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EXPEDIENTE

EDMC 2021
PRINCÍPIOS DE
CRESCIMENTO
Sumário
Uma publicação da Um Chamado ao Crescimento
União Sudeste Brasileira Pr. Hiram Kalbermatter
Pág. 3
Administração
Hiram R. S. Kalbermatter Boas-Vindas
Leonidas V. Guedes Pr. Thiarlles Boeker Portes
Jabson Magalhães Da Silva Pág. 4
2021 Revista Anual
Princípio do Reconhecimento
Editor Movidos Por Princípios: Adoração Verdadeira
Thiarlles Boeker Portes Pr. Josanan Alves – Mordomia Cristã - DSA
Pág. 6
Projeto Gráfico &
Programação Visual Princípio da Gratidão
Alex da Fonseca Jr. (Agência ALX) Por Que Basear Ofertas Regulares Em Porcentagem?
www.agenciaalx.com.br Pr. Marcos Bomfim – Mordomia Cristã - AG
Pág. 14
Revisão
Ana Tostes
Princípio da Disponibilidade
Jornalista Responsável Meu Talento, Meu Ministério: Uma Oportunidade Para Todos
Ayanne Karoline Pr. Jair Miranda – ASA, MIPES e Escola Sabatina - APL / UCB
Pág. 23
Colaboradores
Alexandre Carneiro - MMO Princípio do Planejamento
Dênis Altivo Magalhães - ASES Sonhando e Realizando
Everson de C. Ferreira - AMS Pr. Jabson Magalhães – Tesoureiro CFO - USeB
Felipe A. de Carvalho - MMN
Janderson Silva Dias - AMC Pág. 32
Jeú Caetano Lima - ARF
João da S. Custódio - ARJ
Jonas José A. de Souza - ARS
Princípio da Saúde
Luiz Fabiano P. Barbosa - AML
Marcelo Aurino - AES
e Espiritualidade
Princípios de Adoração
Dr. Rogério Gusmão – Saúde - DSA
Pág. 41
Todos os direitos reservados à USeB.
Proibida a reprodução total ou
parcial, por qualquer meio, sem
prévia autorização escrita do editor.

Tiragem
70.000 Exemplares
Revista - Princípios de Crescimento 3

Um Chamado ao
Crescimento
Em 1 Coríntios 3, nos versos 1 e 2, Paulo fala aos cristãos de Corinto sobre a expectativa que possuía frente
ao desenvolvimento espiritual que já deveriam ter alcançado, mas ainda não o tinham, apesar do tempo
de conversão. Indistintamente em nossas congregações hoje, encontramos realidades parecidas como
as deparadas pelo apóstolo, e que requerem nossas orações, atenção e cuidado. Por essa razão, você
foi escolhido por seu pastor para fazer parte de uma equipe cujo objetivo é despertar e auxiliar a muitos na
busca dessa maturidade espiritual, através dos princípios aqui apresentados. Deus deseja que seu povo seja
encontrado fiel (1Co 4:2), aprendendo cada dia a confiar em Suas palavras e promessas (Mt 6:25-34). Lembremos
que todo o pecado está conectado à rebelião, traduzido pela não compreensão adequada sobre quem é Deus
e Sua essência, bem como qual é nosso papel dentro da criação e plano da redenção.

Cabe ressaltar que o pecado original que surgiu através do anjo de luz no Céu (Is 14:12-14), tem sido hoje
multiplicado através da vida de inúmeras pessoas, as quais você é chamado para resgatar. Através dos
conteúdos escritos nessa revista, você ensinará que um mordomo fiel, prioritariamente, deve:

1. Reconhecer o seu lugar frente a graça e a soberania dAquele que nos confiou o mundo
Criado por Suas mãos.

2. Compreender o valor inestimável do amor e sacrifício divino por nós, tornando nosso coração
tremendamente grato, valorizando cada dádiva que diariamente temos recebido de nosso Pai
do Céu. Dessa forma, consequentemente, reagiremos assim como fazia Davi em louvor a tudo
que havia recebido do Supremo Rei e Senhor (Sl 116:12-14).

3. Disponibilizar suas mãos a agirem em conformidade e em proporção a um coração grato.


Todo sincero e verdadeiro senso de louvor vão além das meras palavras, levando o discípulo a
uma atitude de ação de graças. (1 Tm 1:12).

4. Planejar sua vida em todos os aspectos com prioridades, organização e equilíbrio, buscando
Deus sempre em primeiro lugar em sua vida. (Mt 6:33).

5. Conectar intensamente sua alma à fonte da vida, através da comunhão da mente, do corpo
e do espírito com o Criador, Redentor e Mantenedor, permitindo uma transformação completa
que induzirá ao amor mais puro a Deus e aos nossos semelhantes. (Rm 12:1-2).

Os desafio a viverem as palavras deixadas por Paulo à igreja de Tessalônica, sendo bem reais para os dias que
hoje vivemos:

“Irmãos, devemos sempre dar graças a Deus por vocês; e isso é justo, porque a fé que vocês têm cresce cada
vez mais, e muito aumenta o amor de todos vocês uns pelos outros.” 2 Tessalonicenses 1:3-12

Pr. Hiram Kalbermatter


Presidente - União Sudeste Brasileira
4 Revista - Princípios de Crescimento

Seja bem-vindo!
Nós desejamos o seu crescimento!

A revista “Princípios de Crescimento” é composta por 5


seminários, e por meio de uma visão bíblica cristã propõe
que através do (1) Reconhecimento; (2) Gratidão; (3)
Disponibilidade; (4) Planejamento; e (5) Saúde espiritual,
você pode se desenvolver de maneira ampla e sólida.

Muito provavelmente você terá um primeiro contato com


esta revista através de um programa organizado pela Equipe
Distrital de Mordomia Cristã de sua região. A depender do
plano adotado pela EDMC, que certamente respeitará as
possibilidades locais, é possível que algum dos 5 temas não
seja contemplado nas apresentações dos seminários. Para os
temas não tratados neste dia, sugerimos a seguinte dinâmica
de estudos:

1. Leia atentamente o conteúdo.

2. Realize em seguida as atividades de fi xação.

3. Acompanhe o Feeback e faça download dos


materiais ao fi nal de cada capítulo.

Pr. Thiarlles Boeker Portes


Mordomia Cristã USeB
Revista - Princípios de Crescimento 5

“Todos nós precisamos de um guia, que nos dirija através das


muitas perplexidades da vida, assim como o marinheiro precisa
de um piloto que guie a nau entre os bancos de areia ou nos
rios cheios de recifes; e onde se encontrará semelhante guia?
Apontamo-vos, prezados irmãos, a Bíblia. Inspirada por Deus,
escrita por santos homens, ela assinala com grande clareza e
precisão quais os deveres, tanto dos idosos como dos jovens.
Eleva a mente, enternece o coração e comunica ao espírito alegria
e felicidade. A Bíblia apresenta uma perfeita norma de caráter; é
guia infalível sob todas as circunstâncias, até ao fim da jornada da
vida. Tomai-a como vosso conselheiro, como a regra de vossa vida
diária.” Caminho a Cristo p. 68
6 Revista - Princípios de Crescimento

Princípio do
RECONHECIMENTO
Revista - Princípios de Crescimento 7

MOVIDOS POR PRINCÍPIOS:


A ADORAÇÃO VERDADEIRA
Josanan Alves - Mordomia Cristã, DSA

Cada ato de um cristão deve estar em harmonia com as orientações encontradas na Bíblia. Muito
provavelmente você já teve a experiência, ao estar viajando, de pedir a Deus que coloque em seu
caminho pessoas com as quais possa conversar e apresentar o amor de Cristo. Ao iniciar um diálogo
com elas sempre acabamos chegando a um tema espiritual. À medida que o papo prossegue,
surge a pergunta: “Você é religioso?” Eu respondo que sim. A pergunta natural que vem a seguir é
a qual denominação religiosa pertenço. Digo que sou adventista do sétimo dia, o que gera outros
questionamentos do tipo: “Como é a Igreja Adventista? Como ela funciona?”
Já respondi a estas questões de diversas maneiras, mas já faz algum tempo que tenho dito apenas
que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é movida por princípios bíblicos. Assim, tudo o que fazemos
e/ou cremos precisa estar baseado na Palavra de Deus.

1. Afinal, por que ter princípios baseados na Bíblia é tão importante


para o processo de adoração?
Porque eles são a confirmação de uma verdadeira adoração. Só é possível saber se estamos
adorando da maneira correta se a adoração está fundamentada em princípios encontrados na
Bíblia. A vontade de Deus não é o que pensamos ser o melhor, nem o que achamos mais fácil,
mas o que a Bíblia orienta sobre determinado assunto. É por isso que não guardamos a quarta-feira
ou o domingo como dia de adoração, mas o sétimo dia, o sábado, por causa do princípio bíblico.
Observaremos a seguir alguns exemplos disso.

A oferta de Saul. Deus havia orientado o rei por intermédio do profeta Samuel quanto ao que
deveria ser feito. Estava claro que Saul deveria destruir completamente os amalequitas, tanto
as pessoas quanto os animais. Mas, após a batalha, ao se aproximar de Saul, Samuel escuta o
barulho de alguns animais, ao que pergunta: “Saul, que barulho é esse que eu estou ouvindo?” E
Saul enchendo o peito diz: “Ah, você vai até me parabenizar! Eu guardei o melhor dos animais para
oferecer a Deus em adoração!” A Bíblia afirma que a resposta do profeta foi: “Obedecer é melhor
do que oferecer sacrifícios” (1Sm 15:22). Em outras palavras, Deus espera do homem mais do que
simplesmente sacrifícios e adoração: Ele espera sacrifícios e adoração baseados em princípios
bíblicos.

Adoração é o centro do grande conflito. A questão que está no cerne do grande conflito é
justamente ‘a quem e como vamos adorar’. Sem dúvida, Satanás não quer que você adore a Deus,
e se você decide fazer isso ele tentará induzi-lo a fazer da maneira errada, pois sabe bem que
adorar a Deus de maneira contrária ao que foi revelado é o mesmo que não adorar a Deus. Por isso
os princípios que movem a adoração se tornam fundamentais no grande conflito em que estamos
inseridos.
8 Revista - Princípios de Crescimento

2. Como se desenvolveu a adoração financeira na Igreja Adventista?


Dizimar e ofertar são atos de adoração encontrados na Bíblia. “Honra ao Senhor com os teus bens,
e com a primeira parte de todos os teus ganhos” (Pv 3:9). Assim sendo, ‘o que fazemos’ e ‘como
fazemos’ na devolução dos dízimos e ofertas, também deve estar solidamente fundamentado em
claros princípios bíblicos.
Princípios financeiros de adoração na Igreja Adventista. Assim que a Igreja Adventista foi fundada
não existiam ainda orientações específicas sobre a correta maneira de devolver dízimos e ofertas.
Em face disso, os membros pioneiros começaram a se questionar como de fato deveria ser feita a
adoração financeira na denominação. Então, foi criada uma comissão de estudos com o objetivo,
mediante estudo da Palavra, de responder a tais questionamentos. Tal comissão era composta por
cinco pastores: Thiago White, D. M. Canright, S. N. Haskell, J. N. Andrews e Uriah Smith.
Após meses debruçados sobre os trechos bíblicos que abordam este tema (a correta adoração
financeira na Bíblia), estes pioneiros escreveram sobre aquilo que encontraram e, muito do que
fazemos até hoje enquanto Igreja, está baseado nas descobertas que esse grupo fez. Vejamos a
seguir duas de suas descobertas:

Recursos para o ministério e o uso do dízimo. Descobriu-se que a fonte de pagamento para os
pastores deveria ser o dízimo. “Dou aos levitas todos os dízimos em Israel como retribuição pelo
trabalho que fazem ao servirem na Tenda do Encontro” (Nm 18:21). Esta passagem bíblica aponta
para o fato de que o dízimo pertence ao Senhor, e que Ele mesmo estabeleceu que tal recurso
deveria ser usado para a manutenção dos levitas. A comissão entendeu e decidiu que biblicamente
era correto estabelecer que pastores adventistas, assim como os levitas, deveriam ser mantidos
com os recursos provenientes do dízimo.

