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EDIÇÃO ESPECIAL

PRÓLOGO
Acordei ao lado dela após uma noite alcoólica e, estático, permane-
ci por alguns minutos apenas observando detalhadamente os
gestos delicados daquela mulher. Estirada espaçosamente sobre a
cama, enrolada em um lençol de algodão branco que escondia
pequenas partes do teu corpo.

Ela respirava profundamente como alguém que sonhava sem preo-


cupações enquanto raios solares invadiam o quarto por entre a
persiana tocando suavemente teu rosto minimamente amarrotado.
Abriu seus pequenos olhos arredondados e espreguiçou-se, delica-
damente, enquanto ouvia-se de teus lábios bem desenhados um
quase silencioso e preguiçoso gemido.

Eu, sentado no lado oposto da cama, estava hipnotizado ao presen-


ciar uma beleza tão pura e simples. Sem roupa, maquiagens ou
acessórios, apenas uma sutil calcinha de renda contornando teu
quadril e, sem qualquer demonstração de celeridade, eu apreciava
todos os pequenos detalhes, desde a respiração intensa até as
pequenas marquinhas nas costas causadas pelo sutiã.

E a devorava sem as mãos.

Ela levantou-se depressa e caminhou em direção ao meu armário,


meio que na ponta dos pés, como se quisesse passar despercebida,
afinal, ela não queria ser vista assim, despida, sem nenhum tipo de
produção. Eu, ainda meio atordoado por causa das porções de
cervejas do dia anterior, coloquei os braços por baixo da minha
cabeça, fechei os olhos e desejei não acordar desse sonho.
Cochilei com o som da água tocando o azulejo do banheiro e acor-
dei com um leve beijo na boca. Ela deitou a cabeça sobre minha
barriga e enquanto eu acariciava teu cabelo, ficamos ali, conversan-
do. Sobre o mundo, sobre tudo. A sincronicidade era nítida. Confes-
so que desejei congelar aquele momento.

– Fê – disse ela – já está tarde, preciso ir.


– Fica? Eu preparo um café. – Pedi, quase implorando.
– Não posso, de verdade. – Respondeu decidida.
– Mas fica? – Insisti segurando a pelas mãos.

Ela rejeitou com um sorriso tão gostoso, levantou-se, me presen-


teou com um aconchegante abraço e tocou meus lábios pela última
vez. Eu, ali parado, senti borboletas inquietas preenchendo meu
estômago vazio e as batidas do meu coração se transformando
numa bateria de escola de samba descompassada, enquanto ela
atravessava meu quarto até a saída e, quando ouvi o barulho da
porta fechando, não tive dúvidas.

Eu estava definitivamente apaixonado por aqueles dentinhos pon-


tiagudos.
eu quero conversar
com você sobre amor.
o amor não é para os fracos.
é para poucos.
sonhadores e corajosos.
é para os loucos.
PRIMEIRA PARTE
NEM TODO ROMANCE COMEÇA
COM UM ROTEIRO BEM ESCRITO.
2006

Eu tinha uns dezesseis, quase dezessete anos. Ela, três anos mais
nova, subiu com uma amiga no apartamento de um amigo meu e lá
nos conhecemos. Conversamos, assistimos um filme, comemos
pipoca abarrotada de manteiga e, horas depois, adormecemos
vestidos e espremidos na mesma cama. Sem trocar carícias, saliva,
nem o contato.

Guardei na memória apenas como um esbarrão casual.

O reencontro aconteceu somente cinco anos depois nas redes


sociais. Eu já escrevia alguns textos, ensaiava alguns contos e isso,
de alguma maneira, a encantava. Assim, começamos a trocar men-
sagens diariamente e um pouquinho de intimidade – ainda que
fosse virtual – passou a existir.

E num domingo perdido, eu estava jogado no sofá quase cochilando


quando despertei com uma mensagem:

- O bar está de pé? – Era ela.


“Putz”, pensei.

Depois de tantos desencontros, eu não queria (e nem podia)


desmarcar, então, rastejei até o banheiro e me joguei debaixo da
ducha. Saí e vesti uma camiseta preta, uma bermuda em tom pastel
e um tênis qualquer. Entrei no carro, liguei o rádio e atravessei a
cidade.

01
Foram alguns minutos transformados em uma eternidade pela
minha sempre presente ansiedade.

Cheguei. Estacionei numa rua próxima e, de lá, fui caminhando em


direção ao portão da casa dela. Até hoje meus olhos brilham ao
lembrar dela, ali parada, me esperando. Meus passos diminuíam o
ritmo, enquanto meu coração acelerava e as expectativas cresciam.

– E, aí? – Cumprimentei disfarçando as pernas bambas.


– Vamos? – Respondeu envergonhada.
NOSSO SANTO BATEU.

Eu estava nervoso, ansioso, quase vomitando minha alma.

Mas poucas palavras foram suficientes para criar empatia. Ela


estava linda, porém, ia além. Teu gosto musical batia, tuas séries
favoritas também. Teu jeito de se expressar me atraia, tuas mensa-
gens transbordavam energia positiva e o assunto nunca acabava.

Entre um gole gelado e outro, escutei histórias engraçadas, trágicas,


sobre a vida e compartilhei algumas das minhas. Sem pressa. Eu
apreciava seus detalhes e me divertia quando ela se encolhia dentro
da blusa por causa da noite fria ou se assustava ao ouvir a palavra
“fantasma”. Aos poucos, nossos olhares se aproximavam e nossos
corpos também.

Nosso santo bateu.

Era nítida a sintonia, deixamos o lugar trocando apenas abraços


aquentados e perfumes misturados. Seguimos de carro até a porta
da casa dela. Aproximei o rosto, encostei meus lábios nos dela, o
tempo parou nesse instante. Leves beijos na orelha, seguido por
mordidas no pescoço. Senti a temperatura aumentar, respiração
ofegar, o coração tropeçar, quase cair. Os olhos brilhavam, o sorriso
escapava.

02
– Por que está amanhecendo? – Reclamei em silêncio.
– Eu trocaria a eternidade por essa noite. – Ainda calado desejei.

O corpo foi sem medo, descascando segredos, viciando nos beijos, me


encaixei no seu cheiro e ali me deixei inteiro. Roubei dela um elástico
de cabelo, coloquei no pulso direito. Ela, roubou pedaços de mim e,
cativada, ouviu ao pé do ouvido: eu vou voltar, porque eu amei te ver.
ELA ERA ÚNICA.

Colecionadora de histórias, acumulava na estante do seu quarto,


bem ao lado dos livros palpáveis, romances intensos e relaciona-
mentos catastróficos. Conheceu do óbvio ao utópico. Se iludiu por
vezes e sentiu a dor do coração estilhaçando dentro do lado esquer-
do do peito outras tantas.

Sensível, não queria mais se machucar.

E mesmo sabendo que era um desperdício de vida se defender do


amor, ergueu ao seu redor um muro invisível, alto, impossível de ser
escalado, mas e se ao invés de escalar eu cavasse muito, bem fundo?

Era preciso ter calma.

Não é fácil conquistar uma mulher que transborda personalidade. É


preciso estar pronto. Emocionalmente preparado, intelectualmente
também. Sem essa história de não saber o que quer e, assim, roubar
o tempo dela.

Mulher não gosta desse jogo.

E com o tempo entendi isso. Reparando no jeito como ela retribuía


com leveza meu carinho, entendendo que ela tinha que ser priori-
dade, afinal.

Ela era única.

03
TE ACHO TÃO BONITA.

Quando ouvi o barulho da porta fechando, não tive dúvidas. Eu


estava definitivamente apaixonado por aqueles dentinhos pontia-
gudos e consciente de que o sentimento dela por ora, talvez não
fosse recíproco, desrespeitei a regra dos três dias e liguei no dia
seguinte.

– Bom dia, Fê. – Disse com uma voz embriagada de sono e bastante
surpresa.

Do outro lado, eu sorri. Conversamos por longos minutos. Troca-


mos gentilezas, despejei algumas baboseiras, dispersei. Normal.
Quando estamos enfeitiçados, ficamos um tanto quanto patéticos e
eu, confesso, me expresso melhor escrevendo do que dialogando.

Se, naquele momento, fui incapaz de dizer, depois consegui trans-


crever:

“Dentre tantos outros olhares o seu possui uma tonalidade. Um


brilho único, difícil explicar. Transcende mídias, ilumina e se desta-
ca em meio a massa. O seu sorriso emana energia positiva, funciona
como um ímã. Atrai meu corpo, desarma minha alma, me encoraja.
Invade pensamentos, preenche com desejos carnais e surreais.

Sua maquiagem sobrepõe uma beleza tão natural, esconde imper-


feições tão mínimas. Detalhes. Prolonga os cílios com rímel,
evidencia com um batom claro os lábios desejados e disfarça com
um sorriso o coração arranhado.

04
Dona do próprio nariz, sua ambição é do tamanho do mundo e a sua
liberdade afugenta os mais covardes. Você quer o Sol, a Lua, a
madrugada. É um doce, nem açúcar, nem adoçante. É pura. Ama
crianças e paetês cor de jade. Cheia de carisma, indecisão e bonda-
de.

Não te prometo um romance de cinema, será algo verdadeiro.


Intenso. Vou te aquecer num aconchegante abraço, respirar próxi-
mo ao seu pescoço causando arrepios pelo corpo e dizer baixinho
no pé do ouvido.

– Te acho tão bonita.”


VOCÊ ME BAGUNÇA.

Arrastei a cadeira para você devorar aquelas torradas com Nutella


enquanto te distraia com assuntos descomplicados e, sem perceber,
de um jeito meio louco, eu me esforçava o tempo todo.

Por um sorriso seu.

Te oferecia calor e risadas. Enfrentava sua tpm com um escudo feito


de doces ou, então, com massagem e uma espada de flores. Cogitei
deixar de beber, ficar rico num mês. Dormir de meia pra virar
burguês. Você me bagunçava e tumultuava tudo em mim.

Talvez soe exagerado, quase desesperado.

Mas, às vezes, parece que romantismo se tornou démodé e, quando


eu digo romantismo, me refiro ao que ali em cima está escrito. Não
aos apelidos bregas, as contas compartilhadas nas redes sociais ou,
sei lá, camisetas com a foto do casal.

Prometi, sem cruzar os dedos:

Não vou te chamar no diminutivo, nem te apelidar de “moreco” ou


“ursinha”, tampouco imitar uma voz infantil. Serei simples, aten-
cioso, por vezes, romancista e, assim, conquistarei um sorriso seu.

Todos os dias.

05
SINTO QUE TE AMO.

Faço um café meio amargo e de gole em gole, eu vou degustando


teu jeito tão doce de sonhar. Sentado na cama, sem pressa qualquer,
fotografo com meus olhos tuas curvas, teus trejeitos e teus peque-
nos defeitos. Tão apaixonantes. Exausta por causa de tantas bata-
lhas, não tenha pressa, durma mais um pouco.

E me deixe aqui sonhando acordado.

Faço um carinho nos teus cabelos enquanto você se espreguiça –


delicada feito uma ursa panda – e, de repente, meu rosto entrega
um sorriso sincero, um tanto quanto perplexo. Há um arsenal de
aranhões e roxos espalhados pelo teu corpo. Como pode ser tão
estabanada? Questiono em silêncio.

Ainda calado, continuo te observando – e admirando.

As linhas do teu rosto tão bem traçadas, as curvas do teu corpo tão
bem desenhadas. Tua respiração leve – feito uma brisa de outono –
mescla com os batimentos desse coração gigante e disfarça com
suavidade a força extraordinária que você carrega aí dentro – e que
talvez ainda não tenha descoberto totalmente.

Mas eu sinto.

06
Tua coragem transbordar e tua energia encantar. Sinto que você
pode traçar teu próprio rumo, colorir esse apático mundo e conta-
giar com tua alegria. Sinto, em você, uma força capaz de fazer o que
quiser. Sinto, por você, mais que encanto.

Sinto
Que
Te
Amo.

– Bom dia.
608 dias com ela.

(Essa foi uma das minhas primeiras e raras cartas de amor. Sem
técnica, sem revisão, apenas com o coração).

Mesclando poemas, poesias e versos simples num misto de paráfra-


ses, citações e originalidade nasceu - entre a amistosa e gostosa
relação de um pedaço de papel qualquer e uma caneta sortida - um
texto puro, sincero e apaixonado. Carregado de sentimentos positi-
vos, deixei minha mão direita escrever o que o meu coração sentia,
convicto de que a minha inspiração surpreenderia. E não desapon-
tou. Eis aqui, o que eu tenho para te dizer, meu amor.

Começamos juntos nossa caminhada. Mas de tão apressurado, em


certos momentos, os passos andaram descompassados. Outrora
minha culpa, outrora sua. É natural. São duas personalidades tão
genuínas em processo de fusão, juntos, mas em corpos diferentes.
Cada um seguindo a própria linha de pensamento, absorvendo
algumas das principais qualidades do outro, corrigindo os ínfimos
defeitos e evoluindo. Durante esse processo de evolução - declara-
damente conturbado e necessário em algumas ocasiões - é impres-
cindível saber viver. É essencial sabermos lidar com essas adversi-
dades e não esquecer o quão extraordinário é sentir o coração
pulsar desesperadamente ao ouvir o som da sua respiração.

Isso é mágico. Isso é puramente amor. É um tal milagre encontrar,


nesse infinito labirinto de desenganos amorosos, o ser verdadeiramen-
te amado* e, nesse universo inumerável, eu encontrei você, meu
amor. Você me encontrou e juntos nós iremos sonhar, viver e
conquistar.

