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Aula 00

Fundamentos de
Livro Digital
Biologia

Curso de Biologia
para a FUVEST

Professora Bruna Klassa


Professora Bruna Klassa
Aula 00: Curso de Biologia para a FUVEST

SUMÁRIO
1. Apresentação .................................................................................................................................... 3
1.1 Sobre a FUVEST ........................................................................................................................... 4
2. Biologia, a ciência da vida ............................................................................................................... 10
3. O que é método científico? ............................................................................................................ 12
4. O que é vida? .................................................................................................................................. 16
5. Origem do Universo e da vida na Terra .......................................................................................... 18
5.1 A primeira célula ....................................................................................................................... 25
5.2 Evolução do metabolismo ......................................................................................................... 27
5.2.1 Origem da fotossíntese ...................................................................................................... 28
5.2.2 Origem da respiração aeróbica .......................................................................................... 29
5.3 História geológica da Terra ....................................................................................................... 30
5.4 Radiação da vida ....................................................................................................................... 31
5.5 Organização da vida .................................................................................................................. 32
6. Composição química da vida .......................................................................................................... 33
6.1 Componentes inorgânicos ........................................................................................................ 35
6.1.1 Água .................................................................................................................................... 35
6.1.2 Sais minerais ....................................................................................................................... 37
6.2 Componentes orgânicos ........................................................................................................... 38
6.2.1 Carboidratos ....................................................................................................................... 38
6.2.2 Lipídios ................................................................................................................................ 40
6.2.3 Proteínas............................................................................................................................. 43
6.2.4 Ácidos nucleicos ................................................................................................................. 51
6.2.5 Vitaminas ............................................................................................................................ 54
7. Lista de questões ............................................................................................................................ 57
8. Gabarito .......................................................................................................................................... 71
9. Lista de questões comentadas ....................................................................................................... 72
10. Considerações finais ..................................................................................................................... 96
11. Referências ................................................................................................................................... 97

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1. APRESENTAÇÃO

Olá, futuro(a) universitário(a)!


Tudo bem com você? Por aqui, tudo certo!
Eu sou a professora Bruna Klassa e estou aqui
para lhe guiar no caminho das pedras rumo à
universidade. Eu sou bióloga, especialista em
evolução, sistemática, biogeografia e conservação
ambiental, formada pela Unesp de Botucatu. Durante
a graduação, trabalhei com Fisiologia Humana e com
Paleontologia, duas áreas bem diferentes! Depois, fui
fazer mestrado na Universidade Federal do ABC e
trabalhei com história e ensino de Biologia, e logo
emendei meu doutorado na mesma universidade,
porém na área de Evolução e Diversidade Biológica.
Então, como você pode ver, sempre me interessei por
campos variados dentro da Biologia e felizmente tive
a oportunidade de trabalhar em vários deles.
Em minha época de vestibulanda prestei os principais processos seletivos do estado de São
Paulo, e conheci, na pós-graduação, diversas bancas. Atualmente sou uma das professoras
responsáveis pelo curso de Biologia do Estratégia Vestibulares, e montei este material especial e
diferenciado que vai ajudá-lo em sua pontuação na prova.
A nossa proposta, minha e dos demais professores do Estratégia Vestibulares, é oferecer para
você que vai prestar vestibular o melhor e mais completo material do mercado. E a minha missão é
fazer você tirar de letra todos os assuntos de Biologia, economizando tempo de prova para outras
disciplinas e deixando para trás os concorrentes.
Então, pessoa querida, dedique-se ao máximo às páginas a seguir, gaste um tempo lendo as
conhecendo a minha metodologia e navegue no site do Estratégia Vestibulares para conhecer os
nossos cursos e ter acesso a outros conteúdos gratuitos. Fazendo isso, muito em breve você será
calouro na carreira dos seus sonhos em uma universidade top de linha!
Sem mais delongas, deixe-me lhe apresentar o Curso Extensivo de Biologia para a FUVEST
do Estratégia Vestibulares!

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1.1 SOBRE A FUVEST


A FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular) é responsável pelas provas para ingresso
na USP (Universidade de São Paulo) e é um dos vestibulares mais concorridos do Brasil. No ano de
2018, o vestibular foi reestruturado e o processo seletivo passou a permitir inscrições por
modalidades de vagas, ou seja, ao escolher sua carreira e seu curso, o vestibulando tem três opções:

Vagas de ação Vagas de ação


Vagas de ampla
afirmativa escola afirmativa preto,
concorrência
pública pardo e índigena
(AC)
(EP) (PPI)

Destinam-se aos
Destinam-se aos candidatos e
candidatos que, autodeclarados pretos,
Destinam-se a todos os
independentemente da pardos e indígenas que,
candidatos sem
renda, tenham cursado independentemente da
exigência de nenhum
integralmente o ensino renda, tenham cursado
pré-requisito
médio em escolas integralmente o ensino
públicas médio em escolas
públicas.

Para mais informações sobre a instituição e sobre o processo seletivo, acesse o link:
http://blog.estrategiavestibulares.com.br/vestibular-fuvest
Em relação à Biologia, os assuntos mais cobrados na primeira fase, as disciplinas parecem não
variar muito nos últimos anos. O gráfico abaixo mostra um resumo dos tópicos mais cobrados nos
últimos 10 anos.

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No entanto, muitas das questões são interdisciplinares, ou seja, requerem conhecimentos


de duas ou mais disciplinas. Na verdade, seria mais justo considerarmos que no ano de 2018, por
exemplo, caíram 5 questões de Biologia Comparada, unindo Fisiologia + Zoologia + Parasitologia, e
4 questões de Citogenética, unindo Citologia + Genética.
A Fuvest espera que “o candidato compreenda a vida como manifestação de sistemas
organizados e integrados, em constante interação com o ambiente físico-químico, e que reconheça
que tais sistemas se perpetuam por meio da reprodução e se modificam no tempo em função de
fatores evolutivos, originando a diversidade de organismos e as intrincadas relações de
dependência entre eles”. Fica claro que devemos tratar a Biologia como assuntos interdependentes
e complementares.
Neste curso, estudaremos a Biologia em 23 aulas divididas em 4 frentes:

Cada aula contempla o i) estudo teórico, com todos os pontos do edital e com dicas para os
assuntos mais importantes, ii) resolução de questões cobradas nos últimos anos, com gabarito e
comentários sobre todas as alternativas, incluindo as incorretas, iii) videoaulas completas para você
acompanhar o seu pdf.

Aula Título Descrição do conteúdo


FRENTE 1. BIOLOGIA DAS CÉLULAS
1. O que é Biologia?
2. O que é método científico?
00 Fundamentos da Biologia
3. Origem da vida
4. Composição química da vida
1. A célula
01 Citologia I: membrana plasmática
2. Membrana plasmática
1. Citoesqueleto
02 Citologia II: citoplasma
2. Organelas citoplasmáticas
1. Respiração celular
2. Fermentação
03 Citologia III: metabolismo energético
3. Fotossíntese
4. Quimiossíntese
1. Núcleo celular
04 Citologia IV: núcleo 2. Produção de proteínas
3. Mutação

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1. Ciclo celular: meiose e mitose


05 Ciclo celular 2. Tipos de reprodução
3. Gametogênese
FRENTE 2. BIOLOGIA DOS SISTEMAS
1. Fecundação
06 Desenvolvimento embrionário 2. Desenvolvimento embrionário
3. Anexos embrionários
1. Tecido epitelial
2. Tecido conjuntivo
07 Histologia
3. Tecido nervoso
4. Tecido muscular
1. Sistema tegumentar
2. Sistema nervosa
08 Fisiologia humana I 3. Sistema sensorial
4. Sistema endócrino
5. Sistema osteomuscular
1. Sistema digestório
2. Sistema respiratório
09 Fisiologia humana II
3. Sistema circulatório
4. Sistema linfático e Sistema imune
1. Sistema urinário
10 Fisiologia humana III 2. Sistema genital
3. Reprodução, parto e ISTs
FRENTE 3. DIVERSIDADE DA VIDA
1. Classificação
11 Classificação biológica 2. Taxonomia
3. Sistemática Filogenética
1. Os vírus
Vírus, Bactérias, “Protoctistas” e 2. As bactérias
12
Fungos 3. Os “Protoctistas”
4. Os Fungos
1. Briófitas
13 Biologia vegetal I 2. Pteridófitas
3. Gimnospermas
1. Angiospermas
14 Biologia vegetal II
2. Fisiologia vegetal
1. Poríferos
2. Cnidários
3. Platelmintos
15 Animais invertebrados 4. Nematódeos
5. Moluscos
6. Anelídeos
7. Artrópodes

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8. Equinodermos
1. Peixes
2. Anfíbios
16 Animais vertebrados 3. “Répteis”
4. Aves
5. Mamíferos
FRENTE 4. BIOLOGIA DAS POPULAÇÕES
1. Noções gerais de genética
2. 1ª lei de Mendel: a lei da segregação
3. Heredogramas
17 Genética I
4. Padrões de herança
5. Herança ligada aos cromossomos
sexuais
1. 2ª lei de Mendel: a lei da segregação
independente
2. Interações gênicas
18 Genética II
3. Pleiotropia
4. Herança quantitativa
5. Biotecnologia
1. Surgimento do pensamento
evolutivo
2. Evidências da evolução: padrões
evolutivos
3. Variabilidade genética e mecanismos
evolutivos
19 Evolução 4. Genética de populações e equilíbrio
de Hardy-Weinberg
5. Especiação
6. Tempo geológico e evolução dos
grandes grupos
7. Evolução humana
8. Equívocos comuns sobre a evolução
1. Conceitos gerais de ecologia
2. Cadeia e teia alimentar
20 Ecologia I 3. Energia e matéria nos ecossistemas
4. Ciclos biogeoquímicos
5. Dinâmica de populações
1. Relações ecológicas
7. Sucessão ecológica
21 Ecologia II 8. Biomas do mundo
9. Biomas brasileiros
10. Desequilíbrios ambientais

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1. O crescimento da população humana


e a utilização dos recursos naturais, sob
aspectos históricos e perspectivas
2. Nutrição: requisitos nutricionais
fundamentais e desnutrição
2 3. Expectativa de vida e índice de
Ecologia III
22 mortalidade infantil
4. Endemias e epidemias
6. Saneamento básico e vigilância
sanitária e epidemiológica dos serviços
de assistência à saúde
6. Consumo de drogas e saúde

Nossa, Bruna, tem muita coisa para estudar!


Aluno querido, em primeiro lugar, calma! Cada aula traz uma lista com exercícios sobre os
assuntos cobrados pela FUVEST, além de outros vestibulares do país. Responder a essas questões é
o melhor treinamento para qualquer área que se deseje estudar. Você vai gabaritar em Biologia com
este material!
E olha que bacana: as questões estão resolvidas e comentadas, explicando a alternativa
correta e as alternativas incorretas. Então, com o tempo, vai ficar fácil, fácil, entender os padrões e
processos biológicos.
Mas pega essa dica: não se esqueça das revisões! Elas são fundamentais para indicar ao seu
cérebro que ele não deve apagar da memória as informações aprendidas. Monte um esquema de
revisão a cada 10 ou 15 dias, ou qualquer outro método que se adeque melhor à sua rotina, mas
revise!

Além disso, no site do Estratégia Vestibulares temos um Fórum de dúvidas disponível


para que você possa tirar suas dúvidas em relação ao conteúdo estudado tanto nos livros
digitais quanto nas videoaulas. Este é um canal de comunicação entre aluno e professor,
outro diferencial do Estratégia Vestibulares. Estou sempre disponível para responder
seus questionamentos.

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O Estratégia Vestibulares conta ainda com a realização de simulados, grupos no Telegram,


eventos online e webinários para atualizá-lo sobre as informações relevantes à Biologia e aos
vestibulares. Acesse as nossas redes sociais e não perca nenhuma novidade!

Agora é a sua vez! Concentre-se, arregace as mangas e prepare aquele café: confie em mim
e vamos juntos buscar sua aprovação!

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2. BIOLOGIA, A CIÊNCIA DA VIDA


Biologia (do grego bios, que significa vida, e logos, que significa estudo) é a ciência que estuda
a vida, ou seja, os padrões e os processos que permitem compreendê-la e como eles interagem
entre si e com o meio. Esse estudo divide-se em áreas menores, embora a compreensão dessas
áreas deva ser holística (visão do todo), já que “estar vivo” implica em uma série de relações
complexas que não podem acontecer isoladamente.
O termo Biologia, contudo, só apareceu por volta dos anos 1800 nos trabalhos de alguns
cientistas que concluíram que plantas e animais eram bastante diferentes dos “seres não animados”
(como rochas, minerais, lodo) devido à presença de vida. Neles, havia uma organização corporal que
permitia um ciclo de crescimento, reprodução e morte.
Hoje pode parecer óbvio que plantas e animais são seres vivos, enquanto rochas são
agregados sólidos de um ou mais minerais. Mas naquela época o conceito de vida era muito
abstrato. Acreditava-se, por exemplo, que vegetais e animais poderiam surgir espontaneamente a
partir de lodo e rochas. Inclusive um dos exemplos mais conhecidos na época era a ideia de que
sapos poderiam surgir pela transformação espontânea da lama nos brejos. Imagine só!

Figura 1. Teoria da geração espontânea (ou abiogênese): a ideia de que seres vivos poderiam surgir espontaneamente a partir da
transformação de matéria inanimada. Fonte: adaptado de Amabis & Martho.

Desde organismos unicelulares até os organismos multicelulares, com milhares de células,


todo ser vivo foi gerado a partir da divisão de uma única célula. Portanto, esta célula é o veículo para
toda informação hereditária que define cada espécie, e os processos vitais de cada organismo são
realizados por conjuntos complexos e específicos de células, reunidas em estruturas definidas.
Assim, um ser vivo pode ser definido como um sistema que cresce e se reproduz, graças ao seu
metabolismo constante e contínuo, e que muda com o ambiente ao longo de um período,
mantendo sua individualidade.
Na organização biológica, existem vários níveis hierárquicos, sendo que seu início se dá nos
átomos, os constituintes da matéria química orgânica. As ligações entre os átomos, iguais ou
diferentes, determinam a formação das moléculas. Essas moléculas se unem formando pequenas
estruturas complexas e especializadas em diferentes funções, chamadas organelas. As organelas
são os compartimentos integrantes das células, nossa unidade básica da vida.
O próximo nível ocorre apenas nos seres multicelulares, porque as várias células se
especializam e se unem formando tecidos celulares. Esses, por sua vez, organizam-se em órgãos,

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que são as unidades anatômicas funcionais dos seres multicelulares. Diferentes órgãos atuam em
conjunto, harmonicamente, constituindo um sistema. Sistemas diversos trabalhando juntos
constituem um indivíduo.
Os últimos níveis de organização dizem respeito às interações do indivíduo. O conjunto de
indivíduos da mesma espécie interagindo em uma determinada região geográfica denomina-se
população. Os membros de uma população interagem com membros de outras populações, da
mesma espécie ou não, e essas várias populações coabitando uma mesma região chama-se
comunidade ou biocenose. Os membros da comunidade interagem entre si e com o meio ambiente
em que vivem. Essa interação recebe o nome de ecossistema. Por fim, o conjunto dos vários
ecossistemas na terra denomina-se biosfera.
Podemos, então, organizar a Biologia em algumas grandes áreas. Cada uma dessas áreas
pode se ramificar em várias outras, menores, tornando a Biologia uma rede de padrões e processos
orgânicos interligados que funcionam sinergicamente!

(UFPB/2010) Em nosso planeta, o que distingue a matéria viva da não-viva é a presença de


elementos químicos (C, H, O, N) que, junto com outros, formam as substâncias orgânicas. Os
seres vivos são formados a partir de níveis bem simples e específicos até os mais complexos e
gerais. Numa ordem crescente de complexidade, estes níveis têm a seguinte sequência:
a) biosfera, ecossistema, comunidade, população, organismo, sistema, órgão, tecido, célula,
molécula.
b) molécula, célula, tecido, organismo, órgão, população, comunidade, ecossistema, sistema,
biosfera.
c) molécula, célula, tecido, órgão, organismo, população, comunidade, sistema, ecossistema,
biosfera.

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d) molécula, célula, tecido, órgão, sistema, organismo, população, comunidade, ecossistema,


biosfera.
e) biosfera, comunidade, população, ecossistema, sistema, órgão, organismo, tecido, célula,
molécula.
Comentários
A ordem correta de organização dos seres vivos é a apresentada na alternativa D.
Gabarito: D.

3. O QUE É MÉTODO CIENTÍFICO?


Okay. A Biologia é uma ciência que busca entender a vida em toda a sua complexidade. E
como se estuda essa ciência? Realizamos uma forma de investigação baseada no método científico.
Ao conduzir uma pesquisa, os cientistas coletam evidências empíricas 1 mensuráveis para
testar uma hipótese prévia visando a apoiar ou a contradizer uma teoria.

1 Baseado na experiência e na observação.

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O método científico é, então, uma rotina de procedimentos para averiguar uma ideia (uma
“receita passo a passo”) e chegar a uma conclusão cientificamente aceita. Existem dois tipos de
métodos: o dedutivo e o indutivo. No método dedutivo, fazemos observações de um determinado
fenômeno e a partir delas deduzimos uma conclusão. É o típico exemplo de “o mar é salgado; a
bolacha de água e sal é salgada; logo, o mar é um bolachão”. É claro que essa é uma piada, mas a
lógica dedutiva leva a conclusões muitas vezes absurdas.
Já o método indutivo parte da experimentação e é utilizado nas pesquisas científicas, a partir
de alguns passos:
1) Faça uma ou mais observações a respeito de um fenômeno.
2) Pesquise o que já existe de informação em relação a esse assunto.
3) Formule uma hipótese: uma tentativa de descrição do fenômeno que foi observado e faça
previsões baseadas nessa hipótese.
4) Essa é a parte mais divertida! Crie um teste ou procedimento para descobrir se sua hipótese está
correta. Colete dados e teste suas previsões em um experimento que possa ser reproduzido. É
importante que você anote o passo a passo para que outras pessoas também realizem o seu
experimento e testem sua hipótese.
5) Analise os dados.
6) Tire suas conclusões.
Se sua hipótese estava errada, isso não é ruim, porque você ainda descobriu alguma coisa!
Você descobriu que a luz vermelha influencia mais o crescimento da planta específica que você
estudou e não a luz verde. Não era o que você esperava, mas é um resultado!
7) Próximos passos: você pode modificar suas variáveis no experimento e testá-lo novamente.
8) Reproduza o experimento até que não haja discrepâncias entre observações e teoria. Você e os
demais interessados no fenômeno devem ser capazes de seguir o passo a passo do experimento e
reproduzi-lo. Se os testes forem sempre congruentes, com variações não significativas, fica mais fácil
elaborar então uma teoria sobre o assunto.
Mas para que o método científico seja aplicado corretamente, é necessário que haja um
grupo controle, isto é, um padrão de referência. Vou dar como exemplo um experimento que fiz
quando estava na graduação.
Existe o conhecimento popular de que chá de alho e chá de cogumelo-do-sol são bons para
combater o colesterol alto; dizem que eles reduzem o nível do colesterol “mau” (LDL) do sangue. Eu
resolvi testar se isto era verdade. O que eu fiz foi selecionar nove coelhos (eram os meus modelos
experimentais) e dividi-los em três grupos: o primeiro grupo recebeu duas vezes ao dia o chá de
alho, o segundo grupo recebeu duas vezes ao dia o chá de cogumelo e o terceiro grupo recebeu
somente água, nos mesmo horários em que os demais recebiam chá.
No primeiro mês, suplementei a dieta deles com gema de ovo, para aumentar o nível do
colesterol no plasma sanguíneo. Durante este mês, todos beberam água. Uma vez estabelecida a
condição de colesterol alto, iniciei os tratamentos. Ao final de 6 meses, percebi que o grupo que
recebeu chá de alho teve o colesterol reduzido em relação ao grupo controle (que só recebeu água).
Já no grupo que recebeu chá de cogumelo-do-sol, o nível de colesterol se manteve constante

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durante todo o tempo, igual ao que aconteceu com o grupo controle. Assim, o chá de alho se
mostrou mais eficiente para o tratamento do colesterol alto no sangue.
Percebeu a função do grupo controle como padrão de referência?

