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Relatório de Estágio Profissional - Repartição de Qualidade de Água e Ambiente

ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA URBANIZAÇÃO

SOBRE O AQUÍFERO DO VALE DE NHARTANDA, CASO

ZONA DO ANTIGO MERCADO KWACENA – CIDADE DE

TETE

Autor: Mário Lourenço Cássimo

Songo, Junho de 2021


Instituto Superior Politécnico de Songo

CURSO DE ENGENHARIA HIDRÁULICA

RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL

ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA URBANIZAÇÃO SOBRE O


AQUÍFERO DO VALE DE NHARTANDA, CASO ZONA DO ANTIGO
MERCADO KWACENA – CIDADE DE TETE

AUTOR:

Mário Lourenço Cássimo

SUPERVISORES:

▪ Supervisora – dra. Noémia Ferreira Godinho (ARA – Centro, IP)

▪ Co-Supervisor – Eng.º Edelino Guilherme Foquiço, Msc (ISPS)

Songo, Junho de 2021


Mário Lourenço Cássimo

ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA URBANIZAÇÃO SOBRE O


AQUÍFERO DO VALE DE NHARTANDA, CASO ZONA DO ANTIGO
MERCADO KWACENA – CIDADE DE TETE

Trabalho de conclusão de Curso submetido para sua


aprovação pelos membros de júri, como requisito
parcial para aquisição do grau de Licenciatura em
Engenharia Hidráulica, concebido pelo Instituto
Superior Politécnico de Songo.

Membros de Júri

A Supervisora

_____________________________________________

(dra. Noémia Ferreira Godinho)

O Co-supervisor

_____________________________________________

(Eng.º Edelino Guilherme Foquiço, Msc)

O Oponente

_____________________________________________

( )

O Presidente da Mesa de Júri

_____________________________________________

( )

Songo, Junho de 2021


Instituto Superior Politécnico de Songo

TERMO DE ENTREGA DO RELATÓRIO

Curso de Licenciatura em Engenharia Hidráulica

TERMO DE ENTREGA DO RELATÓRIO DO ESTÁGIO PROFISSIONAL

Declaro que o estudante _______________________________________entregou no


dia ___/___ /2021 as cópias do relatório do seu Estágio Profissional com a referência:
Impacto Ambiental, intitulado: Análise dos Impactos Ambientais da Urbanização
Sobre o Aquífero do Vale de Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena –
Cidade de Tete

Songo, ______ de ________________ de 2021

O Chefe da Secretária

_________________________________________
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a todos aqueles que acreditaram na minha capacidade;


em especial aos meus pais: Lourenço Cássimo Mussa e Santanita Rapieque;
aos meus irmãos: Edson, Gilda, Stella, Leila, Edgar, Neyde, Ludy e Anderson; a
minha noiva Benilde; as minhas madrastas: Fátima e Florinda.

i
AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, a Deus, por ter me dado forças para seguir adiante em todas
as vezes nas quais a desesperança me atingiu.

Aos meus pais, pelos inúmeros esforços realizados a fim de auxiliar em minha criação e
formação. Às minhas irmãs e irmãos, por estarem sempre ao meu lado e a todos os
demais familiares, por sempre terem me incentivado directa ou indirectamente.

A minha preciosa noiva Benilde. A. A. A. Nipugur pelo incentivo e suporte. Aos colegas
do lar de estudantes do ISPS, em especial aos do quarto 7 Ala B e Quarto 7 Ala A pela
força, pelo carinho e pelo auxílio em momentos difíceis.

A ARA-Centro, IP pela oportunidade oferecida para o desenvolvimento deste relatório.

Aos docentes e colegas do Curso de Engenharia Hidráulica pelos ensinamentos e


amizade. Aos funcionários do Instituto Superior Politécnico de Songo e da ARA-Centro,
IP, pelo óptimo tratamento.

A todos os meus amigos, cujo apoio moral e espiritual foi imprescindível para que eu
pudesse finalizar o presente relatório e concluir o curso.

Ao dr. António Albino Elija e o Técnico Lúcio Francisco Cumbe do sector de Qualidade
de Água e Ambiente da ARA-Centro, IP, pela ajuda na clarificação de dúvidas e na
interpretação dos resultados, sendo de suma importância para realização deste relatório.

Finalmente, agradeço aos meus orientadores, dra. Noémia Ferreira Godinho do sector
de Qualidade de Água e Ambiente da ARA-Centro, IP e Eng.º Edelino Guilherme
Foquiço, Msc do Instituto Superior Politécnico de Songo, por todas as vezes em que me
nortearam, indicando os caminhos a percorrer, e por toda a atenção, encorajamento e
sabedoria transmitida no decorrer deste relatório.

Muitíssimo obrigado!
EPÍGRAFE

"Se cheguei até aqui foi porque me apoiei no ombro dos gigantes".

Isaac Newton

(1642–1727)
RESUMO

O presente relatório trata do diagnóstico da influência do crescimento urbano na zona do


antigo Kwacena – Cidade de Tete e os impactos ambientais que esse crescimento causa
nos recursos hídricos do sistema aquífero de Nhartanda. Perante essa situação, foi
executado o monitoramento de parâmetros físico-químicos para avaliar a qualidade das
águas subterrâneas do sistema aquífero de Nhartanda. As análises feitas revelaram que
o rápido crescimento da mancha urbano tem proporcionado o comprometimento da
quantidade e qualidade de água do Vale através de actividades antrópicas realizadas no
local como: loteamentos urbanos, retirada da vegetação natural, agricultura usando
fertilizantes em altas concentrações, e lançamento de resíduos sólidos nos cursos de
água ou próximo a eles.

Para o levantamento dos dados, foram monitorados 3 furos, e destes, avaliados diversos
parâmetros físico-químicos para a análise da variabilidade dos parâmetros ao longo do
tempo e a possível ocorrência de contaminantes inorgânicos, bem como a análise das
particularidades da região quanto as características de uso e ocupação do solo e
formação geológica. Para determinação dos parâmetros usou-se sonda multiparâmetro
portátil Modelo Aquared Ap-800 da marca Trace2O e turbidímetro da marca Hach 40d
para análises in situ e espectrofotómetro modelo DR 2800 da marca HACH para análises
laboratoriais. Das análises feitas 3 parâmetros apresentaram valores distintos do
permitido pela legislação Moçambicana (Decreto no 18/2004, de 2 de junho) que são: pH
com 8.92, CE com 2031.5 µS/cm e salinidade com 1.51 PSU. Os resultados finais
indicam que o sistema aquífero do Nhartanda tem uma qualidade de água aceitável para
o consumo, até então.

Palavras–chave: Impactos Ambientais. Urbanização. Resíduos Sólidos. Água


Subterrânea. Qualidade de água.
ABSTRACT

This report deals with the diagnosis of the influence of urban growth in the area of the
former Kwacena – City of Tete and the environmental impacts that this growth causes on
the water resources of the Nhartanda aquifer system. In view of this situation, the
monitoring of physical-chemical parameters was performed to evaluate the quality of
groundwater in the Nhartanda aquifer system. The analyses revealed that the rapid
growth of the urban spot has provided the compromise of the quantity and quality of water
in the Valley through anthropic activities carried out on site such as: urban allotments,
removal of natural vegetation, agriculture using fertilizers in high concentrations, and
release of solid waste in or near watercourses.

For data collection, 3 holes were monitored, and of these, several physical-chemical
parameters were evaluated for the analysis of parameter variability over time and the
possible occurrence of inorganic contaminants, as well as the analysis of the
particularities of the region regarding the characteristics of land use and occupation and
geological formation. To determine the parameters, we used a Trace2O Model Aquared
Ap-800 portable multiparameter probe and Hach 40d turbidimeter for in situ analysis and
HACH model DR 2800 spectrophotometer for laboratory analysis. Of the analyses made
3 parameters presented values different from that allowed by Mozambican legislation
(Decree No. 18/2004, of June 2) which are: pH with 8.92, Ce with 2031.5 μS/cm and
salinity with 1.51 PSU. The final results indicate that the Nhartanda aquifer system has
an acceptable water quality for consumption until then.

Keywords: Environmental Impacts. urbanization. Solid Waste. groundwater. Water


quality.
ÍNDICE

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ........................................................... ix

LISTA DE SÍMBOLOS ....................................................................................... x

LISTA DE FIGURAS ......................................................................................... xi

LISTA DE ANEXOS ......................................................................................... xii

LISTA DE TABELAS ...................................................................................... xiii

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................. 1

1.1 Enquadramento do Tema ................................................................................... 2

1.2 Problemática e Justificativa ................................................................................ 3

1.3 Hipóteses ........................................................................................................... 4

1.4 Objectivos........................................................................................................... 4

1.4.1 Objectivo geral ................................................................................................ 4

1.4.2 Objectivos Específicos .................................................................................... 4

1.5 Metodologia de Investigação .............................................................................. 5

1.6 Resultados Esperados ....................................................................................... 7

1.7 Descrição do Local de Trabalho ......................................................................... 7

1.7.1 Enquadramento Sectorial ................................................................................ 7

1.8 Estrutura do trabalho .......................................................................................... 8

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................... 10

2.1 Disponibilidade da água ................................................................................... 10

2.1.1 O Ciclo Hidrológico ....................................................................................... 10

2.2 Águas Subterrâneos ......................................................................................... 11

2.2.1 Uso das Águas Subterrâneas ....................................................................... 13

2.3 Qualidade das Águas Subterrâneas ................................................................. 14

2.4 Fontes de Poluição das Águas Subterrâneas .................................................. 14

2.4.3 Impactos dos resíduos sólidos sobre os recursos hídricos ........................... 18


2.5 Parâmetros Indicadores de Qualidade da Água ............................................... 20

2.5.1 Parâmetros Físico-Químicos ......................................................................... 20

2.6 Meio Ambiente ................................................................................................. 23

2.6.1 Impacto Ambiental ........................................................................................ 24

3 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO - VALE DE NHARTANDA 26

3.1 Localização Geográfica .................................................................................... 26

3.2 Enquadramento Geológico ............................................................................... 28

3.3 Climatologia ...................................................................................................... 29

3.4 Hidrologia ......................................................................................................... 30

3.5 Hidrogeologia ................................................................................................... 32

3.6 Uso e ocupação do solo ................................................................................... 33

3.6.1 Captação de Água ........................................................................................ 34

4 MATERIAIS E MÉTODOS ......................................................................... 36

4.1 Monitoramento da Água Subterrânea............................................................... 36

4.2 Procedimentos de Colecta ............................................................................... 37

4.3 Procedimento de Análise dos Parâmetros no Campo ...................................... 38

4.4 Procedimento de Análises Laboratoriais .......................................................... 39

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................. 41

5.1 Parâmetros Físico-Químicos ............................................................................ 41

5.1.1 Temperatura da água .................................................................................... 41

5.1.2 pH ................................................................................................................. 42

5.1.3 Condutividade eléctrica ................................................................................. 43

5.1.4 Salinidade ..................................................................................................... 44

5.1.5 Nitrato............................................................................................................ 45

5.1.6 Oxigénio Dissolvido ....................................................................................... 46

5.2 Análise Estatística ............................................................................................ 47

6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES .................................................... 50

6.1 Conclusões....................................................................................................... 50
6.2 Recomendações............................................................................................... 51

7 BIBLIOGRAFIA ......................................................................................... 52

7.1 Referencias Bibliográficas ................................................................................ 52

7.2 Outra Bibliografia Consultada ........................................................................... 54

ANEXOS .......................................................................................................... 55
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ARA – Centro, IP – Administração Regional de Águas do Centro, Instituto Público;

APP – Áreas de Protecção Permanente;

COBA – Consultores de Engenharia e Ambiente;

CIT – Zona de Convergência Intertropical;

CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente;

DBO – Demanda Bioquímica de Oxigénio;

DN – Diâmetro Nominal;

ETA – Estação de Tratamento de Águas;

EN7 – Estrada Nacional número 7;

FIPAG – Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água;

GPS – Sistema de Posicionamento Geográfico;

HCB – Hidroelétrica de Cahora Bassa;

INAM – Instituto Nacional de Meteorologia;

ISPS – Instituto Superior Politécnico de Songo;

MASA – Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar;

NW/SE – Noroeste/ Sudoeste;

NHT – Nhartanda;

PSU – Unidades de salinidade prática;

SADC – Southern African Development Community (Comunidade de Desenvolvimento


da África Austral)

TDS – Sólidos totais dissolvidos;

TCC – Trabalho de Conclusão do Curso;

VMA – Valor Máximo Admissível.

ix
LISTA DE SÍMBOLOS

oC – Grau celsius;
F1 – Furo 1;
F3 – Furo 3;
F8 – Furo 8;
Km2 – Quilómetro quadrado;
Km – Quilometro;
mm – Milímetro;
min – minutos;
m – Metros;
m3/h – Metros cúbicos por hora;
m3/d – Metros cúbicos por dia;
mg/L – Miligrama por litro;
% – Percentagem;
tm – Temperatura média;
t – Temperatura da água;
µS/cm – Microsiemens por centímetro.

x
LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1: Etapas do Ciclo Hidrológico ........................................................................ 11


Figura 2.2: Ilustração do efeito da urbanização deficiente. ........................................... 16
Figura 2.3: Disposição de resíduos sólidos ................................................................... 19
Figura 2.4: Efluentes domésticos e resíduos sólidos a céu aberto ................................ 25

Figura 3.1: Enquadramento geográfico do Vale de Nhartanda...................................... 26


Figura 3.2: Carta geológica do Vale de Nhartanda e áreas adjacentes. ....................... 28
Figura 3.3: Mapa da bacia hidrográfica do rio Zambeze. .............................................. 31
Figura 3.4: Mapa hidrogeológico do Vale e áreas adjacentes. ...................................... 32
Figura 3.5: Ocupação do solo do Vale de Nhartanda. ................................................... 33
Figura 3.6: Mapa ilustrativo do campo de furos. ............................................................ 35
Figura 3.7: Esquema do sistema. .................................................................................. 35

Figura 4.1: Mapa de localização dos pontos de amostragem........................................ 36


Figura 4.2: Materiais usados e o sistema de captação da FIPAG. ................................ 37
Figura 4.3: Momentos da colecta da amostra................................................................ 37
Figura 4.4: Ilustração dos equipamentos e análises feitas in situ. ................................. 38
Figura 4.5: Equipamentos laboratoriais. ........................................................................ 39
Figura 4.6: Reagentes e tipos de análises de amoníaco, amónia e nitrogénio amoniacal.
...................................................................................................................................... 40

