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Pode haver dança no culto?

UMA ANÁLISE BÍBLICA

Nesses últimos anos tem havido um grande questionamento com


respeito a danças no culto. Isso se deve ao crescimento de
coreografias no louvor nos cultos de igrejas neopentecostais e
renovadas.
O que antes as danças vinham espontaneamente na hora do louvor
nos cultos, essas igrejas inovaram com uma coreografia
concomitante ao louvor. Isso caracterizou-se como uma marca de
igrejas neopentecostais levando igrejas históricas a tomarem uma
decisão de proibição quanto à essa liturgia no culto. Como para se
proibir alguma coisa na igreja precisa-se ter a autoridade das
Escrituras, não faltou pastores e estudiosos que tentaram achar
que não há base bíblica para danças e coreografias.
O Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil reuniu-se
no final de 2010 para examinar a questão de danças, coreografias
e o bater palmas em cultos públicos. Chegaram a conclusão que
danças, coreografias não podiam porque “as danças e coreografias
não fazem parte do culto público oferecido a Deus conforme
revelado na Bíblia e que, portanto, as igrejas devem excluir tais
práticas de suas liturgias”[1]. Ainda é afirmado no blog que quanto
a bater palmas “fica a critério de cada igreja local”. Porém, o
concílio chegou a uma conclusão que as cantatas que incluem
apresentações teatrais “continuam a ser permitidas”. Embora o
Dr. Augustus Nicodemus deixe claro que ainda fica uma dúvida
se elas podem ser enquadradas dentro da categoria das danças.
Antes de analisar essa decisão do Supremo Concílio da IPB,
gostaria de afirmar o meu respeito por essa denominação.
Acredito que é uma das poucas denominações sérias que existem
no Brasil nesse conturbado problema doutrinário do
evangelicalismo brasileiro. Também, quero dizer que existem
mestres e pastores de mais alto nível, mas como estamos todos
caídos em Adão, a Palavra de Deus sempre terá a primazia, pois
foi o próprio Paulo que disse : “ainda que nós ou um anjo vos
pregue evangelho que vá além do que temos pregado seja
anátema” (Gálatas 1.8).
Primeiro, eu quero justificar por que eu estou analisando a decisão
do Supremo Concílio da IPB. Uma coisa é uma decisão que a
denominação toma deixando claro que a Bíblia deixa livre alguns
pontos como foi colocado no bater palmas. Outra coisa é afirmar
que as danças não podem em culto público porque não existe base
na Bíblia.
Diante dessa afirmação, precisamos analisar a decisão do supremo
concílio e buscar analisar as Escrituras abrindo-as e buscando o
que ela realmente afirma aos mais incautos que não têm acesso a
um exame mais detalhado e exegético, pois existe muita
manipulação até nas traduções da Bíblia com respeito a esse
assunto para chegar aos interesses doutrinários para que seja
agradável a um determinado público cristão.
O que me impressiona é a total incoerência até mesmo sem ao
menos tocarmos em um texto bíblico, pois fica evidente que a
Bíblia está sendo usada como uma desculpa de proibição na
denominação. Notemos: foi achado base para proibição de
danças, mas não para teatros em cantatas e palmas. Sendo que é
no mesmo VT que existem base para as palmas e danças (embora
que rejeitam os textos como tal para base de danças) e não
existem nenhuma para representações teatrais. No entanto, as
cantatas teatrais são aceitas e as danças não. Difícil não perceber a
incoerência e a falta de lógica. Por que as dúvidas são somente
para as cantatas teatrais, sendo que não há nenhuma menção na
Bíblia sobre elas e não para a proibição das danças em si com
textos claros no VT? No entanto, ao contrário, fala-se com toda
convicção que “não existe base na Bíblia” para danças no culto.
Por que isso?
Facilmente sabemos quando uma doutrina ou uma proibição são
humanas, mesmo tendo uma suposta base bíblica. No meio dessas
doutrinas, existe uma brecha de incoerência, contradição e o mais
grave que acho, desculpas simplistas diante de textos bíblicos
claros.
A consequência disso, na minha opinião, é que os pastores da
denominação não vão suportar a tamanha incoerência,
contradição e base bíblica, embora que todos os textos que dão
base ao contraditório da decisão do Supremo Concílio sobre
danças estejam já anulados com um pressuposto hermenêutico
errado e até perigoso de que a base para o culto é somente o NT o
qual iremos analisar nesse texto.
Portanto, meu objetivo é analisar as Escrituras quebrando as
falácias em relação a esse tema, pois quando alguém ensina uma
proibição do que Deus permite transgredir da mesma forma que
alguém que ensina fazer o que Deus proibiu. Quando há o silêncio
bíblico, podemos até ser flexíveis, mas quando a Escritura coloca
como uma permissão e até incentiva a uma determinada coisa,
torna-se grave a proibição e são dignos de rejeição total nesse
tema.
1. O problema hermenêutico nesse tema

