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ANÁLISE TÉCNICA DOS AGREGADOS NO ESTUDO DE


RESISTÊNCIA E PERMEABILIDADE DO CONCRETO PERMEÁVEL

Aluno: Lucas Meireles Pancieri


Professor: Me. Pedro Junior Zucatelli

1 INTRODUÇÃO

O concreto tem sido o material mais utilizado no mundo como uso estrutural,
e dentre os materiais utilizados pelo homem perde apenas para a água, e tem sido
aplicado estruturas diversas, conforme as palavras de Pinheiro (2007). A sua devida
utilização é pelas propriedades mecânicas que ele possui, que segundo Pinheiro
(2007), são 3 principais: resistência à compressão, resistência à tração e módulo de
elasticidade, propriedades essas que são conferidas através de ensaios, para
atender a qualidade e as especificações normativas.

O concreto atende várias demandas, devido ser um composto, que segundo


Tutikian e Helene (2011) necessita de um estudo de dosagem para melhor obtenção
de conformidade entre os materiais que o constituem, conhecido como traço.
Através disso, consegue obter o concreto poroso, conhecido também como concreto
permeável, que leva este nome por possuir alto índice de vazios, pois em sua
composição possui pouca ou nenhuma quantidade de agregado miúdo, fator este,
que permite a passagem de água nesses poros, tornando-se um ótimo recurso para
diminuição de acúmulo de águas pluviais em áreas urbanas.

Segundo BOTTEON (2017), o concreto permeável tem se tornado uma


grande tecnologia aplicada em vários estudos onde vem ganhando espaço na
sustentabilidade, que é um tema com alta potencialidade dentro da engenharia civil
atual. Mas é um composto que precisa de análises complexas de dosagem, pelo fato
da alta presença de vazios, consequentemente, adquirindo uma redução de
resistência quando comparado com o concreto comum.

1.1 JUSTIFICATIVA DO TEMA


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Como na engenharia civil o âmbito de utilização do concreto tem se


fortalecido em todo mundo, na busca de um concreto melhor, com mais eficiência e
ao mesmo tempo econômico, como é comentado por Silva (2010), sobre o CAD
(concreto de alto desempenho) que tem ganhado espaço na construção civil desde
os anos 60, sendo este, um concreto com mais resistência, podendo diminuir no
tamanho das peças estruturais.

O concreto também ganhou fortíssimo espaço na construção de pavimento


rígidos, como é denotado por Rolim e Moura (2018), o que contribuiu para o fator de
impermeabilização do solo, que tem sido um dos maiores problemas das áreas
urbanas pavimentadas, onde aumentou o escoamento superficial elevando o nível
de enchentes, segundo Lorenzi et al. (2015).

A partir deste ponto, estudos das propriedades do concreto começaram a ser


estudadas como o concreto permeável, que recebe pouco ou nenhum agregado
miúdo em sua composição, melhorando a porosidade e diminuindo o escoamento
superficial (Silva, 2019). A alteração na composição granulométrica pode melhorar a
permeabilidade mas diminui consequentemente a resistência, pois essas
propriedades tem reações inversas.

Com essa correlação, se evidencia o estudo das variações dos agregados na


composição do concreto permeável, e que ao mesmo tempo tenha a devida
resistência e permeabilidade ideal para ser aplicada na construção civil em
pavimentos de tráfego leve, e que tenha viabilidade técnica e econômica o processo
de realização desse material para amenização dos problemas relacionados as
enchentes urbanas.

1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA

A proposta de projeto será delimitada no estudo da resistência e da


permeabilidade do concreto poroso, através de 3 traços diferentes que venha
demonstrar a influência da adição do agregado miúdo no composto com agregados
graúdos em granulometria diferentes especificadas na metodologia, sem que venha
interferir na sua permeabilidade, onde os dois primeiros traços (T1) e (T2) possuirá
somente agregados graúdos com granulometria diferentes, sendo que o terceiro
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traço (T3) se aplicará a mesma granulometria de agregado graúdo do T2, mas com
substituição de agregado miúdo em 20%.

Serão confeccionadas 2 amostras de 350 x 350 x 80 mm de cada traço para


ensaio de permeabilidade, na qual se utilizará a relação cimento/agregado em 1:4 e
fator água/cimento 0,32 em todos os traços, onde os ensaios serão realizados no
Laboratório de Construção Civil da Faculdade Capixaba de Nova Venécia, localizado
em Nova Venécia – ES.

