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Comunicação internacional entre universidades: Processo e estratégias de comunicação em intercâmbio

Introdução O atual contexto de globalização traz para a comunicação internacional das universidades novos desafios nas formas de interação com seus públicos, representados, principalmente, na construção conjunta de conhecimento em nível internacional. A internacionalização universitária é promovida por redes acadêmicas, cooperação horizontal, convênios e intercâmbios internacionais. Com pressuposto neste contexto, o presente trabalho consiste no estudo de caso do Programa Escala Estudantil da Associação de Universidades do Grupo Montevidéu (AUGM). Esta associação, fundada em 1991, tem por finalidade principal impulsionar o processo de integração de suas universidades membros através da construção de um Espaço Acadêmico Comum Ampliado Latino-Americano (ESCALA), que proporciona a realização de intercâmbios internacionais universitários. Nos intercâmbios internacionais entre universidades, ocorre um processo de comunicação no qual o emissor é formado pela universidade promotora de intercâmbio, a mensagem é composta por informações sobre intercâmbio e direcionada aos receptores, que são os intercambistas e as pessoas interessadas em intercâmbio. Além disso, pode-se identificar canal e veículo de comunicação, que aqui serão classificados como estratégias de comunicação. Assim, o problema da presente pesquisa pode ser especificado pela seguinte questão: como ocorre e qual a eficácia do processo comunicativo e das estratégias de comunicação utilizadas pelo Programa ESCALA Estudantil AUGM para intercâmbio internacional universitário? A importância desta pesquisa para a área de comunicação deve-se ao fato de que esta, através do estudo de caso do Programa ESCALA Estudantil AUGM, tem como principal objetivo analisar o processo comunicativo e as estratégias de comunicação que são utilizadas nos intercâmbios internacionais entre universidades, bem como verificar a eficácia destes para seu público-alvo, os intercambistas e pessoas interessadas em intercâmbio.

Globalização do Conhecimento e Internacionalização das Universidades Com o deslocamento dos eixos de poder do mundo, as relações entre os países modificaram-se e, em decorrência, também o papel das instituições universitárias dentro das suas próprias nações e entre elas. Governos, empresas, instituições e pessoas passaram a ter no conhecimento o grande referencial para planejar o seu futuro. Carlos Tünnermann Bernhein (2006) afirma que uma das características da sociedade contemporânea é o papel central do conhecimento em processos produtivos, ao ponto que a caracterização mais freqüente que se costuma dar é a de “sociedade do conhecimento”. Assiste-se a emergência de um novo paradigma econômico-produtivo no qual o fator mais importante não é a disponibilidade de capital, mão-de-obra, matérias-primas ou energia, mas sim o uso intensivo do conhecimento.1 Ainda, cabe aludir ao caráter internacional do

professores e estudantes.3 Nesse sentido. visando à exploração das fronteiras do conhecimento. e em seus diferentes níveis. a emergência de um conhecimento sem fronteiras e da sociedade da informação. pode-se citar: presença de estrangeiros num determinado campus. quanto bilateral. promovendo cursos de treinamento em outros país. correta e oportuna. tecnológica. porque se os Estados têm fronteiras. extensão. principalmente voltadas para o âmbito da cooperação institucional (STALLIVERI. Para a universidade. pesquisadores. a cooperação acadêmica internacional tem se revelado de grande importância. o conhecimento tem horizontes. acadêmica. número e magnitude de concessões de pesquisa internacional. Hoy dia la Cooperación Académica se ve como la capacidad que pueden desarollar las instituciones de educación superior para relacionarse com otras instituciones académicas.2 conhecimento contemporâneo. professores. As redes de cooperação formadas pelas universidades aproximam as 3 Tradução: Hoje em dia. De acordo com Luis Nuñez Gornés (2001). O processo de internacionalização das universidades pressupõe cooperação em todas as suas formas: cooperação científica. estabelecimento. ou oferecimento de contratos de educação à distância. formando colaborações de pesquisa. universidades com metas internacionais. investigação. difusão ou serviços acadêmico-profissionais). investigación. multilateral. em um mundo cada vez mais globalizado. com a finalidade de igualar necessidades com possibilidades. p. a internacionalização universitária é fundada na idéia do valor universal do conhecimento e da formação e expressa pelas diversas formas de cooperação entre instituições.intensificam com muita voracidade os laços transnacionais. atração de estudantes internacionais. mediante el intercambio de productos académicos (sean estos de docencia. Assim. 