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Comparação dos parâmetros abióticos d'água entre três pontos na bacia do rio
Cascavel

Conference Paper · December 2017

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5 authors, including:

Gabriela Medeiros Marília Melo Favalesso


Universidade Estadual do Oeste do Paraná Instituto Nacional de Medicina Tropical
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Comparação dos parâmetros abióticos d’água entre três pontos na bacia do rio
Cascavel

Gabriela Medeiros*1Marília M. Favalesso1, Camila A. N. Aquino1, Cinthia C. R.


Favaretto¹, Norma C. Bueno²
*e-mail: gabsmedeiros@gmail.com

1Mestrandas do programa de pós-graduação em Conservação e Manejo de Recursos Naturais,


Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR.
2 Docente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Cascavel, PR.

Palavras-chave: Limnologia, Qualidade d’água, ambiente lótico.

Introdução

A água tornou-se um bem escasso graças à poluição dos recursos hídricos


provocado pelo homem, principalmente pelas atividades industriais e agrícolas, sendo
o impacto antrópico mais intenso nas águas superficiais (Pes, 2012). Como a
disponibilidade de água depende do grau de contaminação desta, a sua oferta irá
depender de redes de monitoramento confiáveis e constantes, gerando dados sobre
as variáveis de interesse e garantindo a sua qualidade para distribuição (Buss et al.,
2003).
A avaliação do meio físico de um rio é definida como a avaliação da estrutura
do ambiente físico que influencia a qualidade da água e a condição das comunidades
aquáticas, assim, medidas mitigatórias poderão ser elaboradas para conter atuais ou
futuras degradações da qualidade da água (Nascimento et al., 2011).
A bacia hidrográfica do rio Cascavel, Paraná abrange uma área de drenagem
de 117,5 km2, sendo responsável por 80\% do abastecimento de água potável da
cidade de Cascavel (Tosin, 2005). O rio Cascavel tem suas nascentes praticamente
dentro do perímetro urbano da cidade. Nesse sentido, estudos caracterizando as
condições abióticas locais são justificados. Para isto, os trabalhos de pesquisa
realizados nesta bacia devem ser contínuos e efetivos.
Dessa forma, faz-se necessário o conhecimento das reais condições dos
mananciais superficiais que abastecem a cidade de Cascavel, a fim de contribuir
significativamente com o entendimento de planejamentos que busquem melhorar a
qualidade dos mesmos. Portanto o objetivo deste estudo é o de caracterizar a
condição abiótica da água em três estações de amostragem na microbacia do rio
Cascavel.

Materiais e Métodos

O presente estudo foi conduzido em três pontos dentro da bacia hidrográfica


do rio Cascavel: Ponto 1 (P1) - Ambiente de riacho (presença de muitos seixos e
profundidade reduzida), dentro do perímetro urbano, mas em área de proteção
ambiental (Rio Cascavel), Ponto 2 (P2) - Rio de terceira ordem com características
semi-lóticas dentro de ambiente urbano (Rio cascavel), e Ponto 3 (P3) - Rio de terceira
ordem com recebimento de afluentes oriundos de estação de tratamento (Rio Quati).
O clima local é do tipo temperado mesotérmico superúmido, com temperatura média
anual em torno de 21ºC (Tosin, 2005).
Para caracterização dos pontos amostrais foram mensuradas as seguintes
variáveis: Temperatura, pH, oxirredução (m/V), condutividade elétrica, turbidez,
oxigênio dissolvido, sólidos totais, profundidade estimada (m) e salinidade. As
variáveis foram medidas in situ com auxílio de uma sonda multiparâmetro da marca
HORIBA, modelo U-5000, entre o período de Fevereiro de 2015 a Janeiro de 2016.
Os dados obtidos para cada uma das variáveis foram analisados verificando o
padrão de normalidade (teste de Shapiro-Wilk) e homocedasticidade (Teste de
Bartlett) dos resíduos (α = 0,05). Caso esses pressupostos tenham sido atendidos, os
pontos eram comparados através de um teste paramétrico ANOVA one-way (α= 0,05),
do contrário foi utilizado o teste não-paramétrico de Kruskal-Wallis, seguido do teste
de Dunn (α = 0,05).
Foi realizada uma PCA (“Análise de Componentes Principais”) não-paramétrica
com a intenção de reduzir as variáveis abióticas amostradas e assim identificar os
padrões que descrevem cada um dos pontos. Foi considerada tal análise em razão
dos dados não estarem em distribuição normal multivariada (P<0,05). A PCA foi
realizada em cima de uma matriz de associação realizadas pelo índice de correlação
de Spearman. Todas as análises foram feitas pelo software R (R CORE TEAM, 2016)
através do aplicativo RStúdio.