Figura 5.1: Valores médios anuais da temperatura da água do Aquífero do Vale de


Nhartanda. ..................................................................................................................... 41
Figura 5.2: Valores médios anuais do pH da água do Aquífero do Vale de Nhartanda .
...................................................................................................................................... 42
Figura 5.3: Variação da CE média anual das águas dos furos do Vale de Nhartanda. . 43
Figura 5.4: Variação da salinidade média anual das águas dos furos do Vale de
Nhartanda. ..................................................................................................................... 44
Figura 5.5: Variação do nitrato médio anual das águas dos furos do Vale de Nhartanda.
...................................................................................................................................... 46
Figura 5.6: Variação do oxigénio dissolvido médio anual das águas dos furos do Vale de
Nhartanda. ..................................................................................................................... 47

xi
LISTA DE ANEXOS

Anexo 1: Ficha de inspecção e resultados da análise de amostras .............................. 56


Anexo 2: Interdição de construção. ............................................................................... 57
Anexo 3: Recarga do Vale de Nhartanda e Descargas de Águas Residuais. ............... 57
Anexo 4: Actividades ao longo do Vale de Nhartanda e áreas adjacentes (Fontes de
Poluição)........................................................................................................................ 58
Anexo 5: Mapa de delimitação do Vale e os pontos de colecta da amostra. ................. 59
Anexo 6: Parâmetros da qualidade de água subterrânea no período entre o ano 2015 a
2021. ............................................................................................................................. 60
Anexo 7: Medidas Descritivas. ...................................................................................... 62
Anexo 8: Ilustração de Águas negras (efluentes) no rio Nhatsato que desagua no Vale
de Nhartanda. ................................................................................................................ 63

xii
LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1: Parâmetros de qualidade de água (Fonte: Autor, 2021) ............................. 23

Tabela 3.1: Sub-estações do ano da Cidade de Tete (Fonte: COBA 2013). ................. 29
Tabela 3.2: Características da bacia hidrográfica do Zambeze (Fonte: HCB, 2012). .... 31

Tabela 4.1: Localização dos furos de amostragem ....................................................... 36

Tabela 5.1: Estatística descritiva de resultados dos parâmetros físico-químicos. ........ 48


Tabela 5.2: Matriz de correlação dos parâmetros físico-químicos analisados. ............. 48

xiii
Análise dos Impactos Ambientais da Urbanização sobre o Aquífero do Vale de
Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

1 INTRODUÇÃO

A água constitui um recurso crucial e indispensável à existência de vida no planeta Terra.


Ela apresenta um evidente valor ecológico e tem vindo a ser um factor determinante para
o desenvolvimento de muitas actividades humanas, nomeadamente a distribuição
geográfica mundial das civilizações, ao longo dos anos.

Grande parte da água consumida pelos seres vivos e principalmente pelos seres
humanos provém de reservatórios de água superficial e subterrânea. Este último, por se
encontrar mais protegido da acção de poluentes e/ou contaminantes resultantes de
acções antropogénicas do que da água superficial, considera-se menos vulnerável à
contaminação. Apesar da capacidade protectora (filtração e autodepuração) das
camadas superiores do solo, os reservatórios de água subterrânea estão
constantemente sujeitos à contaminação pelas acções humanas.

No entanto, devido ao crescimento das cidades e, consequentemente, o aumento no


consumo de água, os reservatórios subterrâneos além de serem alvos de extracções
indiscriminadas, agora, se deparam com a deterioração de suas águas, devido às
actividades antrópicas.

A disponibilidade de água de boa qualidade é um factor importante para a fixação,


desenvolvimento socioeconómico e saúde de uma comunidade. Os resíduos sólidos
produzidos nas áreas urbanas podem contaminar as águas escoadas de várias
maneiras. A mais evidente refere-se aos rejeitos lançados directamente nas bocas de
lobo ou nas superfícies urbanas (sarjetas, calçadas, passeios, etc.).

Actualmente, a água subterrânea, à semelhança de outros recursos naturais, está


exposta a diferentes agressões e apresenta elevada vulnerabilidade devido à má
utilização e gestão pelo Homem. Um exemplo destas agressões é a que ocorre no
sistema aquífero de Nhartanda, onde devido a inexistência de Estações de Tratamento
de Águas Residuais, associada à prática de actividades agropecuárias e fraco
saneamento básico, os resíduos são depositados irregularmente no Vale e áreas
adjacentes, bem como, na sua principal fonte de recarga – o rio Zambeze. Esta situação
contribui para a deterioração da qualidade de água da principal fonte de captação de
água para abastecimento da Cidade de Tete “antiga”.

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 1


Análise dos Impactos Ambientais da Urbanização sobre o Aquífero do Vale de
Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

Para a análise da qualidade de água do Vale de Nhartanda, foram determinados os


principais parâmetros físico-químicos da água e as principais actividades antrópicas
desenvolvidas na planície de inundação e áreas adjacentes, que constituem potenciais
fontes de contaminação. Com estas informações foi possível indicar algumas medidas
de preservação da qualidade de água subterrânea, contribuindo deste modo para uma
melhor gestão dos recursos hídricos locais, e consequentemente, para o bem-estar da
população. Neste sentido, e a partir deste trabalho, é possível melhor compreender a
importância da preservação dos recursos hídricos e da qualidade de vida e do meio
ambiente na zona do antigo mercado Kwacena.

1.1 Enquadramento do Tema

O tema no Plano Quinquenal do Governo se enquadra no ponto 5 onde tem como


subtítulo Prioridade III: Fortalecer a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais e do
Ambiente. De acordo com o documento publicado em 01 de Outubro de 2013 no jornal
notícias, os ministros do ambiente e gestão dos recursos naturais da África Austral
avaliaram, em Maputo, o protocolo sobre gestão ambiental para o desenvolvimento
sustentável. Este documento é considerado de suma importância na medida em que
apresenta os pilares de acções que visam reforçar a protecção ambiental olhando para
a saúde e bem-estar do Homem e o combate à pobreza.

Fonte do Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental (MICOA) que na


actualidade é o Ministério da Terra e Ambiente, entidade organizadora do evento,
explicou que, para além de outras políticas e programas, o Protocolo da SADC sobre
gestão ambiental procura promover a utilização equitativa e sustentável dos recursos
naturais e do meio ambiente em benefício das gerações presentes e vindouras. Para
além de olhar para a gestão partilhada do meio ambiente e dos recursos naturais
transfronteiriços, este protocolo discutido pelos ministros do ambiente e gestão dos
recursos naturais tem ainda como pano de fundo a promoção de uma gestão eficaz e
resposta certa aos impactos provocados pelas alterações climáticas, actividades
patogénicas e pela variabilidade do clima. O encontro ganhou dimensão maior na medida
em que os ministros apreciaram a proposta do Protocolo e, posteriormente, submeteram
à apreciação do Conselho de Ministros da Comunidade para o Desenvolvimento da
África Austral.

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 2


Análise dos Impactos Ambientais da Urbanização sobre o Aquífero do Vale de
Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

O programa visa, entre outras acções, consolidar os mecanismos de financiamento


sustentável, reduzir a vulnerabilidade dos ecossistemas e das populações, às alterações
climáticas, reforçar os meios de sustento das comunidades, facilitar a harmonização de
políticas e promover a gestão dos recursos naturais transfronteiriços.

Sobre o programa de gestão de resíduos, que é uma das maiores preocupações no


quadro de gestão ambiental na SADC, a ideia é que se possa olhar para este programa
vendo aspectos relacionados com a facilitação do desenvolvimento de estratégias e
planos de acção nacionais e regionais e de gestão de resíduos para promover uma
gestão sustentável de resíduos nas regiões do pais, bem como melhorar a gestão dos
resíduos sólidos a fim de promover um crescimento económico sustentável, a melhoria
da saúde e do bem-estar e a redução da pobreza.

Estes são os objectivos do programa que procura ainda elevar a consciência social e
estabelecer ligações visando fomentar o envolvimento público, privado e comunitário nas
intervenções e actividades de gestão de resíduos, para além de facilitar o acordo sobre
a abordagem regional para se fazer face aos resíduos perigosos, incluindo os resíduos
radioactivos. As disciplinas do plano curricular do curso de Engenharia Hidráulica que
tem uma relação directa com o tema estudado são: Metodologia de Investigação
Científica, Cálculo hidrológico, Drenagem e Saneamento, Engenharia e Ambiente,
Hidrologia, Química Geral, Saneamento Geral do Meio e Sistema de Tratamento e
Abastecimento de Água.

1.2 Problemática e Justificativa

A poluição das águas constitui um dos mais sérios problemas ecológicos da actualidade.
As fontes de poluição da água mais uma vez decorrem, principalmente, das actividades
antropogénicas, isto é, os impactos nos recursos hídricos urbanos são invariavelmente
ocasionados pelo desenvolvimento das zonas urbanas.

De acordo com os problemas que podem interferir na qualidade da água, bem como, as
suas causas, é importante considerar que toda a água subterrânea de origem meteórica
é passível de ser poluída e/ou contaminada e de que não existe nenhum aquífero
invulnerável, sendo a contaminação controlada principalmente por factores
hidrogeológicos.

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 3


Análise dos Impactos Ambientais da Urbanização sobre o Aquífero do Vale de
Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

Analisar impactos ambientais em áreas urbanas torna-se fundamental para o


planeamento, desenvolvimento e ordenamento das cidades. A necessidade de
desenvolvimento da sociedade propõe um modelo de apropriação do espaço geográfico
através da utilização de seus recursos naturais. Baseado nesse modelo de
desenvolvimento observa-se principalmente na cidade de Tete a crescente demanda
pelos recursos naturais e espaço físico, com isso áreas que deveriam servir de suporte
à preservação ambiental, como as margens do Vale e do rio (Áreas de Preservação
Permanente) passam a ser ocupadas de forma desordenada e sem planejamento, o que
acarrecta em diversos problemas ambientais urbanos como inundações, proliferação de
doenças veiculadas a água, despejo de efluentes sanitários domésticos nos corpos
hídricos, deslizamentos de terra, enchentes, aumento do escoamento superficial, dentre
outros. É nesta temática e preocupação ambiental que este trabalho está alicerçado.

1.3 Hipóteses

Este estudo baseia-se nas seguintes hipóteses:

i. A ocupação desordenada e as actividades desenvolvidas no Vale de Nhartanda


e ao longo das suas margens causam impacto negativo nos recursos hídricos
locais;
ii. O esgoto doméstico é a maior fonte de contaminação do aquífero da zona do Vale
de Nhartanda.

1.4 Objectivos

1.4.1 Objectivo geral

▪ Avaliar os impactos ambientais negativos da urbanização sobre o aquífero do Vale


de Nhartanda – zona do antigo mercado Kwacena na Cidade de Tete.

1.4.2 Objectivos Específicos

▪ Identificar as principais actividades que causam o impacto negativo no curso


hídrico do Vale de Nhartanda;
▪ Analisar os dados temporais da qualidade de água subterrânea entre os anos
2015 a 2021;
▪ Analisar as características físico-químicas da água subterrânea.

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 4


Análise dos Impactos Ambientais da Urbanização sobre o Aquífero do Vale de
Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

1.5 Metodologia de Investigação

Para a realização deste trabalho foi efectuada uma pesquisa exploratória devido à
necessidade de construção e aprimoramento do conhecimento com relação ao tema
escolhido. Para a sua execução houve a utilização de dois métodos de colecta de dados:
levantamento bibliográfico e colecta em campo.

Parte da metodologia utilizada neste trabalho consistiu na realização de um cadastro


georreferenciado dos furos e realização de análises físico-químicas das águas
subterrâneas. Esta parcela da metodologia foi dividida nas seguintes etapas:

▪ Visita e reconhecimento do local de estudo;


▪ Colecta de amostras de água dos furos;
▪ Realização das análises físico-químicas;
▪ Compilação das informações e resultados da campanha; e
▪ Avaliação e comparação dos resultados obtidos.

Para a escolha dos furos de captação de água subterrânea, utilizou-se a base de dados
fornecida pela Repartição de Qualidade de Água e Ambiente da ARA-Centro, IP. Para a
localização e confirmação exacta da posição dos furos e demais dados geográficos foi
utilizado um GPS de marca Garmin portátil.

Foram feitas analises em 5 furos na região de estudo, mas por falto de dados dos outros
furos, optou-se na escolha dos furos 1, 3 e 8 por estes terem mais dados em relação os
restantes furos analisados. E para o levantamento da qualidade de água subterrânea
foram realizadas análises físico-químicas das amostras colectadas nos furos
seleccionados (F1, F3 e F8), seguindo para isto, as recomendações da legislação
Moçambicana e demais recomendações de manuais sobre colecta e análise de água
subterrânea. Os resultados das análises foram reportados em planilha electrônica
(Excel) para posterior tratamento e processamento dos dados.

Desta feita, o estudo foi com base na classificação proposto por Vergara (2007), que
define a pesquisa por dois critérios básicos: quanto aos fins e quanto aos meios. Quanto
aos fins, a pesquisa foi descritiva e explicativa. Descritiva, visa descrever como é
realizada a gestão dos recursos hídricos no Vale de Nhartanda. Explicativa, pois visa

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 5


Análise dos Impactos Ambientais da Urbanização sobre o Aquífero do Vale de
Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

justificar os motivos e os factores que contribuem para a alteração da qualidade de água


do Vale de Nhartanda que pode vir a afectar o sistema aquífero.

Quanto aos meios, trata-se de pesquisa bibliográfica, trabalho de campo e análises


laboratoriais:

i. Pesquisa bibliográfica
O trabalho foi iniciado por uma revisão bibliográfica a fim de colectar informações de
estudos científicos, relacionados com os impactos ambientais da urbanização sobre o
aquífero do Vale de Nhartanda. Esta revisão contemplou uma pré-avaliação dos
documentos disponíveis como: normas que regem os padrões de qualidade ambiental
das águas subterrâneas, incluindo também artigos e livros.
Recorreu-se também a uma série de fontes de informação e programas nomeadamente:

▪ Leituras de trabalhos, dissertações e pesquisas na internet com temas


relacionados aos impactos ambientais e aos impactos nos recursos hídricos do
Vale de Nhartanda, assim como informações orais dos funcionários da ARA-
Centro, IP;
▪ Conhecimentos adquiridos ao longo da formação, também contribuíram para a
efectivação do relatório; e
▪ Uso dos programas Google Earth e ArcGIS (ArcMap) que facilitaram na ilustração
dos furos analisados, o Mendeley para a organização das referências e o Pacote
Office para digitação e cálculo das médias anuais dos parâmetros estabelecidos.

ii. Trabalho de Campo


A visita e reconhecimento da área de estudo foi realizada na primeira quinzena do mês
de Janeiro do ano 2021, na estação definida como verão e a segunda etapa da colecta
decorreu no corrente ano.