1.3 PROBLEMA DA PESQUISA

Botteon (2017) destaca sobre três propriedades características do concreto


permeável, como o índice de vazios, a permeabilidade e a resistência mecânica. É
necessário analisar se após compactação dos corpos de prova, o índice de vazios e
a permeabilidade apresentará níveis contribuintes e se os ensaios de resistência a
compressão resultará nas especificações exigidas.

Com esse objetivo, surge a problemática: O concreto permeável pode atender


as demandas de resistência e permeabilidade exigidas pela NBR 16416 -
Pavimentos permeáveis de concreto - Requisitos e procedimentos (ABNT, 2015)
apenas com a variação granulométrica em seu traço, sendo viável tecnicamente?

1.4 OBJETIVOS

1.4.1 GERAL

Analisar a resistência a compressão do concreto poroso, estudando um traço


com granulometria adequada através da substituição parcial de agregado miúdo
devendo atingir a permeabilidade ideal especificada em norma para que seja viável
tecnicamente para uso em pavimentos de tráfico leve dentro da construção civil.

1.4.2 ESPECÍFICOS

a. Adquirir as granulometrias adequadas dos agregados graúdos e miúdos para


dosagem através do ensaio de peneiramento especificado na NBR NM 248;
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b. Realizar ensaios de resistência a compressão axial em corpos de prova de


concretos permeáveis com variações percentuais de agregados como
especificado pela NBR 5739 – Concreto: Ensaio de compressão de corpos-
de-prova cilíndricos (ABNT, 2007);
c. Realizar ensaios de permeabilidade e analisar o índice de vazios registrando
os dados apresentados;
d. Comparar os resultados obtidos com os requerimentos da NBR 16416 -
Pavimentos permeáveis de concreto - Requisitos e procedimentos (ABNT,
2015) analisando qual traço é mais adequado no uso da construção civil em
pavimentos leves.

1.5 HIPÓTESE

A presente pesquisa tem como hipótese a variação da granulometria de


agregados graúdos e adição de agregado miúdo em substituição de 20% de
agregado graúdo em um dos traços para que alcance a resistência a compressão
mínima de 20Mpa e coeficiente de permeabilidade (k) mínimo de 0,001 m/s (metros
por segundo) conforme cita NBR 16416: 2015 após os 28 dias de cura.

2 METODOLOGIA
2.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA
O trabalho em análise será uma pesquisa experimental, por necessitar da
realização de experimentos, testes e ensaios em laboratório para estudar a
característica de resistência e permeabilidade do concreto permeável com variações
granulométricas de agregados.

Garces (2010) menciona a pesquisa experimental como a descrição e


explicação de fenômenos em uma situação controlada, onde o professional interfere
tal realidade manipulando variáveis, operando um tratamento propício para análise
de efeitos de um determinado objeto.

2.2 TÉCNICAS PARA COLETA DE DADOS


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A técnica usada para coleta de dados da pesquisa é a observacional, na qual


será examinado e compreendido todas as atividades e informações conquistadas no
experimento realizado onde poderão ser registrados todos os comportamentos
apresentados.

2.3 FONTES PARA COLETA DE DADOS

A coleta de dados desta proposta de projeto será obtida por fontes


secundárias, que compreende o recurso de pesquisa bibliográfica, onde envolve a
utilização de teses de mestrado e doutorado, artigos científicos e acadêmicos, na
qual pretende-se demonstrar cientificamente os aspectos em análise da proposta
apresentada.

2.4 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA PESQUISADA

Os dados da pesquisa apresentada terá natureza do tipo quantitativa, pois


após os estudos realizados e os ensaios analisados, serão coletados os dados
permitindo uma contribuição significativa para a pesquisa, para que consiga um
detalhamento em profundidade dos resultados, demonstrando uma realidade
compreendida com positividade.

2.5 INSTRUMENTO PARA A COLETA DE DADOS

O processo dará início com a obtenção dos materiais para utilização do traço
na loja de materiais de construção Predial Madeiras e Material de Construção
localizada na cidade de Montanha-ES, onde serão adquiridos os agregados graúdos
e miúdos e o cimento Nassau CP III-40, cimento este de alto forno que apresenta
maiores características de durabilidade, ideais para o uso de pavimentação na qual
está sendo estudado. Estes materiais serão levados para o Laboratório de
Construção Civil da Faculdade Capixaba de Nova Venécia, situado em Nova
Venécia – ES.