2001. etc.05). mediante o intercâmbio de produtos acadêmicos (sejam estes de docência.. governamentais e sociais. de campi em outros países. grau de imersão internacional no currículo. entre outras relações que a universidade pode estabelecer no meio internacional.3 . a fim de realizar as transformações e as inovações necessárias que visam sustentar e melhorar os meios de produção dos países. mas também pela capacidade de aplicá-lo de forma eficiente. estabelecendo conexões e criando redes de saber universal. Entre as formas de internacionalização universitária. projetos de pesquisas internacionais cooperativas. gubernamentales y sociales.2 Juan Carlos Gottifredi (2002) afirma que vivemos uma época que se caracteriza não pela mera globalização do conhecimento. a cooperação acadêmica se vê como a capacidade que podem desenvolver as instituições de educação superior para relacionar-se com outras instituições acadêmicas. via internet. extensión difusión o servicios académico-profesionales). tanto a cooperação horizontal e vertical. 2002). leva desafio inédito para a educação superior contemporânea: internacionalizar-se para sobreviver. com la finalidad de empatar necesidades com posibilidades (GORNÉS. tanto no sentido de atualizar professores e pesquisadores como de lhes proporcionar condições de diálogo e trabalho. sociedades internacionais envolvendo assistência para universidades estrangeiras. pesquisadores e de gestores. Stalliveri (2002) afirma que a mobilidade de estudantes.

afirmam que Entre os propósitos de Schramm estava a revisão. 101 -102). representado pelos cinco sentidos elementares (POLISTCHUK e TRINTA. 2003). uma vez mais. possuem um conteúdo e manifestam dado modo de ser. segundo Aristóteles. cinco modelos de processo de comunicação com base nas teorias de Aristóteles. do modelo de Shannon e Weaver. um emissor (mecânico) a codifica (converte em sinais). que elabora uma mensagem a partir de sinais tomados de um repertório (código). a um canal natural. Shannon e Weaver. de acordo com as regras e combinação de um código determinado. 2003). cria as condições para o desenvolvimento dos países e o incremento da qualidade de vida das populações. de uma parte e de outra.18). por que meio. As mensagens trocadas (retroalimentação pressuposta) recebem. unidos. O terceiro modelo consiste no teórico-matemático da comunicação de Shannon e Weaver. Assim. dizendo alguma coisa (o quê) e se dirige a alguém que “a ouve” (a quem) (POLISTCHUK e TRINTA. Sobre o modelo teórico de Wilber Schramm. com o plano de o aplicar à . 2002. Abordaremos. reforçando a premissa de que é no seio da universidade que devem ocorrer os grandes científicos e tecnológicos e a efetiva integração dos povos. Processo e Estratégias de Comunicação O ato elementar de comunicação implica a existência de um emissor. que tem o mérito de explicitar características fundamentais de tal processo. acima de tudo. através das diferentes formas de cooperação. P. um tratamento. Este capta os sinais e os decodifica. com a ajuda dos sinais que ele tem armazenado em seu próprio repertório. a quem e com que efeitos?” (POLISTCHUK e TRINTA. esses sinais são transmitidos por meio de um canal específico a um receptor (mecânico). então. que diz: Uma fonte emissora de informação (emitente humano) seleciona. David Berlo e Wilber Schramm O paradigma clássico da comunicação. Em 1960. a internacionalização das universidades. é: “pessoa que fala” (quem). de um canal pelo qual a mensagem é transferida através do espaço e do tempo. 2003). 2003. o qual recebe a mensagem e a decifra (decodifica). De acordo com Ilana Polistchuk e Aluízio Ramos Trinta (2003). Polistchuk e Trinta (2003). tem sido o gatilho para a melhoria da qualidade do ensino e da pesquisa que. pode-se classificar modelos do processo de comunicação de acordo com teorias e paradigmas. e de um receptor. as diferenças e as especificidades de cada nação (STALLIVERI. Ou seja: “quem diz o quê. em um conjunto de mensagens possíveis. dada mensagem.3 comunidades científicas de diferentes partes do planeta. p. assim convertidos. Passam. O modelo de Harold Laswell acrescenta ao modelo clássico de comunicação as questões: por que meio (como) e com que efeitos (para quê). neste trabalho. recuperando a mensagem original e permitindo sua assimilação por parte de um destinatário (humano) (POLISTCHUK e TRINTA. “pronuncia um discurso”. Harold Laswell. David King Berlo lançou o “modelo dos ingredientes da comunicação”. equilibrando as posições de emissor (“o que possui algum conhecimento”) e receptor (“o que faz algum reconhecimento”). respeitando.