07
Eu te amo como minha melhor amiga e, principalmente, como uma
deslumbrante amante. Amo seu apaixonante sorriso de dentinhos
pontiagudos, os seus hipnotizadores olhos castanhos-brilhantes e
o seu cheirinho, sempre gostoso. Amo a sua naturalidade e o seu
jeito espontâneo de ser. Amo suas ideias, seus ideais e seus sonhos.
Amo além do amor. O que eu sinto por você é indescritível. O que eu
sinto por você não tem fim.

Do seu namorado, quase sempre adiantado.

*Trecho de O amor por entre o verde de Vinicius de Moraes.


EU SÓ QUERIA ESTAR ALI.

Amassados num sofá cor de café, eu a envolvia por entre meus


braços com um forte abraço, admirando seu lindo sorriso e, em tom
de brincadeira, sussurrava baixinho:

- Quero você toda pra mim.

E eu só queria estar ali, sempre ao lado dela.

A gente só queria um amor, mas por culpa do destino, acaso ou do


vento, o barco tomou outro rumo, perdeu o sentido e desaguou.

O tempo foi passando e, sem perceber, acomodamos. Caímos na


rotina, entramos numa bolha, perdemos a individualidade e
ficamos dependentes. Era uma tragédia anunciada, afinal, o casal
que antes gastava horas planejando viagens, agora brigava cons-
tantemente. Diariamente.

Sem perspectivas, faltava por um ponto final nessa história. Faltava


coragem.

Até que, um dia, falamos o que não devia nunca ser dito por
ninguém e, em seguida, abaixei apressadamente, quase insuficien-
te, para desviar de um vaso de flores enfurecido. Era um arranjo de
tulipas amarelas que cruzara rente ao meu rosto estarrecido, atin-
gindo uma inflexível parede branca, despedaçando-se feito um
coração de Lego.

08
Respondi com um sorriso ingênuo, imaginando como seria se eu a
tivesse presenteado com uma bola de boliche ou, quem sabe, um
piano. Ela ficou ainda mais irritada, quase surtou. Respirou fundo
enquanto calçava as sapatilhas tamanho trinta e seis, levantou-se,
enfiou na bolsa nossos planos e partiu sem pronunciar nem ao
menos uma palavra.

Partiu e nunca mais voltou.

O romance, outrora infinito, acabou.


esquece tudo o que aconteceu
e vai ser feliz.
Não conseguia mais sorrir, então, abastecia sua ausência com infin-
dáveis goles de cerveja, vodca ou qualquer outra bebida alcoólica.
Não conseguia mais dormir, então, ocupei o tempo com filmes,
séries ou qualquer coisa que roubasse minha atenção. Gastei toda
uma caneta tinteira preenchendo o vazio com versos desconexos de
lamentos.

Largado naquele mesmo sofá cor de café entendi que às vezes,


somos passageiros e que são poucos os romances “felizes para
sempre”, também percebi que durante aquele relacionamento
esqueci de cuidar um pouco de mim, deixei de evoluir e aí, desapa-
reci.

Descobri que não há posses no amor e que amar é ceder e exceder.


E, de tanto entender, perceber, descobrir e aprender, fui desapegan-
do, me libertando e, principalmente, amadurecendo. Abandonei
tudo aquilo o que me prendia, desafiei a gravidade, saltei daquele
acolhedor assento estofado e segui aquele velho conselho que diz:

“Esquece tudo o que aconteceu e vai ser feliz.”

Mas, não foi assim tão fácil.

Depois de algumas desilusões, a gente dá um tempo. Se afasta de


possíveis relacionamentos e cadencia o ritmo dos batimentos. Ora
suspiramos aliviados pela ausência de pressão e responsabilidade
de uma relação, ora enlouquecemos por causa da falta que um
abraço apaixonado faz.

09
A solidão dói e encarar a vida sozinha não é pra todo mundo. Às
vezes o seu mundo desmorona e tudo o que você deseja é o colo de
alguém para desabafar sobre o seu fatídico dia, compartilhar suas
conquistas ou, simplesmente, ganhar um cafuné.

Calma, aos poucos, tudo se ajeita. – Respirei.

Enrijeci os sentimentos, me afugentei por um tempo. Tranquilo,


pois sabia que era só uma fase. Era minha alma querendo se recom-
por e que dentro do meu peito ainda havia muito amor. Sem me
preocupar, afinal.

Antes de dar certo, vai dar errado.


se tu soubesses
quão forte é tua resiliência,
não sentiria medo
dessa tempestade passageira.
SEGUNDA PARTE
o amor
simplesmente acontece.
Quem já teve a sorte de fazer morada em outra alma, não se satisfaz
com um relacionamento qualquer.

Sorte, sim, pois hoje nada mais é feito para durar.

Desde pequenos somos incentivados a conquistar, consumir e


descartar. A rotatividade, nossa necessidade de novidade e a abun-
dância de opções nos transformaram em mestres na arte do desape-
go. Chega a ser instintivo ou, então, mecânico.

Sei lá. Às vezes somos tão egoístas por desejar incondicionalmente


a posse de outro corpo para suprir nossos desejos, nossa carência.
Agimos por impulso e deixamos pelo caminho corações estilhaça-
dos.

Estamos todos sofrendo em demasia. Sedentos por amor, alimenta-


mos uma ansiedade permanente. Queremos pertencer e, ao mesmo
tempo, ter. Alguém para conectar nossos sentimentos mais puros e,
talvez, seja esse nosso grande erro: procurar um amor.
Amor não é objeto. Pessoas não são objetos. Talvez devêssemos
parar de descartar o que não deveria ser descartado e aprender a
valorizar quem está ao nosso lado.

E quanto ao amor? Esquece.


O amor, simplesmente, acontece.

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GERAÇÃO DOS RELACIONAMENTOS
DE PASSAGEM.
Desculpa despejar essas verdades um tanto quanto ácidas. Talvez
você queira ler algo mais leve e romântico ou, então, um simples
afago, ao invés disso, sentirá uma carinhosa pancada no estômago
ao ler os próximos capítulos.

Encontrar alguém capaz de suprir nossas necessidades físicas ou


carência momentânea é tão fácil quanto fazer pipoca de micro-on-
das, basta deslizar o dedo sobre a tela do smartphone. Encontrar
alguém realmente interessante nesse mercado de pessoas se
vendendo igual gado é raro. É tudo tão raso.

A tecnologia veio para confundir o amor.

Aprendemos sobre amor ouvindo histórias antigas, por meio de


livros fictícios ou atuações dissimuladas num estúdio de
Hollywood. Conjugamos pouco o verbo amar. Ao invés de valorizar
os pequenos detalhes, caçamos pequenos defeitos e, assim, colecio-
namos apenas relacionamentos de pele e de pelo.

Culpamos o signo, o destino, até mesmo o vento.

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Desculpa, mas a culpa é sua. O seu coração não vai acelerar enquan-
to você cogitar voltar para um ex que te fez sofrer, continuar inven-
tando justificativas clichês para não sair com alguém que mexeu
com você – saiba que “não tenho tempo” só é desculpa pra quem já
morreu.

Menina, esse texto em forma dum leve soco no estômago não é para
te machucar. É para você acordar e entender que enquanto não
souber identificar e priorizar aquela pessoa que pode fazer a
diferença em sua vida o sentimento vai desbotando.

Até desaparecer.
respira, menina.

Lembra quando era criança e sua mãe, sua tia e até mesmo a vizinha
dizia que aos vinte e poucos anos você estaria num relacionamento
semelhante ao de um conto de fada ou, então, quando era adoles-
cente e na sua escola diziam que aos vinte e poucos anos você esta-
ria trabalhando no seu emprego dos sonhos? Esqueça tudo isso.
Não se sinta culpada por não saber o que fazer da vida, tampouco
por não estar apaixonada.

Relaxa, menina.

É normal comparar sua atual situação com as conquistas de amigos


e conhecidos da mesma idade, sentir que está estagnada e entrar
em colapso. É normal traçar planos surreais para um futuro próxi-
mo e chegar lá sem ter cumprido metade dos objetivos. As pessoas
mais brilhantes e felizes que conheço compartilham apenas vitó-
rias, vendem imagens, alimentam personagens, mas também estão
embriagas com doses de medo e ressacadas por conta das decep-
ções.

Não seja severa demais com você.

Às vezes você estará por cima, às vezes por baixo, não desista,
apenas siga. Acorde cedo, abuse do café, vista o seu melhor sorriso
e daqui vinte e poucos anos você estará contemplando suas fotos e
perceberá o quanto você é feliz hoje em dia e nem desconfia.

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sossega esse coração.

Ah, menina.. Se tu soubesses o tanto que tua alma brilha e ilumina


as pessoas ao seu redor, não perderia um só dia sem sorrir. É.. Se
você enxergasse o quanto teu sorriso cativa e contagia, não gastaria
uma lágrima sequer.

Sossega esse coração, respira.

Eu juro pra ti que o tempo vai curar sua ferida, por ora, deixa de lado
toda essa melancolia e aproveite a brisa leve do dia. Não fuja, não.
Se acalme com minhas palavras, desabe num ombro e encontre
forças dentro de um abraço.

Tá tudo bem, não estar tudo bem.

Não se desespere. Controla tua ansiedade, fecha os olhos e cadencie


sua respiração. Tá sentindo o ar entrando e saindo do seu pulmão?
Acalma a alma. Esquece essa pressão exagerada e viva sem pressa –
cada um tem seu tempo.

Ah, menina.. Se tu soubesses a força da tua resiliência, não sentiria


medo dessa tempestade passageira. É.. Se você enxergasse o quanto
é capaz de se adaptar e se reinventar, dormiria mais tranquila.

Sossega esse coração, respira.

Você é (muito) mais forte do que imagina.

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CALMA, MENINA.

Às vezes, é notável o desespero de muitas pessoas.

São milhares delas procurando por algo intangível, incolor e inodo-


ro. Sonhando em ser o personagem principal no final – sempre –
feliz de uma novela.

Às vezes, é compreensível o desespero dessas pessoas.

Esse pega-pega parece não ter fim. É uma perseguição igual Tom e
Jerry ou Coiote e Papa-Léguas e, enquanto houver essa caça vasca,
haverá insucesso. Nós, definitivamente, somos incapazes de
controlar o tempo, o destino e outras pessoas.

A vida possui um curso e precisamos segui-lo numa espécie de


fluxo natural. De nada adianta remar contra. Apenas siga e, o mais
importante, aproveite durante o aprendizado.

Torne-se interessante, seja sua melhor versão, e se nada der certo


por ora, deixa pra lá, deixa o mundo o girar. Sem pressa. Felicidade
é um estado de perfeita satisfação íntima. Seja feliz por dentro, por
fora.

Seja feliz.

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. A gente
quer ter voz ativa e no nosso destino mandar, mas eis que chega a
roda-viva e carrega o destino pra lá” – Chico Buarque.

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VAI DAR CERTO.

Ouça minha voz sussurrando – ao pé do teu ouvido – um caricioso


“bom dia”. Acorda, menina. É hora de espreguiçar o corpo feito uma
gata de armazém, enxaguar teu amarrotado rosto e tomar uma
xícara de expresso para depois se expressar.

Por mais que teu belo sorriso disfarce com habilidade, teu olhar
inseguro entrega o medo que você carrega aí dentro. E, olha, é
normal não estar tudo bem. Somos nós que escrevemos nosso rotei-
ro, mas nem sempre estamos no comando.

Não se cobre tanto.

Nem ouse comparar tua situação atual com a dos outros. O que está
exposto nas redes sociais são imagens vendidas – cheias de filtros e
ilusões. Ninguém é feliz, assim, o tempo inteiro. Ninguém é tão
perfeito. Pode errar, sim. Você não é uma máquina.
Não se sinta culpada por tudo.

Tampouco aceite que joguem sobre teus ombros o peso do mundo.


Ignore os embustes tentando sabotar tua felicidade. Poupe-se do
estresse. Inspira, respira, conta até dez, ou até vinte. Siga teu rotei-
ro rascunhado, mete o pé e vai com fé.

Já dizia o poeta.

“Vai dar certo, mas eu estou


aqui, mesmo que tudo dê errado.”

15
SER FELIZ DÁ UM MEDO...

Muitos conselhos serão despejados sobre o que você deve fazer,


como agir e até mesmo o que (e por quem) sentir. Posso te dar o
meu? Cubra os ouvidos e não deixe ninguém (ninguém!) opinar
sobre sua vida, julgar suas atitudes ou, então, decidir quando
chegou a sua hora de se apaixonar.

Respeita teu tempo, vai no teu ritmo.

Às vezes, precisamos de ausência. É quando nos afastamos das


pessoas e dos problemas para respirar, planejar e se recompor. Às
vezes, a piscina é rasa demais.

Não é o fim do mundo.

A queda machuca, a saudade sufoca e a solidão parece rasgar o


peito por dentro. Mas, não é o fim do mundo e eu espero, de cora-
ção, que você não implore por atenção ou, sei lá, tampe a carência
com alguém qualquer.

Respeita teu tempo, vai no teu ritmo.

Leia um livro novo ou faça aquele balde de pipoca amanteigada e


assista sua série favorita. Sei lá. Só não desista não, tá? Recomeçar
é cansativo, por vezes, doloroso. Você precisa sair da zona de
conforto e se der medo, vai assim mesmo, vai pra luta.

