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As Heresias mais específicas do Vaticano II: Suma contra os Continuistas

Yves Marsaudon, maçom de grau 33, 1965: “… essa corajosa ideia do


livre-pensamento… ― aqui se pode verdadeiramente falar de uma
revolução que partiu de nossas lojas maçónicas ―, estendeu-se
magnificamente sobre a cúpula de São Pedro.”1 (Yves Marsaudon em
seu livro Ecumenism Viewed by a Traditional Freemason, Paris: Ed.
Vitiano, 121; citado por Permanences, no. 21 (Julho de 1965), 87;
também citado pelo bispo Tissier De Mallerais, The Biography of Marcel
Lefebvre, Kansas City, MO: Angelus Press, 2004, pág. 328.)

Uma sessão do Concílio Vaticano II


O Concílio Vaticano II foi celebrado entre os anos 1962 e 1965. O
Vaticano II foi um falso concílio que constituiu uma revolução contra os
2000 anos de doutrina e tradição católica. Como veremos, o Vaticano II
contém várias heresias que foram directamente condenadas pelos papas
e concílios do passado. O Vaticano II se tentou dar aos católicos uma
nova religião. No período seguinte ao Vaticano II, sucederam-se
mudanças massivas em todos os âmbitos da fé católica, incluindo a
implementação de uma nova missa.
Antes do Vaticano II
Depois do Vaticano II
O Vaticano II também introduziu novas práticas e instaurou uma nova
visão a respeito das outras religiões. A Igreja Católica não pode mudar a
sua doutrina sobre as outras religiões e a maneira como as encara, visto
que são ensinamentos fundamentados em verdades de fé transmitidas
por Jesus Cristo. O Vaticano II tentou mudar essas verdades da Igreja
Católica.
O Vaticano II foi convocado por João XXIII e foi solenemente promulgado
e confirmado por Paulo VI em 8 de Dezembro de 1965. O Vaticano II não
foi um verdadeiro concílio geral ou ecuménico da Igreja Católica porque,
como veremos em detalhe nas secções a seguir, foi convocado e
confirmado por hereges manifestos (João XXIII e Paulo VI), que não eram
elegíveis para a eleição papal (consultar o artigo “COMPÊNDIO
APOLOGÉTICO DO SEDEVACANTISMO” ). Os frutos do Concílio Vaticano II
estão a vista de todos. Qualquer católico honesto que tenha vivido antes
do concílio e o compara com o que ele mesmo experiência nas dioceses
de hoje pode atestar o facto de que o Vaticano II inaugurou uma nova
religião.
Unitatis Redintegratio — o decreto do Vaticano II sobre o ecumenismo
Vaticano II, documento Unitatis Redintegratio, #1:
“Quase todos, se bem que de modo diverso, aspiram a uma Igreja de
Deus una e visível, que seja verdadeiramente universal e enviada ao
mundo inteiro, a fim de que o mundo se converta ao Evangelho e assim
seja salvo, para glória de Deus.”1
No início do seu Decreto sobre o Ecumenismo, o Vaticano II ensina que
quase todos aspiram por uma verdadeira Igreja universal, cuja missão é
converter o mundo ao Evangelho. Qual é a verdadeira Igreja universal,
cuja missão é converter o mundo ao Evangelho? É a Igreja Católica,
evidentemente, que é a única verdadeira Igreja de Cristo. Então, do que
está o Vaticano II a falar? Por que o Vaticano II ensina que quase
todos aspiram pela verdadeira Igreja universal de Cristo, quando já a
temos? A resposta é que o Vaticano ensina que os povos
devem aspirar por uma verdadeira Igreja Católica porque este ensina
que ela ainda não existe! Se alguém tiver dúvidas de que o Vaticano II
está aqui a negar que a Igreja universal de Cristo existe, leia então a
própria interpretação de João Paulo II desta passagem que está citada a
seguir.
João Paulo II, Homilia, 5 de Dezembro de 1996, falando sobre a oração
com os não-católicos: “Quando oramos juntos, o fazemos com o anseio
‘de que possa haver uma Igreja de Deus una e visível, que seja
verdadeiramente universal e enviada ao mundo inteiro, a fim de que o
mundo se converta ao Evangelho e assim seja salvo, para glória de Deus’
(Unitatis Redintegratio, 1).”2
Aqui vemos que o próprio João Paulo II confirma que a aspiração pela
una e visível Igreja de Cristo é uma aspiração de ambos os lados, católico
e não-católico, o que significa que o Vaticano II, no seu Decreto sobre o
Ecumenismo (do qual João Paulo II estava a citar), estava, de facto, a
aspirar pela Igreja universal de Cristo. Logo, o Vaticano II está a negar
que a Igreja Católica é a Igreja de universal Cristo.
De acordo com Unitatis Redintegratio, a Igreja Universal — a Igreja
Católica — ainda não existe.
Unitatis Redintegratio também afirma que todos os baptizados que
professam ser “cristãos” estão em comunhão com a Igreja e têm direito
ao nome de cristão, e ao mesmo tempo não menciona nada acerca da
necessidade que esses têm de converterem-se à fé católica para a
salvação.
Vaticano II, Unitatis Redintegratio, #3: “Pois que crêem em Cristo e
foram devidamente baptizados, estão numa certa comunhão, embora
não perfeita, com a Igreja católica. De facto, as discrepâncias que de
vários modos existem entre eles e a Igreja católica — quer em questões
doutrinais e às vezes também disciplinares, quer acerca da estrutura da
Igreja — criam não poucos obstáculos, por vezes muito graves, à plena
comunhão eclesiástica. O movimento ecuménico visa a superar estes
obstáculos. No entanto, justificados no Baptismo pela fé, são
incorporados a Cristo, e, por isso, com direito se honram com o nome de
cristãos e justamente são reconhecidos pelos filhos da Igreja católica
como irmãos no Senhor.”3
Note que o Vaticano II ensina que as seitas protestantes e cismáticas
estão em comunhão com a Igreja Católica (embora parcialmente) e são
irmãos da mesma Igreja, com direito ao nome de cristão. A Igreja
Católica, por outro lado, ensina que eles estão fora da comunhão da
Igreja e alheios aos seus fiéis. Isto contradiz directamente o ensinamento
do Vaticano II:
Papa Leão XIII, Satis cognitum, #9, 29 de Junho de 1896:
“A prática da Igreja tem sido sempre a mesma, apoiada pelo juízo
unânime dos Santos Padres, que sempre consideraram como excluídos
da comunhão católica e fora da Igreja qualquer um que se desvie, no
menor grau que seja, de qualquer ponto de doutrina proposta pelo seu
magistério autêntico.”4
A seguinte citação é de um artigo que apareceu numa publicação que é
amplamente lida e aprovada pela seita do Vaticano II, St. Anthony
Messenger. Podemos ver como esta reconhecida publicação interpreta
o Decreto sobre o Ecumenismo do Vaticano II.
Renée M. LaReau, “O Vaticano II para Gen-Xers,” St. Anthony Messenger,
Novembro de 2005, pág. 25: “Unitatis Redintegratio (o decreto sobre o
ecumenismo) e Nostra Aetate (a declaração sobre as relações da Igreja
com as religiões não-cristãs) mostraram mudanças significativas nas
atitudes da Igreja perante as outras religiões. Vinda de uma antiga
instituição de critérios estreitos que insistia não haver salvação fora da
Igreja e que a Igreja Católica era a única verdadeira Igreja de Cristo, a
abertura de mente que caracterizou esses ensinamentos foi
notável. Unitatis Redintegratio afirma que a Igreja inclui todos os
cristãos e não se limita exclusivamente à Igreja Católica, enquanto
que Nostra Aetate reconhece que a verdade e santidade das religiões
não-cristãs foi obra do mesmo único Deus verdadeiro.”5
Terá Renée entendido mal o Vaticano II? Não, acabámos de mostrar
que Unitatis Redintegratio ensina precisamente isso. Agora veremos que
o Vaticano II nega que a Igreja seja completamente católica e que afirma
que há salvação nas mencionadas seitas.
Vaticano II, Unitatis Redintegratio, #4:
“Todavia, as divisões dos cristãos impedem a Igreja de realizar a
plenitude de catolicidade que lhe é própria naqueles filhos que, embora
incorporados pelo Baptismo, estão separados da sua plena comunhão. E
até para a própria Igreja se torna mais difícil exprimir na realidade da
vida e sob todos os aspectos a sua plena catolicidade.” 6
Aqui, no #4 do mesmo Decreto sobre o Ecumenismo, o Concílio Vaticano
II nega que a Igreja de Cristo é plenamente católica! Isto é tão herético
que se uma pessoa crê nisto, não pode sequer recitar o Credo
Apostólico: “Creio… na Santa Igreja Católica.” Teria de se dizer “Creio na
Igreja não completamente católica.” Mas por que o Vaticano II afirmaria
uma heresia tão ridícula? Há uma razão. A palavra “católica” significa
“universal.” Como vimos, o Vaticano II rejeita que a Igreja Católica é a
Igreja universal de Cristo ao ensinar que quase todos aspiram pela Igreja
universal, como se ela não existisse.
“Cardeal” Ratzinger, Dominus Iesus #17, aprovada pelo Antipapa João
Paulo II, 6 de Agosto de 2000: “Por isso, também nestas Igrejas está
presente e actua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão
com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do
Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objectivamente
tem e exerce sobre toda a Igreja.”7
A religião do Vaticano II afirma que a Igreja de Cristo é maior que a Igreja
Católica. Uma vez que o Decreto sobre o Ecumenismo do Vaticano II nega
que a Igreja Católica é a Igreja universal de Cristo ao aspirar pela
existência de tal Igreja, segue logicamente que o Vaticano II ensina que
“a Igreja” (isto é, a Igreja Católica universal) não é capaz de realizar
plenamente a sua catolicidade/universalidade devido às “divisões entre
os cristãos.” Por outras palavras, segundo a clara doutrina do Concílio
Vaticano II, as divisões entre as incontáveis seitas protestantes, as seitas
cismáticas orientais e a Igreja Católica, impedem que a Igreja
universal (da qual somos todos membros, segundo o Vaticano II) realize
a sua plena catolicidade (universalidade).
Tudo isto é uma evidente confirmação de que o Vaticano II ensina que as
seitas heréticas e cismáticas formam a Igreja de Cristo. As palavras do
Vaticano II acerca da universalidade da Igreja de Cristo se ver afectada
pelas divisões dessas seitas não fariam sentido se não afirmasse que
essas seitas formam parte da Igreja de Cristo. Com essa explicação,
citaremos o Papa Clemente VI e o Papa Leão XIII para refutar esta
horrível heresia do Vaticano II.
Papa Clemente VI, Super quibusdam, 20 de Setembro de 1351:
“Perguntamos: Primeiramente, se tu e a igreja dos arménios que te
obedece, crêem que todos aqueles que no Baptismo receberam a
mesma fé católica e depois se apartaram ou se apartarão no futuro da
comunhão da mesma fé DA IGREJA ROMANA, QUE É A ÚNICA CATÓLICA,
são cismáticos e hereges, se permanecerem obstinadamente divididos
da fé desta Igreja romana.”8
Papa Leão XIII, Satis cognitum, #9, 29 de Junho de 1896:
“A prática da Igreja tem sido sempre a mesma, apoiada pelo juízo
unânime dos Santos Padres, que sempre consideraram como excluídos
da comunhão católica E FORA DA IGREJA QUALQUER UM QUE SE DESVIE,
NO MENOR GRAU QUE SEJA, DE QUALQUER PONTO DE DOUTRINA
PROPOSTA PELO SEU MAGISTÉRIO AUTÊNTICO.”9
Como podemos ver, quando os hereges abandonam a Igreja Católica,
eles não rompem a Sua catolicidade ou universalidade. Eles
simplesmente abandonam a Igreja Católica. Mas isto não é assim de
acordo com o Decreto sobre o Ecumenismo do Vaticano II:
Michael J. Daley, “Os 16 Documentos do Concílio,” St. Anthony
Messenger, Novembro de 2005, pág. 15: “O decreto sobre o ecumenismo
(Unitatis Redintegratio) deseja o restabelecimento da unidade entre
todos os cristãos e não simplesmente um regresso a Roma. Admite que
ambas as partes têm culpa nas divisões históricas e estabelece as
directrizes para as actividades ecuménicas.”10
Segundo este comentarista, o Vaticano II ensina que os protestantes e
cismáticos não tiveram culpa de terem abandonado a Igreja Católica;
que ambas partes foram culpáveis. Terá havido por parte de Daley algum
lapso na compreensão do Vaticano II? Não, de facto, o Vaticano II ensina
precisamente isso nesta surpreendente declaração:
Vaticano II, Unitatis Redintegratio, #3: “Aqueles, porém, que agora
nascem em tais comunidades e são instruídos na fé de Cristo, não podem
ser acusados do pecado da separação, e a Igreja católica os abraça com
fraterna reverência e amor.”
