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CADERNO Curso Básico de Formação

TEMÁTICO
Policial-Militar 2020

17 POLÍCIA OSTENSIVA II – TÉCNICA

Notas
Objetivos




 Praticar as técnicas de policiamento ostensivo;
 executar o atendimento de ocorrências.

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1. ABORDAGEM POLÍCIAL

Abordagem é o ato pelo qual o policial militar se aproxima e


interpela qualquer pessoa, a pé ou em veículo, a fim de identificá-la
e/ou proceder à busca, de cujo ato poderá ou não resultar outras
ações decorrentes, como orientação, advertência, prisão, notificação
por infração de trânsito, preferencialmente, nos casos em que o
policial suspeite fundamentadamente da pessoa e dela só decorrerá
busca pessoal se, na abordagem, forem verificadas razões para tal.

1.1 Abordagem policial de pessoas a pé

1.1.1 Conceitos básicos


Definidos no Caderno Técnico – Abordagem Policial de Pessoas a
Pé1
1.1.2 Busca pessoal
Regulada pelo Caderno Técnico – Abordagem Policial de Pessoas a
Pé2.
1.1.2.1 Posições básicas de busca pessoal

a. Revista de pé com apoio

1 Caderno Técnico – Abordagem Policial de Pessoas a Pé. Disponível em:


https://intranet.bm.rs.gov.br/Multimidea/Intranet/PM3/Legislacao/CT-
AbordagemPessoasPe.pdf. Acesso em 02 Jan 2019.
2 Caderno Técnico – Abordagem Policial de Pessoas a Pé. Disponível em:
https://intranet.bm.rs.gov.br/Multimidea/Intranet/PM3/Legislacao/CT-
AbordagemPessoasPe.pdf. Acesso em 02 Jan 2019.

Ao avistar o abordado os policiais darão a voz de comando inicial


e posicionarão na forma de triângulo, apontando a arma para a base
da fonte de risco.
No momento em que os policias estiverem postados para fazer a
aproximação do abordado na parede e o patrulheiro guarda a arma,
aproxima-se com a mão esquerda semiestendida na altura do ombro
do suspeito e pressiona contra a parede, a perna fortemente
pressionando a perna direita do suspeito depois de efetuada a revista
no lado direito, troca de braço e passa a revistar o lado esquerdo
mantendo a perna fortemente desta vez sobre a perna esquerda.
Obs.: Quando da mudança de posição na revista o segurança deverá
trazer sua arma na posição de segurança.

b. Revista de pé sem apoio


É o momento da abordagem que ocorre depois que o abordado está
com as mãos para cima, e o policial determina que se vire e coloque
as mãos entrelaçadas na cabeça (isto é determinado porque o policial
está enxergando as mãos do suspeito). Após, guarda a arma
aproxima-se do abordado e segura a mão por inteiro, fazendo uma
chave com o cotovelo, realizando uma alavanca e puxando para trás

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até que fique na posição de arco. Em seguida, revista o lado direito,


troca de mão e revista o lado esquerdo. Se a mão do policial for
menor que a do revistado deverá utilizar a pegada de dois ou três
dedos.

c. Revista de joelhos
É o momento da abordagem que ocorre depois que o abordado está
com as mãos para cima, e o policial determina que se vire e coloque
as mãos entrelaçadas na cabeça (isto é determinado porque o policial
está enxergando as mãos do suspeito). Em seguida determina que
ajoelhe e cruze as pernas, então, guarda a arma aproxima-se e segura
de dois a três dedos do revistado, colocando sua perna direita ou
esquerda entre os dois pés do abordado e com o apoio do joelho
puxa-o até que fique na posição de arco. Revista todo o lado direito
troca de mão e revista o lado esquerdo.

d. Revista deitada
Esta Posição, basicamente, será empregada quando for ocorrência
de alto risco, como delinqüente em fuga, criminoso que trocou tiros
com a guarnição e na abordagem confirmada de veículo furtado.
Devido o alto risco da ocorrência, o primeiro procedimento do
policial é determinar que o indivíduo deite-se ao chão com os braços
abertos, o rosto para o lado contrário do revistador e as palmas das
mãos para cima, o policial revistador fará a algemação dos
indivíduos e posterior a busca pessoal.

