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A MAÇONARIA: PRINCÍPIOS E VALORES FUNDAMENTAIS

Princípios gerais Maçonaria ou Franco-Maçonaria (de maçon, pedreiro), significa,


literalmente, pedreiro-livre, podendo traduzir-se, modernamente, por livre-pensador. A
palavra freemason (maçom livre) surgiu pela primeira vez na Inglaterra em 1376,
embora o mais antigo regulamento maçônico date de 1390. Antes desta data são
praticamente inexistentes documentos sobre a Maçonaria, porque, não obstante as
suas origens mergulharem na mais remota antiguidade, como veremos, os seus
ensinamentos, segredos e rituais sempre foram transmitidos, apenas, pela via iniciática
e pela tradição oral. Maçonaria significa, pois, construção. O Maçon constrói o seu
futuro tornando-se um homem melhor. A Maçonaria constrói o futuro da Humanidade,
tornando-a mais justa e perfeita.
Este objetivo está inscrito, como pedra angular, nas Constituições maçónicas do mundo
moderno. Os grandes valores da Maçonaria estão sintetizados na sua divisa universal:
Liberdade, Igualdade, Fraternidade — Liberdade com ordem, Igualdade com respeito e
Fraternidade com justiça. A Maçonaria não é uma moral nem uma religião. Admite todas
as crenças e pratica a moral universal, que tem por base a primeira de todas as virtudes:
amar o próximo. A doutrina maçônica é a mais pura das doutrinas, porque é livre de
todas as limitações, escolas, teorias ou preconceitos. O livre-pensamento é o único
caminho da procura da verdade e não pode, por isso, sofrer qualquer entrave. O livre -
pensamento, pressupõe a tolerância e o respeito pelas ideias dos outros. É essa a
segunda virtude cultivada pelos maçons. A crença numa sociedade mais perfeita é a sua
terceira virtude e a força aglutinadora que, em todos os tempos e em todos os lugares,
congregou os «homens livres e de bons costumes» para a tarefa, sempre inacabada, de
construir a fraternidade universal. Este objetivo, verdadeira ideia-força, exprime -se, na
linguagem maçônica, por «construção do Templo», cujo significado iremos explicitando
ao longo deste trabalho.

O que é a Maçonaria? A Maçonaria é, pois, uma Ordem iniciática e ritualista, universal