Esta declaração deve ser considerada cuidadosamente para que se
perceba o impacto total de sua malícia. Sem ter dado qualquer
clarificação ou qualificação, o Vaticano II emitiu uma declaração geral e
perdoa do pecado de separação (i.e. a heresia e o cisma) a todos os que,
tendo nascido e crescido nas comunidades protestantes e cismáticas,
“são instruídos na fé de Cristo.” Isto é incrivelmente herético. Isto
significa que não se pode acusar qualquer protestante de ser um herege,
não importa o quão anticatólico seja, se este tiver nascido em tal
seita! Isto contradiz directamente a doutrina católica, como já vimos
(e.g. Leão XIII). Todo aquele que rejeita um dogma que seja da fé católica
é um herege e culpado de sua própria separação da verdadeira Igreja.
Avancemos; chegamos ao #3 do Decreto sobre o Ecumenismo do
Vaticano II:
Vaticano II, Unitatis Redintegratio, #3:
“Ademais, dentre os elementos ou bens com que, tomados em conjunto,
a própria Igreja é edificada e vivificada, alguns e até muitos e muito
importantes podem existir fora do âmbito da Igreja católica: a palavra de
Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade e outros dons
interiores do Espírito Santo e elementos visíveis.”11
Aqui no #3 do Decreto sobre o Ecumenismo, encontramos mais heresia.
Este afirma abertamente que “a vida da graça” (a graça santificante/a
justificação) existe fora do âmbito visível da Igreja Católica. Isto é
directamente contrário ao ensinamento solene do Papa Bonifácio VIII,
na bula Unam Sanctam.
Papa Bonifácio VIII, Unam Sanctam, 18 de Novembro de 1302:
“Por imposição de fé, estamos obrigados a crer e manter que há uma só
e santa Igreja Católica e Apostólica, e nós simples e firmemente cremos e
confessamos esta Igreja, fora da qual não há salvação nem remissão dos
pecados, o Esposo no Cântico proclamando: ‘Uma só é a minha pomba, a
minha perfeita…’”12
O Vaticano II rejeitou o dogma de que não há remissão dos pecados fora
da Igreja Católica, ao afirmar que uma pessoa pode possuir a vida da
graça (que inclui a remissão dos pecados) fora da Igreja Católica. E há
mais heresia na mesma secção do Decreto sobre o Ecumenismo. O
Vaticano II afirma abertamente que essas comunidades que descreveu
são meios de salvação.
Vaticano II, Unitatis Redintegratio, #3:
“Por isso, as Igrejas e Comunidades separadas, embora creiamos que
tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de
significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa
servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria
plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica.”13
Papa São Pio X, Editae saepe, #29, 26 de Maio de 1910:
“Somente a Igreja possui, junto com seu magistério, o poder de governar
e santificar a sociedade humana. Através de seus ministros e servos
(cada um no seu próprio cargo e posição), ela confere sobre a
humanidade os meios apropriados e necessários de salvação.”14
Papa Eugénio IV, Concílio de Florença, Cantate Domino, 1441, ex
cathedra:
“A Santa Igreja Romana crê firmemente, professa e prega que nenhum
dos que estão fora da Igreja Católica, não só pagãos como também
judeus, heréticos e cismáticos, poderá participar na vida eterna; mas que
irão para o fogo eterno que foi preparado para o demónio e os seus
anjos, a não ser que a Ela se unam antes de morrer…”15
No seu Decreto sobre o Ecumenismo, o Vaticano II também ensina que
não-católicos dão testemunho de Cristo ao derramarem o seu sangue. O
seguinte parágrafo implica que há santos e mártires nas Igrejas não-
católicas, o que é heresia.
Vaticano II, Unitatis Redintegratio, #4:
“Por outro lado, é mister que os católicos reconheçam com alegria e
estimem os bens verdadeiramente cristãos, oriundos de um património
comum, que se encontram nos irmãos de nós separados. É digno e
salutar reconhecer as riquezas de Cristo e as obras de virtude na vida de
outros que dão testemunho de Cristo, às vezes até à efusão do
sangue.”16
Baseando-se nesta doutrina, João Paulo II amplia e repete esta heresia
várias vezes.
João Paulo II, Ut Unum Sint, #1, 25 de Maio de 1995:
“O testemunho corajoso de tantos mártires do nosso século, incluindo
também membros de outras Igrejas e Comunidades eclesiais que não
estão em plena comunhão com a Igreja Católica, dá nova força ao apelo
conciliar, lembrando-nos a obrigação de acolher e pôr em prática a sua
exortação.”17
João Paulo II, Ut Unum Sint, #84, 25 de Maio de 1995:
“Embora de modo invisível, a comunhão ainda não plena das nossas
comunidades está, na verdade, solidamente cimentada na plena
comunhão dos santos, isto é, daqueles que, no termo de uma existência
fiel à graça, estão na comunhão de Cristo glorioso. Estes santos provêm
de todas as Igrejas e Comunidades eclesiais, que lhes abriram a entrada
na comunhão da salvação.”18
A Igreja Católica ensina dogmaticamente que fora da Igreja não há
mártires cristãos.
Papa Pelágio II, Epístola (2), Dilectionis vestrae, 585:
“Aqueles que não estiveram dispostos a estar de acordo na Igreja de
Deus, não podem manter-se com Deus; apesar de entregues às chamas e
fogos, eles queimarem, ou, atirados às bestas selvagens, darem as suas
vidas, não haverá para eles aquela coroa da fé, mas a punição da
infidelidade, não um resultado glorioso (de virtude religiosa), mas a
ruína do desespero. Tal pessoa pode ser morta mas não pode ser
coroada…”19
Papa Eugénio IV, Concílio de Florença, Cantate Domino, sessão 11, 4 de
Fevereiro de 1442:
“E que ninguém, por mais esmolas que dê, ainda que derrame seu
sangue pelo Nome de Cristo, pode salvar-se se não permanecer no seio e
na unidade da Igreja Católica.”20
No seu Decreto sobre o Ecumenismo, o Vaticano II também ensina que
nas seitas orientais heréticas e cismáticas “a Igreja de Deus é edificada.”
Vaticano II, Unitatis Redintegratio, #’s 13–15:
“Temos diante dos olhos as duas principais categorias de cisões que
ferem a túnica inconsútil de Cristo. As primeiras divisões sobrevieram no
Oriente, já por contestação das fórmulas dogmáticas dos Concílios de
Éfeso e Calcedónia, já em tempo posterior, pela ruptura da comunhão
eclesiástica entre os Patriarcados orientais e a Sé Romana. (…) Também
é conhecido de todos com quanto amor os cristãos-orientais realizam as
cerimónias litúrgicas… Por isso, pela celebração da Eucaristia do Senhor,
em cada uma dessas Igrejas, a Igreja de Deus é edificada e cresce, e pela
concelebração se manifesta a comunhão entre elas.”21
A Igreja Católica ensina que os hereges são as portas do Inferno.
Papa Vigílio, Segundo Concílio de Constantinopla, 553:
“Com estes assuntos já exaustivamente tratados, nós temos em mente o
que foi prometido acerca da Santa Igreja e d‘Aquele que disse ‘as portas
do inferno não prevalecerão contra ela’ (entendemos isto como sendo as
línguas mortíferas dos hereges).… pelo que consideramos estar na
companhia do Diabo, o pai da mentira, as línguas incontroladas dos
hereges e seus escritos heréticos, junto com os próprios hereges que
persistiram em sua heresia até a morte.”22
Papa São Leão IX, In terra pax hominibus, 2 de Setembro de 1053, ao
“Pai” da Ortodoxia Oriental, Miguel Cerulário, cap. 7: “A Santa Igreja
edificada sobre uma pedra, isto é, sobre Cristo, e sobre Pedro ou Cefas, o
filho de Jonas, que antes se chamava Simão, porque de modo algum será
vencida pelas portas do Inferno, ou seja, pelas disputas dos hereges, que
seduzem os vãos para a sua ruína.”23
Outra heresia que ocupa um lugar de destaque no Decreto sobre o
Ecumenismo do Vaticano II é a constante expressão de reverência pelos
membros das religiões não-católicas.
Vaticano II, Unitatis Redintegratio, #3:
“Comunidades não pequenas separaram-se da plena comunhão da Igreja
católica, algumas vezes não sem culpa dos homens dum e doutro
lado. Aqueles, porém, que agora nascem em tais comunidades e são
instruídos na fé de Cristo, não podem ser acusados do pecado da
separação, e a Igreja católica os abraça com fraterna reverência e
amor.”24
A Igreja Católica não mostra reverência àqueles que negam o seu
ensinamento. A Igreja trabalha e espera pela sua conversão, mas
denuncia e anatematiza como heréticos os membros das seitas que
rejeitam a doutrina católica:
Papa Inocêncio III, Quarto Concílio de Latrão, 1215, Constituição 3, Sobre
os Hereges:
“Excomungamos e anatematizamos todas as heresias que se oponham a
esta fé santa, ortodoxa e católica que expusemos
anteriormente. Condenamos todos os hereges, sejam quais forem os
nomes que possam se intitular. Em verdade, as suas faces podem ser
diversas, mas pelas suas próprias caldas estão enlaçados na medida em
que se assemelham no seu orgulho.”25
Papa Pelágio II, Epístola 1, Quod ad dilectionem, 585:
“No entanto, se alguém sugerir, ou crer, ou presumir ensinar algo
contrário a esta fé, que saiba que está condenado e
anatematizado segundo a sentença desses mesmos Padres.”26
Primeiro Concílio de Constantinopla, 381, Cân. 1:
“… anatematizar toda heresia, e em particular a dos eunomianos ou
anomeanos, a dos arianos ou eudoxianos, a dos semiarianos ou
pneumatómacos, a dos sabelianos, a dos marcelianos, a dos fotinianos e
a dos apolinaristas.”27
O Decreto sobre o Ecumenismo do Vaticano II também ensina que em
questões teológicas devemos tratar os não-católicos em pé de igualdade.
Vaticano II, Unitatis Redintegratio, #9:
“É preciso conhecer a mente dos irmãos separados… Muito ajudam para
isso as reuniões de ambas as partes para tratar principalmente de
questões teológicas, onde cada parte dever agir de igual para igual,
contanto que aqueles que, sob a vigilância dos superiores, nelas tomam
parte, sejam verdadeiramente peritos.”28
Por favor, note como o texto do Decreto sobre o Ecumenismo do
Vaticano II está condenado pelo Papa Pio XI em sua encíclica Mortalium
animos contra o ecumenismo. O Vaticano II recomenda que nos
relacionemos com os hereges de igual para igual, enquanto que o Papa
Pio XI adverte que os hereges estão dispostos a “tratar” com a Igreja de
Roma, mas só como “de iguais com um igual”! Quando se lê a incrível
especificidade com a qual o Vaticano II contradisse a doutrina passada
do Magistério, uma pessoa pode apenas perguntar: terá sido Satanás em
pessoa quem escreveu os documentos do Vaticano II?
Papa Pio XI, Mortalium animos, #7, 6 de Janeiro de 1928, falando dos
hereges:
“Afirmam eles que tratariam de bom grado com a Igreja Romana, mas
com igualdade de direitos, isto é, iguais com um igual.”29
Notas:
1 Decrees of the Ecumenical Councils, 1990, vol. 2, pág. 908.
2
3
4 The Papal Encyclicals, por Claudia Carlen, Raleigh: The Pierian Press,
1990, vol. 2 (1878–1903), pág. 393.
5 Renee M. Lareau, “Vatican II for Gen-Xers,” St. Anthony Messenger,
Novembro de 2005, pág. 25.
6 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 912.;
7 “Cardeal” Ratzinger, Dominus Iesus #17, aprovado por João Paulo II, 6
de Agosto de 2000.
8 Denzinger 570a.
9 The Papal Encyclicals, vol. 2 (1878–1903), pág. 393.
10 Michael J. Daley, “Os 16 Documentos do Concílio” St. Anthony
Messenger, Nov. 2005, pág. 15.
11 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 910.
12 Denzinger 468.
13 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 910.
14 The Papal Encyclicals, vol. 3 (1903–1939), pp. 121–122.
15 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 1, pág. 578; Denzinger 714.
16 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 912.
17 The Encyclicals of John Paul II, Huntington, IN: Our Sunday Visitor
Publishing Division, 1996, pág. 914.
18 The Encyclicals of John Paul II, pág. 965.
19 Denzinger 247.
20 Denzinger 714.
21 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pp. 915–916.
22 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 1, pág. 113.
23 Denzinger 351.
24
25 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 1, pág. 233.
26 Denzinger 246.
27 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 1, pág. 31.
28 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 914.
29 The Papal Encyclicals, vol. 3 (1903–1939), pág. 315.
Lumen Gentium — A Constituição “Dogmática” sobre a Igreja
Lumen Gentium, a constituição do Vaticano II sobre a Igreja, tornou-se
famosa (ou melhor, célebre) devido ao seu ensinamento herético acerca
da colegialidade. Esta é a ideia de que os bispos, tomados como um
todo, também possuem a suprema autoridade na Igreja.
