Você está na página 1de 3

CÂMARA DOS DEPUTADOS

Gabinete da Deputada Federal Paula Belmonte – CIDADANIA/DF

Ofício nº. 72 /2021 – GAB/Paula Belmonte

Brasília, 29 de julho de 2021.

À Promotoria de Defesa do Patrimônio Público - PRODEP


MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
Eixo Monumental, Praça do Buriti, Lote 2, Sede do MPDFT, Brasília-DF – CEP 70.091-900
– TELEFONE 61 3348-9009
prodep@mpdft.mp.br

NESTA

Assunto: Representação em face de reportagem sobre o uso de recursos do PDAF –


indícios de irregularidades

À PRODEP/MPDFT,

Ilustríssimo(a) Senhor(a) Promotor(a),

Cumprimentando-o(a) respeitosamente, reporto-me ao que vem sendo noticiado


sobre a execução de recursos destinados ao Programa de Descentralização Administrativa e
Financeira (PDAF), pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, as quais
apontam supostos indícios de irregularidades.
Sobre o programa PDAF, instituído pela Lei Distrital nº 6.023, de 18 de dezembro
de 2017, não se pode negar que seja um importante instrumento na desburocratização da
execução de recursos públicos, cujas necessidades, muitas vezes, demandam relativa urgência
e resposta imediata do Estado. Contudo, não se pode utilizar este instrumento com desvio da
finalidade para o qual foi constituído, sob risco de se configurar não apenas atos de improbidade
administrativa, mas até mesmo crimes ewm face à burla do procedimento regular de licitação.

Neste contexto, não é a primeira vez que a execução desses recursos vem sendo
alvo de matérias por meios de comunicação local, como por exemplo a recente matéria
intitulada de “Rei do PDAF”1.

Acontece que em 29/07/2021, o meio de comunicação digital Metrópoles, traz na


coluna “Janela Indiscreta” matéria noticiando que a “Secretaria de Educação gastou R$ 5 mi
exclusivos de escolas do DF em reforma de prédio”2, ou seja, que se confirmado ficará claro o
uso indevido e ilegal desses recursos por parte da Pasta, visto que foi utilizado para a reforma
de um imóvel localizado na 607 norte, para servir como sede da Coordenação Regional de
Ensino do Plano Piloto (Crepp), considerando que a norma que instituíu o programa e a sua
regulamentação não prevê a utilização desses recurssos neste tipo de obra, mas sim para
pequenos reparos e reformas.

Ademais, caso comprovada as notícias veiculadas na referida matéria, poderá


configurar, inclusive, burla e fraude do regular procedimento de licitação, visto que a pretação
desses serviços deveria seguir o rito da Lei nº 8.666/93 (a época vigente), incorrendo,
consequentemente, em crimes tipificados no Código Penal.

Portanto, as “denúncias” são graves, pois descrevem supostas condutas delituosas


por parte de agentes públicos, e que carecem, indubitavelmente, de uma aprofundada
investigação por parte desse Órgão Ministerial, até mesmo porque o próprio Governo do
Distrito Federal3 noticiou que há a previsão de destinação de quase R$ 50 milhões de recursos
públicos para o 2º semestre de 2021, para ser executado por meio do PDAF, fora os R$ 105
milhões já aplicados no 1º semestre em “benfeitorias” para o retorno presencial4.

Em uma simples leitura do “Manual de Procedimentos” do Programa de

1
https://donnysilva.com.br/rei-do-pdaf/
2
https://www.metropoles.com/colunas/janela-indiscreta/secretaria-de-educacao-gastou-r-5-mi-exclusivos-de-
escolas-do-df-em-reforma-de-predio
3
https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/2021/07/09/pdaf-de-r-49-milhoes-garantido-para-o-2o-semestre/
4
http://serins.df.gov.br/r-105-milhoes-em-benfeitorias-para-o-retorno-presencial/
Descentralização Administrativa e Financeira, publicado pela própria Secretaria de Educação,
resta claro que, se confirmado o uso desses recursos para a reforma do referido prédio, não
justificativa plausível que se possa apresentar paqra justificar o “erro” do seu emprego, até
mesmo, porque a única forma de “desconstituir” as informações trazidas na referida
reportagem, seria por meio dos projetos, termos de referência e edital de licitação para a aludida
reforma do imóvel.

Diante do exposto, certa da missão institucional que reveste esse Ministério


Público, bem como considerando os vultoso montante de recursos públicos anualmente
destinados ao PDAF, cujas regras de contratação mitigam as regras regulares de contratação
pelo Poder Público (licitação), o que enseja um maior zelo e cuidado por parte dos gestores
públicos, e uma maior fiscalização por parte dos órgãos competentes, solicito a instauração de
procedimento apuratório para se averiguar o suposto uso indevido de tais recursos, não apenas
neste caso, mas em outro que envolvam o programa.

Atenciosamente,

Deputada Federal Paula Belmonte