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Comentário da Lição da Escola Sabatina – 1º Trimestre de 2019

Tema Geral: O livro do Apocalipse

Lição 7: 9 a 16 de fevereiro

“As sete trombetas”

Autor: Érico Tadeu Xavier

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

Sobre o significado e a interpretação das sete trombetas do Apocalipse, Ángel M. Rodrigues (PhD)
assim se expressou: “Um ciclo visionário muito difícil de ser interpretado no Apocalipse é o das
sete trombetas (Ap 8–11). A linguagem e as imagens são complexas. Sua aplicação a eventos
históricos específicos tem resultado em vários pontos de vista. Essa incerteza de interpretação
pode confundir os estudantes interessados em encontrar uma interpretação clara e final dessa
profecia. Atualmente, essa interpretação final está indisponível” (Revista Ministério – MAI/JUN/2012,
p. 17). Diante disso, este comentário seguirá o conceito tradicional adventista.

1. O significado das trombetas – Apocalipse 8, 9 e 11

O conceito tradicional adventista defende que as trombetas abrangem a história da Era Cristã
como fazem as sete igrejas (Ap 2; 3), mas de uma perspectiva diferente. As trombetas são
interpretadas como os acontecimentos na História que tiveram influência sobre a história da Igreja
(Ver Uriah Smith, As Profecias do Apocalipse, p. 123-182; Roy Allan Anderson, O Apocalipse
Revelado, p. 97-127).

Sete trombetas assinalam o colapso do Império Romano

1ª: Invasão gótica do Império Romano do Ocidente ["a terça parte"] (410 d.C.).

2ª: Os vândalos atacam Roma pelo mar, destruindo a frota romana pelo fogo (455 d.C.).

3ª: Roma é atacada pelos hunos, sob a liderança de Átila (quinto século).

4ª: O governo romano é destruído sucessivamente: primeiro os imperadores, depois os senadores e


então os cônsules (quinto e sexto séculos; Ver As Revelações do Apocalipse, p. 104).

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5ª. Os sarracenos (forças islamíticas) invadiram a parte oriental do Império Romano (sétimo
século).

6ª. Tropas turcas destroem o Império Romano Oriental (séculos catorze e quinze).

7ª. O fim do mundo.

(Ver mais em Estudos Bíblicos: Guia Completo de Orientação e Estudo das Sagradas Escrituras, p.
112 a 116).

Esse conceito das trombetas se concentra na História como palco da ira de Deus. O Império
Romano é destacado como objeto da ira divina por causa do papel que Roma desempenhou na
perseguição ao povo de Deus e na supressão de Sua Palavra. Esse conceito é compatível com a
interpretação profética da História como a esfera em que Deus revela tanto Suas ações salvíficas
como Suas manifestações de ira. Quando a Era Cristã é encarada do ponto de vista do grande
conflito entre Cristo e Satanás, o livro do Apocalipse assume especial relevância e significado.

2. O anjo e o livro aberto – Apocalipse 10

O “Anjo forte” – "O poderoso Anjo que instruiu João não era ninguém menos do que Jesus Cristo.
Colocando Seu pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a terra seca, (Ele) mostra a parte que
está desempenhando nas cenas finais do grande conflito com Satanás. Essa posição denota Seu
supremo poder e autoridade sobre toda a Terra" (Comentários de Ellen White no Comentário Bíblico
Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 1084-1085).

O livro de Daniel – Foi ordenado a Daniel: 'Encerra as palavras e sela o livro, até ao tempo do fim'
(12:4). Essa admoestação se aplica particularmente à parte das profecias de Daniel que trata dos
últimos dias e, sem dúvida, especialmente ao fator de tempo dos 2.300 dias (Dn 8:14), pois se
relaciona com a pregação das mensagens dos três anjos (Ap 14:6-12). Visto que a mensagem do
Anjo que estamos considerando trata do tempo e presumivelmente de acontecimentos do tempo
do fim, quando seria retirado o selo do livro de Daniel (Dn 12:4), parece ser razoável deduzir que o
livrinho aberto na mão do Anjo representava o livro de Daniel. Com a apresentação a João do
livrinho aberto, são reveladas as partes seladas da profecia de Daniel. O fator do tempo, indicando
o fim da profecia dos 2.300 dias, torna-se claro. Consequentemente, o capítulo em apreço focaliza
o tempo em que foi feita a proclamação dos versos 6 e 7, isto é, os anos de 1840 a 1844.
(Ver Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 882).