Ser feliz dá um medo filho da puta.

16
todo mundo tem
uma fase meio trouxa.
Daquelas que todo mundo vê, exceto nós mesmos. É como se
entrássemos numa bolha, ignorássemos o erro – mesmo tão óbvio –
e olhássemos para o futuro sem perceber a cegueira momentânea.
Esse período delicado e conturbado, para uns é curto, para outros
uma eternidade. E nenhum conselho é válido.

A gente escolhe a pessoa errada e, mesmo assim, se joga. Pula de


cabeça numa piscina vazia. Confundimos amor com vontade de
amar. Confundimos amor com vontade de transar. Insistimos num
sentimento que não é recíproco e, por fim, percebemos que joga-
mos fora o que temos de mais precioso na vida.

O tempo.

Quando finalmente conseguimos fugir desse desastre emocional,


levamos cicatrizes invisíveis, um aprendizado ímpar e seguimos
para outro grande desafio: amadurecer sem petrificar o coração. Só
cabe a nós mesmo ter fé e coragem.

Respirar e acreditar de – peito aberto – num trecho de Machado de


Assis.

“Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo, os


homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair
e se machucar. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado
com elas, quando na verdade, eles estão errados. Elas têm que esperar
um pouco para o homem certo chegar.

Aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.”

17
TODO MUNDO QUER
VIVER UM ROMANCE.
Sabe aquela cansativa história sobre ele não pensar em se apaixo-
nar, ser festeiro e só querer sexo sem compromisso? Então, esquece
isso. Ninguém precisa “pensar em se apaixonar”.

O amor simplesmente chega e resolve ficar. Festeiro todos somos e


assim seremos. Juntos. Seja na balada, num churrasco com os
amigos ou entre quatro paredes. E transar é bom, claro, mas fazer
amor é.. ah.. amor é foda!

Talvez ele não tenha encontrado a pessoa certa, talvez tenha medo
de se envolver por causa dos antigos relacionamentos fracassados
(embora o próximo não deveria ter culpa do anterior), talvez seja
covarde para assumir esse mulherão que você é, talvez ele seja
imaturo ou apenas um cafajeste roubando o seu tempo.

Nós, homens, também somos complicados – não tanto quanto


vocês, é claro. Mas, ainda assim, complexos. Não pensamos apenas
em sexo, bacon, cerveja e futebol. Somos sentimentais e muitas
vezes não sabemos expressar isso, inseguros apesar de demonstrar
confiança e, no meio de tanta incerteza, deixa eu contar uma coisa
pra vocês.

Todo mundo quer viver um romance.

18
Enviar mensagens espontâneas a todo momento contando sobre
seu dia ou, então, que viu alguém tropeçar na calçada. Mandar foto
do almoço, do rosto e até mesmo do corpo. Compartilhar uma
música que está ouvindo, marcar em vídeos bestas do Facebook.

Sentir pequenas pontadas de ciúmes, contar os dias pra te ver,


passar a noite comendo gordices e conversando, assistir séries,
fazer amor, adormecer, acordar segunda-feira com seu cheiro na
cama. E já morrer de saudades.
TODA MULHER PRECISA
SER AMADA.
Tão gostoso assistir você acordando pela manhã com o cabelo
bagunçado, ouvir dos seus lábios um “bom dia” apaixonado, segui-
do por um sorriso embargado – você vira de lado, vestindo apenas
minha camiseta e uma calcinha, deseja mais cinco minutinhos na
cama e cochila.

O amor desperta.

Tão saboroso beijar sua pele, apreciar seu gosto, observar seus
pelos arrepiando aos poucos, meu abraço aquecendo seu corpo, o
seu perfume misturado ao meu – você me olha nos olhos, baixando
a guarda, despindo sua alma, beijando minha boca, gemendo baixi-
nho, pedindo mais.

Amar liberta.

E me interessa esse lado seu – que quase ninguém conheceu. Livre


de incertezas, transbordando liberdade. Vivendo um amor profun-
do, sem medo de se apaixonar, sabendo que viver é se entregar e
que, reciprocidade, é sinônimo de amar.

Toda mulher precisa ser amada.

O amor desperta uma luz que vem de dentro, amar liberta uma
energia deliciosa. Tão cativante ver um sorriso bobo estampando
em seu rosto, tão apaixonante sentir sua alma nua, pura, despida
por outra apaixonada.

Toda mulher merece ser amada. Todos os dias.

19
FOI ELE QUEM PERDEU.

Menina.

Não questione nunca sua beleza, muito menos sua inteligência.


Nem ouse chorar, pois foi ele o incapaz de enxergar o brilho em sua
alma, captar seus traços de loucura e fazer parte dessa linda bagun-
ça.

Tampouco sinta-se culpada, pois foi ele que não soube lidar com
sua forte personalidade, seus momentos de intensidade, mergulhar
na tempestade de sentimentos e desperdiçou esse amor que trans-
borda em seu peito.

Não corra atrás, toma cuidado para não se humilhar e encha a cara
de amor próprio. Por maior que seja sua vontade de ter um amor de
verdade, vá devagar, sem se preocupar, sem se atirar. Deixa ser,
como será.

Menina.

Não fique triste se, aos poucos, ele for se afastando e o relaciona-
mento desbotando. Tá tudo bem. É normal a energia, aos poucos,
diminuir até desaparecer. E se ele simplesmente sumir ou, então,
dizer “adeus”, sorria.

Pois foi ele quem perdeu.

20
você merece alguém.

Que transforme seus pensamentos numa enorme e gostosa confu-


são, que traga caos e, ao menos tempo, paz para o seu coração. Que
estremeça suas pernas com sussurros ao pé do ouvido, acalme sua
alma com um aconchegante abraço, furte seus beijos tão gostosos,
arranque seus sorrisos mais sinceros, saiba ler suas entrelinhas e
colorir os seus dias.

Você merece alguém.

Que faça você querer compartilhar seus planos, dividir seus segre-
dos trancafiados, aqueça seus pequenos pés gelados em noites
glaciais, invada seus sonhos reais e surreais, que cuide com cuidado
da sua felicidade e ame cada pedacinho seu, principalmente seus
defeitos.

Mas, antes você precisa se encontrar.

Lembrar das coisas boas do ontem para entender o hoje, sincronizar


o corpo e a mente, colocar o seu coração em primeiro lugar. Não
esqueça os relacionamentos fracassados, aprenda com eles.

Cresça, amadureça. Desfaça dos dramas, acredite em romances. Dá


tempo, vale a pena. Nesse mundo tão covarde, feliz é quem se
entrega e pula de cabeça. Arrisque, não tenha medo. Se joga!

Você merece alguém que a ame de todo coração, mas antes você
precisa se apaixonar.

Por você mesma.

21
apaixone-se por si mesma.

Comece o dia apaixonada, se espreguice com um prazeroso gemido,


aproveite aquela camiseta larga e, também, sua calcinha mais
confortável. Abandone sua cama quentinha, enxague essa cara
amassada, vista seu melhor sorriso e sorria para o espelho.

Pegue seu celular com a tela agredida, abra suas redes sociais,
responda mensagens sinceras, ignore outras invasivas, desfrute o
café da manhã – tranquilamente – devore o pão com manteiga,
engula seu coração.

E se ame por dentro.

Não tenha medo de sair por aí, se isolar, todo mundo precisa de um
tempo sozinha. Isso não é egoísmo. Você precisa renovar as ener-
gias, arquitetar sua alma. Reaprender a ser você, se reconhecer e se
encontrar.

Trata de ser feliz.

Vá atrás do que te dá prazer e foda-se o que os outros vão dizer.


Julgamentos sempre vão existir. Viaje sozinha, pelo mundo, pelos
seus pensamentos, dentro de você mesma, mas volte sabendo se
colocar em primeiro lugar.

É preciso ser inteira pra depois se completar.

22
se apaixone por alguém.

Que valorize sua singularidade e respeite sua liberdade. Que esteja


disposto a tentar te entender, captar sua loucura e amar sua perso-
nalidade. Que te ensine coisas novas, te ajude a crescer, amadure-
cer, elogie suas qualidades e faça de você prioridade.

Se apaixone, sim.

Não tenha medo de sentir, mas não saia por aí caçando um romance
em qualquer boca, em qualquer cama. Não procure se apaixonar,
mas também não construa uma barreira invisível afastando quem
deseja se aproximar.

Repito: se apaixone primeiro por você.

Vai dar uma volta no shopping desacompanhada, ver um bom filme,


jantar, beber uma taça ou, sei lá, uma garrafa de um vinho gostoso.
Saiba apreciar sua própria companhia, seja feliz sozinha e só depois
acrescente alguém para somar.

Se apaixone por quem sabe o que quer.

Que esta esteja disposto a se apaixonar e preparado pra se relacio-


nar. Não desperdice seu tempo com relacionamentos mais ou
menos. Aceite somente se for intenso, verdadeiro e recíproco.

Se apaixone por quem ama estar ao seu lado.

Te queira.
E queira ficar.

23
NÃO ACEITE MIGALHAS.

E, aqui, observando tão longe sinto que você não percebe – ou então
não liga – para os tantos olhares admirados que acompanham seus
passos, tampouco se interessa por curtidas vazias. Talvez seja o
caso de estar focada em crescer e amadurecer ao invés de alimentar
o próprio ego.

Mas, olha, eu queria desabafar em um pedaço de papel qualquer e –


de alguma forma – eternizar tua incrível energia com palavras,
apenas para te mostrar que, se de um lado você é luta, força e cora-
gem do outro é alegria, poesia e beldade.

O seu coração é gigante.

E a tua capacidade de amar é... apaixonante.

Presenciado por poucos, um espetáculo para os raros, afinal,


poucos são capazes de ler as linhas do teu sorriso, tocar teu corpo,
arrepiar tua alma e, é exatamente por isso, que eu te peço, imploro
e até mesmo suplico.

Não aceite migalhas.

Tua vontade não será saciada por bocas erradas.

Queira alguém que ame conversar, compartilhar e deseje sua com-


panhia. Que possa confiar e desabafar sobre seu dia. Queira alguém
com quem você possa contar e aí, então, retribua com toda tua
capacidade de amar.

24
NÃO tenha medo de sentir.

Posso te contar um segredo?

Neste exato momento alguém está pensando em você. Talvez você


não saiba ou, então, não tenha percebido, mas existem muitos
homens atrás de você. Alguns cativados pela energia que o seu
sorriso transmite, outros seduzidos pela sua insanidade e, claro,
também tem aqueles que só querem te comer.

É vivendo – e às vezes se fodendo – que você aprende a selecionar


melhor com quem se relacionar. Com o tempo você aprende a filtrar
e separar quem vale a pena ou não. Aos poucos e sem perceber você
vai amadurecendo emocionalmente, mas toma cuidado, tá?

Não deixe seus sentimentos enrijecerem.


Acrescente fé ao café da manhã, regue sua alma com esperança.
Não, eu não quero que você crie expectativas desconexas, tampou-
co acredite que um príncipe encantado surgirá na porta da sua casa
num nobre alazão branco. Apenas que construa pontes, ao invés de
muros invisíveis.

O amor, por vezes, é cruel.

25
Antes de dar certo, vai dar errado algumas (ou muitas) vezes, mas
um dia vai dar certo. Esteja preparada e saiba reconhecer o amor
nas estrelinhas de uma conversa, nas pequenas gentilezas do
cotidiano, no olhar acanhado que encobre um sentimento apaixo-
nado.

Se você quiser um romance com doses de loucura, gargalhadas


descontroladas, dividir o pote de pipoca amanteigada, jantares
românticos ou um sofá com várias gordices, acordar os vizinhos
com gemidos e dormir colada em outra pessoa apaixonada, siga
esse conselho.

Não tenha medo de sentir.


AMAR NÃO É PARA OS FRACOS.

Era o início da madrugada de uma quarta-feira qualquer quando


esbarrei com essa frase. Foram os primeiros minutos dos meus 27
anos. Jogado no sofá assistindo um bom filme, acompanhado por
algumas cervejas geladas.

Naquele momento percebi que, apesar de ter um coração caloroso,


eu podia contar nos dedos de uma só mão quantas vezes eu já disse
“eu te amo”.

São tantos desencontros e poucos encontros. São tantos lábios e


sorrisos, tantos corpos, tão poucos romances. Que vai além do frio
na barriga. Conecta a alma, arrebata, te faz balbuciar. Que vai além
da química. Bestializa.

Amar não é para os fracos.

“É pros que aguentam a sobrecarga psíquica” dizia Bukowski. É pros


que tem coragem. É pros sonhadores. É, sem dúvidas, o sentimento
mais gostoso.

Se afogar num abraço, sentir o coração agitado e, ao mesmo tempo,


mais calmo. Lembrar dela várias vezes num dia, querer conversar
continuamente, compartilhar conquistas e bobeiras, sentir que isso
tudo é tão recíproco.

O amor é tão raro.

Se o amor te escolher, retribua.

26
MANDA TEXTÃO, SIM.

Li por aí que o “talvez” é a pior das prisões, por isso, eu insisto: não
tenha medo de arriscar. Amanhã pode ser tarde. Ame agora, fale
agora, abrace agora e faça valer a pena cada verso daquela canção
sobre acreditar.

Não se preocupe com rejeições.

Responda no ato, sem joguinhos sentimentais – isso não funciona


mais. Não procure desculpas pra recusar convites, também não
tenha medo de convidar. Para de curtir as fotos dele, vai lá fora e
chama logo ele pra tomar uma cerveja ou, quem sabe, assistir um
filme.