1.1.2.2 Técnica de revista


Existem várias técnicas para se realizar a busca pessoal, porém
devemos ter a convicção, quando da utilização destas, que existem
vários locais do corpo humano bem como em suas vestes para
ocultar armas, objetos e entorpecentes.
Devemos destacar, porém que a revista inicialmente deverá ser
em busca de armas, posteriormente se atendo a outras coisas. Porém,
a presença de uma arma não deve desviar a atenção do policial uma
vez que podem existir outras.
Todos somos sabedores que o local mais comum para porte de
armamento é na cintura, então iremos relacionar uma sequência
cronológica para a realização de busca pessoal, porém esta ordem
pode, e deve, ser alterada no momento em que se visualiza o local de
porte de armas.
- cintura
- dorso e ombros
- sob as axilas
- sobre e sob braços e pernas pescoço e cabeça
- sobre o órgão genital
- parte interna e externa das coxas

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- pés e calçados
- bolsas pochetes e sacolas

1.1.2.3 Condução de presos


É atividade de escolta de pessoas presas realizada de casas
prisionais até a sede do juízo respectivo, até unidades de atendimento
médico ou, excepcionalmente, para visitas a familiares.
A execução de escoltas de presos pela BM constitui-se em missão
excepcional e eventual, desenvolvida a título subsidiário, isto é, nos
casos em que a SUSEPE (órgão encarregado de fazê-la, conforme
Lei Estadual nº 6.503/72) não disponha de pessoal para realizá-las.
As escoltas de presos no Estado serão cumpridas, de regra, mediante
requisição de autoridade judiciária.
As solicitações de escoltas de presos provenientes de
administradores de estabelecimentos penais poderão ser atendidas,
desde que haja urgência de atendimento médico ou hospitalização.
Os presos deverão ser conduzidos em veículos apropriados,
fornecidos pela SUSEPE ou pelo juízo requisitante ou, em caráter
excepcional, em viatura adequada da Corporação, desde que haja
disponibilidade, inclusive de combustível. É expressamente vedada a
realização de escolta de presos que forem transportados em veículos
de transporte coletivo.
O não atendimento de requisição judicial de escolta poderá
implicar em responsabilização criminal do comandante respectivo,
por desobediência, motivo pelo qual, na impossibilidade de
atendimento da ordem, deverá ele manter imediato contato com a
autoridade requisitante.
A necessidade de algemas na condução de presos deve ser
avaliada pelo comandante da escolta, devendo, no entanto, ser
observadas as prescrições legais existentes a respeito, especialmente
as dos art. 234, § 1º, e 242 do Código de Processo Penal Militar
(CPPM). Preso é elemento que já foi retirado do convívio social pela
justiça, constituindo-se em fonte de perigo para a escolta, devendo,
portanto ser algemado.
A execução de atividades de segurança pela BM, nas sessões de
julgamento, constitui-se em missão excepcional e eventual,
desenvolvida em atendimento a requisições judiciais fundadas nos
art. 497, II, e 794 do CPP, e 184 do COJE, ou a título subsidiário,
isto é, nos casos em que a SUSEPE não disponha de pessoal para
realizá-las. A deliberação acerca do quantitativo de efetivo a ser
empregado em tais atividades constitui atribuição dos comandantes
dos OPM respectivos, que considerarão as peculiaridades de cada
caso, e os policiais militares escalados para tais atividades deverão
seguir as determinações do respectivo juiz quanto ao local em que
devem permanecer, durante a sessão.