e fraterna, filosófica e progressista, baseada no livre –pensamento. Não aceita dogmas,
combate todas as formas de opressão, luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a
ignorância, combate a corrupção, enaltece o mérito, procura a união de todos os
homens pela prática de uma Moral Universal e pelo respeito da personalidade de cada
um, e considera o trabalho como um direito e um dever, valorizando igualmente o
trabalho intelectual e o trabalho manual. É uma Ordem no duplo sentido: de instituição
perpétua e de associação de pessoas ligadas por determinados valores, que perseguem
determinados fins e que estão vinculadas a certas regras e regulamentos.
É iniciática, porque, como nos estudos adiante veremos, só pode nela ingressar quem
se submeta à cerimónia da iniciação, verdadeiro batismo maçónico, que significa,
literalmente, começo, e simboliza a passagem das trevas à «luz». É ritualista, porque as
suas reuniões ou trabalhos, como também veremos mais adiante, obedecem a
determinados ritos — conjunto de formas — que traduzem, simbolicamente, sínteses
de sabedoria, remontando aos tempos antigos.
É universal e fraterna, porque o seu fim último é a fraternidade universal, ou seja, o
estabelecimento de uma única família na face da terra, em que os homens sejam, como
no seio da Ordem, verdadeiramente irmãos, sem qualquer distinção de raça, religião,
ideologia e condição social. O seu pendor internacionalista não afeta a realidade da
Pátria e da Nação. Como escreveu Fernando Pessoa, «a Nação é a escola presente para
a Super-Nação futura». Amar a Pátria e a Humanidade é outro dos deveres dos maçons.
É filosófica, porque, ultrapassada a fase operativa (corporações de arquitetos e
construtores medievais), transformou -se, a partir do séc. XVIII, numa associação de
caráter especulativo, procurando responder às mais profundas interrogações do
homem. Conserva, contudo, o vocabulário, os utensílios e a simbologia dos construtores
dos templos. Afinal, o fim último da Maçonaria é, como vimos, a construção de um
homem novo e de uma sociedade nova.
É progressista, porque visa o progresso da Humanidade, no pressuposto de que é
possível um homem melhor numa sociedade melhor. Encurtar as desigualdades e
reduzir as injustiças sociais é um dos seus objetivos, através da elevação moral e
espiritual do indivíduo. Porém, a Maçonaria não é uma instituição política e, muito
menos, partidária. Está acima de todos os partidos e fações, coexistindo nela pessoas
das mais diversas sensibilidades, crenças e ideologias. A política que pratica é a política
no verdadeiro sentido da palavra: a «polis», como forma de servir a sociedade. A
Maçonaria é, assim, um espaço de diálogo e de tolerância. A sua influência no mundo
profano não se exerce diretamente, pois não estabelece diretivas nem impõe qualquer
tipo de intervenção concreta, mas apenas indiretamente, através do exemplo, da
pedagogia e da influência individual dos seus membros nos locais onde exercem a sua
atividade: no trabalho, nos partidos, nas organizações cívicas e sociais. Na linguagem
simbólica que utiliza, o seu propósito é transformar a «pedra bruta» na «pedra cúbica»,
a fim de «construir o templo», ou seja, fazer com que o indivíduo, egoísta e isolado, se
transforme num ser social e fraterno, cidadão de pleno direito e parte inteira, irmão de
todos os homens e mulheres. É livre-pensador, porque não aceita dogmas, pratica a
tolerância e respeita a liberdade absoluta de consciência. O Maçom tem o direito de
examinar e de criticar todas as opiniões e de discutir todos os problemas, sem quaisquer
limitações. A Maçonaria é antidogmática, tanto no aspeto político, como religioso ou
filosófico. A política e a religião pertencem ao foro íntimo de cada um e não podem ser
discutidas.

BIBLIOGRAFIA
Introdução à MAÇONARIA- edição revista
Antônio Arnaut
Coimbra - University Press
Potências Maçônicas

Potência Maçônica é o nome que se dá ao organismo maçônico que representa


nacionalmente a Grande Loja Unida da Inglaterra. No nosso caso o GOB – Grande
Oriente do Brasil.

Obediência Maçônica
São organismos representantes regionais, estaduais ou provinciais da Potência
Maçônica a qual está jurisdicionada. GOB SC – Grande Oriente do Brasil Santa Catarina.
No Brasil existem 3 grandes grupos de Potências/Obediências Maçônicas:

 GOB - Grande Oriente do Brasil com Grandes Orientes Estaduais


 CMSB - Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (Grandes Lojas
Estaduais)
 COMAB - Confederação Maçônica do Brasil - COMAB (Grandes Orientes
Independentes)

GOB – Grande Oriente do Brasil – Potencia Maçônica do Brasil


Criado em 17 de junho de 1822, o Grande Oriente do Brasil – GOB, única potência
brasileira a deter o reconhecimento primordial, secular e definitivo da Loja-Mãe da
Inglaterra, inscrito entre as cinco maiores potências maçônicas do mundo.
Sua Estrutura Organizacional é Tripartite
PODER LEGISLATIVO
Soberana Assembleia Federal Legislativa - sede em Brasília
Poderosa Assembleia Estadual Legislativa - sede nos Estados da Federação
PODER JUDICIÁRIO
Representado pelos juízes dos tribunais Maçônicos
PODER EXECUTIVO
Representado pelo GRÃO MESTRADO ( o Federal e os Estaduais)

Os GOB’s Estatudais tem abaixo de suas estruturas as LOJAS Jurisdicionadas.


LOJAS
A Loja Maçônica ou apenas Loja é estrutura fundamental organizada por assembleias,
onde os maçons se reúnem periodicamente para trabalharem de forma ritualística
segundo o rito que adotam. Não confundir com o Templo Maçônico, que é o edifício
onde comumente encontram-se as Lojas. Um mesmo templo pode ser utilizado por mais
de uma Loja, caso as mesmas não tenham templo próprio.