oral. eletrônico e virtual. 83). 107). correspondências. a forma como as pessoas tratam as mensagens. geralmente. ou seja. Segundo David Berlo (1997). encarte. Já os veículos de comunicação dirigida auxiliar podem ser recursos visuais (projetáveis. composta por sinais. cartazes.4 Comunicação humana. respectivamente. interpretada e replicada a mensagem” (POLISTCHUK e TRINTA. socialmente definida. o que as pessoas procuram comunicar. Ainda. etc. paralisar a dinâmica do processo e. de acordo com Berlo (1997). 87). . contrastando com a rede formal que procede da estrutura organizacional pelos mais diversos veículos de comunicação. intercâmbio (mural e sistema de sugestões). apresenta os tipos informativos (avisos. escritos. escrito-pictográficos. considerando fonte e comunicador uma só pessoa e fazendo o mesmo com o par formado por receptor e destinatário. e nas redes formal e informal. a autora acrescenta na classificação de Torquato do Rego (1986) os fluxos comunicativos transversal e circular. 86). através dos suportes de transporte físico. simbólicos. 2003. Os comportamentos da comunicação são as mensagens produzidas. os meios e canais de comunicação serão denominados estratégias de comunicação e serão estudadas suas classificações para posterior análise. se valem de meios ou veículos orais. Entre os veículos de comunicação dirigida escrita. Torquato do Rego (1986) classifica o processo comunicativo nos fluxos ascendente. P. tridimensionais. 2003. que consiste em um “indicativo seguro de como está sendo recebida. Dessa forma. Ainda. descritivos. O fluxo transversal ou longitudinal “se dá em todas as direções. depois. também chamado de “feedback”. Ainda. O autor afirma que os elementos da comunicação são: quem está comunicando. telefone. auxiliar e aproximativa. os emissores devem saber que públicos desejam atingir e que respostas esperam. retirou os “aparelhos”. O fluxo circular envolve todos os níveis e seu conteúdo por de ser tanto mais amplo quanto maior for o grau de relação interpessoal entre os indivíduos. Kunsch (2003) afirma que “para viabilizar a comunicação com os mais diferentes públicos. fazendo-se presente nos fluxos ascendente. A mensagem. p. 2003. manuais e publicações. De acordo com Waldyr Gutierrez Fortes (2003). descrevê-lo. O comunicador é aquele que codifica (ou “cifra”) a mensagem. por que está comunicando e com quem está comunicando. 107). pode vir a ser alterada pela interposição de ruídos (técnicos e semânticos) – como algo dito com voz rouca ou o uso impróprio de uma palavra (POLISTCHUK E TRINTA. comunicado de imprensa. como por exemplo veículos de comunicação dirigida escrita. Como veículos de comunicação dirigida oral. Eles codificam suas mensagens de maneira que as mesmas levem em consideração como o público-alvo. através de uma linguagem adequada. informe de reuniões. Margarida Maria Krohling (2003) afirma que a rede informal “emerge das relações sociais entre as pessoas” (p. O estudo e a classificação de públicos são essenciais para a observação da atuação destes como receptores no processo comunicativo. é importante observar o estilo. as decodifica. os canais que as pessoas usam. ali chamados transmissor e receptor. este modelo de comunicação acrescenta “realimentação” ou “retroalimentação”. descendente e lateral. Para tal fim. p. dirigindo-se a um receptor que a decodifica (ou “decifra”). e examinar os meios de comunicação. Complementando a idéia do autor. simbólicos. as estratégias de comunicação podem ser viabilizadas e analisadas segundo os veículos de comunicação utilizados.). audiovisuais e telemáticos” (p. para analisar o processo de comunicação é necessário. aborda conversas pessoais. sistema de auto-falante e reuniões. primeiro. descendente e horizontal” (KUNSCH. pictográficos. Segundo Kotler (1998).

