Você está na página 1de 21

FEESP – FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO ESTADO DE SÃO PAULO

CURSO DE EDUCADOR ESPÍRITA

MARIA CÉLIA RIBEIRO JATENE

AUTISMO NA VISÃO ESPÍRITA

São Paulo
2020
MARIA CÉLIA RIBEIRO JATENE

AUTISMO NA VISÃO ESPÍRITA

Trabalho Individual de conclusão do Curso


de Educador Espírita da Federação Espírita
do Estado de São Paulo, sob a orientação
do Dirigente Antonio Donizete do Espírito
Santo

São Paulo
2020
Dedico este trabalho à minha mãe Maria
José, que me introduziu na Doutrina
Espírita, desde muito criança, para que eu
conhecesse a realidade da vida e me
tornasse uma pessoa mais forte perante
ela, sempre com fé em Deus e em Jesus.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, pela sustentação em minha vida para que eu seguisse


sempre em frente, nos estudos da Doutrina Espírita e seguir as pegadas do Mestre
Jesus.
Agradeço à minha família pela paciência e compreensão ao longo de todo o
caminho percorrido.
Agradeço a todos os colegas e amigos de classe e a todos os Dirigentes
deste curso maravilhoso, que muito contribuíram para a minha formação e a
realização deste trabalho.
RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo estudar as causas do Autismo (Transtorno do


Espectro do Autismo – TEA), suas características, tratamentos adequados,
importância da participação efetiva dos pais e profissionais na intervenção para a
aprendizagem e desenvolvimento da criança com TEA. A escolha deste tema surgiu
devido a nossa curiosidade de saber o porquê algumas crianças nascem com esta
doença e se o Autismo é devido a problemas de ordem espiritual. Embora “Autismo”
seja um tema científico, faremos uma abordagem à luz da Doutrina Espírita, que é
Filosofia, Ciência e Religião e, principalmente, falar sobre o nosso trabalho
voluntário de Passe Espiritual em crianças na idade de 0 a 13 anos de idade, na
Assistência P4 (Assistência Pasteur 4), na Federação Espírita do Estado de São
Paulo (FEESP), onde foram observadas melhoras significativas em crianças com
diversas problemáticas, tanto de fundo espiritual, como físico, emocional e
psicológico. Essas crianças são trazidas pelos pais, ou avós a essa referida
Assistência.

Palavras-chave: Transtorno do Espectro do Autismo. Autismo na Visão Espírita.


ABSTRACT

This work aims to study the causes of Autism - ASD (Autism Spectrum Disorder), its
characteristics, the effective participation of the parents and professionals in the
proper treatment for the process of learning and development of children with TEA.
The choice of this subject was due to our curiosity to know why some children are
born with this disease and whether Autism is due to spiritual causes. Although
Autism is a Scientific theme, we will do an approach through Spiritist Perspective,
once Spiritism encompasses Philosophy, Science and Religion and mainly to talk
about our voluntary work in the Assistance P4 (Assistance Pasteur 4, for children in
age between 0 to 13 years old) at Federação Espírita do Estado de São Paulo
(FEESP) by applying Energy Healing in children with several spiritual, physical,
emotional and/or psychological issues. These children are brought by their parents,
or grandmothers and due to this Assistance P4 a significant improvement were
observed.

Key-words: Autism Spectrum Disorder. Autism Through the Spiritist Perspective.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO........................................................................................................7

2 O QUE É AUTISMO................................................................................................7

3 O AUTISMO PELA CIÊNCIA.................................................................................8


3.1 CLASSIFICAÇÃO DO AUTISMO.........................................................................9
3.2 TIPOS E CARACTERÍSTICAS DO AUTISMO.....................................................9
3.2.1 Síndrome de asperger....................................................................................9
3.2.2 Transtorno invasivo do desenvolvimento...................................................9
3.2.3 Transtorno autista........................................................................................10
3.2.4 Transtorno desintegrativo da infância.......................................................10
3.2.5 Síndrome de Savant.....................................................................................10
3.3 NÍVEIS DO AUTISMO........................................................................................11
3.4 CUIDADOS E ATENDIMENTO..........................................................................12

4 ALGUNS AUTISTAS FAMOSOS.........................................................................13

5 AUTISMO NA VISÃO ESPÍRITA.........................................................................14


5.1 A ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL...........................................................................18

6 CONCLUSÃO.......................................................................................................19

REFERÊNCIAS...........................................................................................................19
7

1 INTRODUÇÃO

As encarnações do Espírito imortal são um presente Divino para a quitação


de suas responsabilidades oriundas dos equívocos nas vidas pretéritas, com o
objetivo de se desenvolver com esforço próprio até atingir a perfeição relativa.
O objetivo deste trabalho é mostrar a visão espírita das causas da
encarnação do Autista, que é um desafio constante para pais, familiares, médicos e
para a sociedade, onde somente o amor, a fé em Deus e o trabalho conjunto
tornam-se imprescindíveis.