Média da riqueza e pobreza de Israel. Outro princípio estabelecido pelos pioneiros pode ser
encontrado em Números 18:20. “Disse ainda o Senhor a Arão: Você não terá herança na terra
deles, nem terá porção entre eles; Eu Sou a sua porção e a sua herança entre os israelitas”.
Há aqui algo belíssimo para ser entendido. Não havia problema algum em alguém ser muito rico
em Israel, mas a maneira de tornar-se rico naquele contexto era recebendo um pedaço de terra
para criar animais, plantar... Onze das doze tribos haviam recebido sua herança, a sua porção da
terra de Canaã. No entanto, a tribo dos levitas não recebeu nenhuma terra. Deus havia dito: “Eu Sou
a riqueza de vocês!” Assim, recebendo dos dízimos, eles nunca poderiam chegar a ser os mais
ricos em Israel, mas tampouco eram os mais pobres. Viviam na média, recebendo 10% (dízimo) da
riqueza e da pobreza de Israel.
A Igreja Adventista viu nesse princípio que seus pastores deveriam ganhar do dízimo, mas não a
ponto de enriquecerem com isso. Tratando o assunto de maneira mais clara e aberta, os tantos
casos em diversas denominações de pastores multimilionários são uma aberração desde uma
perspectiva bíblica. Definiu-se então que se um adventista deseja enriquecer não há problema
algum nisto, desde que não receba o seu salário da denominação.
Tudo o que foi apresentado até aqui objetiva mostrar a base bíblica para as questões financeiras
da Igreja. Há, contudo, outras questões que circulavam entre nossos primeiros membros: “De
que maneira os dízimos e ofertas deveriam ser recolhidos na IASD? Como se daria o processo de
pagamento dos pastores? Cada congregação ficaria responsável por manter o seu próprio pastor
Revista - Princípios de Crescimento 9

como ocorre em outras denominações?” O trecho a seguir lançará luz sobre as respostas que foram
encontradas para estes questionamentos.

3. Movidos por princípios: a distribuição dos recursos


No trecho anterior compreendemos que a Igreja Adventista possui uma forte base bíblica quanto
aos dízimos e ofertas. Mas havia questões em aberto e que precisavam ser igualmente respondidas.

Nem todos faziam a mesma coisa, mas todos ganhavam com a mesma base. Ao se estudar os
detalhes do trabalho dos levitas na Bíblia é possível descobrir que essa tribo estava dividida
por famílias e que cada uma delas possuía uma atividade específica sob sua responsabilidade.
Havia uma família cuja única atribuição era dirigir o louvor no templo; outra era responsável pela
zeladoria do tabernáculo; outra se ocupava em montar e desmontar o acampamento. A família
mais conhecida era a de Arão, responsável por dirigir todo o ritual dos sacrifícios no santuário. Eis o
princípio abordado aqui: embora nem todos os levitas fizessem as mesmas tarefas, todos ganhavam
com a mesma base salarial.
Isso está mais bem descrito em 2 Crônicas 31:15: “Debaixo das suas ordens estavam Éden, Miniamim,
Jesua, Semaías, Amarias e Secanias, nas cidades dos sacerdotes, para com fidelidade pagarem as
porções aos seus irmãos, segundo os seus turnos, tanto a pequenos como a grandes”. O termo
“tanto a pequenos como a grandes” aponta o fato de que todos os sacerdotes, desde o sumo
sacerdote até ao levita que zelava pelo tabernáculo, todos ganhavam com a mesma base salarial.
Assim sendo, tal princípio também foi adotado pela Igreja Adventista, de modo que todos os seus
pastores recebem sob a mesma base salarial. A denominação adota um fator percentual para
remunerar a cada um deles independentemente de onde atuem ou qual função exerçam dentro
da denominação. Seja nos templos, ou em funções de escritório, todos têm o mesmo salário, do
mesmo modo como acontecia com os levitas que ocupavam diferentes responsabilidades, mas
possuíam a mesma base.

É importante lembrar que isso se aplica ao salário, pois algumas funções pastorais preveem
atendimento a um território maior que outros, exigindo assim um reembolso diferente. Por exemplo:
a geografia de atuação de um pastor distrital que atende a oito templos não é a mesma que a
de um diretor de departamento de uma sede administrativa, responsável por um ou mais Estados
(Uniões), atendendo a duzentas igrejas. Assim, embora o salário de ambos possua a mesma base,
logicamente as despesas de viagem não serão ser as mesmas. Para tais casos, estes recursos
adicionais são chamados de reembolsos e não fazem parte da base salarial do pastor por se tratar
de despesas operacionais do trabalho. Outro fato que auxilia na transparência e assertividade na
Igreja Adventista do Sétimo dia na aplicabilidade dos princípios bíblicos, é o de que todo o processo
é acompanhado por auditores.

Recolhimento e distribuição de recursos.


Observemos ainda outra descoberta bíblica maravilhosa: quando o povo de Israel entrou na terra
prometida, Josué dividiu Canaã para as tribos e cada uma delas obteve uma porção da terra, exceto
a tribo de Levi. Então Deus orienta Josué a separar quarenta e oito cidades ao longo do país para
10 Revista - Princípios de Crescimento

serem a residência dos levitas (Nm 35:7-8). Atualmente, poderíamos denominar este modelo de
distritos pastorais dos levitas.

4. Mas, e como os levitas deveriam ser pagos?


O mais fácil e lógico era que cada tribo pagasse os seus próprios levitas. Contudo, Deus orientou
Seu povo de que não deveria ser assim. Os dízimos deveriam ser recolhidos de todas as tribos
e levados para um único lugar, Jerusalém, de onde deveriam ser novamente distribuídos sob a
mesma base salarial a todos os levitas espalhados pelo país. Imagine quão complicado era esse
sistema em uma época em que não se podia contar com bancos ou transferências bancárias. O
que Deus objetivava ao estabelecer este sistema em Israel? Aqui está a beleza da sabedoria divina.
Imagine que você fosse levita em uma cidade próxima à região do deserto de Sim, na tribo de Judá,
e um outro levita conhecido seu trabalhasse nos vales férteis da tribo de Naftali. Imagine agora
que estivesse ocorrendo uma seca muito grande na região de Sim e os habitantes não tivessem
recursos para devolver os dízimos e pagar os levitas da sua região, enquanto que os habitantes da
tribo de Naftali estivessem gozando de uma colheita extraordinária, o que obviamente elevaria às
alturas o valor do dízimo recebido por seus levitas.
Provavelmente você pensaria: “Não quero mais ser levita aqui em Judá. Quero me mudar para
a região de Naftali para poder manter minha família, pois o dízimo ali é maior do que aqui”.
Logicamente este não era o plano de Deus. Por isso todo o dízimo de Israel era reunido em
Jerusalém. Uma vez feito isso, levitas designados percorriam todas as quarenta e oito cidades a fim
de pagar cada um daqueles que nelas atuava, independentemente da função exercida (2Cr 31:11-
15).
Esta foi a maneira estabelecida por Deus para evitar que um levita invejasse aquele que estava em
outro lugar ou que um levita enriquecesse enquanto outro passasse privações.
É exatamente assim que funciona na Igreja Adventista. Ao devolver o dízimo o membro não
remunera seu pastor, mas o envia para a sede administrativa mais próxima (Associação/Missão),
que recolhe o dízimo de todas as igrejas e paga os pastores com a mesma base salarial. Assim,
nenhum ministro adventista precisa ambicionar atender a um templo com mais recursos
financeiros, uma vez que todos recebem a mesma base salarial, que independe do tamanho de
entradas do distrito ao qual serve como pastor. Tais princípios descobertos na Bíblia pelos pioneiros
da Igreja Adventista são um alicerce sob o qual construímos o modelo adventista de distribuição
dos recursos dos dízimos até hoje.

5. Movidos por princípios: as finanças e a unidade da Igreja


Há, contudo, mais uma questão que necessita ser esclarecida: o povo de Israel sempre agiu assim
em relação aos dízimos e ofertas? Fato é que quando os israelitas desobedeceram a ordem divina
da centralização dos recursos, nunca mais voltaram a ser um povo unido

Os parágrafos anteriores apresentam a base bíblica para lidar com os recursos para a manutenção
do ministério pastoral adventista. Contudo vale ressaltar que: 1) o povo de Deus sempre reuniu os
recursos em um único lugar para depois pagar os levitas de maneira igualitária quando estavam
Revista - Princípios de Crescimento 11

andando nos caminhos do Senhor; 2) Israel abandonou estes princípios ao se afastar de Deus.

6. Há algum exemplo bíblico que mostre o povo sendo fiel aos


princípios do Senhor e levando os dízimos a um só lugar, de onde
estes eram distribuídos?
Durante o reinado de Joás: “Deu o rei ordem e fizeram um cofre e puseram do lado de fora na porta
da Casa do Senhor em Jerusalém” (2Cr 24:8).
Durante o reinado de Ezequias: “Então ordenou Ezequias que se preparassem depósitos na Casa do
Senhor em Jerusalém. Uma vez preparados, recolhiam neles fielmente as ofertas e os dízimos e as
coisas consagradas” (2Cr 31:11-12).
No tempo de Neemias: “E todo o povo de Judá trouxe os dízimos do trigo, do vinho novo e do azeite
aos depósitos” (Ne 13:12).
No tempo de Malaquias: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro para que haja mantimento na
Minha Casa” (Ml 3:10).
Quando o princípio de Deus foi rejeitado. Houve um tempo em que o sistema estabelecido por
Deus foi desobedecido e este ocorreu durante o reinado de Jeroboão. A história está registrada em
1 Reis 12:26-28.
Você deve se recordar de que os reis Roboão e Jeroboão foram os responsáveis por dividir o reino
de Israel. Pois bem, Roboão era neto de Davi, mas se desentendeu com algumas tribos do norte, o
que levou estas a decidirem que a família de Davi não deveria mais governá-las. A partir daí passou
a reinar apenas sobre as tribos de Judá e Benjamim, enquanto as dez tribos do norte escolheram a
Jeroboão como seu novo rei.
Jerusalém, local para onde o povo de Deus deveria levar todos os dízimos, ficava situado no reino
do sul. Logo, o povo do norte deveria atravessar a fronteira e devolver os dízimos e as ofertas na
casa do tesouro, como sempre havia feito.

