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25/03/2020

UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO


RIO GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS – DCEENG
CURSOS DE ENGENHARIA

RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS I


Unidade 2 – Tensão e Deformação
Parte 03
Prof. Msc Paulo Cesar Rodrigues

2. Tensão e Deformação
Resistência dos Materiais I

2.7. Propriedades mecânicas dos materiais


A resistência de um material depende da sua capacidade de
suportar carga sem deformações excessivas ou ruptura. Essa
propriedade é própria do material e deve ser determinada
experimentalmente. O teste mais importante para a obtenção de
propriedades mecânicas do material é o teste de tração ou
compressão axial.
Esse teste é utilizado principalmente para a obtenção da relação
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entre a tensão e a deformação. O teste é realizado através da


conformação do material selecionado em corpos de prova de
dimensões padronizadas por normas. Uma máquina de teste,
especialmente projetada para tal função, é utilizada para aplicar-se
uma carga de compressão ou tração no corpo de prova em teste.
Essa carga é aplicada a uma taxa muito lenta e constante até que o
material atinja o ponto de ruptura.
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Resistência dos Materiais I 2. Tensão e Deformação


Os dados da carga aplicada são registrados em intervalos
frequentes assim como o alongamento ou encurtamento do corpo
de prova. O valor desse alongamento é utilizando então para
calcular a deformação do corpo de prova e a carga aplicada,
juntamente com propriedades da seção transversal do corpo de
prova, para calcular a tensão, obtendo-se assim, ao final do teste,
o diagrama tensão-deformação para o material ensaiado.
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Figura 2.21
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Resistência dos Materiais I

2.7.1. Diagrama Tensão-Deformação


O diagrama tensão-deformação é um gráfico bidimensional no
qual se relacionam a tensão com a deformação, obtidos pelo
ensaio. Cada ponto do gráfico identifica uma leitura de tensão-
deformação feita pela máquina de testes durante o ensaio. O
último ponto caracteriza a ruptura do material.
A partir do diagrama tensão-deformação é possível se obter
diversas propriedades do material ensaiado.
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No diagrama tensão-deformação marca-se ε como abscissa e σ


como ordenada.
O diagrama tensão-deformação varia conforme o material, e
para um mesmo material, podem ocorrer resultados diferentes em
vários ensaios, dependendo da temperatura do corpo de prova ou
da velocidade de crescimento da carga.

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2.7.2. Ensaio de tração

 Neste ensaio utiliza um corpo de


prova típico que é uma barra
circular de material homogêneo,
com uma determinada seção
transversal A. Sobre esta barra,
marca-se dois pontos distantes L
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L
um do outro;

 O corpo de prova é levado à


maquina de teste que é usada para
aplicar uma carga centrada F que
aumenta gradativamente;

Figura 2.22 – Corpo de prova


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2. Tensão e Deformação
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 Um medidor indica a distância L, e


o alongamento ΔL = Lf – L é
anotado para cada valor de F;
 Para cada valor de F, calcula-se a
tensão σ = F/A, ou seja, a medida
que se altera o valor da carga
aplicada, altera-se o valor da
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tensão;
 Para cada valor de F, calcula-se a
deformação específica ε = ΔL / L ;
 Marca-se em gráfico os valores de
σ x ε obtendo-se, então, o
diagrama tensão x deformação. Figura 2.23
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A Figura 2.24 ilustra o diagrama tensão-deformação de alguns
materiais.
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Figura 2.24

Os materiais são classificados como dúcteis e frágeis,


dependendo das suas características de tensão e deformação.
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2.7.3. Materiais dúcteis


Materiais dúcteis são aqueles que apresentam grandes
deformações antes de se romperem como, por exemplo, o aço
estrutural, alumínio, cobre, bronze, latão, níquel, e entre outros.
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08/26 Figura 2.25 – Diagrama tensão-deformação do aço com patamar de escoamento

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Sendo σrup que é a tensão de ruptura do material, σr é a tensão
de resistência do material, que indica o limite de resistência, σE é a
tensão de escoamento, que indica o final do regime elástico do
material, σ1p e a tensão de proporcionalidade, que indica o fim do
regime elástico linear do material. A proporcionalidade entre a
tensão σ e a deformação ε nesse regime é dada pelo módulo de
elasticidade E.
O comportamento elástico é caracterizado pelo fato de que
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uma carga aplicada ao material que não exceda do valor de σE ,


não provoca deformações irreversíveis no material, ou seja, assim
que a carga para de ser aplicada, o material retorna ao seu
formato original.
A região de escoamento é caracterizada por uma deformação
permanente do material, que se desenvolve sem o acréscimo da
tensão. A partir da tensão de escoamento, o material passa a
trabalhar no regime plástico.
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2. Tensão e Deformação
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O endurecimento por deformação pode ser entendido como


uma sobra de resistência do material. Ocorre após o termino do
escoamento e caracteriza-se por um pequeno aumento residual de
resistência do material.
A estricção, Figura 2.26 e 2.27, é um fenômeno que causa a
redução da seção transversal do corpo de prova. Ao atingir o limite
de resistência, a área da seção transversal em uma região
localizada do corpo de prova, começa a diminuir. Esse fenômeno é
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provocado por planos de deslizamento formados no interior do


material, e as deformações produzidas são provocadas por tensão
de cisalhamento até levar o corpo de prova à ruptura.