A estrutura de administração das Lojas são compostas por uma diretoria eleita em
sufrágio direto a cada 24 meses ( este tempo varia de acordo com o estatuto de cada
Loja) que elege:

VEN∴ M∴( venerável mestre) , 1º VIG∴ (vigilante), 2º VIG.∴(vigilante) , OR.∴(orador)


, SECR.∴(secretário) , TES∴(tesoureiro) e CHAN∴(chanceler)
Os demais oficiais são indicados pelo VEN∴M∴

O Ven∴ M∴ – É o Presidente da Loja, simbolicamente Representa a Sabedoria da Loja,


tem acento no Oriente (de onde nasce e emana a Luz) suas atribuições são orientar os
Mestres, harmonizar a Loja como um todo e dirigir os procedimentos administrativos.

1º. VVig∴ - Tem a direção de uma das Colunas da Loja, de acordo com o RGF-
Regulamento Geral da Federação. Simbolicamente é uma das Luzes da Loja, representa
a coluna B (Boaz) significa FORÇA, APOIO E MORAL, é onde sentam os CComp∴
Compete ao Primeiro Vig∴
I – substituir o Venerável Mestre de acordo com o Estatuto ou o Ritual;
II – instruir os Maçons sob sua responsabilidade de acordo com o Ritual.

2º. VVig∴ - Tem a direção de uma das Colunas da Loja, de acordo com o RGF-
Regulamento Geral da Federação. Simbolicamente é uma das Luzes da Loja, representa
a coluna J ( Jakin) significa ESTABILIDADE,FIRMEZA é onde sentam os AApr∴
Compete ao Segundo Vig∴
I – substituir o Primeiro Vigilante de acordo com o Estatuto ou o Ritual;
II – instruir os Maçons sob sua responsabilidade de acordo com o Ritual.
Or∴
Compete ao membro do Ministério Público ou ao Or∴
Observar, promover e fiscalizar o rigoroso cumprimento das Leis Maçônicas e dos
Rituais;
Secr∴
Compete ao Secretário:
Lavrar as atas das sessões da Loja e assiná-las tão logo sejam aprovadas;
Manter atualizados os arquivos de atos administrativos e notícias de interesse da Loja
através do Expediente ou seja correspondência recebida e expedida, receber, distribuir
e expedir a correspondência da Loja; manter atualizados os Livros Negro e Amarelo da
Loja;
Tes ∴
Compete ao Tesoureiro:

Arrecadar a receita e pagar as despesas, assinar os papéis e documentos relacionados


com a administração financeira, contábil, econômica e patrimonial da Loja, manter a
escrituração contábil da Loja sempre atualizada.
Chanc ∴
Compete ao Chanceler:
Ter a seu cargo o controle de presenças, mantendo sempre atualizado o índice de
frequência; comunicar à Loja: a quantidade de Irmãos presentes à sessão; os Irmãos
aptos a votarem e serem votados; os Irmãos cujas faltas excedam o limite permitido por
lei. Informar e parabenizar os IIr∴ aniversariantes bem como as Cunhadas,
sobrinhas(os). Manter contato com Lojas de outros Orientes comunicando a visita de
um Obreiro do quadro àquele Oriente, quando for necessário. Expedir os certificados de
presença quando da visita de IIr∴ de outras Lojas, Orientes, Obediências e Potências.
** A descrição dos demais cargos consta no RGF – Regulamento Geral da Federação
***A disposição dos oficiais pode ser estudada nas pág. 32 e 33 do Ritual do Apr∴

Em Loja pratica-se a Ritualística

A definição para ritualística na sua forma mais objetiva é:


Prática efetiva e constante de um Ritual
Então o que é um Ritual?
Ritual é o conjunto de práticas consagradas por tradições, costumes ou normas, que
devem ser observadas de forma invariável ( que não comportam modificações).
Ritual é uma cerimônia através da qual se atribuem virtudes ou poderes inerentes à
maneira de agir, aos gestos, às fórmulas e aos símbolos usados, suscetíveis de
produzirem determinados efeitos ou resultados.
Ritual é um processo continuado de atividades organizadas cuja prática está relacionada
a um Rito e assim a total observância do conteúdo ali estabelecido.