A partir de então, se dará o início aos requerimentos com ensaios


granulométricos especificados pela NBR NM 248, com peneiramento mecânico:

1. Para adquirir os agregados graúdos para o primeiro traço (T1), serão


utilizados os que passarem na peneira de série intermediária de abertura de
malha de 12,5 mm e que serão retidos nas peneiras de série normal de
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abertura de malha de 4,75 mm e de 9,5mm, na qual possuirá granulometria


contínua de 4,75 a 12,5 mm;
2. Para os dois próximos traços (T2) e (T3), serão utilizados agregados graúdos
de granulometria uniforme que serão retidos apenas na peneira de série
normal de abertura de malha de 9,5 mm;

Para o agregado miúdo que substituirá o agregado graúdo no T3, seguirá


ensaios especificados pela NBR 7211 - Agregados para concreto – Especificação
(ABNT, 2009), para cálculo de dimensão máxima característica e módulo de finura;

Os traços possuirão dosagens de cimento/agregado em 1:4, que consiste,


respectivamente, em uma medida de cimento Nassau CP III-40, e em 4 medidas de
agregados, utilizando-se o fator água/cimento no valor de 0,32 em todos os traços.
Os traços não receberão nenhum tipo de adição ou aditivo;

Sendo que o traço T1 utilizará agregados de granulometria contínua de 4,75 a


12,5mm, e o traço T2 receberá agregados de granulometria uniforme de 9,5mm, o
traço T3 também utilizará agregados de granulometria uniforme de 9,5mm mas com
a substituição de 20% em agregado miúdo em sua composição;

Será utilizado uma betoneira para produção dos traços. E após se seguirá o
especificado na NBR 5738 - Concreto: Procedimento para moldagem e cura de
corpos de prova (ABNT, 2016), para a produção de corpos cilíndricos nas
dimensões de 10 cm x 20 cm, onde serão produzidos 4 corpos de prova para cada
traço, onde se encontrará resultados em média suficientes para análises e estudos.

Serão confeccionados 2 placas de 350 x 350 x 80 mm para cada traço em


moldes de madeiras com as devidas medidas para ensaio de permeabilidade, com
base nos modelos realizados por Alcântara e Florêncio (2017).

Aos 28 dias, será utilizado o equipamento de compressão do laboratório para


ensaio de resistência à compressão dos corpos de provas cilíndricos, conforme NBR
5739 – Concreto: Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos (ABNT,
2007), com realização de cálculo da resistência de dosagem conforme índice 5.6.3
da NBR 12655 – Concreto: Preparo, controle e recebimento (ABNT, 2015).
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Para definir o coeficiente de permeabilidade (k) atingida pelo concreto


permeável nas placas, se utilizará um cilindro vasado que será vedado no concreto,
com 300 mm de diâmetro e uma altura de 50mm. Após a saturação da amostra, um
integrante do grupo irá cronometrar no momento exato que a água será através de
um recipiente de 20L com controle de vazão, onde a água despejada no interior do
cilindro fique na altura de 10 mm e 15 mm. O cronômetro será pausado no momento
exato em que água é totalmente infiltrada, conforme NBR 16416 – Pavimentos
permeáveis de concreto – Requisitos e procedimentos (ABNT, 2015) no ANEXO A, e
com dados coletados será calculado o coeficiente de permeabilidade (k) segundo
especificações da norma referida anterior.

2.6 POSSIBILIDADE DE TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS

Para análise e comparação dos dados registrados será utilizado a NBR 16416
onde a mesma especifica que para concreto permeável ser aplicado em
revestimento é requisitado uma resistência a compressão maior ou igual a 20 MPa
para tráfego leve, onde mesma norma também será utilizada para comparação do
coeficiente de permeabilidade que define o (k) ideal com valores maiores que 0,001
m/s (metros por segundo).