A experiência doce e amarga – A mensagem da breve volta de Cristo para 22 de outubro de


1844 foi algo doce para os crentes. Porém o dia chegou e passou e Ele não voltou, deixando
milhares de pessoas em profundo desapontamento. Depois dessa grande decepção, os crentes
genuínos não abandonaram sua crença na segunda vinda de Cristo nem a convicção de que seu
movimento era de origem divina. Renovado interesse no estudo da Bíblia resultou em mais clara
compreensão da profecia. A breve volta de Jesus tornou-se uma grande certeza. A Igreja Adventista

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do Sétimo Dia foi estabelecida com a missão mundial de avisar ao mundo que Cristo voltará.
Fundaram-se instituições médicas e educacionais em muitas partes do Globo. Foram erigidas
igrejas, escolas, hospitais e casas publicadoras para ajudar a levar o evangelho eterno a toda
nação, tribo, língua e povo (Ver Apocalipse 10:11).

3. As duas testemunhas – Apocalipse 11

Os Adventistas do Sétimo Dia têm interpretado tradicionalmente as duas testemunhas do


Apocalipse como símbolos do testemunho das Escrituras Sagradas – o Antigo e o Novo
Testamentos. As duas testemunhas não são membros da Divindade (v. 3, 4). Podem ser atacadas
por seres humanos, mas são capazes de se defender (v. 5). Têm poder para produzir calamidades e
pragas, e profetizam (v. 6). Podem ser mortas (v. 7, 8), mas ressuscitam (v. 11). São dois profetas
(v. 10). Ao serem ressuscitadas, sobem ao Céu para que seus inimigos as contemplem (v. 12).

Identificação:

Duas testemunhas: O Antigo e o Novo Testamentos.

Pano de saco: As Escrituras estão de luto quando a tradição está em ascendência.

Duas oliveiras: "Dos santos que estão na presença de Deus, Seu Espírito é comunicado a
instrumentos humanos que são consagrados para Seu serviço" (Parábolas de Jesus, p. 408).

Dois candeeiros: Humanos portadores de luz.

Besta que surge do abismo: Ateísmo, e, de modo mais específico naquele ponto do tempo
profético, a Primeira República Francesa.

Sodoma e Egito: Símbolos de degeneração moral e de desafio aos mandamentos de Deus.

Três Dias e Meio: O período de tempo profético que se estendeu de 26 de novembro de 1793,
quando um decreto, promulgado em Paris, aboliu a religião, até 17 de junho de 1797, quando o
governo francês removeu as restrições à prática da religião.

"Subiram ao Céu": Importância e exaltação dadas à Bíblia depois da supressão indicada acima.

Décima parte: Uma das dez pontas ou divisões do Império Romano. Neste caso, a França.

Conclusão – O capítulo 11 do Apocalipse termina em triunfo. Deus vindicará Seu nome na Terra e
estabelecerá Seu domínio de justiça para todo o sempre.

Conheça o autor do comentário: Érico Tadeu Xavier possui graduação em Teologia Pastoral
(1991) e mestrado (2000) pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia; Doutorado
(PhD) pelo South African Theological Seminary (2011). Pós-doutorado (2014) na área de teologia
sistemática pela FAJE – Faculdade de Filosofia e Teologia Jesuíta, de Belo Horizonte. Foi professor de

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teologia na Bolívia e na Bahia, na FADBA. Atualmente é professor de teologia sistemática no SALT –
IAP. Autor de 11 livros, é casado com a psicopedagoga e mestre em educação Noemi, com que tem
dois filhos, Aline e Joezer, que são casados e vivem no Paraná.

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