Vaticano II, Lumen Gentium, #24:
“A Ordem dos Bispos, que sucede ao colégio dos Apóstolos no
magistério e no governo pastoral, e, mais ainda, na qual o corpo
apostólico se continua perpetuamente, é também juntamente com o
Romano Pontífice, sua cabeça, e nunca sem a cabeça, sujeito do
supremo e pleno poder sobre toda a Igreja…”1
Podemos ver que Lumen Gentium ensina explicitamente, que o colégio
de bispos possui poder supremo e completo sobre a Igreja universal. Se
isto fosse verdade, significaria que Cristo não instituiu uma só cabeça na
Igreja Católica na pessoa de São Pedro, mas duas cabeças supremas, o
Colégio dos Bispos e Pedro, o que faria da Igreja um monstro de duas
cabeças.
Papa Bonifácio VIII, Unam Sanctam, 18 de Novembro de 1302:
“A Igreja, pois, que é uma e única, tem um só corpo, uma só cabeça, não
duas como um monstro…”2
Só o papa possui a autoridade suprema na Igreja. Os bispos não.
Papa Leão XIII, Satis cognitum, #14, 29 de Junho de 1896:
“Pois Aquele que fez de Pedro o fundamento da Igreja, também
‘escolheu dentre eles doze que chamou apóstolos’ (Lucas 6:13). Assim,
do mesmo modo que a autoridade de Pedro é necessariamente
permanente e perpétua no pontificado romano, também os bispos, em
sua qualidade de sucessores dos apóstolos, são os herdeiros do poder
ordinário dos apóstolos, de tal sorte que a ordem episcopal forma
necessariamente parte da constituição essencial da Igreja. E mesmo que
a autoridade dos bispos não seja nem plena, nem universal, nem
soberana, não devem ser tomados como vigários dos Pontífices
romanos, pois possuem uma autoridade que lhes é própria, e em toda
verdade recebem o nome de prelados ordinários dos povos que
governam.”3
Papa Leão XIII, Satis cognitum, #15: “O poder do Pontífice Romano é
supremo, universal, e peculiar a si mesmo; o [poder] dos bispos é
circunscrito por limites definidos e não é plenamente independente.”4
O Vaticano II ensina que os católicos adoram o mesmo Deus que os
muçulmanos
Para além da heresia da colegialidade, há outras em Lumen Gentium que
não podem ser menosprezadas. A mais marcante delas é talvez
encontrada em Lumen Gentium #16:
Vaticano II, Lumen Gentium, #16:
“Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que
reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar OS
MUÇULMANOS, que professam seguir a fé de Abraão, e CONNOSCO
ADORAM O DEUS ÚNICO E MISERICORDIOSO, QUE HÁ-DE JULGAR OS
HOMENS NO ÚLTIMO DIA.”5
Isto é uma blasfémia espantosa! Os católicos adoram a Jesus Cristo e à
Santíssima Trindade; os muçulmanos não!
Até uma criança é capaz de perceber que não temos o mesmo Deus.
Papa Gregório XVI, Summo iugiter studio, #6, 27 de Maio de 1832:
“Logo, eles devem instruí-los no verdadeiro culto a Deus, o qual é
exclusivo à religião Católica.”6
Papa São Gregório Magno: “A santa Igreja universal ensina que não é
possível cultuar a Deus verdadeiramente senão nela…”7
Alguns tentam defender esta horrível heresia do Vaticano II afirmando
que os muçulmanos reconhecem e adoram um único deus todo-
poderoso. Eles argumentam que: “Há um só Deus; e visto que os
muçulmanos adoram um único Deus todo-poderoso ― e não muitas
divindades, como os politeístas ― eles adoram o mesmo Deus todo-
poderoso que os católicos.”
Se fosse verdade que os muçulmanos adoram o mesmo Deus que os
católicos porque eles adoram um único deus todo-poderoso, então todo
aquele que professe adorar o único Deus todo-poderoso, adora o único
verdadeiro Deus juntamente com os católicos. Não há como dar a volta a
isto. Isto significaria que aqueles que adoram Lúcifer como o único
verdadeiro Deus todo-poderoso, adoram o mesmo Deus que os
católicos! Mas isto é um completo absurdo. Isto basta para demonstrar a
qualquer um que a doutrina do Vaticano II é herética. Os que rejeitam a
Santíssima Trindade não adoram o mesmo Deus que os que adoram a
Santíssima Trindade!
É claramente uma negação da Santíssima Trindade afirmar que os
muçulmanos cultuam a Deus sem cultuar a Trindade. Em segundo lugar
― e até pior se considerada atentamente ― é a fantástica afirmação de
que os muçulmanos cultuam o Deus único e misericordioso que irá julgar
a humanidade no último dia! Isto é uma heresia incrível. Os muçulmanos
não cultuam Jesus Cristo, que é e será o supremo juiz da humanidade no
último dia. Logo, eles não cultuam o Deus que irá julgar a humanidade
no último dia! Dizer que os muçulmanos cultuam o Deus que irá julgar a
humanidade no último dia, como o faz o Vaticano II em Lumen
Gentium #16, é negar completamente que Jesus Cristo irá julgar a
humanidade no último dia.
Papa São Dâmaso, Concílio de Roma, cânon 15:
“Se alguém negar que ELE (JESUS CRISTO)… VIRÁ PARA JULGAR OS VIVOS
E OS MORTOS, É UM HEREGE.”8
Além desta assombrosa heresia, em Lumen Gentium #16 encontramos
também outra heresia proeminente.
O Vaticano II ensina que se pode ser ateu sem culpa própria
Vaticano II, Lumen Gentium, #16:
“Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação
àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito
de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida
recta.”9
O Vaticano II ensina aqui que há algumas pessoas que, SEM CULPA
PRÓPRIA, não chegaram ainda a um conhecimento explícito de Deus. Por
outras palavras, há pessoas que, sem culpa própria, não crêem em Deus
(isto é, são ateus). Isto é heresia. Na Sagrada Escritura é ensinado
infalivelmente que toda pessoa que chega à idade da razão pode, com
certidão, chegar ao conhecimento da existência de Deus. Este obtém-se
das coisas que foram criadas: as árvores, a erva, o Sol, a Lua, as estrelas,
etc. Todo aquele que é ateu (que crê que Deus não existe), não tem
desculpa. A lei natural o condena. Esta é uma verdade revelada na
Sagrada Escritura.
Romanos 1:19–21: “Porque o que se pode conhecer de Deus lhes é
manifesto a eles; porque Deus lho manifestou. Porque as coisas d’Ele,
invisíveis, se vêm depois da criação do mundo, consideradas pelas obras
que foram feitas, ainda a Sua virtude sempiterna e a Sua divindade; DE
MODO QUE SÃO INESCUSÁVEIS. Porquanto, depois de terem conhecido
Deus, não o glorificaram como a Deus, ou deram graças; antes se
desvaneceram nos seus pensamentos, e se obscureceu o seu coração
insensato.”
São Paulo ensina que os ateus são inescusáveis porque a Criação de Deus
prova a Sua existência. O Vaticano II, pelo contrário, ensina que os ateus
podem ser escusados. Isto leva-nos fazer a pergunta: “Qual foi a Bíblia
que o Vaticano II utilizou?” Deve ter sido a edição satânica revisada. A
declaração do Vaticano II sobre os que não reconhecem a Deus não só é
condenada por São Paulo, mas também pelo Concílio Vaticano I. O
Vaticano I definiu dogmaticamente o princípio estabelecido em
Romanos 1 — o que contradiz directamente a doutrina do Vaticano II.
Papa Pio IX, Primeiro Concílio do Vaticano, Sessão 3, Sobre a Revelação,
Cân. 1:
“Se alguém tenha dito que o único verdadeiro Deus, nosso Criador e
Senhor, não pode ser conhecido com certeza a partir das coisas que
foram criadas, pela luz natural da razão: seja anátema.”10
Papa Pio IX, Primeiro Concílio do Vaticano, Sessão 3, Sobre a Criação,
Cân. 1:
“Se alguém negar o único Deus verdadeiro, Criador e Senhor das coisas
visíveis e invisíveis: seja anátema.”11
Estes anátemas atingem directamente o Vaticano II devido aos seus
ensinamentos citados anteriormente.
O Vaticano II ensina que a Igreja está unida àqueles que não aceitam a fé
ou o papado
Em Lumen Gentium #15, o Vaticano II ensina heresia ao pronunciar-se
acerca daqueles que estão unidos à Igreja. Se tivéssemos que resumir as
características da unidade da Igreja Católica, teríamos de dizer que os
que estão unidos à Igreja são os baptizados que aceitam a fé católica na
sua integridade e permanecem sob o factor de unificação do papado.
Dito de outra maneira: as pessoas que certamente não estão em união
com a Igreja Católica são os que não aceitam a fé católica na sua
integridade ou o papado. Mas o Vaticano II enumera os dois critérios de
unidade e ensina precisamente o oposto!
Vaticano II, Lumen Gentium, #15:
“A Igreja vê-se ainda unida, por muitos títulos, com os baptizados que
têm o nome de cristãos, embora não professem integralmente a fé ou
não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro.”12
O Vaticano II diz que a Igreja está unida com aqueles que não aceitam a
fé e o papado. Isto é totalmente herético. É o oposto daquilo que é
ensinado pela Igreja. Como veremos a seguir, é um dogma que aqueles
que não aceitam o papado, ou que rejeitem algum ponto de fé, não
estão em união com a Igreja Católica.
Papa Pio IX, Amantissimus, #3, 8 de Abril de 1862:
“Há outras provas, quase incontáveis, extraídas dos testemunhos mais
confiáveis que clara e abertamente dão testemunho com grande fé,
exactidão, respeito e obediência que todos os que querem pertencer à
verdadeira e única Igreja de Cristo devem honrar e obedecer a esta Sé
Apostólica e ao Romano Pontífice.”13
Papa Pio VI, Charitas, #32, 13 de Abril de 1791:
“Por último, numa palavra, permaneça junto a Nós. Pois ninguém pode
estar na Igreja de Cristo sem estar unido à sua cabeça visível, fundada na
Sé de Pedro.”14
Papa Leão XIII, Satis cognitum, #9, 29 de Junho de 1896:
“A prática da Igreja tem sido sempre a mesma, apoiada pelo juízo
unânime dos Santos Padres, QUE SEMPRE CONSIDERARAM
COMO EXCLUÍDOS DA COMUNHÃO CATÓLICA E FORA DA IGREJA
QUALQUER UM QUE SE DESVIE, NO MENOR GRAU QUE SEJA, DE
QUALQUER PONTO DE DOUTRINA PROPOSTA PELO SEU MAGISTÉRIO
AUTÊNTICO.”15
O Vaticano II também ensina que os hereges honram a Sagrada Escritura
com verdadeiro zelo religioso.
Vaticano II, Lumen Gentium, #15, falando dos não-católicos:
“Muitos há, com efeito, que têm e prezam a Sagrada Escritura como
norma de fé e de vida, manifestam sincero zelo religioso… são marcados
pelo Baptismo… e recebem mesmo outros sacramentos nas suas
próprias igrejas ou comunidades eclesiásticas.”16
Em contrapartida, a Igreja Católica ensina que os hereges repudiam a
Palavra de Deus transmitida.
Papa Gregório XVI, Inter praecipuas, #2, 8 de Maio de 1844:
“Com efeito, vós sabeis que desde os primeiros séculos chamados
cristãos, o peculiar artifício dos hereges tem sido de, repudiando a
Palavra de Deus transmitida e rejeitando a autoridade da Igreja Católica,
adulterar as Escrituras pelas suas próprias mãos, ou de deturpar a
explicação do significado.”17
Notas:
1 Decrees of the Ecumenical Councils , vol. 2, pág. 866;
2 Denzinger 468.
3 The Papal Encyclicals , vol. 2 (1878–1903), pág. 400.
4 Denzinger 1961.
5 Decrees of the Ecumenical Councils , vol. 2, pág. 861.
6 The Papal Encyclicals , vol. 1 (1740–1878), pág. 231.
7 The Papal Encyclicals , vol. 1 (1740–1878), pág. 230.
8 Denzinger 73.
9 Decrees of the Ecumenical Councils , vol. 2, pág. 861.
10 Denzinger 1806.
11 Denzinger 1801.
12 Decrees of the Ecumenical Councils , vol. 2, pág. 860.
13 The Papal Encyclicals , vol. 1 (1740–1878), pág. 364.
14 The Papal Encyclicals , vol. 1 (1740–1878), pág. 184.
15 The Papal Encyclicals , vol. 2 (1878–1903), pág. 399.
16 Decrees of the Ecumenical Councils , vol. 2, pp. 860–861.
17 Denzinger 1630.
Dignitatis Humanae — Declaração sobre a Liberdade Religiosa
A Declaração sobre a Liberdade Religiosa do Vaticano II é, sem dúvida, o
mais escandaloso de todos os documentos do Vaticano II. Para
compreendermos a razão pela qual a doutrina do Vaticano II sobre a
liberdade religiosa é herética, é indispensável entendermos a doutrina
infalível da Igreja Católica sobre esta matéria.
