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Manual de Ecologia e Gestão Ambiental

Manual do Curso de Licenciatura de Gestão de


Recursos Humanos

ENSINO ONLINE. ENSINO COM FUTURO


Direitos de autor (copyright)

Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), e


contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total
deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação,
fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto Superior de Ciências
e Educação a Distância (ISCED).

A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos judicíais


em vigor no País.

Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED)


Direcção Académica
Rua Dr. Almeida Lacerda, No 212 Ponta - Gêa
Beira - Moçambique
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Website: www.isced.ac.mz
Agradecimentos

O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) agradece a colaboração dos


seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual:

Autor MSc: Marcelino Júlio Guente

Coordenação Direcção Académica do ISCED

Design Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED)

Financiamento e Logística Instituto Africano de Promoção da Educação a Distancia (IAPED)

Revisão Científica Teresa Rungo

Revisão Linguística XXXXX

Ano de Publicação 2017

Local de Publicação BEIRA

Elaborado Por: MSc. Marcelino Júlio Guente – Mestre em Gestão Integrada de Meio Ambiente, Qualidade e
Prevenção de Riscos Laborais pela Universidade Internacional Iberoamericana – Porto Rico, Licenciado em
Gestão Ambiental, Planificação e Desenvolvimento Comunitário pela Universidade Pedagógica de
Moçambique.

ÍNDICE Pág
Visão Geral 1
Bem vindo à Disciplina/Módulo de Ecologia e Gestão Ambiental................................... 1
Objectivos do Módulo ....................................................................................................... 1
Quem deveria estudar este módulo.................................................................................... 2
Como está estruturado este módulo................................................................................... 3
Ícones de actividade .......................................................................................................... 4
Habilidades de estudo ........................................................................................................ 4
Precisa de apoio? ............................................................................................................... 6
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ................................................................................. 7
Avaliação ........................................................................................................................... 7

TEMA – I: CONSIDERAÇÕES GERAIS. 8


UNIDADE Temática 1.1. Históra da Ecologia.............................................................. 8
UNIDADE Temática 1.2. Conceitos Básicos em Ecologia. ........................................ 12
UNIDADE Temática 1.3. Gestão Ambiental nas Empresas. ..................................... 29
UNIDADE Temática 1.4. EXERCÍCIOS deste tema ................................................. 36

TEMA – II: CONCEITOS BÁSICOS DE GEOCIÊNCIAS E HIDROGEOQUÍMICA. 39


UNIDADE Temática 2.1. Ciências da Terra ............................................................... 39
UNIDADE Temática 2.2. Ciências do Sistema Terrestre .......................................... 66
UNIDADE Temática 2.3. Hidrogeoquímica................................................................ 74
UNIDADE Temática 2.4. EXERCÍCIOS deste tema ................................................. 91

TEMA – III: CONCEITOS BÁSICOS DE HIDROLOGIA. 94


UNIDADE Temática 3.1. Hidrografia e hidrologia. ....................................................... 94
UNIDADE Temática 3.2. Humidade do solo e evaporação. ........................................... 97
UNIDADE Temática 3.3. EXERCÍCIOS deste tema. .................................................. 105

TEMA – IV: CONCEITOS BÁSICOS SOBRE POLUIÇÃO DE ECOSSISTEMAS 107


UNIDADE Temática 4.1. Ecossistemas........................................................................ 107
UNIDADE Temática 4.2. Os factores limitantes do ecossistema ................................. 110
UNIDADE Temática 4.3. Conceitos básicos prévios ao estudo dos diferentes
ecossistemas. ................................................................................................................. 119
UNIDADE Temática 4.4. EXERCÍCIOS deste tema. .............................................. 133

TEMA – V: RECURSOS ENERGÉTICOS E AMBIENTAIS 135


UNIDADE Temática 5.1. Energia e Meio Ambiente.................................................... 135
UNIDADE Temática 5.2. A Relação entre Recursos Naturais e Matriz Energética.
....................................................................................................................................... 146
UNIDADE Temática 5.3. EXERCÍCIOS deste tema. .................................................. 152

TEMA – VI: ZOOLOGIA 155


UNIDADE Temática 6.1. Conceitos básicos em Zoologia. .......................................... 155
UNIDADE Temática 6.2. O Reino dos Animais. ......................................................... 166
UNIDADE Temática 6.3. EXERCÍCIOS deste tema. .................................................. 190

TEMA – VII: ECOLOGIA E AMBIENTE DE MOÇAMBIQUE 193


UNIDADE Temática 7.1. Influências ambientais na qualidade de vida em Moçambique.
....................................................................................................................................... 193

Exercícios de Avaliação 209

Respostas dos Exercicíos de Avaliação 209

Referências Bibliográficas 212


Visão Geral

Bem vindo à Disciplina/Módulo de Ecologia e Gestão Ambiental

Objectivos do Módulo

Ao terminar o estudo deste módulo de Ecologia e Gestão


Ambiental deverá ser capaz de: Propíciar uma formação que
habilite aos estudantes compreender o meio ambiente e ecológico
em que vive caracterizando os principais tópicos da ecologia e de
gestão ambiental, a serem utilizados como base para a tomada de
decisão, da consciência na conservação ambiental e ecológico,
ajudando assim na diminuição dos impactos humanos sobre o
ambiente.

1
 Favorecer uma compreensão mais global dos problemas
ambientais, dando-lhes a dimensão social e política que
realmente possuem.

Objectivos Específicos  Contribuir para o desenvolvimento de um espírito crítico e


favorecer uma atitude de compromisso.
 Conhecer alguns fundamentos de ecologia geral e de gestão
ambiental, identificando e caracterizando os diferentes
factores que interferem no equilíbrio ecológico ambiental,
caso especifico em Moçambique.
 Identificar o indivíduo como integrante de populações,
caracterizando sua interação dinâmica na comunidade e no
ecossistema.
 Conhecer princípios legais que regem na preservação dos
recursos naturais e os factores que mantém a saúde
ambiental.
 Possuir noções básicas para avaliar diferentes meios
alternativos de uso de insumos, processos e produtos,
considerando-os sob o aspecto ecológico ambiental, de custos
e de tempo

Quem deveria estudar este módulo

Este Módulo foi concebido para estudantes do 3º ano dos cursos


de licenciatura do ISCED.
Poderá ocorrer, contudo, que haja leitores que queiram se
actualizar e consolidar seus conhecimentos nessa disciplina, esses
serão bem vindos, não sendo necessário para tal se inscrever. Mas
poderá adquirir o manual.

2
Como está estruturado este módulo

Este módulo de Ecologia e Gestão Ambiental, para estudantes do 3º


ano dos cursos de licenciatura, à semelhança dos restantes do ISCED,
está estruturado como se segue:

Páginas introdutórias

 Um índice completo.
 Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo,
resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para
melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta
secção com atenção antes de começar o seu estudo, como
componente de habilidades de estudos.

Conteúdo desta Disciplina / módulo

 Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua


vez comporta certo número de unidades temáticas ou
simplesmente unidades,. Cada unidade temática se caracteriza
por conter uma introdução, objectivos, conteúdos.
 No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são
incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só
depois é que aparecem os exercícios de avaliação.
 Os exercícios de avaliação têm as seguintes caracteristicas:
Puros exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e
actividades práticas algunas incluido estudo de caso.

Outros recursos

A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si, num


cantinho, recóndito deste nosso vasto Moçambique e cheio de
dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, apresenta
uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu módulo para você
explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro de
recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso como:
Livros e/ou módulos, CD, CD-ROOM, DVD. Para elém deste material
físico ou electrónico disponível na biblioteca, pode ter acesso a
Plataforma digital moodle para alargar mais ainda as possibilidades
dos seus estudos.

3
Auto-avaliação e Tarefas de avaliação

Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final de


cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos exercícios de
auto-avaliação apresentam duas caracteristicas: primeiro apresentam
exercícios resolvidos com detalhes. Segundo, exercícios que mostram
apenas respostas.
Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação mas
sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de
dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras.
Parte das terefas de avaliação será objecto dos trabalhos de campo a
serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção e
subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do
módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os exercícios de
avaliação é uma grande vantagem.

Comentários e sugestões

Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados


aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza didáctico-
Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas.
Pode ser que graças as suas observações que, em goso de confiança,
classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser melhorado.

Ícones de actividade

Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens
das folhas. Estes icones servem para identificar diferentes partes do
processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de
texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.

Habilidades de estudo

O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a aprender.


Aprender aprende-se.

Durante a formação e desenvolvimento de competências, para facilitar a


aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará empenho,
dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons resultados apenas se
conseguem com estratégias eficientes e eficazes. Por isso é importante
saber como, onde e quando estudar. Apresentamos algumas sugestões

4
com as quais esperamos que caro estudante possa rentabilizar o tempo
dedicado aos estudos, procedendo como se segue:

1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de leitura.

2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida).

3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação


crítica dos conteúdos (ESTUDAR).

4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua


aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão.

5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou as de


estudo de caso se existirem.

IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo,


respectivamente como, onde e quando...estudar, como foi referido no
início deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta
sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em
casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de manhã/de
tarde/fins de semana/ao longo da semana? Estudo melhor com
música/num sítio sossegado/num sítio barulhento!? Preciso de intervalo
em cada 30 minutos, em cada hora, etc.

É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado
durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da
matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já
domina bem o anterior.

Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e


estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é juntar o
útil ao agradável: Saber com profundidade todos conteúdos de cada
tema, no módulo.

Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por tempo


superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora intercalado por 10
(dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-se descanso à mudança
de actividades). Ou seja que durante o intervalo não se continuar a tratar
dos mesmos assuntos das actividades obrigatórias.

Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual obrigatório,


pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento da aprendizagem.
Por que o estudante acumula um elevado volume de trabalho, em
termos de estudos, em pouco tempo, criando interferência entre os
conhecimento, perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda

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tanto mas não aprende, cai em insegurança, depressão e desespero, por
se achar injustamente incapaz!

Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma avaliação.


Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda sistemáticamente),
não estudar apenas para responder a questões de alguma avaliação, mas
sim estude para a vida, sobre tudo, estude pensando na sua utilidade
como futuro profissional, na área em que está a se formar.

Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que


matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que resta,
deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo
será dedicado ao estudo e a outras actividades.

É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma


necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso:
A colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de
modo que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode
escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes,
pode também utilizar a margem para colocar comentários seus
relacionados com o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é
imediatamente a seguir à compreensão do texto e não depois de uma
primeira leitura; Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo
significado não conhece ou não lhe é familiar;

Precisa de apoio?

Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o
material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas como
falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros
ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, páginas trocadas ou
invertidas, etc). Nestes casos, contacte os serviços de atendimento e
apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone, sms, E-
mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta participando a
preocupação.
Uma das atribuições dos Gestores dos Centros de Recursos e seus
Assistentes (Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a
sua aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da
comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se torna
incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, estudante – CR, etc.
As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante,
tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff do seu CR, com
tutores ou com parte da equipa central do ISCED indigetada para

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acompanhar as sua sessões presenciais. Neste período pode apresentar
dúvidas, tratar assuntos de natureza pedagógica e/ou admibistrativa.
O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% do
tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida em que
permite lhe situar, em termos do grau de aprendizagem com relação aos
outros colegas. Desta maneira ficar’a a saber se precisa de apoio ou
precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver habito de debater assuntos
relacionados com os conteúdos programáticos, constantes nos
diferentes temas e unidade temática, no módulo.

Tarefas (avaliação e auto-avaliação)

O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e


autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues
duas semanas antes das sessões presenciais seguintes.
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não
cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do
estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de
campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da
disciplina/módulo.
Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os
mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente.
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa,
contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados,
respeitando os direitos do autor.
O plágio1 é uma viloção do direito intelectual do(s) autor(es). Uma
transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um
autor, sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade
científica e o respeito pelos direitos autoriais devem caracterizar a
realização dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED).

Avaliação

Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância,


estando eles fisicamente separados e muito distantes do
docente/turor!? Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja
uma avaliação mais fiável e concistente.

1 Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade


intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização.

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Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com
um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os
conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial
conta com um máximo de 10%) do total de tempo do módulo. A
avaliação do estudante consta detalhada do regulamentada de
avaliação.
Os trabalhos de campo por si realizaos, durante estudos e
aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de
frequência para ir aos exames.
Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e
decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no
mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência,
determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira.
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.
Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois)
trabalhos e 1 (um) (exame).
Algumas actividades praticas, relatórios e reflexões serão utilizados
como ferramentas de avaliação formativa.
Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em
consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de
cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as
recomendações, a identificação das referências bibliográficas
utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros.
Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de
Avaliação.

TEMA – I: CONSIDERAÇÕES GERAIS.

UNIDADE Temática 1.1. História da Ecologia


UNIDADE Temática 1.2. Conceitos básicos em Ecologia.
UNIDADE Temática 1.3. Gestão Ambiental nas Empresas
UNIDADE Temática 1.4. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 1.1. Históra da Ecologia

Introdução

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Ecologia é uma ciência (ramo da Biologia) que estuda os seres vivos e suas
interações com o meio ambiente onde vivem. É uma palavra que deriva do
grego, onde “oikos” significa casa e “logos” significa estudo. Esta palavra
foi criada no ano de 1866 pelo biólogo e naturalista alemão Ernst Heinrich
Haeckel (PINTO, 2007).
A Ecologia também se encarrega de estudar a abundância e distribuição
dos seres vivos no planeta Terra. Esta ciência é de extrema importância,
pois os resultados de seus estudos fornecem dados que revelam se os
animais e os ecossistemas estão em perfeita harmonia. Numa época em
que o desmatamento e a extinção de várias espécies estão em
andamento, o trabalho dos ecologistas é de extrema importância.
Através das informações geradas pelos estudos da Ecologia, o homem
pode planeiar acções que evitem a destruição da natureza, possibilitando
um futuro melhor para a humanidade.(KORMONDY, 2009)

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Conhecer os conceitos básicos e ecológia.


 Conhecer o histórial da ecológia e da Gestão Ambiental.
 Conhecer alguns fundamentos de ecologia geral e de gestão
ambiental, identificando e caracterizando os diferentes factores
que interferem no equilíbrio ecológico ambiental.
Objectivo
 Identificar o indivíduo como integrante de populações,
Especifico caracterizando sua interação dinâmica na comunidade e no
ecossistema.
 Conhecer o que é cadeia alientar e a teia alientar.
 Saber o que é Gestão Ambiental nas empresas e a importância da
mesma para a sociedade.

HISTÓRIA DA ECOLOGIA

A ecologia não tem um início muito bem delineado. Encontra seus


primeiros antecedentes na história natural dos gregos, particularmente
em um discípulo de Aristóteles, Teofrasto, que foi o primeiro a descrever
as relações dos organismos entre si e com o meio. As bases posteriores
para a ecologia moderna foram lançadas nos primeiros trabalhos dos
fisiologistas sobre plantas e animais.
O aumento do interesse pela dinâmica das populações recebeu impulso
especial no início do século XIX e depois que Thomas Malthus chamou
atenção para o conflito entre as populações em expansão e a capacidade
da Terra de fornecer alimento. Raymond Pearl (1920), A. J. Lotka (1925), e
Vito Volterra (1926) desenvolveram as bases matemáticas para o estudo
das populações, o que levou as experiências sobre a interação de

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predadores e presas, as relações competitivas entre espécies e o controle
populacional.

O estudo da influência do comportamento sobre as populações foi


incentivado pelo reconhecimento, em 1920, da territorialidade dos
pássaros. Os conceitos de comportamento instintivo e agressivo foram
lançados por Konrad Lorenz e Nikolaas Tinbergen, enquanto V. C. Wynne-
Edwards estudava o papel do comportamento social no controle das
populações. No início e em meados do século XX, dois grupos de
botânicos, um na Europa e outro nos Estados Unidos, estudaram
comunidades vegetais de dois diferentes pontos de vista.
Os botânicos europeus se preocuparam em estudar a composição, a
estrutura e a distribuição das comunidades vegetais, enquanto os
americanos estudaram o desenvolvimento dessas comunidades, ou sua
sucessão.
As ecologias animal e vegetal se desenvolveram separadamente até que
os biólogos americanos deram ênfase à inter-relação de comunidades
vegetais e animais como um todo biótico. Alguns ecologistas se detiveram
na dinâmica das comunidades e populações, enquanto outros se
preocuparam com as reservas de energia. (PINTO, 2007)

Em 1920, o biólogo alemão August Thienemann introduziu o conceito de


níveis tróficos, ou de alimentação, pelos quais a energia dos alimentos é
transferida, por uma série de organismos, das plantas verdes (produtoras)
aos vários níveis de animais (conshumidores). Em 1927, C. S. Elton,
ecologista inglês especializado em animais, avançou nessa abordagem
com o conceito de nichos ecológicos e pirâmides de números. Dois
biólogos americanos, E. Birge e C. Juday, na década de 1930, ao medir a
reserva energética de lagos, desenvolveram a idéia da produção primária,
isto é, a proporção na qual a energia é gerada, ou fixada, pela
fotossíntese.
A ecologia moderna atingiu a maioridade em 1942 com o
desenvolvimento, pelo americano R. L. Lindeman, do conceito trófico-
dinâmico de ecologia, que detalha o fluxo da energia através do
ecossistema. Esses estudos quantitativos foram aprofundados pelos
americanos Eugene e Howard Odum. Um trabalho semelhante sobre o
ciclo dos nutrientes foi realizado pelo australiano J. D. Ovington.

O estudo do fluxo de energia e do ciclo de nutrientes foi estimulado pelo


desenvolvimento de novas técnicas - radioisótopos, microcalorimetria,
computação e matemática aplicada - que permitiram aos ecologistas
rotular, rastrear e medir o movimento de nutrientes e energias específicas
através dos ecossistemas. Esses métodos modernos deram início a um

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novo estágio no desenvolvimento dessa ciência - a ecologia dos sistemas,
que estuda a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas.

EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. Coloque (V) nas afirmações Verdadeiras e (F) nas afirmaçoes Falças:


a) Ecologia é uma ciência que estuda os seres vivos e suas interações com
o meio ambiente onde vivem.
b) Ecologia é uma palavra que deriva do grego, onde “oikos” significa casa
e “logos” significa estudo.
c) A palavra ecologia foi criada no ano de 1866 pelo Engenheiro Florestal
moçambicano Ernesto Júlio Guente.

2. Quem desenvolveu as bases matemáticas para o estudo das populações, o que


levou as experiências sobre a interação de predadores e presas, as relações
competitivas entre espécies e o controle populacional foram:

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a) Ernst Heinrich Haeckel e Vito Volterra
b) Raymond Pearl , A. J. Lotka, e Vito Volterra
c) Konrad Lorenz e Nikolaas Tinbergen
d) Thomas Malthus e Raymond Pear

3. Quanto ao desenvolvimento das ecologias animais e vegetais desenvolveram-


se:
a) Simultaneamente
b) Bruscamente
c) Separadamente
d) Nunca se desenvolveram

4. Quanto a preocupaçcao em termos de estudos, acrescenta-se ainda que:


a) Os botânicos europeus se preocuparam em estudar a composição, a
estrutura e a distribuição das comunidades vegetais,
b) Os americanos estudaram o desenvolvimento dessas comunidades, ou
sua sucessão.
c) As opções a) e b) estão correctas
d) As opções a) e b) estão incorrectas

5. A ecologia dos sistemas estuda: a estrutura e o funcionamento dos


ecossistemas.
a) O fluxo de energia e do ciclo de nutrientes
b) A estrutura e o funcionamento dos ecossistemas.
c) Todas opções estão correctas
d) Nenhuma opção esta correcta.

UNIDADE Temática 1.2. Conceitos Básicos em Ecologia.

CONCEITOS BÁSICOS EM ECOLOGIA

Como qualquer área da Biologia, a Ecologia é repleta de termos que são


fundamentais para a compreensão de diversos temas. Sem o
conhecimento correcto do que se trata cada expressão, a interpretação do
conteúdo pode ser incorreta. Diante disso, (PINTO, 2007) identifica a
seguir alguns conceitos básicos em ecologia que são essenciais para a
compreensão dessa área.

Biomassa = Matéria orgânica que compõe o corpo dos


organismos vivos.

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Biosfera = Regiões do planeta onde existem seres vivos.
Biótopo = Área geográfica onde se encontra uma comunidade.
Cadeia alimentar = Representa a transferência de matéria e
energia que se inicia sempre por um organismo produtor e
termina em um decompositor. O fluxo é sempre unidirecional.
Ciclo biogeoquímico = Conjunto de processos físicos, químicos e
biológicos que permite aos elementos circularem entre os seres
vivos e a atmosfera, hidrosfera e litosfera.
Comunidade = Conjunto de populações de espécies diferentes
que vive em uma mesma área geográfica.
Conshumidores = Seres que não são capazes de produzir seu
próprio alimento e precisam alimentar-se de outro ser vivo para
obter sua energia (heterotrófico).
Decompositores = Seres que obtêm nutrientes e energia a partir
da decomposição da matéria orgânica.
Ecologia = Ciência que estuda as relações entre os seres vivos
entre si e destes com o meio ambiente.
Ecossistema = Local de interação entre seres vivos (factores
bióticos) e factores físicos e químicos (factores abióticos).
Espécie = Organismos semelhantes capazes de reproduzir-se e
produzir descendentes férteis.
Habitat = Local em que determinada espécie vive.
Nicho ecológico = Papel ecológico de uma espécie em uma
comunidade. Envolve seus hábitos alimentares, sua reprodução,
suas relações ecológicas e outras actividades.
Nível trófico = Posição que uma espécie ocupa em uma cadeia
alimentar.
Pirâmide ecológica = Representação gráfica do fluxo de energia e
matéria em um ecossistema.
População = Conjunto de seres vivos da mesma espécie que vive
em determinado local.
Produtores = Seres vivos capazes de produzir seu próprio
alimento (autotróficos).
Relações ecológicas = São as relações que os seres vivos
possuem uns com os outros. Essas relações podem ser entre
indivíduos da mesma espécie ou espécies diferentes.
Teia alimentar = Conjunto de cadeias alimentares interligadas.

BIOSFERA
O planeta Terra, até o momento, é o único planeta que conhecemos onde
é possível o desenvolvimento da vida. A grande biodiversidade ocorre
graças a um conjunto de factores, como a presença de água e de oxigênio.

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O planeta Terra pode ser dividido em quatro partes principais: a litosfera,
a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera. Essa última relaciona-se com os
seres vivos do planeta e é foco de estudo da chamadaEcologia.

O que é a biosfera?
Quando estudamos os níveis de organização em Ecologia, podemos
perceber que o nível mais alto e complexo é a biosfera. Esse conceito diz
respeito a todos os ecossistemas existentes na Terra, ou seja, as regiões
do planeta onde encontramos seres vivos.
Como o planeta é extremamente diversificado em questões de ambiente,
é fácil perceber que a biosfera é complexa e possui composição variável.
Ela inclui ecossistemas presentes desde as mais altas montanhas até as
profundas fossas abissais marinhas, que podem atingir aproximadamente
10.000 metros de profundidade. Esses locais apresentam condições
ambientais diversificadas, bem como seres vivos bastante diferentes e
adaptados ao ambiente em que vivem.
A biosfera possui relação directa com a litosfera, hidrosfera e atmosfera,
haja vista que, sem solo, água e ar, não podem existir formas de vida e,
consequentemente, ecossistemas no nosso planeta. Além desses factores,
a manutenção dos ecossistemas depende diretamente do sol, sendo essa,
portanto, a fonte de energia fundamental para a biosfera.

Curiosidade: O termo “biosfera” foi utilizado pela primeira vez ainda no


século XIX pelo geólogo suíço Eduard Suess. Esse termo, no entanto, só foi
consagrado na década de 1920, quando Vladimir Vernadsky, um
geoquímico russo, retomou o uso do conceito, deixando-o mais complexo e
amplo. Foi esse russo que admitiu a biosfera como um espaço onde os
organismos vivos vivem e interagem com outras esferas da Terra: litosfera,
hidrosfera e atmosfera.

RELAÇÕES ECOLÓGICAS
Todos os organismos interagem entre si, seja para cooperar uns com os
outros, seja para prejudicar. Facto é que nenhum organismo pode viver
sozinho e sempre há uma relação entre eles, relação essa que chamamos
de relação ecológica.
As relações ecológicas são divididas em dois grandes grupos principais: as
relações interespecíficas e as intraespecíficas. Quando falamos em
relações ecológicas interespecíficas, referimo-nos às relações que ocorrem
entre organismos de espécies diferentes, já as intraespecíficas ocorrem
entre indivíduos de mesma espécie.

Existem vários tipos de relações ecológicas que podem ocorrer entre


indivíduos de espécies diferentes. Veja a seguir o nome das principais
relações, suas características e exemplos:

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 Competição interespecífica: A competição entre indivíduos de
espécies diferentes ocorre em razão da busca pelos mesmos
recursos. Isso ocorre quando os nichos ecológicos estão
sobrepostos. Um exemplo são as plantas que vivem muito
próximas umas das outras, que acabam competindo por água,
nutrientes e luz.
 Herbivoria: Essa relação ocorre entre plantas e herbívoros. Um
exemplo são as girafas que se alimentam de plantas da savana
africana.
 Predação: Relação que ocorre quando um ser vivo mata
(predador) e come outro de outra espécie (presa). Como exemplo,
podemos citar os tubarões que se alimentam de focas.
 Parasitismo: Essa relação ocorre quando um organismo vive sobre
ou dentro de outra espécie, retirando desta seu alimento. O ser
vivo que vive e retira nutrientes do outro é chamado de parasita, e
o que abriga o parasita é chamado de hospedeiro. Um exemplo
dessa relação ocorre entre humanos e piolhos.
 Mutualismo: É a relação em que duas espécies interagem
beneficamente. O mutualismo pode ser facultativo ou obrigatório.
 Facultativo: Uma espécie ajuda a outra, porém cada uma pode
viver isoladamente. Como exemplo, podemos citar os pássaros que
se alimentam de carrapatos de alguns mamíferos.
 Obrigatório: A relação entre as espécies é indispensável, dessa
forma, um organismo não vive isoladamente naquele local. Os
líquens são um exemplo de mutualismo obrigatório.
 Comensalismo: Um organismo associa-se a outro em busca de
alimento. Nessa associação, nenhum dos organismos é prejudicado
e apenas o que consegue alimento é beneficiado. Um exemplo
tradicional é a rêmora que se alimenta dos restos de comida do
tubarão.
 Inquilinismo: Uma espécie utiliza a outra para conseguir abrigo.
Um exemplo são as orquídeas que vivem sobre as árvores sem
causar nenhum prejuízo a elas.

Observe agora as relações que ocorrem entre indivíduos de uma mesma


espécie, ou seja, as relações ecológicas intraespecíficas:
 Competição intraespecífica: Nesse tipo de competição, seres da
mesma espécie competem por recursos e, algumas vezes, para
reproduzir-se. Como exemplo, podemos citar os antílopes que
competem por parceiras.
 Canibalismo: Um indivíduo come outro da mesma espécie. Um
exemplo é a viúva-negra.

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 Colônia: Seres da mesma espécie vivem unidos fisicamente e
trabalham juntos em prol da sua sobrevivência. Como exemplo,
podemos citar as caravelas.
 Sociedades: Assim como nas colônias, os seres da mesma espécie
vivem juntos e trabalham em prol do grupo com divisão do
trabalho. Entretanto, nesse caso, os seres não estão unidos
fisicamente. Como exemplo, podemos citar as abelhas.

NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO EM ECOLOGIA

Quando estudamos os níveis de organização dos seres vivos, podemos


analisá-los a partir de diferentes pontos de vista, como os níveis
microscópicos, macroscópicos e acima do organismo. Nesse último caso,
os níveis de organização são aplicados à Ecologia, uma parte da Biologia
preocupada com o estudo da interação dos seres vivos entre si e destes
com o meio.
Analisando os níveis de organização acima do organismo, encontramos
uma população. Esse nome é dado ao conjunto de organismos da mesma
espécie que vivem juntos em uma determinada área. Uma grande família
de leões na savana africana, por exemplo, forma uma população.

Acima do nível de população, temos a comunidade, que pode ser definida


como um conjunto de diversos organismos de espécies diferentes que
vivem em uma determinada área e interagem entre si. Se tomarmos o
mesmo exemplo anterior e analisarmos uma savana, teremos leões,
girafas e elefantes vivendo em uma mesma área e formando uma
comunidade. Vale destacar que esse nível de organização não é formado
apenas pelos animais, as plantas e outros organismos que vivem nesse
local também fazem parte dele.
Temos ainda o ecossistema, que é o nome dado à comunidade e todos os
factores abióticos existentes com os quais os seres vivos interagem. Ainda

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seguindo o exemplo da savana, a água, luz e solo da região, juntamente
aos seres vivos, formam o chamado ecossistema. Assim sendo, podemos
resumir esse nível de organização como a relação entre os factores
bióticos e abióticos de uma área.
Frequentemente os ecossistemas são divididos em aquáticos e terrestres
como forma de auxiliar o ensino e a compreensão, entretanto, sua
complexidade é bem maior e necessita de um estudo detalhado de todas
as interações que ali ocorrem. Como exemplo de ecossistemas, podemos
citar os jardins, os oceanos, as florestas tropicais e até mesmo um
pequeno aquário. O importante é que nesse local existam factores
bióticos e abióticos suficientes para que a vida seja mantida, formando um
sistema estável e autossuficiente.
Por fim, temos a biosfera, que é definida como o conjunto de todos os
ecossistemas existentes no planeta. Vale destacar que ela pode ser
considerada, em sua totalidade, como o maior ecossistema existente. Esse
nível engloba todos os locais onde existe vida, desde a área mais profunda
do oceano até as grandes florestas tropicais.

POPULAÇÃO E COMUNIDADE
A Ecologia é a ciência que estuda as relações existentes entre os seres
vivos e destes com o ambiente em que vivem. Para compreender essa
ciência, alguns conceitos devem ser aprendidos. Entre eles, dois são
extremamente importantes: população e comunidade.
Uma população, em Ecologia, pode ser definida como um conjunto de
indivíduos de uma mesma espécie que vive em uma determinada área em
um determinado momento. Essa área pode ser a distribuição normal
desses organismos ou então um limite escolhido por um pesquisador que
estuda aquele grupo de seres. Sendo assim, uma população pode ser
também um grupo de indivíduos da mesma espécie que está sendo
estudado.

Uma população tem seu tamanho alterado constantemente em


decorrência de diversos factores. Ela pode diminuir, por exemplo, em
consequência de mortes e migrações e aumentar em decorrência
de nascimentos e emigrações. As mortes, nascimentos, migrações e
imigrações estão intimamente ligados a factores como a disponibilidade
de alimento, condições ambientais, predadores e a reprodução.
Apesar de teoricamente uma população poder crescer infinitamente, isso
não acontece na prática. O meio onde um grupo de indivíduos vive não
suporta um aumento exagerado de organismos, existindo assim
uma capacidade limite. Imagine, por exemplo, uma área com grande
quantidade de herbívoros que vivem sem predadores no local. O aumento
exagerado de indivíduos logo provocará a escassez de alimento, fazendo

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com que alguns morram de fome, retornando assim a população ao
seu tamanho ideal.

As comunidades, por sua vez, podem ser definidas como um conjunto de


populações em um determinado lugar e em um determinado espaço de
tempo. Essas diferentes populações, no entanto, não se distribuem de
igual maneira, sendo algumas espécies abundantes e outras raras.
Nas comunidades, as diferentes populações interagem das mais variadas
maneiras. Essas interações, também chamadas de relações ecológicas,
podem beneficiar todos os indivíduos envolvidos ou então beneficiar
apenas um grupo. Quando as interações ocorrem entre espécies
diferentes, são chamadas de interespecíficas; mas quando ocorrem entre
seres da mesma espécie, trata-se de relações intraespecíficas.
Essas diferentes relações ecológicas existentes entre os seres vivos são
responsáveis por controlar, juntamente aos factores abióticos, as
populações que fazem parte de uma comunidade. A competição, por
exemplo, pode extinguir completamente uma espécie de uma
comunidade.

COMENSALISMO
Nenhum organismo vivo sobrevive sem interagir com o outro, havendo
sempre algum tipo de relação. Essas interações são denominadas de
relações ecológicas e podem ocorrer entre organismos da mesma espécie
ou entre seres de espécies diferentes. Quando ocorrem entre organismos
de espécies diferentes, são chamadas de relações ecológicas
interespecíficas, mas quando ocorrem entre organismos da mesma
espécie, são chamadas de relações ecológicas intraespecíficas.
As relações ecológicas podem ser benéficas ou não para os envolvidos.
Quando uma relação ecológica beneficia um ser vivo, sem prejudicar o
outro, ou ambos são beneficiados, temos uma relação harmônica ou
positiva. Quando algum dos seres envolvidos é prejudicado, temos uma
relação desarmônica ou negativa.

A seguir conheceremos o comensalismo, uma relação ecológica


interespecífica harmônica.

O que é o comensalismo?
O comensalismo é uma relação que ocorre entre indivíduos de espécies
diferentes e apenas um organismo é beneficiado, mas o outro não é
prejudicado. Nesse tipo de interação, um organismo está à procura de
alimento.
Alguns autores consideram o inquilinismo, relação em que um organismo
serve de abrigo para outro, como uma forma de comensalismo. Vale
destacar, no entanto, que isso não é um consenso, pois muitos

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pesquisadores consideram como comensalismo apenas as relações de
alimentação que apresentam as características citadas.

Casos de comensalismo
O caso de comensalismo mais clássico que podemos citar é aquele que
ocorre entre a rêmora e o tubarão. Nessa relação, a rêmora, que possui
uma ventosa na região dorsal, fixa-se ao corpo do tubarão e alimenta-se
dos restos de comida que saem da boca do animal. Nessa relação, a
rêmora consegue alimento, entretanto, não prejudica o tubarão, uma vez
que não captura sua presa, mas, sim, os restos de sua alimentação.
Além da rêmora, podemos citar a relação entre abutres e alguns animais
carnívoros, como o leão. Essas aves ficam esperando o momento em que
os carnívoros terminam sua alimentação para se alimentarem dos restos
por eles deixados. Nesse caso, assim como na relação entre o tubarão e a
rêmora, o carnívoro não é prejudicado, pois já terminou sua refeição.
Por fim, podemos citar uma relação cada vez mais observada na sociedade
atual: o urubu e o homem. Em lixões a céu aberto, é possível verificar uma
grande presença de urubus que estão à procura do alimento descartado
pelo homem. Essa relação não prejudica o homem, mas garante a
alimentação dos urubus.

CANIBALISMO
O canibalismo é uma relação ecológica que ocorre quando um indivíduo
mata e alimenta-se de um ser de sua própria espécie. Apesar dessa
interação parecer um tanto quanto assustadora, ela é amplamente
difundida no reino animal, ocorrendo principalmente em locais onde as
populações encontram-se com um grande número de indivíduos e o
alimento apresenta-se em pouca quantidade.
Como o canibalismo ocorre entre indivíduos de uma mesma espécie,
classificamos essa interação como uma relação ecológica intraespecífica.
Essa relação pode ser classificada ainda como desarmônica, uma vez que
um dos indivíduos é prejudicado.

Exemplos de canibalismo
Um exemplo de canibalismo bastante conhecido é o realizado pela
aranha viúva-negra. Essa espécie alimenta-se dos machos no
momento da cópula, um tipo de canibalismo conhecido
como canibalismo sexual.

O canibalismo sexual é apresentado principalmente pelas fêmeas,


podendo ser verificado, além das aranhas, em louva-a-deus. Acredita-se
que esse comportamento seja necessário, em algumas espécies, para que
a fêmea consiga os nutrientes necessários para o processo reprodutivo.

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Em algumas espécies de tubarão, observa-se um canibalismo também
muito intrigante que ocorre ainda no interior do útero materno. Nesses
animais, o mais forte alimenta-se do indivíduo mais fraco em um
canibalismo conhecido comocanibalismo intrauterino. Entre as espécies
que realizam esse tipo de canibalismo, podemos citar o tubarão-mangona.
Algumas espécies de animais não realizam canibalismo de maneira
frequente, como nos outros casos citados, mas asvariações em seu
habitat provocam esse comportamento. Esse é o caso dos ursos-polares,
que, em virtude do aquecimento global e da destruição de seu habitat,
enfrentam grandes problemas no que diz respeito à alimentação, fato que
tem desencadeado um aumento crescente nos casos de canibalismo.

RELAÇÕES ECOLÓGICAS INTRAESPECÍFICAS


Nenhum organismo é capaz de viver sozinho sem interagir com outro ser
vivo. As interações que os seres vivos realizam são chamadas de relações
ecológicas. Elas podem ocorrer entre organismos de uma mesma espécie
ou entre indivíduos de espécies diferentes. As interações entre indivíduos
da mesma espécie recebem o nome de relações intraespecíficas.

Relações harmônicas e desarmônicas


As relações ecológicas, tanto intraespecíficas como interespecíficas (entre
espécies diferentes), podem ser benéficas ou não para os organismos. As
chamadas relações harmônicas ou positivas são aquelas em que os dois
ou pelo menos um dos organismos envolvidos é beneficiado e não há
prejuízo ao outro. Já as relações desarmônicas ou negativas são aquelas
em que pelo menos um dos envolvidos sofre algum prejuízo.

Relações intraespecíficas harmonicas


 Colônia: é uma relação ecológica em que organismos de uma
mesma espécie trabalham em prol do sucesso da unidade. O que
caracteriza uma colônia é o fato de que esses organismos não
estão trabalhando de forma isolada, estando todos unidos
anatomicamente. Como exemplo de colônia, podemos citar os
corais e a caravela-portuguesa.
 Sociedade: organismos da mesma espécie trabalham juntos de
modo cooperativo, com uma divisão de trabalho organizada. Na
sociedade das abelhas, por exemplo, vemos três tipos diferentes
de indivíduos: a rainha, os zangões e as operárias. Diferentemente
da colônia, os organismos que vivem em sociedade não estão
unidos anatomicamente. Como exemplo de sociedade, podemos
destacar, além das abelhas, as formigas e os cupins.

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Relações intraespecíficas desarmônicas
Competição intraespecífica
Essa relação ecológica ocorre quando indivíduos de uma mesma espécie
competem por um mesmo recurso, como território, alimento, água ou até
mesmo luz solar. Um fato interessante é que nessa competição,
diferentemente da competição entre indivíduos de espécies diferentes
(competição interespecífica), pode ocorrer disputa por parceiros sexuais.
É importante destacar que plantas também realizam competição.
Indivíduos muito próximos uns dos outros competem, por exemplo, por
água e luz, o que pode levar alguns à morte. Para evitar a competição,
várias plantas angiospermas desenvolveram mecanismos para garantir a
dispersão de suas sementes.
Canibalismo: um organismo mata e alimenta-se de outro de sua própria
espécie. Esse hábito pode ser observado, por exemplo, na viúva-negra e
no louva-a-deus, em que a fêmea mata o macho logo após a cópula.
Existem ainda tubarões que possuem um canibalismo intrauterino, isto é,
um filhote alimenta-se do outro no interior do corpo materno.

COMPETIÇÃO
A competição é uma relação ecológica desarmônica que ocorre quando
organismos da mesma espécie ou de espécies diferentes competem por
um determinado recurso. Por essa razão, essa relação ecológica pode ser
intraespecífica ou interespecífica.

Competição intraespecífica
Em uma competição intraespecífica, todos os organismos que competem
por determinado recurso são da mesma espécie. A competição pode
ocorrer por diversos motivos, como demarcação de território, aumento
exagerado da população e diminuição de alimentos.
Imagine, por exemplo, que vários indivíduos herbívoros vivam em uma
mesma área e que, em determinada época do ano, as chuvas tornem-se
escassas, levando várias plantas à morte. Com o tempo, o grupo de
herbívoros iniciará uma série de disputas pelo pouco alimento disponível,
sendo esse um exemplo clássico de competição intraespecífica.
Não são apenas animais que competem por recursos. No caso das plantas,
por exemplo, a competição pode ocorrer em virtude da falta de água ou
até mesmo em busca de um pequeno local ao sol. É por isso que
normalmente algumas plantas morrem quando estão próximas a muitos
indivíduos.
Na competição intraespecífica, pode ocorrer também a competição por
parceiros para o acasalamento. Esse comportamento pode ser verificado
em várias espécies animais, como girafas e leões-marinhos. Apesar de a
luta ser travada pelos machos na maioria dos casos, em algumas espécies,

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as fêmeas brigam pelo macho. Esse caso é observado, por exemplo, em
alguns antílopes africanos.

Competição interespecífica
Nas competições interespecíficas, a luta por um recurso acontece entre
indivíduos de espécies diferentes. Essa luta pode ocorrer por território,
alimento, luz e água, por exemplo. Diferentemente da competição
intraespecífica, não há casos de disputas por parceiros sexuais.
Como exemplo de competição interespecífica, podemos citar a introdução
de uma espécie em um habitat. Essa nova espécie pode apresentar o
mesmo nicho ecológico que outra, desencadeando, portanto, a luta por
um mesmo recurso. A competição interespecífica pode resultar na
migração de uma das espécies para novas áreas ou até extinção de uma
delas.

CADEIA ALIMENTAR
Sabemos que na natureza são encontradas plantas, animais, bactérias e
diversos outros organismos. Esses seres necessitam de energia para
sobreviver, porém nem todos retiram essa energia do mesmo local ou
obtém-na da mesma forma.
Alguns seres são fotossintetizantes, como as plantas e algumas algas,
sendo, portanto, capazes de produzir seu próprio alimento por meio do
processo de fotossíntese. Já outros seres devem alimentar-se de outros
seres para obter energia. Existem ainda aqueles que obtêm energia a
partir da decomposição da matéria orgânica (decompositores).
Temos, portanto, seres que produzem seu alimento e seres que
necessitam capturar alimento. O primeiro grupo é chamado de seres
autotróficos, enquanto o segundo grupo é chamado de seres
heterotróficos. Também podemos chamá-los, dentro de uma cadeia
alimentar, de produtores e conshumidores, respectivamente.
Todos os seres vivos mantêm relações muito próximas entre si, um
servindo de alimento para outro. Essa sequência linear em que um
organismo serve de alimento para outro é a chamada cadeia alimentar.
Imaginemos um campo cheio de plantas, ou seja, de organismos
produtores. Essas plantas são comidas por uma lagarta, que, por sua vez,
serve de alimento para uma perereca. A perereca poderá então ser
comida por outro ser vivo, uma serpente, por exemplo.

22
Representação esquemática de uma cadeia alimentar

No exemplo acima, temos os produtores, um herbívoro e dois carnívoros.


A lagarta (herbívoro) representa um conshumidor primário porque se
alimentou de outro ser diretamente do produtor. Já a perereca, que se
alimentou da lagarta, é considerada um conshumidor secundário. Se a
serpente alimentar-se da perereca, ela será um conshumidor terciário.
Após a morte de qualquer um dos organismos envolvidos na cadeia
alimentar, entrarão em cena os decompositores. Esses organismos,
geralmente fungos e bactérias, atuam transformando a matéria orgânica
em substâncias inorgânicas, sendo essenciais para a reciclagem de
elementos químicos. Essas substâncias inorgânicas são reutilizadas pelas
plantas.
Cada fase da cadeia alimentar é chamada de nível trófico. O primeiro nível
trófico é sempre representado pelos produtores. Os conshumidores
primários, ou seja, os que comem os organismos fotossintetizantes,
constituem o segundo nível trófico e assim por diante.
Vale destacar que um ser vivo pode alimentar-se ou servir de alimento
para diversos seres diferentes, não seguindo sempre a mesma cadeia
alimentar. Em um ecossistema, diversas cadeias acontecem ao mesmo
tempo e elas podem estar conectadas. O conjunto de cadeias alimentares
interligadas é denominado teia alimentar.

SERES AUTOTRÓFICOS E HETEROTRÓFICOS


Entender os modos de nutrição dos seres vivos é importante para
compreendermos como os organismos obtêm energia para o seu
desenvolvimento e como ocorre o funcionamento dos ecossistemas. De
acordo com a forma de nutrição, podemos classificar os seres vivos em
dois grupos: autotróficos e heterotróficos.

Seres autotróficos

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Alguns organismos, chamados de autotróficos (do grego autós = “de si
mesmo” e trophos = “alimentador”) conseguem produzir seu alimento a
partir de substâncias inorgânicas, não necessitando, portanto, de ingerir
nenhum ser vivo. Nesse caso, temos seres vivos capazes de realizar
processos como a fotossíntese e a quimiossíntese.
Os organismos fotossintetizantes, como algas e plantas, são capazes de
utilizar a energia luminosa para produzir energia química e fixar o carbono
em compostos orgânicos. Organismos quimiossintetizantes, por sua vez,
são capazes de oxidar substâncias químicas e sintetizar seus compostos
orgânicos.
Como exemplo de organismos que possuem nutrição autotrófica,
podemos citar alguns exemplos de bactérias, alguns protistas e as plantas.

Seres heterotróficos
Organismos que possuem nutrição heterotrófica (do grego heteros =
“outro” e trophos = “alimentador”) necessitam de moléculas orgânicas
retiradas de outros seres vivos para a sua nutrição. Esses organismos
podem adquirir essas moléculas por meio de processos de absorção ou
ingestão, como é o caso dos animais.

A cadeia alimentar
Na cadeia alimentar, os organismos autotróficos ocupam o nível trófico
dos produtores. Esses organismos são a base de todas as cadeias
alimentares, independentemente do ecossistema analisado.
Os organismos heterotróficos, por sua vez, podem ocupar diferentes
níveis, sendo chamados de conshumidores ou decompositores. Os
conshumidores ingerem outros seres vivos, e os decompositores
conseguem matéria orgânica retirando-as dos restos dos seres vivos.
Como exemplo de conshumidores, podemos citar os animais; já de
decompositores, fungos e algumas bactérias.

CADEIA E TEIA ALIMENTAR

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Todos os seres vivos apresentam relações de alimentação no meio em que
vivem. Um gafanhoto, por exemplo, não é capaz de sobreviver sem se
alimentar dos vegetais de uma área, assim como um pássaro, que não vive
seu alimento, que pode ser, inclusive, o gafanhoto.
Todas as relações de alimentação em um ecossistema podem ser
representadas de duas maneiras: a cadeia alimentar e a teia alimentar.
Vamos aprender mais sobre cada uma dessas representações!

Cadeia Alimentar
A cadeia alimentar refere-se às representações das relações de
alimentação que existem em um determinado ecossistema. Nas cadeias, o
fluxo de energia é unidirecional, ou seja, é sempre em um mesmo
sentido. Veja um exemplo simples de cadeia alimentar:
Capim → Lagarta → Pássaro → Cobra

No exemplo acima, vemos uma representação dos organismos que


servem de alimento para outro em um fluxo unidirecional. As setas (→)
podem ser lidas como “serve de alimento para”. Assim sendo, o capim
serve de alimento para a lagarta, que serve de alimento para o pássaro,
que serve de alimento para a cobra.
É importante salientar que, apesar de não estarem representados acima,
fungos e bactérias agem sobre todos esses organismos após a sua morte.
Fungos e bactérias são denominados de decompositores e são essenciais
na ciclagem de nutrientes.

Níveis troficos
Os níveis tróficos são conjuntos de organismos que possuem hábitos
alimentares semelhantes, ocupando a mesma posição no ecossistema. As
plantas, por exemplo, produzem seu próprio alimento, pois são
organismos autotróficos. Assim, todas as plantas ocuparão o mesmo nível
trófico, pois apresentam hábitos alimentares semelhantes.

Existem basicamente três níveis tróficos:

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 Produtores: Os organismos incluídos nesse nível trófico
apresentam em comum o facto de serem autotróficos. Isso quer
dizer que todos os organismos produtores são capazes de produzir
seu próprio alimento por meio de processos comofotossíntese e
quimiossíntese. Exemplos: plantas e algas.
 Conshumidores: Os organismos que fazem parte desse nível trófico
são heterotróficos, ou seja, todos os organismos desse nível
alimentam-se de outro ser vivo. Os conshumidores que se
alimentam de produtores recebem a denominação de
conshumidores primários. Os que se alimentam de conshumidores
primários são chamados de conshumidores secundários. Já os que
se alimentam dos secundários são chamados de terciários e assim
sucessivamente.
 Decompositores: organismos heterotróficos que realizam o
processo de decomposição, no qual devolvem nutrientes ao meio.
Como exemplo de decompositores, podemos citar bactérias e
fungos.

Teia alimentar

A teia alimentar mostra a conexão entre as várias cadeias de um ambiente


Diferentemente da cadeia alimentar, que obedece a uma representação
unidirecional, na teia alimentar, há várias relações alimentares
interligadas. A teia alimentar conecta, portanto, várias cadeias
alimentares.
Em uma teia alimentar, um mesmo organismo pode ser conshumidor
secundário e terciário, por exemplo. Isso se deve ao fato de que muitos
seres vivos não se alimentam exclusivamente de um mesmo organismo e
alguns não são presas de apenas um ser.

Cadea x Teia Alimentar


Para representar um ecossistema, a teia alimentar é a melhor opção. Isso
porque a teia mostra os diversos caminhos que a energia pode seguir, não
apresentando um fluxo unidirecional como observado na cadeia
alimentar.

26
FOTOSSÍNTESE E SUAS REAÇÕES

A fotossíntese é um processo realizado por seres autotróficos para a


produção de substâncias orgânicas necessárias para a sua sobrevivência.
Nesse processo, a energia luminosa é transformada em energia química e
o carbono é fixado.
A equação que representa o processo de fotossíntese é:

Podemos dividir a fotossíntese em dois processos básicos: as reações de


transdução de energia e as reações de fixação do carbono. As reações de
transdução são aquelas que dependem de luz, configurando a etapa
tradicionalmente chamada de fase clara. As reações de fixação do
carbono, por sua vez, são aquelas conhecidas tradicionalmente como fase
escura, entretanto, é importante frisar que essa etapa ocorre tanto na luz
quanto no escuro, o que não justifica o uso dessa denominação.

A seguir descrevemos com mais detalhes essas duas etapas da


fotossíntese:

Reações de transdução de energia


No interior do cloroplasto, mais precisamente nos tilacoides, encontram-
se as moléculas de clorofila e outros pigmentos, que estão organizados
nos chamados fotossistemas. Estes são compostos por um complexo
antena e um centro de reação. No complexo antena, a energia luminosa é
captada e transferida para o centro de reação, que converte essa energia
em energia química.
Existem dois fotossistemas, o I e o II, que estão ligados através de uma
cadeia de transporte de elétrons. Cada um dos fotossistemas apresenta
um par de moléculas de clorofila diferentes: no I, há o par conhecido
como P700, e no II, o P680.

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O primeiro passo das reações de transdução é a absorção de energia
luminosa pela complexa antena do fotossistema II. Essa energia capturada
é então transferida para a molécula de clorofila P680 no centro de reação.
O elétrons energizados são transferidos do centro de reação para um
receptor de elétrons. Os elétrons retirados são substituídos por elétrons
de baixa energia provenientes do processo de fotólise (observe a equação
a seguir).
2H2O → 4e- + 4H+ + O2

Os elétrons energizados descem até o fotossistema I através de uma


cadeia de transporte de elétrons. Durante essa passagem, ocorre a
produção de ATP a partir do ADP e fosfato, processo conhecido
como fotofosforilação.
A energia absorvida pelo fotossistema I é transferida para as moléculas de
clorofila P700 do centro de reação. Os elétrons energizados são então
capturados pela coenzima NADP+ e os elétrons retirados do centro de
reação são substituídos pelos elétrons provenientes do fotossistema II.
A energia produzida nessa primeira etapa da fotossíntese é armazenada
em moléculas de NADPH e ATP.

