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Segue abaixo a transcriçã o de um interessante julgado da 6ª Câ mara Cível do Tribunal de


Justiça do Estado de Goiá s, em que o eminente relator, Juiz de Direito Substituto em 2º
Grau, Marcus da Costa Ferreira, acompanhado pelos demais componentes da Câ mara,
entendeu que a hipervulnerabilidade do consumidor (no caso, um idoso de 88 anos) gerou
a nulidade de um contrato de mú tuo celebrado junto a uma instituiçã o financeira.
Recomendo a leitura vivamente.
Um fraterno abraço!
Vitor Guglinski
APELAÇÃO CÍVEL Nº 415711-37.2014.8.09.0042 (201691669199)
COMARCA DE FAZENDA NOVA
APELANTE MANOEL SOARES DA SILVA
APELADO BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A
RELATOR DR.MARCUS DA COSTA FERREIRA
Juiz de Direito Substituto em 2º Grau
VOTO
Tempestivamente manejado, adequado à espécie e dispensado do recolhimento de
preparo, conheço do recurso e passo a lhe apreciar o mérito.
Conforme já delineado em relató rio, trata-se de Apelaçã o Cível interposta por MANOEL
SOARES DA SILVA, em ataque a sentença proferida pelo MM. Juiz de Direito da Vara de
Família, Sucessõ es, Infâ ncia e Juventude e 1ª Cível da Comarca de Fazenda Nova, Dr.
Eduardo Perez Oliveira, nos autos da Açã o Declarató ria de Nulidade Contratual c/c
Indenizaçã o por Danos Morais, promovida em face de BANCO MERCANTIL DO BRASIL
S/A.
Perlustrando os autos, vejo que o apelo nã o procede.
Isto porque, do cotejo probató rio colhido na instruçã o do feito, evidenciou-se que o
contrato entre as partes fora regularmente celebrado, inclusive com a assinatura do autor
aposta no instrumento contratual de Cédula de Crédito Bancá rio firmado (fls. 46/50).
Impende salientar, ainda, a notó ria semelhança das assinaturas constantes no documento
de identidade do requerente (fl. 11) com a presente no pacto (fls. 46/50), bem como a
constante no instrumento de mandato outorgado a seu patrono (fl. 09), levando a crer que,
embora tenha efetivamente celebrado o negó cio jurídico, este tenha ocorrido por engano
do autor.
Tal se dá pela singular vulnerabilidade do consumidor em suas relaçõ es jurídicas, agravada,
in casu, pela sua idade avançada, que acabara contraindo mú tuo bancá rio por engano
pró prio, nã o havendo má fé da instituiçã o financeira nesse sentido.
Rosalice Fidalgo Pinheiro e Derlayne Detroz, em seu estudo sobre a Hipervulnerabilidade
do Consumidor Idoso, afirmam que:
Não é difícil afirmar que a fragilidade psíquica dos idosos acarreta uma vulnerabilidade especial para lidar com
situações que antes eram identificadas como corriqueiras, e que na idade avançada acabam por ter uma dimensão
alargada, gerando uma vulnerabilidade mais acentuada. Na busca pelo tratamento com igualdade, a
vulnerabilidade física, psíquica e social fundamentam uma vulnerabilidade jurídica. Quando existe desigualdade
constatada, as normas jurídicas não podem ser iguais para todos. Aos que são considerados diferentes, em razão
do envelhecimento, precisa ser assegurada a igualdade jurídica com o objetivo de mitigar sua desigualdade
material em relação aos demais cidadãos. Cuidou, então, o ordenamento jurídico de definir quem é o idoso para
fins de sua tutela. O Estatuto do Idoso optou por definir como tal a pessoa que possui mais de sessenta anos, em
seu art. 1º: “É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade
igual ou superior a 60 (sessenta) anos”. Diante desta realidade, impõe-se o reconhecimento de uma
hipervulnerabilidade do consumidor idoso. Em se tratando de relação de consumo, a igualdade a ser buscada pelo
microssistema do CDC em conjunto com o Estatuto do Idoso passa pela necessidade de reconhecimento do idoso
como consumidor como a parte mais fraca da relação de consumo. Deve-se lhe aplicar as normas que regem as
relações de consumo, e verificar o grau de vulnerabilidade do idoso, buscando subsídios no Estatuto do Idoso a fim
de que seja alcançada a realização final de justiça.

