmente, as RAMs são classificadas em seis tipos tais16. Além disso, o custo das doenças relacionadas res.
segundo sua origem e características (Tabela 1) aos medicamentos triplicou nos últimos anos e exce- Dessa forma, comunicações sobre esta questão tão
(WHO, 2002). O tipo A de RAM está relacionado a um deu os USD 175 bilhões16. Esses números podem estar importante poderão ser confrontadas, propiciando a
efeito farmacológico conhecido do fármaco (como, subestimados, pois, centenas de milhares de erros as- geração de atitudes para o uso racional de medica-
por exemplo, os efeitos anticolinérgicos dos antide- sociados ao uso de medicamentos, nunca foram rela- mentos.
pressivos tricíclicos). Mesmo sendo previsível, a sua tados15. Segundo Timbs14, os erros de medicação estão Tabela 2 - Classificação dos eventos relacionados
prescrição não deve ser considerada um erro de me- divididos nas etapas de prescrição, dispensa e admi- a erros de prescrição
dicação. Quando a necessidade clínica supera o risco nistração. Na Argentina, uma pesquisa detectou um erros administrativos e de procedimento
de ocorrência de efeitos adversos já descritos, a sua alto índice de prescrições ilegíveis, tanto no sector pú- • Gerais (ex. Legibilidade)
prescrição não deve ser considerada como um erro de blico, quanto no privado, possivelmente originando • Dados do paciente (ex. Confusão entre pacientes)
• Dados da enfermaria e dados do prescritor
Tabela 1 - ClassifiCação das RaMs eM Relação às suas CaRaCTeRísTiCas e oCoRRênCias • Nome do medicamento
• Forma farmacêutica e via de administração
Tipo de reacção Característica exemplos erros de dosagem
• Concentração
A (aumento) Relacionado à dose comum. Relacionado Efeitos tóxicos:intoxicação • Frequência
a um efeito farmacológico da droga esperada. digitálica;síndrome • Dose muito alta ou muito baixa
• Ausência de dose máxima em prescrição “se
Baixa mortalidade serotoninérgica com ISRSs; efeitos
necessário”
colaterais: efeitos anticolinérgicos
• Duração da terapia
de antidepressivos tricíclicos • Orientações de uso
B (bizarro) Não relacionado à dose incomum. Reacções imunológicas: erros terapêuticos
Não relacionado a um efeito farmacológico hipersensibilidade à penicilinas; • Indicação
da droga inesperada. Alta mortalidade reacções idiossincráticas: porfiria • Contraindicação
• Monitorização
aguda, hipertemia maligna,
•Interacções medicamentosas
pseudoalergia (ex rash em uso
• Monoterapia incorrecta
de ampicilina) • Terapia duplicada
C (crónico) Relacionada à dose e ao tempo de uso Efeitos tromboembólicos com o uso
incomum relacionada ao efeito cumulativo de anticoncepcional; infarto agudo Tabela 3 – Classificação dos eventos relacionados
do fármaco do miocárdio com Rofecoxibe a erros de dispensa
• Para a enfermaria errada, ou para o paciente
D (atraso, Relacionada ao tempo de uso incomum. Teratogênese (ex: adenocarcinoma errado
do inglês delayed) Normalmente relacionada à dose. Ocorre associado ao dietietilbestrol); • Monitorização
ou aparece algum tempo após carcinogénese; discinesia tardia • Interacções medicamentosas
o uso do medicamento. • Monoterapia incorrecta
• Terapia duplicada
• medicamento errado
E ( fim do uso; Ocorre durante a abstinência. Ocorre logo Síndrome de abstinência a opiáceos. • forma farmacêutica errada
do inglês end of use) após a suspensão do medicamento Isquémia miocárdica (suspensão de • concentração errada
alfa bloqueador) • período ou horário errado
F ( falha) Falha inesperada da terapia comum Dosagem inadequada de
Tabela 4 – Classificação dos eventos relacionados
relacionada à dose. Frequentemente causada anticoncepcional oral
a erros de administração
por interacção medicamentosa particularmente quando utilizados • Omissão
indutores enzimáticos • Não prescrito
• Preparação errada
Abril/Setembro 2015 Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola | 17

• Forma farmacêutica errada como se manifesta uma possível insegurança do me- ou, pelo contrário, se não guardam nenhuma correla-
• Via de administração errada dicamento, o farmacêutico poderá encontrar a chave ção com este. Isso amplia as possibilidades de actua-
• Horário errado (pelo menos 60 minutos que o ajudará a planejar a melhor intervenção possí- ção sobre eles, permitindo também estabelecer rela-
mais cedo ou mais tarde) vel, buscando o benefício do paciente, tanto a curto, ções entre problemas de saúde tratados com os me-
• Não consentimento ou não aderência como a longo prazo. dicamentos, e os que aparecem como consequência
Também poderia explicar por meio de reacção quími- da utilização destes.
Tabela 5 – Classificação dos erros de medicação ca o balanço entre a efectividade desejada e a insegu- Com frequência, aparecem problemas de segurança
em classes de gravidade rança previsível. Assim, facilitaria programar uma que podem ser consequência de vários medicamen-
Classe Descrição possível intervenção quando se deseja preservar um tos utilizados pelo paciente. É interessante ter isso em
A O erro ocorreu, mas o paciente não recebeu medicamento ou explicar uma insegurança justifica- conta pois, por mais lógica que possa ser a implicação
o medicamento. da pelo mecanismo de acção habitual do medicamen- de um medicamento no surgimento de um determi-
B O erro ocorreu, o paciente recebeu o to. nado efeito, nem sempre isso corresponderá à reali-
medicamento, mas não houve dano. Pode dizer-se que, entendendo o mecanismo de ac- dade e deve considerar-se todas as possibilidades
C O erro ocorreu resultando em aumento ção de um medicamento, entendem-se os efeitos des-
na frequência de monitorização, te no organismo, tanto os desejados como os não de- COMO ESTABELECER UM OBJECTIVO PARA AS
mas não houve dano. sejados. SUSPEITAS DE PRM DE UM PACIENTE19?
D O erro ocorreu e houve dano. Margem terapêutica:é aquela descrita na bibliogra- É primordial ter uma visão de conjunto, realizando
D1 Dano temporário necessitando tratamento. fia como a que produz habitualmente a efectividade uma sucinta revisão do estado de situação do pacien-
D2 Dano temporário resultando em do medicamento. Ou seja, a dose que vai da mínima te, para determinar o perfil do paciente e estabelecer
aumento no tempo de internamento. efectiva à máxima segura. Denomina-se janela tera- prioridades em relação ao balanço efectividade-segu-
D3 Dano permanente. pêutica à margem terapêutica aplicada a um paciente rança.
D4 Paciente em estado grave. de forma individual, e, por vezes, diferente da margem Dentro de uma estratégia farmacoterapêutica para
E O erro ocorreu resultando no óbito habitual de utilização do medicamento. Cipolle já ha- um problema se saúde, as perguntas que determinam
do paciente. via descrito que os pacientes são que têm doses e não as três propriedades que a farmacoterapia deve apre-
os medicamentos19. Desta forma, uma determinada sentar: necessidade, efectividade e segurança são as
MEDICAMENTOS quantidade de medicamento, que está dentro de sua seguintes:
É importante conhecer os problemas de saúde e os margem terapêutica usual, em determinado paciente, • Paciente necessita do (s) medicamento (s)?
medicamentos em profundidade. Ajudará a esclare- poderá apresentar-se como uma dose acima da má- • Está, ou não, a ser efectivo?
cer muitas dúvidas. Porém, nunca se poderá assegurar xima segura, podendo ser efectiva ou jamais chegar a • É seguro?
nada até que o PRM desapareça após uma interven- ser. Em caso de estratégias terapêuticas, as perguntas so-
ção. É muito importante, desta forma, conhecer o que bre necessidade e efectividade, deverão ser respondi-
Para a análise dos medicamentos é importante levar acontece no paciente, pois a margem estabelecida na das conjuntamente. Não é aconselhável questionar as
em conta que: literatura apenas nos orienta. Dessa forma, é necessá- estratégias determinadas pelo médico, não se deve
- É necessário realizar um bom estudo dos medica- rio levar sempre em conta os indicadores de efectivi- duvidar da necessidade de nenhum medicamento
mentos que o paciente utiliza, para que a intervenção dade e segurança reais. que esteja autorizado para tratar um determinado
tenha maiores garantias de ser útil na sua saúde. Farmacocinética(Tmax, meia vida de eliminação...): problema de saúde; e uma falta de efectividade não de-
- O estudo dos medicamentos deve ser realizado par- fornecem-nos informação para tentarmos conhecer verá ser interpretada como responsabilidade de um
tindo das características gerais do grupo terapêutico quando medir parâmetros clínicos de efectividade e medicamento específico e sim como falha da estraté-
a que pertence cada fármaco, até à análise dos aspec- de segurança, avaliar a possibilidade de interacções, gia terapêutica adoptada.
tos mais particulares. Isto é muito importante quando interferências analíticas, efeitos sinérgicos intencio- Entretanto, para os problemas de segurança, que são
se trata de medicamentos novos em determinado nais e a duração do efeito do medicamento. intrínsecos de cada medicamento, a pergunta relacio-
grupo, pois estes poderão apresentar os mesmos pro- interacções:é importante conhecê-las e tentar expli- nada a esta propriedade, deverá ser feita a cada um
blemas derivados de seu uso que seus antecessores, e cá-las através do mecanismo de acção dos medica- dos medicamentos utilizados pelo paciente.
ainda não estar descrito, devido ao pouco tempo de mentos e assim entender como se produzem e se ma- Para descrever as suspeitas de PRM que o paciente
utilização. No caso de medicamentos mais antigos, nifestam. Avaliar se têm relevância clínica e se podem possa apresentar, utiliza-se a classificação sobre Pro-
que aparentemente não apresenta nenhum problema ser utilizadas de forma intencional como sinérgicas blemas Relacionados com os Medicamentos do Se-
de segurança, em relação a seu grupo, isso pode ser de- para a acção dos medicamentos. gundo Consenso de Granada2 descrita anteriormen-
vido mais à falta de existência de publicações, que a interferências analíticas: Determinarão a impor- te:
ausência de efeito indesejado. tância clínica de cada caso, indicando se um valor bio-
Os aspectos mais importantes a considerar dos me- lógico será consequência do mecanismo de acção do Para o(s) medicamento(s), de cada fila do estado de si-
dicamentos são os seguintes: medicamento, ou consequência do processo patoló- tuação, deve-se realizar as seguintes perguntas:
• indicações autorizadas gico, apresentando, neste caso, a possível correlação O paciente necessita do (s) medicamento (s)?
• Acção e mecanismo de acção com a evolução da doença. Um caso típico é o da ele- Deve-se considerar como necessário todo tratamen-
• Posologia vação das transaminases produzidas pelas estatinas. to que apresente uma prescrição consciente por
• Margem terapêutica É lógico que um medicamento que actua sobre a sín- parte de um médico e que o paciente apresente um
• Farmacocinética tese de colesterol a nível hepático eleva o nível destas problema de saúde que a justifique. Em princípio,
• interacções enzimas, o que nos indica que o fígado está a funcio- não se poderá apontar, um medicamento ou uma es-
• interferências analíticas nar. Uma discreta elevação das transaminases pode tratégia terapêutica, como não necessário(s). Ape-
• Precauções indicar que o medicamento está a actuar e, junto ao nas ao se verificar que um problema de saúde trata-
• Contraindicação valor do colesterol, expressará a sua efectividade e não do com um determinado medicamento desapare-
• Problemas de segurança um problema de segurança. ceu após a intervenção, poderá concluir-se que um
indicações autorizadas: aponta o uso recomendado Contraindicações: são situações pelas quais algum medicamento prescrito por um médico não era ne-
dos medicamentos e explicam o porquê de se encon- medicamento não deverá ser utilizado em determi- cessário.
trarem no estado de situação. Ajudam a interpretar a nado paciente. Devem ser entendidas no contexto do Se a resposta da questão acima é NÃO, suspeitar-se-
forma que o médico selecciona o tratamento da doen- mecanismo de acção do medicamento ou de alguma á de PRM 2, de um ou de cada um dos medicamen-
ça. Também podem explicar os resultados atingidos, situação de risco do paciente, o que nos leva a pensar tos da estratégia, pois não existe problema de saúde
desejados ou não, experimentados pelos pacientes. que o risco de utilização supera o benefício do mesmo. que justifique o uso. Neste caso, não será necessário
Mecanismo de acção: indica a maneira pela qual o Em todo caso, estas devem ser diferenciadas dos efei- continuar a fazer as outras perguntas sobre o referi-
medicamento actua na doença. Permite que o farma- tos secundários e de outros problemas de segurança. do medicamento. Não se pode avaliar a efectividade
cêutico entenda o que está ocorrendo quando um me- Problemas de segurança:englobam todos os efeitos de um medicamento desnecessário, que por si só é
dicamento é efectivo ou o que deveria ocorrer e não não desejados do medicamento. É importante discri- inseguro para o paciente, pois, todo medicamento
ocorre quando é inefectivo. Desta forma, ao explicar minar se são consequência do mecanismo de acção desnecessário é potencialmente inseguro.
18 | Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola Abril/Setembro 2015

