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REVISTA MAÇÔNICA
Saudações IIr espalhados ACÁCIA 13
pelo Universo!
(Publicação pela 13ª Região
Somos agraciados com mais Maçônica da GLESP)
uma edição de nossa Revista Acácia
13, e quando eu digo nossa, não estou
me apropriando dos ideais e nem tão Publicação Mensal
pouco desprezando o fato de que ela ANO 2 – Nº 23 – NOVEMBRO 2020
acontece com muito esforço e
dedicação destes IIr responsáveis
Administração
pela pesquisa, produção e edição da
mesma, mas também enalteço os que Wagner Tomás Barba (L376)
compartilham esta ideia, através das Joaquim Domingues Filho (L547)
redes sociais e de suas lojas.

O mês de novembro já está Conselho


em sua segunda quinzena, são oito Omar Téllez (L329)
meses de mudanças radicais no cotidiano de grande parte da população, e
como toda sociedade, já estamos exauridos de explanar sobre todas as Alessandro Zahotei (L605)
consequências negativas e devastadoras que assolaram e continuam Paulo da Costa Caseiro (L512)
assolando nossos vizinhos, amigos e familiares.
Cláudio Sérgio Foltran (L184)
Em uma sociedade que é pautada no reconhecimento, na Paulo Fernando de Souza (L547)
constante busca pela verdade e pelo conhecimento não poderia ser
diferente. Sofremos rupturas, algumas lojas mais do que outras, por todos
Francisco Assis Javarini (L595)
os motivos já elencados em edições anteriores, mas os trabalhos não
podem parar, e não pararam.
Editor, Criador, Jornalista Responsável
Muito se diz sobre uma possível nova onda, ou um tsunami, ou e iniciativa.
ainda um lockdown ainda mais profundo, mas o fato é que temos Wagner Tomás Barba (L376)
obrigações a cumprir, precisamos escolher nossos governantes municipais MTB 67.820/SP
para os próximos quatro anos e esta responsabilidade é nossa, de todos
nós, principalmente daqueles que estudam as virtudes morais e sociais e ATENÇÃO:
combatem os vícios.
Os Artigos assinados são de
Necessitamos de representantes que estejam alinhados com os
responsabilidade de seu autor e não
nossos ideais, que propaguem o bem comum, e o crescimento da refletem, necessariamente, o
sociedade como povo e como nação. Vejo a maçonaria como este farol, pensamento do Editor, Administração
guiando este povo, em cada ação de caridade, em cada trabalho voluntário, ou conselho.
em cada pequena demonstração de força e sabedoria.
Esta Revista está sendo enviada para
É preciso ser forte para resistir às tentações mundanas, e mostrar mais de 2.000 (dois mil) Irmãos e as
para nossa família e sociedade que podemos ser sim honestos e íntegros. propagandas são totalmente gratuitas.
É preciso pedir ao GADU sabedoria para depositar nossa
confiança em um administrador público não só competente, mas que O objetivo desta Revista é integrar os
tenha essa força. Irmãos e levar mais conhecimento
maçônico.
A beleza deste país pode estar longe de ser alcançada, mas ela esta
presente na dedicação de cada Ir que mesmo com todas as dificuldades
nos agraciou com grandes trabalhos em mais uma edição da Revista Acácia REVISTA GRATUITA
13, e espero que os IIr a possam apreciar no conforto de seus lares e PROPAGANDAS GRATUITAS
que Deus proteja seus familiares e ilumine os passos de todos!

Ir Adriano Domingues E-Mail:


Obreiro da ARLS União e Lealdade, 547 revista.acacia13@gmail.com

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Editorial 02
Influência dos Essênios na Maçonaria (CAPA) 04
Ir Omar Téllez
Loja Estrela de Vargem Grande Paulista, 329 – GLESP
Or Vargem Grande Paulista/SP

Revolução Constitucionalista de 1932 13


Ir Rafael Henrique Vieira
Loja Fênix da Luz, 3671 GOSP – Or São Paulo – SP

Aspectos do Decreto nº 47833/20 RJ 38


Ir Guilherme José Pereira
Loja Acácia da Tijuca, 4442 GOB – Or Rio de Janeiro/RJ

É Primavera 42
Ir Osvaldo Novaes
Loja Aquibadan, 52 - Or Salvador/BA

Divulgação 45
Poema e Poesia 47
Relação de Lojas da 13ª Região 48
Mural de Negócios 49
Divulgação Literária 52

ACÁCIA13

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INFLUÊNCIA DOS ESSÊNIOS
NA MAÇONARIA
Ir Omar Téllez (L 329)
Or Vargem Grande Paulista

“Os Essênios rejeitavam completamente o matrimonio, mas


permitiam que alguns casaram-se para preservar a espécie humana. Nesse
quesito procediam com tanta moderação que antes de se casarem,
observavam durante três anos se a pessoa com que iriam-se casar tinha
saúde suficiente para poder criar os filhos. Também quando após o
casamento a mulher engravidava, não dormiam mais com ela durante a
gestação para mostrar que não era a voluptuosidade, mas o desejo de dar
homes ao mundo, que os induziu a casar-se.”
Flavio Josefo – Historiador Judeu

A comunidade dos essênios teria sido fundada por um personagem


misterioso, referido na sua literatura ora como Mestre Perfeito, ora como Mestre Verdadeiro.
Não se sabe quem foi realmente esse personagem singular, mas acredita-se que tenha sido
um sacerdote da tribo de Levi, que revoltado com a corrupção do clero israelita da época,
(início do século II a. C), retirou-se para a clandestinidade, arrastando com ele um vasto
contingente de seguidores, insatisfeitos com os rumos que a religião vinha tomando em Israel.

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O nome "essênio" (grego - essaioi) parece se originar a partir da
denominação Issi'im expressa por outros, não pelo próprio grupo. O termo é derivado
aparentemente a partir da Síria (essaya ou essenoí) e este do aramaico (chasajja ="piedoso").

Viveram os Essênios, 150 anos antes da nossa era, perto de Hebron,


a pequena distância do Mar Morto, e segundo disse Plinio o Grande, “era um povo sem
mulheres, sem amor, sem dinheiro...”. O seu próprio nome foi assunto de controvérsias e a
sua filiação e o recrutamento não são bem conhecidos. Como sinal distintivo, os confrades
traziam uma veste branca, um cinto e uma machadinha. Obrigavam-se por juramento, no dia
de sua admissão, a adorar a Deus, a observar a justiça para com os homes, não fazer juízos
temerários, odiar os injustos e querer os bons.

Conforme Flavio Josefo assegura,


eram recebidos mesmo sendo crianças para prepará-los para
a vida ascética, acrescentando que eram divididos em quatro
classes que ele não cita. Muitas das suas crenças eram
parecidas com as pitagóricas, possuindo esta Fraternidade
misteriosa um ensinamento secreto, que o neófito prometia
não descobrir a ninguém. Os essênios julgavam-se detentores
do verdadeiro conhecimento religioso, aquela sabedoria que
Deus comunicara aos primeiros homens e que desaparecera
da terra após o dilúvio. Flávio Josefo

A ideia que se fazia dos essênios, a partir de informações extraídas


de escritores antigos, como Philo de Alexandria, por exemplo, que já no século I da era cristã
confessava a influência que deles teria recebido, era a de que eles constituíam uma
comunidade de magos, grandes conhecedores de segredos da natureza, detentores de uma
sabedoria muitas vezes milenária, oriunda, talvez, de uma civilização desaparecida.

Por força de tais informações, os essênios sempre foram envolvidos


por uma aura de misticismo e mistério. Porém, com a descoberta dos pergaminhos do Mar
Morto, no que ficou conhecida como a Biblioteca de Nag Hammadi, uma nova luz foi lançada
sobre esse interessante grupo sectário, que sobreviveu por mais de dois séculos em condições
sociais e políticas muito adversas, praticando uma espécie de irmandade que muito os
aproxima do ideal preconizado pelos idealizadores da Maçonaria moderna.

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No início do século II a C., o reino de
Israel fazia parte do chamado mundo helénico. Desde o século IV
a C. a Palestina tinha sido incorporada ao império persa, que por
sua vez, fora conquistado por Alexandre Magno entre 326 e 323 a
C. Após a morte de Alexandre, o seu império foi dividido entre os
seus generais. A parte correspondente à Síria e Palestina ficou com
Antíoco, que estabeleceu a sede do seu governo na Síria. Por volta
do início do século II a C. reinava na Síria um dos seus
descendentes, chamado Antíoco Epífanes. Antíoco Epífanes

O historiador judeu Flávio Josefo (37-100 e. C) dá-nos uma ideia


do ambiente que reinava em Israel naquela época. Naquele tempo, diz o referido historiador,
a casta sacerdotal responsável pela manutenção da pureza da religião de Israel, fundamentada
na lei mosaica, estava profundamente corrompida. Só se preocupava em manter os seus
privilégios, submetendo-se às pressões e influências estrangeiras, esquecendo-se que o maior
dever do sacerdote era a manutenção da tradição e da pureza da relação entre o homem e
Deus.