Reações de fixação do carbono


Essa etapa é realizada no estroma dos cloroplastos, diferentemente das
reações de transdução que ocorrem no tilacoide. Nessa etapa da
fotossíntese, as moléculas de NADPH e ATP produzidas anteriormente são
utilizadas na redução do dióxido de carbono em carbono orgânico. Essa
redução ocorre via ciclo de Calvin.
O ciclo de Calvin ocorre em três etapas: carboxilação, redução e
regeneração. Primeiramente, três moléculas de dióxido de carbono
entram no ciclo e são combinadas a três moléculas de ribulose 1,5-
bifosfato (RuBP). Rapidamente esse composto resultante, que apresenta
seis carbonos, é quebrado e surgem então seis moléculas de 3-
fosfoglicerato (PGA). Essa é a etapa conhecida como carboxilação.
As seis moléculas de PGA são reduzidas a seis moléculas de gliceraldeído
3-fosfato (PGAL), com ajuda do ATP e do NADPH produzido na reação de
transdução. Essa etapa é conhecida como redução.
Por fim, temos a etapa de regeneração, em que cinco moléculas de PGAL
são usadas na regeneração de três moléculas de RuBP. O PGAL restante é
o lucro obtido com o ciclo de Calvin e serve de ponto de partida para a
produção de açúcares, amido e outros constituintes da planta.

EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

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1. Qual destes conceitos não faz parte dos conceitos básicos de ecologia:
a) Comunidade
b) Ecossistema
c) Sociedade
d) Todas opções estão correctas.

2. O tamanho de uma população altera constantemente em decorrência factores


como:
a) Mortes e migrações
b) Nascimentos e emigrações.
c) As opções a) e b) estão correctas
d) As opções a) e b) estão correctas.

3. Uma relação ecológica pode ser classificada em:


a) Directa e indirecta
b) Interespoecifica e intraespecifica
c) Dependência e interdependência
d) Todas opções estão correctas.

4. Das opções abaixo apresentadas indique o exemplo correcto de cadeia


alimentar:
a) Arvore → Gafanhoto → Sapo → Ave
b) Gafanhoto → Ave → Sapo → Arvore
c) Sapo → Arvore → Ave → Gafanhoto
d) Ave → Gafanhoto → Arvore → Sapo

5. Consideramos um ser de autotrofico quando:


a) Um organismo vive sobre ou dentro de outra espécie, retirando desta
seu alimento
b) Conseguem produzir seu alimento a partir de substâncias inorgânicas
c) Necessitam de moléculas orgânicas retiradas de outros seres vivos para
a sua nutrição
d) Seres da mesma espécie vivem unidos fisicamente e trabalham juntos
em prol da sua sobrevivência

UNIDADE Temática 1.3. Gestão Ambiental nas Empresas.

29
GESTÃO AMBIENTAL NAS EMPRESAS.

IMPORTÂNCIA DE GESTÃO AMBIENTAL PARA AS EMPRESAS


A adopção de gestão ambiental é importante para uma empresa por
diversos motivos. Em primeiro lugar porque ela associa sua imagem ao da
preservação ambiental, melhorando no mercado as imagens das marcas
de seus produtos. Empresas que adoptam este sistema conseguem reduzir
seus custos, evitando desperdícios e reutilizando materiais que antes
eram descartados. Empresas com gestão ambiental melhoram suas
relações comerciais com outras empresas que também seguem estes
princípios.

ISO 14000
O ISO 14000 é um conjunto de normas técnicas e administrativas que
estabelece parâmetros e diretrizes para a gestão ambiental para as
empresas dos sectores privado e público. Estas normas foram criadas pela
International Organization for Standardization - ISO (Organização
Internacional para Padronização).

SURGIMENTO E IMPLANTAÇÃO NAS EMPRESAS: GESTÃO AMBIENTAL


A uma busca de respeito à Natureza e seus recursos, renováveis ou não,
com cada vez mais actividades econômicas. Apresentando suas
preocupações de diversas formas, como, o grande e crescente número de
pressão referente à diminuição de recursos, e marcos reguladores
ambientais (nacionais e internacionais).
Essa grande preocupação teve seu surgimento entre os anos 70 e 80,
como duas forte forças condutoras. A primeira na década de 70, nos
países desenvolvidos o governo impôs aos administradores melhoras em
relação ao meio ambiente e empresa. Quanto à década de 80, ouve um
crescimento muito grande de ambientalistas, que passaram a assumir
papeis muito importantes na escolha de estratégias ambientais
corporativas.
Nesses dois períodos ouve respostais significativas de empresas, tanto a
sanções legais, quanto a sociais. Durante esses períodos se via
manifestações inermes das empresas com relação à responsabilidade
social, porém a partir destes períodos empresas começaram a criar
departamentos voltados as questões ambientais.
A partir de 1990 muitas empresas começaram a colocar o meio ambiente
como uma forma de estratégia, cujo qual Varadarajan (1992) chamou de
“enviropreneurial marketing”, que se defini em actividades de marketing
benéficas empresariais e ambientais, que visão os objectivos da empresa e
os anseios sociais.

30
Assim, novas series de situações ambientais começaram a surgir nas
empresas, como: invertidos e acionistas, que se interessou com as
positivas performances ambientais e econômicas. Começando então, não
só as pressões vindas do governo e do desejo social, mas também por
acionistas, compradores, bancos e conshumidores e/ou por concorrência.
Onde a empresa passa a ser orientada para o meio ambiente. O
relacionamento entre negócios e a Natureza é recíproco: negócios causam
efeitos no meio ambiente e este nos negócios, que podem ser afetados de
modo significativo na sua rentabilidade, reputação, no moral de seus
colaboradores, no relacionamento com clientes e na apreensão dos
investidores. (SOLITANDER, ET AL, 2002).
E a partir do ano 2000, vemos a cultura de negócios e desenvolvimento da
sustentabilidade e responsabilidade socioambiental ser uma grande
influencia, utilizando como ferramentas o Ecodesing (colocando o desing
na produção combinando com a saúde e segurança durante todo o ciclo
de vida dos processos da empresa) e Ecoeficiência (ação que agrega as
ações ambientais em todas as áreas da empresa).
Logo com todas essas especulações surgi a Gestão Ambiental Empresarial,
que foca o estudo de estratégias e economia através de uma boa
convivência entre natureza e empresa. Deste modo afetando não somente
o ambiente em que atua (interno), mas também o ambiente externo.

BENEFÍCIOS DA GESTÃO AMBIENTAL


Gerenciar uma organização de modo ambientalmente correcto pode
resultar em benefícios consideráveis para as empresas que o fazem como,
por exemplo: redução de custos, dados o menor índice de refugos de
produção, incentivos para a inovação, oportunidades de novos negócios,
melhorias na qualidade do produto, diminuições de pressões
regulamentadoras, entre outros. (Leandro Jose, 2007)
As empresas que não utilização de gestão ambiental estão sujeitas a
perder oportunidades no mercado conshumidor e obtendo riscos de se
responsável por danos ambientais, significando grandes somas de
dinheiro e colocando então em perigo o seu futuro.
Vejamos dois tipos de benefícios desta gestão, os benefícios econômicos e
estratégicos.
Os econômicos estão relacionados à Economia de custo: reduz consumo
de água, energia e outros insumos, devido também a reciclagem e
redução de multas; Incremento de receitas: aumento na contribuição de
produtos “verdes” que podem ser vendidos por preços mais altos,
inovação de produtos e menos concorrência e novas linhas de produto;

31
Os benefícios estratégicos são: melhorias na imagem, maior
produtividade, comprometimento do pessoal, melhoria nas relações com
os órgãos governamentais e melhor adequação aos padrões ambientais.
Dessa forma os benefícios tragos pela gestão ambiental fazem crescer
muito a utilização deste em empresas. Colocando também a motivação
que a ISO 14001, proporciona.

SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL (SGA) E A ISO 14001


O Sistema de Gestão Ambiental faz com que haja um comportamento
voluntario das empresas e gestores na redução do impacto ambiental de
suas actividades ou produtos. E para que isso ocorra tem que haver uma
identificação e metas e fins ambientais e que desenvolva uma política
ambiental sólida. Devendo indicar seu impactos ambientais, criar
procedimentos de controles e gestão para controlar seus impactos.
Outra forma de redução de impacto é o treinamento dos empregados,
para ter a certeza que será seguida as suas políticas, procedimentos e
metas. Além disso, é de estrema necessidade que haja um sistema de
documentação que explique todo os procedimentos a ser tomados para
que seja seguida suas políticas, facilitando assim suas revisões
administrativas e processos de auditorias.

Um SGA freqüentemente é submetido a auditorias, que abrangem ora a


estrutura do sistema, ora o desempenho ambiental da empresa. Enquanto
muitas empresas utilizam-se de sua auditoria interna, outras preferem
auditorias externas, dado que a independência proporciona isenção e
reconhecimento externo. Neste contexto, configura-se a ISSO 14001, o
padrão de SGA desenvolvido pelo International Organization
Standartization (ISO). (Joaquim Camilo, 2006)
A SGA pode ser personalizada para se adequar ás necessidade da
empresa, porém para a empresa obter a certificação da ISO 14001, a
empresa deve aderir totalmente aos padrões da mesma. Segundo Bansal e

Hunter (2003) há seis descrições para uma SGA, entrar nos padrões da ISO
14001:
 Estabelecimento de uma política ambiental;
 Identificação das actividades, produtos e serviços da empresa, que
interajam com o meio ambiente;
 Identificação das leis existentes;
 Estabelecimento das prioridades da empresa e definição de
objectivos e metas de redução dos impactos ambientais;
 Adaptação da estrutura da empresa para alcançar seus objectivos,
que contemple a definição de responsabilidades, a realização de
treinamentos, a comunicação e documentação; e

32
 Checagem e ajuste do sistema de gestão ambiental, se for o caso.

Essa ISO é o componente mais importante da série da ISO 14000, e a única


que tem certificação. Surgindo em resposta da integração econômica
global. Essa é mais desenvolvida em grandes empresas em países
desenvolvidos. Esse facto é por que suas normais são de complexidades
técnicas, também esta ligada aos custos envolvidos, ocasionando sua
inviabilização a empresas de pequenos e médios portes.
Apesar de apresentar uma série de benefícios, conforme já evidenciado, a
ISO 14001 possui algumas limitações. Uma delas está no fato dos
participantes se auto-selecionarem, uma vez que se trata de medidas
voluntaria [...] (Joaquim Camilo, 2006)
Outra limitação é que o facto de certificação do SGA nos padrões da ISO
14001 não pode ser substituído pelos padrões de gestão ambiental
apresentados por outros organismos. Tornando-se um processo de
melhoria continua.

A NECESSIDADE DO ESTUDO DA GESTÃO AMBIENTAL


Actualmente, o mercado de trabalho é carente de profissionais
qualificados que despertem uma mentalidade provocadora de mudanças
na educação voltada ao meio ambiente, no treinamento de Recursos
Humanos, bem como na administração empresarial como um todo. Tendo
isso em vista conclui-se que o administrador ambiental seja capaz de
satisfazer a demanda ecológica, exercendo, segundo os mesmos autores,
basicamente, as seguintes funções:
o Planear, organizar, comandar e controlar empreendimentos que
visem o desenvolvimento sustentável;
o Prestar assessoria e consultoria na organização administrativa e de
projetos ambientais;
o Desenvolver planos estratégicos ambientais às organizações, sempre
condizentes aos seus ramos de mercado;
o Conceber, desenvolver, implementar e documentar sistemas de
qualidade tipo série ISSO-14000.

33
Sumário

O tema findo tratou acerca das considerações gerais da Ecologia.


O mesmo foi desenvolvido em três Unidades Temáticas. A
Ecologia é uma ciência (ramo da Biologia) que estuda os seres
vivos e suas interações com o meio ambiente onde vivem. Esta
ciência tem como objecto de estudo Os seres vivos e os factores
socio culturais. O planeta Terra, até o momento, é o único
planeta que conhecemos onde é possível o desenvolvimento da
vida. A grande biodiversidade ocorre graças a um conjunto de
factores, como a presença de água e de oxigênio.

A teia alimentar mostra a conexão entre as várias cadeias de um


ambiente. Na cadeia alimentar, os organismos autotróficos
ocupam o nível trófico dos produtores. Esses organismos são a
base de todas as cadeias alimentares, independentemente do
ecossistema analisado.
Os organismos heterotróficos, por sua vez, podem ocupar
diferentes níveis, sendo chamados de consuidores e
decompositores. Os conshumidores ingerem outros seres vivos, e
os produtores conseguem matéria orgânica retirando-as dos
restos dos seres vivos. Como exemplo de conshumidores,
podemos citar os animais; já de decompositores, fungos e
algumas bactérias.

A Gestão Ambiental nas empresas começou a surgir e a


implantar-se partir dos anos 70 e 80. No Sistema de Gestão
Ambiental a característica fundamental das empresas e gestores
na redução do impacto ambiental de suas actividades ou
produtos é um comportamento voluntário. Ao conjunto de
normas técnicas e administrativas que estabelece parâmetros e
diretrizes para a Gestão Ambiental para as empresas dos
sectores privado e público denominamos de ISO 14000.

34
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. A Gestão Ambiental é importante para uma empresa porque:


a) As empresas com gestão ambiental melhoram suas relações comerciais com
outras empresas que também seguem estes princípios.
b) As empresas que adoptam este sistema conseguem reduzir seus custos,
evitando desperdícios e reutilizando materiais que antes eram descartados.
c) Ela associa sua imagem ao da preservação ambiental, melhorando no mercado
as imagens das marcas de seus produtos.
d) Todas opções estão correctas

2. A Gestão Ambiental nas empresas começou a surgir e a implantar-se partir dos anos:
a) 60 e 70
b) 70 e 80
c) 80 e 90
d) 90.

3. A Gestão Ambiental nas empresas contribui para a existência de benefícios:


a) Econômicos
b) Políticos
c) Estratégicos.
d) As opções a) e c) estão correctas.

4. No Sistema de Gestão Ambiental a característica fundamental das empresas e gestores


na redução do impacto ambiental de suas actividades ou produtos é:
a) Um comportamento coersivo
b) A obrigação da empresa
c) Um comportamento voluntário.
d) Todas opções estão erradas.

5. Ao conjunto de normas técnicas e administrativas que estabelece parâmetros e


diretrizes para a Gestão Ambiental para as empresas dos sectores privado e público
denominamos:
a) ISO
b) ISO 14000
c) ISO 9000
d) OHSAS

35
UNIDADE Temática 1.4. EXERCÍCIOS deste tema

1. Ecologia é uma ciência (ramo da Biologia) que estuda os seres vivos e suas
interações com o meio ambiente onde vivem. A Ecologia é importante porque:
a) Se encarrega em estudar a abundância e distribuição dos seres vivos no
planeta.
b) Fornecem dados que revelam se os animais e os ecossistemas estão em
perfeita harmonia.
c) Minimiza os casos de desmatamento e a extinção de várias espécies
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

2. O objecto de estudo da ecologia são:


a) A flora e a fauna.
b) As plantas e os animais.
c) Os seres vivos e os factores socio culturais.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

3. O planeta Terra, até o momento, é o único planeta que conhecemos onde é


possível o desenvolvimento da vida. A grande biodiversidade ocorre graças a
um conjunto de factores, como a presença de água e de oxigênio. Seleccione a
opção correcta:
a) Lá existem ecossistemas desde as mais altas montanhas até as
profundas fossas abissais marinhas
b) A biosfera possui relação directa com a litosfera, hidrosfera e atmosfera.
c) A manutenção dos ecossistemas depende diretamente do sol, sendo
essa, portanto, a fonte de energia fundamental para a biosfera.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

4. A teia alimentar mostra a conexão entre as várias cadeias de um ambiente. A


teia alimentar difere-se da cadeia alimentar porque:
a) Na teia alimentar há relações interligadas e na cadeia alimentar a
relação é unidirecional,
b) Em uma teia alimentar, um mesmo organismo pode ser conshumidor
secundário e terciário.
c) Muitos seres vivos não se alimentam exclusivamente de um mesmo
organismo e alguns não são presas de apenas um ser.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

5. Coloque V nas afirmações Verdadeiras e F nas afirmações Falsas.


a) A fotossíntese é um processo realizado por seres heterotroficos para a
produção de substâncias orgânicas necessárias para a sua sobrevivência. (F)
b) Na fotossintese, a energia luminosa é transformada em energia química
e o carbono é fixado. (V)

36
c) Podemos dividir a fotossíntese em dois processos básicos: as reações de
transdução de energia e as reações de fixação do carbono. (V)
d) As reações de fixação do carbono são aquelas que dependem de luz,
configurando a etapa tradicionalmente chamada de fase clara. (F)
e) As reações de transdução, por sua vez, são aquelas conhecidas
tradicionalmente como fase escura, entretanto. (F)

6. Completa os espaços em branco do texto abaixo com as seguintes palavras


abaixo:
a) Produtores
b) Conshumidores
c) Decompositores
d) Conshumidores ou decompositores

Na cadeia alimentar, os organismos autotróficos ocupam o nível trófico dos


______1______. Esses organismos são a base de todas as cadeias alimentares,
independentemente do ecossistema analisado.
Os organismos heterotróficos, por sua vez, podem ocupar diferentes níveis,
sendo chamados de ________2_______. Os ________3_______ ingerem outros
seres vivos, e os _______4________ conseguem matéria orgânica retirando-as
dos restos dos seres vivos. Como exemplo de ______5________, podemos citar
os animais; já de _______6________, fungos e algumas bactérias.

7. Gerenciar uma organização de modo ambientalmente correcto pode resultar


em benefícios consideráveis para as empresas. Os benefícos econômicos estão
relacionados à:
a) Reduz consumo de água, energia e outros insumos, devido também a
reciclagem e redução de multas;
b) Aumento na contribuição de produtos “verdes” que podem ser vendidos
por preços mais altos, inovação de produtos e menos concorrência e
novas linhas de produto;
c) Melhorias na imagem, maior produtividade, comprometimento do
pessoal, melhoria nas relações com os órgãos governamentais e melhor
adequação aos padrões ambientais.
d) As opções a) e b) estão correctas.

8. O administrador ambiental é capaz de satisfazer a demanda ecológica,


exercendo, basicamente, as seguintes funções:
a) Planear, organizar, comandar e controlar empreendimentos que visem o
desenvolvimento sustentável;
b) Prestar assessoria e consultoria na organização administrativa e de
projectos ambientais;

37
c) Desenvolver planos estratégicos ambientais às organizações, sempre
condizentes aos seus ramos de mercado e conceber, desenvolver,
implementar e documentar sistemas de qualidade tipo série ISSO-14000.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

9. A ISO 14001 apesar de apresentar uma série de benefícios, possui tambe


algumas limitações, dentre elas:
a) Os participantes se auto-selecionam, uma vez que se trata de medidas
voluntaria [...]
b) A certificação do SGA nos padrões da ISO 14001 não pode ser
substituído pelos padrões de gestão ambiental apresentados por outros
organismos.
c) Reduz consumo de água, energia e outros insumos, devido também a
reciclagem e redução de multas;
d) As respostas a) e b) estão correctas.

10. A adopção de gestão ambiental é importante para uma empresa porque:


a) A empresa associa a sua imagem ao da preservação ambiental,
melhorando no mercado as imagens das marcas de seus produtos.
b) Empresas que adoptam este sistema conseguem reduzir seus custos,
evitando desperdícios e reutilizando materiais que antes eram
descartados.
c) Empresas com gestão ambiental melhoram suas relações comerciais
com outras empresas que também seguem estes princípios.
d) Todas as opções anteriores estão correctas.

38
TEMA – II: CONCEITOS BÁSICOS DE GEOCIÊNCIAS E HIDROGEOQUÍMICA.
UNIDADE Temática 2.1. Ciências da Terra
UNIDADE Temática 2.2. Ciências do Sistema Terrestre
UNIDADE Temática 2.3. Hidrogeoquímica
UNIDADE Temática 2.4. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 2.1. Ciências da Terra

Introdução

Este é o segundo Tema e o mesmo irá tratar acerca dos Conceitos Básicos
de Geociências e Hidrogeoquímica. Este tema é composto por três
Unidades Temáticas nomeadamente: Ciências da Terra, Ciências do
Sistema Terrestre e Hidrogeoquímica.
Ciências da terra é um termo abrangente aplicado às ciências relacionadas
com o estudo do planeta Terra. As ciências da Terra reconhecem em geral
quatro esferas: a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera,
correspondendo respectivamente às rochas, à água, ao ar e à vida.
A hidrogeoquimica é o estudo da composição química da água,
principalmente no que diz respeito a sais e outras substâncias orgânicas e
inorgânicas dissolvidas. Relaciona os teores destas substâncias a possíveis
danos ou benefícios à saúde de animais, vegetais, assim como sua sua
repercussão na qualidade do solo e dos processos industriais que utilizam
água.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Definir as Ciências da Terra (Geociências);


 Conhecer e descrever as esferas da terra;
 Identificar as ciências do sistema terrestre;
 Conhecer as propriedades fisícas e quimícas da água;
Objectivo  Descrever os ramos de geográfia.
Especifico

39
CIÊNCIAS DA TERRA

Ciências da Terra (ou Geociências), é um termo abrangente aplicado às


ciências relacionadas com o estudo do planeta Terra. Existem
abordagens reducionistase holísticas relativamente às ciências da Terra.
As principais disciplinas historicamente aplicam conhecimentos de física,
geografia, matemática, química e biologiade modo a construir um
conhecimento quantitativo das principais áreas ou esferas do sistema
Terra.

As esferas da Terra
As ciências da Terra reconhecem em geral quatro esferas: a litosfera,
a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, correspondendo respectivamente
às rochas, à água, ao ar e à vida. Ocasionalmente são consideradas, como
parte das esferas da Terra a criosfera (correspondendo ao gelo) como
parte distinta da hidrosfera, e apedosfera (correspondente ao solo) como
uma esfera ativa de caráter misto.

2.1.1. ATMOSFERA
QUÍMICA ATMOSFÉRICA
Existem vários componentes químicos em suspensão no ar da
atmosfera principalmente na troposfera.
Esses componentes vão originar vários fenômenos atmosféricos. Existem
vários componentes químicos poluidores que são o dióxido de
enxofre, dióxido de carbono, metano, chumbo e alguns ácidos como o
sulfúrico. O dióxido de carbono, os fumos e o dióxido de enxofre vão servir
como núcleos de condensação e misturando-se com o nevoeiro numa
atmosfera húmidaa vão originar o smog e numa atmosfera seca a bruma.

Alguns poluentes já referidos, como o ácido sulfúrico e o dióxido de


enxofre vão-se dividir em ácido sulfídrico e vão condensar nas nuvens e
misturar-se com o vapor de água. Ao ocorrer a pricipitação vão-se
pricipitar e espalhar nos terrenos à volta e contaminar terrenos, lagos, rios
e florestas.
O principal componente químico e que é o mais conhecido é o dióxido de
carbono e que está a provocar o conhecido efeito estufa ou o
aquecimento global.
A nossa atmosfera envolve vários elementos químicos, ela é a camada de
ar de aproximadamente 700 quilômetros de espessura que envolve o
globo terrestre. Como o próprio nome já indica, a atmosfera é composta
de ar, que é uma solução gasosa que contém partículas sólidas e líquidas
em suspensão.

40
A atmosfera é denominada de solução gasosa porque é uma mistura de
vários gases e dentre eles os que se encontram em maiores proporções
são: Nitrogênio, Oxigênio, Argônio, Neônio, e outros gases nobres.
Esses gases fazem parte da mistura de ar seco que está presente até uma
altura de 25 quilômetros, acima disso é possível encontrar outros
componentes gasosos como: dióxido de carbono, vapor de água e outros
de origem industrial (poluentes). Existem vários outros componentes
químicos poluidores do ar que são o dióxido de enxofre, metano, chumbo
e alguns ácidos como o sulfúrico.

CLIMATOLOGIA
A climatologia é um ramo das Ciências naturais que é estudado tanto
pela geografia, quanto pela meteorologia. Nos ensinos fundamental e
médio (Brasil), é estudada nas matérias de Ciências, Física e Geografia.
No tempo histórico, os primeiros estudos foram feitos por viajantes
europeus - sendo Sant'Anna de Neto o mais lembrado - rumo à América, e
consequentemente ao Brasil, com as seguintes preocupações: vinda da
coroa portuguesa para o Brasil, preocupações comsaúde pública por
problemas causados pela humidade excessiva e pela altíssima
temperatura, se comparada aos padrões europeus.

Clima é o nome que se dá às condições atmosféricas que costumam


ocorrer num determinado lugar.
Os primeiros estudos tiveram como foco a distribuição geográfica dos
elementos meteorológicos, levando-se em conta sua variabilidade
temporal. Tinham a intenção de explicar regimes climáticos regionais. Nos
anos 60, foi dado um enfoque mais dinâmico nas relações com o espaço,
protagonizado por Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro e Edmom
Nimer, na leitura de Max Sorre (1935).
A análise dos episódios climatológicos é fundamento básico da
climatologia geográfica e tenta explicar os processos naturais que causam
influência nasocupações humanas.
Tempo e clima são popularmente considerados a mesma coisa, mas na
verdade, possuem diferenças importantes para a Climatologia. O tempo
pode ser cronológico e meteorológico, podendo o primeiro ser observado
a partir do espaço geográfico e o segundo, momentâneo, dependendo da
atmosfera de determinado local.

Clima é uma noção criada pelo homem, formada por informações


coletadas a partir das noções de clima. Pode ser compreendido a partir de
noções matemáticase numéricas, ou a partir de informações qualitativas,
de natureza mais descritiva. Os dois focos de estudo pressupõem uma
sucessão de tipos de tempo.

41
É importante o estudo dos diferentes fluxos de energia: horizontal e
vertical. O vertical reflete diretamente os resultados da radiação solar,
tendo essa, influência direta sobre os fluxos de energia horizontal: massas
de ar, frentes quentes e frias, centros de acção.
A radiação solar determina todo o sistema, podendo ser analisado pelos
seus elementos: temperatura, pressão e humidade, tendo grande
influência sobre as características biogeográficas, fenômenos
geomorfológicos, hidrológicos etc.

Os estudos climáticos estão atraindo muito mais a atenção da


população em geral, sendo divulgados largamente pelos meios
de comunicação de massa. Também têm tido atenção em estudos
dirigidos e gestões de políticas ambientais. Devem estar atentos ao
problema da água, contaminação, desmatamento, sem esquecer dos
elementos tradicionais.
 O problema da água está relacionado com factores
ambientais e climáticos;
 A contaminação atmosférica tem relação íntima com a acção
destrutiva do homem, sendo de suma importância estudos
como, por exemplo, o da chuva ácida;
 O desmatamento não é causado por factores climáticos, mas
acaba tendo influência directa sobre a população, no que se
refere a inundações causadas por ele, e a diminuição
da evapotranspiração, que é feita pelas plantas, o que
consequentemente diminui a quantidade de água na
atmosfera.

O clima é um resultado complexo de diversas variáveis definidas a


partir de factores climatológicos.
A Climatologia é um ramo da Geografia, sendo matéria e assunto
pertinente à grade dos cursos de geografia de todo o mundo. A
Meteorologia estuda mais diretamente o tempo, e a Climatologia o
clima.
Ao geógrafo interessa os três quilômetros inferiores da atmosfera,
que sofre influência mais direta da litosfera, dos oceanos, da
radiação solar, e é de grande interesse para as populações humanas.
Cabe a ele também isolar os elementos a fim de entender melhor o
conjunto deles.

Existe um confronto ideológico entre a Geografia e a Meteorologia, mas a


Climatologia faz parte de ambas as áreas.
É importante compreender a noção de ritmo para entender a mudança de
enfoque da climatologia - introduzida por Monteiro, em 1971 -, que busca

42
análises, ao menos diárias, do tempo, para assim considerar a análise
geográfica de um lugar.

METEOROLOGIA
A meteorologia é uma das ciências que estudam a atmosfera terrestre,
que tem como foco o estudo dos processos atmosféricos e a previsão do
tempo. Estuda os fenômenos que ocorrem na atmosfera e as interações
entre seus estados dinâmicos, físico e químico, com a superfície terrestre
subjacente.
Os estudos no campo da meteorologia foram iniciados há mais de dois
milênios, mas apenas a partir do século XVII a meteorologia progrediu
significativamente. No século seguinte, o desenvolvimento da
meteorologia ganhou um ímpeto ainda mais significativo com o
desenvolvimento de redes de intercâmbio de dados em vários países. Com
a maior eficiência na observação da atmosfera e uma mais rápida troca de
dados meteorológicos, as primeiras previsões numéricas do tempo
tornaram-se possíveis com o desenvolvimento de modelos
meteorológicos no início do século XX. A invenção docomputador e da
Internet tornou mais rápido e mais eficaz o processamento e o
intercâmbio de dados meteorológicos, proporcionando assim um maior
entendimento dos eventos meteorológicos e suas variáveis e,
conseqüentemente, tornou possível uma maior precisão na previsão do
tempo.

A palavra "meteorologia" vem do grego μετέωρος metéōros "elevado; alto


(no céu)" (de μετα- meta- "acima" e ἀείρω aeiro "eu levanto") e -λογία -
logia "estudo, palavra".

O foco de estudo da meteorologia é a investigação dos fenômenos


observáveis relacionados com a atmosfera. Os eventos atmosféricos que
são observáveis somente em um amplo período de tempo são o foco de
estudo da climatologia. Os fenômenos meteorológicos estão relacionados
com variáveis que existem na atmosfera, que são principalmente
atemperatura, a pressão atmosférica e a humidade do ar, suas relações e
as suas variações com o passar do tempo. A maior parte dos eventos
meteorológicos ocorre na troposfera, a camada mais baixa da atmosfera
terrestre, e podem afetar o planeta Terra como um todo ou afetar apenas
uma pequena região, e para isso a meteorologia é subdividida para
melhor estudar os eventos meteorológicos em escala global, ou eventos
estritamente locais.
A meteorologia faz parte de um conjunto de ciências atmosféricas. Faz
parte deste conjunto a climatologia, a física atmosférica, que visa às
aplicações da física na atmosfera, e a química atmosférica, que estuda os
efeitos das reações químicas decorrentes na atmosfera. A própria

43
meteorologia pode se tornar uma ciência interdisciplinar quando se funde,
por exemplo, com a hidrologia, tornando-se a hidrometeorologia, que
estuda o comportamento das chuvas numa determinada região, ou pode
se fundir com a oceanografia, tornando-se a meteorologia marítima, que
visa ao estudo da relação dos oceanos com a atmosfera.
As aplicações da meteorologia são bastante amplas. O planejamento
da agricultura é dependente da meteorologia. A política energética de um
país dependente de sua bacia hidrográfica também pode depender das
previsões do tempo. Estratégias militares e a construção civil também
dependem da meteorologia, e a previsão do tempo influencia o cotidiano
de toda a sociedade.

HIDROMETEOROLOGIA
A hidrometeorologia é o ramo das ciências atmosféricas (meteorologia) e
da hidrologia que estuda a transferência de água e energia entre a
superfície e aatmosfera.
A hidrometeorologia também investiga a presença de água na atmosfera
em suas diferentes fases.

Entre os seus objectos de estudo encontram-se:


1. O ciclo da água
2. A dinâmica dos processos hhúmidaos
3. As circulações atmosféricas associadas às precipitações de
água
4. A modelagem numérica dos fenômenos
hidrometeorológicos,
5. A análise objectiva dos campos de precipitação medidos
por pluviômetros e diferentes radares
6. Os projetos de redes de medição em hidrometeorologia e
sistemas de medição e instrumentação em mesoescala e
microescala
7. As estratégias teóricas, estatísticas e numéricas de previsão
de precipitações (chuva, neve, granizo, etc.)
8. As simulações computacionais de chuva acopladas aos
modelos de vazão de água em superfície
9. Os problemas urbanos de enchentes e inundações
10. A previsão de chuvas a curto e curtíssimo prazo
("nowcasting")
11. O acoplamento de modelos atmosféricos de precipitação,
da camada limite planetária e das superfícies vegetadas e
urbanas
12. O balanço hídrico e a hidrologia de superfície
13. As técnicas de análise dos campos de refletividade de
radares meteorológicos.

44
Tem como áreas afins a microfísica de nuvens (quentes e frias) e
a microfísica de precipitação, a meteorologia de latitudes médias e
a meteorologia tropical, a dinâmica da camada limite planetária (CLP),
os sistemas de medição meteorológicos (hidrometeorológicos), a
calibração instrumental e verificação de qualidade de medidas de
redes de medição (mesoescala, microescala,escala sinóptica etc), a
eletricidade atmosférica, a formação de tempestades e sistemas
precipitantes, a meteorologia sinóptica e de mesoescala.
Atualmente a hidrometeorologia tem dado atenção especial às
condições superficiais das áreas urbanizadas onde o impacto das
tempestades severas tem provocado consideráveis perdas materiais e
humanas.

PALEOCLIMATOLOGIA
Paleoclimatologia é o estudo das variações climáticas ao longo
da história da Terra. Para isso, são estudados vestígios naturais que
podem ajudar a determinar o clima em épocas passadas.
As observações meteorológicas com a ajuda de instrumentos, tal como
as conhecemos hoje em dia, datam de há 100 ou 200 anos,
dependendo do lugar. Este, porém, é um período muito curto
relativamente às alterações sofridas pelo clima ao longo dos tempos,
durante milhares ou até milhões de anos.
A história do clima pode ser deduzida através de evidências naturais [1],
tais como a composição do gelo, a estrutura de árvores petrificadas e
outros fósseis e dasrochas sedimentares.
Nos últimos dois bilhões de anos, o clima na Terra tem se comportado
de forma mais ou menos cíclica, com períodos frios,
chamados períodos glaciais, e períodos quentes, chamados períodos
interglaciais. Estas mudanças na temperatura são causadas por
diferentes aspectos, tais como perturbações na órbita da Terra, a
actividade solar, impactos de meteoros, erupções vulcânicas e a ação
humana.

2.1.2 BIOSFERA
BIOGEOGRAFIA
Biogeografia é o estudo da distribuição das espécies e ecossistemas no
espaço geográfico e através do tempo geológico. Organismos e as
comunidades biológicas variam de uma forma altamente regular ao
longo de gradientes geográficos de latitude, altitude, isolamento e
área de habitat.
Conhecimento da variação espacial nos números e tipos de
organismos é tão vital para nós hoje como foi para nossos primeiros
ancestrais humanos, como se adaptar a ambientes heterogêneos, mas
geograficamente previsíveis.

45
Biogeografia é um campo integrador de investigação que une
conceitos e informações de ecologia, biologia
evolutiva, geologia e geografia física. Pesquisas biogeográficas
modernas combinam informações e ideias de muitos campos,
desde as limitações fisiológicas e ecológicas sobre a dispersão do
organismo aos fenômenos geológicos e climatológicos que
operam em escalas espaciais globais e prazos evolutivas.

A biogeografia, para fins didáticos, é geralmente dividida em duas


subáreas:
 Biogeografia Histórica: Estuda como os processos ecológicos
que ocorrem a longo prazo atuam sobre o padrão de
distribuição dos organismos; Explica a distribuição dos seres
vivos em função de factores históricos.
 Biogeografia Ecológica: Estuda como os processos ecológicos
que ocorrem a curto prazo atuam sobre o padrão de
distribuição dos organismos; Analisa a distribuição dos seres
vivos em função de suas adaptações às condições atuais do
meio.

PALEONTOLOGIA
Paleontologia (do grego palaiós, antigo + óntos, ser + lógos, estudo) é
a ciência natural que estuda a vida do passado da Terra e o seu
desenvolvimento ao longo do tempo geológico, bem como os
processos de integração da informação biológica no registro geológico,
isto é, a formação dos fósseis. O cientista responsável pelos estudos
dessa ciência é denominado de paleontólogo.
A vida na Terra surgiu há aproximadamente 3,5 bilhões de anos e,
desde então, restos de animais e vegetais ou indícios das suas
actividades ficaram preservados nas rochas. Estes restos e indícios são
denominados fósseis e constituem o objecto de estudo da
Paleontologia.

A paleontologia desempenha um papel importante nos dias de hoje. Já


não é a ciência hermética, restrita aos cientistas e universidades.
Todos se interessam pela história da Terra e dos seus habitantes
durante o passado geológico, para melhor conhecerem as suas
origens. O objecto imediato de estudo da Paleontologia são osfósseis,
pois são eles que, na atualidade, encerram a informação sobre o
passado geológico do planeta Terra. Por isso se diz frequentemente
que a Paleontologia é, simplesmente, a ciência que estuda os fósseis.
Contudo, esta é uma definição redutora, que limita o alcance da
Paleontologia, pois os seus objectivos fundamentais não se restringem

46
ao estudo dos restos fossilizados dos organismos do passado. A
Paleontologia não procura apenas estudar os fósseis, procura também,
com base neles, entre outros aspectos, conhecer a vida do passado
geológico da Terra.
Uma vez que os fósseis são objectos geológicos com origem em
organismos do passado, a Paleontologia é a disciplina científica que
estabelece a ligação entre as ciências geológicas e as
ciências biológicas. Conhecimentos acerca da Geografia são de suma
importância para a paleontologia, entre outros, através desta pode
relacionar-se o posicionamento e distribuição dos dados coligidos pelo
globo.

PALINOLOGIA
Palinologia é a parte da Botânica que estuda os grãos de pólen,
esporos e outras estruturas com parede orgânica ácido-resistente,
conjuntamente chamados palinomorfos. Sua maior área de atuação é
o estudo da constituição, estrutura e dispersão do pólen e esporos,
incluindo os exemplares atuais (recentes) e fossilizados. Os
microfósseis orgânicos, também denominados de palinomorfos,
incluem cistos de dinoflagelados, ovos decopépodes, cutículas
vegetais, matéria orgânica amorfa, etc.
Os grãos de pólen constituem a parede do micrósporo das plantas,
mais o gametófito nela contido.
Os grãos de pólen são facilmente preserváveis em ambientes com
pouca oxigenação. Por serem muito resistentes, eles mantêm as suas
características externas (estrutura da exina) durante o processo de
fossilização. Por essa razão, o seu estudo permite resolver muitos
problemas que o estudo dos fósseis deplantas não resolve. A
resistência dessas estruturas deve-se graças à deposição em sua
parede externa (exina) de esporopolenina, um polímero orgânico
bastante resistente.

O estudo dos grãos de pólen Palinologia tem contribuído com


diversas áreas do conhecimento, a saber: caracterização da
origem botânica e geográfica de produtos das abelhas (mel,
pólen, própolis etc.),melissopalinologia ou melitopalinologia;
alergias (polinoses)causadas pela concentração de pólen na
atmosfera (aeropalinologia, iatropalinologia); reconstituição de
floras pretéritas (paleoecologia, paleopalinologia); prospecção
petrolífera (bioestratigrafia); determinação de rotas migratórias
humanas e de outros animais (arqueopalinologia,
copropalinologia); resolução de crimes (palinologia forense);
dentre outras.

47
A paleontologia (a "ciência-mãe" que se ocupa dos fósseis em
geral) trabalha em estreita ligação com ageologia, que lhe deve
fornecer o processo em que determinada formação rochosa se
formou e em que altura da vida da Terra - datação.

MICROPALEONTOLOGIA
A Micropaleontologia é a disciplina paleontológica que se ocupa do
estudo de fósseis de pequenas dimensões, apenas observáveis com o
auxílio de instrumentos de ampliação (microscópios ópticos e
electrónicos), ou seja, que se ocupa do estudo dos microfósseis (do
grego mikrós, pequeno + Paleontologia).
Ao contrário, por exemplo, da Paleozoologia ou da Paleobotânica
(disciplinas da Paleobiologia), a Micropaleontologia é definida não com
base num determinado grupo biológico, mas sim segundo critérios
estritamente metodológicos, directamente relacionados com a
especificidade do estudo dos microfósseis, devido às suas pequenas
dimensões.

2.1.3. HIDROSFERA
HIDROLOGIA
A hidrologia (do grego Yδωρ, hydor, "água"; e λόγος, logos, "estudo") é
a ciência que estuda a ocorrência, distribuição e movimentação
da água no planeta Terra. A definição actual deve ser ampliada para
incluir aspectos de qualidade da água, ecologia, poluição e
descontaminação.

GLACIOLOGIA
A glaciologia é o estudo das geleiras(português brasileiro) ou glaciares(português
europeu), ou mais geralmente, o estudo do gelo, sua composição (que

pode retratar a composição atmosférica passada ou atual) e seus


fenômenos naturais relacionados.
É uma ciência da Terra, também forma uma parte da geografia física.

Áreas de estudo dentro de glaciologia incluem história glacial e a


reconstrução de padrões de glaciação passados, efeito das geleiras
sobre o clima e vice-versa, a dinâmica de movimento de gelo, as
contribuições das geleiras para a erosão e geomorfologia, formas de
vida que vivem no gelo, entre outros.
Há duas categorias gerais de glaciação que os glaciólogos
distinguem: glaciação alpina, acumulações ou "rios de gelo"
confinados a vales; e glaciação continental, acumulações não
confinadas que uma vez cobriram grande parte da superfície dos
continentes do hemisfério norte, e ainda hoje constituem os mantos

48
de gelo da Groenlândia (1,7 milhões de quilômetros quadrados) e da
Antártica (13,6 milhões de quilômetros quadrados).
O Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS), em Porto Alegre, Brasil, é a principal instituição de
investigação glaciológica de língua portuguesa.

LIMNOLOGIA
A limnologia (do grego, limne - lago, e logos - estudo) é a ciência que
estuda as águas interiores, independentemente de suas origens
(estudadas pela hidrografia), mas verificando as dimensões e
concentração de sais, em relação aos fluxos de matéria e energia e as
suas comunidades bióticas.
A origem da limnologia normalmente reporta-se ao final do século XIX,
quando François Alphonse Forel iniciou os seus estudos no lago
Léman (lago de Genebra, Suíça). Muito embora a limnologia tenha sido
originalmente desenvolvida com o objectivo de estudar os ambientes
lacustres (lagos), na realidade, os ambientes estudados abrangem
todos os tipos de águas interiores: lagos, lagoas, reservatórios, rios,
açudes, represas, riachos, brejos, áreas inundáveis, águas
subterrâneas, colecções de água temporárias, nascentes e fitotelmos.
A compartimentação das áreas do conhecimento limnológico levou à
criação das linhas de pesquisa relacionadas ao estudos das formas
(isto é a extensão e profundidade) do ambiente lacustre, aos
aspectos abióticos da coluna de água, como as propriedades dinâmicas
da disponibilidade de luz, estratificação térmica e química, além das
características do sedimento.

Quanto aos aspectos bióticos, as diversas linhas de pesquisa podem


ser resumidas em estudos do bacterioplâncton, fitoplâncton,
zooplâncton, bentos, nécton,macrófitas aquáticas e perifíton.
Os métodos utilizados nos estudos limnológicos são semelhantes aos
métodos utilizados nos estudos oceanográficos, o que faz com que a
limnologia seja considerada uma ciência irmã da oceanografia.
Em casos em que a massa de água doce suporte uma pescaria, estes
estudos fornecem informações importantes para as ciências
pesqueiras.

HIDROGEOLOGIA
Hidrogeologia é o ramo das Geociências (ciências da terra) que estuda
as águas subterrâneas quanto ao seu movimento, volume, distribuição
e qualidade.
Conforme o tipo de rocha a água nela armazenada comporta-se de
maneira diferente. Em rochas porosas a velocidade de deslocamento e
capacidade de armazenamento são maiores que em rochas cristalinas.

49
Através da hidrogeologia é possível verificar a vazão de poço, a recarga
do aquífero e outras informações necessárias ao bom aproveitamento
e proteção destes depósitos subterrâneos de água. O ramo da
hidrogeologia que se dedica ao estudo da componente dinâmica das
águas subterrâneas é a hidrodinâmica,O ramo de hidrogeologia que se
dedica à componente química das águas subterrâneas é a
hidroquímica e o ramo que se dedica ao estudo da inter-relação
química entre as águas subterrâneas e as rochas é designado por
hidrogeoquímica.
Com base na mineralogia e no grau de alterabilidade dos minerais das
rochas é possível prever a qualidade química natural de uma água
subterrânea, a qual é definida pela importância relativa dos principais
elementos químicos dissolvidos que a água apresenta, sódica, cálcica
ou magnesiana, para os catiões, cloretada, bicarbonatada ou
sulfatada, para os aniões.
Outros ramos da hidrogeologia dedicam-se a tipos especiais de águas
(termais, minerais, por exemplo) ou a tipos de actividades específicas,
caso da hidrogeologia mineira, onde os estudos se centram na
tentativa de evitar que as águas subterrâneas prejudiquem o
funcionamento de minas (por vezes com fortes inundações que
prejudicam os trabalhos mineiros e têm consequências económicas
graves na indústria mineira). Esse mesmo ramo da hidrogeologia
dedica-se também ao estudo da contaminação mineira das águas
subterrâneas e ao estudo dos resíduos líquidos provenientes de
escombreiras, com o desenvolvimento de soluções que possam
minimizar ou evitar as consequências para o ambiente dos resultados
dessa contaminação (águas de mina).

HIDROGRAFIA
Hidrografia é uma parte da geografia física que classifica e estuda
as águas do planeta Terra.
O objecto de estudo da hidrografia é a água da Terra, abrange
portanto oceanos, mares, geleiras, água do subsolo, lagos, água da
atmosfera e rios. A maior parte da água está concentrada em oceanos
e mares – 1 380 000 000 km³ –, correspondendo a 97% da reserva
hídrica do mundo. As águas continentais possuem um volume total de
38 000 000 km³, valor que representa 2,7% da água do planeta Terra.

OCEANOGRAFIA
A Oceanografia (do grego ὠκεανός e γράφω significando oceano e
grafia, respectivamente), também conhecida como Oceanologia ou
Ciências do Mar, é uma ciência do ramo das geociências que se dedica
ao estudo dosoceanos e zonas costeiras sob todos os aspectos, desde
sua descrição física até a interpretação dos fenómenoque neles se

50
verificam e de sua interação com os continentes e com a atmosfera,
bem como também no que diz respeito aos processos que atuam
nestes ambientes.
A oceanografia se divide em quatro áreas principais, sendo elas:
oceanografia física, oceanografia química,oceanografia biológica e
oceanografia geológica. Nas subáreas destacam-se a paleoceanografia,
a biogeoquímicamarinha, a ecotoxicologia marinha, entre outros.

OCEANOGRAFIA QUÍMICA
Oceanografia química é o ramo da ciência oceanográfica que estuda os
aspectos químicos dos oceanos e seus ambientes de transição
(ex.: estuários). Ela descreve as características e propriedades químicas
da água do mar, bem como quantifica elementos e compostos
químicos envolvidos em diversos ciclos biogeoquímicos. Estuda
também os processos químicos que ocorrem no oceano e os fluxos de
materiais nas zonas de interação atmosfera-oceano, continente-
oceano e sedimento-oceano, fornecendo subsídios para uma melhor
compreensão do funcionamento da geosfera.
A oceanografia química pode ser subdividida em diversas disciplinas.
Entre elas pode-se destacar a poluição marinha, que identifica e
quantifica os efeitos negativos das ações antrópicas nos organismos
marinhos. Outras disciplinas dentro da oceanografia química incluem
geoquímica marinha, bioquímica marinha e físico-química marinha.

BIOLOGIA MARINHA
Biologia marinha é o estudo dos organismos que vivem em
ecossistemas de água salgada e das relações entre eles e com o
ambiente .
Os oceanos cobrem mais de 71% da superfície da Terra e, assim como
o ambiente terrestre é diverso, os oceanos também são. Por isso
encontramos as mais diferentes formas de vida no mar, desde
o plâncton microscópico, incluindo o fitoplâncton, de enorme
importância para aprodução primária no ambiente marinho, aos
gigantes cetáceos como as baleias.

PALEOCEANOGRAFIA
Paleoceanografia é o estudo da história dos oceanos no passado
geológico que diz respeito à circulação, química, biologia, geologia e os
padrões de sedimentação e produtividade biológica. Estudos
paleoceanográficos utilizando modelos de ambiente e diferentes
representações possibilitam que a comunidade científica a avaliar o
papel dos processos oceânicos no clima global, a re-construção do
clima passado em vários intervalos

51
OCEANOGRAFIA
A Oceanografia (do grego ὠκεανός e γράφω significando oceano e
grafia, respectivamente), também conhecida como Oceanologia ou
Ciências do Mar, é uma ciência do ramo das geociências que se dedica
ao estudo dosoceanos e zonas costeiras sob todos os aspectos, desde
sua descrição física até a interpretação dos fenómenoque neles se
verificam e de sua interação com os continentes e com a atmosfera,
bem como também no que diz respeito aos processos que atuam
nestes ambientes.
A oceanografia se divide em quatro áreas principais, sendo elas:
oceanografia física, oceanografia química,oceanografia biológica e
oceanografia geológica. Nas subáreas destacam-se a paleoceanografia,
a biogeoquímicamarinha, a ecotoxicologia marinha, entre outros

2.1.4 LITOSFERA OU GEOSFERA


GEOLOGIA
Geologia, do grego γη- (ge-, "a terra") e λογος (logos, "palavra",
"razão")[1], é a ciência que estuda a Terra, sua composição, estrutura,
propriedades físicas, história e os processos que lhe dão forma. É uma
dasciências da Terra. A geologia foi essencial para determinar a idade
da Terra, que se calculou ter cerca de 4,6 bilhões de anos, e a
desenvolver a teoria denominada tectônica de placas, segundo a qual
a litosfera terrestre, que é rígida e formada pela crosta e o manto
superior, dispõe-se fragmentada em várias placas tectônicas, as quais
se deslocam sobre a astenosfera, que tem comportamento plástico.
O geólogo ajuda a localizar e a gerir os recursos naturais, como
o petróleo e o carvão, e os metais, como o ouro, ferro, cobre e urânio,
por exemplo. Muitos outros materiais possuem interesse económico:
as gemas, muitos minerais com aplicação industrial, como asbesto,
pedra pomes, perlita, mica, zeólitos, argilas, quartzo, ou elementos
como o enxofre ecloro.
A Astrogeologia é o termo usado para designar estudos similares de
outros corpos do sistema celeste.
A geologia relaciona-se directamente com muitas outras ciências, em
especial com a geografia e a astronomia. Por outro lado, a geologia
serve-se também de ferramentas fornecidas pela química, física e
matemática, entre outras ciências, enquanto que a biologia e a
antropologia servem-se da Geologia para dar suporte a muitos dos
seus estudos. A palavra "geologia" foi usada pela primeira vez
por Jean-André Deluc, em 1778, sendo introduzida de forma definitiva
por Horace-Bénédict de Saussure, em 1779.

52
No Brasil, a profissão da geologia é regulamentada pelo Conselho
Federal de Engenharia e Agronomia(CONFEA) e fiscalizada pelos
Conselhos Regionais, instalados em todos os estados brasileiros.

GEOLOGIA ECONÓMICA
Geologia económica é um ramo da geologia que trata da detecção e
exploração de recursos minerais e energéticos. É um ramo do
conhecimento altamente interdisciplinar, necessitando, além do
conhecimento profundo de geologia em diferentes ramos, de noções
em disciplinas como economia, ecologia, política edireito.

GEOLOGIA DE ENGENHARIA
Geologia de engenharia é um ramo das ciências geológicas que se
dedica aos problemas e aplicações de conceitos geológicos no âmbito
da engenharia

GEOLOGIA AMBIENTAL
O Geólogo Ambiental possui como principais atribuições a
caracterização de zonas ambientalmente desqualificadas, que
coloquem em risco o homem o meio ambiente. Esta caracterização
tem em vista a qualidade ambiental do ar, do solo, da água quer
subterrânea e superficial, do ruído e a integração destas componentes
na a vida do homem. Nesta perspectiva o Geólogo Ambiental tem
como preocupação o ordenamento do território, e a previsão de locais
potencialmente sujeitos a catástrofes tais como sismos, tsunamis,
movimentos de massa, etc. Promove também a remediação de antigas
minas, depósitos abandonados de material mineiro (escombreiras),
e aterros.