É um dogma da Igreja Católica que os Estados têm o direito, e aliás o
dever, de impedir os membros de falsas religiões de propagarem e
praticarem publicamente as suas falsas fés. Os Estados devem proceder
desta forma para proteger o bem comum ― o bem das almas ―, que é
ferido pela disseminação pública do mal. É por isso que a Igreja Católica
sempre ensinou que o catolicismo deve ser a única religião do Estado, e
que o Estado deve excluir e proibir a profissão pública e a propagação de
qualquer outra religião.
Vejamos agora as três proposições que foram condenadas pelo Papa Pio
IX em sua autoritária Syllabus de Erros.
Papa Pio IX, Syllabus de Erros, 8 de Dezembro de 1864, #77:
“Nesta nossa época, já não é oportuno que a religião católica seja a
única religião do Estado, em exclusão de qualquer outro
culto.” — Condenado.1
Atenção: a ideia de que a religião católica não deve ser a única religião
do Estado, em exclusão de todas as outras religiões, está condenada. Isto
significa que a religião católica deve ser a única religião do Estado e que
as outras devem ser excluídas do culto, profissão, prática e propagação
públicas. Não obstante, a Igreja Católica não obriga os não-crentes a crer
na fé católica, visto que a crença (por definição) é um acto livre da
vontade.
Papa Leão XIII, Immortale Dei, #36, 1 de Novembro de 1885:
“É, aliás, costume da Igreja velar com o maior cuidado para que ninguém
seja forçado a abraçar a fé católica contra a sua vontade, porquanto,
como observa sabiamente Santo Agostinho, ‘o homem não pode crer
senão querendo.’”2
No entanto, a Igreja ensina que os Estados devem proibir a profissão e a
propagação pública das religiões falsas que conduzem as almas ao
Inferno.
Papa Pio IX, Syllabus de Erros, #78:
“Por isso, em certas regiões de nome católico, tem sido louvavelmente
sancionado por lei que seja permitido aos homens que para lá imigram o
exercício público de qualquer forma de culto próprio.” — Condenado.3
Papa Pio IX, Syllabus de Erros, #55:
“A Igreja deve manter-se separada do Estado, e o Estado da
Igreja.” — Condenado.4
Em Quanta cura, o Papa Pio IX condena também a ideia de que a todo o
homem deve ser garantido o direito civil à liberdade religiosa.
Papa Pio IX, Quanta cura, #3, 8 de Dezembro de 1864: “Partindo desta
ideia totalmente falsa de governo social, eles não temem fomentar A
OPINIÃO ERRÓNEA, assaz perniciosa à Igreja Católica e à salvação das
almas, qualificada de ‘delírio’ por nosso antecessor Gregório XVI, de feliz
memória, DE QUE ‘A LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE CULTO É UM
DIREITO PESSOAL DE CADA HOMEM, QUE DEVE SER LEGALMENTE
PROCLAMADO E AFIRMADO EM QUALQUER SOCIEDADE DEVIDAMENTE
CONSTITUÍDA’…”5
Mas o Vaticano II ensina justamente o contrário:
Vaticano II, Dignitatis Humanae, #2: “Este Concílio Vaticano declara que
a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Esta liberdade
consiste no seguinte: todos os homens devem estar livres de coacção,
quer por parte dos indivíduos, quer dos grupos sociais ou qualquer
autoridade humana; e de tal modo que, em matéria religiosa, ninguém
seja forçado a agir contra a própria consciência, nem impedido de
proceder segundo a mesma, em privado e em público, só ou associado
com outros, dentro dos devidos limites. (…) Este direito da pessoa
humana à liberdade religiosa na ordem jurídica da sociedade deve ser de
tal modo reconhecido que se torne um direito civil.”6
Vaticano II, Dignitatis Humanae, #2:
“Por esta razão, o direito a esta imunidade permanece ainda naqueles
que não satisfazem à obrigação de buscar e aderir à verdade; e, desde
que se guarde a justa ordem pública, o seu exercício não pode ser
impedido.”7
O Vaticano II ensina que a liberdade religiosa deve ser um direito civil, o
que é directamente condenado pelo Papa Pio IX. O Vaticano II disse
inclusivamente que este direito à liberdade religiosa aplica-se tanto à
expressão pública como privada; e que ninguém deve ser impedido de
exprimir ou praticar publicamente a sua religião. A doutrina do Vaticano
II é uma heresia directa contra o ensinamento infalível do Papa Pio IX e
de muitos outros papas. O ensinamento do Vaticano II sobre a liberdade
religiosa poderia literalmente ser adicionado ao sílabo de erros
condenados pelo Papa Pio IX.
Bento XVI admite que a doutrina do Vaticano II sobre a liberdade
religiosa contradiz a doutrina do Syllabus de Erros de Pio IX!
O que é surpreendente é que Bento XVI reconhece o que acabamos de
demonstrar!
Bento XVI, Princípios de Teologia Católica, 1982, pág. 381: “Se é
desejado que se ofereça um diagnóstico do texto [do documento do
Vaticano II, Gaudium et Spes] como um todo, poderíamos dizer que (em
conjunção com os textos sobre a liberdade religiosa e as religiões do
mundo) é uma revisão do Syllabus de Pio IX, uma espécie de contra-
Syllabus… Como resultado, a unilateralidade da posição adoptada pela
Igreja sob Pio IX e Pio X em resposta à situação criada pela nova etapa da
história inaugurada pela Revolução Francesa foi, em grande medida,
corrigida…”8
Bento XVI admite que a doutrina do Vaticano II (à qual ele adere) é
directamente contrária à doutrina do Syllabus de Erros de Pio IX. Por
outras palavras, ele pura e simplesmente admite que a doutrina do
Vaticano II é contrária à doutrina do Magistério da Igreja Católica. Que
outra confirmação poderíamos pedir para provar que a doutrina do
Vaticano II é herética? No seu livro, Bento XVI repete isto vezes sem
conta, chamando a doutrina do Vaticano II de “contra-Syllabus,” e
dizendo que não pode haver um regresso ao Syllabus de Erros!
Bento XVI, Princípios de Teologia Católica, 1982, pág. 385: “Por uma
espécie de necessidade interior, portanto, o optimismo do contra-
Syllabus abriu caminho a um novo clamor muito mais intenso e
dramático que o anterior.”9
Bento XVI, Princípios de Teologia Católica, 1982, pág. 391: “A tarefa não
é, portanto, suprimir o Concílio, mas descobrir o verdadeiro Concílio e
aprofundar a sua verdadeira intenção à luz da experiência actual. Isto
significa que não pode haver um regresso ao Syllabus, o qual pode ter
marcado a primeira etapa na confrontação com o liberalismo e um
recém-nascido marxismo, mas não pode ser a última etapa.”10
A heresia do Vaticano II é talvez expressa de forma mais clara na
seguinte citação:
Vaticano II, Dignitatis Humanae, #3:
“Por este motivo, a autoridade civil, que tem como fim próprio olhar
pelo bem comum temporal, deve, sim, reconhecer e favorecer a vida
religiosa dos cidadãos, mas excede os seus limites quando presume
dirigir ou impedir os actos religiosos.”11
O Vaticano II diz que o Estado excede a sua autoridade se atrever-se a
impedir alguma actividade religiosa. Isto é totalmente herético.
Papa Leão XIII, Libertas, #21–23, 20 de Junho de 1888: “Nem segundo a
justiça, nem segundo a razão o Estado pode ser ateu; ou adoptar uma
linha de acção que viria a dar no ateísmo — nomeadamente, tratar todas
as religiões (como são chamadas) em pé de igualdade e conceder-lhes
indistintamente os mesmos direitos e privilégios. Uma vez, pois, que é
necessário professar uma religião no Estado, deve-se professar a única
que é verdadeira e que é reconhecida sem dificuldade, especialmente
nos Estados católicos, pois os selos da verdade estão, por assim dizer,
nela gravados… O homem tem o direito de prudente e livremente
propagar no Estado aquilo que é verdadeiro e honroso, a fim de que
possa ser do proveito da maior parte possível; mas as opiniões
mentirosas, as quais nenhuma doença do espírito supera, e os vícios que
corrompem o coração e os costumes devem ser diligentemente
reprimidos pela autoridade pública, impedindo assim que se alastrem
para ruína do Estado.”12
Aqui vemos o Papa Leão XIII ― que simplesmente reitera a doutrina
constante de todos os papas ― a ensinar que o Estado não só pode, mas
deve restringir e proibir os direitos e privilégios dos membros das outras
religiões de exercer seus actos religiosos: exactamente o oposto daquilo
que é declarado pelo Vaticano II. Tais actos públicos, opiniões falsas e
fraudulentas doutrinas devem ser reprimidas pela autoridade pública (o
Estado), de acordo com a doutrina da Igreja Católica, de maneira que as
almas não se escandalizem ou sejam por essas seduzidas.
A heresia do Vaticano II sobre esta questão é muito clara, mas há
sempre hereges que fazem questão de tentar defender o indefensável.
Refutação das tentativas de defesa das doutrinas do Vaticano II sobre a
liberdade religiosa
Alguns dos defensores das doutrinas do Vaticano II sobre a liberdade
religiosa argumentam que o Vaticano II simplesmente ensinou que não
se pode obrigar as pessoas a crer.
Patrick Madrid, Pope Fiction, pág. 277: “Tenha em conta que a
Declaração [sobre a liberdade religiosa] não endossa uma total liberdade
para que cada um creia no que quiser, mas sim uma liberdade de não ser
forçado a crer em algo. Por outras palavras, ninguém pode ser obrigado
a submeter-se à fé católica.”13
Como já vimos, isto é completamente falso. O Vaticano II não se limitou
a ensinar que a Igreja Católica não força ou obriga um não-crente a ser
católico. O que o Vaticano II fez foi ensinar que os Estados não têm o
direito de impedir a expressão, propagação e prática públicas das falsas
religiões (porque, segundo o Vaticano II, deve ser reconhecido
universalmente o direito civil à liberdade religiosa). Mais uma
vez, devemos entender a distinção entre duas questões diferentes que
os desonestos defensores do Vaticano II por vezes tentam misturar:
Primeira questão) A Igreja Católica não força ou obriga um não-crente a
crer, uma vez que a fé é livre — certo; Segunda questão) O Estado não
pode reprimir a expressão pública das falsas religiões — é aqui que o
Vaticano II contradiz a Igreja Católica na questão da liberdade religiosa.
A segunda questão é a chave.
Para melhor compreendermos isto, sirvamo-nos de um exemplo: Se um
Estado tivesse, por exemplo, muçulmanos e judeus a realizarem os seus
ofícios religiosos e celebrações num lugar público (ainda que não
estivessem de modo algum a causar distúrbio à paz ou a infringir alguma
propriedade privada, ou a perturbar a ordem pública), o Estado poderia
e deveria (segundo a doutrina católica) reprimir esses ofícios e
celebrações, e enviar os judeus e muçulmanos para a casa (ou os
prender, se a lei estivesse bem estabelecida) visto que escandalizam os
demais e poderiam fazer com que outros se unissem a essas falsas
religiões. O Estado diria-lhes que têm a obrigação de ser católicos
perante Deus e trataria de convertê-los encaminhando-os para
sacerdotes católicos, mas não os obrigaria a converterem-se. Este é um
exemplo da clara distinção entre 1) forçar a alguém a converter-se ao
catolicismo, coisa que a Igreja condena, visto que a crença é livre, e 2) o
direito do Estado de reprimir as actividades das falsas religiões, coisa
que a Igreja ensina.
Papa Pio IX, Syllabus de Erros, #78:
“Logo em certas regiões de nome católico, tem sido louvavelmente
sancionado por lei que seja permitido aos homens que para lá imigram o
exercício público de qualquer forma de culto próprio.” — Condenado.14
Mas o Vaticano II ensina precisamente o contrário. A passagem citada
abaixo é a mais clara heresia do Vaticano II sobre a liberdade
religiosa. Nós citamo-la de novo porque é absolutamente indefensável e
refuta qualquer tentativa de distorção, tal como a distorção de Patrick
Madrid citada previamente.
Vaticano II, Dignitatis Humanae, #3: “Por este motivo, a autoridade civil,
que tem como fim próprio olhar pelo bem comum temporal, deve, sim,
reconhecer e favorecer a vida religiosa dos cidadãos, mas excede os seus
limites quando presume dirigir ou impedir os actos religiosos.”15
Aqui o Vaticano II está a dizer que o Estado excede a sua autoridade se
pretende dirigir ou impedir os actos religiosos. Acabamos de ver acima
que o Syllabus de erros condena a ideia de que o Estado não pode
impedir a actividade das outras religiões. Isto prova que a doutrina do
Vaticano II sobre a liberdade religiosa é claramente falsa e herética, e
que o Vaticano II não ensina meramente que um indivíduo não deve ser
obrigado a converter-se ao catolicismo.