3 REFERENCIAL TEORICO

3.1 O CONCRETO COMO PAVIMENTO

Segundo Balbo (2009), os concretos são os materiais de construção que se


aplica como um dos mais populares, definidos pela mistura de agregados graúdos e
miúdos, proporcionados a um ligante hidráulico de cimento Portland. E por ser
complexo em suas atribuições através dos métodos de dosagem e seus traços
apresenta características especiais, como resistência mecânica, durabilidade,
impermeabilidade, dentre outros, quando já se encontra em seu estado de cura, o
que elevou os estudos detalhados e específicos sobre essa área, devido a
capacidade que todos esses materiais interligados podem gerar, como também a
variação de agregados e as diferentes composições dos aditivos produzidos que
alteram de pequena a grandes proporções as propriedades ideais do concreto.
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Devido as características apresentáveis do concreto, ganhou espaço na


pavimentação, sendo trabalhado como pavimento rígido, que segundo Senso (1997)
citado por Silva e Carneiro (2014) teve como iniciantes do seu uso os ingleses em
1865, passando a ser usado como autoestradas principalmente na Alemanha e
Estados Unidos, logo antes da Segunda Guerra Mundial, também tendo iniciativa no
Brasil em 1926.

Silva e Carneiro (2014) destaca sobre o uso do pavimento rígido, por ser apto
a receber maior parte dos esforços solicitantes, pois possui uma placa de concreto
com altíssima rigidez, na qual parcela e distribui as tenções para as camadas
inferiores com mais alívio, tornando a fundação mais econômica, tendo um destaque
no pavimento de concreto simples que não recebe armaduras de aço, onde as
forças estão distribuídas totalmente no concreto aplicado. Compreende-se que:

Um pavimento de concreto é uma estrutura sujeita a ações


mecânicas — ligadas às cargas — e ambientais — fruto das variações de
temperatura e de umidade do meio — que podem ser de grande severidade,
exigindo-lhe elevadas resistências à tração na flexão e à compressão
simples, de modo a dar-lhe a necessária, imprescindível durabilidade.
(Pitta, 1998 p.10)

Onde que é primordial a resistência do concreto devido a submissão das elevadas


taxas de esforço, visto que de acordo Neville e Brooks (2013) a resistência é
considerada a propriedade de suma importância, na qual é totalmente ligado a
durabilidade do revestimento devido a ação contínua do fluxo de veículos.

Todo essas propriedades do concreto vai de encontro a fadiga intensa devido


a constância de carregamento que promove a deterioração do concreto. Silva e
Carneiro (2014) explica sobre esse processo citando Cervo (2004) onde o material
sofre o desgaste por carregamento cíclico que gera microfissuras podendo levar a
ruptura do revestimento. Devido isso, existem algumas problemáticas que implicam
no dimensionamento de um pavimento, onde podem existir variações dos níveis de
carga, como aumento do tráfico, que pode chegar ao limite de tensão máxima,
acelerando o processo inicial de microfissuras, ou um ciclo contínuo de cargas que
promova uma constante deformação da estrutura, gerando a ruptura e o colapso
completo do revestimento.

Como é dito por Tutikian e Helene (2011), é exigido do concreto, durante sua
vida útil diante as solicitações de trabalho, durabilidade, que é um tema muito
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complexo, pois a fadiga pode reprimir essa propriedade, seja por fatores
extrínsecos, tais como exposições naturais de ambiente e esforços de tensão devido
as cargas, ou por fatores intrínsecos, como o tipo de cimento utilizado, relação
água/cimento, aditivos e outros.

Uma problemática relacionada ao uso do concreto rígido nas pavimentações


está na impermeabilização do solo, sendo que a impermeabilidade deve estar entre
as principais características do concreto convencional para proporcionar a
resistência adequada, pois quanto mais vazios na pasta de cimento mais fragilidade
é aderida ao concreto, segundo Neville e Brooks (2013).

De acordo com Botteon (2017), a impermeabilização do solo tem trazido


sérios problemas relacionados ao meio ambiente, como diminuição da infiltração das
águas pluviais na qual sobrecarregam as galerias de drenagem nos grandes centros
urbanos ocasionando enchentes, o que também diminui os níveis dos lençóis
freáticos pelo fato de não receber as águas que poderiam ser infiltradas, dentre
tantos outros.