O período da campanha de colecta durou aproximadamente 4h, sendo que estas horas
foram caracterizadas por céu com poucas nuvens, forte insolação e sem ocorrência de
precipitação atmosférica. Para cada ponto escolhido foi preenchida uma ficha durante a
colecta com informações sobre a localização do furo, proprietário, horas e coordenadas,
tipos de análises, descrição da amostra, tipo de amostra e demais informações sobre a
forma de colecta da amostra (Anexo 1).

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 6


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Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

iii. Análises Laboratoriais


Com o auxílio do equipamento Espectrofotómetro modelo DR 2800 da marca HACH,
foram realizadas as análises de parâmetros químicos, tais como amoníaco, amónia,
nitrogénio amoniacal, nitrato amoniacal, nitrato, nitrito, nitrito amoniacal, fósforo, fosfato,
ferro e sulfato.
1.6 Resultados Esperados

Como consequência do cenário apresentado, sobre a qualidade de água subterrânea da


zona do antigo mercado Kwacena espera-se:

▪ Minimizar os impactos ambientais negativos da urbanização sobre o aquífero de


Nhartanda;
▪ Eliminar a geração de resíduos sólidos e as principais actividades que causam o
impacto negativo no curso hídrico do Vale de Nhartanda;
▪ Aferir o nível de alteração da qualidade da água subterrânea do vale de Nhartanda
ao longo do período em análise.

1.7 Descrição do Local de Trabalho

1.7.1 Enquadramento Sectorial

A Administração Regional de Águas do Centro abreviadamente designada por ARA-


Centro, IP é um Instituto Público de gestão operacional de recursos hídricos e prestação
de serviços de categoria A, dotado de personalidade jurídica, autonomia administrativa,
financeira e patrimonial. Ela existe à luz da Lei de Águas (Lei nr. 16/91 de 3 de Agosto)
e do Decreto n.º 73/2020 de 20 de Agosto que funde as Administrações Regionais de
Águas.

A ARA-Centro, IP tem a sua sede na Cidade de Tete e tutela sectorial pelo Ministro das
Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

A ARA-Centro, IP em razão da jurisdição estende-se da bacia do Rio Save (exclusive) à


bacia do Rio Namacurra (inclusive). As principais bacias hidrográficas são Zambeze,
Púngue e Búzi que conjuntamente abrangem na totalidade a província de Tete, a maior
parte da área das províncias de Manica, Sofala e parcialmente as províncias da
Zambézia e Niassa.

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Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

i. Missão
Garantir a gestão integrada e sustentável dos recursos hídricos das Bacias Hidrográficas
compreendidas pelos limites geográficos do território Moçambicano que vão desde a
bacia do Rio Save (exclusive) à bacia do Rio Namacurra (Inclusive), através do
estabelecimento e manutenção de uma base de dados hidrológicos, e de um sistema de
comunicação com os utentes de forma eficiente e eficaz, bem como do controlo e
fiscalização da utilização dos recursos hídricos das Bacias.

ii. Visão
Uma Bacia com água disponível em quantidade e qualidade adequadas para os usos
actuais e futuros, assegurando o desenvolvimento sustentável, e promoção do bem-estar
e paz das comunidades, onde se minimizam os efeitos negativos das cheias e secas e
se salvaguardam os interesses dos utentes e dos outros interessados.

1.8 Estrutura do trabalho

O presente trabalho é composto por sete (7) capítulos, a saber:

Capítulo 1: Introdução

Compreende a introdução do tema estudado, onde apresentam-se as generalidades,


enquadramento do tema, a problemática e Justificativa, hipóteses, os objectivos do
trabalho, a metodologia utilizada para alcançar os objectivos, resultados esperados,
descrição do local de trabalho e o modo como o relatório encontra-se estruturado.

Capítulo 2: Revisão Bibliográfica

Neste capítulo refere-se à fundamentação teórica sobre os impactos ambientais da


urbanização sobre o aquífero e risco de contaminação. São referidos aspectos
relacionados com conceito de ciclo hidrológico, meio ambiente, recursos hídricos,
qualidade de água subterrânea sistema de abastecimento de água e parâmetros
indicadores de qualidade da água.

Capítulo 3: Área de Estudo

Neste capítulo faz-se descrição do local em estudo, condições ambientais e


hidrogeológicas.

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Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

Capítulo 4: Materiais e Métodos

Neste capítulo faz-se menção dos materiais usados para a realização do trabalho, bem
como as descrições de como cada material foi usado e como a recolha de dados foi
realizada no campo.

Capítulo 5: Resultados e Discussão

Neste capítulo são realizadas as análises dos resultados encontrados nas amostragens
feitas no campo e no laboratório.

Capítulo 6:Conclusões e Recomendações

Neste capítulo são apresentadas as conclusões do trabalho realizado, fazendo-se por


fim diversas recomendações e algumas sugestões que poderão ser aplicadas
futuramente para um melhor controlo da qualidade de água subterrânea do Vale de
Nhartanda.

Capítulo 7: Bibliografia

Neste capítulo são apresentadas todas as referências bibliográficas e outras referências


consultadas para realização do presente trabalho.

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Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Disponibilidade da água

A água pode ser captada tanto em rios, aquíferos, lagos distantes ou próximos da zona
urbana a ser servida. Antes de chegar nas residências ela passa por um tratamento para
que chegue limpa sem contaminação (bactérias, vírus etc.).

A água subterrânea faz parte do ciclo hidrológico, ocorrendo nos poros e interstícios das
formações geológicas de carácter sedimentar, ou nos planos de fraqueza estrutural das
formações geológicas de caráter ígneo ou metamórfico, representado por falhas, fendas,
fraturas e fissuras (Souza, 2006).

2.1.1 O Ciclo Hidrológico

O comportamento natural da água quanto à sua ocorrência, transformações de estado e


relações com a vida humana é bem caracterizado por meio do ciclo hidrológico. O ciclo
hidrológico pode ser considerado como composto de duas fases principais: uma
atmosférica e outra terrestre.

Conceito

Ciclo Hidrológico (Ciclo de água) - Fenômeno global de circulação fechada da água,


entre a superfície terrestre e atmosfera associada à gravidade e rotação da Terra (Figura
2.1).

2.1.1.1 Etapas do Ciclo Hidrológico


▪ Evaporação;
▪ Precipitação;
▪ Absorção;
▪ Infiltração;
▪ Transpiração;
▪ Percolação;
▪ Escoamento Superficial;
▪ Escoamento Subterrâneo;
▪ Degelo; e
▪ Outros.

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Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

Figura 2.1: Etapas do Ciclo Hidrológico (Fonte:


https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/ciclo-agua.htm)

A água ocupa cerca de 2⁄3 da superfície da Terra, com maior concentração no hemisfério
sul (70%), daí a designação de hemisfério aquático. Contudo, do volume total de água
na Terra, cerca de 97% é água salgada e os restantes 3% correspondem a água doce.
Do volume total de água doce, 68.7% ocorre sob a forma sólida, em calotes polares e
glaciar, 30.1% em reservatórios subterrâneos, 0.3% água superficial e 0.9% em outras
formas (Atmosfera, biosfera). Da água superficial, 2% concentram-se em rios, 11% em
Pântanos e 87% em Lagos (WATERLOO et al., 2016). A preocupação actual com os
recursos hídricos se tornou um assunto importante, pois este elemento natural é
fundamental à vida.

2.2 Águas Subterrâneos

A infiltração no solo da água das chuvas ao longo de milhares de anos resultou na


formação de reservas hídricas subterrâneas de grande valor para o abastecimento de
água urbano e rural, principalmente pelo volume de água disponível e pela qualidade
dessas águas. As águas subterrâneas armazenadas em formações aluvionares de
pequenas profundidades formam os lençóis freáticos e exercem papel fundamental na
regularização das vazões dos cursos de água nos períodos de estiagem.

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Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

As águas subterrâneas localizadas em formações de grande extensão e com


características hidrogeológicas adequadas ao armazenamento e percolação são
especialmente utilizadas para o abastecimento de água devido, principalmente, à
ausência de contaminantes orgânicos e disponibilidade local.

Portanto, os recursos hídricos subterrâneos constituem depósitos de águas estocados


no subsolo, principalmente em formações geológicas, arenosas e granulares, cujos
poros se acumulam principalmente a partir, das infiltrações decorrentes das
precipitações.

Conceito

Água subterrânea é toda a água que ocorre abaixo da superfície da Terra, preenchendo
os poros ou vazios intergranulares das rochas sedimentares, ou as fracturas, falhas e
fissuras das rochas compactas, e que sendo submetida a duas forças (de adesão e de
gravidade) desempenha um papel essencial na manutenção da humidade do solo, do
fluxo dos rios, lagos e Vales. As águas subterrâneas cumprem uma fase do ciclo
hidrológico, uma vez que constituem uma parcela da água precipitada.

Após a precipitação, parte das águas que atinge o solo se infiltra e percola no interior do
subsolo, durante períodos de tempo extremamente variáveis, decorrentes de muitos
factores:

▪ Porosidade do subsolo: a presença de argila no solo diminui sua


permeabilidade, não permitindo uma grande infiltração;
▪ Cobertura vegetal: um solo coberto por vegetação é mais permeável do que um
solo desmatado;
▪ Inclinação do terreno: em declividades acentuadas a água corre mais
rapidamente, diminuindo a possibilidade de infiltração;
▪ Tipo de chuva: chuvas intensas saturam rapidamente o solo, ao passo que
chuvas finas e demoradas têm mais tempo para se infiltrarem.
Durante a infiltração, uma parcela da água sob a acção da força de adesão ou de
capilaridade fica retida nas regiões mais próximas da superfície do solo, constituindo a
zona não saturada. Outra parcela, sob a acção da gravidade, atinge as zonas mais
profundas do subsolo, constituindo a zona saturada.

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O reconhecimento de que as águas subterrâneas constituem uma reserva estratégica e


vital para o abastecimento público, recomenda-se uma especial preocupação com a
protecção dos aquíferos porque envolve:

▪ O aumento e a diversificação de produtos químicos, potencialmente poluidores de


água subterrânea;
▪ O lançamento in natura de esgotos e efluentes industriais, em larga escala;
▪ O grande aumento de aplicação de fertilizantes e pesticidas da agricultura;
▪ Os efeitos potencialmente nocivos à saúde, causados por concentrações baixas
de certos poluidores persistentes de toxicologia pouco conhecida;
▪ A dificuldade e a impraticabilidade de se promover a remoção de poluentes em
um grande número de fontes pontuais de captação;
▪ O facto de que a reabilitação de um aquífero poluído requer custos muito elevado,
o ponto de muitas vezes, implicar o simples abandono da área de captação.

2.2.1 Uso das Águas Subterrâneas

A exploração de água subterrânea está condicionada a factores quantitativos,


qualitativos e econômicos:

▪ Quantidade: intimamente ligada à condutividade hidráulica e ao coeficiente de


armazenamento dos terrenos. Os aquíferos têm diferentes taxas de recarga,
alguns deles se recuperam lentamente e em outros a recuperação é mais regular;
▪ Qualidade: influenciada pela composição das rochas e condições climáticas e de
renovação das águas;
▪ Econômico: depende da profundidade do aquífero e das condições de
bombeamento.

Contudo, o aproveitamento das águas subterrâneas data de tempos antigos e sua


evolução tem acompanhado a própria evolução da humanidade, sendo que o seu
crescente uso se deve ao melhoramento das técnicas de construção de poços e dos
métodos de bombeamento, permitindo a extração de água em volumes e profundidades
cada vez maiores e possibilitando o suprimento de água a cidades, indústrias, projectos
de irrigação, etc.

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2.3 Qualidade das Águas Subterrâneas

Durante o percurso no qual a água percola entre os poros do subsolo e das rochas,
ocorre a depuração da mesma através de uma série de processos físico-químicos (troca
iônica, decaimento radioactivo, remoção de sólidos em suspensão, neutralização de pH
em meio poroso, entre outros) e bacteriológicos (eliminação de microorganismos devido
à ausência de nutrientes e oxigênio que os viabilizem) que agindo sobre a água,
modificam as suas características adquiridas anteriormente, tornando-a particularmente
mais adequada ao consumo humano (Silva, 2003).

Sendo assim, a composição química da água subterrânea é o resultado combinado da


composição da água que adentra o solo e da evolução química influenciada directamente
pelas litologias atravessadas, sendo que o teor de substâncias dissolvidas nas águas
subterrâneas vai aumentando à medida que prossegue no seu movimento.

As águas subterrâneas apresentam algumas propriedades que tornam o seu uso mais
vantajoso em relação as águas dos rios: são filtradas e purificadas naturalmente através
da percolação, determinando excelente qualidade e dispensando tratamentos prévios;
não ocupam espaço em superfície; sofrem menor influência nas variações climáticas;
são passíveis de extração perto do local de uso; possuem temperatura constante; têm
maior quantidade de reservas; necessitam de custos menores como fonte de água; as
suas reservas e captações não ocupam área superficial; apresentam grande protecção
contra agentes poluidores; o uso do recurso aumenta a reserva e melhora a qualidade;
possibilitam a implantação de projectos de abastecimento à medida da necessidade.

2.4 Fontes de Poluição das Águas Subterrâneas

Segundo Hirata (1993) a protecção das águas subterrâneas pode ser delineada
basicamente em função de dois problemas. O primeiro está associado a
superexploração, ou seja, a extração de águas sem controle, superior a recarga em um
certo aquífero. O segundo, relaciona-se com a contaminação do recurso hídrico
subterrâneo.

A poluição das águas subterrâneas ocorre quando os poluentes chegam ao solo, que
pode absorve-los como se fosse uma esponja; porém, muitas vezes, estes poluentes
chegam até a água subterrânea.

