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Caio Fábio Gonçalves Barros - 2019093892

Estudo Dirigido 2 - Economia Brasileira.

O Plano de Metas e o Milagre Econômico foram dois dos momentos mais


importantes da história da economia brasileira. Apesar de ambos os planos
buscarem o desenvolvimento da economia e da indústria, é interessante perceber o
enfoque dado em cada momento para que isso se concretizasse.
Enquanto o primeiro, estabelecido e executado durante o governo de
Juscelino Kubitschek, se concentrou em fomentar o desenvolvimento econômico
através do crescimento de setores específicos da economia, o segundo aconteceu
em um momento onde buscou-se constituir uma maior solidez monetária, cambial e
creditícia.
Através do investimento em setores específicos, tais como energia,
transporte, indústria de base, alimentação e educação, o Plano de Metas atingiu
resultados expressivos no que tange a integração industrial de todo o país.
Praticamente todo esse investimento estatal em infraestrutura se deu pela expansão
monetária primária promovida pelo BB, entre outras palavras, o BB criou moeda
emprestando ao Tesouro para cobrir o déficit ocasionado pelo plano. É neste ponto
que está a grande diferença e também a grande contribuição do Milagre Econômico
para a economia brasileira, não só naquelas décadas do Século XX, mas até mesmo
hoje.
Preocupado com a “estagflacão” advinda de tal expansão monetária e
experimentada pela economia nacional no período subsequente ao Plano de Metas,
o Governo Militar se ocupou em recuperar o crescimento estruturando o Sistema
Financeiro Nacional. Durante esse período, por exemplo, foi criado o BACEN e a
CMN. A preocupação com a diminuição da inflação (que aconteceu de forma
gradual), a diminuição da pressão dos salários sobre os preços e com a capacidade
de manutenção da poupança, fez com que houvesse uma estruturação tanto das
contas públicas, com a criação de instrumentos como os títulos para financiamento
da dívida, além de uma adequação da arrecadação tributária, quanto do setor
financeiro privado, que passou a ser estimulado a criar ativos de renda fixa e
também a ser uma alternativa de financiamento de longo prazo. Nesse período
também foi estruturado o mercado de capitais. Houve, sim, um crescimento de
setores da indústria propriamente, entretanto, estes se deram muito mais por um
espaço que já existia e não fora ainda explorado por tais setores, que vieram então
"no vácuo" no Plano de Metas. Sendo assim, o Brasil experimentou um período de
crescimento do PIB de 10% a 12% ao ano em média, ocasionado principalmente
pelo fortalecimento de sua estrutura financeira pública e privada.
Desta forma, podemos dizer que o perfil do Plano de Metas foi de
desenvolvimento industrial propriamente, enquanto o Milagre Econômico se deu pela
estruturação financeira para, então, indiretamente, beneficiar a indústria.

Bibliografia utilizada:
ABREU, Marcelo Paiva (Org.). A ordem do progresso: cem anos de
política econômica republicana. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
BAER, Werner. A economia brasileira. São Paulo: Editora Nobel, 2009.

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