O Superior Tribunal de Justiça vem adotando postura protecionista ao consumidor idoso


em seus julgados, conforme de vê dos arestos abaixo:
DIREITO PRIVADO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. SEGURADORA. NÃO
CABIMENTO. PROVIDÊNCIA QUE ATENTARIA CONTRA A FINALIDADE DO INSTITUTO. CELERIDADE PROCESSUAL.
NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA. CONSUMIDOR IDOSO.
1. Muito embora no rito sumário seja cabível a intervenção da seguradora, ao menos desde o advento da Lei n.
10.444/2002 (CPC, art. 280), e o próprio CDC permitir a denunciação da lide nessas situações (art. 101, inciso II), o
instituto processual deve atender aos propósitos a que se destina, que é a celeridade e economia processuais,
notadamente nos casos a envolver idoso (CPC, art. 1.211-A; Estatuto do Idoso, art. 71, caput).
2. A denunciação da lide, como modalidade de intervenção de terceiros, busca atender aos princípios da economia
e da presteza na entrega da prestação jurisdicional, não devendo ser prestigiada quando o deferimento for apto a
subverter exatamente os valores tutelados pelo instituto. Precedentes.
3. Permitir a denunciação da lide à seguradora no estado em que se encontra o processo fulmina a própria
finalidade da denunciação e, a um só tempo, vulnera a especial proteção conferida pelo ordenamento jurídico à
pessoa do consumidor e do idoso.
4. Agravo regimental não provido.
(AgRg no AREsp 557.860/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe
10/02/2015)(Grifei)
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL NOS EMBARGOS INFRINGENTES. PROCESSUAL CIVIL.
LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA A PROPOSITURA DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA EM FAVOR DE IDOSOS.
PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE EM RAZÃO DA IDADE TIDO POR ABUSIVO. TUTELA DE INTERESSES INDIVIDUAIS
HOMOGÊNEOS. DEFESA DE NECESSITADOS, NÃO SÓ OS CARENTES DE RECURSOS ECONÔMICOS, MAS TAMBÉM OS
HIPOSSUFICIENTES JURÍDICOS. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA ACOLHIDOS.
1. Controvérsia acerca da legitimidade da Defensoria Pública para propor ação civil pública em defesa de direitos
individuais homogêneos de consumidores idosos, que tiveram seu plano de saúde reajustado, com arguida
abusividade, em razão da faixa etária.
2. A atuação primordial da Defensoria Pública, sem dúvida, é a assistência jurídica e a defesa dos necessitados
econômicos, entretanto, também exerce suas atividades em auxílio a necessitados jurídicos, não necessariamente
carentes de recursos econômicos, como é o caso, por exemplo, quando exerce a função do curador especial,
previsto no art. 9.º, inciso II, do Código de Processo Civil, e do defensor dativo no processo penal, conforme consta
no art. 265 do Código de Processo Penal.
3. No caso, o direito fundamental tutelado está entre os mais importantes, qual seja, o direito à saúde. Ademais, o
grupo de consumidores potencialmente lesado é formado por idosos, cuja condição de vulnerabilidade já é
reconhecida na própria Constituição Federal, que dispõe no seu art. 230, sob o Capítulo VII do Título VIII ("Da
Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso"): "A família, a sociedade e o Estado têm o dever de
amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-
estar e garantindo-lhes o direito à vida." 4. "A expressão 'necessitados' (art. 134, caput, da Constituição), que
qualifica, orienta e enobrece a atuação da Defensoria Pública, deve ser entendida, no campo da Ação Civil Pública,
em sentido amplo, de modo a incluir, ao lado dos estritamente carentes de recursos financeiros - os miseráveis e
pobres -, os hipervulneráveis (isto é, os socialmente estigmatizados ou excluídos, as crianças, os idosos, as
gerações futuras), enfim todos aqueles que, como indivíduo ou classe, por conta de sua real debilidade perante
abusos ou arbítrio dos detentores de poder econômico ou político, 'necessitem' da mão benevolente e solidarista
do Estado para sua proteção, mesmo que contra o próprio Estado. Ve-se, então, que a partir da ideia tradicional da
instituição forma-se, no Welfare State, um novo e mais abrangente círculo de sujeitos salvaguardados
processualmente, isto é, adota-se uma compreensão de minus habentes impregnada de significado social,
organizacional e de dignificação da pessoa humana" (REsp 1.264.116/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 13/04/2012).
5. O Supremo Tribunal Federal, a propósito, recentemente, ao julgar a ADI 3943/DF, em acórdão ainda pendente
de publicação, concluiu que a Defensoria Pública tem legitimidade para propor ação civil pública, na defesa de
interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos, julgando improcedente o pedido de declaração de
inconstitucionalidade formulado contra o art. 5.º, inciso II, da Lei n.º 7.347/1985, alterada pela Lei n.º 11.448/2007
("Art. 5.º - Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: ... II - a Defensoria Pública").
6. Embargos de divergência acolhidos para, reformando o acórdão embargado, restabelecer o julgamento dos
embargos infringentes prolatado pelo Terceiro Grupo Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul,
que reconhecera a legitimidade da Defensoria Pública para ajuizar a ação civil pública em questão.
(EREsp 1192577/RS, Rel. Ministra LAURITA VAZ, CORTE ESPECIAL, julgado em 21/10/2015, DJe 13/11/2015)(Grifei)