Folha Farmacoterapêutica
Desta forma, os PRMs 2 originam-se como con- O medicamento é seguro? meiro causar o menor dano possível). Isso significa
sequência de: Essa pergunta realiza-se a cada medicamento da es- que, para abordar um problema de saúde como tal, é
- Utilização de medicamentos sem a existência de tratégia, individualmente, pois como foi dito anterior- necessário em primeiro lugar descartar que este seja
um problema de saúde que o justifique, como o uso mente essa característica de segurança é particular de originado pelo uso de outro medicamento. Uma vez
de analgésicos na ausência de dor. cada medicamento. descartada essa possibilidade, o problema passará a
- Automedicação com fármacos de prescrição, sem Se a pergunta de segurança for respondida de modo ser visto de uma maneira mais clara.
ter sido avaliado em consulta médica, como: tomar negativo, teremos duas possibilidades: O final desta fase é a elaboração de uma lista de sus-
um hipnótico indicado por um familiar para poder - Problemas de segurança não quantitativos, PRM5, peitas de PRMs, isto é, de problemas de saúde a me-
induzir sono. ou seja, o efeito indesejado não depende da quantida- lhorar, devido a distintas formas de uso de diversos
– Uso de medicamentos prescritos por um médico de do medicamento. Isto ocorre nos casos em que o medicamentos.
para um problema de saúde diagnosticado e que problema não tem relação com o mecanismo de ac- Frequentemente nesta lista, um mesmo PRM pode ser
não são efectivos para tratar o referido problema, ção do medicamento ou naqueles em que o medica- devido a vários medicamentos ou ao contrário. Isso
pois a sua origem é consequência da insegurança de mento não chegou a ser efectivo e já está a apresentar- obrigaria o farmacêutico a estabelecer uma sequência
outro medicamento. Um exemplo seria a utilização se como inseguro. de probabilidades, baseada na sua experiência e for-
de antitussígenos para acalmar a tosse originada por - Problemas de segurança quantitativos, PRM6, se o mação clínica.
um tratamento anti-hipertensivo com inibidores da efeito depende da quantidade de medicamento ad- Nesta fase, existe algo especial para se levar em conta:
enzima conversora da angiotensina (IECA). ministrado, o paciente manifesta-se como se a dose nunca os PRMs se classificarão pela estratégia resul-
Não seriam considerados PRM 2 situações em tivesse ultrapassado a dose máxima segura. tante e pela solução proposta, mas sim, pelo efeito so-
que: É importante discernir no paciente se realmente o bre a saúde do paciente que apresenta como falha da
- A intervenção do médico para simplificar uma es- problema de segurança é quantitativo, ou não, inde- farmacoterapia.
tratégia de abordagem de um problema de saúde, pendentemente se a dose está dentro da margem ha-
como por exemplo, reduzir politerapias anti-hiper- bitual do medicamento.
tensivas ou analgésicas (casos frequentes), pois em No caso de medicamentos que são inefectivos e inse- CONSIDERAÇÕES FINAIS
ambos os casos, existia um problema de saúde e guros, ainda que a bibliografia estabeleça que a dose As intervenções educativas devem ser mais explo-
uma estratégia consciente de tratamento farmaco- do medicamento possa ser aumentada, o problema radas, pois o compartilhar do conhecimento e das
lógico. de inefectividade nunca será quantitativo. Neste caso, experiências, enriquece e fortalece a relação tera-
No entanto, também não seria um PRM 1 a situa- apesar de não se ter passado da dose mínima efectiva, pêutica. Não basta apenas traçar diagnósticos e es-
ção contrária: o medicamento já se apresenta inseguro e um aumen- quemas de tratamento, é preciso aprofundar-se na
- A adição de um novo medicamento a uma terapia to de dose só agravaria o problema de segurança. Um essência do paciente, pois somente assim, será pos-
já instaurada, quando previamente já existia o pro- medicamento que nunca tenha sido efectivo em de- sível intervir com efectividade e eficácia, e os resul-
blema de saúde e este já estava a ser tratado. terminado paciente e que já se manifesta como inse- tados serão muito melhores.
O(s) medicamento(s) está(ão) sendo efectivo(s)? guro, não será o mais adequado a ser utilizado. É importante evitar a administração simultânea de
Uma resposta negativa a esta segunda pergunta le- e existe algum problema de saúde que não está a medicamentos que podem interagir entre si ou com
var-nos-ia a suspeitar de problemas de efectividade, ser tratado? alimentos. A monitorização das RAMs implicadas em
tais como: Uma vez analisado cada medicamento que o paciente desfechos negativos são algumas estratégias que po-
Os quantitativos, PRM 4, que se referem àqueles pro- utiliza, a última pergunta será: dem ajudar a prevenir e minimizar os eventos adver-
blemas de falta de efectividade que provavelmente sos.
sejam devido a um problema de quantidade de me- Ainda existe algum problema de saúde que não está Sendo assim, é preciso mudar a visão em relação aos
dicamento em algum momento da evolução do pa- sendo tratado? Isso levar-nos-ia a suspeitar de PRM 1. PRMs, procurando aceitá-los como evidência de falha,
ciente, como dose baixa, interacções com outros Os PRM 1 passam a ter mais relevância que no princí- e encará-los como uma oportunidade de revisão e de
medicamentos, fenómenos de tolerância, etc. pio, na medida em que se realizam as primeiras inter- melhoria das intervenções dos profissionais de saúde,
Em princípio, diante de uma falta de informação adi- venções. Isto é o que acontece com certos problemas aprimorando, assim, a assistência prestada ao pacien-
cional, considera-se como inefectividade quantita- de saúde que, a princípio, podem ser interpretados co- te.
tiva quando os medicamentos possam ser utilizados mo estando relacionados com o uso de algum medi- O PRM é um importante problema de saúde pública;
em maior quantidade segundo a bibliografia. Porém, camento e, após as intervenções, passam a ser vistos portanto, é preciso considerar o potencial de contri-
nem sempre é assim, pois muito frequentemente en- como problemas de saúde não tratados, quando não buição do farmacêutico e efectivamente incorporá-lo
contramos medicamentos, aos quais, mesmo se au- se consegue o objectivo. Isso não deve ser entendido nas equipas de saúde a fim de garantir a melhoria da
mentando a dose, o paciente não responderá. Por is- como uma falha do farmacêutico que realiza a inter- utilização dos medicamentos, com redução dos riscos
so, é importante ter o máximo de dados possíveis de venção mas sim como um passo necessário para con- de morbimortalidade e que o seu trabalho proporcio-
efectividade para melhor determinar se realmente firmar a resolução de um problema. ne meios para que os custos relacionados à farmaco-
é a quantidade ou a estratégia que está a falhar. Isto é similar ao primum non nocere dos médicos (pri- terapia sejam os menores possíveis para a sociedade.