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a. Passos da escolta
1º - Conhecimento do apenado: a escolta deve tomar conhecimento
da pessoa a ser escoltada, observando seu prontuário penal, tendo
especial atenção aos delitos cometidos pelo mesmo, seus comparsas,
se já tentou fugas ou resgates e modus operandi, e a periculosidade
do apenado.
2º - Planejamento: com base nas informações colhidas junto ao
prontuário do apenado e com o conhecimento do destino e da missão
a equipe de escolta deve traçar sua estratégia de ação, estudando pelo
menos dois roteiros com rotas alternativas, no caso de necessidade
de manobras evasivas. O roteiro deve ser conhecido e estudado,
levando-se em conta os horários de pico do trânsito, possíveis
engarrafamentos, praças de pedágio, pontes móveis, interrupções da
via por obras, pois a escolta não pode ficar parada no trânsito
correndo o risco de tentativa de resgate. O sigilo no planejamento é
fundamental para o sucesso da operação e a parte logística também
deve ser levada em conta pelo comandante da mesma.
3º - Recebimento do preso: o comandante da escolta deve conferir a
documentação recebida (ordem judicial, prontuário penal e ordem de
serviço que regula a ação); o comandante da escolta, o segurança e o
revistador devem se conduzir até a triagem da casa prisional ou local
apropriado para fazerem a identificação e revista do apenado; de
posse do prontuário, o motorista da escolta e a viatura de segurança
devem fazer a escolta externa da casa prisional; de posse do frontal,
o comandante da escolta deve identificar o apenado, observando seus
dados pessoais e outros sinais característicos de identificação,
assegurando-se de que se trata da pessoa correta a ser escoltada.
Após, o revistador determina ao preso para que retire todas as suas
roupas, realizando minuciosa revista nas vestes, dando grande ênfase
às costuras e aos calçados. A revista no apenado deve ser realizada
de cima para baixo, com três agachadas. O revistador não deve estar
armado, no momento da revista minuciosa procedida no preso, e
deve estar usando EPI. Depois de todo este procedimento, o apenado
deve ser algemado com as mãos para trás (as algemas devem estar
travadas) e conduzido para a viatura.
4º - Deslocamento: o apenado deve ser conduzido em xadrez (caso a
viatura não possua, deve ser conduzido no banco de trás da viatura,
entre dois PMs e nunca atrás do banco do motorista). Quando a
escolta requerer mais de uma viatura, durante o deslocamento, estas
devem alternar suas posições. É regra fundamental para a segurança
da escolta que esta não pare em nenhum momento do trajeto, a não
ser que seja em local seguro e por motivo de força maior. Caso haja
problemas técnicos com as viaturas ou a verificação de tentativa de
resgate, a operação deve ser abortada, retornando a escolta para a
origem ou para local seguro aguardando novas orientações. Quando
a escolta for feita por duas viaturas e em caso de tentativa de resgate,
a viatura de segurança deve dar combate aos resgatadores,
propiciando à viatura que conduz o preso a manobra evasiva. A
velocidade da escolta deve ser de segurança, não significando que
deva ser em alta velocidade. Os integrantes da escolta devem estar

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atentos durante a passagem por praças de pedágio, com veículos


parados às margens da via, semáforos fechados, congestionamentos,
acidentes de trânsito, etc.
5º - Chegada ao destino: ao chegar ao local de destino, a equipe de
segurança deve fazer uma avaliação rápida do local, analisando o
perímetro e as condições de segurança. Caso seja detectado algum
risco para a escolta, esta deve se deslocar para o quartel da BM mais
próximo ou para outro local que considere seguro e solicitar ao OPM
com responsabilidade territorial sobre o setor para que proceda a
uma verificação mais apurada do local e, somente após a certeza de
segurança, retorne para o local de destino. O comandante da escolta
e os demais integrantes se deslocarão com o apenado para o interior
do local de destino, ficando apenas os motoristas no lado de fora,
sendo estes responsáveis pela segurança externa deste local. O
apenado nunca pode ficar sozinho e sem escolta, nem mesmo em
banheiros. Contatos com familiares ou advogado somente poderão
ocorrer com a autorização da autoridade judicial e, quando
autorizados, sempre sob a supervisão da escolta, pois pode ser o
momento da passagem de algo proibido para o detento. Os locais
onde o apenado deva permanecer ou adentrar devem ser previamente
fiscalizados pela escolta. As condições de segurança devem ser
permanentemente avaliadas pelo comandante da escolta e, assim que
considerar que o local não é mais seguro, deverá ser informado à
autoridade judicial.
6º - Retorno: serão seguidos os passos inversos. A escolta deverá
atentar para que este possa ser o momento de maior risco de tentativa
de resgate, sendo que a atenção deve ser redobrada. Após a entrega
do apenado na casa prisional deve ser confeccionado relatório da
operação relatando dificuldades, criticas e dando sugestões para a
melhoria do planejamento para futuras operações de escolta.
1.2 Deslocamentos de tropa a pé
Ao se deslocarem no processo a pé, as guarnições devem adotar
alguns procedimentos padronizados com o objetivo de proporcionar
maior segurança e definição de responsabilidade a cada integrante.
1.2.1 Progressão
a. Coluna única: o ponta é responsável pela segurança frontal; os
primeiro e segundo homens cuidam o flanco esquerdo e direito; e o
último homem é o responsável pela retaguarda. Quando houver mais
de uma equipe, será uma após a outra.
b. Coluna dupla: da mesma forma da coluna única, mas ocupando
os dois lados do caminho.
Quando tiverem apenas 03 homens, a sequência será o ponta,
depois o homem que deverá dar atenção aos dois flancos e, por
último, o responsável pela retaguarda.
Os integrantes das equipes deverão dispensar grande atenção,
quando adentrarem em locais com edificações na vertical ou em
locais tais como favelas em morros, pois as equipes ficam
fragilizadas pelo perigo de fogo que possa vir do alto. Paredes e
encostas devem ser utilizadas na progressão como proteção de
flanco, devendo evitar progredir em locais abertos.

