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Universidade federal da Paraíba

Centro de Tecnologia

Curso: Engenharia Mecânica

Projeto e seleção de equipamentos de uma


câmara frigorifica para conservação de peixes

Anne Louise Barão 11328761

João Pessoa Outubro de 2018


Conteúdo
Introdução:...................................................................................................................................4
Objetivos e limitações:.................................................................................................................5
Desenvolvimento:........................................................................................................................7
Infiltração...............................................................................................................................14
Calor dos produtos.................................................................................................................16
Ocupação:..............................................................................................................................17
Iluminação..............................................................................................................................18
Calor total...............................................................................................................................19
SELEÇÃO DOS EQUIPAMENTOS..............................................................................................21
Conclusão:..................................................................................................................................25
Referências:................................................................................................................................26
Resumo:

O Presente trabalho apresenta o projeto de uma câmara frigorifica para conservação de


peixes através das condições impostas. Usando as normas técnicas relacionadas a carga
térmica é determinada e na seqüência se faz uso de catálogos para confirmar se para a
seleção de equipamentos disponíveis no mercado para o atendimento das condições do
projeto. A conservação pelo frio é uma das mais utilizadas no dia a dia da população. Os
congelados vêm se tornando cada vez mais freqüentes na mesa do brasileiro e a
refrigeração é a principal arma contra a deterioração dos alimentos e conseqüente
desperdício. As câmaras frigoríficas são muito importantes para o armazenamento de
produtos, principalmente alimentícios, a uma temperatura regulamentada por norma, de
forma a não perderem as suas propriedades. Elas passam por diversas fases durante sua
“vida útil” como, por exemplo, projeto, montagem, testes, operação, manutenção e
reutilização/descarte. Todas essas fases devem estar funcionando da maneira mais
correta possível para que se possa obter uma câmara fria com um desempenho
satisfatório.
Introdução:
Desde tempos remotos, o frio é utilizado para conservar o pescado. Em países
onde a estação do inverno é rigorosa, o armazenamento do pescado é facilitado,
uma vez que este pode ser mantido ao ambiente, sendo geralmente armazenado
do lado de fora das residências. O frio conserva o pescado ao retardar o trabalho
microbiano e as reações químicas e enzimáticas que levariam à deterioração.
A refrigeração é um método de conservação que utiliza equipamentos para gerar
o frio, nos quais a temperatura pode atingir a faixa de -2 a 10ºC, conservando o
pescado por cerca de 10 a 12 dias. O congelamento promove longa vida útil e
quando se trata do congelamento rápido, com temperaturas abaixo de -25 graus,
a conservação alcança dois anos. As câmaras frigoríficas para estocagem devem
ser mantidas a pelo menos -15º C, porém, o ideal seria manter o pescado
congelado a temperaturas mais baixas, de cerca de – 25ºC.
Os congeladores mais utilizados são os que utilizam passagem de ar frio e
trabalham em temperatura na faixa de -18 °C a -40 °C. Os peixes são
acomodados em bandejas e percorrem lentamente um túnel de ar frio onde o ar
passa em contra corrente com o produto. O outro é o congelador de placas, no
qual o pescado é mantido em contato com uma superfície de metal resfriada por
líquido refrigerante, a amônia.
Conservação é o processamento de alimentos para se poderem armazenar
durante mais tempo. A espécie humana depende de produtos de origem vegetal e
animal para a sua provisão alimentar. Como a maioria destes produtos apenas se
encontra facilmente disponíveis durante certas estações do ano e como os
alimentos frescos se estragam rapidamente, desenvolveram-se métodos para a
conservação de alimentos.
Os alimentos conservados podem ser consumidos muito tempo após os produtos
frescos normalmente se terem deteriorado. Quando as cidades começaram a
crescer, aumentou a necessidade de se conservarem alimentos durante períodos
prolongados, visto que parte da sua população já não podia cultivar os seus
próprios legumes ou criar animais.
O peixe fresco estraga-se muito depressa. Assim que o peixe é pescado, o
processo de deterioração progride rapidamente. Devido às altas temperaturas
ambientais existentes nas regiões tropicais, o peixe pescado estragar-se-á dentro
de 12 horas.
O tempo de armazenamento de peixe, ou dum produto de peixe, depende da
acidez e do teor de umidade do produto. As influências externas, como sejam o
oxigênio (do ar), os microrganismos, a temperatura de armazenamento, a luz e a
secreção de umidade/água também constituem todos os fatores determinantes de
importância.
Objetivos e limitações:
Esse trabalho se dividirá em analisar as condições do ambiente que será
instalado a câmara para o calculo da carga térmica as limitações acima citadas, e
utilizara das regras para escolher materiais adequados e tamanhos que
comportem o produto e atenda as especificações.