3.2 PAVIMENTO DE CONCRETO PERMEÁVEL

De acordo com Barros e Boaventura (2020), a decorrência de tantos


problemas relacionados a impermeabilidade do solo impulsionou o estudo do
concreto poroso desde o ano 1970 em alguns países da Europa e América do Norte.
O estudo deste composto foi em busca da chance de inibir uma parcela dessas
complicações, onde permite a infiltração das águas pluviais, que contribuem para o
abastecimento dos lençóis freáticos e a diminuição as cheias, além de reduzir o
barulho das rodovias (MONTEIRO, 2010).

Conforme Silva (2019), esse tipo de concreto apresentou algumas


controvérsias relacionadas ao uso restrito em pavimentos rígidos, onde teve o
propósito de utilização em áreas de pouco tráfego, como calçadas,
estacionamentos, parques e ruas com fluxo de veículos leves. Esse fato é explicado
pelo fato do composto apresentar níveis menores de resistência devido ao alto
índice de vazios na sua composição (BOTTEON, 2017).

O pavimento relatado é o de concreto poroso de cimento Portland e segundo


a ABNT NBR 16416 deve atender todas as tenções provindas do tráfego e permitir a
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infiltração e/ou armazenar água nas camadas inferiores temporariamente para


reduzir o escoamento superficial, sem deteriorar a sua estrutura, devendo compor
todas as camadas por agregados de granulometria aberta, com pouca ou nenhuma
presença de finos, para a pós-compactação apresentar alto índice de vazios, que é a
razão entre a quantidade de vazios e a quantidade total de material.

Segundo Tucci (2003, apud Silva, 2019), o pavimento contém uma camada
de revestimento poroso com espessura média de 5 a 10 cm, que deve resistir a
esforços solicitantes e que servirá também de condutor do escoamento superficial
para as camadas inferiores. O escoamento é percolado quase momentaneamente
pelo revestimento, fluindo a uma camada como se fosse um filtro com espessura
média de 2,5 cm com agregado graúdo de graduação média de 1,9 cm de diâmetro,
e depois passando para camadas de armazenamento com agregados com
diâmetros de 3,8 a 7,6 cm que funciona como um reservatório quando for necessário
levar a água para outro ponto de jusante através de condutores internos a essas
camadas, neste caso, utiliza-se uma manta geotêxtil sob a última camada impedindo
a infiltração da água armazenada, ou simplesmente permite-se drenagem direta pelo
solo abastecendo os lençóis freáticos.

De acordo com Acioli (2005, apud Silva e Monteiro, 2017) é ocasionado no


decorrer do tempo o fenômeno de colmatação, que é o acúmulo de matérias que
causam a obstrução dos poros do concreto, onde prejudica a mais importante
função do pavimento que é a percolação das águas, necessitando de manutenções
frequentes para permitir a drenagem necessária constante.

3.3 RELAÇÃO ENTRE A RESISTÊNCIA E A POROSIDADE DO CONCRETO


PERMEÁVEL

Segundo Lorenzi et al. (2015), o estudo deste concreto é proporcionado pela


sua alta permeabilidade, devido à pouca ou nenhuma adição de agregado miúdo,
sendo que esta propriedade de maior destaque dependerá por outros diversos
fatores. De acordo com Botteon (2017), é necessário atingir as características
mecânicas e hidráulicas mínimas, para suportar as fadigas de um pavimento, e
atender a demanda de drenagem das águas pluviais, respectivamente.
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A resistência à compressão do concreto está 95% interligada a pasta de


cimento que na qual promove a ligação entre os agregados (Tutikian e Helene,
2011). E os agregados contendo diâmetros maiores, pouca ligação haverá entre os
agregados, e menor será a área de compressão que acarreta, consequentemente, a
diminuição da resistência.

Mariano (2014) explica que os agregados ocupam em mais de 60% do


volume do concreto convencional, isso variando da dosagem utilizada, onde o uso
dos agregados no concreto contribui na redução de gastos, reduz o calor de
hidratação, diminuindo a retração e aumentando a resistência mecânica e a
resistência a abrasão. O que muda do concreto permeável é apenas a utilização de
agregados graúdos que será coberto pela pasta de cimento, na qual é mencionado
por Monteiro (2010) que o tipo de rocha na qual é feito o agregado utilizado implica
mais na resistência do que a graduação do mesmo, e deste modo, as rochas que
absorvem menos água e possuem mais aderência podem contribuir na melhoria a
resistência.