Os israelitas sempre foram muito ciosos a respeito da sua religião.


Muitos preferiam morrer a adorar ídolos estrangeiros ou violar os preceitos da Torá. Esta
situação, que perdurou durante todo o período da dominação helénica, e se prolongou
durante a ocupação romana, não raramente ensejava motivos para a eclosão de sangrentas
revoltas. Em isso concordavam os “puristas”, os ortodoxos, os cultores da ideia de uma
religião isenta de qualquer influência pagã. Estes “puristas” julgavam ser o culto à deuses
estrangeiros, a maior das ofensas que se podia fazer a Jeová. Entre eles estavam os essênios e
os zelotes.

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Um destes homens “puros” foi, sem dúvida, o chamado Mestre
Verdadeiro, ou Mestre da Retidão, que fundou a comunidade essênia. No início do século II
a C., o sacerdócio era exercido pela família de Matatias, um homem da tribo de Levi, famoso
pelas suas posições de defesa intransigente da lei mosaica. O rei sírio Antíoco Epífanes,
desejando quebrar a resistência israelita, quis implantar em Israel o culto a Zeus Olímpico.
Com esta intenção, invadiu o santuário do Templo de Salomão em Jerusalém, colocando no
altar do Santo dos Santos uma estátua daquele deus. Os israelitas não suportaram a violação
do mais sagrado dos seus locais, e comandados por Judas, o filho mais velho do sacerdote
Matatias, iniciaram a rebelião que ficou conhecida como a Revolta dos Macabeus.

Foi durante a Revolta dos Macabeus que um grupo de israelitas


ortodoxos fugiu de Israel e instalou-se na chamada “Terra de Damasco”. Liderados pelo
chamado Mestre da Retidão (talvez o próprio Matatias, ou ainda um dos filhos), a sua intenção
era praticar a verdadeira religião de Israel, na sua pureza primitiva. Durante todo o período
de dominação helénica, o núcleo de reação judaica concentrou-se em dois grupos: Os
essênios e os zelotes. Quanto aos zelotes, eles permaneceram principalmente no terreno
militar. Foram eles, inclusive, que forneceram os combatentes que, nos anos 67-70 d.C.,
sustentaram uma guerra sem quartel contra as tropas romanas.

Acreditavam que por ocasião da fuga do Egito, Deus teria


transmitido a Moisés a verdadeira sabedoria, que estaria oculta no significado do seu
Verdadeiro Nome, segredos esse que Moisés não revelou no Pentateuco, mas transmitiu
oralmente aos sacerdotes mais antigos da tribo de Levi. Era este segredo que os essênios se
julgavam depositários. Acreditando que a maioria dos ensinamentos bíblicos tinha sido escrito
em código, eles desenvolveram uma interessante forma de interpretação do Livro Sagrado,
que certamente deve ter servido de inspiração para os rabinos que desenvolveram a grande
tradição da Cabala.

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A seita dos essênios era uma verdadeira Fraternidade, com
características de sociedade secreta. Para se tornar membro dela era preciso que o neófito
fosse portador de três atributos básicos: ser israelita, inteligente e disciplinado. Exigia-se do
candidato um juramento para com a Irmandade e para consigo mesmo, no qual ele se
comprometia a submeter-se à disciplina da Ordem, e a perseguir os objetivos pelos quais se
tornara membro dela. Em princípio, o iniciado deveria viver na comunidade durante um ano
antes de tomar-se membro efetivo. Após esse período, ele tornava-se um “numeroso ou
sectário pleno”, ocasião em que deveria juntar os seus bens aos da comunidade.

O objetivo da comunidade era não só preservar a pureza dos


fundamentos da religião israelita, mas principalmente preparar um Messias, um líder que
fosse capaz de libertar o povo de Israel da influência estrangeira e reconstituir depois, o reino
de Deus sobre a terra. Toda a sua organização e o conjunto da sua doutrina eram dirigidos
para este objetivo. Não só o Messias deveria ser preparado, mas, quando o seu reino fosse
instalado, ele iria necessitar de “quadros” para governar. Assim, toda a rígida disciplina da
Fraternidade era orientada também para a produção de “juízes, guerreiros e
administradores”, enfim, todo o “staff’ necessário para a administração da nova sociedade que
seria fundada com a sua vinda.

Na infância, e até os 20 anos, o iniciado era instruído no Livro da


Meditação e nos Preceitos da Aliança; a partir dos 20 anos, passava a viver na Comunidade
dos Irmãos e podia casar-se. A partir dos 25 anos poderia ocupar cargo na Congregação; com
30, ser juiz e liderar grupos. Todo este processo era realizado mediante uma análise de
mérito, onde se avaliava a “inteligência e perfeição de conduta” do iniciado, pois como
previam as Regras da Fraternidade, todos os homens estavam sendo treinados para formar a
elite que governaria o reino que seria instalado pelo Messias.

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Acima de tudo, porém, os membros da seita deviam observar e
estudar a lei mosaica. A lei devia ser cultuada, pois a comunidade era, mais que tudo, “a casa
da lei”. Isto explica também o facto de Jesus, não obstante ser considerado pelos judeus como
um reformador da lei mosaica, sempre concitou os seus discípulos a segui-la. E no conceito
de observação à lei, estava o respeito aos rituais e celebrações estabelecidas pela religião, bem
como os cuidados com a higiene corporal, pois faziam ablações diárias antes de cada refeição.

Para os essênios, a gnose divina que Jeová revelara à Moisés, não


foi exposta nos cinco livros do Pentateuco. Era uma sabedoria secreta que consistia no
conhecimento do Nome Verdadeiro de Deus, na prática do direito justo, e no aprendizado
dos comportamentos necessários para se atingir a perfeição. Para eles, o mal não podia ser
vencido simplesmente pela ação humana. Era necessária a intervenção divina, o que ocorreria
quando o Messias começasse o seu ministério.

Diversos centros comunitários dos essênios se desenvolveram a


partir do século II a C. Algumas tradições referem-se à aldeia de Nazaré, onde Jesus foi criado,
como sendo um centro desta comunidade. Sabe-se que entre eles se desenvolveu também a
prática mística, bastante antiga, aliás, de usar roupas brancas e não cortar os cabelos.
Acreditava-se, com base em antigas tradições, que nos cabelos estava a essência do elo que
liga Deus aos homens. Estes homens consagrados a Deus eram chamados de “nazarenos”.
Sansão é descrito na Bíblia como sendo um desses homens, e Jesus teria sido criado numa
aldeia de “nazarenos”.

Os essênios eram também famosos pelos seus conhecimentos de


medicina. No Egito, a sua comunidade era conhecida como “Os Terapeutas”. Acreditava-se
que possuíam conhecimentos que se assemelhavam a poderes mágicos. Tais conhecimentos
provinham de fontes muito antigas, provenientes talvez, de uma civilização extinta. Eram

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também mestres na escrita criptográfica e no uso do simbolismo para transmitir os seus
conhecimentos. O uso de pseudónimos aparece frequentemente na sua literatura. Títulos
como “Mestre Verdadeiro”, “Mestre da Justiça”, “Sacerdote da Iniquidade”, “Leão da Ira”,
“Tempo da Promessa” etc., eram expressões que mascaravam pessoas e factos, para evitar a
repressão das autoridades seculares.

Não somente os primeiros cristãos devem grande parte da sua


doutrina aos essênios. Também muitas das seitas gnósticas se inspiraram nas suas ideias, as
quais, em maior ou menor parcela, tiveram influência no desenvolvimento da Maçonaria
moderna, principalmente nos chamados graus filosóficos. É fácil perceber, no
desenvolvimento do ensinamento dos graus superiores, a relação que a doutrina professada
por aqueles místicos judeus tem com a Maçonaria, no que respeita o simbolismo utilizado
nos rituais.

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Os Obreiros da Arte Real também acreditam na construção de uma
sociedade justa e igualitária, fundamentada no mérito e no trabalho árduo, aliado à disciplina
e o respeito às tradições. Esta sociedade um dia já existiu e pode ser recuperada. Os essênios
acreditavam nisso, e por isso se julgavam os guardiões dessa sabedoria perdida, que só poderia
ser repassada aos seus iniciados.

A analogia é
evidente. A própria organização do
currículo maçônico guarda certa
identificação com o sistema
adoptado por aqueles ascetas.
Através de um sistema de
ensinamentos morais o catecismo da
Maçonaria forma, simbolicamente,
guerreiros, juízes, sacerdotes e
outros próceres, destinados a
edificar, defender e conservar o que
de melhor existe na cultura da
humanidade. É a mesma ideia de
uma utopia, guardadas as diferenças
de época, cultura e lugar.

