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Ponto de Vista

O DESAFIO DO SÉCULO:

PRODUÇÃO DE ALIMENTOS, FIBRAS E ENERGIA

Em novembro de 2011, a população mundial atingiu a marca de 7 bilhões de


habitantes. A previsão para o ano de 2050 é que este número alcance 9 bilhões. Estimativas
revelam a necessidade de produzir, nos próximos 40 anos, a mesma quantidade de alimentos
produzida nos últimos 8.000 anos. Este é o grande desafio para a agricultura mundial:
produzir alimentos, fibras e energia suficientes para atender a demanda desta crescente e,
cada vez mais, exigente população.

É de conhecimento geral que os nutrientes são fundamentais para a sobrevivência em


nosso planeta. Estudos mostram que, 50% da produção de alimentos no mundo está
relacionada ao uso de nutrientes na agricultura, os quais garantem produtividades
compatíveis com a evolução quantitativa da nossa espécie. Sem o uso de fertilizantes a
população do planeta seria menor ou grande parte dela estaria passando fome. Mesmo
assim, dados da ONU (2014) apontam que uma pessoa a cada nove habitantes do planeta
passa fome diariamente, ou seja, cerca de 11% da população mundial.

Obviamente, discussões técnicas e filosóficas poderiam ser estabelecidas acerca da


sustentabilidade do planeta e da espécie humana, mas o fato é que necessitamos de
nutrientes que viabilizem elevadas produtividades das culturas, as quais, no final da cadeia
produtiva, se transformam diariamente em alimentos em nossas mesas. Assim, temos que
utilizar os nutrientes de forma eficiente e responsável, sem causar danos ao meio ambiente.

Em relação ao Brasil, o país tem potencial suficiente para ajudar no atendimento a


essa demanda, tanto em função da disponibilidade de terras agricultáveis, estimada em 550
milhões/ha e de terras ainda não exploradas de cerca de 250 milhões/ha, quanto de
tecnologia para aumentar o rendimento das culturas. Em ambas as situações, o emprego de
fertilizantes será de fundamental importância para que a demanda de alimentos fibras e
energia e possa ser atendida.

Entretanto, sabe-se que os rendimentos das principais culturas agrícolas no Brasil


estão abaixo do real potencial produtivo das culturas tecnificadas no mundo, com exceção
da soja, citros, carne bovina e de frango, cana-de-açúcar e de florestas plantadas, devendo
ser aumentada pelo uso de tecnologias adequadas.

Esta condição demonstra que ainda há muito a ser feito antes de ampliar a fronteira
agrícola, com a abertura de novas áreas para produção. Dentre os fatores de produção de
natureza física, química, biológica e ambientais, o manejo da fertilidade do solo por meio do
uso eficiente de corretivos e fertilizantes são responsáveis, por cerca de 50% do aumento da
produtividade das culturas. Nesse sentido, deve-se sempre procurar aplicar o conceito dos 4
C’s para uso eficiente de fertilizantes: 1) aplicação da fonte certa, 2) na dose certa, 3) na
época certa e 4) no local certo. Além de aumentar a produtividade, o manejo correto dos
fertilizantes permite a preservação do meio ambiente.

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Por outro lado, o Brasil ainda apresenta dependência da importação de fertilizantes,
principalmente de fertilizantes potássicos, na ordem de 80% do que é consumido
anualmente, juntamente com a logística precária para seu recebimento e distribuição, torna a
adubação uma atividade de alto valor no custo final de produção, refletindo no preço final
dos produtos agrícolas ao consumidor.

Em relação ao agronegócio, o país vem se destacando pelo aumentando sua produção


ano após ano. Na safra 2012/13, a produção de grãos foi estimada em 208 milhões de
toneladas, já na safra 2014/15, a produção saltou para 211 milhões de toneladas de grãos,
numa área cultivada que passou de 54 para 55 milhões/ha. Porém, é importante realçar que
esse aumento de produção decorre muito mais do ganho de produtividade do que do
aumento da área plantada.

Para caracterizar esse fato, basta analisar a agricultura brasileira nos últimos 35 anos:
enquanto a área cultivada cresceu 36,2%, a produção aumentou 253%. Esta é uma clara
demonstração de que é possível aumentar a produção de alimentos, fibras e energia pelo uso
de tecnologias já existentes, como o uso adequado e eficiente de fertilizantes, em harmonia
com o meio ambiente. Este é o retrato do país na luta pelo aumento da produção de
alimentos e preservação de seus recursos naturais. Este é o Brasil ajudando a vencer o maior
desafio deste século.

Muito embora esses fatos sejam indiscutíveis, grande parte da população diariamente
é bombardeada com informações equivocadas acerca dos fertilizantes. De forma geral, as
notícias sobre fertilizantes têm conotação negativa e tratam somente do impacto que seu uso
inadequado pode causar ao meio ambiente, fazendo com que problemas muitas vezes
pontuais soem como regras gerais totalmente distorcidas da realidade.

Nesse sentido, os profissionais do setor de Ciência do Solo e Nutrição de Plantas têm


um papel muito importante, tanto no esforço de difundir adequadamente o uso de
tecnologias sustentáveis e o valor dos fertilizantes, como também, de demonstrar à
população que o uso adequado é absolutamente imprescindível em um mundo que requer
cada vez mais alimentos, fibras e energia de forma a garantir a segurança alimentar as
gerações atuais e futuras, desmistificando, deste modo, a imagem negativa geralmente
construída pela mídia.

Por fim, destaco que; “quanto mais alimentos conseguirmos tirar da terra, menos
terra iremos tirar da natureza” (AEASP).

Fonte: Adaptado de Valter Casarin e Luís Ignácio Prochnow.


(Informações Agronômicas IPNI: n. 139, 2012; n. 143, 2013; FAO: 2015).

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