Toda instituição que possua um trabalho ritualístico, cultivado com esmero e fidelidade,
certamente haverá de perpetuar seus ensinamentos. A própria história da Ordem
Maçônica nos mostra esta realidade.

A observação durante as Sessões quanto ás suas formalidades, as palavras, os gestos, a


circulação dos Oficiais acaba por revelar o significado do ritual. Estudar e entender a
marcha, a saudação às Luzes da Loja, Como circula as Ordens do VM na ritualística das
Sessões, as falas na abertura e encerramento dos trabalhos, como se faz na hora da
Palavra a bem da ordem e qual seu objetivo.
No Ritual do Aprendiz consta tudo o que o Apr∴ precisa saber para entender e praticar
a Ritualística, além de todos os MM∴ da Loja estrarem a disposição para explicar.

Algumas informações básicas específicas do Grau de Apr∴

- Ocupam a Col∴ do Norte J– JAKIN – A coluna é dirigida pelo Segundo Vig∴

- A palavra sagrada é: JAKIN


- A palavra de passe: TUBALCAIM
- O avental branco com a abeta apontada para cima - símbolo do trabalho pesado
- Seu símbolo maior é a Ped∴ Brut∴
- Suas ferramentas são o Maç ∴ e o Cinz ∴ - Símbolo da vontade e do trabalho
- Sua idade simbólica é : 3 AAn∴
- O Apr∴ Marcha em direção ao Or∴ Sob os auspícios do Esq∴ ou seja sempre reto.

Comportamento em Loja

Todo Maç∴ deve assumir comportamento austero quando estiver “em Loja, “ ou seja,
manter a atenção na execução da Ritualística, não conversar com o Ir∴ ao lado e jamais
manusear o celular.

Em Loja o Maç ∴ deve sentar-se de forma respeitosa. Coluna ereta, pernas e pés juntos
e mãos sobre os joelhos, o que dará conforto para o tempo que durar a Sessão.

No Rito Moderno os AApr∴ podem se pronunciar no momento pertinente para tal ou


seja, na ordem do dia ou quando a palavra a bem da ordem for autorizada pelo Vig∴ da
coluna. A fala deve ser breve e objetiva.
Conforme nosso Ritual no momento da palavra a bem da ordem não se deve comentar,
complementar ou dar continuidade ao que foi apresentado na ordem do dia. Se a
palavra passou, mudou de coluna ou já está no Or∴ jamais deve voltar.
Sobre o traje do Maç ∴

A página 36 do Ritual descreve com detalhes sobre o traje, que basicamente é : um


costume (paletó, calça e gravata) , cinto, sapato e meias pretas e camisa branca. A
gravata pode ser preta ou da cor do Rito Moderno, que é azul escuro. Nas sessões
ordinárias é permitido o uso do BALANDRAU, desde que o mesmo seja talar ou seja
fechado no colarinho e de comprimento abaixo dos tornozelos. NÃO É PERMITIDO usar
sob o balandrau calças coloridas, tênis e sapatênis. É indicado usar calça e sapatos
pretos. (Nossas sessões são quinzenais, não nos custa um esforço e esmero em estar
devidamente trajados) Neste caso arrisco em parafrasear um famoso ditado: “..que o
traje faz o Maçom...)
Em hipótese alguma se admite usar tênis ou roupa colorida.
Conhecer os sinais, as palavras, a movimentação dos oficiais é primordial para compor
o entendimento da Ritualística e seus significados, o que deve ser de grande interesse
do Maç∴ e principalmente do Apr∴
E finalizando, é importante lembrar que é dever de todo Maçom zelar pelos rituais e
ritualística que nossos antepassados Maçons praticavam, ter a consciência de que a
continuidade e perpetuação da Ordem Maçônica depende do nosso comprometimento
em estudar e se dedicar à prática da Maçonaria.

Ir. Sidnei Salmaso


M∴M∴
A ∴R∴L∴S∴ Augusto Pinto da Luz
2020

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