“E disse Jeroboão no seu coração: Agora tornará o reino à casa de Davi. Se este povo subir para
fazer sacrifícios na casa do SENHOR, em Jerusalém, o coração deste povo se tornará a seu senhor,
a Roboão, rei de Judá; e me matarão, e tornarão a Roboão, rei de Judá. Assim o rei tomou conselho,
e fez dois bezerros de ouro; e lhes disse: Muito trabalho vos será o subir a Jerusalém; vês aqui teus
deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito.” 1 Reis 12:26-28
No entanto, temendo uma reconciliação das tribos do norte com as tribos do sul (caso as dez tribos
do norte continuassem indo a Jerusalém a fim de devolver seus dízimos e ofertas), decidiu construir
altares nas cidades de Dã e Betel onde o povo, pela primeira vez, iria descentralizar os recursos da
causa de Deus. Vale notar que seu primeiro decreto como rei não foi para que o povo parasse de
observar o sábado como dia de descanso, mas que deixasse de levar os dízimos para Jerusalém.

7. Uma estratégia para desunir a Igreja


Quando Satanás deseja separar o povo de Deus, entre suas primeiras estratégias aparece a
12 Revista - Princípios de Crescimento

tentativa de descentralização dos recursos sagrados. Ao obter sucesso nesta questão, cada
indivíduo começa a lidar com os recursos de Deus como bem quer, e a unidade do Seu povo é
ameaçada. A história registra para nós como exemplo e advertência que, a partir daquele momento,
o povo de Israel nunca mais se uniu novamente.
Será que você consegue agora perceber o perigo de alguém dizer que irá devolver o dízimo
apenas se ele ficar na igreja local? Como adventistas, não somos um único templo, mas uma família
espalhada por toda a Terra. A missão a nós confiada é de caráter mundial, e não local. O plano
estabelecido por Deus para a administração e uso dos recursos provenientes dos dízimos e das
ofertas visa atender Seu povo como um todo ao redor do mundo.

Um apelo a ser feito. Sinceramente, desejo que você, amigo leitor, tenha compreendido que a
maneira como a Igreja Adventista lida com os recursos não está baseada em uma invenção
humana, mas em um claro “Assim diz o Senhor”. Esta é uma das maneiras propostas por Deus para
nos manter unidos como povo. Ellen G. White afirma que “a unidade é a força da igreja. Satanás o
sabe, e emprega toda a sua força para introduzir dissensão. Ele deseja ver falta de harmonia entre
os membros da igreja de Deus. Deve ser dada maior atenção à questão da união.”
Deseja você adorar a Deus através dos dízimos e ofertas? Então tome a decisão de fazê-lo não
como você quer, não como acredita ser a melhor maneira, ou a mais lógica ou fácil. Se deseja ser
fiel, faça isto seguindo os princípios e orientações bíblicos. No grande conflito entre o bem e o mal
em que estamos envolvidos, Deus e a Sua Palavra são a única base segura para nossa correta
adoração.

1. Texto revisado e adaptado pelos pastores Everton Cardoso (Capelão na Escola


Adventista) e Felipe Andrade (Departamental de Mordomia, Lar e Família e
Comunicação na Missão Mineira Norte).

2. Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 2, págs. 159-160.


Revista - Princípios de Crescimento 13

Fixando o aprendizado:
De acordo com a palavra de Deus, o que vem antes, obedecer ou
sacrificar?
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Qual é a finalidade dos dízimos?


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Porque é importante seguir o modelo bíblico, onde os recursos são


levados até a casa do tesouro?
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14 Revista - Princípios de Crescimento

Princípio da

GRATIDÃO
Revista - Princípios de Crescimento 15

POR QUE BASEAR


OFERTAS REGULARES EM
PORCENTAGEM?
Marcos Faiock Bomfim - Mordomia Cristã, AG

Como determinar quando devo entregar uma oferta e também a quantia a ser dada? Posso confiar
em minhas emoções, percepções ou sentimentos, ou existem critérios baseados na revelação
(Bíblia e Espírito de Profecia) para nortear estas decisões? São as ofertas tão importantes e
requeridas quanto o dízimo ou pertencem a uma categoria inferior? Devo ofertar a cada vez que
dou o dízimo ou as ofertas são “voluntárias”, no sentido de que sou livre para decidir “conforme meu
coração mandar”? O que deve motivar minha oferta? Um bom projeto, uma necessidade urgente
de minha igreja, uma profunda emoção motivada por uma experiência mística, ou nenhuma destas
coisas?
Ofertas devem ser dadas como parte da adoração a Deus (Sl 27:6), oferecida por um coração
justificado e que confia nEle (Sl 4:5). São oferecidas como uma expressão de confiança nEle (Sl 4:5),
e de gratidão por bênçãos tangíveis e intangíveis (Sl 116:17-19).
Sem os elementos descritos acima, ofertas são consideradas por Deus como sendo uma
abominação (Pv 21:27), tornando-se detestáveis à vista de Deus (Is 1:11), não importando a quantia
entregue. Revelando o quanto a motivação para dar pode afetar o relacionamento com Deus,
Ellen G. White diz, por exemplo, que “seria melhor não dar absolutamente nada do que dar de
má vontade; pois se dermos de nossos meios quando não temos o espírito de dar liberalmente,
zombamos de Deus.”

O que é mais importante: dízimo ou ofertas?


A Bíblia ensina que ambos, dízimos e ofertas são parte essencial de nossa adoração ao Senhor.
Falhar na entrega de qualquer um deles, dízimos ou ofertas, é considerado por Deus como sendo
algo desonesto (Ml 3:8-9). Ainda assim, é bom relembrar que mesmo sendo igualmente importantes,
dízimos e ofertas não devem ser aplicados da mesma maneira, misturados ou intercambiados, pois
cada um possui funções específicas no plano mestre de Deus para a finalização da Sua Obra. O
dízimo nunca deve ser devolvido como oferta ou vice-versa.

Que tipo de circunstância deve motivar a entrega de uma oferta?


Com que frequência elas devem ser entregues?
Devido à natureza humana pecaminosa, não é seguro estabelecer a regularidade ou até mesmo a
quantia que será dada com base em sentimentos, boas intenções, gratidão (algo muito subjetivo),
simpatia por líderes da igreja, ou até mesmo com base em apelos para projetos missionários
16 Revista - Princípios de Crescimento

relevantes. Como eventualmente pode não haver apelos, e nossas percepções nem sempre são
dignas de confiança (Jr 17:9), somos encorajados por Deus a trazer nossas ofertas utilizando critérios
baseados em princípios.
Provérbios 3:9 indica que as ofertas devem ser apresentadas ao Senhor a cada vez que houver
renda ou ganho, assim como acontece com o dízimo. É uma maneira de reconhecer que Ele é
a fonte de qualquer renda ou bênção. A falha em trazer regularmente as ofertas a cada vez em
que o dízimo é devolvido (cada vez que houver uma renda ou aumento), pode indicar que Deus
não é reconhecido como sendo o Originador de todas as bênçãos. Essa atitude é claramente
identificada em Sua Palavra como desonestidade para com Ele (Ml 3:8-9). Não apenas os recursos
são desviados, mas sua glória é roubada.
Paulo aconselha, então, o estabelecimento de um propósito ou de um voto definido no coração,
e relacionado às dádivas (2Co 9:7), algo que não varie de acordo com as circunstâncias ou
sentimentos. Um voto de ofertar ao Senhor a cada vez que Ele envia um ganho ou renda (Pv 3:9),
ajudará o crente a escapar de armadilhas comuns a um coração afetado pelo pecado (Jr 17:9),
levando-o a ofertar regularmente, com base em princípios. Dessa maneira, o crente traz a sua
oferta a cada vez que é abençoado por Deus com uma entrada ou renda. E a cada vez que entrega
sua oferta, confessa seus pecados e pede a Deus um coração novo, grato, sensível à influência do
Espírito Santo (Os 6:6), reconhecido pelas bênçãos já recebidas. De outro modo, a oferta, mesmo
que recebida pela igreja, não pode ser aceita por Deus (Is 1:11-17).

Quantia ou Proporção?
Deve a oferta regular ser entregue como uma quantia fixa, previamente escolhida pelo adorador,
ou deve ser uma porcentagem da renda? Ao contrário do dízimo, cuja porcentagem é claramente
estabelecida pelo Senhor (10%), a Bíblia não especifica uma proporção ou quantia a ser entregue
pelo ofertante, porque esta tarefa é deixada para o adorador. Paulo, ao sugerir que uma proposta
deve ser feita “no coração” (2Co 9:7), como vimos acima, indica também que a decisão sobre o
quanto dar não deve ser coletiva, não deve ser baseada na sugestão de líderes, e nem mesmo
na pressão de um grupo. Ao contrário, é uma decisão privada, que deve ser tomada na presença
de Deus, sob a guia do Espírito, como uma forma de adorá-lO. Ao decidir de antemão quanto
entregarei (além da regularidade com que entregarei minhas ofertas), não mais serei deixado ao
controle das mutáveis inclinações de meu coração pecador.
Mas como deveria ser esta proposta? Devo propor um montante, uma quantia fixa a ser entregue
regularmente, ou uma porcentagem da renda, como é o caso do dízimo?

Ofertas regulares (Pacto) baseadas em uma proporção da renda.


Propor ou prometer entregar regularmente uma quantia fixa como oferta pode até parecer uma
opção mais fácil, mas, se adotada, acabará tornando-se em algo injusto ou até insensato. O
problema é que a condição financeira pode mudar significativamente depois que a quantia tenha
sido prometida.
Nesse caso, se o adorador promete uma determinada quantia, mas depois experimenta uma
diminuição ou cessação da renda (desemprego, etc.), como poderia cumprir com a proposta ou
promessa feita? Por outro lado, se a renda (bênçãos) aumentar de maneira significativa, a quantia
Revista - Princípios de Crescimento 17

