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LITERATURA BRASILEIRA

ROMANTISMO

A palavra romântico é freqüentemente associada a um conjunto de comportamentos


e valores, como dar ou receber flores, gostar de ler ou escrever poemas e histórias de amor,
emocionar-se facilmente, ser gentil e delicado com a pessoa amada.
Esse tipo de romantismo, porém, é diferente do Romantismo na arte. Esse também
está relacionado aos sentimentos, mas tem muito mais do que isso. Foi um amplo
movimento que surgiu no século XIX e representou artisticamente os anseios da burguesia.
Ainda hoje, muito da cultura romântica que marcou o inicio do século XIX está
presente nas músicas do rádio, nas novelas da tevê, nos comportamentos sociais. Isso se
deve ao fato de o Romantismo ser a expressão artística de um período histórico que ainda
perdura, a Idade Contemporânea, introduzida pela Revolução Francesa e pela ascensão da
burguesia ao poder.
A arte romântica põe fim a uma tradição clássica de três séculos e dá inicio a um,a
nova etapa na literatura, voltada aos assuntos contemporâneos – efervescência social e
política, esperança e paixão, luta e revolução – e ao cotidiano do homem burguês do século
XIX.
Características da linguagem romântica na poesia:
* Subjetivismo: o artista romântico trata dos assuntos de uma forma pessoal, de acordo com
o modo como vê e sente o mundo; dizemos que sua arte é subjetiva porque expressa uma
visão particular da realidade.
* Idealização: essa extrema valorização da subjetividade leva muitas vezes à deformação. O
escritor romântico, motivado pela fantasia e pela imaginação, tende a idealizar vários
temas, acentuando algumas de suas características. Assim a pátria é sempre perfeita; a
mulher é vista como virgem delicada, frágil, submissa, uma espécie de anjo inatingível; o
índio é tratado como herói nacional, cheio de virtudes, e assim por diante.
* Fusão do grotesco e do sublime: o conceito grego de belo, que perdurou tantos anos na
arte de orientação clássica, é abandonado pelos românticos, que defendem a união do
grotesco (o feio) e do sublime (o bonito).
* Sentimentalismo: a relação entre o artista romântico e o mundo é sempre medida pela
emoção. Qualquer que seja o tema abordado – amoroso, político, social ou indianista – o
tratamento literário revela grande envolvimento emocional do artista.
* Egocentrismo: a maior parte dos poetas românticos volta-se predominantemente para o
período eu, numa postura narcisista.
* Medievalismo: em toda a cultura ocidental, verifica-se o interesse dos românticos pelas
origens de seu próprio país, de seu povo e de sua língua. No Brasil, o índio é a
representação viva do nosso passado medieval.
* Indianismo: o interesse pelo índio e sua idealização na literatura estão relacionados com o
projeto nacionalista do Romantismo. O índio, contrapondo-se ao colonizador português e à
sua cultura, representa o elemento nativo, as próprias origens do país.
* Religiosidade: Mais comum entre os primeiros românticos, a tendência espiritualizante do
Romantismo, embasada no cristianismo, significa uma nítida reação ao racionalismo e ao
materialismo do século anterior.
* Byronismo: essa atitude, relacionada ao poeta inglês Lord Byron, foi amplamente
cultivada entre os românticos brasileiros da segunda geração, isto é, entre os anos 50 e 60
do século XIX. Traduz-se num estilo de vida que inclui a boêmia, voltada para o vicio, para
os prazeres da bebida, do fumo e do sexo, e numa forma particular de ver o mundo,
caracterizada pelo egocentrismo, narcisismo, pessimismo, angústia e, por vezes, pelo
satanismo.
* Condoreirismo: trata-se de uma corrente de poesia político-social que ganhou repercussão
entre os poetas da terceira e última geração romântica no Brasil.
O Romantismo nasceu na Alemanha e na Inglaterra e, depois de chegar à França,
espalhou-se por toda a Europa. Suas origens estão, portanto, diretamente relacionadas às
profundas transformações políticas e econômicas vividas pela Inglaterra e pela França. Os
românticos se rebelaram contra as rígidas normas da tradição clássica, naturalmente não
estavam propensos a seguir regras. O que os une são certos princípios gerais, como
liberdade de expressão e anticonvencionalismo.
Na arte romântica, nota-se igualmente uma forte valorização do individuo: na prosa,
destaca-se a figura idealizada do herói romântico, cujas qualidades são incompatíveis; na
poesia, o eu lírico volta-se para si mesmo, buscando retratar com profundidade seu mundo
interior e suas dificuldades em relacionar-se com o mundo externo.
O Romantismo valoriza o homem emotivo, intuitivo e psicológico, e por isso
despreza o racionalismo dos iluministas.

O Romantismo no Brasil
O Romantismo nasce no Brasil poucos anos depois da nossa independência (1822).
A história do Romantismo no Brasil confunde-se com a própria história política brasileira
da primeira metade do século XIX. Um dos traços essenciais de nosso Romantismo é o
nacionalismo, que, orientando o movimento, lhe abriu um rico leque de possibilidades a
serem exploradas. Entre elas se destacam o indianismo, o regionalismo, a pesquisa
histórica, folclórica e lingüística, além da crítica aos problemas nacionais - todas posturas
comprometidas com o projeto de construção de identidade nacional.
As gerações do Romantismo:
• primeira geração: nacionalistas, indianistas e religiosa. Nela se destacam os poetas
Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães.
• segunda geração: marcada pelo mal-do-século, apresenta egocentrismo exacerbado,
pessimismo, satanismo e atração pela morte. Seus principais representantes são os
poetas Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira
Freire.
• terceira geração: formada pelo grupo condoreiro, desenvolve uma poesia de cunho
político e social. A maior expressão desse grupo é Castro Alves.