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Farmacoterapêutico, GIAF-UGR, 2004.

Direcção Técnica Dr. Boaventura Moura -Director Nacional de Medicamentos e Equipamentos


Conselho Redactorial Dra. Isabel Margareth Malungue - Chefe de Departamento Nacional de Farmacovigilância e Remédios Tradicionais;
Dr. José Chocolate Lelo Zinga - Chefe do Centro de Informação Farmacêutica.
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Investigação
Avaliação da qualidade entre Janeiro e Julho 2014

A prescrição de antipalúdicos aos


pacientes do hospital Josina Machel
Mateus Sebastião João Fernandes
Licenciado em Ciências Farmacêuticas, Mestrando em Farmacoepidemiologia,
diretor da CECOMA
Boaventura Moura
Licenciado em Ciências Farmacêuticas e Bioquímica, Especializado em Administração
Hospitalar e em Análises Clínicas, director da Direcção Nacional
de Medicamentos e Equipamentos, Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos
Professor Doutor Héctor Lara Fernández
Especialista de primeiro grau em Higiene e Epidemiologia, master
em Farmacoepidemiologia, Doutor em Ciências Médicas, MINSA
Professor Doutor Vladimir Calzadilla Moreira
Especialista de segundo grau em Ortopedia e Traumatologia, Doutor
em Ciências Médicas, Hospital Josina Machel
Lic. Lúcia Gomes Fraga
Licenciada em Ciências Farmacêuticas – Hospital Josina Machel

A malária constitui o principal problema de saúde pública em Angola, sen-


do a primeira causa de morbilidade e mortalidade. O uso não adequado
dos antipalúdicos pode levar, entre outros problemas, ao incremento da
resistência e à ocorrência de reacções adversas, com desfavorável reper-
cussão para os pacientes e para o sistema de saúde.
Com o objectivo de avaliar a qualidade de prescrição de antipalúdicos, rea-
lizou-se um estudo observacional, descritivo e transversal, do tipo dos es-
tudos de utilização de medicamentos (EUM), em pacientes internados no
Hospital Central Josina Machel com diagnóstico confirmado de malária.
Este estudo de indicação-prescrição foi efectuado de Janeiro a Julho de
2014, numa amostra de 151 doentes internados nos serviços de medicina
e terapia.
A adequação da prescrição foi avaliada em função das características clíni-
cas do paciente e da terapêutica instituída (fármaco, dose, intervalo e dura-
ção do tratamento), utilizando como padrão o guia terapêutico do Progra-
ma Nacional de Controlo da Malária em Angola.
Registou-se uma prevalência elevada de uso inadequado de antipalúdi-
cos, observada em 70 dos 151 doentes estudados (46,4 por cento). Este
facto ocorreu mais frequentemente nos casos de malária complicada e en-
tre os doentes internados no serviço de medicina. As causas mais frequen-
tes de uso inadequado dos antipalúdicos foram a «combinação imprópria
ou não necessária» e o «emprego não apropriado para esse uso». Os anti-
palúdicos mais utilizados de forma inadequada foram o quinino EV e o ar-
teméter IM.
20 | Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola Abril/Setembro 2015

Investigação
Introdução tre 1985 e 1990 preconizava-se o
O medicamento é, na actuali- tratamento de mefloquina com-
dade, o recurso terapêutico mais binado com sulfadoxina + piri-
utilizado e, em consequência, o metamina. No entanto, em 1990
gasto farmacêutico é o capítulo a proporção de curas era de ape-
mais importante dos recursos nas 71 por cento em adultos e de
consumidos nos sistemas de saú- 50 por cento em crianças14.
de, depois dos gastos com pes- Atualmente, a artemisinina e
soal. Daí a importância que tem seus derivados representam os
qualquer estratégia ou investiga- medicamentos antimaláricos
ção destinada a fomentar o seu mais recentes e efectivos. Mas
uso racional1,2. torna-se imprescindível advertir
O uso racional de medica- para o seu uso racional, de for-
mentos requer que os pacientes ma a prevenir durante o maior
recebam os medicamentos apro- tempo possível a emergência de
priados às suas necessidades clí- resistência do Plasmodium fal-
nicas, nas doses adequadas, por ciparum a estes medicamentos.
um período correcto de tempo, Na verdade, já foi demonstrada
ao mais baixo custo e com um a ocorrência de resistência à ar-
menor número de reacções ad- temisinina15,16.
versas3. Na maioria dos grupos A malária constitui um pro-
farmacológicos, os critérios de blema de saúde dominante em
seleção baseiam-se na eficácia, Angola. Segundo estimativas, re-
na segurança, na conveniência e presenta 35 por cento da procu-
no custo4,5. No entanto, diversos ra de cuidados médicos, 20 por
estudos internacionais estimam cento dos internamentos hospi-
que 50 por cento dos medica- talares, 40 por cento das mortes
mentos são prescritos, dispensa- perinatais e 25 por cento da
dos e consumidos pela popula- mortalidade materna. Em 2013
ção de forma inadequada6. foi estimada a ocorrência de cer-
Os antimicrobianos consti- ca de dois milhões e meio de ca-
tuem um grupo terapêutico pro- sos de malária17,18.
blemático, não só pelos riscos Em Angola não existem in-
inerentes associados ao seu uso vestigações que abordem o te-
mas também pela ameaça do au- ma da qualidade da prescrição
mento crescente da resistência de antipalúdicos na atenção se-
aos mesmos7,8. Nos países em cundária de saúde que permi-
vias de desenvolvimento, o gasto tam valorar oportunamente o terapêutico. O estudo incidiu co estavam de acordo com o
do orçamento de saúde em anti- cumprimento dos protocolos de numa amostra de 151 pacientes Programa Nacional de Controlo
bióticos estima-se em 35 por cen- tratamento instaurados no país internados no Hospital Central da Malária em Angola, tendo em
to9. pelo Programa de Controlo e Lu- Josina Machel, nos serviços de conta o quadro clínico do pa-
Os antipalúdicos estão in- ta contra a Malária, bem como medicina e terapia, com o diag- ciente.
cluídos no grupo farmacológico oferecer possíveis soluções para nóstico confirmado de malária A informação recolhida foi
dos antimicrobianos e são utili- o uso racional destes medica- e que cumpriam os critérios de processada numa base de da-
zados a nível mundial para o tra- mentos19. Com essa finalidade, seleção. dos construída para o efeito em
tamento da malária, apresen- foi realizado o presente estudo, A informação foi obtida atra- MS Excel e SPSS versão 21.0.
tando na atualidade problemas que teve como objetivo avaliar a vés da revisão diária de histórias Após codificação e validação da
associados ao seu uso inadequa- qualidade da prescrição de an- clínicas dos pacientes e das pau- informação recolhida foi efe-
do e à elevada prevalência de re- tipalúdicos no Hospital Central tas terapêuticas instituídas ( fár- tuada uma análise descritiva
sistência10-12. Embora a quinina Josina Machel de Luanda no pe- maco, dose, intervalo e duração global usando como critério de
permaneça efetiva em muitos ríodo de Janeiro a Julho de 2014. do tratamento). A adequação da significado estatístico um nível
lugares do mundo, verificou-se prescrição foi avaliada pelos in- de significância de 5 por cento
que a falha no tratamento com Método vestigadores e por um grupo de (p <0,05), mediante cálculo das
este fármaco pode ocorrer em Realizou-se um estudo obser- peritos do Programa Nacional frequências absolutas e relati-
pelo menos 50 por cento dos ca- vacional descritivo e transversal, de Controlo da Malária, em vas. Na investigação foram tidas
sos13. Em 1973, a cloroquina foi do tipo dos estudos de utilização apoio às normas de tratamento em conta os princípios básicos
substituída pela combinação de de medicamentos (EUM), classi- estabelecidas no país. Conside- da ética médica, fazendo-se o
sulfadoxina + pirimetamina ficado como um estudo de tipo rou-se um tratamento adequa- uso da beneficência no trata-
(Fansidar), mas, em 1985, tam- indicação-prescrição para aná- do quanto a indicação do anti- mento e na divulgação dos da-
bém esta já não era efectiva. En- lise dos elementos do esquema palúdico e o esquema terapêuti- dos.
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Resultados cento), e a «terapêutica não apro-