João Pessoa_PB_BRA
-7.11,! - Latitude {N + S-}
-34,86, - Longitude {W- E +}
-3.00,! - Fuso Horário Relativo ao GMT {GMT +/-}
44,00; ! - Elevação {m}
101,5KPa

Figura 1 – mapa das médias das temperaturas

Não há carga de insolação, devido à existência de galpão que envolve a câmara;


Dimensionamento da câmara (8x7x3,4m):
Dimensões internas: larg. 6,82m; comp. 7,82m; 3,22alt. m
Material da câmara: painel pré-fabricado
Isolamento: painéis de EPS (isopor) 200 mm

Tipo de isolamento térmico (poliuretano):

Temperatura externa ao galpão TBS: 32ºC

Temperatura Interna do galpão: 22ºC


Temperatura interna câmara: -18ºC
Umidade no interior da câmara de 90 [%];

Umidade relativa: 80%


Número de pessoas cinco (operação)
Tempo de permanência (2horas):
Iluminação - tempo de utilização:
Motores (2 potência em cv 20)
Tempo de utilização (20 horas/dia):
Produto: peixe já congelado
Embalagem: sim
Movimentação Diária: 5.000 kg/24h
Ocupação Total: 9.500 kg
Presença de motor ou fonte de calor: sim
Temperatura de entrada do produto: -8ºC
Número de pessoas: 5 permanecendo 2 horas 
Temperatura de entrada 0 [°C]
ARMAZENAMENTO
A embalagem adequada é aquela que protege o produto por um período de
tempo específico, é quimicamente inerte e oferece proteção ao produto sobre
todos os aspectos da estocagem, evita a passagem de aromas, é resistente e não
permite a entrada de ar, evitando a ransificação e a cristalização. Foi escolhida a
caixa de plástico tipo pallet fechada com capacidade de 46 [litros] com
dimensões 2200x6500x4400 [mm] (larg. x comp. x alt.) e peso de 2 [kg].

Figura 2 – caixa de armazenagem para peixe


PRATELEIRAS PORTA PALLET Estruturas de armazenagem indicadas para
cargas volumosas e de médio peso acondicionadas manualmente. É composta
por longarinas (vigas) que se encaixam nas colunas permitindo a regulagem de
altura e o uso de planos metálicos.
PORTA CORREDIÇA
Dimensões de vão útil ................................................ 1,90 x 2,70 [m] (larg x alt)
Espessura de isolamento ....................................................................... 200 [mm]
Material...................................................................Poliestireno Expandido (EPS)
EPI PARA CÂMARA DE CONGELAMENTO
Na câmara fria por ser um ambiente destinado para armazenamento de produtos
que precisam de controle rígido de temperatura podendo atingir temperaturas de
até -45 [°C]. Os profissionais que trabalham em ambiente tão frio necessitam
utilizar equipamentos de proteção individual adequados. Os trabalhadores da
câmara de congelamento de carne vermelha utilizaram:
 Japona frigorífica nylon (-25 [°C]);
 Calça térmica nylon (-35 [ºC]);
 Capuz térmico tipo ninja de lã (-25 [°C]);
 Luva de baixa temperatura (-25[°C]);
 Bota com forro de lã;
 Meia térmica de nylon.

Desenvolvimento:
As câmaras frigoríficas são compartimentos refrigerados, fechados, isolados
termicamente, no interior dos quais são mantidas as condições termohigrométricas,
isto é, de temperatura e de umidade, mais adequados para a conservação dos gêneros
alimentícios. 

A manutenção das condições termohigrométricas requeridas é provida por uma


unidade de refrigeração, eventualmente integrada por sistemas de aquecimento
e umidificação. Cada câmara frigorífica deve ser projetada para um determinado fim,
cuja carga térmica a ser retirada pelo equipamento frigorífico e o período de tempo
necessário do processo são calculados criteriosamente. 

As câmaras frigoríficas de temperatura ao redor de 0°C e umidade relativa elevada são


utilizadas para a conservação de gêneros alimentícios frescos por breves períodos de
tempo. As câmaras de baixa temperatura, caracterizadas por um elevado isolamento
térmico, mantêm no seu interior as baixas temperaturas necessárias para a conservação
a longo prazo dos produtos congelados.

As câmaras de atmosfera controlada, a temperatura média - alta, são caracterizadas


pela absoluta estanqueidade e têm equipamentos aptos a produzir no seu interior
atmosferas artificiais tais para prolongar a duração da conservação de alguns produtos
hortifrutigranjeiros.