Os veículos de comunicação dirigida aproximativa descritos pelo autor são: serviços de prestação de informações aos públicos. o tipo de comunicação e a direção da comunicação constituem o centro de processamento da eficácia da comunicação institucional. que são “ruídos” que prejudicam a eficácia comunicativa. interessa determinar o que aumenta ou reduz a fidelidade do processo. O volume de comunicação. e psicológicas. Quanto maior o campo de experiências do receptor coincidir com o do receptor. Pressupõe igualmente que as operações de codificação e decodificação sejam feitas corretamente e. Por exemplo: muita informação (quantidade). é necessário que a cadeia emissor-canal-receptorrepertório funcione corretamente em todos os seus pontos. Margarida Maria Krohling Kunsch (2003) apresenta barreiras. pelo menos parcialmente. que estão relacionadas com os aparelhos de transmissão. Assim. essencialmente. emissor e receptor devem revelar alguma equivalência no que toca ao domínio de um mesmo código. reconhecer o receptor e seu código (POLISTCHUK e TRINTA. recursos auditivos e recursos audiovisuais (eletroeletrônicos. Assim. vale ressaltar ainda que para obtenção de eficácia na comunicação é importante a aplicação de das características do processo comunicativo e das estratégias de comunicação adequadas para atingir o objetivo final de comunicação institucional. ativos e vividos). assim. Um codificador de alta fidelidade é o que expressa perfeitamente o que a fonte quer dizer. eventos excepcionais. um mesmo repertório. 528). patrocínios. que tenham em comum. sinais que sejam familiares ao receptor. instrumental-técnica (tipo). p. gera distorções e freqüentemente cria problemas de engajamento. cessão de instalações e equipamentos. ao reenviar a mensagem recebida ao emissor (“feedback”) permite um ajustamento. Uma comunicação é eficaz quando há fidelidade com o objetivo a comunicar e com a resposta que se quer obter.5 expositivos). Em um ato comunicativo bemsucedido. Segundo Philip Kotler (1998). maior será a probabilidade de a mensagem ser eficaz. sendo elas: mecânicas ou físicas. que dizem respeito aos problemas genéticos dos órgãos vitais da fala. comunicações cognitivas. . o processo de codificação do emissor deve estar engrenado com o processo de decodificação do receptor. em primeiro lugar. que são os preconceitos e estereótipos que fazem com que a comunicação seja prejudicada. Isto implica uma responsabilidade par os comunicadores de um estrato social que desejam comunicar eficientemente com outro estrato (KOTLER. uma auto-regulagem da comunicação. por fim. que o emissor e o receptor falem a mesma linguagem. O receptor. descendendo para os níveis inferiores (direção descendente). partilham as mesmas qualidades. virtuais. Para que a comunicação seja eficaz. Torna-se imprescindível. sem muito retorno (direção ascendente). fisiológicas. intrínsecas aos comportamentos. que decorrem do uso inadequado de uma linguagem não comum ao receptor. 2003). Um decodificador de alta fidelidade é o que traduz a mensagem para o receptor com total exatidão. extensão comunitária. semânticas. visitas dirigidas. promoção do turismo. Ao analisar a comunicação. Berlo aceita e reitera o pressuposto de que fonte emissora e destinatário possuem idênticos caracteres. as melhores mensagens são. círculos de controle de qualidade e negociação. para uma mensagem ser eficaz. que a transmissão pelo canal físico não seja perturbada por “ruídos” ou parasitas de uma tal intensidade que acarretem um desperdício da informação ou a completa destruição da mensagem transmitida. Isto pressupõe. 1998.