(FUVEST SP/1998) No texto a seguir, reproduzido do livro Descobertas acidentais em ciências,


de Royston M. Roberts (Campinas, Papirus, 1993), algumas frases referentes a etapas
importantes na construção do conhecimento científico foram grifadas e identificadas por um
numeral romano:
“Em 1889, em Estrasburgo, então Alemanha, enquanto estudavam a função do pâncreas
na digestão, Joseph Von Mering e Oscar Minkowski, removeram o pâncreas de um cão. No dia
seguinte, um assistente de laboratório chamou-lhes atenção sobre o grande número de
moscas voando ao redor da urina daquele cão.
I. Curiosos sobre porque as moscas foram atraídas à urina, analisaram-na e observaram
que esta apresentava excesso de açúcar.
II. Açúcar na urina é um sinal comum de diabetes. Von Mering e Minkowski perceberam
que estavam vendo pela primeira vez a evidência da produção experimental de diabetes em
um animal.
III. O fato de tal animal não ter pâncreas sugeriu a relação entre esse órgão e o diabetes.
[…] Muitas tentativas de isolar a secreção foram feitas, mas sem sucesso até 1921. Dois
pesquisadores, Frederick G. Bating, um jovem médico canadense, e Charles H. Best, um
estudante de medicina, trabalhavam no assunto no laboratório do professor John J. R.
MacLeod, na Universidade de Toronto. Eles extraíam a secreção do pâncreas de cães.
IV. Quando injetaram os extratos (secreção do pâncreas) nos cães tornados diabéticos pela
remoção de seu pâncreas, o nível de açúcar no sangue desses cães voltou ao normal, e a urina
não apresentava mais açúcar”.
A alternativa que identifica corretamente cada uma das frases grifadas com cada uma das
etapas de construção do conhecimento científico é:
I II III IV
a) Hipótese Teste da hipótese Fato Observação
b) Fato Teoria Observação Teste da hipótese
c) Observação Hipótese Fato Teste da hipótese
d) Observação Fato Teoria
e) Observação Fato Hipótese Teste da hipótese
Comentários

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A afirmativa I é relativa à observação de um fenômeno. Eles estavam curiosos com as


moscas rondando a urina e então analisaram a composição da urina.
A afirmativa II é um fato. Açúcar na urina é um sinal comum de diabetes e ponto.
A alternativa III é uma hipótese. Talvez o cachorro desenvolveu diabetes porque não tinha
pâncreas.
A afirmativa IV é o teste, o experimento. Vamos injetar a secreção pancreática nele e ver
o que acontece com o nível de açúcar na urina.
Gabarito: E.

(UFMG/2008) Um estudante decidiu testar os resultados da falta de determinada vitamina na


alimentação de um grupo de ratos. Colocou então cinco ratos em uma gaiola e retirou de sua
dieta os alimentos ricos na vitamina em questão. Após alguns dias, os pelos dos ratos
começaram a cair. Concluiu então que esta vitamina desempenha algum papel no crescimento
e manutenção dos pelos. Sobre essa experiência podemos afirmar:
a) A experiência obedeceu aos princípios do método científico, mas a conclusão do estudante
pode não ser verdadeira.
b) A experiência foi correta e a conclusão também. O estudante seguiu as normas do método
científico adequadamente.
c) A experiência não foi realizada corretamente porque o estudante não usou um grupo de
controle.
d) O estudante não fez a experiência de forma correta, pois não utilizou instrumentos
especializados.
e) A experiência não foi correta porque a hipótese do estudante não era uma hipótese passível
de ser testada experimentalmente.
Comentários
O estudante esqueceu de usar um grupo controle. O método científico necessita de um de
referência (no caso, um grupo que receberia dieta completa com a vitamina estudada) e um
grupo experimental (que receberia dieta com carência da vitamina alvo).
Fora a dieta, as demais condições (como abrigo, bebida, temperatura, exposição à luz,
entre outras) devem ser iguais para os dois grupos. Além disso, os dois grupos devem ser
compostos por animais da mesma espécie. Esta informação não foi dita no texto e é
importantíssima. Animais (ou plantas) de espécies diferentes respondem de maneira
diferentes aos estímulos. Para se comparar o efeito de algum fator, devemos usar espécies
iguais.
Assim, as alternativas A e B estão erradas porque o estudante não seguiu o método
científico, deixando de lado o grupo controle. A alternativa D está errada porque a retirada da
vitamina é um método possível de se realizar o experimento. A alternativa E está errada porque
a hipótese é sim testável, o que faltou foi um delineamento experimental melhor.

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Delineamento experimental é o nome dado a todo o planejamento de como um


experimento vai acontecer: quais grupos serão necessários, onde eu vou fazer, durante quanto
tempo, o que eu vou precisar para realizar o experimento, etc.
Assim, a alternativa C é a correta.
Gabarito: C.

4. O QUE É VIDA?
O que caracteriza um ser como vivo? Tanto seres vivos quanto materiais inanimados são
constituídos por átomos, contudo, existem seis elementos químicos que são mais frequentes e
essenciais na composição dos seres vivos: carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N),
fósforo (P) e enxofre (S). O CHONPS! O CHONPS é importante porque representa os seis elementos
que formam as moléculas orgânicas. Assim, todo ser vivo apresenta o CHONPS abundantemente.
E quais são essas moléculas orgânicas formadas pelo CHONPS?
A associação entre o hidrogênio, o oxigênio e o carbono formam os carboidratos e os lipídios,
enquanto a associação entre hidrogênio, oxigênio, carbono e nitrogênio forma as proteínas e os
ácidos nucleicos (que contém a informação genética dos organismos).

Além do CHONPS, as características fundamentais dos seres vivos são:


a) Organização celular. Todos os seres vivos estão organizados em uma unidade microscópica
estrutural e funcional chamada célula. A célula é constituída essencialmente de material genético,
citoplasma e membrana plasmática, e podem ser procariotas (sem compartimentos internos e sem
membrana delimitando o material genético) ou eucariotas (mais complexas, com inúmeros
compartimentos internos).
b) Metabolismo. A obtenção de energia suficiente para a manutenção da vida graças à constante
degradação e reconstrução de moléculas orgânicas denomina-se metabolismo, e ele divide-se, em
duas etapas: a degradação de moléculas antigas (catabolismo) e a síntese de novas moléculas
(anabolismo).
c) Crescimento e reprodução. Todo ser vivo cresce! Os organismos unicelulares crescem pelo
aumento do tamanho de sua única célula. Os organismos multicelulares crescem pelo aumento do
número de células do corpo. Quando o crescimento celular atinge um determinado tamanho, elas

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podem se dividir em duas. No caso dos organismos unicelulares, essa divisão é a reprodução! Já nos
organismos multicelulares, a reprodução pode ser assexuada (quando um novo ser surge a partir de
uma célula parental) ou sexuada (quando um novo ser surge a partir da união de duas células
sexuais).
d) Movimentação. Capacidade de movimentar-se ativamente (correr, nadar, voar) permite explorar
o ambiente à procura das melhores condições para sobrevivência (abrigo e alimentação, por
exemplo). A capacidade de reagir a estímulos também. As plantas, por exemplo, não se movem
ativamente, mas podem reagir a estímulos como a luz, alterando a posição de suas folhas para
acompanhar a trajetória do Sol. Algumas bactérias não se movimentam a partir de estímulos, mas
deslocam-se apenas quando transportadas por água, ar ou outros seres vivos.
e) Hereditariedade. Capacidade de transmitir o material genético para os seus descendentes. O
material genético funciona como uma bula, um manual de instruções dado pelos pais para o novo
ser que será formado. Essas instruções estão presentes nas moléculas de DNA.
f) Mudança e adaptação. Capacidade de mudar e desenvolver ajustes (funcionais, fisiológicos,
anatômicos, etc.), ao longo de milhares de anos, garantindo maior sobrevivência e maior taxa de
reprodução. As pequenas variações do seu material genético são responsáveis por você ser único
no mundo. Nenhum ser vivo é igual a outro devido a essa variabilidade genética. Graças a ela, um
ou alguns indivíduos podem apresentar maior ou menor chance de sobreviver em um determinado
ambiente (seleção natural). Assim, a seleção natural é o mecanismo que seleciona os organismos
que conseguem se ajustar a um ambiente e prosperar (ou seja, sobreviver e passar seus genes
adiante, através da reprodução).

Portanto, não existe uma definição do que é vida, mas sim um conjunto de características
que permitem diferenciar o vivo do não-vivo.

(FUVEST/2009) Analise as afirmações abaixo referentes aos seres vivos.


I. Relacionam-se e modificam o meio.
II. Reproduzem-se sexualmente.
III. Respondem aos estímulos do meio.
IV. Usam gás carbônico na produção de matéria orgânica.
São características comuns a todos os seres vivos:
a) I e II, apenas.
b) I, II e III, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e IV, apenas.

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e) I, II, III e IV.


Comentários
A afirmativa I está correta. Vimos que uma das características de estar vivo é relacionar-se
com o meio, modificando-se e modificando-o.
A afirmativa II está errada. Veremos que os seres vivos podem se reproduzir de maneira
sexuada e assexuada. A reprodução sexuada é uma forma de reprodução que se realiza por
meio da fusão de dois tipos de células reprodutoras especializadas chamadas gametas. Nos
animais que se reproduzem sexuadamente essas células especializadas são o óvulo e o
espermatozoide. A reprodução assexuada é um tipo de reprodução que ocorre sem a
conjugação de material genético. Existe um único progenitor que se divide por mitose. Os seres
provenientes deste tipo de reprodução são geneticamente iguais ao organismo que os
originou (a não ser que haja mutações) e são denominados clones.
A afirmativa III está correta. Ela está de acordo com a afirmativa I.
A afirmativa IV está errada. Nem todos os seres vivos usam CO2 para produzir alimentos,
apenas as plantas.
Gabarito: C.

5. ORIGEM DO UNIVERSO E DA VIDA NA TERRA


A teoria mais bem fundamentada da origem do nosso universo está centrada em um evento
conhecido como o Big Bang. Essa teoria nasceu da observação de que outras galáxias estão se
afastando da nossa em todas as direções com grande velocidade, como se todas tivessem sido
impulsionadas por uma antiga força explosiva.

Figura 2. Formação do universo. Fonte: Shutterstock.

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O padre belga Georges Lemaître sugeriu a teoria do Big Bang na década de 1920, quando
teorizou que o universo começou a partir de um único átomo primordial. Essa ideia recebeu grande
suporte das observações de Edwin Hubble, de que as galáxias estão se afastando de nós em todas
as direções, assim como da descoberta da radiação de micro-ondas cósmicas na década de 1960,
interpretadas como ecos do Big Bang por Robert W. Wilson e Arno Penzias. Trabalhos adicionais
ajudaram a esclarecer o ritmo do Big Bang.
Então, vamos à teoria: nos primeiros 10 a 43 segundos de sua existência, o universo era muito
compacto, com tamanho muito inferior a um único átomo. Acredita-se que, em um estado
energético tão incompreensivelmente denso, quatro forças fundamentais – gravidade,
eletromagnetismo e as forças nucleares fortes e fracas – uniram-se em uma única força.
A partir daí, as primeiras partículas do universo teriam se misturados e se acomodado na
mesma temperatura, e, em uma fração inimaginável de um segundo, toda essa matéria e energia
teria se expandido mais ou menos uniformemente, com pequenas variações. A expansão continuou
por muito tempo, mas a um ritmo mais lento, até que quando a matéria se resfriou, diversos tipos
de partículas começaram a se formar. Essas partículas se condensaram, constituindo as estrelas e
galáxias do nosso universo atual, incluindo a Via Láctea, galáxia onde o sistema solar está inserido.
Após a formação do Universo, quando ele completou seu primeiro bilionésimo de segundo,
já havia perdido calor o suficiente para que as quatro forças fundamentais voltassem a se separar
umas das outras.

Figura 3.Ilustração dos planetas da via Láctea. Fonte: Shutterstock.

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Embora o universo tenha surgido há aproximadamente 14 bilhões de anos, a vida (como


conhecemos) só surgiu na Terra há 3,5 bilhões de anos. As hipóteses de origem da vida tentam
desvendar os processos que teriam permitido aos elementos químicos que compõem os organismos
(CHONPS) atingirem o grau de organização estrutural e funcional que caracteriza a matéria viva.
A teoria da geração espontânea ou abiogênese foi, como comentado no início do capítulo,
aceita até meados do século XIX para explicar a origem de vários organismos. Ela propunha que a
vida ou os organismos vivos poderiam ser "gerados espontaneamente" a partir de matéria não viva.
Contudo, alguns cientistas dessa época iniciaram uma discussão sobre as origens da vida e passaram
a contestar a ideia de geração espontânea. O quadro abaixo traz um compilado dos principais
experimentos com argumentos contra e favoráveis a esta hipótese. Veja:

Figura 4. Pasteur ferveu um caldo nutritivo, esterilizando-o, e o dividiu em dois frascos com gargalos longos e torcidos, que permitiam a
entrada de ar, mas não o contato dos microrganismos com o caldo. Depois que os frascos esfriaram, percebeu que não havia matéria viva em
nenhum deles. Então, ele quebrou os gargalos deixando os frascos livres e em contato com o ar. Ao fazer isso, Pasteur percebeu que os
microrganismos existentes no ar entravam em contato com o caldo e ali encontravam as condições necessárias para o seu desenvolvimento.

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A derrota definitiva da teoria da geração espontânea tornou a biogênese amplamente aceita,


ou seja, entendeu-se que a vida só poderia surgir de outro ser vivo pré-existente. Então, como teria
surgido o primeiro ser vivo? Existem algumas hipóteses que tratam sobre esse assunto:
➢ Origem extraterrestre: também conhecida como panspermia, segundo a qual a vida na Terra teve
origem a partir de seres vivos ou de substâncias precursoras da vida proveniente de outros locais
do cosmo.
➢ Origem criacionista: segundo a qual os seres vivos forma criados individualmente por uma
divindade.
➢ Origem por evolução química: segundo a qual a vida surgiu da matéria não viva, a partir de
associações entre moléculas, formando substâncias cada vez mais complexas. Essa hipótese foi
levantada na década de 1920 e é atualmente a mais aceita.
A teoria da evolução química, de Aleksandr Oparin e J.B.S. Haldane, indica que na atmosfera
primitiva havia gás hidrogênio, vapor d’água, amônia e metano. A partir da combinação dessas
moléculas e pela ação constante de descargas elétricas e radiação ultravioleta na Terra recém-
formada, alguns compostos orgânicos teriam se originaram e foram carregados para o oceano
primitivo, tornando-os verdadeiras “sopas nutritivas”. Nesse oceano surgiu então os primeiros
sistemas vivos – os coacervados.

Figura 5. Hipótese de Oparin-Haldane.

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Coacervados são conjuntos de moléculas orgânicas reunidas em grupos e envoltas por


moléculas de água. Eles não eram seres vivos, mas uma organização de substâncias orgânicas em
um sistema semi-isolado do ambiente, podendo trocar substâncias com o meio externo e
possibilitando a ocorrência de inúmeras reações químicas em seu interior.

Figura 6. Formação dos coacervados (modificada). As inúmeras possibilidades de reações químicas entre os coacervados e o meio teriam
levado à formação de moléculas cada vez mais complexas, como as proteínas e lipídios, possibilitando o surgimento da primeira célula.

Em 1950, Stanley Miller e Harold Urey desenvolveram um aparelho que simulava as


condições supostas para a Terra primitiva de Oparin-Haldane. A ideia era testar se as moléculas
biológicas precursoras da vida poderiam ter sido criadas por descargas elétricas na atmosfera da
Terra primitiva. Eles observaram como resultado a formação dos aminoácidos alanina e glicina.
Posteriormente, novas pesquisas obtiveram outros aminoácidos e vários compostos de carbono.

Figura 7. Experimento de Miller-Urey. Um aparelho com uma mistura de gases simulava a atmosfera primitiva, que foi submetida
a descargas elétricas por vários dias. Um condensador resfriava essa atmosfera úmida e a água condensada escorria pelos tubos de vidro do
aparelho (simulando a chuva e formação dos mares primitivos). Um aquecedor novamente fervia e evaporava a água, simulando a superfície
quente do planeta recém-formado. Miller examinou o líquido acumulado e percebeu a formação dos aminoácidos alanina e glicina.

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O experimento de Miller-Urey, juntamente com a descoberta da estrutura do DNA, levou a


um grande otimismo nos anos 50 sobre a descoberta de um caminho químico para a vida.

Hipótese da panspermia cósmica


A hipótese da panspermia cósmica, proposta no fim do século XIX, sugere que a vida na
Terra se originou de outro local no espaço, isto é, a vida pode ter chegado ao planeta, e
não ter sido formada aqui.

O termo panspermia significa “sementes em todos os lugares” (do grego, pan= tudo e
spermia=semente). Nosso planeta teria sido povoado por seres vivos ou elementos
precursores da vida provenientes de outros planetas, que teriam se chegado aqui “de
carona” com meteoritos, cometas e poeira cósmica até a Terra. Algumas formas de vida,
particularmente os extremófilos (organismos que conseguem viver em ambientes
extremos – muito quentes, muito frios, muito ácidos, etc.), são resistentes o suficiente
para sobreviver às condições extremas do espaço.

(UECE/2019) Relacione, corretamente, as teorias sobre a origem da vida com suas respectivas
características, numerando os parênteses abaixo de acordo com a seguinte indicação:
1. Abiogênese
2. Biogênese
3. Panspermia
4. Evolução molecular
( ) Afirma que a vida na Terra teve origem a partir de seres vivos ou de substâncias
precursoras da vida proveniente de outros locais do cosmo.
( ) Surgiu a partir de evidências irrefutáveis de testes rigorosos realizados por Redi,
Spallanzani, Pasteur e outros que chegaram à conclusão de que seres vivos surgem somente
pela reprodução de seres da sua própria espécie.
( ) Considera que a vida surgiu por mecanismos diversos como, por exemplo, a partir da lama
de lagos e rios, além da reprodução.
( ) A vida é resultado de um processo de evolução química em que compostos inorgânicos se
combinam, originando moléculas orgânicas simples que se combinam produzindo moléculas
mais complexas, até o surgimento dos primeiros seres vivos.
A sequência correta, de cima para baixo, é:

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a) 4, 1, 3, 2.
b) 3, 2, 1, 4.
c) 1, 4, 2, 3.
d) 2, 3, 4, 1.
Comentários
Logo na primeira afirmativa podemos “matar” esta questão. A ideia de que a vida surgiu
em outros locais do Universo e chegou até a Terra “de carona” em meteoros e meteoritos é a
panspermia. O apoio à ideia se baseia no fato de que os cientistas já encontraram matéria de
natureza orgânica em meteoroides e meteoritos, e na existência de organismos microscópicos
conhecidos suficientemente resistentes, que poderiam suportar uma viagem espacial até a
Terra (os chamados extremófilos). Um exemplo de organismos extremófilos são os
tardígrados, animais microscópicos segmentados, relacionados com os artrópodes, que
podem sobreviver a temperaturas variando desde pouco mais do que o zero absoluto (-272,15
°C) até os 150°C, a pressões de 6 mil atmosferas e a 5.000 Gy de radiação, cerca de 1000 vezes
mais do que um ser humano pode suportar.
Os experimentos de Redi (moscas que “surgem” na carne em putrefação são originadas de
ovos nela depositados), Spallanzani (a fervura completa de caldos nutritivos mata os
microrganismos e impede sua proliferação) e Pasteur (experimento do frasco com gargalo
“pescoço de cisne”, que prova definitivamente que os microrganismos surgem a partir de
outros preexistentes) favorecem a teoria da biogênese. Já a ideia de que a vida surge a partir
da matéria inanimada corresponde a teoria da abiogênese.
A evolução química é a teoria mais aceita para explicar o surgimento da vida, e afirma que
a combinação de compostos inorgânicos na atmosfera primitiva, alguns anos após o
surgimento do planeta, teria dado origem a moléculas orgânicas que, ao longo do tempo, se
modificaram até o aparecimento dos primeiros seres vivos.
Gabarito: B.

(PUC RS/2016) Com base na foto abaixo, que apresenta uma réplica do experimento de Miller-
Urey, exposta no Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS (MCT-PUCRS).

Sobre a experiência conduzida por esses dois cientistas, é correto afirmar:

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a) Com a experiência, tentou-se comprovar a hipótese de Francesco Redi sobre a inexistência


da geração espontânea.
b) O experimento contribuiu para uma melhor compreensão da teoria da Panspermia
Cósmica, pois o aparelho simula as condições iniciais do espaço sideral.
c) Como resultado do experimento, os cientistas obtiveram moléculas orgânicas complexas,
sendo estas produto da reação entre gás carbônico, gás oxigênio, amônia e água na forma de
vapor.
d) Ao tentar reproduzir as condições da Terra primitiva, propostas por Oparin, os produtos
da reação química conduzida pelo experimento foram obtidos a partir de gás metano, amônia,
gás hidrogênio e água na forma de vapor.
e) Segundo as conclusões de Miller e Urey, os coacervados obtidos como produtos do
experimento representam os possíveis primeiros seres vivos que habitaram o planeta, por
terem metabolismo próprio, além de capacidade de autorreprodução.
Comentários
Oparin formulou uma hipótese sobre a origem dos primeiros seres vivos, segundo a qual
moléculas orgânicas simples teriam sido formadas a partir de gases simples submetidos a calor
e descarga elétrica. Essas moléculas teriam sido carregadas para o oceano primitivo, e lá teria
surgido a primeira célula. Miller e Urey, em 1953, reproduziram tais condições da atmosfera
primitiva e obtiveram como produto um líquido cheio de moléculas orgânicas ausentes no
início, fornecendo provas de que a vida poderia surgir a partir da combinação dos gases
presentes no surgimento do planeta, como propôs Oparin.
Gabarito: D.

Não se sabe ao certo como a primeira célula teria surgido a partir dos coacervados. Supõe-se
que, assim como esse conjunto de moléculas orgânicas surgiu espontaneamente, outras estruturas
também poderiam surgir, como uma membrana primitiva formada por lipídios e proteínas contendo
em seu interior uma molécula de ácido nucleico.