Resultados

As variáveis condutividade elétrica, turbidez, sólidos totais, profundidade


estimada (m) e salinidade foram significativamente maiores no P3 do que em P1 e P2
(P<0,05, figura 1). Para essas variáveis, P1 e P2 foram considerados estatisticamente
iguais (P>0,05, figura 1). Cerca de 75% das amostras de P3 apresentaram valores
superiores aos valores do limite superior de P1 e P2 para condutividade elétrica,
turbidez e sólidos totais (Figura 1). Já a variável salinidade apresentou valores > 0 em
P3, ao contrário de P1 e P2 (Figura 1). A variável oxigênio dissolvido foi
significativamente maior no P1 do que em P2 e P3 (P<0,05, figura 1). Não foram
encontradas diferenças estatísticas significativas entre os pontos P1, P2 e P3 para as
variáveis temperatura, pH e ORMPmV (P>0,05).
Na PCA vemos a associação do P3 com altos valores de condutividade,
turbidez, sólidos totais, profundidade e o sal (Figura 2), bem como P1 associado com
valores mais altos de oxigênio dissolvido (Figura 2).

Discussão

A bacia do Rio Cascavel está diretamente exposta às atividades urbanas e aos


poluentes originados pela ação antrópica, onde a urbanização tem gerado impactos
diretos no ciclo hidrológico. O rio Cascavel é, em grande parte, impermeabilizado com
edificações e pavimentos e são introduzidos condutos para escoamento pluvial,
gerando inúmeras alterações locais. Tal fato ocorre com intensidade em P3, onde o
lançamento de efluentes é acentuado, sendo constatadas altas concentrações de
condutividade, turbidez, sólidos totais e salinidade. Através da PCA (figura 2)
observou-se o P3 individualizado de P1 e P2, ambientes com características mais
preservadas (sem ação antrópica próxima).

Figura 1. Box-plot para cada umas das variáveis amostrados nos pontos P1, P2 e P3. O box-plot é
composto por mediana (traço mais escuro), 1º e 3º quartil (caixa), valores mínimo e máximo (hastes) e
outliers (pontos fora do boxplot).

O P1 apresentou características físicas de riacho de ordem 1, visualmente


preservado e com destaque pelos valores elevados de oxigênio dissolvido. Em
ambientes onde a zona eufótica tende a ser dominante sobre a afótica, como o P1
(riacho), ocorre uma considerável produção de oxigênio através da fotossíntese
(Esteves, 1998). Em locais onde os recursos hídricos são mais profundos e as zonas
eufóticas tendem a dominar, a produção de oxigênio é consideravelmente reduzida
(como P2 e P3) (Esteves, 1998).
Outro fator que pode influenciar a quantidade de oxigênio dissolvido é a
interferência pela introdução de despejos. As baixas concentrações de OD em P3
coincidem com a alta turbidez neste ponto, presumivelmente decorrente do
lançamento de efluentes pela estação de tratamento, o que provavelmente elevou a
carga de sólidos totais. Quando a água possui alta concentração de material
suspenso, torna mais difícil a penetração da luz por consequência da elevação da
turbidez causada, o que reduz a zona eufótica do ambiente e consequentemente o
desenvolvimento de organismos produtores (Braga et al., 1999).
A variável salinidade foi identificada apenas no P3, sendo está associada pela
PCA com as variáveis condutividade, sólidos totais e a profundidade estimada (m). De
maneira geral, quanto maior a quantidade de sais dissolvidos na água, maior será a
condutividade elétrica do ambiente (Brandão & Lima, 2002). A condutividade elétrica,
por sua vez, é representada por sólidos dissolvidos em água, além de estar
diretamente ligada a salinidade. A variável “salinidade” possui grande importância na
caracterização da qualidade de água, uma vez que altos níveis de sais podem não
apenas prejudicar a saúde humana como limitar o desenvolvimento de algumas
culturas vegetais (Pimentel da Silva, 2015). Dessa forma, a presença de sais em P3
deve ocorrer em razão do lançamento de poluentes neste ponto, decorrente da
quantidade de sólidos totais e com consequente aumento da condutividade local.