2 O QUE É AUTISMO

A origem da palavra “autismo” vem do Grego: “Autós”, que significa “voltar-se


para si mesmo” devido a sua pouca interação com outras pessoas (SANTOS, 2014).
De acordo com o artigo escrito por Francisco Paiva Junior (2020), editor-chefe
da Revista Autismo, o nome oficial do Autismo é “Transtorno do Espectro Autista
(TEA)”, ou seja, é um transtorno do desenvolvimento, que ocorre em idades muito
precoces, tipicamente antes dos três anos de idade e que compromete as suas
habilidades de comunicação, da imaginação e de interação social. Francisco afirma:

Não há só um, mas muitos subtipos do transtorno. Tão abrangente que se


usa o termo “Espectro”, devido aos vários níveis de comprometimento; há
desde pessoas com outras doenças e condições associadas
(comorbidades), como deficiência intelectual e epilepsia, até pessoas
independentes, com vida comum, algumas nem sabem que são autistas,
pois jamais tiveram diagnóstico social (PAIVA JUNIOR, 2020, p. 1).

O inventor da palavra “autismo”, foi o Dr. Paul Eugen Bleuler (2020),


psiquiatra Suíço em 1908, através de seus pacientes esquizofrênicos, extremamente
retraídos, de acordo com o artigo da Dra. Ananya Mandal, MD, para o Jornal News
Medical Life Sciences, de 26/02/2019 (MANDAL, 2019).
Dra. Ananya discorre que anos mais tarde, na década de 1943 e 1944, o
psiquiatra Leo Kanner (2019) e o pediatra Johann Hans Friedrich Karl Asperger
(2020) ambos austríacos, começaram a estudar, separadamente a síndrome e
ambos os trabalhos tiveram impacto na literatura mundial; em momentos distintos.
As crianças de Asperger apresentaram semelhantes características de
dificuldades das crianças de Kanner:
8

Dificuldade em interação social; Dificuldade na adaptação às mudanças na


rotina; Boa memória; Sensibilidade aos estímulos (especialmente som); Resistência
e alergias aos alimentos; Bom potencial intelectual; Propensão para repetir palavras
do orador Dificuldade na atividade espontânea.
Ambos os trabalhos tiveram impacto na literatura mundial; no entanto, em
momentos distintos.

3 O AUTISMO PELA CIÊNCIA

O artigo científico Psicologia Viva, publicado em 26 de fevereiro de 2019 e


modificado em 18 de julho de 2020, nos fala que a doença, apesar de ser antiga,
apenas em 1993 a síndrome passou a integrar a Classificação Internacional de
Doenças, da OMS (Organização Mundial da Saúde), e que dez anos depois, em
2013, passou a ser denominada “Transtorno do Espectro do Autismo”, exatamente
por haver vários tipos de autismo, comprovadamente (PSICOLOGIA VIVA, 2019).
Dr. Francisco Paiva Junior, Editor Chefe da Revista Autismo, em seu artigo
afirma que “na atual Classificação Internacional de Doenças, a CID-11, o autismo
recebe o código a 6A02 (antigo F84, na CID-10), atualizada em junho de 2018,
também sob o nome de TEA” (PAIVA JUNIOR, 2020, p. 1).
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) o Autismo afeta uma em
cada 160 crianças no mundo (JÚNIOR, 2017).
De acordo com o portal da Fio Cruz, RJ, (SILVA, 2017) o autismo pode ser
classificado, levando-se em conta os critérios do DSM-5 (Manual de Diagnóstico e
Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pela CID-11
(Classificação Internacional de Doenças da OMS), conforme os sinais emitidos,
sintomas e o histórico do paciente:

3.1 CLASSIFICAÇÃO DO AUTISMO

Autismo Clássico = Além da deficiência intelectual, apresenta atraso


linguístico acentuado, deficiência social, deficiência de comunicação, deficiência de
comportamento, deficiência intelectual e interesses incomuns.
Síndrome de Asperger (Autismo de Alto Desempenho) = considerada também
um transtorno neurológico e que se enquadra na categoria dos transtornos globais
9

do desenvolvimento, a Síndrome de Asperger, considerada também uma condição


diferente, é bastante relacionada ao autismo (KARDEC, 2019).

