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AVALIAÇÃO: RESUMO INFORMATIVO1

MELO JÚNIOR, João Alfredo Costa de Campos. Burocracia e educação: uma análise
a partir de Max Weber. 2010. Disponível em:
https://moodle.ufsc.br/pluginfile.php/4630004/mod_resource/content/1/ARTIGO
%20-AVALIA%C3%87%C3%83O%20SOCIAIS%20-%20RESUMO
%20INFORMATIVO.pdf. Acesso em: 27 jul. 2021.

No artigo “Burocracia e educação: uma análise a partir de Max Weber”


elaborado pelo cientista social João Alfredo Costa de Campos Melo Júnior no ano
de 2010, propõe compreender o pensamento do sociólogo Max Weber sobre os
estudos da burocracia.
Weber trabalhou não só com a sociologia, mas também com a história, com o
direito, a economia, e outras áreas interdisciplinares. Para ele, a sociologia, como
ciência, deveria ser oposta à teoria empirista, reivindicando os conceitos e estudos
sociais, porém, de forma diferente das outras ciências, sem estabelecer leis
universais. Assim, o sociólogo busca analisar - levando em conta a realidade em
que vive - peculiaridades da burocracia moderna.
A burocracia causa efeitos sociais e políticos diferentes do que é
estabelecido pelo senso-comum, não sendo apenas um instrumento que tende a
gerar atrasos em políticas públicas. Na verdade, é “a forma mais racional de
dominação” (JÚNIOR, 2010, p. 149). As instituições de ensino, tanto públicas
quanto privadas, também estão sujeitas a esse sistema.
Para entender o pensamento weberiano, Júnior sintetiza o contexto vivido
pelo sociólogo, durante os anos de 1864 até 1920, no período conhecido como
"Querela dos Métodos", quando se discutia sobre a autonomia e necessidade de um
método para estudo das Ciências Sociais e Humanas. Havia dois grupos, os
positivistas, que acreditavam na similaridade das ciências humanas com as
naturais, e os antipositivistas que percebiam a diferença metodológica entre as
ciências. Weber era favorável a este segundo grupo, mas questionava o fato desta

1 Trabalho realizado
pela acadêmica Lísia Santos Berti, como requisito da avaliação semestral da
disciplina de Produção Textual Acadêmica I, ministrada pelo professor Atílio Butturi Junior,
do curso
de Ciências Sociais, da Universidade Federal de Santa Catarina, campus Trindade.
metodologia causar um relativismo teórico e se contrapõe a diferentes pensadores
da época.

Para ele,o conhecimento é múltiplo, o que leva a existirem diferentes pontos


de vista e diferentes ciências, cada uma com suas peculiaridades, sendo analisadas
separadamente, e que
[...] deve ser apresentado como um desenho racional da realidade,
representando uma totalidade histórica única, obtida por meio de análises
hipotéticas advindas da pesquisa. A burocracia e a educação em Weber se
encaixam nesse perfil elaborado. (JÚNIOR, 2010, p. 153).

Sobre entender o conceito de burocracia, é necessário compreender sua


origem junto do patrimonialismo, que “são frutos das noções de domínio e
legitimidade” (JÚNIOR, 2010, p,153). A burocracia apresenta três formas de
dominação:
● legítima: que busca estabelecer regras;
● tradicional: firmada por costumes e tradições de determinados grupos;
● carismática: necessita de um líder e da criação de vínculos emocionais.
Essas formas de domínio são tipologias teóricas, dependendo das
circunstâncias, na prática, podem acabar não encaixando com a realidade social.
Sendo a burocracia carismática a mais comum, porém facilmente mutável se não for
constantemente reelaborada, sendo “vital para sua sobrevivência a contínua
adaptação às condições políticas na qual o líder está inserido” (JÚNIOR, 2010, p.
155).
Para compreender as noções burocráticas (regidas por leis), foram definidas
algumas regras. Inicialmente, o que regulamenta as atividades governamentais é a
burocracia, mas também torna possível que as autoridades “executem suas funções
rigorosamente delimitadas pela legislação pertinente” (JÚNIOR, 2010, p. 156). Por
último, dita o trabalho que deve ser feito para as pessoas designadas em
determinados ofícios. Com isso, legitima a organização hierárquica dentro das
empresas (governamentais e privadas), fortalecendo a dominação.
É através da educação que as formas de dominação se instituem com maior
facilidade, se tornando um instrumento importante para o controle social, motivando
constantemente a competição em busca de maiores privilégios. O sistema
educacional “sujeitava os professores às amarras burocráticas produzidas pelo
Estado” (JÚNIOR, 2010, p. 161), tornando impossível a liberdade. Estes
funcionários, qualificados por um diploma, através da educação podem contribuir
para uma sociedade mais avançada, e quanto maior sua qualificação, mais elevada
será sua remuneração salarial. Entretanto, pode gerar acúmulo de bens materiais, e
o indivíduo se torna ganancioso, se preocupando apenas com o prestígio social,
fazendo com que a educação se distancie da liberdade, anulando a existência do
indivíduo e tornando-o submisso.
O ambiente educacional deveria ser definido
“[...] pela livre expressão política e científica. A sala de aula deveria ser
concebida como o lugar onde o professor pudesse livremente tecer críticas
ao Estado e suas autoridades políticas dirigentes.” (JÚNIOR, 2010, p. 160-
161)

Por tanto, é com esses aspectos apresentados que estão os principais


elementos do processo de organização burocrático e suas consequências sociais. O
artigo escrito pelo cientista social pode ser usado para levantar hipóteses no campo
da educação, observar instituições de ensino rigorosas e a condição do ambiente
educacional para os alunos.