Demonstra.

Escreva uma mensagem de “bom dia” enquanto você ainda está


embriagada de sono. Marca ele naquele post do Facebook que te
arrancou uma gargalhada. Mostra uma foto do lanche que quase
não cabe nas suas mãos, mas você fará caber no seu estômago.

Demonstra, sim.

27
Manda textão, ou então, quando não puder (ou quiser) digitar que
seja áudio. Longos e eternos áudios sobre seu dia ou, talvez, sobre a
vida. Ah! E antes de dormir, diz que você tá com saudades.

Não tenha medo.

Se não for recíproco, tá tudo bem, aí você desencana e desapega.


Mas tenta! Se for pra errar que seja por gostar demais. Se houver
sincronia – tão raro hoje em dia – aí você fica. Mas fica já! Ame
agora, fale agora, abrace agora e se joga.

Eu juro que afeto e paz não vão te faltar.


GOSTO DE QUEM DEMONSTRA.

Seja com uma simples mensagem de texto. Um “bom dia” entorpe-


cida por cafeína. Daquelas capazes de colorir um céu nublado ou,
então, com um sorriso verdadeiro que vem de dentro do peito. Da
alma. Transborda boa energia e contagia.

Gosto de gente que sorri.

Com os olhos. Com paixão. Feito uma menina que enxerga o mundo
como se fosse a primeira vez. Interessada e interessante, quer
conversar sempre. Responde na hora, sem joguinhos sentimentais.
Carrega nos lábios uma conversa tão gostosa que é gostoso ficar
perto. Até mesmo em silêncio.

Gosto de gente que abraça.

Forte. Cheio de intensidade. Tão cheio que desborda. Faz chover.


Quase me afoga por entre seus braços. Completa. Me completa. É
única, inteira. Não respeita padrão, desdenha das regras, ignora
medidas.

Gosto de gente que enlouquece.

E grita. Feliz ou enfurecida. Reclama, declama, ama. É forte quando


fere sua pele, chora quando atinge o coração. Tira o sol pra dançar.
Dança descalça. De salto. Até o pé doer. Que perca o juízo, extravase
amor, conheça minha insanidade.

E decida ficar.

28
O MUNDO É DAS
PESSOAS INTENSAS.
Durante nossa caminhada a gente passa por tantas tempestades,
encara diversas adversidades, encontra muita gente rasa e – com o
tempo – enrijecemos os sentimentos. Acostumamos com o “mais
ou menos”.

Não seja tão pouco.

Continue, assim, com o coração saindo pela boca. Enxergando cores


até mesmo onde é acinzentado, observando os detalhes, valorizan-
do os pequenos gestos, apreciando atitudes. Se emocionando e
sentindo muito.

O mundo é das pessoas intensas.

Sei o quanto é difícil não criar expectativas surrealistas, suportar


crises de ansiedade e encarar uma realidade nem sempre prazerosa.
É preciso muita força interna para não se tornar gelada. Mas, não
desista, tá?

Não tenha medo de demonstrar.

Continue, assim, no seu ritmo. Com personalidade, autenticidade,


sensível e transbordando amor. Sem essa de mudar para agradar os
outros. Calma! Pessoas vão chegar, vão partir, vão ficar – e você vai
encontrar.

Alguém a fim de te acompanhar.

29
eu sinto muito.

Sinto muito se eu não soube demonstrar com atitudes o quão acele-


rado meu coração ficou ao sentir o seu abraço, ou então, por não
saber expressar com palavras o quanto é gostosa a sua voz embar-
gada – pelo sono da manhã – me desejando “bom dia”.

É que, às vezes, eu sinto em silêncio.

Tão raro encontrar alguém verdadeira e profunda num oceano de


pessoas tão rasas – que assusta. Mas, não desiste de mim, não. Sou
uma longa história em construção. Aos poucos eu vou crescendo e
amadurecendo.

E, com o tempo, desconstruindo o conceito que a sociedade empur-


rou goela abaixo: mulher não pode beber, não pode transar, não
pode engordar e precisa – obrigatoriamente – se dedicar ao marido,
aos filhos, a cozinha e a casa.

Eu sinto sua liberdade. E por mais que ainda cause insegurança


dentro de mim, eu a amo. Invista na sua independência, deixe seu
espírito livre. Sonhe muito, voe alto! E saiba que estarei ao seu lado
– ou mesmo distante – comemorando suas conquistas.

Não desejo apenas tirar sua roupa. Relacionamentos de pele e de


pelo não saciam meus anseios e desejos. Eu quero captar seus
traços de loucura, perder o juízo, embaralhar seus sentidos, roubar
suas mais sinceras risadas e mesclar nossas almas.

Eu sinto muito.

30
você encontrará alguém
que vai se embaralhar
com teu charme,
capturar tua insanidade
e amar tua loucura.
terceira PARTE
VOCÊ VEM OU NÃO?

Sonhei contigo sem ao menos saber quem você é.

Lembro apenas de alguns flashes, uma silhueta – meio pera, meio


ampulheta – e um sorriso contagiante. Confesso ter ficado um
tanto quanto bagunçado pensando quem era você ou onde estaria,
mas desencanei logo em seguida. Descobrir o verdadeiro sentido
das coisas é querer saber demais, então, por mais que eu queira te
encontrar e mergulhar, não irei procurar, tampouco apressar.

Mas, você vem ou não?

Confesso já ter feito alguns planos e estou esperando você chegar


para fazermos muito mais. Vem logo. Vem cuidar de mim e deixe
que eu cuide de você. Vamos ver um seriado, ir num bar tomar
cerveja, ouvir música alta, inventar bobagens e morrer de rir.

O amor está na simplicidade.

Eu não quero que você seja perfeita, não mesmo. Quero que você
seja errada, atrapalhada, colecione hematomas, distribua sorrisos,
ame a liberdade, tenha personalidade, fale alto, fale demais, seja
suave, intensa, seja forte, chore, seja você.

31
Prometo gostar de você exatamente do jeito que você é.

Por ora, continuo reunindo os amigos, viajando sozinho, pressen-


tindo que alguém vai chegar como quem não quer nada e somar, aí,
então, demonstrarei com olhares e atitudes que eu quero ficar e
direi ao mundo, de peito aberto, sem gaguejar.

Eu encontrei o meu bem.


QUE A SUA LOUCURA
SE PAREÇA COM A MINHA.
Talvez você esteja por aí gastando saliva com outras pessoas,
dormindo igual uma gata de armazém, focada nos estudos ou,
então, presa num escritório gelado atrás de um computador.

Sei lá.

Talvez eu te encontre lendo jornal na fila do pão, numa mesa de um


boteco qualquer, curtindo suas fotos antigas no Instagram ou,
então, eu já tenha tocado seus lábios, roubado amassos.

Quem sabe?

Vamos seguindo sonhando acordado e acordando cedo. Lavando o


rosto, encarando a vida e vivendo. Enquanto você evolui aí, do
outro lado, estou aqui. Crescendo, aprendendo e amadurecendo.

Aliás. Não sou nenhum príncipe encantado, não. Longe disso! E


espero que você não seja nenhuma princesa. É pra virar shot de
cachaça, sim! Sem vergonha de subir na mesa. É pra comer igual
uma viking, sim! Sem vergonha de roubar o último pedaço de pizza.

É. Talvez eu seja um tanto quanto louco em acreditar num romance


em pleno século da putaria. Mas, quer saber? Espero que você seja
louca também pra química acontecer e, pro amor transbordar,
espero.

Que a sua loucura se pareça com a minha.

32
NÃO QUERO UM RELACIONAMENTO
MAIS OU MENOS.
Era final de uma sexta-feira qualquer e eu estava em casa, exausto,
reformando meu quarto acompanhado apenas por uma pizza intei-
ra quando recebi uma mensagem de uma amiga.

– Taffa, eu não sei porque você não tem uma namorada. Você é
bonito e elegante.

Esse elogio, a princípio, fez com que eu questionasse a sobriedade e


a sanidade dela, mas sem hesitar, respondi.

– É que não quero um relacionamento mais ou menos.


Quem já viveu um grande amor, não se contenta com nada abaixo
disso. Não faz sentido querer namorar só por causa que ela é linda,
por empatia, pra ter companhia ou seja lá o que for.

Não entendo essa necessidade que as pessoas sentem em se apegar.

Uma boa companhia é sensacional. Sei como é gostoso dividir um


balde de pipoca enquanto assiste Netflix ou uma breja gelada ao
compartilhar sorrisos, beijos, medos e segredos. Dormir abraçado e
acordar com um “bom dia” apaixonado.

Mas, antes, é preciso se amar.

33
Ao invés de sair por aí procurando um romance ou, então, forçando
paixões, desencana. Sem apressar. O acaso surpreende. O destino
também. Não crie expectativas. Cresça intelectualmente, espiritu-
almente e emocionalmente.

Seja feliz sozinha, depois compartilhe.

Ah! E quanto a mim?

Eu acredito no amor e quero, sim, me apaixonar. Mas só quando for


aquela paixão, sabe? Sentir uma química inexplicável que transcen-
de o corpo, a alma.

Preencher o estômago com borboletas e a cabeça com sonhos.


Sentir o coração acelerar, saltar do peito, tropeçar, quase cair. Sorrir
à toa, sair de órbita, viajar. É isso.

Eu quero exatamente isso.


UM AMOR LEVE.

Daqueles que preenchem meu estômago com borboletas inquietas


enquanto aguardo dentro do carro você, lentamente, se vestir. E
transformam as batidas do meu coração numa bateria de escola de
samba descompassada quando vejo você, lentamente, sair pela
porta em direção aos meus braços.

Quero um amor recíproco.


Daqueles que me faça sentir um tanto quanto patético onde eu
possa extravasar o romantismo atravessando a cidade guiado pelo
meu coração apenas para te entregar chocolates, um beijo de boa
noite e observar seus lábios se transformando num lindo sorriso
apaixonado.

Quero um amor intenso.

Daqueles cheios de cores, profundo e impetuoso, que arrancam


pedaços, provocam suspiros. Transpiram as mãos geladas, amole-
cem as pernas inquietas, aquecem os corpos despidos, deixam
marcas na alma e que, às vezes, diminui o ritmo, cadencia, e troca o
bar agitado com os amigos por uma noite tranquila de cama com
muito cafuné.

34
Quero um romance, não um drama.

Daqueles que não foram feitos para acabar, que me permita sonhar.
Que desafie meus sentidos e me faça mergulhar em você. Que são
baseados em confiança, apesar das pequenas doses inevitáveis de
ciúmes. Que a gente viaje pelo mundo, misture nossos mundos. Que
a gente saiba conversar, respeitar e, principalmente, evoluir.

Quero um amor leve,


que me leve.
QUERO VOCÊ SOLTEIRA.

Quando eu disser um sincero “eu te amo” durante os próximos anos


e mesmo após um pedido ajoelhado, sinta-se livre. Eu jamais serei
o seu dono. Saia à noite sozinha, com a família, com suas amigas,
veja um filme ou, sei lá, divirta-se num bar qualquer.

Se estiver alcoolizada, vou aguardar suas mensagens desconexas,


rir dos seus erros de digitação e caso minha resposta demore, não
fique insegura. Apenas seja feliz e saiba que aqui, do outro lado, eu
estarei pensando em você.

Quando eu te buscar, não precisa se preocupar com maquiagem ou


com a roupa que vestirá, você é linda do jeito que é, da cabeça ao pé,
do jeitinho que for. Mas se quiser ser vaidosa, eu vou te esperar, sem
apressar.

Se for o momento certo para conhecer minha família e meus


amigos, eu ficarei animado e ansioso, mas ao mesmo tempo, espero
que não venha ninguém. Aí eu tenho você só pra mim. Roubo o teu
sono, quero o teu tudo e se mais alguém vier não vou notar.

35
Quando estiver bem cansada, ganhará um abraço carinhoso e mil
beijos no pescoço. Se a vontade de tirar a roupa for maior, faremos
amor. Depois, durma ao meu lado ou, então, me faça de travesseiro.

Se a gente discutir por ciúme bobo ou qualquer outro motivo,


prometo ter jogo de cintura e me adaptar sem perder minha essên-
cia. Aprenderemos a amar e ser amado com liberdade, feito um
casal de solteiros, afinal, quero ter uma vida leve ao seu lado.

Quero você solteira, comigo.


relacionamentos
precisam de reciprocidade,
sexo foda e lanches.
QUARTA PARTE
para maiores
OLHOS DE CIGANA.

Teu olhar indecifrável roubava minha atenção. Olhos de cigana


oblíqua e dissimulada, eu dizia. Ela ria. O rosto levemente corado
entregava uma dose de timidez. Disfarçava desviando o olhar e
agitando os cabelos com a mão. Eu contornava teu corpo com meus
braços e pedia.

– Me beija? – Baixinho ao pé do ouvido.

– Beijo. – Sussurrando respondia.

Ela, então, tocava os lábios nos meus. Teu beijo tinha gosto de fruta
mordida. Ah! As leves mordidas… culpadas por brincar com minha
imaginação. De repente eu estava beijando teu pescoço, espalhan-
do meu cheiro e ladroando arrepios por todo seu corpo.

Teu corpo era perfeito, pois era enfeitado com mínimos defeitos. A
pele cuidadosamente pigmentada proporcionava um pantone
único com textura doce e suave. Pintinhas dispersas davam um
charme. Curvas, seios assimétricos, pequenas linhas em formas de
estrias…

Era pura poesia – que poucos são capazes de ler.