A média de idades dos 151 pa- priada para este uso», em 18 pa-
cientes que integraram o estudo cientes (25,71 por cento) (Gráfico
era de 29 anos, sendo de 31 anos 1).
para o género feminino e de 28 Dentro dos antipalúdicos uti-
anos para o masculino. Cerca de lizados inadequadamente no tra-
71,5 por cento dos doentes (108 tamento da malária simples des-
de 151) tinham diagnóstico de tacou-sea utilização de artemé-
paludismo grave e 28,5 por cento ter IM em monoterapia em
(43 de 151) de paludismo sim- quatro pacientes e a sua combi-
ples. nação com outros antipalúdicos
Cento e treze doentes (74,8 orais em seis doentes. No trata-
por cento) estavam internados mento da malária complicada
no serviço de medicina e os 38 observou-se o uso de combina-
restantes no serviço de terapia ções desnecessárias do quinino
(25,2 por cento). EV, arteméter IM e outro antipa-
Relativamente à distribuição lúdico oral em oito doentes. Além
dos pacientes em função da sua disso, foram prescritos de forma
história clínica verificou-se que prolongada sem uma justifica-
47 reportaram infeções anterio- ção racional o quinino endove-
res (31,12 por cento), 37 apresen- noso e arteméter intramuscular
ta- vam anemia (24,50 por cento) em cinco pacientes.
e 18 eram também diabéticos
(13,90 por cento). Discussão
A prescrição de antipalúdicos A malária constitui um pro-
foi considerada ade- quada em 81 blema de saúde dominante em
pacientes (53,6 por cento) e não Angola e apresenta-se como a
adequada nos restantes 70 doen- primeira causa de morbilidade e
tes (46,4 por cento). Foi no trata- de mortalidade, representando
mento da malária complicada ainda cerca de 20 por cento dos
que se registou uma maior pro- casos de internamento hospita-
porção (48,1 por cento) de casos lar. Em 2013 foram reportados
de prescrição inapropriada, ob- cerca de 3,1 milhões de casos e
servada em 52 doentes. Nos quase seis mil óbitos no país20.
doentes com malária simples, a A resistência aos medicamen-
proporção de prescrição inade- tos contra a malária tem dificul-
quada foi registada em 18 casos tado os programas de controlo
(41,9 por cento) (Tabela 1). No da enfermidade durante quase
entanto, as diferenças observa- 60 anos. Por isso, um elemento-
das quanto à adequação da pres- chave todos os medicamentos
crição nos dois grupos de doen- antipalúdicos sejam utilizados
tes não foram estatisticamente de forma adequada e que o maior
significativas (p >0,05). número de pacientes seja com-
A Tabela 2 apresenta a distri- pletamente recuperado.
buição dos doentes em função do De acordo ao Programa Na-
serviço de internamento e da cional de Controlo da Malária,
adequação da prescrição antipa- nos últimos anos registou-se um
lúdica, verificando-se que a pro- aumento do número de casos tra-
porção do uso inadequado da te- tados, o que se explica, entre ou-
rapêutica foi mais elevado no ser- tras causas, pelo aumento da in-
viço de medicina (54,4 por cento) fraestrutura de unidades sanitá-
do que no serviço de terapia (23,7 rias, com a consequente melhoria
por cento) e que, neste caso, a di- no acesso aos serviços de saúde
ferença foi estatisticamente sig- pela população. Além disso, exer-
nificativa (p=0,001). ce um importante papel a intro-
As causas de uso inadequado dução dos derivados da artemisi-
da terapêutica frequentemente na, de forma gratuita, na atenção
observadas foram a «combina- pública, que oferecem melhores
ção imprópria ou não necessá- garantias à população e confian-
ria», em 33 pacientes (47,14 por ça nos serviços de saúde.
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Investigação
Não obstante, segundo os da- belecidas está associado signifi-
dos de reporte do Centro de Vigi- cativamente ao desconheci-
lância Epidemiológico do país, a mento da gravidade da infecção
malária mantém-se ainda como e dos efeitos secundários aos me-
o principal problema de saúde de dicamentos23-26.
Angola. Este aspecto tem uma No controlo da malária, a me-
maior importância a nível hospi- ta do tratamento é reduzir a
talar, onde a atenção aos pacien- transmissão da infeção a outros,
tes com malária se deve centrar ou seja, reduzir o reservatório in-
no adequado diagnóstico, ma- fecioso e prevenir a ocorrência e
nuseio dos casos e no seu trata- propagação de resistência aos
mento21. Um estudo realizado medicamentos antimaláricos. O
na Nigéria para descrever o pa- perfil de efeitos adversos, a tole-
drão de prescrição de antimalá- rância aos medicamentos e a ve-
ricos em dois hospitais e para locidade de resposta terapêutica
avaliar o cumprimento da Guia também são, igualmente, consi-
Nacional de Tratamento Anti- derações importantes27.
malárico, num período de seis
meses em 2008, mostrou um au-
mento do uso de combinações
com artemisina para tratamento
de malária22. Estes resultados
Conclusões
coincidem com o elevado uso 1. Observou-se um uso inade-
dos ACT no hospital Josina Ma- quado dos antipalúdicos,
chel. Aquele estudo também re- com uma maior repercussão
vela a necessidade de um siste- na malária complicada e no
ma de garantia de qualidade in- serviço de medicina.
terna entre os profissionais 2. As causas mais frequentes
sanitários, controlando o cum- de uso inadequado no trata-
primento e o conhecimento das mento da malária simples e
guias clínicas, que assegure a prá- complicada foram a
tica baseada na evidência22. «combinação imprópria ou
Um estudo de utilização de não necessária» e o «em-
medicamentos realizado no prego não apropriado para
Equador em pacientes com diag- este uso».
nóstico de malária mostrou que, 3. Os antipalúdicos mais uti-
por cada três tratamentos corre- lizados de forma inadequada
tos, há dois incorretos23. Diver- foram o quinino EV e o
sos estudos indicam que o não arteméter IM.
cumprimento das normas esta-

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2007;191(7):1273-84. 85.
Abril/Setembro 2015 Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola | 23

Reportagem
Casos de sucesso de farmácias em Angola
Deborah de Almeida, directora da farmácia Kinaxixi

