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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (UFES)

Discente:​ Tommaso Bellone Júnior


Docente: ​Gustavo Rocha Chritaro
Curso: ​Cinema e Audiovisual
Disciplina: ​Introdução à Trilha Musical

Fichamento: A Música do Filme - Tony Berchmans

● Anos 50-60

“[...] era enorme o número de produções cinematográficas baseadas nos sucessos


da música popular, tanto em filmes de comédias chanchadas, musicais
carnavalescos, como em dramas românticos. Isto fazia com que os scores dos
compositores dividissem a trilha sonora dos filmes com canções interpretadas por
cantores do rádio, massivos sucessos populares.” (BERCHMANS, 2006, p. 124)

“Temas fantasiosos e românticos perderam seus postos para temas mais densos e
profundos, harmonias dissonantes e provocadoras.” (BERCHMANS, 2006, p. 126)

“Essa tendência de se utilizar canções populares nos filmes iniciada em 1952 com
Do Not Forsake Me, composta por Dimitri Tiomkin para o já citado clássico Matar ou
Morrer, expandiu-se nos anos 50 e consagrou-se na década de 1960.”
(BERCHMANS, 2006, p. 128)

“Muitos produtores colocavam canções nos filmes esperando que estas viessem a
ser hits populares no rádio e na e televisão e assim, como detinham os direitos das
músicas dos filmes, sua receita poderia aumentar e prolongar-se.” (BERCHMANS,
2006, p. 129)

“Ao contrário dos musicais, onde as canções eram interpretadas pelos próprios
atores, nessa época as canções tinham um caráter de realmente descrever o clima
da cena, muitas vezes pontuando ou situando o caráter e o estilo de vida dos
personagens.” (BERCHMANS, 2006, p. 129)

“Os anos 50 consolidaram de fato a mudança e a diversificação dos estilos de


música de cinema. Um dos compositores que consagrou sua personalidade foi o
italiano Nino Rota.” (BERCHMANS, 2006, p. 131-132)
“O estilo de composição, a linguagem espontânea e a personalidade das melodias
de Nino Rota vieram a calhar para os clássicos de Fellini.” (BERCHMANS, 2006, p.
132)

“Depois de um longa lista de trilhas menos populares, Morricone consagrou-se com


os clássicos faroestes italianos do diretor Sergio Leone, que carregaram consigo a
inusitada sonoridade das trilhas do compositor.” (BERCHMANS, 2006, p. 132)

“Inicialmente um sucesso na Europa, os ​spaguetti western​ (ou “bang-bang à


italiana”) como foram chamados por aqui) se espalharam pelo mundo e sua música
característica alavancou a carreira de Morricone.” (BERCHMANS, 2006, p. 132)
“Tudo isso porque ele não seguiu os padrões da velha conhecida música de
faroeste americano consagrada por Dimitri Tiomkin nos antigos faroestes e
desenvolveu um estilo novo ao usar guitarra elétrica, solos de assobio e elementos
percussivos vocais.” (BERCHMANS, 2006, p. 132)

● Anos 90 - atuais

“Um dos compositores mais populares da atualidade, Danny Elfman começou a se


destacar por volta dessa época particularmente com a característica trilha do filme
Os Fantasmas se Divertem (Beetlejuice, 1988), do diretor Tim Burton.”
(BERCHMANS, 2006, p. 149)

“[...] os anos 90 consagraram a sonoridade sinfônica como base da maior parte dos
scores dos grandes filmes. E, ao longo da década, os novos recursos técnicos dos
anos 80 deixaram de ser novidade e passaram a se integrar com a instrumentação
orquestral nas suas mais variadas formas.” (BERCHMANS, 2006, p. 151)

“[...] na música popular, a grande mistura de estilos e o vale-tudo no caldeirão de


influências nas novas composições forneceram mais cores e texturas sonoras para
a música de cinema.” (BERCHMANS, 2006, p. 151)

“Rompendo а tradição machista da comunidade de compositores de música para


cinema, algumas mulheres se destacaram na década de 1990. Talvez a que tenha
obtido maior sucesso seja a inglesa Rachel Portman.” (BERCHMANS, 2006, p. 157)

“No Brasil, o renascimento do cinema brasileiro após о desastre do governo Collor


parece estar fazendo muito bem à valorização da música original para cinema.
Várias iniciativas bem-sucedidas tiveram destaque em suas criações musicais a
partir de então.” (BERCHMANS, 2006, p. 157)