Eu sabia, não a compreendia, afinal, ela possuía os melhores atribu-


tos da alma feminina: imprevisível, intensa e louca. Com desejo
arrancava minha roupa e chupava com vontade, apreciando cada
detalhe. Ora devorava, ora era devorada. Nosso suor misturava, os
movimentos sincronizavam, nossos corpos se entrelaçavam.

36
Ouve-se sinceros gemidos.
Dois longos suspiros. Dois espontâneos sorrisos. Depois da tempes-
tade de sentimento, shiu!

Silêncio…

Preenchido com respirações ofegantes e, em seguida, calmaria.


Olhos de cigana oblíqua e dissimulada, eu dizia. Ela ria. Deitava
com a cabeça sobre meu peito, acariciando meu cabelo.

– Me beija? – Baixinho ela pedia.

– Beijo. – Sussurrando eu respondia.

“Olhos de ressaca? Vá, de ressaca.” – Machado de Assis.


SEXO NÃO É SÓ METER.

É apreciar detalhes com meticulosidade. Observar os pelos arre-


piando por todo teu corpo, saborear o gosto, mordiscando tua
orelha, chupando teu pescoço, beijando teus peitos e descendo.
Pela barriga até a virilha. Abrindo tuas pernas mais um pouco –
excedendo química, desafiando a metafísica – dando um jeito de
caber um no outro.

Sexo não é só enfiar.

É devorar o corpo e, dele, fazer morada. Sincronizando movimen-


tos, sintonizando a alma. É respirar fundo, sentir um desejo incon-
trolável e se entregar sem medo. Intenso. Seu corpo excitado, lábios
encharcados, você sussurra “vai”, geme alto, gostoso, pernas
trêmulas, perde o fôlego e, o corpo, envolto de orgasmo.

Sexo não é só foder.

É desbordar suor, transbordar prazer.

37
SOBRE CORPOS QUE
ROUBAM PEDAÇOS.
De longe te observo. Você sentada no outro flanco do bar. Cercada
por amigas. Aprecio moderadamente seus gestos atrapalhados.
Você percebe. Retribui com um sorriso tímido. Isso me desarma.
Rosto corado. Em ambos os lados. Você fita meus olhos admirados.
Eu esqueço completamente das pessoas ao meu lado. Transeuntes
atrapalham minha visão. O álcool correndo por entre as veias
também.

Você desaparece.

Levanto estonteado. Abandono meus amigos. Sigo sem direção.


Atravesso o bar. Esbarro em algumas mulheres. Cruzo com tantas
outras. Nenhuma me interessa. Ninguém me satisfaz. Não sei por
quê. Mas eu quero você. Insisto. Persigo sua energia. Encontro você
sozinha. Compenetrada no celular. Ou apenas disfarçando.

Preencho meu olhar com confiança.

Escondo minha alegria. Disfarço minhas pernas bambas. Enfrento


minha desconfiança. Avanço em sua direção. Te cumprimento. Você
corresponde. A sincronicidade é imediata. Conversamos. Empolga-
mos. Quero morder esse lábio – desejo em silêncio. Pulsações
aceleram. Corações tropeçam. Sem tocar nela. Ela demonstra. Com
os olhos. Que me quer. Ali mesmo. Dentro dela.

Seguro sua mão.

38
Procuramos privacidade. Uma porta fechada. Um tranco. Abriu.
Entramos depressa. Seguimos até uma mesa de sinuca. Vermelha.
Inutilizada. Você senta sobre ela. Agarro sua cintura. Trago seu
corpo rente ao meu. Aproximo sua boca da minha. Encosto meus
lábios nos seus. Beijo seu pescoço com calma. Sinto a temperatura
aumentar. Continuo com suaves mordidas. Você se excita. O corpo
treme. Ensaia gemidos.

O seu cheiro tumultua meus sentidos. A minha atitude desorganiza


os seus.

Você vira. Me olha de lado. Uma leve mordida no lábio. Encaixo em


suas costas. Mordo sua nuca. Você geme baixinho. Minha mão
encontra seus seios. A outra desliza por entre suas pernas. Respira.
O calor alcança minha mão. Enfio mais fundo. Toco em você. Seus
pelos arrepiam. Sua respiração está ofegante. Explodindo de tensão
sexual.

Você é minha.

Agarro seu quadril. Mordo sua orelha. Desço devagar. Beijando seu
peito. Barriga. Fico de joelhos. Aprecio o perfume por entre suas
pernas. Lambidas por entre suas coxas. Tiro sua calcinha preta.
Passo a língua lentamente. Em volta. No clitóris. Encharco minha
boca. Desfruto seu gosto. Geme alto. Pernas tremem. Mãos pressio-
nam meu cabelo. Você quase goza.

Eu levanto.
Seguro sua mão. Conduzo até minha cueca. Você sente o volume.
Respira forte. No meu ouvido. Enfia por dentro dela. Acaricia.
Abaixa. Beija com calma. Chupa com vontade. Socos na porta
desconcentram. Levanta assustada. Ameaça uma fuga desorienta-
da.

Agarro seus pulsos.

Pressiono seu corpo contra a parede. Fica confusa. Assustada. Exci-


tada. Oferece um sorriso malicioso. Completamente nua. Se equili-
bra sobre a ponta dos pés. Palmadas leves. Depois mais fortes.
Aumentam as batidas na porta. Empunho seu cabelo. Puxando-o.
Encaixo. Entro devagar. Depois mais forte. Você geme. Recomeço.
Você grita. Goza. A porta abre.

Rostos corados. Em ambos os lados. Você fita meus olhos admira-


dos. Ignora os intrusos. Recupera o fôlego pós-gozo. Veste sua
calcinha preta. Sobrepõe a roupa. Me beija em silêncio. Vira. Cami-
nha em direção a porta arrombada. Atravessa e desaparece.

Levando marcas na pele e a história de uma foda inesquecível.


fazer amor é foda.

Saí do banho por volta de umas dezoito horas. Era uma quinta-feira,
sem garoa, sem vento, um clima bem ameno. Vesti uma cueca boxer
preta, sobrepus com uma calça jeans escura, depois uma camiseta
básica branca, ajeitei o cabelo com as mãos, borrifei meu perfume
favorito nos pulsos e na nuca, dei uma última olhada no espelho
semi embaçado, coloquei o peixe enrolado com alumínio e batatas
pré-cozidas no forno, calcei o tênis, peguei a chave do carro e sai.

Estacionei o carro em frente ao trabalho dela e aguardei ouvindo


música. Logo ela apareceu pela porta do prédio, de vestido preto, e
caminhando com seu jeito distraído, não reparou que eu estava lá.
Era surpresa. Dei uma leve buzinada, ela olhou na minha direção e
abriu um sorriso tão gostoso. Acelerou o passo, entrou no carro, me
presenteou com um caloroso abraço e um beijo apaixonante.

Chegamos em casa, entramos e os olhos dela brilharam. A luz baixa,


as velas e os pratos cuidadosamente dispostos sobre a mesa davam
um ar romântico ao ambiente. Ela, faminta, sentou-se e eu a servi
um saboroso prato caseiro acompanhado por algumas taças de
vinho. Comíamos e conversávamos sobre nossos dias, nossas
conquistas. Satisfeita e radiante, ela largou os talhares e apreciou
um pouco mais daquele vinho Merlot.

39
Levantei, me posicionei atrás dela e, de pé, comecei uma massagem
nas suas costas. Ela retribuía com pequenos e prazerosos suspiros.
Continuei. Alternando com força, leveza e suaves beijos na nuca.
Senti o coração dela acelerando, tropeçando. Peguei a no colo,
seguimos até o sofá e lá a deixei. De joelhos, tirei seu salto alto e
massageei um pouco seus pés, subi as mãos até sua panturrilha, sua
coxa, seu quadril. Olhei nos olhos dela e eles imploravam por
prazer.

O desejo sexual explodiu e o calor amplificou aquecendo aquela


sala. Fiz graça dando um selinho no seu joelho e, ainda com as mãos
agarradas no seu quadril, beijei levemente sua coxa. Outro beijo.
Subindo devagar. Sentindo a respiração ofegar, cada vez mais. Ela
estava entregue. Sentada confortavelmente com as pernas entre
abertas. Estiquei o braço e alcancei uma gravata de cetim vermelha
próximo ao tapete. Beijei seu rosto e disse ao pé do seu ouvido
enquanto amarrava a gravata em volta da sua cabeça, tapando seus
olhos:

- Hoje será diferente.

Ela sorriu, ajeitou ainda mais o corpo, abriu um pouco mais as


pernas e respirou fundo. Com a língua brinquei um pouco com suas
pernas, acariciando-a por entre suas coxas. Levemente. Minhas
mãos posicionadas no quadril dela, com força. Continuei. Beijando
uma perna por vez, subindo seu vestido, abaixando sua calcinha.
Ela gemia baixinho. Desejando. Querendo mais. Abri seu vestido
com uma mão e segui beijando seu corpo.
A virilha, a barriga, seus peitos. Eu a provocava cada vez mais. Mais
intenso. Tirei minha camisa e, com ela amarrei, as mãos dela.
Depois tirei a calça, colei meu corpo no dela, com uma mão empu-
nhando seu cabelo e outra apertando sua bunda, beijei sua boca,
orelha, chupei seu pescoço.

Tirei todo seu vestido, depois sua calcinha. Apreciei por alguns
segundos ela totalmente nua. Suas curvas me encantavam. Não
resisti e a beijei novamente. Da boca aos pés. Ela abriu totalmente
as pernas, acariciei com calma os lábios, enfiei um dedo, depois
dois. Beijei devagar, passei a língua uma, duas, várias vezes. Ela
gemia alto e isso me excitava ainda mais. Montei sobre ela, enfiei, o
corpo dela se contorceu.

Continuei. Enfiando, pressionando, com movimentos uniformes,


fortes. Ela gemia no meu ouvido. Eu a virei de costas e enfiei por
trás, ela gemeu ainda mais alto. Acariciando seus seios, colocando
por entre suas pernas, por trás. Ela falou baixinho “vai.. vai..”, e
mordendo a almofada, gozou. Tirei de dentro dela e gozei logo em
seguida, nas costas dela. Ela permaneceu em silêncio por alguns
segundos. Sem ar. Sem fôlego. Desamarrei suas mãos e retirei a
gravata. Ela olhou para trás, com um sorriso bobo. E sem trocar
palavras, apenas olhares apaixonados, o sentimento era claro e
recíproco.

Fazer amor é foda.


FODER PODE SER TÃO BOM
QUANTO FAZER AMOR.
De longe te observo. Você sentada no outro flanco do bar. Cercada
por amigas. Aprecio moderadamente seus gestos atrapalhados.
Você percebe. Retribui com um sorriso tímido. Isso me desarma.
Rosto corado. Em ambos os lados. Você fita meus olhos admirados.
Eu esqueço completamente das pessoas ao meu lado. Transeuntes
atrapalham minha visão. O álcool correndo por entre as veias
também.

Você desaparece.

Levanto estonteado. Abandono meus amigos. Sigo sem direção.


Atravesso o bar. Esbarro em algumas mulheres. Cruzo com tantas
outras. Nenhuma me interessa. Ninguém me satisfaz. Não sei por
quê. Mas eu quero você. Insisto. Persigo sua energia. Encontro você
sozinha. Compenetrada no celular. Ou apenas disfarçando.

Preencho meu olhar com confiança.

Escondo minha alegria. Disfarço minhas pernas bambas. Enfrento


minha desconfiança. Avanço em sua direção. Te cumprimento. Você
corresponde. A sincronicidade é imediata. Conversamos. Empolga-
mos. Quero morder esse lábio – desejo em silêncio. Pulsações
aceleram. Corações tropeçam. Sem tocar nela. Ela demonstra. Com
os olhos. Que me quer. Ali mesmo. Dentro dela.

Seguro sua mão.

40
Dois. Ela chovia por dentro. Lambi e apreciei o gosto dela. Olhei nos
olhos, dei leves mordidas na nuca enquanto apertava os seios e fui
beijando da boca até a barriga. Passava os lábios por suas coxas e o
corpo dela tremia, abrindo as pernas, cada vez mais, como se implo-
rasse por uma chupada.

Atendi retirando sua calcinha encharcada por suor e prazer.

Sem medo, enfiei a cara, o dedo, a língua, depois, a deixei de bruços


e penetrei fundo. Ela agradecia com sinceros gemidos e, eu, aumen-
tava o ritmo. Dei um tapa na bunda com força, apertei e, amortecida
pelo álcool, exigiu mais. Continuei batendo, apertando, enfiando,
até que os dois corpos tremeram em êxtase.

Ela entrou no banheiro, caminhou sobre a ponta dos pés em direção


ao box de vidro e, sem tirar os anéis, tomou uma ducha morna.
Retornou ao quarto despida, com o rímel borrado, extasiada. Colo-
cou sua calcinha de renda, um tanto transparente, depois seu jeans
apertado e saiu, deixando uma sensação de que, às vezes.

Foder pode ser tão bom quanto fazer amor.


MULHER TAMBÉM GOSTA
DE TRANSAR.
Desculpe se essa verdade soar um tanto clichê pra você que é
mulher, mas, acredite, não é. Já estamos quase habitando Marte e
ainda existem homens que pensam de maneira machista afirmando
(ou defecando) que mulher que gosta de transar é puta. Quer saber?
Esse cara, sim, é um puta de um babaca e, hoje, o meu recado é dire-
cionado pra eles.