“Uma equipa de trabalho coesa, focada


nos objectivos, e a aposta na formação,
é o segredo do nosso êxito”
“O segredo do sucesso consiste na coesão da equipa de trabalho e no foco dos seus profissionais numa
única direcção, num objectivo comum, para que a empresa cresça”, revelou à revista da OFA a directora da
farmácia Kinaxixi, do grupo Socinter, Deborah de Almeida. De acordo com esta responsável, a aposta inci-
de também “na experiência dos técnicos nas farmácias e na actualização constante dos seus conhecimen-
tos, a nível das patologias e em todo o universo farmacológico”. Francisco Cosme
A Socinter faz parte dos mais an- que temos de aprender com os
tigos e renomados grupos nacio- bons exemplos dos países mais de-
nais que investem no sector da senvolvidos, acompanhar a inova-
saúde. Constituída em Maio de ção, de forma a se atingirem níveis
1991 – inicialmente para comer- de serviço de alta qualidade. Deve-
cializar em Angola medicamen- se primar ainda mais na melhoria
tos e material médico-cirúrgico, do ensino, abrindo mais universi-
no segmento da distribuição por dades e escolas técnicas para que
grosso – a empresa ganhou expe- haja mais profissionais qualifica-
riência no sector e entrou no mer- dos e especializados”, defendeu.
cado de venda de medicamentos A farmacêutica perspectiva
a retalho, inaugurando a sua pri- ainda que a farmácia do futuro te-
meira farmácia, em Janeiro de rá uma nova gama de serviços
1998, no Kinaxixi, uma das mais complementares, como laborató-
antigas e reputadas de Luanda. In- rios, consultas de nutrição e ou-
A técnica de farmácia Maria Augusta, o auxiliar de limpeza Miguel Cavila, a
formatizada e com mobiliário farmacêutica Déborah Almeida, a técnica de cosmética Ricardina Pereira e a tros serviços essenciais “que fa-
moderno, foi a primeira a estar técnica de farmácia Tânia Ribeiro zem imensa falta ao nível das co-
aberta 24 horas. Dispõe actual- munidades”, a par de uma melho-
mente de 25 trabalhadores, três acessíveis às pessoas certas nos incluindo a própria distribuidora ria significativa no atendimento.
armazéns, uma sala de puericul- momentos certos, de acordo com do grupo”, referiu.
tura e um escritório indicações médicas, sempre com Os produtos mais procurados A profissão farmacêutica
Com uma equipa de profissio- suporte de um farmacêutico”. Pa- são os artigos de puericultura, os “A profissão farmacêutica está
nais com fortes competências na ra a directora, as farmácias do gru- medicamentos infantis (xaropes, em permanente evolução. Nestes
área da saúde, beleza e bem-estar, po Socinter “diferenciam-se da soluções) e a nutrição infantil, de- últimos anos, observou-se um
o grupo abriu, em 2012, a farmácia concorrência pela experiência vido alta taxa de natalidade que se crescimento satisfatório nos pa-
Atrium Nova Vida “um espaço que detêm e pela forma como se regista no país. râmetros de qualidade, resultado
moderno e inovador de qualidade abastecem, com uma elevada do trabalho das autoridades que
onde os clientes se podem dirigir preocupação na qualidade dos Novidades para o futuro dão suporte e regulam a activida-
para adquirir medicamentos, pro- medicamentos, gestão dos arma- “Ainda este ano, vamos proce- de farmacêutica. Uma última pa-
dutos de saúde e de bem-estar, zéns e disponibilidade de stock der à mudança dos armazéns lavra vai para congratular as acti-
mas também para obter esclare- para suprir todas as necessidades grossistas do bairro Morro Bento vidades desenvolvidas pela Direc-
cimentos em relação ao seu esta- dos clientes”. para o Lar do Patriota – um espa- ção Nacional dos Medicamentos
do clínico ou aos medicamentos As farmácias atendem, em mé- ço moderno, com maiores dimen- e Equipamentos e pela fundação
mais indicados para cada uma dia, diariamente, cerca 300 clien- sões, que beneficiará, não só os da Ordem dos Farmacêuticos de
das patologias”, disse. tes por dia. “Em dias muito movi- funcionários do grupo, como Angola. Temos o exemplo da rea-
Segundo Deborah de Almeida, mentados recebemos cerca de também os seus clientes. Em lização da Semana da Farmácia
a Socinter “tem a missão de garan- 450 a 500 pessoas.”, afirmou. 2016, apesar da crise, há uma Angolana, iniciativa que fortifica
tir os melhores produtos no mer- O abastecimento é efectuado grande vontade no grupo Socin- o mercado angolano, tornando-o
cado de forma a contribuir para o junto de “vinte distribuidores ter para aumentar a rede de far- cada vez mais coeso, melhorando
tratamento e promoção da saúde grossistas – que se encontram ac- mácias”, revelou. o sector e promovendo mais aber-
das comunidades, garantindo tualmente bem organizados no Quanto ao futuro a médio e turas para interacção entre os pro-
medicamentos com qualidade e mercado farmacêutico nacional, longo prazo, “a nossa visão é de fissionais de saúde.
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Ordemdos
dosFarmacêuticos
Farmacêuticosde
deAngola
Angola Abril/Setembro
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2014

Editorial
Formação

A pele do adolescente, os cuidados


diários e o drama da acne
Nádia Noronha A pele apresenta características conferindo uma sensação de um clima seco, lavagens muito
Farmacêutica e Consultora Farmacêutica morfológicas e funcionais dife- frescura à pele. frequentes com sabões, radiação
da Tecnosaúde Angola
rentes, mediante as várias fases O uso de esfoliantes (emulsões UV e uma ingestão de líquidos in-
da vida do ser humano. Na ado- de limpeza mecânica) permite a suficiente também conduz à de-
A adolescência é um lescência, a estimulação hormo- remoção de sujidade e de células sidratação da pele.
nal que ocorre faz com haja ne- mortas por ação física.
período caracteriza- cessidade de serem utilizados Os produtos que contenham Pele oleosa
produtos de hidratação e limpe- α-hidroxiácidos vão possibilitar, No que concerne à pele oleosa
do por imensas alte- za diferentes dos da infância. também, a realização de uma es- esta deve ser preferencialmente
rações que fazem a Nesta faixa etária, que podemos foliação química. Este método de hidratada com cremes de fase
considerar ser compreendida en- limpeza só deve ser efetuado, aquosa, com intuito de não exa-
passagem da infân- tre os 10 e os 19 anos de idade, a contudo, uma a duas vezes por cerbar o nível de oleosidade. Os
cia para a fase adul- pele é a imagem do adolescente, semana. produtos a utilizar devem ser
pelo que vai interferir directa- Nas peles oleosas, o uso de também pouco detergentes, de
ta. Neste período, mente com a sua autoestima, o máscaras de argila é também modo a evitar a seborreia reacio-
ocorrem modifica- que faz com que estes exijam (ca- muitas vezes benéfica. Para além nal e a irritação, suaves, emolien-
da vez mais) produtos e serviços disto, é muito importante a utili- tes e devem possuir a capacidade
ções não só a nível adequados para a manutenção zação de produtos cujas maté- de incorporação de substâncias
psicológico, como de uma pele saudável. Deste mo- rias-primas sejam não comedo- ativas, que atuem nos vários fac-
do, o farmacêutico deve estar ap- génicas. tores intervenientes na etiopato-
também a nível físi- to para aconselhar os cuidados a As fórmulas galénicas, como genia da acne.
ter com a pele, neste período, por exemplo os geles, loções ou
co e social. As novas muitas vezes difícil de ultrapas- leites de limpeza, ao fazerem par- A acne
funções biológicas, sar. te do ritual de higiene diária, de- A acne é uma patologia que
vem conter compostos activos afecta milhões de adolescentes e
formas de relação Alterações hormonais seborreguladores e total ausên- jovens adultos em todo o mun-
interpessoal e res- As alterações hormonais que cia de álcool na formulação, dado do. No entanto, pode ser tratada
ocorrem vão influenciar as quan- que o álcool aumenta a quanti- e prevenida. Trata-se de uma pa-
ponsabilidades fa- tidades de sebo produzidas, e di- dade de óleo à superfície da pele. tologia inflamatória crónica e
miliares e sociais, ferem em ambos os sexos. No ca- A utilização de um tónico é cru- autolimitada do folículo pilosse-
so do sexo masculino, existe cial para complementar a limpe- báceo, em que ocorre obstrução
exigem uma adap- maior quantidade de sebo, os po- za da pele e prepará-la para a hi- dos poros e consequente apare-
tação profunda por ros são maiores e a pele é muito dratação. cimento das lesões cutâneas. A
espessa e com maior quantidade bactéria Propionibacterium ac-
parte do adolescen- de pelos, comparativamente ao A barba nes está normalmente presente
te. Sendo a pele o sexo feminino. O aumento expo- Relativamente ao sexo mas- na pele. No entanto, no caso da
nencial na produção de sebo, culino existe ainda a particulari- acne, está presente em maior
órgão mais visível, e quer seja no rapaz ou na rapariga, dade da barba. O barbear é uma quantidade.
vai estar intrinsecamente asso- agressão para a pele masculina, A acne afeta principalmente
um dos que mais ciado ao aparecimento da acne pelo que se deve ter em atenção as áreas cutâneas com maior
demonstra as altera- juvenil, pelo que a correta limpe- os produtos escolhidos. Os geles densidade de folículos sebáceos.
za da pele é essencial. e espumas são as formulações de Desta forma, as zonas em que
ções ocorridas nesta Na maioria dos adolescentes eleição enquanto os after-shave mais vulgarmente aparece são a
fase, torna-se funda- a pele é mista ou oleosa. Conside- permitem amaciar a pele. Após o face, o dorso e a parte superior
rando os diferentes tipos de pele, barbear, o ideal será sempre utili- do tórax.
mental adquirir co- os produtos utilizados na limpe- zar um creme hidratante. A sua etiologia é ainda desco-
nhecimentos sobre za diária do rosto e dos olhos di- A hidratação da pele está de- nhecida, mas existem determi-
vergem. Para uma pele oleosa, pendente de factores hormonais, nados factores que podem de-
os cuidados de hi- devem ser aconselhados produ- associados à secreção sebácea. sencadear a hiperseborreia, hi-
dratação e limpeza a tos de limpeza sem constituintes Existe uma perda superior de perqueratização das células
oleosos, como por exemplo um água através da pele se a secreção epiteliais, colonização bacteria-
ter no quotidiano. gel adequado, que deve ser usado sebácea estiver diminuída. Para na, inflamação e a libertação de
diariamente (duas vezes por dia), além deste fator, a existência de mediadores inflamatórios.
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Deve ser também do conheci- Na maioria dos adoles- negativo, a nível emocional e psi- O papel do farmacêutico
mento do farmacêutico, que a cológico, que advêm da acne. Assim, o farmacêutico assu-
centes a pele é mista ou
acne pode ter uma origem iatro- Deste modo, existem vários tra- me um papel decisivo nesta
génica, isto é, o seu aparecimen- oleosa. Considerando os tamentos disponíveis na farmá- problemática, uma vez que está
to é favorecido pelo uso de deter- diferentes tipos de pele, cia, tais como retinóides tópicos próximo da população e pelo
minados fármacos, tais como os os produtos utilizados ou orais, peróxido de benzoílo, seu conhecimento e experiên-
anticontraceptivos orais, ciclos- na limpeza diária do ros- antibióticos tópicos ou orais e te- cia na área deve incentivar e
porina, corticosteróides, antiepi- to e dos olhos divergem. rapêutica antiandrogénica. motivar a adesão à terapêutica.
léticos, tuberculostáticos, entre Os retinóides (exemplo, iso- Em simultâneo, este profissio-
Para uma pele oleosa,
outros. tretinoína e tretinoína) são os nal pode ajudar a clarificar
Para além dos fármacos refe- devem ser aconselhados agentes comedolíticos mais efi- ideias, mitos e realidades acerca
ridos anteriormente, outros fac- produtos de limpeza cazes, contudo podem ser extre- da acne.
tores desencadeantes da acne sem constituintes oleo- mamente irritantes. O peróxido Uma das temáticas existen-
são os androgénios maternos sos, como por exemplo de benzoílo diminui a secreção tes no diversificado portefólio
(acne neonatal), agentes tópicos um gel adequado, que sebácea, é antibacteriano e co- de formação da Tecnosaúde
(maquilhagem comedogénica), medolítico. Os antimicrobianos Angola é o “Aconselhamento
deve ser usado diaria-
pressão física (capacetes despor- (exemplo, minociclina, doxixicli- em Dermocosmética” (24 de Se-
tivos), factores ambientais (calor mente (duas vezes por na e eritromicina) e antiandro- tembro nas nossas instalações),
e humidade) e stress. dia), conferindo uma génios (exemplo, acetato de ci- que visa a preparação e diferen-
Relativamente ao tratamento, sensação de frescura à proterona e etinilestradiol) só ciação de farmacêuticos e téc-
o objetivo é curar as lesões, pre- pele. devem ser utilizados em casos nicos de farmácia para proble-
venir o aparecimento de novas de acne resistente à terapêutica máticas do quotidiano africano,
lesões e ajudar a diminuir o efeito tópica. como é o caso da acne juvenil.
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dosFarmacêuticos
Farmacêuticosde
deAngola
Angola Abril/Setembro
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2014

