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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO MARAJÓ – BREVES


FACULDADE DE LETRAS - FALE

Docente: Prof.ª Dr.ª Cinthia Neves

Discentes: Elivalda Teles; Elna Bragança

Disciplina: Oficina de Avaliação em Português

Atividade de análise de LD: trabalho com a oralidade

O livro escolhido para esta análise foi Língua e Cultura - Língua Portuguesa,
1º ano, autoria de Carlos Alberto Faraco, sendo a 4ª edição publicada pela editora
Base Editorial no ano de 2016. Ele é estruturado em 13 capítulos, entre os quais
utilizamos o capítulo 8 - Linguagem e Linguagens - a fim de verificar a ocorrência do
trabalho com a modalidade oral da língua.

Com o intuito de subsidiar de forma teórica os conceitos que perpassam o


trabalho com a oralidade, bem como de atividades avaliativas, presentes (ou não) no
livro de forma geral, e mais especificamente no referido capítulo, serão
apresentadas algumas breves discussões de autores que abordam esse tipo de
trabalho, para que assim possamos tentar estabelecer uma relação entre os
conceitos teóricos e o material analisado.

Luiz Antônio Marcuschi (2007, p. 41) afirma que “a oralidade seria uma prática
social que se apresenta sob variadas formas ou gêneros textuais que vão desde o
mais informal ao mais formal e nos mais variados contextos de uso.”. Assim, dentro
da perspectiva de uso da oralidade em contextos diversos, cabe destacar o papel
que a escola tende a exercer na perspectiva de abordagem do uso dessa
modalidade, para tanto “o trabalho nas escolas deve voltar-se ao oral formal, pois o papel
dessa instituição é “levar os alunos a ultrapassar as formas de produção oral cotidianas para os
confrontar com outras formas mais institucionais.” (DOLZ e SCHNEUWLY, 2007. P. 147).
Dessa forma, sendo esse livro uma ferramenta de apoio pedagógico, é natural que seja
esperado abordagens como essa em seus conteúdos.

O capítulo em análise apresenta desde o seu título a possibilidade de


abordagem da linguagem como plural: Linguagem e linguagens. O autor destaca a
manifestação multifacetada da oralidade no ser humano afirmando que “nós,
humanos, somos, de fato, seres de muitas linguagens” (FARACO, 2016, p. 179), ou
seja, apesar de a linguagem verbal ser importante na nossa vida, não é a única
forma que dispomos em nossos processos de interação.
A seguir, transcreveremos a atividade da mesma maneira como está nas
páginas 183 e 184 do capítulo 8 no referido livro.

PRÁTICA DE ORALIDADE

ENTREVISTA

A entrevista é um gênero informativo, caracterizado pela interação entre os


interlocutores, representados pelo entrevistador e o entrevistado, cujo objetivo é
relatar as experiências e os conhecimentos deste acerca de determinado assunto. O
segredo de uma boa entrevista começa no planejamento.

Professor, propicie um momento para que os grupos compartilhem o que foi


anteriormente pesquisado. Os estudantes precisam ser orientados a usar a
variedade formal da língua para a realização da entrevista proposta nesta atividade.
Informe a eles que o gênero em questão é essencialmente oral e requer uma
postura adequada tanto por parte deles que irão elaborar as perguntas quanto por
parte de quem as responderá. Assim, deverão dar grande atenção à linguagem, de
modo que fique adequada ao público de forma geral. Questione-os sobre entrevistas
que já leram, ouviram ou assistiram, elencando os conhecimentos que tragam sobre
o gênero. Sugestão de site para a realização dessa atividade:
http://www.todamateria,com.br/genero-textual-entrevista/. Acesso em: 10 mar. 2016.

PLANEJAMENTO

Converse com os colegas do grupo sobre o tema pesquisado anteriormente e, a


partir dele, planeje uma entrevista que será apresentada à turma.

Seu entrevistado deverá ser um profissional que trabalhe com linguagens midiáticas
e que domine conhecimentos sobre diferentes meios de comunicação, bem como
sobre a influência que esses meios exercem na sociedade. Pode ser um profissional
do rádio, da TV, da imprensa escrita ou falada, consideradas mídias tradicionais; das
redes virtuais, como a internet; ou mesmo da indústria fonográfica, especializada em
gravação e distribuição de mídia sonora.
Normalmente esses profissionais atuam em instituições públicas e privadas e lidam
com questões relacionadas à comunicação; estabelecem o planejamento de
circulação de produtos e campanhas de divulgação; projetam estratégias para a
veiculação de notícias e para o aumento do consumo , seja pela internet, seja por
outros meios de comunicação; criam formas de interatividade com o público, etc.

Sigam o roteiro abaixo:

 Quem será o profissional entrevistado? Busquem informações sobre ele.

 Quem será o entrevistador?

 Quais serão as perguntas? (Façam várias perguntas, mas selecionem cinco


delas para apresentação em público).

 Onde e quando será feita a entrevista? (O dia e o horário devem ser


combinados previamente e o entrevistado deve ser comunicado sobre o tema da
entrevista).

 Como será feito o registro das respostas? Será usado vídeo ou feita gravação
em vídeo?

 Como a entrevista será apresentada à turma? Em vídeo? Como se fosse uma


entrevista de rádio? De forma escrita como as que aparecem em jornais ou revistas?

 Como será elaborado o pequeno texto introdutório? Lembrem-se de que esse


texto deve trazer breves informações sobre o tema e sobre o entrevistado.