As câmaras para o controle do amadurecimento dos produtos hortifrutigranjeiros são


câmaras de refrigeração a temperatura alta – média, de estrutura parecida àquela das
câmaras de atmosfera controlada, no interior das quais tenham as condições
termohigrométricas que variam na atmosfera em função de ciclos preestabelecidos.
Na escolha do material empregado como isolante térmico para a construção da câmara
frigorífica, devem-se considerar vários fatores, além do econômico, tais como sua
resistência a insetos e microorganismos, riscos de propagar fogo, poeira ou vapores
indesejáveis, partículas que possam irritar a pele, retenção de odores, resistência à
decomposição e resistência à absorção de água.

Os isolamentos mais empregados são os de fixação de placas de isolamento em


alvenaria com posterior acabamento da superfície, ou a utilização de painéis
construídos de uma placa interna do isolante na espessura desejada e prensada entre
placas metálicas tratadas contra corrosão, como descrito em Neves Filho (1994).

O pescado deve ser armazenado a uma temperatura de (menos) – 18 °C. Essa


temperatura deve ser mantida até o consumo. Não pode haver elevação de temperatura
durante o armazenamento e transporte de acordo com PÉREZ, A.C.A.

As câmaras pré-moldadas, feitas em qualquer dimensão com o uso de painéis isolante


modulares, permitem tempo breves de construções economia nas fundações, na
ampliação e na remoção. Os longos tempos de construção e o alto custo das obras em
alvenaria contribuíram para a difusão das câmaras pré-moldadas, construídas por
painéis isolantes pré-moldados, com característica de rigidez estrutural obtida com
acoplamento do isolante propriamente dito e camadas de revestimentos. Estes painéis
são conectados entre eles por meio de junções metálicas.

As vantagens desta solução construtiva são a rapidez da colocação e a possibilidade de


sucessivas ampliações. Com estes tipos de painéis é possível também construir
câmaras frigoríficas de grande porte. As características auto-portante dos painéis
isolantes mudam segundo o tipo da construção. Ultrapassando determinadas
dimensões de painéis nascem problemas de envergadura do teto que são solucionados
com estruturas metálicas externas ou internas.

A ampla disponibilidade de materiais de revestimento do painel (existem painéis


revestidos nos dois lados com chapa de aço inox) permite a construção de câmaras
frigoríficas que resistem às intempéries com ótimas características de isolamento e
impermeabilidade.
Figuras 3, 4 e 5 – Câmaras frigorificas.

Na escolha do material empregado como isolante térmico para a construção da câmara


frigorífica, devem-se considerar vários fatores, além do econômico, tais como sua
resistência a insetos e microorganismos, riscos de propagar fogo, poeira ou vapores
indesejáveis, partículas que possam irritar a pele, retenção de odores, resistência à
decomposição e resistência à absorção de água. Os isolamentos mais empregados são
os de fixação de placas de isolamento em alvenaria com posterior acabamento da
superfície, ou a utilização de painéis construídos de uma placa interna do isolante na
espessura desejada e prensada entre placas metálicas tratadas contra corrosão, como
descrito em Neves Filho (1994). A propriedade de um material em diminuir o fluxo de
calor é indicada por sua condutividade térmica ou, de forma inversa, sua resistência
térmica. A tabela abaixo relaciona algumas dessas propriedades, entre as quais está a
densidade, que quanto maior, maior será a resistência mecânica à compressão e maior
resistência térmica.

Fibra de Poliestireno Poliuretano


Isolante Cortiça Vidro Expandido Expandido

Densidade (Kg/m³) 100-150 20-80 out/30 40


Condutibilidade Térmica 
(Kcal/mh°C) 0,032 0,03 0,032 0,02
Resistência a Passagem de
Água Regular Nenhuma Boa Boa
Resistência à Difusão de
Vapor 20 1,5 70 100

Segurança ao Fogo Pobre Boa Pobre Pobre


Resistência a
Compressão (Kgf/m2)  5.000 Nenhuma  2.000  3.000
Relativament Relativamente
Custo e Alto Baixo Alto Alta
Tabela 1 - características dos isolantes

A cortiça e a fibra de vidro constam apenas como referência histórica, visto que a
aplicação destes isolantes está praticamente abandonada na refrigeração. A tecnologia
moderna oferece uma ampla escolha de materiais isolantes, o mais conhecido dos
quais para isolamento em obras de alvenaria, é o poliuretano. Sua condutividade
térmica está entre as mais baixas, enquanto sua resistência à compressão é elevada,
mesmo com um peso específico reduzido. Sua impermeabilidade é ótima e a
resistência à propagação de chama é boa, além de ser inodor e inalterável.