Os essênios
acreditavam que eram detentores de
segredos iniciáticos de grande
relevância. Não é que a Maçonaria,
enquanto sociedade formalmente
instituída, seja guardiã de segredos
dessa ordem. Aliás, nem
acreditamos que tais segredos
existam no repertório da cultura humana existente, seja do presente, seja do passado. O que
há são leis naturais que a razão humana ainda não logrou entender e por isso cataloga-as no
conceito de sobrenatural. Entender o processo pelo qual estas leis são formadas e como
atuam, constitui a verdadeira sabedoria.

A fórmula pela qual este conhecimento de nível superior, que


permite ao homem entender esse processo, só pode ser deduzida através de um método que
seja capaz de integrar uma iniciação, uma ritualística e uma prática de vida. Esta foi a
formidável intuição dos essênios e a sua grande realização. Não é suficiente pensar uma
filosofia. E preciso vivê-la para que ela não se torne apenas uma distração mental. As mesmas
verdades que eles intuíram já tinham passado antes pela sensibilidade dos sacerdotes de
Heliópolis, que a desenvolveram no conceito, ao mesmo tempo religioso e sociológico da
Maat, e pelos iniciados nos Mistérios antigos, persas e greco-romanos, que os utilizavam como
forma de educação superior das suas elites.

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E originária dos essênios, como já nos referimos, a ideia de que é
preciso a formação de um Homem Universal, reflexo terrestre do Homem do Céu, perfeito
em conhecimento e obras, pleno de virtude e em harmonia com Deus, pois que ele é o
herdeiro da Nova Aliança. Não é por acaso, portanto, que nos graus superiores da Maçonaria,
correspondentes às Lojas de Perfeição e Lojas Capitulares, encontraremos tantas alusões a
mitos e alegorias de origem judaica, e se insistirá tanto na prática da verdadeira justiça e no
exercício das virtudes que fazem um homem justo e perfeito em todos os sentidos.

E, precisamente, duas das


tradições legadas pelos essênios, e aproveitadas no
simbolismo maçónico, são os simbolismos do
Homem Universal (Adão Kadmon) e o mistério
ligado ao verdadeiro significado do Nome de Deus
(o Tetragrammaton). Na Maçonaria estes
simbolismos são utilizados para desenvolver alguns
ensinamentos dos graus superiores, tanto nas
chamadas Lojas de perfeição, quanto os capítulos
filosóficos. Nós, devemos reconhecer, o legado que
eles deram à Arte Real, os quais foram incorporados
à tradição maçónica através dos aportes que lhe
deram os cultores da Cabala filosófica, entre os
quais, diga-se de passagem, havia muitos judeus.

Outra tradição cultivada na Maçonaria, que tem nos essênios a sua


fonte, é aquela que se relaciona com a Procura da Palavra Perdida. Esta Palavra Perdida não
é outra coisa senão o Verdadeiro Nome de Deus e o seu significado, que os essênios
reverenciavam como sendo o “Segredo dos Segredos”. O reencontro com esta sabedoria
perdida teria o condão de conferir ao seu possuidor a totalidade do conhecimento do
universo e faria dele um ser superior.

Esta crença animou a especulação dos cabalistas durante séculos, e


os maçons a adoptaram como alegoria para simbolizar a aquisição da gnose, que é a meta
última e definitiva dos praticantes da verdadeira Arte Real. Por isso é que a influência desses
antigos irmãos, “Filhos da Luz”, não pode ser desprezada em qualquer estudo que se faça
sobre a cultura maçónica.

Bibliografia. -
- João Anatalino Rodrigues – Revista Freemason
O legado Essênio. Junho 2017
- Grande Dicionário Enciclopédico da Maçonaria
Edit. A Trolha – Nicola Aslan
- https://pt.wikipedia.org/w/index.php?search=&title=Especial%3APesquisar&go=Ir

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REVOLUÇÃO
CONSTITUCIONALISTA
DE 1932
Ir Rafael Henrique Vieira
ARLS Fênix da Luz (3671) GOSP
Or São Paulo/SP

Da Monarquia ao Nascimento da República

Antes de iniciarmos a discorrer sobre o que foi a Revolução


Constitucionalista, é necessário que entendamos este período, desde seu surgimento, raízes e
fatos importantes que desenharam a sua queda, que trataremos em capítulo pertinente.

Portanto, vamos passar brevemente pelos períodos finais da


Monarquia, adentrando a República, até a Revolução Constitucionalista de 32, tema central
deste trabalho.

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Nos anos antecedentes ao fim da Monarquia, Pedro II já se
encontrava cansado, abatido e de certa forma conformado com a queda de sua coroa. Ao seu
lado estava uma geração nova de estadistas, os quais não haviam presenciado o início do seu
reinado, seus enfrentamentos a perigos e vitórias. As elites do momento não mais viam a
necessidade de defender o Império. Pelo próprio sucesso e estabilidade alcançados, a posição
de Dom Pedro II tornara-se desnecessária aos olhos dos novos administradores.

Sem filhos homens vivos, e não vendo em sua filha Isabel


uma herdeira ideal para o trono (apesar de permito pela lei da época), Dom Pedro II aceitava
o fim da monarquia por vir.

Os filhos de Dom Pedro II

Homens
Afonso Pedro de Alcântara e Bragança. 1845 - 1847
Pedro Afonso de Bragança. 1848 – 1850

Mulheres
Leopoldina de Bragança de Bourbon. 1847 – 1871
Isabel Leopoldina. 1846 – 1921

Ilustração 1- Dom Pedro II

Fonte: Site Uol Educação

Com a saúde abalada, Pedro II partiu à Europa em 1887 para


tratamento médico, chegando inclusive a estar entre a vida e a morte e a receber a extrema
unção. Ainda acamado na Europa recebeu a notícia da Abolição da Escravatura no Brasil,
para onde retornou em 1888, onde foi recebido com grande felicidade pelos brasileiros.

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Embora seu pai, Pedro de Alcântara (Dom Pedro Primeiro)
tenha sido iniciado na Maçonaria a 2 de Agosto de 1822, Dom Pedro II nunca chegou a se
filiar à Ordem.

O Império ia bem, e a colheita de café em 1888 se deu com


abundância. Porém o fim da escravidão trouxe aos Senhores do Café uma preferência pelo
republicanismo, pois viram a abolição como um atentado à sua propriedade privada, no caso,
os escravos.

Para amenizar a crise e as chances de uma ação republicana,


Dom Pedro II concedeu honrarias, títulos e empréstimos aos cafeicultores e também reviveu
a enfraquecida Guarda Nacional em 1889.

Militares contrários ao regime e republicanos viram o ato


como uma ameaça e, apesar de não haver apoio da maioria da população, republicanos civis
e oficiais civis iniciaram a organizar a derrubada da Monarquia.

Em 15 de Novembro de 1889, a tomada da Monarquia


aconteceu, e a República Presidencialista proclamada, sendo Dom Pedro II então destituído
do cargo de Imperador do Brasil. Poucas pessoas estavam presentes no ato na cidade do Rio
de Janeiro, Praça da República (antiga Praça da Aclamação).

Ilustração 2 - Representação em óleo da Proclamação da República

Fonte: https://escolakids.uol.com.br

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Ilustração 3 - Última fotografia da família imperial registrada antes de serem exilados para a
Europa no mesmo ano

Fonte: https://www.fatosdesconhecidos.com.br

Os monarquistas tentaram resistir após a queda. Apesar do


cansado, Dom Pedro II já tivera se conformado, falecendo em Paris em 1891.

A República Velha

Em 1889, após a queda da Monarquia, rapidamente


Marechal Deodoro da Fonseca assume o poder, de maneira provisória para que se pudesse
criar uma nova Constituição.

Marechal Deodoro na Maçonaria.

Marechal Deodoro da Fonseca, ou Manoel Deodoro, foi


Grão Mestre do G.O.B. de 1890 a 1891, quando renunciou ao cargo.

16
Ilustração 4 – Marechal Deodoro da Fonseca

Fonte: Site https://www.wpclipart.com

O Ir Deodoro da Fonseca nasceu em Anadia, uma vila de


Alagoas em 1827, vindo a falecer em 1892. Foi o 2º de 8 filhos do casal Dona Rosa Paulina
da Fonseca e o Tenente-Coronel Mendes da Fonseca. Dentre seus irmãos consanguíneos
ainda podemos destacar Hermes da Ernesto da Fonseca, também Maçom, um dos
fundadores do Gr Or e Supremo Conselho do Paraguai e pai do oitavo presidente da
República Hermes Rodrigues da Fonseca.

Após a proclamação da República, o primeiro ministério foi


formado pelo quadro abaixo:

Ilustração 5 – Formação do Ministério da República

Fonte: http://cavsaojoaobatista.com.br com texto do Autor Rafael Vieira

17
Nascia em 1891 a Segunda Constituição do Brasil e o
Congresso Nacional elegeu o presidente do Brasil Floriano Peixoto.