 Como serão distribuídas as funções no grupo? Quem fará o quê?

PRODUÇÃO

Escolhido o entrevistado, o local da entrevista, as perguntas a serem feitas e


divididas as funções dentro do grupo, é hora de partir para a prática.

 Confiram se o suporte usado para o registro está funcionando bem.

 Durante a entrevista, o entrevistador precisa ter uma observação crítica das


respostas, pois pode surgir a necessidade de fazer uma nova pergunta aproveitando
a “deixa” de alguma resposta.

 O entrevistador precisa pronunciar as palavras de forma clara, com boa


entonação e postura.

 Terminada a entrevista, elaborem o texto que fará a introdução e o


fechamento da apresentação do grupo.
 Produzam a apresentação do grupo.

AVALIAÇÃO

Após a conclusão das apresentações, os membros do grupo deverão avaliar o


próprio desempenho considerando os seguintes aspectos:

 As perguntas ao entrevistado foram elaboradas com objetividade e clareza,


de modo a contribuir para a composição das respostas?

 O grupo, em sua apresentação, trouxe para a turma informações


interessantes?

 As informações foram repassadas de forma clara e criativa?

 A apresentação prendeu a atenção dos colegas?

 Houve interação com a turma no momento da apresentação?

 O grupo agiu com sintonia, parecendo dominar o assunto, utilizando-se de


diferentes recursos?

 Que sugestões são pertinentes para que, em um próximo trabalho, o grupo


aperfeiçoe sua apresentação?

Análise das marcas de oralidade na atividade proposta

Faraco (2016, p. 183) concebe que “o gênero em questão é essencialmente


oral”. Pela perspectiva do contínuo entre fala e escrita que Marcuschi (1997)
apresenta, o gênero contém características dos dois, ou seja, há entrevistas tanto
escritas quanto orais. Assim, observando as características peculiares da atividade
em análise, é possível afirmar que o maior domínio em seu interior é de natureza
oral, tendo em vista que, apesar de envolver uma estrutura que parte da escrita – no
caso, o planejamento – não se deve considerar como oralização de textos escritos,
pois, conforme afirma Marcuschi (1997, p. 138), “a ideia de planejamento não passa
de uma perspectiva ou critério de observação do contínuo e não característica de
uma das duas modalidades.”.

Análise dos paradigmas propostos na atividade


Segundo as características elencadas por Trigo (2007), a atividade proposta
pelo LD, quanto à sua função, se classifica como somativa, haja vista que é
considerado todo o processo de produção do trabalho, não somente seu resultado
final. A autoavaliação é a única empregada, uma vez que não é o professor quem
vai avaliar os alunos, mas sim os próprios alunos são agentes de sua avaliação,
sendo levados a refletir sobre tudo o que produziram, avaliar se a entrevista que
realizaram esteve de acordo com o que as características próprias desse gênero,
entre outros aspectos desenvolvidos no trabalho. A forma predominante na atividade
é oral, porém, a escrita também é utilizada em determinados momentos do trabalho,
como no caso do planejamento.

O foco geral de interesse dessa atividade é o processo de ensino e


aprendizagem, mas tem pontualmente tem como foco a abordagem de um gênero
oral amplamente dissociado nos contextos em que o aluno se encontra inserido. A
amplitude dessa atividade, de imediato, é atender aos interesses da comunidade
escolar, no entanto, pode ser muito mais ampla se houver um trabalho de exposição
dos resultados para a comunidade em geral.

Em síntese, a atividade avaliativa abordada se desenvolve de forma muito


positiva, uma vez que o gênero abordado exerce um papel muito importante nos
diversos domínios sociais aos quais os alunos se encontram inseridos, direta ou
indiretamente. É importante ainda frisar que o modelo proposto de avaliação, bem
como a função exercida, corroboram para um processo de avaliação democrática,
inclusiva, e também para o exercício de diversos aspectos positivos na vida do
aluno, oferecendo a ele a oportunidade de avaliação sobre sua prática, bem como
propostas de melhorias para futuros trabalhos escolares.
REFERÊNCIAS:

BRASIL. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros


Curriculares Nacionais (PCN+). Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.
Brasília: MEC, 2006

FARACO, Carlos Alberto. Língua e cultura: Língua Portuguesa, 1º ano: ensino


médio. 4ª ed. Base Editorial - Curitiba, 2013.

FERRARI, Márcio. Entrevista com Cipriano Carlos Luckesi. Nova Escola. 2006.

MARCUSCHI, Luiz Antônio; DIONÍSIO, Ângela Paiva (orgs.). Fala e Escrita. Belo
Horizonte: Autêntica, 2007.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Oralidade e Escrita. Signótica, 9:119-145, jan./dez.


1997. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/sig/article/download/7396/5262/.

SANTOS, Josileide Teófilo dos. O tratamento da oralidade no livro didático.


Universidade Estadual da Paraíba, Centro de Educação, 2013. Disponível em:
https://www.ufjf.br/projetodeoralidade/files/2018/06/PDF-Josileide-Te%c3%b3filo-
dos-Santos.pdf. Acesso em: 06 de março de 2021.

TRIGO, Maria Cândida Lacerda Muniz. Avaliação educacional, 2017 “online”.


Disponível em:
https://extensao.cecierj.edu.br/material_didatico/edc01/html/biblioteca/Avaliacao_Ed
ucacional.htm.