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Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS

Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica

Tópicos de radiação solar

2º. semestre, 2017


Radiação

Radiação é a energia eletromagnética propagada através do


espaço, na velocidade da luz. O espectro da radiação
eletromagnética é dividido em bandas de comprimentos de
ondas, como representado na figura abaixo:

Essa relação é dada por:


C
C = o = λν
n

onde C é a velocidade da luz no meio; Co é a


velocidade da luz no vácuo, igual a 2,998x108
m/s; n é o índice de refração do meio; λ é o
comprimento de onda, µm e ν a frequência,
Hz.

2
Radiação

Em termos de teoria quântica, a radiação é entendida como


pacotes discretos de energia, chamados de fótons ou quanta.
Assim, a energia é dada por:

C hC
Como C = λν → ν = E = hν =
λ λ

onde h é a constante de Planck, igual a 6,625x10-34 J.s.


Como h e C são constantes, a energia é então inversamente
proporcional ao comprimento de onda.

3
Radiação térmica

É a porção do espectro eletromagnético que se estende desde 0,1 até 100 µm,
caracterizada como a radiação emitida por um corpo em função de sua
temperatura.

4
Faixa de interesse: 0,29 até 25 µm (IV próximo)
Radiação de corpo negro

Um corpo com temperatura acima do zero absoluto emite radiação em


todas as direções, em quase todos os comprimentos de onda. Essa
radiação é função do material e da condição da superfície, bem como de
sua temperatura.

Um corpo negro é definido como um emissor e absorvedor perfeito da


radiação. Além disso, emite radiação uniformemente em todas as
direções (emissor difuso).

5
Radiação de corpo negro

A energia radiante emitida por um corpo negro, por unidade de


tempo e por unidade de área superficial, é dada pela equação de
Stefan-Boltzmann:

Eb = σT 4 (W/m 2 )
onde σ é a constante de Stefan-Boltzmann, igual a 5,67x10-8
W/m2K4 e T a temperatura absoluta.

6
Radiação de corpo negro – Equação de Planck

A potência emissiva espectral do corpo negro é dada por:

Eb ,λ ( T ) =
C1
(W/m 2µm)
λ5 exp C2 λT  − 1
   

onde C1 = 2πhCo2 = 3,742x108 W/µm4.m2


e C2 = hCo/k = 1,439x104 µm.K
sendo k = 1,3805x10-23 J/K, que é a const. de Boltzmann.
C1 e C2 são chamados de 1a. e 2a. constante de Plank.
Essa equação é válida para uma superfície no vácuo ou em um
gás. Para outras condições o termo C1 deve ser substituído por
C1/n2. 7
Radiação de corpo negro

A medida que a temperatura aumenta,


o pico da curva desloca-se para
comprimentos de ondas menores. O
comprimento de onda onde acontece o
pico da intensidade de radiação de um
corpo negro, para uma dada
temperatura, é dado pela lei do
deslocamento de Wien:

(λT )pot. máxima = 2897,8 µm.K


ou

λmax =
2897 ,8
[µm]
T
Lembrando que para a maioria das
aplicações em engenharia:

Eb ( T ) = ∫0 Eb ,λ ( T )dλ = σT 4
8
Radiação de corpo negro

A mesma informação da figura anterior é mostrada na fig. abaixo, mas


na ordenada é representada a energia em uma escala normalizada linear
(potência emissiva espectral em relação à potência máxima, na mesma
temperatura), a qual mostra claramente a relação entre temperatura e
comprimento de onda.

9
Troca de radiação infravermelha entre superfícies cinzas

A transferência de calor por radiação entre duas superfícies em


função de suas temperaturas é determinada à partir das seguintes
hipóteses:
A superfície é cinza (as propriedades da radiação são
independentes do comprimento de onda);
A superfície é difusa;
A temperatura da superfície é uniforme;
A energia incidente sobre a superfície é uniforme.

10
Troca de radiação infravermelha entre superfícies cinzas

A maioria dos problemas de transferência de calor em aplicações


de energia solar se reduz à troca entre duas superfícies difusas.

T1 > T2

Q1 = -Q2 =
(
σ T24 − T14 )
1 − ε1 1 1− ε2
+ +
ε1 A1 A1F12 ε 2 A2

onde T são as temperaturas, ε a emissividade, A as áreas e F12 o


fator de forma entre as duas superfícies.