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Contudo, a poluição pode se dar por duas vias distintas: uma, pelo transporte dos
poluentes pelas águas da chuva, que rapidamente se infiltram até alcançar os níveis da
água subterrânea; ou quando os poluentes já atingiram o aquífero, e se locomovem
lateralmente. Os poluentes são produtos da acção do homem principalmente nas
actividade domésticos, indústrias, agrícolas e de extração mineral (Silva, 2003).

Foster et al. (2003) expõem que várias causas potenciais de deterioração dos aquíferos
ou fontes de água subterrânea, sendo mais comuns os processos de contaminação pela
inadequada disposição de resíduos sólidos, infiltração da água dos rios contaminados,
drenagens e instalações indústrias, fugas de tanques de armazenamento, sistemas de
saneamentos, fugas de redes gerais de esgoto, intensificação da agricultura, etc.

Nota-se que a variedade de contaminantes em que o meio aquífero está submetido é


intensa, mas para que um poluente chegue às águas subterrâneas, tem primeiro que
infiltrar e atravessar o solo e a zona não saturada. Muitas vezes é um processo lento e
quando mais tempo melhor. Nesse período ocorrerá o processo chamado atenuação. Na
zona não saturada, graças à presença de vapor de água, ar e microorganismos, ocorrem
reacções que podem modificar os poluentes, tornando-os inofensivos ou menos
perigosos. Existem poluentes que ficam retidos nesta zona, já que o solo actua como um
filtro natural. Além disso, os solos retardam a chegada dos poluentes até as águas
subterrâneas (Silva, 2003).

Os solos apresentam características e espessuras variáveis de um lugar para outro e,


portanto, nem sempre terão a mesma eficiência. Dessa forma, quando um determinado
poluente não pode ser degradado pela zona não saturada (seja em virtude das
características do solo e/ou do poluente, seja pela pequena espessura do solo, acaba
chegando às águas subterrâneas.

Pode também ocorrer uma atenuação do poluente, porem a zona saturada é menos
eficiente que a zona não saturada. Na zona saturada, o poluente vai se espalhando aos
poucos e, dependendo das condições de diluição, diminui a concentração (op. cit.).

Segundo Foster e Hirata (1993), em muitas fontes pontuais de contaminação, a carga


de contaminantes no subsolo é aplicada sobre o solo, através de poços, drenos e lagoas,
reduzindo rigorosamente ou, às vezes, anulando as capacidades de atenuação do meio.

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2.4.1 Fontes Potenciais de Contaminação


Segundo o relatório “Águas Subterrâneas – um recurso a ser conhecido e protegido”
(Ministério do Meio Ambiente, 2007), devido às baixas velocidades de infiltração e aos
processos biológicos, físicos e químicos que ocorrem no solo e na zona não saturada,
os aquíferos são naturalmente mais protegidos da poluição. Porém, ao contrário das
águas superficiais, uma vez ocorrida a poluição, as baixas velocidades de fluxo tendem
a promover uma recuperação muito lenta da qualidade. Dependendo do tipo de
contaminante, essa recuperação pode levar anos, com custos muito elevados. A
contaminação das águas subterrâneas pode acontecer por acção humana ou natural.

A seguir, as principais fontes potenciais de contaminação dos aquíferos:

i. Urbanização
O fenômeno da urbanização como processo histórico tem sido afiliado ao crescimento
econômico, à diminuição dos índices de fertilidade, a uma maior expectativa de vida, à
maior longevidade da população e aos deslocamentos geoespaciais.

O crescimento da população nas áreas urbanas tem aumentado a demanda por água e
ao mesmo tempo vem diminuindo os reservatórios e comprometendo a qualidade da
mesma devido à antropização e as diversas actividades atreladas a este fenômeno. O
avanço da urbanização sobre as planícies de inundação e sobre as Áreas de Proteção
Permanente (APP), através de depósito de resíduos sólidos e ainda despejo de efluentes
de origem doméstica e industrial, interferem no ciclo hidrológico e alteram as
características naturais da água (Figura 2.2).

Figura 2.2: Ilustração do efeito da urbanização deficiente (Fonte: Autor, 2021).

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Os impactos mais significativos são referentes às modificações de regime, como,


modificação do habitat e alteração do balanço hidrológico, sendo estes impactos
significativamente negativos causados pela acção do homem na natureza. Este
adensamento nas proximidades do corpo hídrico e a falta de planejamento de uma
infraestrutura adequada resultam em impacto negativo no corpo hídrico.

▪ Descarte incorrecto de resíduos sólidos no solo: descarte de resíduos


domésticos e industriais em lixões. Nessas áreas, a água de chuva e o chorume,
tendem a se infiltrar no solo, carregando substâncias potencialmente poluidoras,
metais pesados e organismos patogênicos.
▪ Esgotos e fossas: o lançamento de esgotos directamente sobre o solo ou na
água, os vazamentos em colectores de esgotos e a utilização de fossas
construídas de forma inadequada constituem as principais causas de
contaminação da água subterrânea.

ii. Actividades agrícolas


Fertilizantes e agrotóxicos utilizados na agricultura podem contaminar as águas
subterrâneas com substâncias como compostos orgânicos, nitratos, sais e metais
pesados.

iii. Mineração
A exploração de alguns minérios, com ou sem utilização de substâncias químicas em
sua extracção, produz rejeitos líquidos e/ou sólidos que podem contaminar os aquíferos.

iv. Vazamento de substâncias tóxicas


Vazamentos de tanques em postos de combustíveis, oleodutos e gasodutos, além de
acidentes no transporte de substâncias tóxicas, combustíveis e lubrificantes.

v. Contaminação Natural
Provocada pela transformação química e dissolução de minerais, podendo ser agravada
pela acção antrópica (aquela provocada pelos seres humanos), por exemplo, a
salinização, presença de ferro, manganês, carbonatos e outros minerais associados a
formação rochosa.

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vi. Poços mal construídos e/ou abandonados


Poços construídos sem critérios técnicos, com revestimento corroído/rachado, sem
manutenção e abandonados sem o fechamento adequado (tamponamento), podem
constituir vias importantes de contaminação das águas subterrâneas.

2.4.2 Tipos de Contaminação


A poluição das águas subterrâneas é a contaminação por elementos químicos e
biológicos que podem ser nocivos ou prejudiciais aos organismos, plantas e à actividade
humana. As águas dos aquíferos é de extrema importância em períodos de crises
hídricas.

i. Contaminação Química

É a contaminação ambiental gerada por produtos químicos que acabam tendo como
destino solos e os corpos hídricos. Ela pode ser intencional ou acidental. A primeira forma
é a mais comum, pois muitas indústrias despejam produtos químicos no solo, rios, lagos
ou na rede de esgoto, sem o tratamento adequado. É comum também a ocorrência de
poluição na zona rural através da contaminação por uso de agrotóxicos. Alguns
poluentes químicos mais comuns: esgotos domésticos e industriais, metais pesados e
agrotóxicos.

ii. Contaminação Biológica

É a contaminação ambiental gerada por microrganismos presentes em efluentes


domésticos e industriais. Geralmente bactérias, protozoários, algas – o maior exemplo
deste tipo de contaminação são os coliformes fecais.

2.4.3 Impactos dos resíduos sólidos sobre os recursos hídricos

Qualquer grande alteração num Vale, seja em sua estrutura de relevo seja no uso e
ocupação do solo, tende a desencadear impactos directos sobre os recursos hídricos a
jusante caso não haja medidas preventivas e correctivas para se evitar tal cenário.

O uso da água pela população e a devolução do recurso sem tratamento para o Vale e
o rio, gera uma situação de poluição através dos efluentes sanitários domésticos, que
inviabiliza a utilização do recurso desta zona.

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Em relação aos impactos gerados nos recursos hídricos Tucci expõe:

“A urbanização também aumenta as áreas impermeáveis e a canalização, o que


aumenta os picos de cheia e sua frequência para a mesma precipitação. A
urbanização também aumenta a velocidade da água e a produção de sedimentos
e dos resíduos sólidos que escoam para a drenagem (TUCCI, 1997, p. 117).”

Para Foster et. al. apud VALLE; PACHECO (1999: 29) “Um resíduo sólido pode ser
definido como qualquer substância indesejada que não tenha consistência suficiente
para fluir por si mesma, não sendo útil em sua forma original ou para processo em que
foi gerada”. A inadequada disposição dos resíduos sólidos é responsável por um grande
número de casos de contaminação das águas subterrâneas. Sendo mais comum em
regiões de clima húmido, onde a geração de volume de lixiviados é maior.

A maior dificuldade na determinação de carga contaminante gerada por uma inadequada


disposição de resíduos sólidos é oriunda da falta de informação confiável sobre a
composição dos resíduos, bem como, em muitos casos, o desconhecimento da sua
origem. Este problema é mais agudo em locais onde uma disposição clandestina foi ou
está sendo praticada. Em outros empreendimentos aprovados por órgãos ambientais, as
recomendações sanitárias muitas vezes não foram ou não estão sendo cumpridas.

Ainda cabe destacar que a composição do lixiviado dependerá do tipo de material do


resíduo, ou da sua associação, em casos onde ocorram reacções químicas dentro do
mesmo. Se a origem do material do resíduo é conhecida, é possível fazer uma estimativa
aproximada da composição do lixiviado (Figura 2.3).

Figura 2.3: Disposição de resíduos sólidos (Fonte: Autor, 2021).

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Segundo Cherubini (2008), os resíduos sólidos urbanos popularmente chamados de “lixo


urbano”, são resultantes da actividade doméstica e comercial das povoações e,
apresentam grandes diversidades e complexidade. As suas características físicas,
químicas e biológicas variam de acordo com sua fonte ou actividade geradora, nas quais,
vários factores como sociais, económicos, geográficos, educacionais, culturais,
tecnológicos e legais, afectam o processo de geração tanto em quantidade como em
composição qualitativa (Zanta et., 2006). A definição de lixo urbano, segundo Lima
(2003), é difícil de ser feita, devido à sua origem e formação estarem relacionados a
vários factores. Assim, “é comum definir como lixo todo e qualquer resíduo que resulte
das actividades diárias do homem na sociedade”.

2.5 Parâmetros Indicadores de Qualidade da Água

Durante o período de amostragem da água subterrânea do sistema aquífero de


Nhartanda, foi previsto o monitoramento de parâmetros físico-químicos nomeadamente:
amónia, conductividade eléctrica, ferro, fosfato, nitrato, nitrito, oxigénio dissolvido,
potencial hidrogeniónico, salinidade, sulfato e temperatura (Tabela 2.1). Dentre estes
parâmetros foram destacados os seguintes: conductividade eléctrica, nitratos, oxigénio
dissolvido, potencial hidrogeniónico, salinidade e temperatura.

2.5.1 Parâmetros Físico-Químicos

i. Temperatura
A temperatura é uma condição ambiental importante, citada em diversos estudos
relacionados ao monitoramento da qualidade de águas. É a medida da intensidade do
calor, esse parâmetro influi em algumas propriedades da água (densidade, viscosidade,
oxigênio dissolvido), com reflexos sobre a vida aquática.

A temperatura pode variar em função de fontes naturais (energia solar) e fontes


antropogénicas (despejos industriais e domésticos) (SPERLING, 2005). De acordo com
Von Sperling (2005), as elevações da temperatura são responsáveis pelo aumento da
taxa de reações físicas, químicas e biológicas, diminuindo a solubilidade dos gases,
como o oxigênio dissolvido.

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ii. pH
Esse parâmetro representa a concentração de ião hidrogênio H+, dando uma indicação
sobre a condição de acidez, neutralidade ou alcalinidade da água. Um pH baixo
representa potencial corrosividade e agressividade às tubulações ou peças de
abastecimento de água. Quando o pH estiver alto, há possibilidade de incrustações nas
peças de abastecimento. É importante avaliar o potencial hidrogeniónico em diversas
etapas de tratamento de água (SPERLING, 2005; LENZI; FAVERO; LUCHESE, 2009).
O pH pode variar de 1 a 14, indica ser uma água ácida quando o pH for inferior a 7, é
neutro quando o pH for igual a 7 ou alcalina se o pH estiver maior do que 7.

iii. Condutividade eléctrica


A condutividade eléctrica da água representa a capacidade de transmissão da corrente
eléctrica através da presença de iões dissolvidos na água. Quanto maior a quantidade
de iões, maior a sua condutividade eléctrica (HOLANDA; AMORIM, 1997; FERREIRA,
1997; ALVES, 2010; LIBÂNIO, 2010). Além disso, a condutividade eléctrica está
relacionada ao teor de salinidade, característica importante a mananciais subterrâneos
e águas superficiais próximas ao litoral. Esse parâmetro é relevante em regiões
suscetíveis a elevadas taxas de evaporação e baixa intensidade pluviométrica (LIBÂNIO,
2010). À medida que mais sólidos dissolvidos são adicionados, a condutividade da água
se eleva, valores altos podem indicar características corrosivas da água (ALVES, 2010).

iv. Salinidade
É o conjunto de sais normalmente dissolvidos na água, formado pelos bicarbonatos,
cloretos, sulfatos e, em menor quantidade, pelos demais sais e pode conferir à água o
sabor salino e uma propriedade laxativa (sulfatos). A salinidade das águas está
relacionada tanto a factores naturais como antrópicos, que de forma isolada ou
interagindo, são decisivos na qualidade de água para diferentes usos. COSTA (1965),
citado por MANOEL FILHO (1997), afirma que os minerais que mais contribuem para a
salinização das águas subterrâneas são plagioclásio (Na, Ca), calcita (Ca), apatita (Cl,
Ca) e clorita (Mg). Entre os factores antrópicos que influenciam na qualidade das águas,
a agricultura, além de maior consumidora, responsável por cerca de 70% da
disponibilidade hídrica mundial, é também grande poluidora dos recursos hídricos, por
meio de sistemas de produção que utilizam insumos de forma inadequada, e os efluentes

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retornam para as fontes hídricas contendo grandes quantidades de sais, nutrientes,


pesticidas e sedimentos, contribuindo para a degradação da qualidade e redução da
disponibilidade de água (ONGLEY, 2000).

v. Nitrato
O nitrato é a forma mais oxidada do nitrogênio, e é formado durante os estágios finais
da decomposição biológica, tanto em estações de tratamento de água, como em
mananciais de água natural. Este ião geralmente ocorre em baixos teores nas águas
superficiais, mas pode atingir altas concentrações em águas profundas. Observa-se que
o Laboratório de Qualidade de Água e Ambiente (ARA-Centro, IP), prevê que a máxima
concentração permitida de nitrato, para consumo humano, em águas subterrâneas, é de
10mg/L ou 50 mg/L.