Mulher também gosta de transar!

De dar, de foder, de gozar. E isso não deveria ser surpresa, tampouco


causar qualquer espanto. Quem foi que disse que prazer é uma
exclusividade do sexo masculino? Quem foi que inventou que
mulher que dá no primeiro encontro é vadia? Que ela não pode se
masturbar ou, então, que ela não pode desejar?

Ela quer morder levemente os lábios e suspirar quando você a abra-


çar por trás, encaixando em suas costas, beijando sua nuca. Com os
sentidos bagunçados, sentir uma mão acariciando os seios, a outra
deslizando pela barriga, por entre as pernas, por baixo da calcinha.
Mordidas na orelha, os pelos arrepiando, a respiração cada vez mais
ofegante. Ela quer sentir o seu toque e gemer gostoso.

41
Que você beije o saboroso corpo dela por inteiro e a chupe com
vontade. Intensidade. Sem nojinho. Sinta o gosto dela em sua boca,
repare como ela treme, aprecie seu gemido. Ela vai retribuir
chupando, ficando de quatro, rebolando, sentindo você encaixar
devagar enquanto agarra seu cabelo, depois mais forte, cada vez
mais prazeroso, mais intenso, perdendo o fôlego.

Mas, calma. Respira!

Isso não significa que ela vai dar pra você, nem que ela vai te querer.
Ela não faz doce. “Não” é “não”. E ponto! Não seja babaca. Não
adianta insistir ou, então, manter uma postura ainda mais agressiva
(e desrespeitosa). Você precisa entender e, o mais importante,
respeitar.

Mulher também gosta de transar, sim!

Quando ela quer e com quem ela quiser.


faça o que te dá prazer
e foda-se o que vão dizer.
QUINTA PARTE
MULHER É FODA.

Nós – homens – acostumamos com a ideia de que mulheres são


complexas, impulsivas e emotivas e, ao menor sinal de desentendi-
mento, defecamos pela boca o pior argumento: você é louca.

Cara, eu vou te contar segredo. As pessoas mais interessantes são


meio malucas, então, por favor, não vomite sobre ninguém essa
desculpa. Aliás, aproveite esse momento de expurgação, pegue
todo teu arsenal de rótulos ultrapassados e jogue – sem titubear –
no ralo.

Eu não quero te ensinar a conquistar ninguém, não, afinal, quem


sou eu na fila do pão? Também não tenho a menor intenção de
cagar regras sobre como você deve agir ou, então, se vestir. E é
exatamente esse ponto onde eu quero chegar: seja sincero.

Não desperdice seu tempo (nem o dela) tentando vender uma


imagem – ela vai se interessar pelo seu papo, não pelo teu carro.
Esquece os joguinhos. Mulher aprecia leveza, cuidado e – ao mesmo
tempo – espaço. Ela gosta de boas companhias, dar risada e se apai-
xona pela forma como é tratada. E lanches – Ah! Ela ama comer.

E mulher apaixonada, cara, é sensacional. Ela se joga, entrega a


alma. Te enlouquece na cama, te ama. Te ama com todo o coração,
então, não seja só mais um babaca de querer despertar o amor
apenas para transar ou, sei lá, inflar o teu ego. Mulher apaixonada é
sensacional, mas mulher magoada, meu amigo… nem queira
conhecer.

Mulher é foda.

42
A GERAÇÃO DE
MULHERES INCRÍVEIS.
Logo cedo o alarme do celular incessantemente toca e ela, entorpe-
cida de sono, deseja mais cinco minutinhos na cama ou, melhor, o
dia inteiro nela. Um tanto quanto assustada, cabelo bagunçado e a
cara amassada, ela se arrasta até a cozinha vestindo uma confortá-
vel calcinha e uma regata qualquer.

Devora o café da manhã e aprecia a cafeína enquanto responde


algumas mensagens de “bom dia”. De lá vai para o banheiro. Toma
uma ducha quente, escova os dentes, coloca a roupa e vai para rua –
vai para a luta. Por mais fácil que seja se esconder debaixo do cober-
tor ou, por mais que ela queira, ela é guerreira. Daquelas mais
valentes – que batalha, trabalha e estuda.

Ela é da geração de mulheres independentes.

Sonha, sim, em construir uma família. Mas não para satisfazer o


marido, criar sozinha os filhos e fazer parte da mobília. Ela é prota-
gonista. Cheia de atitude, ambição e sonhos. Não deseja envelhecer
numa cadeira de balanço, não, ela quer viajar o mundo, conhecer
gente nova e encarar novos desafios – sem comodismo.

A verdade é que ela transborda personalidade.

Não segue regras cagadas por gerações ultrapassadas. Sabe que o


corpo dela é.. dela! Nem sempre sabe o que quer, mas faz sempre o
que quiser. Sai pra dançar com as amigas ou, então, com os amigos.
Entorna cerveja, vira cachaça, beija se sentir vontade, transa no
primeiro encontro se estiver a fim.

43
Ela é da geração de mulheres incríveis.

Que não depende de homem para ser feliz ou, então, aquietar sua
carência. Talvez soe como egoísmo, mas o nome disso é amor
próprio – e com o tempo ela foi aprendendo, se fodendo e amadure-
cendo. Remontou o coração diversas vezes, reinventou-se tantas
outras. As adversidades e os desafios transformaram essa menina
em uma mulher.

Que ainda vê com os olhos de criança.

Uma criança pressionada que enfrenta resistência e escuta todo dia


“mulher não pode isso, mulher não deve aquilo”. E, mesmo distan-
te, sinto que quando você apaga a luz e fecha os olhos, sente seu
travesseiro pesando uma tonelada. Que você pensa em jogar tudo
pro alto e simplesmente sumir.

Mas, vem cá.. Não desiste, não, tá? Aguenta mais um pouco? Espera
eu te dar um abraço apertado e dizer, bem baixinho, ao pé do seu
ouvido: menina, você é sensacional e eu não tenho palavras para
expressar o quanto te admiro.
DEVE SER DIFÍCIL SER MULHER.

De longe, eu apenas a observava, discretamente.

Ela, sozinha, desfrutava à tarde ensolarada com uma geladíssima


cerveja e eu, ainda distante, sentia a energia positiva transbordan-
do. Ela era pura, puramente ela, afinal, não havia ninguém por
perto para julgar a roupa que escolhera ou questionar o motivo pelo
qual ela bebia.

Deve ser difícil ser mulher.

Você precisa seguir padrões antiquados impostos pela sociedade


ou, então, será rotulada. Seja de encalhada, feminista (de uma
maneira pejorativa) ou até mesmo de vadia. Você não pode comer o
que quiser, não pode falar o que quiser, não pode transar com quem
quiser. Você não pode, simplesmente não pode. Suas ações serão
sempre julgadas por um tribunal hipócrita formado por homens
boçais e, também, mulheres conservadoras.

Mas, quer saber? Foda-se! Enfie o padrão goela abaixo dos críticos.

Afinal, o seu corpo não pertence à igreja, governo, muito menos a


opinião pública. O seu corpo é seu. Faça uma tatuagem na perna, na
testa, abuse do decote, se assim preferir, e quando caminhar por
uma calçada ao som de assovios desrespeitosos, saiba que, esses
seres estúpidos são maioria, mas não a totalidade.

De longe, alguém tão evoluído quanto você, estará admirando sua


atitude e aplaudindo, discretamente.

44
MOÇA, SEJA LIVRE.

Rasgue os rótulos, ignore os constantes pré-julgamentos, desdenhe


o conservadorismo e apresente o seu dedo do meio ao machismo. A
réplica será algo estúpido, talvez um “isso não é coisa de menina”,
aí, então é a sua hora de sorrir com ironia ou apenas aproveitar a
oportunidade para observar em silêncio essa atitude grotesca.

Moça, não tenha medo.

Esmigalhar conceitos ultrapassados é só mais uma das batalhas


diárias desse sexo tão delicado quanto um coice de cavalo.
Desconstruir paradigmas é trabalhoso, por vezes doloroso, mas não
desista. Viver é isso. É lutar e se jogar, sabendo que ninguém pode
te julgar.

Moça, relaxa.

Pedale sem rumo por aí, viaje o mundo com uma mochila nas
costas, faça uma maratona com suas séries favoritas, beije a boca
que quiser, durma com quem você quiser, coma salada ou massa,
coma muito, dance muito, até o dia clarear – a vida é tão mais vida
de manhã.

Moça, mesmo que a sua liberdade cause estranhamento nos seus


familiares mais tradicionalistas, assuste pessoas antiquadas e
afugente os homens mais covardes, seja livre.

A vida é muito curta para não fazer o que ama.

45
NÃO ROMANTIZE
CARAS BABACAS.
Chega pra cá, menina.

Vamos conversar, mas antes eu quero que você enxugue as lágrimas


que estão escorrendo pelo seu rosto, recolha os cacos do seu grande
coração estilhaçado e absorva essa leve pancada.

Não romantize caras babacas.

Desculpa se as minhas próximas palavras soarem amargas, mas


alguém precisa te dizer: você não é mais criança. Já viveu tanta
coisa, sentiu o gosto do romance, passou por diversas desilusões e
ainda sofre por causa de um sentimento não correspondido?

Não, não desista de amar. Também não afaste aqueles que querem
se aproximar. No meio dessa multidão de pessoas tão rasas, existe,
sim, alguém transbordando amor. Esperando por você. Aprenda a
identificar - e aprenda logo.

Você é especial.

Não aceite
Beijo sem gosto
Abraço gelado
Sexo sem fogo.

Queira alguém que some ao invés de sumir. Que toque sua alma.
Capaz de captar sua essência, enxergar seus detalhes, te dê liberda-
de para que você seja espontânea, livre e insana. Que saiba valori-
zar seu sorriso e te faça sorrir.

46
não sofra por macho.

Menina, talvez minhas palavras te machuquem tal qual uma pedra-


da certeira, mas saiba, eu não estou aqui para te fazer chorar.
Apenas te chacoalhar. Para que você acorde – pra vida. Levanta da
cama, enxague esse rosto amarrotado, se olhe no espelho e perceba.

Você é um mulherão da porra!

Se valorize ou então ninguém fará isso por você. Engula essa carên-
cia excessiva – não sofra por dependência – enfie a sofrência goela
abaixo. Levanta a cabeça, sacode a poeira. Exclua essas indiretas
nas redes sociais. Para de rastejar, de se subestimar e de superesti-
mar os outros.

Para de sofrer por macho.

Você não molha os pés, pula logo de cabeça. Quando gosta, se joga.
Mas, olha, nem sempre a sincronicidade acontece na mesma veloci-
dade. Então tente desacelerar sua ansiedade, dosar sua intensidade.
Deixa fluir naturalmente. Não adianta forçar, pressionar ou esbra-
vejar.

Se for pra ser, será.

Abra a janela agora, deixa que o sol te veja. Sorria, transborde boas
energias e receba – tudo em dobro. Você é especial, menina. Você é
um mulherão da porra! Felicidade independe de um parceiro ou de
um romance.

Sua felicidade depende de você – e mais ninguém.

47
menina,
seja prioridade.
Ela quer que você arranque um sorriso dela em dias difíceis, que lhe
faça companhia durante suas noites de insônia e esteja sempre
próximo, mesmo quando seus corpos estiverem distantes.

Ela quer planejar viagens ao seu lado, roubar suas camisetas, vestir
seus abraços. Sossegar por entre seus braços, sentir sua respiração,
adormecer com cafuné e, ao amanhecer, receber um “bom dia”
seguido por uma dose de café.

Ela quer se apaixonar.

Entrega o corpo, a alma, mas ele recua. Olha nos olhos, ele desvia.
Quando se afasta, ele reaproxima e, em seguida, a deixa de lado. Ela
coleciona mensagens ignoradas, convites rejeitados e, ainda assim,
insiste, pois está convencida que sem ele o seu mundo pararia.

Menina, não desperdice sua vida.


Você é muito mais do que isso. O seu beijo envolvente desarma, seu
sorriso transborda alegria. Seu cheiro viciante conquista, enfeitiça.
Você é uma mistura de prosa, versos e melodia.

Menina, você é poesia.

Não deixe ninguém abusar do seu grande coração, saiba se valorizar


e valorize quem te dá valor. Por ora, adormeça com suas séries ou
seus livros e, ao amanhecer, acrescente ao café uma porção de auto-
estima.

Menina, seja prioridade e não aceite menos que isso.

48
MULHER SE APAIXONA
PELA FORMA COMO É TRATADA.
Anote aí.

Mulher gosta mesmo é de homem que não presta. Agora pegue essa
anotação e coloque dentro de um pote junto com as outras tantas
afirmações ultrapassadas e grotescas como, por exemplo, “mulher
gosta de ser maltratada” ou, então, “mulher gosta de caras com
dinheiro” e arremesse o mais longe que puder.

Num universo recheado com diversas personalidades e individuali-


dades certamente há mulheres por aí desejando caras rasos para
pagar viagens e futilidades, mas não estou aqui para debater sobre
esse tipo de interesse e superficialidade.

Eu quero conversar com você sobre amor.

Da mesma forma que um pavão macho exibe suas plumas formando


um grande leque para atrair uma parceira, nós homens, também
desenvolvemos nossas técnicas. São variadas. Às vezes, vestindo
trajes selecionados criteriosamente, investindo em perfumes famo-
sos, esculpindo duramente o corpo dentro de uma academia, outras
vezes, destacando a postura, olhar confiante, voz segura, sorriso
carismático, até mesmo aprendendo atividades como cozinhar ou
tocar violão.