Abaixo segue como sugestão a espessura de poliuretano expandido com densidade de


25 à 30 Kg/m3 aconselhado para isolamento de câmaras frigoríficas em climas
tropicais.

Temperatura da Câmara Espessura do poliuretano expandido


(o) (mm)
8 a 20 60
3 a 8  80
-5 a 3  100-120
-15 a -5  150
-20 a -15  180
-30 a -20 200
-40 a -30  240

Características gerais das Portas frigoríficas:


 
- Folhas e batentes com revestimento em chapa de aço pré-pintado (branca), aço inox
AISI 304 ou aço inox AISI 450;
- Folhas e batentes com núcleo isolante em PUR (poliuretano injetado), com retardante
a chama classe R1, de massa especifica aparente moldada (MEAM) de 37 a 42kg/m3
tendo coeficiente de condutividade térmica abaixo de 0,023 w/m².k, adequados para
resfriados (# 50 mm) e congelados (# 80 mm);
- Ferragens em aço carbono zincadas a fogo, com pintura epóxi a pó;
- Sistema de aquecimento no batente (aplicação a baixa temperatura), de fácil
montagem e manutenção;
Tabelas 2 e 3 – Espessuras e características das portas.

Memorial de Cálculo:

Quando o produto é resfriado ou congelado resultar-se-á uma carga térmica formada,


basicamente, pela retirada de calor, de forma a reduzir sua temperatura até o nível
desejado. Já na estocagem do produto, a carga térmica é função do isolamento térmico,
abertura de porta, iluminação, pessoas e motores. No caso de frutas e hortaliças frescas
deve-se também levar em consideração o calor de respiração. No entanto, a parcela de
calor retirada durante o resfriamento ou congelamento é bem maior quando comparada
com a de estocagem, exigindo um estudo mais cuidadoso da solução a adotar. Assim, o
cálculo de sua capacidade ou carga térmica envolve basicamente quatro fontes de calor: 
1.Transmissão de calor através das paredes, piso e teto; 
2.Infiltração de calor do ar no interior da câmara pelas aberturas de portas; 
3.Carga representada pelo produto; 
4.Outras fontes de calor como motores, pessoas, iluminação, empilhadeiras, etc
Figuras 6 e 7 – Desenhos feitos em Solidworks do projeto da câmara frigorifica

Q1= A x Fator Tabela4 Eq (1)


Onde: Q1 = Quantidade de calor transferido [kcal/24h];
A = Área da superfície externa da parede
Fator Tabela4 = Coeficiente de transferência de calor [kcal/m²24h]
Tabela 4 – Fatores de dispersão de calor em função do isolamento.
Como nosso material Nesta tabela não possui espessura para 180 que é o nosso
caso faremos uma interpolação com a variação de temperatura de 40ºC. Que nos
dá um valor de 162,2.
Ganho por condução
o Parede 1 e 2: 7 x 3,4 m = 47,6 m²
o Parede 3 e 4:8 x 3,4m = 54,4 m²
o Porta: 1,90 x 2,70m = 5,13 m²
o Piso: 7x8m = 56m²
o Teto: 7 x 8m = 56m²
A = 47,6+54,4+5,13+56+56 = 169,13m2
Fazendo uso da Lei da Condução Térmica de Fourier (ÇENGEL e GHAJAR
2012), tem-se que:

Q1 = 169,13x162,2 = 27432,886 kcal /dia


Transferência de calor pelas paredes, teto e piso para alvenaria
Nos cálculos de carga térmica, será usado um coeficiente U mais fácil de ser
obtido, medindo-se a temperatura do ar em ambos os lados da superfície.
O coeficiente global de transferência de calor é definido como o fluxo de calor
por hora através de um m² de superfície, quando a diferença entre as
temperaturas do ar nos dois lados da parede ou teto é de um grau centígrado
(CORDEIRO, 2017). A fórmula utilizada é:

Onde:
A – Área da superfície [m²];
U – Coeficiente global de transferência de calor [kcal/h.m².°C];
Os coeficientes de calor para parede externa com 10 tijolos maciços (20x10x6 [cm])
com dois revestimentos (2,88 [kcal/h.m².°C]) e o concreto interno para o piso 15 [cm]
(2,83 [kcal/h.m².°C]) são encontrados na Tabela 5. Para o teto será usada uma placa de
EPS de espessura 180 [mm].

Tabela 5 – Eficiência Global.