Tendo o demandante contratado o terceiro mú tuo por engano, fruto de sua


hipervulnerabilidade na qualidade de consumidor idoso, deve o pacto ser declarado nulo,
com o retorno das partes ao estado anterior que se encontravam até firmarem a avença.
Nesta linha de raciocínio, nã o se percebe má -fé ou dolo da instituiçã o financeira, eis que o
autor efetivamente chegou a celebrar o contrato, embora seu animus nã o o fosse em tal
sentido, tornando a pactuaçã o viciada pelo engano.
A referida tese ganha robustez pois o autor, mesmo com o dinheiro creditado em sua conta,
nã o o utilizou, procurando a instituiçã o financeira para solucionar a situaçã o, e, durante a
regular tramitaçã o do feito, depositou a soma em juízo, evidenciando a ocorrência do
engano.
Por estas razõ es, nã o há que se falar em arbitramento de indenizaçã o por dano moral,
quando a contrataçã o torna-se viciada por equívoco do contratante, nã o havendo conduta
ilícita da instituiçã o financeira a lhe impor ô nus pecuniá rio.
Basta, para tanto, que seja declarado nulo o negó cio jurídico viciado e celebrado, para que
as partes retornem ao status inicial, tal qual determinado pela sentença.
Nã o há , portanto, motivo plausível para a condenaçã o do requerido à repetiçã o do indébito
tampouco, eis que, conforme já explanado em linhas anteriores, a anulabilidade depende de
pronunciamento jurisdicional para operar seus efeitos, e, até entã o, o contrato era
plenamente vá lido e eficaz, nã o havendo má -fé do banco ao efetuar os descontos, afastando
a aplicaçã o do art. 42, pará grafo ú nico, do CDC.
Neste sentido:
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REPETIÇÃO EM DOBRO DO INDÉBITO C/C PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAL E MORAL. COBRANÇA EM DUPLICIDADE DE ARRAS EM CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA
DE IMÓVEL. NÃO DEMONSTRAÇÃO DOS PREJUÍZOS ALEGADOS. IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS INICIAIS.
SENTENÇA MANTIDA. 1. A repetição em dobro do indébito, prevista no art. 42, parágrafo único, do CDC,
pressupõe tanto a existência de pagamento indevido quanto a má-fé do credor. 2. No caso, a prova dos autos
aponta no sentido de que não houve pagamento em duplicidade (indevido) das arras relativas ao pacto de
promessa de compra e venda celebrado entre as partes, nem há indícios de que houve vício do consentimento.
Logo, acertado o julgamento de improcedência do pleito de repetição em dobro do indébito, mormente porque
não demonstrada a má-fé da apelada. 3. Mantém-se o julgamento de improcedência dos pedidos de condenação
da apelada ao ressarcimento de dano material e ao pagamento de indenização por dano moral, pois referidos
prejuízos não foram provados. Apelo cível desprovido. (TJGO, APELACAO CIVEL 397269-02.2014.8.09.0049, Rel.
DES. ZACARIAS NEVES COELHO, 2A CÂMARA CIVEL, julgado em 29/11/2016, DJe 2169 de 15/12/2016)(Grifei)
APELAÇÃO CÍVEL EM AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL E
MORAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE COBRANÇA
INDEVIDA. IMPOSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO EM DOBRO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE CIVIL. AUSÊNCIA DE
DEFEITO. SENTENÇA REFORMADA. 1. Não há se falar em cerceamento do direito de defesa, quando a parte
interessada deixa transcorrer in albis o prazo para justificar a produção de prova oral requerida, rendendo ensejo à
preclusão da matéria. 2. Para haver a repetição em dobro, além da má-fé do fornecedor, é pressuposto objetivo
a existência de cobrança indevida, cuja ausência torna impossível a incidência da sanção prevista no art. 42,
parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor. Precedentes do STJ e do TJGO. 3. O fornecedor somente
pode eximir-se de sua responsabilidade civil, caso comprove a existência de alguma das excludentes previstas no §
3º do artigo 12 do Código de Defesa do Consumidor. Comprovado que não houve defeito na execução do contrato,
impõe-se a exclusão da responsabilidade civil do fornecedor. 4. Segundo a jurisprudência do colendo Superior
Tribunal de Justiça, a inversão do ônus da prova em proveito no consumidor, de conformidade com o art. 6º, inciso
VIII, do CDC, não é automática, devendo ser analisada as condições de verossimilhança da alegação e de
hipossuficiência. 5. Descabe a condenação da construtora ao pagamento de multa contratual, quando não houver
comprovação de atraso na entrega do imóvel. 6. Por força da reforma da sentença, cumpre inverter os ônus
sucumbenciais, para condenar a parte vencida ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios de
sucumbência, que arbitro em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa, na forma do § 2º do art. 85 do
Código de Processo Civil de 2015. Por ser o autor beneficiário da assistência judiciária, deve ser suspensa sua
exigibilidade, de conformidade com o § 3º do art. 98 do Código de Processo Civil de 2015. 7. APELAÇÃO CÍVEL
CONHECIDA E PROVIDA. (TJGO, APELACAO CIVEL 319817-13.2014.8.09.0049, Rel. DES. ELIZABETH MARIA DA SILVA,
4A CÂMARA CIVEL, julgado em 08/09/2016, DJe 2110 de 14/09/2016)(Grifei)