proposta pode se tornar insignificante se comparada à nova renda, não refletindo assim um nível
apropriado de gratidão.
É por isso que parece mais prudente que cada crente (mesmo aquele sem renda) faça uma
proposta de ofertar regularmente uma porcentagem da renda, e não uma determinada quantia.
Esta decisão de ofertar regularmente uma porcentagem da renda (que chamamos de Pacto), não
deve ser baseada em uma expectativa de bênçãos a serem recebidas, mas em um profundo senso
de gratidão pelas bênçãos já recebidas. Esta foi a motivação de Jonas, quando cantou, depois de
seu livramento: “Mas com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei.
Ao Senhor pertence a salvação!”. (Jn 2:9).
Uma abordagem proporcional para contribuições financeiras não relacionadas ao dízimo na Bíblia.
Parece que a Bíblia implicitamente favorece uma abordagem proporcional (ou uma porcentagem
da renda) como sendo mais apropriada para demonstrar gratidão, generosidade e liberalidade,
mesmo em dádivas não relacionadas ao dízimo.
A história de Zaqueu é um dos exemplos no Novo Testamento (Lc 19:8-9). Como um hábil
contabilista, em lugar de prometer entregar uma determinada quantia para os pobres, ele
prometeu dar uma específica proporção (ou porcentagem) de seus bens (50%). O princípio do
dízimo provavelmente treinou muitos judeus como Zaqueu, a usar uma abordagem proporcional
para resolver algumas questões matemáticas ou financeiras, o que requer uma lógica ligeiramente
mais elaborada do que a abordagem mais simplista da “quantia fixa”.
Ananias e Safira não foram condenados por falharem em trazer uma oferta. Na verdade, trouxeram
uma determinada quantia, que talvez nem tenha sido pequena. O problema foi que o casal reteve
“parte do preço, e levando o restante, depositou-o aos pés dos apóstolos”. (At 5:2, itálico provido).
Como a ideia de “parte” também pode ser expressa como “uma proporção” ou porcentagem do
valor total, então a razão que provocou não somente a morte do casal, mas também sua perdição
eterna, está relacionada com a entrega de uma proporção diferente daquela que havia sido
implícita ou explicitamente prometida (100%).
A viúva pobre também foi louvada não pela quantia devolvida, a qual era de todos os modos
insignificante. Na verdade, a viúva foi elogiada pela proporção dada, que na verdade foi “tudo... o
que ela tinha” (Lc 21:1-4). Ora, a palavra “tudo” se expressada em porcentagem, é cem por cento
(100%)!
Ao chamar a atenção para este episódio, Jesus demonstrou que o que Deus valoriza é a proporção
da renda que é entregue, e não o montante em si. Uma das vantagens desta abordagem
proporcional é que ela coloca ricos e pobres em pé de igualdade, fazendo inclusive com que
pobres, como no caso da viúva, possam dar muito mais do que os ricos, ao menos pelos critérios
de Deus. Ellen G. White apresenta esta mesma ideia quando afirma que através desta história “...
[Jesus] ensinou que o valor da oferta é estimado não pela quantidade [quantia], mas pela proporção
em que é dada e pelos motivos que moveram o doador”.
Paulo. Em 1 Coríntios 16:2, Paulo também indica que a contribuição precisa ser “conforme a sua
prosperidade” (ARA) ou “de acordo com a sua renda”(NVI) – uma indicação de que Deus espera
mais daqueles que tem renda maior, e menos daqueles que tem renda menor – o que sugere uma
abordagem proporcional.
No Antigo Testamento, o conceito proporcional também foi aparentemente escolhido por “alguns
dos cabeças” no tempo de Esdras (Ed 2:68, 69), os quais “deram voluntárias ofertas para a Casa de
18 Revista - Princípios de Crescimento

Deus, para a restaurarem no seu lugar. Segundo os seus recursos, deram para o tesouro [...]”. Aqui
também parece haver a indicação de proporcionalidade, sendo a oferta maior esperada daqueles
que tinham mais recursos, e uma oferta menor daqueles que possuíam menos.
Em Deuteronômio 16, Moisés diz que a oferta deve ser dada “segundo o Senhor, teu Deus, te
houver abençoado” (verso 10) ou “na proporção em possa dar, segundo a bênção que o Senhor, seu
Deus, lhe houver concedido” (veja o verso 17). Neste caso, é o tamanho da benção do Senhor que
determina o tamanho da oferta, dada “na proporção” da bênção. Uma benção maior sempre deve
gerar uma oferta maior, e uma benção menor, uma oferta menor.
Em ambos os versos (Dt 16:10, 17), estão implícitas as ideias, de regularidade (a oferta é dada quando
há uma bênção) e proporcionalidade (a oferta é dada na proporção da bênção). Parece estar claro
que Deus esperava também por ofertas (não somente o dízimo) a cada vez que ocorria uma bênção
(renda ou aumento de renda), e que estas deveriam ser dadas segundo o sistema proporcional.

E quando não há renda?


Paulo também indica que o Senhor não espera nada, nem mesmo o dízimo, daqueles que não
foram abençoados com entradas. “Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem
tem e não segundo o que ele não tem” (2Co 8:12). Afinal, se não tenho renda, se minha renda é zero,
quanto seria 10 por cento ou qualquer outra porcentagem de nada, de zero? Ao enfatizarmos que a
oferta é baseada naquilo que o homem recebe de Deus, somos relembrados de que Ele é sempre
Quem dá primeiro. E quem recebe mais de Deus, deve dar mais; quem recebe menos, dá menos; e
quem não recebe nada, não dá coisa alguma, nem dízimo, nem oferta.
Também, esse conceito proporcional, por si mesmo, contradiz parte dos conceitos da teologia da
prosperidade. Em lugar de enfatizar a ideia de dar para adquirir mérito ou bênçãos, a abordagem
percentual nos remete à ideia oposta, que é “dar porque já recebi”! Isso ocorre porque antes de
calcular a percentagem da renda a ser dada como oferta, o adorador sempre precisa calcular ou
contabilizar a bênção já recebida (a renda). Sem conhecer o tamanho exato da benção, ninguém
vai conseguir calcular uma porcentagem dela. Então, é sempre a percepção da existência de uma
bênção que deve nos levar a dar ambos, o dízimo e o Pacto, que é a oferta regular (Pv 3:9).

Ellen G. White, a oferta regular e sistemática, e o conceito


proporcional
Alguém poderia questionar como teria surgido este plano da oferta regular e sistemática. Teria
sido originado pela igreja, ou um grupo de administradores? Ellen G. White responde que “foi pelo
próprio Senhor Jesus Cristo, que deu Sua vida pela vida do mundo, que foi ideado o plano do dar
sistemático”. Simplesmente não teve origem em mentes humanas, e esta é a razão pela qual a
Igreja Adventista do Sétimo Dia adotou este plano.
Mas o que estaria incluído neste sistema? Analisando alguns dos mais conhecidos textos do Espírito
de Profecia, concluímos que o Senhor estabeleceu a devolução do dízimo e o ato de dar ofertas
debaixo de dois princípios básicos: regularidade e sistema. Ellen G. White diz, por exemplo, que
“essa questão de dar não é deixada ao impulso”. (Na verdade, o “dar por impulso” é baseado em um
sistema espúrio, uma contrafação do sistema verdadeiro sistema divino.) Em lugar dos “impulsos”
como motivação para dar, “Deus nos deu instrução a esse respeito. Especificou os dízimos e ofertas
Revista - Princípios de Crescimento 19

como sendo a medida de nossa obrigação. E Ele deseja que demos regular e sistematicamente”.
Além de transmitir a ideia de que [1] o dar ofertas é algo tão mandatório quanto o retorno do dízimo,
ela coloca [2] ambos, dízimos e ofertas, como fazendo parte de um mesmo sistema: “a medida de
nossa obrigação”! O texto também afirma que o Senhor deseja que ambos sejam dados de uma
maneira regular e sistemática.
Como estas palavras, regular e sistemática, não são sinônimas, surgem agora duas perguntas.
Primeira, o que define a regularidade? E segunda, o que está incluído nesse sistema, e como ele
funciona? A próxima citação sugere uma resposta parcial às duas perguntas: “No sistema bíblico
de dízimos e ofertas, as quantias pagas por várias pessoas certamente variarão muito, visto serem
proporcionais às rendas”. Essa declaração assume que [1] existe um sistema (a palavra sistema
está no singular); também indica que [2] ambos, dízimos e ofertas regulares, estão debaixo deste
mesmo sistema; e que [3] ambos, dízimos e ofertas, devem ser dados como uma proporção (ou
porcentagem) da renda.
Se dízimos e ofertas estão debaixo de um mesmo sistema, podemos entender melhor o sistema
que rege a oferta quando compreendemos o sistema que governa o dízimo. Se devolvemos o
dízimo regularmente, a cada vez que há renda, e se o dízimo é uma proporção da renda, então
podemos esperar que a oferta também deva ser devolvida com a mesma regularidade, e também
de forma proporcional à renda (ou percentual), ainda que a proporção não seja necessariamente a
mesma.
Mas o que estaria incluído neste sistema? Analisando alguns dos mais conhecidos textos do Espírito
de Profecia, concluímos que o Senhor estabeleceu a devolução do dízimo e o ato de dar ofertas
debaixo de dois princípios básicos: regularidade e sistema. Ellen G. White diz, por exemplo, que
“essa questão de dar não é deixada ao impulso”. (Na verdade, o “dar por impulso” é baseado em um
sistema espúrio, uma contrafação do sistema verdadeiro sistema divino.) Em lugar dos “impulsos”
como motivação para dar, “Deus nos deu instrução a esse respeito. Especificou os dízimos e ofertas
como sendo a medida de nossa obrigação. E Ele deseja que demos regular e sistematicamente”.
Além de transmitir a ideia de que [1] o dar ofertas é algo tão mandatório quanto o retorno do dízimo,
ela coloca [2] ambos, dízimos e ofertas, como fazendo parte de um mesmo sistema: “a medida de
nossa obrigação”! O texto também afirma que o Senhor deseja que ambos sejam dados de uma
maneira regular e sistemática.
Como estas palavras, regular e sistemática, não são sinônimas, surgem agora duas perguntas.
Primeira, o que define a regularidade? E segunda, o que está incluído nesse sistema, e como ele
funciona? A próxima citação sugere uma resposta parcial às duas perguntas: “No sistema bíblico
de dízimos e ofertas, as quantias pagas por várias pessoas certamente variarão muito, visto serem
proporcionais às rendas”. Essa declaração assume que [1] existe um sistema (a palavra sistema
está no singular); também indica que [2] ambos, dízimos e ofertas regulares, estão debaixo deste
mesmo sistema; e que [3] ambos, dízimos e ofertas, devem ser dados como uma proporção (ou
porcentagem) da renda.
Se dízimos e ofertas estão debaixo de um mesmo sistema, podemos entender melhor o sistema
que rege a oferta quando compreendemos o sistema que governa o dízimo. Se devolvemos o
dízimo regularmente, a cada vez que há renda, e se o dízimo é uma proporção da renda, então
podemos esperar que a oferta também deva ser devolvida com a mesma regularidade, e também
de forma proporcional à renda (ou percentual), ainda que a proporção não seja necessariamente a
mesma.
20 Revista - Princípios de Crescimento

Na verdade, a ideia de proporcionalidade aparece de forma bem explícita nos escritos de Ellen G.
White. Tendo em mente à viúva pobre, ela afirma, por exemplo, que “... as dádivas dos pobres, ...
não são avaliadas segundo a importância [quantia] doada, mas de acordo com o amor que inspira
o sacrifício...”, e então acrescenta no mesmo parágrafo que “a providência de Deus delineou todo
o plano da doação sistemática para bem do homem”. Se as ofertas não são consideradas pela
quantia dada, então como seriam avaliadas?
O texto acima diz que a as ofertas são avaliadas pelo “amor que inspira o sacrifício”. O contexto
parece indicar aqui uma alusão ao sistema proporcional, porque quanto maior o amor que gera
o sacrifício (da renda, subentendido), melhor seria a avaliação da oferta. Então, quem ama pouco,
sacrifica pouco da renda, e teria sua oferta também avaliada em pouco. E é dentro deste contexto
que aparece uma menção ao plano da doação sistemática, como tendo sido ideado para o
benefício do ser humano. Ao mesmo tempo que o amor pode gerar o sacrifício, o sacrifício também
pode produzir afeições, já que “onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6:21).
Um outro exemplo, ainda mais explícito, aparece em um texto já apresentado mais acima, quando
analisamos ligeiramente a oferta da viúva pobre. Ali, Ellen G. White afirma que “o valor da oferta é
estimado não pela quantidade [quantia], mas pela proporção em que é dada e pelos motivos que
moveram o doador”.
E por que será que Deus usa a proporção dada, e não a quantia, como critério para avaliar a
oferta? Se a quantia fosse o critério de avaliação, os ricos estariam em grande vantagem sobre
os pobres! Mas graças a Deus, as balanças do santuário celestial são diferentes das balanças
humanas! O Senhor deseja que entendamos que ainda que a quantia ou o montante seja grande,
a oferta apenas será “estimada” se for dada de acordo com o sistema correto, que inclui a ideia de
proporcionalidade!
Mas será que não posso dar ofertas à minha maneira? A história de Caim e Abel (Gn 4) ilustra
quão crucial é obedecer ao sistema de ofertas proposto por Deus. Nenhum dos dois era ateu, e
nenhum deixou de trazer sua oferta. Mas somente aquele que a entregou de acordo com o sistema
estabelecido por Deus teve a oferta aceita. Isto indica que não basta entregar uma oferta. Para que
seja aceita, é preciso que seja entregue em obediência ao sistema criado por Deus. Fica claro que
a adoração precisa obedecer às preferências dAquele que é adorado, e não ao gosto do adorador.