Enquanto a isso, Mariano (2014) relata que a utilização de granulometria


contínua, onde há uma graduação completa da menor partícula até a maior, melhora
a resistência e diminui a porosidade, enquanto a graduação uniforme diminui a
resistência e aumenta a porosidade. Botteon (2017) declara que a resistência é uma
característica inversa a permeabilidade, e precisamente, Monteiro (2010) comenta
que a utilização de agregados maiores e de granulometria aberta, como o uso de
agregados graúdos numa dosagem contendo todos os diâmetros de 19 mm,
apresenta melhor condução hidráulica e menos resistência.

Jahn (2016) explica sobre a utilização de granulometria aberta contribui no


quesito de índice de vazios, que deve estar entre 15 a 35% do volume do concreto.
O índice de vazios se torna maior nesse concreto pelo fato de receber pouco ou
nenhum agregado miúdo em sua composição, o que proporciona maior facilidade na
passagem de água na camada de revestimento do pavimento. Quanto maior o
índice de vazios, menor será a resistência do concreto, que diminuirá a durabilidade.

A resistência também está interligada ao fator água/cimento (Tutikian e


Helene, 2011). O fator água/cimento é o fenômeno que proporciona uma melhora na
resistência entre a pasta de cimento e a zona de transição que se adere as paredes
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do agregado. Segundo Lamb (2014), essa relação deve estar entre 0,27 e,30 e
chegando no máximo a 0,40, sujeitando-se ao uso de aditivos. Monteiro (2010) já
explica sobre o resultados de experimentos de Lian e Zhuge (2010), onde foram
estudados fatores entre 0,30 e 0,38, indicando que o fator acima de 0,34 aumenta a
permeabilidade e logo diminui a resistência a compressão, e denota que as
melhores repercussões foram utilizando o fator 0,32.

Azañedo, Helard e Muñoz (2007, apud Monteiro, 2010), sobre o fator


água/cimento, explica que a pouca dosagem de água gera uma massa não-
consistente e pouco resistente, e que muita água condiciona muita fluidez da pasta
de cimento, o que acarreta o preenchimento dos poros e ainda pode lavar o cimento
da área de contato dos agregados. O que se espera, é que a massa tenha uma
aparência brilhante, por ser eficiente na lubrificação que contribui grandemente na
compactação, que é outro fator que se aplica a resistência necessária (Lamb, 2014).

3.4 EFEITOS DA GRANULOMETRIA DOS AGREGADOS NA RESISTÊNCIA E


PERMEABILIDADE

Como é dito por Monteiro (2010), a graduação do agregado compreende


como um dos fatores que se relacionam com as características do composto, pois
tem grandes considerações nas propriedades de resistência e permeabilidade do
concreto permeável, que terá melhor capacidade do desempenho. A distribuição
granulométrica tem relação direta com índice de vazios, pois são os formatos e
tamanhos dos agregados que proporcionam a quantidade de vazios interligados,
onde o uso de agregados de mesmo tamanho deixará mais espaços vazios do que
quando há na mistura a utilização de partículas menores (Weizenmann, 2017).

Martins (2008) explica que a maior influência do agregado na resistência está


na sua distribuição granulométrica e não no material de que o mesmo é feito, só no
caso de alguns agregados leves e mais frágeis, pois a resistência está mais aplicada
no preenchimento de vazios, ou seja, no entretenimento granular entre os agregados
graúdos e miúdos.

A NBR 7211 – Agregados para concreto – Especificação (ABNT, 2009) define


os agregados miúdos como as partículas que passam na peneira de 4,75 mm e que
são retidos na peneira de 150 µm, e os agregados graúdos são os que passam na
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peneira de 75 mm e que são retidos na peneira de 4,75 mm, sendo que agregados
com diâmetros acima de 75 mm já é classificado como pedra de mão. Lian e Zhuge
(2010, apud Monteiro, 2010) explica que variações contínuas das partículas entre
4,75 e 9,5 mm apresentam maior resistência, pois diminui a presença de vazios e
aumenta a superfície de contato entre os agregados. Quanto no caso do concreto
convencional, adiciona-se o agregado miúdo contendo tamanhos menores que 4,75
mm, onde aumenta ainda mais a interação entre as partículas.