Qparede = (47,6+54,4)mx2,88x40ºC = 11750,4kcal/horax24 = 282009,6kcal/dia
Qpiso = 56mx2,88x40 = 6451,2,4kcal/horas x24 = 154828,8,6kcal/dia
Qteto = 56x162,2 = 9083,2kcal/dia
Qtotal = Qparede+ Qpiso+ Qteto = 445921,4Kcal/dia
Como o calor perdido pela da câmara por alvenaria foi bem superior ao da câmara pré-
moldada, esta será descartada do projeto.
Infiltração
Toda vez que a porta da câmara frigorífica é aberta, o ar externo mais quente se infiltra
na câmara e deve ser resfriado nas condições internas, assim, aumentando
consequentemente a carga térmica total. Com a eq. (*) calcula-se a carga térmica.
Q2 = Vx(Fator Tabela6)x( FatorTabela 7)
Onde: Q2 = Quantidade de calor infiltrado[kcal/24h];
V = Volume da câmara [m³];
Fator Tabela6 = Fator de troca de ar por abertura de porta [1/dia];
Fator Tabela7 = Fator de calor necessário para resfriar o ar [kcal/m³].
O volume total da câmara é de 190,4 [m³]. Os fatores 6 e 7 foram selecionados a partir
das tabelas 6 e 7.

Tabela 6 – Trocar de ar por abertura da porta.


Para determinar o fator tabela 6, deve-se fazer uma interpolação (Tabela 6) para
descobrir a troca de ar diária para o volume em questão. Como a temperatura da câmara
está abaixo de zero será utilizado os dados do lado direito da Tabela 6. Que nos dá o
valor de 4,692.
Para determinar o fator Tabela7 deve-se levar em consideração a temperatura de
armazenamento (-18[°C]), a temperatura externa (galpão está a 22 [ºC]) e a umidade
relativa do ambiente (83 [%])
Tabela 7 – Calor necessário para resfriar o ar.
Nota-se que a Tabela 7 não dispõe de dados para umidade relativa de 83 [%]. Assim,
será feita uma estimativa baseando-se nos valores das outras umidades, que foi notado
que a cada 10 [%] de acrescimento na umidade relativa, o fator aumenta em 1,3. Assim,
estima-se que o fator para 83 [%] de umidade é de 29,6 [kcal/m³].
Q2 = 190,4x4,692x29,6 = 26443,35 kcal/dia

Calor dos produtos


Q3   Qsensivel + Qlatente

eq (4)
Onde:
m = Massa do produto [kg/20h];
Tabela 7 - Calor necessário para resfriar o ar externo até a temperatura da Câmara
(kcal/m³). 29 c = Calor específico [kcal/kg°C];
T2 = Temperatura de entrada do produto [°C];
T1 = Temperatura de congelamento [°C].
Calor latente é dado por:
Q = mxl eq(5)
Onde:
m = massa do produto [kg/20h];
l = Calor latente de congelamento [kcal/kg]
Tabela 8 – Calores específicos para o peixe.
Dados utilizados da Tabela 8. Para o cálculo do calor total do produto, será utilizado o
calor sensível de resfriamento 0 até -2,2 [°C], calor latente -2,2 [°C] e o calor sensível
de congelamento -2,2 até -18 [°C]. Substituindo os valores nas eq. (4) e (5).
Qresf = 5000x0,56xx2,2 = 6160kcal/dia
Qlcong = 5000x50 = 250000kcal/dia
Qscong = 5000x0,38x15,8 = 27650kcal/dia
Q3 = 283810kcal/dia

Ocupação:
Os camaristas também dissipam calor para o ambiente, dependendo do tipo de
movimentação, temperatura, roupa, etc. A equação da carga de ocupação é:
Q4 = N de pessoasx Fator tabela10x tempo de permanência
A Tabela 9 apresenta alguns valores do calor equivalente por pessoa em função da
temperatura da câmara, como pode ser visto a tabela não dispõe para valores de
temperatura de -18 [°C], assim, será feita uma média do acréscimo dos dois últimos
valores (15 e 10), essa média é de 12,5 que será acrescentado ao último valor (313
[kcal/h]), dessa maneira, o valor equivalente por pessoa para a temperatura de -18 [°C]
será de 325,5 [kcal/h].

Tabela 9 – Calor de ocupação


O tempo de permanência já foi informado, será de 2 horas por dia, assim, como número
de funcionários (5 pessoas). O valor de ocupação será:
Q4 = 325,5x5x2 = 3255kcal/dia
Iluminação
De acordo com o tipo de lâmpada a ser empregada, a carga térmica no interior da
câmara será menor para as de sódio, pouco menor quando se trata de vapor de mercúrio
ou fluorescente, sendo praticamente o dobro no caso de incandescente. Com a equação a
seguir determina-se a carga térmica devido a iluminação.