5.1 A PRIMEIRA CÉLULA

Os coacervados muito provavelmente foram a primeira forma de vida a surgir, com origem
aproximada de 1200 milhões de anos. Ao longo do tempo, eles teriam se desenvolvido em
organismos coloniais semelhantes aos atuais coanoflagelados. Essa é a explicação mais plausível
para as evidências que temos atualmente. Como não temos acesso ao que aconteceu 1 bilhão de
anos atrás, não há como afirmar como surgiu a primeira célula. Por isso, utilizamos os
coanoflagelados como modelo para o surgimento do primeiro ser vivo.
Coanoflagelados são os organismos protistas modernos (ocos, esféricos e com um flagelo),
cujo nome significa “flagelado com colarinho”, remetendo à camada de microvilosidades que existe
cercando o flagelo. Alguns coanoflagelados vivem como células simples, enquanto outros formam
colônias. Em colônia, o movimento do flagelo direcionaria a água para as microvilosidades do
colarinho, que filtram o alimento. A parte interna é preenchida por células ameboides (outros

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protistas de vida livre que foram englobados), e eles possuem mitocôndria e radículas ciliares muito
semelhantes às das células animais. Por isso, supõe-se que os metazoários (grupo que reúne todos
os animais) teriam surgido de uma colônia cujos integrantes se diferenciaram entre células
somáticas (corporais) e células reprodutivas. Essa diferenciação teria permitido uma maior
capacidade para realizar funções como percepção, alimentação ou defesa.

Figura 8. O primeiro ser vivo teria sido um monoflagelado ancestral, de vida colonial, que evoluiu para um organismo primitivo com
organização semelhante aos atuais coanoflagelados.

Essa teoria de surgimento do primeiro ser vivo é denominada teoria colonial, e sua principal
evidência são os espermatozoides flagelados, que ocorrem em todos os grupos de animais, e as
células monociliadas (com apenas um cílio), que ocorrem comumente entre as esponjas, as hidras,
as anêmonas-do-mar e os corais.
Após a diferenciação entre células somáticas e reprodutoras, esses organismos primitivos
semelhante aos coanoflagelados atuais teriam começado a copiar seu material genético e passá-lo
para seus descendentes. Não sabemos como (e se) isso aconteceu, mas essa habilidade de copiar a
informações genéticas foi crucial na origem da vida e provavelmente evoluiu primeiro na forma de
um RNA auto replicador – uma molécula de RNA capaz de se copiar.
Muitos cientistas apoiam essa hipótese de que o RNA, e não o DNA, foi o primeiro material
genético, porque ele armazenaria informações genéticas, se auto copiaria e executaria funções
metabólicas básicas como catalizador. As evidências para essa hipótese do RNA como primeira
molécula de material genético são inúmeras, e mostramos todas no quadro abaixo.

Essa tripla função do RNA (armazenamento de informações, replicação e execução de funções) nos
mostra que ele teria capacidade de organização celular;

A descoberta das ribozimas, moléculas de RNA catalizadoras, sugerem que um RNA catalítico
primitivo poderia potencialmente catalizar uma reação química para copiar a si mesmo e transmitir a
informação genética para as próximas gerações, ou seja, poderia evoluir;
RNA

A presença de algumas moléculas idênticas ou muito semelhantes aos monômeros de RNA em todos
os seres vivos indica que o RNA já estava presente no ancestral comum dos seres vivos;

O fato dos desoxirribonucleotídeos serem formados a partir dos ribonucleotídeos, ou seja, a unidade
principal formadora do DNA seria derivada da unidade formadora do RNA;

Ribonucleotídeos apresentam papel fundamental no metabolismo, principalmente na forma de ATP,


indicando que os principais aspectos do metabolismo já estavam estabelecidos antes da evolução do
DNA.

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A auto replicação abriu as portas para a seleção natural. Uma vez que uma molécula auto
replicadora foi formada, algumas variações desses replicadores primitivos teriam feito um trabalho
melhor ao se copiar do que outros, produzindo mais “descendentes”, isto é, mais moléculas
replicadoras de maior eficiência. Esses superreplicadores foram se tornando mais comuns e essa
variação teria se espalhado.
Através desse processo de seleção contínua, pequenas mudanças em moléculas replicadoras
eventualmente se acumularam até um sistema de replicação estável e eficiente desenvolver-se.
Com o tempo, o próximo passo na evolução dessas moléculas replicadoras foi tornarem-se inclusas
em uma membrana celular.

A evolução de uma membrana ao redor do material genético


ofereceu duas grandes vantagens: os produtos do material genético
puderam ser mantidos por perto; e o ambiente interno dessa célula
primitiva pôde se diferenciar do meio externo.

Esse avanço teria dado origem a um organismo muito parecido com uma bactéria atual. Até
esse ponto, a vida dependia do RNA para a maioria das tarefas. Mas tudo mudou quando alguma
célula ou grupo de células evoluíram para o uso de diferentes moléculas para diferentes funções: o
DNA (que é mais estável que o RNA) tornou-se o material genético, as proteínas (que realizam
reações químicas mais eficientemente que o RNA) tornaram-se responsáveis pelo metabolismo
básico da célula e o RNA foi rebaixado ao papel de mensageiro, carregando informações do DNA
para os centros construtores de proteínas da célula.

As células que incorporaram essas inovações teriam superado facilmente as células com o
metabolismo baseado em RNA. Há, pelo menos dois bilhões de anos, algumas células pararam de
tomar caminhos diferentes após a replicação e desenvolveram diferentes funções. Assim, elas
puderam dar origem à primeira linhagem de organismos multicelulares.

5.2 EVOLUÇÃO DO METABOLISMO


Com o que vimos até agora, sabemos que os primeiros seres vivos devem ter sido
microscópicos, envoltos por uma membrana, e que em seu interior ocorriam diversas reações
químicas que eram ordenadas e controladas por informações genéticas. Essas reações
transformavam o alimento, do qual esses seres vivos se alimentavam, em componentes do seu
corpo, permitindo seu crescimento e reprodução.
Mas o que eram esses alimentos? De onde vinha essa fonte de energia?

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Existem duas hipóteses sobre qual seria a alimentação das primeiras formas de vidas. A
primeira diz que o primeiro ser vivo do planeta era uma célula simples que não produzia o próprio
alimento por não possuir a maquinaria necessária para essa produção. Essa hipótese é conhecida
como hipótese heterotrófica. A energia seria então retirada das moléculas orgânicas acumuladas
nos mares primitivos e consumida em um processo semelhante à fermentação. Na fermentação,
moléculas orgânicas são quebradas, originando compostos orgânicos mais simples e gerando
energia, que é utilizada no metabolismo.
A segunda hipótese, mais aceita atualmente, defende que os seres vivos primordiais eram
capazes de fabricar seu próprio alimento. Ela é conhecida como hipótese autotrófica. Seu
argumento principal é de que na Terra primitiva não havia moléculas orgânicas em quantidade
suficiente para sustentar os primeiros seres vivos. Eles, então, produziam seu alimento a partir da
energia liberada por reações químicas entre os componentes inorgânicos da superfície terrestre.
Eles seriam quimiolitotróficos.
A hipótese autotrófica ganhou força após a descoberta de vida nas fendas hidrotermais
submarinas, que se encontram no fundo dos oceanos. Muitos organismos microscópicos vivem sem
oxigênio nesses hábitats inóspitos. Essas circunstâncias (calor, ausência de oxigênio, abundância de
moléculas inorgânicas) são semelhantes àquelas que existiram nos dias iniciais da vida na Terra,
antes que o oxigênio se acumulasse.

5.2.1 Origem da fotossíntese


A fotossíntese foi, portanto, um passo importante para a história da vida na Terra. Esse
processo consiste em produzir alimentos energéticos (como glicose) a partir de substâncias
inorgânicas simples (como água – H2O – e gás carbônico – CO2), utilizando a energia da luz. Além
da glicose, há a produção de oxigênio (O2) pela maioria os seres autotróficos.

No início, contudo, o sulfeto de hidrogênio era o provável reagente junto com o gás
carbônico. A água só teria sido incorporada na fotossíntese há aproximadamente 3 bilhões de anos,
quando surgiram as primeiras bactérias capazes de utilizá-la.
Por utilizarem substâncias simples e energia solar, essas bactérias fotossintetizantes
puderam se espalhar por toda o planeta e a consequência disso foi um aumento brusco na
concentração de oxigênio na atmosfera terrestre, fazendo com que ele funcionasse como um
poluente atmosférico para a maioria dos seres que já habitavam o planeta.
Por volta de 2 bilhões de anos atrás, esses seres que ainda não possuíam proteção contra o
oxigênio acabaram extintos. Essa extinção foi chamada de holocausto do oxigênio.

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Figura 9. Aumento da concentração de oxigênio na atmosfera terrestre primitiva.

5.2.2 Origem da respiração aeróbica


Mesmo com todo o caos introduzido pela nova concentração de oxigênio no ambiente
primitivo, os seres ancestrais das cianobactérias desenvolveram sistemas químicos antioxidantes, e
passaram a aproveitar o poder oxidante do gás oxigênio para quebrar moléculas as orgânicas que
elas mesmas produziam e convertê-las em energia. Essa oxidação garantia alta eficiência, dando
origem à respiração aeróbica.

Note que a equação da respiração aeróbica é quase o inverso da fotossíntese, ou seja, a vida
na Terra encontrou um equilíbrio dinâmico entre os dois processos energéticos, possibilitando lidar
com a concentração dos elementos químicos e evitar um novo aumento (ou a escassez) abrupto de
um deles. Na fotossíntese, gás carbônico e água são utilizados como reagentes, produzindo
moléculas orgânicas e gás oxigênio; na respiração aeróbica, moléculas orgânicas reagem com o
oxigênio, produzindo água e gás carbônico.
Outra implicação da presença de gás oxigênio na atmosfera terrestre foi a formação de uma
camada de gás ozônio (O3) na estratosfera. Esse gás, formado a partir do oxigênio (O 2), impede a
passagem da maior parte da radiação ultravioleta proveniente do Sol, que teria efeito letal sobre os
seres vivos. Antes do surgimento da camada de ozônio, a vida estava restrita aos ambientes
protegidos de lagos e mares. Foi a filtração de radiação ultravioleta pela camada de ozônio
atmosférica que possibilitou aos seres vivos a colonização de ambientes de terra firme, expostos à
luz solar.

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5.3 HISTÓRIA GEOLÓGICA DA TERRA


Após a origem da nossa galáxia, foram necessários milhões de anos para que a superfície
terrestre se resfriasse e enrijecesse, originando uma crosta rochosa. Ao mesmo tempo, os gases e
vapores da atmosfera primitiva que sofriam constante condensação, formavam chuvas torrenciais
e acabaram originando os primeiros oceanos (onde a vida surgiu pela primeira vez!).
Há mais ou menos 225 milhões de anos, essa crosta rochosa formava um único
supercontinente chamado Pangeia, cercado pelo oceano primitivo chamado Pantalassa. Hoje
sabemos que a porção terrestre do planeta é formada pela união de placas móveis (chamadas placas
tectônicas), que estão sempre em movimento lento e gradual pela superfície da Terra. Assim, por
volta de 200 milhões de anos, essas placas estavam se afastando umas das outras e a Pangeia se
fragmentou em dois continentes: a Laurásia e a Gondwana. A abertura que surgiu a partir desse
afastamento permitiu a entrada do oceano entre os dois continentes, formando o mar de Tétis.
Ao longo do tempo, as placas tectônicas que formam esses continentes continuaram se
afastando até que, por volta de 70 milhões de anos, a Terra já apresentava a configuração dos seis
continentes que temos hoje. Essa ideia de que os continentes nem sempre ocuparam a mesma
posição e configuração que ocupam hoje é chamada de Teoria da Deriva Continental, proposta em
1912 por Alfred Wegener.

Figura 10. Deriva continental. Fonte: Shutterstock.

Evidências paleontológicas corroboram a teoria da Deriva Continental. A presença de fósseis


de mesossauro em Irati (Brasil) e na formação Morro Branco (África do Sul), e de extintas
“gimnospermas” (denominadas Glossopteris) por todos os continentes localizados no hemisfério
Sul, implicam a união desses continentes na Gondwana, milhões de anos atrás.

Figura 11. Evidências paleontológicas da Deriva Continental. Fonte: Site Understanding Evolution.

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5.4 RADIAÇÃO DA VIDA


Já temos uma ideia de como os primeiros seres vivos surgiram. Mas como eles se modificaram
nas variadas formas de vida que temos hoje?
Registros fósseis de organismos multicelulares datam de cerca de 600 milhões de anos. Nessa
época, a superfície dos continentes era totalmente desprovida de vida, mas os oceanos exibiam uma
diversidade de organismos rudimentares. As impressões fósseis mostram configurações e corpos
curiosos, muito parecidos com pequenas folhas, outros com formas de disco, que provavelmente
permaneciam fixos no solo do fundo dos mares ou suspensos na coluna d’água. Esses animais foram
nomeados de fauna ediacariana, por terem sido descobertos em Ediacara, na Austrália. Eles são
considerados os primeiros exemplos de organismos multicelulares complexos a surgirem na Terra.
A fauna de Ediacara é inteiramente desprovida de partes duras e os animais dessa época são
considerados os representantes primitivos de grupos de animais modernos, especialmente das
cnidários, dos anelídeos e dos artrópodes. Esta fauna tem importância especial por ser o único
vestígio de vida multicelular anterior ao surgimento dos ancestrais dos grupos modernos, dotados
de partes duras. A fauna de Ediacara não é exclusiva da Austrália, tendo sido encontrada em cerca
de 30 outras localidades em todo o planeta, incluindo o Brasil, na região de Corumbá, Estado de
Mato Grosso do Sul.

Figura 12. Fauna de Ediacara. Fonte: https://scienceline.org/2014/03/creatures-of-the-ediacaran/ Ryan Somma on Fickr.

Há cerca de 530 milhões de anos, contudo, uma vasta variedade de animais apareceu
repentinamente no cenário evolutivo em um evento denominado de Explosão Cambriana. Em
possivelmente mais ou menos 10 milhões de anos, animais marinhos evoluíram a maioria dos
formatos básicos de corpo que vemos hoje em grupos modernos. Entre os organismos preservados
em fósseis desse tempo há parentes de crustáceos e estrelas-do-mar, esponjas, moluscos, vermes,
cordados e algas.

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Figura 13. Alguns animais do período Cambriano: (1) Anomalocaris, (2) Opabinia, (3) Hallucigenia. Fonte: Shutterstock.

Mas o que causou essa “explosão” de diversidade no Período Cambriano? Vários fatores
biológicos e geológicos são utilizados para explicar as possíveis causas que levaram à radiação
adaptativa desses organismos:
1) competição ecológica (com o desenvolvimento de adaptações como predação, visão, natação
ativa etc.);
2) a fragmentação do supercontinente Pangeia (causando isolamento das populações e permitindo
oportunidades para especiações alopátricas). Especiação alopátrica, também conhecida
como especiação geográfica, é o fenômeno que acontece quando grandes populações são
fisicamente isoladas por uma barreira geográfica, que acarreta também em um isolamento
reprodutivo, de tal modo que se a barreira deixar de existir, os indivíduos antes isolados não mais
se reconhecem como mesma espécie;
3) as alterações climáticas catastróficas como glaciação global e o aumento da concentração de
oxigênio atmosférico (possibilitando a produção de colágeno no início da vida e
consequentemente de um corpo com partes duras).
Veremos os tipos de especiação mais adiante no curso, mas essas condições, em conjunto,
teriam permitido o desenvolvimento de novos planos corporais, facilitando a ocupação de novos
nichos por aqueles animais.

5.5 ORGANIZAÇÃO DA VIDA


Desde organismos unicelulares, formados por apenas uma célula, até os organismos
multicelulares, formados por milhares de células, todo ser vivo foi gerado a partir da divisão de uma
única célula.
A teoria celular é um dos princípios básicos da biologia, segundo a qual:

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Assim, podemos classificar toda forma de vida em três grandes domínios, baseando-nos
inicialmente na estrutura celular que apresentam: domínio Bacteria, domínio Archaea e domínio
Eukarya. Os organismos dos domínios Bacteria e Archaea são procariontes unicelulares, como por
exemplo as bactérias e as bactérias extremófilas (que vivem em condições extremas). Já os
organismos do domínio Eukarya são eucariontes, uni ou pluricelulares. Pertencem a esse domínio
os “protozoários”, as “algas”, os fungos, os animais e as plantas.
Veremos nas próximas aulas a estrutura, as semelhanças e as diferenças entre as células
procarióticas e eucarióticas. Por ora, basta saber que a célula procariótica não apresenta membrana
nuclear delimitando o material genético nem organelas imersas no seu interior, enquanto as células
eucarióticas apresentam material genético delimitado por núcleo e várias organelas membranosas
em seu interior.

6. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DA VIDA


Já sabemos que os componentes fundamentais das células são o carbono (C), o hidrogênio
(H), o nitrogênio (N), o oxigênio (O), o fósforo (P) e o enxofre (S). Juntos, esses elementos constituem
96,5% dos organismos e se ligam uns aos outros para formar moléculas orgânicas e inorgânicas.
As moléculas orgânicas são aquelas que possuem átomos de carbono em sua composição. Já
as moléculas inorgânicas não apresentam átomos de carbono, exceto o dióxido de carbono
(também conhecido como gás carbônico – CO2). O carbono é conhecido como o elemento químico
da vida.
Os organismos vivos são, portanto, formados por sistemas químicos complexos organizados
e capazes de exercer papeis estruturais e funcionais. A maior parte dos átomos de carbono presente
nas células está incorporada em grandes moléculas poliméricas – cadeias formadas por subunidades
químicas ligadas umas às outras pelas extremidades – formando macromoléculas.
As proteínas são exemplos de moléculas poliméricas, formadas por várias subunidades de
aminoácidos. Veja abaixo uma proteína hipotética:

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Além disso, a composição química da vida conta com 70% de água. Isso é importante porque
quase todas as reações químicas ocorrem em soluções aquosas. Sais minerais e outros elementos
em menor quantidade também constituem os organismos vivos.

Figura 14. Composição química da vida. Fonte: inspirada em Alberts, et al. 2017.

A grande vantagem do CHONPS é que eles se ligam por ligações covalentes, formando
moléculas. Essas ligações covalentes são muito fortes e não se desfazem com aumento de
temperatura. São necessárias reações específicas para romper suas ligações.

A natureza das moléculas

Na natureza, são raros os átomos que ocorrem em estado isolado. Eles se combinam
para formar moléculas. Os átomos ligam-se por meio de dois tipos principais de ligações:
ligações covalentes e ligações iônicas.

Ligações covalentes: os átomos mantêm-se unidos ao compartilharem pares de elétron


(por exemplo, a água).

Ligações iônicas: forma-se quando há transferência de um ou mais elétrons de um átomo


para o outro, sendo que o átomo que cede elétrons fica com carga positiva, e o átomo
que recebe elétrons fica com carga negativa (por exemplo, o NaCl). Quando os átomos
estão carregados eletricamente recebem o nome de íons.

Agora, vamos estudar um a um os componentes químicos da vida!

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6.1 COMPONENTES INORGÂNICOS


Vimos que a vida muito provavelmente se originou na água. Isto porque sua presença
garante que todos os processos bioquímicos celulares ocorram, uma vez que todas as reações
acontecem em meio aquoso. Por isso costumamos dizer que a água é a molécula fundamental da
vida.

6.1.1 Água
A água, classificada como inorgânica, é a molécula mais abundante nas células,
representando 70-85% ou mais da massa celular total. Consequentemente, as interações entre a
água e os outros constituintes das células são de importância central
na química biológica. Essa porcentagem, no entanto, diminui com o
envelhecimento do organismo.
A molécula de água é formada por dois átomos de hidrogênio e
um de oxigênio (H2O). Os dois átomos de hidrogênio (H) se ligam ao
átomo de oxigênio (O) por ligações covalentes. Isso acontece porque
o átomo de oxigênio atrai fortemente os elétrons, enquanto os átomos
de hidrogênio os atraem fracamente. Dessa forma, há uma
distribuição desigual de elétrons na molécula caracterizando uma
carga negativa no O e uma carga positiva nos H, tornando a molécula
polar.

A principal característica da água é ser uma molécula polar.

Por causa dessa polaridade, as moléculas de água permanecem unidas entre si, formando
ligações (ou pontes) de hidrogênio. Os átomos de hidrogênio de uma molécula de água são atraídos
pelo átomo de oxigênio de sua molécula vizinha. Essas interações, apesar de mais fracas do que as
ligações covalentes, mantêm as moléculas bastante coesas e dificultam a separação entre elas.
Como resultado, íons e moléculas polares são facilmente solúveis em água (hidrofílicos). Em
contraste, moléculas não polares não podem interagir com a água e são pouco solúveis em um
ambiente aquoso (hidrofóbicas).
A polaridade da água é a razão para que ela seja considerada o solvente universal: outras
substâncias polares são capazes de se dissolver nela. No entanto, substâncias cujas moléculas sejam
apolares não se dissolvem na água, como por exemplo o óleo. Então, na realidade, a água não é um
solvente tão universal assim.

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Figura 15. Características estruturais da molécula de água. Uma das extremidades (O) é levemente negativa e a outra é levemente positiva
(H), e as moléculas se ligam umas às outras através de ligações de hidrogênio. Fonte: Shutterstock.

As pontes de hidrogênio mantêm as moléculas de água unidas umas às outras pela coesão.
A natureza coesiva da água é responsável por duas propriedades incomuns, como por exemplo, a
tensão superficial e o calor específico.
A coesão fica evidente quando observamos a superfície de uma gota de água: as moléculas
fortemente unidas formam uma espécie de película relativamente resistente. Esse comportamento
da água chama-se tensão superficial. É, portanto, a capacidade de sua superfície se comportar como
se houvesse um filme elástico distendido por sobre ela. Essa propriedade explica como é possível
um inseto ou um clip ficarem sobre a água. Já reparou como algumas formigas conseguem
transportar gotículas de água, como se fossem objetos sólidos? Isso se deve a tensão superficial da
água.