Conclusão
A compreensão a respeito deste sistema levou-me a tomar a decisão de adotá-lo, e já o faço a mais
de 45 anos. Decidi que a regularidade de ambos, meus dízimos e ofertas, será determinada pela
regularidade de minha renda. Também seguindo à orientação de Deus, resolvi que minha oferta
será calculada como uma proporção, ou porcentagem, da renda. À semelhança do que faço com
o dízimo, minha oferta também será entregue “antes de qualquer outra parte ser gasta”, e com a
graça de Deus, quero agir assim até o fim da vida.
Agora o chamado de Deus é para você. Seja para renovar este pacto ou para fazê-lo pela primeira
vez, este é um chamado para uma experiência mais íntima com Ele, de confiança, de dependência
dEle! Agora mesmo você pode fazer uma proposta, um pacto com Deus (2Co 9:7), confirmando
que a oferta será dada a cada vez que houver renda (Pv 3:9, 10). Em oração, você também pode
escolher agora a porcentagem inicial de sua renda que será regularmente ofertada ao Senhor.
Revista - Princípios de Crescimento 21

Por que Ele “é o meu [e seu] pastor” (Sl 23:1), promete cuidar de você e prover todas as suas
necessidades (Fl 4:19). O Seu convite e promessa para aqueles que nEle se refugiam, é: “Temei o
Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem. Os leõezinhos sofrem necessidade
e passam fome, porém aos que buscam o Senhor bem nenhum lhes faltará” (Sl 34:9, 10). Confie,
porque os Seus olhos “repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor”
(Sl 34:15). Não há mesmo o que temer.

Fixando o aprendizado:
O que é mais importante, o dízimo ou a oferta?
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Para você, qual é a relação entre oferta e gratidão?


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O que significa uma oferta proporcional?


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22 Revista - Princípios de Crescimento

1. Traduzido e adaptado pelo autor, a partir de um artigo, publicado originalmente em Faiock


Bomfim, M. (2017, July). Why should our offerings be percentage-based. Dynamic Stewards, 21(3),
10-12.

Ellen G. White, Conselhos Sobre Mordomia, p. 199.

2. Em Conselhos sobre Mordomia, página 15, Ellen G. White diz que “É o egoísmo o mais forte e mais
generalizado dos impulsos humanos . . . Portanto, em nosso trabalho e nas nossas dádivas à causa
de Deus, não é seguro ser dominado pelos sentimentos ou pelo impulso. Dar ou trabalhar quando
são despertadas as nossas simpatias, e reter nossas dádivas ou serviço quando as emoções não
são estimuladas, é rumo inseguro e perigoso.”

3. “[Ao dar,] devem os cristãos agir guiados por princípios fixos, seguindo o exemplo de abnegação e
de sacrifício-próprio do Salvador”. (Ellen G. White, Conselhos sobre Mordomia, p. 16).

4. A não ser que indicado de outra forma, todos os textos Bíblicos deste artigo foram retirados da
versão Almeida Revista e Atualizada (ARA), copyright de 1988, 1993, da Sociedade Bíblica do Brasil.

5. Ou “Promise” em inglês.

6. Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 238 (itálicos do autor).

7. Veja também Provérbios 3:9-10

8. Ellen G. White, Conselhos Sobre Mordomia, p. 65, 66 (itálico do autor).

9. Idem, p. 80 (itálicos do autor).

10. Ibid., p. 80 (itálicos do autor).

11. Ibid., p. 73 (itálicos do autor).

12. Usamos as palavras proporção e porcentagem de modo intercambiável, porque qualquer


proporção pode ser matematicamente expressa por uma porcentagem. Não faz diferença alguma,
por exemplo, se dizemos um décimo (proporção) ou dez por cento (porcentagem) de alguma coisa.
O resultado será sempre o mesmo.

13. Ellen G. White, Conselhos Sobre Mordomia, p. 180 (itálicos do autor).

14. Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 238 (itálicos do autor).

14. Ellen G. White, Conselhos Sobre Mordomia, p. 81.


Revista - Princípios de Crescimento 23

Princípio da
DISPONIBILIDADE
24 Revista - Princípios de Crescimento

MEU TALENTO, MEU


MINISTÉRIO: UMA
OPORTUNIDADE PARA TODOS
Jair Miranda - Líder de ASA, MIPES e Escola Sabatina da Associação Paulista Leste

O engajamento ativo dos membros na missão de Deus para reconciliar o mundo com Ele,
foi um dos maiores desafios da igreja primitiva. Quando ainda estava na terra, Jesus aconselhou
os seus discípulos a intercederem ao Pai quanto a solução deste problema dizendo: “A seara, na
verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande
trabalhadores para a sua seara. (Mt 9:37-38).
Hoje a situação não é diferente, várias escusas são apresentadas para a não participação na grande
comissão ordenada por Cristo em Mateus 28:19-20. Veja os dados apresentados por Thumma e Bird
(2011):
• Diminuição da fé: 34%
• �Pouca disponibilidade de tempo: 34%
• Trabalho ou posição de liderança: 27%
• �Visão muito negativa da igreja: 25%
• �Filhos pequenos: 10%
Ao observar a história do cristianismo, podemos ter uma resposta para esta recusa por parte da
maioria dos membros da igreja em participar da missão de Deus. Uma das repostas concentra-
se na falha da reforma protestante ocorrida no século 16 em executar toda a proposta que era
pretendida. Martinho Lutero anunciou a descoberta de que nós somos o povo de Deus e podemos
nos conectar diretamente com Ele, sem precisar de outro intercessor, é o que chamamos de
“aspecto vertical”. Contudo o “aspecto horizontal” definido como a prática do nosso sacerdócio de
uns para com os outros não foi efetivada.
Talvez a raiz de hoje termos a maior parte dos membros da igreja em estado de inércia
ou paralisados na missão, seja por conta da implementação de um conceito institucionalizado de
igreja. Para o Lutero e Calvino, incontestavelmente homens usados por Deus para contrapor o
pensamento da igreja Romana, que atribuía ao clero (padres, bispos, etc.) um valor espiritual que
neutralizava o sacerdócio do povo de Deus e sua participação na missão. Para estes reformadores,
igreja é o local onde a palavra de Deus é corretamente proclamada, as cerimônias são corretamente
administradas e alguns acrescentam um terceiro elemento do exercício da aplicação adequada da
disciplina eclesiástica.
Facilmente observamos que existe um domínio dos ministros neste modelo de ser igreja
e uma passividade dos membros que são o corpo de Cristo, o que difere claramente do conceito
apresentado pelo apóstolo Paulo para a igreja de Corinto (1Co 12-14), onde o conceito de igreja
é representado de forma orgânica através da parábola do corpo, onde cada membro tem uma
Revista - Princípios de Crescimento 25

função (ministério) definido.


Segundo os estudos em crescimento de igrejas, de cada dez congregações no mundo,
pelo menos nove estão em declínio ou estagnadas. Por outro lado, as igrejas que mais crescem
têm um foco externo e os seus membros estão engajados em ministérios de apoio à comunidade.
Esta informação é um grande motivo para que cada membro da igreja esteja engajado na missão
de salvar pessoas através dos seus talentos.
Não podemos observar este quadro e ficarmos tranquilos, pois o envolvimento da maioria
dos que participam do Corpo de Cristo, tem relação direta com o tão sonhado e esperado
derramamento do Espírito Santo. Pois “quando tivermos uma consagração completa, de todo
o coração, ao serviço de Cristo, Deus reconhecerá esse fato mediante um derramamento, sem
medida, de Seu Espírito; mas isso não acontecerá enquanto a maior parte dos membros da igreja
não forem cooperadores de Deus. {SC 193.4}.
Ellen White apresenta uma preocupação quanto ao tema do envolvimento de todos os
membros da igreja, e oferece através da inspiração um modelo de engajamento que não apenas
absorve aqueles que sabem dar estudos bíblicos, dirigir uma classe bíblica, ou pregar uma série
evangelística. Existe um lugar para todos participarem da missão, quando os talentos consagrados
ao ministério, forem considerados dons poderosos de Deus para conquistar pessoas. Observe esta
citação: “Não têm sido claramente estabelecidos e levados avante planos pelos quais os talentos
de todos pudessem ser empregados em serviço ativo”.
Visando atender a este conselho da serva do Senhor, a Igreja Adventista do Sétimo Dia
na américa do sul elaborou um plano para o envolvimento de todos os seus membros, chamado
de “Meu Talento, Meu Ministério”, o qual busca motivar e equipar todos os que aceitaram seguir a
Jesus Cristo, a empregar os seus talentos na missão de salvar pessoas. Segue alguns passos para
tornar este movimento efetivo em sua igreja:

Passo #1
Conhecer o que são os dons espirituais.
O apóstolo Paulo aconselhou as igrejas de Corinto, Romanos e Éfeso com relação a alguns
problemas que estavam acontecendo com elas; em Corinto, especialmente, existia uma má
interpretação dos dons espirituais. Ele escreveu algumas listas e apontou os dons espirituais (1Co
12:8-10; 12:28-30; Rm 12:6-8; Ef 4:11) como necessários para fazer frente a esses casos, com um
propósito e um contexto particular. Logo as listas eram educativas, representativas e não exaustivas.
Sobre a má interpretação da igreja de Corinto, onde muitos membros acreditavam que os dons
espirituais que apresentavam uma manifestação especial do Espírito, davam supremacia espiritual
ao seu possuidor, Ele refuta esse conceito, dizendo que o Espírito age de diversas maneiras, não
apenas de forma sobrenatural, mas através das habilidades comuns de cada pessoa (1Co 12:4-6,
9). Ellen White decaclara: “Dons naturais e adquiridos são todos dádivas de Deus e precisam ser
constantemente mantidos sob o controle do de Seu Espírito, e de Seu divino e santificador poder.
26 Revista - Princípios de Crescimento

Passo #2
Descobrir os dons espirituais
Em posse do conhecimento bíblico descrito no Novo Testamento sobre os dons espirituais, é
importante descobrir qual o dom que Deus escolheu para ser colocado em função da edificação
da sua igreja e do crescimento do Seu Reino. Para isso:
• Dedique tempo em oração;
• Busque saber quais as necessidades da sua igreja;
• Descubra quais as necessidades da sua comunidade;
• Não despreze a sua paixão;
• Tente servir em várias áreas de ministérios;
• Dê atenção ao feedback honesto das pessoas próximas de você.