GEOLOGIA HISTÓRICA
A geologia histórica pode ser definida como o uso dos princípios da
geologia para reconstruir e compreender a história da Terra. Em
particular, centra-se nos processos geológicos que modificam a
superfície e subsuperfície terrestres; e no uso da estratigrafia, geologia
estrutural e paleontologia para sequenciar no tempo a ocorrência
destes processos.Enfoca-se também na evolução de plantas e
animais durante diferentes períodos da escala de tempo geológico. A
descoberta daradioactividade e o desenvolvimento de vários métodos
de datação radiométrica na primeira metade do século XX forneceram
um meio de obter datações absolutas comparáveis com datações
relativas da história geológica.
Geologia econômica, a busca e extração de energia e matérias-primas,
é fortemente dependente de uma compreensão da história geológica
de uma área.Geologia ambiental, das quais se destacam os riscos

53
geológicos de terremotos e vulcanismo, também deve incluir um
conhecimento detalhado da geologia história.

GLACIOLOGIA
A glaciologia é o estudo das geleiras(português brasileiro) ou glaciares(português
europeu), ou mais geralmente, o estudo do gelo, sua composição (que

pode retratar a composição atmosférica passada ou atual) e seus


fenômenos naturais relacionados.
É uma ciência da Terra, também forma uma parte da geografia física.
Áreas de estudo dentro de glaciologia incluem história glacial e a
reconstrução de padrões de glaciação passados, efeito das geleiras
sobre o clima e vice-versa, a dinâmica de movimento de gelo, as
contribuições das geleiras para a erosão e geomorfologia, formas de
vida que vivem no gelo, entre outros.
Há duas categorias gerais de glaciação que os glaciólogos
distinguem: glaciação alpina, acumulações ou "rios de gelo"
confinados a vales; e glaciação continental, acumulações não
confinadas que uma vez cobriram grande parte da superfície dos
continentes do hemisfério norte, e ainda hoje constituem os mantos
de gelo da Groenlândia (1,7 milhões de quilômetros quadrados) e da
Antártica (13,6 milhões de quilômetros quadrados).
O Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS), em Porto Alegre, Brasil, é a principal instituição de
investigação glaciológica de língua portuguesa.

ASTROGEOLOGIA
A astrogeologia ou geologia planetária é uma ciência planetária cujo
estudo centra-se na geologia dos corpos celestes, tais como, planetas,
luas, cometas e meteoritos. Dado que o estudo das rochas se iniciou
com o estudo das rochas terrestres, e devido ao tipo de trabalho
científico realizado, a astrogeologia encontra-se extremamente ligada
à geologia terrestre.
O termo geologia é usada aqui em seu sentido mais amplo para
designar o estudo das partes sólidas dos planetas. Dessa forma, os
aspectos de geofísica, geoquímica, geodésia, cartografia, e outras
disciplinas relacionadas ao estudo de corpos sólidos estão incluídas no
termo geral, geologia.

SEDIMENTOLOGIA
Sedimentologia é a disciplina que estuda as partículas de sedimentos
derivados da erosão de rochas ou de materiais biológicos que podem
ser transportados por um fluido, levando em conta os processo
hidroclimatológicos, com ênfase à relação água-sedimento, ou outros
aspéctos geológicos.

54
ESTRATIGRAFIA
A Estratigrafia (do latim stratum e do grego graphia) é o ramo
da geologia que estuda os estratos ou camadas de rochas, buscando
determinar os processos e eventos que as formaram. Basicamente
segue o princípio da sobreposição das camadas.
O estudo e definições da estratigrafia numa escala global são
elaboradas pela The International Commission on Stratigraphy
(Comissão Internacional de Estratigrafia) que, por sua vez, é o maior
corpo científico dentro da International Union of Geological Sciences
(União Internacional das Ciências Geológicas)

GEOLOGIA ESTRUTURAL
A geologia estrutural estuda a geometria dos corpos rochosos, sua
distribuição espacial em três dimensões, e os processos de
deformação que produzem as estruturas geológicas.
As estruturas geológicas podem ser primárias, que são aquelas
originadas na formação das rochas sedimentares e ígneas, tais como a
estratificação sedimentar e estruturas de fluxo em magmas, e
tectônicas, que são originadas por deformação das rochas sob a ação
de forças.

GEOQUÍMICA
Geoquímica é uma ciência geológica que envolve o estudo da
composição química da Terra e de outros planetas, processos químicos
e reações que governam a composição de rochas, solos, corpos d'água
continentais e dos oceanos, e dos ciclos de matéria e energia que
transportam os componentes químicos da Terra pelo tempo e espaço.
A geoquímica é um ramo da geologia e da química, mas que se presta
imensamente a outras ciências, como a ecologia e a oceanografia
química.
A geoquímica tem duas funções principais que são: determinar as
abundâncias relativa e absoluta dos elementos na Terra; e estudar os
princípios que regem a distribuição e migração destes elementos.
Sendo assim, ela utiliza princípios da química como solução para
problemas no âmbito de geologia, permitindo um conhecimento mais
exato dos fenômenos químicos presentes na natureza de forma
quantitativa e qualitativa.

A geoquímica é um tema extremamente amplo que pode ser dividido


em subdisciplinas:
 Geoquímica de Alta e Baixa Temperatura;
 Geoquímica Oceânica;
 Geoquímica Orgânica;
 Geoquímica Inorgânica;

55
 Geoquímica de Rochas;
 Geoquímica dos Elementos Terras Raras;
 Geoquímica Médica;
 Geoquímica dos Isótopos;
 Geoquímica Ambiental;
 Geoquímica dos Solos;
 Geoquímica de Exploração Mineral ou Prospecção Geoquímica;
 Geoquímica de Sedimento de Corrente;
 Geoquímica de Lateritas e Gossans, etc.

GEOMORFOLOGIA
Geomorfologia é um ramo da geografia que estuda as formas da
superfície terrestre. Para isso, tende a identificar, descrever e analisar
tais formas, entendidas aqui como relevos, assim como todos seus
aspectos genéticos, cronológicos, morfológicos, morfométricos e
dinâmicos, tanto pretéritos como atuais e naturais ou antropogênico.
O termo vem do grego: Γηος, geos (Terra), μορφή, morfé (forma) e
λόγος, logos (estudo, conhecimento).
A geomorfologia centra-se no estudo das formas das paisagens, mas
porque estes são o resultado da dinâmica da litosfera como um todo,
integra o conhecimento, em primeiro lugar de outros ramos da
geografia como a Climatologia, Hidrografia, Pedologia, Glaciologia,
Paleogeografia e, do outro lado, também integra contributos de outras
ciências, para incluir o impacto dos fenómenos biológicos, geológicos e
antrópicos no relevo.
Este ramo da ciência integra-se tanto na geografia física, como
na geografia humana, devido aos desastres naturais e às relações
homem-ambiente, e também na geografia matemática, no que diz
respeito à topografia).

GEOFÍSICA
Geofísica é o estudo da estrutura, da composição, das propriedades
físicas e dos processos dinâmicos da Terra. Diferente da Geologia cujo
estudo da Terra é feito via observações diretas das rochas, a Geofísica
investiga o subterrâneo através de medidas indiretas. Se subdivide em
global (pura) e de propecção (exploração ou aplicada).
Na Geofísica global ou pura podemos estudar os fenômenos físicos
que acontecem no planeta como terremotos, tsunamis, vulcões entre
outros. Já Geofísica de prospecção ou de exploração utilizamos
levantamentos/métodos como os sísmicos, elétricos,
eletromagnéticos, potenciais (magnético e gravimétrico),
radiométricos, geotérmicos etc. Além da perfilagem geofísica de
poços.

56
A investigação geofísica do interior da Terra consiste em fazer
medições na superfície ou próxima a ela. Estas medições são
influenciadas pela distribuição interna das propriedades (parâmetros)
físicas. A análise das medições pode revelar como é que as
propriedades físicas do interior da Terra variam vertical e
lateralmente. Grande parte do conhecimento terrestre, abaixo das
profundidades que se podem atingir por intermédio de furos, é
proveniente de observações geofísicas.

Os levantamentos podem ser terrestres, aéreos e marinhos.


Possui aplicação em água subterrânea, combustíveis fósseis,
geotermia, geotecnia, contaminação ambiental e investigação de
outros minérios em geral comoouro, ferro etc.

GEOCRONOLOGIA
A geocronologia é a ciência que utiliza um conjunto de métodos de
datação usados para determinar a idade das rochas, fósseis,
sedimentos e os diferentes eventos da história da Terra.
 A estratigrafia e a paleontologia permitem uma geocronologia
relativa.
 A radiocronologia é um dos métodos de geocronologia
absoluta.

GEODINÂMICA
Geodinâmica é o ramo da geofísica que se ocupa em estudar as
manifestações dinâmicas do interior de planetas telúricos, como
a Terra, que afetam especialmente a crosta e a superfície planetária

CAMPO MAGNÉTICO TERRESTRE


O campo magnético terrestre assemelha-se a um dipolo
magnético com seus polos próximos aos polos geográficos da Terra.
Uma linha imaginária traçada entre os polos sul e norte magnéticos
apresenta uma inclinação de aproximadamente 11,3º relativa ao eixo
de rotação da Terra. A teoria do dínamo é a mais aceita para explicar a
origem do campo. Um campo magnético, genericamente, se estende
infinitamente. Um campo magnético vai se tornando mais fraco com o
aumento da distância da sua fonte. Como o efeito do campo
magnético terrestre se estende por várias dezenas de milhares de
quilómetros, no espaço ele é chamado de magnetosfera da Terra.

57
GRAVIMETRIA
A Gravimetria é a medida do campo gravitacional. A gravimetria é
importante quando a magnitude do campo gravitacional ou as
propriedades dos materiais que geram este campo são de interesse
em estudos normalmente relacionados à Geofísica e a Geodésia.
Em química, a gravimetria é uma análise que consiste na determinação
indirecta da massa de um ou mais constituentes de uma amostra.
Nentes do RSU, como o papel, o papelão, o plástico, o metal, a matéria
orgânica, dentre outros. Através da análise da composição deste
resíduo, pode-se estimar o potencial de recuperação dos materiais
encontrados, identificar fontes de geração de cada componente,
facilitar a escolha do equipamento de processamento, estimar
propriedades térmicas, avaliar a adesão da população a campanhas já
implantadas, identificar o volume gerado de cada material,definir as
possibilidades de destinação de cada parcela e o grau de
periculosidade do resíduo.
A composição dos resíduos sólidos de uma localidade varia de
comunidade para comunidade, de acordo com os hábitos de sua
população, o número de habitantes do local, seu poder aquisitivo, as
variações sazonais, o clima, o padrão de desenvolvimento, o estilo de
vida, o padrão de consumo, o nível educacional, dentre outros
factores. Esta multiplicidade de factores intervenientes na geração dos
resíduos faz com que a definição da sua composição se torne difícil e
ao mesmo tempo essencial.

SISMOLOGIA
Sismologia (do grego seismos, abalo + logos, tratado) é o estudo
dos sismos (ou terremotos) e, genericamente, dos diversos
movimentos que ocorrem na superfície do globo terrestre.
Esta ciência busca conhecer e determinar em que circunstâncias
ocorrem os sismos naturais assim como suas causas e
distribuição sobre o globo terrestre, a fim de prevê-los em tempo
e espaço (o que ainda não é possível). Como derivação do estudo
da distribuição e causa dos sismos, a sismologia usa métodos
sismológicos para realizar estudos da estrutura da Terra, desde a
superfície até o seu núcleo. A sismologia é um dos únicos
métodos geofísicos utilizado para estudar as camadas mais
profundas da Terra para compreender os mecanismos envolvidos
na tectônica global do nosso planeta.
Na maior parte dos casos, os sismos são devidos a movimentos ao
longo de falhas geológicas existentes entre as diferentes placas
tectônicas que constituem a região superficial terrestre, as quais se
movimentam entre si. Em Portugal, a sismologia desenlaçou-se graças

58
ao Marquês de Pombal que depois do Sismo de 1755 mandou fazer
um inquérito sobre tal com perguntas como: "Quando começou", "a
que horas acabou" e se "os animais tiveram comportamento
estranho". Para obter a resposta de algumas questões foi necessário
estudar o sismo.

GEOGRAFIA
A Geografia é a ciência que estuda o conjunto de fenómenos naturais
e humanos, os quais são aspectos da superfície da Terra, considerada
na sua distribuição e relações recíprocas. A Geografia estuda
a superfície terrestre. A origem etimológica do termo é derivada dos
radicais gregos geo = "Terra" + grafia = "escrita". Descreve as
paisagens que resultaram da relação entre o homem e a natureza.
Desde a mais altaantiguidade o homem se preocupava com o
conhecimento do espaço em que vivia (ambiente). Certas vezes esse
conhecimento era uma resposta desejada pela curiosidade. Outras
vezes tais conhecimentos tinham objectivos econômicos
ou políticos. O conhecimento sistematicamente abordado da Terra é o
objectivo específico da Geografia. A Geografia é uma disciplina que
nasceu na própria época em que surgiu o homem. Mas o homem só
categorizou a Geografia como ciência depois que a civilização
grega floresceu.
Na superfície da Terra são compreendidas quatro esferas: a atmosfera,
a litosfera, a hidrosfera e a biosfera. É o habitat, ou meio ambiente.
Nela vivem os animais (seres humanos e não humanos) e as plantas.
A superfície da Terra é conhecida pela sua habitabilidade. Na
superfície da Terra são apresentadas diversas características. Uma das
características de maior importância é a complexidade interativa dos
elementos físicos, biológicos e humanos. Dentre esses elementos
podemos citar o relevo, o clima, água, osolo, a vegetação, a
agricultura e a urbanização. Outra característica é o fato de que o
ambiente varia muito de um lugar para outro, conforme os lados
antagônicos: de um lado o calor dos trópicos e, por outro o frio
dasregiões polares, a aridez dos desertos ao contrário das humidade
das florestas equatoriais, a vastidão das planícies rebaixadas em
contraposição à ingremidade das montanhas e as superfícies geladas e
despovoadas em oposição às grandes metrópoles que ultrapassam os
milhões de habitantes. Outra característica ainda é o registro regular
dos certos fenômenos, como os climáticos. O registro regular dos
fenômenos climáticos faz com que sua distribuição espacial seja
generalizada por esses fenômenos climáticos. Os exemplos mais
verdadeiros são a medições térmicas e pluviométricas. As medições
térmicas e pluviométricas são os principais elementos climáticos para
a agropecuária e outras actividades feitas pelo homem.

59
Na geografia há quatro preocupações particulares. Primeiro,
onde o seu objecto se localiza. Segundo, como os fenômenos se
inter-relacionam (em especial o modo como a humanidade e
a território se relacionam, de modo igual que a ecologia).
Terceiro, a regionalização. E, quarto, as áreas correlatas. Pela
geografia são pesquisados os locais onde desenrola a vida
das pessoas, de como os locais se distribuem acima da superfície
terrestres e os factores de ambiente, cultura, economia e
factores que se relacionam à recursos da natureza. Todos esses
factores têm influência nessa distribuição. Trata-se de uma
tentativa de respostas e perguntas a respeito de como é possível
uma região ser reconhecida pela população, modus
vivendi, cultura e a respeito dos movimentos e relações ocorridas
entre os locais diferenciados. Foi sistematizada como disciplina
acadêmica em atribuição aos pesquisadores Alexander von
Humboldt e Carl Ritter, que viveram no Século XIX. O profissional
desta disciplina é o geógrafo.

GEOGRAFIA HUMANA
Geografia humana é uma ciência humana que se consagra ao estudo e
à descrição da interação entre a sociedade e o espaço. Ela ajuda o
homem a entender o espaço geográfico em que vive. Pode-se
compreender o objecto da geografia humana como sendo a leitura
crítica das percepções e transformações humanas sobre o espaço, no
transcorrer do tempo, assim como a incidência do espaço sobre a
sociedade, isto é, a relação do homem com o espaço, o homem
espacializado.

GEOGRAFIA FÍSICA
Geografia física é o estudo das características naturais existentes
na superfície terrestre, ou seja, o estudo das condições da natureza ou
paisagem natural.
A superfície da Terra é irregular e varia de um lugar para outro em
função da inter-relação dinâmica entre os factores entre si e
geográfica em conjunto com outros factores. A manifestação local
deste produto dinâmica é conhecida comopaisagem, que é em
Geografia um fenômeno de interesse particular, mesmo considera por
muitos a ser o objecto de estudo da geografia (Otto Schlüter, Siegfried
Passarge, Leo Waibel, Jean Brunes, Carl Sauer, entre outros).
Uma das teorias clássicas para explicação da evolução da paisagem
como produto da dinâmica da superfície terrestre, é denominada
teoria do ciclo geográfico (DAVIS, 1899). O ciclo geográfico começa
com o soerguimento do relevo, de proporções continentais, através de

60
processos geológicos (epirogênese, vulcanismo, orogênese, etc.). A
partir disso, os rios e o escoamento superficial começam a criar vales
com a forma de V entre as montanhas (a fase chamada "juventude").
Durante esta primeira etapa, o terreno é mais íngreme e mais
irregular. Ao longo do tempo, as correntes podem esculpir vales mais
amplos ("maturidade"). Por fim, tudo se tornaria uma planície
(senilidade) nivelada à menor altitude possível (chamada de "nivel do
base") Esta planície final foi chamada peneplanície por William Morris
Davis, que significa "quase plana".

Contudo, o reconhecimento da Tectónica de placas na década de


1950, e da neotectônica em áreas plataformais, subsidiou novas
interpretações acerca da evolução das paisagens, como o
princípio do equilíbrio dinâmico para explicação das formas de
relevo (HACK,1975)formas de relevo (HACK,1975). Segundo este
princípio, a superfície pode ser modelada indefinidamente sem
que haja um arrasamento do relevo e formação de
peneplanícies. Isto se daria em função da compensação
isostática, sendo as formas de relevo resultantes da interação
entre os tipos de rocha e os climas atuantes.
Esses processos permitem o trânsito alívio por diferentes fases.
Os factores de estes processos podem ser classificados em
quatro grupos:
 Factores Geográficos: a paisagem é afetada tanto pela
factores bióticos e abióticos, que são considerados
geográficos só factores abióticos de origem exógena, tais
como relevo, solo, clima e corpos d'água. O clima, com
elementos como pressão, temperatura, ventos. Água de
superfície com a ação do escoamento, o rio e a ação do
mar. O gelo glacial com modelagem, entre outros. Esses
são factores que ajudam a modelo favorecendo processos
de erosão.
 Factores Bióticos: O efeito de factores bióticos no alívio
geral, se opõem ao processo de modelagem,
especialmente considerando a vegetação, no entanto,
existem poucos animais que não trabalham com o
processo erosivo, como cabras.
 Factores Geológicos: como placas tectônicas, o
diastrofismo, a orogenia e vulcanismo são processos
construtivos e de origem endógena que se opõem e
interromper o modelagem do ciclo geográfico.
 Factores Humanos: As actividades humanas sobre o
relevo é muito variável, dependendo da actividade
desenvolvida neste contexto e como muitas vezes

61
acontece com os homens é muito difícil generalizar e
podem influenciar a favor ou contra a erosão.
Embora os vários factores que influenciam a superfície da Terra estão
incluídos na dinâmica do ciclo geográfico, factores geográficos só
contribuem para o ciclo de desenvolvimento e seu objectivo final, o
peneplano. Enquanto o resto dos factores (biológicos, geológicos e
sociais) interromper ou perturbar o ciclo de desenvolvimento normal.

RAMOS
A ciência da Geografia física estuda um componente específico do
campo o inter-relações entre factores geográficos. São muitos os ramos
que o incluem e entre eles estão os mais importantes que são:
 Geomorfologia é a ciência voltada para o entendimento
da superfície da Terra e os processos pelos quais ela é formada,
tanto no presente como no passado. A Geomorfologia como um
campo possui vários subcampos que lidam com formas de relevo
específicas de vários ambientes, como geomorfologia
de deserto e a fluvial, entretanto, esses subcampos são unidos
pelos processos principais que os causam; em sua maioria,
processos tectônicos ou climáticos. A Geomorfologia pretende
entender a história e a dinâmica dos acidentes geográficos, e
predizer as mudanças futuras através da observação de campo,
experimentos físicos, e modelagem numérica (Geomorfometria).
Estudos recentes em geomorfologia são a fundação
da pedologia, um dos dois principais ramos da ciência do solo.
 Hidrologia estuda predominantemente a quantidade e qualidade
da água em movimento e se acumulando na superfície da terra e
no solo e rochas próximas da superfície da água, e é tipificada
pelo ciclo hidrológico. Assim esse campo encompassa água
dos rios, lagos,aquíferos e, até certo ponto, geleiras, no qual o
campo examina os processos e dinâmicas envolvendo esses
corpos d'água. A hidrologia tem historicamente uma importante
conexão com a engenharia e com isso tem desenvolvido vários
métodos quantitativos em sua pesquisa; entretanto, também
possui um . Similar a maioria dos campos da geografia física, ela
tem subcampos que examinam corpos de água específicos ou
sua interação com outras esferas, como limnologia e
potamologia.
 Glaciologia é o estudo das geleiras e mantos de gelo, ou mais
comumente, criosfera ou gelo e os fenômenos que envolvem o
gelo. A glaciologia agrupa os mantos de gelo como geleiras
continentais, e as geleiras como geleiras alpinas. Apesar das
pesquisas nas duas áreas serem similares com pesquisas sendo

62
realizadas tanto na dinâmica dos mantos como nas geleiras, a
pesquisa com os mantos tende a se preocupar mais com a
interação dos mantos com o clima, e a pesquisa com as geleiras
com o impacto da geleira no relevo. A glaciologia também possui
um vasto número de subcampos examinando factores e
processos envolvimento mantos de gelo e geleiras, como
hidrologia da neve e geologia glacial.
 Biogeografia é a ciência que lida com os padrões geográficos da
distribuição das espécies e os processos que resultam nesses
padrões. O principal estímulo para o campo desde a sua
fundação tem sido a evolução, placas tectônicas e a teoria da
biogeografia insular. O campo pode ser amplamente dividido em
4 subcampos: biogeografia insular, paleobiogeografia,
filogeografia, zoogeografia (animais) efitogeografia (vegetais).
 Climatologia é o estudo do clima, cientificamente definido como
a média das condições climáticas de um longo período de tempo.
Ela se difere da meteorologia, que estuda os processos
atmosféricos de curta duração, que são então examinados pelos
climatologistas para encontrar tendências e frequências em
padrões / fenômicos climáticos. A climatologia examina tanto a
natureza do clima micro (local) e macro (global) e as influências
naturais e antropogênicas sobre ele. O campo é também
subdividido largamente em climas de vários regiões e o estudo
de fenômenos específicos ou de períodos de tempo,
como climatologia de chuvas de ciclones tropicais e climatologia
urbana.
 Pedologia é o estudo do solo em seu ambiente natural. É um dos
dois principais ramos da ciência do solo, o outro sendo
a edafologia. A pedologia lida principalmente com pedogênese,
morfologia do solo, e classificação do solo. Na geografia física, a
pedologia é amplamente estudada por causa das numerosas
interações entre o clima (água, ar, temperatura), vida no solo
(micro-organismos, planta, animal), materiais minerais sob o solo
(ciclos biogeoquímicos) e sua posição e efeito no relevo como
a laterização.
 Paleogeografia investiga e reconstrói a geografia do passado e
sua evolução através do exame do material preservado em
registros estratográficos, paleosolos, accidentes geograficos
relictos, fosiles, etc. De grande importância para o resto da
geografia física que serve para entender melhor a dinâmica atual
da geografia do nosso planeta. O uso desses dados tem resultado
em evidências de deriva continental, placas tectônicas e super
continentes, que por sua vez têm suportado teorias
paleogeográficas como o ciclo geografico.O campo pode ser

63
amplamente dividido em 4 subcampos: paleoclimatologia,
paleobiogeografia, paleohidrologia e paleopedologia.
 Orografia. Parte da geografia física que trata da descrição e
estudo das montanhas.
 Geografia litorânea. É dedicado ao estudo da dinâmica das
paisagens costeiras.
 A geografia astronômica ou areografia é o estudo da superfície
de planetas sólidos como Vênus, Marte e Mercúrio. Também é o
estudo dos satélites que certos planetas possuem, caso da Lua de
nossa Terra. Ainda são estudos incipientes devido a falta, ou
poucos dados que se tem sobre os planetas e satélites do
Sistema Solar.

O estudo dos riscos naturais, e que, embora o número de catástrofes


naturais ultrapassam 7.000000,000 segundo o IBGE 2025, tem
aumentado o número de pessoas que eles afetam. É uma questão que
também aborda a geografia humana.
Em cada país, a Geografia Física pode possuir disciplinas peculiares assim
como suas próprias abordagens. Na Europa, por exemplo, há uma
preocupação maior com áreas da Glaciologia, de fundamental
importância da esculturação de relevos modernos. No Rússia e Canadá
emergiu geocriologia, dedicado ao estudo do permafrost. Por sua vez,
nos países do hemisfério sul, principalmente nos de clima tropical, a
Pedologia e estudos de alterações químicas em rochas vêm ganhando
grande importância, sendo as abordagens sobre o Quartenário bem
menos avançadas (porém, agora progredindo bastante) se em
comparação com osEstados Unidos ou a Europa.
Há, porém, cada vez mais uma preocupação em acoplar à análise
puramente "física" a influência humana no substrato físico; de fato, vale
dizer que o ser humano, é hoje o grande agente transformador da
superfície terrestre.

64
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. As ciências da Terra reconhecem em geral quatro esferas nomeadamente:


a) A litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera.
b) A troposfera, e estratosfera, a mesosfera e a ionesfera.
c) A geomorfologia, a hidrologia, a biogeografia e a pedologia.
d) Todas as opções estão correctas.

2. Dos exemplos abaixo indicados indique qual deles corresponde a factores


geograficos:
a) Factores bióticos que se opõem ao processo de modelagem como
a vegetação e poucos animais.
b) Como placas tectônicas, o diastrofismo, a orogenia e vulcanismo.
c) Factores abióticos de origem exógena, tais como relevo, solo, clima e
corpos d'água.
d) As diversas actividades humanas desenvolvidas sobre o relevo

3. A ciência da Geografia física estuda um componente específico do campo o


inter-relações entre factores geográficos. Dos ramos apresentados abaixo
indique quais deles não correspondem ao ramo de geografia:
a) Hidrologia e geomorfologia
b) Paleogeografia e biogeografia
c) Glaciologia e orografia
d) Todas as opções estão correctas

4. Hidrografia é uma parte da geografia física que classifica e estuda as águas do


planeta Terra. Das ciências abaixo indique qual delas possui o objecto de estudo
as águas subterrâneas quanto ao seu movimento, volume, distribuição e
qualidade.
a) Glaciologia
b) Limnologia
c) Hidrosfera
d) Hidrogeologia

5. Faça corresponder com cetas os elementos abaixo indicados.

 O ar  A litosfera
 À vida  A hidrosfera
 À água  A atmosfera
 Às rochas  A biosfera.

65
UNIDADE Temática 2.2. Ciências do Sistema Terrestre

CIÊNCIAS DO SISTEMA TERRESTRE

Actualmente muitos cientistas começam a utilizar uma abordagem


conhecida como ciência do sistema terrestre a qual trata a própria Terra
como um sistema que evolui como resultado das várias interações entre
os sistemas que constituem o sistema Terra. Esta abordagem,
possibilitada pelo uso de modelos matemáticos como hipóteses testadas
por dados de satélite e recolhidos por navios, confere aos cientistas uma
capacidade cada vez maior para explicar o comportamento passado e
possível comportamento futuro do sistema Terra.
Modelos matemáticos complexos que procuram modelar diferentes
componentes dos sistema Terra e as relações entre eles são designados
por modelos do sistema Terra. Muitos deles baseiam-se em modelos
climáticos globais e incluem sub-modelos para oceanos, atmosfera,
biosfera e outras partes do sistema Terra. Estas interações são de
particular importância quando se tenta compreender as possíveis
mudanças ao longo de décadas ou séculos e até em períodos mais
longos.

CARTOGRAFIA
Cartografia é a actividade que se apresenta como o conjunto de estudos
e operações científicas, técnicase artísticas que, tendo por base os
resultados de observações diretas ou da análise de documentação,
voltam-se para a elaboração de mapas, cartas e outras formas de
expressão ou representação de objectos, elementos, fenômenos e
ambientes físicos e socioeconômicos, bem como a sua utilização. [nota 2]
A palavra cartografia foi introduzida pelo historiador português Manuel
Francisco Carvalhosa, 2º Visconde de Santarém, numa carta datada de 8
de dezembro de 1839, de Paris, e endereçada ao historiador
brasileiroFrancisco Adolfo de Varnhagen, vindo a ser internacionalmente
consagrado pelo uso.
A cartografia encontra-se no curso de uma longa e profunda
revolução, iniciada em meados do século XX, e certamente a mais
importante depois do seu renascimento, que ocorreu nos séculos XV
e XVI. A introdução dafotografia aérea e da detecção remota, o
avanço tecnológico nos métodos de gravação e impressão e, mais
recentemente, o aparecimento e vulgarização dos computadores,
vieram alterar profundamente a forma como os dados geográficos
são adquiridos, processados e representados, bem como o modo
como os interpretamos e exploramos.

66
 Cartografia matemática é o ramo da cartografia que trata dos
aspectos matemáticos ligados à concepção e construção dos
mapas, isto é, das projecções cartográficas. Foi desenvolvida
a partir do final do século XVII, após a invenção do cálculo
matemático, sobretudo por Johann Heinrich Lambert e
Joseph Louis Lagrange. Foram especialmente relevantes,
durante o século XIX, os contributos dos matemáticos Carl
Friedrich Gauss e Nicolas Auguste Tissot.
 Cartometria é o ramo da cartografia que trata das medições
efetuadas sobre mapas, designadamente a medição de
ângulos e direções, distâncias, áreas, volumes e contagem de
número de objectos.

GEOINFORMÁTICA
Geoinformática é o nome dado à ciência e à tecnologia que desenvolve
e usa a infraestrutura da ciência da informação para abordar problemas
das áreas dageografia, geociências e tópicos diversos e relacionados do
âmbito da engenharia.
A geoinformática é descrita como a "ciência e tecnologia que lida com a
estrutura e carácter da informação espacial, a sua recolha, classificação
e qualificação, o seu armazenamento, processamento, exibição e
disseminação, incluindo a infraestrutura necessária para assegurar o uso
desta informação" ou "a arte, ciência ou tecnologia que lida com a
aquisição, armazenamento, produção, processamento, apresentação e
disseminação da informação geográfica".

Geomática é um termo também usado que engloba a geoinformática,


mas a geomática lida mais com as áreas da topografia e sistemas de
informação geográfica. A geoinformática tem o seu núcleo nas
tecnologias que apoiam os processos de aquisição, análise e visualização
de dados espaciais. Tanto a geomática como a geoinformática incluem e
assentam fortemente na teoria e implicações práticas de ciências como
a geodesia e a cartografia.
A geografia e ciências da Terra cada vez mais dependem do
processamento de informação espacial na forma digital, muita da qual
adquirida por via de imagens de deteção remota analisadas em sistemas
de informação geográfica (SIG/GIS) e visualizadas quer em papel quer
nos ecrãs dos computadores.
A geoinformática combina a análise e modelação geoespacial, o
desenvolvimento de bases de dados geoespaciais, o desenho de
sistemas de informação, a interação humano-computador e as
tecnologias de comunicação.

67
GEOESTATÍSTICA
Geoestatística é um ramo da Estatística Espacial que usa o conceito de
funções aleatórias para incorporar a dependência espacial aos modelos
para variáveis geo-referenciadas. Sob determinadas hipóteses, torna-se
possível fazer inferências e predições a partir de amostras. Vários
métodos e técnicas foram desenvolvidos ao longo dos últimos cinquenta
anos, através destas técnicas, dentre as quais se destacam a krigagem e
a simulação estocástica, é possível calcular um valor de uma dada
propriedade (fácies, permeabilidade, porosidade etc.) para cada centro
da célula de uma malha tridimensional, valor este condicionado aos
dados existentes (dados de poços, sísmica, etc.) e a uma função
de correlação espacial entre estes dados.
Em várias áreas das Ciências da Terra, as variáveis não apresentam um
padrão de distribuição requerido pela estatística clássica como
normalidade e independência dos dados. Os modelos da estatística
clássica estão geralmente voltados para a verificação da distribuição
de freqüência dos dados, enquanto a geoestatística incorpora a
interpretação da distribuição estatística, assim como a correlação
espacial das amostras. Este aspecto da geoestatística está intimamente
associado com a distribuição estatística dos dados no espaço.
Assim, os métodos geoestatísticos fornecem um conjunto de
ferramentas para entender a uma aparente aleatoriedade dos
dados, mas com possível estruturação espacial, estabelecendo,
desse modo, uma função de correlação espacial. Esta função
representa a base da estimativa da variabilidade espacial em
geoestatística.
Um exemplo muito simples mostra a diferença entre a estatística e a
geoestatística, considerando os seguintes valores:
 Amostra 1: 1 – 7 – 3 – 6 – 2 – 9 – 4 – 8 – 5
 Amostra 2: 1 – 3 – 5 – 7 – 9 – 8 – 6 – 4 – 2

Sob a ótica da estatística clássica o valor médio e a variância são


idênticos para as duas amostragens. Entretanto, segundo a avaliação no
espaço, a primeira amostra possui um comportamento muito errático,
enquanto a segunda amostra apresenta uma uniformidade espacial.
Uma das ferramentas da geoestatística que pode ser utilizada para
medir essa uniformidade espacial é a função Semivariograma.

GEODÉSIA
O termo geodésia (português brasileiro) ou geodesia (português europeu) (do grego
Γεωδαισία, composto de γη, "terra", e δαιζω, "dividir") foi usado, pela
primeira vez, por Aristóteles (384-322 a.C.), e pode significar tanto
'divisões (geográficas) da terra' como também o ato de 'dividir a terra'
(por exemplo entre proprietários). A geodésia é, ao mesmo tempo, um

68
ramo das Geociências e uma Engenharia, que trata do levantamento e
da representação da forma e da superfície da terra (Definição clássica
de Helmert), global e parcial, com as suas feições naturais e artificiais e o
campo gravitacional da Terra.
O termo geodésia também é usado em Matemática para a medição e o
cálculo acima de superfícies curvas usando métodos semelhantes
àqueles usados na superfície curva da terra.
Em Física, Geodésia é o nome da trajetória reta no espaço curvo, de
corpos como a Terra. Isso acontece em função da gravidade.

TOPOGRAFIA
Topografia (do grego τόπος, topos, que significa "lugar", "região",
e γράφω, grapho, que significa "descrever", portanto "descrição de um
lugar") é a ciência que estuda todos os acidentes geográficos definindo a
sua situação e localização na Terra ou outros corpos astronómicos
incluindo planetas, luas, e asteroides. É ainda o estudo dos princípios e
métodos necessários para a descrição e representação das superfícies
destes corpos, em especial para a sua cartografia. Tem a importância de
determinar analiticamente as medidas de área e perímetro, localização,
orientação, variações no relevo, etc e ainda representá-las graficamente
em cartas (ou plantas) topográficas.
A topografia é também instrumento fundamental para a implantação e
acompanhamento de obras de todo o tipo, como as de projeto viário,
edificações, urbanizações (loteamentos), movimentos de terras, etc.
O termo só se aplica a áreas relativamente pequenas, sendo utilizado o
termo geodesia quando se fala de áreas maiores. Para isso são
usadas coordenadas que podem ser duas distâncias e uma elevação, ou
uma distância, uma elevação e uma direção.
É também muitas vezes utilizado como ciência necessária à
caracterização da intensidade sísmica num dado local, visto que só em
locais onde a topografia é conhecida, é que são possíveis identificações
de intensidade.

PRINCIPAIS TÓPICOS DE ESTUDO DAS CIÊNCIAS DA TERRA


 Geologia - estuda a constituição e a história do desenvolvimento
das partes rochosas da crusta (ou litosfera). Como sub-disciplinas
principais temos: amineralogia e petrologia, geoquímica,
geomorfologia, paleontologia, estratigrafia e sedimentologia.
 Geofísica e Geodésia (ou Geodesia): estudam a forma da Terra, a
sua reação a forças e os seus campos potenciais (magnético e
gravítico). Os geofísicos estudam também o núcleo e o manto da
Terra bem como depósitos minerais; os geodesistas ou geodetas
o movimento das estrelas e satélites.

69
 Ciências do solo - debruçam-se sobre a camada mais exterior da
crosta terrestre que é submetida a processos que levam à
formação de solo (ou pedosfera). As sub-disciplinas principais são
a pedologia e a edafologia.
 Oceanografia , Hidrologia e Limnologia - descrevem os domínios
da água salgada e da água doce respetivamente (que compõem
a hidrosfera). As principais disciplinas são a hidrogeologia e a
oceanografia biológica, física e química. Na estrutura da UIGG
estão associadas à geofísica, excetuando as especialidades
químicas e biológicas.
 Glaciologia - refere-se ao estudo das zonas da Terra cobertas
por gelo (ou criosfera).
 Ciências da Atmosfera - estudam as zonas gasosas da Terra
(atmosfera) situadas entre a superfície e a exosfera. As sub-
disciplinas principais são ameteorologia, climatologia e
aeronomia.
 Geografia relaciona as diversas esferas da Terra no intuito de
compreender o espaço, que é seu objecto de estudo, tem como
intuito compreender as interações existentes entre todos os
elementos do local, para entre outras finalidades interpretar
a paisagem regional e global, o específico e o todo, de um
determinado espaço. A Geografia pode ser vista como ciência
humana pois relaciona o homem com a natureza, e também é
vista como ciência natural pois tem como objecto de estudo
o Espaço, entendido como o espaço concreto da superfície
terrestre.

No entanto, devido às numerosas interacções entre as várias esferas


muitas disciplinas modernas assumem uma abordagem interdisciplinar,
não encaixando bem nesta esquematização. Nem mesmo as
especialidades acima descritas funcionam de forma isolada. Por
exemplo, para entender a circulação oceânica têm que ser consideradas
as interações entre oceano, atmosfera e a própria rotação da Terra.

CAMPOS DE ESTUDO INTERDISCIPLINARES


 Biogeoquímica - estuda o movimento dos elementos entre as
várias esferas, mediado por processos biológicos e geológicos e ,
sobretudo, a sua distribuição e os seus fluxos entre reservatórios.
 Mineralogia e Física dos minerais - tratam dos minerais que
constituem as rochas à escala atómica, como parte integrante
dos sistemas geológicos e cada vez mais tendo em vista as suas
aplicações tecnológicas (por exemplo como catalisadores ou
aproveitando as suas propriedades (ferroelétricas); nesta última

70
área ocorre uma grande sobreposição com a física do estado
sólido, química dos cristais e ciência dos materiais.
 Paleoceanografia e Paleoclimatologia - usam as propriedades
dos sedimentos, amostras de gelo antigo e de materiais
biológicos para inferir das características dos oceanos, clima e
atmosfera no passado.
 Meteorologia - descreve, explica e prevê o tempo baseando-se
principalmente na interação entre oceanos e atmosfera.
 Climatologia - descreve e explica o clima em termos das
interações entre as várias esferas (litosfera, pedosfera,
hidrosfera, atmosfera e biosfera).
 Química atmosférica - descreve, explica e prevê a composição
química da atmosfera tendo em conta sobretudo as interações
entre a atmosfera, oceanos, biosfera e efeitos produzidos pelo
Homem.

71
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. A palavra Cartografia foi introduzida pel primeira vez por um historiador cujo
nome é:
a) Francisco Adolfo de Varnhagen
b) Johann Heinrich Lambert
c) Manuel Francisco Carvalhosa
d) Nicolas Auguste Tissot.

2. A ciência que estuda todos os acidentes geográficos definindo a sua situação e


localização na Terra ou outros corpos astronómicos incluindo planetas, luas,
e asteroides denomina-se por:
a) Cartografia
b) Geoinformatica
c) Geodesia
d) Topografia

3. A ciência que relaciona o homem com a natureza, bem como que tem como
objecto de estudo o Espaço, entendido como o espaço concreto da superfície
terrestre chama-se:
a) Geografia
b) Biologia
c) Ecologia
d) Teologia

4. Sobre geodesia selecione a opção correcta:


a) O termo geodésia significa divisões geográficas da terra.
b) Em Física, Geodésia é o nome da trajetória reta no espaço curvo, de
corpos como a Terra. Isso acontece em função da gravidade.
c) O termo geodésia também é usado em Matemática para a medição e o
cálculo acima de superfícies curvas usando métodos semelhantes
àqueles usados na superfície curva da terra.
d) Todas as respostas estão correctas

5. Faça corresponder os conceitos com as setas os conteudos abaixo.

72
 É a ciência que estuda todos os acidentes
geográficos definindo a sua situação e localização
Topografia
na Terra ou outros corpos astronómicos
incluindo planetas, luas, e asteroides.

 É a actividade que se apresenta como o conjunto


de estudos e operações científicas, técnicas
e artísticas que, tendo por base os resultados de
Geoestatística observações diretas ou da análise
de documentação, voltam-se para a elaboração
de mapas, cartas e outras formas de expressão ou
representação de objectos, elementos, fenômenos
e ambientes físicos e socioeconômicos, bem como
a sua utilização.
Geoinformática
 É o nome dado à ciência e à tecnologia que
desenvolve e usa a infraestrutura da ciência da
informação para abordar problemas das áreas
dageografia, geociências e tópicos diversos e
relacionados do âmbito da engenharia.

Cartografia  É um ramo da Estatística Espacial que usa o


conceito de funções aleatórias para incorporar a
dependência espacial aos modelos para variáveis
geo-referenciadas.

73
UNIDADE Temática 2.3. Hidrogeoquímica

HIDROGEOQUÍMICA

Hidrogeoquímica: Estudo da composição química da água, principalmente


no que diz respeito a sais e outras substâncias orgânicas e inorgânicas
dissolvidas. Relaciona os teores destas substâncias a possíveis danos ou
benefícios à saúde de animais, vegetais, assim como sua sua repercussão
na qualidade do solo e dos processos industriais que utilizam água. De
uma forma mais extensa poderíamos dizer que a Hidrogeoquímica estuda
qualidade química das águas, incluindo os processos naturais e antrópicos
capazes de modificar esta qualidade química, em especial os processos
ditos poluidores.

Água e Saúde
Existem padrões muito bem conhecidos de relacionamento entre a
incidência de moléstias no homem e nos animais, com a abundância ou
deficiência de elementos maiores, menores e traços no meio ambiente,
particularmente nas águas. Exemplos são: a relação entre o bócio
(hipertrofia da tireoide) e a deficiência em iodo; anemias severas, nanismo
e hiperpigmentação da pele e a deficiência em zinco; fluorose esqueletal e
dentária e excesso de flúor; maior incidência de cáries dentárias e
deficiência em flúor; anencefalia e mercúrio; inapetência e selênio. Outras
correlações com aceitação controversa ocorrem, como por exemplo, entre
a dureza da água e algumas moléstias cardiovasculares; entre o chumbo e
a esclerose múltipla, entre o cádmio e a hipertensão e arteriosclerose;
entre uma gama ampla de elementos e diversos tipos de câncer. Contudo
estes relacionamentos são possíveis quando as manifestações clínicas são
evidentes por estarmos diante de exposições anormais a produtos
resultantes de actividades humanas. Muitas vezes o desequilíbrio em
elementos traços se manifesta em debilitações subclínicas, sendo de difícil
diagnose.
Contudo, os relacionamentos entre o teor dos elementos e substâncias
químicas, e a saúde do homem e dos animais podem ser dificultados por
questões relativas à mobilidade e à dispersão destes elementos e
substâncias, governadas pelos princípios da geoquímica e da dinâmica das
águas superficiais e subterrâneas. Factores como o pH, tipo e abundância
de argilo-minerais, teor de matéria orgânica, hidróxidos de ferro,
manganês e alumínio, reactividade química, gradientes hidráulicos,
porosidade e permeabilidade necessitam ser considerados nestes tipos de
estudo. Muitas vezes os efeitos tóxicos de uma substância se manifestam
distante de sua introdução no meio ambiente, podendo se dar em áreas
pontuais ou ao longo de estruturas geológicas lineares, como falhas. Em

74
alguns casos, o produto da degradação de uma substância é mais tóxico e
mais persistentes no solo do que a substância original.

Na medida em que hoje tem-se como ideal a ser atingido o uso auto
sustentado do meio ambiente, torna-se extremamente importante que
um grande número de perguntas tenham respostas satisfatórias, o que só
se conseguirá com investimentos em pesquisas técnicas e científicas.
É de se salientar que, neste particular, muito do conhecimento
desenvolvido em países ricos não se aplica diretamente ao nosso caso, em
virtude de diversas diferenças de climas, solos e coberturas vegetais.
Devido à sua estrutura molecular dipolar a água é um forte solvente
(solvente universal). Nas águas naturais este poder de dissolução é muito
aumentado pela presença de ácido carbônico, formado pelo gás carbônico
dissolvido, e ácidos orgânicos, principalmente húmicos, produzidos pela
actividade dos seres vivos ao nível do solo. Num país tropical como o Brasil
a abundância de água (humidade) e seu conteúdo em ácidos se coloca
como o principal responsável pelo intemperismo das rochas, dando
origem a mantos de decomposição (regolito) com espessura de dezenas
de metros. Todas as águas naturais possuem, em graus distintos, um
conjunto de sais em solução, sendo que as águas subterrâneas possuem,
em geral, teores mais elevados dos que as águas superficiais, por estarem
intimamente expostas aos materiais solúveis presentes no solo e nas
rochas. A quantidade e tipo de sais presentes na água subterrânea
dependerá do meio percolado, do tipo e velocidade do fluxo subterrâneo,
da fonte de recarga do aquífero e do clima da região. Em áreas com alto
índice pluviométrico a recarga constante dos aquíferos permite uma maior
renovação das águas subterrâneas, com a consequente diluição dos sais
em solução. Diferentemente, em climas áridos a pequena precipitação
leva a uma salinização na superfície do solo através da evaporação da
água que sobe por capilaridade. Por ocasião das chuvas mais intensas os
sais mais solúveis são carreados para as partes mais profundas do aquífero
aumentando sua salinidade. Isto é o que acontece no Nordeste Brasileiro,
onde , em muitas áreas, o problema consiste muito mais na salinização
excessiva da água do que na inexistência da mesma.

2.3.1 PROPRIEDADES FÍSICAS


Temperatura
As águas subterrâneas têm uma amplitude térmica pequena, isto é, sua
temperatura não é influenciada pelas mudanças da temperatura
atmosférica. Exceções são os aquíFferos freáticos pouco profundos. Em
profundidades maiores a temperatura da água é influenciada pelo grau
geotérmico local ( em média 1ºC a cada 30 m). No aquífero Botucatu
(Guarani) são comuns temperaturas de 40 a 50ºC em sua partes mais

75
profundas. Em regiões vulcânicas ou de falhamentos profundos águas
aquecidas podem aflorar na superfície dando origem às fontes termais.

Côr
A cor de uma água é consequência de substâncias dissolvidas. Quando
pura, e em grandes volumes, a água é azulada. Quando rica em ferro, é
arroxeada. Quando rica em manganês, é negra e, quando rica em ácidos
húmicos, é amarelada. A medida da cor de uma água é feita pela
comparação com soluções conhecidas de platina-cobalto ou com discos de
vidro corados calibrados com a solução de platina-cobalto. Uma unidade
de cor corresponde àquela produzida por 1mg/L de platina, na forma de
íon cloroplatinado. Especial cuidado deve ser tomado na anotação do pH
em que foi realizada a medida, pois sua intensidade aumenta com o pH.
Da mesma forma a cor é influenciada por matérias sólidas em suspensão
(turbidez), que devem ser eliminadas antes da medida. Para águas
relativamente límpidas a determinação pode ser feita sem a preocupação
com a turbidez. Neste caso a cor obtida é referida como sendo aparente.
Em geral as águas subterrâneas apresentam valores de cor inferiores a
5mg de platina.
Para ser potável uma água não deve apresentar nenhuma cor de
considerável intensidade. Segundo a OMS o índice máximo permitido deve
ser 20mg Pt/L.

Odor e sabor
Odor e sabor são duas sensações que se manifestam conjuntamente, o
que torna difícil sua separação. O odor e o sabor de uma água dependem
dos sais e gases dissolvidos. Como o paladar humano tem sensibilidade
distinta para os diversos sais, poucos miligramas por litro de alguns sais (
ferro e cobre por exemplo) é detectável, enquanto que várias centenas de
miligramas de cloreto de sódio não é apercebida. Em geral as águas
subterrâneas são desprovidas de odor. Algumas fontes termais podem
exalar cheiro de ovo podre devido ao seu conteúdo de H 2S (gás sulfídrico).
Da mesma maneira águas que percolam matérias orgânicas em
decomposição (turfa por exemplo) podem apresentar H 2S.

76
Cloreto de sódio (Nacl) Salgado

Sulfato de Sódio (Na 2SO4) Ligeiramente salgado

Bicarbonato de Sódio (NaHCO3) Ligeiramente salgado a doce

Carbonato de Sódio (Na 2 CO3) Amargo e salgado

Cloreto de Cálcio (CaCl 2) Fortemente amargo

Sulfato de Cálcio (CaSO4) Ligeiramente amargo

Sulfato de Magnésio (MgSO4) Ligeiramente amargo em saturação

Cloreto de Magnésio (MgCl 2) Amargo e doce

Gás Carbônico (CO2) Adstringente, picante

Turbidez
É a medida da dificuldade de um feixe de luz atravessar uma certa
quantidade de água. A turbidez é causada por matérias sólidas em
suspensão (silte, argila, coloides, matéria orgânica, etc.). A turbidez é
medida através do turbidímetro, comparando-se o espalhamento de um
feixe de luz ao passar pela amostra com o espalhamento de um feixe de
igual intensidade ao passar por uma suspensão padrão. Quanto maior o
espalhamento maior será a turbidez. Os valores são expressos em
Unidade Nefelométrica de Turbidez (UNT). A cor da água interfere
negativamente na medida da turbidez devido à sua propriedade de
absorver luz . Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o limite
máximo de turbidez em água potável deve ser 5 UNT. As águas
subterrâneas normalmente não apresentam problemas devido ao excesso
de turbidez. Em alguns casos, águas ricas em íons Fe, podem apresentar
uma elevação de sua turbidez quando entram em contato com o oxigênio
do ar, pois ocorre uma oxidação com a formação de compostos que ficam
em suspensão e dão à água uma cor escura, chegando a ficar parecida
com café.

Sólidos em Suspensão
Corresponde à carga sólida em suspensão e que pode ser separada por
simples filtração ou mesmo decantação. As águas subterrâneas em geral
não possuem sólidos em suspensão e quando um poço está produzindo
água com significativo teor de sólidos em suspensão é geralmente como
consequência de mal dimensionamento do filtro ou do pré-filtro ou

77
completação insuficiente do aquífero ao redor do filtro. Em aquíferos
cársticos e fissurais as aberturas das fendas podem permitir a passagem
das partículas mais finas (argila, silte) aumentando assim o conteúdo em
sólidos em suspensão.