Alfim, sendo a sentença mantida em todos os seus termos, há de ser mantida a


sucumbência recíproca fixada pelo ato judicial atacado, obrigando-se autor e réu pelo
pagamento das custas processuais, compensando-se os honorá rios sucumbenciais.
À guisa de exemplo:
APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. OCORRÊNCIA. Restando devidamente
constatada a sucumbência recíproca, devem as partes litigantes arcar com o rateio das custas, despesas
processuais e honorários advocatícios, nos termos do artigo 21, caput, do Código de Processo Civil de 1973,
incidente à hipótese dos autos. APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E DESPROVIDA. (TJGO, APELACAO CIVEL 438616-
84.2012.8.09.0178, Rel. DES. GERSON SANTANA CINTRA, 3A CÂMARA CIVEL, julgado em 29/11/2016, DJe 2167 de
13/12/2016)

Neste desiderato, sem reparos a sentença recorrida, devendo ser integralmente mantida,
inclusive no que tange aos ô nus sucumbenciais, observando-se, contudo, as disposiçõ es do
art. 98, § 3º, do NCPC, acerca da suspensã o da exigibilidade de tais encargos em relaçã o a
parte autora.
Ao teor do exposto, CONHEÇO E NEGO PROVIMENTO ao apelo, mantendo a sentença
recorrida por seus pró prios e só lidos fundamentos.
É o voto.
Goiâ nia, 07 de fevereiro de 2017.
DR. MARCUS DA COSTA FERREIRA
Juiz de Direito Substituto em 2º Grau
Relator

APELAÇÃO CÍVEL Nº 415711-37.2014.8.09.0042 (201691669199)


COMARCA DE FAZENDA NOVA
APELANTE MANOEL SOARES DA SILVA
APELADO BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A
RELATOR DR.MARCUS DA COSTA FERREIRA
Juiz de Direito Substituto em 2º Grau
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/
DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO CONTRAÍDO POR ERRO. ANULAÇÃO DO
NEGÓCIO JURÍDICO. RETORNO DAS PARTES AO STATUS QUO ANTE. DANO MORAL E
REPETIÇÃO DO INDÉBITO. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO OU MÁ-FÉ.
SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA MANTIDA. 01 – É passível de nulidade o contrato de mú tuo
bancá rio firmado por consumidor idoso, amparado em sua hipervulnerabilidade, eis que a
pactuaçã o se dera por engano pró prio. 02 – Nã o há que se falar em condenaçã o da
instituiçã o financeira em pagamento de indenizaçã o por dano moral quando ausente a má -
fé que autorize a imposiçã o da medida, bem como a comprovaçã o do dano. 03 – Igualmente
incabível a determinaçã o de repetiçã o de indébito, por nã o ter sido evidenciada a má -fé do
banco requerido, sendo inaplicá vel o art. 42, pará grafo ú nico, do CDC, devendo ser feita a
restituiçã o dos valores pagos, de forma simples. 04 – Sendo autor e réu sucumbentes em
parte de suas pretensõ es, devem ambos arcar com as custas processuais, compensando-se
os honorá rios advocatícios, observando-se a suspensã o da exigibilidade do encargo em
relaçã o ao autor, nos termo do art. 98, § 3º, do NCPC. APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E
DESPROVIDA.

ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Apelaçã o Cível nº 415711-37, acordam
os integrantes da 3ª Turma Julgadora da 6ª Câ mara Cível, a unanimidade em CONHECER E
NÃ O PROVER o apelo, nos termos do voto do Relator.
Presidiu a sessã o a Desembargadora Sandra Regina Teodoro Reis.
Votaram com o relator a Desembargadora Sandra Regina Teodoro Reis e o Dr. Wilson
Safatle Faiad, substituto do Desembargador Jeová Sardinha de Moraes.
Esteve presente à sessã o o ilustre Procurador de Justiça Dr. Osvaldo Nascente Borges.
Goiâ nia, 07 de fevereiro de 2017.
Dr. MARCUS DA COSTA FERREIRA
Juiz de Direito Substituto em 2º Grau
Relator