Passo #3
Aplicar os conhecimentos sobre os dons espirituais à vida diária.
Uma vez determinado através da busca do Senhor, do aconselhamento de pessoas íntegras, e da
própria experiência de vida, qual o dom espiritual a ser exercido na obra do Senhor, é necessário
aplicar essas dádivas (Tg 1:17) na vida diária. É importante que se compreenda como: transformar os
talentos em ministérios; os perigos que ameaçam o ministério; fazer um planejamento pessoal para
o uso dos talentos; construir conexões com as pessoas; o combustível que move o ministério; o uso
da plataforma de trabalho para o emprego dos talentos.

Passo #4
Fazer os talentos serem um instrumento para a edificação da igreja e
para a salvação de pessoas.
Para que o corpo de Cristo seja edificado e o Seu Reino cresça, é necessário que os membros
da sua igreja dediquem os seus talentos para o serviço do Senhor. Em cada área da comunidade
(saúde, educação, economia, ciência e tecnologia, sociedade, governo, comunicação, agricultura
e hobbies) Deus colocou os seu coobreiros com dotes do Espírito para fazer a diferença na vida
das pessoas. Os seus filhos não cursaram uma profissão unicamente para a manutenção diária,
aprenderam uma habilidade ou receberam uma dotação especial do Espírito para exaltação
própria. Deus, na sua presciência, tem um plano poderoso para usar os talentos dos seus filhos
no grande plano de redenção dos seres humanos. Segue alguns exemplos do uso desse dons no
trabalho e na vida diária (ver lista completa no livro Meu Talento, Meu Ministério):
Revista - Princípios de Crescimento 27

• Médico: Palestre, sempre que puder, gratuitamente em escolas, comunidades carentes,


igrejas, encontros, etc. Aborde os 8 remédios naturais dados por Deus.
• Professor de alfabetização: Prepare um boneco ou bichinho de pelúcia, dê um nome e
faça uma aplicação bíblica. Depois, sorteie um aluno por semana para levá-lo para casa. Entre as
várias atividades a serem feitas com o amigo de pelúcia, o(a) aluno(a) deve orar com ele.

• Contador: Calcule o imposto de renda gratuitamente para algumas pessoas. Aproveite o


contato para oferecer estudos bíblicos.

• Pedreiro: Identifique moradores que desejam reformar um dos cômodos de suas


residências e ofereça sua ajuda profissional.

• Taxista: Após analisar o orçamento pessoal, verifique a possibilidade de realizar algumas


corridas grátis. No momento do pagamento, diga que foi um presente de Deus para a pessoa e
entregue algum material (livro, cartão, folheto).

• Jornalista: Elabore estudos investigativos que comprovam a proximidade do fim do


mundo. Utilize as informações jornalísticas como prova de algo que está por vir e faça uma ponte
com as verdades bíblicas.

• Agricultor: Doe parte do produto cultivado para alguma família que esteja passando
necessidades, e ao mesmo tempo diga para os seus membros que o Senhor nunca os desamparou.
(Faça um convite para que a família possa ir a um programa na igreja)

• Ciclismo: Reúna um grupo de ciclistas e promova passeios ciclísticos pela natureza, ou


pela cidade. Insira os seus contatos em um grupo do WhatsApp e envie diariamente mensagens
que falem do amor de Deus e do Seu plano de salvação.

Para que o movimento de salvação “Meu Talento, Meu Ministério” se torne efetivo, se faz necessário
que algumas ações sejam realizadas pela liderança da igreja local, visando a utilização das
principais estruturas que a igreja usa para a mobilização dos seus membros. Veja as ações e o papel
que cada estrutura abaixo deve realizar para que este alvo de concretize:
• 1. É necessário que se realize uma pesquisa, que inicialmente pode ser básica, sobre
as principais necessidades da comunidade que a igreja assiste, que na maioria das sociedades
compreendem: a situação da saúde, educação, segurança, emprego, lazer e moradia.
• 2. O “Meu Talento, Meu Ministério” deve ser entendido não como mais um programa, mas
um movimento de mobilização de membros através do uso dos seus talentos, que remonta a um
desejo da igreja primitiva (Mt 9:37-38), e o seu lançamento na igreja deve acontecer através de
um período de oração, jejum, estudo da Bíblia e do Espírito de Profecia sobre o papel da igreja
na comunidade (ver livro Igreja em Missão), bem como o ensino bíblico concernente aos dons
28 Revista - Princípios de Crescimento

espirituais. (ver livro Meu Talento, Meu Ministério).

• 3. Cada membro precisa ter a oportunidade de ser ajudado a descobrir sobre o papel que
ele precisa desempenhar para que o Reino de Cristo cresça, e ao mesmo tempo expressar os seus
anseios, temores e perspectivas sobre a sua participação na missão, os quais serão percebidos
através de um mutirão de entrevistas que podem ser realizadas pelo pastor, anciãos, professores
da Escola Sabatina ou líderes de Pequenos Grupos, líderes do Clube de Desbravadores, etc.

Segue abaixo algumas perguntas que devem ser respondidas por todos aqueles que querem
ser igreja de Deus e trabalhar para o crescimento do Seu Reino através do uso dos talentos que
o Senhor lhes tem concedido, através da saúde, força, influência, capacidades, recursos e do
uso das habilidades herdadas e adquiridas, além dos dotes sobrenaturais do Espírito. Responda
com bastante reflexão e oração sobre o assunto, não esperando receber de Deus um presente
semelhante a uma poção mágica, e sim colocando-se à disposição do Espírito para atuar ou
exercer o papel que o Senhor designou hoje para você.

Fixando o aprendizado:
1. De acordo com a sua experiência pessoal, qual a maior necessidade
da sua igreja, e como você poderia ajudá-la a cumprir a missão de
Deus?
__________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

2. De acordo com a sua visão, o que você poderia fazer para ajudar a
sua comunidade em alguma de suas necessidades?
__________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

3. Qual é a área de ministério que você desempenharia com foco,


equilíbrio, resultado e realização?
__________________________________________________________________________________________
Revista - Princípios de Crescimento 29

______________________________________________________________________________________

4. O que você faz bem e as pessoas reconhecem?


__________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

5. Qual a sua paixão, e como você poderia colocá-la a serviço da


igreja?
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________

6. Dentre os treinamentos para ministérios oferecidos pela igreja,


qual deles te traz maior interesse?
Evangelismo Saúde Mordomia Serviço Comunitário Crianças Música

Educação Família Outros: _____________________________________________________

7. Que habilidade natural ou adquirida você possui, que te permitiria


atender a necessidades da igreja e da comunidade? 
__________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

8. De 0 a 10 qual a sua disposição para empregar todos os teus


talentos para fazer avançar o Reino de Deus? Qual nível você quer
alcançar até o final do ano? (circule o número)

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
30 Revista - Princípios de Crescimento

9. Você está aberto a oportunidades de treinamento para desenvolver


seus dons?
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________

10. Imaginando que diante de todos os ministérios que a igreja


oferece para o engajamento missional, nenhum deles se encaixa
contigo. O que você poderia fazer para cumprir a missão?
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________

11. Que ações você pode praticar nesse ano para cumprir esse
objetivo?
1 – Trimestre __________________________________________________________________________

2 – Trimestre __________________________________________________________________________

3 – Trimestre __________________________________________________________________________

4 – Trimestre __________________________________________________________________________

12. Compromisso Pessoal. Comprometo-me a: (marque um X)


Ter um relacionamento pessoal com Cristo Jesus e viver pela fé, seguindo o exemplo dEle, e
obedecer aos seus mandamentos na Bíblia.

Participar de forma consistente das ações da igreja ou do ministério que estou envolvido;

Demonstrar um comprometimento saudável para com a minha família;

Buscar o crescimento pessoal por meio do estudo da Bíblia, Espírito de Profecia e da oração;

Viver um estilo de vida próprio de um modelo exemplar de comportamento e embaixador de


Jesus;
Revista - Princípios de Crescimento 31

“Ser uma luz”, no meu lar, na minha vizinhança, trabalho, colégio ou universidade.

Ser um voluntário no mínimo duas horas por semana, além das programações e atividades
regulares da igreja em uma área específica do ministério que tiver aptidão.

Tendo participado da entrevista acima, aceito me envolver ativamente


como um embaixador de Cristo no programa de crescimento da
Igreja.

____________________________________________ Data:__/__/__

Assinatura

____________________________________________ Data:__/__/__

Assinatura pai/mãe (menor de 18 anos)

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32 Revista - Princípios de Crescimento

Princípio do
PLANEJAMENTO
Revista - Princípios de Crescimento 33

SONHANDO
E REALIZANDO
Jabson Magalhães - Diretor Financeiro USeB

Como seres humanos, algo que nos motiva e inspira é sonhar e traçar planos. É possível comprovar
este fato, fazendo um simples exercício: Ao estar diante de um grupo de pessoas, faça o simples
exercício: (1) compartilhe com elas um sonho que você tem, e fale de seu desejo para realizá-lo. (2)
em seguida, peça para que levantem a mão todos os que têm um sonho no coração. Geralmente o
resultado é um movimento unânime de levantar de mãos. A maioria de nós tem sonhos, grandes ou
pequenos.
A questão é: o que faz algumas pessoas realizarem coisas (objetivos e planos) na sua vida e outras
pessoas não? Sorte, dinheiro ou herança? Certamente estas coisas podem ajudar, no entanto,
mesmo que um indivíduo seja contemplado com as três, se não houver planejamento, tudo pode
deixar de existir. Não são raros os exemplos de ganhadores da loteria, prêmios em programas de
TV, filhos de famosos e outros que de forma semelhante, tristemente viveram uma vida abastada
de maneira meteórica e que acabaram até mesmo na miséria.
Um caso curioso ocorreu em Macapá. O senhor Jesus Silva da Fonseca, com 69 anos na ocasião da
reportagem para o G1 (PACHECO, 2016), relatou ter sido milionário por seis meses. Após ganhar um
prêmio na loteria, fez viagens e banquetes frequentes, com direito a vários voos fretados. Veja a que
interessante conclusão chegou o senhor Fonseca:
“Se ganhasse hoje não faria mais isso não, investiria nos três filhos, uma quer ser médica, o outro
enfermeiro e uma está no colégio. Não comprei carro, casa e nem as três fazendas, mas aproveitei
muito” (PACHECO, G1, 2016)

Em outras palavras, ele faria diferente.