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Em caso de confronto, os integrantes das equipes devem se


abaixar ficando na posição de joelhos, com as costas viradas para seu
companheiro, permanecendo cada um com a arma apontada para a
sua área de cobertura e efetuando disparos, caso o oponente esteja
fazendo fogo desta direção. Após, a equipe deve se organizar no
sentido de buscar abrigo, sempre respondendo ao fogo inimigo.
Ao aproximar-se de um veículo em uma barreira, o policial deve
procurar fazê-lo pela retaguarda, aproveitando o ângulo morto
proporcionado pela coluna lateral do veículo, nunca se colocando
totalmente em frente à janela. Deve observar atentamente o interior
do veículo, fazendo com que o motorista tenha que girar a cabeça
para trás para apresentar seus documentos. O policial nunca deve
entrar na linha de tiro do seu apoio (segurança), caso exista algum.
1.2.2 Cobertura
Ao atravessar áreas abertas, o ponta deverá dar cobertura aos demais
até atingirem um local seguro e, depois, estes lhe darão segurança
para fazer a travessia.
1.3 Deslocamento motorizado
1.3.1 Rotinas de patrulhamento:
- a velocidade da viatura no patrulhamento deve ser de 40 Km/h, no
máximo;


durante o patrulhamento, as janelas da viatura estarão sempre
abertas para permitir melhor visualização e agilidade;

 os policiais devem estar atentos para a aparência do pedestres em


geral, suas mãos, volumes sob a roupa, suas vestes em relação no
ambiente (agasalhado em dia quente, etc.), aparência emocional
(pessoa assustada, nervosa, etc.)

 devem atentar para o aspecto geral dos veículos, chaves no


contato, sinais de violação, placas, reação dos ocupantes, objetos no
interior;

 observar atentamente o interior de estabelecimentos comerciais,


bancos, empresas, escolas, entre outros;

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 qualquer homem da equipe que observar algo suspeito, deve


alertar os demais para a averiguação;

 o patrulheiro é o encarregado da pesquisa referente às relações de


veículos furtados e de alerta amarelo;
 o motorista deve ter total atenção, por isso deve manter distância
de outros veículos, a fim de permitir manobrar em caso de
necessidade;
 no caso de qualquer parada da viatura, os patrulheiros devem
desembarcar a fim de prestarem segurança à equipe;

 todo solicitante que se aproximar deve ser encaminhado ao


comandante de equipe;

 o motorista sempre obedece aos sinais e regras de trânsito, exceto


em casos de emergência e, mesmo assim, devidamente identificados
por dispositivos regulamentados de alarme sonoro e iluminação
vermelha intermitente, conforme previsto na Lei nº 9.503, de 23 de
setembro de 1997;

 via de regra, o motorista será o segurança da viatura e, quando a


equipe desembarcar para alguma averiguação, deverá ficar atento ao
rádio;

 estando a viatura estacionada, caso algum transeunte solicite


informações, o PM segurança o encaminhará ao comandante da
equipe, o qual atenderá o solicitante sempre desembarcado.