3.2 TIPOS E CARACTERÍSTICAS DO AUTISMO

O Jornal Psicologia Viva nos relata os tipos de autismo e as suas principais


características:

3.2.1 Síndrome de asperger

A forma mais leve entre os tipos de autismo e é três vezes mais comum em
meninos do que em meninas. O paciente apresenta uma inteligência bastante
superior à média e pode ser chamado também de “autismo de alto funcionamento”.
É normal que esse autista se torne extremamente obsessivo por um objeto ou um
único assunto e passe horas discutindo ou falando sobre o assunto.

3.2.2 Transtorno invasivo do desenvolvimento

“Fase intermediária”: os sintomas são muito variáveis e o paciente


apresentará: 1) Quantidade menor de comportamentos repetitivos; 2) Dificuldades
com a interação social; 3) Competência linguística inferior à Síndrome de Asperger,
mas superior ao Transtorno Autista.

3.2.3 Transtorno autista

Sintomas mais graves, considerado tipo “clássico porque atinge a várias


capacidades do autista e é diagnosticada antes dos 3 anos de idade: 1)
Relacionamentos sociais; 2) Comportamentos repetitivos.
Este é o tipo “clássico” de autismo e que costuma ser diagnosticado de forma
precoce, em geral antes dos 3 anos. Os principais sinais que indicam a condição
são: 1) Falta de contato com os olhos; 2) Comportamentos repetitivos como bater ou
balançar as mãos; 3) Dificuldades em fazer pedidos, usando a linguagem.
10

3.2.4 Transtorno desintegrativo da infância

É considerado o tipo mais grave do espectro autista e o menos comum. Em


geral, a criança apresenta um período normal de desenvolvimento. Porém, a partir
dos 2 aos 4 anos de idade ela passa a perder as habilidades intelectuais, linguísticas
e sociais sem conseguir recuperá-las.

3.2.5 Síndrome de Savant

Segundo o artigo Neuro Saber de 30/10/2017, embora rara, é um distúrbio


psíquico em que a pessoa possui uma grande habilidade intelectual aliada a um
déficit de inteligência.
O primeiro registro que se tem notícia ocorreu em 1789, feito por sobre o caso
incomum de Thomas Fuller, que demonstrava uma grande habilidade de fazer
cálculos, mesmo que não soubesse quase nada de matemática.
Os “savants”, como são chamados, têm uma memória extraordinária, mas
com pouca compreensão do que está sendo descrito (NEUROSABER, 2017).
Os “savants” possuem habilidades: 1) Linguagem, pois podem aprender até
15 idiomas; 2) Memorização, têm facilidade de memorizar sobretudo, itens como
catálogos telefônicos, dicionários e outros; 3) Matemática/Cálculo, conseguem fazer
cálculos bastante complexos e sem o auxílio de qualquer material para servir de
suporte; 4) Música, conseguem reproduzir uma peça musical inteira após ouvi-la
apenas uma vez; 5) Artes, demonstram grande facilidade para os trabalhos
artísticos, a saber:

3.3 NÍVEIS DO AUTISMO

O Jornal Psicologia Viva descreve também, os níveis do Autismo que existem


e a respectiva gravidade:
Nível 1 – leve: 1) Dificuldade para a relação social com outras pessoas; 2)
Pouco interesse em interagir com os demais; 3) Insucesso a aberturas sociais; 4)
Dificuldades para trocar de atividades; 5) Apresentam problemas de planejamento e
organização.
11

Nível 2 – Médio: 1) Dificuldade na comunicação verbal e não verbal; 2)


Limitações em iniciar interações sociais, mesmo com a presença de apoio; 3)
Inflexibilidade no comportamento; 4) Dificuldade com a mudança em geral;
comportamento repetitivo; 5) Sofrimento para modificar o foco de suas ações.
Nível 3 – Grave: 1) Déficits bem mais graves em relação a comunicação
verbal e não verbal; 2) Dificuldades notórias para iniciar uma interação social, com
graves prejuízos de funcionamento; 3) Dificuldade extrema em lidar com a mudança
e com comportamentos repetitivos; 4) Grande sofrimento para mudar o foco das
suas ações.

