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Nome: Aline Vargas de Moraes

Curso: Geografia – bacharelado

Disciplina: Geografia da população

Profa: Ana Paula Archanjo

Atividade 6 - texto: Mobilidade espacial da população

O contexto de deslocamento populacional ao longo do tempo tem se


diferenciando com sua complexidade crescente ao conceito de mobilidade
como expressão de organizações sociais, situações conjunturais e relações de
trabalho particulares. A cada nova ordem política mundial correspondeu uma
nova ordem econômica com a emergência de novos fluxos demográficos.
Desde as invasões dos povos bárbaros asiáticos até os migrantes dos novos
tempos, grupos populacionais põem-se em movimento: lutam pela hegemonia
de novos territórios, fogem de perseguições étnicas e repressões múltiplas,
vislumbram a possibilidade de terras e mercados de trabalho mais promissores,
ou simplesmente perambulam em busca de tarefas que lhes assegurem a mera
subsistência. No âmbito das migrações internas, igualmente diversificada tem
sido a tipologia dos deslocamentos. Intensos fluxos de caráter rural-urbano
ocorreram nas décadas de 50 e 60, representativos de um período marcado por
crescente concentração fundiária e pela industrialização nos grandes centros
urbanos do Sudeste Brasileiro. Estabelecendo migrações interestaduais de
longa distância na década de 70, especialmente a de nordestinos para o eixo
Rio de Janeiro. Multiplicaram-se as migrações de assalariados rurais
temporários (volantes, boias-frias) especialmente para as- colheitas da cana e
da laranja, expressão do subemprego sazonal e das relações de trabalho
informais gerados pela modernização capitalista no campo. Fomentaram-se os
deslocamentos sucessivos de "barregueiros" para a construção de grandes
obras de infraestrutura energética ao Longo das áreas de fronteira, seja
internacional ou nacional. A mobilidade tem sido objeto de diferentes
interpretações ao longo do tempo, expressando-se, entre outros, através dos
enfoques neoclássicos e neomarxista. Estudavam-se os movimentos
migratórios especialmente através da mensuração dos fluxos demográficos e
das características individuais dos migrantes. Do ponto de vista espacial, a
análise estatística de fluxos (linhas) e de aglomerações (pontos) era favorecida
em detrimento da visão histórico-geográfica de uma formação social. Tal
concepção levava a um modelo redutivo da realidade onde a sociedade era
considerada sob um enfoque individualizado, atomístico: cada pessoa buscava
maximizar suas necessidades. A decisão de migrar era percebida como
decorrente apenas da "decisão pessoal" e não pressionada ou produzida por
forças socioeconomicas. Em decorrência, a redistribuição de população
representaria uma resposta às mudanças na geografia da acumulação. A
migração torna-se, assim, um importante mecanismo na produção da força de
trabalho, já que vincula áreas de diferentes escalas espaciais (regional,
nacional, internacional) objetivando a expansão do mercado de trabalho. Uma
questão teórico-metodológica merece ainda ser tratada na discussão do
fenômeno migratório: é a relacionada à definição do migrante enquanto
categoria de análise. De acordo com o Censo Demográfico Brasileiro são
considerados migrantes todos os indivíduos que apresentarem pelo menos uma
mudança de local de residência, seja de um município para outro (migrante
intermunicipal), seja entre diferentes categorias de domicílio dentro dos limites
do mesmo município. Em relação ao papel da migração na formação do
mercado de trabalho regional, sabe-se que a disponibilidade de uma força de
trabalho móvel se apresentou como condição básica para a realização material
dos investimentos promovidos pelo Estado Brasileiro dentro de sua estratégia
de "ocupação dos espaços vazios" da Amazônia. Entretanto, esta mão-de-obra
migrante, que era elemento essencial no estágio inicial de ocupação da
Amazônia (anos 70) e que se tornou pouco demandada na etapa seguinte
quando a fronteira se consolidou, passou nos anos 90 a integrar os crescentes
"bolsões de pobreza" reproduzidos nas periferias dos centros urbanos da
Amazônia.