2. TECNICAS DE ABORDAGEM

2.1 Técnicas de abordagem de pessoas a pé


As técnicas de abordagem de pessoas a pé estão reguladas no
Caderno Técnico - Abordagem Policial de Pessoas a Pé3.
Durante a abordagem de pessoa a pé, o policial dará os seguintes
comandos:
- Polícia! Parado, não se mova!
- Levante as mãos devagar acima da cabeça.
- Coloque as mãos na parede, abra as pernas e afaste-se desta.
- Deve, ainda, comandar ao abordado para virar o rosto ao contrário
do revistador ou determinar que olhe para baixo.

2.2 Abordagem de veículos4


- É um momento crítico. É quando o suspeito, caso seja infrator,
geralmente tentará fugir ou reagir;
- o motorista da viatura deve sinalizar, acionando o sistema de luzes,
sirene, piscando faróis altos e acionando a seta indicando em qual

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lado da via o veículo deverá parar (sempre que possível, o lado


direito, evitando-se prejuízo ao trânsito);
- os patrulheiros devem ter atenção à retaguarda e laterais,
sinalizando por gestos para evitar que, neste momento, outros
condutores acidentalmente se interponham entre a viatura e o veículo
suspeito, ou atrapalhem o estacionamento;
- com o veículo suspeito estacionado, o motorista da viatura deve
pará-la poucos metros atrás (3 a 5 m), ligeiramente à esquerda,
proporcionando melhor visão ao comandante de equipe e protegendo
o veículo com sua porta aberta para evitar que outros condutores
incautos, que venham por trás, colidam contra o veículo-alvo ou
atropelem o PM que fará a vistoria. Se a abordagem, por motivos
excepcionais, se der do lado esquerdo da via, a posição será inversa;
- os PM devem estar com as armas de porte (pistola ou revólver) nas
mãos, dedos fora do gatilho, e prontos para enfrentarem uma reação
dos suspeitos;

3 Caderno Técnico – Abordagem Policial de Pessoas a Pé. Disponível em:


https://intranet.bm.rs.gov.br/Multimidea/Intranet/PM3/Legislacao/CT-
AbordagemPessoasPe.pdf. Acesso em 02 Jan 2019.
4 Abordagem de Caderno Técnico – Abordagem a veículos. Disponível em:
https://intranet.bm.rs.gov.br/Multimidea/Intranet/PM3/Legislacao/AbordagemVe
%C3%ADculos.pdf. Acesso em 02 Jan 2019.


- o comandante de equipe deve manter a atenção no veículo e
suspeitos; o motorista deve ficar atento no trânsito e à frente; os
patrulheiros atentos à retaguarda e laterais, pois os suspeitos podem
ter “escolhido” o local para pararem;
- com calma, educadamente e com energia, num tom de voz
suficiente alto para ser ouvido, o comandante de equipe determina
que o condutor desligue o motor do veículo, para evitar tentativa de
fuga;
- determina que, de um a um, todos desembarquem e se posicionem
na parte traseira do veículo (entre o veículo e a viatura), com as
mãos sobre ele, costas voltadas para a viatura, sem que nada peguem
do interior do veículo, até que seja realizada a busca veicular;
- enquanto os suspeitos não se posicionarem e sem ter completo
controle sobre suas mãos, a equipe permanece semidesembarcada,
abrigada pelas portas e lataria da viatura, pois pode ocorrer uma
reação neste momento e o veículo pode arrancar, deixando os PM
para trás, desembarcados, ou podem ser atingidos para cessar a
perseguição, pois então a prioridade será socorrer o ferido;
- se houver comprovadamente crime envolvendo os suspeitos, estes,
ao desembarcarem, imediatamente devem deitar-se de frente para o
solo, com os braços e pernas estendidos; quando todos estiverem em

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posição, a equipe aproxima-se, algema todos e realiza a revista


pessoal e no veículo. Se houver refém, somente após a revista
pessoal e a completa certeza de sua condição, é que será
desalgemado e tratado como vítima (um delinquente pode tentar se
passar por vítima e tentar reagir libertando a si e os demais), as
demais determinações obedecem ao treinamento executado para
abordagem de suspeitos.