Figura 16. Tensão superficial da água. Fonte: Shutterstock.

A coesão da água explica também o porquê dos pontos de fusão e ebulição da água serem
tão elevados. A água possui um alto calor específico, ou seja, necessita de grande quantidade de
energia (calor) para aumentar sua temperatura e suas moléculas se separarem. Isso também vale
para a diminuição da temperatura, onde é necessária grande perda de calor. Este é um dos pontos
que explica a manutenção da temperatura corpórea nos animais endotérmicos mesmo quando a
amplitude térmica de um dia é altamente oscilante.
Ainda, as moléculas de água, por serem polares, tendem a se aderir às superfícies igualmente
polarizadas. Essa propriedade chama-se adesão. É por isso que a água molha um papel ou um
algodão: porque esses materiais também apresentam superfície polar e a água se adere a eles.
Juntas, a coesão e a adesão são responsáveis pela tendência que a água tem de subir por
vasos ou tubos finos, ou de se deslocar por espaços estreitos em materiais porosos, como esponjas.
Quando a extremidade de um tubo fino de parede hidrofílica é mergulhada na água, as moléculas

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de água sobem essas paredes internas. Essa característica chama-se capilaridade, e um exemplo
desse fenômeno ocorre no transporte de substâncias contra a gravidade nas plantas (da raiz para
as folhas).
Por ser polar, a água pode se associar tanto às moléculas de carga elétrica positiva, quanto
às moléculas de carga elétrica negativa, formando os fluidos celulares. O líquido que preenche as
células é chamado de citoplasma ou citosol (como veremos na aula 2). Ele consiste em uma solução
aquosa de diversas substâncias. O sangue também é um exemplo de solução aquosa que contém
glicídios, sais minerais, aminoácidos e proteínas dissolvidos. A água permite que as trocas gasosas
das células animais aconteçam, a partir da dissolução do oxigênio e do gás carbônico do sangue e
no citosol.
Por fim, a água é um excelente lubrificante e está presente em grande quantidade nas
secreções corporais e atua reduzindo o atrito nas articulações, tendões e ligamentos.

6.1.2 Sais minerais


Os íons inorgânicos da célula constituem 1% ou menos da sua massa e são essenciais em
vários aspectos do metabolismo dos organismos. Comumente conhecidos como sais minerais, suas
concentrações variam de acordo com a espécie e possuem variadas funções.
Os sais minerais insolúveis em água:
✓ têm função estrutural (como no caso do cálcio que compõem os ossos);
✓ podem se associar a moléculas maiores, como pigmentos e proteínas (como o magnésio na
clorofila e o ferro na hemoglobina);
✓ podem exercer papel como solução tampão2 (como os bicarbonatos no sangue);
✓ podem exercer papel na transferência de energia química (como o fosfato no ATP);
✓ podem exercer papel na contração muscular (cálcio);
✓ podem exercer papel na transmissão dos impulsos nervosos;
✓ podem exercer papel no equilíbrio osmótico, dentre outras funções.

SAIS MINERAIS FUNÇÃO


Importante para a transmissão nervosa, contração muscular e
Sódio (Na)
equilíbrio de fluidos no organismo.
Importante para a transmissão nervosa, contração muscular e
Potássio (K) equilíbrio de fluidos no organismo. Sintomas de deficiência de
potássio incluem fraqueza muscular, desorientação e fadiga.

Cálcio (Ca) Participa da composição dos dentes e ossos.


Principal componente da hemoglobina, molécula que permite a
Ferro (Fe) absorção e o transporte de oxigênio pelo corpo; a sua falta pode
causar problemas relacionados a respiração celular.
Importante na produção de energia juntamente com o cálcio. A
Fósforo (P) energia química do corpo é armazenada em combinações de fosfato
de alta energia (ATP).

2
Solução tampão é uma solução aquosa capaz de resistir a mudanças de pH quando ácidos ou bases são adicionados ao meio.
Assim, os bicarbonatos podem manter o sangue em um intervalo de pH mesmo caso haja variações bruscas.

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Atua principalmente nos músculos e ossos, onde ajuda na


Magnésio (Mg) concentração muscular e metabolismo energética. Ativa reações
químicas que produzem energia na célula.
Ajuda a manter o sistema imunológico sadio, facilita a cicatrização
Zinco (Zn)
de machucados e a recuperação de lesões.

6.2 COMPONENTES ORGÂNICOS


Agora que vimos os componentes inorgânicos da célula, vamos estudar os componentes
orgânicos. As macromoléculas constituem as principais unidades que formam as células e os
componentes que conferem as características mais distintivas dos seres vivos. Elas são polímeros
construídos por ligações covalentes entre pequenas moléculas orgânicas (chamadas de
monômeros), formando cadeias longas. São elas os carboidratos, os lipídios, as proteínas e os ácidos
nucleicos.

6.2.1 Carboidratos
Os carboidratos são compostos orgânicos conhecidos como açúcares. Também chamados de
sacarídeos ou glicídios, são constituídos principalmente por átomos de carbono, hidrogênio e
oxigênio. Eles constituem as macromoléculas mais abundantes no planeta Terra e são a principal
fonte de energia para os seres vivos (como veremos em aula futura). Apresentam ainda importante
função na formação de elementos estruturais (como a parede celular de células vegetais e o
exoesqueleto de artrópodes) e na participação do reconhecimento entre as células.
De acordo com sua organização molecular, podem ser definidos quimicamente aldoses ou
cetoses. Todas as moléculas de carboidrato possuem grupos hidroxila (-OH) e carbonilas (-C=O,
carbonos que fazem dupla ligação com o oxigênio) em sua estrutura. Quando a carbonila está
localizada na extremidade da molécula, o carboidrato é um aldeído. Quando ela se localiza no meio,
trata-se de uma cetona.
Quanto à nomenclatura, os açúcares recebem o sufixo ose, precedido por um prefixo que
indica a quantidade de carbonos em sua molécula: triose (três carbonos), pentose (cinco carbonos),
hexose (seis carbonos), etc, sendo que de maneira geral, os carboidratos apresentam cinco ou seis
átomos de carbono. Já de acordo com seu tamanho, classificam-se em monossacarídeos,
dissacarídeos e polissacarídeos.

Monossacarídeos
São moléculas simples de carboidratos (açúcares simples). Possuem fórmula geral (CH 2O)n,
onde n representa o número de átomos de carbono que a molécula possui, que varia de 3 a 7
átomos. A glicose (que possui seis carbonos – n=6, e fórmula C6H12O6) é especialmente importante
nas células, uma vez que fornece a principal fonte de energia celular.
Em soluções aquosas, o grupo aldeído ou a cetona de um monossacarídeo tende a reagir com
o um grupo hidroxila da própria molécula e, então, fecha-se em um anel. A figura abaixo mostra a
representação linear e em anel da glicose.

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Figura 17. Moléculas da glicose (uma hexose).

Outros exemplos de monossacarídeos são: frutose, galactose, maltose e a lactose. Muitos


deles se distinguem apenas quanto ao arranjo espacial dos átomos. Por exemplo, a glicose, a
galactose e a manose têm a mesma fórmula (C6H12O6), mas diferem quanto ao arranjo dos grupos
ao redor dos átomos de um ou dois carbonos. Esses açúcares são chamados isômeros.

Principais monossacarídeos

Glicose
A glicose é uma aldose e a fonte de energia utilizada pela maior parte dos organismos aeróbios. É o
produto primário da fotossíntese das plantas e algas. Ela é encontrada na corrente sanguínea dos animais
e, como não requer digestão pode ser injetada diretamente na corrente venosa.

Frutose
A frutose é uma cetose e está presente nas frutas e no mel. Quando se liga à glicose, forma a sacarose
(um dissacarídeo). A frutose é um isômero da glicose, pois ambos apresentam a mesma fórmula química.

Galactose
A galactose é um monossacarídeo que forma, juntamente com a glicose, a lactose presente no leite.

Dissacarídeos
Formam-se pela união de dois monossacarídeos. Essa união se dá por meio de uma reação
de desidratação: um monossacarídeo perde um hidrogênio, (–H), e o outro perde um grupo
hidroxila, (–OH). Eles se unem através de uma ligação glicosídica, produzindo uma molécula de
água. A sacarose, principal açúcar presente na cana-de-açúcar, é um dissacarídeo formado pela
união de uma molécula de glicose a uma de frutose. Outros exemplos são a lactose, formada a partir
da união de uma glicose com uma galactose e a maltose, formadas da união de duas glicoses.

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Figura 18. Formação do dissacarídeo sacarose. Fonte: modificada de Alberts, et al. 2017.

Oligossacarídeos e polissacarídeos
Os oligossacarídeos são moléculas que apresentam até cerca de 20 monossacarídeos. Muitas
moléculas de glicoproteínas e glicolipídios têm sua porção glicídica composta por oligossacarídeos.
Já os polissacarídeos são macromoléculas constituídas por 21 a centenas ou milhares de açúcares
simples (monossacarídeos). Glicogênio, amido, quitina e celulose são exemplos de polissacarídeos.

Oligossacarídeos e polissacarídeos são repetições de monômero de açúcares.

Glicogênio e amido são polissacarídeos com estruturas e função similares: armazenar glicose.
O glicogênio é o principal carboidrato de reserva animal e é encontrado no fígado e no músculo
esquelético. O amido é o principal carboidrato de reserva vegetal. Na fotossíntese, durante o dia as
plantas produzem amido. À noite, na ausência de luz, o amido é hidrolisado (quebrado) e libera
glicose como fonte de energia para as outras substâncias celulares.
A quitina é o polissacarídeo que constitui o exoesqueleto de diversos animais, entre eles os
artrópodes. Já a celulose é o principal componente estrutural da parede celular da planta. Ela é
composta inteiramente de moléculas de glicose e forma longas cadeias estendidas que são
acondicionadas lado a lado para formar fibras de grande resistência mecânica.

6.2.2 Lipídios
Os lipídios são compostos orgânicos também conhecidos como gorduras. Eles representam
de 2 a 3% da composição química celular e têm como característica principal a insolubilidade em
água (como suas moléculas não formam cargas negativas e positivas, eles são insolúveis em água –
apolares). No entanto, são solúveis em solventes orgânicos como o álcool e o éter.
Dentre suas funções, destacam-se sua atuação como fonte de armazenamento energético,
papel estrutural das membranas celulares, participação da produção de hormônios e do processo
de fotossíntese, atuação como isolante térmico e impermeabilizante.

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Os principais tipos de lipídios são os glicerídeos (óleos e gorduras de origem vegetal e animal),
as ceras (produzidas por abelhas e plantas como a carnaúba), os fosfolipídios (componentes das
membranas celulares), os carotenoides (pigmentos de algumas plantas) e os esteroides (colesterol
e hormônios animais).

Glicerídeos
Os glicerídeos são os lipídios mais abundantes na natureza, conhecidos popularmente como
óleos e gorduras, e constituem a principal fonte de energia dos organismos animais a longo prazo.
Em um homem adulto, a reserva de carboidratos (glicogênio) supre o organismo apenas um dia em
média. Já a reserva de glicerídeos fornece energia por várias semanas.
Esses lipídios são constituídos por moléculas de glicerol ligadas a uma, duas ou três moléculas
de ácidos graxos. O glicerol é um álcool composto de três átomos de carbono, aos quais estão unidos
átomos de hidrogênio e de oxigênio. Os ácidos graxos são ácidos carboxílicos com longas cadeias de
hidrocarbonetos apolares (compostas por átomos de hidrogênio e de carbono) e com um grupo
carboxila (COO-) em uma extremidade. Devido a esta composição, os glicerídeos podem também
receber o nome de triglicerídeos, triacilglicerídeos ou triglicérides.
Em termos biológicos, são predominantes os ácidos graxos com 14 a 22 átomos de carbono
em cadeia que pode ser saturada ou insaturada. Os ácidos graxos insaturados contêm uma ou mais
ligações duplas entre os átomos de carbono; os ácidos graxos saturados não apresentam dupla
ligação.

Figura 19. Estrutura de um triglicerídeo, formado por três diferentes moléculas de ácidos graxos, e do glicerol.

A dupla ligação na cadeia de hidrocarbonetos faz com que ocorra uma dobra na estrutura.
Quanto maior o número de insaturações menor o ponto de fusão do lipídio, pois estas duplas
ligações diminuem as interações entre as moléculas. Este é o motivo de encontrarmos gorduras
animais, como a banha de porco e manteiga, em estado sólido e os óleos vegetais, como azeite e
óleo de soja, no estado líquido a temperatura ambiente.

A natureza hidrofóbica das cadeias de ácidos graxos é responsável por grande parte do
comportamento de lipídios complexos, particularmente na formação de membranas
biológicas. Por serem apolares, os ácidos graxos formam micelas quando em contato com
a água. A cauda hidrofóbica se orienta para dentro e a cabeça hidrofílica permanece em

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contato direto com a água. Essas micelas são a base para formação das membranas.
Veremos isso na próxima aula com detalhes!

Ceras
As ceras também são constituídas por uma molécula de álcool ligada a uma ou mais
moléculas de ácidos graxos, porém esse álcool não é o glicerol como nos glicerídeos. Além disso, as
cadeias de hidrocarbonetos dos ácidos graxos são ainda mais longas, com 14 a 36 átomos de
carbono. Por esse motivo são altamente insolúveis em água, servindo como substância
impermeabilizante e protetora para as folhas das plantas, penas e pele dos animais.

Fosfolipídios
Os fosfolipídios são os principais constituintes da membrana plasmática dos animais e
consistem em um glicerídeo combinado com um grupo fosfato.
Todos os fosfolipídios têm cabeças hidrofílicas ou polar (formada pelo glicerol e o grupo
fosfato) e caudas hidrofóbicas ou apolares (formadas pelas duas cadeias de hidrocarbonetos dos
ácidos graxos). Como o fosfato possui carga negativa, consequentemente, os fosfolipídios são
moléculas anfipáticas, parcialmente solúveis em água e parcialmente insolúveis em água. Essa
propriedade dos fosfolipídios é a base para a formação de membranas biológicas.
Em solução aquosa, as caudas apolares se atraem, ficando interiorizadas e formando uma
estrutura em bicamada lipídica, onde as cabeças polares ficam voltadas para o exterior e em contato
com a água.

Os fosfolipídios se
arranjam em micelas
na água, constituindo a
base para formação
das membranas
biológicas.

Esfingolipídios
Esfingolipídios são lipídios formados pela ligação de um ácido graxo a uma esfingosina (um
álcool com grupo amina formado por 18 átomos de carbono e uma dupla ligação). Um exemplo de
esfingolipídios são as esfingomielinas presentes nas células nervosas.

Esteroides
Os esteroides são moléculas compostas por quatro anéis de carbono interligados, os quais se
ligam a outros átomos, como hidrogênio e oxigênio. O exemplo de esteroide mais comum é o
colesterol.

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Este esteroide é anfipático, encontrado nas membranas plasmáticas das células animais e nas
membranas das organelas celulares (exceto da mitocôndria). A função principal do colesterol é
reduzir a fluidez das membranas biológicas e conferir a elas maior estabilidade. Ainda, ele é
precursor dos sais biliares e de diversos hormônios sexuais.

Carotenoides
Também chamados de terpenoides e derivados do isopreno, os carotenoides são lipídios que
não possuem ácidos graxos. São pigmentos de cor amarela, laranja ou vermelha presentes nas
células vegetais, onde desempenham importante papel no processo de fotossíntese. O mais
importante carotenoide é o betacaroteno, que dá origem à vitamina A (retinol). A vitamina A é
importante para o bom funcionamento da nossa visão.

6.2.3 Proteínas
As proteínas são as unidades fundamentais das células e desempenham a maior parte dos
trabalhos celulares voltados para a estrutura, função e regulação dos tecidos e órgãos do corpo,
como:
✓ exercem função estrutural, participando da manutenção da arquitetura celular (através dos
filamentos proteicos – actina e miosina – do citoesqueleto);
✓ atuam no transporte de moléculas entre as células;
✓ realizam atividade contrátil;
✓ participam do metabolismo celular através dos hormônios insulina e glucagon, ou coordenando
processos biológicos entre diferentes células, como o hormônio do crescimento;
✓ estão envolvidas na defesa do corpo, produzindo anticorpos para antígenos específicos;
✓ atuam como catalisadores, influenciando na velocidade das reações químicas (através das
reações químicas) e na formação de novas moléculas através da leitura da informação genética
contida no DNA.
As proteínas são formadas por centenas de aminoácidos, ligados em sequência em longas
cadeias. Existem 20 tipos diferentes de aminoácidos que podem ser combinados para formar uma
proteína. A sequência de aminoácidos determina a estrutura tridimensional única de cada proteína
e sua função específica. Os aminoácidos são, portanto, os monômeros que compõem as proteínas.
Um aminoácido é uma molécula orgânica formada por átomos de carbono, oxigênio,
hidrogênio, nitrogênio e, por vezes, enxofre e, dependendo da forma como estes átomos se ligam,
um aminoácido diferente é formado. Genericamente, os aminoácidos compartilham uma estrutura
básica que consiste em um átomo de carbono central, também conhecido como carbono alfa (α),
ligado a um grupo amino (NH2), a um grupo carboxila (COOH) e a um átomo de hidrogênio. Cada
aminoácido também tem outro átomo ou grupo de átomos ligados ao átomo central, conhecido
como o radical R (cadeia lateral), que determina a sua identidade. Por exemplo, se o radical R é um
átomo de hidrogênio, então o aminoácido é glicina, mas se o radical R for um metil (CH3), o
aminoácido então é alanina.

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Figura 20. Fórmula geral de um aminoácido. R é geralmente uma das 20 diferentes cadeias laterais, e o grupo que define as propriedades de
cada aminoácido de acordo com suas características estruturais, de tamanho, carga elétrica e solubilidade.

Como os aminoácidos se ligam em cadeias?


Os aminoácidos de uma proteína são ligados aos seus vizinhos por ligações covalentes
conhecidas como ligações peptídicas. Cada ligação se forma em uma reação de síntese por
desidratação. Durante a síntese proteica, o grupo carboxila do aminoácido que se encontra no final
da cadeia polipeptídica reage com o grupo amino de um aminoácido que entra para a cadeia em
crescimento, liberando uma molécula de água. A ligação resultante entre aminoácidos é uma ligação
peptídica e as moléculas resultantes são chamadas de peptídeos.

Figura 21. Ligação peptídica.

Um organismo possui 20 tipos de aminoácidos, formados por 20 tipos diferentes de cadeias


laterais. Nós, humanos, só conseguimos produzir 11 deles. Os 9 restantes são considerados
essenciais, e devem ser obtidos através da alimentação. Os 20 aminoácidos que participam da
estrutura das proteínas estão listados na tabela abaixo.

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Aminoácidos não essenciais Aminoácidos essenciais


Alanina (Ala) Fenilalanina (Phe)
Arginina (Arg) Histidina (His)
Asparagina (Asn) Isoleucina (Ile)
Aspartato (Asp) Leucina (Leu)
Cisteína (Cys) Lisina (Lys)
Glutamato (Glu) Metionina (Met)
Glutamina (Gln) Treonina (Thr)
Glicina (Gly) Triptofano (Trp)
Prolina (Pro) Valina (Val)
Serina (Ser)
Tirosina (Tyr)

A maioria das proteínas é formada apenas por aminoácidos e, neste caso, são chamadas de
proteínas simples. Entretanto, algumas proteínas possuem outros átomos ou moléculas ligadas a
ela, sendo denominadas proteínas conjugadas. Dependendo da natureza do grupamento que se
conjuga à proteína, ela será classificada como glicoproteína (proteína + açúcar), lipoproteína
(proteína + lipídio), fosfoproteína (proteína + fosfato) e assim por diante. A composição de
aminoácidos na cadeia polipeptídica é o que determina as propriedades físico-químicas e as funções
das proteínas.
E como vamos da sequência de aminoácidos de uma cadeia polipeptídica (ou polipeptídeo) para a
estrutura tridimensional de uma proteína funcional e madura?
As proteínas se enovelam na conformação de menor energia. Elas podem diferir umas das
outras em três aspectos:
I) pela quantidade de aminoácidos da cadeia polipeptídica,
II) pelos tipos de aminoácidos presentes na cadeia e
III) pela sequência em que os aminoácidos estão unidos na cadeia.
Algumas das cadeias laterais que formam os aminoácidos podem ter natureza apolar,
enquanto outras, natureza polar. Dessa forma, diferentes tipos de interações entre as moléculas de
aminoácidos podem ocorrer, fazendo com que a estrutura espacial (tridimensional) das proteínas
seja bastante variada. Para entender como uma proteína adquire sua forma ou conformação final,
precisamos entender os quatro níveis de estrutura da proteína: primária, secundária, terciária e
quaternária.

Estrutura primária
O nível mais simples de estrutura proteica, a estrutura primária, é simplesmente a sequência
linear de aminoácidos em uma cadeia polipeptídica.

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Figura 22. Representação de uma sequência de aminoácidos para formação de uma cadeia polipeptídica. Fonte: Alberts et al., 2017.

Por exemplo, o hormônio insulina tem duas cadeias polipeptídicas, A e B. Cada cadeia tem
seu próprio conjunto de aminoácidos, reunidos em uma ordem específica. Por exemplo, a sequência
da cadeia A começa com glicina e termina com asparagina e é diferente da sequência da cadeia B.