O subterfúgio “Dentro dos Devidos Limites”
Na tentativa de defender por qualquer meio que seja a doutrina herética
do Vaticano II sobre a liberdade religiosa, os defensores do Vaticano II
servem-se de tremendas distorções. Eles citarão a passagem do Vaticano
II abaixo e distorcerão a sua doutrina com a esperança de que a
passagem possa ― sendo assim distorcida ― conformar-se de alguma
maneira à doutrina tradicional contra a liberdade religiosa. Eles afirmam
que o Vaticano II não autorizou uma liberdade incondicional de culto
público, mas que menciona certos “limites.”
Vaticano II, Dignitatis Humanae, #2:
“Este Concílio Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à
liberdade religiosa. Esta liberdade consiste no seguinte: todos os homens
devem estar livres de coacção, quer por parte dos indivíduos, quer dos
grupos sociais ou qualquer autoridade humana; e de tal modo que, em
matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a própria
consciência, nem impedido de proceder segundo a mesma, em privado e
em público, só ou associado com outros, dentro dos devidos limites. (…)
Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa na ordem jurídica da
sociedade deve ser de tal modo reconhecido que se torne um direito
civil.”16
“Vejam,” dizem eles, “o Vaticano II ensina que os Estados podem pôr
limites a esta expressão religiosa; e isto está em conformidade com o
magistério tradicional.” Este é um argumento tão desonesto, tão à
margem do verdadeiro significado do texto, que os católicos deveriam
sentir-se indignados ao ouvi-lo. Na passagem citada acima, ao mesmo
tempo que ensina que ninguém (não importa qual seja a sua religião)
pode ser impedido de expressar publicamente a sua religião, o Vaticano
II simplesmente assegura todas as suas bases certificando-se de que não
acabará por permitir oficialmente a anarquia no Estado.
O Vaticano II teve de adicionar a cláusula “dentro dos devidos limites”
para que não aprovasse oficialmente, por exemplo, que um grupo
religioso bloqueasse o tráfego durante a hora de pico ou que serviços
religiosos fossem celebrados no meio de estradas com muito tráfego. E,
por isso, esse ensina que “ninguém seja forçado a agir contra a própria
consciência… em privado e em público… dentro dos devidos limites.” O
Vaticano II de modo nenhum está a dizer que um Estado católico poderia
restringir o direito de liberdade religiosa aos cidadãos não-católicos; o
Vaticano II continua a ensinar uma heresia inegável sobre a liberdade
religiosa: que a liberdade religiosa deve ser um direito civil e que o
Estado não pode impedir alguém de agir de acordo com a sua própria
consciência em público; o Vaticano II está simplesmente a indicar que a
devida ordem pública não pode ser violada pelas pessoas que exercem
esse direito.
Para provar que este é o sentido ― que, evidentemente, é óbvio para
qualquer um que faça uma avaliação honesta deste assunto ― podemos
simplesmente citar o mesmo #2 da declaração em questão:
Vaticano II, Dignitatis Humanae, #2:
“Por esta razão, o direito a esta imunidade permanece ainda naqueles
que não satisfazem à obrigação de buscar e aderir à verdade; e, desde
que se guarde a justa ordem pública, o seu exercício não pode ser
impedido.”17
Podemos ver que a frase “dentro dos devidos limites” significa
simplesmente “desde que se guarde a justa ordem pública.” Então, de
acordo com o Vaticano II, todo homem tem o direito à liberdade
religiosa, incluindo a expressão e prática pública de sua religião, a qual o
Estado não pode restringir contanto que se guarde a justa ordem
pública. Isto é herético. O ensinamento do Vaticano II não está em
conformidade com a doutrina tradicional, por mais árduo que seja o
empenho dos hereges, tais como o “Pe.” Brian Harrison, que servem-se
desta cláusula de forma desonesta para assim argumentar. O Vaticano II
ensina que o Estado não pode impedir a expressão pública de falsas
religiões, como vemos claramente nesta citação que já discutimos.
Vaticano II, Dignitatis Humanae, #3:
“Por este motivo, a autoridade civil, que tem como fim próprio olhar
pelo bem comum temporal, deve, sim, reconhecer e favorecer a vida
religiosa dos cidadãos, mas excede os seus limites quando presume
dirigir ou impedir os actos religiosos.”18
Não existe absolutamente maneira alguma de defender a indefensável e
herética doutrina do Vaticano II sobre a liberdade religiosa.
Objecção: “A doutrina da Liberdade Religiosa não é um dogma”
Face à evidente contradição entre a doutrina do Vaticano II sobre a
liberdade religiosa e o magistério tradicional, outros defensores da
apostasia pós-Vaticano II insistem em dizer que, apesar da contradição, a
doutrina do Vaticano II não implica heresia porque o ensinamento
tradicional sobre a liberdade religiosa não foi ensinado infalivelmente
como dogma.
Chris Ferrara, Catholic Family News, “Oposição à Campanha
Sedevacantista, Parte II,” Outubro de 2005, pp. 24–25: “A Campanha
[Sedevacantista] afirma que existe uma flagrante contradição entre DH
[o documento do Vaticano II Dignitatis Humanae sobre a liberdade
religiosa] e o ensinamento tradicional: DH afirma um direito natural [sic]
liberdade religiosa nas manifestações públicas das falsas religiões pelos
membros das seitas não-católicas, enquanto que o ensinamento
tradicional condena esta noção… Mas assumamos, a título
argumentativo, que existe uma flagrante contradição entre DH
[Dignitatis Humanae] e o magistério anterior, e que esta contradição é
manifesta, — i.e., não requer explicação para demonstrá-lo. Ainda
assim, a contradição não implicaria uma heresia manifesta enquanto tal,
já que o ensinamento tradicional da Igreja sobre o direito e o dever do
Estado de reprimir as violações externas da religião católica não é um
dogma definido da fé católica, nem tampouco o é a doutrina de que não
existe direito de manifestar publicamente uma falsa religião nos Estados
católicos.”19
Isto é completamente erróneo e fácil de refutar. A ideia ensinada pelo
Vaticano II de que a todo homem deve ser garantido o direito civil da
liberdade religiosa, de modo que lhe fosse assegurado por lei o direito
de praticar e difundir publicamente a sua falsa religião, foi dogmática,
solene e infalivelmente condenada pelo Papa Pio IX na encíclica Quanta
cura. A linguagem empregada por Pio IX é mais que suficiente para
cumprir os requisitos de uma definição dogmática. Por favor, atente-se
especialmente às partes sublinhadas e em negrito.
Papa Pio IX, Quanta cura, #’s 3–6, 8 de Dezembro de 1864, ex cathedra:
“Partindo desta ideia de governo social, absolutamente falsa, eles não
temem fomentar a opinião errónea, assaz perniciosa à Igreja Católica e à
salvação das almas, qualificada de ‘delírio’ por nosso antecessor
Gregório XVI, de feliz memória, DE QUE ‘A LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E
DE CULTO É UM DIREITO PESSOAL DE CADA HOMEM, QUE DEVE SER
LEGALMENTE PROCLAMADO E AFIRMADO EM QUALQUER SOCIEDADE
DEVIDAMENTE CONSTITUÍDA; e que os cidadãos têm direito à plena
liberdade DE MANIFESTAR SUAS IDEIAS COM A MÁXIMA PUBLICIDADE
— SEJA POR PALAVRA, SEJA POR ESCRITO, SEJA POR OUTRO MEIO
QUALQUER — , sem que autoridade civil nem eclesiástica alguma possa
reprimi-la de modo qualquer.’ Ao sustentar afirmação tão temerária,
não pensam nem consideram que com isso pregam a liberdade de
perdição… Portanto, TODAS E CADA UMA DAS PERVERSAS OPINIÕES E
DOUTRINAS DETERMINADAMENTE ESPECIFICADAS NESTA CARTA, COM
NOSSA AUTORIDADE APOSTÓLICA AS REPROVAMOS, PROSCREVEMOS E
CONDENAMOS; E QUEREMOS E MANDAMOS QUE TODAS ELAS SEJAM
TIDAS PELOS FILHOS DA IGREJA COMO REPROVADAS, PROSCRITAS E
CONDENADAS.”20
O Papa Pio IX solenemente condena, reprova e proscreve (isto é, declara
fora da lei) esta perversa opinião por sua autoridade apostólica, e
declara solenemente que todos os filhos da Igreja Católica devem
considerar esta perversa opinião como condenada. Isto é linguagem
solene e infalível do mais alto nível. Não há dúvida que Quanta
cura constitui uma condenação dogmática da ideia de que a liberdade
religiosa deve ser um direito civil garantido a cada homem. A doutrina
do Vaticano II é, portanto, uma heresia directamente em contradição
com a doutrina dogmática infalível sobre a mesma questão.
A doutrina do Vaticano II sobre a liberdade religiosa rejeita toda a
história da cristandade e destrói a sociedade católica
Temos demonstrado que a doutrina do Vaticano II sobre a liberdade
religiosa é herética. Poderiam ser citados muitos outros exemplos para
ilustrar que a doutrina do Vaticano II sobre a liberdade religiosa é falsa,
perversa e anti-católica. Por exemplo, o dogmático Concílio de Viena
ordenou especificamente os líderes dos Estados católicos a controlarem
publicamente (ou seja, reprimirem publicamente) a prática pública do
culto islâmico. O Papa Clemente V recorda ao Estado o seu dever de
proibir a profissão pública das falsas religiões.
Papa Clemente IV, Concílio de Viena, 1311–1312:
“É um insulto ao nome santo e uma desgraça para a fé cristã que em
certas partes do mundo, sob o governo de príncipes cristãos, em que
vivem os sarracenos [isto é, os seguidores do islão, também chamados
muçulmanos], às vezes separadamente, às vezes em união com os
cristãos, os sacerdotes sarracenos, comummente chamados zabazala,
em seus templos ou mesquitas, onde os sarracenos se reúnem para
adorar o infiel Maomé, com veemência invoquem e exaltem o seu nome
a cada dia e em determinadas horas do alto de um lugar… Isto traz
descrédito à nossa fé e causa grande escândalo aos fiéis. Estas práticas
não podem ser toleradas sem que desagrademos à Majestade
Divina. Portanto, com a aprovação do sagrado Concílio, Nós proibimos
estritamente a partir de agora essas práticas em terras
cristãs. Ordenamos aos príncipes católicos, a todos e a cada um… Eles
devem proibir expressamente a invocação pública do sacrílego nome de
Maomé… Aqueles que presumem actuar de outra maneira devem ser
castigados pelos príncipes por sua irreverência, para que os outros
possam sentir-se desalentados a tal atrevimento.”21
Segundo o Vaticano II, esta doutrina do Concílio de Viena está errada.
Foi também um erro, segundo a doutrina do Vaticano II, que a religião
cristã tenha sido declarada a religião do Império Romano por Teodósio
no ano de 392 d.C. e que todos os templos pagãos tenham sido
fechados.22 Isto nos mostra uma vez mais que a doutrina do Vaticano II
sobre a liberdade religiosa é maligna e herética.
A doutrina herética do Vaticano II sobre a liberdade religiosa é
precisamente a razão pela qual, seguindo os passos do Vaticano II, várias
nações abandonaram o catolicismo como base para as suas constituições
em favor do laicismo! As constituições católicas de Espanha e Colômbia
foram de facto suprimidas por uma directiva expressa do Vaticano, e as
leis desses países foram modificadas para permitirem a prática pública
das religiões não-católicas.
Mudanças na constituição católica espanhola resultantes da doutrina do
Vaticano II
O “Fuero de los Españoles,” a lei fundamental do Estado espanhol,
adoptada em 17 de Julho de 1945, autorizava apenas o exercício privado
dos cultos [religiões] não-católicos e proibia todas as actividades de
propagação por parte das falsas religiões.
Artigo 6, 1: “A profissão e prática da religião católica, que é a do Estado
espanhol, gozará de protecção oficial.”
Artigo 6, 2: “… as únicas cerimónias e demais manifestações públicas de
religião permitidas serão as católicas.”
Podemos ver que, em conformidade com a doutrina católica tradicional,
a lei espanhola decretou que as únicas cerimónias e manifestações
públicas de religião seriam as católicas. No entanto, após o Vaticano II, a
“Ley Orgánica del Estado” (10 de Janeiro de 1967) substituiu este
segundo parágrafo do artigo 6 pelo seguinte:
“O Estado assumirá a protecção da liberdade religiosa, que estará sob a
protecção do Poder Judicial responsável de salvaguardar a moral e a
ordem pública.”