Nas águas subterrâneas é originado principalmente da aplicação de fertilizantes


nitrogenados, tanto inorgânicos, como proveniente de esterco animal; deposição
atmosférica; esgoto doméstico, bem como lixiviação de áreas agrícolas e lixões. Não
somente locais com alto aporte de nitrogênio, mas também solos bem drenados e áreas
com pouca vegetação constituem maior risco de contaminação por nitrato. Uma fonte
comum de contaminação de aquíferos por nitrato é o uso de sistemas de saneamento in
situ, do tipo fossas e valas negras.

vi. Oxigênio Dissolvido


De acordo com a Repartição de Qualidade de Água e Ambiente da ARA – Centro, IP,
trata-se de um dos parâmetros mais significativos para expressar a qualidade de um
ambiente aquático. É sabido que a dissolução de gases na água sofre a influência de
distintos factores ambientais (temperatura, pressão, salinidade).

As variações nos teores de oxigênio dissolvido estão associadas aos processos físicos,
químicos e biológicos que ocorrem nos corpos d’água. Para a manutenção da vida
aquática aeróbica são necessários teores mínimos de oxigênio dissolvido de 2 mg/L a 5
mg/L, exigência de cada organismo (ARA-Centro, IP, 2020).

A concentração de oxigênio disponível mínima necessária para sobrevivência das


espécies piscícolas é de 4 mg/L para a maioria dos peixes. Em condições de anaerobiose
(ausência de oxigênio dissolvido) os compostos químicos são encontrados na sua forma

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reduzida (isto é, não oxidada), a qual é geralmente solúvel no meio líquido,


disponibilizando, portanto, as substâncias para assimilação pelos organismos que
sobrevivem no ambiente. Á medida em que cresce a concentração de oxigênio dissolvido
os compostos vão se precipitando, ficando armazenados no fundo dos corpos da água.

Tabela 2.1: Parâmetros de qualidade de água (Fonte: Autor, 2021)

Limite
Expressão dos admissível
Parâmetros
resultados
Mínimo Máximo
Amónia mg/L ­­­ 1,5
Conductividade Eléctrica µS/cm 50 2000
Ferro mg/L 0,3 ­­­
Fosfato mg/L ­­­ 0,05
Nitrato mg/L ­­­ 50
Nitrito mg/L ­­­ 3
Oxigénio Dissolvido mg/L 4 10
Potencial Hidrogeniónico - 6,5 8,5
Salinidade PSU 0,5 1
Sulfato mg/L ­­­ 250
Temperatura ºC 25 40

2.6 Meio Ambiente

O meio ambiente é o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem


física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.
Resumidamente, pode-se definir meio ambiente como o conjunto de elementos bióticos
(organismos vivos) e abióticos (elementos não vivos, como a energia solar, o solo, a
água e o ar) que integram a fina camada da Terra chamada biosfera, sustentáculo e lar
dos seres vivos.

A atmosfera, que protege a Terra do excesso de radiações ultravioleta e permite a


existência de vida, é uma mistura gasosa de nitrogênio, oxigênio, hidrogênio, dióxido de
carbono, vapor de água, entre outros elementos, compostos e partículas de pó. Aquecida
pelo sol e pela energia radiante da Terra, a atmosfera circula em torno do planeta e
modifica as diferenças térmicas. As perspectivas do futuro, no que se refere ao meio

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ambiente, são pouco claras, ainda que o interesse e a preocupação pelo assunto sejam
actualmente importantes (Castro, 2002).

2.6.1 Impacto Ambiental

A definição de Impacto Ambiental está associada à alteração ou efeito ambiental


considerado significativo por meio da avaliação do projecto de um determinado
empreendimento, podendo ser negativo ou positivo (Bitar & Ortega, 1998).

O impacto ambiental, que decorre da contaminação das águas subterrâneas, vem


preocupando os governos, não só pelo problema de degradação qualitativa dos recursos
hídricos, como também pela série de impactos associados à saúde humana e meio
ambiente (Figura 2.4). Dependendo do modo como é ocupado e utilizado o meio físico,
bem como da prática correcta de todas as obras utilizadas para a captação de água
subterrânea, os impactos ambientais para este meio podem ser reduzidos.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), no uso das atribuições que lhe
confere o artigo 48 do Decreto nº 88.351, de 1º de junho de 1983, 156 para efectivo
exercício das responsabilidades que lhe são atribuídas pelo artigo 18 do mesmo decreto,
e Considerando a necessidade de se estabelecerem as definições, as
responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para uso e implementação
da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional do
Meio Ambiente, resolve:

Art. 1o para efeito desta resolução, considera-se impacto ambiental qualquer alteração
das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer
forma de matéria ou energia resultante das actividades humanas que, directa ou
indirectamente, afectam:

i. a saúde, a segurança e o bem-estar da população;


ii. as actividades sociais e econômicas;
iii. a biota;
iv. as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
v. a qualidade dos recursos ambientais.

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Figura 2.4: Efluentes domésticos e resíduos sólidos a céu aberto (Fonte: Autor, 2021).

Observa-se, que a melhor forma de manter a boa qualidade de água subterrânea é a


prevenção, em função do risco a saúde humana e do baixo custo, isto é, dependendo do
modo como é ocupado e utilizado o meio físico, bem como da prática correcta de todas
as actividades humanas e de obras utilizadas para a captação de água subterrânea, os
impactos ambientais para este meio podem ser reduzidos.

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3 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO - VALE DE NHARTANDA

3.1 Localização Geográfica

O Vale de Nhartanda situa-se na África Austral, mais concretamente no Centro de


Moçambique (Figura 3.1a), na parte meridional da Cidade de Tete (Figura 3.1b),
Província de Tete.
Fig. 3.1a Moçambique na Africa Austral Fig. 3.1b Vale de Nhartanda (Cidade de Tete)

Fig. 3.1c VALE DE NHARTANDA

Figura 3.1: Enquadramento geográfico do Vale de Nhartanda (Fonte: adaptado de


AFONSO, 1978).

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O Vale do Nhartanda constitui um sistema de deposição de areias médias a finas e


argilas acamados durante os diversos ciclos de regime de deposição e energético da
dinâmica do rio Zambeze, outrora serviu de canal de desvio durante as obras civis de
construção da ponte Samora Machel.

Nos períodos húmidos, com a subida dos níveis do rio Zambeze é inundado, voltando a
interligar-se com este na parte de jusante. O Vale ocupa uma área de 6.76 𝑘𝑚2 ,
correspondente a 2.2% da superfície da Cidade de Tete, que é aproximadamente
314 𝑘𝑚2 .

Trata-se de uma planície fluvial do rio Zambeze, com orientação NW/SE, situada na
confluência de 5 povoações: Filipe Samuel Magaia, Josina Machel, Francisco Manyanga,
Sansão Muthemba e Samora Machel. É atravessado pela Av. 25 de Junho na parte
Setentrional (paralelo: 16° 8'56.42"S, meridiano: 33°34'21.30"E), pela EN7 na região
Meridional (16°10'21.93"S, 33°35'45.38"E), e diversas vias secundárias em terra batida
(Figura 3.1c).

O comprimento máximo do Vale (secção A-F; Figura 3.1c), medido em linha recta desde
montante até jusante é de 6.45𝑘𝑚 (coordenadas: 16°8'22.04"S/33°34'2.61"E –
16°11'14.00"S/33°36'5.41"E; Figura 3.1c).

A largura máxima (secção A-B; Figura 3.1c), medida entre as coordenadas 16°
8'22.04"S/33°34'2.61"E e 16° 8'37.87"S/33°33'26.32"E é cerca de 1.4 𝑘𝑚. As elevadas
dimensões deste Vale estão associadas à acção erosiva provocada pelas enxurradas do
rio Chimadzi e pelo elevado caudal do rio Zambeze, na época chuvosa.

A largura mínima, medida na área central entre as coordenadas 16°


9'59.99"S/33°34'32.06"E e 16° 9'48.29"S/33°34'46.06"E, é de 0.55 𝑘𝑚 (secção D-C;
Figura 3.1c). Esta constrição estende-se ao longo de aproximadamente a 2 𝑘𝑚 de
comprimento, na direcção NW/SE, causada pelas diferenças topográficas e litológicas
entre as áreas adjacentes. Na zona sudeste (secção E-F; Figura 3.1c), entre as
coordenadas 16°10'37.74"S/33°36'12.79"E e 16°11'14.00"S/33°36'5.41"E, o Vale volta a
alargar e apresenta uma largura de aproximadamente 1.2 𝑘𝑚.

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3.2 Enquadramento Geológico

O Vale de Nhartanda é constituído por formações sedimentares Fanerozoicas do Médio


Zambeze, pertencentes ao período mais recente da Era Cenozoica – o Quaternário
(como ilustra a Figura 3.2).

As unidades litológicas estão representadas maioritariamente por rochas sedimentares,


com grés de cor cinzenta-acastanhada, constituído por diferentes componentes incluindo
argila, silte, cascalho e minerais de quartzo, calcite, microclina, caolinite, albite, anortite
e moscovite.

Há indícios da ocorrência de carvão mineral, uma vez que ocorre em abundância no


subsolo de grande parte da Cidade e Província de Tete.

Figura 3.2: Carta geológica do Vale de Nhartanda e áreas adjacentes (Fonte: adaptado
de AFONSO, 1978).

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A actividade mineira no Vale de Nhartanda limita-se à extração de areia principalmente


na foz do rio Chimadzi e de minerais de argila para a cerâmica local.

Os eventos geológicos dominantes no Vale de Nhartanda e suas imediações


correspondem a fenómenos de basculamento e falhas tectónicas normais, seguidos por
um período de sedimentação (WE CONSULT, 2016).

Segundo o USGS (2016), entre 1996-2005, não foram registados sismos de magnitude
superior a 3, na escala de Richter. No entanto, o sismo ocorrido em 23/02/2006, com
epicentro (Figura 3.1a), situado a cerca de 560 km de Nhartanda, afectou o Centro e Sul
do País.

O Vale de Nhartanda está incluído numa área de intensidade sísmica Baixa – III, de
acordo com a Escala Internacional de Mercalli. Contudo, dada a sua proximidade ao Vale
do Rift (Figura 3.1a) que se encontra em separação estimada em 6 mm/ano, esta região
é propensa à ocorrência de sismos de maior intensidade, face à instabilidade geológica
e susceptibilidade à acção dos agentes endógenos (USGS, 2016).

O relevo no Vale de Nhartanda apresenta um ligeiro declive convergente para a região


central. As altitudes máximas estão relacionadas com a deposição dos sedimentos
provenientes do rio Zambeze, particularmente em períodos de inundação, enquanto que
as áreas mais aplanadas poderão estar associadas à descompactação do solo por
actividades agrícolas, favorecendo os processos erosivos.

3.3 Climatologia

O Vale de Nhartanda está inserido na região climática Moçambique Norte, dominada por
um clima Tropical Seco (MUCHANGOS, 1999).

Nesta região, as variações de temperatura e precipitação permitem individualizar três


Sub-estações (Tabela 3.1) ao longo de um ano hidrológico.

Tabela 3.1: Sub-estações do ano da Cidade de Tete (Fonte: COBA 2013).

J F M A M J J A S O N D
Quente e Húmida Fresca e Seca Quente e Seca Quente e Húmida

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Na região, o clima Tropical Seco é influenciado pela CIT e pelos ventos alísios e
monçônicos que em conjunto determinam a ocorrência dos principais tipos de tempo nas
estações (MUCHANGOS, 1999).

A humidade relativa do ar atinge os valores mais baixos no final da estação seca e o seu
máximo em janeiro/fevereiro, em que o valor médio anual não excede os 65%. As
temperaturas médias anuais são geralmente elevadas, na ordem dos 28°C, e a
precipitação máxima anual raramente atinge e/ou excede os 800 mm.

A combinação de elevada temperatura e baixa precipitação caracteriza esta zona de


Moçambique como sendo uma das mais áridas do país. A extrema secura deste clima
resulta da fraca influência oceânica, aliada às elevadas temperaturas médias anuais, em
que o efeito de altitude não é suficiente para tornar o clima mais húmido (MUCHANGOS,
1999).

3.4 Hidrologia

A Cidade de Tete e o Vale de Nhartanda ocorrem na bacia hidrográfica do rio Zambeze.


Este rio meandriforme e de regime perene, tem uma cota máxima de 118 m e um leito
bem definido, cujas margens são ocupadas por vegetação e com sinais da ocorrência
de erosão.

Segundo a HCB (2012), o rio Zambeze nasce nas montanhas de Kalene Hill, noroeste
da Zâmbia, a uma altitude de 1 450 m e desagua, em forma de Delta, no Oceano Índico,
na Província da Zambézia (Moçambique), percorrendo um total de 2700 km, na
orientação W-E.

A sua área de ocupação total é estimada em 1 390 000 km 2, repartida por oito países da
África Austral (Figura 3.3). A divisão do rio Zambeze em três unidades (baixo, médio e
alto Zambeze) (Figura 3.3), deve-se às diversidades fisiográficas que o mesmo
apresenta (Tabela 3.2).

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Figura 3.3: Mapa da bacia hidrográfica do rio Zambeze (Fonte: Adaptado de HCB,
2012).

Tabela 3.2: Características da bacia hidrográfica do Zambeze (Fonte: HCB, 2012).

Unidades Áreas Precipitação anual Escoamento superficial


Alto Zambeze 510 000 km2 760 e 1 200 mm 250 mm
Médio Zambeze 490 000 km2 700 e 1 000 mm 40 e 120 mm
Baixo Zambeze 390 000 km2 + 800 mm 81 mm

Na Cidade de Tete, o Vale de Nhartanda constitui uma região constantemente inundada.


Assim, devido ao risco de inundação nesta área, todas as zonas situadas a uma cota
altimétrica inferior a 130 metros são consideradas como “não urbanizáveis” (Anexo 2).
Esta cota de referência para “risco de inundação/cheia” resulta da cota topográfica do rio
Zambeze na estação da Cidade de Tete (118 metros) com a do pico de cheia registado
em 1978 (8.29 metros) (COBA, 2012).