Q5 = Px860(kcal h)xTempo de utilização Eq(8)

Onde:

Q5 = Quantidade de calor devido a iluminação [kcal/20h];

P = Potência [kW] 860 kcal/h = Fator de conversão [kW/kcal] Para a quantidade


aproximada lâmpadas utilizadas para iluminação da câmara, o site
STARTECIMPORT.COM.BR fornece a seguinte fórmula:

F  A150[lux]

Onde: F = Fluxo luminoso da lâmpada [lm];

A = é a área da câmara [m²];

150 [lux] = Iluminância para circulação do ambiente.

Sabendo que a área da câmara é de 169,13m2, o fluxo luminoso é:

F =56x150 =8400lm

Sabe-se que a emissão de lumens de uma lâmpada de florescente de 65 [W] é de 4.000


[Lumens], assim, realizando a divisão do total requerido da câmara (F = 7.776 [lm])
pelo valor de cada lâmpada (4.000 [lm]), tem-se que a quantidade de lâmpadas
utilizadas será de 2 [uni]. Assim, a potência das lâmpadas é:

P = 2x65 = 0,13KW

O tempo de utilização será o de permanência dos trabalhadores na câmara, que é de 2


horas dia. Agora substituindo os valores na eq. (8).

Q5 = 0,13x860x2 = 223,5kcal/dia

Motores

Para calcular o calor referente aos motores, estimou-se que serão utilizados dois
motores ideais, para ventilação dos evaporadores, cada motor tem 20 [cv] (14,71 [kw])
cada. Para o cálculo de calor usa-se a fórmula a seguir:

Q6 = NX632,41(kcal/cv.h)XP

Onde:
N = Potência do motor [cv];

632,41 [kcal/cv.h] = Conversão de [cv] para [kcal].

Assim, tem-se:

Q6 = 2x20x632,41= 25296,4kcal/dia

Calor total
Para a carga total requerida, soma-se o calor calculado em cada item. Assim tem-se:

Qtotal=27432,886+26443,35kcal/dia+283810kcal/dia+3255kcal/dia+223,5kcal/dia+252
96,4kcal/dia= 366461,136kcal/dia

TEMPERATURA DE EVAPORAÇÃO

Como o objetivo evaporador é absorver calor da câmara, a temperatura do fluido


deve estar mais baixa que a do ambiente à ser resfriado. Nos catálogos de
evaporadores a capacidade é indicada para uma DT (diferença de temperatura)
de 6 [ºC], que é a mais utilizada para fins comerciais (KALUME, 2017). No
entanto como a temperatura de evaporação influencia diretamente na umidade da
câmara devemos escolher uma DT que atenda o parâmetro de projeto que é a
umidade de 90 [%], como mostrado na Tabela 10

Tabela 10.
Assim, temperatura de evaporação é dada pela temperatura interna da câmara
menos a temperatura do fluido no evaporador.

Tevap = Tint- DT

Onde:

Tint = Temperatura interna [°C];

DT = Diferença entre a temperatura do fluído no evaporador e o ambiente refrigerado


[°C]. Assim, tem-se:

Tevap = -18-5 = -23ºC


TEMPERATURA DE CONDENSAÇÃO

Nos condensadores, o fluido refrigerante precisa perder calor para o ambiente, para isso
a temperatura do mesmo deve ser maior que a do ambiente externo. Nos catálogos de
fabricantes de condensadores a capacidade é indicada para um DT de 10 [°C], no
entanto iremos utilizar as recomendações de ASHRAE no qual mostra o DT para cada
tipo de aplicação:

De 5 [°C] até 8 [°C] para sistemas de congelados;

De 8 [°C] até 11 [°C] para sistemas de resfriados;

 De 14 [°C] até 17 [°C] para sistemas de ar condicionado.

Logo, como o sistema trabalhado é para congelados usaremos a DT (diferença de


temperatura entre o fluido refrigerante no condensador e o ambiente externo) de 5 [°C].
Assim, temperatura de condensação é dada pela temperatura externa da câmara mais a
temperatura do fluido no condensa

Tcond  Text  DT

Onde:

Text = Temperatura ambiente [°C];

DT = Diferença entre a temperatura do fluído no condensador e o ambiente externo


[°C]. Como mostrado anteriormente a temperatura máxima da cidade de João Pessoa é
de 31 [°C],

Tcond  31+5 ºC  = 36ºC

De 8 [°C] até 11 [°C] para sistemas de resfriados;

 De 14 [°C] até 17 [°C] para sistemas de ar condicionado.