O período foi historicamente subdividido em 2 subperíodos:

República da Espada - Levando este nome devido ao fato de Marechal Deodoro e


Floriano Peixoto serem militares. Durou até 1894.

Floriano Peixoto foi Maçom iniciado a 15 de Fevereiro de 1871, e com diversas


assinaturas registradas no livro de presença na A.’. R.’. L.’. S.’. Perfeita Amizade
Alagoana. Peixoto, apesar de ser considerado por alguns como de presença modesta
na República, ficou conhecido como o “Consolidador da República”, tendo tido
condução serena e falecendo em 29 de Junho de 1895.

República das Oligarquias - Período de 1894 até 1930. Nome provindo do fato de
oligarquias rurais dominarem o país. Era conhecida como política do café com leite. A
maioria dos presidentes durante este período provinha de Minas Gerais ou São Paulo.

Durante todo o período da República pré-revolução, vamos


observar contínua presença de presidentes Maçons desde a queda da Monarquia. Tendo sido
9 Maçons em apenas 41 anos.

Política do Café com Leite

Como citado neste trabalho, durante a República das


Oligarquias, a política era dominada por São Paulo e Minas Gerais, onde os estados se
alternavam no poder, visando seus interesses econômicos. São Paulo era o Café, e Minas
Gerais o Leite.

A união do PRP (Partido Republicano Paulista) e o PRM


(Partido Republicano Mineiro) mantinha a Política do Café com Leite. Onde desde Prudente
de Moraes até Washington Luís, somente 3 presidentes eleitos não eram de São Paulo ou
Minas Gerais.

18
Presidentes Maçons 1889 a 1930

Quadro 1 – Presidentes Maçons 1889-1930

Fonte: https://www.gob.org.br/macons-presidentes-do-brasil com adição de informações


pelo autor Rafael Vieira

Júlio Prestes de Albuquerque, governador do Estado de São


Paulo até 1929. Seria o último presidente eleito da República Velha, indicado por
Washington Luis em 1930, o que desagradou o Partido Republicano de Minas, visto que feria
a alternância da Política do Café com Leite, onde o próximo presidente deveria ser Mineiro.
Júlio Prestes viajou antes da posse, onde discursou em Washington e chegou a ser capa da
revista TIME.

19
Ilustração 6 – Júlio Prestes na Revista Time

Fonte: http://content.time.com/time

Porém quando retornou não conseguiu tomar posse por


conta da Revolução de 1930 (movimento liderado por Minas, Paraíba e Rio Grande do Sul).

A Revolução de 1930 e o Fim da Política do Café com Leite

Com a indicação de Julio Prestes à presidência pelos


Paulistas, gera-se descontentamento nos mineiros. Prestes, apesar de carioca, havia feito
carreira em São Paulo e era considerado paulista para todos os efeitos e interesses.

Assim, os mineiros passam a apoiar Getúlio Vargas,


candidato da Aliança Liberal e então governador do Rio Grande do Sul.

Porém, nas eleições de 1930, Prestes vence e no mesmo ano


João Pessoa (candidato a vice de Getúlio Vargas) é assassinado. Gera-se então uma revolta
em âmbito nacional, basicamente entre os defensores do governo e os partidários da Aliança
Liberal. O clima de insatisfação era agravado pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929,
que naquela época já refletira na economia mundial.

Antes da posse de Júlio Prestes, Washington Luis ainda


presidente, sob forte pressão, não pretendia renunciar ao poder, foi quando chefes militares
brasileiros o depuseram.

20
Foi então formada uma Junta de Governo Provisória
(conhecida também como Junta Pacificadora, ou Primeira Junta Militar), a 24 de Outubro de
1930, durando 10 dias. E em 3 de Novembro de 1930, revolucionários do Rio Grande do
Sul forçaram a Junta a entregar o governo à Getúlio Vargas.

A Revolução de 1930 pôs fim à República Velha e iniciou-se


o novo período de Governo Provisório de Vargas, que permaneceria no poder até 1945.

A Redução da Presença Maçônica na Presidência do Brasil

Na pesquisa deste trabalho, identificamos a ligação maçônica


de muitos dos presidentes do Brasil durante o período da República Velha. Porém, com a
instituição do Governo Provisório de Getúlio, e o mesmo conhecendo as bases da Maçonaria:
Liberdade, Igualdade e Fraternidade, bem como a grande influência da Ordem na política
historicamente, entendia que esta poderia ser uma ameaça a sua forma autoritária de governo.

A ATA de 1º de Fevereiro de 1938 da A.’. R.’. L.’. S.’.


Fraternidade de Santos nº 5853 dizia:

“Considerando, que a Comissão Executiva do Estado de


Guerra, nomeada pelo Exímio Sr. Presidente da República, deixou
uma ordem mandando fechar o Grande Oriente do Brasil, os
Grandes Orientes dos Estados e todas as Lojas maçônicas do país;”

Sim, Getúlio Vargas havia literalmente ordenado o


fechamento da Maçonaria no Brasil. O que ia ao encontro com os movimentos da Alemanha
Nazista de Hitler, admirado por Vargas, que perseguia a Maçonaria Alemã.

Ilustração 7 – Representação da perseguição de Vargas à Maçonaria

Fonte: https://maconaria-tupiniquim.webnode.com/

Todavia meus IIr, a data de 1938 supra citada já avança ao


período da Revolução de 32, tema deste trabalho. Porém não poderíamos deixar de trazer
pontos importantes dos governos da época que afetaram a nossa instituição da Maçonaria.
Retornemos então à cronologia para 1930...

21
Durante a Primeira República, de 1889 a 1930, São Paulo
era o estado mais destacado economicamente na produção do café, subsidiado pelo governo
e empréstimos internacionais. Então a República arcava com muitas despesas devido a isto.
Com a entrada de Getúlio Vargas isto mudou.

Passou-se então a incentivar outros insumos e a reduzir os do


café. Deste modo, a oligarquia paulista perdeu a dominação política e reduziu a sua vantagem
econômica. Tornando-se opositora do regime de Vargas.

Oligarquia é um termo cunhado na Grécia Antiga, que


significa uma forma de governo na qual o poder político se encontra concentrado nas mãos
de um pequeno número de pessoas privilegiado por algum motivo.

Apesar de terem perdido a hegemonia política, os paulistas


confiaram que Vargas iria convocar eleições para presidente e para a Constituinte.

O tempo passou e isto não ocorreu durante o Governo de


Vargas, então uma forte oposição se formava por fazendeiros paulistas, apoiados por
profissionais, universitários e comerciantes.

O comandante do chamado Exército Constitucionalista foi o


general Isidoro Dias Lopes (gaúcho opositor à Vargas), apoiado pelo general Bertoldo Klinger
do Mato Grosso (único estado que se manteve ao lado de São Paulo).

Ilustração 8 – Isidoro Dias Lopes

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Isidoro_Dias_Lopes

22
Ilustração 9 - Bertoldo Klinger

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bertoldo_Klinger

O M. M. D. C.

São Paulo foi o estado mais forte na discordância do governo


varguista ditatorial, mesmo porque as sansões ordenadas por Vargas ao estado foram mais
intensas.

Em pouco tempo foi-se realizado um desenvolvimento


técnico impressionante, com produção de munição, granadas, fuzis, máscara anti gás, lança
chamas, etc. Trens e automóveis foram blindados e equipados com canhões.

Como resposta, paulistas iniciaram protestos e comícios,


sendo que em 1932 alguns jovens invalidam uma sede de apoio à Revolução de 1930 em São
Paulo, também queimando jornais ditatoriais.

A invasão foi repelida num combate armado onde 4 jovens


morreram e muitos outros foram feridos. Esta data era 23 de Maio de 1932, data que
atualmente é comemorado o dia do Soldado Constitucionalista.

Seus nomes: Mario Martins de Almeida, Euclides Miragaia,


Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade.

23
Em homenagem a estes 4 jovens mortos, o movimento
contra o governo de Getúlio Vargas recebeu a sigla M. M. D. C..

Como alguns não sabem, M. M. D. C., mais do que a sigla


dos jovens tombados, passou a nomear o grupo que lutava pela Constituição, que fornecia
preparo militar para derrubada do governo. Mesmo com poderio bélico inferior, o
movimento se armou e organizaram a luta.

Com a criação de fato do M. M. D. C., manifestações, atos e


lutas ocorreram. A luta era por um Estado Democrático de Direito, e a criação de uma
Constituição Federal.

Em 9 de Julho de 1932 começava a Revolução


Constitucionalista, durante 87 dias, com a derrota esperada dos paulistas em 2 de Outubro
de 1932 pelo Estado.

Ilustração 10 - Foto do Centro da cidade de São Paulo, 23 de Maio de 1932, manifestantes


pela revolução e pelo M. M. D. C.