Além disso, o preâmbulo da Constituição Espanhola, modificada por esta
mesma “Ley Orgánica del Estado” após o Vaticano II, declara
explicitamente:
“(…) Tendo em conta a modificação introduzida no artigo 6 pela ‘Lei
Orgánica del Estado,’ ratificada por referendo da nação, a fim de adaptar
o seu texto à declaração conciliar sobre a liberdade religiosa promulgada
em 7 de Dezembro de 1965 [pelo Vaticano II], que exige o
reconhecimento explícito deste direito [liberdade religiosa], e ajusta-se,
além disso, ao segundo fundamental Princípio do Movimento, segundo o
qual a doutrina da Igreja deve inspirar as nossas leis…”
Podemos ver que a segunda secção do artigo 6 da Constituição de 1945
foi substituída pela de 1967 precisamente com o fim de harmonizar as
leis de Espanha com a declaração do Vaticano II! Talvez esta modificação
das leis católicas num país católico, que se fez com o fim de ajustar-se à
nova religião do Vaticano II, ilustra melhor que qualquer outra coisa as
forças que aqui estão em jogo. A Espanha deixou de ser uma nação
católica e passou a ser uma nação laica, que confere agora protecção
legal ao divórcio, à sodomia, à pornografia e aos contraceptivos, tudo
isso graças ao Vaticano II.
Papa São Pio X, Vehementer Nos, 11 de Fevereiro de 1906:
“Nós, em virtude da suprema autoridade que por Deus Nos foi conferida,
reprovamos e condenamos a lei promulgada que separa o Estado francês
da Igreja; e isto em virtude das causas que expusemos
anteriormente: por ser altamente injuriosa a Deus, a Quem renega
solenemente, declarando no princípio que a República não reconhece
culto algum religioso.”23
Papa Gregório XVI, Inter praecipuas, #14, 8 de Maio de 1844:
“A experiência mostra que não há meio mais directo de alienar o povo
da fidelidade e obediência aos seus líderes que pela indiferença à
religião, propagada pelas seitas sob o nome de liberdade religiosa.”24
Em sintonia com o seu ensinamento herético acerca da liberdade
religiosa, o Vaticano II ensina a heresia de que todas as religiões devem
ter liberdade de expressão e liberdade de imprensa.
Vaticano II, Dignitatis Humanae, #4:
“Os grupos religiosos têm ainda o direito de não serem impedidos de
ensinar e testemunhar publicamente, por palavra e por escrito a sua
fé.”25
A ideia de que todos têm o direito à liberdade de expressão e de
imprensa foi condenada por inúmeros papas. Iremos citar apenas
Gregório XVI e Leão XIII. Tenha em consideração que o Papa Gregório
XVI chama esta ideia (precisamente a mesma coisa ensinada pelo
Vaticano II) de nociva e “nunca suficientemente condenada.”
Papa Gregório XVI, Mirari vos, #15, 15 de Agosto de 1832:
“Devemos também tratar aqui da liberdade de imprensa, nociva e nunca
suficientemente condenada, que se entende por o direito de trazer-se à
público toda espécie de escritos; liberdade essa que é por muitos
temerariamente desejada e promovida com grande clamor. Horroriza-
Nos, Veneráveis Irmãos, considerar as doutrinas monstruosas, ou
melhor, a extraordinária abundância de erros que nos cercam,
disseminando-se por todas as partes, em inumeráveis livros, folhetos e
artigos que, se insignificantes pela sua extensão, não o são certamente
pela malícia que encerram…”26
Papa Leão XIII, Libertas, #42, 20 de Junho de 1888:
“Destas considerações segue-se, portanto, que de nenhum modo é
permitido pedir, defender ou conceder incondicionalmente a liberdade
de pensamento, de imprensa, de ensino, de religião, como se fossem
outros tantos direitos que a natureza confere ao homem.”27
Papa Leão XIII, Immortale Dei, #34, 1 de Novembro de 1885:
“Assim foi que, na sua Carta Encíclica Mirari vos, de 15 de Agosto de
1832, Gregório XVI, com grande autoridade doutrinal, condenou os
sofismas que se já se iam divulgando desde então — nomeadamente,
que em matéria de religião não deve ser dada preferência alguma; que é
um direito de cada indivíduo formar o seu próprio juízo acerca de
religião; que a consciência de cada homem é o seu único e auto-
suficiente guia; e que é lícito a cada homem publicar seja o que for
daquilo que pensa, e até conspirar contra o Estado.”28
Todos estes ensinamentos católicos contradizem directamente a
doutrina herética do Vaticano II.
Notas:
1 Denzinger 1777.
2 The Papal Encyclicals, vol. 2 (1878–1903), pág. 115.
3 Denzinger 1778.
4 Denzinger 1755.
5 Denzinger 1690.
6 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1002;
7 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1003.
8 Bento XVI, Principles of Catholic Theology, São Francisco, CA: Ignatius
Press, 1982, pág. 381.
9 Bento XVI, Principles of Catholic Theology, pág. 385.
10 Bento XVI, Principles of Catholic Theology, pág. 391.
11 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1004.;
12 The Papal Encyclicals, vol. 2 (1878–1903), pp. 175–176.
13 Patrick Madrid, Pope Fiction, São Diego: Basilica Press, 1999, pág. 277.
14 Denzinger 1778.
15 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1004;
16 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1002
17 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1003;
18 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1004;
19 Chris Ferrara, Catholic Family News, “Opposing the Sedevacantist
Enterprise, Part II,” Oct. 2005, pp. 24–25.
20 Denzinger 1690; 1699.
21 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 1, pág. 380.
22 Fr. John Laux, Church History, pág. 98.
23 Denzinger 1995.
24 The Papal Encyclicals, vol. 1 (1740–1878), pág. 271.
25 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1004;
26 The Papal Encyclicals, vol. 1 (1740–1878), pág. 238.
27 The Papal Encyclicals, vol. 2 (1878–1903), pág. 180.
28 The Papal Encyclicals, vol. 2 (1878–1903), pág. 114.
Nostra Aetate — Decreto sobre as Religiões Não-cristãs
Vaticano II, Nostra Aetate, #3: “A Igreja olha também com estima para
os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente,
misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra, que falou aos
homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de
todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de
bom grado evoca. Embora sem o reconhecerem como Deus, veneram
Jesus como profeta… Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam
culto a Deus, sobretudo com a oração, a esmola e o jejum.”1
Aqui deparamo-nos com o Vaticano II a ensinar que os muçulmanos
adoram o Deus Único, Criador do Céu e da Terra. Isto é similar, mas
ligeiramente diferente, à heresia que já expusemos em Lumen Gentium.
O falso deus dos muçulmanos (que não é a Trindade) não criou o Céu e a
Terra. A Santíssima Trindade criou o Céu e a Terra.
Papa São Leão IX, Congratulamur vehementer, 13 de Abril de 1053:
“Creio firmemente que a Santíssima Trindade, Pai e Filho e Espírito
Santo, é um só Deus omnipotente e que toda a divindade na Trindade é
coessencial e consubstancial, coeterna e co-omnipotente, e de uma só
vontade, poder e majestade; Criador de toda a Criação, de Quem todas
as coisas, por Quem todas as coisas e em Quem todas as coisas (Rom.
11:36), que estão no céu e na terra, visíveis e invisíveis. Creio também
que cada uma das pessoas na Santa Trindade são um só Deus
verdadeiro, pleno e perfeito.”2
Interessante comparação de linguagem entre o Vaticano II e o Concílio
de Florença
Vaticano II, Nostra Aetate, #3: “A Igreja olha também com estima para
os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente,
misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra, que falou aos
homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de
todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de
bom grado evoca. Embora sem o reconhecerem como Deus, veneram
Jesus como profeta… Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam
culto a Deus, sobretudo com a oração, a esmola e o jejum.”
Eugénio IV, Concílio de Florença, 1441, ex cathedra:
“[A Santa Igreja Romana] crê firmemente, professa e prega que nenhum
dos que estão fora da Igreja Católica, não só pagãos como também
judeus, heréticos e cismáticos, poderá participar na vida eterna; mas que
irão para o fogo eterno que foi preparado para o demónio e os seus
anjos, a não ser que a Ela se unam antes de morrer; e que é tão
importante a unicidade do corpo da Igreja que só aos que nela
permanecem lhe aproveitam, para a salvação, os sacramentos da Igreja
e [lhes] dão prémios eternos os jejuns, as esmolas e as demais obras de
piedade e os exercícios do dever cristão. E que ninguém, por mais
esmolas que dê, ainda que derrame seu sangue pelo Nome de Cristo,
pode salvar-se se não permanecer no seio e na unidade da Igreja
Católica.”
Tenha em conta que, enquanto o Concílio de Florença define
dogmaticamente a necessidade da fé católica para a salvação, este dá
ênfase às orações, esmolas e jejuns daqueles que pertencem ao seio da
Igreja. O Concílio declara que obras de piedade, tais como as esmolas,
não trarão benefícios aos que estão fora da Igreja. É interessante que o
Vaticano II, ao elogiar os muçulmanos e sua falsa religião, quase que
utiliza exactamente a mesma linguagem que o Concílio de Florença, mas,
uma vez mais, em sentido contrário: o Vaticano II louva os jejuns, as
esmolas e as orações dos membros de uma falsa religião não-católica.
Nostra Aetate #3 também diz também que a Igreja Católica olha com
estima para os muçulmanos, que procuram submeter-se a Deus de todo
o coração, assim como Abraão submeteu-se. Mas a admiração do
Vaticano II pelos infiéis muçulmanos não é partilhada pela Igreja
Católica. A Igreja deseja a conversão e a felicidade eterna de todos os
muçulmanos; porém, reconhece que o Islão é uma religião falsa e
horrível. Ela não finge que eles submetem-se a Deus. Ela sabe que eles
pertencem a uma falsa religião.
Papa Eugénio IV, Concílio de Basileia, Sessão 19, 7 de Setembro de 1434:
“… há esperança de que muitos da abominável seita de Maomé, irão
converter-se à fé católica.”3
O Papa Bento XIV proíbe estritamente os católicos de sequer darem
nomes muçulmanos aos seus filhos sob pena de condenação.
Papa Bento XIV, Quod provinciale, 1 de Agosto de 1754:
“O Concílio provincial de vossa província de Albânia… decretou da
maneira mais solene no seu terceiro cânon, entre outras matérias, como
sabeis, que não se deve dar nomes turcos ou maometanos aos filhos ou
adultos no Baptismo. (…) Isto não deverá ser difícil para qualquer um de
vós, veneráveis irmãos, pois nenhum dos cismáticos e hereges foram de
tal maneira insensatos para que tomassem o nome de um muçulmano,
e, a não ser que a vossa justiça seja superior à deles, não entrareis no
Reino dos Céus.”4
No começo deste capítulo, tratámos de uma das heresias mais
específicas do Vaticano II, em Nostra Aetate #4, que ensina a heresia de
que os judeus não devem ser considerados como rejeitados por Deus.
Não a repetiremos aqui.
A declaração Nostra Aetate fez questão de relembrar ao mundo o quão
grande o budismo é, e como esta falsa religião leva-nos à suprema
iluminação.
Os budistas reconhecem muitos falsos deuses
Vaticano II, Nostra Aetate, #2:
“No budismo, segundo as suas várias formas, reconhece-se a radical
insuficiência deste mundo mutável, e propõe-se o caminho pelo qual os
homens, com espírito devoto e confiante, possam alcançar o estado de
libertação perfeita ou atingir, pelos próprios esforços ou ajudados do
alto a suprema iluminação.”5
O Vaticano II diz que no budismo “propõe-se o caminho” pelo qual os
homens podem adquirir a suprema iluminação! Isto é apostasia. Esta é
uma das piores heresias do Vaticano II. Veja a seguir como Paulo VI (o
homem que promulgou solenemente o Vaticano II) entende a doutrina
do Vaticano II sobre o budismo.
Paulo VI, Audiência Geral aos budistas japoneses, 5 de Setembro de
1973: “É um grande prazer para nós dar as boas-vindas aos membros da
Viagem dos Budistas Japoneses pela Europa, os honoráveis seguidores
da seita budista Soto-shu. (…) No Concílio Vaticano II, a Igreja Católica
exortou os seus filhos e filhas a estudarem e avaliarem as tradições
religiosas da humanidade para que, ‘através dum diálogo sincero e
paciente, eles aprendam as riquezas que Deus liberalmente outorgou
aos povos’ (Ad Gentes #11)… O budismo é uma das riquezas de Ásia…”6
Baseando-se no Vaticano II (que ele solenemente promulgou), Paulo VI
disse que esta religião falsa e pagã é uma das “riquezas da Ásia”!
O Vaticano II também elogia a falsa religião do hinduísmo pela
inexaurível fecundidade de seus “esforços de penetração filosófica,”
assim como sua vida ascética e profunda meditação.