FLUIDO REFRIGERANTE

O fluido refrigerante utilizado para o projeto foi o R-404A, pois é bastante utilizado na
prática para temperaturas de evaporação baixas. O fluido refrigerante R-404A possui
algumas propriedades que foram relevantes para a sua seleção. Pode-se citar:

 Não apresenta potencial de destruição da camada de ozônio;

 Baixo potencial de aquecimento global;

 Não é inflamável;

 Baixa toxidade;
 Custo razoável, se comparado com os fluidos refrigerantes similares;

 Possui coeficiente de desempenho (COP) satisfatório;

 Temperatura de evaporação – 46 [°C];

 Massa molecular 97,6;

 Amplamente utilizado nos ciclos frigoríficos. Um ponto negativo é que o fluido é


apenas compatível com óleos sintéticos, porém as qualidades do R-404A são mais
relevantes.

SELEÇÃO DOS EQUIPAMENTOS


 UNIDADE EVAPORADORA

Como a DT desejada é diferente da do catálogo, devemos calcular a capacidade de


evaporação para o DT de 6 [°C] como medida de correção usa-se a seguinte relação:

QE,catálogo = (366461,136kcal/diax6ºC)/5ºC = 439975,36kcal/dia=21987,67kcal/hora

QE,catálogo =87950,672BTU/kcal:

Seleção do evaporador

Inicialmente deve-se verificar se há algum modelo que ofereça uma flecha de ar mínima
de 8 [m] para atender o comprimento máximo da câmara e também utilize o fluido
refrigerante selecionado, no caso o R-404A.

A o evaporador escolhido será da fabricante TRINEVA ARTEFATOS DE


REFRIGERAÇÃO (Figura 8). Como no catálogo não tem o valor correspondente para a
capacidade calculada, o evaporador escolhido será o FTBS 288 que tem uma capacidade
ligeiramente maior, sendo 35.315 [kcal/h] em -25 [°C] e flecha de ar de 20[m] de
alcance, atendendo assim os requisitos do projeto.
Figuras 8 e 9 – Catálogo para escolha de evaporadores

Capacidade requerida

Para calcular a capacidade térmica no DT requerido, disponível no catálogo do


fabricante, será:

QE = (35.315x5)/6 = 29429,165Kcal/hora

UNIDADE CONDENSADORA

Para calcular o calor rejeitado no evaporador precisamos primeiramente da vazão


mássica, que pode ser calculada fazendo um balanço de energia no evaporador
(CREDER, 2004).

ṁ= 29429,165/[(198,7 - 105,2)x(1/4,19)] = 1318,804kg/hora

Uma vez calculada a massa, pode-se calcular a carga requerida no condensador (C.R.C.)
aplicando a primeira lei da termodinâmica no condensador (CREDER, 2004).

C.R.C = 1318,804x(244,8-105,2)x(1/4,19) = 43939,159kcal/h


Como o DT que está sendo utilizado no projeto é diferente do DT do catálogo (10°C),
será feito a conversão do C.R.C para o DT igual a 5°C.

Qe.catalogo =(43939,159x10)/5 = 87878,310kcal/h

Condensador

Deve-se escolher um condensador que atenda a capacidade de catálogo, calculada


anteriormente. Portanto, o condensador selecionado foi o modelo 331-88 de 8 polos da
fabricante Trineva, por não ter um condensador com a capacidade requerida, foi
selecionado um com capacidade ligeiramente maior (Tabela 11)

Tabela 11 – Condensador

Fonte: http://trineva.com.br/pdfs/Catalogo2015_SITE.pdf
COMPRESSOR

A capacidade do compressor é obtida aplicando a primeira lei da termodinâmica no


compressor (CREDER, 2004).

Ẃ = 1318,804x(198,7-244,8) = -60796,86KJ/hora

Ẃ = 16.888556 KW

O compressor de refrigeração escolhido é o Bock Ha34p/315-4 que é compatível com


fluido refrigerante R-404A e está dentro da faixa de operação (Figura 12)

Figura 12 –Compressor

Fonte: http://www.geabock.com.br/pdf/m12.pdf

Figura 13 – Representação do compressor


Conclusão:
Primeiramente foi analisado que a instalação de câmara pré-moldada é mais vantajosa
que a tradicional (feita de alvenaria), pois a apresenta menor perda de calor para o
ambiente. Também foi calculada toda a carga térmica requerida para a instalação e
seleção dos equipamentos que compõem o ciclo térmico compressor, condensador,
evaporador. Adquiriu-se bastante conhecimento com este projeto, pois além do
dimensionamento realizado teve-se contato com catálogos para especificação dos
equipamentos, além do contato realizado com os fabricantes dos equipamentos.