Em experimentos realizados por Katayama (2016) em concretos de alto


desempenho, foi explicado que a utilização de agregados menores que 9,5 mm
apresentaram melhores valores de resistência do que com a aplicação de agregados
menores que 19 e 31,5 mm. E nos experimentos feitos por Mariano (2014) em
concretos permeáveis, foram conquistados melhores condições de resistência em
todas as porcentagens de substituição de agregado miúdo em agregados graúdos
de granulometria contínua de 4,75; 6,3 e 9,5 mm, e na granulometria uniforme de 9,5
mm, onde os melhores valores de coeficiente de permeabilidade (k) foram
encontrados em todas as porcentagens de substituição de agregado miúdo em
agregados graúdos de granulometria uniforme de 9,5 mm. Apesar dos agregados
variando entre 4,75 e 9,5 mm apresentarem melhor resistência por preencherem
mais vazios, os de 9,5 mm tiveram valores de resistência bem próximos e ainda
apresentou melhor capacidade permeável por criar mais vazios interconectados,
mostrando que as melhores condições de resistência são encontradas com
partículas variáveis em 9,5 mm.

Jahn (2016) cita ACI (2010) relatando que valores de resistência a


compressão simples podem ser encontrados em concretos permeáveis entre 2,8 a
28,0 Mpa, e Alcântara e Florêncio (2017) apresenta o mínimo coeficiente de
permeabilidade (K) relatado pela NBR 16416 (2015) que é 0,001 m/s. Alcântara e
Florêncio (2017) mostra resultados de ensaios em laboratório usando um traço com
apenas água, cimento e agregado graúdo e outro traço substituindo 10% do
agregado graúdo em miúdo, com teor de água/cimento 0,30 utilizado nos dois
traços, e notou-se uma visível atuação do agregado miúdo adicionado a mistura,
onde o mesmo contribuiu em um aumento de resistência e que, consequentemente,
diminuiu a permeabilidade que atingiu o limite mínimo exigido em norma,
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demonstrando como a variação granulométrica pode ser influente na atuação de


resistência e permeabilidade de um concreto.

4. CRONOGRAMA

ATIVIDADES 3ª Semana 4ª Semana 4ª Semana


de Agosto de Agosto de
Setembro

1. Compra dos materiais para dosagem X

2. Ensaios granulométricos dos agregados X

3. Preparo dos traços X

4. Moldagem dos corpos de prova cilíndricos e X


placas

5. Ensaios da resistência a compressão dos X


corpos de prova cilíndricos aos 28 dias

6. Ensaios de permeabilidade nas placas X

7. Cálculo e análise dos Resultados X

5. REFERÊNCIAS

ALCÂNTARA, I. C. A.; FLORÊNCIO, M. S. Análise do traço de concreto


permeável quanto a sua resistência à compressão e permeabilidade. Trabalho
de Conclusão de Curso (Graduação em engenharia civil) - Faculdade Capixaba de
Nova Venécia – MULTIVIX, Nova Venécia, 2017.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM: 248. Agregados -


Determinação da composição granulométrica. Rio de Janeiro, 2003.

____. NBR 5738. Concreto - Procedimentos para moldagem e cura de corpos


de prova cilíndricos. Rio de Janeiro, 2015.

_____. NBR 5739. Concreto - Ensaios de compressão de corpos de prova


cilíndricos. Rio de Janeiro, 2007.

_____. NBR 12655. Concreto de Cimento Portland – Preparo, controle,


recebimento e aceitação. Rio de Janeiro, 2015. 24
15

_____. NBR 16416. Pavimentos permeáveis de concreto - Requisitos e


procedimentos. Rio de Janeiro, 2015.

BARROS, E. N. de S.; BOAVENTURA, S. M. Estudo experimental do desempenho


de pavimentos permeáveis como alternativa de redução do escoamento superficial
em áreas urbanas. REEC - Revista Eletrônica De Engenharia Civil, v. 15, n. 2, p.
300-313. 2020.

BALBO, José Tadeu. Pavimentos de concreto. José Tadeu Balbo. – são Paulo:
Oficina de Textos, 2009. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?hl=pt-
BR&lr=lang_pt&id=iFzUDAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PT7&dq=pavimentos+de+concreto&
ots=DwfsJiq34L&sig=FSwI4eTLyA4owQLqDhB6xYOOsJc&redir_esc=y#v=onepage
&q&f=true> Acesso em: 23 mai. 2020.

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