A sequência de uma proteína é determinada pelo DNA do gene que codifica a proteína
(ou que codifica uma porção da proteína, para proteínas com múltiplas subunidades).
Uma mudança na sequência de DNA do gene pode levar a uma mudança na sequência de

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aminoácidos da proteína. Até mesmo a alteração de apenas um aminoácido na sequência


de uma proteína pode afetar a estrutura e a função geral da proteína toda.

Estrutura secundária
O próximo nível de estrutura proteica é a estrutura secundária, resultante do enovelamento
do filamento proteico sobre si mesmo. As interações por pontes de hidrogênio entre os aminoácidos
fazem o filamento proteico se enrole em um padrão de repetição, que pode ser em forma de hélice
ou em forma de folha plissada. A estrutura alfa-hélice assemelha-se a um fio de telefone – possui
enovelamento helicoidal. A estrutura folha-beta assemelha-se a uma folha plissada.

Figura 23. A) Estrutura proteica em forma de hélice. B) Estrutura proteica em forma de folha plissada. Fonte: Shutterstock.

Estrutura terciária
A cadeia polipeptídica helicoidal geralmente dobra-se sobre si mesma, formando um novo
nível de enrolamento chamado de estrutura terciária. Esse padrão de dobramento tridimensional
deve-se à atração e à repulsão que os radicais dos aminoácidos exercem sobre as moléculas de água
circundantes.

Figura 24. Estrutura terciária de uma proteína. Fonte: Shutterstock.

Estrutura quaternária
Muitas proteínas são constituídas por uma única cadeia polipeptídica, como a molécula de
albumina (que apresenta estrutura terciária), por exemplo. Outras são formadas por duas ou mais
cadeias unidas, apresentando uma estrutura quaternária. Geralmente a estrutura quaternária
apresenta também um grupo conjugado ligado a ela. O exemplo mais comum é a hemoglobina,

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formada por quatro cadeias polipeptídicas, cada uma delas contendo um grupo heme (que contém
o sal mineral ferro, responsável pelo transporte de oxigênio pelo corpo).

Figura 25. Proteína hemoglobina presente nas hemácias e constituídas por 4 cadeia polipeptídicas, cada uma possuindo um grupo heme
contendo ferro. Fonte: Shutterstock.

Desnaturação e dobramento das proteínas


Cada proteína tem sua forma única. Se a temperatura ou o pH do ambiente de uma proteína
for alterado, ou se ela for exposta a substâncias químicas, as interações entre seus radicais podem
ser interrompidas, fazendo com que a proteína perca sua estrutura tridimensional e volte a se
transformar em uma cadeia não estruturada de aminoácidos. Quando uma proteína perde sua
estrutura de ordem superior, mas não sua sequência primária, diz-se que ela está desnaturada.
Proteínas desnaturadas geralmente não são funcionais.
Para algumas proteínas, a desnaturação pode ser revertida. Uma vez que a estrutura primária
do polipeptídeo ainda está intacta (os aminoácidos não se separam), ele pode ser capaz de voltar à
sua forma funcional se for devolvida ao seu ambiente normal. Outras vezes, no entanto, a
desnaturação é permanente.
Um exemplo de desnaturação irreversível da proteína é quando um ovo é frito. A proteína
albumina presente na clara de ovo se modifica, tornando-se opaca e sólida à medida que é
desnaturada pelo aumento da temperatura, e não retornará ao seu estado original de ovo cru
mesmo quando resfriada.

Enzimas
As enzimas são proteínas especializadas em catalisar reações biológicas, ou seja, aumentam
a velocidade de uma reação química sem interferir no processo. Elas estão associadas a
biomoléculas, devido as suas extraordinárias especificidades e poder catalítico.
A nomenclatura das enzimas é feita pela adição do sufixo ase ao nome do substrato sobre a
qual exerce sua ação catalítica. Por exemplo, a enzima fosfatase catalisa a hidrólise de ésteres de
fosfato.
O mecanismo básico de ação das enzimas é o seguinte:

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Enzima + Substrato [EnzimaSsubstrato] Enzima + Produto

As enzimas são proteínas grandes enroladas de maneira a formar um encaixe chamado de


sítio ativo, onde as moléculas que devem ser modificadas, os substratos, se ligam para que a reação
aconteça. Essa ligação da enzima ao substrato é extremamente específica. Esse encaixe é conhecido
como modelo “chave-fechadura”, para reforçar a especificidade entre eles. Quando se ligam,
formam um complexo enzima-substrato e a enzima age acelerando a reação. Ao terminar, ela se
solta do substrato e continua perfeita, em sua forma, para novas atividades.

Figura 26. Modelo chave-fechadura para explicar o mecanismo de ação das enzimas. Fonte: Shutterstock.

Como a velocidade da reação aumenta na presença de uma enzima?


O aumento da velocidade ocorre pelo fato de a energia necessária para a ativação da reação
ser menor nas reações catalisadas por enzimas. Os produtos das reações entre enzima e substrato
podem variar. Existem enzimas que quebram seu substrato em moléculas menores, como é o caso
da amilase salivar, também conhecida como a ptialina, que degrada o amido em moléculas do
dissacarídeo maltose. Já outras enzimas catalisam a união de moléculas menores para formação de
moléculas maiores, como ocorre na produção do amido pela união de moléculas de glicose. Outras
enzimas, ainda, catalisam a transformação de um substrato em outro produto pela modificação da
sua estrutura.

Figura 27. Energia de ativação demostrada em duas reações: (A) reação não catalisada por enzina e (B) reação catalisada por enzima. A
energia necessária para a transformação do reagente ou substrato Y no produto X é menor em B, devido à presença enzimática. Fonte:
modificada de Alberts et al., 2017.

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Algumas enzimas requerem, além do substrato, a presença de moléculas não proteicas para
auxiliá-las a catalisar a reação. Nesses casos, a parte proteica da enzima passa a ser denominada de
apoenzima e a parte não proteica passa a ser chamada de cofator.
Cofatores são moléculas de baixa massa molecular de origem inorgânica. Para algumas
enzimas, o cofator são íons metálicos, como o cobre, o manganês, e o zinco, os quais necessitamos
adquirir através da dieta. Mas quando o cofator é uma substância orgânica, ele é denominado de
coenzima. As vitaminas são, na maioria das vezes, precursoras de coenzimas.

Fatores que interferem na atividade enzimática


Do ponto de vista biológico, as enzimas atuam catalisando reações sequenciais, nas quais o
produto de uma reação é o substrato da reação subsequente. A velocidade dessas cascatas de
reações é controlada por uma ou mais enzimas chamadas enzimas regulatórias, as quais são cruciais
para regular o metabolismo. A eficiência e a importância das enzimas fazem com que as células
necessitem regulá-las de maneira extremamente refinada para garantir sua homeostase.
Os fatores que podem inibir a ação das enzimas são a temperatura e o pH do meio, podendo
levar a desnaturação da enzima. Cada enzima tem um pH ótimo para que sua atividade seja máxima.
Alterando-se a faixa de pH, a enzima deixa de atuar adequadamente. A pepsina, por exemplo,
produzida no estômago humano, atua em pH fortemente ácido (em torno de 2).
O mesmo ocorre com a temperatura. A variação brusca pode causar a desnaturação da
proteína, uma vez que ligações de hidrogênio e outras interações fracas, fundamentais para a
manutenção de sua estrutura, são desfeitas facilmente. Isso ocorre porque a elevação na
temperatura causa maior agitação entre as moléculas, aumentando as probabilidades de contato e
de reação entre elas.

(FUVEST/1995) Leia o texto a seguir, escrito por Jacob Berzelius em 1828.


Existem razões para supor que, nos animais e nas plantas, ocorrem milhares de processos
catalíticos nos líquidos do corpo e nos tecidos. Tudo indica que, no futuro, descobriremos que
a capacidade de os organismos vivos produzirem os mais variados tipos de compostos químicos
reside no poder catalítico de seus tecidos.
A previsão de Berzelius estava correta, e hoje sabemos que o “poder catalítico”
mencionado no texto deve-se:
a) Aos ácidos nucleicos
b) Aos carboidratos
c) Aos lipídios
d) Às proteínas
e) Às vitaminas

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Comentários
As proteínas enzimáticas são classes de proteínas envolvidas na função catalítica de
diversas reações químicas. Seu papel é diminuir a energia de ativação de diversas reações
químicas, para que elas demandem menos energia para serem realizadas.
Gabarito: D.

6.2.4 Ácidos nucleicos


Os ácidos nucleicos recebem esse nome devido ao seu caráter ácido. Eles são as moléculas
orgânicas responsáveis pelo armazenamento e transmissão das informações genéticas, podendo do
tipo DNA ou RNA. Tais moléculas são polímeros (assim como os carboidratos e as proteínas)
formados por monômeros chamados de nucleotídeos.

Nucleotídeos
Os nucleotídeos são as unidades básicas dos ácidos nucleicos. De maneira geral, os
nucleotídeos são constituídos por três unidades: um grupo fosfato, uma pentose (molécula de
açúcar com cinco carbonos) e uma base nitrogenada (que contêm nitrogênio em sua fórmula).
Segundo o tipo de açúcar formado, tem-se o ácido ribonucleico (RNA), formado pela combinação
com uma ribose, ou o ácido desoxirribonucleico (DNA), formado pela combinação com uma
desoxirribose.

Existem cinco tipos diferentes de bases nitrogenadas: adenina (A), timina (T), citosina (C),
guanina (G) e uracila (U). As quatro primeiras são encontradas no DNA. Já no RNA, a timina é
substituída pela uracila. Denominam-se bases púricas aquelas que são constituídas por adenina e
guanina, enquanto as bases pirimídicas são aquelas constituídas por citosina, timina e uracila.

DNA e RNA
O DNA é o material genético de todas as células vivas do planeta. Ele está presente nas
bactérias, disperso no citoplasma, e no núcleo das células eucarióticas. Além disso, o DNA é
encontrado nas mitocôndrias e nos cloroplastos. Ele é o principal componente dos cromossomos e
onde se localizam os genes (a informação genética propriamente dita).
As moléculas de DNA são constituídas por duas cadeias polinucleotídicas enroladas uma
sobre a outra formando uma estrutura helicoidal. Elas são longas, contendo até milhões de
nucleotídeos unidos em sequência. As duas cadeias mantêm-se unidas por ligações de hidrogênio
entre pares de base específicos: a adenina emparelha-se com a timina por duas ligações de

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hidrogênio (A=T), e a guanina emparelha-se com a citosina por três ligações de hidrogênio (C≡G).
Por isso, dizemos que essas cadeias são complementares.
Suponha a seguinte sequência: TCAGTCTTACG. Sua sequência complementar seria
AGTCAGAATGC.

A linguagem da vida baseia-se em um sistema de codificação bioquímica em que cada trinca


de bases nitrogenadas de uma das cadeias do DNA corresponde a um aminoácido na proteína.
Existem 64 trincas possíveis a partir da combinação dessas quatro bases nitrogenadas, mas somente
61 correspondem a aminoácidos. As três trincas restantes são usadas como ponto final, indicando
quando a célula deve terminar de codificar a proteína.
Já em relação ao açúcar, trata-se de uma pentose cujos
carbonos são denominados 1’, 2’, 3’, 4’ e 5’. O carbono 1’ está sempre
ligado à uma das bases nitrogenadas, enquanto o carbono 5’ está
sempre ligado ao grupo fosfato.
Quando se forma a cadeia de DNA com os vários nucleotídeos,
o grupo OH do carbono 3’ se liga ao grupo fosfato do carbono 5’ do
açúcar vizinho. Essa ligação entre os nucleotídeos é chamada de
ligação fosfodiéster. É importante notar aqui que a adição de novos
nucleotídeos à fita acontece sempre no sentido 5’→3’. É dessa
maneira que os nucleotídeos se unem formando uma fita de DNA.

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Além disso, as fitas de DNA têm disposição antiparalela, ou seja, uma fica de “ponta cabeça”
em relação a outra. Isso acontece porque os grupos fosfatos possuem uma alta carga negativa e se
posicionam em lados opostos das cadeias de DNA.
Já as moléculas de RNA são formadas por cadeia única, que se enrola sobre si mesma pelo
emparelhamento entre bases dessa cadeia polinucleotídica. Além disso, diferentemente do DNA, o
RNA possui a uracila, que se emparelha com a adenina.
Apesar do DNA conter todas as informações genéticas dos organismos, é a molécula de RNA
que interpreta e executa essas informações. Dessa forma, o RNA está envolvido em diversas
funções, como na síntese de proteínas, as quais estão diretamente envolvidas na defesa do corpo,
no transporte através de membranas, na contração muscular, entre outras.
Três tipos de moléculas de RNA podem ser produzidos:
✓ RNA ribossômico (RNAr): ocorre associado a proteínas, formando os ribossomos;
✓ RNA transportador (RNAt): é o menor RNA da célula e leva os aminoácidos até os ribossomos;
✓ RNA mensageiro (RNAm): leva a informação dos genes para a produção de polipeptídeos no
citoplasma.

Figura 28. Esquema das moléculas de RNA e DNA. A diferença entre as moléculas é uma base nitrogenada. No lugar de uma timina tem-se
uma uracila. Fonte: Shutterstock.

Regras de Chargaff

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Em 1950, o nioquímico austríaco Erwin Chargaff analisou o DNA de diferentes espécies,


determinando sua composição de bases A,T,C e G. Ele fez várias observações
fundamentais:
→A, T, C e G não eram encontradas em quantidades iguais (como alguns modelos da
época diziam);
→As quantidades de bases variavam entre as espécies, mas não entre indivíduos da
mesma espécie;
→A quantidade de A sempre igualava a quantidade de T, e a quantidade de C sempre
igualava a quantidade de G (A = T e G = C).
Esses resultados, chamados de Regras de Chargaff, acabaram sendo cruciais para o
modelo de Watson e Crick da dupla hélice de DNA. Na prática, funciona da seguinte
maneira:
A análise de um segmento de DNA, com 3000 bases nitrogenadas, indicou que 15%
eram de timina (T). Qual será a quantidade de guanina nesse segmento:
Vamos lá! A regra de Chargaff afirma que a quantidade de adenina é igual a quantidade
𝐴 𝐺
de timina e a quantidade de guanina é igual a de citosina, ou seja, = = 1.
𝑇 𝐶

Como é dito que a quantidade de timina nos pares de bases é de 15%, então, a
quantidade de adenina é de 15% também. Logo, sobram 70% de pares de bases que
devem ser divididos igualmente entre citosina e guanina, já que uma se liga a outra.
Assim, existem 35% de citosinas e 35% de guaninas.
Logo, vamos aos cálculos:
15% de 3000 bases = 450 timinas.
15% de 3000 bases = 450 citosinas.
35% de 3000 bases = 1050 citosinas.
35% de 3000 bases = 1050 guaninas.

6.2.5 Vitaminas
As vitaminas são compostos orgânicos que exercem papel fundamental nas atividades
metabólicas das células, no entanto, não são produzidas naturalmente pelos animais
heterotróficos e devem ser incorporadas através da dieta. Elas participam: do metabolismo
energético, da defesa antioxidante, da resposta imune, da reparação e do crescimento tecidual e
muscular, e da saúde óssea.
Ainda, podemos dividi-las em hidrossolúveis e lipossolúveis. As vitaminas hidrossolúveis são
solúveis em água, sendo absorvidas no sistema digestório (por exemplo, as vitaminas do complexo
B e vitamina C). Já as vitaminas lipossolúveis são solúveis em lipídios ou sais biliares (por exemplo,
vitaminas A, D, E e K).

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VITAMINA FUNÇÃO
Co-enzima na respiração celular, no metabolismo de carboidrato,
Tiamina (B1)
gorduras e proteínas.
Auxilia na respiração celular e dos tecidos, no crescimento e na
Riboflavina (B2) regeneração das células vermelhas do sangue. Protege a pele e as
córneas.
Niacina (B3) Protege a pele e auxilia na digestão.
Regulariza o metabolismo dos carboidratos, proteínas e gorduras, e
Ácido pantotênico (B5)
produz colesterol e os hormônios sexuais. Combate o estresse.
Indispensável para o bom funcionamento da célula. Previne a
Vitamina B6 formação de coágulos, e ajuda no funcionamento do cérebro.
Combate doenças como pelegra, beribéri, epilepsia e Parkinson.
Co-enzima na síntese e metabolismo da gordura, glicogênio,
Biotina (B7) carboidratos e aminoácidos. Importante para os músculos, no
combate ao estresse e fadiga.
Síntese da purina e pririmidina. Co-enzima no metabolismo do ácido
Ácido fólico (B9) nucleico. Importante na gestação, prevenindo má formação do feto.
Essencial para formação dos glóbulos vermelhos e brancos.
Previne a anemia. Regenera as células dos músculos e dos tecidos,
Vitamina B12 além de estimular a medula na formação, crescimento e maturação
das células vermelhas no sangue.
Ajuda no combate das infecções, é cicatrizante, antioxidante e
combate os radicais livres. Previne o escorbuto. Aumenta o
Vitamina C
metabolismo dos ossos e melhora a absorção do ferro de origem
vegetal.
Auxilia a visão noturna, é responsável pela elasticidade e hidratação
da pele e mucosas, ajuda no desenvolvimento embrionário, no
Vitamina A
crescimento, reprodução e na função imunológica do organismo.
Ajuda na formação dos ossos e dentes.
Associada aos raios ultravioletas do Sol, permite a absorção e
Vitamina D utilização do cálcio para o intestino, e do cálcio e do fósforo nos ossos
e dentes. Previne o raquitismo.
Antioxidante, retarda o envelhecimento das células, protege os
Vitamina E vasos e os glóbulos vermelhos, auxilia no metabolismo e aumenta a
fertilidade.
Co-enzima na síntese de muitas proteínas envolvidas na coagulação
Vitamina K
do sangue e metabolismo dos ossos. Combate a hemorragia.

(Mackenzie/2011) Um estudo publicado recentemente revelou que as amostras de alimentos


preparados em domicílios apresentavam teores de ferro abaixo do recomendado, mas
quantidade excessiva de sódio. O estudo mostrou, também, quantidades insuficientes de
lipídios nesses alimentos, alertando para a necessidade desse nutriente na maturação do
sistema nervoso. A respeito desses fatos, considere as afirmativas abaixo.
I. As crianças que recebem esses alimentos podem apresentar quadros de atraso de
desenvolvimento devido à falta de oxigenação dos tecidos.

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II. O sódio é necessário para o funcionamento dos neurônios, mas, em excesso, pode prejudicar
o funcionamento dos rins.
III. No processo de maturação do sistema nervoso, há produção de mielina, um lipídio
responsável por acelerar a condução do impulso.
IV. A falta de lipídios pode também acarretar doenças provocadas pela falta de vitaminas, uma
vez que algumas delas são lipossolúveis e somente são absorvidas se dissolvidas em lipídios.
Assinale
a) se todas estiverem corretas.
b) se somente II e III estiverem corretas.
c) se somente I, II e IV estiverem corretas.
d) se somente II e IV estiverem corretas.
e) se somente I e III estiverem corretas.
Comentários
A afirmativa I está certa. O desenvolvimento do sistema nervoso (e dos demais sistemas)
depende do bom funcionamento do organismo, que por sua vez necessita de uma dieta com
níveis adequados dos componentes químicos essenciais (sais minerais, vitaminas, lipídios,
carboidratos e proteínas) para as células.
A afirmativa II está certa. O sódio é importante para a transmissão dos impulsos nervosos.
Contudo, seu excesso prejudica a função renal, já que o sangue é filtrado nos rins para produzir
urina. Veremos os detalhes do funcionamento do sistema nervoso em uma aula dedicada à
fisiologia dos sistemas humanos.
A afirmativa III está certa. A bainha de mielina presente nos axônios das células nervosas
é composta por esfingolipídios. Ela atua como um isolante elétrico que aumenta a eficiência
da condução os impulsos nervosos. Veremos os detalhes do funcionamento do sistema
nervoso em uma aula dedicada à fisiologia dos sistemas humanos.
A afirmativa IV está certa. Vimos que as vitaminas podem ser solúveis em água
(hidrossolúveis) ou lipídios (lipossolúveis). Dessa forma, muitas delas necessitam de lipídios
para serem devidamente absorvidas pelo organismo.
Gabarito: A.

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7. LISTA DE QUESTÕES

1. (FUVEST/2014)
Observe a figura abaixo, que representa o emparelhamento de duas bases nitrogenadas.

Indique a alternativa que relaciona corretamente a(s) molécula(s) que se encontra(m)


parcialmente representada(s) e o tipo de ligação química apontada pela seta.

Molécula(s) Tipo de ligação química

a) Exclusivamente DNA Ligação de hidrogênio

b) Exclusivamente RNA Ligação covalente apolar

c) DNA ou RNA Ligação de hidrogênio

d) Exclusivamente DNA Ligação covalente apolar

e) Exclusivamente RNA Ligação iônica

2. (FUVEST/2013)
Louis Pasteur realizou experimentos pioneiros em Microbiologia. Para tornar estéril um
meio de cultura, o qual poderia estar contaminado com agentes causadores de doenças,
Pasteur mergulhava o recipiente que o continha em um banho de água aquecida à ebulição e
à qual adicionava cloreto de sódio.
Com a adição de cloreto de sódio, a temperatura de ebulição da água do banho, com
relação à da água pura, era ______. O aquecimento do meio de cultura provocava _______.
As lacunas podem ser corretamente preenchidas, respectivamente, por:
a) maior; desnaturação das proteínas das bactérias presentes.
b) menor; rompimento da membrana celular das bactérias presentes.
c) a mesma; desnaturação das proteínas das bactérias.