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3.5 Hidrogeologia

Moçambique está dividida em 6 Províncias hidrogeológicas: (i) Complexo de Base (Pré-


câmbrico); (ii) Terrenos Vulcânicos (Karoo e pós Karoo); (iii) Bacia Sedimentar do Médio
Zambeze (Karoo); (iv) Bacia Sedimentar de Maniamba (Karoo); (v) Bacia Sedimentar do
Rovuma (Meso-Cenozóico) e; (vi) Bacia Sedimentar de Moçambique, a sul do Save
(Meso-Cenozóico) (WE CONSULT, 2016). O Vale de Nhartanda insere-se nas
formações hidrogeológicas da bacia sedimentar do Médio Zambeze. Esta bacia é do tipo
sinforme assimétrica, limitada por falhas normais, constituída por grés (finos, grosseiros
e fossilíferos) e margas, interceptada por filões de doleritos (COBA, 2012). O sistema
aquífero de Nhartanda é intergranular, livre e isotrópico, subordinado ao rio Zambeze
(Figura 3.4), com caudais superiores a 200 m3/h e rebaixamento "insignificante" (inferior
a 2 metros) (COBA, 2012). Esta produtividade deve-se principalmente à ligação
hidráulica (rio - aquífero), sem significativos constrangimentos, que depende da posição
relativa dos níveis da água.

Figura 3.4: Mapa hidrogeológico do Vale e áreas adjacentes (DNA, 1987).

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No aquífero do Vale de Nhartanda há escoamento natural, proveniente do rio Zambeze,


desde a sua entrada no Vale, a montante da Cidade de Tete, até à confluência
novamente com o rio Zambeze, a jusante (Figura 3.4). A força motriz deste escoamento
superficial resulta da diferença de cotas piezométricas do nível da água ao longo do rio
Zambeze, a montante e a jusante do Vale de Nhartanda. A exploração actual do aquífero
do Vale de Nhartanda, através da extração de água e consequentes rebaixamentos
associados, acelera a velocidade de escoamento natural e promove a infiltração na zona
a montante.

3.6 Uso e ocupação do solo

O Vale de Nhartanda é dominantemente ocupado por solos de aluvionares escuros de


textura fina, média e grosseira (MASA, 2014). As suas características físico-geográficas
favorecem ao desenvolvimento de diversas actividades (Figura 3.5), que influenciam na
sua qualidade ambiental e consequentemente na qualidade da água.

Figura 3.5: Ocupação do solo do Vale de Nhartanda Fonte: adaptado de AFONSO,


1978.

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A ocupação do Vale de Nhartanda é dominada por actividades agro - pecuárias e áreas


de ocupação humana nas quais se incluem áreas residenciais, de prestação de serviços
e fábricas artesanais de cerâmica.

Toda a área do Vale está sujeita a focos de contaminação pontual e difusa devido ao
depósito de poluentes/contaminantes no solo (sem qualquer protecção) por parte de
todos os utentes do Vale (residentes, agropecuários, funcionários da FIPAG, jogadores
de futebol, comerciantes informais e outros), associados à falta de saneamento básico
da Cidade de Tete no geral (uma vez que os esgotos urbanos são drenados no rio
Zambeze - Anexo 3) e no Vale de Nhartanda e áreas adjacentes, colocando, dessa
forma, em perigo o ecossistema local.

As actividades que ocorrem ao longo do Vale de Nhartanda e áreas adjacentes podem


ser e/ou tornar-se uma ameaça para a qualidade de água subterrânea que ocorre no
sistema aquífero, sendo um perigo para a população humana que a consome directa ou
indirectamente (Anexo 4).

Outro factor que contribui para a geração de impactos no Vale de Nhartanda é a falta de
serviços de limpeza e manutenção nos furos de água constantemente. Com o aumento
do volume escoado superficialmente há também o aumento na energia de transporte dos
materiais sólidos e impurezas das superfícies urbanas.

3.6.1 Captação de Água

Nas captações do Vale de Nhartanda (escoamento subterrâneo do rio Zambeze), a água


é captada a partir dos 12 furos existentes, equipados com bombas submersíveis, do tipo
SP (Figura 3.6).

A soma do caudal nominal dos 12 furos operacionais é de 895 𝑚3 /ℎ, que é aduzido em
conjunto numa adutora DN de 400 mm, em asbestos-cimento (AC), com um comprimento
de 980 metros para a estação de tratamento de água. A ETA tem uma capacidade
nominal de 15.000 𝑚3 /𝑑, capacidade esta que se considera limitada para cobrir a
expansão da captação.

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Figura 3.6: Mapa ilustrativo do campo de furos (Fonte: http://www.fipag.co.mz).


As condutas principais da rede de distribuição são de 350 mm para a zona alta e para a
zona baixa. Apresenta-se, de seguida, um esquema do sistema descrito (Figura 3.7).

Figura 3.7: Esquema do sistema (Fonte: http://www.fipag.co.mz).

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4 MATERIAIS E MÉTODOS

4.1 Monitoramento da Água Subterrânea

Para o monitoramento da qualidade de água subterrânea, baseou-se na rede de


amostragem dos três furos de produção da empresa FIPAG-Tete (Figura 4.1), que são
monitorados pela ARA-Centro, IP (Anexo 5). Para melhor localização dos furos usou-se
o equipamento GPS da marca Garmin para obtenção das coordenadas (Tabela 4.1).

Tabela 4.1: Localização dos furos de amostragem (Fonte: autor, 2021)


Coordenadas
Código dos Furo Latitude Longitude
NHT01 -16,161121 33,574726
NHT03 -16,163744 33,575452
NHT08 -16,165100 33,579038

Figura 4.1: Mapa de localização dos pontos de amostragem (Fonte: Autor, 2021).

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4.2 Procedimentos de Colecta

Todas as colectas foram realizadas seguindo o mesmo procedimento de segurança para


evitar contaminações e minimizar possibilidade de erro. Portanto, as colectas das
amostras foram realizadas directamente no ponto mais próximo logo após a saída de
água do furo, em seguida foi aberta a saída de água mantendo uma vazão média de 3 a
5 minutos, de forma a não colectar a água que estava presente dentro das tubulações e
também para retirar quaisquer resíduos presentes nos canos (Figura 4.2).

a) b)

Figura 4.2: Materiais usados e o sistema de captação da FIPAG - (a) Quite de colecta
e (b) ilustração do procedimento de colecta de dado (Fonte: autor, 2021).

No momento da colecta, o fluxo da água foi reduzido para evitar respingos. Antes da
colecta, os frascos para as análises físico-químicas foram enxaguados por três vezes
com a própria água a ser analisada (Figura 4.3).

Figura 4.3: Momentos da colecta da amostra (Fonte: autor, 2021).

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4.3 Procedimento de Análise dos Parâmetros no Campo

Das amostras colectadas, foram feitas análises (in situ), dos seguintes parâmetros
físicos-químicos: pH, Temperatura, condutividade eléctrica (CE), Oxigénio Dissolvido
(OD), Sólidos Totais Dissolvidos (TSD), Salinidade.

Estas análises foram feitas usando um equipamento de nome Sonda Multiparâmetro


portátil Modelo Aquared Ap-800 da marca Trace2O (Figura 4.4a, b e c) e a análise da
turvação que foi feita com o Turbidímetro da marca Hach 40d (Figura 4.4d), deviamente
calibrada antes de ir ao campo. Após isto a amostra da água foi colectada em recipientes
de vidro, devidamente limpos e identificados, contendo volume de 500 ml (Figura 4.4e)
e armazenada directamente na caixa de refrigerador (Coleman) com gelo laboratorial
para manter a temperatura estável.

a) b)

c) d) e)

Figura 4.4: Ilustração dos equipamentos e análises feitas in situ (Fonte: Autor, 2021).

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Após o ensaio in situ as amostras foram encaminhadas ao laboratório da Administração


Regional de Águas do Centro, Instituto Público (ARA-Centro, IP), o qual foram
executadas as análises químicas com as devidas metodologias analíticas.

4.4 Procedimento de Análises Laboratoriais

Antes de mais, teve-se uma pequena indução para o uso de equipamentos de protecção
individual e do equipamento para análises químicas no laboratório nomeadamente:

▪ Batas brancas;
▪ Luvas;
▪ Protecção facial;
▪ Protecção respiratória, assim como a higienização das mãos para o uso dos
equipamentos e o distanciamento de 2 m durante as análises dos parâmetros
definidos previamente.

Foram analisados parâmetros como: amoníaco (NH3), amónia (NH4+), nitrogénio


amoniacal (NH3-N), nitrato amoniacal (NH4NO3), nitrato (NO3-), nitrito (NO2-), nitrito
amoniacal (NH4NO2), fósforo (P), fosfato (PO4), sulfato e ferro (Fe) determinados através
do equipamento Espectrofotómetro modelo DR 2800 da marca HACH (Figura 4.5c).

1 2 3 4 5

a) b) c)

Figura 4.5: Equipamentos laboratoriais - (a) Ilustração das amostras de água, (b)
amostra em fase de reacção química e (c) Espectrofotómetro para análise dos
parâmetros (Fonte: Autor, 2021).

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Depois de agitar a cápsula junto com a amostra e o reagente durante 1 minuto, as


análises foram feitas de acordo com o tempo de reacção dos reagentes, de tal forma
que, para a cápsula: 1-nitrito (20 min.), 2-nitrato (5 min.), 3-ferro (3 min.), 4-sulfato (2
min.), 5-fosfato (2 min.).

Para as análises dos parâmetros: amoníaco (NH3), amónia (NH4+), nitrogénio amoniacal
(NH3-N) foi usado reagentes adequados a estes com 1 minuto de reacção (Figura 4.6).

Figura 4.6: Reagentes e tipos de análises de amoníaco, amónia e nitrogénio amoniacal


(Fonte: Autor, 2021).

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Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para avaliar a qualidade do sistema aquífero de Nhartanda, foram apresentados e
discutidos os resultados dos valores médios anuais das análises feitas, com base no
histórico dos dados da Repartição de Qualidade de Água e Ambiente da ARA-Centro, IP
no período entre os anos 2015 a 2021.

O software Excel foi utilizado para a obtenção de tabelas (Anexo 6), assim como o uso
da estatística descritiva e as respectivas figuras ilustradas abaixo com os pontos
amostrados. Em posse destas informações os dados foram analisados em conjunto com
os resultados das análises físico-químicas realizadas em cada ponto de amostragem.

5.1 Parâmetros Físico-Químicos


5.1.1 Temperatura da água
A temperatura é um parâmetro muito importante na monitorização da qualidade de águas
subterrâneas. Por um lado, o aumento da temperatura da água é proporcional à
velocidade das reacções, em particular as de natureza bioquímica de decomposição de
compostos orgânicos. Por outro lado, diminui a solubilidade de gases dissolvidos na
água, em particular do oxigénio, necessário aos processos de decomposição aeróbia. A
Figura 5.1 ilustra o comportamento da temperatura nos furos.

45
40
35
Temperatura ( ºC )

30
Furo 1
25
Furo 3
20
Furo 8
15
Limite max.
10
Limite min.
5
0
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
Anos

Figura 5.1: Valores médios anuais da temperatura da água do Aquífero do Vale de


Nhartanda (Adaptado pelo Autor, 2021).

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Analisando os pontos em estudo ao longo do tempo, a temperatura não teve uma


variação significativa, isto é, não ultrapassou os limites admissíveis, no Decreto 18/2004.
Para os furos 3 e 8 no ano 2017 e ano 2018 para 1 e 8 segundo informações da
instituição (ARA-Centro, IP) houve falta de resultados por vários motivos que são: avaria
dos equipamentos, falta de fundos e de transporte para o campo, sendo que para a
realização das campanhas, essas componentes são necessárias. De acordo com os
valores obtidos na figura 5.1, que variam de 26.3–32.4 (ºC), constata-se que todos os
pontos de amostragem estão dentro dos limites admissíveis.

5.1.2 pH
Em águas subterrâneas, o valor de pH varia geralmente entre 6.5 a 8.5. No sistema
aquífero de Nhartanda, para o período compreendido entre o ano 2015 a 2021, os
valores de pH da água dos furos oscilaram entre 7.05 – 8.92. A Figura 5.2 ilustra o
comportamento do pH em relação aos limites admissíveis.

10,0
9,0
8,0
Pontencial hidrogeniónico

7,0
6,0 Furo 1
5,0 Furo 3
4,0 Furo 8
3,0 Limite max.
2,0 Limite min.
1,0
0,0
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
Anos

Figura 5.2: Valores médios anuais do pH da água do Aquífero do Vale de Nhartanda


(Adaptado pelo Autor, 2021).

Comparando os resultados de pH obtidos entre o ano 2015 a 2021 (Figura 5.2), é


possível observar que a alteração dos valores deste parâmetro foi baixa, excepto o ano
2018 onde a variação média do pH no furo 3 foi de 8.92 e o ano 2021 onde o valor médio
do pH no furo 8 foi de 7. Estes valores não têm efeitos nocivos para a saúde, mas

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também não proporcionam benefícios. Como foi explicado anteriormente os furos 3 e 8


no ano 2017 e no ano 2018 para furos 1 e 8 houve falta de resultados por vários motivos
que são: avaria dos equipamentos, falta de fundos e de transporte para o campo. Os
valores confrontados revelam o comportamento dos dados em comparação com os
limites definidos pela legislação, isto é, o pH entre 7–10 significa que a água é alcalina,
ou seja, a água ideal para a nossa saúde, pois, possui um poder de hidratação superior
às demais águas. Contudo o sistema aquífero de Nhartanda apresenta características
de uma água alcalina, resultante provavelmente da mistura entre a água subterrânea
salobra e a água do rio Nhatsato.

5.1.3 Condutividade eléctrica


A condutividade eléctrica (CE) está fortemente dependente da temperatura da água e
dos sólidos totais dissolvidos (TSD). À medida que a temperatura aumenta, a água torna-
se menos viscosa e tem um maior movimento de electrões, permitindo o fluxo de corrente
eléctrica. Parte destes materiais orgânicos e inorgânicos é dissolvida na água, e a sua
soma constitui o TSD. Nas águas subterrâneas, a quantidade de TSD aumenta com o
tempo de permanência. Para obtenção dos resultados do valor médio, desvio padrão e
coeficiente de variância usou-se as fórmulas da estatística descritiva (Anexo 7). A Figura
5.3 ilustra a variação média anual da condutividade eléctrica.