Todo o problema da base bíblica para as danças está no


pressuposto hermenêutico errado dos teólogos que analisam esse
tema. Eles afirmam que a base para o culto cristão está somente
no NT e que somente nele podemos ter a forma do culto cristão e
não no VT.
O Dr. Augustus Nicodemus, em seu blog escreve o seguinte
quando fala com respeito a danças:
“Vou começar admitindo, por um momento, que o
Salmo 150 está falando do templo em Jerusalém e de
danças durante o culto. A pergunta, que deveria ter
sido feita desde o início, é se o culto cristão toma sua
inspiração, gênese e formato do culto do Antigo
Testamento. Para mim, a resposta é negativa, embora
com qualificações” [2].
Ele ainda afirma o seguinte com respeito aos cultos:
“Ao que tudo indica, os cristãos deram continuidade
ao culto no Antigo Testamento apenas no que se refere
aos princípios espirituais: a ideia de encontro com
Deus, de adoração, de louvor, de solenidade, de
alegria, de serviço espiritual como povo do Senhor...
mas foram buscar nas sinagogas o formato para este
culto mais simples e despojado. Nas sinagogas,
instituição onde cresceram o Senhor Jesus e todos os
apóstolos, havia leitura e pregação da Palavra,
orações, cânticos e bênção”.

Existem muitas dificuldades que o Dr. Augustus Nicodemus não


tratou no seu texto. A primeira é que a Bíblia jamais coloca um
modelo ou formato para o culto cristão como foi escrito. Isso é
completamente sem base bíblica. A prova disso é que a Igreja do
NT se reunia no templo de Herodes (At 2.46; 3.1), casas (Atos
2.46; 12.12; Romanos 16.5; 15), em cenáculos (Atos 20.8) e nas
sinagogas (Tiago 2.2). Mais na frente, a história registra que a
igreja se reunia nas catacumbas. Portanto, afirmar que o formato
de culto da igreja é a sinagoga não se sustenta e é no mínimo
perigoso, já que não estamos mais ligados a cerimônias e as
sinagogas tinha uma certa cerimônia a cumprir. Por outro lado,
Jesus deixou claro que o formato é quando dois ou três estiverem
reunidos em meu nome (Mt 18.20). O culto não seguiria mais um
modelo de lugar nem do VT nem do NT. A evidência disso é os
vários lugares registrados nas Escrituras onde os apóstolos faziam
culto e que jamais isso foi exigido pelos apóstolos.
No entanto, o que impressiona é que existem mais versos que
falam da igreja se reunindo em casas e no templo de Herodes que
com a palavra sinagoga. Existe apenas uma vez com Tiago.
Portanto, jamais os apóstolos queriam que tivéssemos como
formato e modelo a sinagoga ou qualquer outro lugar, devido os
vários textos demonstrando a variedade dos lugares. Portanto,
afirmar que o modelo da igreja do NT é a sinagoga é, no mínimo,
deficiente de base exegética e bíblica.
No entanto, precisamos entender que apesar de que os apóstolos
não fecharam a questão do formato do culto, eles deixaram
princípios que estão tanto no VT como no NT para que haja esse
culto. Nesse caso, devemos analisar sempre TODA A
ESCRITURA e não somente o NT (2Timóteo 3.16-17). Acredito
que a resposta para isso é que Deus foi sensível às várias culturas
que tem suas próprias peculiaridades de cultuá-lo. Por exemplo,
os africanos tem uma peculiaridade de cultuar a Deus diferente
dos europeus; os brasileiros diferentes dos americanos. Assim,
Deus deixou os princípios que estão revelados tanto no VT como
no NT, mas deu liberdade para cultuá-lo quanto ao formato de
culto.
Notemos que Paulo ao buscar base para a ordem do culto na
igreja de Corinto ele usa o VT. Ele escreveu:
1 Coríntios 14.20-21 Irmãos, não sejais meninos no juízo; na
20

malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens


amadurecidos. 21 Na lei está escrito: Falarei a este povo por
homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem
assim me ouvirão, diz o Senhor.
Notemos que Paulo está falando no contexto de culto e de liturgia
para mostrar a total desordem dos coríntios. Mesmo assim, Paulo
usou o VT no texto de Isaías 28.11,12.
No mesmo capítulo Paulo ensina os coríntios a usarem os salmos
(cantados ou não, mesmo sabendo que a palavra ψαλμος quer
dizer também cânticos). Ele escreveu:
1 Coríntios 14:26 26 Que fazer, pois, irmãos? Quando vos
reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação,
aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito
para edificação”.
Todos esses textos demonstram que Paulo fez uso do VT para
tirar princípios para o culto do NT. Desta mesma forma, Paulo
escreveu aos coríntios falando da ceia e baseando-se na cerimônia
do templo no VT (1Coríntios 10.17-21).
Portanto, os princípios precisam ser buscados e analisados por
toda a Escritura, pois ela é toda inspirada. No entanto, o NT nos
dá a base para sabermos que algumas cerimônias do VT não
devem ser mais usadas no culto público. Por exemplo: o sacrifício
de animais, uso de shoffar,- soffar - denominação de levitas aos
que cantam no louvor, trazer e levar alguma arca, vestimentas
judaicas, etc. O NT ensina que tudo isso se cumpriu em Cristo ou
era somente para a nação de Israel. No entanto, no que diz
respeito a bater palmas, cantar, tocar e dançar o NT JAMAIS
ensina que deveríamos deixar de fazer no culto público. Ao
contrário, é incentivado como veremos mais adiante quando
analisarmos o salmo 150.
O problema hermenêutico aumenta ainda mais quando alguns
fazem diferença entre elemento do culto e circunstâncias do culto.
O Dr. Augustus Nicodemus afirma o seguinte:
1) Os elementos de culto -- são aquelas atividades
determinadas pelas Escrituras nas quais o povo de
Deus se engaja durante o culto, com o propósito de
adorar a Deus, render-lhe graças e louvor, edificar-se
internamente e anunciar o Evangelho ao mundo.

2) As circunstâncias de culto -- se fizermos esta


distinção entre elementos de culto e as circunstâncias
que atendem estes elementos talvez possamos eliminar
boa parte das dificuldades que cercam algumas das
questões relacionadas com o culto público… Tais
circunstâncias estão relacionadas com o ambiente de
culto, e envolvem decisões quanto à amplificação do
som, uso de mídia, arrumação do salão, mobiliário
adequado e sua disposição no local, a iluminação e
decoração do ambiente, entre outros