3.4 CUIDADOS E ATENDIMENTO

O Grupo AMA (Associação de Amigos do Autista), é uma associação que


cuida de autistas e teve início em 1983, quando o autismo (TEA - Transtornos do
Espectro do Autismo), era conhecido apenas por alguns psicólogos e psiquiatras
especializados (AMA, 2020).
Naquele mesmo ano, o Dr. Raymond Rosenberg diagnosticou com autismo
algumas crianças com a idade média de 3 anos e não havia na cidade, Estado ou
país, qualquer pesquisa, ou tratamento para aquela “doença” e os atendimentos
para crianças com deficiência mental não eram adequados, nem tampouco
aceitavam pessoas com autismo.
“Foi então que aqueles pais se reuniram e decidiram amparar seus filhos e
proporcionar-lhes maior independência e produtividade” (AMA, 2020, p. 1), nos
mostra o artigo da AMA e a Associação dedicou-se ao desenvolvimento e aplicação
de métodos de tratamento em conjunto com as pesquisas mais modernas da
psicologia e educação dos pacientes com TEA.
Hoje, a Associação conquistou o reconhecimento como:

Instituição de Utilidade Pública Municipal- Decreto n°. 23.103 – 20/11/86,


Estadual – Decreto n°. 26.189 – 06/11/86 e Federal – D.O.U. 24/06/91) [...] e
o “Prêmio Direitos Humanos”, da Unesco e do Poder Executivo Federal
(1998), entregue à AMA pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
(AMA, 2020, p. 1).

E oferece atendimento 100% gratuito ao autista graças a dois importantes


convênios com as Secretarias de Estado de Educação e da Saúde” e afirma que
12

hoje “a palavra autismo não é mais o mistério de antigamente, apesar de ainda não
haver uma cura, há tratamento” (AMA, 2020, p. 1).
Há Associações semelhantes à AMA, dedicadas à educação de pessoas com
autismo por todo o Brasil.
A Coordenadora da Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da
Saúde, Odilia Brígido, afirma que os cuidadores, sejam pais ou responsáveis,
procurem atendimento especializado, como o pediatra e psiquiatra/neurologista para
a identificação do autismo e explica como iniciar o tratamento pelo SUS (Sistema
Único de Saúde:

A porta de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS) é a Atenção Básica.


Portanto, é necessário procurar inicialmente o atendimento em Unidades
Básicas de Saúde (UBS), que devem realizar o acolhimento, o primeiro
atendimento e encaminhar para os serviços especializados para auxiliarem
no diagnóstico e no tratamento, sempre que necessário (TINÉ, 2019, p. 1).

Conforme orienta a Coordenadora, os pais devem ficar atentos aos sinais da


criança e relatar ao médico esses sinais, que podem ser: 1) não aceitar o toque da
mãe; 2) não aceitar beijos e abraços; 3) não interagir desde bebê; 4) não olhar a
mãe ao ser amamentada; 5) ser pouco reativa ou sensível demais a sons; 6) não
costuma responder a estímulos; 7) ter comportamento repetitivo, como balançar a
cabeça e as mãos.
O SUS (Sistema Único de Saúde) divulga o Livreto “Linha de Cuidados para a
Atenção às Pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo e suas Famílias na
Rede de Atenção Psicossocial” e nos dá também as “Diretrizes de Atenção à
Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo”.

4 ALGUNS AUTISTAS FAMOSOS

Segundo o artigo Ciência e Saúde, de 02/04/2019, da página alemã


Mediateca, da emissora BBC de Londres, pessoas com autismo geralmente
mostram padrões recorrentes de comportamento e têm dificuldades de interagir com
os outros. Mas, muitas vezes, autistas têm também habilidades bastante especiais e
publica características de algumas personalidades autistas:
Wolfgang Amadeus Mozart – considerado menino-prodígio, alguns
especialistas acreditam ter sido ele autista por ter aprendido rapidamente a tocar
instrumentos e já compor aos cinco anos. Os especialistas se referem também à
13

capacidade auditiva hipersensível do compositor e sua necessidade de mexer


constantemente mãos e pés. Entretanto, não há evidências suficientes para essa
teoria.
Kim Peek – personalidade que inspirou o filme "Rain Man", O filme trata da
relação entre o autista savant Raymond e seu irmão. O autista Savant, recordava o
conteúdo de mais de 12 mil livros.
The Good Doctor – série americana, onde o Dr. Shaun Murphy, médico
autista savant, enfrenta diversas dificuldades para ganhar o respeito de todos no
ambiente de trabalho.
Satoshi Tajiri – criador do desenho Pokemón foi diagnosticado com a
síndrome de Asperger, forma mais branda de autismo. Satoshi Tajiri não tem
capacidade de reconhecer gestos emocionais nos outros.