EditorialNacional Farmacêutica
Política

As bases gerais da política


Abastecimento Abastecimento do sector público
A política nacional farmacêutica é a ex- (ARTIGO 13.º)
pressão do compromisso e do engaja- de Medicamentos 1.Tendo em conta a necessidade de garantir a
mento do Executivo em matéria de assis- e Meios Médicos melhor utilização possível dos fundos disponi-
tência farmacêutica em todo o território (CAPÍTULO IV) bilizados, os procedimentos de aquisição visam
obter produtos de boa qualidade aos mais baixos
nacional. Visa garantir o abastecimento do
Abastecimento de medicamentos custos possíveis.
país com medicamentos seguros, eficazes 2. O sistema que melhor assegura compras de
e de qualidade, bem como assegurar a e meios médicos
(ARTIGO 11.º)
medicamentos em quantidades consideráveis
permanente disponibilidade e acessibili- e a preços reduzidos é o de compras agrupadas,
O abastecimento de medicamentos e meios mé-
dade de medicamentos a toda a popula- dicos visa assegurar a aquisição de matéria-pri- devendo, por conseguinte ser este o modelo
ção, aos melhores preços, promovendo o ma e de medicamentos seguros, eficazes, de boa aplicado.
seu uso racional. qualidade e aos melhores preços possíveis para 3.A aquisição de produtos farmacêuticos faz-
a satisfação das necessidades assistenciais de to- se através de concursos públicos nacionais ou
As bases gerais da política nacional farma-
da a população. internacionais, abertos ou limitados a forne-
cêutica foram definidas pelo Decreto pre- cedores préqualificados e devidamente regista-
sidencial n.º 180/10, de 18 de Agosto. Pela dos junto da Autoridade Reguladora do Sec-
sua magna importância, a Revista OFA en-
Sectores público e privados tor Farmacêutico, e sempre de acordo com o es-
(ARTIGO 12.º)
tendeu publicá-lo na íntegra para que, tabelecido em regulamento próprio.
1. Somente os medicamentos registados em An-
quer os farmacêuticos, quer os estudantes 4. Em situações de carência de medicamentos
gola podem ser adquiridos e comercializados.
de ciências farmacêuticas, quer outros vitais para o tratamento de doenças graves, o
2. Os fornecedores de produtos farmacêuticos
Ministro da Saúde pode autorizar o recurso a
profissionais de saúde interessados, te- devem inscrever também, adjacente à designa-
concursos mais restritos, a compras negocia-
nham aqui o acesso facilitado ao docu- ção comercial, o nome genérico do medicamen-
das ou directas.
mento que baliza e orienta toda a activida- to nas respectivas embalagens, devendo os ca-
5. A avaliação dos concursos, a negociação dos
racteres da inscrição do nome genérico ter pelo
de farmacêutica em Angola. preços e a escolha dos fornecedores são feitas
menos cerca de dois terços do tamanho dos da
Dada a sua extensão, iniciámos na edição por uma comissão independente, Comissão
designação comercial.
anterior a publicação dos três primeiros Nacional de Compras, constituída por repre-
3. Como forma de promover o uso de medica-
sentantes dos Ministérios da Saúde, Comér-
capítulos, designadamente: mentos genéricos (vitais e essenciais), os mes-
cio, Finanças e de outras entidades que ve-
Disposições gerais mos beneficiam de procedimentos de registo
nham a ser indicadas, aplicandose este proce-
A fiscalização da actividade mais simples, e os custos relativos são inferiores
dimento de aquisição aos medicamentos
farmacêutica aos dos produtos sob designação comercial.
constantes da lista nacional de medicamentos
4. Todas as compras de medicamentos devem
O registo e selecção de produtos essenciais ou da lista complementar.
salvaguardar a boa qualidade dos produtos na
farmacêuticos 6. Os concursos devem ser lançados e os me-
origem e na rede de distribuição através dos se-
Na preseste edição, publicamos os capítu- dicamentos adquiridos pela respectiva desig-
guintes mecanismos:
nação genérica.
los referentes a: a)Possuir certificados analíticos do produto
7. Em igualdade de circunstâncias, dáse pre-
Abastecimento de medicamentos e acabado, ou da matéria-prima se for este o ob-
ferência aos medicamentos produzidos local-
meios médicos jecto da aquisição;
mente.
b) Ter originais dos documentos do sistema
Produção nacional de medicamentos 8. Os fornecedores preferenciais dos produtos
de certificação de qualidade da OMS que devem
Garantia de Qualidade dos Produtos farmacêuticos são os fabricantes dos mesmos.
estar sempre disponíveis para verificação duran-
Farmacêuticos 9. Uma base de dados actualizada relativa a to-
te um período mínimo de dois anos, contados a
dos os fornecedores autorizados deve ser asse-
Nas próximas edições serão publicados os partir da data de expiração do prazo de validade
gurada pela Autoridade Reguladora do Sector
artigos referentes ao uso racional de medi- dos fármacos adquiridos.
Farmacêutico, com informações inerentes à
camentos, estratégias para a sua disponi- 5. À data de entrada em Angola, os produtos
qualidade, capacidade, preços, e demais as-
bilidade e acessibilidade, formação e de- importados têm um prazo de consumo mínimo
pectos relevantes.
de 75% do período total de validade.
senvolvimento de recursos humanos, me- 10. O Ministério da Saúde assegura as condi-
6 .Todas as importações de medicamentos de-
dicamentos tradicionais, investigação ções adequadas (estruturas físicas, recursos
vem ser autorizadas e controladas pela Au-
científica e o controlo da implementação materiais e financeiros) para o bom trabalho da
toridade Reguladora do Sector Farmacêutico
Comissão Nacional de Compras, funcionando
da política farmacêutica. em colaboração com a Inspecção Farmacêu-
esta junto da Autoridade Reguladora do Sector
tica.
Farmacêutico.
Abril/Setembro 2015 Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola | 27