Fonte: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/revolucao-constitucionalista-de-
1932-2-movimento-foi-contra-getulio-vargas.htm

24
Ilustração 11 - Famosos Cartazes de Convocação à Luta Paulista

Fonte: https://tiradentesguaru.wordpress.com/tag/mmdc/

Frases de ordem passaram a serem gritos de guerra do


Movimento:
- “São Paulo dominado por gente estranha!";
- "São Paulo conquistado";
- "Tudo pela Constituição"
- "Convocação imediata da Constituinte".

A Matraca, objeto curioso e inteligente

São Paulo, encontrando-se com número muito inferior de


equipamento bélico e combatentes, não media esforços e criatividade para atrasar a ascensão
do inimigo.

Desenvolvida pelo engenheiro da Escola Politécnica e


piracicabano Otávio Neme, este aparato forjado em ferro e madeira, ao ter sua manivela
girada, reproduzia o som de uma metralhadora.

25
Ilustração 12 - Matraca

Fonte: http://museudaimigracao.org.br/1932/galerias/

Medindo altura (45cm) x largura (15cm) x profundidade


(5cm), sem poder de fogo efetivo, porém com certeza exerceu influência psicológica no
inimigo, que se confundia quanto ao real poder de fogo dos paulistas.

Atualmente é possível ainda encontrar algumas peças


originais preservadas deste símbolo da perseverança paulista no ideal de vitória.

O M. M. D. C. hoje

Algum tempo após o final da Revolução de 32, alguns


participantes formaram a Sociedade dos Veteranos de 1932-MMDC, oficializada no ano de
1954, com sede no centro da cidade de São Paulo.

Seu lema é “São Paulo Forte para um Brasil Unido!”, que


tem como objetivo preservar a memória paulista deste período e promove eventos que trazem
a história aos mais jovens e resgatam aos antigos. Também fornecem assistência aos veteranos
e viúvas dos veteranos, fornece material para estudos, organiza visitas a locais históricos do
Movimento além de outras inúmeras atividades.

Existe no grupo um cargo simbólico do comando do


“Exercito Constitucionalista”, constituído por 4 membros e tendo tido com presidente até
passado recente o Capitão Gino Struffaldi, um valioso combatente da Revolução em tenra
idade de 18 anos, falecido em 2012 e dizia “Eu não faço floreios a respeito da minha
participação. Eu estava na ativa e o meu comando se solidarizou com a revolução e eu fui
junto. Depois fui percebendo o movimento da população e me entusiasmei” “Olho para trás
e vejo que valeu a pena”...

26
Ilustração 13 – Combatente Gino Struffaldi

Fonte: http://policiamilitardesaopaulo.blogspot.com/2016/03/homenagem-ao-heroi-
constitucionalista.html

Em 2013 a Câmara Municipal de São Paulo construiu uma


praça em homenagem à Struffaldi.

Ilustração 14 – Acervo pessoal de Diógenes Calandriello, filho do combatente Remedios


Clandriello

Fonte: https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,familias-imortalizam-os-herois-de-
1932,70002395555

27
O M. M. D. C. A.

Orlando de Oliveira Alvarenga foi um quinto combatente


também ferido naquele 23 de Maio, viera a morrer em 12 de Agosto do mesmo ano, tendo
ficado internado no quarto ao lado do combatente Dráuzio, no Hospital Santa Rita.

Por ter falecido quase 3 meses após sua internação (aos 32


anos), não teve seu nome associado ao M. M. D. C., porém é reconhecido como um dos
mártires da Revolução de 32. Contudo é possível encontrar a sigla M. M. D. C. A. em algumas
referências.

A Lei 13.840/2009 institui o Dia de Orlando Alvarenga e dos


Heróis Anônimos da Revolução Constitucionalista de 1932.

Está hoje sepultado no Cemitério Necrópole São Paulo, na


mesma cidade.

Monumento aos Heróis de 32

Um Símbolo da Revolução Constitucionalista de 1932, o


Obelisco teve sua construção iniciada em 1947 e foi inaugurado em 1955, porém finalizado
e 1970. Com 72 metros de altura, é o maior monumento da cidade de São Paulo.

O monumento guarda os restos mortais de Martins,


Miragaia, Dráuzio e Camargo e de outros combatentes, totalizando 713, sendo 19 deles
desconhecidos.

Referências Ocultas e Maçônicas no Monumento

O monumento foi construído com área de 1932 m², com referência proposital ao ano
de 1932.

Sua base principal tem 9 metros, base externa de 7 metros, e a altura do chão até a
escultura do herói é de 32 metros. Uma referência à data de 09 de Julho de 1932, data
de início da Revolução.

Existem 33 arcos no local representando os 33 Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito.

28
Ilustração 15 – Arcos dentro do Obelisco

Fonte: Fotografias próprias do autor – 28/07/2018

Ilustração 16 – Imagens internas do Obelisco

Fonte: Fotografias próprias do autor – 28/07/2018

29
Ainda na figura acima notamos a caixa sepulcral em destaque
de um Escoteiro, e ao lado esquerdo, a foto de outro jovem escoteiro.

O escotismo, que é uma instituição para-maçônica, teve


papel importante na Revolução de 32, com desempenho de diversos serviços, divididos em
duas principais colunas, a “Cruzada de Escoteiros Pró-Revolução” e o núcleo “Escoteiros de
São Paulo”. Dentre os serviços podemos citar: carregadores de padiolas com feridos nos
fronts de combate, serviços de estafetas entre os postos de correio, plantão nas estações de
rádio, aeroportos, fábricas que foram improvisadas, hospitais, transporte de refeições, costura
de uniforme e coleta de jornais que eram enviados aos soldados.

Ilustração 17 – Local de Restos Mortais do Maçom Ibrahim Nobre

Fonte: Fotografias próprias do autor – 28/07/2018

30
Ilustração 18 – O Obelisco e os Quatro Heróis do M. M. D. C.

Fonte:https://parqueibirapuera.org/areas-externas-do-parque-ibirapuera/obelisco-do-
ibirapuera. Imagens do M. M. D. C. inseridas pelo autor deste trabalho.

Ilustração 19 - Estátua a Ibrahim Nobre - Cidade de São Paulo

Fonte: http://www.blogdate.com.br/monumento-ao-ibrahim-nobre-o-tribuno-da-revolucao-
constitucionalista-de-32/

31
A Maçonaria na Revolução de 32

Como historicamente na maioria dos movimentos


importantes que definem o caminho da Nação, no Brasil e no Mundo, a maçonaria teve
importante participação no movimento constitucionalista.

No início de 1932, o jornalista, advogado e Irmão da Loja


Fraternidade de Santos, Ibrahim de Almeida Nobre fazia críticas ao governo Getúlio Vargas.
Fez um famoso discurso chamado de “Minha terra, minha pobre terra”, publicado no jornal
A Gazeta, que teve tamanha repercussão, o que fez com que Vargas decretasse sua prisão.

Ilustração 20 – Ibrahim de Almeida Nobre

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ibrahim_de_Almeida_Nobre

Trecho do discurso:

“Minha terra! Minha pobre terra!


São Paulo, lume da minha terra,
Em tua vigília cresce o calor,
A célula e o altar.
Presidiste os destinos da família.
Marcaste o nome.
O inimigo, fingindo-se de irmão;
Invadiu-a, desfê-la, lesou-a.”

32
Reuniões de arquitetura do Movimento ocorriam no Jornal
o Estado de São Paulo, conforme quadro abaixo. Sendo que o Ir Júlio de Mesquita Filho
foi um dos mais importantes líderes do movimento, além do Irmão Francisco Pestana,
fundador do jornal.

Quadro 2 - Composição maçônica do movimento constitucionalista de reuniões que


ocorriam na sede do Jornal Estado de São Paulo:

Fonte: Autor deste trabalho

Nestas reuniões se discutiam estratégias políticas, de mídia e


disposição do movimento. O Irmão Júlio de Mesquita conseguiu um importante pacto entre
paulistas e sulistas do Rio Grande do Sul, o qual os obrigava a responder com armas caso
quaisquer dos interventores de ambos os estados fossem destituídos do poder.

Muitos foram os maçons atuantes na Revolução, onde


podemos destacar, sem temer em sermos redundantes:

Ir Washington Luiz. Foi presidente de São Paulo (o equivalente a governador),


presidente do Brasil (1926 a 1930) (destituído conforme mencionamos nos capítulos
anteriores). Fundador e Ven Mestre da Loja Filantropia II, de Batatais.

Ir Júlio Prestes. Ir da Loja Piratininga Foi presidente de São Paulo, e eleito
presidente do Brasil, não tomou posse devido ao golpe de Getúlio Vargas.

Ir Júlio de Mesquita Filho. Um dos fundadores da G.L.E.S.P., presidente do Estado


de São Paulo, líder civil da Revolução de 1932, obreiro da Loja União Paulista II, de
São Paulo.

Ir Júlio Mesquita. Fundador do jornal Estado de São Paulo, obreiro da Loja América,
de São Paulo.