Condutividade Elétrica
Os sais dissolvidos e ionizados presentes na água transformam-na num
eletrólito capaz de conduzir a corrente elétrica. Como há uma relação de
proporcionalidade entre o teor de sais dissolvidos e a condutividade
elétrica, podemos estimar o teor de sais pela medida de condutividade de
uma água. A medida é feita através de condutivímetro e a unidade usada
é o MHO (inverso de OHM, unidade de resistência). Como a condutividade
aumenta com a temperatura, usa-se 25ºC como temperatura padrão,
sendo necessário fazer a correção da medida em função da temperatura
se o condutivímetro não o fizer automaticamente. Para as águas
subterrâneas as medidas de condutividade são dadas em microMHO/cm.
OBS: No Sistema Internacional de Unidades, adotado pelo Brasil, a
unidade de condutância é siemens, abreviando-se S (maiúsculo). Para as
águas subterrâneas o correto seria nos referirmos a microsiemens por
centímetro (μS/cm).

Dureza
A dureza é definida como a dificuldade de uma água em dissolver (fazer
espuma) sabão pelo efeito do cálcio, magnésio e outros elementos como
Fe, Mn, Cu, Ba etc. Águas duras são inconvenientes porque o sabão não
limpa eficientemente, aumentando seu consumo, e deixando uma película
insolúvel sobre a pele, pias, banheiras e azulejos do banheiro. A dureza
pode ser expressa como dureza temporária, permanente e total.
Dureza temporária ou de carbonatos: É devida aos íons de cálcio e de
magnésio que sob aquecimento se combinam com íons bicarbonato e
carbonatos, podendo ser eliminada por fervura. Em caldeiras e tubulações
por onde passa água quente (chuveiro elétrico por exemplo) os sais
formados devido à dureza temporária se precipitam formando crostas e
criando uma série de problemas, como o entupimento.

Dureza permanente
É devida aos íons de cálcio e magnésio que se combinam com sulfato,
cloretos, nitratos e outros, dando origem a compostos solúveis que não
podem ser retirados pelo aquecimento.

Dureza total
É a soma da dureza temporária com a permanente. A dureza é expressa
em miligrama por litro (mg/L) ou miliequivalente por litro (meq/L) de

78
CaCO3 (carbonato de cálcio) independentemente dos íons que a estejam
causando.

Alcalinidade
É a medida total das substâncias presentes numa água, capazes de
neutralizarem ácidos. Em outras palavras, é a quantidade de substâncias
presentes numa água e que atuam como tampão. Se numa água
quimicamente pura (pH=7) for adicionada pequena quantidade de um
ácido fraco seu pH mudará instantaneamente. Numa água com certa
alcalinidade a adição de uma pequena quantidade de ácido fraco não
provocará a elevação de seu pH, porque os íons presentes irão neutralizar
o ácido. Em águas subterrâneas a alcalinidade é devida principalmente aos
carbonatos e bicarbonatos e, secundariamente, aos íons hidróxidos,
silicatos, boratos, fosfatos e amônia.
Alcalinidade total é a soma da alcalinidade produzida por todos estes íons
presentes numa água. Águas que percolam rochas calcárias (calcita =
CaCO3) geralmente possuem alcalinidade elevada. Granitos e gnaisses,
rochas comuns em muitos estados brasileiros, possuem poucos minerais
que contribuem para a alcalinidade das água subterrâneas. A alcalinidade
total de uma água é expressa em mg/L de CaCO 3.

pH
É a medida da concentração de íons H+ na água. O balanço dos íons
hidrogênio e hidróxido (OH-) determina quão ácida ou básica ela é. Na
água quimicamente pura os íons H+ estão em equilíbrio com os íons OH- e
seu pH é neutro, ou seja, igual a 7. Os principais factores que determinam
o pH da água são o gás carbônico dissolvido e a alcalinidade. O pH das
águas subterrâneas varia geralmente entre 5,5 e 8,5.

Sólidos Totais Dissolvidos (STD)


É a soma dos teores de todos os constituintes minerais presentes na água.
Como dito anteriormente, a medida de Condutividade elétrica,
multiplicada por um factor que varia entre 0,55 e 0,75, fornece uma boa
estimativa do STD de uma água subterrânea. Segundo o padrão de
potabilidade da OMS, o limite máximo permissível de STD na água é de
1000 mg/L.

Principais Constituintes Iônicos


Como já foi dito, as águas subterrâneas tendem a ser mais ricas em sais
dissolvidos do que as águas superficiais. As quantidades presentes
refletem não somente os substratos rochosos percolados mas variam
também em função do comportamento geoquímico dos compostos
químicos envolvidos. Como há sensíveis variações nas composições
químicas das rochas, é de se esperar uma certa relação entre sua

79
composição da água e das rochas preponderantes na área. É necessário,
contudo, frisar que o comportamento geoquímico dos compostos e
elementos é o factor preponderante na sua distribuição nas águas. Desta
forma o sódio e o potássio, dois elementos que ocorrem com
concentrações muito próximas na crosta continental (vide tabela abaixo)
participam em quantidades sensivelmente diferentes nas águas
subterrâneas.
Composição Média da Crosta Continental
SiO2 61,9%

Al2O3 15,6%

CaO 5,7%

FeO 3,9%

MgO 3,1%

Na2O 3,1%

K2O 2,9%

Fe2O3 2,6%

TiO2 0,8%

P2O5 0,3%

MnO 0,1%

Bário (Ba) 425mg/L

Estrôncio (Sr) 375mg/L

Zircônio (Zr) 165mg/L

Cobre (Cu) 55mg/L

Escândio (Sc) 22mg/L

Chumbo (Pb) 12,5mg/L

Urânio (U) 2,7mg/L

Mercúrio (Hg) 0,08mg/L

Prata (Ag) 0,07mg/L

Ouro (Au) 0,004mg/L

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Bário (Ba)
O Bário é um elemento raro nas águas naturais, em teores de 0,0007 a 0,9
mg/L. As principais fontes naturais são: Intemperismo e erosão de
depósitos naturais, normalmente veios, onde ocorre na forma de barita
(Ba SO4), ou feldspatos ricos em Ba. Entre as actividades humanas que
introduzem bário no meio ambiente, podemos citar: Perfuração de poços,
onde é empregado em lamas de perfuração; produção de pigmentos,
fogos de artifício, vidros e defensivos agrícolas. Pela resolução 20 do
CONAMA, o limite permitido de Ba em águas de abastecimento, é de 1,0
mg/L. É um elemento muito tóxico acima deste teor. Sua ingestão provoca
elevação da pressão sanguínea, por vasoconstrição e bloqueio do sistema
nervoso.

Cádmio (Cd)
Normalmente está presente nas águas naturais em pequenas
concentrações, geralmente inferiores a 0,001 mg/L. As principais fontes
humanas de liberação de cádmio são: Combustíveis fósseis, pigmentos,
baterias, soldas, equipamentos eletrônicos, lubrificantes, acessórios
fotográficos, defensivos químicos, corrosão de tubos galvanizados e
refinarias de minérios. É um metal de elevado potencial tóxico, que se
acumula em organismos aquáticos, o que possibilita sua entrada na cadeia
alimentar, podendo chegar ao homem. Sua ingestão provoca disfunção
renal, hipertensão, arterosclerose, inibição no crescimento, doenças
crônicas em idosos e câncer. Segundo a Resolução 20 do CONAMA, o teor
máximo permitido é 0,001mg/L.

Cálcio (Ca+)
O teor de cálcio nas águas subterrâneas varia, de uma forma geral, de 10 a
100mg/L. As principais fontes de cálcio são os plagioclásios cálcicos,
calcita, dolomita, apatita, entre outros. O carbonato de cálcio é muito
pouco solúvel em água pura. O cálcio ocorre nas águas na forma de
bicarbonato e sua solubilidade está em função da quantidade de gás
carbônico dissolvido. A quantidade de CO2 dissolvida depende da
temperatura e da pressão, que são, portanto, factores que vão determinar
a solubilidade do bicarbonato de cálcio.
A reação resultante é a seguinte: Ca CO3 + CO2 + H2O → Ca (CO3)2 H2
Toda variação de temperatura e de pressão que levam à modificação do
CO2 dissolvido na água refletirá sobre seu conteúdo em Ca. No caso das
águas subterrâneas estas variações ora levam à solubilização do carbonato
de cálcio, ora levam à sua precipitação. A incrustação de um filtro de poço
por Ca CO3 é uma das consequências deste processo.O cálcio é o principal
elemento responsável pela dureza de uma água.

81
Chumbo (Pb)
Apesar de não ser um elemento comum nas águas naturais, o chumbo
tem sido responsável por sérios problemas de intoxicação, devido ao fato
de que é introduzido facilmente no meio ambiente a partir de uma série
de processos e produtos humanos, tais como: encamentos e soldas,
plásticos, tintas, pigmentos, metalurgia. Em países em que o chumbo
tetraetila é adicionado à gasolina, esta é uma das principais fontes de
poluição por este elemento. No Brasil, seu uso na gasolina foi substituído
por álcool etílico. Recentemente a imprensa noticiou a presença de
chumbo na água de abastecimento do bairro de Copacabana, oriundo de
antigos encanamentos de chumbo.
É um metal que tem efeito cumulativo no organismo, provocando uma
doença crônica chamada saturnismo, hoje mais comum em trabalhadores
que estão muito expostos à contaminação. No passado a taxa de
intoxicação era muito elevada devido ao uso de canecas e vasilhames de
chumbo. Os efeitos da intoxicação por chumbo são: tontura, irritabilidade,
dor de cabeça, perda de memória. A intoxicação aguda caracteriza-se pela
sede intensa, sabor metálico na boca, inflamação gastro-intestinal,
vômitos e diarreias. Em crianças, o chumbo provoca retardamento físico e
mental, perda da concentração e diminuição da capacidade cognitiva. Em
adultos são comuns problemas nos rins e aumento da pressão arterial.

Análises realizadas em amostras de cabelo de Beethoven, o grande


compositor alemão, detectaram chumbo em níveis 60 vezes superiores ao
comum. Alguns pesquisadores acreditam que uma intoxicação aguda por
chumbo pode explicar muitas das dores que Beethoven sentia e do seu
comportamento irritadiço e solitário.
No sul do Estado de São Paulo e norte do Estado do Paraná, na região do
Vale do Rio Ribeira, foi detectada intoxicação, em larga escala, da
população e dos animais aquáticos. A poluição é proveniente de rejeitos
da mineração de chumbo, ouro e prata, que ali existiu até 1996. As áreas
onde estão os rejeitos foram adquiridas pela empresa CBA, que ali
pretende construir uma barragem. O problema de saúde pública na região
já se configura como sério e poderá piorar se a CBA não tomar as medidas
necessárias, antes de construir a represa.
Segundo a Resolução 20 do CONAMA, o teor máximo de chumbo na água
de abastecimento deve ser 0,05 mg/L.

Cloretos (Cl-)
O cloro está presente em teores inferiores a 100mg/L. Forma compostos
muito solúveis e tende a se enriquecer , junto com o sódio, a partir das
zonas de recarga das águas subterrâneas. Teores anômalos são
indicadores de contaminação por água do mar, e por aterros sanitários.

82
Cobre (Cu)
O cobre é um elemento que ocorre, em geral, em baixas concentrações na
água subterrânea, devido sua pequena solubilidade. Nas águas superficiais
são, normalmente, bem menores que 0,020 mg/L e nas águas
subterrâneas é inferior a 1µg/L. A ingestão de altas doses pode acarretar,
no homem, irritação e corrosão da mucosa, problemas hepáticos, renais,
irritação do sistema nervoso e depressão. Os portadores da Doença de
Wilson podem ser seriamente afetados pela presença de cobre na água.
As actividades humanas responsáveis pela introdução de cobre na água
são: corrosão de tubos de cobre e de latão por águas ácidas, algicidas,
fungicidas usados na preservação da madeira e indústria de mineração,
fundição, galvanoplastia e refino. Segundo a Resolução 20 do CONAMA, o
teor máximo permitido em águas de abastecimento público é 0,5 mg/L.
Para os portadores da Doença de Wilson, este teor tem substancialmente
menor, porque eles não conseguem eliminar o cobre do organismo, que
tem, pois, um efeito cumulativo nestes pacientes.

Doença de Wilson
É uma enfermidade genética que afeta uma entre cada 30 000 pessoas no
mundo, que se caracteriza pelo acúmulo de cobre no organismo (fígado e
cérebro), e, quando não diagnosticada precocemente leva a efeitos
desastrosos. Apesar do cobre, em pequenas quantidades, ser benéfico
para a maioria das pessoas, os portadores da Doença de Wilson, não
conseguem excretá-lo do organismo. A partir do momento que nascem o
cobre começa a se acumular no fígado e cérebro. Os sintomas
normalmente começam a aparece na adolescência e são: icterícia,
hepatite, vômito com sangue, entumescimento e dores no abdômen.
Pertubações neurológicas podem levar a tremores, dificuldade de andar,
falar e nadar. O acúmulo do cobre no cérebro leva a vários estágios de
doenças mentais, incluindo tendências suicidas, depressão e
agressividade. Nas mulheres, pode ocorrer irregularidades no ciclo
menstrual e infertilidade. A doença leva à morte se não for diagnosticada
e tratada. Uma dificuldade no diagnóstico é a semelhança com outras
doenças de fígado.
O tratamento, que deve ser continuado, leva a resultados muito positivos
quando a doença é diagnosticada precocemente. Os principais remédios
são substâncias que bloqueiam a absorção do cobre no trato intestina,
como o acetato de zinco, ou ajudam o organismo a excretá-lo. Os
portadores desta doença devem evitar águas com mínimos teores de
cobre e selecionar alimentos, na medida que alguns são muito ricos em
cobre, como fígado bovino, suíno e ovino, frutos do mar, entre outros.

83
Ferro (Fe-)
É um elemento persistentemente presente em quase todas as águas
subterrâneas em teores abaixo de 0,3mg/L. Suas fontes são minerais
escuros (máficos) portadores de Fe: magnetita, biotita, pirita, piroxênios,
anfibólios. Em virtude de afinidades geoquímicas quase sempre é
acompanhado pelo Manganês. O ferro no estado ferroso (Fe²+) forma
compostos solúveis, principalmente hidróxidos. Em ambientes oxidantes o
Fe²+ passa a Fe³+ dando origem ao hidróxido férrico, que é insolúvel e se
precipita, tingindo fortemente a água. Desta forma, águas com alto
conteúdo de Fe, ao saírem do poço são incolores, mas ao entrarem em
contato com o oxigênio do ar ficam amarelada, o que lhes confere uma
aparência nada agradável. Apesar do organismo humano necessitar de até
19mg de ferro por dia, os padrões de potabilidade exigem que uma água
de abastecimento público não ultrapasse os 0,3mg/L. Este limite é
estabelecido em função de problemas estéticos relacionados à presença
do ferro na água e do sabor ruim que o ferro lhe confere. O ferro, assim
como o manganês, ao se oxidarem se precipitam sobre as louças
sanitárias, azulejos, roupas, manchando-as. Águas ferruginosas são
aeradas antes da filtração para eliminar o ferro. Outra forma de evitar os
inconvenientes da precipitação de sais deste elemento químico é usar
substâncias complexantes, à base de fosfato, que encapsulam as
moléculas dos sais de Fe e Mn, formando compostos estáveis, não
oxidáveis nem através de forte cloração, e desta forma mantendo-as
permanentemente em solução. O inconveniente deste processo é que ele
não elimina o ferro e o manganês presentes na água, e ainda adiciona
mais produto químico (fosfatos) à mesma. Estas substâncias complexantes
são também usadas para evitar a precipitação de sais de Ca e Mg em
águas duras, evitando as indesejáveis incrustações, e diminuindo o
consumo de sabão.

A precipitação de ferro presente nas águas é a principal responsável pela


perda da capacidade específica de poços profundos. Estas incrustações
são produtos da actividade das ferro-bactérias. O uso de substâncias
orgânicas emulsificantes e polifosfatos nos processos de perfuração e
desenvolvimento dos poços criam condições para que as ferro-bactérias,
naturalmente ocorrente nos aquíferos, proliferem com mais facilidade,
fazendo-se necessário uma boa limpeza no processo de completação do
poço.

Flúor (F-)
O flúor é um elemento que ocorre naturalmente e em pequenas
quantidades nas águas naturais (0,1 a 2,0mg/L). É produto do
intemperismo de minerais no qual é elemento principal ou secundário:
fluorita, apatita, flúor-apatita, turmalina, topázio e mica. O flúor liberado

84
pelo intemperismo destes minerais passa para as soluções aquosas
supergênicas na forma do íon fluoreto, de alta mobilidade. Diversamente
de outros halogênios ele pode formar complexos estáveis com elementos
como Al, Fe, B e Ca. Desta forma no ciclo geoquímico o flúor pode ser
removido das águas pela coprecitação com óxidos secundários de Fe,
podendo também ser complexado tanto com o Fe como com o Al na
forma de fosfatos. Como produto da ação humana o flúor é originado de
actividades industriais: siderurgia, fundições, fabricação do alumínio, de
louças e esmaltados, vidro, teflon, entre outras. Estas actividades são
responsáveis pela sua introdução no ciclo hidrológico pelo lançamento na
atmosfera ou em corpos hídricos superficiais. Na forma de
clorofluorcarbono (CFC) o flúor foi amplamente utilizado como propelente
de aerossóis. Este uso está em declínio devido a restrições legais, pois o
CFC agride e destrói a camada de ozônio que circunda a Terra. É sabido
que o flúor, em pequenas quantidades, é benéfico à saúde humana,
principalmente em crianças, promovendo o endurecimento da matriz
mineral dos dentes e esqueleto e tem se mostrado como o agente
químico mais eficiente na prevenção da cárie dentária, daí sua adição nos
sistemas de abastecimentos públicos de água ser uma prática muito
difundida. Contudo, acima de certos teores, passa a ser prejudicial,
causando fluorose dental e esquelética, tanto em seres humanos como
em animais. A fluorose se caracteriza pelo escurecimento dos dentes e a
perda de resistência dos dentes e ossos. Os teores máximos permitidos
são estabelecidos em função da idade do conshumidor e da quantidade de
água ingerida diariamente. Nos países tropicais, onde a ingestão diária de
água é maior, admite-se que se deva ser mais rigoroso no controle de
flúor nas águas de abastecimento público. Segundo a Organização
Mundial da Saúde o teor de flúor estabelecido como ótimo na água
potável varia entre 0,7 a 1,2mg/L, segundo as médias de temperaturas
anuais (18 ° C=1,2mg/L, 19-26 ° C=0,9mg/L, 27 ° C=07mg/L).

Magnésio (Mg²+)
O magnésio é um elemento cujo comportamento geoquímico é muito
parecido com o do cálcio e, em linhas gerais, acompanha este elemento.
Diferentemente do cálcio, contudo, forma sais mais solúveis. Os minerais
mais comuns fornecedores de magnésio para as águas subterrâneas são:
biotita, anfibólios e piroxênios. Estes minerais são mais estáveis diante do
intemperismo químico, do que os minerais fornecedores de cálcio, por
isso seu teor nas águas subterrâneas é significativamente menor do que
aquele. Em região de rochas carbonáticas, o mineral dolomita é um
importante fornecedor de Mg. Nas águas subterrâneas ocorre com teores
entre 1 e 40mg/L. O magnésio, depois do cálcio, é o principal responsável
pela dureza das águas.

85
Na água do mar o magnésio ocorre em teores de cerca 1400 mg/L, bem
acima do teor de cálcio (cerca de 480mg/L). Em águas subterrâneas de
regiões litorâneas, a relação Mg/Ca é um elemento caracterizador da
contaminação por água marinha.

Manganês (Mn+)
É um elemento que acompanha o ferro em virtude de seu comportamento
geoquímico. Ocorre em teores abaixo de 0,2mg/L, quase sempre como
óxido de manganês bivalente, que se oxida em presença do ar, dando
origem a precipitados negros.

Níquel (Ni)
O teor de níquel nas águas está ao redor de o,1 mg/L. Concentrações
superiores a 11,0 mg/L podem ser encontradas em áreas de mineração. As
principais fontes antropomórficas de níquel são: queima de combustíveis
fósseis, fundição e ligas, galvanoplastia. No ser humano, altas doses levam
à intoxicação, afetando nervos, coração e sistema respiratório. Pode
causar dermatites em pessoas sensíveis. Segundo a Resolução 20 do
CONAMA, o teor máximo permitido em águas de abastecimento é 0,025
mg/L.

Nitrato (NO3- )
O nitrogênio perfaz cerca de 80 por cento do ar que respiramos. Como um
componente essencial das proteínas ele é encontrado nas células de todos
os organismos vivos. Nitrogênio inorgânico pode existir no estado livre
como gás, nitrito, nitrato e amônia. Com exceção de algumas ocorrências
como sais evaporíticos, o nitrogênio e seus compostos não são
encontrados nas rochas da crosta terrestre. O nitrogênio é continuamente
reciclado pelas plantas e animais. Nas águas subterrâneas os nitratos
ocorrem em teores em geral abaixo de 5mg/L. Nitritos e amônia são
ausentes, pois são rapidamente convertidos a nitrato pelas bactérias.
Pequeno teor de nitrito e amônia é sinal de poluição orgânica recente.
Segundo o padrão de potabilidade da OMS, uma água não deve ter mais
do que 10mg/L de NO3-.
No sistema digestivo o nitrato é transformado em nitrosaminas, que são
substâncias carcinógenas. Crianças com menos de três meses de idade
possuem, em seu aparelho digestivo, bactérias que reduzem o nitrato a
nitrito. Este se liga muito fortemente a moléculas de hemoglobina,
impedindo-as de transportarem oxigênio para as células do organismo. A
deficiência em oxigênio leva a danos neurológicos permanentes,
dificuldade de respiração (falta de ar) e em casos mais sérios à morte por
asfixia. Aos seis meses de idade a concentração de ácido hidroclórico
aumenta no estômago, matando as bactérias redutoras de nitrato.

86
Pesquisa realizada pela USEPA ( U. S. Environmental Protection Agency) no
decorrer do ano de 1992, em todo território norte-americano, constatou
que cerca de 75 000 crianças com menos de dez meses de idade estavam
expostas ao consumo de água com mais de 10 mg/L de nitrato. No Brasil,
não se tem idéia da extensão do problema. Aparentemente, aqui o
problema está mais associado a poços poluídos por esgotos domésticos do
que ao uso intensivo de fertilizante.

Potássio (K+)
O potássio é um elemento químico abundante na crosta terrestre, mas
ocorre em pequena quantidade nas águas subterrâneas, pois é facilmente
fixado pelas argilas e intensivamente conshumido pelos vegetais. Seus
principais minerais fontes são: feldspato potássico, mica moscovita e
biotita, pouco resistentes aos intemperismo físico e químico. Nas águas
subterrâneas seu teor médio é inferior a 10mg/L, sendo mais frequente
valores entre 1 e 5mg/L.

Sódio (Na+)
O sódio é um elemento químico quase sempre presente nas águas
subterrâneas. Seus principais minerais fonte (feldspatos plagioclásios) são
pouco resistentes aos processos intempéricos, principalmente os
químicos. Os sais formados nestes processos são muito solúveis. Nas
águas subterrâneas o teor de sódio varia entre 0,1 e 100mg/L, sendo que
há um enriquecimento gradativo deste metal a partir das zonas de
recarga. A quantidade de sódio presente na água é um elemento limitante
de seu uso na agricultura. Em aquíferos litorâneos, a presença de sódio na
água poderá estar relacionada à intrusão da água do mar. Segundo a OMS,
o valor máximo recomendável de sódio na água potável é 200mg/L

87
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. Das afirmações abaixo indique o conceito correcto:


a) Hidrogeoquímica: Estudo da composição química da água,
principalmente no que diz respeito a sais e outras substâncias orgânicas
e inorgânicas dissolvidas.
b) A Hidrogeoquímica estuda qualidade química das águas, incluindo os
processos naturais e antrópicos capazes de modificar esta qualidade
química, em especial os processos ditos poluidores.
c) As respostas a) e b) estão erradas.
d) As respostas a) e b) estão correctas.

2. Das afirmações abaixo coloque V nas afirmações Verdadeiras e F nas afirmações


Falças.
a) A precipitação de ferro presente nas águas é a principal responsável pela
perda da capacidade específica de poços profundos.
b) A quantidade de sódio presente na água não é um elemento limitante
de seu uso na agricultura.
c) O nitrogênio é continuamente reciclado pelas plants e animais.
d) O magnésio, depois do cálcio, é o principal responsável pela dureza das
águas.
e) Na forma de clorofluorcarbono (CFC) o flúor é amplamente utilizado
como propelente de aerossóis.

3. O nitrogênio perfaz cerca de 80 por cento do ar que respiramos. Das afirmações


abaixo seleccione a afirmação correcta:
a) Como um componente essencial das proteínas ele é encontrado nas
células de todos os organismos vivos.
b) As principais fontes antropomórficas de nitrogenio são: queima de
combustíveis fósseis, fundição e ligas, galvanoplastia.
c) O nitrogênio é continuamente reciclado pelas plantas e animais.
d) As opções a) e c) estão correctas.

4. O pH É a medida da concentração de íons H+ na água. Das opções abaixo,


seleccione a opção incorrecta.
a) Na água quimicamente pura os íons H+ estão em equilíbrio com os íons
OH- e seu pH é neutro, ou seja, igual a 6,5.
b) Os principais factores que determinam o pH da água são o gás carbônico
dissolvido e a alcalinidade.
c) O pH das águas subterrâneas varia geralmente entre 5,5 e 8,5.
d) O balanço dos íons hidrogênio e hidróxido (OH-) determina quão ácida
ou básica ela é.

88
5. Nas afirmações abaixo coloque V nas afirmações Verdadeiras e F nas afirmações
Falças.
a) Doença de Wilson é uma enfermidade genética que se caracteriza pelo
acúmulo de cobre no organismo (fígado e cérebro), e, quando não
diagnosticada precocemente leva a efeitos desastrosos.
b) O cobre em pequenas quantidades é benéfico para a maioria das
pessoas.
c) Os sintomas normalmente começam a aparece na velhice e são:
icterícia, hepatite, vômito com sangue, entumescimento e dores no
abdômen.
d) O acúmulo do cobre no cérebro leva a vários estágios de doenças
mentais, incluindo tendências suicidas, depressão e agressividade.
e) A doença leva à morte se for diagnosticada e tratada.
f) Os principais remédios são substâncias que bloqueiam a absorção do
cobre no trato intestina, como o acetato de zinco, ou ajudam o
organismo a excretá-lo.
g) Os portadores da doença de Wilson devem consumir as águas com
mínimos teores de cobre, bem como consuir alimentos somente ricos
em cobre.

89
Sumário

O tema findo tratou acerca dos conceitos básicos de Geociências


e Hidrogeoquímica. O mesmo foi desenvolvido em três unidades
temáticas nomeadamente as Ciências da Terra; Ciências do
Sistema Terrestre e Hidrogeoquímica A água possui propriedades
fisícas e quimícas e sendo este elemento considerado como vital
a alteração da mesma pode comprometer a vida no planeta
terra.
As águas subterrâneas têm uma amplitude térmica pequena, isto
é, sua temperatura não é influenciada pelas mudanças da
temperatura atmosférica, o que por sua vez leva a mudanças e
com excepções nos aquíferos freáticos pouco profundos.

A alcalinidade é a medida total das substâncias presentes numa


água, capazes de neutralizarem ácidos. Se numa água
quimicamente pura (pH=7) for adicionada pequena quantidade
de um ácido fraco seu pH mudará instantaneamente.
As águas subterrâneas têm uma amplitude térmica pequena, isto
é, sua temperatura não é influenciada pelas mudanças da
temperatura atmosférica. As excepções são os aquíferos
freáticos pouco profundos. A quantidade de sódio presente na
água é um elemento limitante de seu uso na agricultura.

A Geoinformática é o nome dado à ciência e à tecnologia que


desenvolve e usa a infraestrutura da ciência da informação para
abordar problemas das áreas da geografia, geociências e tópicos
diversos e relacionados do âmbito da engenharia.
A doença de Wilson é uma enfermidade genética que se
caracteriza pelo acúmulo de cobre no organismo (fígado e
cérebro), e, quando não diagnosticada precocemente leva a
efeitos desastrosos. O magnésio, depois do cálcio, é o principal
responsável pela dureza das águas

90
UNIDADE Temática 2.4. EXERCÍCIOS deste tema

1. As águas subterrâneas têm uma amplitude térmica pequena, isto é, sua


temperatura não é influenciada pelas mudanças da temperatura atmosférica.
Seleccione a opção correcta:
a) As excepções são os aquíferos freáticos intermédios.
b) As excepções são os aquíferos freáticos profundos.
c) As excepções são os aquíferos freáticos pouco profundos.
d) Nenhuma opção está correcta.

2. Em profundidades maiores a temperatura da água é influenciada pelo grau


geotérmico local:
a) Em média 1ºC a cada 30 m.
b) Em média 2 ºC a cada 30 m
c) Em média 5 ºC a cada 30 m
d) Nenhuma opção está correcta.

3. A hidrometeorologia é o ramo das ciências atmosféricas (meteorologia) e


da hidrologia que estuda a transferência de água e energia entre a superfície e a
atmosfera. A hidrometeorologia tem como objecto de estudo:
a) O ciclo da água.
b) Os problemas urbanos de enchentes e inundações.
c) O acoplamento de modelos atmosféricos de precipitação, da camada
limite planetária e das superfícies vegetadas e urbanas.
d) As opções acima estão correctas.

4. A Geografia é a ciência que estuda o conjunto de fenómenos naturais e


humanos, os quais são aspectos da superfície da Terra, considerada na sua
distribuição e relações recíprocas. Na geografia há quatro preocupações
particulares. Primeiro, onde o seu objecto se localiza. Segundo, como os
fenômenos se inter-relacionam. Terceiro, a regionalização. A quarta
preocupação são:
a) Os fenómenos naturais e humanos.
b) As áreas correlatas.
c) As condições espaciais e temporais.
d) A biodiversidade.

5. O pH É a medida da concentração de íons H+ na água. Das opções abaixo,


seleccione a opção correcta.
a) Os principais factores que determinam o pH da água são o gás carbônico
dissolvido e a alcalinidade.
b) O pH das águas subterrâneas varia geralmente entre 5,5 e 8,5.

91
c) O balanço dos íons hidrogênio e hidróxido (OH-) determina quão ácida
ou básica ela é.
d) Todas as opções estão correctas.

6. A Geoinformática é o nome dado à ciência e à tecnologia que desenvolve e usa


a infraestrutura da ciência da informação para abordar problemas das áreas da
geografia, geociências e tópicos diversos e relacionados do âmbito
da engenharia. A geoinformática é descrita como:
a) A ciência e tecnologia que lida com a estrutura e carácter da informação
espacial e a infraestrutura necessária para assegurar o uso desta
informação.
b) A arte, ciência ou tecnologia que lida com a aquisição, armazenamento,
produção, processamento, apresentação e disseminação da informação
geográfica.
c) A arte, ciência e técnica que tem o seu núcleo nas tecnologias que
apoiam os processos de aquisição, análise e visualização de dados
temporais.
d) Somente as opções a) e b) estão correctas.

7. Sólidos em Suspensão - corresponde à carga sólida em suspensão e que pode


ser separada por simples filtração ou mesmo decantação. Coloque V nas
afirmações Verdadeiras e F nas afirmações Falsas.
a) As águas subterrâneas em geral não possuem sólidos em suspensão.
b) Quando um poço está produzindo água com significativo teor de sólidos
em suspensão é devido ao optimo dimensionamento do filtro.
c) Em aquíferos cársticos e fissurais as aberturas das fendas podem
permitir a passagem das partículas mais finas (argila, silte) aumentando
assim o conteúdo em sólidos em suspensão.

8. Existem padrões muito bem conhecidos de relacionamento entre a incidência


de moléstias no homem e nos animais, com a abundância ou deficiência de
elementos maiores, menores e traços no meio ambiente, particularmente nas
águas. São exemplos os seguintes:
a) A relação entre o bócio (hipertrofia da tireoide) e a deficiência em iodo.
b) Anemias severas, nanismo e hiperpigmentação da pele e a deficiência
em zinco.
c) Maior incidência de cáries dentárias e deficiência em flúor; anencefalia e
mercúrio.
d) Todas opções estão correctas.

9. A alcalinidade é a medida total das substâncias presentes numa água, capazes


de neutralizarem ácidos. Se numa água quimicamente pura (pH=7) for
adicionada pequena quantidade de um ácido fraco seu pH:
a) Nao mudaria

92
b) Mudara lentamente.
c) Mudará instantaneamente.
d) Elevava porque os íons presentes irão neutralizar o ácido.

10. O sódio é um elemento químico quase sempre presente nas águas


subterrâneas. Os seus principais minerais fonte (feldspatos plagioclásios) são
pouco resistentes aos processos intempéricos, principalmente os químicos.
a) Os efeitos da intoxicação por sódio são: tontura, irritabilidade, dor de
cabeça, perda de memória.
b) O sódio é um elemento que ocorre, em geral, em baixas concentrações
na água subterrânea, devido sua pequena solubilidade.
c) A quantidade de sódio presente na água é um elemento limitante de seu
uso na agricultura.
d) Todas as opções anteriores estão correctas.

93
TEMA – III: CONCEITOS BÁSICOS DE HIDROLOGIA.
UNIDADE Temática 3.1. Hidrografia e hidrologia.

UNIDADE Temática 3.2. Humidade do solo e evaporação.

UNIDADE Temática 3.3. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 3.1. Hidrografia e hidrologia.

Introdução

Este é o terceiro Tema do módulo e o mesmo vai tratar acerca dos


Conceitos Básicos de Hidrologia. O mesmo contém duas Unidades
Temáticas “Hidrografia e hidrologia e Humidade do solo e evaporação”. A
hidrografia e a hidrologia estudam a distribuição, circulação e composição
dessa substância na superfície terrestre.
Hidrografia é a ciência que estuda as massas de água da superfície da
Terra, sejam fluviais, lacustres, marinhas, oceânicas ou glaciais. A
hidrologia encarrega-se do estudo qualitativo das águas continentais e de
sua dinâmica: rios, torrentes, lagos e geleiras. Segundo seu objecto de
estudo, essa ciência subdivide-se em potamologia, referente aos rios;
limnologia, aos lagos; e glaciologia, às geleiras.
A água que circula nos arroios e rios, inclusive os subterrâneos, por efeito
da gravidade, representa, no ciclo hidrológico, o excedente não evaporado
das precipitações.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Conceitos de hidrologia e hidrografia;


 Diferença e semelhança entre hidrologia e hidrografia;
 Descrever a Humidade do solo e evaporação;
 Definir e descrever o ciclo hidrológico;
Objectivo
 Conhecer a circulação das águas.
Especifico

94
HIDROGRAFIA E HIDROLOGIA

A vida na Terra é determinada essencialmente pela presença e pelo


movimento da água. A hidrografia e a hidrologia estudam a distribuição,
circulação e composição dessa substância na superfície terrestre.
Hidrografia é a ciência que estuda as massas de água da superfície da
Terra, sejam fluviais, lacustres, marinhas, oceânicas ou glaciais. Além
disso, encarrega-se do estudo das propriedades físicas (transparência,
temperatura, cor) e químicas (salinidade, substâncias dissolvidas) das
águas. A hidrografia apresenta numerosos pontos em comum com a
hidrologia, ciência que estuda as águas continentais.
A confecção de mapas de bacias oceânicas e de águas continentais e
litorâneas pertence ao domínio da hidrografia. Nas cartas de navegação, o
relevo subaquático é representado por pontos cotados em relação ao
nível médio da superfície líquida e por linhas indicadoras de
profundidades iguais (isóbatas). A informação contida nesses mapas inclui
a sinalização de bancos de areia, recifes, faróis, correntes etc. A projeção
de Mercator, sempre utilizada nas cartas de navegação, facilita o traçado
de rumos náuticos.

A hidrologia encarrega-se do estudo qualitativo das águas continentais e


de sua dinâmica: rios, torrentes, lagos e geleiras. Segundo seu objecto de
estudo, essa ciência subdivide-se em potamologia, referente aos rios;
limnologia, aos lagos; e glaciologia, às geleiras. O conceito de ciclo
hidrológico, fundamental para a hidrologia, refere-se ao processo seguido
pela água desde que se evapora dos oceanos, sua fonte principal, pela
acção solar, até retornar a eles pela circulação superficial e subterrânea,
depois de ter sido distribuída em forma de precipitações pela superfície
terrestre. A moderna hidrologia aplica a matemática, a física e a química e
utiliza informações proporcionadas pela meteorologia, a geologia, a
edafologia (estudo dos solos) e a fisiologia vegetal e a hidráulica.

95
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. A hidrografia difere-se da hidrologia pelo facto de:


a) A hidrografia estudar as massas de água da superfície da Terra enquanto
que a hidrologia estuda as águas continentais;
b) A hidrografia e a hidrologia estudam a distribuição, circulação e
composição dessa substância na superfície terrestre.
c) A hidrologia é um ramo da hidrografia
d) As respostas a) e c) estão correctas.

2. O objecto de estudo da hidrografia é:


a) As massas de água da superfície da Terra;
b) As águas continentais (fluviais, lacustres, marinhas, oceânicas ou
glaciais);
c) As propriedades físicas, químicas e biológicas das águas;
d) Todas as respostas estão correctas.

3. Faça ligações com base nas setas os seguintes elementos:


 Lagos  Glaciologia
 Geleiras  Potamologia
 Rios  Limnologia

4. Nas afirmações abaixo, coloque V nas afirmações Verdadeiras e F nas


afirmações Falsas
a) Hidrografia é a ciência que estuda as massas de água da superfície da
Terra, sejam fluviais, lacustres, marinhas, oceânicas ou glaciais.
b) Quando falamos de hidrografia estamos tabém a falar de hidrologia
porque ambas estudam a distribuição, circulação e composição dessa
substância na superfície terrestre.
c) A moderna hidrologia aplica a matemática, a física e a química e utiliza
informações proporcionadas pela meteorologia, a geologia, a edafologia
(estudo dos solos) e a fisiologia vegetal e a hidráulica.
d) Segundo seu objecto de estudo, a hidrografia subdivide-se em
potamologia, limnologia e glaciologia.

5. No que diz respeito as propriedades físicas e químicas das águas selecione a


opção correcta:
a) As propriedades físicas das águas são (transparência, temperatura, cor)
b) As propriedades químicas das ‘aguas são (salinidade, substâncias
dissolvidas, sabor e odor)
c) As opções a) e b) estão correctas.
d) As opções a) e b) estão incorrectas.

96
UNIDADE Temática 3.2. Humidade do solo e evaporação.

HUMIDADE DO SOLO E EVAPORAÇÃO.

A água que chega à superfície da Terra pode seguir três caminhos


diferentes: uma parte se infiltra, outra passa a fazer parte dos rios e
geleiras e outra ainda permanece sobre o solo em depósitos -- lagos -- ou
sobre plantas, de onde voltam por evaporação para a atmosfera. A
quantidade de água que se infiltra no terreno depende da porosidade:
quanto mais poroso o solo, maior a quantidade de água infiltrada.
Depois de penetrar no solo, uma parte da água é absorvida pelas plantas e
volta para a atmosfera por meio de evaporação. Outra parte penetra mais
profundamente no solo até encontrar um horizonte impermeável, onde
forma uma corrente de água subterrânea. Nos lugares onde esse lençol
freático aflora na superfície, formam-se fontes que podem alimentar com
suas águas os rios e lagos. As águas subterrâneas podem também aflorar
por meio de poços cavados artificialmente.
A evaporação potencial de um tipo de solo é aquela que ocorreria se a
humidade fosse constante. Resulta dos efeitos combinados de diversos
factores climáticos. A relação entre precipitação e evaporação potencial
serve a hidrólogos, climatólogos e geógrafos para definir as secas e
delimitar as regiões áridas. É fundamental conhecer a evaporação para
realizar projetos de irrigação, que visam a controlar a humidade do solo
de cultivo a fim de favorecer o crescimento adequado das plantas.
A humidade do solo segundo a concentração aquosa da região ocorre em
três níveis. O primeiro é constituído da água higroscópica (água absorvida
pela superfície das partículas de terra) que, por ficar retida, não é útil para
as plantas. O segundo nível, o da água absorvida capilarmente pelos
interstícios entre as partículas, é utilizado pelas plantas. O terceiro se
constitui da água que se infiltra no terreno pelo efeito da gravidade. O
conhecimento da humidade do solo é fundamental para os projetos de
irrigação e de drenagem, no caso de encharcamento e inundações. Essa
humidade é factor determinante da erosão de terrenos e da estabilidade
de diques e outras estruturas de terra. Em geral, influi na estabilidade do
terreno.

Águas subterrâneas.
A água que se infiltra através das camadas permeáveis do solo e se
acumula ao chegar a uma camada inferior impermeável constitui o que se
chama de lençol subterrâneo freático ou superficial. Os lençóis aqüíferos
profundos são normalmente constituídos de camadas permeáveis
compreendidas entre dois estratos impermeáveis. A água chega ao estrato
permeável por pontos onde este aflora, por efeito da erosão ou pela

97
forma das camadas. A superfície de equilíbrio de um lençol aqüífero
determina as sinuosidades do terreno.
As camadas aqüíferas livres são lençóis freáticos ou profundos que não se
mantêm sob pressão, devido à existência de um trecho impermeável ou
menos permeável que a camada aqüífera. Quando esse trecho existe, a
camada se chama lençol aqüífero cativo. Nesse caso, a água tende a sair
por qualquer abertura natural ou artificial do teto. A esse grupo
pertencem as camadas artesianas, cujas águas, ao saírem, alcançam uma
altura superior ao nível do solo. Chama-se zona de alimentação de um
lençol aqüífero a superfície do terreno onde se produz a infiltração.

Circulação das águas.


A água que circula nos arroios e rios, inclusive os subterrâneos, por efeito
da gravidade, representa, no ciclo hidrológico, o excedente não evaporado
das precipitações. Em climas temperados, as precipitações intermitentes e
irregulares (em espaço, tempo e quantidade) dão lugar a águas circulantes
superficiais escassas e constantes. Essa aparente contradição se deve
principalmente à capacidade de armazenamento das camadas da Terra,
que conservam o excedente de precipitação e o liberam, gradualmente,
por meio de fontes que alimentam as correntes de água. Quando a
alimentação dessas correntes procede principalmente de fontes, o regime
hidrográfico (isto é, as flutuações de sua quantidade de água) será mais
variável se proceder de camadas freáticas do que se provier de camadas
profundas. É muito raro, porém, o caso de um rio alimentado
exclusivamente por fontes. Como as fontes também se originam das
chuvas, os regimes são classificados conforme a alimentação se dê por
neves, chuvas ou ambas. Os regimes mais constantes são os mistos.
No regime fluvial -- ritmo de cheias e estiagens de um rio -- têm influência
o clima, o relevo, a vegetação, a litologia (composição das rochas) e os
solos. Pode-se falar de dois regimes principais: o dos climas quentes,
alimentados por fortes chuvas, em que se incluem o regime equatorial
(Congo e Amazonas) e o tropical (Orinoco e Zambeze); e o dos climas
temperados e frios, muito influenciados pela temperatura, em que se
diferenciam os rios de regime de monções (Ganges), mediterrâneo (Ebro)
e alpino. Os rios de regime alpino se abastecem principalmente das neves
e também são chamados de rios de regime niveal, como o Danúbio. Os
rios alimentados por neve têm a menor quantidade de água (estiagem),
no inverno; os alimentados por chuva, no verão.

O estudo do regime hidrográfico de uma corrente de água é fundamental


para a utilização permanente e regular de suas águas, seja para irrigação,
para o abastecimento de água à população ou como força motriz. As
represas armazenam água para os períodos de estiagem e impedem que
se perca nas cheias. São, pois, reguladoras do regime fluvial. Quando se

98
realiza o estudo hidrológico de toda a bacia, pode-se expressar o volume
total de águas em função do tempo, obtendo-se uma curva. Esse gráfico
permite conhecer características da bacia que afetam a distribuição das
precipitações e, portanto, a alimentação das correntes superficiais e
subterrâneas. Os gráficos de curto prazo servem para análise e previsão da
magnitude e da freqüência das cheias, e são básicos para o controle das
enchentes.
O estudo dos cursos d`água e de suas tendências de longo prazo, quanto à
quantidade e à qualidade das águas, emprega-se para projetos de
irrigação, obras hidráulicas, distribuição de água potável e outras formas
de aproveitamento hidráulico. A hidrologia também estuda os lagos, que
são acumulações de água em depressões das mais diferentes origens:
falhas tectônicas, crateras vulcânicas, circos escavados por geleiras etc.
Geralmente são alimentados por rios e deságuam em outro rio que
desemboca no mar.

Medições
A hidrologia tradicional baseava-se na observação direta, na experiência e
na intuição pessoal. As modernas pesquisas hidrológicas, porém, recorrem
cada vez mais a modelos matemáticos. As técnicas de controle remoto,
por exemplo, baseiam-se na radiação emitida por um objecto e captada
por detectores adequados. Em hidrologia é possível detectar águas
contaminadas ou mananciais termais por meio de câmaras
infravermelhas. Do mesmo modo pode-se conhecer a espessura do gelo
ou sua distribuição mediante detectores de micro-ondas. O radar pode
medir a humidade do solo, a intensidade da chuva e a distribuição das
tempestades.
As técnicas de controle remoto mais úteis nas pesquisas hidrológicas são
as que utilizam radar e fotografias espaciais feitas por câmaras a bordo de
satélites artificiais. Mediante cálculos realizados a partir dos tempos de
desintegração dos isótopos radioativos, pode-se conhecer a concentração
de material em suspensão nos rios e depósitos e determinar a quantidade
e a distribuição da humidade no solo. Também se pode medir o fluxo de
canais, correntes e rios, determinar a direção e o movimento de águas
subterrâneas, bem como sobrecargas ou vazamentos em depósitos
subterrâneos. A aplicação de computadores em hidrologia abrange o
campo de processamento de dados de rotina, solução de equações dos
modelos matemáticos que descrevem sistemas hidrológicos e controle
dos instrumentos e da pesquisa.
Metade do território israelense é composto pelo deserto de Neguev, e por
causa desta escassez, a água constitui-se em questão vital para Israel. A
pouca água que existe em Israel deve ser bem aproveitada, a sua
insuficiência de certo modo estrangula o desenvolvimento econômico,

99
mas Israel com o tempo criou um sofisticado sistema de irrigação, o que
lhe permite ter uma produção agropecuária suficiente.

Ciclo Hidrológico
Águas Subterrâneas e o Ciclo Hidrológico

O ciclo hidrológico, ou ciclo da água, é o movimento contínuo da água


presente nos oceanos, continentes (superfície, solo e rocha) e na
atmosfera. Esse movimento é alimentado pela força da gravidade e pela
energia do Sol, que provocam a evaporação das águas dos oceanos e dos
continentes.
Na atmosfera, forma as nuvens que, quando carregadas, provocam
precipitações, na forma de chuva, granizo, orvalho e neve.

Nos continentes, a água precipitada pode seguir os diferentes caminhos:


 Infiltra e percola (passagem lenta de um líquido através de um
meio) no solo ou nas rochas, podendo formar aqüíferos, ressurgir
na superfície na forma de nascentes, fontes, pântanos, ou
alimentar rios e lagos.
 Flui lentamente entre as partículas e espaços vazios dos solos e das
rochas, podendo ficar armazenada por um período muito variável,
formando os aqüíferos.
 Escoa sobre a superfície, nos casos em que a precipitação é maior
do que a capacidade de absorção do solo.
 Evapora retornando à atmosfera. Em adição a essa evaporação da
água dos solos, rios e lagos, uma parte da água é absorvida pelas
plantas. Essas, por sua vez, liberam a água para a atmosfera
através da transpiração. A esse conjunto, evaporação mais
transpiração, dá-se o nome de evapotranspiração.
 Congela formando as camadas de gelo nos cumes de montanha e
geleiras.

100
Apesar das denominações água superficial, subterrânea e atmosférica, é
importante salientar que, na realidade, a água é uma só e está sempre
mudando de condição. A água que precipita na forma de chuva, neve ou
granizo, já esteve no subsolo, em icebergs e passou pelos rios e oceanos. A
água está sempre em movimento; é graças a isto que ocorrem: a chuva, a
neve, os rios, lagos, oceanos, as nuvens e as águas subterrâneas.

101
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. A água que chega à superfície da Terra pode seguir três caminhos diferentes:
uma parte se infiltra, outra passa a fazer parte dos rios e geleiras e outra ainda
permanece sobre o solo em depósitos -- lagos -- ou sobre plantas, de onde
voltam por evaporação para a atmosfera.
a) A quantidade de água que se infiltra depende da qualidade dessa água.
b) A quantidade de água que se infiltra no terreno depende do ph da água
c) A quantidade de água que se infiltra no terreno depende da porosidade
do solo.
d) Quanto maior for a quantidade de água que chega à superficie, maior
será a quantidade infiltrada.

2. Abaixo estão descritos diversos caminhos que podem seguir a água precipitada
nos continentes. Qual destas não faz parte dos caminhos seguidos:
a) Infiltra e percola no solo ou nas rochas, podendo formar aqüíferos,
ressurgir na superfície na forma de nascentes, fontes, pântanos, ou
alimentar rios e lagos.
b) Escoa sobre a superfície, nos casos em que a precipitação é maior do
que a capacidade de absorção do solo.
c) Evapora retornando à atmosfera.
d) Todas as opções anteriores estão correctas.

3. Apesar das denominações água superficial, subterrânea e atmosférica, é


importante salientar que:
a) Na realidade, a água é uma só e está sempre mudando de condição.
b) Na realidade, a água não é a mesma visto que ela aparece nos três
estados físicos.
c) O ciclo da água doce é diferente co o ciclo da água salgada devido a
diferença nas densidades das mesmas.
d) Na realidade, a água é a mesma e está sempre mudando de condição.

4. O estudo dos cursos de água e de suas tendências de longo prazo, quanto à


quantidade e à qualidade das águas, emprega-se para projetos de irrigação,
obras hidráulicas, distribuição de água potável e outras formas de
aproveitamento hidráulico.
a) É fundamental conhecer a evaporação para realizar projetos de irrigação
para controlar a Humidade do solo e potenciar no crescimento
adequado das plantas.
b) O conhecimento da Humidade do solo é fundamental para os projetos
de irrigação e de drenagem, no caso de encharcamento e inundações.
c) O estudo do regime hidrográfico de uma corrente de água é
fundamental para a utilização permanente e regular de suas águas.
d) As opções acima citadas estão todas correctas.

102
5. Coloque V nas operações Verdadeiras e F nas operaoes Falsas.
a) Quanto mais poroso o solo, maior a quantidade de água infiltrada.
b) Uma parte da água infiltrada é absorvida pelas plantas e volta para a
atmosfera por meio de evaporação.
c) Os unicos caminhos da água precipitada sobre os continentes são
escoamento superficial e infiltração.
d) O ciclo hidrológico é alimentado pela força da gravidade e pela energia
do Sol.

103
Sumário

O tema findo tratou acerca das Conceitos Básicos de Hidrologia.


O mesmo foi desenvolvido em duas Unidades Temáticas,
nomeadamente a hidrologia e hidrografia e a humidade do solo e
evaporação. A água que chega à superfície da Terra pode seguir
três caminhos diferentes: uma parte se infiltra, outra passa a
fazer parte dos rios e geleiras e outra ainda permanece sobre o
solo em depósitos, lagos ou sobre plantas, de onde voltam por
evaporação para a atmosfera.

O estudo dos cursos de água e de suas tendências de longo


prazo, quanto à quantidade e à qualidade das águas, emprega-se
para projetos de irrigação, obras hidráulicas, distribuição de água
potável e outras formas de aproveitamento hidráulico.
A hidrologia encarrega-se do estudo qualitativo das águas
continentais e de sua dinâmica: rios, torrentes, lagos e geleiras.
Segundo seu objecto de estudo, essa ciência subdivide-se:
Potamologia, limnologia, e glaciologia.