A técnica de entrevista focada foi aplicada junto aos secretários assessores da AUGM da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade de Buenos Aires (UBA) e com seis intercambistas que chegaram à UFSM e outros seis intercambistas que saíram da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) durante o ano letivo de 2006 pelo Programa ESCALA Estudantil AUGM. . bem como se as estratégias de comunicação utilizadas no processo comunicacional do Programa ESCALA Estudantil AUGM são adequadas e eficientes. brasileira. As instituições envolvidas nessa pesquisa são: a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Processo e Estratégias de Comunicação do Programa ESCALA Estudantil AUGM Nos intercâmbios internacionais entre universidades. como mensagem as informações sobre o Programa ESCALA e como receptores os intercambistas e pessoas interessadas em intercâmbio acadêmico. bem como acompanhamento dos intercambistas da sua universidade na universidade de destino e dos intercambistas estrangeiros desde sua chegada até seu retorno à universidade de origem. A divulgação é feita no site da UFSM a partir do momento que se recebe da Secretaria Executiva a Convocatória do Programa Escala e. (LUTZ. No caso do Programa ESCALA Estudantil da AUGM. Universidade Nacional do Litoral (UNL) e Universidade Nacional de Rosário (UNR).6 Metodologia A metodologia utilizada para a realização desta pesquisa consiste em uma abordagem qualitativa com estudo de caso do Programa ESCALA Estudantil AUGM através de observação participante e entrevista focada. no primeiro semestre de 2006. considera-se as estratégias de comunicação utilizadas. divulgação das oportunidades (vagas disponíveis) de intercâmbio. divulgação da seleção e dos selecionados. e as argentinas Universidade de Buenos Aires (UBA) Universidade Nacional de Córdoba (UNC). tem-se como emissor ou fonte a Associação de Universidades do Grupo Montevidéu (AUGM) e suas Universidades membros. a mensagem é composta por informações sobre intercâmbio e os receptores são os intercambistas e as pessoas interessadas em intercâmbio. foram abordadas questões com o intuito de identificar problemas de comunicação que ocorreram impedindo o sucesso pleno do intercâmbio. E. como meio ou veículo de comunicação. secretária assessora da AUGM na UFSM. foram abordadas questões sobre como ocorre o processo de comunicação das secretarias da AUGM em relação às fases do Programa ESCALA Estudantil AUGM. Além disso. Na entrevista com os intercambistas. envia-se para os cursos em que tem vaga uma notícia por e-mail para o coordenador acadêmico que se responsabiliza pela divulgação interna em seu curso. Na entrevista com os secretários assessores. 2006). explica o processo de divulgação do Programa ESCALA Estudantil AUGM. ocorre um processo de comunicação no qual o emissor é formado pela universidade promotora de intercâmbio. no qual se pôde acompanhar os processos de orientação dos intercambistas que saem da UFSM e de recepção dos intercambistas estrangeiros. ao estágio realizado pela pesquisadora na Secretaria de Apoio Internacional da UFSM durante o segundo semestre letivo de 2006. a partir de então. A decisão de utilizar a técnica de observação participante deve-se à atuação da pesquisadora como intercambista do Programa ESCALA Estudantil AUGM. sendo elas: divulgação do Programa. Taís Lutz.

alguns tem editais. onde se reúnem todos os coordenadores acadêmicos de todas universidades” (LUTZ. 2006). segundo Lutz. Assim. de acordo com a assessora da UFSM. . 2006). a partir do momento que está instalado. tem um guia do estudante estrangeiro para ele conhecer tudo o que a UFSM oferece e. O fluxo ascendente ocorre no processo comunicativo do Programa ESCALA Estudantil AUGM quando os intercambistas dão sua avaliação sobre o intercâmbio para a Secretaria Geral da AUGM. percebe-se a comunicação longitudinal ou transversal do Programa ESCALA Estudantil da AUGM. outros informaram-se através de contatos pessoais tanto com outros intercambistas. Ainda com base na observação participante e entrevistas realizadas. a divulgação da oportunidade de intercâmbio não é padrão. No processo de seleção. este fluxo comunicacional é constatado através da diversidade de respostas sobre como ficaram sabendo do Programa Escala Estudantil e da oportunidade de intercâmbio. No processo de recepção e durante o intercâmbio até o retorno do intercambista para sua universidade de origem. são tanto para divulgação do Programa ESCALA. desde a divulgação do mesmo e das oportunidades de intercâmbio. existem regras e requisitos a serem cumpridos. O Fluxo lateral ou horizontal da AUGM ocorre porque. Taís Lutz diz que “As vagas são decididas em reuniões de Delegados Assessores. tão constantes quanto as formais. principalmente. nas trocas de informações entre intercambistas. Assim. 2006). O trabalho das secretarias da AUGM em cada universidade pode ser percebido através da entrevista com Lutz. ao serem pesquisadas junto aos intercambistas. na comunicação interna ou intrainstitucional. outros usam o mural” (LUTZ. 2006). Nas entrevistas com os intercambistas. que afirma que fazemos todo o acompanhamento até a finalização da matrícula. professor acadêmico comunica-se com professor acadêmico. sendo “divulgada no curso a cargo do professor coordenador. que ocorre na universidade de origem. 