33
Ir Francisco Rangel Pestana. Diretor do O Estado de São Paulo, obreiro da Loja
América, de São Paulo.

Ir Ibrahim Nobre. Advogado, promotor, escritor e conhecido como “Tribuno da


Revolução”.

Ir Pedro de Toledo. Tendo sido Grão Mestre do Grande Oriente Estadual, foi
governador de São Paulo e Embaixador do Brasil.

A 9 de Julho de 1932 explode o Movimento Revolucionário


formado pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul. Foi então formada
a Junta Revolucionária, formada por Francisco Morato (Partido Democrático), Antônio
Pádua de Sales (PRP), general Bertoldo Kingler e general Isidoro Dias Lopes. Além de cerca
de 200.000 voluntários alistados.

A 10 de Julho de 32, o maçom e ex-Grão Mestre do Grande


Oriente Estadual (de 1908 a 1914) Pedro Manuel de Toledo do Partido Republicano Paulista
(PRP) foi aclamado pelo povo, pelo Exército e pela Força Pública como governador de São
Paulo.

Ilustração 21 – Pedro de Toledo

Fonte: http://www.museumaconicoparanaense.com/MMPRaiz/AcademiaPML/Patro-37.htm

Pedro de Toledo foi o comandante Civil da Revolução


Constitucionalista.

A 14 de Julho, o Grão Mestre Estadual de São Paulo José


Adriano Marrey convocou uma reunião com os VVen das Lojas de São Paulo, onde foi
convocado apoio das mesmas à causa paulista, para que pudessem participar desta luta de
alguma forma. A maçonaria paulista empenhou-se, porém se viu sozinha frente à baixa adesão
de maçons de outros estados na luta.

34
Sem o apoio esperado do resto da nação, em especial de
Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, os paulistas viriam a resistir por somente 3 meses.

Por esgotamento de recursos, e com o bloqueio do Porto de


Santos, o exército de Getúlio vence a resistência paulista. Porém a luta não foi em vão, em
Julho de 1934 foi promulgada a Constituição brasileira pela qual haviam lutado os paulistas e
os Maçons Paulistas. Getúlio havia percebido que seria difícil governar sem o apoio dos
paulistas e nossas oligarquias.

As Estatísticas do Movimento Constitucionalista de 1932

Quadro 3 – Números estatísticos da Revolução Constitucionalista de 32

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolucao_Constitucionalista_de_1932

35
Considerações Finais

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi o último grande


conflito armado do Brasil, que apesar de em menor número, jovens com ideais lutaram e
morreram por aquilo que acreditavam.

Independentemente de julgamentos sobre qual dos lados


estava com a razão, trouxeram um exemplo a ser observado da fidelidade aos princípios
empregada por aqueles combatentes, que embora pouco lembrados na memória dos mais
jovens, estão imortalizados nos livros de história e monumentos da capital paulista.

Muitos Maçons, muitos não, mas homens livres e de valor,


que no ato mais nobre, doaram ou arriscaram suas vidas na esperança e em nome de
mudanças que acreditavam.

Deixaram com seu legado esta lição...

36
Referências Bibliográficas
http://www.academiapaulistadeletras.org.br/, 2018.
https://acervo.estadao.com.br/pagina/topico/892/#!/19320710-19216-spo-0023-999-1-
not/busca/constitucionalista, 2018.
http://www.adonhiramita.org/, 2018.
https://www.al.sp.gov.br,2018.
http://www.blogdate.com.br/monumento-ao-ibrahim-nobre-o-tribuno-da-revolucao-
constitucionalista-de-32/, 2018.
http://cavsaojoaobatista.com.br , 2018.
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http://content.time.com/time, 2018.
http://www.diarioadonhiramita.com.br, 2018.
https://educacao.uol.com.br, 2018.
https://escolakids.uol.com.br, 2018.
https://www.escoteirossp.org.br/, 2018.
https://www.fatosdesconhecidos.com.br, 2018.
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https://www.gob.org.br, 2018.
http://gosp.org.br/paramaconicas/escoteiros/, 2018.
http://home.pael-sp.com.br/a-maconaria-paulista-e-a-revolucao-de-1932/
https://www.meionorte.com, 2018.
Meirelles, Domingos. Os Órfãos da Revolução. Edição 2006. Editora Record.
https://maconaria-tupiniquim.webnode.com/, 2018.
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http://www.saopaulominhacidade.com.br, 2018.
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https://tiradentesguaru.wordpress.com/tag/mmdc/, 2018.
http://tudoporsaopaulo2010.blogspot.com, 2018.
https://www.wpclipart.com, 2018.

37
ASPECTOS DO DECRETO
Nº 47833/20 RJ
Ir Guilherme José Pereira
ARLS Acácia da Tijuca (4442)GOB
Or do Rio de Janeiro/RJ

Aspectos sobre o Decreto n° 47833/20 que declara as Lojas Maçônicas no Estado do Rio
de Janeiro Entidades de Utilidade Pública.

Nos últimos anos ocorreram no país uma corrida


desenfreada de organizações civis com o objetivo de buscar amparo no ordenamento legal
pátrio, na tentativa de diminuir a pesada carga tributária vigente. Nesse sentido, é possível
observar inúmeras isenções fiscais promovidas pelo Executivo, fomentando instituições
atuantes e incentivando o surgimento de novas organizações, complementando a função do
Estado na tutela dos hipossuficientes, com ações filantrópicas e altruístas.

Dentre os diversos instrumentos jurídicos possíveis,


encontra-se a declaração de Entidade de Utilidade Pública, objeto do presente trabalho,
previsto no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal de 1988, no artigo 14 do Código
Tributário Nacional, regulamentado no Município do Rio de Janeiro, através da Lei n°

38
120/79 e pelos artigos 152 e 153 da Lei Orgânica do Município, conforme demonstrado
abaixo:

“Art. 152 – São organismos de cooperação com o Poder Público as


fundações e associações privadas que realizem, sem fins lucrativos,
atividades de utilidade pública.

Art. 153 – As fundações e associações prestadoras de serviços de


utilidade pública, como tal reconhecidas pelo Poder Público, na forma da
lei, terão precedência na destinação de subvenções ou transferências à
conta do orçamento municipal ou de outros auxílios de qualquer natureza,
ficando, em caso de recebimento, sujeitas à prestação de contas.

Parágrafo único – O reconhecimento da utilidade pública pelo


Município não dispensa as instituições referidas neste artigo da
comprovação da prestação dos serviços definidos em seus estatutos”.

A legislação supracitada exige que cada entidade deverá


pleitear o reconhecimento. Neste caso, o Decreto Municipal n° 47833/20, emitido pelo
Prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), no dia 24 de agosto de 2020, inovou ao
reconhecer que todas as lojas maçônicas do Grande Oriente do Brasil Rio de Janeiro, Lojas
da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro e as do Grande Oriente do Rio de
Janeiro, possuem o direito de pleitear tal benefício no âmbito do Município.

Observa-se, que não poderia ser diferente, as lojas maçônicas


possuem em seu escopo objetivos comuns, não haveria por que exigir que cada loja
maçônica requeresse a obtenção do reconhecimento de Entidade de Utilidade Público, sob
o risco de gerar burocracia e ineficiência trazendo risco para o próprio exercício de suas
atividades de interesse social, onerando em demasia as lojas maçônicas que buscam servir a
coletividade, com impostos que por direito são isentas.

Devemos ressaltar que, embora o benefício concedido a


todas as Lojas do Grande Oriente do Brasil Rio de Janeiro, Lojas da Grande Loja Maçônica
do Estado do Rio de Janeiro e as do Grande Oriente do Rio de Janeiro, não se deve ignorar
a necessidade de que cada loja maçônica exerça e apoie atividades sociais, com o objetivo
cumprir sua função social e estatutária, sob o risco ao não fazer perder o título anteriormente
conferido.

Ademais, em termos tributários, o Código Tributário


Municipal, prevê a isenção, dentre outros impostos, do pagamento do Imposto Predial e
Territorial Urbano (IPTU) às Entidades de Utilidade Pública, mediante a requisição formal
à autoridade administrativa, uma vez que a simples nomeação não lhe garante o benefício
de modo direto. A isenção do referido imposto, poderá acarretar em um suspiro aos
combalidos orçamentos das lojas maçônicas do Município, que buscam alternativas para
cumprir com suas despesas ordinárias.

39
Importante observar que já se encontra na Câmara de
Vereadores do Município do Rio de Janeiro o Projeto de Lei 1250/12, de autoria do
Vereador Dr. Jairinho (PSC), que propõe a isenção e remissão de Impostos e Taxas
Municipais às Lojas Maçônicas localizadas no Município do Rio de Janeiro, demonstrando
assim a importância em desonerar as lojas maçônicas em decorrência do importante
trabalho social desenvolvido.