2.3 Abordagem em edificações


Em ambientes fechados a técnica é a mesma. Porém, em virtude
do perigo redobrado, devemos ter cuidados especiais com escadas,
janelas e alçapões devendo o policial movimentar-se com extrema
cautela e silêncio, pois um ruído qualquer poderá denunciá-lo a seu
oponente. A sombra do policial também pode denunciá-lo.
O policial deve realizar a varredura nos ambientes utilizando a
técnica do terceiro olho, ou seja, arma e olhos voltados para a mesma
direção, permitindo uma reação imediata. É importante salientar, que
ao passar por vãos e aberturas, o policial deve recolher a arma junto
ao corpo para que ela não lhe seja arrancada das mãos por um
oponente escondido do outro lado.
Ao atravessar corredores e salões poderão ser encontradas
inúmeras portas. Abri-las sem se certificar do que existe por trás é
extremamente perigoso.
As escadas são locais considerados como críticos para a
progressão do policial, que se depara constantemente com curvas e
ângulos mortos onde, geralmente, o domínio é do oponente, que
estará acima de nós.
Janelas, segundo estatísticas, são responsáveis pela morte de
inúmeros policiais. Assim, é imprescindível que se evite exposições
do corpo em frente a uma janela, mesmo que esta esteja coberta por
cortinas, pois a silhueta ficará visível.
Durante a transposição de portas, o policial deve lembrar-se
sempre de empurrar a mesma até seu limite, certificando-se que não
há ninguém atrás. A transposição de quaisquer obstáculos como
muros e paredes deve ser rápida e nunca na posição totalmente em
pé, pois é importantíssima a presença de cobertura no momento.
O policial não deve passar por armários, cortinas, camas, biombos
ou outros móveis que possam abrigar uma pessoa, sem antes revistá-
los como possíveis esconderijos, o que possibilitaria um oponente às
suas costas.

2.4 Abordagem de veículos de carga


- Dificilmente tentam evasão, pois é praticamente impossível.
- Cuidado durante a parada do veículo, pois a carga impede a sua
visualização, ou próximo, até o controle dos suspeitos.
- Ao revistar-se o compartimento de carga, fazer a conferência das
notas fiscais e partes da carga por amostragem. Havendo certeza de
transporte de material ilegal (entorpecentes por exemplo), conduz-se

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tudo ao DP da área, após revista dos suspeitos e da cabina, onde toda


a carga será vistoriada.
- Todos os demais procedimentos já vistos são válidos.
- Há, ainda, que se ter extremo cuidado com os veículos de
“escolta”, principalmente no caso de transporte de entorpecentes ou
cargas roubadas.

2.5 Abordagem de ônibus


- Ao parar o ônibus, o comandante de equipe entra pela frente,
determina ao motorista para que mantenha a porta de trás fechada,
solicita que todos os passageiros do sexo masculino desembarquem;
- todos se colocam de frente para a lateral do ônibus, com as mãos
sobre ele; os patrulheiros realizam as revistas pessoais; o
comandante de equipe e o motorista, próximo à viatura, realizam a
segurança;
- após a revista, todos se viram e permanecem com as mãos para
trás, enquanto os patrulheiros embarcam, verificam se nada foi
“dispensado” e, caso necessário, revistam as bolsas das mulheres e
os lugares que ocupam;
- exceto nos casos de forte suspeita, ônibus devem ser vistoriados em
locais de pouco movimento e quando houver um número pequeno de
passageiros, pois muita gente dificulta
o trabalho e atrapalha o controle visual, além de haver a
possibilidade de reféns; neste caso é importante o apoio de outras
equipes;
- todos os demais procedimentos, no que couber, são válidos.

2.6 Abordagem de suspeito em grupo


- É mais complexa;
- necessita maior cautela;
- exige sempre o emprego de maior número de policiais, portanto é
recomendável não ser desencadeada por policiais em duplas ou
isolados;
- quando motorizados, a viatura deverá ser parada em posição
vantajosa ao grupo, com o objetivo de proporcionar sua imediata
movimentação; a seguir, os integrantes da guarnição tomam posição
de abordagem posicionando-se de forma segura e mantendo total
controle do grupo;
- é conveniente que se determine aos suspeitos que se afastem uns
dos outros e que adotem a posição para a busca pessoal, que deverá
ser sempre de costas para a guarnição e em posição de desequilíbrio;
- os policiais devem se postar de maneira que não fiquem na linha de
tiro dos colegas.