5 AUTISMO NA VISÃO ESPÍRITA

As pessoas materialistas, acreditam que após a morte do corpo nada mais


resta de nosso, porque tudo se esvai, se acaba e Leon Denis, em seu livro
Catecismo Espírita, discorre:

O homem carnal, o que é mais apegado à vida corporal que a vida


espiritual, só pode encontrar na Terra os prazeres materiais; a ambição que
sente é a satisfação passageira de todos os desejos. Sua alma,
constantemente preocupada e afetada pelos sofrimentos naturais da vida,
está em ansiedade constante e num perpétuo tormento. A morte o deixa
aterrorizado, porque duvida do futuro, mas sabe que vai deixar na Terra os
prazeres e as esperanças (DENIS, 1958, p. 26).

Esta afirmação de Léon Denis, corrobora com o Codificador Allan Kardec, no


Livro dos Espíritos, questão 148, onde Kardec assevera na questão 148, que o
homem materialista acredita que pode abusar de tudo, mesmo das melhores coisas.
“Entretanto, o “nada os apavora mais do que eles possam aparentar [...]” (KARDEC,
1997, p. 102).
Se não somos somente matéria, o que somos, então?
Allan Kardec afirma ainda que somos Corpo + Espírito+ Perispírito: “1) Corpo -
ser material animado pelo princípio vital; 2) Alma ou Espírito, independente da
matéria, ser imaterial e que lhe dá o senso moral e a faculdade de pensar”
(KARDEC, 1997, p. 27).
14

Kardec (1997, 207) nos explica que o “Espírito age sobre a matéria e sobre o
pensamento [...]” e como o Espírito encarnado está sob a influência da matéria, o
homem age, muitas vezes equivocadamente, acumulando responsabilidades que
deverão ser quitadas, se não nesta encarnação, certamente na outra. E o homem
que supera a influência da matéria pelo esforço próprio de elevação e purificação de
sua alma, se instruindo e trabalhando para a sua evolução e purificação, aproxima-
se dos bons Espíritos, onde estará um dia.
A Doutrina Espírita analisa o Ser transcendente, o Ser que é reencarnatório e
que está sendo guiado pelas Leis Divinas ou Naturais e pode fazer uso do seu livre-
arbítrio, mas será sempre responsável pelas escolhas que fez e arcará com as
consequências. Trará em si o céu ou o inferno que traçou para si mesmo.
Assim sendo, todas as nossas atitudes e pensamentos equivocados que
lesam o próprio corpo, lesam igualmente Perispírito e o Espírito. E Kardec (1997,
207) complementa: “O Espiritismo repousa inteiramente sobre a existência da alma
e o seu estado após a morte”.
O Livro Leis de Amor, através do Espírito Emmanuel, psicografado por
Francisco Cândido Xavier, cap. I os 13 e 15, nos mostra como as Leis Divinas agem,
na reencarnação:

A grande maioria das doenças têm a sua causa profunda na estrutura


semimaterial do corpo espiritual (o Perispírito). Havendo o Espírito agido
erradamente, nesse ou naquele setor da experiência evolutiva, vinca o
corpo espiritual com desequilíbrios ou distonias, que o predispõem à
instalação de determinadas enfermidades, conforme o órgão atingido.
[...] No curso das enfermidades, é imperioso venhamos a examinar a justiça,
funcionando com todo o seu poder regenerativo, para sanar os males que
acalentamos (XAVIER; VIEIRA, 1982, p. 5).

Hermínio C. Miranda (1998, p. 10), em seu livro Autismo, uma leitura


espiritual, corroborando com Emmanuel, que “o Autista nos faz imaginar uma
pirâmide solitária inabordável, inescrutável, fechada sobre si mesma, plantada no
meio da desoladora paisagem de aridez e mistério [...]”.
Hermínio nos relata ainda que em torno da criança autista há concentrada
“uma pequena e inquieta multidão de pessoas interessadas na busca de acesso ao
seu interior” (MIRANDA, 1998, p. 10):

Mães, pais, irmãos, tios, avós, amigos, médicos, psiquiatras, psicólogos,


professores e até meros curiosos. Querem entrar para ver se conseguem
convencer a pessoa que mora lá dentro a aceitar o mundo em que vivemos
“aqui fora” (MIRANDA, 1998, p. 10).
15

Hermínio assevera que:

O autista é o ser que vive em si mesmo, isolado, sozinho e desligado do


nosso mundo e embora já possua aspectos já definidos com uma clareza
maior, o autismo pertence a um enigma também nos fala:
“o autista é aquele que vive em si mesmo, ou seja, isolado, sozinho,
desligado do nosso mundo e embora com aspectos já definidos com maior
clareza, o autismo possui um enigma à espera de interpretações
consensuais[...] (MIRANDA, 1998, p. 11 e 17).

