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ATIVIDADE DE REVOLUÇÃO E DIREITOS

Rafael Alves Pinto, Rodrigo Ramalho e Márcia Lima

Após a leitura da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, com base nas aulas
e textos, responda as questões a seguir:
1) A partir do Preâmbulo:
Os representantes do povo francês, reunidos em Assembleia Nacional, tendo em vista que a
ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males
públicos e da corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais,
inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os
membros do corpo social, lhes lembre permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de
que os atos do Poder Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento
comparados com a finalidade de toda a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a
fim de que as reivindicações dos cidadãos, doravante fundadas em princípios simples e
incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da Constituição e à felicidade geral.

a) Como se percebe e se identifica nele o contexto e a motivação


revolucionária?
b) Como já no Preâmbulo, LeFebvre indica que a Declaração é o atestado de
óbito do Antigo Regime.

2) Escolha artigos da Declaração e faça uma discussão dos pilares da revolução.


Leve em consideração o que aparece, o que não aparece de forma tão explícita,
como se constitui no texto esses pilares e as noções que eles carregam:
d) Liberdade
A Revolução Francesa transformou a concepção política e social não só da
França, mas de todo o mundo ocidental e oriental. A ruptura com o antigo
regime, com a classe aristocrática, com o rei e a ascensão da burguesia são
resultados desse evento.
Nesse primeiro momento, A revolução francesa rompe com a ideia do antigo
regime, dilacerando a estrutura monárquica. A burguesia, em ascensão desde o
século XV, agora se consolida e se configura propriamente como classe.
A posteriori, os revolucionários constituem a Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão. Essa declaração reúne diretrizes e bases iluministas para
fundar pela primeira vez, o conceito materializado de cidadão, cidadania,
direitos e estado republicano, atados pelo lema de Liberdade, Fraternidade e
Igualdade.
Trazendo esse bordão de Liberdade, Fraternidade e Igualdade para o contexto
social e histórico da Revolução Francesa, é possível inferir certas máximas sob
perspectiva marxista.
A primeira máxima é que a Revolução Francesa foi uma revolução liberal
burguesa, uma vez que os agentes que se consolidaram e se beneficiaram foi a
classe burguesa.
Outra máxima é que a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão não
abarcou todos os sentidos expressos no papel, uma vez que a declaração ia de
encontro a escravidão, e ironicamente ou não, no continente Americano, as
colônias francesas ainda permaneciam submetidas sob o regime escravista.
Outra máxima é que alguns tópicos da Declaração assume um posicionamento
liberal e burguês, principalmente as que se referem a liberdade.
Os tópicos I, II, IV, XI e XVII revelam claramente qual o objetivo da criação
dessa declaração:

I - Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos; as distinções


sociais não podem ser fundadas senão sobre a utilidade comum.

II - O objetivo de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e


imprescritíveis do homem; esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança
e a resistência à opressão.

IV - A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique a outrem. Assim, o
exercício dos direitos naturais do homem não tem limites senão aqueles que
asseguram aos outros membros da sociedade o gozo desses mesmos direitos; seus
limites não podem ser determinados senão pela lei.

XI - A livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um dos direitos mais


preciosos do homem; todo o cidadão pode, pois, falar, escrever e imprimir
livremente; salvo a responsabilidade do abuso dessa liberdade nos casos
determinados pela lei.

XVII - A propriedade, sendo um direito inviolável, e sagrado, ninguém pode ser dela
privado senão quando a necessidade pública, legalmente constatada, o exija
evidentemente, e sob a condição de uma justa e prévia indenização.

Em suma, essas declarações escolhidas dizem respeito a legitimidade da


liberdade individual e do respaldo da propriedade privada. O interesse no
benefício da garantia da liberdade individual e da propriedade privada não vem
da classe proletária, ela vem da classe burguesa.
Diante disso, é indissociável a relação burguesia e a declaração dos direitos do
homem e do cidadão. Uma vez que ela é a própria manifestação dos interesses
classicistas.
Todavia, é irrefutável as contribuições que posteriormente isso vai repercutir no
mundo inteiro. A concepção de cidadania e cidadão são fundamentais para se
constituir a república e a democracia, portanto, são pilares que mantém e
configuram a época contemporânea.
Concluindo, a liberdade na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão vai
muito mais para o sentido liberal e burguês do que a visão romantizada da
“igualdade” e “fraternidade” da revolução. Porém, ela trouxe benefícios. Se hoje
podemos usufruir da democracia, da liberdade de expressão, do acesso a
informação e também da crítica, é porque esse evento foi um salto para o futuro
e para a contemporaneidade.

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