Até podemos entender essa distinção bem didática. No entanto,


essa distinção é completamente arbitrária e digna de um exame
detalhado das Escrituras.
As Escrituras não fazem nenhuma divisão entre o que o Dr.
Augustus Nicodemus chama de elementos e circunstâncias. Na
verdade, a Escritura coloca tudo como fazendo parte do culto
(Salmos 150.1-5). Notemos que, independente como se interpreta
o salmo 150, os instrumentos e as danças fazem parte do louvor a
Deus no santuário. Tudo faz parte do culto, quando é coerente e
cabe base bíblica para tal. Por exemplo, quando se usa um
instrumento musical no culto, esse instrumento passa a ser
elemento deste culto que é o louvor, assim como a vasilha do pão
e o cálice fazem parte do culto na ceia.
Da mesma forma que existem cultos que não tem a ceia do
Senhor, pois ela, em algumas igrejas, é celebrada mensalmente, os
instrumentos podem deixar de estar num culto e mesmo assim ser
culto. Elementos do culto não precisam estar em todos os cultos,
mas de acordo que a necessidade exija. Da mesma forma, se não
tiver um instrumento no louvor, o culto ainda não perde a sua
característica, mas se tiver, esse deve fazer parte dos elementos,
pois devemos louvar o Senhor com instrumentos e os
instrumentos eram chamados por Davi de “instrumentos de
música de Deus” (1Crônicas 15.16; 16.42; Salmos 150.4). Por
isso, podemos pensar da mesma forma com o pão e o vinho (ou
suco de uva), pois eles fazem parte dos elementos do culto por
estarem acompanhando a ceia. Como cantar ao criador dos céus e
da terra sem instrumentos, se foi ele que deu a inteligência para
tal coisa e ordenou que se faça isso? Talvez por isso a ordem de
Deus nos salmos. Portanto, os instrumentos são elementos
também como também as danças.
Quando alguém louva a Deus com palmas, essas fazem parte do
culto e tornam-se elementos também do culto. Da mesma forma, a
Palavra de Deus precisa ser pregada, seja com microfone ou não.
Caso tenha, este faz parte do culto como seu elemento também,
pois através dele as pessoas estão ouvindo.
No entanto, alguns podem refutar baseado no conceito do próprio
Dr. Augustus Nicodemus que elemento do culto é aquilo que é
essencial no culto e as circunstância, não. Porém, quem é que diz
o que é essencial no culto, se não a própria Palavra de Deus? A
Bíblia coloca os instrumentos como parte do culto (qualquer que
seja a interpretação do Salmos 150.4). Como dissemos, se alguém
tem microfones, instrumentos para louvor e não os usa, não deixa
de prejudicar os elementos do culto, conforme essa interpretação,
logo esses objetos são essenciais ao culto. Para ilustrar isso é só
lembrar que Deus exigiu objetos na construção da tenda fazendo
parte da plena adoração a Deus. Claro que hoje não precisamos
dos objetos ritualístico do VT, mas precisamos entender que Deus
vê os objetos como essenciais ao culto, se esses podem melhorá-
lo, assim como aconteceu no VT. Qual pregador poderia pregar
para uma multidão sem um microfone ou uma música que não
fosse melhor cantada e ministrada sem um instrumento?
Alguém poderia objetar que os apóstolos não tinham, mas havia
as técnicas daquela época e o barulho era inferior ao de hoje com
energia elétrica e carros. Seria difícil usar essas técnicas nas
nossas cidades cheias de barulho.
No entanto, o que Paulo deixa bem claro é a prioridade do culto,
que deve ser a doutrina, sem fazer essa separação entre elementos
e circunstâncias. Ele escreveu:
1 Coríntios 12:28 28 “A uns estabeleceu Deus na igreja,
primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em
terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois,
dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”.
Afinal de contas, podemos separar elementos e circunstâncias
nesse texto? Claro que não. Seria um erro gravíssimo, pois Paulo
afirma que Deus estabeleceu na igreja todos. Embora que Paulo
coloque como prioridade os apóstolos, profetas, que se referiam à
própria Palavra de Deus na época, porém, os mestres, os
operadores de milagres, dons de cura e variedade de línguas
devem fazer parte também do que Paulo disse sobre o que Deus
estabeleceu na igreja.
No entanto, a variedade das línguas não acontece em todos os
cultos, os socorros, as operações de milagres. Mesmo assim, não
deixa de ter culto se elas não tiverem, mas caso tenham, a
prioridade é a Palavra de Deus. Não porque um é elemento e os
outros são circunstâncias, mas porque desses elementos, a Palavra
tem prioridade, acima mesmo dos louvores. Portanto, quem tem
autoridade para dizer que o que Deus ordenou ou estabeleceu na
igreja não é elemento do culto?
Portanto, os elementos do culto segundo as Escrituras eram tudo
que dizia respeito à Palavra, oração, louvor, dons espirituais. Isso
inclui pão, vinho, instrumentos, danças, microfones, bancos, dons
espirituais, pois algumas coisas somente seriam feitas bem feitas
fazendo uso destas, pois “quer comais, quer bebais ou façais outra
coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).
O que podemos notar é que o culto a Deus era muito diversificado
cabendo cada igreja a agir com bom senso dando prioridade à
Palavra de Deus, não porque era usada nas sinagogas, mas porque
a própria Escritura a coloca como prioridade. No entanto, a forma
de louvar a Deus ficaria para o bom senso das igrejas, louvando a
Deus de forma que o glorifique segundo as Escrituras do VT e NT
(infelizmente, temos que ser redundantes enfatizando os
testamentos)
Portanto, diante disso, pergunto: como alguém pode ter a coragem
de afirmar que os princípios nos Salmos não são para ser usados
na igreja cristã dos nossos dias no que diz respeito à forma do
culto? Com base em que alguém pode afirmar isso? Com qual
base do NT podemos dizer que as danças no culto não são mais
para hoje? Realmente, é difícil uma pessoa que tenha um mínimo
conhecimento de hermenêutica e de Bíblia aceitar essas
afirmações sem questionar.
2. Análise do Salmo 150
Precisamos analisar o Salmo 150, pois devido a clareza que o
autor escreve sobre as danças, muitos tentam anulá-lo ou agem de
uma forma completamente desonesta traduzindo a palavra
“danças” para “flautas”.
2.1. Significado da palavra ‫ שדק‬- qodesh no texto
Comecemos pelo significado da palavra ‫ קדש‬- qodesh “santuário,
coisa santa”. O Dr. Augustus Nicodemus afirmou o seguinte:
“Mas, na verdade, não é certo que o Salmo 150 esteja
falando de danças no templo. Em primeiro lugar, a
palavra “santuário” mencionada no verso 1 nem
sempre significa o local da adoração em Jerusalém,
onde o culto determinado por Deus era realizado de
acordo com todos os seus preceitos. A
palavra b’kadoshu – b’kadoshu - , significa
literalmente “em seu santo”. Logo, sua tradução
primeira seria “em seu santuário” e não “em seu
Templo”. Precisamos, portanto, considerar a
possibilidade de que o santuário de Deus aqui referido
não é o local físico do templo, mas o local da sua
santa habitação, ou seja, os céus”.
Segundo o Dr. Augustus Nicodemus, a palavra ‫ קדש‬- qodesh que
foi traduzida para “santuário” "nem sempre significa" o templo de
Israel, dando a entender que é uma opção bem remota. Ele
argumenta que a palavra não dá espaço para afirmar que é para o
templo físico e traduz a expressão ‫ בקדשו‬- b’kadesho como “no
seu santo”. Por isso, não seria o local físico mas seria o céu.
O Dr. Augustus Nicodemus seguiu a interpretação de Calvino que
afirmou no seu comentário do Salmo 150:
“Este salmo, em geral, exalta o culto espiritual de
Deus, que consiste em sacrifícios de louvor. Para a
palavra “santuário” há pouca dúvida de que o seu
significado seja o “céu”, como é frequentemente usado
em outros lugares”.[3]
Para João Calvino, portanto, a palavra “santuário” não
corresponde ao templo, mas o lugar de habitação de Deus, embora
que ele não se aprofundou para chegar a essa conclusão.
No entanto, com todo respeito à erudição e piedade de João
Calvino e do Dr. Augustus Nicodemus, essa exegese foi
completamente precipitada, abrupta e digna de maior análise da
palavra discutida.
O substantivo ‫ קדש‬- qodesh é muito usado para santuário
referindo-se ao templo físico e tem tantas passagens que é de
acreditar que não houve pesquisa suficiente sobre esta palavra da
parte de João Calvino e do Dr. Augustus Nicodemus.
Apenas vamos citar algumas de várias: Levíticos 5.15; 6.23; 7.6;
10.17; Números 7.9. Em todas essas passagens o
substantivo ‫ קדש‬-qodesh - “santuário” se refere ao templo físico.
Portanto, quando se interpreta que o salmista se refere ao
santuário do templo, é perfeitamente legítimo e mais coerente
exegeticamente, pois Davi confirma esse salmo quando ordenou
que os levitas cantassem e tocassem no templo (2Crônicas 5.13;
7.6).
O dicionário internacional de Teologia do Velho Testamento
afirma que a palavra ‫ קדש‬- qodesh pode perfeitamente ser usada
para objetos sagrados, que no caso seria o templo. Ele afirma o
seguinte:
“Via-se aquilo que era dedicado a Deus como algo que entrava
no domínio do “sagrado”. Isso incluía os vários elementos da
adoração levítica denominados “coisas sagradas” (Levíticos
5.15,16), o fruto da terra (Levíticos 19.24), bens pessoais
(Levíticos 27.28) e despojos obtidos em ação militar (Josué 6.19).
Os sacrifícios que deviam ser comidos apenas pelos sacerdotes
eram denominados “santos” em virtude de serem totalmente
dedicados ao domínio do sagrado, o qual era representado pelo
sacerdócio (Levíticos 19.8)”.[5]
John Gill no seu comentário do Salmo 150 escreve: “Louvai a
Deus no seu santuário; no templo, a casa do seu santuário como
está no Targum e R. Judah” [7]. Apesar de que Gill reconheça que
pode haver um sentido para os céus também.
Não obstante a tudo isso, essa interpretação é mais inteligente,
pois ninguém toca instrumento no santuário de Deus nos céus e a
ordem é para que louvássemos com instrumentos de cordas.