nacional farmacêutica
11. O serviço de inspecção farmacêutica faz au- investigações farmacológicas e toxicológicas de armazenamento e distribuição recomen-
ditorias regulares aos processos de aquisição já realizadas em animais e no homem, ou em dadas pela Organização Mundial da Saúde.
mencionados nos pontos anteriores, a fim de ga- culturas de células humanas; 6. O Ministério da Saúde deve assegurar que pro-
rantir a sua transparência. c) Protocolo do estudo a realizar, lista dos cen- gressivamente sejam reabilitadas ou construídas
tros envolvidos e dos investigadores respon- e convenientemente equipadas, as infra-
Critérios de abastecimento sáveis. estruturas nacionais, regionais e provinciais
(ARTIGO 14.º) destinadas ao bom armazenamento dos produ-
1. Todas as importações de medicamentos de- Armazenamento e distribuição de tos farmacêuticos.
vem ser autorizadas e controladas pela Direcção medicamentos pelo sector público 7. Procedimentos uniformes, práticos e sistemá-
Nacional de Medicamentos e Equipamentos. (ARTIGO 17º) ticos de registo de dados devem ser implemen-
2. Os fornecimentos de produtos farmacêuti- l. O armazenamento e distribuição de medica- tados e regularmente actualizados nas diferen-
cos sujeitos às convenções internacionais, co- mentos pelo sector público permite desenvolver tes instituições sanitárias de forma a monitori-
mo os psicotrópicos e estupefacientes, estão su- um sistema seguro e eficiente, capaz de garantir zar e controlar os respectivos consumos.
jeitos a medidas adequadas de controlo. uma distribuição atempada e equitativa dos re- 8. Mecanismos de gestão farmacêutica hospita-
cursos farmacêuticos para toda a população, aos lar informatizados devem ser ensaiados nos es-
Donativos (ARTIGO 15.º) melhores preços. tabelecimentos assistenciais centrais e regio-
1. Todas as doações de fármacos devem 2. O Ministério da Saúde propicia condições para nais, e ser generalizados com as adaptações que
regerse pelos seguintes critérios: a criação de um sistema de armazenagem de me- vierem a ser identificadas.
a) Serem previamente autorizadas e con- dicamentos bem organizado, capaz de garantir: 9.O Ministério da Saúde deve garantir a forma-
troladas pela Autoridade Reguladora do a) Um volume de produtos em armazém cor- ção adequada de profissionais, e a permanente
Sector Farmacêutico; respondentes às necessidades das áreas ser- actualização dos mesmos, através da participa-
b)Possuir os documentos de certificação de vidas; ção em seminários, cursos de reciclagem e de
qualidade da OMS e da Autoridade Nacional b) A conservação da boa qualidade dos fár- formação contínua, entre outras. A integração
do Medica mento do país de origem; macos; destes profissionais numa carreira deve possibi-
c) Ser constituída por medicamentos cons- c) A segurança dos produtos farmacêuticos litar o seu fácil recrutamento e enquadramento.
tantes da lista nacional de medicamentos guardados; 10. Manuais de procedimentos contendo nor-
essenciais ou da lista complementar; d)O respeito pelas boas práticas de distribui- mas de armazenagem, conservação e gestão de
d) Ter prazo de consumo mínimo de 75% do ção de medicamentos; produtos farmacêuticos nos varies níveis do sis-
prazo de validade, à data prevista de entra- e) O controlo rigoroso dos prazos de valida- tema devem ser criados, aplicados e regular-
da em Angola; de. mente revistos e actualizados, sempre em res-
e) Trazer inscrito o nome genérico nas res- 3. A recepção e o armazenamento dos medica- peito pelas boas práticas de distribuição de
pectivas embalagens, em português, entre mentos para o sector público são, sempre que medicamentos, devendo esses serem periodica-
outros idiomas; possível, descentralizados. mente auditados.
f) Respeitar as normas a propósito estabele- 4. Uma rede nacional eficiente de estocagem de 11. O Ministério da Saúde define as normas e
cidas pela Organização Mundial da Saúde. medicamentos requer estruturas adequadas e regulamentos para o armazenamento de produ-
2. Ao Ministro da Saúde cabe decidir, em situa- convenientemente equipadas ao nível central, tos farmacêuticos, incluindo as boas práticas de
ções excepcionais e que não comprometam a regional, provincial e municipal, para além de distribuição de medicamentos.
boa qualidade dos medicamentos, os procedi- um bom sistema de comunicação.
mentos relativos a doações de produtos farma- 5. Para o efeito de distribuição no sector público, Eliminação de produtos
cêuticos fora do preceituado no número ante- o Ministério da Saúde apoia o desenvolvimento farmacêuticos (ARTIGO 18º)
rior. de uma rede nacional de distribuição de medi- 1. Deve ser estabelecido um Sistema adequa-
Amostras de medicamentos camentos, promovendo a criação de uma cen- do para destruir os produtos farmacêuticos
(ARTIGO 16º) tral de compras e aprovisionamento, como impróprios para o consumo, sem pôr cm risco
1. A introdução no país de qualquer amostra de aconselhado pela OMS para os países de baixos a saúde das comunidades, nem o equilíbrio do
medicamentos deve ser previamente autoriza- recursos, e que assegure: meio ambiente.
da pela Autoridade Reguladora do Sector Far- a) Aos diferentes níveis da rede de assistên- 2. Critérios básicos para a eliminação de pro-
macêutico. cia sanitária, a permanente disponibilidade dutos farmacêuticos:
2.Para os produtos destinados aos ensaios clíni- de medicamentos qualitativa e quantitati- a) Os produtos farmacêuticos impróprios
cos é exigida a apresentação de: vamente ajustados aos serviços prestados e para consumo devem ser eliminados logo
a) Comprovativos de que os estudos foram ao nível de formação dos técnicos, de acordo que possível, e através do procedimento
previamente autorizados pela autoridade com o estabelecido na lista nacional de me- adequado a cada medicamento;
competente do Ministério da Saúde; dicamentos essenciais; b) O processo de eliminação dos produtos
b) Documentos com informação científica, b)Rapidez e baixo custo dos fornecimentos: farmacêuticos tem de salvaguardar as co-
completa e actualizada, sobre os resultados de c) A observância das regras das boas práticas munidades e o meio ambiente dos poten-
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Política Nacional Farmacêutica