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2.7 Abordagem em locais movimentados


- Exige muita serenidade e equilíbrio;
- o policial deve atuar de forma a angariar a simpatia e o apoio do
público, a fim de que este não se volte contra a sua ação;
- a população julgará a ação dos policiais pelo que presenciar e, não
raras vezes, poderá confundir o emprego de força física e energia
com violência e arbitrariedade, motivo pelo qual o policial deverá
medir seus atos;
- é dever do policial procurar, controlar a situação por meios
persuasivos e estratagemas, de modo a fazer com que o delinquente
se sinta em condições de inferioridade, permitindo a abordagem sem
resistência;
- o policial deve utilizar sua arma apenas como último recurso, pois
se um projétil atingir um transeunte não envolvido na ocorrência, o
fato trará repercussões comprometedoras à Corporação e ao policial;
- caso o policial seja recebido a tiros por um delinquente, deve
procurar agir com serenidade e segurança, tentar conduzir a
ocorrência pra um local ermo permitindo ao criminoso uma fuga
ilusória e acionar mais recursos para sua captura, se necessário.

2.8 Abordagem de suspeitos em estabelecimentos comerciais


É o tipo de abordagem que oferece riscos para os executores, pois
na confusão reinante normalmente nesses locais (bares, canchas de
bocha e outros), algum delinquente poderá aproveitar-se para agredir
e tentar evasão.
Há que se considerar, quando do estudo de situação, a reputação
do local e do estabelecimento, seus frequentadores habituais,
personalidade do proprietário e gerente.
Todas as saídas possíveis deverão ser observadas, incluindo-se
sanitários, portas para depósitos, janelas saídas de emergência, etc.
Dentro do estabelecimento, verificar a disposição das mesas,
incluindo de bilhar, posição do balcão, de engradados etc.
Normalmente a abordagem em estabelecimentos comerciais exige a
cobertura de outra patrulha, ou seja, deve ser executada por um
número maior de policiais. Deve-se realizar o cerco no local.

2.2.7.6 Considerações gerais


Nenhum transeunte deve cruzar o sítio de abordagem, excetuando-
se quando for possível contornar (sempre há a possibilidade do
pedestre inocente ser agarrado como refém), neste caso, após rápida
revista superficial realizada pelo comandante de equipe ou
patrulheiro (dependendo da direção de onde venha) à procura de
armas, deve passar o mais longe possível dos suspeitos.
A boa educação é fundamental, pois este tipo de ação, por mais
bem realizada e discreta, causa constrangimento ao cidadão honesto;
mas a energia é sempre necessária pois uma atitude firme, bem

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coordenada e treinada pode inibir uma possível reação que seria


tentada se os PM agissem displicentemente;
Se surgirem situações em que o suspeito alegar impossibilidade
física de desembarcar, o comandante de equipe determina que
coloque as mãos para fora do veículo, pela janela, permanecendo
assim até a equipe se aproxime e verifique a veracidade. Mesmo
assim, dentro das possibilidades, deve ser revistado, bem como o
local que ocupa no veículo;
Algumas abordagens podem ser menos rigorosas, dependendo da
situação. Entretanto, o policial deve estar atento, pois mesmo as
pessoas idosas, mulheres e crianças, por despertarem menos
suspeitas, podem ser utilizadas para transporte de material ilícito,
produtos de crime ou, ainda, serem reféns). Neste caso, também
podem permanecer no veículo, com o controle de suas mãos. Se algo
for constatado, então desembarcam para uma revista completa.
É comum o suspeito perguntar o motivo da abordagem; neste caso
o comandante de equipe deve explicar o serviço, a atitude da equipe,
os motivos que fundamentaram a suspeita e a consequente vistoria,
mostrando aos civis o grau de profissionalismo dos policiais
militares.
Cuidado com suspeitos agressivos que se recusam submeter-se à
revista e ameaçam a equipe; podem ser simples ignorantes da
atividade policial ou estarem tentando intimidar os PM ou desviando
sua atenção de algo escondido em seu veículo ou vestes. Com
energia e educação os policiais devem alertar para os crimes de
desobediência, desacato e resistência, por se oporem ao exercício
discricionário do poder de polícia e à vistoria realizada.
Em locais abertos, um dos policiais deve estar sempre voltado
para a segurança da retaguarda.
É muito difícil e perigoso acompanhar uma motocicleta no trânsito
urbano. Se o suspeito decidir evadir-se, o ideal é a abordagem
quando a moto estiver parada, estacionada ou não tiver vias de fuga.