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Figura 2.26 - Estricção típica ocorrido no corpo de prova de aço antes da ruptura.

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Figura 2.27 - Estricção típica


ocorrido no corpo de prova de
aço antes da ruptura.

Nem todos os materiais dúcteis


apresentam o patamar de escoamento.
A maioria dos metais não apresentam
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escoamento constante além da faixa de


elasticidade, um exemplo disso é o
alumínio.
Este material não tem um ponto de escoamento bem definido,
na prática a tensão convencional de escoamento é obtida
tomando-se no eixo das abscissas a deformação específica ε =
0,2% (ou ε = 0,002 mm/mm), e por esse ponto traçando-se uma
reta paralela ao trecho linear inicial do diagrama, Figura 2.28.
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A tensão σe correspondente ao ponto de interseção dessa reta


com o diagrama, é definida como tensão convencional a 0,2 %.
σ (MPa)
400
σe,al = 352

300

200
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100

ε (mm/mm)

Figura 2.28 – Diagrama de escoamento para uma


12/26 liga de alumínio

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2.7.4. Materiais frágeis
Materiais frágeis são aqueles que se rompem bruscamente
apresentando pequenas deformações como, por exemplo, o
concreto, ferro fundido, vidro, porcelana, cerâmica, gesso, entre
outros. Outra característica é que não possuem tensão de ruptura
à tração bem definida e sua resistência a esse esforço
normalmente é baixa. Essa indefinição é causada pela existência
de imperfeições e microtrincas no material. A consequência é que
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o aparecimento de trincas iniciais seja bem aleatório. Essas


imperfeições ou microtrincas são próprias da natureza do material.
As características do diagrama tensão-deformação do concreto,
por exemplo, dependem principalmente da mistura água, areia,
brita e cimento, da duração e temperatura da cura
(endurecimento do concreto). Um exemplo típico de um diagrama
tensão-deformação do concreto é mostrado na Figura 2.29.
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2. Tensão e Deformação
Resistência dos Materiais I
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Figura 2.29 – Diagrama tensão-deformação do concreto


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Resistência dos Materiais I 2. Tensão e Deformação


No diagrama se observa, a resistência máxima a compressão é
muito maior do que a resistência à tração. Limite elástico do
concreto é caracterizado pela tensão σe1 , no entanto não possui a
propriedade da proporcionalidade, como no caso do aço.
No entanto, para se obter uma proporcionalidade aproximada,
utiliza-se a inclinação φs da reta secante que passa pela origem e
pelo ponto final do regime elástico. Em qualquer outro ponto da
curva, pode-se estimar a relação da tensão com a deformação
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através da reta tangente ao ponto analisado da curva, inclusive no


ponto inicial.
Alguns autores utilizam aproximações por funções para
representar a curva tensão-deformação do concreto, alimentadas
por constantes definidas por ensaios experimentais.

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2. Tensão e Deformação
Resistência dos Materiais I

Após o limite elástico o concreto começa a sofrer dano,


inclusive às vezes visível através de fissuras, sendo que mesmo
danificado o material ainda possui uma sobra de resistência até
atingir a tensão máxima , e então, após, começa a perder
resistência até a total ruptura. Vale ressaltar que a deformação
durante todos esses estágios é muito pequena, sendo
praticamente imperceptível, característica essa do material frágil.
O ferro fundido é um outro exemplo, tem um diagrama tensão
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deformação sob tração, como mostrado pela porção AB da curva


na Figura 2.31. Exibe uma resistência a compressão muito mais
alta à compressão axial, como na porção AC na Figura 2.31.

Figura 2.30 – Falha de um material frágil por tração


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Figura 2.31 – Diagrama tensão-deformação do ferro fundido


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2. Tensão e Deformação
Resistência dos Materiais I

Exercícios
1) Que barra ficou mais solicitada?
a) uma feita de alumínio de seção transversal 2,55 cm x 3,25
cm, sujeita a uma carga de 850 kN;
b) uma feita de ferro cuja seção transversal é circular e com
diâmetro de 1,40 cm, sob a ação de uma carga de 510 kN.
Resposta: σal = 102,56 kN/cm2 e σf = 331,47 kN/cm2
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2) Duas barras articuladas em A, B e C suportam em B a carga de


300 kN. As seções das barras apresentam as seguintes áreas:
AAB = 25 cm2 e ABC = 45 cm2. Determinar as tensões normais
A
nas barras. B