Assim como nos balcões frigoríficos, deve-se evitar a entrada de produtos “quentes” nas
câmaras frigoríficas, a grande maioria dos projetos de câmaras frigoríficas para
supermercados é para produtos “pré-resfriados” e “pré – congelados”, sendo assim, as
câmaras terão apenas que conservar os produtos que necessariamente terão que entrar
com a temperatura próxima àquela que deve ser mantida; 
Evitar ultrapassar a capacidade máxima de armazenagem dos produtos ao qual a câmara
foi dimensionada; Evitar misturar os produtos a serem conservados no interior das
câmaras; cada produto possui uma temperatura de conservação diferente do outro; 
Luzes internas deverão ser apagadas quando as câmaras não estivarem sendo utilizadas; 
As portas das câmaras devem estar fechadas o máximo possível, uma prática errada é a
de deixar a porta de uma câmara frigorífica aberta por períodos longos. Esta prática não
só cria problemas para o conteúdo da câmara pela entrada de ar quente e úmido, mas
também provoca o acúmulo de gelo no evaporador. Por outro lado, esse gelo excessivo
impede o sistema de refrigeração de funcionar com 100% de eficiência até o próximo
período de degelo. Em situações onde as portas das câmaras não podem ficar fechadas,
uma boa saída é a instalação de cortinas de PVC que excluirá a necessidade constante
da reposição do frio, reduzindo o consumo de energia já que a perda é mínima; 
Evitar obstruir a circulação do ar na saída dos evaporadores, além de não garantir a
uniformidade da temperatura no interior da câmara, provocará também um maior
acúmulo de gelo no evaporador; 
Ajustar corretamente a duração e os intervalos de degelo; 
Sempre observar se não há acúmulo de gelo no evaporador, havendo resistência elétrica
queimada, a mesma deverá ser substituída com urgência, caso contrário poderá haver
retorno de líquido na sucção do compressor; 
Evitar que a água do degelo fique no interior da câmara, pois além de ocupar área útil
no interior da câmara com o acúmulo do gelo no piso, o mesmo fica escorregadio
podendo provocar acidentes e também o sucessivo bloqueio de gelo no evaporador
ocorrerá facilmente, etc.
Referências:
A IMPORTÂNCIA DO CÁLCULO DA CARGA TÉRMICA. São Carlos: Tecumseh do Brasil, nov.
2014.

STOECKER, Wilbert F.; JONES, Jerold W.. Refrigeração e Ar Condicionado. São Paulo:
Mcgraw-hill, 1985.

PÉREZ, A.C.A. et al. Procedimentos Higiênico-Sanitários para a Indústria e Inspetores de


Pescado: Recomendações. Santos. 51p. 2007.

<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/288933/mod_resource/content/1/Manu
al%20BPF%20pescado.pdf>

Acesso em 27/10/2018

<https://energyplus.net/weatherlocation/south_america_wmo_region_3/BRA//BRA
_PB_Joao.Pessoa.819180_INMET>

Acesso em 27/10/2018

<http://www.energy-design-tools.aud.ucla.edu/climate-consultant/request-climate-
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<http://www.refrigeracao.net/Legislacao/NBR6401.pdf>

Acesso em 2710/2018

<http://www.ambientegelado.com.br/v51/index.php/artigos-tecnicos/camaras-
frigorificas/291-camaras-frigorificas-aplicacao-tipos-calculo-da-carga-termica-e-boas-
praticas-de-utilizacao-visando-a-racionalizacao-da-energia-eletrica >

Acesso em 2710/2018

<file:///C:/Users/Anne%20Louise%20Bar%C3%A3o/Downloads/10/Refrigera
%C3%A7%C3%A3o/Pescado-Frio-gelo.PDF>

Acesso em 2710/2018

<file:///C:/Users/Anne%20Louise%20Bar%C3%A3o/Downloads/10/Refrigera
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Acesso em 2710/2018
<https://tectermica.com.br/camara-frigorifica-alvenaria_camara-fria-
alvenaria_projeto-construcao.html>

Acesso em 2710/2018

<file:///C:/Users/Anne%20Louise%20Bar%C3%A3o/Downloads/10/Refrigera
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<https://pt.weatherspark.com/y/31438/Clima-caracter%C3%ADstico-em-Jo
%C3%A3o-Pessoa-Brasil-durante-o-ano>

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