O Dr. Derek Kidner, em análise do salmo 150 no seu livro de
comentário dos salmos escreve:
“O Saltério de Coverdale (PBV) tem “louvai a Deus na Sua
santidade” que é uma tradução viável; a linha paralela, no
entanto, “no firmamento do seu poder” (ARC), sugere que
“santidade” aqui tem o seu sentido secundário: seu santuário
(ARA). Desta forma, a chamada é dirigida aos adoradores de
Deus na terra, encontrando-se no seu lugar escolhido, como
também à sua hoste celestial”.[4]
O Dr. Derek Kidner demonstra que a palavra “santuário”
corresponde ao lugar da habitação de Deus que era o lugar que
Deus escolheu de manifestar a sua glória, que é o templo no VT,
embora que ele admita que inclui o céu também.
Na verdade, a ordem do salmista é que Deus seja adorado no
santuário que estava no templo. Essa é a interpretação mais
natural que se pode dar ao salmo 150.1. Um judeu não teria uma
visão do santuário-habitação de Deus como os apóstolos tinham
no NT. Isso veio com a revelação apostólica do NT (Hebreus
8.1,2; 9.1-9).
Quando alguém afirma que o salmista quis afirmar “santuário” ou
“coisa santa” como a habitação de Deus no céu erra com
anacronismo de mais alto grau, porque isso veio somente com a
revelação dos apóstolos. No entanto, podemos aplicá-la para isso
sabendo que o autor aos Hebreus escreveu que era uma “parábola
para época presente” (Hebreus 9.9), pois agora os verdadeiros
adoradores adorariam não mais em um lugar, mas em espírito e
em verdade (João 4.23).
O que se pode notar na ordenança do salmista é que deveríamos
louvar a Deus no seu santuário (no templo) e que lá está o
“firmamento do seu poder” (assim está no original hebraico que a
ARC traduziu muito bem). O salmista estava convocando que
Yahweh fosse louvado no templo que é o lugar da sua santidade e
do “firmamento do seu poder”. Seria lá que a sua glória encheria e
a sua promessa se cumpriria em atender a oração do seu povo
(2Crônicas 5.14; 7.12-16).
2.2. Análise da palavra “danças” do verso 4
Psalm 150.4 4 “Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com
instrumentos de cordas e com flautas” - ‫ הללוהו ומחול בתף‬-
“Louvai com adufe e dança”
A análise da palavra ‫ מחול‬- machol “dança” é fundamental na
interpretação desse salmo porque se de fato a palavra diz o que
ela quer dizer, a dificuldade aumenta àqueles que advogam que
não se pode dançar nos cultos, pois Deus ordena que o louvem
com danças.
Algumas traduções traduzem a palavra ‫ מחול‬- machol “dança”
para “flautas” em uma total desonestidade, na minha opinião,
pois mudam o que o texto realmente quer dizer.
Os tradutores também traduziram o Salmo 149.3 da mesma forma
colocando a palavra ‫ מחול‬- machol - “dança” para flauta. O
problema disso é que a palavra ‫ מחול‬- machol não tem nada a ver
com flauta. Essa palavra, segundo Strong, vem de uma raiz que
quer dizer “torce-se, revirar-se”. Daí vem a palavra dança.
Por isso que os rabinos que fizeram a LXX entenderam
exatamente o que a palavra hebraica quer dizer: “dança”. Em
todas essas passagens, os rabinos da LXX colocaram a
palavra χορός - choros - “dança” e essa palavra também não tem
nada a ver com flautas.
Os rabinos de língua portuguesa também entenderam a palavra
como ‫ חולמ‬- machol como “dança”. Veja como os rabinos
traduziram numa versão judaica dos salmos para a língua
portuguesa o verso 4 do Salmo 150:
“Louvai-O com melodias e ritmo, louvai-O com a
música de órgãos e flautas”.[6]
Notemos que os rabinos traduziram para ritmo, pois a palavra
quer dizer movimentação em danças e tiveram a sensibilidade de
não repetir a palavra “flauta” como alguns tradutores fizeram de
uma forma infeliz.
A Vulgata também coloca em todas as passagens desta palavra
hebraica o vocábulo chorus - churus - “dança”, com exceção do
Salmosd 30.12 que traduziram para gaudium – gaudium -
“alegria”. Mesmo assim. Fica implícito nessa palavra regozijo em
danças.
A maioria das traduções brasileiras e inglesas foi honesta nessa
palavra. As traduções brasileiras que têm danças para o Sl 150.4
são: ARA, ACF, BRP, SBP, NTLH, TB, NVI, BV. Ficando
somente a tradução da ARC traduzindo para a palavra “flauta”. Já
as versões em inglês, que foram honestas, tem a maioria também:
CSB, ASV, BBE, CSB, DBY, ERV, ESV, GWN, KJV, NET,
NIB, NKJ, NLT, YLT, NRS. Ficando somente as versões DRA
que traduz para “organs” – organs e GNV que traduz para
“flute” – flute . (Pode até haver uma ou outra versão que
complete as listas, mas as principais e mais lidas são essas).
Portanto, facilmente notamos a desonestidade dos tradutores.
Notem que ‫ מחול‬- machol - “dança” é usada apenas seis vezes no
VT. Três nos salmos (Salmos 30.12; 149.3; 150.4) e três nos
profetas (Jeremias 31.4; 31.13; Lamentações 31.5). Por que os
tradutores traduziram somente nos Salmos para “flautas”,
“folguedos” e não “danças” como foi traduzido nos profetas?
Somente há uma resposta: a tentativa de desviar o que o texto diz
de uma forma clara.