300 kN
600
Resposta: σAB = 20,78 kN/cm2 e
C σBC = - 13,34 kN/cm2
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3) Uma carga axial de 430 kN é totalmente aplicada a uma barra
de seção retangular (25 mm x 100 mm) e comprimento de 2500
mm. Quando carregada, o lado de 100 mm mede 99,965 mm e
o comprimento é aumentado de 2,5 mm. Determine:
a) o coeficiente de Poisson;
b) o módulo de elasticidade longitudinal do material.
Resposta: ν = 0,35 e E = 17200 kN/cm2 = 172 GPa
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4) Uma haste de poliestireno, de comprimento 300 mm e


diâmetro de 25,4 mm, é submetida a uma carga de tração de
35,60 kN. Sabendo-se que E = 3,1 GPa, determinar (Fonte:
Resistência dos Materiais, Beer e Johnston) :
a) o alongamento da haste;
b) a tensão normal na haste.
Resposta: ΔL = 6,801 mm e σ = 7,029 kN/cm2
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2. Tensão e Deformação
Resistência dos Materiais I

5) Numa barra de cobre são feitas duas marcas distanciadas de 20


mm. Ao ser submetida a um esforço normal axial de 11,50 kN, a
distância entre as marcas passa a ser de 22,90 mm. Calcule a
deformação específica ocorrida na barra, a tensão que ficou
sujeita e o módulo de elasticidade longitudinal do material,
sendo que a mesma tem um diâmetro de 1 mm.
Resposta: ε = 0,145 ; σ = 1464,97 kN/cm2 e E = 101032,4 MPa
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6) Para um fio de 3 mm de diâmetro e 1,2 m de comprimento,


quer-se determinar a tensão e o diâmetro após o mesmo ser
solicitado pela força de tração de 3 kN. Sabe-se que o módulo
de elasticidade é de 211 GPa e o coeficiente de Poisson igual a
0,32.
Resposta: σ = 42,46 kN/cm2 e df = 2,99807 mm
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7) Uma barra de alumínio com E = 105 GPa tem comprimento
L = 130 cm, largura b = 75 mm e altura a = 25 mm, conforme
figura. Se uma carga axial P = 210 kN for aplicada à barra,
determine a mudança em seu comprimento e a mudança nas
dimensões da seção transversal após a aplicação da carga P. O
material comporta-se elasticamente e o coeficiente de Poisson
igual a 0,36.
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Resposta: ΔLL = 0,1387 cm, ΔLb = - 0,00288 cm e ΔLa = - 0,0096 cm


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Resistência dos Materiais I

8) As tensões principais em um ponto são mostradas na figura. Se


o material for grafite, para o qual E = 5,6 GPa e ν = 0,23,
determine as deformações específicas principais.
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Resposta: εx = - 0,01415 , εy = - 0,03106 e εz = 0,02429


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9) Um cubo de concreto de 20 cm de lado está colocado justo
numa forma absolutamente rígida e sofre a compressão axial
pela ação da força P = 240 kN. Considerando que v = 0,18 ,
determine a pressão que sofrem as paredes da forma e as
tensões desenvolvidas no concreto.

240 KN
y
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x
240 kN

x
Vista Lateral z Vista Superior

Resposta: σx = σz = 0,132 kN/cm2 e Px = Pz = 52,8 kN


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Resistência dos Materiais I

10) Um círculo de diâmetro d = 230 mm é desenhado em uma


placa de alumínio sem tensões, de espessura t = 20mm.
Aplicam-se então forças (tensões) que atuam no plano da
placa, causando as tensões normais σx = 84 MPa e σz = 140
MPa. Adotando-se ν = 1/3 e E = 70 GPa, determinar as
variações que ocorrem:
a) no comprimento do diâmetro AB;
b) no comprimento do diâmetro CD;
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c) na espessura;
d) no volume da placa.
380 mm
Resposta: 380 mm
ΔdAB = 0,1227 mm
ΔdCD = 0,368 mm
Δt = - 0,02134 mm
ΔV = 3078,608 mm3
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11) A placa da figura é submetida a tensões de compressão, na
direção y, de 10 kN/cm2. Sabe-se que a deformação é
impedida na direção de x, devido a presença de elementos
fixos em A e B. Pede-se calcular a deformação total na direção
de y e z. Adotar E = 10000 MPa e coeficiente de Poisson 0,4.
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25/26 Resposta: ΔLy = - 0,0504 cm e ΔLz = 0,0224 cm

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Resistência dos Materiais I

12) A figura mostra um bloco submetido à força P = 25 kN e F = 90


kN. O comprimento na direção x é de 60 mm, na direção de y
é de 30 mm e na direção de z é de 12 mm. As peças A e B são
fixas. Pede-se a deformação específica longitudinal na direção
x e a deformação total na direção y. Adotar E = 2000 kN/cm2
e coeficiente de Poisson 0,40.
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Resposta: εx = 0,006415 e ΔLy = - 0,2158 mm


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