“Para ajudar a contar a história, ambientar a narrativa e descrever as situações,


Morelembaum compôs dois temas principais, um para cada par romântico do filme.”
(BERCHMANS, 2006, p. 158)

“O estrondoso sucesso de Cidade de Deus no mundo inteiro representou um cartão


de visitas para o compositor, que atraiu a atenção da comunidade internacional.”
(BERCHMANS, 2006, p. 158)
“Em 2003, Antonio Pinto ganhou o prêmio World Soundtrack Award de “descoberta
do ano” por seu trabalho. Na sequência foi convidado a compor música adicional
para o filme Collateral (2004), além da trilha da produção mexicana- equatoriana
Crônicas (Crônicas, 2004) e do score para o interessante filme estrelado por Nicolas
Cage, O Senhor das Armas (Lord of War, 2005)” (BERCHMANS, 2006, p. 158-159)

“Além de grandes produções internacionais, tem feito trilhas para importantes filmes
nacionais como Cidade dos Homens (2007), À Deriva (2009), Lula, o filho do Brasil
(2009) e o documentário Senna (2010).” (BERCHMANS, 2006, p. 159)

“Superando as habituais e recorrentes dificuldades da produção cinematográfica


nacional, muitos compositores brasileiros têm conseguido contribuir
significativamente com muitos filmes, numa variedade muito ampla de estilos.”
(BERCHMANS, 2006, p. 159)

“A parceria entre os músicos Caito Marcondes e Teco Cardoso rendeu uma étnica e
monótona trilha para Cineasta da Selva (1998), recheada de instrumentos exóticos
e que contou ainda com a participação de Marlui Miranda e Eugênia Melo e Castro.
Segundo informações do encarte do CD, esta foi a primeira mixagem de um disco
brasileiro em Dolby Surround.” (BERCHMANS, 2006, p. 159-160)

“Desenvolvendo uma parceria bem-sucedida com o diretor Jorge Furtado está o


compositor Leo Henkin, que já havia trabalhado com ele em curtas-metragens antes
dos longas Houve Uma Vez Dois Verões (2002), O Homem que Copiava (2003), e
Saneamento Básico - O filme (2007).” (BERCHMANS, 2006, p. 160)

“Carioca radicado em Los Angeles, Pedro Bromfman é um jovem talento promissor


que vem se destacando pelas marcantes trilhas dos blockbusters brasileiros Tropa
de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010).” (BERCHMANS, 2006, p. 160-161)

“O final dos anos 90 e início do novo milênio trouxe um cardápio variado de boas
trilhas, apesar dos fortes estereótipos musicais que dominaram alguns gêneros de
filmes. Exemplo dessa tendência é uma composição que parece ter sido largamente
copiada posteriormente: a música do filme O Resgate do Soldado Ryan, por
exemplo.” (BERCHMANS, 2006, p. 161)

“Embora não tenha nada de radicalmente inovador, o tipo de composição solene,


melodias de notas longas e determinadas formas de instrumentação (como os
conjuntos de trompas), levaram este belo score de John Williams a ser imitado em
vários outros filmes do gênero e afins.” (BERCHMANS, 2006, p. 161)

“Com a crescente internacionalização das produções são inúmeros os compositores


que atuam no cinema de seu país de origem durante um tempo e acabam tendo seu
trabalho reconhecido no mundo inteiro devido à repercussão dos filmes e à
consistência de seu trabalho autoral.” (BERCHMANS, 2006, p. 162)

“Radicado em Los Angeles, o compositor e produtor argentino Gustavo Santaolalla


ganhou dois Oscars consecutivos pelas trilhas de O Segredo de Brokeback
Mountain (Brokeback Mountain, 2005) e Babel (2006), este último de seu grande
parceiro, o diretor Alejandro González Iñárritu.” (BERCHMANS, 2006, p. 165)

“[...] sua obra apresenta inegável adequação aos filmes e suas trilhas têm uma forte
personalidade dramática muitas vezes copiada por outros músicos.” (BERCHMANS,
2006, p. 166)

“Embora não haja consenso sobre as tendências e funções da composição musical


no cinema atual, talvez seja possível concluir que a multiplicidade de opiniões,
buscas e enfoques sobre o tema seja justamente lenha para a fogueira da
criatividade musical.” (BERCHMANS, 2006, p. 170)

“Como o cinema, a música que o acompanha continua a emocionar plateias em


todos os cantos do planeta, apesar de todas as transformações ao longo de sua
história.” (BERCHMANS, 2006, p. 172)

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