Corroborando com Kardec, Hermínio nos chama atenção no seu livro sobre o
ser Autista, quando ele assevera:

como qualquer outra criatura humana, aliás, será considerado um ser


preexistente, e portanto, reencarnante. Ele já viveu numerosas existências
através dos milênios e traz toda uma riquíssima experiência multimilenar
preservada nos arquivos incorruptíveis do inconsciente. Não é uma folha em
branco, sem passado. Não é alma, espírito, psiquismo ou mente criados
especificamente para aquele corpo físico dele ou dele surgido por meio de
um jogo sutil de componentes bioquímicos. Ao contrário, o corpo físico
gerado no organismo da mãe é que está sendo construído para a entidade
espiritual, segundo seus planos, seus conflitos, suas conquistas, suas
necessidades cármicas. A entidade reencarnante, mesmo ainda no útero, ali
está presente, atenta ao que se passa à sua volta, percebendo o que se diz
e até as emoções não verbalizadas das pessoas que a cercam (MIRANDA,
1998, p. 74-75).

Em artigo publicado pela Jornalista e Produtora da Radio Boa Nova, em 08


/04/2017, Juliana Chagas Segundo o livro Loucura e Obsessão, psicografado por
Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Bezerra de Menezes, o autismo é um resgate
de espíritos que em outras encarnações tiveram poder de decisão, liderança e não
utilizaram esse dom para ajudar o próximo e sim para proveito próprio:

[...] Espíritos há que buscaram, na alienação mental através do autismo,


fugir às suas vítimas e apagar as lembranças que os acicatam, produzindo
um mundo interior agitado ante uma exteriorização apática, quase sem vida.
O modelador biológico imprime, automaticamente, nas dedicadas
engrenagens do cérebro e do sistema nervoso, o de que necessita para
progredir: asas para a liberdade, ou presídio para a reeducação (FRANCO,
1992, p. 89-90).

Hermínio Miranda (1998, p. 76) admite que: “o autista é um espírito


reencarnado como todos nós, razão suficiente para que sua problemática seja
abordada com um modelo que leve em conta os inputs da realidade espiritual”. e a
sua justificativa para o problema espiritual do autismo é que:

[...] Ao morrer devolvemos ao meio cósmico a matéria com a qual nossa


mãe e nós construímos o corpo físico. Desimantados dos átomos e das
moléculas que constituem o corpo material, readquirimos a liberdade de ir e
16

vir sem precisar arrastar a pesada carga que tivemos de movimentar


enquanto durou a vida terrena [...] restou-nos um corpo invisível que serviu
de intermediário [...] É o Perispírito que organiza as substâncias que recebe
da mãe durante a gestação, distribuindo-as de acordo com o campo
magnético que traz consigo. É ele (MIRANDA, 1998, 74).

De acordo com o Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza, Vice-Presidente da


AME-Brasil, em seu livro Saúde e Espiritismo (AME, 2000), a AME (Associação
Médico-Espírita do Brasil), a pioneira entre todas, o Movimento Espírita vem
crescendo dia a dia tanto de adeptos simpatizantes, quanto nos aprofundamentos
dos conhecimentos que devem estar sempre embasados na Codificação de Allan
Kardec e na moral evangélica.
Dentre os campos de contribuição encontramos a área da saúde e nesse
aspecto a Doutrina Espírita é rica em elementos que clareiam a origem das doenças,
além de oferecer instrumental adequado para tratamento da criatura, numa
abordagem integral do ser e na busca do objetivo de um melhor atendimento de
todos os necessitados, surgiram, progressivamente, grupos de profissionais da área
de saúde que passaram a se reunir, não só para estudo metódico da Ciência Médica
sob a luz do Espiritismo, como também para a prática dessa assistência e a
divulgação desse conhecimento.
O Autor do livro Autismo, uma leitura espiritual, Hermínio C. Miranda, realça
que:
“O Autista nos faz imaginar uma pirâmide solitária inabordável, inescrutável,
fechada sobre si mesma, plantada no meio da desoladora paisagem de aridez e
mistério[...]” (MIRANDA, 1998, p. 10).
Hermínio nos relata que em torno da criança autista:

Concentra-se pequena e inquieta multidão de pessoas interessadas na


busca de acesso ao seu interior- mães, pais, irmãos, tios, avós, amigos,
médicos, psiquiatras, psicólogos, professores e até meros curiosos. Querem
entrar para ver se conseguem convencer a pessoa que mora lá dentro a
aceitar o mundo em que vivemos “aqui fora” (MIRANDA, 1998, p. 10).

Que ligação teriam mães e pais de autistas?