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d) maior; rompimento da membrana celular dos vírus.


e) menor; alterações no DNA dos vírus e das bactérias.

3. (FUVEST/2010)
Considere as seguintes características atribuídas aos seres vivos:
I. Os seres vivos são constituídos por uma ou mais células.
II. Os seres vivos têm material genético interpretado por um código universal.
III. Quando considerados como populações, os seres vivos se modificam ao longo do tempo.
Admitindo que possuir todas essas características seja requisito obrigatório para ser
classificado como “ser vivo”, é correto afirmar que
a) os vírus e as bactérias são seres vivos, porque ambos preenchem os requisitos I, II e III.
b) os vírus e as bactérias não são seres vivos, porque ambos não preenchem o requisito I.
c) os vírus não são seres vivos, porque preenchem os requisitos II e III, mas não o requisito I.
d) os vírus não são seres vivos, porque preenchem o requisito III, mas não os requisitos I e II.
e) os vírus não são seres vivos, porque não preenchem os requisitos I, II e III.

4. (FUVEST/2008)
Um argumento correto que pode ser usado para apoiar a ideia de que os vírus são seres
vivos é o de que eles
a) não dependem do hospedeiro para a reprodução.
b) possuem número de genes semelhante ao dos organismos multicelulares.
c) utilizam o mesmo código genético das outras formas de vida.
d) sintetizam carboidratos e lipídios, independentemente do hospedeiro.
e) sintetizam suas proteínas independentemente do hospedeiro.

5. (FUVEST/2007)
Os carboidratos, os lipídios e as proteínas constituem material estrutural e de reserva dos
seres vivos. Qual desses componentes orgânicos é mais abundante no corpo de uma planta e
de um animal?
a) Proteínas em plantas e animais.
b) Carboidratos em plantas e animais.
c) Lipídios em plantas e animais.
d) Carboidratos nas plantas e proteínas nos animais.
e) Proteínas nas plantas e lipídios nos animais.

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6. (FUVEST SP/2006)
Um determinado tipo de proteína, presente em praticamente todos os animais, ocorre em
três formas diferentes: a forma P, a forma PX, resultante de mutação no gene que codifica P,
e a forma PY, resultante de mutação no gene que codifica PX. A ocorrência dessas mutações
pôde ser localizada nos pontos indicados pelos retângulos escuros na árvore filogenética, com
base na forma da proteína presente nos grupos de animais I, II, III, IV e V.

Indique a alternativa que mostra as proteínas encontradas nos grupos de animais I a V.

7. (FUVEST /2004)
Qual das alternativas classifica corretamente o vírus HIV, o tronco de uma árvore, a
semente de feijão e o plasmódio da malária, quanto à constituição celular?

8. (FUVEST/2000)
Uma substância X é o produto final de uma via metabólica controlada pelo mecanismo de
retro inibição (feed-back) em que, acima de uma dada concentração, X passa a inibir a enzima
1.

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Podemos afirmar que, nessa via metabólica,


a) a quantidade disponível de X tende a se manter constante.
b) o substrato faltará se o consumo de X for pequeno.
c) o substrato se acumulará quando a concentração de X diminuir.
d) a substância A se acumulará quando a concentração de X aumentar.
e) a substância B se acumulará quando o consumo de X for pequeno.

9. (FUVEST/1998)
Considere as seguintes informações:
I. A bactéria 'Nitrosomonas europaea' obtém a energia necessária para seu metabolismo a
partir da reação de oxidação de amônia em nitrito.
II. A bactéria 'Escherichia coli' obtém a energia necessária a seu metabolismo a partir da
respiração aeróbica ou da fermentação.
III. A bactéria 'Halobacterium halobium' obtém a energia necessária a seu metabolismo a partir
da luz captada por um pigmento chamado rodopsina bacteriana.
Com base nessas informações, 'Nitrosomonas europaea', 'Escherichia coli' e
'Halobacteríum halobium' podem ser classificados, respectivamente, como organismos
a) autotróficos; autotróficos; autotróficos.
b) autotróficos; heterotróficos; autotróficos.
c) autotróficos; autotróficos; heterotróficos.
d) autotróficos; heterotróficos; heterotróficos.
e) heterotróficos; autotróficos; heterotróficos.

10. (FUVEST/1996)
A carência de vitaminas representadas por I, II e III produz avitaminoses cujos sintomas
são, respectivamente, escorbuto, raquitismo e cegueira noturna. Que alternativa apresenta as
vitaminas correspondentes aos números I, II e III?
a) I - vit. C, II - vit. D, III - vit. E
b) I - vit. E, II - vit. B, III - vit. A
c) I - vit. C, II - vit. D, III - vit. A
d) I - vit. A, II - vit. B, III - vit. E

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e) I - vit. C, II - vit. B, III - vit. A

11. (FUVEST/1989)
O organismo A é um parasita intracelular constituído por uma cápsula proteica que
envolve a molécula de ácido nucléico. O organismo B tem uma membrana lipoprotéica
revestida por uma parede rica em polissacarídeos que envolvem um citoplasma, onde se
encontra seu material genético, constituído por uma molécula circular de DNA. Esses
organismos são, respectivamente:
a) uma bactéria e um vírus.
b) um vírus e um fungo.
c) uma bactéria e um fungo.
d) um vírus e uma bactéria.
e) um vírus e um protozoário.

12. (FUVEST/1989)
Erwin Chargaff se notabilizou por seus estudos sobre a composição de bases nitrogenadas
presentes no DNA de várias espécies. Mesmo sem contar com técnicas modernas de
sequenciamento de DNA, seus dados revelaram, por exemplo, que no DNA de ouriço-do-mar
há 32,3% de adenina, no do salmão há 20,4% de guanina e no do trigo há 21,9% de citosina.
Considerando a regra de Chargaff, pode-se concluir que a porcentagem média de timina dessas
três espécies é igual a
a) 29,6%.
b) 32,3%.
c) 30,0%.
d) 28,1%.

13. (UFGD MS/2018)


As proteínas são macromoléculas ou polímeros naturais responsáveis por inúmeras
funções nos organismos vivos. As unidades fundamentais de todas as proteínas são os
aminoácidos. Os aminoácidos são unidos entre si por ligações peptídicas para formar as
proteínas. A estrutura seguinte representa uma porção de uma proteína constituída por três
aminoácidos: alanina, glicina e serina.

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Marque a alternativa que indica o número do retângulo tracejado que corresponda a uma
ligação peptídica.
a) 1.
b) 2.
c) 3.
d) 4.
e) 5.

14. (UEG GO/2019)


Em 1953, a natureza química do material genético foi descrita por dois pesquisadores,
Watson e Crick. Eles propuseram que o DNA é formado pela união de nucleotídeos em duas
fitas complementares enroladas sob um eixo e, assim, formando uma hélice. O esquema a
seguir ilustra a fita dupla de DNA, com a exposição das ligações de hidrogênio entre os
nucleotídeos das fitas complementares:

LOPES, S; ROSSO, S. Bio: volume 2. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 233.

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Sobre as propriedades químicas desse material genético, verifica-se que


a) a fita dupla de DNA é duplicada de forma semiconservativa, sendo as fitas originais
imediatamente renaturadas após a duplicação.
b) as bases nitrogenadas (A, T, C e G) são moléculas apolares e, por isso, se localizam
abrigadas no interior da fita dupla de DNA.
c) o DNA, por ser uma fita dupla, apresenta estrutura bidimensional sem a possibilidade de
assumir uma configuração tridimensional.
d) proporcionalmente, quanto maior a quantidade de purinas na fita dupla de DNA, menor a
quantidade de pirimidinas e vice-versa.
e) o ácido fosfórico dos nucleotídeos se liga a duas moléculas de carboidrato, conferindo
carga positiva à fita dupla de DNA.

15. (UECE/2019)
As moléculas de água permanecem unidas entre si por uma propriedade chamada de
a) adesão.
b) capilaridade.
c) coesão.
d) tensão superficial.

16. (UEL PR/2019)


Os vírus não pertencem a nenhum dos cinco reinos. Pesquisadores se dividem entre
aqueles que não os consideram seres vivos, pois não possuem metabolismo próprio, e os que
consideram que a capacidade de replicação, a hereditariedade e a evolução já são suficientes
para considerá-los como tais.
Com base nos conhecimentos sobre vírus, considere as afirmativas a seguir.
I. Os vírus são constituídos por uma ou várias moléculas de ácido nucleico, protegidas por
uma cápsula de proteína.
II. Os vírus se reproduzem assexuadamente por bipartição, primeiramente duplicando seu
material genético e, em seguida, dividindo-se.
III. O vírus do cólera, doença transmitida pela saliva de seus portadores, causa fraqueza
muscular progressiva, lesões na pele e nas mucosas.
IV. Os vírus podem ser combatidos por vacinas fabricadas com agentes infecciosos atenuados,
que promovem a reação do organismo ao produzir anticorpos específicos.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

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c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.


d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

17. (UFSC/2018)
Uma nova ferramenta de edição genética capaz de mudar completamente o mundo que
conhecemos está deixando de ser uma possibilidade e tornando-se realidade. Ela reúne
características que surpreendem até mesmo os biólogos mais experientes. Simplificadamente,
é possível eliminar partes indesejadas do genoma e, se necessário, inserir novas sequências no
local. Nessa técnica, uma nuclease corta as duas fitas da dupla hélice do DNA, abrindo espaço
para a inserção, se for o caso, de um novo trecho de DNA, sendo possível também a edição de
uma única “letra” no genoma.
Sobre os assuntos relacionados ao texto, é correto afirmar que:
01. a “letra” mencionada no texto é uma referência ao tipo de açúcar (ribose ou desoxirribose)
presente no DNA.
02. as duas fitas do DNA mencionadas no texto são formadas por três sequências paralelas de
nucleotídeos.
04. os vírus podem atuar de maneira semelhante a uma etapa da técnica, pois a informação
presente nos trechos de seu material genético pode ser inserida no DNA da célula hospedeira.
08. para a síntese de proteínas, participam do processo apenas o DNA, o RNA mensageiro e o
RNA transportador.
16. alterações de apenas uma “letra” no gene não podem levar à inativação da proteína
formada.
32. os alelos são variações na sequência dos nucleotídeos de um gene.

18. (UNEB BA/2018)


A riqueza energética do hidrogênio deve-se à sua capacidade de transferir facilmente
elétrons para outros compostos, como o oxigênio, e liberar energia. Esse processo é descrito,
de modo um tanto confuso, como “redução química”. Os cientistas suspeitavam havia tempos
que gases reduzidos desempenhavam papel importante na origem da vida na Terra. Na década
de 20, o bioquímico russo Alexander Oparin e o evolucionista britânico J.B.S. Haldane
sugeriram, isolada e independentemente, que a atmosfera primitiva da Terra pode ter sido
muito rica em gases redutores, como metano, amônia e hidrogênio. E, nessas concentrações
elevadas, os ingredientes químicos necessários para a vida podem ter-se formado
espontaneamente.
A ideia ganhou credibilidade décadas mais tarde, com o famoso experimento dos químicos
Stanley Miller e Harold Urey, da University of Chicago, em 1953. Ao aquecer e descarregar
faíscas em uma mistura de gases redutores, os cientistas conseguiram criar uma gama de
compostos orgânicos (a maioria contendo carbono e hidrogênio), inclusive aminoácidos, os

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blocos de construção das proteínas, vitais para todas as formas de vida terrestre. Entretanto,
nos anos subsequentes ao experimento, geólogos concluíram que a atmosfera ancestral não
era nem de longe tão redutora como a dupla havia pensado. Segundo eles, as condições que
formaram aminoácidos e outros compostos orgânicos em sua experiência provavelmente
nunca existiram na atmosfera. (BRADLEY, 2017).
Analisando-se o texto e com base nos conhecimentos sobre a origem da vida, é correto
afirmar:
01. Com o experimento de Miller e Urey, foi ratificada a teoria de Oparin e Haldane por conta
da descoberta de seres vivos simples e sem histonas no interior da estrutura montada para
simular a Terra primitiva.
02. Independente dos eventos que precederam a origem do primeiro ser vivo, a presença de
elementos, como carbono, oxigênio e nitrogênio na Terra primitiva, foi imprescindível.
03. A elucidação dos eventos e dos processos que proporcionaram a origem do primeiro ser
vivo foi decisiva para a construção dos conceitos que até hoje são aceitos como verdades
imutáveis.
04. Os gases presentes na atmosfera primitiva, segundo Oparin e Haldane, reagiram sob
condições abióticas que viabilizaram, a todo instante, a origem e sobrevivência de qualquer ser
vivo.
05. Após a origem do primeiro ser vivo, foi possível a formação de uma membrana que
proporcionou a existência de um citoplasma com uma composição bioquímica específica e
distinta do meio externo.

19. (FAMERP/2018)
Analise a figura, que ilustra, de maneira esquemática, a disposição das moléculas de
fosfolipídios presentes em alguns componentes celulares.

Em células eucarióticas, tal disposição de fosfolipídios é encontrada


a) no complexo golgiense e no retículo endoplasmático.
b) no peroxissomo e no ribossomo.
c) no citoesqueleto e na mitocôndria.
d) nos centríolos e no lisossomo.
e) no envoltório nuclear e no cromossomo.

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20. (ENEM/2017)
Sabendo-se que as enzimas podem ter sua atividade regulada por diferentes condições de
temperatura e pH, foi realizado um experimento para testar as condições ótimas para a
atividade de uma determinada enzima. Os resultados estão apresentados no gráfico.

Em relação ao funcionamento da enzima, os resultados obtidos indicam que o(a)


a) aumento do pH leva a uma atividade maior da enzima.
b) temperatura baixa (10°C) é o principal inibidor da enzima.
c) ambiente básico reduz a quantidade de enzima necessária na reação.
d) ambiente básico reduz a quantidade de substrato metabolizado pela enzima.
e) temperatura ótima de funcionamento da enzima é 30°C independentemente do pH.

21. (UECE/2017)
A água é uma substância que possui funções importantes e essenciais para a sobrevivência
dos organismos vivos. Uma função da água nas células vivas é
a) metabolizar lipídeos e proteínas provenientes da alimentação nos organismos.
b) catalisar reações enzimáticas no meio interno ou externo às células dos seres vivos.
c) proteger algumas estruturas do corpo, como, por exemplo, as meninges.
d) dissolver moléculas orgânicas como carboidratos, lipídeos, proteínas, sendo por esse
motivo denominada solvente universal.

22. (IFCE/2016)
Sobre as proteínas e sua formação, é correto afirmar-se que
a) leite, ovos e pão são reconhecidos como alimentos ricos em proteínas.
b) as ligações peptídicas, que formam as proteínas, ocorrem entre os grupos carboxila de
aminoácidos diferentes.
c) são formadas pela união de vários aminoácidos por meio de ligações glicosídicas.

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d) não apresentam função energética.


e) apresentam função plástica, também conhecida como função construtora.

23. (IFCE/2015)
A vida depende do ciclo da matéria e do fluxo de energia, assim os organismos vivos
dependem da alimentação, para adquirir os componentes químicos necessários como matéria-
prima para produção de outras substâncias e como fonte de energia. Sobre a química da vida,
é correto afirmar-se que
a) as proteínas exercem diversas funções nos organismos, no entanto não estabelecem
função estrutural.
b) a água é a substância mais abundante nos seres vivos, estando relacionada com os
processos de regulamentação da temperatura corpórea, dissolução de moléculas e síntese de
moléculas por meio da entrada de água na reação.
c) as vitaminas são substâncias inorgânicas necessárias em pequenas quantidades pelo
organismo.
d) os lipídios são compostos inorgânicos reconhecidos pela sua insolubilidade em água,
porém importantes, pois funcionam como primeira fonte energética para o organismo.
e) é fundamental incluir carboidratos na dieta, uma vez que estes compostos orgânicos são
as principais fontes de energia do organismo.

24. (FATEC SP/2014)


Mapas conceituais são diagramas que organizam informações sobre um determinado
assunto por meio da interligação de conceitos através de frases de ligação. Os conceitos
geralmente são destacados por molduras e são utilizadas setas para indicar o sentido das
proposições. O mapa conceitual a seguir refere-se à relação entre cromossomos e proteínas, e
nele quatro conceitos foram omitidos.

Os conceitos I, II, III e IV podem ser substituídos, correta e respectivamente, por


a) RNA, DNA, aminoácidos e nucleotídeos.
b) RNA, DNA, nucleotídeos e aminoácidos.
c) DNA, RNA, nucleotídeos e aminoácidos.

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d) DNA, RNA, monossacarídeos e aminoácidos.


e) DNA, RNA, monossacarídeos e nucleotídeos.

25. (FATEC SP/2014)


Assim como qualquer atleta, um jogador de futebol deve tomar muitos cuidados em
relação à sua dieta e hábitos alimentares, pois o que ele ingere no dia a dia fará grande
diferença para o rendimento nos treinos, para a recuperação do corpo e nos dias de jogo.
Se o jogador não se organizar em relação à sua dieta e suplementação, poderá perder
força, rendimento e velocidade dentro do campo.
Uma alimentação balanceada deve apresentar alguns itens, como:
I. Carboidratos
II. Proteínas
III. Gorduras
IV.Vitaminas e Minerais
(http://www.anutricionista.com/como-deve-ser-o-cardapio-de-um-jogador-de-futebol.html
Acesso em: 14.02.2014. Adaptado)

Considerando os quatro itens mencionados no texto, assinale a alternativa que exemplifica


cada um deles, respectivamente.

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26. (MACKENCIE/2012)
A restrição excessiva de ingestão de colesterol pode levar a uma redução da quantidade
de testosterona no sangue de um homem. Isso se deve ao fato de que o colesterol
a) é fonte de energia para as células que sintetizam esse hormônio.
b) é um lipídio necessário para a maturação dos espermatozoides, células produtoras desse
hormônio.
c) é um esteroide e é a partir dele que a testosterona é sintetizada.
d) é responsável pelo transporte da testosterona até o sangue.
e) é necessário para a absorção das moléculas que compõem a testosterona.

27. (ENEM/2010)
Alguns fatores podem alterar a rapidez das reações químicas. A seguir, destacam-se três
exemplos no contexto da preparação e da conservação de alimentos:
1. A maioria dos produtos alimentícios se conserva por muito mais tempo quando submetidos
à refrigeração. Esse procedimento diminui a rapidez das reações que contribuem para a
degradação de certos alimentos.

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2. Um procedimento muito comum utilizado em práticas de culinária é o corte dos alimentos


para acelerar o seu cozimento, caso não se tenha uma panela de pressão.
3. Na preparação de iogurtes, adicionam-se ao leite bactérias produtoras de enzimas que
aceleram as reações envolvendo açúcares e proteínas lácteas.
Com base no texto, quais são os fatores que influenciam a rapidez das transformações
químicas relacionadas aos exemplos 1, 2 e 3, respectivamente?
a) Temperatura, superfície de contato e concentração.
b) Concentração, superfície de contato e catalisadores.
c) Temperatura, superfície de contato e catalisadores.
d) Superfície de contato, temperatura e concentração.
e) Temperatura, concentração e catalisadores.

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8. GABARITO

1. A 16. B

2. A 17.36

3. C 18. 02

4. C 19. A

5. D 20. D

6. B 21.C

7. B 22.E

8. A 23.E

9. B 24.C

10. C 25.E

11. D 26.C

12. C 27.C

13. B

14. B

15. C

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9. LISTA DE QUESTÕES COMENTADAS

1. (FUVEST/2014)
Observe a figura abaixo, que representa o emparelhamento de duas bases nitrogenadas.

Indique a alternativa que relaciona corretamente a(s) molécula(s) que se encontra(m)


parcialmente representada(s) e o tipo de ligação química apontada pela seta.

Molécula(s) Tipo de ligação química

a) Exclusivamente DNA Ligação de hidrogênio

b) Exclusivamente RNA Ligação covalente apolar

c) DNA ou RNA Ligação de hidrogênio

d) Exclusivamente DNA Ligação covalente apolar

e) Exclusivamente RNA Ligação iônica


Comentários
A figura representa a molécula de DNA e a seta aponta o emparelhamento das bases
nitrogenadas, feito por ligações de hidrogênio para formação da dupla hélice de DNA. Sabemos que
se trata de uma molécula de DNA pois a base nitrogenada pirimídica timina está representada. A
timina não ocorre no RNA e é substituída pela uracila no RNA. Assim, não poderiam ser as
alternativas B, C e E.
As ligações características entre duas bases nitrogenadas são as ligações de hidrogênio.
Ligações de hidrogênio acontecem entre o átomo de hidrogênio e outros três átomos possíveis: o
fósforo, o oxigênio e o nitrogênio (FON). Assim, a alternativa correta é a letra A.
Gabarito: A.