Ao considerar Entidade de Utilidade Pública todas as lojas


maçônicas jurisdicionadas ao Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da
Maçonaria para a República Federativa do Brasil o Prefeito Marcelo Crivella (Republicanos)
reconhece a larga folha de bons serviços prestados ao país, especialmente no Município do
Rio de Janeiro, inclusive no campo assistencial, praticando um ato de justiça, sendo
merecedoras deste importante reconhecimento.

40
41
É PRIMAVERA!
Ir Osvaldo Novaes
ARLS Aquibadan 52-A
Or Salvador/BA
Membro Academia Maçônica Sergipana de Artes, Ciências e Letras

“SEMPRE VOLTA A PRIMAVERA, mas não volta a


mocidade.”

PRIMAVERA: estação que entre nós vai de Setembro até


perto do Natal, em Dezembro. Sucede ao Inverno, quando o frio, as chuvas, até neve em
alguns lugares do Brasil, 2º ou 10º, trazem de volta os agasalhos cheirando a naftalina,
roupas de frio elegantes, pele rósea nas faces, cama convidando a noites aquecidas pelo
contato de corpos que buscam... Com a Primavera, chega uma renovação, a expressão de
esperanças, de luz e contentamento. É a estação de brisas suaves, do despontar de flores, de
céu claro e luminoso. São os tempos dos amantes insistirem nas juras de amor eterno
(eterno? hem? amigo Vinícius de Morais?). Então, temos canção de Tim Maia falando de
Primavera; poesia do poeta romântico Casimiro de Abreu, “Meus oito anos”, onde exclama:
“Oh! Meu céu de primavera.” E ao ler toda a poesia, entenderemos o porquê desta
exclamação repleta de sentimento.

42
A PRIMAVERA motivou o primeiro movimento de “As
Quatro Estações”, de Antonio Vivaldi, mestre do barroco italiano, e no terceiro movimento,
Allegro, consta uma dança pastoral que festeja a chegada da Primavera e de suas alegrias.
A estação Primavera, que antecede o verão, é motivo de serenatas, noitadas, poesias. Neste
2019, entre os dias 8 e 16, tivemos lua cheia, completando a comemoração pela chegada de
novo tempo, estimulando pensamentos de plenitude espiritual e criações artísticas,
aproximações afetivas. Sendo prenúncio do Verão, a Primavera implementa os preparativos
para o período mais quente do ano, com as viagens de férias, praias e bebidas geladas.

IMORTALIZADA em
diversas obras, a Primavera
assume ares da mais nobre das
estações climáticas,
superando o Outono com
folhas caindo das árvores; o
Verão, com seu sol
causticante; o Inverno com
seus dias de friagem.
Festejamos a Primavera,
brindamos à Primavera, e
apenas comemoramos as
outras etapas da natureza. O
Equinócio da Primavera é
celebrado desde remota
antiguidade. Com as palavras
latinas aequus = igual, e nox = noite, ou seja, noites iguais, dia e noite se igualam em doze
horas. Representava-se a Primavera por um cordeiro, guirlandas de flores. Era dedicada a
Hermes, o mensageiro dos deuses, protetor dos pastores. Já o Verão era simbolizado por um
dragão cuspidor de fogo, e era dedicado a Apolo; o Outono tinha uma lebre e cornucópia
com frutos como símbolos, era dedicado a Dioniso; para o Inverno, os símbolos eram pato
selvagem, fogo na lareira, e a dedicação era para Hefestos.

NA MÚSICA, muitos são os trabalhos dedicados á


PRIMAVERA. Para começar, tem Johann Strauss Júnior com a valsa “Vozes da
Primavera”; Igor Stravinsky celebrizou a estação com sua “Sagração da Primavera”;
Ludwig van Beethoven criou uma sonata para piano e violino, “Primavera”, primor de
música romântica; já o compositor norueguês Christian Sinding (pouco conhecido) nos
trouxe “\Murmúrios de Primavera”. Na pintura, o pintor tcheco Alfons Maria Mucha pintou
as quatro estações, cada uma mais bonita que a outra, e o destaque, a nosso ver, fica com
“Primavera”. Mucha, era Maçom, morreu na prisão com quase oitenta anos, tendo lutado
em seu país contra os opressores da Igualdade, Liberdade, Fraternidade.

“PRIMAVERA DE PRAGA” lembra a ação de


Tchecoslovacos buscando a independência da Rússia, em 1968, com a liderança de
Alexander Dubcek. Os fatos fazem parte da trama do romance “A Insustentável Leveza do

43
Ser”, de Milan Kundera; já a “PRIMAVERA ÁRABE” registra a revolta de povos árabes,
em 2010, com vários países protestando contra governantes despóticos e vitalícios. Nos
dois casos acima, os levantes deixaram muitos mortos e feridos. Mas, tudo é PRIMAVERA!

QUANTO À FRASE que abre o artigo, ela veio com a letra


de um fado, cantado em legítimo português lusitano. Sabe-se lá como, mas o fado é imensa
e ternamente cultuado em Portugal e além-mar, e, verdade seja dita, é um tipo musical de
extraordinário encanto, com letra e música que exprimem destino, sorte, sina, trazendo aos
ouvintes lembranças de amores e paixões ora correspondidos, ou não, mas, geralmente vida
penosa, algum pesar. Não vingou no Brasil, que preferiu os ritmos trazidos de África, lundus
e sambas que também falam de pesares, amores desastrados, dores que os cotovelos
assumem. Manoel Antonio de Almeida refere-se ao fado em seu livro “Memórias de um
Sargento de Milícias.”

APESAR DE LUSÓFONOS, nos afastamos de muita coisa


de Portugal até com algum ressentimento, como se pudéssemos estar melhores caso os
holandeses aqui permanecessem mais tempo, com Mauricio de Nassau e outros. Resta o
gostoso caldo verde, com couve, batata do reino amassada, mais azeite de oliveiras, pedaços
de paio, ou ainda iscas de bacalhau a Lisboeta ou o bacalhau a Gomes de Sá. E nem vamos
falar de Florbela Espanca, que transcende toda gastronomia, todos os usos e costumes, o
passar de estações a cada ano. É poesia para todas as estações.

44
“É um enorme prazer estar entre irmãos.”

Para baixar o aplicativo

45
PROJETO IRMÃOS DE BEM
“Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam” (Salmo
115) em latim significando: “Não a nós, ó Senhor, não a nós, mas ao teu nome daí a glória”.
Essa é uma pequena oração Templária de agradecimento, e ainda uma expressão de sincera
humildade, quando se recusa agradecimentos por ter feito a própria obrigação, ou por ter
feito algo a serviço, por amor a Deus.
O projeto nasceu de uma inquietação de fazer algo em pró à
sociedade. COVID-19 nos fez passar por momentos inimagináveis, nos levando a
distribuição em 5 meses de 4.000 refeições, cestas básicas, kits de higiene pessoal e máscaras.
Hoje o foco principal são as crianças e os jovens, pois o convívio com a comunidade nos fez
evoluir para um acompanhamento escolar dos menores, até uma preparação futura para a
prova do ENEM.
Percebemos que os doadores e patrocinadores do projeto estão
com dificuldades em nos ajudar, devido à crise que envolve esta nação. Todo projeto foi
definido com o início e data para o término, no entanto, esse extrapolou faz tempo. Como
fazemos para nos manter? Não sabemos, porém quando chega o sábado pela manhã o
inevitável acontece, os mantimentos estão à disposição em nossa cozinha.
Não podemos fechar os olhos para esta realidade, necessitamos
repensar o momento que estamos vivendo e não aceitar certas limitações impostas. Faça
maçonaria em tempos difíceis e voltará para as reuniões presenciais com novos ideais.

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AO MEU INSTALADOR

Ir Adilson Zotovici


ARLS Chequer Nassif-169

Grato ao meu instalador


Tipo de irmão paterno
Ontem um grande professor
Hoje no oriente eterno

Fui conduzido com amor


Levado ao trono superno
Donde ouvi claro expor
O bom caminho abeterno

Fui seu ouvinte e seguidor


Do seu labor sempiterno
Legado com amor e rigor

Penhorado sempre externo


Desse livre pedreiro o valor
Iluminado e fraterno !

