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Grupos de discussão: aportes teóricos e metodológicos

Chapter · January 2010

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Wivian Weller
University of Brasília
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© 2010, Editora Vozes Ltda.
Rua Frei Luís, 100
25689-900 Petrópolis, RJ
Internet: http://www.vozes.com.br

Esta publicação teve o apoio do


Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação
Universidade de Brasília

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Diretor editorial
Frei Antônio Moser

Editores
Ana Paula Santos Matos
José Maria da Silva
Lídio Peretti
Marilac Loraine Oleniki

Secretário executivo
João Batista Kreuch

Editoração: Elaine Mayworm


Projeto gráfico: WM Design – Wladimir Melo
Capa: WM Design – Wladimir Melo

ISBN 978-85-326-3994-3

Editado conforme o novo acordo ortográfico.

Este livro foi composto e impresso pela Editora Vozes Ltda.


Sumário

Apresentação, 9

P ARTE I PESQUISA QUALITATIVA EM EDUCAÇÃO, 11


1 Pesquisa qualitativa em Educação: origens e desenvolvimentos, 12
Wivian Weller e Nicolle Pfaff
2 A relevância dos métodos de pesquisa qualitativa em Educação no Brasil, 29
Bernadette Gatti e Marli André
3 A relevância dos métodos de pesquisa qualitativa em Educação na Alemanha, 39
Heinz-Hermann Krüger

P ARTE II GRUPOS DE DISCUSSÃO E MÉTODO DOCUMENTÁRIO, 53


1 Grupos de discussão: aportes teóricos e metodológicos, 54
Wivian Weller
2 O método documentário na análise de grupos de discussão, 67
Ralf Bohnsack e Wivian Weller
3 A transição de jovens-mulheres da escola para o mundo do trabalho:
uma abordagem multicultural, 87
Karin Schittenhelm
4 Percepções de gênero entre estudantes brasileiros e alemães da área tecnológica:
um estudo comparativo, 100
Marília Gomes de Carvalho

P ARTE III ANÁLISE DE IMAGENS E FILMES, 113


1 A interpretação de imagens segundo o método documentário, 114
Ralf Bohnsack
2 Práticas culturais de recepção e apropriação de filmes na perspectiva da Sociologia
Praxeológica do Conhecimento, 135
Alexander Geimer
3 A interpretação de filmes segundo o método documentário, 151
Astrid Baltruschat
4 A análise de charges segundo o método documentário, 182
Vinicius Liebel
5 Educação hipertextual: por uma abordagem dialógica e polifônica na leitura de imagens, 197
Ângela Álvares Correia Dias

P ARTE IV ENTREVISTA NARRATIVA E PESQUISA BIOGRÁFICA, 209


1 Pesquisa biográfica e entrevista narrativa, 210
Fritz Schütze

2 Trajetórias militantes: análise de entrevistas narrativas com professores


e integrantes do Movimento Negro, 223
Karine Pereira Goss

3 Migrantes altamente qualificados: oportunidades, restrições e motivos da imigração, 239


Arnd-Michael Nohl e Ulrike Selma Ofner

P ARTE V ETNOGRAFIA E EDUCAÇÃO, 253


1 Etnografia em contextos escolares: pressupostos gerais e experiências
interculturais no Brasil e na Alemanha, 254
Nicolle Pfaff

2 Considerações sobre a etnografia na escola e prática investigativa sobre as


relações raciais e de gênero, 271
Eliane dos Santos Cavalleiro

3 Análise do Discurso em Educação: um exemplo do ensino de Filosofia, 279


Anne Schippling

4 A reconstrução etnográfica de um percurso de pesquisa transatlântico, 289


Rogério Moura

P ARTE VI RETORNO SOCIAL E INTEGRAÇÃO DA PESQUISA QUALITATIVA


NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PEDAGOGOS SOCIAIS, 301

1 A integração da pesquisa qualitativa na formação de pedagogos sociais:


etnógrafos e educadores refletindo sobre seu próprio objeto, 302
Gerhard Riemann

2 A integração da pesquisa qualitativa na formação de professores: compreensão e


reflexão da ação pedagógica a partir de um estudo de caso, 317
Christine Wiezoreck

3 Contribuições da história oral em processos de transformação social e


empoderamento dos grupos, 324
Olga Rodrigues de Moraes von Simson

Sobre as autoras e os autores, 334


Capítulo 1

Grupos de discussão:
aportes teóricos e metodológicos

Wivian Weller

Nos últimos anos, observa-se um crescente interesse por técnicas de entrevistas grupais no
campo da pesquisa qualitativa nas Ciências Sociais e na Educação, assim como pela gravação e
análise de conversações improvisadas, tais como discussões de alunos ou de professores em sala
de aula ou no pátio escolar (WAGNER-WILLI, 2005; DENIS, 2008), diálogos de mulheres
durante cursos de tecelagem (CUNHA, 2008). No Brasil, os grupos focais, utilizados sobretudo
nas pesquisas psicológicas e antropológicas na área da Saúde (CARLINI-COTRIM, 1996;
GONDIM, 2002), representam o procedimento mais popular no conjunto das técnicas utili-
zadas em entrevistas com grupos. Outras abordagens, tais como os grupos de discussão segundo
a proposta de Ibanez na Espanha (1979), dos Estudos Culturais de Birmingham (WILLIS,
1990; BROWN, 1994) ou de Mangold e Bohnsack na Alemanha (entre outros: MANGOLD,
1960; BOHNSACK, 1989, 2007), são pouco conhecidas. Buscando superar essa lacuna, o
presente artigo reconstrói o contexto de desenvolvimento dos grupos de discussão na Alemanha,
destacando o aporte teórico e metodológico desse procedimento que não se constitui apenas
como uma técnica de coleta de coleta de dados, mas como um método de investigação.

Grupos focais e grupos de discussão: algumas diferenças


Grupos focais
Em alusão ao conceito de esfera pública de Jürgen Habermas, Gaskell (2002) afirma que os
grupos focais podem ser definidos como uma “esfera pública ideal”, já que se trata de “um debate
aberto e acessível a todos [cujos] assuntos em questão são de interesse comum; as diferenças de
status entre os participantes não são levadas em consideração; e o debate se fundamenta em uma
discussão racional” (p. 79). Essa técnica de entrevista – de origem anglo-saxônica – começou
a ser utilizada nas pesquisas de marketing e de reação do público à propaganda no período do
pós-guerra por pesquisadores como Robert Merton, Patrícia Kendall e P. Lazarfeld (LOOS &
SCHÄFFER, 2001). Os grupos focais são geralmente constituídos por um número de seis a

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