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2. (FUVEST/2013)
Louis Pasteur realizou experimentos pioneiros em Microbiologia. Para tornar estéril um
meio de cultura, o qual poderia estar contaminado com agentes causadores de doenças,
Pasteur mergulhava o recipiente que o continha em um banho de água aquecida à ebulição e
à qual adicionava cloreto de sódio.
Com a adição de cloreto de sódio, a temperatura de ebulição da água do banho, com
relação à da água pura, era ______. O aquecimento do meio de cultura provocava _______.
As lacunas podem ser corretamente preenchidas, respectivamente, por:
a) maior; desnaturação das proteínas das bactérias presentes.
b) menor; rompimento da membrana celular das bactérias presentes.
c) a mesma; desnaturação das proteínas das bactérias.
d) maior; rompimento da membrana celular dos vírus.
e) menor; alterações no DNA dos vírus e das bactérias.
Comentários
Essa questão não é difícil, mas exige atenção. O enunciado nos diz que Pasteur esterilizou o
meio de cultura adicionando-o a um recipiente com água fervente, e depois adicionava sal a essa
água. A água pura, para ferver, necessita eu sua temperatura seja elevada a 100° C. Ao adicionar sal
na água, ela passa a ser uma solução (ou seja, água + os íons NA+ e Cl-), e a temperatura de elevação
deixa de ser 100° e passa a ser maior. A consequência desse aumento de temperatura é que o meio
de cultura é aquecido mais e por mais tempo, causando a desnaturação das proteínas presente nos
agentes causadores de doenças e, consequentemente, sua morte. Ou seja, o aquecimento do meio
de cultura o torna estéril pelo fato de desnaturar as proteínas das bactérias presentes nele, fazendo
com as proteínas percam sua função e resulte na morte das células bacterianas.
Portanto, a alternativa A está certa e é o nosso gabarito.
Gabarito: A.

3. (FUVEST/2010)
Considere as seguintes características atribuídas aos seres vivos:
I. Os seres vivos são constituídos por uma ou mais células.
II. Os seres vivos têm material genético interpretado por um código universal.
III. Quando considerados como populações, os seres vivos se modificam ao longo do tempo.
Admitindo que possuir todas essas características seja requisito obrigatório para ser
classificado como “ser vivo”, é correto afirmar que
a) os vírus e as bactérias são seres vivos, porque ambos preenchem os requisitos I, II e III.
b) os vírus e as bactérias não são seres vivos, porque ambos não preenchem o requisito I.
c) os vírus não são seres vivos, porque preenchem os requisitos II e III, mas não o requisito I.

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d) os vírus não são seres vivos, porque preenchem o requisito III, mas não os requisitos I e II.
e) os vírus não são seres vivos, porque não preenchem os requisitos I, II e III.
Comentários
Os vírus não são considerados seres vivos, pois, apesar de possuírem material genético
interpretado por um código universal e de modificarem-se ao longo do tempo, são acelulares. Eles
possuem organização estrutural, mas ela não é uma organização celular. Por isso, e por não
preencherem os requisitos da vida como crescimento, metabolismo, movimentação e resposta aos
estímulos externos (pelo menos não há esse conhecimento ainda), eles são considerados parasitas
intracelulares obrigatórios.
A alternativa C está certa e é o nosso gabarito.
Gabarito: C.

4. (FUVEST/2008)
Um argumento correto que pode ser usado para apoiar a ideia de que os vírus são seres
vivos é o de que eles
a) não dependem do hospedeiro para a reprodução.
b) possuem número de genes semelhante ao dos organismos multicelulares.
c) utilizam o mesmo código genético das outras formas de vida.
d) sintetizam carboidratos e lipídios, independentemente do hospedeiro.
e) sintetizam suas proteínas independentemente do hospedeiro.
Comentários
A alternativa A está errada, porque os vírus dependem do hospedeiro para a reprodução.
A alternativa B está errada, porque os vírus possuem um número bem menor de genes em
relação aos organismos multicelulares.
A alternativa C está certa e é o nosso gabarito. O DNA e o RNA são constituídos por
nucleotídeos, que contém bases nitrogenadas universais para todos os organismos e para os vírus
também.
A alternativa D está errada, porque os vírus não sintetizam macromoléculas.
A alternativa E está errada, porque não sintetizam proteínas de maneira independente.
Gabarito: C.

5. (FUVEST/2007)
Os carboidratos, os lipídios e as proteínas constituem material estrutural e de reserva dos
seres vivos. Qual desses componentes orgânicos é mais abundante no corpo de uma planta e
de um animal?
a) Proteínas em plantas e animais.

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b) Carboidratos em plantas e animais.


c) Lipídios em plantas e animais.
d) Carboidratos nas plantas e proteínas nos animais.
e) Proteínas nas plantas e lipídios nos animais.
Comentários
Veremos nas próximas aulas que as plantas possuem externamente à membrana plasmática
uma parede celular, formada por celulose. A celulose, como vimos, é um polissacarídeo (ou seja, um
polímero de glicose). Justamente por revestir todas as células vegetais, a celulose é o maior
constituinte do corpo das plantas.
Já os animais são majoritariamente constituídos de proteínas (quando nos referimos a
substância orgânicas), chegando a aproximadamente 15% de composição proteica. Depois da água,
as proteínas são o principal constituinte do corpo animal, e isso faz sentido já que elas são
responsáveis pela maior parte das funções celulares.
Resposta: D.

6. (FUVEST SP/2006)
Um determinado tipo de proteína, presente em praticamente todos os animais, ocorre em
três formas diferentes: a forma P, a forma PX, resultante de mutação no gene que codifica P,
e a forma PY, resultante de mutação no gene que codifica PX. A ocorrência dessas mutações
pôde ser localizada nos pontos indicados pelos retângulos escuros na árvore filogenética, com
base na forma da proteína presente nos grupos de animais I, II, III, IV e V.

Indique a alternativa que mostra as proteínas encontradas nos grupos de animais I a V.

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Para resolver essa questão, é necessário saber ler um cladograma. Veremos isso com mais
propriedade na aula sobre Evolução, mas aqui vai um ‘spoiler’ de como deve ser feita essa leitura.
Cladogramas são diagramas que buscam sumariar as informações filogenéticas (ou seja, as
características compartilhadas entre ancestrais e descendentes), a fim de determinar as relações de
parentesco entre os organismos. A leitura de um cladograma se dá de baixo para cima, a partir dos
pontos de intersecção (nós) do diagrama. Observe:

Lê-se da seguinte maneira: da raiz (ancestral comum hipotético de todos os organismos


representados) até a 1ª mutação, todos os organismos apresentam a variação original da proteína
(P). Ou seja, os organismos V e IV possuem a proteína em seu formato P. Após o organismo IV, ocorre
a primeira mutação. Todos organismos que vieram após essa mutação apresentam a variação
mutante PX. Contudo, mais recentemente no tempo evolutivo, uma segunda mutação ocorre
somente na linhagem do organismo II, e este passa a apresentar a variação PY. Assim, os organismos
III e I possuem a proteína PX e o organismo II possui a proteína PY.
Gabarito: B.

7. (FUVEST /2004)
Qual das alternativas classifica corretamente o vírus HIV, o tronco de uma árvore, a
semente de feijão e o plasmódio da malária, quanto à constituição celular?

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Sabemos que os vírus não possuem células, portanto eliminamos as alternativas D e E. Uma
árvore (e, portanto, seu tronco) e o feijão são seres multicelulares, então eliminamos as alternativas
A e C. Assim, chegamos à alternativa B como nosso gabarito. O plasmódio é um organismo
unicelular, eucarionte, conhecido como protozoário.
Estudaremos as particularidades de cada um desses organismos em aulas futuras.
Gabarito: B.

8. (FUVEST/2000)
Uma substância X é o produto final de uma via metabólica controlada pelo mecanismo de
retro inibição (feed-back) em que, acima de uma dada concentração, X passa a inibir a enzima
1.

Podemos afirmar que, nessa via metabólica,


a) a quantidade disponível de X tende a se manter constante.
b) o substrato faltará se o consumo de X for pequeno.
c) o substrato se acumulará quando a concentração de X diminuir.
d) a substância A se acumulará quando a concentração de X aumentar.
e) a substância B se acumulará quando o consumo de X for pequeno.
Comentários
A questão trata de uma via metabólica que apresenta três processos de transformações de
substratos, cada um deles catalisado por uma enzima específica. Enzimas são proteínas que
catalisam reações (ou seja, aceleram a velocidade das reações) devido à sua alta especificidade com
os substratos. Elas possuem um sítio ativo, onde substratos específicos se ligam, formando um
complexo que, frequentemente chamamos de chave-fechadura. Assim, a enzima 1 catalisa a
transformação do substrato em substância A. A enzima 2 catalisa a transformação da substância A
em substância B e a enzima 3 catalisa a transformação da substância B em X, o produto final.
O enunciado nos informa que essa via é controlada por um mecanismo de retroalimentação
de inibição (feedback negativo). Os mecanismos de retroalimentação caracterizam-se por manter o
equilíbrio dentro de um balanço de ações antagônicas (contrárias). Ou seja, a quantidade de
substrato consumido na via metabólica é proporcional à quantidade de produto sintetizado, e essas
reações permanecem acontecendo constantemente). Vamos pensar em energia: quanto mais
gastamos energia, mais nosso corpo converte glicose em energia, ou seja, a produção também
aumenta e retroalimenta o ciclo.
Voltando ao enunciado, a concentração de X é controlada pela própria concentração de X: se
ela diminui, são ativados mecanismos que produzem mais substrato, a fim de manter a quantidade

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de X na célula. À medida que a concentração de X aumenta, o mecanismo de produção de substrato


anteriormente ativado passa a ser inibido novamente. Desse modo, a quantidade disponível de X irá
se manter constante durante toda a metabólica. Agora, vamos às alternativas:
A alternativa A está certa e é o nosso gabarito.
A alternativa B está errada, porque se o consumo de X for pequeno, o substrato irá se
acumular e a célula precisará enviar sinal para que a produção de substrato diminua.
A alternativa C está errada, porque se a concentração de X diminuir, a célula passará a
produzir e consumir maior quantidade de substrato, a fim de restabelecer a quantidade de X.
A alternativa D está errada, porque se a concentração de X aumentar, a célula precisará enviar
sinal para que a produção de substrato diminua e, consequentemente, haverá a diminuição de
substância A.
A alternativa E está errada, e representa o mesmo caso da alternativa D. Se consumo de X
for pequeno, sua concentração irá aumentar. A célula precisará enviar sinal para que a produção de
substrato diminua e, consequentemente, haverá a diminuição de substância B.
Gabarito: A.

9. (FUVEST/1998)
Considere as seguintes informações:
I. A bactéria 'Nitrosomonas europaea' obtém a energia necessária para seu metabolismo a
partir da reação de oxidação de amônia em nitrito.
II. A bactéria 'Escherichia coli' obtém a energia necessária a seu metabolismo a partir da
respiração aeróbica ou da fermentação.
III. A bactéria 'Halobacterium halobium' obtém a energia necessária a seu metabolismo a partir
da luz captada por um pigmento chamado rodopsina bacteriana.
Com base nessas informações, 'Nitrosomonas europaea', 'Escherichia coli' e
'Halobacteríum halobium' podem ser classificados, respectivamente, como organismos
a) autotróficos; autotróficos; autotróficos.
b) autotróficos; heterotróficos; autotróficos.
c) autotróficos; autotróficos; heterotróficos.
d) autotróficos; heterotróficos; heterotróficos.
e) heterotróficos; autotróficos; heterotróficos.
Comentários
A afirmativa I refere-se à quimiossíntese, um processo de produção de energia a partir da
oxidação de compostos inorgânicos. Outro processo de produção de energia é a fotossíntese, que
ocorre a partir da conversão de energia luminosa em energia química. Os organismos autotróficos

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(que produzem seu próprio alimento, isto é, as moléculas orgânicas) podem realizar quimiossíntese
e fotossíntese. Dentre aqueles que realizam quimiossíntese estão as bactérias fixadoras de
nitrogênio, como a Nitrosomonas.
Em relação à afirmativa II, a respiração aeróbica e a fermentação metabólicos que degradam
moléculas orgânicas, em especial a glicose, a fim de obter energia para funções biológicas. Eles são
realizados por organismos heterotróficos, que não produzem sua própria energia.
A afirmativa III refere-se ao processo de fotossíntese, ou seja, produção de moléculas
orgânicas a partir da conversão da energia luminosa em energia química. Essa conversão ocorre com
o auxílio de pigmentos fotossintetizantes, como a clorofila, rodopsina e a ficobilina.
Assim, a alternativa B está certa e é o nosso gabarito.
Gabarito: B.

10. (FUVEST/1996)
A carência de vitaminas representadas por I, II e III produz avitaminoses cujos sintomas
são, respectivamente, escorbuto, raquitismo e cegueira noturna. Que alternativa apresenta as
vitaminas correspondentes aos números I, II e III?
a) I - vit. C, II - vit. D, III - vit. E
b) I - vit. E, II - vit. B, III - vit. A
c) I - vit. C, II - vit. D, III - vit. A
d) I - vit. A, II - vit. B, III - vit. E
e) I - vit. C, II - vit. B, III - vit. A
Comentários
Essa é uma questão que exige nada mais que uma “decoreba” das vitaminas (onde podemos
encontrá-las e quais as consequências de suas deficiências). A carência de vitamina C relaciona-se
com o escorbuto. A carência da vitamina D relaciona-se com o raquitismo. A carência de vitamina A
relaciona-se com a cegueira noturna.
Gabarito: C.

11. (FUVEST/1989)
O organismo A é um parasita intracelular constituído por uma cápsula proteica que
envolve a molécula de ácido nucléico. O organismo B tem uma membrana lipoprotéica
revestida por uma parede rica em polissacarídeos que envolvem um citoplasma, onde se
encontra seu material genético, constituído por uma molécula circular de DNA. Esses
organismos são, respectivamente:
a) uma bactéria e um vírus.
b) um vírus e um fungo.

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c) uma bactéria e um fungo.


d) um vírus e uma bactéria.
e) um vírus e um protozoário.
Comentários
Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios cuja composição consiste em um capsídeo
(cápsula proteica) revestindo externamente o parasita, e abrigando em seu interior o material
genético (DNA ou RNA).
Bactérias apresentam parede celular constituída por peptideoglicanos e uma membrana
plasmática constituídas por duas camadas de lipídios e proteínas, que envolve o citoplasma. No
interior citoplasmático está disperso o material genético, constituído por uma molécula circular de
DNA. Além dele, há uma porção menor também circular de material genético chamada de
plasmídeo, e diversos ribossomos espalhados no citosol.
Gabarito: D.

12. (FUVEST/1989)
Erwin Chargaff se notabilizou por seus estudos sobre a composição de bases nitrogenadas
presentes no DNA de várias espécies. Mesmo sem contar com técnicas modernas de
sequenciamento de DNA, seus dados revelaram, por exemplo, que no DNA de ouriço-do-mar
há 32,3% de adenina, no do salmão há 20,4% de guanina e no do trigo há 21,9% de citosina.
Considerando a regra de Chargaff, pode-se concluir que a porcentagem média de timina dessas
três espécies é igual a
a) 29,6%.
b) 32,3%.
c) 30,0%.
d) 28,1%.
Comentários
Como o pareamento de bases nitrogenadas na dupla fita de DNA ocorre entre adenina e
timina e guanina e citosina, então uma fita simples com 20 adeninas, 25 timinas, 30 guaninas e 25
citosinas, teria como fita complementar 20 timinas, 25 adeninas, 30 citosinas e 25 guaninas. Neste
exemplo teríamos 45 (20+25) adeninas, 45 (25 +20) timinas, 55 (30+25) guaninas e 55 (25+30)
citosinas. Essa é a Regra de Chargaff.
Quanto à questão, temos que:
- Ouriço-do-mar: 32,3% de adenina; 32,3% timina; 17,7% guanina; 17,7% citosina.
- Salmão: 20,4% guanina; 20,4% citosina; 29,6% adenina; 29,6% timina.
- Trigo: 21,9% citosina; 21,9% guanina; 28,1% adenina; 28,1% timina;
Portanto: 32,3+29,6+28,1 = 90 / 3 = 30%
Gabarito: C.

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13. (UFGD MS/2018)


As proteínas são macromoléculas ou polímeros naturais responsáveis por inúmeras
funções nos organismos vivos. As unidades fundamentais de todas as proteínas são os
aminoácidos. Os aminoácidos são unidos entre si por ligações peptídicas para formar as
proteínas. A estrutura seguinte representa uma porção de uma proteína constituída por três
aminoácidos: alanina, glicina e serina.

Marque a alternativa que indica o número do retângulo tracejado que corresponda a uma
ligação peptídica.
a) 1.
b) 2.
c) 3.
d) 4.
e) 5.
Comentários
As proteínas, como dito no enunciado, são polímeros formados por unidades repetitivas
(monômeros) chamadas aminoácidos. Um aminoácido possui a seguinte estrutura: um átomo de
carbono central, também conhecido como carbono alfa (α), ligado a um grupo amino (NH2), a um
grupo carboxila (COOH), um átomo de hidrogênio e um radical R (cadeia lateral), que determina a
sua identidade.

As ligações peptídicas acontecem entre o hidrogênio do grupo OH da carboxila e o H do grupo


amino do próximo aminoácido. Veja o esquema abaixo:

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Assim, a alternativa B está certa, e o retângulo 2 exemplifica uma ligação peptídica.


Gabarito: B.

14. (UEG GO/2019)


Em 1953, a natureza química do material genético foi descrita por dois pesquisadores,
Watson e Crick. Eles propuseram que o DNA é formado pela união de nucleotídeos em duas
fitas complementares enroladas sob um eixo e, assim, formando uma hélice. O esquema a
seguir ilustra a fita dupla de DNA, com a exposição das ligações de hidrogênio entre os
nucleotídeos das fitas complementares:

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LOPES, S; ROSSO, S. Bio: volume 2. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 233.

Sobre as propriedades químicas desse material genético, verifica-se que


a) a fita dupla de DNA é duplicada de forma semiconservativa, sendo as fitas originais
imediatamente renaturadas após a duplicação.
b) as bases nitrogenadas (A, T, C e G) são moléculas apolares e, por isso, se localizam
abrigadas no interior da fita dupla de DNA.
c) o DNA, por ser uma fita dupla, apresenta estrutura bidimensional sem a possibilidade de
assumir uma configuração tridimensional.
d) proporcionalmente, quanto maior a quantidade de purinas na fita dupla de DNA, menor a
quantidade de pirimidinas e vice-versa.
e) o ácido fosfórico dos nucleotídeos se liga a duas moléculas de carboidrato, conferindo
carga positiva à fita dupla de DNA.
Comentários

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A alternativa A está errada, porque as fitas originais não são renaturadas após a duplicação,
e sim passam a formar novas moléculas de DNA com as fitas complementares originadas no
processo.
A alternativa B está certa.
A alternativa C está errada, porque o DNA, por ser uma dupla hélice, apresenta estrutura
tridimensional.
A alternativa D está errada, porque as quantidades de purinas e pirimidinas são equivalentes,
já que essas bases são complementares.
A alternativa E está errada, porque o fosfato dos nucleotídeos se liga aos açúcares
(carboidratos) e confere à fita de DNA uma carga negativa.
Gabarito: B.

15. (UECE/2019)
As moléculas de água permanecem unidas entre si por uma propriedade chamada de
a) adesão.
b) capilaridade.
c) coesão.
d) tensão superficial.
Comentários
As moléculas de água permanecem unidas entre si, formando ligações (ou pontes) de
hidrogênio. Os átomos de hidrogênio de uma molécula de água são atraídos pelo átomo de oxigênio
de sua vizinha. Essas interações, apesar de mais fracas do que as ligações covalentes, mantêm as
moléculas bastante coesas e dificultam a separação entre elas. As pontes de hidrogênio mantêm as
moléculas de água unidas umas às outras pela coesão. A natureza coesiva da água é responsável por
muitas propriedades incomuns, como por exemplo, a tensão superficial e o calor específico.
Gabarito: C.

16. (UEL PR/2019)


Os vírus não pertencem a nenhum dos cinco reinos. Pesquisadores se dividem entre
aqueles que não os consideram seres vivos, pois não possuem metabolismo próprio, e os que
consideram que a capacidade de replicação, a hereditariedade e a evolução já são suficientes
para considerá-los como tais.
Com base nos conhecimentos sobre vírus, considere as afirmativas a seguir.
I. Os vírus são constituídos por uma ou várias moléculas de ácido nucleico, protegidas por
uma cápsula de proteína.
II. Os vírus se reproduzem assexuadamente por bipartição, primeiramente duplicando seu
material genético e, em seguida, dividindo-se.

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III. O vírus do cólera, doença transmitida pela saliva de seus portadores, causa fraqueza
muscular progressiva, lesões na pele e nas mucosas.
IV. Os vírus podem ser combatidos por vacinas fabricadas com agentes infecciosos atenuados,
que promovem a reação do organismo ao produzir anticorpos específicos.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
Comentários
A afirmativa I está certa. Os vírus são constituídos por uma ou várias moléculas de ácido
nucleico, que podem ser DNA ou RNA, protegidas por uma cápsula de proteína, chamada capsídeo.
A afirmativa II está errada, porque os vírus precisam usar células hospedeiras para se
multiplicar, uma vez que eles não têm as ferramentas necessárias para copiar seus genes. Eles
entram nas células vivas e sequestram o equipamento celular do hospedeiro para copiar
informações genéticas virais, construir novos capsídeos e montar tudo juntos.
A afirmativa III está errado, porque o vírus causador do cólera, Vibrio cholerae, é transmitido
via ingestão de água e de alimentos contaminados pelas fezes ou pela manipulação de alimentos
por pessoas infectadas e tem como sintomas diarreia volumosa, que começa de repente,
acompanhada por vômitos. Veremos com detalhe as doenças causadas por vírus na aula 13.
A afirmativa IV está certa.
Gabarito: B.