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LOJAS DA 13ª REGIÃO MAÇÔNICA – GLESP
DIA VENERÁVEL
LOJA RITO ENDEREÇO
HORA 2019/2020
2ª Rua Antônio Biscuola, 16
Marques do Herval, 114 REAA André Grizotto
20h00 – Osasco
2ª Rua Armênia, 540 –
Raposo Tavares, 184 REAA Marivaldo Vieira da Costa
20h00 Osasco
2ª Rua Agnaldo José dos
Acácia de Itapevi, 188 REAA André Luís Almeida Nascimento
20h00 Santos, 65 – Itapevi
3ª Rua Antônio Biscuola, 16
Acácia de Alphaville, 288 REAA Luiz Paulo Ianois Petrovitch
20h00 – Osasco
6ª Rua Antônio Biscuola, 16
Atlântida Paulista, 300 REAA Nivaldo Martanetto
20h00 – Osasco
5ª Rua Sandra Maria,504, Jd
Vinte e Cinco de Agosto, 376 REAA César Francisco Lopes Martin
20h00 das Belezas Carapicuíba
3ª Avenida Marte, 151 –
Fraternidade Alphaville, 396 REAA Aroldo Dutra Garcia
20h00 Santana de Parnaíba
4ª Rua Antônio Biscuola, 16
Vinha de Luz, 488 REAA Marco Polo Puttini
20h00 – Osasco
4ª Avenida Marte, 151 –
Pátria, Educação e Cultura, 512 REAA Eduardo Fridman
20h00 Santana de Parnaíba
2ª Avenida Hildebrando de
União e Lealdade, 547 Emulação José Nazareno de Santana
09h00 Lima, 338 – Osasco
3ª Rua Padre Arnaldo, 185 -
Saint Germain, 575 Emulação Gerson Neris Pinheiro
20h00 1º andar – Carapicuíba
5ª Avenida Hildebrando de
São João de Jerusalém, 595 Emulação Foad Achkar Blati
20h00 Lima, 338 – Osasco
2ª Rua da Maçonaria, 31 –
Ad Veritas de Osasco, 605 REAA Alessandro Zahotei
20h00 Osasco
4ª Rua Anselmo Perini, 133
Vigilantes da Luz, 639 REAA Arnaldo da Rocha Garcia
20h30 – Carapicuíba
3ª Rua Armênia, 540 –
Razão Dourada, 660 REAA Fábio Chalier Madeira
20h00 Osasco
2ª Avenida Marte, 151 –
Berço dos Bandeirantes, 692 REAA Fabian Alonso Garcia Fernandez
20h00 Santana de Parnaíba
4ª Avenida Hildebrando de
Lewis, 716 Emulação João Galvão de França Filho
20h00 Lima, 338 – Osasco
6ª Avenida Hildebrando de
Rudyard Kipling, 741 Emulação Alisson Silva Cardoso
20h00 Lima, 338 – Osasco
6ª Rua Armênia, 540 –
Francisco Ribeiro Lima, 749 REAA Adelson Moreira Persec
20h00 Osasco
5ª Rua Padre Arnaldo, 185 -
Miosótis, 796 Emulação Cristiano Henrique Kamalakian
20h00 1º andar – Carapicuíba
2ª Av. Antônio Carlos
Fraternidade Osasquense, 823 REAA Eduardo Akira Hioki
20h00 Costa, 1063 - S2 – Osasco
Sábado
Cavaleiros de Heredon, 865 REAA Rua Festival, 96 – Barueri Carlos Alberto Ferreira
15h00

A VISITAÇÃO É UM DIREITO DE TODO MAÇOM


EXERÇA SEU DIREITO – VISITE

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Autor - Or IrMario Cristino Bandim Vasconcelos - OrSão José dos Campos/SP
Artigos Maçônicos Selecionados: Esta obra reúne 12 trabalhos do autor,
Resumo publicados na Revista A Verdade (GLESP), e ilustra o desbaste da sua
Pedra Bruta ao longo de uma década de caminhada maçônica.
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Autor - Or IrMario Cristino Bandim Vasconcelos - OrSão José dos Campos/SP
Elos Partidos: Esta obra é fruto de pesquisa de campo junto aos Irmãos
ativos e adormecidos e de levantamento estatístico e aponta para um sério
Resumo problema de esvaziamento de nossos quadros. Também apresenta
sugestões e boas práticas visando a reversão desse quadro que, na
verdade, é um problema de ordem mundial na Maçonaria.
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Autor - Or IrMauro Ferreira de Souza - Or de São Paulo/SP


Maçonaria e Estado Laico: Trata-se do envolvimento histórico da Ordem
para consolidar o modelo de Estado Laico a partir da Revolução
Resumo
Francesa. Como foi o processo de separação da Igreja e Estado no Brasil.
Perspectivas para manutenção do Laicismo sem Ateísmo.
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Autor - Or IrMauro Ferreira de Souza - Or de São Paulo/SP


Maçonaria e Religião: Trata-se de como a Ordem se organizou sem
assumir essencialmente uma característica de Religião, sem perder o
Resumo caráter da transcendência. Os conceitos são trabalhados de forma que o
leitor entenderá o fundamento da Ordem. A crença num princípio
criador, a vida após a morte e o respeito e prática da Lei Moral.
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Autor - Or IrJonas de Medeiros - Or de Joinvile/SC
O Rito Moderno (Francês) - Ensaios Filosóficos - Volume 1 Grau de Aprendiz: Um
Ensaio filosófico trata, assim como o nome sugere, de uma narrativa inicial sob a qual
se discorre sobre um tema, gerando assim novos olhares advindos do diálogo entre leitor
Resumo e autor. Essa forma de se tratar uma discussão de caráter interpretativo mais profundo
permite ao maçom trilhar novos caminhos em seus estudos, o que torna este trabalho
um incentivador de um debate simples, porém jamais simplório, para com as questões
que dão brio ao maçom do Rito Moderno.
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Autor - Or IrJonas de Medeiros - Or de Joinvile/SC


O Rito Moderno (Francês) - Ensaios Filosóficos - Volume 2 Grau de Companheiro:
Não há como negar, a tristeza e as provações da vida são um caldeirão fervente de
inspirações para aqueles que buscam traduzir em palavras transcritas seus sentimentos,
Resumo emoções e anseios mais profundos. A conversão daquilo que desejamos em crônicas é
uma das possíveis formas de traduzir nossa mente através da Arte do Trivium com a
justa retórica, a imprescindível lógica ou dialética e a necessária gramática com a qual
traduzimos tudo àquilo que desejaríamos expressar.
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Autor - Or IrJonas de Medeiros - Or de Joinvile/SC


O Rito Moderno (Francês) - Ensaios Filosóficos - Volume 3 Grau de Mestre: Certa vez
encontrei-me mergulhado em meus pensamentos recordando-me dos sonhos e
ambições que tinha quando era mais jovem e percebi que esses sonhos e ambições não
Resumo se perderam, na verdade amadureceram com o tempo da mesma forma que um vinho
ganha corpo, sabor e aroma na medida em que o tempo passa, tornando-se mais acurado
e requintado ao paladar.
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Autor - Or IrJonas de Medeiros - Or de Joinvile/SC


O Rito Moderno (Francês) - Ensaios Filosóficos - Volume 4 O Mestre Instalado: A
maior prova de que realmente estás pronto a dirigir os trabalhos de uma oficina é a
capacidade de abdicar deste posto e deixar o fluxo natural dos acontecimentos seguir
Resumo seu próprio destino. Afinal, o maior desafio daqueles que assumem o Trono de Salomão
é deixá-lo e mais importante do que não interferir nos atos sucessórios, é aconselhar nos
caminhos futuros sem segundas ou terceiras intenções senão aquelas em prol da
coletividade, da harmonia e da concórdia.
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Autor - Or IrMarcelo Feliz Artilheiro - Or de Joinvile/SC
MANUAL DE PROCESSO LEGISLATIVO MAÇÔNICO. O objetivo principal
desta obra é apresentar uma abordagem prática do processo legislativo maçônico, nela
Resumo além de conteúdo teórico, há disponíveis modelos completos de Projetos de Leis, de
PEC, dos diversos tipos possíveis de Emendas aos Projetos, Votos, Pareceres, Moções,
Requerimento e muito mais.
Contato (47) 99190-3412
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Valor R$ 35,90 com frete incluso

Autor - Or Ir Marcelo Feliz Artilheiro - Or de Joinvile/SC


INTRODUÇÃO À SEMIÓTICA E À HERMENÊUTICA MAÇÔNICA. A obra
aborda a semiótica, que é em apertada síntese o estudo da construção do significado, é
o estudo dos signos (semiose), como gênero (símbolos, sinais e etc.), e do significado de
Resumo comunicação; é ciência voltada à interpretação dos signos e de seu valor simbólico. Por
sua vez, a hermenêutica é a ciência ou a técnica que tem por objeto a perfeita
interpretação dos textos.
Contato (47) 99190-3412
Onde Comprar Direto com o Irmão
Valor R$ 37,00

Ir Omar Téllez Jiménez - Or Vargem Grande Paulista/SP


Autor - Or
Ir João Batista Salgado Loureiro - Or São Paulo/SP
CURSO DE DOCÊNCIA MAÇÔNICA. A obra aborda a história do mundo, a história
Resumo da Ordem, geografia aplicada, alicerces da doutrina, ética maçônica, filosofia maçônica
e simbologia maçônica.
(11) 98275-5320 Ir Omar Téllez
Contato
(11) 97334-8093 Ir João Batista Loureiro
Onde Comprar Lojinha da GLESP, na Rua São Joaquim, 138 São Paulo/SP
Valor R$ 40,00 com frete a qualquer lugar do país

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