A Humidade do solo segundo a concentração aquosa da região


ocorre em três níveis. O primeiro é constituído da água
higroscópica que, por ficar retida, não é útil para as plantas. O
segundo nível, o da água absorvida capilarmente pelos
interstícios entre as partículas, é utilizado pelas plantas. O
terceiro é: a água que se infiltra no terreno pelo efeito da
gravidade. Depois de penetrar no solo, uma parte da água é
absorvida pelas plantas e volta para a atmosfera por meio de
evaporação.

Apesar das denominações água superficial, subterrânea e


atmosférica, é importante salientar que, na realidade, a água é
uma só e está sempre mudando de condição. A água que
precipita na forma de chuva, neve ou granizo, já esteve no
subsolo, em icebergs e passou pelos rios e oceanos.

104
UNIDADE Temática 3.3. EXERCÍCIOS deste tema.

1. A hidrografia e a hidrologia apresenta numerosos pontos em comum:


a) Ambas estudam a distribuição, circulação e composição da água na
superfície terrestre.
b) Ambas estudam as propriedades físicas (transparência, temperatura,
côr) e químicas (salinidade, substâncias dissolvidas) das águas.
c) Ambas estudam as massas de água da superfície da Terra, sejam fluviais,
lacustres, marinhas, oceânicas ou glaciais.
d) As respostas anteriores estão todas correctas.

2. O movimento contínuo da água presente nos oceanos, continentes (superfície,


solo e rocha) e na atmosfera denomina-se por:
a) Hidrologia.
b) O ciclo hidrológico.
c) O ciclo da água.
d) As respostas b) e c).

3. Depois de penetrar no solo, uma parte da água é absorvida pelas plantas e volta
para a atmosfera por meio de:
a) Infiltração.
b) Evaporação.
c) Condensação.
d) Ciclo hidrológico.

4. A hidrologia encarrega-se do estudo qualitativo das águas continentais e de sua


dinâmica: rios, torrentes, lagos e geleiras. Segundo seu objecto de estudo, essa
ciência subdivide-se:
a) Potamologia, limnologia, e glaciologia.
b) Potamologia, marinhas e glaciologia.
c) Potamologia, marinhas, limnologia.
d) Todas as opções anteriores estão correctas.

5. A Humidade do solo segundo a concentração aquosa da região ocorre em três


níveis. O primeiro é constituído da água higroscópica que, por ficar retida, não é
útil para as plantas. O segundo nível, o da água absorvida capilarmente pelos
interstícios entre as partículas, é utilizado pelas plantas. O terceiro é:
a) A água que evapora pela radiação solar.
b) A água que se infiltra no terreno pelo efeito da gravidade.
c) A água que fica superficialmente e é utilizada pela população para
diversos fins.
d) A água que se encontra no lençol freático.

105
6. O estudo dos cursos d`água e de suas tendências de longo prazo, quanto à
quantidade e à qualidade das águas, emprega-se para projetos de irrigação,
obras hidráulicas, distribuição de água potável e outras formas de
aproveitamento hidráulico. A hidrologia também estuda os lagos, que são
acumulações de água em depressões das mais diferentes origens:
a) Falhas tectônicas.
b) Crateras vulcânicas.
c) Circos escavados por geleiras.
d) Todas as opções estão correctas.

7. As represas armazenam água para os períodos de estiagem e impedem que se


perca nas cheias.
a) São reguladoras do regime fluvial.
b) São reguladores do regime dos lagos.
c) São reguladores das águas dos marés.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

8. Apesar das denominações água superficial, subterrânea e atmosférica, é


importante salientar que, na realidade, a água é uma só e está sempre
mudando de condição. A água que precipita na forma de chuva, neve ou
granizo, já esteve no subsolo, em icebergs e passou pelos rios e oceanos.
a) A água está sempre em um movimento ciclíco.
b) A água graças a este ciclo que ocorrem: a chuva, a neve, os rios, lagos,
oceanos, as nuvens e as águas subterrâneas.
c) A mesma água vai se alterando em termos quantitativos e qualitativos.
d) Todas as opções estão correctas.

9. O estudo dos cursos d`água e de suas tendências de longo prazo, quanto à


quantidade e à qualidade das águas, emprega-se para projetos de irrigação,
obras hidráulicas, distribuição de água potável e outras formas de
aproveitamento hidráulico. O nome desta ciência é:
a) Hidrografia
b) Hidrologia
c) Hidráulica.
d) Ciclo hidologico.

10. A água que se infiltra através das camadas permeáveis do solo e se acumula ao
chegar a uma camada inferior impermeável constitui o que se chama de:
a) Lençol subterrâneo freático
b) Os lençóis aqüíferos profundos.
c) Lençol superficial.
d) As respostas a) e c) estão correctas.

106
TEMA – IV: CONCEITOS BÁSICOS SOBRE POLUIÇÃO DE ECOSSISTEMAS

UNIDADE Temática 4.1. Ecossistemas

UNIDADE Temática 4.2. Os factores limitantes do ecossistema

UNIDADE Temática 4.3. Conceitos básicos prévios ao estudo dos


diferentes ecossistemas

UNIDADE Temática 4.4. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 4.1. Ecossistemas

Introdução

Este é o Quarto capitulo do módulo e o mesmo vai tratar acerca dos


Conceitos Básicos sobre Poluição de Ecossisteas. O mesmo é composto
por três Unidades Temáticas nomeadamente: Ecossistemas, os factores
limitantes do ecossistema e dos conceitos básicos e prévios ao estudo dos
diferentes ecossistemas.
Por sua vez de acordo com a sua situação geográfica, os principais
ecossistemas podem ser classificados em: terrestres ou aquáticos, quanto
aos seus constituintes eles podem ser: produtores, conshumidores e
decompositores, podendo ainda ser classificados como factores bioticos e
factores abioticos.
Quanto a explicação da cadeia alientar tenho que referir que os
produtores são as plantas (vegetação), os conshumidores são todos os
animais, seja eles os herbivoros, bem como os carnivores e os
decompositores são as bactérias e fungos.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Definir Ecossistemas;
 Identificar constituintes e funcionamento do ecossistema;
Objectivo  Identificar os factores limitantes dos ecossistemas;
 Conhecer os conceitos básicos do estudo dos ecossistemas;
Especifico
 Explicar a cadeia e a teia alimentar;
 Explicar o fuxo de energia nos ecossistemas.

107
ECOSSISTEMAS

Conjunto formado por uma biocenose ou comunidade biótica e factores


abióticos que interagem, originando uma troca de matéria entre as partes
vivas e não vivas. Em termos funcionais, é a unidade básica da Ecologia,
incluindo comunidades bióticas e meio abiótico influenciando-se
mutuamente, de modo a atingir um equilíbrio.

Dimensão
É muito variável a dimensão de um ecossistema. Tanto é um ecossistema
uma floresta de coníferas, como um tronco de árvore apodrecido em que
sobrevivem diversas populações de seres minúsculos. Assim como é
possível associar todos os ecossistemas existentes num só, muito maior,
que é a ecosfera, é igualmente possível delimitar em cada um, outros mais
pequenos, por vezes ocupando áreas tão reduzidas que recebem o nome
de microecossistemas.

Constituintes e funcionamento dos ecossistemas


De acordo com a sua situação geográfica, os principais ecossistemas
podem ser classificados em: terrestres ou aquáticos.

Em qualquer dos casos, são quatro os seus constituintes básicos (BEGON,


2007):
Factores abióticos - compostos não vivos do meio ambiente;
Factores bióticos - formados pelos organismos vivos. Estes podem ser
classificados em:
 Produtores - seres autotróficos, na maior parte dos casos
plantas verdes, capazes de fabricar a seu próprio alimento a
partir de substâncias inorgânicas simples;
 Consumidores - organismos heterotróficos, quase sempre
animais, que se alimentam de outros seres ou de partículas de
matéria orgânica;
 Decompositores - seres heterotróficos, na sua maioria
bactérias e fungos que decompõe as complexas substâncias
dos organismos, libertando substâncias simples que, lançadas
no ambiente podem ser assimiladas pelos produtores.

108
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. De acordo com a sua situação geográfica, os principais ecossistemas podem ser


classificados em:
a) Terrestres
b) Aquáticos
c) Aereos
d) As opções a) e b) estão correctas

2. Os ecossistemas são constituidos por factores bióticos e factores abióticos. A


frase acima tem o mesmo conteúdo co a seguinte frase:
a) Factores abióticos e (produtores, conshumidores e decompositores)
b) Factores (climaticos e edáficos) e factores bióticos
c) Factores terrestes e factores aquaticos.
d) As opções a) e b) estão correctas

3. Na seguinte cadeia alimentar Capim → Gafanhoto → Sapo → Ave, identifica:


a) Quem é o produtor?
Capim Gafanhoto Sapo Ave Nenhuma das alternativas

b) Quem é o conshumidor primário?


Gafanhoto Capim Ave Sapo Nenhuma das alternativas

c) Quem é o decompositor?
Gafanhoto Capim Ave Sapo Nenhuma das alternativas

d) Quem é o consuidor secundário?


Capim Gafanhoto Sapo Ave Nenhuma das alternativas

109
UNIDADE Temática 4.2. Os factores limitantes do ecossistema

OS FACTORES LIMITANTES DO ECOSSISTEMA

Factores Abióticos
O conjunto de todos os factores físicos que podem incidir sobre as
comunidades de uma certa região. Estes influenciam o crescimento,
actividade e as características que os seres apresentam, assim como a sua
distribuição por diferentes locais. Estes factores variam de valor de local
para local, determinando uma grande diversidade de ambientes.
Os diferentes factores abióticos podem agrupar-se em dois tipos principais
- os factores climáticos, como a luz, a temperatura e a humidade, que
caracterizam o clima de uma região - e os factores edáficos, dos quais se
destacam a composição química e a estrutura do solo (BEGON, 2007).

Luz
A luz é uma manifestação de energia, cuja principal fonte é o Sol. É
indispensável ao desenvolvimento das plantas. De fato, os vegetais
produzem a matéria de que o seu organismo é formado através de um
processo - a fotossíntese - realizado a partir da captação da energia
luminosa. Praticamente todos os animais necessitam de luz para
sobreviver. São exceção algumas espécies que vivem em cavernas -
espécies cavernícolos - e as espécies que vivem no meio aquático a grande
profundidade - espécies abissais.
Certos animais como, por exemplo, as borboletas necessitam de elevada
intensidade luminosa, pelo que são designadas por espécies lucífilas. Por
oposição, seres como o caracol e a minhoca não necessitam de muita luz,
evitando-a, pelo que são denominadas espécies lucífugas.
A luz influencia o comportamento e a distribuição dos seres vivos e,
também, as suas características morfológicas.

A Luz e os Comportamentos dos Seres Vivos


Os animais apresentam fototatismo, ou seja, sensibilidade em relação à
luz, pelo que se orientam para ela ou se afastam dela. Tal como os
animais, as plantas também se orientam em relação à luz, ou seja,
apresentam fototropismo. Os animais e as plantas apresentam
fotoperiodismo, isto é, capacidade de reagir à duração da luminosidade
diária a que estão submetidos - fotoperíodo. Muitas plantas com flor
reagem de diferentes modos ao fotoperíodo, tendo, por isso, diferentes
épocas de floração. Também os animais reagem de diversos modos ao
fotoperíodo, pelo que apresentam o seu período de actividade em
diferentes momentos do dia.

110
Temperatura
Cada espécie só consegue sobreviver entre certos limites de temperatura,
o que confere a este factor uma grande importância. Cada ser sobrevive
entre certos limites de temperatura - amplitude térmica - não existindo
nem acima nem abaixo de um determinado valor. Cada espécie possui
uma temperatura ótima para a realização das suas actividades vitais.
Alguns seres têm grande amplitude térmica de existência -seres
euritérmicos - enquanto outros só sobrevivem entre limites estreitos de
temperatura - seres estenotérmicos.

A Temperatura e o Comportamento dos Animais


Alguns animais, nas épocas do ano em que as temperaturas se afastam do
valor ótimo para o desenvolvimento das suas actividades, adquirem
comportamentos que lhes permitem sobreviver durante esse período:
 animais que não têm facilidade em realizar grandes deslocações
como, por exemplo, lagartixas, reduzem as suas actividades vitais
para valores mínimos, ficando num estado de vida latente;
 animais que podem deslocar com facilidade como, por exemplo, as
andorinhas, migram, ou seja, partem em determinada época do
ano para outras regiões com temperaturas favoráveis.

Ao longo do ano, certas plantas sofrem alterações no seu aspecto,


provocados pelas variações de temperatura. Os animais também
apresentam características próprias de adaptação aos diferentes valores
de temperatura. Por exemplo, os que vivem em regiões muito frias
apresentam, geralmente, pelagem longa e uma camada de gordura sob a
pele.

Água
É factor limitante de extrema importância para a sobrevivência de uma
comunidade. Além de seu envolvimento nas actividades celulares, não
podemos nos esquecer da sua importância na fisiologia vegetal
(transpiração e condução das seivas). É dos solos que as raízes retiram a
água necessária para a sobrevivência dos vegetais.

Disponibilidade de nutrientes
É outro factor limitante que merece ser considerado, notadamente em
ambientes marinhos.

Factores bióticos
Conjunto de todos seres vivos e que interagem uma certa região e que
poderão ser chamados de biocenose, comunidade ou de biota.

111
Como vimos, de acordo com o modo de obtenção de alimento, a
comunidade de um ecossistema, de maneira geral, é constituída por três
tipos de seres:
 Produtores: os seres autótrofos quimiossintetizantes (bactérias) e
fotossintetizantes (bactérias, algas e vegetais). Esses últimos
transformam a energia solar em energia química nos alimentos
produzidos.
 Conshumidores primários: os seres herbívoros, isto é, que se
alimentam dos produtores (algas, plantas etc.) os carnívoros que
se alimentam de conshumidores primários (os herbívoros).
 Poderá ainda haver conshumidores terciários ou quaternários,
que se alimentam, respectivamente, de conshumidores
secundários e terciários.
 Decompositores: as bactérias e os fungos que se alimentam dos
restos alimentares dos demais seres vivos. Esses organismos
(muitos microscópicos) têm o importante papel de devolver ao
ambiente nutrientes minerais que existiam nesses restos
alimentares e que poderão, assim, ser reutilizados pelos
produtores.

Cadeias alimentares
Nos ecossistemas, existe um fluxo de energia e de nutrientes como elos
interligados de uma cadeia, uma cadeia alimentar. Nela, os “elos” são
chamados de níveis tróficos e incluem os produtores, os conshumidores
(primários, secundários, terciários etc.) e os decompositores.
Em um ecossistema aquático, como uma lagoa por exemplo, poderíamos
estabelecer a seguinte seqüência:

112
Ecossistema aquático:
Composto pelas plantas da margem e do fundo da lagoa e por
algas microscópicas, as quais são as maiores responsáveis pela
PRODUTORES
FLORA oxigenação do ambiente aquático e terrestre; à esta categoria
formada pelas algas microscópicas chamamos fitoplâncton.

Composto por pequenos animais flutuantes (chamados


CONSHUMIDORES
Zooplâncton),caramujos e peixes herbívoros, todos se
PRIMÁRIOS
alimentado diretamente dos vegetais.

FAUNA CONSHUMIDORES São aqueles que alimentam-se do nível anterior, ou seja, peixes
SECUNDÁRIOS carnívoros, insetos, cágados, etc.,

CONSHUMIDORES As aves aquáticas são o principal componente desta categoria,


TERCIÁRIOS alimentando-se dos conshumidores secundários.

Esta categoria não pertence nem a fauna e nem a flora,


DECOMPOSITORES alimentando-se no entanto dos restos destes, e sendo
composta por fungos e bactérias.

Visualize um exemplo de ecossistema aquático:

Veja um exemplo de ecossistema terrestre.

Já em um ecossistema terrestre, teríamos.


Ecossistema terrestre:

113
Formado por todos os componentes fotossintetizantes, os quais
Produtores produzem seu próprio alimento (autótrofos) tais como gramíneas,
FLORA ervas rasteiras, liquens, arbustos, trepadeiras e árvores;

Conshumidores São todos os herbívoros, que no caso dos ecossistemas terrestres


primários tratam-se de insetos, roedores, aves e ruminantes;

Alimentam-se diretamente dos conshumidores primários


Conshumidores
(herbívoros). São formados principalmente por carnívoros de
Secundários
pequeno porte;
FAUNA
Conshumidores Tratam-se de conshumidores de porte maior que alimentam-se
terciários dos conshumidores secundários;

Aqui também como no caso dos ecossistemas aquáticos, esta


Decompositores categoria não pertence nem a fauna e nem a flora e sendo
composta por fungos e bactérias.

Exemplos de cadeia de maior complexidade

Teias alimentares
Podemos notar entretanto, que a cadeia alimentar não mostra o quão
complexas são as relações tróficas em um ecossistema. Para isso utiliza-se
o conceito de teia alimentar, o qual representa uma verdadeira situação
encontrada em um ecossistema, ou seja, várias cadeias interligadas
ocorrendo simultaneamente.
Os esquemas abaixo exemplificam melhor este conceito de teias
alimentares:

114
Cadeia de detritívoros
Nos ecossistemas, a especialização de alguns seres é tão grande, que a
tendência atual entre os ecologistas é criar uma nova categoria de
conshumidores: os comedores de detritos, também conhecido como
detritívoros. Nesse caso, são formadas cadeias alimentares separadas
daquelas cadeias das quais participam os conshumidores habituais.
A minhoca, por exemplo, pode alimentar-se de detritos vegetais. Nesse
caso, ela atua como detritívora conshumidora primária. Uma galinha, ao
se alimentar de minhocas, será conshumidora secundária. Uma pessoa
que se alimenta da carne da galinha ocupará o nível trófico dos
conshumidores terciários.
Os restos liberados pelo tubo digestório da minhoca, assim como os restos
dos demais conshumidores, servirão de alimento para decompositores,
bactérias e fungos.
Certos besouros comedores de estrume de vaca podem também ser
considerados detritívoros conshumidores primários. Uma rã, ao comer
esses besouros, atuará no nível dos conshumidores secundários. A
jararaca, ao se alimentar da rã, estará atuando no nível dos
conshumidores terciários, e a siriena, ao comer a cobra, será
conshumidora de quarta ordem.

Fluxo de energia nos ecossistemas


A luz solar representa a fonte de energia externa sem a qual os
ecossistemas não conseguem manter-se. A transformação (conversão) da
energia luminosa para energia química, que é a única modalidade de
energia utilizável pelas células de todos os componentes de um
ecossistema, sejam eles produtores, conshumidores ou decompositores, é
feita através de um processo denominado fotossíntese. Portanto, a

115
fotossíntese - seja realizada por vegetais ou por microorganismos - é o
único processo de entrada de energia em um ecossistema (BEGON, 2007).
Muitas vezes temos a impressão que a Terra recebe uma quantidade
diária de luz, maior do que a que realmente precisa. De certa forma isto é
verdade, uma vez que por maior que seja a eficiência nos ecossistemas, os
mesmos conseguem aproveitar apenas uma pequena parte da energia
radiante. Existem estimativas de que cerca de 34% da luz solar seja
refletida por nuvens e poeiras; 19% seria absorvida por nuvens, ozônio e
vapor de água. Do restante, ou seja 47%, que chega a superfície da terra
boa parte ainda é refletida ou absorvida e transformada em calor, que
pode ser responsável pela evaporação da água, no aquecimento do solo,
condicionando desta forma os processos atmosféricos. A fotossíntese
utiliza apenas uma pequena parcela (1 a 2%) da energia total que alcança
a superfície da Terra. É importante salientar, que os valores citados acima
são valores médios e nãos específicos de alguma localidade. Assim, as
proporções podem - embora não muito - variar de acordo com as
diferentes regiões do País ou mesmo do Planeta.
Um aspecto importante para entendermos a transferência de energia
dentro de um ecossistema é a compreensão da primeira lei fundamental
da termodinâmica que diz: “A energia não pode ser criada nem destruída
e sim transformada”. Como exemplo ilustrativo desta condição, pode-se
citar a luz solar, a qual como fonte de energia, pode ser transformada em
trabalho, calor ou alimento em função da actividade fotossintética; porém
de forma alguma pode ser destruída ou criada.

Outro aspecto importante é o fato de que a quantidade de energia


disponível diminui à medida que é transferida de um nível trófico para
outro. Assim, nos exemplos dados anteriormente de cadeias alimentares,
o gafanhoto obtém, ao comer as folhas da árvore, energia química;
porém, esta energia é muito menor que a energia solar recebida pela
planta. Esta perda nas transferências ocorrem sucessivamente até se
chegar aos decompositores.

116
E por que isso ocorre? A explicação para este decréscimo energético de
um nível trófico para outro, é o fato de cada organismo; necessitar grande
parte da energia absorvida para a manutenção das suas actividades vitais,
tais como divisão celular, movimento, reprodução, etc.
O texto sobre pirâmides, a seguir, mostrará as proporções em biomassa,
de um nível trófico para outro. Podemos notar que a medida que se passa
de um nível trófico para o seguinte, diminuem o número de organismos e
aumenta-se o tamanho de cada um (biomassa).

A grande diversidade de ecossistemas


 Ecossistemas naturais - bosques, florestas, desertos, prados, rios,
oceanos, etc.
 Ecossistemas artificiais - construídos pelo Homem: açudes,
aquários, plantações, etc.

Atendendo ao meio físico, há a considerar:


 Ecossistemas terrestres
 Ecossistemas aquáticos

Quando, de qualquer ponto, observamos uma paisagem, percebemos a


existência de descontinuidades margens do rio, limites do bosque, bordos
dos campos, etc. que utilizamos frequentemente para delimitar vários
ecossistemas mais ou menos definidos pelos aspectos particulares da flora
que aí se desenvolve. No entanto, na passagem, por exemplo, de uma
floresta para uma pradaria, as árvores não desaparecem bruscamente; há
quase sempre uma zona de transição, onde as árvores vão sendo cada vez
menos abundantes. Sendo assim, é possível, por falta de limites bem
definidos e fronteiras intransponíveis, considerar todos os ecossistemas
do nosso planeta fazendo parte de um enorme ecossistema chamado
ecosfera. Deste gigantesco ecossistema fazem parte todos os seres vivos
que, no seu conjunto, constituem a biosfera e a zona superficial da Terra
que eles habitam e que representa o seu biótopo. Ou seja:
BIOSFERA + ZONA SUPERFICIAL DA TERRA = ECOSFERA

Mas assim como é possível associar todos os ecossistemas num só de


enormes dimensões - a ecosfera - também é possível delimitar, nas várias
zonas climáticas, ecossistemas característicos conhecidos por biomas,
caracterizados por meio do factor Latitude. Por sua vez, em cada bioma, é
possível delimitar outros ecossistemas menores.
Bioma é conceituado no mapa como um conjunto de vida (vegetal e
animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e
identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e
história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade
biológica própria.

117
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. Factores abioticos é o conjunto de todos os factores físicos que podem incidir


sobre as comunidades de uma certa região. Os factores abioticos podem
agrupar-se em dois tipos principais nomeadamente:
a) Os factores climáticos e os factores edáficos.
b) A luz, a temperatura e a humidade.
c) A composição química e a estrutura do solo.
d) Todas as opções anteriores estão correctas.

2. A luz é uma manifestação de energia, cuja principal fonte é o Sol. É


indispensável ao desenvolvimento das plantas. Praticamente todos os animais
necessitam de luz para sobreviver. São excepção algumas espécies denoinadas
de:
a) Espécies lucífilas e espécies lucífugas.
b) Espécies cavernícolos e espécies abissais.
c) Espécies lucífugas e espécies abissais
d) Espécies cavernícolos e espécies lucífilas

3. Quanto a disponibilidade dos nutrientes, a comunidade de um ecossistema, de


maneira geral, é constituída por três tipos de seres:
a) Conshumidores primários, secundários e terciários.
b) Herbivoros, carnivoros e mistos.
c) Produtores, conshumidores e decompositores.
d) Predadores, presas e plantas.

4. Quanto ao meio fisíco os ecossistemas podem classificar-se em:


a) Ecossistemas naturais e ecossistemas artificiais.
b) Ecossistemas vegetais e ecossistemas animais.
c) Escossistemas de bosques, florestas, desertos, prados, rios, oceanos, etc
d) Ecossistemas terrestres e ecossistemas aquáticos

5. Cada espécie possui uma temperatura ótima para a realização das suas
actividades vitais. A classificação em termos das amplitudes de temperaturas
dos seres denomina-se de:
a) Lucífilas e lucífugas.
b) Seres euritérmicos e seres estenotérmicos.
c) Fototropismo e fotoperiodismo.
d) Nenhuma das opções antriores.

118
UNIDADE Temática 4.3. Conceitos básicos prévios ao estudo dos diferentes ecossistemas.

CONCEITOS BÁSICOS PRÉVIOS AO ESTUDO DOS DIFERENTES ECOSSISTEMAS:

Ecologia: Ciência que estuda os relacionamentos dos seres vivos com seu
médio ambiente.
Ecossistema: Comunidade dos seres vivos cujos processos vitais
relacionam-se entre se e desenvolvem-se em função dos factores físicos
de um mesmo ambiente.
População: Conjunto de indivíduos que se reproduzem entre si e que
residem dentro de limites geográficos definidos em um mesmo espaço
temporário.
Comunidade: Também denominada biocenosis. Refere-se ao conjunto de
organismos presentes em uma ecossistema. Existem populações
maioritárias que podem ser tanto animais como vegetais; o mais habitual
é que existam diversas populações de ambos reinos.
Espécie: Grupo de organismos capazes de reproduzir-se entre si
produzindo uma descendencia fértil.
Habitat: Conjunto local de condições geofísicas em que se desenvolve a
vida de uma espécie ou de uma comunidade animal ou vegetal.
Autótrofo: Organismo capaz de elaborar sua própria matéria orgânica a
partir de substâncias inorgânicas.
Heterótrofo: Organismo incapaz de elaborar sua própria matéria orgânica.
Deve consumir a matéria orgânica produzida por outros.
Detritívoro: Que se alimenta de matéria em descomposição, vegetal ou
animal.
Saprofito: Qualquer organismo que não pode obter seu alimento
mediante a fotossíntese, e em seu local se nutre de restos de matéria
vegetal ou animal.

Tipos de ecossistemas e relacionamento entre eles


Os ecossistemas segundo (BRANCO, 2002) podem ser dividido em dois
grandes grupos: ecossistemas terrestres e ecossistemas aquáticos.

Ecossistemas terrestres: As grandes ecossistemas terrestres de


nosso planeta são: tundra e taiga (zonas frias ou muito frias),
bosque caducifolio, praderas e estepas e bosque mediterrâneo
(zonas tépidas) e savana, deserto e selva tropical (zonas cálidas e
regiões áridas).

Ecossistemas aquáticos: Dentro das ecossistemas aquáticos


podemos diferenciar os marinhos e os de água doce, que ao ser tão

119
diferentes e tão amplos deram local a duas ciências diferentes: a
oceanografia (ecossistemas aquáticos marinhos) e a limnología
(ecossistemas aquáticos de água doce).
No médio oceánico de água doce distinguem-se as águas correntes
(por exemplo, rios) e as águas estancadas(por exemplo, lagos), que
só se movem por ação do vento, por tanto a renovação da água e
sua oxigenação é menor que nas águas correntes, em constante
movimento.
Nas ecossistemas marinhos distinguem-se três partes: plataforma
continental, zona batial (ou talude continental) e zona abisal como
se observará no esquema a seguir.

Há que ter em conta que as diferentes ecossistemas não são


sistemas separados senão que estão em contínua intercomunicação.
Por exemplo, imaginemos um lago. Em uma orla estende-se um
bosque e na outra um campo de cultivo. Há também ribeiros e
pequenos rios que surcan as ladeiras e alimentam o lago. Chove, e a
água, após lavar os terrenos citados, chega ao lago através dos rios e
ribeiros. Chegam com ela ao algo, materiais alheios ao lago, como
por exemplo, sais minerais utilizadas como abono no campo de
cultivo. Estes sais minerais servirão à população de plantas
aquáticas, junto de outras condições de luz, temperatura, etcétera,
para aumentar o número de plantas da população. As folhas que
cheguem ao lago, quedas das árvores e arrastadas pela
chuva, sedimentarán no fundo e serão decompostas por
fungos suprofíticos e bactérias, que se alimentarão, mas também
darão local a mais salgue minerais e/ou ácidos orgânicos, alimento
para outros animais e plantas de lago.

120
Relacionamentos tróficas
Relacionamentos tróficas: São as que se estrablecen entre os membros
de uma ecossistema em função da alimentação. Basicamente resume-se
na expressão “comer ou #comer”. Mediante estes relacionamentos
tróficas têm local transferências de energia.
Corrente trófica: (do grego throphe: alimentação) é o processo de
transferência de energia alimentícia através de uma série de organismos,
no que a cada um se alimenta do precedente e é alimento do seguinte.
Rede trófica: série de correntes alimentárias ou tróficas intimamente
relacionadas pelas que circulam energia e materiais em uma ecossistema.

121
Nível trófico: Conjunto de organismos que obtêm sua matéria e sua
energia da mesma forma (ou parecida).

A energia nas ecossistemas


Bem como qualquer elemento biogénico pode ser utilizado várias vezes
em uma ecossistema, a energia só pode ser utilizado uma vez. Isto é, a
matéria descreve um ciclo em uma ecossistema enquanto a energia flui
através da ecossistema.

O fluxo da energia pode ser explicado com as duas leis da termodinámica:


 A energia nem cria-se nem destrói-se, só se transforma.
 A transformação da energia sempre vai a compañada de
degradações de energia, por isso não pode ser transformado o
100% de um tipo de energia em outro tipo. Costuma transformar-
se unicamente o 10-20%.

Ademais quase todas as comunidades têm como fonte de energia inicial a


luz, pois é a energia luminosa a que utilizam os autótrofos para realizar a
fotossíntese. A partir da energia que estes acumulam receberão ernergía
os seres heterótrofos, já que se alimentam deles.

122
Vejamos tudo isto em um exemplo gráfico:

Em conclusão, uma ecossistema não é um conjunto de elementos


estáticos e inmutables senão todo o contrário: a ecossistema em seu
conjunto e as partes que o formam estão em contínua interação e
constituem um ente dinâmico e cambiante. Sears (1939) explicou isto com
a seguinte cita: “quando o ecólogo penetra em um bosque ou em um
prado, não olha simplesmente o que ali há, senão o que ali ocorre”.

Evolução:
Evolução: Processo de mudança cumulativo nas caraterísticas hereditarias
de uma população.
Recordemos que uma população é um conjunto de indivíduos que se
reproduzem entre si e que residem dentro de limites geográficos definidos
em um mesmo espaço temporário.
As populações tendem a produzir mais descendentes dos que o médio
ambiente pode suportar. Vejamos em um exemplo: em uma colônia de
100 insetos, a cada um põe 1000 ovos, isso é um total de 100000 ovos,
que quando nasçam farão com que a população seja de 100100 insetos.
Se esses 100100 insetos põem outros 1000 ovos a cada um no próximo
ano, dará local a outros tantos ovos...etc. Assim rapidamente crescem as
populações, e ao final, chega a haver mais seres vivos dos que um médio
pode suportar. Se estes se alimentam por exemplo, dos frutos de
verdadeira árvore, terá menos frutos que insetos, então os insetos terão
de lutar entre eles por sobreviver. É a luta pela sobrevivência. Se iniciará
uma carreira para apropriar de um fruto e poder ser alimentado, o que
não o consiga, morrerá. Mas ademais, os que sigam vivos, seguirão pondo
seus ovos (BRANCO, 2002).

123
Com o passo do tempo o médio ambiente muda, sobem ou baixam as
temperaturas, se desertifica o local, etc. Também, existem seres
diferentes dentro da mesma espécie, uns mais débis, outros mais
fortes...Mas só os membros mais fortes da população sobreviverão, se
reproduzirão entre eles e darão local a novas gerações capazes de
suportar essas mudanças, mais fortes que os anteriores. Assim é como
evoluem as espécies.

Ponhamos um exemplo com seres humanos, mas sem basear-nos/baseá-


nos em leis ou teorias da ciência. Suponhamos que a família do homem
provem de uma tribo africana. Seu trabalho e as condições ambientais do
local de onde provem fizeram, geração depois de geração que ele seja
forte sufieciente para suportar altas temperaturas e correr longas
distâncias para caçar o almoço de sua família, embora actualmente
resida em uma pequena cidade africana. Ele é, pois, forte e suporta altas
temperaturas. Na família da mulher, levam muitas gerações vivendo de
forma acomodada em uma cidade, mas é uma cidade muito fria. Seu
corpo está acostumado a invernos a -13ºC, mas não a realizar trabalhos
forçados nem duros exercícios físicos.
O filho/a que tenham terá uma pele morena, capaz de suportar
mediamente tanto altas como baixas temperaturas. Terá ademais uma
força considerável. Ademais, e agora sim, nos baseando em dados
científicos, os homens e mulheres mestiços, são mais fortes que os de
raças primitivas. Isso pode ser entendido com o que explicámos
anteriormente sobre os insectos. Os mais fortes sobrevivem e
reproduzem-se entre eles, dándo local a uns descendentes ainda mais
fortes.
Assim vemos também como ra reprodução sexual promove a variação em
uma espécie. vimos como de duas raças primitivas (a branca e a negra)
surge uma raça mestiza, que é uma variação das duas anteriores.

A teoria de Darwin
A teoria de Darwin diz, de forma muito resumida, que as espécies novas
aparecem em forma gradual e de outras preexistentes, ao invés que
os saltacionistas que dizem que as espécies aparecem e desaparecem
subitamente.
Pessoalmente, considero que esta teoria é bastante acertada, e não só no
âmbito dos seres vivos, senão em todos os inventos da humanidade
também, por exemplo. O homem em verdadeiro momento descobriu o
fogo, e a partir daí, muito pouco a pouco, chegámos a utilizar a luz de
inumeráveis formas diferentes, inventaram-se um montão de máquinas
com milhões de usos diferentes...etc. O mesmo ocorre com os seres vivos.
Desde a primeira célula, desde o primeiro macaco, desde a primeira

124
planta...agora há milhões de células diferentes, deprocariota a eucariota,
muitos símios e seres humanos, negros, alvos, amarelos...e tantas
árvores, arbustos, flores, etc. Pode que, efetivamente, o primerísimo ser
vivo sobre a face da terra, surgisse de forma espontânea, mas os demais,
não, os demais surgiram desse ser vivo. Embora o primeiro de todos, foi a
própria terra, que surgiu de uma explosão, pelo que poderia ser
considerado espontânea. Mas a partir de o/o primeiro/ser-vos/é vivo/s
sobre a terra, considero que não teve mais espécies espontâneas. Se
ademais temos em conta que “toda célula provem de outra célula”
podemos fundamentar mais exitosamente a teoria de Charles Darwin
(DIBLASI, 2007).

Um pequeno exemplo de evolução como resposta a uma mudança


ambiental é a perda das muelas do julgamento nos seres humanos. Antes,
quando o homem convivia com outros animais selvagens aos que se comia
a dentalladas e não vivia de maneira acomodada em uma casa na cidade
ou em qualquer comunidade só entre humanos, utilizando cobertos e sem
cozinhar antes os alimentos...etc., precisava as muelas do julgamento para
mastigar aos animais que matava para se alimentar. Mas agora, a cada vez
a menos pessoas lhes nascem estas muelas porque já não as precisamos.
Em conclusão, a evolução é um lento processo mediante o qual as
espécies melhoram, mudam, segundo muda o espaço que as rodeia para
poder sobreviver no médio. Ademais, as espécies não surgem da nada
porque sim...vão evoluindo até dar local a um ser que talvez não pareça
que provenha de nenhum outro, mas pondo a mirada atrás vemos como
sim tem relacionamento com um ser que existiu no passado, e chegamos
então a conhecer quais foram as mudanças ambientais que levaram a esse
ser a mutar

125
Impacto humano:
O impacto humano é o conjunto de danos que causa a acção do homem
sobre a terra. Veremos agora dois exemplos desta ação devastadora: o
efeito invernadero e o esgotamento do ozônio atmosférico.

O efeito invernadero
Este nome vem a conto de que é parecido ao que ocorre em
um invernadero, o calor entra mas não sai, o digamos assim. Antes de
tudo, dizer que o efeito invernadero é algo inevitável (embora a ação
humana não fora tão brutal e devastadora teria local este efeito, pela
respiração de tantos seres vivos não fotosintéticos na terra), mas que se
viu incrementado e acelerado pela ação humana. Por exemplo, pela
quantidade de CO2 expulsado pelas fábricas diariamente, o uso
de aerosoles, a contaminação, combustão de fósseis...etc. É tanto, que por
muitos seres vivos fotosintéticos que tenha em nosso planeta, não pode
ser transformado o 100% em oxigênio. O que ocorre com este
aquecimento global é que os raios ultravioletas do sol podem entrar na
atmosfera, mas ao rebotar na terra sobem de novo mas não conseguem
voltar a atravessar a atmosfera porque se vêem debilitados pela grossa
camada de gases provocados pela contaminação. Então, esses raios ficam
dentro de nossa atmosfera, e por isso, além de gases tóxicos, nos rodeia
uma massa de calor porveniente desses raios. Este efeito provoca, entre
outras coisas:
 Que se derritan os pólos e, por tanto, aumente o nível do mar e
muitas zonas costeiras fiquem submersas.
 Destruam-se por completo aquelas ecossistemas compostos por
seres sensíveis ao aquecimento. Só sobreviverão aqueles que
sejam tolerantes a esse aquecimento.
 Nossa própria destruição; porque ao não ser capazes as plantas de
transformar todo o CO2 em Ou2 não terá suficiente oxigênio para
respirar, e morreremos.
 Desertificação do terreno, já que ao haver mais calor
se evaporará mais água.
 A mutação (evolução) de alguns vírus, bactérias...etc. e
aparecimento de novas pestes, pragas e doenças mais fortes,
portanto mais difíceis de combater.

Esgotamento do ozônio atmosférico


O esgotamento do ozônio atmosférico ou destruição da camada de
ozônio, é causado também pelos gases tóxicos lançados à atmosfera, que
rompem as moléculas de ozônio (Ou3) e se juntam com o átomo de
oxigênio dando local a Ou2 e outros gases. Por isso, agora há um buraco
na camada de ozônio que dá local a efeitos prejudiciais como estes (entre
outros):

126
 Mais casos de câncer de pele.
 Destruição do fitoplancton, seres vivos produtores das
ecossistemas aquáticos. Isto implica a cessação da alimentação dos
seres vivos que se alimentam de fitoplancton (peixes...etc) pelo
que os humanos teríamos que deixar de alimentar de alguns tipos
de peixe que se extinguiriam ao não ter fitoplancton.
 Os seres vivos fotosintéticos terrestres também se vêem afetados
pelos raios Ou.V.A., pelo que produziriam menos oxigênio.

Soluções a estes problemas


Por sorte, existem pessoas que tratam de minimizar estes problemas, que
se preocupam pelo planeta e propuseram muitas formas de solucionar o
aquecimento global para que possam viver muitas gerações mais. Algumas
dessas propostas são estas:
 As fábricas que expulsam gases tóxicos poderiam colocar filtros em
suas lareiras para evitar que estes gases saiam diretamente à
atmosfera.
 Reciclar materiais como o plástico, o papel, o metal, o vídrio...etc.
para evitar que estes sejam queimados e dêem local a mais gases
tóxicos.
 Manter viva as selvas tropicais, os bosques...etc. e plantar árvores
nas cidades que contrarresten as fumaças dos veículos
automóveis.
 Utilizar transportes públicos nas cidades.
 Utilizar fontes de energia renobables e que não contaminem. Por
exemplo, em Espanha, que tem muito sol, poderia ser utilizado a
energia solar.

Necessidade de reciclar os nutrientes


Uma pirâmide de energia mostra o fluxo de energia desde um
nível trófico até o nível contíguo dentro de uma comunidade. As unidades
energéticas empregadas são, por tanto, unidades de energia por unidade
de superfície e por unidade de tempo.
Como é sabido, a energia pode sair de uma ecossistema (se dissipa, se
transforma, etc.), mas os nutrientes, o material orgânico não, e é
necessário o reciclar. Estudando o ciclo do carbono pode ser entendido:

O ciclo do carbono:
Um 18% da matéria orgânica viva está constituída por carbono, a
capacidade de ditos átomos de unir-se uns com outros fornece a base da
diversidade molecular bem como o tamanho molecular. Por tanto o
carbono é um elemento essencial em todos os seres viventes.
A parte da matéria orgânica, o carbono combina-se com o oxigênio para
formar monóxido de carbono (CO),dióxido de carbono (CO2), também

127
forma salgue como o carbonato de sodio (Na2CO3), carbonato cálcico (em
rochas carbonatadas, como calcárias e estruturas de corais).

REDES TROFICAS
 Os organismos produtores terrestres obtêm o dióxido de carbono
da atmosfera durante o processo da fotossíntese para transformá-
lo em compostos orgânicos como a glicose, e os produtores
aquáticos o utilizam dissolvido na água em forma
de bicarbonato (HCO3-).
 Os conshumidores alimentam-se das plantas, assim o carbono
passa a fazer parte deles, em forma de proteínas, gordurosas,
hidratos de carbono, etc.
 No processo da respiração aeróbica, utiliza-se a glicose como
combustível e é degradada, se libertando o carbono em forma de
CO2 à atmosfera. Por tanto na cada nível trófico da corrente
alimentaria, o carbono regressa à atmosfera ou à água como
resultado da respiração.
 Os desperdícios do metabolismo das plantas e animais, bem como
os restos de organismos mortos, decompõem-se pela ação dos
fungos saprofitos e as bactérias. Durante dito processo de
descomposição também se desprende CO2.
 As erupções vulcânicas são uma fonte de carbono, durante ditos
processos o carbono da cortiça terrestre que faz parte das rochas e
minerais é liberto à atmosfera.
 Em camadas profundas da cortiça continental bem como na
cortiça oceánica o carbono contribui à formação de combustíveis
fósseis, como é o caso do petróleo. Este composto formou-se pelo
agregado de restos de organismos que viveram faz milhares de
anos.

Como pode ser observado, se não se decompõem e reciclam os nutrientes


se libertaria muito carbono, que ao misturar com o ar geraria um montão
de CO2 (dióxido de carbono).
Em conclusão, devemos moderar nossa actividade sobre a Terra para que
não morram as demais espécies, porque se isto ocorresse, nós não
seríamos capazes de nos livrar de todos estes gases e então, morreríamos,
e o planeta Terra deixaria de viver.

Populações:
Natalidade: É o número de indivíduos que nascem ao longo de um
período de tempo determinado em uma zona concreta.
Mortalidade: É o número de falecidos ao longo de um período de tempo
determinado em uma zona concreta.

128
Imigração: Movimento de população, que implica mudança de
morada, cosiderado desde o local de chegada.
Emigração: Movimento de população, que implica mudança de
morada, cosiderado desde o local de saída.
Recordemos também:
População: Conjunto de indivíduos que se reproduzem entre si e que
residem dentro de limites geográficos definidos em um mesmo espaço
temporário.

O tamanho de uma população depende em grande parte da


natalidade, da mortalidade, da emigração e da imigração (estas a sua
vez geram-se por outros factores).
Se de repente em uma população aumenta consideravelmente o
número de nascidos e dá-se para o local onde habita essa população
uma chegada em massa de imigrantes a população do local
aumentará, mas em caso que ocorresse o contrário (que aumentasse
a mortalidade e ademais muitos emigrassem, por exemplo, por falta
de alimentos) diminuiria a população. Também ocorreria o mesmo
sem que se dessem movimentos migratórios, por suposto, ou se
unicamente se dessem movimentos migratórios. Também pode
ocorrer que por exemplo, aumente a mortalidade mas se recebam a
muitos emigrantes, que forneceriam aos mortos, pelo que o número
de efetivos de população não variaria. Desta forma poderiam ser
feito várias combinações e veríamos como sempre o número de
habitantes de uma zona depende muito de natalidade, mortalidade
e movimentos migratórios.

Crescimento de uma população


(curva do crescimento da população
Aqui vemos como cresce a população em diferentes fases:
 Baixo Crescimento: Nesta fase o crescimento é baixo porque ainda
não há muitos efetivos de população, pelo que não são capazes de
fazer crescer muito rápido o grupo. Este baixo crescimento
também se deve a que os seres vivos pertencentes a esta
população ainda se estão adaptando ao novo médio.
 Crescimento Exponencial: Agora o ritmo de crescimento da
população é maior porque já há mais efetivos de população que
possam ser reproduzido e já estão perfeitamente adaptados ao
médio. Ademais, ainda não se apresentou o problema da escassez.
Por enquanto os recursos (basicamente alimentícios) parecem
ilimitados.
 Fase de transição: Agora se faz notar o limite dos recursos.
 Fase asintótica: Por último já não cresce mais a população porque
esta atingiu a capacidade de carga.

129
A capacidade de carga é o número de organismos em uma população que
pode suportar o médio ambiente em um tempo determinado e em uma
ecossistema determinado. Quando se atinge a capacidade de carga tem
local um fenômeno que se expressa com a seguinte fórmula:

Alguns factores que limitam o crescimento da população


O primeiro factor que limita o crescimento de uma população são os
alimentos. Já que estes são limitados a população só pode crescer
enquanto estes sejam suficientes para todos. Assim que tenha
mais pobladores que alimentos, começarão a morrer os seres vivos
(geralmente os mais débis) que não consigam algo com o que se
alimentar. Também os depredadores impedem crescer uma população.
Quanto maior seja uma população mais de predadores atrairá e mais
seres vivos serão comidos. Ademais está o agregado de material de
desperdício. Se a população não se desace de alguma forma deste
material não poderá seguir crescendo (DIBLASI, 2007).

Também há muitos factores que fazem com que a população diminua, por
exemplo, doenças, mas estes não devem ser confundidos com os
que limitam o crescimento.

Definamos por último o que é uma amostra aleatória


Uma amostra aleatória de tamanho n de uma população X , é uma
sucessão de n variáveis aleatórias, independentes, X1 , X2 ,..., Xn , com
idêntica lei de probabilidade que X . Uma amostra de tamanho n está
constituído por n réplicas de X .
Uma vez que a amostra se tenha realizado, isto é, se tenham extraído o n
indivíduos da população e "medido" o variável X na cada um deles, se
disporão de n dados ou observações : x1 , x2 ,..., xn. Para que uma
variável aleatória, definida a partir de uma amostra aleatória de tamanho
n, tome valores, é necessário dispor do n dados da realização de tal
amostra.
Em conclusão, as populações dependem da natalidade, a mortalidade e
dos movimentos migratórios e crescem em um princípio de forma lenta
devido à adaptação ao médio e ao reduzido número de integrantes, mas
depois cresce rapidamente até que os alimentos são limitados e não pode
seguir crescendo. Além dos alimentos limitados há outros factores que
impedem que a população segua crescendo e outros quantos que fazem
com que esta diminua. Embora a esta regra geral lhe poderíamos pôr
exceções como a população humana de todo mundo, que apesar de
contar com recursos muito limitados não deixa de crescer e se preve
e ainda um forte crescimento, ao menos durante este século XXI.

130
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. Ao conjunto de indivíduos que se reproduzem entre si e que residem dentro de


limites geográficos definidos em um mesmo espaço temporário denominamos
de:
a) População.
b) Comunidade.
c) Ecossistema.
d) Espécie.

2. O tamanho de uma população depende em grande parte


a) Da natalidade e da imigração
b) Da mortalidade e da emigração.
c) Da natalidade e da mortalidade.
d) Da natalidade, da mortalidade, da emigração e da imigração

3. Dos factores abaixo identifique o factor ou factores que limitam o crescimento


da população:
a) Doenças.
b) Calamidades naturais.
c) Os alimentos.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

4. Em termos das medidas propostas pelas pessoas preocupadas em solucionar o


aquecimento global a minimizarem os efeitos prejudiciais da destruição da
camada de ozônio podem ser:
a) Reciclar materiais como o plástico, o papel, o metal, o vídrio...etc. para
evitar que estes sejam queimados e dêem local a mais gases tóxicos.
b) Manter viva as selvas tropicais, os bosques...etc. e plantar árvores nas
cidades que contrarresten as fumaças dos veículos automóveis.
c) Utilizar transportes públicos nas cidades.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

5. A teoria que diz “as espécies novas aparecem em forma gradual e de


outras preexistentes” pertence á:
a) Saltacionistas
b) Darwin
c) Malthus
d) Autor desconhecido.

131
Sumário

O tema findo tratou acerca acerca dos Conceitos Básicos sobre


Poluição de Ecossisteas. O mesmo é composto por três Unidades
Temáticas nomeadamente: Ecossistemas, os factores limitantes
do ecossistema e dos conceitos básicos e prévios ao estudo dos
diferentes ecossistemas.
Factores abioticos é o conjunto de todos os factores físicos que
podem incidir sobre as comunidades de uma certa região. Os
factores abioticos podem agrupar-se em dois tipos principais
nomeadamente os factores climáticos e os factores edáficos.

Cada espécie possui uma temperatura ótima para a realização


das suas actividades vitais. A classificação em termos das
amplitudes de temperaturas dos seres denomina-se por seres
euritérmicos e seres estenotérmicos.
População é o conjunto de indivíduos que se reproduzem entre si
e que residem dentro de limites geográficos definidos em um
mesmo espaço temporário. O tamanho de uma população
depende em grande parte da natalidade, da mortalidade, da
emigração e da imigração.

A grande diversidade de ecossistemas podem ser: ecossistemas


naturais e ecossistemas artificiais. Cada espécie só consegue
sobreviver entre certos limites de temperatura, o que confere a
este factor uma grande importância. A esses limites de
temperatura chamamos de amplitude térmica.
A destruição da camada de ozônio, é causado também pelos
gases tóxicos lançados à atmosfera, que rompem as moléculas
de ozônio (O3) e se juntam com o átomo de oxigênio dando local
a O2 e outros gases.

Dentro das ecossistemas aquáticos podemos diferenciar os


marinhos e os de água doce, que ao ser tão diferentes e tão
amplos deram local a duas ciências diferentes: a oceanografia e
a limnología. A limnologia é um ecossistema aquático das
Espécies da água doce

132
UNIDADE Temática 4.4. EXERCÍCIOS deste tema.

1. Os factores bióticos formados pelos organismos vivos. Faça a ligação com base
nas setas os seguintes factores segundo as suas caracteristicas:
a) Produtores seres heterotróficos = bactérias e fungos
b) Consumidores organismos heterotróficos = animais
c) Decompositores seres autotróficos = plantas

2. A população cresce em diferentes fases. Das fases abaixo seleccione uma que
não é considerada coo sendo a como cresce a população:
a) Baixo Crescimento.
b) Crescimento Exponencial.
c) Alto Crescimento
d) Fase asintótica

3. A grande diversidade de ecossistemas podem ser:


a) Ecossistemas naturais e Ecossistemas artificiais
b) Ecossistemas terrestres e Ecossistemas aquáticos
c) Ecossistemas animais e Ecossistemas vegetais
d) Todas as opções estão correctas.

4. Atendendo ao meio físico, os ecossistemas podem classificar-se em:


a) Ecossistemas naturais e Ecossistemas artificiais
b) Ecossistemas terrestres e Ecossistemas aquáticos
c) Ecossistemas animais e Ecossistemas vegetais
d) Todas as opções estão correctas.