O nosso desejo através deste seminário é te ajudar a encontrar um caminho que pode contribuir
decisivamente para a realização dos seus sonhos. Muitas pessoas apenas esperam que alguma
coisa boa aconteça, outras poucas pessoas, planejam e executam o que planejaram e assim
conseguem realizações importantes.
O planejamento chega mesmo a ter mais importância na vida de pessoas que realizam boas coisas
do que o próprio dinheiro. A prova disso é que muitas pessoas que sempre tiveram dinheiro não
conseguiram realizar grandes coisas, ao mesmo tempo que, pessoas que começaram sem nada,
alcançaram grandes realizações.
Portanto, o planejamento é uma ferramenta crucial que auxilia as pessoas na conquista de seus
sonhos e objetivos. O planejamento também é apoiado pela Bíblia.

Lucas 14:28 – “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta
primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que acabar?”
34 Revista - Princípios de Crescimento

Lucas 14:31 – “Ou qual é o rei que, indo à guerra pelejar contra outro rei, não se
assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro
do que vem contra ele com vinte mil?”

Mas, como planejar? O que precisamos planejar?


Tudo pode ser planejado, talvez nem tudo realizado; mas sem planejamento, pouco será
conquistado. De pequenas a grandes coisas, como por exemplo:

• Podemos planejar o que iremos cozinhar para o almoço;


• Podemos planejar como será a festa de aniversário de um filho, de uma filha;
• Podemos planejar como e onde serão as próximas férias;
• Podemos planejar que graduação queremos alcançar;
• Podemos planejar que profissão queremos seguir;
• Podemos planejar casamento, filhos e aposentadoria;
• Tudo pode, e de fato, deveria ser planejado.

Algumas pessoas dizem que não gostam de planejar, porque caso não consigam realizar, ficarão
frustradas. Porém, outros sabem que, se não for possível realizar tudo, pelo menos alguma coisa
será alcançada. Alguma coisa é melhor do que nada! Melhor sonhar com o céu e alcançar a copa
das árvores, do que continuar olhando para baixo e não sair do chão. Então, “coloque a mão na
massa”, comece hoje mesmo a planejar seus sonhos.

Planejamento e finanças
O planejamento tem muito a ver com a parte financeira. A maioria das coisas que queremos realizar
envolvem dinheiro, e dinheiro não aparece do nada, é preciso trabalhar por ele com determinação.
Um bom planejamento nos ajudará a saber de quanto dinheiro vamos precisar para realizar o nosso
sonho. Portanto, uma parte do planejamento se chama: orçamento.
Muitas pessoas têm medo de fazer um orçamento, ou porque não sabem fazer, ou porque têm
medo do que vão descobrir. Ao agirem dessa forma, acabam aumentado o problema e a distância
da tão almejada conquista. Vamos tratar dessa parte do planejamento, o orçamento. Vamos
começar?

O que um bom orçamento deve seguir?


Um bom orçamento deve seguir uma ordem de prioridades. Não comece com o que é menos
necessário porque poderá faltar recursos para o que é mais importante. Em sua lista mensal
de consumo, os primeiros itens devem contemplar o que é básico e de primeira necessidade,
Revista - Princípios de Crescimento 35

permitindo que as demais despesas sejam ajustadas conforme sua renda permita, e com foco nos
propósitos estabelecidos (sonhos).
Quais são os seus sonhos? Casamento, filhos, casa própria, reforma da casa, carro, viagem,
poupança, abrir um negócio, estudos e etc. Como você pensa que é possível chegar lá? Fazendo
uma poupança ou um empréstimo, ganhando na loteria ou recebendo uma herança? Saiba que
você não é diferente de 99% das pessoas. Todos temos sonhos e projetos, e chegar lá, segundo
estimativas, tem a seguinte ordem:

• Sorte: 0,01 %
• Herança: 3%
• Poupança: 20%
• Dívidas: 75%

Realizar sonhos não é um caminho fácil para maioria das pessoas. São poucas as pessoas que
têm seu caminho facilitado pela sorte ou por alguma herança recebida, ou seja, a maioria precisa
realmente batalhar para alcançar seus objetivos. Existe também uma diferença entre o que se
deseja e o que se pratica:

• 10%: chegam lá com dívidas


• 20%: poupam
• 75%: fazem dívidas
• 90%: chegam lá poupando

Como a maioria precisa batalhar para conseguir seus objetivos, existem métodos diferentes para
chegar lá, por exemplo, poupança, fazendo suas reservas, ou fazendo uma dívida. A maioria
acredita que poupar seria o melhor caminho, mas na verdade, mesmo crendo assim, a maioria
das pessoas acaba fazendo uma dívida, como por exemplo, financiar um imóvel ou um veículo.
O problema é que a maioria das pessoas não gosta de planejar! Não planejam por vários motivos:
medo de saber a realidade, falta de habilidade, falta de tempo, achar que o que ganham é muito
pouco para que se tenha um planejamento, entre outros motivos.

Quem planeja alcança


Como diz uma conhecida frase de Thomas Edison: “Boa sorte é o que acontece quando a
oportunidade encontra o planejamento.” Não é incomum encontrar pessoas que, dizendo nunca
ver a oportunidade bater em sua porta, atribuem isso a uma espécie de seleção por sorte. Cremos
sim que oportunidades selecionam pessoas, mas não pelo acaso, elas acertam pessoas que se
posicionaram para recebê-las. Posso planejar e construir um cenário que me permita realizar meus
sonhos na construção de cada degrau, e em cada movimento também me posicionando melhor
para (agarrar as oportunidades que surgirem, as quais) impulsionarão os projetos elencados.
36 Revista - Princípios de Crescimento

Planejamento: Curto, médio ou longo


Ao colocar no papel o nosso planejamento, estamos lidando com uma ação presente,
porém com um olhar no futuro. Pensando assim é importante perceber que quando falamos de
futuro, estamos lidando com o que pode estar relacionado à vida depois de 5 anos, ou com o mês
que está prestes a acontecer. Sugerimos que você estruture seu planejamento pensando em três
escalas básicas, sendo elas planejamento em (1) curto; (2) médio e (3) longo prazo.

Exemplos de planejamento a curto prazo (1 ano):


• Orçamento mensal;
• Roupas calçados, móveis e presentes;
• Poupança para férias.

Exemplos de planejamento a médio prazo (2 a 5 anos):


• Carro;
• Reforma de casa;
• Viagem.

Exemplos de planejamento a longo prazo (superior a 5 anos):


• Carro;
• Reforma de casa;
• Viagem.

O planejamento te possibilita ir muito mais além do que você poderia


imaginar.
Quando começar este exercício de antecipar o futuro, de realmente pensar em como pode e vai
investir ou economizar os recursos que chegam até a sua casa, um novo mundo de possibilidades
poderá surgir diante de você. Perceberá que o planejamento não será apenas o caminho para
sonhos conhecidos, mas também abrirá caminhos para inúmeras outras realizações.
Para quem não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho está bom. Para pessoas com
planejamento a escolha sempre terá um norte; como uma bússola, o planejamento sempre nos
indicará o caminho, o caminho do sucesso. Lembre-se: ele é o resultado de decisões estratégicas
do presente, com ligação direta nas realizações do futuro.
Revista - Princípios de Crescimento 37

Como fazer um planejamento de sucesso?


Comece com o planejamento de longo prazo. Se você começar pelo planejamento de curto prazo,
poderá ter a tendência de desanimar e provavelmente não colocará desafios mais elevados, ou
seja, alcançará pouco. Fazendo o planejamento a longo e médio prazo primeiro, você estará mais
disposto a lutar no planejamento de curto prazo, mas fará mais sentido, pois você estará lutando
por um projeto maior.

Portanto, o planejamento dirá a você o que você precisa saber. Sonhos de longo prazo certamente
mudarão a sua rotina. Compras de supermercado e lanches nos finais de semana ganharão limites,
pois necessitam se enquadrar dentro de plano que permita alcançar mais. O lazer é importante,
mas será adequado a uma realidade prudente, regular e bem pensada. Usando este caminho,
ou seja, do longo para o curto prazo, será mais fácil identificar “vazamentos nos canos” de minhas
finanças.
Como começar? De maneira simples, o planejamento se desenrola da seguinte forma: (1) onde
estou; (2) aonde quero chegar; (3) o que farei para que isso aconteça, e (4) acompanhamento deste
itinerário.

Onde você está? Para te ajudar a se localizar, considere algumas


perguntas simples:
• Situação inicial: solteiro, casado, sem filhos, com filhos.
• Patrimônio: não tem nada, tem carro, já tem casa.
• Sonhos: casa, carro, viagem, casamento, filhos.

Feita essa parte, o que faço agora? Vamos fazer contas! Se em meus projetos e sonhos para 5 anos
é o de comprar um carro à vista, sendo este bem no valor de R$ 60.000,00, minha capacidade
de poupar tem que se ajustar à realidade. Talvez este mesmo valor represente a entrada em meu
financiamento da casa própria, onde após este aporte, os valores investidos em financiamento
serão os que correspondiam ao meu aluguel, no entanto agora têm data para terminar e no final o
imóvel será 100% meu.

Receitas (Entradas) R$ 3.000,00


Moradia - R$ 500,00 R$ 2.500,00
Alimentação - R$ 500,00 R$ 2.000,00
Educação/ Saúde - R$ 300,00 R$ 1.700,00
Transporte - R$ 200,00 R$ 1.500,00
Lazer e Férias - R$ 300,00 R$ 1.200,00
Outros - R$ 200,00 R$ 1.000,00
Capacidade de Poupança R$ 1.000,00
38 Revista - Princípios de Crescimento

Isso é sério? Sim, e muito. Como já conversamos, alguns itens de seu movimento mensal
certamente serão afetados. Você pensará muito mais antes de, sem se programar, dizer que é
possível: comer uma pizza, viajar em todos os feriados, comprar presentes de maior valor e etc.
Sua capacidade de poupança estará diretamente conectada à destreza no controle mensal de
despesas. É um exercício de futurologia. Seu empenho será no orçamento anual, sua batalha será
no orçamento mensal e sua luta corpo a corpo será no dia a dia, no controle dos pequenos gastos.
Você já ouviu aquela frase: “Cuide dos centavos que os milhões cuidarão de si mesmos”?
Alimente seu sonho visualizando a recompensa que o espera na linha de chegada e isso o manterá
motivado em momentos de desânimo. A persistência é o segredo do sucesso, um dia de cada vez.
Se você fraquejou em algo, recomece no dia seguinte e mantenha seu objetivo em mente.

Verdades & Mitos


Verdades
- Você vai conseguir chegar lá.
- Você vai errar no planejamento.
- Você é capaz de fazer isso.
- Nunca é tarde para começar.
- Seja rigoroso no orçamento mensal.
- Controle as pequenas despesas.