ciais riscos decorrentes do mecanismo uti- ra a indústria farmacêutica nacional. 3. A garantia da qualidade dos produtos farma-
lizado para esse efeito; 5. O desenvolvimento das indústrias que forne- cêuticos aplicase a todas as matériasprimas, eta-
c) A deterioração ou expiração de produtos cem meios indispensáveis à industria farma- pas do processo de produção e ao produto aca-
farmacêuticos deve ser sempre objecto de cêutica, como papel, vidro, plástico, etc., deve bado. Aplicamse estas mesmas exigências, com
investigação, não só pela eventual necessi- contribuir para o aumento da componente na- as devidas adaptações, à produção de prepara-
dade de responsabilização dos culpados, cional na produção de medicamentos. ções à base de plantas medicinais, minerais, ór-
mas também pelos ensinamentos que im- 6. O Ministério da Saúde deve regulamentar o gãos ou partes de animais, a utilizar na cura e
porta reter no sentido de prevenir, sempre mercado de produção farmacêutica, com base prevenção de doenças, Encontramse igualmente
que possível, os factores que podem ter es- na avaliação da qualidade dos bens produzidos, abrangidos outros produtos, tais como dietéti-
tado na origem da ocorrência; e fazendo aplicar a legislação relativa as paten- cos, cosméticos e de perfumaria.
d) Nas situações em que se verifique a dete- tes e marcas. 4.A construção de novas unidades de produção
rioração de um medicamento antes de ex- 7. O licenciamento de novas unidades de pro- no país está sujeita a uma análise prévia da via-
pirar o seu prazo de validade, deve ser ela- dução é condicionado pela verificação final da bilidade técnica do project0.
borado um relatório, previamente à sua conformidade do projecto com as condições
destruição, com informações relativas ao técnicas que as segurem o cumprimento das Procedimentos básicos para o fun-
produto, comprador, data de entrada no boas práticas de fabrico de medicamentos de- cionamento do sistema de qualida-
país, data de recepção, quantidades forne- finidas pela OMS. de de medicamentos (ARTIGO 23º)
cidas ao armazém ou unidade sanitária, 1. Apenas os produtos que estejam de acordo
fornecedor, prazo de expiração, quantidades
a eliminar e respectivo valor financeiro,
Garantia de Qualidade com os padrões de qualidade internacionalmen-
te reconhecidos Podem ser adquiridos, distribuí-
bem como as razões desse procedimento; dos Produtos dos, dispensados e administrados em Angola.
e) A eliminação dos medicamentos abran- Farmacêuticos (CAPÍTULOVI) 2. Só é autorizada a actividade aos importadores,
gidos pela alínea d) só pode ocorrer depois armazenistas, distribuidores e retalhistas que
de superiormente autorizada pela Autori- Garantia de qualidade disponham das condições adequadas à boa
dade Reguladora do Sector Farmacêutico, de medicamentos (ARTIGO 20º) conservação dos produtos farmacêuticos, ga-
ou pelas Direcções Provinciais da Saúde, O estabelecimento de um sistema de garantia rantindo o cumprimento das condições de con-
com conhecimento à Autoridade Regulado- de qualidade de medicamentos tem como meta servação aprovadas para cada um dos produtos
ra do Sector Farmacêutico; garantir ao utilizador o acesso a produtos dentro comercializados.
f) O Ministério da Saúde deve criar normas dos padrões e especificações aprovados e inter- 3. Um sistema efectivo de inspecção e de contro-
que definam as práticas, documentos e res- nacionalmente aceites. lo de qualidade dos produtos farmacêuticos de-
ponsáveis para a eliminação dos produtos ve ser posto em funcionamento, dentro do Mi-
farmacêuticos; Gestão do Sistema de Garantia nistério da Saúde, para garantir que os medica-
g) A eliminação de medicamentos, produ- mentos existentes em toda a rede nacional de
de Qualidade de Medicamentos
tos ou substâncias classificadas como subs- distribuição estejam de acordo com os padrões
(ARTIGO 21º)
tâncias controladas (nomeadamente, es- de qualidade previstos no presente regulamento
1. Deve ser criado dentro da Inspecção Farmacêu-
tupefacientes e psicotrópicos), deve ser e sempre respeitando as especificações aprova-
tica uma área específica para velar pelo cumpri-
objecto de regulamentação a ser aprovada das para cada medicamento.
mento de todos os aspectos relativos à garantia
pelo Ministério da Saúde. 4. Sempre que a aparência de um produto sus-
de qualidade dos produtos farmacêuticos.
2. Um corpo de inspectores farmacêuticos é or- cite dúvidas sobre a sua qualidade, deve imedia-
tamente notificarse a Autoridade Reguladora do
Produção Nacional ganizado, convenienternente treinado e equipa-
do, com o apoio da cooperação internacional. Sector Farmacêutico para que as medidas ade-
de Medicamentos (CAPÍTULOV) 3. É imprescindível a criação de um laboratório quadas sejam tomadas.
Produção nacional nacional de controlo de qualidade de produtos 5. O fabricante nacional ou o importador de qual-
de medicamentos (ARTIGO 19º) farmacêuticos. quer produto que se revele impróprio para o con-
1. A produção nacional de medicamentos visa sumo deve, no mais curto prazo de tempo possí-
contribuir para o abastecimento contínuo de Bases técnicas para o sistema de vel, definido pela entidade competente, retirar
medicamentos de qualidade. do mercado a totalidade do fármaco distribuído
garantia de qualidade de medica-
2.Para se desenvolver a produção nacional de e, depois da sua inventariação e devida autoriza-
mentos ( ARTIGO 22º) ção, proceder à sua eliminação, sob pena de pro-
medicamentos e atingir indicadores que satis- l. Todas as unidades que fabricam produtos far-
façam as necessidades do país em qualidade e cedimento judicial.
macêuticos devem respeitar as boas práticas de
quantidade, o Executivo, através de uma acção fabrico de medicamentos.
concertada dos Ministérios da Saúde, Finanças, 2. A introdução de qualquer produto farmacêu-
Controlo para o sistema de garantia
Comércio e Indústria deve criar as condições ne- tico no país deve fazerse com elementos e proce- de qualidade de medicamentos
cessárias para a promoção, a protecção e o de- dimentos que comprovem e garantam a sua qua- (ARTIGO 24º)
senvolvimento da indústria farmacêutica na- lidade, nomeadamente: O Ministerio da Saúde deve fazer aprovar a legis-
cional. a) Certificados de qualidade da matéria-prima lação adequada que confira a necessária autori-
3. O Executivo deve mobilizar os investimentos (para as matériasprimas) e/ou do produto dade ao corpo de inspectores da Inspecção Far-
necessários para a transferência de tecnologias acabado (para os produtos farmacêuticos); macêutica para agir livremente nos limites da
apropriadas para a produção de medicamentos, b) Documento comprovativo do respeito pelo sua competência, bem como prever as penali-
adquiridas através da cooperação e intercâm- sistema de certificação da OMS, para os pro- dades e procedimentos judiciais para todas as
bio internacionais. dutos farmacêuticos provenientes do merca- entidades singulares ou colectivas que atentem
4. Uma politica de desenvolvimento dos recur- do internacional; contra a saude pública ou infrinjam as disposi-
sos humanos deve ser assegurada para disponi- c)Amostras para controlo de qualidade, sem- ções relativas à garantia da qualidade dos pro-
bilizar técnicos com formação direccionada pa- pre que tal se entenda conveniente. dutos farmacêuticos.
Abril/Setembro 2015 Revista da Ordem dos Farmacêuticos de Angola | 29

Indústria
Carcinoma pulmonar

Medicamento Anamorelina
vai chegar a Angola
A BIAL e a Helsinn, gru- A Anamorelina é um novo medi- Nos termos desta parceria, a nas células. A Anamorelina é ad-
camento, de toma oral diária, em Helsinn fica responsável pelo de- ministrada oralmente, 100mg
po suíço focado no de- fase final de investigação para o senvolvimento clínico e regula- uma vez ao dia. Recentemente foi
senvolvimento de tera- tratamento da anorexia-caquexia mentar da Anamorelina e pelo concluída a Fase III dos ensaios
pêuticas na área oncoló- em pacientes que sofrem de cer- fornecimento deste medicamen- clínicos (programa ROMANA).
tos tipos de carcinoma pulmonar. to e a BIAL será responsável pelas No ROMANA 1 e 2, a Anamorelina
gica, anunciaram um A anorexia-caquexia associada actividades de distribuição e co- foi bem tolerada, aumentou, em
acordo de licenciamen- às neoplasias malignas é uma sín- mercialização. relação ao placebo, o peso corpo-
to e distribuição exclusi- drome multifatorial caracteriza- ral e a massa magra, tendo tam-
va da Anamorelina em do pela perda contínua de massa Sobre a Anamorelina bém melhorado os sintomas rela-
muscular esquelética, impossível A Anamorelina é um agonista tados pelos pacientes, como as
Angola e Portugal, entre de reverter sem medicação(1). Ao seletivo do receptor da grelina ino- preocupações relativas à anore-
outros países. imitar a hormona grelina, conhe- vador, de toma oral, que está de xia-caquexia(2).
cida como “hormona da fome”, a momento na fase final da investi-
(1) Fearon K et al., Definition and classification of
Anamorelina tem demonstrado gação para o tratamento da ano- cancer cachexia: an international consensus. Lan-
eficácia no aumento da massa rexia-caquexia em pacientes com cet Oncol 2011;12:489–95
(2) Temel J, et al, Annals of Oncology, Volume 25,
corporal e do apetite. carcinoma pulmonar não peque- Supplement 4, 2014 (Abstract 1483O_PR)
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2 | |Revista
Revistada
daOrdem
Ordemdos
dosFarmacêuticos
Farmacêuticosde
deAngola
Angola Abril/Setembro
Janeiro/Março 2014
2015

Editorialdo exterior
Crónica

A OFA continua de parabéns!


Aconteceu no passado dia 25 e Boaventura Moura – que foi pa- mais alto nível na pessoa do Dr.
26 de Junho. Fomos convidados lestrante convidado, tendo feito Mateus Breganha.
a participar na reunião anual uma comunicação sobre as com- A sessão de encerramento foi
promovida pelo Conselho do Co- petências farmacêuticas em as- presidida pelo Secretário de Es-
légio de Especialidades de As- suntos regulamentares na luso- tado da Saúde de Portugal, Dr.
suntos Regulamentares da Or- fonia –, pelo Presidente da Mesa Manuel Teixeira, após a qual fez
João Novo, Conselho redactorial
dem dos Farmacêuticos de Por- da Assembleia-geral da OFA, Dr. questão de manter um ameno
da revista OFA tugal. João Lelessa — que se encontra diálogo com os representantes
O evento contou com a pre- em tratamento médico e a quem da OFA.
sença de inúmeros especialistas, desejamos rápidas melhoras – e
É muito bom que, ape- quer portugueses, quer interna- pelo autor desta crónica, na sua Caros colegas,
sar de ainda jovem, a cionais, e ainda de representan- qualidade de responsável pelas É nestes eventos que projec-
tes da CPLP, entre os quais Mo- relações internacionais e coope- tamos a OFA, com humildade,
OFA começa a ser reco- çambique, na pessoa da Dra. Tâ- ração. mas com a certeza de que esta-
nhecida também inter- nia Sitoie, Cabo Verde, represen- É de enaltecer que esteve mos a fazer o nosso melhor no
nacionalmente, e convi- tada pela Dra. Djamila Reis e An- sempre a acompanhar a comiti- engradecimento da nossa Or-
dada para eventos pú- gola cuja OFA esteve representa- va da OFA a Embaixada de Ango- dem e do nosso País.
da pelo nosso Bastonário, Dr. la em Portugal representada ao Bem hajam!
blicos.

A chefe do departamento farmacêutico do Ministério da Saúde de Moçam-


bique, Tânia Sitoe, ladeada pelo Director Nacional de Medicamentos e Equipa-
mentos de Angola, Bastonário da OFA e Vice Presidente do Conselho Directivo
do Farmed, Boaventura Moura, pelo representante das relações interna- Boaventura Moura apresentou uma comunicação sobre as competências far-
cionais e cooperação da OFA, João Novo e outras colegas farmacêuticas, entre macêuticas em assuntos regulamentares na lusofonia
as quais, à direita, Djamila Reis, PCA da ARFA

O secretário de estado da Saúde de Portugal, Manuel Teixeira, conversa com o


representante da Embaixada de Angola em Portugal, Mateus Breganha, na
presença do Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos de Portugal, Maurício O presidente da Assembleia Geral da OFA, João Lelessa, e demais membros da
Barbosa, e de João Novo delegação de Angola

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