2000
Condutividade eléctrica (µS/cm)

1800
1600
1400
Furo 1
1200
1000 Furo 3

800 Furo 8

600 Limite max.

400 Limite min.


200
0
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
Anos

Figura 5.3: Variação da CE média anual das águas dos furos do Vale de Nhartanda
(Adaptado pelo Autor, 2021).

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Os valores de CE nos furos variam entre 452 µS/cm e 2031.5 µS/cm, com um valor médio
de 1052.2 µS/cm, desvio padrão de 387.8 µS/cm e com um coeficiente de variação de
0.37%. Os elevados valores de CE nos furos 3 do ano 2017 e 8 do ano 2020 (Figura 5.3)
variam de forma brusca porque reflectem o efeito negativo da actividade antropogénica
(ex: Agro-pecuário, deposição de resíduos sólidos e águas residuais, fecalismo a céu
aberto entre outros) nas águas subterrâneas do sistema aquífero do Vale de Nhartanda.
Para o ano 2018 segundo a instituição o equipamento (sonda) não estava em boas
condições e pelo seu custo elevado de manutenção, houve demora na aquisição do
equipamento.

5.1.4 Salinidade

A salinidade mede a quantidade de sais dissolvidos nas águas dos reservatórios e é


controlada pelo: (i) balanço entre a evaporação e a precipitação, que aumenta e diminui
a concentração de sais na água, respectivamente e (ii) grau de mistura entre as águas
superficiais e subterrâneas. Uma água é considerada salgada quando tem 30% a 50%
de sais e é doce quando tem menos de 0.5% de sais. A água nos furos apresenta uma
salinidade variando entre 0.21 PSU–1.51 PSU, provavelmente associado à sua
localização geográfica no Vale de Nhartanda, como ilustra a Figura 5.4.

1,60

1,40

1,20
Salinidade (PSU)

1,00
Furo 1
0,80 Furo 3
Furo 8
0,60
Limite max.
0,40
Limite min.
0,20

0,00
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
Anos

Figura 5.4: Variação da salinidade média anual das águas dos furos do Vale de
Nhartanda (Adaptado pelo Autor, 2021).

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O elevado valor de salinidade da água no furo 8 do ano 2020 (Figura 5.4), está
relacionado com a interacção água do Vale – água dos arenitos e outros factores como
a dissolução de halite, dolomite e gesso, a sobre explotação, o crescimento desordenado
do número de poços caseiros provoca significativos rebaixamentos do nível de água.

Os factores associados aos elevados valores da temperatura ao longo do ano, podem


contribuir para a elevada salinidade. Quanto aos anos 2015, 2019 e 2021 os resultados
mostraram-se dentro dos limites admissíveis pela lei, excepto nos anos 2017 para todos
os furos, 2016 para furo 3 e 2018 para furo 1 e 8, onde o equipamento para colecta de
dados teve uma avaria durante os trabalhos de campo na leitura do parâmetro.

Pode se observar que ao longo dos anos estudados nota-se valores abaixo do limite
mínimo, o que não é preocupante para a saúde dos seres vivos, isto é, quando o nível
de salinidade da água tende a aumentar nas épocas mais quentes e secas do ano devido
à maior evaporação da água, assim sendo, conclui-se que os resultados abaixo do limite
mínimo não interferem na qualidade da água.

5.1.5 Nitrato

O nitrato é o poluente que apresenta maior frequência em águas subterrâneas. Pois, as


origens de nitrato em águas subterrâneas surgem a partir do uso de fertilizantes
nitrogenados e inorgânicos com proveniência de esterco animal, interferência de esgoto
doméstico, deposição atmosférica, lixiviação de regiões agrícolas e lixeiras. Frisar que
fossas e valas negras, que representam sistemas de saneamento in situ, destacam-se
como as mais comuns. A Figura 5.5 mostra o comportamento do nitrato.

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60,0

50,0

40,0
Nitrato (mg/L)
Furo 1
30,0 Furo 3
Furo 8
20,0
Limite max.

10,0 Limite min.

0,0
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
Anos

Figura 5.5: Variação do nitrato médio anual das águas dos furos do Vale de Nhartanda
(Adaptado pelo Autor, 2021).

O nitrato (NO3ˉ) apresentou-se bem distribuído na área de estudo em todos os períodos


amostrais. Porém, no ano 2019, percebe-se uma elevação nos valores de nitrato no
centro da área estudada, onde se situam os furos 1 e 8 com 32.5 e 29.0 mg/L
respectivamente e os resultados mostraram-se dentro dos limites admissíveis pela lei.

Os altos índices de nitrato nos furos 1 e 8 em 2019 podem estar relacionados à sua
pouca profundidade e à presença de fossas no mesmo terreno onde este furo se situa,
a uma distância entre 11,39 e 28 metros e resíduos sólidos nos arredores e os restantes
anos com monitoramento e controle da situação por parte da FIPAG-Tete, Governo local
e ARA-Centro, IP foram registados baixos valores de nitrato.

5.1.6 Oxigénio Dissolvido

A concentração de oxigénio presente na água varia de acordo com a pressão atmosférica


(altitude) e com a temperatura do meio. A concentração de Oxigénio Dissolvido nos furos
depende da temperatura, da pressão atmosférica, da salinidade, das actividades
biológicas, de características hidráulicas. A Figura 5.6 mostra o comportamento do
oxigénio dissolvido com base nos limites admissíveis e os anos em causa.

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12,00

10,00
Oxigénio Dissolvido (mg/L)
8,00
Furo 1
6,00 Furo 3
Furo 8
4,00
Limite max.

2,00 Limite min.

0,00
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
Anos

Figura 5.6: Variação do oxigénio dissolvido médio anual das águas dos furos do Vale
de Nhartanda (Adaptado pelo Autor, 2021).

De acordo com a Figura 5.6, os valores de oxigénio dissolvido mensurados encontram-


se de acordo com a legislação vigente em Moçambique, na qual é estabelecido o limite
mínimo de concentração de 4 mg/L. O ano 2017 para todos os furos e 2018 para furo 1
e 8, a sonda para colheita de dados teve uma avaria durante a campanha na leitura
desse parâmetro e para o furo 3 em 2018 fez-se a leitura neste furo porque foi o primeiro
furo a ser analisado durante a campanha e este localiza-se perto da casa de máquinas
da FIPAG – Tete.

5.2 Análise Estatística

Para resumir e descrever os dados obtidos, foi realizada a estatística descritiva


comparando os valores mínimos, médios e máximos de cada parâmetro analisado aos
valores máximos permitidos pela legislação.

De acordo com os dados expostos na Tabela 5.1, percebe-se que de todos os


parâmetros físico-químicos, a CE foi o que mais se destacou com 2031.5 µS/cm
apresentando valores bem acima dos valores máximos permitidos pela legislação que é
de 2000 µS/cm. Observa-se também que, pH e salinidade apresentaram médias anuais
mais elevadas de forma simultânea que são 8.92 e 1.51 PSU respectivamente.

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Tabela 5.1: Estatística descritiva de resultados dos parâmetros físico-químicos


(Adaptado pelo Autor, 2021).

2015 - 2021
Parâmetros
Mínimo Médio Mediana Máximo Desvio padrão Lim. Max
0
Temperatura( C) 26,3 30,5 32,4 1,6 25 - 40
30,3
pH 7,0 7,6 7,6 8,92 0,4 6,5 - 8.5
CE (µS/cm) 452,0 1052,2 908,0 2031,5 387,8 50 - 500
Salinidade (PSU) 0,2 0,5 0,4 1,51 0,2 0,5 - 1
Nitratos (mg/L) 0,8 9,7 5,6 35,2 11,3 (-) - 50
OD (mg/L) 4,0 0,5 6,9 8,3 0,2 4 - 10

Para a verificação da relação existente entre os parâmetros discutidos em termos


estatísticos, foi utilizado o coeficiente de correlação de Pearson que determina o grau de
correlação entre variáveis, podendo ser identificada como negativa ou positiva, onde as
correlações mais intensas tendem a 1, as correlações menos intensas, porém positivas
tendem a 0 e as correlações negativas tendendo a -1 (Ver anexo 7).

Com base na Tabela 5.2, pode observa-se a correlação entre os parâmetros de acordo
com as suas médias anuais. Percebe-se que no furo 1, o pH tem uma correlação
negativa porque tende a -1 e os restantes parâmetros tem uma correlação positiva
porque tende a 0. Para o furo 3, a salinidade tem uma correlação negativa porque tende
a -1, enquanto que o nitrato tem uma correlação mais intensa porque tende a 1.

E por sua vez o furo 8, o pH tem uma correlação negativa porque é igual a -1, o nitrato
tem uma correlação mais intensa porque tende a 1 e os restantes parâmetros tem uma
correlação mais intensa porque tende a 1.

Tabela 5.2: Matriz de correlação dos parâmetros físico-químicos analisados (Adaptado


pelo Autor, 2021).

Furos Correlação linear de Pearson


Temperatura pH CE Salinidade Nitratos OD
Furo 1 -0,2 -0,7 0,4 0,2 0,3 0,3
Furo 3 0,2 -0,4 -0,4 -0,7 0,7 -0,1
Furo 8 0,2 -1,0 0,2 -0,1 0,8 -0,1

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 48


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Pode-se afirmar que o saneamento deficiente e o desordenamento urbano, têm


consequências directas na qualidade das águas subterrâneas (considerando os pontos
amostrados), isto é, impacto ambiental. As áreas próximas ao curso do Vale de
Nhartanda precisa no momento de especial atenção através de estudos científicos de
monitoramento ambiental.

Com base nos resultados acima apresentados, pode-se afirmar que quanto a qualidade
das águas subterrâneas na área em estudo, a FIPAG – Tete e ARA – Centro, IP têm
seguido relativamente com as normas de padrão estabelecido no Decreto n o 18/2004.
Sendo que alguns pontos analisados apresentam parâmetros com valores elevados que
possam alterar a qualidade da água tendo em consideração os limites máximos
estabelecidos na legislação Moçambicana. Face aos resultados, a água não é
recomendada para o consumo direito sem tratamento.

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 49


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6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

6.1 Conclusões

Conclui-se que a urbanização na zona do antigo mercado Kwacena, está em péssimas


condições, vistos que se depara com um desordenamento territorial e um problema sério
de saneamento, a população desta zona tem feito despejo dos efluentes domésticos e
fecalismo a céu aberto nas ruas em que circulam, assim como também são
encaminhados ao curso do Vale de Nhartanda que recarrega o sistema aquífero
existente para o abastecimento de água.

Portanto, a prática de actividades potencialmente contaminantes ao longo do Vale e


áreas adjacentes, associadas com a poluição do rio Zambeze, a proximidade de fossas,
latrinas e a construção inadequada de poços e furos também contribuem para a
degradação da qualidade da água. O elevado índice de vulnerabilidade para a maioria
dos contaminantes indica que a água é facilmente atingida por bactérias e vírus e outras
substâncias, que fazem com que os parâmetros: pH no ano 2018, CE no ano 2020 e
Salinidade no ano 2020, estejam acima dos VMA comparando com os outros anos que
estiveram dentro do limite admissível pela lei como observado na área em estudo e para
os restantes parâmetros analisados estão dentro dos limites admissíveis, sendo a
temperatura variando entre 26.3 – 32.4 (oC), o nitrato (N03- ) e oxigénio dissolvido (OD)
também apresentaram resultados dentro dos limites. A ocupação nas áreas à montante
pode comprometer a qualidade e a quantidade de água produzida pelo sistema do
aquífero; os loteamentos feitos nas proximidades do Vale também é um factor
preocupante devido a retirada de vegetação natural o que consequentemente irá
interferir nas características naturais de drenagem como infiltração e escoamento
superficial. A hipótese (i) é valida porque todos os resultados apresentados no presente
relatório apontam para a necessidade de implementação de acções visando à protecção
da água subterrânea do Vale de Nhartanda e, consequentemente, a saúde pública.
Quanto a qualidade de água do Sistema aquífero de Nhartanda, pode-se concluir que a
água não apresenta uma alteração significativa (considerando o período em análise),
mas mesmo assim há necessidade de continuar a monitorar e sensibilizar a população
de forma a mudar a mentalidade e cuidarem do Vale.

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6.2 Recomendações

▪ Para uma análise mais aprofundada sobre a qualidade de água, seria necessário
a realização de mais estudos, como o estudo da biota aquática ao longo do Vale
e também colectas realizadas em um espaço maior de tempo, a fim de
compreender a influência da sazonalidade e dos factores temporais sobre a
qualidade de água do sistema aquífero do Vale de Nhartanda;
▪ Garantir uma gestão racional e sustentada dos resíduos sólidos, passando pela
educação da população, no sentido de cada um assumir e se comprometer com
o uso eficiente e eficaz da água e protecção do aquífero;
▪ Elaborar um plano para o tratamento das águas a montante do Vale;
▪ Fazer o encaminhamento correcto dos efluentes domésticos que ocorrem próximo
ao Vale;
▪ Realizar de forma consciente as medidas preventivas e correctivas para evitar os
impactos nos recursos hídricos.