2006). onde as informações sobre o Programa e sobre as vagas partem da Secretaria Geral da AUGM. As estratégias de comunicação do Programa ESCALA Estudantil AUGM foram identificadas de acordo com as diferentes fases de comunicação do processo de intercâmbio. da carteira do RU (Restaurante Universitário).7 Ainda. As redes informais. percebe-se o fluxo descendente do processo de divulgação do Programa ESCALA. a responsabilidade é da Secretaria da AUGM na universidade e “cada curso faz a sua divulgação interna para seus alunos. Sobre a divulgação das oportunidades de intercâmbio. “há uma hierarquia. secretarias com secretarias. Enquanto que alguns informaram-se através de cartazes em seus cursos. sobre a decisão de vagas. são expostas as normas de participação do Programa. Com base neste pressuposto. Delegados Assessores com Delegados Assessores e secretarias com Secretaria Geral em Montevidéu” (LUTZ. e na orientação para intercâmbio. Cada professor encarregado faz a divulgação interna” (LUTZ. há uma visitação(LUTZ. Estas últimas. quanto para orientação de intercâmbio. quanto com coordenadores acadêmicos ou secretário da AUGM em sua universidade. Já o fluxo de comunicação circular pode ser verificado quando a comunicação permite que os trâmites burocráticos e o intercâmbio ocorram com sucesso. que sempre acontece em Montevidéu. a rede formal é uma constante presença nos trâmites burocráticos do Programa ESCALA Estudantil AUGM. observa-se também um acompanhamento formal. pois é através deste fluxo que ocorre a comunicação entre todos os integrantes do processo de comunicação em intercâmbio. Outro fator a ser analisado é que. são identificadas nos contatos pessoais e.

as barreiras. são: correspondência eletrônica (e-mail). mapas da universidade e da cidade de destino e contatos pessoais. bem como verificar a eficácia destes para seu público-alvo. que estão relacionadas com os aparelhos de transmissão. Uma das formas mais conhecidas de internacionalização universitária é a atividade de intercâmbio acadêmico internacional. As estratégias de comunicação identificadas na comunicação interna. guia de estudante estrangeiro. foi respondida com base na observação participante e nas entrevistas realizadas junto aos secretários assessores da AUGM e dos intercambistas do Programa ESCALA. que decorrem do uso inadequado de uma linguagem não comum ao receptor. contatos pessoais com secretários da AUGM. correspondências eletrônicas (emails). do intercambista com sua universidade de destino. a internacionalizar-se para sobreviver. As estratégias de comunicação identificadas na comunicação externa. Este contexto instiga a instituição universitária. A Associação de Universidades do Grupo Montevidéu (AUGM) tem por finalidade principal impulsionar o processo de integração de suas universidades membros através da construção de um Espaço Acadêmico Comum Ampliado Latino-Americano (ESCALA). no qual o conhecimento transpõe fronteiras estatais e corrobora com o constante desenvolvimento tecnológico e comunicacional do mundo atual. As barreiras mecânicas ou físicas devem-se a ausência de material gráfico explicativo do Programa ESCALA. seleção de intercambistas. Considerações Finais A globalização tem como uma de suas conseqüências a globalização do conhecimento. comunicação pré-intercâmbio. Na comunicação externa ou interinstitucional. acompanhamento do aluno estrangeiro e comunicação após intercâmbio. Os resultados das entrevistas relativos as estratégias presentes em cada fase descrita acima a serão apresentados a seguir de forma quantitativa.8 foram observadas as estratégias de comunicação para divulgação do Programa ESCALA. foram identificadas as estratégias de comunicação utilizadas para comunicação pré-intercâmbio. evento reconhecido como Jornada de Jovens Pesquisadores da AUGM. os “ruídos” que prejudicam a eficácia comunicativa. recepção do aluno estrangeiro. em outras palavras. que proporciona a realização de intercâmbios internacionais universitários. podem ser identificadas no Programa ESCALA Estudantil AUGM como: barreiras mecânicas ou físicas. As barreiras semânticas decorrem da diferença entre as línguas portuguesa e espanhola. O objetivo principal de analisar o processo comunicativo e as estratégias de comunicação que são utilizadas nos intercâmbios internacionais entre universidades. promotora e divulgadora de conhecimento. contendo também orientações sobre os trâmites burocráticos e outras informações importantes para a realização de intercâmbio. do intercambista com sua universidade de origem. comunicação durante intercâmbio e comunicação após o intercâmbio. ou seja. que ocorre na universidade de destino. coordenadores acadêmicos e intercambistas. utiliza-se da comunicação institucional para relacionar-se com seu público-alvo e ser reconhecida perante a sociedade global. os intercambistas e pessoas . são: cartazes. e semânticas. que muitas vezes impede a comunicação eficaz entre emissor e receptor. A problemática desta pesquisa. Com pressuposto nos estudos de comunicação de Kunsch (2003). e telefonemas dos secretários da AUGM na universidade de origem. sítio eletrônico (site) das universidades de origem. ou seja. Assim. ao questionar como ocorre e qual a eficácia do processo comunicativo e das estratégias de comunicação utilizadas pelo Programa ESCALA Estudantil AUGM para intercâmbio internacional universitário.