Vaticano II, Nostra Aetate, #2: “Assim, no hinduísmo, os homens
perscrutam o mistério divino e exprimem-no com a fecundidade
inexaurível dos mitos e os esforços da penetração filosófica, buscando a
libertação das angústias da nossa condição quer por meio de certas
formas de ascetismo, quer por uma profunda meditação, quer,
finalmente, pelo refúgio amoroso e confiante em Deus.”7
Kali, uma das aproximadamente 330.000 divindades veneradas pelos
hindús — uma religião não condenada, mas elogiada em Nostra Aetate
Note como os elogios do Vaticano II à religião falsa do hinduísmo
contradizem especificamente o Papa Leão XIII:
Papa Leão XIII, Ad extremas, #1, 24 de Junho de 1893:
“Nossos pensamentos se dirigem, em primeiro lugar, ao bem-
aventurado Apóstolo Tomás, que é, com razão, chamado o fundador da
pregação do Evangelho aos hindús. Depois temos São Francisco Xavier…
Através de sua perseverança extraordinária, converteu centenas de
milhares de hindús dos mitos e vis superstições dos brâmanes para a
verdadeira religião. Os passos deste homem santo foram seguidos por
numerosos sacerdotes… eles são os continuadores destes nobres
esforços; não obstante, nos vastos cantos da terra, muitos estão todavia
privados da verdade, aprisionados miseravelmente nas trevas da
superstição.”8
Na realidade, duas religiões diferentes
Papa Leão XIII, Ad extremas, #1, 24 de Junho de 1893:“… Através de sua
perseverança extraordinária, converteu centenas de milhares de hindús
dos mitos e vis superstições dos brâmanes para a verdadeira religião. Os
passos deste homem santo foram seguidos por numerosos sacerdotes…
eles são os continuadores destes nobres esforços; não obstante, nos
vastos cantos da terra, muitos estão todavia privados da verdade,
aprisionados miseravelmente nas trevas da superstição.”
Vaticano II, Nostra Aetate, #2: “Assim, no hinduísmo, os homens
perscrutam o mistério divino e exprimem-no com a fecundidade
inexaurível dos mitos e os esforços da penetração filosófica, buscando a
libertação das angústias da nossa condição quer por meio de certas
formas de ascetismo, quer por uma profunda meditação, quer,
finalmente, pelo refúgio amoroso e confiante em Deus.”
No meio de toda esta blasfémia no Vaticano II, nenhuma menção é feita
de que estes infiéis têm de se converter a Cristo; nenhuma oração é
oferecida para que a fé lhes seja concedida; e nenhuma admonição de
que estes idólatras devem ser livrados de sua impiedade e das trevas de
suas superstições. O que vemos são elogios e estima por estas religiões
do Diabo. O que vemos é um inequívoco sincretismo, que trata todas as
religiões como se fossem caminhos que levassem a Deus.
Papa Pio XI, Mortalium animos, #2, 6 Janeiro de 1928:
“… a falsa opinião dos que julgam que quaisquer religiões são, mais ou
menos, boas e louváveis… Erram e estão enganados, portanto, os que
possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião,
eles repudiam-na…”9
Papa Pio IX, Qui pluribus, #15, 9 de Novembro de 1846:
“Tal é o sistema perverso e oposto à luz natural da razão que propõe a
indiferença em matéria de religião. Por meio deste sistema, esses
homens astutos procuram eliminar toda a distinção entre o vício e a
virtude, entre a verdade e o erro, entre a honra e a ignomínia. Eles
alegam que os homens podem alcançar a salvação eterna por meio de
qualquer religião, como se fosse possível haver acordo entre a justiça e a
iniquidade, colaboração entre a luz e as trevas, ou consórcio entre Jesus
Cristo e Belial.”10
Notas:
1 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 969;
2 Denzinger 343.
3 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 1, pág. 479.
4 The Papal Encyclicals, vol. 1 (1740–1878), pp. 49–50.
5 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 969;
6 L’Osservatore Romano, 13 de Setembro de 1973, pág. 8.
7 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 969;
8 The Papal Encyclicals, vol. 2 (1878–1903), pág. 307.
9 The Papal Encyclicals, vol. 3 (1903–1939), pp. 313–314.
10 The Papal Encyclicals, vol. 1 (1740–1878), pág. 280.
Gaudium et Spes — a Constituição sobre a Igreja no Mundo Actual
Gaudium et Spes ensina que Cristo uniu-se a cada homem na Sua
Encarnação
Vaticano II, Gaudium et Spes, #22: “Porque, pela sua encarnação, Ele, o
Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem. Trabalhou com
mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma
vontade humana, amou com um coração humano.”1
Uma das heresias mais características da seita do Vaticano II é a ideia de
que, pela Sua Encarnação, Cristo uniu-se a cada homem. O Vaticano II
fala de uma união de Cristo com cada homem como resultado da própria
Encarnação. João Paulo II tomou a batuta desta heresia e rumou com ela
a toda velocidade até a sua última consequência: a salvação universal.
João Paulo II, Redemptor hominis, #13, 4 de Março de 1979: “Cristo
Senhor indicou esta via sobretudo, quando — como ensina o Concílio —
‘pela sua Encarnação, Ele, o Filho de Deus, se uniu de certo modo a cada
homem’ (Gaudium et Spes, #22).”2
João Paulo II, Redemptor hominis, #13:
“Trata-se de ‘cada’ homem, porque todos e cada um foram
compreendidos no mistério da Redenção, e com todos e cada um Cristo
se uniu, para sempre, através deste mistério.”3
Falaremos mais acerca desta doutrina de João Paulo II na secção que
trata das suas heresias. A ideia de que Deus se tenha unido a cada
homem na Encarnação é falsa e herética. Não há qualquer união de
Cristo com cada homem que resulte da Encarnação.
A finalidade da Igreja Católica é precisamente unir a humanidade à Jesus
Cristo. Isto realiza-se mediante a fé e o Baptismo. Se a união entre toda a
humanidade e Jesus Cristo ocorreu na Encarnação, então a Igreja não
tem valor algum e, na verdade, não tem qualquer razão de ser. O mesmo
teria de ser dito da Crucificação, da Ressurreição, dos sete sacramentos,
etc., os quais, segundo o Vaticano II e João Paulo II, carecem de qualquer
importância na união da humanidade com Jesus Cristo. Neste sistema, a
Crucificação de Cristo, pela qual o mundo foi realmente redimido e lhe
foi oferecida a oportunidade de salvação, torna-se, ao invés, um simples
sinal da união entre Cristo e cada homem que já é existente e que existiu
desde a Encarnação. A Redenção, então, não tem valor salvífico. Torna-
se evidente que, com este sistema, toda a doutrina católica é deitada ao
lixo.
De facto, esta doutrina do Vaticano II, que tem sido repetida e
disseminada em inumeráveis ocasiões por João Paulo II, é, na verdade,
pior que a doutrina herética de Martinho Lutero. Lutero, fosse o herege
que fosse, ao menos cria que, para se estar unido a Cristo, havia de se
ter fé na Cruz de Jesus Cristo. Mas, segundo a doutrina do Vaticano II e
de João Paulo II, a fé na Cruz de Jesus Cristo é supérflua, visto que toda a
humanidade já foi unida a Cristo “para sempre” (João Paulo
II, Redemptor hominis #13). Esperamos que o leitor seja capaz de ver a
incrível malícia que existe por detrás da declaração Gaudium et Spes do
Vaticano II #22.
Citaremos a seguir os dogmas católicos que revelam que a união entre a
humanidade pecadora e Cristo só provém da fé e do Baptismo; o pecado
original não é remitido de outra maneira.
Papa Eugénio IV, Concílio de Florença, Cantate Domino, Sessão 11, 4 de
Fevereiro de 1442:
“A respeito das crianças, uma vez que a presença do perigo de morte é
usual e o único remédio disponível para elas é o sacramento do
Baptismo, pelo qual elas são arrebatadas do domínio do Diabo e
adoptadas como filhos de Deus.”4
Papa Pio XI, Quas primas, #15, 11 de Dezembro de 1925:
“Com efeito, este reino é apresentado no Evangelho como tal, no qual os
homens preparam-se para entrar por meio de penitência; além disso,
eles não podem nele entrar excepto através da fé e do Baptismo, o qual,
embora sendo um rito externo, significa e realiza todavia a regeneração
interior.”5
A união com Cristo também se perde através da separação da comunhão
da Igreja, algo que o Vaticano II não se dá ao trabalho de mencionar.
Papa Leão XIII, Satis cognitum, #5, 29 de Junho de 1896:
“Quem se separa da Igreja une-se a uma esposa adúltera e renuncia às
promessas feitas à Igreja. Quem abandona a Igreja de Cristo não logrará
as recompensas de Cristo.”6
Além da heresia de Gaudium et Spes #22, há uma série de outras dignas
de serem mencionadas.
Gaudium et Spes diz que o controlo de natalidade é virtuoso
Vaticano II, Gaudium et Spes, #51:
“O Concílio não ignora que os esposos, na sua vontade de conduzir
harmonicamente a própria vida conjugal, encontram frequentes
dificuldades em certas circunstâncias da vida actual; que se podem
encontrar em situações em que, pelo menos temporariamente, não lhes
é possível aumentar o número de filhos e em que só dificilmente se
mantêm a fidelidade do amor e a plena comunidade de vida.”7
Vaticano II, Gaudium et Spes, #52:
“Os cientistas, particularmente os especialistas nas ciências biológicas,
médicas, sociais e psicológicas, podem prestar um grande serviço para
bem do matrimónio e da família se, juntando os seus esforços,
procurarem esclarecer mais profundamente as condições que favorecem
a honesta regulação da procriação humana.”8
Vaticano II, Gaudium et Spes, #87:
“Porque, segundo o inalienável direito ao casamento e procriação da
prole, a decisão acerca do número de filhos depende do recto juízo dos
pais e de modo algum se pode entregar ao da autoridade pública…
Sejam também as populações judiciosamente informadas acerca dos
progressos científicos alcançados na investigação dos métodos que
ajudam os esposos na determinação do número de filhos, cuja segurança
esteja bem comprovada e de que conste claramente a legitimidade
moral.”9
Aqui temos o Vaticano II a ensinar que o controlo de natalidade pode ser
virtuoso e que os esposos podem escolher o número de crianças que hão
de nascer. Isto é contrário à lei natural. Deus é o Autor da vida. A
nenhum ser humano é permitido infringir a vontade de Deus de trazer
nova vida ao mundo mediante o controlo de natalidade ou a limitação
de sua família. Controlo de natalidade nunca é permitido,
independentemente de ser realizado com métodos assim-chamados
‘naturais’ ou artificiais. Para mais informações sobre este tema, veja a
secção deste livro que trata sobre o Planeamento Familiar Natural (cap.
42).
Gaudium et Spes põe o homem no lugar de Deus
Prossigamos. Devemos agora abordar a adoração ao homem feita pelo
Vaticano II.
Vaticano II, Gaudium et Spes, #26:
“Simultaneamente, aumenta a consciência da eminente dignidade da
pessoa humana, por ser superior a todas as coisas e os seus direitos e
deveres serem universais e invioláveis.”10
Vaticano II, Gaudium et Spes, #12:
“Tudo quanto existe sobre a terra deve ser ordenado em função do
homem, como seu centro e seu termo: neste ponto existe um acordo
quase geral entre crentes e não-crentes.”11
Isto é uma blasfémia. Se todas as coisas na terra devem ser ordenadas
para o homem como seu centro e termo, isto significa que tudo deve ter
como medida as leis do homem, não as leis de Deus. Isto na verdade
significa que, para todos os efeitos, o homem é Deus e tudo deve ser
ordenado em função dele. O homem foi colocado no lugar de Deus.
No seu documento Gaudium et Spes, o Concílio Vaticano II põe o homem
no lugar de Deus.
Notas:
1 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1082;
2 The Papal Encyclicals, vol. 5 (1958–1981), pág. 255;
3 The Papal Encyclicals, vol. 5 (1958–1981), pág. 255.
4 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 1, pág. 576.
5 Denzinger 2195; The Papal Encyclicals, vol. 3 (1903–1939), pág. 274.
6 The Papal Encyclicals, vol. 2 (1878–1903), pág. 391.
7 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pp. 1103–1104.
8 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1105.
9 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1132.
10 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1085.
11 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 1075.
Sacrosanctum Concilium — a Constituição sobre a Sagrada Liturgia
Sacrosanctum Concilium foi a constituição do Vaticano II sobre a sagrada
liturgia. Esta foi a responsável pelas incríveis mudanças na Missa e nos
sacramentos.
Estas incríveis mudanças são analisadas em maior detalhe na seguinte
secção deste website intitulada “Novos Sacramentos.” Aquilo que foi
começado em Sacrosanctum Concilium, foi finalizado por Paulo VI com a
supressão da Missa latina tradicional, que foi substituída por um serviço
protestante inválido, conhecido como a “Nova Missa” ou Novus Ordo
Missae (a nova ordem da Missa). A “Nova Missa,” por si só, tem sido a
responsável pela saída de milhões de pessoas da Igreja Católica.
Uma “Missa” pós-Vaticano II
Sacrosanctum Concilium e a Revolução nos Ritos dos Sete Sacramentos
Paulo VI também modificou os ritos de todos os sete sacramentos da
Igreja, fazendo graves mudanças e possivelmente invalidando os
sacramentos da Extrema-Unção, da Confirmação e das Sagradas Ordens.
