Você está na página 1de 4

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Direito Ambiental Nacional e Internacional


Avaliação 2 – ERE – 2020/1
Professora: Nicole Rinaldi de Barcellos

Nome 1: Claricia da Rosa Domingues / 00262005

Responda às seguintes perguntas:

1. O que é o licenciamento ambiental e qual o seu procedimento no âmbito federal?


Indique a base legal.
O licenciamento ambiental de é uma modalidade de controle ambiental específica para
atividades que, devido às suas dimensões, sejam potencialmente capazes de causar
degradação ambiental. Assim sendo, o licenciamento ambiental é, juntamente com a
fiscalização, a principal manifestação do poder de polícia exercido pelo Estado sobre as
atividades utilizadoras de recursos ambientais. O licenciamento ambiental se materializa nos
Alvarás ambientais, que podem ser de vários tipos diferentes. A Administração pode conceder
licenças ou autorizações para que pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, exerçam
as atividades que utilizam os recursos ambientais
Por outro lado, as normas jurídicas que disciplinam o licenciamento ambiental não podem ser
abertas demais. Há, portanto, uma enorme tensão entre o princípio da legalidade e o
informalismo; tal tensão encontra solução normativa nos incisos VI e IX do parágrafo único
do artigo 2º da Lei n 9.784/1999, fato é que matéria tão relevante para a proteção do meio
ambiente e o desenvolvimento da atividade econômica não pode ficar ao sabor de normas
puramente administrativas, fazendo-se necessária a edição de uma lei para disciplinar o
licenciamento ambiental federal.

O licenciamento ambiental federal é efetivado perante o Ibama e vem crescendo de


importância gradativamente, com um esvaziamento dos entes federativos, que veem os seus
órgãos ambientais extremamente diminuídos. A edição da LC n . 140/2011, pode significar
uma mudança de tendência, eis que ela busca ampliar a descentralização administrativa,
mediante a adoção de mecanismos de cooperação entre os diferentes entes federativos. O
licenciamento ambiental é atividade tipicamente administrativa, sendo certo que, no âmbito
federal, o artigo 7º da LC n. 140/2011. O procedimento-padrão de licenciamento ambiental
compreende a concessão de duas licenças preliminares e a licença final que o encerra. Essas
licenças são
(Decreto n. 99.274/1990): LP, na fase preliminar do planejamento da atividade, contendo
requisitos básicos a serem atendidos nas fases de localização, instalação e operação,
observados os planos municipais, estaduais ou federais do uso do solo. LI, autorizando o
início da implantação, de acordo com as especificações constantes do projeto executivo
aprovado LO, autorizando, após as verificações necessárias, o início da atividade licenciada e
o funcionamento de seus equipamentos de controle de poluição, de acordo com o previsto nas
licenças prévia e de instalação. O Licenciamento ambiental deverá ser feito em apenas um
nível federativo, tal como determinado pelo artigo 13 da LC n. 140/2011, cabendo aos demais
entes
federativos interessados manifestarem-se sem efeito vinculante, observados os prazos e
procedimentos do licenciamento ambiental.

2. No que consiste o Estudo de Impacto Ambiental? Indique a base legal.

O EIA é uma das diferentes modalidades de estudos utilizadas para o exame dos diferentes
custos de um projeto, estando voltada para os chamados custos ambientais, os quais são
caracterizados pelos impactos positivos e negativos advindos da implantação do
empreendimento. Analisar custos de implantação de projetos é uma prática antiga; de fato, o
empreendedor de um projeto busca avaliar se os benefícios compensarão os custos a serem
alcançados. Se os benefícios forem maiores que os custos, diz-se que o referido projeto é
viável economicamente.
A necessidade de Estudos de Impacto Ambiental está prevista no inciso IV do § 1º do artigo
225 da CF, que determina caber ao Poder Público exigir, na forma da lei, para instalação de
obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente,
estudo de impacto ambiental, a que se dará publicidade.
Importante ressaltar, Lei nº 6.803/1980, pois foi através dela que se estabeleceu de forma
clara e precisa a necessidade da avaliação do impacto ambiental dos empreendimentos
industriais. Ainda, É curioso que a Resolução n. 1/86 fez uma inovação no instituto definido
pelo artigo 9º, III, da Lei n. 6.938/81, pois a Avaliação de Impacto Ambiental passou a ser
efetivada através da realização de EIA e dos respectivos Relatórios de Impacto Ambiental –
RIMA. Posteriormente, a denominação Estudo de Impacto Ambiental acabou se
popularizando de tal maneira que se inseriu na própria Constituição. No sistema jurídico
brasileiro, o estudo de impacto constitucional tem a natureza jurídica de instituto
constitucional, constituindo-se em instrumento da PNMA (Lei n 6.938/1981, art. 9º, III). O
que isto significa na prática? Na condição de instrumento constitucional, ele, em tese, está
colocado acima da PNMA, surgindo
aí uma contradição, pois ao mesmo tempo ele tem uma previsão constitucional que a
PNMAnão possui. O estudo prévio de impacto ambiental é uma informação técnica posta à
disposição da administração, com vistas a subsidiar o licenciamento ambiental de obra ou
atividade capaz de potencial ou efetivamente causar significativa degradação ambiental.

3. Caso considerado o zoneamento ambiental, é correto afirmar que os municípios


assumem relevante papel? Justifique.