Funciona.

49
Mas se você quiser viver algo intenso, verdadeiro, é preciso mais.
Não adianta vender uma imagem interessante, é preciso ser inte-
ressante. Crescer mentalmente, evoluir emocionalmente. Entender
que não será perfeito, haverá erros, no entanto, que você saiba
engolir o orgulho, admitir o tropeço, consertar – ou amenizar – e,
principalmente, aprender.

Mulher se apaixona pela forma como é tratada.

Ela gosta da naturalidade e da química. Olhares que penetram, atin-


gem a alma. Toques na pele que arrepiam, chicoteiam o coração.
Beijos acentuados, elogios sinceros. Ela quer o aconchego do seu
abraço, sua amizade, a sua parceria.

Sem cobranças.

Escute atenciosamente sobre seu dia, seus problemas e suas


agonias. Desabafe também. Ajude a cicatrizar feridas, deixe ela
cuidar das suas também. Seja o pilar de apoio e não tenha medo de
desmoronar quando for preciso. Não digo que será fácil, afinal,
quando envolvem sentimentos maiores que nós mesmos, tudo é tão
mais confuso. A única certeza é que não existe nada melhor nessa
vida que ouvir dos lábios de quem você ama um apaixonado.

Eu te amo.
MULHERES INTELIGENTES
SÃO FASCINANTES.
Eu lembro da moça bonita, era a moça mais linda de toda a cidade. O
jeito como ela movimentava o cabelo e o sorriso descontraído
atraiam as atenções, o perfume provocava todos os sentidos
enquanto as curvas do seu corpo preenchiam a mente com os dese-
jos mais carnais. O caminhar era capaz de parar o trânsito e, o olhar,
acelerar corações, no entanto, o que envolvia, conquistava e apai-
xonava era o seu conteúdo.

Aliás, as sem conteúdo que me perdoem, mas inteligência é funda-


mental. E, quando eu digo isso, não me refiro a ter uma estante
abarrotada de William Shakespeare, tampouco aplaudir ao término
de um quase-interminável filme de Stanley Kubrick ou, até mesmo,
se emocionar com a Bossa Nova de Vinicius de Moraes.

Espontânea, convicta de seus valores e simples – apesar de toda


complexidade que uma mulher naturalmente carrega – ela dizia ao
mundo que se dane. Que se ame.

Mulheres inteligentes são fascinantes.

Talvez, essa frase soe um tanto quanto machista, mas, não deveria.
Não confunda admiração com desrespeito, muito menos com
pré-conceito. Numa sociedade tão sobrecarregada de pessoas – seja
homem ou mulher – chatas e superficiais, quando encontro alguém
com conteúdo, eu transcrevo mentalmente, quase inconsciente,
Leminski:

Palmas pra ela que ela merece.

50
MULHER DE MOLETOM
É SENSACIONAL.
Não, eu não um sou vendedor da GAP, não! Nem pretendo vender
uma imagem positiva sobre nós, homens. Quero apenas comparti-
lhar com vocês alguns dos nossos pensamentos e sentimentos –
quase sempre trancafiados. Mulher de moletom é sensacional.

Não, a gente não liga pra sua gordurinha adquirida por causa
daquele hambúrguer sensacional de três andares, não. Nem repara-
mos nas suas estrias. A sua calcinha? Preta ou bege, tanto faz, privi-
légio é poder tirá-la. Calma, isso não significa que nosso único
objetivo é tirar sua roupa.

Um homem de verdade quer apreciar o seu beijo, sentir o seu


cheiro, morder seu pescoço. Acariciar seus cabelos enquanto você
acorda, se espreguiça, tão linda, tão amassada, vestindo apenas
uma regata. Simplicidade é afrodisíaca.

Um homem de verdade não te enxerga como uma boneca. Ele sonha


contigo, sorri quando sua mensagem salta na tela do celular, adora
sua companhia, sente o coração tropeçar com o timbre da sua voz,
se apaixona pela sua risada e enlouquece com o seu gemido.

Menina, o mundo mudou, nossa visão também. Padrão de beleza é


um conceito ultrapassado. Vista o que quiser para se sentir ainda
mais bonita, mas saiba que, o seu encanto não está no seu sapato
desconfortável ou na sua maquiagem.

Encantador é a sua singularidade.


Seus pequenos defeitos.
E seus apaixonantes detalhes.

51
MULHERES SÃO
CRIATURAS INCRÍVEIS.
Desenhadas minuciosamente com suas curvas tão apaixonantes,
coloridas com diversas tonalidades e sabores, preenchida com
doses de insanidade, liberdade, sonhos e uma garrafa desbordando
amor.

Roubam o sono, invadem pensamentos, dominam nossa imagina-


ção. Transformam corações em baterias de escolas de samba –
descompassadas – e tranquilizam nossa alma com um abraço aper-
tado.

Esquentam nosso corpo com um toque, arranhando levemente a


pele, deixando marcas nas costas e no peito. Excitam com o lábio
molhado tocando o pescoço e congelam o tempo por alguns segun-
dos com um sorriso gostoso.

De longe eu observo seus passos, admiro suas qualidades, me apai-


xono por suas atitudes, escrevo sobre seus jeitos, descrevo seus
trejeitos e confesso: eu não entendo vocês. Mas, vai ver a graça é
não entender exatamente o que passa dentro de vocês.

Suas imprevisíveis e apaixonantes.

Saibam que, sem vocês não somos nada e perto de vocês somos só
garotos. Vocês são completas, complexas, de Vênus, de fases, de lua.

Vocês são criaturas incríveis.

52
VOCÊ É INCRÍVEL DEMAIS.

Pra aceitar um relacionamento mais ou menos. Sem aquela tem-


pestade de sentimentos. Que transborda e te permite mergulhar.
Exija o copo sempre cheio. Não perca seu tempo com um beijo sem
gosto de beijo, sem vontade, convicção e reciprocidade.

A vida é curta demais. Pra assentir o destino, repetir sempre o


mesmo caminho, insistir no mesmo erro. Não seja esmagada pelo
tedioso. Mude a percurso, tome um novo rumo. Vá em direção ao
desconhecido. Sem medo, mas se tiver medo, vai assim mesmo.

Vá até o fim. Durante o trajeto conhecerá muitas pessoas, histórias


e sorrisos. Perderá outras e finalmente entenderá que, às vezes,
menos é mais. Também cairá, mas fica tranquila, tá? Do chão não
vai passar. Quem sete vezes cai, levanta oito.

A vida é curta demais. Pra se preocupar em impressionar, agradar


ou desagradar. Não deixe alguém tentar te moldar, não seja só mais
uma. Continue espontânea. Sua personalidade te torna indecifrá-
vel, apaixonante e única.

Você é incrível demais.

Eu já não tento mais te desvendar. Apenas observo, admiro e deixo


recados escritos para que, quem sabe, você leia algum dia. Menina,
se o monótono chegar até sua alma.

Reinvente sua vida.

53
VOCÊ É IMPERFEITA.

Ela chega em casa cansada, quase esgotada. Sufocada pela rotina,


martelada pelas cobranças e espremida dentro de sua própria
roupa, sente o prazer de um orgasmo ao soltar o sutiã e descalçar as
sapatilhas número trinta e seis. Aprecia, respira e continua.

Toma um banho demorado e, enquanto responde as mensagens no


Whatsapp, seca o cabelo, janta, faz as unhas, a sobrancelha e, por
fim, se joga na cama apenas com uma confortável camiseta, uma
calcinha qualquer e aguarda adormecer.

Acorda logo cedo e, ainda embriagada de sono, inicia uma briga


com o alarme do smartphone. Abusa do modo soneca e, finalmente,
desperta. Com o cabelo homenageando um famoso felino da
Disney, rosto amassado, desmaquiado, arremessa a roupa e, semi-
nua, encara um espelho malfeito que diz: você é imperfeita.

O padrão de beleza sugere que seu corpo, um tanto quanto ampu-


lheta, poderia ter algum aspecto triangular ou, talvez, retangular.
Falta um pouco menos peito, um pouco mais bunda e, para comple-
tar, uma barriguinha negativa.

Eu, observando aqui tão perto, tocando seus lábios vermelhos nesse
rosto assimétrico, contemplando cada pequeno detalhe imperfeito
dessa mulher apaixonante, hipnotizado por um par de olhos casta-
nhos, cochicho bem baixinho ao pé do seu ouvido: quando você
sorri, o mundo a sua volta incendeia.

Você é perfeita.

54
MULHER SE APAIXONA
PELA FORMA COMO É TRATADA.
Eu gosto de observar os pequenos detalhes – os trejeitos e os defei-
tos – o encanto. Absorvo e transcrevo com uma caneta preta em
uma folha de papel amassada e, desenhada por entre minhas linhas,
eu te leio.

Mas, menina... eu não consigo decifrar você.

O teu sorriso esconde algo valioso, talvez um segredo ou, quem


sabe, seja apenas um disfarce para um coração arranhado. E esses
olhos? Brilham por causa da luz do dia, com uma história emocio-
nante ou quando chega a comida.

– Que coisa mais linda. – Penso sempre em silêncio.

Tem coisas que só sai da gente por escrito, né? Pois, é. Estou escre-
vendo e – ao mesmo tempo – torcendo. Para que você leia essa
carta. Para que você me conte um pouco sobre sua vida. Qual o seu
signo? Qual o seu filme favorito?

Você é uma longa interrogação.

Mas, eu sei que, as dúvidas que atrapalham meu sono são parte da
sua rotina, menina indecisa. Não sabe qual plano seguir, nem qual
roupa vestir. Quer namorar hoje, viajar o mundo amanhã. Academia
ou hamburgueria?

55
Calma, respira.

Continue aí parada, ilegível e perfeita. Deixa eu te observar mais


um pouco. Se por ora eu não consigo te decifrar, deixa ao menos eu
admirar as curvas do seu rosto, fantasiar o gosto do seu beijo e
tentar – de um jeito meio bobo – roubar sua atenção.

Menina,

Você é

Minha eterna

Interrogação.
ao menor sinal
de desinteresse,
retriba.
e suma!
SÓ MAIS UMA PARTE
SOBRE MULHERES QUE
TRANSBORDAM EMOÇÃO.
O mundo dela é realmente incrível.

Minha pulsação acelera, meu estômago embrulha, quase faltam


palavras para expressar o quanto admiro quem possui a capacidade
de destoar desse mundo de sentimentos tão rasos – onde as pessoas
se vendem igual gado.

É tudo tão rápido, passageiro e superficial.

A geração que mudaria o rumo, foi criada com antisséptico que não
arde, remédio que não amarga. Foi mimada e sustentada por muito
ego. Encontramos felicidade em cada curtida. Trocamos nossa
imagem – muitas vezes inventamos uma – por uma pequena dose
de dopamina.

Mas ela não se enquadra.

Se destaca entre os fantasmas. Não tá nem aí para se vender, tá mais


preocupada em ser – em viver. É que o teu coração é grande – e
complexo – demais para caber numa tela. Do teu abraço faço
morada e, mesmo quando tudo desaba, tua alma traz calma.

56
Teu corpo transborda emoção.

Exterioriza a felicidade com um sorriso gostoso e desborda em


lágrimas teus momentos de tristeza. Intensa. Não se satisfaz com
relações “meia boca”. Deseja sentimentos verdadeiros e recíprocos.
Que rasgam o peito por dentro, roubam seus pensamentos e, na
cama, a façam gozar.

Olhar mais bonito não há.

Pode acreditar.

Linda do jeito que é, da cabeça (quase até o pé) até a canela – do


jeitinho que for. Às vezes, peca na vontade de ter um amor de
verdade. Calma. Se cerque de boas intenções e amigos de nobre
corações. Talvez você não entenda, mas eu só posso dizer.

As coisas são mais lindas quando você está.


Onde você está.
Porque você está.
SOLTEIRA, SIM.

Constantemente questionada – ou perturbada – por amigos e fami-


liares sobre “quando você vai arrumar um namorado”, ela responde
ora com simpatia, outrora com ironia, mas sempre convicta, apesar
de carregar o peso de uma bolsa cheia de incertezas e indecisões.

Ela está feliz.

Convicta sobre seus valores, intuitiva e equipada com uma forte


personalidade, soube se adaptar as maratonas de séries sem
ninguém para compartilhar a pipoca, furtar goles do seu guaraná,
derramar spoilers e esquentar seu corpo quando a temperatura
diminui.

Ela é inteligente.

Ignora mensagens invasivas no Whatsapp e Facebook, rejeita


convites tendenciosos para tomar uma cerveja e desvia de sorrisos
alheio que atravessam seu caminho. Não está na fase de caçar ou
ser caçada, apenas deseja ter um tempo só para ela.

Ela se completa.

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Não quer bens materiais, quer conteúdo. Não quer frases copiadas
do Google, quer algo novo, particular, especial. Está em constante
crescimento, então, não quer alguém que a prenda, quer alguém
que aprenda, capaz de acompanhar.

Não é difícil se apaixonar por ela.

Cheia de qualidades, individualidades e um charme estonteante,


cedo ou tarde, encontrará um parceiro para dividir histórias sobre a
cama e, quando estiver apaixonada, aí então se entregará por intei-
ra e fará uma despedida pros seus dias mais normais, mas não hoje.