Mas tudo isso começou com a constituição do Vaticano II, Sacrosanctum
Concilium.
As intenções revolucionárias do Vaticano II são claras em Sacrosanctum
Concilium.
Sacrosanctum Concilium, #63b: “A competente autoridade eclesiástica
territorial, a que se refere o art. 22 § 2. desta Constituição, prepare o
mais depressa possível, com base na nova edição do Ritual romano, os
Rituais particulares, adaptados às necessidades de cada uma das regiões,
mesmo quanto à língua.”1
Sacrosanctum Concilium, #66: “Revejam-se tanto o rito simples do
Baptismo de adultos, como o mais solene, tendo em conta a restauração
do catecumenado…”2
Sacrosanctum Concilium, #67: “Reveja-se o rito do Baptismo de crianças
e adapte-se à sua real condição.”3
Sacrosanctum Concilium, #71: “… a Confirmação… reveja-se o rito deste
sacramento…”4
Sacrosanctum Concilium, #72: “Revejam-se o rito e as fórmulas da
Penitência de modo que exprimam com mais clareza a natureza e o
efeito do sacramento.”5
Sacrosanctum Concilium, #76: “Faça-se a revisão do texto e das
cerimónias do rito das Ordenações.”6
Sacrosanctum Concilium, #77: “A fim de indicar mais claramente a graça
do sacramento… reveja-se e enriqueça-se o rito do Matrimónio que vem
no Ritual romano.”7
Sacrosanctum Concilium, #79: “Faça-se uma revisão dos sacramentos,
tendo presente… as necessidades do nosso tempo.”8
Sacrosanctum Concilium, #80: “Reveja-se o rito da consagração das
Virgens, que vem no Pontifical romano.”9
Sacrosanctum Concilium, #82: “Faça-se a revisão do rito de sepultura das
crianças e dê-se-lhe missa própria.”10
Sacrosanctum Concilium, #89d: “ Suprima-se a Hora de Prima.”11
Sacrosanctum Concilium, #93: “Restaurem-se os hinos… na sua forma
original, tirando ou mudando tudo o que tenha ressaibos mitológicos ou
for menos conforme com a piedade cristã.”12
Sacrosanctum Concilium, #107: “Reveja-se o ano litúrgico…”13
Sacrosanctum Concilium, #128: “REVEJAM-SE O MAIS DEPRESSA
POSSÍVEL… os cânones e determinações eclesiásticas atinentes ao
conjunto das coisas externas que se referem ao culto…”14
Sim, o demónio não podia esperar para destruir a preciosa herança
litúrgica da Igreja Católica por meio dos hereges no Vaticano II. O seu
objectivo foi deixar o mínimo possível de tradição restante. E, como
veremos no seguinte documento, isso é exactamente o que fez.
Outra “Missa” pós-Vaticano II
Em Sacrosanctum Concilium #37 e #40.1, o Concílio cai em heresia contra
a doutrina do Papa São Pio X na sua encíclica Pascendi contra os erros do
modernismo.
Sacrosanctum Concilium, #37: “… é desejo da Igreja… respeitar e
procurar desenvolver as qualidades e dotes de espírito das várias raças e
povos… por vezes chega a aceitá-lo na Liturgia, se se harmoniza com o
verdadeiro e autêntico espírito litúrgico.”15
Por favor, tenha em consideração o seguinte: o Vaticano II autoriza a
introdução dos costumes de distintos povos no culto litúrgico.
Sacrosanctum Concilium, #40.1: “Deve a competente autoridade
eclesiástica territorial… considerar com muita prudência e atenção o
que, neste aspecto, das tradições e génio de cada povo, poderá
oportunamente ser aceite na Liturgia. Proponham-se à Sé Apostólica as
adaptações julgadas úteis ou necessárias, para serem introduzidas com o
seu consentimento.”16
Note que, uma vez mais, o Vaticano II está a exortar a incorporação dos
costumes e tradições de povos distintos na liturgia.
O que o Vaticano II ensina acima (e o que tem sido implementado em
toda a Igreja do Vaticano II nas décadas que se seguiram à sua
promulgação) é exactamente o que o Papa São Pio X condenou
solenemente na encíclica Pascendi como culto modernista!
Papa Pio X, Pascendi Dominici Gregis, #26, 8 de Setembro de 1907,
Contra os Erros do Modernismo: “O PRINCIPAL ESTÍMULO DE EVOLUÇÃO
PARA O CULTO, É A NECESSIDADE DE SE ADAPTAR AOS COSTUMES E
TRADIÇÕES DOS POVOS e bem assim de gozar da eficácia de certos
actos, já admitidos pelo uso.”17
A doutrina do Vaticano II foi condenada palavra por palavra pelo Papa
São Pio X em 1907!
Em Sacrosanctum Concilium #34 e #50, o Vaticano II contradisse
novamente, palavra por palavra, uma constituição dogmática da Igreja.
Sacrosanctum Concilium #34:
“Brilhem os ritos pela sua nobre simplicidade, sejam claros na brevidade
e evitem repetições inúteis; devem adaptar-se à capacidade de
compreensão dos fiéis, e não precisar, em geral, de muitas
explicações.”18
Sacrosanctum Concilium #50:
“Que os ritos se simplifiquem, bem respeitados na sua estrutura
essencial; sejam omitidos todos os que, com o andar do tempo, se
duplicaram ou menos utilmente se acrescentaram; restaurem-se, porém,
se parecer oportuno ou necessário… alguns que desapareceram com o
tempo.”19

Podemos ver no quão “simples” se tornou


O Papa Pio VI, em sua constituição dogmática Auctorem fidei, condenou
explicitamente a ideia de que os ritos tradicionais da liturgia da Igreja
devem ser simplificados!
Papa Pio VI, Auctorem fidei, 28 de Agosto de 1794, #33:
“A proposição do Sínodo pela qual este manifesta o desejo de remover
as causas através das quais, em parte, se induziu um esquecimento dos
princípios relacionados com a ordem da liturgia, ‘reduzindo-a (a liturgia)
a uma maior simplicidade de ritos, expressando-a em língua vulgar e
pronunciando-a em voz alta’…” — é temerária, ofensiva aos ouvidos
piedosos, injuriosa à Igreja, favorecedora das injúrias dos hereges contra
ela.20
Sacrosantum Concilium também exorta a fazerem-se alterações no rito
de cada sacramento e, para além disso, incentiva a livre expressão
corporal na liturgia (#30):
Sacrosanctum Concilium, #30:
“Para fomentar a participação activa, promovam-se as aclamações dos
fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos, bem como as
acções, gestos e atitudes corporais.”21
O Vaticano II igualmente incentiva que se faça uma “adaptação
profunda” da liturgia (#40):
Sacrosanctum Concilium, #40:
“Mas como em alguns lugares e circunstâncias é urgente fazer
uma adaptação mais profunda da Liturgia…”22
Estas passagens do Vaticano II podem constituir parte da razão de por
que as igrejas modernas da seita do Vaticano II realizam com frequência
“missas” em que há bandas de polca, guitarras eléctricas, balões,
tambores, cerimónias indígenas, bailarinas em topless e música rock
(consultar a secção “A Revolução Litúrgica”). Também se podem
encontrar “sacerdotes” celebrando “missas” vestidos de qualquer
maneira, desde camisolas de futebol até trajes de palhaço. Sim, as
igrejas da seita do Vaticano II de facto incorporaram o “espírito do
Vaticano II.” No entanto, os verdadeiros católicos que mantiveram a sua
resistência à apostasia do Vaticano II podem animar-se pelo facto de que
o Papa Gregório X, no Segundo Concílio de Lyon, e o Papa Clemente V,
no Concílio de Viena, condenaram autoritariamente tais abominações!
Papa Gregório X, Segundo Concílio de Lyon, 1274, Constituição 25:
“Nas igrejas, portanto, dever-se-há entrar com humildade e devoção; o
comportamento nos seus interiores deve ser calmo, agradável a Deus,
trazendo a paz aos demais, uma fonte não só de instrução mas de
frescura mental… Nas igrejas, as solenidades sagradas devem dominar o
coração e a mente; toda a atenção deve ser orientada à oração.
Portanto, onde é apropriado oferecer desejos celestiais com paz e
tranquilidade, que a ninguém seja permitido provocar rebelião, provocar
estrondo ou usar da violência… Devem ser evitadas as conversas vãs, e
principalmente o baixo calão e a linguagem profana; o falatório deve
cessar em todas as suas formas. Em suma, tudo o que possa perturbar o
culto divino ou ofender os olhos da divina majestade deve ser
absolutamente alheio às igrejas, para que, no lugar onde o perdão pelos
nossos pecados deveria ser pedido, não haja ocasião de pecado nem o
pecado seja cometido… Aqueles porém que desafiem imprudentemente
estas proibições… hão de temer a severidade da vingança divina e da
nossa, até que tenham confessado sua culpa e tenham o firme propósito
de evitar tais condutas no futuro.”23
Papa Clemente V, Concílio de Viena, Decreto #22, 1311–1312:
“Existem alguns, tanto clérigos quanto laicos, especialmente nas vigílias
de certas festas quando deveriam estar na igreja perseverando na
oração, que têm a ousadia de celebrar imodestos bailes nos cemitérios
das igrejas e de, ocasionalmente, cantar baladas e cometer inúmeros
excessos. Disto às vezes segue-se a violação das igrejas e cemitérios, a
conduta vergonhosa e dos mais diversos crimes; e o ofício litúrgico é
deveras perturbado, para a ofensa da divina majestade e o escândalo
dos povos vizinhos.”24
Por último, para que não fique nada por falar, Sacrosanctum
Concilium fez questão de incentivar a incorporação de tradições musicais
pagãs nos actos de culto católicos (#119):
Sacrosanctum conciliun, #119: “Em certas regiões, sobretudo nas
Missões, há povos com tradição musical própria, a qual tem excepcional
importância na sua vida religiosa e social. (…) Por isso, procure-se
cuidadosamente que, na sua formação musical, os missionários fiquem
aptos, na medida do possível, a promover a música tradicional desses
povos nas escolas e nas acções sagradas.”25
Afortunadamente, o Papa Pio XII e o Concílio de Trento já haviam
condenado qualquer introdução de tradições musicais profanas nas
igrejas.
Papa Pio IV, Concílio de Trento, Sessão 22, Decreto sobre o que se deve
observar e evitar na celebração da Missa: “Apartem também das Igrejas
aquelas músicas, onde assim no órgão, como no canto se mistura alguma
cousa impura, e lasciva [sensual]; e do mesmo modo todas as acções
seculares, conversações vãs, e profanas, passeios, estrépitos,
clamores; para que a Casa de Deus pareça, e se possa chamar com
verdade Casa de oração.”26
Papa Pio XII, Musicae sacrae, #42, 25 de Dezembro de 1955: “[Sobre a
música litúrgica] Deve ser santa. Não se pode permitir que o seu
conteúdo reflita coisa alguma de profano, nem que tais coisas sejam
subtilmente inseridas nas melodias nas quais ela se expressa.”27
Haverá alguma dúvida de que o Vaticano II tentou introduzir uma nova
liturgia apóstata para a sua nova Igreja apóstata? O Vaticano II faz cair
sobre si o anátema da Igreja!
Papa Paulo III, Concílio de Trento, Sessão V, Dos Sacramentos
genericamente, Cânon XIII, ex cathedra: “Se alguém disser, que os Ritos
recebidos, e aprovados pela Igreja Católica, e que se costumam usar na
solene administração dos Sacramentos; ou se podem desprezar, ou
omitir sem pecado pelos Ministros, como lhes der na vontade, ou mudar
em outros por qualquer Pastor das Igrejas: seja excomungado.”28
Notas:
1 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 833;
2 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 833.
3 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 833.
4 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 833.
5 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 834.
6 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 834.
7 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 834.
8 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 834.
9 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 835
10 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 835.
11 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 836.
12 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 836.
13 Decrees of the Ecumenical Councils,, vol. 2, pág. 838.
14 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 838.
15 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 828.
16 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 829.
17 The Papal Encyclicals, vol. 3 (1903–1939), pág. 83.
18 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 827.
19 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 831.
20 Denzinger 1533.
21 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 827.
22 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 828.
23 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 1, pág. 328.
24 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 1, pág. 378.
25 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 841.
26 Decrees of the Ecumenical Councils, vol. 2, pág. 737; O Sacrossanto e
Ecuménico Concílio de Trento, Oficina Patriarcal de Francisco Luiz
Ameno, 1751, Tomo II, Pág 113.
27 The Papal Encyclicals, vol. 4 (1939–1958), pp. 283–284.
28 Denzinger 856; O Sacrossanto e Ecuménico Concílio de Trento, Oficina
Patriarcal de Francisco Luiz Ameno, 1751, Tomo I, Pág 179.

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