Divaldo Pereira Franco, em sua palestra ministrada em 2018 sobre o Autismo
e outras doenças ligadas ao cérebro, afirma que o autismo, genericamente falando,
assim como algumas doenças ligadas ao cérebro, são frutos da reencarnação e, de
acordo com o tipo de suicídio, no caso do autista, a pessoa vem com as marcas do
17

suicídio que praticou em outras existências, lesando assim o Perispírito, ou corpo


astral.
Divaldo nos explica que os pais dos autistas em existências passadas foram
os coadjuvantes no drama, reencarnando todos para juntos, aprenderem a amar e a
perdoar (FRANCO, 2018).
Léon Denis, em seu livro Catecismo Espírita (1958), corrobora com Kardec,
em O Livro dos Espíritos, questão 944, quando fala que:

O homem não tem direito de dispor da sua própria vida e que, tenha o nome
que tiver, o suicídio é uma transgressão da Lei de Deus, a maior crueldade
que o homem pode cometer consigo mesmo. O suicídio nasce do erro,
alimenta-se na covardia e conduz ao próprio tormento. O suicídio converte
as angústias da morte em suplício, um suplício que não tem fim (DENIS,
1958, p. 33).

No livro Saúde e Espiritismo (AME, 2000, p. 307), o Dr. Roberto Brólio,


médico clínico geral em São Paulo, Sócio fundador e Vice-Presidente da AME-Brasil
(Associação Médico-Espírita do Brasil), discorre no capítulo “A Medicina no
Alvorecer da Nora era: Visão Espírita”.
A Doutrina Espírita, trazida por Allan Kardec, é rica em elementos que nos
clareiam a origem das doenças, bem como as obras do Espírito André Luiz,
psicografada por Francisco Candido Xavier nas décadas de 1937 até 1947, onde o
Espírito, que foi médico aqui na Terra, dá ao leitor o esclarecimento de determinadas
doenças à luz do Espiritismo e também discorre sobre a importância da assistência
espiritual para o equilíbrio físico e espiritual.
O autismo, como define Hermínio Miranda (1998), corroborando com a
Doutrina Espírita:

[...] é um problema espiritual que se projeta por mecanismos


psicossomáticos, na estruturação do corpo físico, afetando eletivamente,
como é de se esperar, o sistema neurológico. Acontece que os problemas
de natureza espiritual, de inevitável conotação ética, não se deixam aferir,
avaliar e nem tratar, por metodologias centradas no materialismo.
À falta de um modelo que inclua na sua armação a realidade espiritual, a
que temos visto, é que funcionam melhor na abordagem ao autismo as
técnicas que consideram o calor humano, o amor, ingredientes
imprescindíveis no atendimento ao autista, uma determinação de aceita-lo
como é, mas, ao mesmo tempo, trabalhar para que ele se interesse em
promover, em seu próprio benefício, mudanças necessárias à sua
adaptação ao ambiente em que veio instalar-se (MIRANDA, 1998, p. 197).
18

5.1 A ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL

“Ao pôr do sol, o povo trouxe a Jesus todos os que tinham vários tipos de
doenças e Ele os curou, impondo as mãos sobre cada um deles” (Lc 4:40).
Assim como Jesus curava com as mãos e falava a todos que o procuravam, a
Federação Espírita do Estado de São Paulo- FEESP, possui várias Assistências
Espirituais, onde são ministrados passes e proferidas palestras acerca do
Evangelho, Segundo o Espiritismo, codificado por Allan Kardec.
Dentre essas Assistências Espirituais, há algumas especializadas para
crianças com idade que vai de 0 a 13 anos, onde foram observadas melhoras
significativas em crianças e jovens com diversas problemáticas, tanto de fundo
espiritual, como físico, emocional e psicológico. Essas crianças e jovens são
levadas, por serem pequenas, pelos pais, ou avós.
A Federação Espírita esclarece que o tratamento espiritual não dispensa o
tratamento médico que a pessoa esteja fazendo, ou seja é um complemento para o
restabelecimento e equilíbrio espiritual e físico.