Este fluxo circular. O emissor é formado pela AUGM e suas universidades membros.9 interessadas em intercâmbio foi alcançado pelo seguinte trajeto: observação de como ocorre o processo comunicativo do Programa ESCALA Estudantil da AUGM na UFSM e UBA. correspondências eletrônicas (e-mails). Conforme análise das redes formal e informal. não impediria o fluxo horizontal necessário na comunicação da Associação. coordenadores acadêmicos e intercambistas. pois assim as informações passariam por todos os membros envolvidos no processo de comunicação do programa ESCALA Estudantil AUGM. sugere-se a realização de pesquisas para a implementação de novas estratégias de comunicação. não são utilizados para informar e. Outra situação constatada seria a falta de utilização de novas estratégias de comunicação. Em termos práticos. impediria que alguns ficassem aparte da comunicação institucional e permitiria uma padronização da comunicação da Associação e do Programa ESCALA Estudantil AUGM. uma rede de comunicação formal entre intercambistas deveria ser prevista pela estrutura da Associação. como o messenger e o skype. que são disponíveis via internet. legitimar a instituição perante a sociedade. a eficácia da comunicação institucional do programa ESCALA Estudantil ocorrerá quando os intercambistas e pessoas interessadas em intercâmbio forem atingidos plenamente com as informações sobre intercâmbio. O processo comunicacional do Programa ESCALA Estudantil AUGM segue os modelos teóricos de comunicação em suas diferentes fases de execução de intercâmbio. que também ocorre ampla divulgação do Programa ESCALA Estudantil. bem como auxílio na orientação para intercâmbio. verificação da eficácia do processo comunicativo e das estratégias de comunicação junto ao público-alvo do Programa ESCALA Estudantil AUGM. . de qual o melhor canal para a AUGM manter contato. vindo a servir de exemplo para outras instituições envolvidas em intercâmbio internacional. e telefonemas. Para verificar a eficácia destas ou de outras estratégias comunicacionais no processo comunicacional do programa ESCALA Estudantil AUGM. tida como informal pela AUGM. sem o surgimento de dúvidas ou “falhas” na comunicação. As estratégias de comunicação identificadas no Programa ESCALA Estudantil da AUGM foram: cartazes. bem como a avaliação de sua eficácia para a comunicação institucional do Programa ESCALA Estudantil AUGM. sítio eletrônico (site) das universidades de origem. Percebe-se. os receptores são os intercambistas e as pessoas interessadas em intercâmbio. a mensagem é composta por informações sobre intercâmbio. além de abranger os fluxos ascendente e descendente. junto ao público-alvo. diminuindo ruídos e aumentando a eficácia comunicacional. como panfletos e vídeos institucionais. A eficácia comunicacional será atingida quando a AUGM comunicar-se utilizando um código através de um meio (estratégia de comunicação) que será decodificado por seu receptor sem a existência de ruídos e com resultado totalmente positivo. identificação das estratégias de comunicação utilizadas pelo Programa ESCALA Estudantil AUGM para comunicação institucional. pois é através desta rede. o Programa ESCALA Estudantil AUGM legitima-se perante a sociedade global. Com a eficácia comunicacional. seria interessante o questionamento. Além disso. que outros canais de comunicação institucional informativos. assim. Na análise de fluxos. contatos pessoais com secretários da AUGM. a melhor opção seria a substituição do atual fluxo transversal ou longitudinal identificado por um fluxo circular. e facilitariam a comunicação em função da distância física entre o emissor e receptor. além disso. Para finalizar.

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