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NOVO PLURAL 12 – LIVRO DO PROFESSOR

Português • 12.º Ano • Ensino Secundário


TESTES SUMATIVOS
NOME: ________________________________________________________________________ ANO: ______ TURMA: ______ N.º ______

TESTE 5 «George», Maria Judite de Carvalho + Frei Luís de Sousa, Almeida Garrett Unidade 2

GRUPO I
Apresente as respostas de forma bem estruturada.

Texto A
Leia o texto.
– Tu? 1

– Tu, Gi?
Tão jovem, Gi. A rapariguinha frágil, um vime, que ela tem levado a vida inteira a pintar, primeiro à
maneira de Modigliani, depois à sua própria maneira, à de George, pintora já com nome nos marchands
das grandes cidades da Europa. Gi com um pregador de oiro que um dia ficou, por tuta e meia, num 5
penhorista qualquer de Lisboa. Em tempos tão difíceis.
– Vim vender a casa.
– Ah, a casa.
É esquisito não lhe causar estranheza que Gi continue tão jovem que podia ser sua filha. Quieta, de
olhar esquecido, vazio, e que não se espante com a venda assim anunciada, tão subitamente, sem 10
preparação, da casa onde talvez ainda more.
– Que pensas fazer, Gi?
– Partir, não é? Em que se pode pensar aqui, neste cu de Judas, senão em partir? Ainda não me fui
embora por causa do Carlos, mas… O Carlos pertence a isto, nunca se irá embora. Só a ideia o apavora,
não é? 15

– Sim. Só a ideia.
– Ri-se de partir, como nós nos rimos de uma coisa impossível, de uma ideia louca. Quer comprar uma
terra, construir uma casa a seu modo. Recebeu uma herança e só sonha com isso. Creio que é a altura de
eu…
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– Creio que sim.
– Pois não é verdade?
– Ainda desenhas?
– Se não desenhasse dava em maluca. E eles acham que eu tenho muito jeitinho, que hei de um dia ser
uma boa senhora da vila, uma esposa exemplar, uma mãe perfeita, tudo isso com muito jeito para o
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desenho. Até posso fazer retratos das crianças quando tiver tempo, não é verdade?
– É o que eles acham, não é?
– A mãe está a acabar o meu enxoval. […]
Agora está à janela a ver o comboio fugir de dantes, perder para todo o sempre árvores e casas da sua
juventude, perder mesmo a mulher gorda, da passagem de nível, será a mesma ou uma filha ou uma neta
igual a ela? Árvores, casas e mulher acabam agora mesmo de morrer, deram o último suspiro, adeus. Uma 30
lágrima que não tem nada a ver com isto mas com o que se passou antes – que terá sido que já não se
lembra? –, uma simples lágrima no olho direito, o outro, que esquisito, sempre se recusa a chorar. É como
se se negasse a compartilhar os seus problemas, não e não.
Maria Judite de Carvalho, «George», in George e Seta Despedida, Porto, Porto Editora, 2015.

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1. Gi, jovem de 18 anos, decide que está na altura de partir. Não sabemos para onde, sabemos porquê.
• Especifique de que «foge» Gi.

2. «Agora está à janela a ver o comboio fugir de dantes…» (l.28)


• Nesta nova situação, explique quem foge e de quê.

3. «uma simples lágrima no olho direito, o outro, que esquisito, sempre se recusa a chorar. É como se se negasse a compartilhar
os seus problemas, não e não.» (ll.32-33)
• Interprete esta estranha forma de manifestar emoções.

Texto B

Leia o texto.

1 Maria – Quereis vós saber, mãe, uma tristeza muito grande que eu tenho? A mãe já não chora, não? Já
se não enfada comigo?
Madalena – Não me enfado contigo nunca, filha; e nunca me afliges, querida. O que tenho é o
cuidado que me dás, é o receio de que…
5
Maria – Pois aí está a minha tristeza: é esse cuidado em que vos vejo andar sempre por minha causa.
Eu não tenho nada; e tenho saúde, olhai que tenho muita saúde.
Madalena – Tens, filha… se Deus quiser, hás de ter; e hás de viver muitos anos para consolação e
amparo de teus pais, que tanto te querem.
Maria – Pois olhai: passo noites inteiras em claro a lidar nisto, e a lembrar-me de quantas palavras vos
10 tenho ouvido, e a meu pai… e a recordar-me da mais pequena ação e gesto – e a pensar em tudo, a ver se
descubro o que isto é, o porque, tendo-me tanto amor… que, oh! isso nunca houve decerto filha querida
como eu!…
Madalena – Não, Maria.
Maria – Pois sim; tendo-me tanto amor, que nunca houve outro igual, estais sempre num sobressalto
15 comigo? …
Madalena – Pois se te estremecemos?
Maria – Não é isso, não é isso: é que vos tenho lido nos olhos… Oh, que eu leio nos olhos, leio, leio!
… e nas estrelas do céu também – e sei coisas…
Madalena – Que estás a dizer, filha, que estás a dizer? Que desvarios! Uma menina do teu juízo,
20 temente a Deus… não te quero ouvir falar assim. Ora vamos: anda cá, Maria, conta-me do teu jardim, das
tuas flores. Que flores tens tu agora? O que são estas? (Pegando nas que ela traz na mão.)
Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, Ato I, Cena 3, Porto, Porto Editora, 2015.