2.3 Uso de algemas


2.3.1 Amparo legal
De acordo o artigo 234 do Código de Processo Penal Militar:

O emprego de força só é permitido quando indispensável, no caso de


desobediência, resistência ou tentativa de fuga. Se houver resistência da parte de
terceiros, poderão ser usados os meios necessários para vencê-la ou para defesa do
executor e auxiliares seus, inclusive a prisão do ofensor. De tudo se lavrará auto
subscrito pelo executor e por duas testemunhas.
Emprego de algemas
§ 1.º O emprego de algemas deve ser evitado, desde que não haja perigo de fuga
ou de agressão da parte do preso, e de modo algum será permitido, nos presos a
que se refere o art. 242.

O artigo 242 do Código de Processo Penal Militar estabelece que:

Serão recolhidos a quartel ou a prisão especial, à disposição da autoridade


competente, quando sujeitos a prisão, antes de condenação irrecorrível:
a) os ministros de Estado;

Atualizado em abr-20 MP 9–13


Curso Básico de Formação Policial-Militar 2020 NOTAS DE AULA

b) os governadores ou interventores de Estado ou Território, o governador do


Distrito Federal, seus respectivos secretários e chefes de polícia;
c) os membros do Congresso Nacional, Conselhos da União e das Assembleias
Legislativas dos Estados;
d) os cidadãos inscritos no Livro de Méritos das ordens militares ou civis
reconhecidos em lei;
e) os magistrados;
f) os oficiais das Forças Armadas, das polícias e dos corpos de bombeiros
militares, inclusive os da reserva, remunerada ou não, e os reformados;
g) os oficiais da Marinha Mercante Nacional;
h) os diplomados por faculdade ou instituto superior de ensino nacional;
i) os ministros do Tribunal de Contas;
j) os ministros de confissões religiosas.

2.3.2 Procedimento operacional


2.3.2.1 Procedimentos para algemar
O policial militar deve atentar para os seguintes procedimentos
básicos:
- algemar sempre o preso com os braços para trás;
- partir da posição de busca pessoal;
- colocar a arma no coldre segurando as algemas com a mão direita;
- mantendo-se afastado do preso, o policial militar o mandará abaixar
a mão direita, colocando-a nas costas, com a palma da mão voltada
para cima;
- aplicar a algema no pulso direito, mantendo o buraco da fechadura
voltado para fora;
- continuar segurando com a mão direita o punho direito algemado;
segurar o preso pela roupa, no meio das costas, com a mão esquerda,
determinando para que o mesmo apoie a cabeça na parede;
- mandar o preso abaixar a mão esquerda, colocando-a nas costas,
com a palma da mão para cima;
- colocar a algema na mão esquerda do preso, usando a mão
esquerda, enquanto a mão direita segura firmemente as algemas;
- conduzir o preso sempre do lado oposto à arma, para evitar que ele
possa apoderar-se dela;
- utilizar, sempre que possível, a trava de segurança da algema;
- durante a locomoção do preso, sempre verificar as condições da
algema e do algemado.

2.3.2.2 Procedimentos para retirar a algema


- Deve ser feita apenas em local seguro;
- Enquanto um policial retira as algemas, o outro permanece dando
cobertura;
- permanecer atento para um eventual ataque do preso;

Atualizado em abr-20 MP 9–14


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- só remover as algemas quando o preso estiver em local seguro.

Referência bibliográficas
BRASIL. Código de Processo Penal: Edição atualizada até abril
de 2017. Brasília: Senado Federal, 2017. Disponível em:
http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/529749/codigo_
de_processo_penal_1ed.pdf. Acesso em 09 Jan 19.
BRASIL. Decreto-Lei nº 1.002, de 21 de outubro de 1969 –
Código de Processo Penal Militar.
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Brigada Militar. Caderno
Técnico – Abordagem Policial de Pessoas a Pé. Disponível em:
https://intranet.bm.rs.gov.br/Multimidea/Intranet/PM3/Legislacao/C
T-AbordagemPessoasPe.pdf. Acesso em 02 Jan 2019.
________. Diretrizes de Policiamento Ostensivo.

Atualizado em abr-20 MP 9–15