O zoneamento é uma importante intervenção estatal na utilização de espaços geográficos e no


domínio econômico, organizando a relação espaço-produção, alocando recursos, interditando
áreas, destinando outras para estas e não para aquelas atividades, incentivando e reprimindo
condutas etc.. O principal instrumento de planejamento (zoneamento) urbano é o Plano
Diretor elaborado pelos municípios. Aos Municípios estão reservadas as mais importantes
tarefas em matéria de zoneamento, visto que a utilização do solo é matéria de interesse
predominantemente local e, portanto, contemplada entre as competências municipais. No
âmbito da política urbana, os Municípios têm a tarefa de editar os planos diretores, que são
obrigatórios para cidades com mais de 20.000 habitantes. O plano diretor é o instrumento
básico da política de desenvolvimento e expansão urbana. É através dele que as cidades
podem projetar o desenvolvimento e fixar critérios jurídico-urbanísticos para a ocupação
racional do solo. Até mesmo no setor agrário, a atividade municipal, igualmente, é
importante, pois os planos diretores é que irão fixar as regiões voltadas para a atividade
agrícola, delimitando a utilização do solo municipal. O estabelecimento de zonas urbanas e de
zonas rurais, como é óbvio, é da maior importância para a proteção ambiental.

4. Discorra sobre os fundamentos jurídicos e doutrinários da responsabilidade civil


por dano ambiental.
Embora a Constituição Federal tenha mencionado no § 3º do artigo 225 a existência de uma
tríplice responsabilidade ambiental, no âmbito da responsabilidade civil por danos ao meio
ambiente, ela não é unitária, como pretende boa parte da doutrina e da jurisprudência. Na
verdade, muito embora o discurso ambiental esteja fundado em holismo e unitarismo, o fato é
que as políticas públicas de proteção ao meio ambiente se fazem por leis específicas, as quais
estabelecem sistemas próprios de responsabilidade que, em muitos casos, se apartam do
modelo estabelecido pela Lei da PNMA que deve ser concebido como um modelo geral, dada
a natureza de lei geral ostentada pela PNMA, ficando claro que, havendo uma lei especial,
esta deve se aplicar ao caso concreto, afastando-se a lei geral.
A responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, no sistema jurídico brasileiro, é
matéria que goza de status constitucional. A Constituição estabeleceu uma tríplice
responsabilização a ser aplicada aos causadores de danos ambientais, conforme se pode
observar do artigo 225, § 3º , da CF. A responsabilidade é bastante abrangente e pode ser
aplicada a: (i) pessoas físicas e (ii) pessoas jurídicas, e se subdivide em (i) penal; (ii)
administrativa e (iii) civil.
A responsabilidade civil fundada em culpa, do ponto de vista da estrutura econômica,
corresponde a uma determinada etapa do desenvolvimento, na qual não existiam as produções
em grande escala, a máquina a vapor, as comunicações por telégrafo e as vias férreas
trouxeram uma grande modificação na escala produtiva, pois os acidentes passaram a fazer
parte da rotina da atividade industrial e produtiva, muito mais do que anteriormente. Esse
conjunto de fatos implicaram profundas transformações no Direito em geral. Ainda, muito
embora exista uma cláusula geral de responsabilidade subjetiva no Direito brasileiro, o
parágrafo único do artigo 927 do CC admite que a responsabilidade objetiva possa decorrer
em função do risco da atividade. Assim, a responsabilidade civil do Estado, por omissão, é
subjetiva ou por culpa, regime comum ou geral esse que, assentado no art. 37 da CF, enfrenta
duas exceções principais. Primeiro, quando a responsabilização objetiva do ente público
decorrer de expressa previsão legal, em microssistema especial, como na proteção do meio
ambiente (Lei 6.938/1981, art. 3 o , IV, c/c o art. 14, § 1 o). Segundo, quando as
circunstâncias indicarem a presença de um standard ou dever de ação estatal mais rigoroso do
que aquele que jorra, consoante a construção doutrinária e jurisprudencial, do texto
constitucional

5. Quais são os principais meios pelos quais o Ministério Público pode atuar em
matéria de proteção ao meio ambiente?
Sim, pois é indiscutível que o Ministério Público, igualmente, exerce um importante papel
no controle da legalidade dos Poderes. A participação popular no controle dos diferentes atos
administrativos se faz por meio da representação aos Poderes Públicos, ou pela ação popular.
Ministério Público Federal exerça as atribuições que lhe foram expressamente conferidas pelo
art. 129, inciso III, da CF, notadamente no que diz respeito à proteção do meio ambiente. As
ações civis públicas são o principal instrumento de ação do Ministério Público no âmbito da
jurisdição civil. A intervenção do Ministério Público é material e não apenas formal. A
intervenção do Ministério
Público como fiscal da ordem jurídica implica que este seja intimado das provas a serem
produzidas pelas partes. Deverá ser intimado dos documentos e perícias constantes dos autos.
Deverá, também, ser intimado das assentadas, das decisões interlocutórias e da sentença. Ou
seja, o Ministério Público deverá ter conhecimento de tudo o que consta dos autos. Nenhum
prazo correrá contra o Ministério Público, caso este não tenha sido intimado pessoalmente. Na
hipótese em que as partes cheguem a algum tipo de acordo ou transação, o Ministério Público
deverá ser intimado de seus termos e está somente poderá ser homologada pelo órgão judicial
após a manifestação do representante do Ministério Público. Caso o Ministério Público
discorde dos termos nos quais foi lavrado o acordo ou transação, poderá recorrer da decisão
homologatória.