Hoje ela só quer paz.


ELA É SOLTEIRA, SIM
MAS NÃO DESISTIU DO AMOR.
Talvez você não tenha notado, mas a menina de outrora cresceu.
Ela já não é mais a mesma. Aprendeu errando, chorando, com a
vida, com o tempo. Não enrijeceu os sentimentos, apenas amadure-
ceu emocionalmente e soube se reinventar.

Seu corpo minuciosamente desenhado e seus traços delicados são


alguns dos encantadores detalhes dessa mulher de personalidade
forte, guerreira, intensa e com uma vontade imensa de ser feliz.

Ela tem alma.

Não tente encaixá-la em padrões, rotular ou, então, julgar suas


atitudes emotivas, racionais ou malucas. Ela é uma peça rara, única.
Inteligente e independente, transmite no olhar uma liberdade tão
gostosa e, ao mesmo tempo, desafiadora.

Não saia por aí difamando, vomitando inverdades, dizendo que ela


está solteira porque não vale nada. Isso só comprova o motivo dela
não ter te escolhido. É que você é um babaca! E contra esse tipo de
cara, meu amigo, ela está vacinada.

Ela é solteira.

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Por vontade própria. Não, ela não quer (e não vai) namorar por
imposição. Cansada de perder tempo com quem não merece, ela
não tem mais pressa. Está é feliz. Ora ocupada perseguindo seus
sonhos, ora esparramada no sofá assistindo um filme qualquer.

Ela é solteira, sim.

Porque escolheu ser. Não, ela não quer (e não vai) se jogar num
relacionamento mais ou menos. O tedioso causa enjoo, desespero e
calafrio. Ela quer algo intenso e recíproco. Que venha um cara deci-
dido, sem dúvidas, que apoie, conforte e saiba conversar.

Ela é solteira, sim, mas não desistiu do amor.

Só não está mais procurando. Aprendeu que não adianta caçar ou


forçar situações. Entendeu que as coisas vão acontecer quando tiver
que acontecer, então, segue vivendo e sorrindo, pois sabe que –
daqui algum tempo ou, talvez, hoje mesmo – o amor acontecerá.

E, então, o amor será rotina.


ela não é fria.

Talvez ela desvie dos seus sinceros elogios e se esconda atrás de


uma parede de tijolos invisível. Provavelmente recusará suas
propostas de namoro – aquelas em tom de brincadeira – e mesmo
quando estiver colada ao seu corpo, manterá uma pequena distân-
cia.

Ela não é fria.

Apenas não se entrega tão fácil. Não mais. Cansada de acreditar e,


depois de outra decepção, desapegar, preferiu se afastar. Mas, por
baixo daquela blusa há um coração que ameaça tropeçar quando
você rouba beijos daquela boca tão gostosa e quase muda a cor do
rosto quando você sussurra coisas bobas ao pé do ouvido.

Ela não é fria.

Apenas não se contenta tão fácil. Não mais. Ela quer um cara que
caminhe ao lado dela, que a ajude a crescer e que cresça também.
Que dê espaço para que ela possa transformar suas frustrações em
aprendizado, seus objetivos em conquistas e, ao mesmo tempo,
ofereça abraços apertados, cama e cafuné.

Ela é de Vênus, de fases, de lua.

Ora complexa, outrora bem simples, é uma montanha russa de


emoções pronta para ir do caos ao equilíbrio em poucos segundos,
enfrentar os problemas sorrindo e chorar em filmes românticos.
Capaz de tirar sua roupa com apenas o olhar, ela avança sobre seu
corpo, invade seus pensamentos e conquista com atitude.

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Ela é fogo.
ela só quer viajar.

– Ah! Não cabe mais nada na minha mala! – Esbravejou.

Sentada ao lado de uma pilha de roupas dobradas, ela respirou


fundo. Levantou, deu dois passos, caiu sobre a cama e sorriu. Um
sorriso tão sincero quanto bobo que não escondia a felicidade que
ela sentia ao saber: já estava quase na hora de pegar a estrada.

Ela ama viajar.

Se jogar nesse mundão sozinha, com amigos, família, com um amor


ou, então, seja lá quem for. Seus sonhos são do tamanho da sua
fome. Não cabem dentro de um armário ou de um quarto, não. Nem
de uma cidade, tampouco de um único país.

Sua energia positiva renova e transborda do corpo ao calçar um


tênis confortável, jogar a mala nas costas e sair por aí sem rumo,
desbravando lugares, conhecendo pessoas, culturas, sabores, histó-
rias e vidas.
Sentar na areia da praia e tomar um banho de mar traz uma tran-
quilidade indescritível, lavar a alma numa cachoeira com águas tão
puras, acordar com o canto dos pássaros num aconchegante quarto
de uma cidadezinha encantadora, tomar aquele gostoso café da
manhã acompanhado por uma paisagem tão leve.

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Desculpa pelo clichê, tá?

Mas a vida não foi feita para ser vivida num só lugar. Viajar é viver.
Enriquece a alma, abre a mente e faz bem pro coração. É esquecer os
problemas, aliviar o peso das responsabilidades, fugir da rotina, dar
mais cor a vida. É encontrar a paz em outro lugar.

E voltar.

Com algumas lembrancinhas palpáveis na bagagem, outras tantas


lembranças eternizadas na memória. Ela chega em casa esgotada.
Renovada. Respira, esvazia a mala, preenche com momentos ines-
quecíveis sua imaginária prateleira e adormece mais leve. Com uma
única certeza.

Ela só quer viajar.


ela não é mais a mesma.

Ele questionou um tanto quanto perturbado: você não é mais a


mesma. Ela, com um sorriso nos lábios, respondeu “ainda bem”.

Ela sempre foi assim.

Uma garota intensa que pertence só a ela mesma. Sonha muito,


quer o mundo. Odeia rotina ou qualquer outra coisa relacionada a
monotonia. Livre, respira liberdade e transcende independência.

Com uma personalidade forte – meio delicada, meio bruta – ela se


impõe. Não segue padrões ultrapassados. É corajosa. Sabe que é
tempo de viver coisas novas, conhecer pessoas e histórias, então,
ela se joga.

Mudar é necessário.

E sem medo ela muda a direção, o armário, o quarto, o cabelo. Muda


por dentro e ao avesso. Mas não muda apenas por mudar. É pra
crescer, evoluir e não estagnar. Ela se reinventa a cada dia pra ser a
melhor que pode ser.

Ah! E quanto ao fato de você querer que ela mude por você. Esque-
ce, tá? Ela não vai mudar pra te agradar e também não espera que
você mude por ela. Ela quer um encaixe. Alguém que saiba se adap-
tar, entender sua metamorfose constante e que amanhã.

Ela não será mais a mesma.

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ela é mulher de verdade.

Quando a vida desfere um golpe forte demais, ela agarra o tecido da


roupa, mantém a postura exigida, absorve as pancadas em silêncio,
aguenta até a última exclamação, se afasta e, sozinha, desaba.

Ela é guerreira. Enxuga o rosto, se recompõe e enfrenta os proble-


mas de cabeça erguida. Sabe que é apenas mais uma adversidade
dentre tantas outras que terá que ultrapassar ora tranquilamente,
outrora com escoriações.

Ela não é de briga. Mas carrega um espírito lutador capaz de trans-


formá-la num animal feroz daqueles que impõe respeito com o tom
da voz e o olhar intimidador quando tocam propositalmente em
suas feridas, despejam falsidade ou, então, atacam suas amigas.

Ela é sensível. Sorri ao ver um cachorro brincando, se for filhote o


olho até brilha e se estiver acompanhado de um bebê, aí, ela vira
manteiga derretida. Gosta de filmes românticos, de fazer planos e
viajar para qualquer canto.

Ela se entrega, se joga. Quando o amor é verdadeiro e recíproco ela


oferece o corpo, a alma, mas se você machucá-la, será atingido no
rosto e no peito pela fúria de um tornado munido de inteligência,
beleza e uma forte personalidade.

Ela é mulher de verdade.

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ela reina sem coroa.

Mulher de alma.

Que transcende o corpo caprichosamente desenhado. Ela é sobrevi-


vente. Já foi muito magoada, por isso, carrega um coração descon-
fiado e cheio de arranhões. Mas não pense que ela vai desistir, não.
A cada sete quedas, levanta oito.

Menina de exageros.

Exagera em tudo. O prato de comida farto, as compras impulsivas, a


intensidade e os momentos de insanidade – vai do zero ao cem em
questões de segundos – beira a bipolaridade. Exagerada na felicida-
de, no amor e na vontade.

Moça de dramas.

Um jeitinho delicadamente bruto, mas com o coração de princesa.


Simples e, ao mesmo tempo, vaidosa. Troca de roupa mil vezes, se
desespera, reclama para as paredes que não tem o que vestir, apesar
do armário abarrotado.
Rainha sem coroa.

Ela reina e não se contenta com nada “meia boca”. O comum não
serve, não satisfaz, não impressiona. De fases, reciprocidade e
atitude. Escritora do próprio roteiro, estrela da companhia, não
nasceu para figurar, foi para vencer.

Ela nasceu para brilhar.

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dona do próprio nariz.

Cara, ao invés de julgar quais bocas ela beijou ou deixou de beijar, a


roupa ela usou ou deixou de usar, sei lá, que tal investir seu tempo
em algo útil? Sua opinião é irrelevante e, desculpe por essa verdade,
mas ela tá cagando pra você.

Ela é dona de si.

Independente e segura, não tá nem ai se você acha que ela deveria


agir de um jeito ou de outro. Ela desfila de cabeça erguida, carre-
gando na bolsa alguns documentos amassados, dinheiro conquista-
do, um punhado de maquiagem e muita atitude.

Ela tem personalidade forte.

Vai gritar, sim(!) e, se reclamar, vai arremessar um vaso também.


Talvez, depois ela se arrependa, chore ou, então, esbraveje mais. A
única certeza é que ninguém jamais saberá qual será o seu próximo
passo.

Ela é meio maluca mesmo.

Envolvente, desarma, conquista e encanta. Sincera, gosta de sexo e


não tem nenhuma vergonha de admitir. Ela devora com os olhos, te
enlouquece com os lábios, deixa arranhões pelo seu corpo e marcas
na sua alma.

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Toda essa insanidade e personalidade combinada num corpo dese-
nhado minuciosamente com curvas tão apaixonantes, coloridas
com diversas tonalidades e sabores, assusta os caras mais normais.

Mas quem foi que disse que ela curte caras normais? Ela gosta do
caos. Da bagunça no peito. Uma boa conversa, um gesto romântico,
buquê de flores, um copo de cerveja gelada e um abraço bem gosto-
so.

Só tome cuidado para não sufocá-la por entre seus braços e nem
tente prende-la com força, afinal, por mais que ela ame estar bem
acompanhada, ela ama ainda mais a liberdade. Ela não quer um
dono, não.

Ela já é dona do próprio nariz.


ELA É MEIO LOUCA.

Esparramada pela cama vestindo apenas uma calcinha e uma regata


amassada qualquer, ela desperta resmungando. Enfrenta o alarme
do smartphone embriagada de sono, luta contra a gravidade mati-
nal, senta sobre o colchão de molas, se espreguiça com um gemido
tímido, deseja voltar e se embrulhar no cobertor, mas resiste ofere-
cendo ao espelho um lindo sorriso espontâneo.

Ela é complicada demais. Carrega dentro do peito, no coração, uma


montanha russa de emoções. Ora está cantarolando, feliz, carinho-
sa e a fim de conversar, ora calada num canto, desejando solidão.
Não se assuste se durante um filme ela chorar até soluçar e, depois,
rir até doer a barriga.

Ela é intensa demais. Não se dá bem com gente impaciente, pois


impaciente, já basta ela. Quando está realmente interessada, não
molha os pés. Pula de cabeça. Prefere não ter nada do que ter só a
metade. Se apega fácil, feito uma menina, mas se você brincar com
o coração dela, ela desapega rápido, feito uma mulher decidida.

Ela tem um gênio forte demais. É meio demente. Todos nós somos
meio dementes. Essa é a fonte do nosso charme e é exatamente este
lado que interessa. Se você não captar o ponto de demência, dirá que
ela é meio louca, mas se você captar essa marca de loucura, então
dirá que: ela é apaixonante demais.

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NEM TODA MULHER É MALUCA.

Moça do riso mais alto, por vezes envergonhado, transmite energia


positiva e contagia com um sorriso gostoso. Seus olhos tão brilhan-
tes são indescritíveis, indecifráveis e apaixonantes.

Ela é feita de amor, mas com um jeitinho delicadamente grosso.


Intensa. Sabe ser bruta, brava e tresloucada. Explosiva quando
perde a linha, enlouquece, faz barulho, grita! Fala verdades, despeja
sinceridade e, quando escorrega, engole o orgulho, pede perdão.

Ela é feita de amor, mas não é boba.

Já sofreu por desilusão, chorou e foi obrigada a desapegar, então,


deixou de se entregar tão fácil. O coração não petrificou, não, mas
está mais difícil de ser conquistado. A menina de outrora cresceu e
aprendeu que é inteira, por isso, não aceita metades.

Ela é feita de amor, mas de caos também.

Talvez falte um parafuso, mas isso não é um problema, é um


charme estonteante. Sua loucura cativa, conquista e desarma. Aliás,
se me permite, eu vou mudar o tom e te contar um segredo:

66
nem toda mulher é maluca,
mas as mais interessantes são.
FIM
@fetaffa.