6 CONCLUSÃO

Este trabalho teve como objetivo mostrar o autismo à luz da Ciência e à luz do
Espiritismo.
Cada Ser traz em sua alma, ao reencarnar, uma história para que nesta vida
presente evolua, se desenvolva e quite as responsabilidades adquiridas por
equívocos das vidas pretéritas como pudemos verificar através das lições aqui
apresentadas, no caso do autista, tanto ele como os pais têm uma tarefa de amor,
de perdão, de paciência e resignação, compreensão e tolerância. É um esforço
imenso de todos, mas muito gratificante, pois aprendemos a valorizar a vida e,
mesmo com todas as vicissitudes devemos agradecer a Deus e pedir forças para
suportá-las com alegria e resignação evitando, desta forma, procuremos nos lembrar
de Jesus, que nos fala no Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item3, que aos
aflitos do mundo Ele promete as compensações na Vida Futura e que Deus é todo
sabedoria, justiça e bondade, pois as vicissitudes da vida têm a sua causa e que
essa causa deve ser justa também. “Eis do que cada um deve se compenetrar”. As
atitudes de desespero e de agonia que nos levam, por um ato impensado a
19

cometermos o suicídio, que certamente, na visão Espírita e aos olhos de Deus é um


erro sem igual, causa a nós próprios grandes débitos que, certamente, teremos que
quitar a duras penas.

REFERÊNCIAS

ASPERGER, Hans. Biografia. Wikipédia. Disponível em:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Hans_Asperger. Acesso em: 23 out. 2020.

ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DO AUTISTA. História. Disponível em:


https://www.ama.org.br/site/ama/historia/. Acesso em: 23 out. 2020.

ASSOCIAÇÃO MÉDICO-ESPÍRITA. Saúde e Espiritismo. 2. ed. São Paulo: AME-


Brasil, 2000.

BLEULER, Eugen. Biografia. Wikipédia. Disponível em:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Eugen_Bleuler. Acesso em: 23 out. 2020.

DENIS, Léon. Catecismo Espírita. Tradução de Miguel R. Galvão. 4. ed. Rio de


Janeiro: FEB, 1958.

FRANCO, Divaldo Pereira. Como o espiritismo vê e explica o autismo? 8 maio


2018. Disponível em: https://youtu.be/gnUYVpUs3Ck. Acesso em: 23 out. 2020.

FRANCO, Divaldo Pereira. Loucura e obsessão. Pelo Espírito Manoel P. de


Miranda. Brasília: FEB, 1992.

JÚNIOR, Edgard. OMS afirma que autismo afeta uma em cada 160 crianças no
mundo. ONU News, 2 abr. 2017. Disponível em:
https://news.un.org/pt/story/2017/04/1581881-oms-afirma-que-autismo-afeta-uma-
em-cada-160-criancas-no-mundo. Acesso em: 23 out. 2020.

KANNER, Leo. Biografia. Wikipédia. Disponível em:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Leo_Kanner. Acesso em: 23 out. 2020.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 9. ed. Brasília: FEB, 1997.

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. Edição Histórica.


41. ed. Brasília: FEB, 2019.

MANDAL, Ananya. História do autismo. News Medical. Disponível em:


https://www.news-medical.net/health/Autism-History-(Portuguese).aspx. Acesso em:
23 out. 2020.

MIRANDA, Hermínio C. Autismo: Uma leitura espiritual. São Paulo: Lachatre, 1998.

NEUROSABER. O que é a Síndrome de Savant? 30 out. 2017. Disponível em:


https://institutoneurosaber.com.br/o-que-e-a-sindrome-de-savant/. Acesso em: 23
out. 2020.
20

PAIVA JUNIOR, Francisco. O que é autismo? Revista Autismo. Disponível em:


https://www.revistaautismo.com.br/o-que-e-autismo/. Acesso em: 23 out. 2020.

PSICOLOGIA VIVA. Conheça 4 tipos de autismo e suas características. 26 fev.


2019. Disponível em: https://blog.psicologiaviva.com.br/tipos-de-autismo/. Acesso
em: 23 out. 2020.

SANTOS, Almir. Palavra autismo: Etimologia da palavra autista. Origem da Palavra,


29 jan. 2014. Disponível em: https://origemdapalavra.com.br/palavras/autismo/.
Acesso em: 23 out. 2020.

SILVA, Ludmila. Transtorno do Espectro Autista é analisado sob o ponto de


vista de cuidadores. Portal Fiocruz, 24 jul. 2017. Disponível em:
https://portal.fiocruz.br/noticia/transtorno-do-espectro-autista-e-analisado-sob-o-
ponto-de-vista-de-cuidadores. Acesso em: 23 out. 2020.

TINÉ, Erika Braze Luíza. Conheça as características e aprenda mais sobre o


Autismo. Ministério da Saúde, Blog da Saúde, 2 abr. 2019. Disponível em:
http://www.blog.saude.gov.br/index.php/geral/53830-conheca-as-caracteristicas-e-
aprenda-mais-sobre-o-autismo. Acesso em: 23 out. 2020.

XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Leis de amor: Espírito Emmanuel.


São Paulo: FEESP, 1982.

Você também pode gostar