5. Bem como qualquer elemento biogénico pode ser utilizado várias vezes em uma
ecossistema, a energia só pode ser utilizado uma vez. Isto é, a matéria descreve
um ciclo em uma ecossistema enquanto a energia flui através da ecossistema. O
fluxo da energia nos ecossistemas pode ser explicado com as duas leis
da termodinámica:
a) A energia nem cria-se nem destrói-se, só se transforma.
b) A transformação da energia sempre vai acompanhada de degradações
de energia, por isso não pode ser transformado o 100% de um tipo de
energia em outro tipo. Costuma transformar-se unicamente o 10-20%.
c) A transformação da energia sempre vai acompanhada de degradações
de energia, por isso não pode ser transformado o 100% de um tipo de
energia em outro tipo.
d) As opções a) e b) estão correctas.

133
6. Cada espécie só consegue sobreviver entre certos limites de temperatura, o que
confere a este factor uma grande importância. A esses limites de temperatura
chamamos de:
a) Amplitude térmica.
b) Amplitude euritérmicos
c) Amplitude estenotérmicos.
d) Todas as opções estão correctas.

7. Dos elementos abaixo indocados, indica qual é considerado factor liitante para
a sobrevivencia de uma éspecie:
a) Disponibilidade dos nutrientes
b) Temperatura
c) Água
d) Todas as opções estão correctas.

8. A destruição da camada de ozônio, é causado também pelos gases tóxicos


lançados à atmosfera, que rompem as moléculas de ozônio (O3) e se juntam
com o átomo de oxigênio dando local a O2 e outros gases. Seleccione a opção
correcta, qual destes é impacto da destruição da camada de ozônio
a) Mais casos de câncer de pele.
b) Destruição do fitoplancton, seres vivos produtores das ecossistemas
aquáticos.
c) Os seres vivos fotosintéticos terrestres também se vêem afectados pelos
raios Ou.V.A., pelo que produziriam menos oxigênio.
d) Todas as opções estão correctas.

9. População é um conjunto de indivíduos que se reproduzem entre si e que residem


dentro de limites geográficos definidos em um mesmo espaço temporário. A palavra
imigração difere-se da emigração pelo facto de:
a) Imigração é chegada e emigração é saída.
b) Emigração é chegada e imigração é saída.
c) Ambas tratam de movimentos da população, que implica mudança de
morada, cosiderado desde um deterinado local.
d) As opções a) e b) estão correctas.

10. Dentro das ecossistemas aquáticos podemos diferenciar os marinhos e os de água


doce, que ao ser tão diferentes e tão amplos deram local a duas ciências diferentes: a
oceanografia e a limnología. A limnologia é um ecossistema aquático dos:
a) Espécies marinhas.
b) Espécies da água doce
c) Espécies aquáticas.
d) As opções b) e c) estão correctas.

134
TEMA – V: RECURSOS ENERGÉTICOS E AMBIENTAIS
UNIDADE Temática 5.1. Energia e Meio Ambiente.

UNIDADE Temática 5.2. A Relação entre Recursos Naturais e


Matriz Energética

UNIDADE Temática 5.3. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 5.1. Energia e Meio Ambiente.

Introdução

Este é o Quinto capítulo do módulo e o mesmo vai tratar acerca dos


Recursos Energéticos e Ambientais. Este Tema é composto por duas
unidades temáticas nomeadamente: Enérgia e Meio Ambiente e a Relação
entre os Recursos Naturais e Matriz Energética.
O sistema energético compreende as actividades de extração,
processamento, distribuição e uso de energia e é responsável pelos
principais impactos ambientais da sociedade industrial. Quanto as fontes
de enérgia existem duas a saber: fontes renovaveis e fontes não
renovaveis de energia e quanto ao tipo de enérgia tenho de referir que
existem umas ais limpas que as outras e que Dinamarca é um país que
possui cerca de metade do tipo de energia limpa. A produção de energia
vária de um país para outro de acordo com as disponibilidades dos
recursos naturais, bem como das condições naturais do mesmo local para
a produção dessa enérgia.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Descrever os impactos da produção de energia sobre o meio


ambiente;
Objectivo  Identificar as fontes de enérgia;
 Identificar os tipos de enérgia produzidos por fontes renovaveis e
Especifico
não renovaveis;
 Conhecer os tipos de recursos energéticos não renováveis;
 Conhecer a Relação entre Recursos Naturais e Matriz Energética.

135
ENERGIA E MEIO AMBIENTE

O sistema energético compreende as actividades de extração,


processamento, distribuição e uso de energia e é responsável pelos
principais impactos ambientais da sociedade industrial. Seus efeitos
nocivos não se restringem ao nível local onde se realizam as actividades de
produção ou de consumo de energia, mas também possuem efeitos
regionais e globais. Na escala regional pode-se mencionar, por exemplo, o
problema de chuvas ácidas, ou ainda o derramamento de petróleo em
oceanos, que pode atingir vastas áreas. Existem ainda impactos globais, e
os exemplos mais contundentes são as alterações climáticas devidas ao
acúmulo de gases na atmosfera (efeito estufa), e a erosão da camada de
ozônio devida ao uso de CFCs (compostos com moléculas de cloro-fluor-
carbono) utilizados em equipamentos de ar condicionado e refrigeradores.

Todas as etapas da indústria energética até a utilização de combustíveis


provocam algum impacto ao meio ambiente e à saúde humana. A
extração de recursos energéticos, seja petróleo, carvão, biomassa ou
hidroeletricidade, tem implicações em mudanças nos padrões de uso do
solo, recursos hídricos, alteração da cobertura vegetal e na composição
atmosférica. As actividades de mineração (carvão e petróleo) empregam
cerca de 1% da mão de obra global, mas são responsáveis por cerca de 8%
dos acidentes de trabalho fatais.
As actividades relacionadas com a produção e uso de energia liberam para
a atmosfera, água e solo diversas substâncias que comprometem a saúde
e sobrevivência não só do homem, mas também da fauna e flora. Alguns
desses efeitos são visíveis e imediatos, outros tem a propriedade de serem
cumulativos e de permanecerem por várias décadas ocasionando
problemas.
A seguir, apresentamos as principais conseqüências ambientais
decorrentes da produção e usos dos energéticos mais importantes.

Poluição atmosférica
O setor energético é responsável por 75% do dióxido de carbono lançado
à atmosfera, 41% do chumbo, 85% das emissões de enxofre e cerca de
76% dos óxidos de nitrogênio. Tanto o enxofre como os óxidos de
nitrogênio têm um papel importante na formação de ácidos na atmosfera
que, ao precipitarem na forma de chuvas, prejudicam a cobertura de
solos, vegetação, agricultura, materiais manufaturados que sofrem
corrosão e até mesmo a pele do homem. A constante deposição de
compostos ácidos em rios e lagos afeta a vida aquática e ameaça toda a
cadeia alimentar de ecossistemas. Nos solos, a acidez das chuvas reduz a
presença de nutrientes. Para a saúde humana, a presença de particulados

136
contendo enxofre e óxidos de nitrogênio provocam ou agravam doenças
respiratórias como bronquite e enfisema, especialmente em crianças. Esse
tipo de problema tem sido verificado em regiões da China, Hong Kong e
Canadá que sofrem os efeitos de termoelétricas a carvão situadas muitas
vezes em locais distantes de onde ocorrem as chuvas ácidas.
O consumo de derivados de petróleo pelo setor de transporte é o que
apresenta a maior contribuição para a degradação do meio ambiente em
nível local e global. Estima-se que 50% dos hidrocarbonetos emitidos em
áreas urbanas e aproximadamente 25% do total das emissões de todo
dióxido de carbono gerado no mundo, resultem das actividades
desenvolvidas com os sistemas de transporte.

Além disso, partículas em suspensão decorrentes da queima de material


orgânico ou de combustíveis constituem um problema sério em várias
partes do mundo. Isso ocorre sempre que há queimadas de florestas ou
de diesel e óleo combustível nas áreas urbanas. A baixa qualidade desses
combustíveis em muitos países, aliada à precariedade de veículos, trânsito
congestionado e condições climáticas desfavoráveis em grandes cidades,
contribuem para que exista uma quase permanente concentração de finas
partículas no ambiente urbano. A saúde respiratória fica comprometida
para milhões de pessoas expostas a essas partículas. Devido ao pequeno
tamanho dessas partículas, elas vão se acumulando ao longo do tempo
nos pulmões das pessoas e são especialmente problemáticas porque
podem carregar ainda compostos carcinogênicos para esses órgãos.

O efeito estufa
Um dos mais complexos e maiores efeitos das emissões do setor
energético são os problemas globais relacionados com mudanças
climáticas. O acúmulo de gases, como o dióxido de carbono na atmosfera,
acentua o [efeito estufa] natural do ecossistema terrestre a ponto de
romper os padrões de clima que condicionaram a vida humana, de
animais, peixes, agricultura, vegetação, etc. É cada vez mais evidente a
constatação de crescentes concentrações de CO2 na atmosfera e o
aumento de temperaturas médias. São imprevisíveis as implicações de
mudanças climáticas para os países e suas populações. Alteração na
produtividade da agricultura, pesca, inundações de regiões costeiras e
aumento de desastres naturais estão entre as mudanças provocadas pelas
alterações climáticas esperadas.
A seriedade desses efeitos tem sido reconhecida por diversos estudos
científicos internacionais e vários países estão procurando consenso para
uma agenda mínima de actividades para controle e mitigação de
emissões, como o [Protocolo de Kyoto], discutido no âmbito dos países
signatários da Convenção Climática. Infelizmente, ainda não se tem
acordado um sistema de controle de emissões de gases estufa entre os

137
países industrializados, historicamente os maiores contribuintes para os
altos níveis de concentração desses gases na atmosfera.

Termoelétricas
A produção de eletricidade em termoelétricas representa em escala
mundial cerca de um terço das emissões antropogênicas de dióxido de
carbono, sendo seguida pelas emissões do setor de transporte e indústrial.
Os principais combustíveis utilizados em todo o mundo são o carvão,
derivados de petróleo e, crescentemente, o gás natural. Existem ainda
outros tipos de usinas termoelétricas que queimam resíduos de biomassa
(lenha, bagaço) e até mesmo lixo urbano.
Além das emissões de gases e partículas, existem outros problemas
associados com utilização de água para o processo de geração
termoelétrica, pois muitas usinas usam água para refrigeração ou para
produção de vapor. Esse tem sido um dos principais obstáculos para a
implantação de termoelétricas no país, pois diversos projetos se localizam
ao longo do principal gasoduto construído, que segue exatamente as
bacias hidrográficas com problemas de abastecimento e de qualidade de
água em regiões densamente povoadas.
É importante notar também que houve bastante progresso com relação
ao aumento da eficiência de usinas termoelétricas através da introdução
de tecnologias de co-geração e turbinas a gás. As possibilidades de
gaseificação de carvão, madeira e bagaço oferecem novas oportunidades
de usinas mais eficientes e com menores impactos que as convencionais.

Hidroelétricas
Muitas vezes faz-se referência a hidroeletricidade como sendo uma fonte
"limpa" e de pouco impacto ambiental. Na verdade, embora a construção
de reservatórios, grandes ou pequenos, tenham trazidos enormes
benefícios para o país, ajudando a regularizar cheias, promover irrigação e
navegabilidade de rios, elas também trazem impactos irreversíveis ao
meio ambiente. Isso é especialmente verdadeiro no caso de grandes
reservatórios. Existem problemas com mudanças na composição e
propriedades químicas da água, mudanças na temperatura, concentração
de sedimentos, e outras modificações que ocasionam problemas para a
manutenção de ecossistemas à jusante dos reservatórios. Esses
empreendimentos, mesmo bem controlados, têm tido impactos na
manutenção da diversidade de espécies (fauna e flora) e afetado a
densidade de populações de peixes, mudando ciclos de reprodução.
O Brasil tem acumulado grande experiência com o resultado das várias
usinas hidroelétricas que foram construídas, sendo um dos seus maiores
exemplos o caso da hidroelétrica de Balbina, que provocou a inundação de
parte da floresta nativa, ocasionando alterações na composição e acidez
da água, que depois teve impacto no próprio desempenho da usina. Até

138
recentemente as turbinas apresentavam problemas de corrosão e
depósito de material orgânico, devidos a alterações que ocorreram na
composição da água.

Energia nuclear
A energia nuclear é talvez aquela que mais tem chamado atenção quanto
aos seus impactos ambientais e à saúde humana. São três os principais
problemas ambientais dessa fonte de energia. O primeiro é a manipulação
de material radioativo no processo de produção de combustível nuclear e
nos reatores nucleares, com riscos de vazamentos e acidentes. O segundo
problema está relacionado com a possibilidade de desvios clandestinos de
material nuclear para utilização em armamentos, por exemplo,
acentuando riscos de proliferação nuclear. Finalmente existe o grave
problema de armazenamento dos rejeitos radioativos das usinas. Já houve
substancial progresso no desenvolvimento de tecnologias que diminuem
praticamente os riscos de contaminação radiativa por acidente com
reatores nucleares, aumentando consideravelmente o nível de segurança
desse tipo de usina, mas ainda não se apresentam soluções satisfatórias e
aceitáveis para o problema do lixo atômico.

Fontes alternativas
As chamadas fontes alternativas como solar, eólica e biomassa, não estão
totalmente isentas de impactos ambientais, embora possam ser
relativamente menores. A utilização em larga escala de painéis
fotovoltaicos ou biomassa implica em alteração no uso do solo. A
fabricação de componentes dessas tecnologias também produzem efeitos
ambientais, como é o caso da extração do silício para painéis
fotovoltaicos. Muitos desses sistemas dependem de baterias químicas
para armazenagem da eletricidade, que ainda apresentam sérios
problemas de contaminação por chumbo e outros metais tóxicos para o
meio ambiente.

O que fazer?
Os desafios para se continuar a expandir as necessidades energéticas da
sociedade com menores efeitos ambientais são enormes. É praticamente
impossível eliminar os impactos ambientais de sistemas energéticos. O
trabalho dos cientistas e analistas de energia é, na verdade, oferecer
alternativas de escolhas para a sociedade e facilitar seu acesso a esse tipo
de informação. No entanto, o problema energético não se reduz a uma
escolha entre tecnologias para atender a crescente demanda de energia.
Essa é uma matéria de grande complexidade, que envolve não só a
discussão de aspectos técnicos, mas também de preferências, padrões de
conforto desejados pela sociedade e custos de energia. Existe

139
urgentemente a necessidade de questionar os principais condicionantes
da crescente demanda de energia: nosso sistema de urbanização, as
actividades econômicas e estilos de vida. Somente mudanças nessas áreas
possibilitarão maior utilização de tecnologias mais limpas e eficientes,
fontes renováveis e descentralizadas.

Existem avanços importantes como o aparecimento de tecnologia de


células combustível que são capazes de gerar eletricidade a partir de
elementos como hidrogênio e oxigênio, ou gasolina, etanol, gás
natural, e outros. É um tipo de tecnologia que pode ter impactos
bastante reduzidos quando comparada com as opções existentes de
geração de eletricidade, mas ainda existem limitantes técnicos e
econômicos para maior disseminação. O futuro parece promissor para
as células combustíveis e alguns modelos de pequeno porte já
aparecem comercialmente nos EUA e Japão.
O avanço em escala comercial de tecnologias avançadas que reduzam
a utilização de energia e emissões ainda é muito tímida, especialmente
no Brasil. Para que seja possível conceber um futuro mais sustentável
do ponto de vista energético é necessário maior participação de fontes
renováveis e maior eficiência para produção e uso de energia. É
fundamental maior compromisso e esforço por parte do setor público
e privado, seja em nível local ou internacional.
No caso do efeito estufa existem três possibilidades para reduzir a
contribuição do setor energético: promover a substituição de
combustíveis fósseis por renováveis, realizar a substituição de
combustíveis fósseis por outros com menor conteúdo de carbono,
como o gás natural, e finalmente acelerar a redução do uso de energia,
através de tecnologias eficientes e sistemas menos intensivos em
energia.
Essas são as direções que deverão guiar os esforços de inovação
tecnológica para a área energética daqui em diante, para um futuro
com menores impactos ambientais.

FONTES DE ENERGIA
As fontes de energia são recursos da natureza ou artificiais utilizados pela
sociedade para a produção de algum tipo de energia. Esta, por sua vez, é
utilizada com o objectivo de propiciar o deslocamento de veículos, gerar
calor ou produzir eletricidade para os mais diversos fins.
Trata-se de um assunto extremamente estratégico no contexto
geopolítico global, pois o desenvolvimento dos países depende de uma
infraestrutura energética capaz de suprir as demandas de sua população e
de suas actividades econômicas. As fontes de energia constituem-se
também como uma questão ambiental, pois, a depender das formas de

140
utilização dos diferentes recursos energéticos, graves impactos sobre a
natureza podem ser ocasionados.

Os meios de transporte e comunicação, além das residências, indústrias,


comércio, agricultura e vários campos da sociedade, dependem
totalmente da disponibilidade de energia, tanto a eletricidade quanto os
combustíveis. Por isso, com o crescimento socioeconômico de diversos
países, a cada ano a procura por recursos para a geração de energia
cresce, elevando também o caráter estratégico e até disputas
internacionais em busca de muitos desses recursos.
As fontes de energia podem ser classificadas conforme a capacidade
natural de reposição de seus recursos. Existem, assim, as chamadas fontes
renováveis e as fontes não renováveis.

Fontes renováveis de energia


As fontes renováveis de energia, como o próprio nome indica, são aquelas
que possuem a capacidade de serem repostas naturalmente, o que não
significa que todas elas sejam inesgotáveis. Algumas delas, como o vento e
a luz solar, são permanentes, mas outras, como a água, podem acabar, a
depender da forma como o ser humano faz o seu uso. Vale lembrar que
nem toda fonte renovável de energia é limpa, ou seja, está livre da
emissão de poluentes ou de impactos ambientais em larga escala.

Tipos de energia produzidos com fontes renováveis:


Energia eólica
Como já adiantamos, o vento é um recurso energético inesgotável e,
portanto, renovável. Em algumas regiões do planeta, a sua frequência
e intensidade são suficientes para a geração de eletricidade por meio
de equipamentos específicos para essa função. Basicamente, os ventos
fazem os chamados aerogeradores, que ativam turbinas e geradores
que convertem a energia mecânica produzida em energia elétrica.
Atualmente, a energia eólica não é tão difundida no mundo em razão
do alto custo de seus equipamentos. Todavia, alguns países já vêm
adotando substancialmente esse recurso, com destaque para os
Estados Unidos, China e Alemanha. A principal vantagem é a não
emissão de poluentes na atmosfera e os baixos impactos ambientais.

Energia solar
A energia solar é o aproveitamento da luz do sol para a geração de
eletricidade e também para o aquecimento da água para uso. Trata-se
também de uma fonte inesgotável de energia, haja vista que o sol – ao
menos na sua configuração atual – manter-se-á por bilhões de anos.
Existem duas formas de aproveitamento da energia solar: a
fotovoltaica e a térmica. No primeiro caso, são utilizadas células

141
específicas que lançam mão do chamado “efeito fotoelétrico” para a
produção de eletricidade. No segundo caso, utiliza-se o aquecimento
da água tanto para uso direto quanto para a geração de vapor, que
atuará em processos de ativação de geradores de energia, lembrando
que podem ser utilizados também outros tipos de líquidos.

No mundo, em razão dos elevados custos, a energia solar ainda não é


muito utilizada. Todavia, gradativamente, seu aproveitamento vem
crescendo tanto com a instalação de placas em residências, indústrias
e grandes empreendimentos quanto com a construção de usinas
solares especificamente voltadas para a geração de energia elétrica.

Energia hidrelétrica
A energia hidrelétrica corresponde ao aproveitamento da água dos
rios para a movimentação das turbinas de eletricidade. No Brasil, essa
é a principal fonte de energia elétrica do país, ao lado das
termoelétricas, haja vista o grande potencial que o país possui em
termos de disponibilidade de rios propícios para a geração de
hidroeletricidade.
Nas usinas hidroelétricas, constroem-se barragens no leito do rio para
o represamento da água que será utilizada no processo de geração de
eletricidade. Nesse caso, o mais aconselhável é a construção de
barragens em rios que apresentem desníveis em seus terrenos, com o
objectivo de diminuir a superfície inundada. Por isso, é mais
recomendável a instalação dessas usinas em rios de planalto, embora
também seja possível em rios de planícies, porém com impactos
ambientais maiores.

Biomassa
A utilização da biomassa consiste na queima de substâncias de origem
orgânica para a produção de energia, ocorrendo por meio da
combustão de materiais como a lenha, o bagaço de cana e outros
resíduos agrícolas, restos florestais e até excrementos de animais. É
considerada uma fonte de energia renovável porque o dióxido de
carbono produzido durante a queima é utilizado pela própria
vegetação na realização da fotossíntese, o que significa que, desde que
haja controle, o seu uso é sustentável por não alterar a
macrocomposição da atmosfera terrestre.
Os biocombustíveis, de certa forma, são considerados como um tipo
de biomassa, pois também são produzidos a partir de vegetais de
origem orgânica para a geração de combustível, que é empregado
principalmente nos meios de transporte em geral. O exemplo mais
conhecido é o etanol produzido da cana-de-açúcar, mas podem existir

142
outros compostos advindos de vegetais distintos, como a mamona, o
milho e muitos outros.

Energia das marés (maremotriz)


A energia das marés – ou maremotriz – é o aproveitamento da subida
e descida das marés para a produção de energia elétrica, funcionando
de forma relativamente semelhante a uma barragem comum. Além
das barragens, são construídas eclusas e diques, que permitem a
entrada e a saída da água durante as cheias e as baixas das marés, o
que propicia a movimentação das turbinas.

Fontes não renováveis de energia


As fontes não renováveis de energia são aquelas que poderão esgotar-se
em um futuro relativamente próximo. Alguns recursos energéticos, como
o petróleo, possuem o seu esgotamento estimado para algumas poucas
décadas, o que eleva o caráter estratégico que esses elementos possuem.

Tipos de recursos energéticos não renováveis:


Combustíveis fósseis
A queima de combustíveis fósseis pode ser empregada tanto para o
deslocamento de veículos de pequeno, médio e grande porte quanto
para a produção de eletricidade em estações termoelétricas. Os três
tipos principais são: o petróleo, o carvão mineral e o gás natural, mas
existem muitos outros, como o nafta e o xisto betuminoso.
Trata-se das fontes de energia mais importantes e mais disputadas
pela humanidade no momento. Segundo a Agência Internacional de
Energia, cerca de 81,63% de toda a matriz energética global advém
dos três principais combustíveis fósseis acima citados, valor que se
reduz para 56,8% quando analisamos somente o território brasileiro.
Por esse motivo, muitos países dependem da exportação desses
produtos, enquanto outros tomam várias medidas geopolíticas para
consegui-los.
Outra questão bastante discutida a respeito dos combustíveis fósseis
refere-se aos altos índices de poluição gerados pela sua queima.
Muitos estudiosos apontam que eles são os principais responsáveis
pela intensificação do efeito estufa e pelo agravamento dos problemas
vinculados ao aquecimento global.

Energia nuclear (atômica)


Na energia nuclear – também chamada de energia atômica –, a
produção de eletricidade ocorre por intermédio do aquecimento da
água, que se transforma em vapor e ativa os geradores. Nas usinas
nucleares, o calor é gerado em reatores onde ocorre uma reação

143
chamada de fissão nuclear a partir, principalmente, do urânio-235, um
material altamente radioativo.
Embora as usinas nucleares gerem menos poluentes do que outras
estações de operação semelhante (como as termoelétricas), elas são
alvo de muitas polêmicas, pois o vazamento do lixo nuclear produzido
ou a ocorrência de acidentes podem gerar graves impactos e muitas
mortes. No entanto, com a emergência da questão sobre o
aquecimento global, o seu uso vem sendo reconsiderado por muitos
países.
Cada tipo de energia apresenta suas vantagens e desvantagens, de
forma que não há nenhuma fonte que se apresente, no momento,
como absoluta sobre as demais em termos de viabilidade. Algumas são
baratas e abundantes, mas geram graves impactos ambientais; outras
são limpas e sustentáveis, mas inviáveis financeiramente. O mais
aconselhável é que, nos diferentes territórios, exista uma grande
diversidade nas matrizes energéticas para atenuar os seus respectivos
problemas, o que não acontece no Brasil e em boa parte dos demais
países.

144
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. O sistema energético compreende as actividades de extração, processamento,


distribuição e uso de energia e é responsável pelos principais impactos
ambientais da sociedade industrial. Dos impactos a seguir identifica qual deles é
resultande do sistema energético:
a) Poluição atomosférica.
b) Efeito de estufa.
c) Esgotamento de recuros naturais.
d) Todas as alternativas anteriores estão correctas.

2. As fontes não renováveis de energia são aquelas que poderão esgotar-se em


um futuro relativamente próximo. A seguir, identifique o tipo de energia
produzidos com fontes não renováveis:
a) Energia eólica
b) Energia solar
c) Combustíveis fósseis
d) Energia hidrelétrica.

3. Das fontes de energia apresentados abaixo, indique qual delas constitui a fonte
de energia renovavel:
a) Biomassa
a) Energia das marés (maremotriz)
b) Energia solar
c) Todas as respostas anteriores estão correctas.

4. A queima de combustíveis fósseis pode ser empregada tanto para o


deslocamento de veículos de pequeno, médio e grande porte quanto para a
produção de eletricidade em estações termoelétricas. Os combustíveis fósseis é
composto por três tipos:
a) O petróleo, o carvão mineral e o gás natural
b) O carvão mineral, o gás natural e o petróleo.
c) O gás natural, o petróleo e o carvão mineral.
d) Todas as alternativas anteriores estão correctas

5. Segundo as fontes de energia apresentados abaixo, indique qual delas constitui


a fonte de energia não renovavel:
a) Energia eólica
b) Energia das marés (maremotriz)
c) Energia solar
d) Petróleo.

145
UNIDADE Temática 5.2. A Relação entre Recursos Naturais e Matriz Energética.

A RELAÇÃO ENTRE RECURSOS NATURAIS E MATRIZ ENERGÉTICA

A busca por fontes de energia sempre foi uma preocupação das


sociedades humanas. Ao longo do tempo, o desenvolvimento dessas
sociedades sempre esteve associado às formas de obtenção de energia. A
partir da Revolução Industrial (1760-1840) o consumo de energia
aumentou significativamente, sobretudo as produzidas a partir de
hidrocarbonetos, e, atualmente, com questões ambientais em debate,
buscam-se formas “limpas” de obtenção de energia a partir de recursos
renováveis.
O conjunto de fontes de energia possíveis de serem extraídas e
distribuídas denomina-se matriz energética. A matriz energética de uma
região ou país depende da disponibilidade de recursos naturais ou de
acordos econômicos de importação de matérias primas. A disponibilidade
de recursos muda no espaço e dentro de um mesmo país pode variar de
uma região para outra. Algumas regiões possuem rios com grande volume
d’água, outras estão mais sujeitas a ação dos ventos, enquanto outras
ainda possuem grandes reservas de petróleo, carvão mineral e gás, por
exemplo. Comparando as matrizes energéticas do Brasil, Japão, China e
Dinamarca nota-seque esses países possuem diversos recursos naturais e
se apropriam deles de modo diferente para a produção de eletricidade e
de combustíveis.

A matriz energética brasileira


Devido a sua grande extensão territorial e diversidade de paisagens, o
Brasil é um país com ampla variedade de recursos energéticos. No
entanto, para a transformação desses recursos em energia elétrica, utiliza-
se, sobretudo, a força dos rios, responsáveis por aproximadamente 65%
da eletricidade gerada no país. As bacias hidrográficas brasileiras
oferecem grande potencial hidrelétrico que ainda pode ser explorado,
pois seus rios correm principalmente sobre planaltos e possuem volume e
velocidade de escoamento adequados à geração de eletricidade. Contudo,
o regime dos rios está sujeito às condições do clima e as interferências
humanas. Assim, pode ocorrer durante determinadas épocas de seca a
diminuição da produção de eletricidade, ocasionando apagões. Para
amenizar esse problema, vem se investindo no Brasil em usinas
termoelétricas a base de petróleo, carvão mineral e álcool que são
acionadas durante o período de estiagem, mas com custo ambiental e
financeiro muito mais elevado. Está em obras também o terceiro reator
nuclear de Angra dos Reis, comprado da Siemens na década de 1970, com
previsão para entrar em operação apenas em 2018. No entanto, a energia

146
nuclear corresponde a uma pequena parcela da matriz energética
brasileira.

Além da produção de eletricidade, os recursos energéticos são utilizados


nos transportes e, nesse ponto, o Brasil ainda é muito dependente do
petróleo. Pouco se investe em energias alternativas como a eletricidade,
sendo que o próprio etanol e o biodiesel deixaram de ser
economicamente vantajosos frente à gasolina e ao diesel tradicional.
Outras alternativas de transporte nas cidades, como o uso da bicicleta e o
transporte público de massa, também recebem poucos investimentos
diante do transporte individual (carros). O resultado disso é a dependência
de combustíveis fósseis para a mobilidade urbana e a poluição
atmosférica, sobretudo, das grandes cidades.

A matriz energética japonesa


Com uma grande densidade demográfica e grande quantidade de
indústrias, o Japão se localiza em um arquipélago vulcânico no Oceano
Pacífico. A origem vulcânica tornou o subsolo japonês pobre em recursos
energéticos como o petróleo e o gás natural. Além disso, nos poucos rios
com potencial hidrelétrico do país já foram construídos usinas para a
geração de eletricidade e não há mais potencial para a instalação de novas
usinas. Nesse contexto, o dilema japonês é como produzir energia
suficiente para abastecer sua grande demanda de modo contínuo e barato
em um local carente de recursos energéticos. A solução encontrada foi a
geração de eletricidade por meio de usinas nucleares a base de plutônio e
urânio e termoelétricas que funcionam com derivados do petróleo e
carvão mineral importados. As usinas nucleares japonesas produzem
muita energia a um preço relativamente baixo e são consideradas seguras
em situações normais, sendo que por lá existem mais de cinquenta
reatores nucleares em funcionamento atualmente.

No entanto, após fevereiro de 2011, quando um grande tsunami atingiu a


central nuclear de Fukushima, o uso da energia nuclear no país vem sendo
discutido. O governo japonês se comprometeu, a princípio, a substituir
grande parte das usinas nucleares por outras fontes menos perigosas,
como a eólica e a maremotriz, o que não aconteceu até hoje. Ainda, o
governo chegou a conclusão de que a energia nuclear é de fundamental
importância para o abastecimento básico da população e autorizou a
construção de novos reatores seguindo critérios mais rígidos de
segurança. O problema é que no Japão, essas usinas nucleares precisam
resistir a constantes terremotos e estão sujeitas a eventos catastróficos
como grandes tsunamis, o que não faz não parecer lógico a construção de
várias delas em um país pequeno, com grande densidade demográfica e
geologicamente instável. No entanto, factores econômicos e a

147
necessidade superam o medo de um grande desastre, ao menos no
pensamento do governo japonês.
Com relação aos transportes, o Japão é um dos países que mais investem
em veículos elétricos e híbridos no mundo. Contudo, essa eletricidade
ainda provém de centrais nucleares ou termoelétricas.
Quase todo o petróleo utilizado no Japão é importado, principalmente, do
Irã, e o uranio e plutônio usados nas usinas nucleares vêm do Canadá, da
África do Sul, França e Austrália, o que torna o país dependente
economicamente e frágil do ponto de vista estratégico e geopolítico.

A matriz energética chinesa


Aproveitando-se de suas enormes reservas de carvão mineral extraídos de
minas por todo o país, a China sustentou seu excepcional crescimento
econômico das últimas décadas e o abastecimento de sua gigantesca
população nesse combustível fóssil. O problema é que a queima do carvão
mineral é extremamente poluente e os níveis de poluição nas cidades
chinesas alcançaram níveis insuportáveis. Isso colocou os chineses em
primeiro lugar no ranking mundial de países poluidores, com quase 20%
de toda a poluição anual. No entanto, a China, assim como o Brasil, possui
grande variedade de recursos energéticos disponíveis, incluindo
hidrelétrico. Cientes dos problemas ambientais causados pela queima do
carvão mineral, os chineses tornaram-se os maiores investidores em
energias limpas e renováveis da Terra, como a solar e a eólica. Além disso,
construíram a maior hidrelétrica do mundo no rio Yang-Tsé, superando em
tamanho a binacional Itaipu. Mas o desafio de reduzir a emissão de
poluentes é difícil e ainda está longe de ser superado por lá.

Além do investimento em energias “limpas” na matriz energética do país,


os chineses são os maiores exportadores de painéis solares e turbinas
eólicas do mundo, conseguindo vender esses equipamentos no mercado
internacional com preço até 30% mais barato do que os concorrentes
americanos e europeus. Contudo, essa tecnologia “limpa” ainda não
chegou aos veículos chineses, que utilizam quase que em sua totalidade
derivados do petróleo como combustível e são responsáveis pela maior
parte da poluição das cidades. A ideia chinesapara reduzir esse problema
é diminuir os índices de poluição dos carros novos e a quantidade de
enxofre na gasolina, além de ampliar as pesquisas em biocombustíveis,
inclusive, com parceria com empresas brasileiras.

A matriz energética dinamarquesa


A Dinamarca é um pequeno país europeu um pouco maior do que o
Estado do Espírito Santo e apenas 5 milhões e 600 mil habitantes
(aproximadamente), mas sua matriz energética “limpa” é modelo para a
Europa e todo o mundo. A meta do país é que até 2050 100% da energia

148
produzida tenha origem “limpa” e renovável, eliminando as emissões de
dióxido de carbono no setor. Atualmente, cerca de 45% da energia
dinamarquesa é considerada “limpa” e proveniente de fontes renováveis.
A principal aposta do país é na produção eólica offshore, ou seja, com as
centrais eólicas instaladas no mar, além da energia solar. Por se localizar
em uma Península (da Jutlândia), a Dinamarca possui extenso litoral
(7.300 km), com grande incidência de ventos e, portanto, sua localização é
extremamente favorável à geração de energia eólica.
Nos transportes, onde a necessidade de combustíveis fósseis ainda é
grande, os incentivos são dados aos veículos movidos a eletricidade. O
excesso de energia pode ser armazenado nos carros, que podem fornecê-
la ao sistema elétrico em épocas de pouco vento.

Figura 7 – Estação eólica na costa dinamarquesa

149
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. A busca por fontes de energia sempre foi uma preocupação das sociedades
humanas. Tomando em consideração nos recursos naturais disponiveis e
Moçambique, qual é a principal forma de obtenção de energia electrica?
a) Acção dos ventos.
b) Acção da água.
c) Reservas de petróleo, carvão mineral e gás natural.
d) Paineis solares.

2. Actualmente, com questões ambientais em debate, buscam-se formas “limpas”


de obtenção de energia a partir de recursos renováveis. Qual destas formas não
constiui ua forma limpa de obtenção de energia.
a) Através do carvão mineral.
b) Através do petroleo
c) Através da acção dos ventos.
d) As opções a) e b) estão correctas

3. Dos paises abaixo indicados indique qual deles tem uma fonte de energia a
partir de origem “limpa” e renovável, com baixas emissões de dióxido de
carbono no sector.
a) Brasil
b) China
c) Dinamarca
d) Japão

4. Tomando como exemplo a disponibilidade de recursos para a produção da


energia eléctrica, em Moçambique esta pode ser considerada como sendo:
a) A mesma em todas as regiões.
b) Vária de região para região.
c) Não possui potencial energético.
d) Nenhuma alternativa anterior esta correcta.

5. Em termos da disponibilidade hidroelectrica, em Moçambique é maior:


a) Na bácia do Rovuma devido as reservas de petróleo e gás natural.
b) Na bácia de Inhambane devido as reservas do gás natural.
c) Na bácia hidrografica de Mavuzi na provincia de Manica.
d) Nestas três bácias o potêncial energético hidrico é igual.

150
Sumário

O tema findo tratou acerca dos Recursos Energéticos e


Ambientais. Este Tema foi desenvolvido em duas unidades
temáticas nomeadamente: Enérgia e Meio Ambiente e a Relação
entre os Recursos Naturais e Matriz Energética. O sistema
energético compreende as actividades de extração,
processamento, distribuição e uso de energia e é responsável
pelos principais impactos ambientais da sociedade industrial.

A queima de combustíveis fósseis pode ser empregada tanto


para o deslocamento de veículos de pequeno, médio e grande
porte quanto para a produção de eletricidade em
estações termoelétricas. A busca por fontes de energia sempre
foi uma preocupação das sociedades humanas.
Actualmente, com questões ambientais em debate, buscam-se
formas “limpas” de obtenção de energia a partir de recursos
renováveis.
Os biocombustíveis, de certa forma, são considerados como um
tipo de biomassa, pois também são produzidos a partir de
vegetais de origem orgânica para a geração de combustível, que
é empregado principalmente nos meios de transporte em geral.

As actividades de mineração (carvão e petróleo) empregam cerca


de 1% da mão de obra global, mas são responsáveis por cerca de
8% dos acidentes de trabalho fatais. O quê esta por detrás desses
acidentes fatais é fraca aplicabilidade das Normas Técnicas de
Segurança no Trabalho. Todas as etapas da indústria energética
até a utilização de combustíveis provocam algum impacto ao
meio ambiente e à saúde humana

151
UNIDADE Temática 5.3. EXERCÍCIOS deste tema.

1. O sistema energético compreende as actividades de extração, processamento,


distribuição e uso de energia e é responsável pelos principais impactos
ambientais da sociedade industrial. Nos exemplos abaixo selecione os efeitos na
escala regional:
a) O problema de chuvas ácidas e o derramamento de petróleo em
oceanos, que pode atingir vastas áreas.
b) As alterações climáticas devidas ao acúmulo de gases na atmosfera
(efeito estufa),
c) A erosão da camada de ozônio devida ao uso de CFCs (compostos com
moléculas de cloro-fluor-carbono) utilizados em equipamentos de ar
condicionado e refrigeradores.
d) As opções a) e b) estão correctas.

2. Para o efeito estufa existem três possibilidades para reduzir a contribuição do


sector energético. Seleccione a medida que não contribui na redução do efeito
de estufa:
a) Promover a substituição de combustíveis fósseis por renováveis.
b) Realizar a substituição de combustíveis fósseis por outros com menor
conteúdo de carbono, como o gás natural.
c) Reduzir o custo de combustiveis como forma a aumentar a circulação de
veículos de pessoas singulares ou particulares.
d) Acelerar a redução do uso de energia, através de tecnologias eficientes e
sistemas menos intensivos em energia.

3. Os biocombustíveis, de certa forma, são considerados como um tipo de


biomassa, pois também são produzidos a partir de vegetais de origem orgânica
para a geração de combustível, que é empregado principalmente nos meios de
transporte em geral. São exemplos de biocombustíveis:
a) O etanol produzido da cana-de-açúcar.
b) A getrofa.
c) A mamona, o milho e muitos outros.
d) As opções anteriores estão correctas.

4. O sistema energético compreende as actividades de extração, processamento,


distribuição e uso de energia e é responsável pelos principais impactos
ambientais da sociedade industrial. Dos impactos a seguir identifica qual deles é
resultande do sistema energético:
a) Queimadas descontroladas.
b) Secas severas.
c) Esgotamento de recuros naturais.

152
d) Todas as alternativas anteriores estão correctas.

5. As fontes não renováveis de energia são aquelas que poderão esgotar-se em


um futuro relativamente próximo. A seguir, identifique o tipo de energia
produzidos com fontes renováveis:
a) Energia eólica.
b) Energia solar.
c) Combustíveis fósseis.
d) As opções a) e b) estão correctas.

6. Todas as etapas da indústria energética até a utilização de combustíveis


provocam algum impacto ao meio ambiente e à saúde humana. Das acções
abaixo indica que medidas ou estrategias devem ser usadas como forma a
minimizar as consequências negativas dos impactos no meio ambiente:
a) Educação Ambiental.
b) Aumentar a fiscalização na exploração dos recursos.
c) Criar políticas que incentivam o desenvolvimento sustentável
d) Todas as opções estão correctas.

7. As actividades de mineração (carvão e petróleo) empregam cerca de 1% da mão


de obra global, mas são responsáveis por cerca de 8% dos acidentes de trabalho
fatais. O quê esta por detrás desses acidentes fatais é:
a) Fraca aplicabilidade das Normas Técnicas de Segurança no Trabalho.
b) As actividades de mineração possuem riscos incontrolaveis.
c) Não existe uma lei que global que regula a extracção dos recursos
minerais.
d) As opções a) e b) estão correctas.

8. Estima-se que 25% do total das emissões de todo dióxido de carbono gerado no
mundo, resultem das actividades desenvolvidas com os sistemas de transporte.
Uma das medidas aplicadas para a redução do dioxido de carbono é:
a) Baixar o preço do combustivel.
b) Incentivar o uso de autocarros públicos (machimbombos, chapas).
c) Baixar as taxas aduaneiras como forma a importar mais carros.
d) As opções a) e b) estão correctas.

9. As fontes de energia apresentadas abaixo são renováveis e não renováveis.


Identifique o tipo de energia produzidos com fontes renováveis:
a) Energia eólica
b) Energia solar
c) Combustíveis fósseis
d) As opções a) e b) estão correctas.

153
10. O país que foi encontrado a solução de geração de eletricidade por meio de
usinas nucleares a base de plutônio e urânio e termoelétricas que funcionam
com derivados do petróleo e carvão mineral importados foi:
a) Brasil
b) China
c) Dinamarca
d) Japão

154
TEMA – VI: ZOOLOGIA
UNIDADE Temática 6.1. Conceitos básicos em Zoologia.

UNIDADE Temática 6.2. O Reino dos Animais.

UNIDADE Temática 6.3. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 6.1. Conceitos básicos em Zoologia.

Introdução

Este é o o sexto Tema do módulo e o mesmo vai tratar acerca da Zoologia.


Este tema é composto por duas unidades temáticas nomeadammente: a
dos Conceitos Básicos em Zoologia e o Reino dos Animais.
De referir que para melhor copreender o reino dos animais foi feita a
divisão em grupos e que destes grupos existem os que são do meio
aquatico, bem como do meio terrestre.
Os animais por sua vez são importantes uns pelos outos isto porque uns
servem-se de alimentos para os outros, incluindo o homem que se
alimenta de diversas espécies, bem como miitos deles possuem
substâncias utéis quer para fazer medicamentos, uténcilios, entre outros
aspectos.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Saber quais são os conceitos básicos em Zoologia;


 Agrupar os tipos de animais de acordo com o seu meio;
Objectivo  Conhecer o reino dos animais;
 Conhecer as caracteristicas de alguns animais ou grupos;
Especifico
 Relacionar os animais com o homem.
 Saber qual é a importancia do estudo do reino animal.

155
CONCEITOS BÁSICOS EM ZOOLOGIA.

Zoologia (zoo = animal e logia = estudo) é a parte da Biologia que estuda


os animais, ou seja, que se volta para os organismos pertencentes
ao Reino Animalia. Esse reino é o mais diversificado de todos e
apresenta mais de 1 milhão de espécies descritas, sem contar aquelas
ainda desconhecidas pelo homem.
Esses seres distribuem-se pelos mais variados ambientes e apresentam
representantes de vida aquática, terrestre e até parasitas. A forma de
alimentação também é bastante diversificada, podendo ser encontrados,
por exemplo, animais herbívoros, carnívoros, onívoros e saprófagos.
Todos os animais são seres eucarióticos, ou seja, apresentam células com
núcleo delimitado pelo citoplasma. Além dessa característica, não existem
animais unicelulares, sendo, portanto, todos multicelulares. Os animais
também apresentam como característica primordial a nutrição
heterotrófica. Isso quer dizer que nenhum organismo pertencente a esse
reino consegue produzir seu alimento, retirando sempre sua energia de
fontes externas de matéria orgânica.

Muitas pessoas agrupam os animais em dois grandes grupos:


os vertebrados e os invertebrados. Os vertebrados, tradicionalmente, são
aqueles que possuem coluna vertebral e caixa craniana, enquanto os
invertebrados são aqueles que não a possuem.
Didaticamente, podemos dividir o Reino Animalia em nove filos
principais, apesar de existirem cerca de 35 filos diferentes. Os principais
filos animais são Porifera, Cnidaria, Platyhelminthes, Nematoda,
Mollusca, Annelida, Arthropoda, Echinodermata e Chordata. Esse último
é aquele em que nós, humanos, estamos classificados.
Nesta secção, apresentaremos as características principais de cada grupo
de animais e traremos também informações interessantes sobre algumas
espécies. Você aprenderá mais sobre a fisiologia, anatomia,
comportamento e evolução de cada filo e descobrirá como a Zoologia
pode ser fascinante.

NEMATOIDES
O filo Nematoda agrupa animais que apresentam corpo alongado,
cilíndrico e afilado nas extremidades posterior e anterior. Os nematoides
ou nematódeos são triblásticos, pseudocelomados, não segmentados,
com simetria bilateral e de tamanho muito variável, existindo espécies de
0,3mm até 8 metros de comprimento (Placentonema gigantissima).
Apesar de serem conhecidos por seus representantes parasitas do
homem, a grande maioria das espécies é de vida livre, sendo encontrada
no solo e ambientes aquáticos.

156
Alguns autores gostam de dizer que os nematoides apresentam um corpo
que se assemelha a um tubo dentro de outro. Isso porque esses animais
apresentam um intestino longo e uma parede corporal externa
revestindo-o. Entre o intestino e a parede corporal existe o pseudoceloma.
Acima da epiderme do corpo dos nematoides existe uma cutícula
protetora, que é trocada à medida que o animal aumenta de tamanho. A
cutícula tem a função de proteger, dar suporte e atuar no controle do
volume corporal do animal. Abaixo da epiderme há as células musculares,
que permitem a realização de movimentos de flexão. Essas células
musculares ligam-se a dois cordões nervosos, um localizado na região
dorsal e o outro, na região ventral.

Os nematoides não apresentam sistema respiratório, realizando


respiração cutânea. Sendo assim, as trocas gasosas ocorrem através de
difusão na superfície corporal do animal. Os representantes que são
endoparasitas intestinais, de maneira geral, são anaeróbios.
O sistema digestório é completo, apresentando uma boca na região
anterior do corpo e um ânus na região posterior. A digestão é tanto extra
quanto intracelular e as substâncias que não são utilizadas pelo
nematoide são eliminadas pelo ânus. Os nutrientes obtidos pelo animal
são lançados no líquido do pseudoceloma e difundem-se para as outras
células do corpo. O mesmo acontece com as excretas, que são lançadas no
pseudoceloma e eliminadas pela parede do corpo. Vale frisar que as
excretas com íons são eliminadas pelos renetes, estrutura em forma de H
que se comunica com o poro excretor.
Esses animais reproduzem-se de forma sexuada e apresentam machos e
fêmeas com dimorfismo sexual, ou seja, apresentam diferenças
morfológicas que permitem a diferenciação entre esses dois indivíduos. Os
machos apresentam uma estrutura em forma de gancho que ajuda na
cópula. A fecundação é interna e o desenvolvimento pode ser direto ou
indireto, dependendo da espécie.
Como já apontado, existem algumas espécies que parasitam seres
humanos, normalmente afetando o sistema digestório. Dentre as espécies
mais conhecidas, destacam-se: Ascaris lumbricoides, a famosa
lombriga; Enterobius vermicularis,causador da oxiurose; Ancylostoma
duodenali, causador da ancilostomose; e Wuchereria bancrofti, causador
da filariose.Vale destacar que algumas espécies também parasitam
plantas, causando danos e consideráveis perdas econômicas.

PEIXES
Os peixes são animais que vivem apenas em ambientes aquáticos e
representam o maior grupo de vertebrados que existe. Possuem variados
tipos de forma, hábitos de vida e de alimentação, apresentando animais
herbívoros, carnívoros, onívoros e até detritívoros.

157
Podem ser classificados em três grupos principais: ágnatos(agnatha),
os ósseos (osteíctes) e os cartilaginosos (condrictes). Os ágnatos
caracterizam-se por não possuírem mandíbula e apresentarem uma boca
circular. Além disso, apresentam esqueleto cartilaginoso e notocorda que
perdura por toda a vida. Atualmente só são encontrados dois grupos
desses animais: as lampreias e as feiticeiras.
Os peixes ósseos e cartilaginosos diferenciam-se dos ágnatos por
possuírem mandíbula, recebendo o nome de gnatostomados graças a essa
característica. Esses dois grupos diferem-se entre si principalmente pela
presença de esqueleto ósseo nos osteíctes e esqueleto cartilaginoso nos
condrictes. Como exemplo de peixes cartilaginosos, podemos citar os
tubarões e raias; como representantes dos osteíctes, podemos citar o
salmão e o peixe-palhaço.

Os peixes podem ser divididos em: agnatos, condrictes e osteíctes

A grande maioria dos peixes possui corpo recoberto por escamas, sendo
que elas diferenciam-se em cada grupo. Nos peixes ósseos, as escamas
possuem origem dérmica, enquanto, nos cartilaginosos, possuem
origem dermo epidérmica. Já os agnatos são animais sem escamas. Além
das escamas, encontramos nos peixes uma grande quantidade de muco
ao redor do corpo, que atua reduzindo o atrito com a água.
A respiração dos peixes é branquial, sendo que, em peixes ósseos, as
brânquias encontram-se cobertas por estruturas chamadas de opérculo.
Nos peixes cartilaginosos, as brânquias geralmente se encontram
desprotegidas.

A seta vermelha indica o opérculo, uma estrutura que protege as


brânquias de alguns peixes

158
A circulação sanguínea é simples e completa. O coração desses animais
apresenta apenas duas cavidades, onde passa unicamente sangue venoso.
Apresentam um sistema excretor formado por rins mesonefros.
Uma estrutura muito importante encontrada nos peixes é a linha lateral,
que é responsável pela captação dos movimentos na água. Ao longo dessa
linha são encontrados diversos mecanorreceptores, que são responsáveis
pela percepção das vibrações e pela transmissão para as células nervosas.
Para se locomoverem, os peixes utilizam estruturas que recebem o nome
de nadadeiras, além de possuírem um corpo hidrodinâmico que auxilia na
natação. Esses animais também possuem adaptações que permitem que
eles consigam flutuar e manter-se em uma determinada posição, tais
como: bexigas natatórias e fígados cheios de óleo. Em alguns grupos de
peixes (Dipnoicos), a bexiga natatória também funciona como pulmão,
permitindo que eles fiquem algum tempo fora da água.

A reprodução diferencia-se entre os peixes cartilaginosos e os ósseos.


Nesses últimos, a fecundação é geralmente externa e o desenvolvimento
é indireto, ou seja, há a formação de uma larva. Esta larva
posteriomente se desenvolve e forma o alevino. Nos peixes cartilaginosos,
o desenvolvimento é direto e a fecundação é interna.
Curiosidade: Algumas espécies de peixes na época de reprodução nadam
até próximo à nascente dos rios para colocar seus ovos. Esse fenômeno
recebe o nome de piracema. Nessa época, a pesca é proibida.

RÉPTEIS
O termo réptil vem do latim reptilis e significa “que se arrasta”. Entre seus
representantes, podemos citar as serpentes, crocodilos, jacarés, lagartos e
tartarugas. Esses animais caracterizam-se por serem tetrápodes e de pele
grossa, apresentam pulmões e botam ovos com casca resistente.
Esses animais, assim como os anfíbios, não possuem a capacidade de
manter a temperatura do corpo constante. Isso ocorre porque eles não
conseguem controlar sua temperatura através do calor gerado no
metabolismo. Para conseguirem uma temperatura ideal, os répteis
utilizam certas estratégias, como a exposição ao sol quando o dia está frio.
Além disso, quando a temperatura se torna muito alta, eles protegem-se
em rios, lagos, locais sombreados, entre outros. Falamos que animais com
essa característica são ectotérmicos.
Como dito anteriormente, uma característica interessante dos répteis é
sua pele grossa, que, diferente dos anfíbios, é muito especializada para a
vida no ambiente terrestre. Esses animais não possuem glândulas e sua
pele pode ser recoberta por placas, escamas, plastrões e carapaças. Essa
característica permite que os répteis tenham grande vantagem em
ambientes secos, tais como os desertos.