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7 BIBLIOGRAFIA

7.1 Referencias Bibliográficas

1. CASTRO, L. M. A. 2002 – Proposição de indicadores para a avaliação de sistemas


de drenagem urbana. Dissertação de mestrado. Programa de pós-graduação em
saneamento, meio ambiente e recursos hídricos da Escola de Engenharia da
UFMG. Belo Horizonte, p.118.
2. CHERUBINI, R. 2008 – Avaliação ambiental do sistema de colecta e disposição
final de resíduos sólidos urbanos do município de farroupilha-RS. Caixa do Sul:
[s. n].
3. COBA. 2013 – Sistemas de Abastecimento de Água de Tete e Moatize. Plano
Diretor e Projeto de Execução - Qualidade de água Para Abastecimento. Tete, p.
37.
4. CONAMA. 1986 – Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução nº. 001/86
art. 1º. Publicação do Diário Oficial da União - 17/02/1986, Seção 1, páginas 2548-
2549 Correlações: Alterada pela Resolução nº 11/86.
5. FERREIRA, P.A. 1997 – Aspectos físico-químicos do solo, In: GHEYI, H.R.;
QUEIROZ, J.E.; MEDEIROS, J.F. de. (ed). Manejo e controle da salinidade na
agricultura irrigada. Campina Grande: UFPB, p. 37-67.
6. HCB. 2012 – Programa de Supervisão e Controlo dos Níveis da Albufeira no
âmbito da Central Norte (Rio Zambeze). Tete. p. 125.
7. HOLANDA, J.S. de; AMORIM, J.R.A. de. 1997 – Qualidade de água para
irrigação, In: GHEYI, H.R.; QUEIROZ, J.E.; MEDEIROS, J.F. de. (ed). Manejo e
controle da salinidade na agricultura irrigada. Campina Grande: UFPB, p.137-169.
8. Hipólito, J. e Vaz, Á. 2011 – Hidrologia e Recursos hídricos, 1ª Edição, ISTPress.
Lisboa. Portugal.
9. HIRATA, R. 1993 – Os recursos hídricos subterrâneos e as novas exigências
ambientais. Revista do Instituto Geológico de São Paulo. p. 39-62.
10. LENZI, E.; FAVERO, L. O. B.; LUCHESE, E. B. 2009 – Introdução à química da
água: ciência, vida e sobrevivência. Rio de Janeiro: LTC.
11. LIBÂNIO, M. 2010 – Fundamentos de qualidade e tratamento de água, 3ª Edição.
Campinas: Átomo.

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 52


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12. LIMA, J. S. 2003 – Avaliação da contaminação do lençol freático do lixão do


Município de são pedro da Aldeia-RJ, p.87. Dissertação (Mestrado em Engenharia
Ambiental) – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, rio de Janeiro.
13. MASA. 2014 - Zoneamento Agroecológico - Resultados do País, excepto Maputo,
Moçambique, p. 46.
14. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. 2007 – Secretaria de Recursos Hídricos,
Universidade Federal da Paraíba; Marcos Oliveira Santana, -organizador. Brasília:
MMA.
15. ONGLEY, E, D. 2001 – Controle da poluição da água pelas actividades agrícolas.
Trad. Ghevy, H.R., Damaceno, F.A.V.: BRITO, L.T. de L. Campina Grande: UFPB,
p. 92 (Estudos FAO. Irrigação e Drenagem, 55).
16. Regulamento sobre Padrões de Qualidade ambiental e de Emissão de Efluentes,
Decreto no 18/2004 de 2 de Junho.
17. SILVA, R. B. G. da. 2003 – Água subterrânea: um valioso recurso que requer
protecção. São Paulo: DAEE, p. 28.
18. SOUZA, J. C. S.; 2006 – Captação de Água Subterrânea. In: TSUTIYA, M. T.
Abastecimento de Água. 3ª Edição. São Paulo: Departamento de engenharia
hidráulica e sanitária da escola politécnica da universidade de São Paulo, 643 p.
19. SPERLING, M.V. 2005 – Introdução à Qualidade das Águas e Tratamento de
Esgotos, 3ª Edição. Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e
Ambiental; Universidade Federal de Minas Gerais.
20. WATERLOO, M.; POST, J; V., E.A.; HORNER, K. 2016 – Introduction to Hydrology
and Climate. Amsterdam, p. 236
21. ZANTA, V. M. et al. 2006 – Resíduos sólidos, saúde e meio ambiente: impacto.
In: CASTILHOS JUNIOR, A. B. (Coord). Gerenciamento de resíduos sólidos
urbanos com enfase na protecção de corpos d’água: prevenção, geração, e
tratamento de lixiviados de aterro. Rio de Janeiro: ABES, p. 494.
22. VALLE, M. A.; PACHECO, A. 1999 – Resíduos sólidos de Santo André. Limpeza
Pública, São Paulo, n. 51, p. 27-34.

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 53


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7.2 Outra Bibliografia Consultada

1. ALVES, Célia. 2010 –Tratamento de águas de abastecimento, 1ª Edição, Porto:


Publindústria.
2. ARA - Centro, IP. 2020 – Repartição de Qualidade de Água e Ambiente
(Laboratório). Cidade de Tete.
3. FOSTER, S. S. D. e HIRATA, R. 1987 – Contaminação de las águas subterrâneas.
Organização Mundial de la Salud, Organização Panamericana de la Salud, Centro
Panamericano de Ingenieria Sanitária y Ciências del Ambiente. Lima: Peru.
4. FLORENÇANO, J.C. 2011 - Sistemas de Tratamento e Distribuição de Água.
Material Didático.
5. LIMA A. 2010 – Composição e Origem das Águas Minerais Naturais – Exemplo
de Caldas da Saúde, Portugal, p. 235.
6. MANOEL FILHO, J. 1997 – Contaminação das águas subterrâneas. In: FEITOSA,
F. A. C; MANOEL FILHO, J. (Ed.). Hidrogeologia: conceitos e aplicações.
Fortaleza: CPRM/ LABHID/UFPE, p.109-132.
7. MUCHANGOS, A. 1999 - Moçambique, Paisagens e Regiões Naturais, Maputo –
Moçambique, p. 159.
8. SCHÖELLER, H. 1962 – Les Eaux Souterraines. Hydrologie dynamique et
chimique, Recherche, Exploitation et Évaluation des Ressources. Paris: Masson
et Cie, Éditeurs, p. 642.
9. TUCCI, Carlos E. M. 1997 – Água no meio urbano. In: Água Doce.
10. USGS. 2016. Tectonic Summaries of Magnitude 7 and Greater Earthquakes from
2000 to 2015, Virginia – EUA, p. 158.
11. VERGARA, Sylvia, 2007 – Métodos e Técnicas de Pesquisa em Administração.
São Paulo: Atlas.
12. www.fipag.co.mz/index.php/pt/areas-de-actuacao/tete-e-moatize, 23 de
Dezembro de 2020.
13. www.jornalnoticias.co.mz, 18 de Maio de 2021.
14. WE CONSULT. 2016 - Estudo Hidrogeológico detalhado para Monitorização do
sistema aquífero de Nhartanda–Cidade de Tete - Relatório sobre o Plano da Rede
de Monitoramento do Sistema Aquífero, Tete, p. 64.

Mário Lourenço Cássimo - TCC Página 54


Análise dos Impactos Ambientais da Urbanização sobre o Aquífero do Vale de
Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

ANEXOS

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Nhartanda, Caso Zona do Antigo Mercado Kwacena – Cidade de Tete

Anexo 1: Ficha de inspecção e resultados da análise de amostras

Controle de Qualidade de Água


Localizacao da fonte, tipo e resultados de analises de agua
Tipos de Amostragem Numero da garrafa: Numero do Furo:
Data:
Localizacao: Distrito: Provincia:
Propriedade:
Fonte: Furo Torneira poco Lago Rio
Tem tratamento Sim Sim
Não Não
Resultado de Analise no Campo de Parâmetros Organolépticos, Físico-químicos e microbiológicos
Parâmetros Método Aplicado Resultado Expressão Limite máx. VMA
dos admissível
1. FÍSICO e ORGANOLÉPTICOS
Temperatura Potenciométrico/SM (*) ( ºC ) 25-40 ----
pH Potenciométrico/SM (*) — 6,5 – 9,0 ----
Condutividade elétrica Potenciométrico/SM (*) (μS/cm) 50-2.000 ----
Turvação Durbidímetro Hach 40d (NTU) 5,0 20
2.QUÍMICOS
Amoníaco Espectrofotómetro Método 8038 (mg/L) 1,5 ----
Amónia Espectrofotómetro Método 8038 (mg/L) 1,5 ----
Nitrogénio Amoniacal Espectrofotómetro Método 8038 (mg/L) 1,5 400
Nitrato Amoniacal Espectrofotómetro Método 8039 (mg/L) 19 25
Ião Nitrato Espectrofotómetro Método 8039 (mg/L) 50 ----
Ião Nitrito Espectrofotómetro Método 8507 (mg/L) 3 ----
Nitrito Amoniacal Espectrofotómetro Método 8507 (mg/L) 1,5 ----
Clorofila Potenciométrico/SM (*) (mg/L) ---- ----
Fósforo Espectrofotómetro Método 8048 (mg/L) 1 ----
Ião Fosfato Espectrofotómetro Método 8048 (mg/L) 0,05* ----
Oxigénio Dissolvido Potenciométrico/SM (*) (mg/L)
Oxigénio Dissolvido Potenciométrico/SM (*) (%) 100 128
Saturado
TDS Potenciométrico/SM (*) (mg/L) 1000 ----
Salinidade Potenciométrico/SM (*) (%) 1 200
ORP Potenciométrico/SM (*) (mV) ----
Ião Cloreto Potenciométrico/SM (*) (mg/L) 200 250
Ião Sulfato Espectrofotómetro Método 8051 (mg/L) 250
Ferro Espectrofotómetro Método 8008 (mg/L) 0,3 ----

Observações:
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

Técnico responsável: Data:


_____/_______________/________

A1.56
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Anexo 2: Interdição de construção.

Anexo 3: Recarga do Vale de Nhartanda e Descargas de Águas Residuais (adaptado


de COBA 2012 e CMC – Tete).

A2-A3.57
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Anexo 4: Actividades ao longo do Vale de Nhartanda e áreas adjacentes (Fontes de


Poluição).

Cerâmica Águas Residuais

Charco Resíduos sólidos

Agricultura Matadouro

Pastagem Comércio de Gado

A4.58
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Anexo 5: Mapa de delimitação do Vale e os pontos de colecta da amostra.

Irei Anexar com o Nitro PDF

A5.59
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Anexo 6: Parâmetros da qualidade de água subterrânea no período entre o ano 2015 a


2021.

Tabela 1: Resultados do parâmetro temperatura (Autor, 2021).

Anos
FUROS 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Unidade
Furo 1 30,7 30,7 29,5 29,3 26,3 32,4
Furo 3 29,0 31,3 32,4 28,5 29,9 32,2
0C
Furo 8 30,5 30,6 30,2 29,3 32,4
Limite max. 40 40 40 40 40 40 40
Limite min. 25 25 25 25 25 25 25

Tabela 2: Resultados do parâmetro pH (Autor, 2021).

Anos
FUROS 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Unidade
Furo 1 7,9 7,7 7,6 7,3 7,1 7,6
Furo 3 8,0 7,5 8,92 7,2 7,7 7,4
_
Furo 8 8,1 7,8 7,1 7,1 7,0
Limite max. 8,5 8,5 8,5 8,5 8,5 8,5 8,5
Limite min. 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5

Tabela 3: Resultados do parâmetro condutividade eléctrica (Autor, 2021).

Anos
FUROS 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Unidade
Furo 1 898,4 884 452 856,5 1478 866
Furo 3 825 908 1385 817,7 982,6 547
µS/cm
Furo 8 1541,7 1089,2 1068 2031,5 1256
Limite max. 2000 2000 2000 2000 2000 2000 2000
Limite min. 500 500 500 500 500 500 500

A6.60
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Tabela 4: Resultados do parâmetro salinidade (Autor, 2021).

Anos
FUROS 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Unidade
Furo 1 0,43 0,42 0,36 0,72 0,36
Furo 3 0,40 0,27 0,36 0,34 0,23
PSU
Furo 8 0,77 0,73 0,21 1,51 0,60
Limite max. 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00
Limite min. 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5

Tabela 5: Resultados do parâmetro nitrato (Autor, 2021).

Anos
FUROS 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Unidade
Furo 1 0,8 0,9 6,6 35,2 1,1 5,2
Furo 3 0,9 1,7 1,0 2,0 11,5 5,6
mg/L
Furo 8 8,3 6,4 29,0 29,2 18,9
Limite max. 50 50 50 50 50 50 50
Limite min. - - - - - - -

Tabela 6: Resultados do parâmetro oxigénio dissolvido (Autor, 2021).

Anos
FUROS 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Unidade
Furo 1 6,73 4 7,31 8,06 5,42
Furo 3 7,13 4 5,47 7,29 6,99 4,15
mg/L
Furo 8 7,12 5,49 7,36 8,34 4,47
Limite max. 10 10 10 10 10 10 10
Limite min. 4 4 4 4 4 4 4

A6.61
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Anexo 7: Medidas Descritivas.


Uma outra maneira de se resumir os dados de uma variável quantitativa, além de tabelas
e gráficos, é apresentá-los na forma de valores numéricos, denominados medidas
descritivas. Estas medidas, se calculadas a partir de dados populacionais, são
denominados parâmetros e se calculadas a partir de dados amostrais são denominados
estimadores ou estatísticas.

As medidas descritivas auxiliam a análise do comportamento dos dados. Tais dados são
provenientes de uma população ou de uma amostra, o que exige uma notação específica
para cada caso:

∑𝑥
(Eq.1) Média –𝑋̅ = 𝑛 ;
∑ 𝑥 2 −𝑛∗𝑋̅ 2
(Eq.2) Variância – 𝑆 2 = ;
𝑛−1

(Eq.3) Desvio padrão – (Eq.4) 𝑆 = √𝑆 2 e

𝑆
(Eq.5) Coeficiente de variação – 𝐶𝑣 = 𝑋̅

(Eq.6) Parâmetro de coeficiente de Correlação de Pearson: −1 ≤ 𝑟 ≥ +1

(Eq.6) Formula de coeficiente de Correlação de Pearson:

∑𝑛𝑖=1(𝑥𝑖 − 𝑥̅ ) (𝑥𝑖 − 𝑥̅ ) 𝑐𝑜𝑣(𝑋, 𝑌)


𝑟= =
√∑𝑛𝑖=1(𝑥𝑖 − 𝑥̅ )2 . √∑𝑛𝑖=1(𝑦𝑖 − 𝑦̅)2 √𝑣𝑎𝑟(𝑋). 𝑣𝑎𝑟(𝑦)

Onde:

▪ 𝑥1 , 𝑥2 , … , 𝑥𝑛 𝑒 𝑦1 , 𝑦2 , … , 𝑦𝑛 são os valores medidos de ambas as variáveis; e

▪ 1 1
𝑋̅ = 𝑛 . ∑𝑛𝑖=1 𝑥𝑖 e 𝑦̅ = 𝑛 . ∑𝑛𝑖=1 𝑦𝑖 são as médias aritméticas de ambas as variáveis.

A7.62
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Anexo 8: Ilustração de Águas negras (efluentes) no rio Nhatsato que desagua no Vale
de Nhartanda.

A8.63

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