4. Tendo em conta o estudo que fez do Frei Luís de Sousa, especifique as causas do «cuidado» em que vive D. Madalena com
a filha.

5. Explique como se revela, nomeadamente neste excerto, a perspicácia de Maria.

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GRUPO II
Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.
Escreva, na folha de respostas, o número do item e da letra que identifica a opção escolhida.

Leia o texto.

PINCELADAS
Não existem fórmulas feitas para imaginar e escrever um conto. O meu segredo (e que vale só para 1
mim) é deixar-me maravilhar por histórias que escuto, por personagens com quem me cruzo e deixar-me
invadir por pequenos detalhes da vida quotidiana. O segredo do escritor é anterior à escrita. Está na vida,
está na forma como ele está disponível a deixar-se tomar pelos pequenos detalhes do quotidiano.
O conto é feito com pinceladas. É um quadro sem moldura, o início inacabado de uma história que 5
nunca termina. O conto não segue vidas inteiras. É uma iluminação súbita sobre essas vidas. Um instante,
um relâmpago. O mais importante não é o que revela mas o que sugere, fazendo nascer a curiosidade
cúmplice de quem lê. No conto o que vale não é tanto o enredo mas o surpreender em flagrante a alma
humana. No conto (como em qualquer género literário) o mais importante não é o seu conteúdo literário
mas a forma como ele nos comove e nos ensina a entender não através do raciocínio mas do sentimento. 10
Mia Couto, «Uma palavra de conselho e um conselho sem palavras» in Pensatempos, p. 46,
Lisboa, Editorial Caminho, 2005.

1. Ao afirmar que «o segredo do escritor é anterior à escrita.», o autor pretende sugerir que «o segredo»
(A) é um dom inato.
(B) é a integração do escritor no quotidiano.
(C) está numa certa forma de encarar a vida.
(D) não existe.

2. Repare no título do artigo de opinião de onde foi extraído este texto. Um conselho que o autor deixa a quem eventualmente
queira dedicar-se à escrita é que:
(A) leia muito.
(B) ouça os outros.
(C) ouça a sua sensibilidade.
(D) esteja atento a tudo quanto o rodeia.

3. A afirmação de que o conto é uma «iluminação súbita sobre essas vidas» (l.6) significa que o conto incide sobre
(A) um momento da vida das personagens.
(B) um momento determinante para o futuro das personagens.
(C) um segredo da vida das personagens.
(D) momentos cruciais da vida das personagens.

4. Este texto de opinião tem traços poéticos que advêm


(A) da utilização de recursos expressivos.
(B) do registo corrente utilizado.
(C) do tema desenvolvido.
(D) da estrutura do texto.

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5. Das afirmações que se seguem, indique a que, de acordo com o sentido do texto, não é verdadeira e corrija-a.
(A) Este é um texto de opinião de um escritor.
(B) O tema é a motivação para a escrita.
(C) O texto apresenta uma abordagem objetiva à noção de conto.
(D) O escritor revela a importância de se estar atento aos pormenores do quotidiano.
(E) O valor do conto não assenta necessariamente no seu conteúdo literário.
(F) «uma iluminação súbita sobre essas vidas. Um instante, um relâmpago.» Nesta frase do texto as palavras sublinhadas
traduzem a mesma ideia.

6. No conto […] o mais importante não é o seu conteúdo literário mas a forma como ele nos comove e nos ensina a entender
(ll.9-10)
• Divida e classifique as orações desta frase.

7. Especifique a função sintática das expressões sublinhadas na frase «considero algumas destas opiniões contestáveis».

8. «deixar-se tomar pelos pequenos detalhes do quotidiano» (l.4)


Vou deixar de tomar os comprimidos.
8.1 Apresente o significado da palavra «tomar» em cada uma das frases.
8.2 Estas duas palavras inserem-se no mesmo campo semântico. Justifique a afirmação.

9. Refira a modalidade que predomina no texto e relacione essa predominância com a intencionalidade do mesmo.

GRUPO III
A relação que os pais estabelecem com os filhos varia, não apenas ao nível das comunidades, mas também de acordo com as
épocas.
Têm os pais o direito, ou o dever, de impedir a realização dos sonhos, projetos e objetivos dos filhos? Devem incentivá-los,
ainda que não concordem com eles? Devem desresponsabilizar-se perante a rebeldia dos jovens? O rol de perguntas possíveis
é infindável dada a complexidade do tema presente na vida de todos nós.
Com base na experiência pessoal e na observação do mundo, elabore um texto de opinião, com um mínimo de 200 e um
máximo de 300 palavras, sobre:

O conflito de gerações no Portugal do século XXI.

Apresente o seu ponto de vista, que deverá ser fundamentado com, pelo menos dois argumentos, cada um deles acompanhado
de um exemplo significativo que o ilustre.

OBSERVAÇÕES:
1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta
integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos
algarismos que o constituam (ex.:/2015/).
2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – entre 200 e 300 palavras –, há que atender ao seguinte: – um desvio
dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido; – um texto com extensão
inferior a 80 palavras é classificado com zero pontos.
FIM

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