159
Os répteis possuem sistema digestório completo e seus representantes,
na sua maioria, são carnívoros. Muitos são predadores e não incluem
espécies parasitas.
Esse grupo de vertebrados possui respiração pulmonar muito eficiente.
Diferentemente do grupo dos anfíbios, os répteis não necessitam da pele
para complementar suas trocas gasosas.
Sua circulação é dupla e incompleta. O coração apresenta quatro
cavidades, porém os ventrículos não são completamente separados. Os
crocodilianos, grupo que inclui jacarés e crocodilos, possuem os
ventrículos separados por uma estrutura chamada de forame de Panizza.
Eles excretam ácido úrico, substância que não necessita de água para ser
eliminada. Essa característica é extremamente importante em um grupo
que vive em ambientes com pouca disponibilidade de água.
Além disso, possuem um sistema nervoso constituído por encéfalo e
nervos que saem da medula espinhal. Apresentam um sistema sensorial
com grandes adaptações, como os órgãos de Jacobson, que possuem
função olfativa, e as fossetas loreais, que conseguem captar o calor,
ajudando, assim, na localização das presas.

A fecundação é geralmente interna e o desenvolvimento não apresenta


fase larval (desenvolvimento direto). Grande parte das espécies desse
grupo apresenta órgãos especializados para a cópula. A maioria dos seus
representantes é ovípara, porém existem espécies que são ovovivíparas.
O ovo desses animais protege o embrião contra a dissecação graças à
presença de uma casca resistente. Nesse ovo aparecem os chamados
anexos embrionários, tais como o saco vitelínico (responsável pela
nutrição do embrião), bolsa amniótica (bolsa de água que protege contra a
desidratação e choques mecânicos), alantoide (responsável pelas trocas
gasosas e excreção) e córion (proteção, além de colaborar com a
respiração).

Podemos classificar os répteis em quatro ordens principais:


 Chelonia: Dentre as suas principais características, podemos
destacar a presença de escudos e plastrões, estruturas muito
importantes para a proteção. Exemplo de representantes:
tartarugas, cágados e jabutis.
 Crocodilia: Os animais dessa ordem apresentam corpo revestido
por placas córneas. Eles são os únicos répteis que possuem
coração com quatro cavidades completamente separadas.
Exemplo: crocodilos e jacarés.
 Squamata: Incluem os representantes que possuem corpo
recoberto por escamas. Exemplos: Cobras (ofídios) e lagartos
(lacertílios).

160
 Rhynchocephalia: Esse grupo é considerado primitivo. Seu corpo é
recoberto por escamas córneas. Exemplo: Tuataras.

ANFÍBIOS
A Classe Amphibia contempla animais geralmente dotados de pele lisa,
rica em glândulas, e que, apesar de não serem aquáticos, têm uma relação
íntima com este ambiente.
São dotados de esqueleto ósseo. Podem apresentar quatro patas ou
serem ápodes (desprovidos de tal estrutura), e cauda (que pode estar
presente ou não; dependendo da ordem em que o indivíduo se encontra).
Larvas têm respiração branquial. Os adultos já apresentam os pulmões
mais desenvolvidos, sendo responsáveis por parte da respiração. Graças à
pele muito fina, e rica em vasos sanguíneos, os anfíbios conseguem
também efetuar trocas gasosas pela pele: é a respiração cutânea.
Quanto à circulação, o sangue pobre em oxigênio chega aos pulmões,
onde é oxigenado. Depois, direciona-se ao coração, sendo bombeado e
transportado às mais diversas partes do corpo, também recolhendo o gás
carbônico; retornando em seguida aos pulmões. Em razão da existência
desses dois trajetos, ela é chamada de circulação dupla, sendo típica de
vertebrados tetrápodes (com quatro patas).
Alguns são dotados de uma longa e pegajosa língua, que se projeta para
fora, capturando alimentos. Isso facilita a sua dieta carnívora, dando
preferência para animais invertebrados, como artrópodes, moluscos,
crustáceos e vermes em geral. No entanto, para aqueles que passam por
estágio larval, a nutrição é oriunda predominantemente de algas e
matéria morta.
Outras estruturas ligadas à alimentação são: esôfago, estômago, intestino
delgado, intestino grosso e cloaca. Esta última, tal como sabemos,
também está relacionada à reprodução.

Tais animais têm dificuldade em enxergar aquilo que não está em


movimento, e por esse motivo é que, em ranários, as rações costumam
ser servidas em recipientes que vibram. Por outro lado, possuem a
audição bem apurada. Indivíduos de Ordem Anura, ainda, possuem
repertórios vocais que auxiliam na identificação daqueles de sua espécie;
e que também são empregados em interações sociais, como defesa de
territórios e atração de fêmeas. Tais sons, chamados vocalização,
geralmente são emitidos por machos.
Os anfíbios mais conhecidos são os sapos, rãs e pererecas: os
representantes da Ordem Anura. Eles não possuem cauda na fase adulta.
Já os da Ordem Caudata, ou Urodela, representados pelas salamandras,
apresentam corpo e cauda longa. Há também a Ordem Gymnophiona, na
qual seus representantes, as cobras-cegas, não apresentam patas, e
costumam viver enterradas no solo.

161
Anfíbios são dioicos, ou seja: não são predominantemente hermafroditas.
Muitos deles são ovíparos (fecundação interna, com liberação de ovos no
meio externo), embora a reprodução desses animais seja bem variável.
Geralmente há ritual de corte, seja com repertórios vocais, sinais táteis ou
mesmo execução de “danças nupciais”.
Após o nascimento, algumas espécies passam por estágio larval,
característica daqueles indivíduos que possuem desenvolvimento indireto.
A fase larval costuma ser aquática. O surgimento gradual das patas, o
desenvolvimento dos pulmões e de mais um átrio no coração, o
encurtamento do intestino, e o desaparecimento da cauda, linha lateral e
brânquias; fazem parte do processo de metamorfose do indivíduo.
A larva dos anuros é chamada girino. Quando ele apresenta patas, mas a
cauda ainda está ali, costumam ser chamados de imagos. Já as larvas das
salamandras não têm nome específico, e apresentam pernas e
características morfológicas bem-parecidas com os adultos. Quanto às
cobras-cegas, o desenvolvimento é direto.
No Brasil, há mais de 875 espécies de anfíbios. Tal número faz com que
nosso país seja um dos que possuem maior diversidade desses animais.

ARTRÓPODES
O Filo Arthropoda abriga animais triblásticos, com pouco celoma, simetria
bilateral e com sistema digestório completo. Além disso, seus
representantes apresentam metameria, sendo chamado de tagma o
conjunto de dois ou mais metâmeros fundidos. A formiga, por exemplo,
possui três tagmas: cabeça, tórax e abdome. Já a aranha, dois: cefalotórax
e abdome.

Formiga e aranha, animais que possuem metâmeros fundidos

Esses seres vivos possuem coração, vasos sanguíneos e hemocele. Eles


também têm sistema muscular desenvolvido. Os artrópodes apresentam
cefalização, e órgãos sensoriais bem desenvolvidos (não nos esquecendo
dos olhos compostos e antenas). Alguns representantes, ainda, são
dotados de asas.

162
Uma das principais características dos artrópodes, no entanto, é o fato de
apresentarem corpo articulado, coberto por esqueleto externo, ou
exoesqueleto. Constituído predominantemente por quitina, ele fornece
uma proteção extra a esses animais, e ponto de apoio para os músculos.
O exoesqueleto desses animais é secretado pela epiderme, e
periodicamente é substituído por um novo, em um fenômeno chamado
muda, ou ecdise. Inicialmente ele se apresenta flexível, tornando-se rígido
com o tempo.

No intervalo compreendido entre a muda e seu enrijecimento, o animal é


capaz de aumentar de tamanho, de forma rápida, geralmente em alguns
minutos ou poucas horas. Depois, seu crescimento cessa, até que uma
nova muda ocorra. Veja o gráfico:

Gráfico demonstrando a evolução do crescimento dos artrópodes

A maioria dos animais existentes em nosso planeta pertence a esse filo,


que costuma ser dividido em três subfilos: Crustacea (representado pelos
tatuzinhos-de-jardim, camarões, lagostas, lagostins, caranguejos, siris,
cracas, etc.); Chelicerata (caranguejos-ferradura, aranhas-do-mar,
aranhas, opiliões, escorpiões, carrapatos e ácaros); e Uniramia (centopeias
e lacraias, piolhos-de-cobra, e os insetos em geral: Classe Insecta).

163
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. Zoologia pode ser definida como sendo:


a) É a parte da Biologia que estuda os animais.
b) É a parte da Biologia que se volta para os organismos pertencentes
ao Reino Animalia.
c) É uma parte da Biologia que estuda os diferentes tipos de animais que
distribuem-se pelos mais variados ambientes e apresentam
representantes de vida aquática, terrestre e até parasitas.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

2. Os peixes são animais que vivem apenas em ambientes aquáticos e


representam o maior grupo de vertebrados que existe. Podem ser classificados
em três grupos principais:
a) Os peixes são animais herbívoros, carnívoros, onívoros.
b) Ágnatos (agnatha), os ósseos (osteíctes) e os cartilaginosos (condrictes).
c) Peixes com escamas, peixes sem escamas e peixes mistos.
d) Peixes das águas doces, das águas salgadas e das águas intermédiarias.

3. O filo Nematoda agrupa animais que apresentam corpo alongado, cilíndrico e


afilado nas extremidades posterior e anterior. Das caracteristicas apresentadas
anteriormente indica qual delas é a caracteristica dos nematoides:
a) Esses animais reproduzem-se de forma sexuada e apresentam machos e
fêmeas com dimorfismo sexual, ou seja, apresentam diferenças
morfológicas que permitem a diferenciação entre esses dois indivíduos.
b) Apesar de serem conhecidos por seus representantes parasitas do
homem, a grande maioria das espécies é de vida livre, sendo encontrada
no solo e ambientes aquáticos.
c) Os nematoides não apresentam sistema respiratório,
realizando respiração cutânea e o sistema digestório é completo,
apresentando uma boca na região anterior do corpo e um ânus na
região posterior.
d) Todas as caracteristicas anteriores estão correctas.

4. Podemos classificar os répteis em quatro ordens principais:


a) Chelonia, Crocodilia, Squamata e Rhynchocephalia.
b) Serpentes, Crocodilos, Jacarés, Lagartos.
c) As classificações a) e b) estão correctas.
d) As classificações a) e b) estão erradas

164
5. Faça ligação com base nas cetas aos elementos abaixo indicados:

Crustacea (representado pelos tatuzinhos-de-


jardim, camarões, lagostas,
lagostins, caranguejos, siris, cracas,
etc.);
Uniramia
(caranguejos-ferradura, aranhas-do-
mar, aranhas, opiliões, escorpiões,
carrapatos e ácaros);

Chelicerata (centopeias e lacraias, piolhos-de-


cobra, e os insetos em geral: Classe
Insecta).

165
UNIDADE Temática 6.2. O Reino dos Animais.

REINO DOS ANIMAIS

O Reino dos animais, ou Reino Animalia, como o nome sugere, abriga os


animais: seres eucariontes, multicelulares e de nutrição heterotrófica, ou
seja, que se alimentam por ingestão. No sistema de cinco reinos, esse taxa
é o mais representativo.
Os animais variam muito, em termos de tamanho, formas, cores e
habitats. Muitos apresentam simetria bilateral, que ajuda no equilíbrio e
na locomoção – esta última é uma característica encontrada na maioria
deles. Além disso, o organismo de muitos já se apresenta organizado em
sistemas. O sistema nervoso e os órgãos sensoriais, por exemplo, auxiliam
bastante os animais na tarefa de se relacionarem com o ambiente em que
vivem, facilitando a captura de alimentos, proteção a predadores, dentre
outros comportamentos. Quanto à reprodução, a forma mais comum é a
sexuada, e há aqueles que se reproduzem tanto assexuadamente quanto
sexuadamente.
O estudo dos animais, na Biologia, é chamado de Zoologia. Na educação
básica, ela tem como objecto de estudo os nove filos principais, em
termos de diversidade: o dos poríferos, cnidários, platelmintos,
nematelmintos, moluscos, anelídeos, artrópodes, equinodermos e
cordados.

Para facilitar ainda mais o estudo, a Zoologia costuma ser, didaticamente,


subdividida em Zoologia dos Invertebrados e Zoologia dos Vertebrados. A
primeira é responsável pelo estudo dos animais que não possuem espinha
dorsal e caixa craniana, ou seja: os oito primeiros listados no parágrafo
anterior; sendo os artrópodes os mais representativos. Quanto à Zoologia
dos Vertebrados, ela é responsável pelos conteúdos específicos do Filo
Chordata, que é dividido em três subfilos: o dos urocordados,
cefalocordados e craniados.
Embora o nome sugira, é incorreto dizer que todos os vertebrados
possuem vértebras, uma vez que alguns cordados não apresentam tal
estrutura, como os representantes dos dois primeiros subfilos citados
(urocordados e cefalocordados); e os da Classe Myxine, do subfilo dos
craniados, representada pelos peixes-bruxa.

CLASSIFICAÇÃO DOS ARTRÓPODES


O Filo Arthropoda abriga os animais mais abundantes do planeta. Eles
apresentam, como característica principal, o corpo articulado; coberto por

166
esqueleto externo (exoesqueleto). Tal estrutura sofre trocas periódicas
(muda ou écdise), secretadas pela epiderme do animal. Além dessas
características, os artrópodes são os únicos invertebrados que podem
apresentar asas.

Uma das maneiras de classificá-los é desta forma:

 Subfilo Crustacea
Representado pelos tatuzinhos-de-jardim, camarões, lagostas, lagostins,
caranguejos, siris, cracas. A maioria dos representantes desse grupo é
aquática, principalmente de ambiente marinho, apresentando hábito
filtrador como forma de capturar alimentos. No entanto, há aqueles que
se alimentam de algas, de outros animais ou mesmo de matéria morta.
O corpo dos crustáceos costuma ser dividido em cefalotórax e abdome;
cabeça e tronco; ou mesmo cabeça, tórax e abdome. O número de patas
varia.
No primeiro tagma, são encontrados dois pares de antenas, além de duas
maxilas e uma mandíbula. Em algumas espécies, o exoesqueleto também
possui substâncias calcárias, fazendo com que se apresente ainda mais
rígido. A respiração é geralmente branquial; e a excreção é feita por
glândulas maxilares e verdes.

O camarão pertence ao filo dos artrópodes e ao subfilo Crustacea

 Subfilo Chelicerata
Representado pelos caranguejos-ferradura (Classe Merostomata),
aranhas-do-mar (Classe Pycnogonida) e os mais conhecidos: aranhas,
opiliões, escorpiões, carrapatos e ácaros (Classe Arachnida).
Como o nome sugere, tais artrópodes, típicos de terra firme, possuem
quelíceras como característica típica do grupo. Além disso, possuem pelo
menos cinco olhos simples, e um par de pedipalpos. Estes funcionam
como órgãos gustativos, auxiliam na manipulação de alimento e podem se
apresentar modificados em órgão de cópula.

167
Esses animais têm corpo dividido somente em cefalotórax e abdome; não
possuem antenas, e geralmente apresentam quatro pares de patas neste
primeiro segmento.
Alguns quelicerados, como certas espécies de aranhas e escorpiões, são
capazes de inocular veneno em suas presas, ou em predadores em
potencial. Nos escorpiões, a estrutura que armazena e inocula veneno é o
aguilhão. Aranhas, ainda, podem apresentar fiandeira, que é uma
estrutura a partir da qual se constroem as teias.
Os quelicerados respiram por filotraqueias, também chamadas de
pulmões foliáceos; a excreção é feita por túbulos de Malpighi e glândulas
coxais.

O escorpião pertence ao filo dos artrópodes e ao subfilo Chelicerata

 Subfilo Uniramia
Centopeias e lacraias (Classe Chilopoda), piolhos-de-cobra (Classe
Diplopoda), e os insetos em geral (Classe Insecta); são os principais
representantes desse grupo. O corpo pode estar dividido em cabeça e
tronco, como é o caso dos indivíduos das duas primeiras classes citadas
anteriormente; ou em cabeça, tórax e abdome, no caso dos insetos.
Os unirâmios (ou unirrâmios) apresentam como característica principal o
fato de possuírem um único par de antenas. Na cabeça, há também
ocelos, sendo que olhos compostos são encontrados somente em algumas
espécies de centopeias. Há geralmente dois pares de maxilas e um de
mandíbulas.
Respiram por meio de traqueias, e os túbulos de Malpighi estão
associados à excreção. Insetos possuem três pares de pernas
e alguns indivíduos também apresentam asas.

168
A lacraia pertence ao filo dos artrópodes e ao subfilo Uniramia

AVES
As aves constituem uma classe de animais normalmente lembrada pelo
voo e canto de alguns de seus representantes. Encontradas em
praticamente todo o globo, são descritas atualmente aproximadamente
10 mil espécies que variam em forma, cor e tamanho. Só em nosso país
são encontradas cerca de 1,8 mil espécies.
Uma das características mais marcante desse grupo é a presença depenas,
uma estrutura epidérmica exclusiva das aves que as protege contra
choques mecânicos, mantém a temperatura corporal e favorece o voo.
Além disso, as penas também atuam impermeabilizando a pele desses
animais.
As penas são lubrificadas por uma substância lipídica produzida por uma
glândula localizada na região da cauda que é denominada deuropigiana. É
possível observar constantemente algumas aves passando o bico na
glândula e posteriormente sobre seu corpo para que a substância seja
espalhada.
Além das penas que auxiliam no voo das aves, estas possuem um
esqueleto muito bem adaptado para essa função. Os ossos desses animais
são bastante porosos (ossos pneumáticos) quando comparados aos dos
outros vertebrados. Isso faz com que essa estrutura seja mais leve que as
outras, diminuindo o peso do corpo e favorecendo o voo.
Ainda em relação ao esqueleto, em aves que voam é possível observar o
osso esterno com uma quilha, estrutura que possui papel crucial para a
locomoção dessas espécies. É na quilha, também chamada de carena, que
se ancoram os músculos peitorais, que ajudam na movimentação das asas.
Vale lembrar, no entanto, que nem toda ave voa.

No que diz respeito à alimentação das aves, elas possuem sistema


digestório completo e dieta variada. Cada ave possui um tipo de bico
específico, que está diretamente associado ao alimento que é ingerido.

169
Esses bicos não apresentam dentes, mais uma característica que ajuda na
redução do peso corpóreo.
Duas estruturas merecem destaque no sistema digestório das aves: o
papo e a moela. O papo é uma região do esôfago onde parte do alimento
fica armazenada e umedecida. Já a moela é uma espécie de estômago
mecânico, uma vez que os alimentos são triturados sem o auxílio de
enzimas. Nesse local é comum encontrar pequenas pedras que o animal
ingere para auxiliar na trituração dos alimentos. O estômago químico é
chamado de proventrículo. Nas aves, o sistema digestório termina
na cloaca, uma região onde também terminam o sistema excretor e o
reprodutor.
O sistema excretor é formado por rins, e a substância excretada é o ácido
úrico. Nesses animais há a ausência de bexiga urinária, sendo assim, dos
rins, o material excretado é levado pelos ureteres até a cloaca, onde é
eliminado com as fezes. Em algumas espécies, existem glândulas de sal,
cuja função principal é a eliminação de grande quantidade de sal. Essa
estrutura é comum em aves marinhas.
A respiração das aves acontece graças a pulmões. Nesses órgãos ligam-se
os sacos aéreos, que não realizam trocas gasosas, porém atuam reduzindo
o peso do corpo das aves e funcionam como uma reserva de ar. É no
sistema respiratório das aves, mais precisamente na bifurcação dos
brônquios, que se encontra a siringe, órgão responsável pela produção do
canto desses animais.
O sistema circulatório é formado por um coração com dois átrios e dois
ventrículos, que impedem a mistura de sangue rico em oxigênio com o
sangue desoxigenado. A circulação é chamada de dupla e completa.
O sistema nervoso é composto por um encéfalo e nervos. Em relação aos
sentidos das aves, elas destacam-se por sua visão e audição bastante
aguçadas. A visão desses animais é em cores, possuem amplo campo
visual e, para protegerem seus olhos durante os voos, possuem uma
membrana fina, chamada de nictitante, que os protege. Além disso,
algumas aves são capazes de perceber campos magnéticos que as ajudam
nas grandes migrações.
No que diz respeito à reprodução das aves, elas possuem diferentes
formas de atração do parceiro. Em algumas espécies, as fêmeas são
atraídas pelo canto do macho; em outras, a atração pode ocorrer através
da exibição de penas e até mesmo por lutas físicas.
Diferentemente de muitos vertebrados, as aves não possuem órgão
especializado para a cópula. As aves costumam apenas colocar as cloacas
próximas, e o macho transfere o espermatozoide para a fêmea. Esses
animais são ovíparos e o desenvolvimento é direto.
Vale destacar que as aves possuem grande importância ecológica. Além
de participarem da cadeia alimentar, esses animais desempenham uma

170
importante tarefa para os vegetais: atuam na polinização de algumas
espécies e como dispersoras de sementes.

PORÍFEROS
Os poríferos, ou filo Porifera, apresentam como representantes animais
com características pouco complexas e que se destacam pela presença de
um corpo rico em poros. Os representantes desse filo são as esponjas,
animais aquáticos que vivem submersos e, na sua grande maioria, são
marinhos. Estima-se que hoje existam mais de 5000 espécies diferentes
de esponjas já descritas.
Os poríferos não possuem tecidos verdadeiros e, portanto, não
apresentam órgãos, sendo considerados os animais mais simples do reino
Animalia. São animais filtradores, sésseis quando adultos e podem
apresentar estágios larvais móveis. Vivem em diferentes profundidades e
sobrevivem em ambientes não poluídos, o que os torna
ótimos bioindicadores da qualidade da água.
Apresentam, normalmente, um corpo assimétrico com uma cavidade
central e uma abertura na região do topo denominada de ósculo. Em
razão da presença de poros, a água consegue penetrar facilmente pelo
corpo do animal e atingir a região central, uma cavidade que recebe o
nome de espongiocela.

A água que entra pelo corpo do porífero leva alimento, minerais e


oxigênio para todas as células. Essa água também leva para fora do corpo
os produtos resultantes da actividade celular, tais como gás carbônico e
excretas.
Apesar de não possuírem tecidos, os poríferos apresentam células
especializadas que atuam para garantir o perfeito funcionamento do
corpo. As células responsáveis por revestir o animal são os pinacócitos,
que possuem formato achatado e estão bastante unidos entre si. Entre os
pinacócitos, existem os porócitos, que, por sua vez, formam os poros por
onde a água passa.
Na espongiocela, é possível encontrar o coanócito, célula com um flagelo
que ajuda na movimentação da água no corpo do porífero. Na base desse
flagelo, encontram-se projeções de membrana plasmática. Elas formam
uma espécie de funil que ajuda a capturar o alimento presente na água. O
alimento capturado é digerido pelo coanócito ou então enviado
aosamebócitos, outro tipo celular que atua na digestão. Como toda a
digestão ocorre no interior das células das esponjas, dizemos que ela é do
tipo intracelular.
Os amebócitos estão localizados entre a camada mais interna da esponja e
a mais externa, em uma região denominadameso-hilo. Nesse local
também se encontram estruturas minerais com função de sustentação,
são as chamadas espículas. Elas podem ser formadas por sílica ou calcário.

171
A grande maioria dos poríferos reproduz-se por brotamento, ou seja, de
forma assexuada. Durante esse tipo de reprodução ocorre a formação de
brotos, que crescem e desprendem-se da esponja que o gerou, dando
origem a um novo indivíduo.
Apesar da forma assexuada ser a mais comum, os poríferos também se
reproduzem de maneira sexuada. Nesse modo de reprodução, o macho
libera o espermatozoide na água, que nada até os óvulos — normalmente
localizados no meso-hilo da esponja fêmea. Forma-se um zigoto que se
desenvolve até a fase de blástula, quando sai do corpo da esponja-mãe
pelo ósculo. A blástula fixa-se e origina uma nova esponja. Algumas
espécies apresentam ainda uma fase larval, portanto, possuem
desenvolvimento indireto.

Podemos classificar os poríferos em três classes principiais: Calcarea,


Desmospongiae e Hexactinellidae.
 Calcarea: Possui apenas representantes marinhos com espículas
formadas principalmente por carbonato de cálcio.
 Desmospongiae: Os representantes são, na sua maioria, marinhos
e apresentam espículas silicosas com um a quatro raios.
 Hexactinellidae: Possui apenas representantes marinhos e
apresentam espículas silicosas com seis raios.

CNIDÁRIOS
O filo Cnidaria representa animais de corpo bastante simples e que vivem
em sua grande maioria em ambiente marinho. Chamados anteriormente
de celenterados, os cnidários englobam mais de 11000 espécies, como os
corais, anêmonas-do-mar e águas-vivas. São encontrados da Linha do
Equador aos polos, sendo abundantes nas águas tropicais. Podem ser
encontrados vivendo de forma solitária ou formando colônias.
Os cnidários são animais diblásticos (possuem dois folhetos germinativos)
e possuem tecidos, simetria radial e apenas um orifício corporal: a boca.
Essa abertura corpórea está rodeada por variados tentáculos que são uma
forma importante de defesa, além de ajudar na captura de alimento.
Nos tentáculos dos cnidários, principalmente, encontram-se estruturas
especializadas que causam irritação denominadas de nematocistos. Eles
atuam como cápsulas que liberam substâncias urticantes em quem os
toca. O nematocisto está localizado em uma célula denominada
de cnidócito, também chamada de cnidoblasto, e contém um fio tubular
enrolado sobre si mesmo. Essa estrutura é ativada quando algo encosta
em uma expansão denominada cnidocílio, que funciona como um gatilho,
disparando o nematocisto.

172
Analise a estrutura de um cnidócito antes e depois da atuação do nematocisto

Nesse grupo de animais surgiu uma novidade evolutiva: a cavidade


digestiva conhecida como cavidade gastrovascular. Essa cavidade está
ligada à boca, possui formato de saco e está relacionada com o processo
de digestão intra e extracelular. Vale destacar que os cnidários são
animais carnívoros e possuem na sua dieta peixes, crustáceos e até
mesmo outros cnidários.
Os cnidários não possuem sistema circulatório, respiratório e excretor.
Também não possuem um sistema nervoso central, mas apresentam um
rede difusa de células nervosas espalhadas pelo corpo. Além disso, vale
destacar que eles possuem órgãos sensoriais simples.
A parede do corpo dos cnidários é formada por dois epitélios: a epiderme
externa e a gastroderme, que reveste a cavidade gastrovascular. Entre os
dois epitélios está localizada a mesogleia, que varia de espessura em cada
espécie, sendo bem desenvolvida em medusas.

Alguns cnidários possuem um ciclo de vida com alternância entre uma


fase livre e natante (medusa) e uma fase séssil (pólipo); outros, no
entanto, apresentam apenas uma dessas fases por toda a vida. Aqueles
que apresentam durante o desenvolvimento a forma de pólipo e medusa
são denominados de metagenéticos.
As medusas possuem corpo gelatinoso em formato que lembra um
guarda-chuva ou um sino, sendo a superfície convexa a superior e a parte
côncava a inferior. Ao movimentar-se, as medusas, normalmente, deixam
sua boca voltada para baixo. Como exemplo dessa forma de cnidários,
podemos citar as águas-vivas. Os pólipos, por sua vez, possuem corpo
tubular com boca circundada por tentáculos moles. São exemplos dessa
forma as hidras e anêmonas (veja figura a seguir).

173
As anêmonas são cnidários na forma polipoide

As medusas são responsáveis pela reprodução sexuada dos cnidários,


enquanto os pólipos relacionam-se com a reprodução assexuada. Entre as
formas de reprodução assexuada, podemos citar a bipartição, brotamento
e a estrobilização. Essa última forma caracteriza-se pela formação de
pilhas nos pólipos que se diferenciam em medusas e soltam-se.

O Filo Cnidaria geralmente é dividido em quatro classes principais:


 Anthozoa: Apresentam apenas fase polipoide, são marinhos e
representam a maior classe do Filo Cnidaria. Exemplo: Anêmonas-
do-mar e corais.
 Hydrozoa: Possuem fase polipoide predominante e vivem, em sua
maioria, em água salgada. Exemplo: Caravela-portuguesa (Physalia
pelagica).
 Scyphozoa: Animais exclusivamente marinhos que possuem a
forma medusoide predominante. Exemplo: águas-vivas.
 Cubozoa: Possuem forma medusoide predominante, mas os
representantes desse grupo apresentam formato cúbico.
Exemplo: Chiropsalmus quadrumanus.

PLATELMINTOS
O Filo Platyhelminthes, ou simplesmente platelmintos, reúne um grupo
de organismos que possuem corpo alongado e achatado
dorsoventralmente. Muitos costumam chamar os representantes desse
grupo simplesmente de vermes achatados, em razão da ausência de patas
e do formato de fita característico.
Alguns representantes desse grupo possuem vida livre, tais como as
planárias. Todavia, esses organismos destacam-se por suas formas
parasitas, como é o caso do Schistosoma mansoni e da Taenia. Vale
destacar que, entre os platelmintos de vida livre, a maioria encontra-se no
mar, mas existem espécies de água doce e terrestres.

174
Os platelmintos foram o primeiro grupo de organismos que
apresentousimetria bilateral, ou seja, corpo que pode ser dividido em
duas metades iguais. Além da simetria, podemos destacar como
características: a presença de três folhetos germinativos (triblásticos),
ausência de celoma (acelomados) e corpo dividido em segmentos
(ametaméricos).
Esses animais possuem sistema digestório incompleto, mas há alguns
representantes, como a Taenia, em que esse sistema encontra-se ausente.
O sistema excretor é constituído por protonefrídios – túbulos ramificados
com uma célula excretora na extremidade. Essa célula pode apresentar
um flagelo, recebendo o nome de solenócito, ou apresentar vários
flagelos, sendo denominada de células flama. A respiração ocorre por
difusão, sendo, portanto, cutânea. Esses animaisnão possuem sistema
circulatório.

Observe o sistema nervoso da planária do tipo ganglionar

Os platelmintos possuem sistema nervoso centralizado e ganglionar com


dois gânglios nervosos de onde partem dois cordões que se estendem
pelo corpo. Desses cordões partem os nervos que atuam no controle de
músculos e no recebimento de estímulos. Como órgãos sensoriais, alguns
desses animais apresentam estruturas quimiorreceptoras e
fotorreceptoras.
A reprodução dos platelmintos varia de acordo com o grupo estudado,
podendo ser assexuada ou sexuada. Entre as formas assexuadas,
podemos citar a fissão transversal e a regeneração. No caso da
reprodução sexuada, destacam-se a autofecundação e a fecundação
cruzada.

Geralmente os platelmintos são classificados em três grandes grupos:


 Classe Turbellaria: Engloba organismos de hábito aquático e de
ambientes terrestres hhúmidaos, ou seja, apenas seres de vida
libre. Dentre seus representantes podemos citar a planária.

175
 Classe Trematoda: Engloba organismos que são ecto ou
endoparasitas, ou seja, que vivem, respectivamente, externa ou
internamente no corpo do hospedeiro. Como exemplo, podemos
citar o Schistosoma mansoni.
 Classe Cestoda: Todos os representantes são endoparasitas sem
sistema digestório. Entre seus representantes, podemos citar
a Taenia.

Como já salientado, algumas espécies de platelmintos são parasitas e


responsáveis por doenças em vários animais, inclusive nos humanos. Entre
as principais doenças causadas por platelmintos, podemos citar a
esquistossomose, a teníase e a cisticercose.

Atenção: Para ampliar seus conhecimentos sobre as doenças causadas por


seres desse grupo e por nematoides, acesse nosso conteúdo exclusivo
sobre Verminoses.
Por Ma. Vanessa dos Santos

ANELÍDEOS
Os anelídeos (Filo Annelida) são animais triblásticos, que apresentam
celoma (cavidade revestida pela mesoderme) e possuem o corpo
composto por segmentos (metameria). Entre os representantes desse filo,
podemos citar a minhoca, animal muito usado como isca em pescarias e
conhecido graças à capacidade de formação do húmus. Além disso,
existem espécies marinhas, como os poliquetas; e ectoparasitas, como as
sanguessugas.
Os segmentos do corpo dos anelídeos são denominados metâmeros. Cada
segmento é separado internamente por uma membrana que apresenta
musculatura própria, ou seja, o alongamento e encurtamento dos
segmentos independem um dos outros. Além disso, é encontrado um par
de gânglios nervosos, um par de órgãos excretores e um par de bolsas
celômicas em cada metâmero.
Os anelídeos possuem um sistema circulatório fechado, composto por
dois vasos longitudinais ligados por meio de vasos laterais. Na região
anterior, os vasos laterais possuem capacidade de contração,
impulsionando, assim, o sangue. Graças a essa capacidade de bombeá-lo,
são chamados de corações laterais. Os anelídeos possuem hemoglobina,
mesmo pigmento existente no sangue dos seres humanos. Essa
substância, formada principalmente por ferro, ajuda no transporte de
oxigênio.
O sistema digestório é completo, ou seja, possui boca e ânus, e a digestão
é externa. Sua alimentação baseia-se praticamente na ingestão de matéria
orgânica vegetal em decomposição. Entretanto, podem apresentar

176
espécies com outros tipos de alimentação, é o exemplo da sanguessuga,
que se alimenta de sangue de outros animais.

Nesses animais, as trocas gasosas ocorrem pela pele, em alguns


representantes, e em brânquias, em outros. Os poliquetas são exemplos
de representantes que respiram por brânquias, enquanto as minhocas e
sanguessugas apresentam respiração cutânea.
O sistema nervoso apresenta-se como um cordão nervoso ventral que
possui um par de gânglios por metâmero. Na parte anterior do animal,
existe um par de gânglios cerebrais que funcionam como um “cérebro”.
Desses gânglios ramificam-se nervos para os músculos e células sensoriais.
O sistema excretor é formado por metanefrídeos, que são constituídos
pelo nefróstoma, estrutura ciliada em forma de funil que atua retirando
substâncias do fluido celomático, e o nefridióporo, que é a região por
onde as substâncias indesejáveis são eliminadas.
Podemos dividir o filo em três classes de acordo com o número de cerdas:
oligoquetos, poliquetos, hirudíneos.
Os oligoquetos são caracterizados por possuírem poucas cerdas. A maioria
dos representantes é terrestre, mas existem representantes de água doce.
Nesse grupo, podemos incluir as minhocas. Esses animais são
hermafroditos, fazem fecundação cruzada e seu desenvolvimento é
direto.
Os poliquetos são marinhos e apresentam muitas cerdas. Alguns têm
hábito de vida livre-natante, outros vivem de modo séssil. Possuem sexos
separados, fecundação externa e desenvolvimento indireto.
Os hirudíneos são anelídeos que não possuem cerdas. A grande maioria
vive em água doce, entretanto existem representantes de água salgada e
ambientes hhúmidaos. Podemos citar as sanguessugas como seus
representantes. Eles são hermafroditos, com fecundação cruzada e
desenvolvimento direto.

ARACNÍDEOS
Os artrópodes são invertebrados bastante diversificados que ocupam
praticamente todos os ambientes do planeta. O sucesso desse grupo
deve-se principalmente à presença de um exoesqueleto de quitina que
protege o corpo do animal. Além do exoesqueleto, esse grupo é
caracterizado pela presença de patas articuladas (aspecto que originou
seu nome: Athos = articulados; podos = pé).
Os artrópodes podem ser divididos em quatro subfilos: Crustacea,
Hexapoda, Myriapoda e Chelicerata. O subfilo Chelicerata apresenta corpo
dividido em cefalotórax (prossoma) e abdômen (opistossoma), não possui
antenas, além de deter quatro pares de patas, quelíceras e pedipalpos.
Nos escorpiões, o abdômen é dividido em tronco (mesossoma) e cauda
(metassoma). Na região da cauda é encontrada uma estrutura que é usada

177
para inocular a peçonha (télson). Nos ácaros, o cefalotórax e o abdômen
parecem fundidos em uma única peça.
As quelíceras e pedipalpos atuam ajudando o animal na captura do
alimento, bem como na dilaceração. Nas quelíceras das aranhas é
encontrado veneno. O pedipalpo também pode ser usado na reprodução.

O subfilo Chelicerata divide-se em três classes: Merostomata,


Pycnogonida e Arachnida. A classe Arachnida apresenta representantes
geralmente terrestres. Como exemplos dessa classe, podem ser citados as
aranhas, escorpiões, carrapatos e ácaros.
Os aracnídeos alimentam-se principalmente de outros artrópodes,
apresentam sistema digestório completo e, em escorpiões e aranhas, a
digestão é parcialmente extracorpórea. As aranhas, ao realizarem a
captura, mantêm a presa próxima à boca, assim é possível que as
substâncias digestivas atuem sobre ela. Depois desse processo, a aranha
suga os líquidos do animal.
Os aracnídeos possuem olhos simples. A respiração é realizada por
intermédio de órgãos denominados filotraqueias. Nas aranhas, além das
filotraqueias, encontram-se as traqueias. A excreção é feita por órgãos
especializados denominados túbulos de Malpighi e por glândulas coxais.
Os sexos desses animais são separados, a fecundação é interna e o
desenvolvimento é direto, sem desenvolvimento de larvas para os
escorpiões e aranhas. Nos ácaros, surge uma larva, sendo, portanto, seu
desenvolvimento indireto.
A cópula dos aracnídeos acontece de várias maneiras. Nos escorpiões, o
acasalamento acontece depois de uma “dança nupcial”, que resulta na
liberação do espermatóforo no solo e posterior fecundação da fêmea, que
é colocada sobre o espermatóforo. Nos escorpiões do gênero Tityus, a
gestação dura três meses e, após o parto, os filhotes ficam no dorso da
mãe até a primeira muda. Algumas espécies reproduzem-se por
partenogênese, ou seja, sem a necessidade de um macho. Nas aranhas, a
cópula pode ser trágica, uma vez que, em algumas espécies, a fêmea come
o macho após o acasalamento.

Algumas espécies de aracnídeos são de grande importância médica. Veja


abaixo:
 Os ácaros são animais relacionados ao desencadeamento de
respostas alérgicas, como rinites e asmas. Além disso, a
espécie Sarcoptes scabiei é responsável pelo aparecimento de
sarnas.
 As aranhas são animais ditos peçonhentos e inoculam seu veneno
das peças bucais. O veneno pode causar desde pequenas irritações
no local da picada até a morte. Entre as espécies venenosas
brasileiras, destacam-se a aranha-marrom (Loxosceles spp.), a

178
aranha-amadeira (Phoneutria spp.), a viúva-negra (Latrodectus) e a
tarântula (Lycosa spp).
 No Brasil, destacam-se dois escorpiões venenosos: o escorpião-
amarelo (Tityus serrulatus) e o marrom (Tityus bahiensis).
Em caso de acidentes com aranhas e escorpiões, um médico deverá ser
consultado para que seja aplicado o soro antipeçonhento. Para evitar
acidentes, verifique sempre seus sapatos e roupas antes de se vestir,
mantenha a casa limpa, evitando insetos que servem de alimento para
esses animais, evite o acúmulo de entulhos e não deixe camas e berços
em contato com as paredes.

EQUINODERMOS
O filo Echinodermata reúne animais invertebrados exclusivamente
marinhos que possuem como representantes os pepinos-do-mar, as
estrelas-do-mar, os ouriços-do-mar, entre outros. Seu nome é está
relacionado ao fato de possuírem o corpo coberto por espinhos (echinos =
espinho; derma = pele). Além dos espinhos, no corpo de alguns
representantes encontramos estruturas chamadas de pedicelárias, que
ajudam na remoção de detritos do corpo do animal. Em algumas espécies,
essa estrutura possui veneno.
São animais triblásticos que apresentam simetria bilateral quando no
estágio larval e radial (pentarradial) quando adultos. São celomados, não
possuem corpo segmentando e apresentam endoesqueleto. Além disso,
esses animais são deuterostômios, ou seja, o blastóporo origina o ânus
primeiro que a boca. O facto de serem deuterostômios deixa esse filo mais
próximo dos cordados.

Além disso, são animais que possuem respiração geralmente branquial, o


sistema digestório é completo e o sistema nervoso é constituído por um
anel nervoso ao redor da boca de onde saem os nervos radiais. A
distribuição das substâncias pelo corpo do animal faz-se normalmente
pelo fluido celomático. A excreção é feita no sistema hidrovascular.
Os equinodermos locomovem-se graças à presença de um sistema de
locomoção denominado sistema ambulacrário ou hidrovascular. Esse
sistema é constituído por uma placa madrepórica, que permite a entrada
de água no corpo do animal. Essa placa comunica-se com um canal circular
de onde saem canais radiais. Cada canal apresenta várias ampolas que se
ligam aos chamados pés ambulacrários. Quando as ampolas contraem-se,
a água é levada aos pés ambulacrários, que inflam e fixam-se ao substrato.
A fixação acontece graças à presença de ventosas na ponta dos pés. Para
soltar do substrato, os pés contraem-se, empurrando a água de volta para
as ampolas. Esse sistema, além de permitir a locomoção, é muito
importante na captura de presas. É uma característica exclusiva desse filo.

179
Nos ouriços-do-mar, é possível perceber uma estrutura formada por cinco
dentes calcários que atuam ajudando na alimentação do animal. Essa
estrutura é denominada lanterna-de-aristóteles.

Os ouriços-do-mar possuem uma estrutura chamada lanterna-de-aristóteles, que ajuda na


alimentação do animal

Os equinodermos possuem sexos separados e a fecundação é externa com


desenvolvimento indireto, ou seja, com formação de larvas.
Um fato interessante acerca desses animais é sua alta capacidade de
regeneração. Uma estrela-do-mar que perdeu todos seus braços, por
exemplo, pode se regenerar completamente.

Os equinodermos podem ser classificados em cinco classes distintas:


 Classe Asteroidea – Exemplo: Estrelas-do-mar.
 Classe Echinoidea - Exemplos: Ouriço-do-mar e bolachas-da-praia.
 Classe Ophiuroidea - Exemplo: Serpentes-do-mar.
 Classe Crinoidea - Exemplo: Lírios-do-mar.
 Classe Holothuroidea - Exemplo: Pepinos-do-mar.

FILO CHORDATA
Nós, homens, pertencemos a um filo chamado de Chordata. Os
representantes dos cordados são celomados, triblásticos, metamerizados,
deuterostômios e com simetria bilateral.
Além das características já citadas, algumas delas são exclusivas dos
cordados e estão relatadas a seguir. Vale destacar que as características
abaixo relacionadas podem estar ou não no indivíduo adulto, entretanto
sempre aparecem em alguma fase da vida do animal.
 Tubo nervoso dorsal: responsável pelo surgimento do sistema
nervoso. É originado de invaginações do ectoderma;
 Notocorda: responsável pelo sustentamento do corpo do embrião.
Em muitas espécies, a notocorda desaparece ainda no

180
desenvolvimento embrionário. Essa estrutura é derivada do
mesoderma;
 Fendas faringianas: fendas localizadas na região lateral da faringe.
Nos cordados aquáticos, elas dão origem às brânquias, enquanto
nos terrestres as fendas desaparecem ainda no início do
desenvolvimento;
 Cauda musculosa pós-anal: ela é encontrada em alguns animais,
enquanto em outros desaparece ainda na fase embrionária, como
nos humanos. Outros animais apresentam essa cauda por toda a
vida e, neles, ela tem a função de ajudar na captura de alimentos,
na natação, entre outras.

O filo é subdividido em três subfilos chamados de: Urochordata


(urocordados), Cephalochordata (cefalocordados) e Vertebrata
(vertebrados).
Os dois primeiros constituem o que chamamos de protocordados. Eles
não possuem crânio nem vértebras.
Os urocordados caracterizam-se por possuir a notocorda na região da
cauda na fase de larva. Essa notocorda não persiste nos adultos. Outra
característica importante é a presença de uma túnica de tunicina
(carboidrato) que reveste o corpo do animal. Como exemplo, podemos
citar as ascídias.
Os cefalocordados, diferentemente dos urocordados, possuem notocorda
que se estende da região da cauda até a região do rostro (região anterior)
e que permanece durante toda a vida. As fendas branquiais atuam
filtrando o alimento e na respiração. O anfioxo é um exemplo de
cefalocordado.
Os vertebratas caracterizam-se por possuírem notocorda na fase
embrionária, que é substituída pela coluna vertebral. Vale destacar que a
notocorda não dá origem à coluna. Possuem endoesqueleto ósseo ou
cartilaginoso, composto por um eixo principal (crânio e coluna vertebral).
Dentro desse subfilo estão incluídos os peixes, anfíbios, répteis, aves e
mamíferos.

ÁCAROS
Os ácaros são aracnídeos pertencentes à subclasse Acari. Possuem
quelíceras, que variam muito de uma espécie para outra, quatro pares de
patas quando adultos e não apresentam antenas. Podem ser classificados
em duas ordens dentro da subclasse Acari, Parasitiformes e Acariformes, e
apresentam mais de 30 mil espécies diferentes.
Esses artrópodes apresentam órgãos capazes de receber estímulos
sensoriais, além de ocelos, uma espécie de olho. São de pequena

181
dimensão, com tamanho que varia entre 0,2 e 0,33 mm, e servem de
alimento para aranhas, insetos e até mesmo outros ácaros.

 Onde os ácaros vivem?


Os ácaros são encontrados em diferentes habitat, tais como solo, plantas,
pelos de animais, poeira, água e até mesmo a pele humana. Demodex
folliculorum e o Demodex brevis são as duas espécies encontradas na pele
dos homens. O primeiro é encontrado em poros e folículos pilosos, e o D.
brevis é encontrado em glândulas sebáceas. O ácaro Demodex
folliculorum está relacionado com a formação de cravos na pele.
Os ácaros também podem ser encontrados no nosso lar, em locais como
almofadas, colchões, travesseiros e tapetes. Nesses locais, esses animais
encontram poeira, restos de comida e pele, além de um ambiente escuro
e quente ideal para o seu desenvolvimento.

 Do que os ácaros se alimentam?


Assim como o local em que vivem, a forma de alimentação também é
variada. Existem ácaros que se alimentam de vegetais, pequenos
artrópodes, fungos e até mesmo excrementos. Existem ainda as espécies
que vivem em nosso corpo, alimentado-se das escamas de pele que
liberamos.

 Os ácaros podem causar danos à saúde humana?


Os ácaros que vivem em poeira domiciliar são os principais responsáveis
por danos à saúde dos seres humanos, uma vez que podem provocar
reações alérgicas em pessoas que possuem problemas respiratórios, tais
como asma e rinite. Esses animais vivem, principalmente, em colchões,
cobertores, tapetes, cortinas e almofadas, sendo necessário sempre expor
esses objectos ao sol e utilizar o aspirador de pó para diminuir a incidência
desses organismos.
Além das alergias, ácaros também são responsáveis por outros problemas
de saúde. A espécie Sarcoptes scabie, por exemplo, é um tipo de ácaro
responsável pela escabiose ou sarna, uma doença contagiosa que provoca
coceira intensa na pele. Além dessa espécie, devemos citar novamente
o Demodex folliculorum, que está relacionado com a formação de cravos.

INSETOS
Os insetos, que pertencem ao filo dos artrópodes, são o maior grupo de
animais existente, com mais de 900.000 espécies distintas. A principal
característica que concedeu esse grande sucesso adaptativo aos insetos é
a sua capacidade de voo, que permite a esses animais fugir de predadores,
buscar alimentos ou até mesmo procurar por condições ambientais que
favoreçam sua sobrevivência. Os insetos ocupam diversos ambientes, mas
a maior quantidade de espécies está no meio terrestre.

182
Características gerais dos insetos
Os insetos, assim como outros artrópodes, possuem um exoesqueleto
quitinoso em seu corpo, o qual está relacionado, principalmente, com a
proteção contra predadores e a perda excessiva de água. Além disso,
apresentam apêndices pareados e articulados e uma musculatura
desenvolvida (ALMEIDA, 2007).

O sistema circulatório dos insetos é do tipo aberto, ou seja, o sangue, ou


hemolinfa, não corre exclusivamente no interior de vasos. Além disso,
esses animais apresentam sistema nervoso constituído por um gânglio
cerebral na cabeça, que é de onde parte uma cadeia nervosa que se
expande ventralmente pelo corpo. Também se observa a presença de
nervos associados a essas estruturas.
A respiração ocorre por meio de estruturas denominadas de traqueias,
que captam o oxigênio atmosférico e fornecem-no para todas as células.
As excretas dos insetos são eliminadas pelos túbulos de Malpighi, um tipo
de estrutura excretora também presente em alguns aracnídeos.

Características que distinguem insetos de outros artrópodes


Os insetos apresentam características específicas, a saber:
 Corpo dividido em cabeça, tórax e abdome;
 Três pares de pernas no tórax;
 Um par de antenas;
 Asas, que podem ou não estar presentes (isso varia de acordo com a
espécie estudada);
 Diferentes aparelhos bucais adaptados à sua forma de alimentação.

Observe algumas das principais partes do corpo de um inseto

Desenvolvimento dos insetos


Os insetos apresentam diferentes formas de desenvolvimento. Alguns
insetos, como a traça, apresentam aparência semelhante a um adulto

183
(desenvolvimento direto), mas são menores. Outros insetos, no entanto,
apresentam-se bastante diferentes na fase jovem e na fase adulta, o que
indica que eles passam por metamorfose (desenvolvimento indireto).
A metamorfose pode ser incompleta ou completa. Na metamorfose
incompleta, também chamada de gradual, os insetos possuem
características semelhantes às do adulto e tornam-se mais parecidos a
cada muda. No caso dos gafanhotos, por exemplo, na fase jovem, eles não
apresentam asas e seus órgãos reprodutivos não estão desenvolvidos. O
estágio imaturo recebe o nome de ninfa, quando o organismo é terrestre,
e náiade, quando aquático.
Existe ainda a metamorfose completa, que ocorre em insetos que
possuem um estágio jovem bastante diferente do adulto. Esse é o caso da
borboleta, que apresenta as seguintes fases de desenvolvimento: ovo,
lagarta, pupa e borboleta.
Insetos que apresentam desenvolvimento direto são chamados
de ametábolos. Aqueles que apresentam desenvolvimento indireto e
metamorfose incompleta são chamados de hemimetábolos. Por fim,
temos aqueles que apresentam desenvolvimento indireto com
metamorfose completa: os holometábolos.

Relação dos insetos com os seres humanos


Vários insetos são conhecidos pela sua capacidade de transmitir
doenças ao homem, como é o caso do mosquito Aedes aegypti, que
transmite dengue, chikungunya e zika. Além dos mosquitos, temos alguns
insetos parasitos, como os piolhos e as pulgas, e insetos que causam
danos materiais, como os cupins, que atacam as madeiras.
Mesmo causando certos malefícios, os insetos são essenciais para diversas
espécies de seres vivos. Entre os principais papeis exercidos pelos insetos
no ambiente e para a sociedade, podemos citar:
 Participação na polinização de diversas espécies vegetais;
 Participação na cadeia alimentar;
 Produção de produtos de valor econômico: mel, cera e corante;
 Papel na Criminalística (entomologia forense).

CRUSTÁCEOS
Os crustáceos formam um grupo de animais que pertencem ao filo
Arthropoda e, por isso, apresentam características típicas desse filo, como
presença de exoesqueleto, pernas articuladas e corpo segmentado. O
subfilo Crustacea (crusta = crosta) possui esse nome porque seu
exoesqueleto está impregnado de carbonato de cálcio, o que garante uma
proteção superior quando comparados a outros artrópodes.
Como representantes dos crustáceos, grupo que apresenta mais de
60.000 espécies, podemos citar os caranguejos, camarões, lagostins,
lagostas e tatuzinhos-de-jardim. Percebe-se, portanto, que, em sua

184
maioria, são grupos encontrados no ambiente aquático, mas também há
espécies terrestres.
Os crustáceos apresentam uma grande variedade morfológica, sendo
considerados um dos grupos mais diversificados. O menor crustáceo
apresenta cerca de 100 µm, e os maiores, como o caranguejo-aranha do
Japão, apresentam até 4 m de abertura de pernas.