Porém, existem muitas outras incoerências se traduzirmos a
palavra ‫ מחול‬- machol “dança” para “flauta”. A primeira é que a
palavra flauta se repete no mesmo verso fazendo da poesia um
pleonasmo patético. Notemos: Louvai ao Senhor com adufe
e flauta; louvai com instrumentos de cordas e com flautas. O
salmista seria seriamente questionado de sua capacidade poética,
devido a redundância e inutilidade da segunda palavra “flauta”, já
que já tem a ordem para louvar com flauta no começo do verso.
A outra dificuldade é como separar a ordem de louvar com adufe
e a ordem de louvar com danças no culto público. Ou seja, as
danças não podem, o adufe como instrumento pode. Realmente
isso não é inteligente.
Há aqueles que afirmam que o salmo é uma demonstração que a
dança não é pecado em si, mas não dá base para dançar no culto
público. Existem vários problemas com essa afirmação. Primeiro
é que o salmo é falado no contexto de louvor e adoração, não num
contexto de balada ou de uma dança romântica como afirmam
esses intérpretes, pois a ordem é para louvar ao Senhor; cantando
e dançando para ele, não com mulheres e nem para outras
finalidades.
Segundo problema é que o texto afirma claramente quem é o
objeto desse louvor. O texto afirma que devemos louvar a Deus
“louvai-O com adufes e danças”. Se dissermos que esse texto é
para afirmar que danças não são pecado, então como interpretar a
ordenança de louvar objetivamente com instrumentos de cordas?
As danças seriam para dançar com a namorada e os instrumentos
de cordas, seriam para quem? Para as “serenatas”? Será que
alguém desviaria completamente a objetividade do louvor desse
salmo para os homens? Realmente não existe interpretação mais
patética e desajeitada que essa e digna de total rejeição dos que
creem na Bíblia.
Portanto, o Salmo 150 é ainda hoje para a igreja e sempre será,
com a única diferença: nós não precisamos ir ao Santuário para
louvar a Deus, hoje, porque todas cerimônias se cumpriram em
Cristo, mas louvemos com instrumentos, danças, pois é ordem do
Senhor e em nenhuma passagem do NT ensina que não
deveríamos mais tocar com instrumentos ou deixarmos de dançar.
Qualquer desvio disso é erro, pois desmente o próprio Deus que
ordena na sua Palavra para louvarmos com instrumentos e com
danças.
3. Outros textos que confirmam o Salmo 150.4
Uma das regras básicas de Hermenêutica é que a Bíblia explica a
si mesma. Então perguntamos: existe alguma analogia de outros
textos em relação a danças no restante das Escrituras para
fundamentarmos o Salmos 150.4? A resposta é sim.
Primeiramente precisamos ver que Miriam dançou na presença
de Deus Êxodo 15.20,21). Miriã era profetiza e ela, para louvar a
Deus pelo livramento, dançou com as outras mulheres dizendo:
Êxodo 15:21 “Cantai ao SENHOR, porque gloriosamente
triunfou e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro”.
Alguns afirmam que o que Miriã fez não é base para fazermos no
culto cristão, pois o motivo era apenas por causa da libertação do
Egito. No entanto, Cristo é considerado o nosso Cordeiro Pascal
(1Coríntios 5.7) e, da mesma forma que Israel saiu do Egito,
fomos libertos para Deus (1Coríntios 10.1-4). Portanto, é
perfeitamente legítimo alegrar-nos em Deus dançando e louvando
o seu nome pela nossa libertação do juízo de Deus em Cristo
Jesus.
Segundo: precisamos ver que Davi dançou em pleno ritual de
adoração (2Samuel 6.12-22). Notemos que Davi estava diante da
arca de Deus. Reverência e respeito eram essenciais àqueles que
se aproximavam dela. Não é à toa que Davi sacrificava bois e
carneiros em cada seis passos (v.13). Também, Davi trazia a
estola sacerdotal demonstrando que era um momento sagrado e
especial. No entanto, Davi dançou com todas as suas forças diante
do Senhor (v.21).
Portanto, vem a pergunta: podemos dançar no culto cristão
como Davi dançou diante da arca? Precisamos analisar as
Sagradas Escrituras para eliminar o que não precisamos mais.
Não precisamos mais dos holocaustos e sacrifícios que Davi fazia
nesse episódio (Hebreus 10.9-19); não precisamos mais de levar
a arca, pois a presença de Deus está já em nós pelo Espírito Santo
de Deus (1Coríntios 3.16); não precisamos mais de uma estola
sacerdotal nem de sacerdotes porque Cristo já nos fez sacerdotes
reais (1Pedro 2.9; Apocalipse 1.6). No entanto, perguntamos:
haveria alguma objeção sobre as danças no NT para que não as
façamos, sendo que em todas as épocas sempre as danças fizeram
parte das músicas e danças dos povos, inclusive do povo judeu? É
claro que não.
Outro texto é o profeta Jeremias 31.4; 11-13. Esse é mais claro e,
na minha opinião, elimina qualquer dúvida se as danças são para
o culto cristão:
Jeremias 31:4 4 “Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem
de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com
o coro dos que dançam”.
Jeremias 31:11-13 11 “Porque o SENHOR redimiu a Jacó e o
livrou da mão do que era mais forte do que ele. 12 Hão de vir e