Figura 2. Resultado da Análise de Componentes Principais (PCA) com respectivos pontos amostrais
ligados por polígonos. O polígono cinza claro refere-se ao P1, o cinza escuro ao P2 e o cinza médio ao
P3. Os números entre 1-12 referem-se aos meses do ano (janeiro-dezembro), e as siglas correspondem
a: ORPmV = Potencial de oxirredução, NTU= Turbidez, Cond= Condutividade, TDS=Sólidos totais
dissolvidos, M= Profundidade estimada (m), temp=Temperatura, OD= Oxigênio reduzido. Autovalores:
CP1= 3,40, CP2= 1,50; Proporção da variância: CP1= 0,49, CP2=0,21.

O Potencial de oxirredução (ORP) demonstra o estado de redução da oxidação


da água. Muitos metais tóxicos se tornam solúveis nas condições de oxirredução,
tornando o potencial de redução uma medida importante para a determinação da
qualidade da água. Por ser mensurado de maneira similar ao pH (porém sendo log -
10 negativo da atividade dos elétrons), seus valores geralmente são inversamente
proporcionais (Pimentel da Silva, 2015), o que explica a correlação inversa entre
essas variáveis na PCA (Figura 2). Não foi constatado variação significativa do pH e
do ORP entre os pontos, e as medianas estão dentro dos parâmetros impostos pela
resolução do CONAMA (n°357/2005) para tais variáveis (PH entre 6,0-9,0).

Conclusões

A partir do presente estudo é possível identificar o P3 como local de maior risco


a degradação da qualidade da água, em razão dos elevados valores de variáveis
abióticas danosas ao ambiente. Dessa forma, torna-se necessário estudos mais
aprofundados relacionados a sua condição atual, buscando o planejamento e
aplicação de medidas mitigatórias que contenham a contínua introdução de poluentes
oriundos da estação de tratamento.

Referências

Braga, B., Porto, M. & Tucci, C.E.M. (1999). Monitoramento de quantidade e qualidade
das águas. In Rebouças, A.C., Braga, B., & Tundisi, J.G. (Eds.), Águas Doces no
Brasil. (pp. 717). São Paulo: Escrituras.

Brandão, S. L., Lima, S.C. (2002). pH e condutividade elétrica em solução do solo ,


em áreas de pinus e cerrado na chapada , em uberlândia (mg). Caminhos da geografia
3, 46–56.

Buss, D.F., Baptista, D.F. & Nessimian, J.L. (2003). Bases conceituais para a
aplicação de biomonitoramento em programas de avaliação da qualidade da água de
rios. Cadernos de Saúde Pública 19, 465–473.

Esteves, F.A. (1998). Fundamentos de Limnologia. Rio de Janeiro: Interciência.

Nascimento, G.F., Zuffo, C.E. & Gouveia, G.R. (2011). Qualidade de águas
subterrâneas da bacia do alto e médio rio Machado-RO. In Anais Simpósio de
Recursos Hídricos da Zona da Mata, Roraima, Brasil.

Pes, J.H.F. (2012). Água potável e a teoria dos bens fundamentais de Luigi Ferrajoli.
Publica direito 1, 1–23.

Pimentel da Silva, L. (2015). Hidrologia. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus.

RCore, T. (2016). R: A language and environment for statistical computing. Vienna,


Australia: R Foundation for Statistical Computing. https://www.r-project.org/.

Tosin, G.A.S. (2005). Caracterização física do uso e ocupação da bacia hidrográfica


do rio Cascavel. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Agrícola. Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

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