17. (UFSC/2018)
Uma nova ferramenta de edição genética capaz de mudar completamente o mundo que
conhecemos está deixando de ser uma possibilidade e tornando-se realidade. Ela reúne
características que surpreendem até mesmo os biólogos mais experientes. Simplificadamente,
é possível eliminar partes indesejadas do genoma e, se necessário, inserir novas sequências no
local. Nessa técnica, uma nuclease corta as duas fitas da dupla hélice do DNA, abrindo espaço
para a inserção, se for o caso, de um novo trecho de DNA, sendo possível também a edição de
uma única “letra” no genoma.
Sobre os assuntos relacionados ao texto, é correto afirmar que:
01. a “letra” mencionada no texto é uma referência ao tipo de açúcar (ribose ou desoxirribose)
presente no DNA.
02. as duas fitas do DNA mencionadas no texto são formadas por três sequências paralelas de
nucleotídeos.

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04. os vírus podem atuar de maneira semelhante a uma etapa da técnica, pois a informação
presente nos trechos de seu material genético pode ser inserida no DNA da célula hospedeira.
08. para a síntese de proteínas, participam do processo apenas o DNA, o RNA mensageiro e o
RNA transportador.
16. alterações de apenas uma “letra” no gene não podem levar à inativação da proteína
formada.
32. os alelos são variações na sequência dos nucleotídeos de um gene.
Comentários
A afirmativa 01 está errada, porque a letra mencionada referencia uma das bases
nitrogenadas: A, T, C, G.
A afirmativa 02 está errada, porque as fitas de DNA são formadas por inúmeras sequências
nucleotídicas, sendo que cada uma codifica um aminoácido diferente e a cada três aminoácidos,
uma proteína é formada.
A afirmativa 04 está certa. Veremos os mecanismos de replicação viral mais adiante no curso,
porém, de forma sucinta, o vírus consegue se aderir e penetrar a célula hospedeira e inserir seu
genoma no DNA dela.
A afirmativa 08 está errada, porque a síntese proteica envolve os ribossomos, que são
fundamentai para o processo. Veremos isso mais adiante no curso.
A afirmativa 16 está errada, porque a alteração de apenas um aminoácido pode alterar a
proteína sintetizada, inativando-a ou apenas modificando a proteína final.
A afirmativa 32 está certa.
Gabarito: 36.

18. (UNEB BA/2018)


A riqueza energética do hidrogênio deve-se à sua capacidade de transferir facilmente
elétrons para outros compostos, como o oxigênio, e liberar energia. Esse processo é descrito,
de modo um tanto confuso, como “redução química”. Os cientistas suspeitavam havia tempos
que gases reduzidos desempenhavam papel importante na origem da vida na Terra. Na década
de 20, o bioquímico russo Alexander Oparin e o evolucionista britânico J.B.S. Haldane
sugeriram, isolada e independentemente, que a atmosfera primitiva da Terra pode ter sido
muito rica em gases redutores, como metano, amônia e hidrogênio. E, nessas concentrações
elevadas, os ingredientes químicos necessários para a vida podem ter-se formado
espontaneamente.
A ideia ganhou credibilidade décadas mais tarde, com o famoso experimento dos químicos
Stanley Miller e Harold Urey, da University of Chicago, em 1953. Ao aquecer e descarregar
faíscas em uma mistura de gases redutores, os cientistas conseguiram criar uma gama de
compostos orgânicos (a maioria contendo carbono e hidrogênio), inclusive aminoácidos, os
blocos de construção das proteínas, vitais para todas as formas de vida terrestre. Entretanto,
nos anos subsequentes ao experimento, geólogos concluíram que a atmosfera ancestral não

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era nem de longe tão redutora como a dupla havia pensado. Segundo eles, as condições que
formaram aminoácidos e outros compostos orgânicos em sua experiência provavelmente
nunca existiram na atmosfera. (BRADLEY, 2017).
Analisando-se o texto e com base nos conhecimentos sobre a origem da vida, é correto
afirmar:
01. Com o experimento de Miller e Urey, foi ratificada a teoria de Oparin e Haldane por conta
da descoberta de seres vivos simples e sem histonas no interior da estrutura montada para
simular a Terra primitiva.
02. Independente dos eventos que precederam a origem do primeiro ser vivo, a presença de
elementos, como carbono, oxigênio e nitrogênio na Terra primitiva, foi imprescindível.
03. A elucidação dos eventos e dos processos que proporcionaram a origem do primeiro ser
vivo foi decisiva para a construção dos conceitos que até hoje são aceitos como verdades
imutáveis.
04. Os gases presentes na atmosfera primitiva, segundo Oparin e Haldane, reagiram sob
condições abióticas que viabilizaram, a todo instante, a origem e sobrevivência de qualquer ser
vivo.
05. Após a origem do primeiro ser vivo, foi possível a formação de uma membrana que
proporcionou a existência de um citoplasma com uma composição bioquímica específica e
distinta do meio externo.
Comentários
A alternativa 01 está errada, porque o experimento de Miller e Urey confirmou que moléculas
orgânicas (como os aminoácidos alanina e glicina) poderiam ter surgido a partir de compostos
inorgânicos presentes na atmosfera terrestre primitiva.
A alternativa 02 está certa.
A alternativa 03 está errada, porque os eventos e processos acerca da origem da vida não
foram elucidados. O que se existe são hipóteses bem corroboradas por evidências e experimentos.
Além disso, a ciência não admite verdades imutáveis. Toda hipótese é passível de questionamento.
A alternativa 04 está errada, porque os gases presentes na atmosfera primitiva viabilizaram,
mediante a ação de descargas elétricas e radiações UV, a formação de pequenas moléculas
orgânicas.
A alternativa 05 está errada, porque após a origem do primeiro ser vivo, levaram-se milhares
de anos para que uma célula com composição bioquímica específica surgisse.
Gabarito: 02.

19. (FAMERP/2018)
Analise a figura, que ilustra, de maneira esquemática, a disposição das moléculas de
fosfolipídios presentes em alguns componentes celulares.

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Em células eucarióticas, tal disposição de fosfolipídios é encontrada


a) no complexo golgiense e no retículo endoplasmático.
b) no peroxissomo e no ribossomo.
c) no citoesqueleto e na mitocôndria.
d) nos centríolos e no lisossomo.
e) no envoltório nuclear e no cromossomo.
Comentários
Os fosfolipídios são moléculas anfipáticas, isto é, possuem uma região apolar, hidrofóbica (as
duas caudas), e uma região polar, hidrofílica (a cabeça). Essa constituição permite que eles se
arranjem em solução aquosa de modo que as regiões apolares fiquem voltadas para dentro e as
cabeças polares ficam voltadas para fora (em contato com a água), formando uma micela. Esse é o
princípio básico do arranjo das membranas biológicas. Essas membranas são encontradas na
membrana plasmática das células, no envoltório nuclear e nas organelas membranosas (retículo
endoplasmático, complexo golgiense, lisossomos).
Os ribossomos não são organelas membranosas. Eles são estruturas proteicas formadas
exclusivamente por RNA e proteínas. O citoesqueleto e os centríolos, assim como os ribossomos,
são formados por proteínas. Os cromossomos são constituídos por DNA.
Gabarito: A.

20. (ENEM/2017)
Sabendo-se que as enzimas podem ter sua atividade regulada por diferentes condições de
temperatura e pH, foi realizado um experimento para testar as condições ótimas para a
atividade de uma determinada enzima. Os resultados estão apresentados no gráfico.

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Em relação ao funcionamento da enzima, os resultados obtidos indicam que o(a)


a) aumento do pH leva a uma atividade maior da enzima.
b) temperatura baixa (10°C) é o principal inibidor da enzima.
c) ambiente básico reduz a quantidade de enzima necessária na reação.
d) ambiente básico reduz a quantidade de substrato metabolizado pela enzima.
e) temperatura ótima de funcionamento da enzima é 30°C independentemente do pH.
Comentários
A alternativa A está errada, porque o aumento do pH leva a uma menor atividade enzimática.
A alternativa B está errada. Observe que à temperatura de 10°C e em pH 7 a enzima teve um
melhor desempenho em relação à temperatura de 10ºC e ph > 8. Logo, o fator limitante principal
não é a temperatura.
A alternativa C está errada, porque o ph (e a temperatura) não alteram a quantidade de
enzimas e sim sua atividade.
A alternativa D está certa. De acordo com o gráfico, o aumento no pH de 7 para 8 reduziu a
atividade enzimática, independentemente da temperatura. Quando a atividade enzimática é
reduzida, uma menor quantidade de substrato metabolizada.
A alternativa E está errada, porque à 30°C e pH 7 a atividade da enzima foi maior em relação
ao ph 8. Logo, o funcionamento da enzima é dependente do ph do meio.
Gabarito: D.

21. (UECE/2017)
A água é uma substância que possui funções importantes e essenciais para a sobrevivência
dos organismos vivos. Uma função da água nas células vivas é
a) metabolizar lipídeos e proteínas provenientes da alimentação nos organismos.
b) catalisar reações enzimáticas no meio interno ou externo às células dos seres vivos.
c) proteger algumas estruturas do corpo, como, por exemplo, as meninges.
d) dissolver moléculas orgânicas como carboidratos, lipídeos, proteínas, sendo por esse
motivo denominada solvente universal.

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Comentários
A alternativa A está errada, porque a é o meio em que as reações ocorrem (meio aquoso). Ela
não participa ativamente dos processos metabólicos de lipídios e proteínas.
A alternativa B está errada, porque a função de catalisar reações é das enzimas.
A alternativa C está certa. Dentre as várias funções que a água possui estão a proteção e
formação de fluidos corporais. O líquido cefalorraquidiano que protege as meninges (membranas
que revestem o sistema nervoso) é constituído majoritariamente de água.
A alternativa D está errada, porque a denominação de solvente universal é um título genérico
da água utilizado pelos biólogos, já que a maioria das reações químicas dos organismos acontecem
em meio aquoso. Mas ela não dissolve, por exemplo os lipídios.
Gabarito: C.

22. (IFCE/2016)
Sobre as proteínas e sua formação, é correto afirmar-se que
a) leite, ovos e pão são reconhecidos como alimentos ricos em proteínas.
b) as ligações peptídicas, que formam as proteínas, ocorrem entre os grupos carboxila de
aminoácidos diferentes.
c) são formadas pela união de vários aminoácidos por meio de ligações glicosídicas.
d) não apresentam função energética.
e) apresentam função plástica, também conhecida como função construtora.
Comentários
A alternativa A está errada, porque somente o leite e os ovos são ricos em proteínas. O pão
é um alimento rico em carboidratos.
A alternativa B está errada, porque as ligações peptídicas entre os aminoácidos ocorrem
entre o grupo amino de um aminoácido e o grupo carboxila do outro aminoácido vizinho.
A alternativa C está errada, porque as ligações formadas entre os aminoácidos são ligações
peptídicas, não glicosídicas. As ligações glicosídicas ocorrem entre os monossacarídeos (monômeros
que formam os carboidratos).
A alternativa D está errada, porque as proteínas possuem função energética, além de várias
outras.
A alternativa E está certa e é o nosso gabarito.
Gabarito: E.

23. (IFCE/2015)
A vida depende do ciclo da matéria e do fluxo de energia, assim os organismos vivos
dependem da alimentação, para adquirir os componentes químicos necessários como matéria-

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prima para produção de outras substâncias e como fonte de energia. Sobre a química da vida,
é correto afirmar-se que
a) as proteínas exercem diversas funções nos organismos, no entanto não estabelecem
função estrutural.
b) a água é a substância mais abundante nos seres vivos, estando relacionada com os
processos de regulamentação da temperatura corpórea, dissolução de moléculas e síntese de
moléculas por meio da entrada de água na reação.
c) as vitaminas são substâncias inorgânicas necessárias em pequenas quantidades pelo
organismo.
d) os lipídios são compostos inorgânicos reconhecidos pela sua insolubilidade em água,
porém importantes, pois funcionam como primeira fonte energética para o organismo.
e) é fundamental incluir carboidratos na dieta, uma vez que estes compostos orgânicos são
as principais fontes de energia do organismo.
Comentários
A alternativa A está errada, porque uma das várias funções das proteínas é justamente a
estrutural.
A alternativa B está errada, porque a água sintetiza moléculas a partir de reações de
desidratação.
A alternativa C está errada, porque as vitaminas são substâncias orgânicas.
A alternativa D está errada, porque os lipídios são compostos orgânicos, reconhecidos pela
sua insolubilidade em água e que funcionam como fonte secundária de energia para o organismo.
As fontes primárias são os carboidratos.
A alternativa E está certa.
Gabarito: E.

24. (FATEC SP/2014)


Mapas conceituais são diagramas que organizam informações sobre um determinado
assunto por meio da interligação de conceitos através de frases de ligação. Os conceitos
geralmente são destacados por molduras e são utilizadas setas para indicar o sentido das
proposições. O mapa conceitual a seguir refere-se à relação entre cromossomos e proteínas, e
nele quatro conceitos foram omitidos.

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Os conceitos I, II, III e IV podem ser substituídos, correta e respectivamente, por


a) RNA, DNA, aminoácidos e nucleotídeos.
b) RNA, DNA, nucleotídeos e aminoácidos.
c) DNA, RNA, nucleotídeos e aminoácidos.
d) DNA, RNA, monossacarídeos e aminoácidos.
e) DNA, RNA, monossacarídeos e nucleotídeos.
Comentários
Vamos analisar o mapa conceitual apresentado. Cromossomos são o nosso material genético.
Eles consistem em uma molécula de DNA (I) de cadeia dupla altamente condensada, formada por
uma sequência de nucleotídeos (III). Os nucleotídeos são, portanto, os monômeros (as menores
unidades repetitivas) que constituem o polímero que é a molécula de DNA. Já o RNA é formado por
uma cadeia simples de nucleotídeos e não constituem cromossomos.
Cada nucleotídeo é composto por um açúcar, um grupo fosfato e uma base nitrogenada, que
no DNA pode variar em quatro tipos: A, T, C, G. Na molécula de RNA, a base T (timina) é substituída
pela base U (uracila).
A porção do material genético (cromossomo) que efetivamente transmite uma informação é
chamada de gene. Mas essa informação precisa ser processada para que possa ser transmitida à
célula. Primeiro, o gene é transcrito em RNAm (II). Depois, esse RNAm é traduzido em proteína (no
ribossomo). A proteína é o produto que de fato dá as ordens ao organismo para que as atividades
sejam executadas.
Proteínas são polímeros formadas por aminoácidos (IV). Esses polímeros são chamados de
polipeptídios.
As especificidades do material genético e da transmissão da informação genética serão vistas
na aula de Biologia celular 03 – Núcleo. No entanto, com base no que vimos sobre a composição
química dos ácidos nucleicos e das proteínas, você conseguiria gabaritar esta questão.
Gabarito: C.

25. (FATEC SP/2014)

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Assim como qualquer atleta, um jogador de futebol deve tomar muitos cuidados em
relação à sua dieta e hábitos alimentares, pois o que ele ingere no dia a dia fará grande
diferença para o rendimento nos treinos, para a recuperação do corpo e nos dias de jogo.
Se o jogador não se organizar em relação à sua dieta e suplementação, poderá perder
força, rendimento e velocidade dentro do campo.
Uma alimentação balanceada deve apresentar alguns itens, como:
I. Carboidratos
II. Proteínas
III. Gorduras
IV.Vitaminas e Minerais
(http://www.anutricionista.com/como-deve-ser-o-cardapio-de-um-jogador-de-futebol.html
Acesso em: 14.02.2014. Adaptado)

Considerando os quatro itens mencionados no texto, assinale a alternativa que exemplifica


cada um deles, respectivamente.

Comentários
Os carboidratos são compostos orgânicos conhecidos como açúcares, constituídos
principalmente por átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio. Quando estão em sua forma mais
simples (monossacarídeos), possuem a fórmula geral (CH2O)n. A glicose é o carboidrato mais

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conhecido e consiste em um açúcar de seis carbonos, com fórmula C 6H12O6. Dica da prof: memorize
esta fórmula!
As proteínas são as unidades fundamentais das células e desempenham a maior parte dos
trabalhos celulares. Elas são constituídas por unidades menores chamadas aminoácidos. Os
aminoácidos compartilham uma estrutura básica que consiste em um átomo de carbono central,
ligado a um grupo amino (NH2), a um grupo carboxila (COOH) e a um átomo de hidrogênio.

As gorduras têm como característica principal a insolubilidade em água. As mais comuns são
os glicerídeos, compostos por moléculas de glicerol ligadas a uma, duas ou três moléculas de ácidos
graxos. O glicerol é um álcool composto de três átomos de carbono, aos quais estão unidos átomos
de hidrogênio e de oxigênio. Já os ácidos graxos apresentam longas cadeias compostas por átomos
de hidrogênio e de carbono e com um grupo carboxila (COO-) em uma extremidade.

Já os sais minerais são íons inorgânicos da célula. O Ferro, por exemplo, é o principal
componente da hemoglobina. Já o sódio é importante para a transmissão nervosa, contração
muscular e equilíbrio de fluidos no organismo.
Gabarito: E.

26. (MACKENCIE/2012)
A restrição excessiva de ingestão de colesterol pode levar a uma redução da quantidade
de testosterona no sangue de um homem. Isso se deve ao fato de que o colesterol
a) é fonte de energia para as células que sintetizam esse hormônio.
b) é um lipídio necessário para a maturação dos espermatozoides, células produtoras desse
hormônio.
c) é um esteroide e é a partir dele que a testosterona é sintetizada.
d) é responsável pelo transporte da testosterona até o sangue.
e) é necessário para a absorção das moléculas que compõem a testosterona.
Comentários
A alternativa A está errada, porque o colesterol não é fonte de energia para formação dos
hormônios e sim a molécula precursora de alguns, dentre os quais a testosterona.

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A alternativa B está errada, porque os espermatozoides não produzem testoresona, e sim


célula específicas localizadas nos testículos (chamadas células de Leydig).
A alternativa correta é a letra C e é o nosso gabarito. O colesterol é um lipídio esteroide e
precursor dos hormônios sexuais.
As alternativas D e E estão erradas, porque o colesterol não está relacionado com o
transporte da testosterona e sim com a sua síntese.
Gabarito: C.

27. (ENEM/2010)
Alguns fatores podem alterar a rapidez das reações químicas. A seguir, destacam-se três
exemplos no contexto da preparação e da conservação de alimentos:
1. A maioria dos produtos alimentícios se conserva por muito mais tempo quando submetidos
à refrigeração. Esse procedimento diminui a rapidez das reações que contribuem para a
degradação de certos alimentos.
2. Um procedimento muito comum utilizado em práticas de culinária é o corte dos alimentos
para acelerar o seu cozimento, caso não se tenha uma panela de pressão.
3. Na preparação de iogurtes, adicionam-se ao leite bactérias produtoras de enzimas que
aceleram as reações envolvendo açúcares e proteínas lácteas.
Com base no texto, quais são os fatores que influenciam a rapidez das transformações
químicas relacionadas aos exemplos 1, 2 e 3, respectivamente?
a) Temperatura, superfície de contato e concentração.
b) Concentração, superfície de contato e catalisadores.
c) Temperatura, superfície de contato e catalisadores.
d) Superfície de contato, temperatura e concentração.
e) Temperatura, concentração e catalisadores.
Comentários
A afirmativa I está certa. A diminuição da temperatura reduz a degradação dos alimentos.
A afirmativa II está certa. O corte dos alimentos diminui a superfície de contato entre as
moléculas, aumentando a probabilidade de choque entre elas com o progressivo aumento da
temperatura de cozimento. Logo, os alimentos são cozidos maus rapidamente.
A afirmativa III está certa. As enzimas são catalisadores de reação, ou seja, diminuem a
energia de ativação necessária para que determinadas reações aconteçam.
Portanto, são fatores que aceleram a velocidade das reações químicas celulares o aumento
da temperatura, o aumento da superfície de contato e a presença de enzimas.
Gabarito: C.

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10. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Pessoa querida,
Esta aula tratou dos fundamentos da Biologia. Vimos o que é vida, como ela surgiu e qual a
origem das células, a unidade fundamental dos seres vivos. Além disso, estudamos a composição
química das células, um importante paras as aulas que virão a seguir. É importante estudar com
carinho esse conteúdo inicial, pois os conceitos vistos aqui o acompanharão por todo o nosso curso.

Não se esqueça de fazer revisões contínuas para não esquecer nada. E não se
esqueça do Fórum de Dúvidas! Eu estou sempre de olho nas perguntas que
chegam. Não guarde nenhum questionamento só para você, ok?

Agora você merece um descanso.


Recarregue as energias para nos encontrarmos na próxima aula!

Forte abraço,
Bruna Klassa

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11. REFERÊNCIAS

ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 6ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R. Biologia das células: origem da vida, citologia e histologia, reprodução
e desenvolvimento. 2ª ed. São Paulo: Moderna, 2004.
CARVALHO, H. & RECCO-PIMENTEL, S.M. A célula. 3ª ed. Barueri: Manole, 2013.DAMINELI, A;
DAMINELI, DSC. Origens da vida. Estudos avançados, 21 (59): 263 - 284. 2007.ENCICLOPÉDIA
BRITÂNICA. Disponível em http://britannica.com.br/ Acesso em: 18 de março de 2019.
JUNQUEIRA, L.C. & CARNEIRO, J. Histologia básica. 12ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
LOPES, S. & ROSSO, S. Conecte Bio – volume único. 1ª ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2014.
PAULINO, W.R. Biologia – volume único (Série Novo Ensino Médio), 8ª ed. São Paulo: Editora Ática,
2002.
SHUTTERSTOCK. https://www.shutterstock.com/

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