O caranguejo-aranha japonês pode apresentar até 4 metros de aberturas de pernas.

Características gerais
Os crustáceos possuem simetria bilateral e corpo dividido em cefalotórax
e abdome ou, ainda, cabeça, tórax e abdome. Como dito,
seu exoesqueleto é formado por quitina e também carbonato de cálcio, o
que aumenta a resistência da estrutura.
Apresentam dois pares de antenas na cabeça, o que é uma característica
única nos artrópodes, que geralmente apresentam apenas um par.
Também possuem um par de mandíbulas, comumente cobrindo a boca,
e dois pares de maxilas.

O tatuzinho-de-jardim é um representante terrestre dos crustáceos.

As trocas gasosas ocorrem normalmente por meio de brânquias ou por


meio de locais especializados na superfície do corpo do animal. O oxigênio
é transportado no sangue (hemolinfa) em solução ou associado à
hemoglobina ou hemocianina.

185
O sistema nervoso é formado por cérebro, cordões nervosos e gânglios.
Possuem ocelos ou olhos compostos. Esses últimos, muitas vezes, estão
presentes em pedúnculos móveis e são encontrados na maioria dos
adultos. O tubo digestivo desses animais é completo, e a excreção ocorre
por glândulas maxilares ou antenais, sacos cegos que se abrem nas
maxilas ou antenas, respectivamente.
Os crustáceos geralmente são dioicos, ou seja, apresentam sexos
separados, mas existem espécies hermafroditas, como as cracas.
A fecundação é interna – normalmente com cópula – e o
desenvolvimento é geralmente indireto (com estágio larval). Entretanto,
existem espécies com desenvolvimento direto (sem estágio larval).

Importância econômica e ecológica


Os crustáceos ocupam diferentes níveis tróficos, sendo especialmente
importantes nas cadeias alimentares aquáticas. Há uma grande variedade
de dietas e formas de alimentação, existindo espécies predadoras,
filtradoras e até parasitas. É importante citar a presença de
microcrustáceos na composição do zooplâncton – o grupo de
conshumidores primários em vários ambientes aquáticos. Vale frisar que
os crustáceos são conhecidos principalmente por sua importância
econômica, uma vez que são amplamente utilizados na alimentação
humana, como o camarão e a lagosta.

O camarão e a lagosta são espécies de crustáceos amplamente utilizadas na alimentação


humana

METAMORFOSE

186
Podemos definir metamorfose como as modificações perceptíveis na
anatomia dos seres vivos durante seu ciclo de vida. Isso quer dizer que o
organismo nasce com uma forma e sofre grandes modificações em seu
corpo durante seu desenvolvimento, tornando-se completamente
diferente na fase adulta. Isso pode ser percebido nasrãs, por exemplo, que
apresentam o girino na sua fase juvenil; ou ainda as borboletas, que são
lagartas quando nascem (ALMEIDA, 2007).
Dizemos que organismos que realizam metamorfose apresentam
desenvolvimento indireto. Já os organismos, como os seres humanos, que
não possuem grandes modificações corpóreas durante seu ciclo de vida
apresentam o que chamamos de desenvolvimento direto.

Metamorfose completa e incompleta


As metamorfoses podem ser classificadas em completas e incompletas.
 Metamorfose completa: O estágio imaturo é muito diferente da
forma adulta, podendo ocorrer variação não só na morfologia,
como também no habitat e nos hábitos alimentares. Como
exemplo de metamorfose completa, podemos citar alguns
mosquitos que eclodem do ovo como larva na água, entram em
um estágio conhecido como pupa e tornam-se adultos.
 Metamorfose incompleta: nesse tipo de metamorfose, a mudança
nos organismos é gradual. Esse é o caso dos gafanhotos, que
apresentam, inicialmente, um organismo jovem (a ninfa) que não
possui asas; depois, observa-se a ninfa com asas em formação até
se tornar um indivíduo adulto.

As borboletas: Um caso de metamorfose


(ALMEIDA, 2007), afirma que as borboletas são, sem dúvidas, um dos
casos mais comuns de metamorfose. Inicialmente esses organismos
eclodem do ovo na forma de lagartas, animais de corpo alongado e
cilíndrico. Essas lagartas alimentam-se intensamente de folhas, retirando
os nutrientes e a água necessária para a sua sobrevivência. Após o estágio
de lagarta, esta se prende pela região posterior de seu corpo e inicia-se a
formação da crisálida (casulo). Nesse estágio, a sobrevivência é
conseguida graças às reservas adquiridas na fase de lagarta. Após algumas
semanas, a borboleta formada e adulta sai do interior dessa estrutura e
inicia a última fase do ciclo, que pode durar até um ano, a depender da
espécie analisada.
Curiosidade: Além de insetos e anfíbios, a metamorfose pode ser
observada em moluscos, equinodermos e até mesmo em algumas
espécies de peixes.

187
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. Das afirmações abaixo coloque V nas afirmações Verdadeiras e F nas Falsas.


a) É correto dizer que todos os vertebrados possuem vértebras, uma vez que
alguns cordados não apresentam tal estrutura.
b) Os artrópodes são os únicos invertebrados que podem apresentar asas.
c) Os animais variam muito, quanto ao tamanho, formas, cores e habitats.
d) Para facilitar ainda mais o estudo, a Zoologia costuma ser, didaticamente,
subdividida em Invertebrados e Vertebrados.

2. O Filo Cnidaria geralmente é dividido em quatro classes principais:


a) Calcarea, Desmospongiae, Brotaento e Hexactinellidae.
b) Anthozoa, Hydrozoa, Scyphozoa e Cubozoa
c) Subfilo Uniramia, Subfilo Chelicerata, Subfilo Crustacea e o Subfilo
Hydrozoa.
d) As respostas a) e b) estão erradas.

3. Entre os principais papeis exercidos pelos insetos no ambiente e para a


sociedade, podemos citar:
a) Participação na polinização de diversas espécies vegetais e na cadeia
alimentar;
b) Produção de produtos de valor econômico: mel, cera e corante;
c) Papel na Criminalística (entomologia forense);
d) Todas as opções estão correctas.

4. Com base nas cetas faça ligações das classificações de classes dos
equinodermos com os respectivos exemplos:
Classe Exemplos
Echinoidea Serpentes-do-mar.
Ophiuroidea Ouriço-do-mar e bolachas-da-praia
Crinoidea Lírios-do-mar.
Holothuroidea Estrelas-do-mar.
Asteroidea Pepinos-do-mar.

5. Pode-se dizer que algumas espécies de aracnídeos são de grande importância


médica são:
a) Os ácaros, as aranhas e os escorpiões
b) Os caranguejos, camarões, lagostins, lagostas e tatuzinhos-de-jardim
c) Calcarea, Desmospongiae e Hexactinellidae.
d) Anthozoa, Hydrozoa, Scyphozoa e Cubozoa.

188
Sumário

O tema findo tratou acerca da Zoologia. Este tema é composto


por duas unidades temáticas nomeadammente: a dos Conceitos
Básicos em Zoologia e o Reino dos Animais.
O Filo Cnidaria geralmente é dividido em quatro classes
principais: Anthozoa, Hydrozoa, Scyphozoa e Cubozoa

Os nematoides não apresentam sistema respiratório,


realizando respiração cutânea e o sistema digestório é completo,
apresentando uma boca na região anterior do corpo e um ânus
na região posterior. Esses animais reproduzem-se de forma
sexuada e apresentam machos e fêmeas com dimorfismo sexual,
ou seja, apresentam diferenças morfológicas que permitem a
diferenciação entre esses dois indivíduos. Apesar de serem
conhecidos por seus representantes parasitas do homem, a
grande maioria das espécies é de vida livre, sendo encontrada no
solo e ambientes aquáticos.
Nenhum organismo pertencente a esse reino consegue produzir
seu alimento, retirando sempre sua energia de fontes externas
de matéria orgânica.

Os peixes são animais que vivem apenas em ambientes aquáticos


e representam o maior grupo de vertebrados que existe. Podem
ser classificados em três grupos principais: Ágnatos, os ósseos
os cartilaginosos.
Metamorfose são as modificações perceptíveis na anatomia dos
seres vivos durante seu ciclo de vida. Isso quer dizer que o
organismo nasce com uma forma e sofre grandes modificações
em seu corpo durante seu desenvolvimento, tornando-se
completamente diferente na fase adulta.
Os peixes são animais que vivem apenas em ambientes aquáticos
e representam o maior grupo de vertebrados que existe. A água
que entra pelo corpo do porífero leva para fora do corpo os
produtos resultantes da actividade celular, tais como gás
carbônico e excretas.

189
UNIDADE Temática 6.3. EXERCÍCIOS deste tema.

1. Para a frase “os animais apresentam como característica primordial a nutrição


heterotrófica”. Isso quer dizer que:
a) Alguns organismos pertencentes a esse reino conseguem produzir seus
alimentos, retirando sempre sua energia de fontes externas de matéria
orgânica.
b) Nenhum organismo pertencente a esse reino consegue produzir seu
alimento, retirando sempre sua energia de fontes externas de matéria
orgânica.
c) Todos organismos pertencentes a esse reino conseguem produzir os
seus alimentos, retirando sempre sua energia de fontes externas de
matéria orgânica.
d) Certos organismos pertencentes a esse reino conseguem produzir os
seus alimentos, retirando sempre sua energia de fontes externas de
matéria orgânica.

2. Os peixes são animais que vivem apenas em ambientes aquáticos e


representam o maior grupo de vertebrados que existe. Podem ser classificados
em três grupos principais:
a) Herbívoros, carnívoros e onívoros.
b) Pequenos, médios e grandes.
c) Ágnatos, os ósseos os cartilaginosos.
d) Todas opções estão corectas.

3. Algumas espécies de peixes na época de reprodução nadam até próximo à


nascente dos rios para colocar seus ovos. Esse fenômeno recebe o nome de
piracema.
a) Nessa época, estas espécies são separadas.
b) Nessa época, é proibida o desenvolvimento de outras actividades no rio.
c) Nessa época, os machos ajudam as suas femêas a controlaem os ovos.
d) Nessa época, a pesca é proibida.

4. Podemos definir metamorfose como as modificações perceptíveis na anatomia


dos seres vivos durante seu ciclo de vida. Isso quer dizer que o organismo nasce
com uma forma e sofre grandes modificações em seu corpo durante seu
desenvolvimento, tornando-se completamente diferente na fase adulta.
Seleccione a opção correcta:
a) Metamorfose completa: O estágio imaturo é muito diferente da forma
adulta, podendo ocorrer variação não só na morfologia, como também
no habitat e nos hábitos alimentares.

190
b) Metamorfose nula: é o estágio dos organismos, como os seres humanos,
que não possuem grandes modificações corpóreas durante seu ciclo de
vida.
c) Metamorfose incompleta: nesse tipo de metamorfose, a mudança nos
organismos é gradual.
d) As opções a) e c) estão correctas.

5. Quais dos seguintes animais abaixo possui um corpo dividido em cabeça, tórax
e abdome:
a) Formiga.
b) Gafanhoto.
c) Aranha.
d) As opções a) e b).

6. O corpo da aranha está dividido em duas partes noeadamente:


a) Cefalotórax e abdome.
b) Cabeça e toráx.
c) Cabeça e abdome.
d) Cefalotórax e cabeça.

7. Das opções abaixo, coloque V nas afirmações Verdadeiras e F nas afirmações


Falsas.
a) As penas são lubrificadas por uma substância lipídica produzida por uma
glândula localizada na região da cauda que é denominada de uropigiana
b) Cada ave possui um tipo de bico específico, que está diretamente
associado ao alimento que é ingerido.
c) Esses bicos apresentam dentes bem pequenos, mais uma característica que
ajuda na redução do peso corpóreo.
d) A água que entra pelo corpo do porífero leva alimento, minerais e oxigênio
para todas as células.

8. O subfilo Chelicerata divide-se em três classes:


a) Urochordata, Cephalochordata e Vertebrata.
b) Os ácaros, as aranhas e os escorpiões.
c) Merostomata, Pycnogonida e Arachnida.
d) Nenhuma das respostas anterioress está correcta.

9. Pode-se dizer que algumas espécies de aracnídeos são de grande importância


médica são:
a) Os ácaros.
b) As aranhas
c) Os escorpiões
d) Todas as respostas estão correctas.

191
10. Nas frases abaixo coloque V nas afirmações Verdadeiras e F nas afirmações
Falsas.
a) A zoologia dos vertebrados é responsável pelo estudo dos animais que
não possuem espinha dorsal e caixa craniana
b) Os poríferos classificam-se em três classes principiais: Calcarea,
Desmospongiae e Hexactinellidae.
c) Os peixes são animais que vivem apenas em ambientes aquáticos e
representam o maior grupo de vertebrados que existe.
d) A água que entra pelo corpo do porífero leva para fora do corpo os
produtos resultantes da actividade celular, tais como gás carbônico e
excretas.

192
TEMA – VII: ECOLOGIA E AMBIENTE DE MOÇAMBIQUE

UNIDADE Temática 7.1. Influências ambientais na qualidade de


vida em Moçambique
UNIDADE Temática 7.2. EXERCÍCIOS deste tema

UNIDADE Temática 7.1. Influências ambientais na qualidade de vida em Moçambique.

Introdução

Este é o setimo tema do módulo e o mesmo vai tratar acerca da Ecologia e


Ambiente de Moçambique. Este tema foi desenvolvido e ua Unidade
Temática que é As influências ambientais na qualidade de vida em
Moçambique. Moçambique possui uma linha costeira de cerca de 2.770
km, com abundância de recursos marinhos, fonte importante de alimento
e rendimento.
O manejo inadequado dos recursos renováveis leva à degradação do
ambiente, tais como, pesca, exploração excessiva de florestas e exposição
dos solos à erosão.

Moçambique é caracterizado por possuir vários rios permanentes, os


quais atravessam o país, tais como os rios Rovuma e Lúrio ao norte,
Zambeze e Púngue na região central e rio Save, Limpopo e Incomáti ao sul.
Os mangais são ecossistemas que têm função ecológica de servir de
viveiros de alguns crustáceos de grande valor comercial como o camarão e
peixes além de proteção contra a erosão das dunas e outras funções pelo
que a sua remoção pode resultar em degradação ambiental.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Identificar as influências ambientais na qualidade de vida em


Moçambique.
Objectivo  Identificar as caracteristicas fisico-naturais de Moçambique.
 Caracterizar algumas doenças frequentes e Moçambique.
Especifico
 Indicar as caracteristicas socio-econoicas das actividades
desenvolvidas em Moçambique.

193
INFLUÊNCIAS AMBIENTAIS NA QUALIDADE DE VIDA EM MOÇAMBIQUE

Moçambique está situado na África Sub-Sahariana, entre as coordenadas


10º 20’ e 26º 50’ de Latitude Sul e 35º 00 ’Longitude, ocupando uma área
de 801.590 km2, dos quais 2,2% é composta por água e 784 090 km2 por
terra (Cumbane, 2004). Localizado no Sudeste da costa do continente
Africano, banhado pelo oceano índico, entre a Tanzânia e a República da
África do Sul, é limitado pelo Malaui, Zâmbia, Zimbabue e Suazilândia. O
país é dividido em 11 províncias, incluindo a capital e 147 distritos
(FERRINHO; OMAR, 2004).
Na maior parte do país, o clima varia entre tropical húmido e subhúmido a
sub-tropical com o período quente e chuvoso nos meses de Novembro a
Março com temperaturas médias mensais entre 27ºC a 29ºC e nos demais
meses do ano com temperaturas médias mensais entre 18 a 20ºC
(Encyclopedia of the Nations, 2008a).

A densidade populacional em Moçambique é baixa, na ordem dos 18


habitantes/km2 (MOYO et al., 1993); a população situa-se em pouco mais
de 20,3 milhões de habitantes (Instituto Nacional de Estatística, 2007) com
mais de 40% presentemente concentrados em zonas urbanas
(Encycopedia of the Nations, 2008b) e costeiras (GUISSAMULO; BENTO,
2000), esperando-se que esta proporção suba para 50% nos próximos 20
anos (United Nations Development Programme, 1998).
O país é rico em recursos naturais renováveis, de grande importância
econômica tais como águas, fauna, florestas e pescas. A pressão sobre os
recursos naturais dada a elevada dependência das populações à utilização
dos recursos naturais é um fenômeno que acontece em Moçambique bem
como em países vizinhos (CHONGUIÇA & KATERERE, 2003).

Os problemas ambientais chave incluem a migração de populaces


observada durante a guerra para zonas onde o principal recurso, isto é,
terra segura fosse escassa, e também durante o período da guerra o abate
indiscriminado da fauna, tráfico de marfim e exploração de outros bens de
alto valor comercial (MOYO et al., 1993).
De acordo com Moyo et al. (1993) e Cumbane (2003), os problemas
ambientais em Moçambique, embora localmente relevantes em sítios
específicos, não são significativos a nível nacional e incluem a pressão
populacional sobre os recursos, cultivo excessivo em certas áreas,
sobrepastoreio, exploração excessiva de pesca, conflito entre pastores e
agricultores, erosão, seca devido à massiva degradação do solo,
desmatamento, baixa qualidade de água, poluição transfronteiriça
poluição industrial.

194
Reconhecendo a importância da preservação do ambiente, o Programa do
Governo “Plano de Ação para a Redução da Pobreza” (PARPA, 2004)
dedica um papel proeminente ao ambiente onde a agricultura, turismo e
águas são identificados como áreas ambientais prioritárias no
desenvolvimento de diversos setores.

Aspectos Geo-políticos
Durante mais de 16 anos Moçambique foi abalado por uma guerra civil
que terminou em 1992. Esta situação, aliada às condições geográfico-
climáticas com observância de factores adversos tais como secas
periódicas severas no sul do país e cheias principalmente ao Norte, mas
também atingindo zonas normalmente afetadas por secas (MICOA 1998),
fez com que as Nações Unidas no seu relatório de 1992 sobre
Moçambique, considerar o Ser Humano a espécie mais ameaçada no país
(Encyclopedia of the Nations, 2008b).

O exôdo rural, trouxe pressão sobre a utilização dos recursos naturais e


consequências nefastas para o ambiente (MOYO et. al. 1993; KRUGMANN
& JUERGENSEN, 1997) e sua degradação, incluindo a desertificação,
poluição das águas superficiais e costeiras. Segundo a União Internacional
para Conservação da Natureza (IUCN), os recursos naturais, na sua
totalidade em Moçambique, são propriedade do Estado, determinando as
condições do seu uso. A Lei da Terra, datada de 1979, é a principal
legislação que governa o manejo dos recursos naturais em relação à
conservação da terra, solos e áreas marinhas, de modo que o usuário se
obriga a adotar medidas para sua conservação.
O manejo inadequado dos recursos renováveis leva à degradação do
ambiente, tais como, pesca, exploração excessiva de florestas e exposição
dos solos à erosão (United Nations Development Programme, 1998).

Agricultura
Sendo o setor agrário caracterizado pela agricultura familiar, como
principal meio de sustento, as actividades agrícolas dependem em grande
parte da agricultura de sequeiro (Instituo Nacional de Estatística, 2007). A
agricultura de subsistência por pequenos agricultores, apresenta em
muitos casos, práticas inadequadas de preparo do solo. Stewart e Robison
(1997) reportam práticas inapropriadas de uso de terras para actividades
agrícolas envolvendo o corte e a queima, as quais resultam na degradação
de solos, florestas e perda de habitat.
De acordo com Encyclopedia of the Nations (2008c), um dos maiores
problemas ambientais inclui a perda de 70% das florestas do país. Para
fazer face a esta situação foram lançados no país, projetos de
reflorestamento envolvendo basicamente o plantio de coníferas e
eucaliptos.

195
Não sendo a erosão um problema geral, em alguns locais, no entanto, é
considerada séria, tais como em Angónia na província de Tete, com mais
de 1000 mm de precipitação anual em média, encostas com declives
acentuados e muito gado. Nas encostas declivosas do oeste da província
do Maputo e Gaza o risco de erosão é alto (MOYO et al., 1993).
O desmatamento tem levado a população a aumentar as distâncias para
colheita de lenha chegando a atingir 6 km de caminhada; a lenha é
transportada para a capital Maputo a distâncias de mais de 50 km (MOYO
et al., 1993). Estes autores referiram que um dos ecossistemas mais
afetados é o mangal, particularmente a espécie Rhizophora mucronata
Lam, a qual entre 1973 e 1993 sofreu remoção em 7,7%, com
conseqüências para a estabilidade das dunas. A degradação das florestas e
escassez deste recurso é mais acentuada nas zonas peri-urbanas, as quais
necessitam de monitoramento.

Os mangais são ecossistemas que têm função ecológica de servir de


viveiros de alguns crustáceos de grande valor comercial como o camarão e
peixes além de proteção contra a erosão das dunas e outras funções pelo
que a sua remoção pode resultar em degradação ambiental. Os recifes de
corais, os quais constituem barreiras naturais contra a ação das ondas do
mar ao longo da faixa costeira protegendo-a da erosão e outros efeitos
destruidores do mar têm também sofrido pressão intensa pela
concentração de aglomerados populacionais (MOYO et al. 1993). Estes
autores indicaram que a principal causa da degradação dos recifes de
corais é a sedimentação, resultante da actividade humana, o que exige
estratégias adequadas de manejo destes recursos incluindo práticas
corretas agrícolas, florestais e de construção de estabelecimentos
comerciais e recreativos.
Moyo et al. (1993) indicaram não haver dados do impacto pela
acumulação de poluentes nos solos e rios derivado do uso de fertilizantes
e pesticidas na agricultura mecanizada em zonas de grandes planícies das
bacias dos maiores rios. Chonguiça (1995) reportou que áreas extensivas
de agricultura comercial como cana do açúcar representam um potencial
significativo de produção de sedimentos. World Bank (1988) observou que
a salinização e alcalinização dos solos em áreas irrigadas são relevantes no
país, quando as áreas irrigadas não são suficientemente drenadas, em
casos de excessiva água de irrigação ou quando o substracto contiver
grandes quantidades de sais ou álcali.

Pescas
Moçambique possui uma linha costeira de cerca de 2.770 km, com
abundância de recursos marinhos, fonte importante de alimento e
rendimento. Têm sido reportados métodos de pesca não recomendados
tais como o uso de redes de arrasto, o que contribui para a destruição

196
desses recursos marinhos com consequências negativas no balanço das
espécies (BANDEIRA, 2007).
Citando Obura (2004) apud Bandeira (2007) referiu que o fenómeno “El
Niño” já causou avultado e severo branqueamento dos recifes de corais
no Oceano Índico com impactos nos recifes.

Indústria
O grau de industrialização em Moçambique é ainda baixo podendo ser
considerável desprezível no geral, mas severa em áreas localizadas como
ao redor de grandes cidades, tais como Maputo, Beira e Matola. Nestes
casos a poluição pode ser resultado do efeito combinado, entre outros, de
equipamentos obsoletos e sistemas tecnológicos e fraca regulação para
proteção da população contra resíduos perigosos em alguns casos (MOYO
et. al., 1993). Estes autores afirmam desconhecer a magnitude do
problema tal como por exemplo o efeito da fábrica de cimento o qual
enfrenta dificuldades de sistemas de filtragem.
De acordo com Moyo et al. (1993) e Massinga & Hatton (1997) na área de
Maputo e Matola, ao sul do país, existem pelo menos 126 indústrias
incluindo uma destiladora para produção de cerveja, uma fábrica de pneus
e fábrica de papel, algumas das fábricas mais importantes fazem as
descargas na baía do Maputo com consequência no aumento da poluição
da baía.
Moçambique é caracterizado por possuir vários rios permanentes, os
quais atravessam o país, tais como os rios Rovuma e Lúrio ao norte,
Zambeze e Púngue na região central e rio Save, Limpopo e Incomáti ao sul.
O país possui cerca de 100 km3 de recursos hídricos renováveis, sendo o
uso destes recursos de 9% para o consumo doméstico, 2% no setor
industrial, e 89% para a agricultura, conforme indica Encyclopedia of the
Nations (2008d).

Chonguiça (1995) afirmou que a transformação do rio e suas áreas


adjacentes em lago afeta direta ou indiretamente o ser humano e os
componentes físicos e biológicos do ambiente. Num estudo visando
determinar tendências dos padrões de qualidade de água e redistribuição
dos sedimentos e nutrientes pela construção da barragem dos Pequenos
Libombos no sul do país, foram observados poucos pontos de erosão das
ribeiras de média a baixa intensidade devido à intensidade baixa de uso da
terra (Chonguiça, 1995). Neste estudo este autor notou que a região a
montante é propensa a níveis significativos de sedimentos e produção de
nutrientes, sendo o transporte de sedimento suspenso no período 1987-
1994 em média, de 60.500 toneladas por ano.
Sundström (1992) e Chonguiça (1995) consideraram as concentrações de
metais pesados e pesticidas tanto nos sedimentos como nos peixes desta
área de estudo como baixas, com menos de 0,4 mg/kg de DDT no peixe e

197
0,3 mg/kg do peso hhhúmidao em sedimentos e os maiores registos de
cadmium na água de 0,63 μg/l e cobre na ordem dos 32 μg/l. A barragem
de Cahora Bassa construída em 1966, é reportada como estando a ter
como consequência a modificação, a juzante de habitat de mangais.

As águas superficiais e costeiras têm sido afetadas por poluição em


Moçambique e por outro lado apenas 41% da população rural tem acesso
à água potável (Encyclopedia of the Nations, 2008e). Especificamente,
estes recursos hídricos têm sido usados na construção de barragens para
irrigação e também para produção de energia eléctrica para além de
controle de cheias (Chonguiça, 1995).
Moyo et al. (1993) observaram que a indústria e o consumo doméstico
urbano têm os maiores impactos negativos no ambiente tanto em termos
de poluição da água como produção de resíduos sólidos, quando
concentrados em pequenas áreas, embora estes não sejam ainda
produzidos em quantidades grandes; um exemplo poderá ser o sistema de
drenagem de águas negras em construção na área de Maputo, com a
capacidade de descarga de 50000 m3 por dia de águas negras para o
estuário do Maputo, se a água não for tratada antes e depois de descarga.
Os mesmos autores salientaram contudo que os resíduos industriais de
fábricas com os seus sólidos tóxicos e não tóxicos são mais danosos para a
ecologia marinha mas em Moçambique os seus níveis são modestos.
O ambiente marinho foi considerado como um problema sério em
Moçambique no relatório da UNEP de 1988 (MOYO et al. 1993). Conforme
Bandeira et al. (no prelo) existem quatro formas de poluição identificadas,
nomeadamente a poluição bacteriológica através das águas negras,
metais pesados, hidrocarbonetos dos petróleos e aerosol. Estes autores
indicaram haver poluição bacteriológica na área da cidade do Maputo por
colifórmios o mesmo não acontecendo na zona dos banhistas,
considerada negligenciável. Os mesmos autores consideraram que os
níveis detectados de metais pesados tanto nos sedimentos da baía como
nas águas do mar aberto na baía de Maputo correspondem aos padrões
considerados normais.

Mineração
Um dos maiores recursos que o país possui inclui a abundância de energia
barata proveniente de minas de carvão. Apesar de grande potencial em
recursos minerais, o país desenvolveu pouca actividade de mineração. A
exploração e utilização dessa energia é considerada ineficiente devido ao
facto de a maior parte desses recursos permanecer inexplorada, com
consequências nefastas ao ambiente (Encyclopedia of the Nations
(2008e).
Os efeitos ambientais principais resultantes desta actividade incluem a
poluição da água, infertilidade da terra, desflorestação, poluição do ar em

198
áreas populosas e mudanças no equilíbrio de alguns ecossistemas (MOYO
et al., 1993). Os maiores problemas de poluição atmosférica resultante da
mineração em Moçambique poderão ocorrer nas minas de carvão de
Moatize se medidas de protecção não forem devidamente tomadas pois
poluentes como o dióxido de enxofre, óxidos de nitrogénio e monóxido de
carbono podem constituir perigo de saúde para as populações vizinhas.
Segundo Smirnov et al. (2002) e Queface et al. (2003) o conteúdo de
aerosol no leste da baía do Maputo indica a existência de poluição pelo
enxofre principalmente proveniente das minas de carvão ao norte da
África do Sul. Estes autores acrescentam que o valor da espessura do
aerosol óptico medido na Inhaca ao sul de Moçambique atingiu médias
superiores a 0,26 o que constitui um valor acima do normal tendo
concluído que essa poluição pode depois ser levada ao oceano com
efeitos nos organismos marinhos.

Queimadas descontroladas
Tyson et al. (1996) e Swap et al. (2002) constataram que o interesse
regional no monitoramento dos aerosóis na região Austral e África
aumentaram devido ao reconhecimento de padrões de re-circulação em
larga escala dos aerossóis no subcontinente e também devido à existência
de camadas estáveis que segundo Cosijn & Tyson (1996) resultam na
acumulação de uma camada substancial de aerossóis no subcontinente.
Queface (2003) observou um aumento significativo de conteúdos de
aerosol sobre a região da Inhaca, ao sul de Moçambique durante os meses
de agosto a outubro, período da estação seca e de maior ocorrência de
queimadas descontroladas sugerindo que a biomassa queimada
representa uma forte contribuição no conteúdo em aerosol.
Cumbane (2003) e Schwela (2007) apontam as queimadas descontroladas
nas zonas rurais principalmente na região norte e centro do país, como
uma das fontes principais de emissões de poluentes do ar para a
atmosfera causando poluição do ar. Cumbane (2003) referiu que a
medição de poluição do ar iniciou em 1996, observando que a queima de
biomassa era a principal fonte de partículas (aerosol) na atmosfera
seguida de actividades industriais.

Saúde
O estado de saúde da população moçambicana é fortemente influenciado
pelas condições sócio-econômicas e ambientais, entre eles o
analfabetismo (especialmente entre as mulheres), má nutrição, habitação
em precárias condições e difícil acesso à água potável (apenas 50% da
população tem acesso à água potável). Além disso, o elevado nível de
degradação do meio ambiente especialmente nas zonas urbanas e
periurbanas, associado ao alto nível de pobreza são determinantes para o
quadro epidemiológico de doenças infecciosas e parasitárias, atingindo os

199
mais vulneráveis (mulheres e as crianças) com altas taxas de mortalidade
infantil e materna (WHO, 2004).
Observa-se grandes disparidades entre as zonas rurais e urbanas,
conforme verificado na taxa de mortalidade materna e de menores de
cinco anos que é de 39% mais altas nas zonas rurais que nas urbanas
(WHO, 2004). Os indicadores de saúde infantil em menores de cinco anos
demonstram que a taxa de mortalidade passou de 207 para 1.000
nascidos vivos em 1997 para 153 em 2003 (PARPA, 2004). Em inquérito
realizado constatou-se redução da prevalência da subnutrição entre 1996
e 2003, e a necessidade de acesso aos serviços sociais básicos, falta de
unidades de saúde próxima da residência, transporte de pacientes
doentes e falta de pessoal entre outros. O PARPA (2004) relata ainda que
as estatísticas indicam que o índice de desnutrição crônica é de 41% nas
crianças menores de cinco anos.
Conforme a Organização Mundial da saúde (2004) os principais problemas
de saúde pública em Moçambique são a malária, o HIV/AIDS, tuberculose,
diarréias, infecções respiratórias e o sarampo.

Malária
A malária é uma doença parasitária causada por um protozoário parasita
do gênero Plasmodium, transmitida pela picada do mosquito Anopheles a
maior causa de morbimortalidade, constituindo cerca de 40% das
consultas. As comunidades rurais e pobres são as que mais sofrem com a
doença pela falta de conhecimento e medidas de prevenção, sua elevada
taxa de transmissão e difícil acesso aos serviços de Saúde, levando a morte
entre 3,9% e 6,2% da população infantil e adulta, respectivamente (WHO,
2004).
Esta é uma das mais comuns e sérias doenças tropicais, é endêmica em
todo o país, nas áreas onde o clima favorece a sua transmissão ao longo
de todo o ano, atingindo o seu ponto mais alto após a época chuvosa
(dezembro a abril). A intensidade da transmissão varia de ano a ano e de
região a região, dependendo da precipitação, altitude e temperaturas.
Algumas áreas secas do país são tidas como propensas à epidemia, há
esperança é de que até 2011 a vacina contra a malária já esteja disponível
e salvando vidas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2008).

HIV/AIDS
O número de casos notificados de HIV tem aumentado de ano a ano
devido a expansão dos ambulatórios de testagem e a formação de mais
quadros em matéria de aconselhamento e testagem em saúde, entre 2003
a 2006 a notificação aumentou em 80% e a taxa de HIV/AIDS indicam que
1,4 milhão de indivíduos moçambicanos ou 16% da população entre 15 e
49 anos é soropositiva, destes 57% é do sexo feminino, 36% é sexo
masculino e 6,2% são crianças (PARPA A taxa de transmissão é de 500

200
novas infecções diariamente, está previsto que cerca de 800.000 mortes
ocorrerão entre 2004 e 2010 para doentes de AIDS e doenças relacionadas
e isto resultará em um número significativo de órfãos vivendo em famílias
substitutas, estes enfrentarão sérios problemas de acesso à educação,
pois, são discriminados em termos de acesso aos recursos da família com
que vivem (NHATE et al. 2005).O difícil acesso aos recursos, torna ai mais
limitante a possibilidade de quebra do ciclo vicioso da pobreza,
discriminação de gênero e violência infantil.

Tuberculose
A tuberculose é uma doença infecciosa documentada desde mais longa
data e que continua a afligir a Humanidade nos dias atuais. Estima-se que
sua bactéria causadora tenha evoluído há 15.000 ou 20.000 anos, a partir
de outras bactérias do gênero Mycobacterium, é uma importante causa de
morbimortalidade em Moçambique e tem constituído na primeira causa
de internação hospitalar em zonas rurais (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2008).
A epidemia do HIV tem contribuído para o aumento do número de casos,
tendo em vista que 30% dos registros estão associados. Segundo os dados
avançados pela OMS, 49% dos doentes adultos de tuberculose são
portadores do HIV/AIDS, havendo locais, no país, onde este índice atinge
os 70%. (WHO, 2004).

Hanseníase
A hanseníase uma doença infecciosa que afeta a pele e nervos periféricos,
mas tem uma ampla gama de possíveis manifestações clínicas.
Moçambique é o país com a mais elevada taxa de prevalência de
hanseníase da África e faz parte dos seis países mais afetados pela doença.
No mundo sua taxa de prevalência atual (final do 1º trimestre de 2007), é
de 1,4 por 10.000 habitantes. O Ministério da Saúde (2008) trabalha para
melhorar a busca ativa dos casos suspeitos e realizar o acompanhamento
do tratamento desta que tem afetado principalmente as regiões norte e
centro de Moçambique, tal doença está associada a factores
socioeconômicos e a pobreza (WHO, 2004).

Cólera
O agente causal, o Vibrião cholerae, apareceu pela primeira vez em
Moçambique em 1973, na cidade de Maputo, propagando-se pelo pais
durante as últimas décadas influenciado por uma série de factores tais
como o crescimento populacional urbano descontrolado, condições
higiênicosanitárias de má qualidade, comercialização de produtos
alimentares sem a devido controle sanitário e a seca (ARAGON, 1996).

201
Saneamento e Poluição
O acesso à água potável e ao serviço de saneamento básico constitui um
dos elementos geradores de qualidade de vida e da saúde das pessoas. A
carência deste serviço é representada pela taxa de mortalidade infantil,
sendo em sua maioria causadas por malária, diarréia e cólera (INE, 2004).
Além disso, devido a localização geográfica e a degradação ambiental,
Moçambique está vulnerável a catástrofes naturais como ciclones, secas e
cheias o que aumenta o risco de doenças com impactos negativos no bem
estar social (MOYO et al. 1993).
A principal legislação que regula questões da poluição do ar é a Lei
Ambiental, a avaliação do Impacto Ambiental e Regulamentar de Saúde e
Segurança, outras leis em preparação incluem os Padrões Industriais e
Ambientais de Emissão e o Regulamento de Auditoria e Inspeção
Ambiental (MORGADO, 2003).

Educação e cultura
Um dos factores que contribuem para a desigualdade entre gêneros em
Moçambique tem caráter sócio-cultural, econômico, religioso e étnico. E
para tentar diminuir estes o Ministério da Saúde tem investido na
formação de pessoal e de um estudo sobre gênero com o intuito de
reduzir as desigualdades existentes (WHO, 2004).
Conforme o PARPA (2004) Moçambique pretende reduzir a taxa de
analfabetismo em 10% entre 2006 e 2009 com a alfabetização de 1,5
milhão de pessoas, destas 70% mulheres, por meio de programas de
educacional não formais em rádios, televisão e educação presencial. Um
dos objectivos do PARPA é assegurar a manutenção do equilíbrio
ambiental em todo o território nacional incluindo as áreas onde decorrem
os novos projetos de actividades de qualquer natureza. Melhorar a
cobertura do abastecimento de água e saneamento nas zonas rurais.
Nas zonas urbanas onde a densidade populacional é mais expressiva a
degradação ambiental pode contribuir para o aumento dos problemas de
saúde da família. As doenças endêmicas como malária e a cólera são
conseqüências diretas das condições precárias de drenagem e
saneamento, gestão de resíduos sólidos e abastecimento de água. O
desenvolvimento integrado do território poderá conter a proliferação de
aglomerados informais nos arredores dos centros urbanos, os quais
representam um atentado à saúde pública, bem estar social e
biodiversidade (PARPA, 2004).
As grandes prioridades ambientais de Moçambique são: saneamento
básico, ordenamento territorial, prevenção da degradação do solo, gestão
dos recursos naturais incluindo controle das queimadas, educação
ambiental, redução da poluição do ar, solo, água, prevenção e redução
dos efeitos das calamidades naturais.

202
Sumário

O tema findo tratou acerca da Ecologia e Ambiente de Moçambique. Este tema


foi desenvolvido em uma Unidade Temática: Influências ambientais na
qualidade de vida em Moçambique. Os problemas ambientais
encontrados em Moçambique estão ligados a factores sociais, culturais e
principalmente econômicos. Conforme verificamos, por exemplo, na
migração de população das zonas rurais para centros urbanos no pós-
guerra em busca de melhores condições de vida, como o acesso a
produtos e serviços.

Como consequencia do exôdo rural e a exploração descontrolada dos


recursos naturais, falta de saneamento básico e poluição do ar, o risco de
adoecer aumenta principalemente entre mulheres e crianças. Além disso,
a população sofre com as catástrofes naturais, cheias e secas,
desertificação, poluição das águas que castiga ainda mais este povo.

O panorama geral do setor de saúde em Moçambique demonstra que por


um lado, a pobreza está por detrás dos maiores problemas de saúde no
país, por outro, indica que este sector tem forte influência no
desenvolvimento sócio-econômico deste país devido aos elevados custos
implicados no combate e prevenção de doenças como malária,
considerada a primeira causa de morte no país, cólera, tuberculose e
HIV/AIDS uma das principais causas de mortalidade infantil, além de ser o
responsável por um número incontável de órfãos em Moçambique.

203
EXERCÍCIOS DE AUTO-AVALIAÇÃO

1. Durante mais de 16 anos Moçambique foi abalado por uma guerra civil que
terminou em 1992.
a) Segundo a União Internacional para Conservação da Natureza, alguns
recursos naturais em Moçambique, são propriedade do Estado e outros
pertencem a população local.
b) A principal legislação que governa o manejo dos recursos naturais em
relação à conservação da terra, solos e áreas marinhas, de modo que o
usuário se obriga a adoptar medidas para sua conservação é a Lei de
Terra.
c) Segundo a IUCN, os recursos naturais, na sua totalidade em
Moçambique, são propriedade do Estado, determinando as condições
do seu uso.
d) As opções b) e c) estão correctas.

2. Quanto aos aspectos geo-politicos afirma-se que em Moçambique:


a) A guerra civil durou cerca de 16 anos e teminou em 1992.
b) A guerra civil aliada às condições geográfico-climáticas com observância
de factores adversos tais como secas periódicas severas e cheias fez com
que as Nações Unidas no seu relatório de 1992 sobre Moçambique,
considerar o Ser Humano a espécie mais ameaçada no país.
c) O exôdo rural, trouxe pressão sobre a utilização dos recursos naturais e
consequências nefastas para o ambiente e sua degradação, incluindo a
desertificação, poluição das águas superficiais e costeiras.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

3. Moçambique exitem diversos recursos minerais com destaque para o carvão.


a) Os efeitos ambientais principais resultantes exploração dos recursos
mineirais incluem a poluição da água, infertilidade da terra,
desflorestação, poluição do ar em áreas populosas e mudanças no
equilíbrio de alguns ecossistemas.
b) O exôdo rural, contribuiu numa pressão sobre a utilização dos recursos
naturais e consequências nefastas para o ambiente e sua degradação,
incluindo a desertificação, poluição das águas superficiais e costeiras.
c) Se a exploração dos recursos mineirais for feita baseando-se na Lei dos
Recursos Minerais não haverá efeitos ambientais negativos incluindo a
poluição da água, infertilidade da terra, desflorestação, poluição do ar
em áreas populosas e mudanças no equilíbrio de alguns ecossistemas.
d) As opções a) e b) estão correctas.

204
4. O estado de saúde da população moçambicana é fortemente influenciado pelas
condições sócio-econômicas e ambientais, entre eles:
a) O analfabetismo, má nutrição, habitação em precárias condições e difícil
acesso à água potável.
b) As elevadas taxas de infecções de HIV/Sida quer nas regiões urbanas,
bem como nas regiões rurais do territorio nacional.
c) As respostas a) e b) estão correctas.
d) As respostas a) e b) estão erradas.

5. Uma das prioridades estabelecidas pelo sector de Educação e Cultura é:


a) Melhorar o saneamento básico, ordenamento territorial e a prevenção
da degradação do solo.
b) A educação ambiental para a redução da poluição do ar, solo, água,
prevenção e redução dos efeitos das calamidades naturais.
c) Reduzir a taxa de analfabetismo por meio de programas de educacional
não formais em rádios, televisão e educação presencial.
d) Todas as rspostas anteriores estão erradas.

205
UNIDADE Temática 7.2. EXERCÍCIOS deste tema.

1. As Nações Unidas no seu relatório de 1992 sobre Moçambique, considerou o


Ser Humano como sendo a espécie mais ameaçada no país devido:
a) A guerra civil que terminou no ano de 1992.
b) As condições geográfico-climáticas verificadas na epóca.
c) Conflito entre o homem-fauna brávia.
d) As opções a) e b) estão correctas.

2. O manejo inadequado dos recursos renováveis leva à degradação do ambiente,


tais como, pesca, exploração excessiva de florestas e exposição dos solos à
erosão. Uma das medidas de controle desses impactos que deve ser adoptada
em Moçambique é:
a) Fazer-se a Educação Ambiental no seio das comunidades sobre xomo
usar os recursos de forma sustentável.
b) Penalizar a todas as pessoas que violam os instrumentos legislativos
acerca da gestão e uso dos recursos naturais
c) Conscientizar as populações mostrando os impactos e as medidas de
controle.
d) As opções a) e c) estão correctas.

3. O estado de saúde da população moçambicana é fortemente influenciado pelas


condições sócio-econômicas e ambientais, entre eles:
a) O analfabetismo, má nutrição, habitação em precárias condições e difícil
acesso à água potável.
b) O elevado nível de degradação do meio ambiente nas zonas urbanas e
periurbanas,
c) O alto nível de pobreza é determinante para o quadro epidemiológico de
doenças infecciosas e parasitárias.
d) Todas as opções estão correctas.

4. Os problemas ambientais encontrados em Moçambique estão ligados a factores


sociais, culturais e econômicos. Seleccione um problema ambiental abaixo que
não esteja ligado a estes factores:
a) A exploração descontrolada dos recursos naturais, a falta de
saneamento básico e poluição do ar.
b) As catástrofes naturais, cheias e secas, desertificação, poluição das
águas.
c) Aumento dos índices de seroprevalência de pessoas portadoras do virus
de HIV/Sida.
d) Todas as opções anteriores estão erradas.

206
5. Os problemas ambientais encontrados em Moçambique estão ligados a factores
sociais, culturais e principalmente econômicos. A explorração irregular dos
recursos florestais numa zona de conservação é considerada como sendo:
a) Um factor social.
b) Um factor cultural.
c) Um factor econômico.
d) Todas respostas estão correctas.

6. As doenças endêmicas como malária e a cólera são conseqüências directas das


condições precárias de drenagem e saneamento, gestão de resíduos sólidos e
abastecimento de água. Esta frase quer dizer que trata-se de um factor:
a) Social.
b) Cultural.
c) Econômico.
d) As opções b) e c) estão correctas.

7. A principal legislação que regula questões da poluição do ar é:


a) A Lei Ambiental.
b) A Lei de Mina.
c) A Lei de Ar
d) Nenhuma resposta esta correcta.

8. A tuberculose é uma doença infecciosa documentada desde mais longa data e


que continua a afligir a Humanidade nos dias actuais. A bactéria causadora da
tuberclose somente vive:
a) No sangue.
b) No ar
c) Na água.
d) Em terra.

9. Moçambique possui uma linha costeira de cerca de 2.770 km, com abundância
de recursos marinhos, fonte importante de alimento e rendimento. Têm sido
verificados consequências negativas no balanço das espécies devido:
a) O uso de redes de arrasto.
b) Falta de conscientização nos pescadores.
c) Fraca conscientização nos pescadores.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

10. Quanto aos aspectos geo-politicos afirma-se que em Moçambique:


a) A guerra civil teve o seu inicio no ano de 1976 logo após a
independência nacional e teminou em 1992.
b) A guerra civil aliada às condições geográfico-climáticas com observância
de factores adversos tais como secas periódicas severas e cheias fez
com que as Nações Unidas no seu relatório de 1994 sobre

207
Moçambique, considerar o Ser Humano a espécie mais ameaçada no
país.
c) O exôdo rural, trouxe pressão sobre a utilização dos recursos naturais e
consequências nefastas para o ambiente e sua degradação, incluindo a
desertificação, poluição das águas superficiais e costeiras.
d) Todas as respostas anteriores estão correctas.

208
Exercícios de Avaliação

1. Fala acerca da história da Ecológia


2. Defina os conceitos básicos de Ecológia?
3. Explique por suas palavras o que entendes por relações ecologicas? Explique cada uma
das partes que está dividida?
4. Explique por palavras suas o que entendes por canibalismo? Da exemplo de situações
vividas no dia-a-dia.
5. Fale da ISO 14001 nos seguintes aspectos: significado, surgimento e importância para
as epresas.
6. Indique e caracterize as ciências do sistema terrestre?
7. Qual é a diferença que existe entre hidrografia e hidrologia?
8. Explique o processo do ciclo hidrológico.
9. Fale dos constituintes básicos de u ecossistema.
10. Quais são as consequências do esgotamento do ozônio atomosferico?
11. Fale das fontes de energia
12. Como são classificados os artrópodes?
13. Descreve os aracnídeos e da sua importância para a medicina.
14. Descreve as caracteristicas do sector de agricultura em Moçambique.
15. Indique alguns impactos das actividades industrial, de mineração e das queimadas
descontroladas em Moçambique.

Respostas dos Exercicíos de Avaliação

1. Rever as páginas 09 e 10.


2. Rever as páginas 12 e 13.
3. Rever as páginas14 e 15.
4. Rever as páginas 18 e 19.
5. Rever as páginas 29 à 32
6. Rever as páginas 65 à 68.
7. Rever a página 94.
8. Rever as páginas 99 e 100.
9. Rever a página 107.
10. Rever a página 125 e 126
11. Rever as páginas 139 à 143.
12. Rever as páginas 161 à 162.
13. Rever as páginas 176 à 178.
14. Rever as páginas 194 e 195.
15. Rever as páginas 196 à 198.

209
Respostas dos Exercicíos de Auto-avaliação

Exercícios de Auto-avaliação
Unidade Temática 1.1 Unidade Temática 1.2 Unidade Temátiva 1.3
1. a) (V); b) (V); c) (F) 1. c) 1. d)
2. b) 2. c) 2. b)
3. c) 3. b) 3. d)
4. c) 4. a) 4. c)
5. b) 5. b) 5. b).

Unidade Temática 2.1 Unidade Temática 2.2 Unidade Temátiva 2.3


1. a) 1. c) 1. d)
2. c) 2. d) 2. a) (V); b (F); c) (V); d) (V); e) (F)
3. d) 3. a) 3. d)
4. d) 4. d) 4. a)
5. 1– 3; 2– 4; 3- 2; 4- 1. 5. 1- 1; 2- 4; 3- 3; 4- 2. 5. a) (V); b) (V); c) (F); d) (V); e) (F);
f) (V); g) (F).
Unidade Temática 3.1 Unidade Temática 3.2 Unidade Temátiva 4.1
1. d) 1. c) 1. d)
2. a) 2. d) 2. d)
3. 1 – 3; 2 – 1; 3 – 2. 3. a) 3. a) (1); b) (1); c) (5); d) (3)
4. a) (V); b) (F); c) (V); d) (F) 4. d)
5. a). 5. a) (V); b) (V); c) (F);
d) (V).
Unidade Temátiva 4.2 Unidade Temátiva 4.3 Unidade Temátiva 5.1
1. a) 1. a) 1. d)
2. b) 2. d) 2. c)
3. c) 3. c) 3. d)
4. d) 4. d) 4. d)
5. b). 5. b). 5. d).
Unidade Temátiva 5.2 Unidade Temátiva 6.1 Unidade Temátiva 6.2
1. b) 1. d) 1. a) (F); b) (V); c) (V); d) (F)
2. d) 2. b) 2. b)
3. c) 3. d) 3. d)
4. b) 4. a) 4. 1– 2; 2– 1; 3– 3; 4 – 5; 5– 3;
5. c). 5. 1 – 1; 2 – 3; 3 – 2. 5. a)
Unidade Temátiva 7.1
1. d)
2. d)
3. d)
4. c)
5. d)

210
Respostas dos Exercicíos das Unidades Temáticas

Unidades Temáticas
Exercicíos do Tema I Exercicíos do Tema II Exercicíos do Tema III
1. d) 1. c) 1. a)
2. c) 2. a) 2. d)
3. d) 3. d) 3. b)
4. d) 4. b) 4. a)
5. a) (F); b) (V); c) 5. d) 5. b)
(V); d) (F); e) (F). 6. d) 6. d)
6. 1. a); 2. d); 3. b); 7. a) (V); b) (F); c) (V). 7. a)
4. a); 5. b); 6. c). 8. d) 8. d)
7. d) 9. c) 9. b)
8. d) 10. c). 10. d).
9. d)
10. d).
Exercicíos do Tema IV Exercicíos do Tema V Exercicíos do Tema VI
1. 1 – 3; 2 – 2; 3 – 1. 1. a) 1. b)
2. c) 2. c) 2. c)
3. a) 3. d) 3. d)
4. b) 4. c) 4. d)
5. d) 5. d) 5. d)
6. a) 6. d) 6. a).
7. d) 7. a) 7. a) (V); b) (V); c) (F); d) (V)
8. d) 8. b) 8. c)
9. a) 9. d) 9. d)
10. b). 10. d). 10. a) (F); a) (V); c) (V); d) (V)
Exercicíos do Tema VII
1. d)
2. d)
3. d)
4. d)
5. c)
6. d)
7. a)
8. b)
9. a)
10. c).

211
Referências Bibliográficas

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