Mitos
-Você ganha muito pouco.
-Se você errar o planejamento, tudo estará perdido.
-Isso é só para os outros, para o amigo, para o chefe, não para mim.
-Como não fiz isso antes, não vou fazer agora.
-Os estouros no orçamento mensal sempre são culpa de outra pessoa.
-Moedas não tem valor.
Revista - Princípios de Crescimento 39

Conclusão e últimas dicas.


Vivemos em tempos que o planejamento se desenrola como algo vital. Muito mais do que nos
ajudar nas realizações de sonhos, planos e projetos, ele nos auxiliará a termos estabilidade na
vida. A organização financeira apoiará no cuidar com responsabilidade das pessoas que amamos,
como filhos e cônjuges. É um trabalho que exigirá tempo, dedicação e até mesmo renúncia, mas te
poupará de muitas inquietações futuras, te ajudando inclusive a passar por momentos econômicos
complexos, externos às quatro paredes de sua casa, mas que podem afetá-la. Então não perca
tempo, comece agora mesmo a sonhar e realizar!
Vamos terminar esta conversa, deixando algumas dicas importantes para este início de jornada da
construção de seu planejamento:

• Quanto mais cedo você começar, melhores serão os resultados e menores serão os
esforços. Pense onde você estaria se já estivesse se planejando há um ano.
• Tão importante como não errar é, se errar, consertar o erro e seguir em frente.
• Não seja tão duro com você mesmo e com a família, não esqueça de viver. Sempre há boas
alternativas com economia, é só se adaptar.
• Equilíbrio é a palavra-chave para tudo na vida.
• Dois erros: Ter muito ou ter muito pouco.
• Não se esqueça de Deus.
• Não se esqueça dos outros. Mantenha sempre a comunicação aberta e ativa com os
familiares.
• Não seja mesquinho nem egoísta.
• Planeje, orce, execute, ore, reflita, tenha paciência, pois seu futuro é você quem escreve!

PACHECO, John. Acabei em seis meses’, diz vendedor que ganhou R$ 2


milhões na loteria, 2016. Disponível em http://g1.globo.com/ap/amapa/
noticia/2016/06/acabei-em-seis-meses-diz-vendedor-que-ganhou-r-
2-milhoes-na-loteria.html Acesso 07 de outubro de 2020.

SOUSA, Almir Ferreira. TORRAVALO, Caio Fragata. KRAUTER, Elizabeth


(org.). Planejamento financeiro pessoal e gestão do patrimônio:
fundamentos e práticas. 2ª ed: Barueri, SP: Editora Manole, 2018.
40 Revista - Princípios de Crescimento

Fixando o aprendizado:
Planejamento não seria apenas para quem tem empresas ou algum
tipo de negócio?
__________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

O que significa planejamento de curto, médio e longo prazo?


__________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

Quando seria o melhor momento para se começar o planejamento?


__________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

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Revista - Princípios de Crescimento 41

Princípio da Saúde e
ESPIRITUALIDADE
42 Revista - Princípios de Crescimento

PRINCÍPIOS DE ADORAÇÃO
Dr. Rogério de Araújo Gusmão

Líder de Saúde da Divisão Sul-Americana

Quando um casal tem filhos, a preocupação que envolve os pais gira em torno
de sua saúde ao nascer, se tem alguma doença ou fragilidades, se está sugando
bem o leite materno, se tem dores ou cólicas, quando é seguro sair de casa,
quando tem que tomar as vacinas e se o desenvolvimento está normal. Os pais
principiantes vão em busca de orientações médicas e de pessoas mais experientes
para poder oferecer o melhor para seus filhos a fim de que eles tenham um bom
desenvolvimento e possam se transformar em adultos saudáveis que honrem a
família e sociedade.

Creio que, quando filhos, todos nós ouvimos frases como estas: coma esta fruta,
não coma este doce, leve este casaco porque está frio, etc. Todos os pais que
amam seus filhos se preocupam com a saúde e o bem estar deles, e com Deus
certamente não é diferente. Ele deseja que seus filhos se desenvolvam em todos
os aspectos da vida: físico, mental, social e espiritual para que sejam felizes e
glorifiquem o Pai.

Como posso saber o que fazer? Hoje temos tantas informações sobre saúde,
algumas contradizem outras. Em quem confiar? Google, internet, site, médicos,
quais? Quem são as maiores autoridades em saúde para os adventistas do sétimo
dia? Quais os princípios que a mensagem de saúde envolve e que relação existe
entre a mensagem de saúde, de salvação e a missão da igreja? É exatamente o que
desenvolveremos a seguir.

Quais são as autoridades de saúde em ordem de importância?


1. A BÍBLIA.  “À lei e ao testemunho, se não falarem desta maneira, jamais verão a
alva.” (Is 8:20). A maior autoridade em saúde para os adventistas é a Bíblia. Embora a
Bíblia não seja um livro de medicina ou que tenha como objetivo principal orientar
Revista - Princípios de Crescimento 43

os princípios de saúde e estilo de vida, ela transmite muitos princípios tais como:
orientações sobre higiene, alimentação, saúde e outros. Quando a Bíblia trata
destes assuntos, devemos segui-la, porque ela é a maior autoridade em todos os
temas da vida, inclusive o da saúde.

2. O ESPÍRITO DE PROFECIA. “Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros;


crede nos seus profetas e prosperareis.” (2 Cr 20:20).

Depois da Bíblia, as revelações proféticas são a segunda maior autoridade em


saúde para nós. Impressiona o fato de que estas orientações foram escritas no final
do século XIX e início do século XX, quando o conhecimento médico era pequeno
e muitas vezes danoso à saúde; porém os conselhos proféticos sobre saúde se
mostram extremamente atuais para a nossa época, com forte confirmação científica
atual e trazendo soluções que eram inimagináveis há 160 anos atrás.

3. A CIÊNCIA. “Disse-lhe Jesus: Olha não contes isto a ninguém; mostra-te ao


sacerdote.” (Mt 8:4). Na sociedade em que Jesus viveu quem examinava e tratava
os enfermos eram os sacerdotes que realizavam os serviços religiosos e médicos.
Mesmo tendo muitas divergências com os sacerdotes de sua época, Jesus pedia
que os enfermos fossem examinados e declarados curados pelos médicos de sua
época, que eram os sacerdotes. Eles examinavam todos os leprosos e suspeitos
de lepra, e ninguém melhor do que eles para dizer quem estava doente e quem
estava curado e o que fazer para preservar a saúde da população. Sabemos que
existem muitas pessoas e profissionais que falam em nome da ciência, em quem
devemos confiar? Todo posicionamento individual tem menor peso do que os
posicionamentos coletivos ou institucionais, como por exemplo o posicionamento
da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde, da Sociedade Médica
Brasileira, das universidades médicas.  Segundo a Bíblia, em Provérbios 11:14 é dito
que “na multidão de conselhos há sabedoria”.

Quais os princípios da mensagem de saúde?


44 Revista - Princípios de Crescimento

1. DEUS CRIADOR (Origem) - Deus é o Criador, Doador, Mantenedor e


Restaurador da vida. (Gênesis 1, 2 e Apocalipse 14:7) Ele deixou também remédios
naturais para nos ajudar a preservar a vida e promover a saúde integral. São eles: o
ar puro, luz solar, água, alimentação saudável, exercício físico, descanso, equilíbrio
e confiança no poder de Deus. Através destes remédios simples a maioria das
doenças podem ser evitadas, atenuadas e tratadas. Isto definitivamente não
significa que não vamos adoecer, porque o adoecimento e morte infelizmente
são consequências do pecado e todos estamos sujeitos ao adoecimento e morte;
mesmo Lázaro que foi ressuscitado por Jesus, um dia adoeceu e morreu. Isto
também definitivamente não significa que não vamos precisar de cuidados médicos
e de outros profissionais da saúde, de vacinas e remédios alopáticos, porque eles
também salvam vidas e ajudam a curar e controlar muitas enfermidades.

2. DEUS TRANSFORMADOR (Desenvolver hábitos saudáveis) “O ladrão não


vem senão para roubar e destruir, Eu vim para que tenham vida e a tenham em
abundância.” (Jo 10:10).

Quando Deus entra na vida do crente que nEle confia, a Sua graça passa
a desenvolver hábitos saudáveis em sua vida e o leva a abandonar hábitos
destrutivos, e este processo dura a vida toda. Perceba que o adversário de Deus
vem trazer hábitos que levam à morte e destruição, e Cristo leva seus filhos a
uma vida feliz e abundante. Quando desfrutamos de uma vida feliz e saudável
testificamos do amor e do poder de Deus e isto se revela através da:

a) Aparência Física. A saúde se revela no exterior e aqueles que cuidam da saúde


são mais bonitos do que os que não se cuidam. 

b) Inteligência. A saúde aumenta a capacidade de memória, análise e julgamento.


“E em toda a matéria de sabedoria e de discernimento, sobre o que o rei lhes
perguntou, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos astrólogos que
havia em todo o seu reino.” (Dn 1:20).

c) Espiritualidade. “Não sabeis que o vosso corpo é o Templo do Espírito Santo, que
habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6:19). O
Espírito Santo habita em nós, e quando cuidamos de nossa saúde nós preparamos
Revista - Princípios de Crescimento 45

o ambiente para sua permanência.

A mensagem de saúde e a missão da igreja.


“Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: vai para tua casa, para os teus, e
anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez e como teve misericórdia de ti. E Ele
foi e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos
se maravilhavam.” (Mc 5:19-20).

O texto acima relata a história da cura do endemoniado de Gadara que depois de


curado desejava permanecer na companhia de Jesus, entretanto, Jesus o enviou
para testemunhar de sua transformação mesmo ele sendo um recém converso. Isto
mostra que o testemunho de sua cura, ao mesmo tempo que abriu a porta para o
evangelismo daquela cidade, também o ajudou a consolidar a sua fé. Segundo o
Espírito de Profecia a obra médica deve acompanhar o ministério evangélico. Em
nossas grandes cidades, a obra médico-missionária deve andar de mãos dadas
com o ministério evangélico. Ela abrirá portas à verdade. (Evangelismo, p. 387).

Conclusão
A mensagem de saúde encontra sua autoridade fundamentada na Bíblia, no
Espírito de Profecia e na ciência; elas quando bem compreendidas apontam na
mesma direção.

A mensagem de saúde também é regida pelo princípio de que Deus nos criou nos
dando a vida e a saúde e que por sua graça abandonamos hábitos destrutivos e
desenvolvemos hábitos saudáveis para termos uma vida feliz e plena.

A realização de um pai é ver seus filhos saudáveis e felizes e isto honra o nome
da família. Deus é glorificado através de nossa saúde e felicidade e usa o nosso
testemunho para atrair pecadores, doentes e perdidos para o reino dos Céus.

Uma vida saudável é um testemunho e uma forma de adoração porque a síntese


da nossa mensagem é: “Temei a Deus e dai-lhe glória porque vinda é a hora do
seu juízo e adorai aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas.”

(Ap 14:7).
46 Revista - Princípios de Crescimento

Fixando o aprendizado:
Quais são as autoridades de saúde em ordem de importância?
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______________________________________________________________________________________

Como você poderia usar a mensagem de saúde na pregação do


evangelho?
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Para você o que significa testemunhar através de uma vida com


saúde?
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48 Revista - Princípios de Crescimento