exultar na altura de Sião, radiantes de alegria por causa dos bens
do SENHOR, do cereal, do vinho, do azeite, dos cordeiros e dos
bezerros; a sua alma será como um jardim regado, e nunca mais
desfalecerão. 13 Então, a virgem se alegrará na dança, e também
os jovens e os velhos; tornarei o seu pranto em júbilo e os
consolarei; transformarei em regozijo a sua tristeza”.
Notemos que quem está falando é o próprio Yahweh.-
Yahweh. Não é o escritor Jeremias, mas o próprio Deus através
do profeta. Ele chama Israel de virgem e que sairá adornada com
os que dançam. Deus que quer que ela saia com os que dançam
toda adornada e preparada ao seu Noivo que é o próprio Yahweh-
Yahweh.
Usemos a lógica agora: Se o próprio Deus chama Israel
demonstrando que ele quer que ela dance com os adufes, como
negar que as danças não são para o culto cristão se esse momento
é somente para ele? Notemos que esse verso segue o que o
Salmos 150.4 ordena: louvai com adufes e danças, pois ela sairá
com os adufes e com o coros dos que dançam, confirmando assim
o salmos 150.4.
Notemos que em Jeremias 31.11-13 é o Senhor que motivou as
danças de sua noiva, Israel, e é ele que fará Israel se alegrar nas
danças. Portanto esses textos nos profetas confirmam o Salmos
150.4 como Deus ordenando-nos a usarmos as danças para ele.
No NT, há um texto muito interessante no episódio da parábola
do filho pródigo:
Lucas 15:25 25 “Ora, o filho mais velho estivera no campo; e,
quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as
danças”.
Podemos perguntar o que esse texto tem a ver com danças na
adoração pública? Se pensarmos que o que Jesus contou tinha um
propósito e que os apóstolos que eram inspirados por Deus
entenderam isso, precisamos entender que ali estava a
comemoração da volta daquele filho perdido à comunhão com o
seu Pai que era Deus. Portanto, Jesus deixou claro que as danças
eram legítimas naquela ocasião.
É verdade que não podemos nos apegar aos detalhes das
parábolas, mas é difícil não perceber isso quando temos Miriã que
dançou no episódio da libertação do Egito, Davi diante da arca da
Aliança celebrando a graça de Deus na sua vida e a ordem do
salmista que louvássemos com adufes e danças, pois Jesus queria
mostrar que a comunhão com o Pai e o filho perdido era celebrada
com danças e muita alegria. Até porque, a palavra que Lucas usou
é a mesma usada na LXX – χορός - choros “dança”.
4. Exageros e coreografias nos cultos públicos
Precisamos admitir que existem muitos exageros. No entanto, os
erros ou as distorções da verdade não podem eliminá-la. Temos
que admitir que algumas coreografias tiram o objetivo central que
é concentrarmos em Cristo e somente nele esperarmos. Isto quer
dizer que Cristo tem que ser o centro do culto. Existem
coreografias de homens que se arrastam como mulheres e
mulheres que são jogadas no ar como se fosse um balé num
teatro. Claro que isso não é adequado às igrejas.
No entanto, assim como existem coreografias exageradas,
também existem pregações superficiais e com pouca base bíblica
e heréticas; assim como existem também louvores que exaltam
mais o grupo em si que o Cristo que cantam. Da mesma forma as
cantatas, elas podem perfeitamente tirar o foco central que é
Cristo e o grande objetivo ou a prioridade do culto que é a Palavra
de Deus. Existem cantatas que são extensas e tomam muito tempo
que deveria ser para a pregação da Palavra de Deus.
Portanto, precisamos entender que os exageros e desvios podem
existir em todos os elementos do culto.
Na minha opinião, as danças deveriam ser espontâneas no culto
público, pois a ordem no Salmos150.4 é para todos e não somente
para um ministério. Precisamos também entender que dança
profética não existe, pois isso não tem nenhuma base bíblica.
Portanto, quero convidar a todos a louvar a Deus com
instrumentos de cordas e com danças, pois o próprio Deus
ordenou para louvá-lo com adufes e danças.
Rev. MÁRIO MAGALHÃES - Graduado Teologia, Letras, Licenciado em Filosofia; mestre em
Teologia Exegética, educação e doutor em Educação.

[1] Conforme o blog Tempora-mores http://tempora-mores.blogspot.com/2011/01/decisoes-da-ipb-sobre-o-culto-


publico.html
[2] http://tempora-mores.blogspot.com/2009/08/salmo-150-dancando-no-santuario.html
[3] Calvin John. Commentary on Psalms. Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library, 1999, p. 199.
[4] KIDNER, Derek. Salmos 73-150: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1975, p. 495.
[5] HARRIS, R. Laird; ARCHER, Gleason L; WALTKE, Bruse K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo
Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1322.
[6] FRIDLIN, Vitor; GORODOVITS, David; FRIDLIN, Jairo. Salmos com tradução e transliteração. São Paulo:
Editora Sefer, 2003, 3a ed.
[7] GILL, John. Bíblia On Line. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil.

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