11
Troca de radiação infravermelha entre superfícies cinzas

Para o caso específico de um coletor solar plano, as duas


superfícies são paralelas e possuem a mesma área (A1 = A2=A).
Além disso, o fator de forma F12 é unitário. Assim:

T1 > T2

Q1 = -Q2 =
(
A1σ T24 − T14 )
A1 (1 − ε1 ) A1 A1 (1 − ε 2 )
+ +
ε1 A1 A1F12 ε 2 A2

Q=
(
A1σ T24 − T14 )
1 1
+ −1
ε1 ε 2 12
Troca de radiação infravermelha entre superfícies cinzas

Outro caso é quando um pequeno objeto convexo (superfície 1) é


cercado por um grande envoltório (superfície 2). Nessas
condições, A1/A2 → 0 e o fator de forma F12 é unitário. Assim:

Q1 = -Q2 =
(
A1σ T24 − T14 )
A1 (1 − ε1 ) A1 A1 (1 − ε 2 )
+ +
ε1 A1 A1F12 ε 2 A2

Q1 =
(
A1σ T24 − T14 ) (
Q1 = ε1 A1σ T24 − T14 )
1 ε1
− +1+ 0 13

ε1 ε1
Radiação do céu

Um coletor solar troca radiação com céu em virtude da diferença


de temperaturas. O céu pode ser considerado um corpo negro em
uma dada temperatura equivalente do céu, Ts, trocando calor
conforme a equação anterior.

(
Q = εAσ T 4 − Ts4 )

[ 2
Ts = Ta 0,711 + 0,0056Tdp + 0 ,000073Tdp + 0 ,013 cos(15t ) 4] 1

onde Ts e Ta são temperaturas, em Kelvin, Tdp é temperatura de


orvalho, em °C e t o tempo, em horas, a partir da meia-noite.
14
Radiação do céu

15
Coeficiente de transferência de calor por radiação

Para manter a simplicidade das equações lineares, é conveniente


definir um “coeficiente de transferência de calor por radiação”,
hr. Considerando o caso de duas superfícies arbitrárias:

Q=
(
σ T24 − T14 ) Q = A1hr (T2 − T1 )
1 − ε1 1 1− ε2
+ +
ε1 A1 A1F12 ε 2 A2

(T2
4
) ( )(
− T14 = T22 − T12 T22 + T12 ) e (T2
2
) ( )(
− T12 = T2 + T1 T2 − T1 )

σ (T22 − T12 )(T2 − T1 )(T2 + T1 )


= A1hr (T2 − T1 )
1 − ε1 1 1− ε2
+ +
ε 1 A1 A1F12 ε 2 A2
hr =
( )
σ T22 − T12 (T2 + T1 )
1 − ε1
+
1
+
(1 − ε 2 )A1
ε1 F12 ε 2 A2 16
Convecção natural entre duas placas planas

→ Correlação a 3 parâmetros:

Nusselt →
hL
Nu = L
k

forças de flutuação gβ ′∆TL3


Rayleigh → Ra = =
forças viscosas υα
β’ → coeficiente volumétrico de expansão (para um gás ideal):

1
β′ =
T
k
Difusividade térmica → α=
ρc p
17
Convecção natural entre duas placas planas

Para placas paralelas, o Nu é a relação entre uma resistência de


condução pura e a resistência à convecção, isso é:

(L )
Nu = k =
hL
1 k
h

Assim que, se Nu = 1 → condução pura


Correlações:
+
 1708(sen1,8β +  1 
)1,6   1708  
+ 
Ra cos β  3
Nu = 1 + 1,44 1 −  1 −   − 1
 Ra cos β   Ra cos β   5830  
 
onde β é a inclinação do coletor.
O expoente “+” significa que será considerado somente os termos
[ ] positivos. Para valores negativos [ ] = 0 18
Convecção natural entre duas placas planas

gβ ′∆TL3
Ra =
υα 19
Convecção natural em tubos cilíndricos concêntricos

 1 
keff   Pr Ra  4 
* 2πkeff
= máx 1; 0,386  pois : q = ⋅ (Ti − To )
k  0 ,861 + Pr   ln( Do Di )
   

4
ln Do  L característico
  Di 
Ra* = RaL
−3 5
−3 
3 
L Di 5 + Do 5  Do
  L
 
Di

υ visc. cinemática
Pr = =
α difusividade térmica 20
Transferência de calor no escoamento interno
Para escoamento turbulento completamente desenvolvido dentro de tubos, pode-se
utilizar a eq. de Gnielinsky, válida para a faixa de 2300 <Re<5x106 e 0,5<Pr<2000:

(f / 8)(Re − 1000 ) Pr
n
 µ 
Nu =  
 2  µ
1,07 + 12 ,7 f / 8  Pr 3 − 1  w 
 
onde f é o fator de atrito (Darcy) e Re é o número de Reynolds, dados por:

f = (0 ,79 ln Re− 1,64)−2

ρVDh VDh 4m&


Re = = =
µ ν πDh µ
nessas equações, ρ é a massa específica do fluido, V a velocidade média de
escoamento, µ a viscosidade dinâmica, ν a viscosidade cinemática e Dh o diâmetro
hidráulico, dado por:  πD 2 
4 
4(área de escoamento ) Para um canal circular (D)  4 
Dh =
Dh =  =D 21
perímetro molhado
πD
Transferência de calor no escoamento interno
O termo mais a direita da eq. do Nu é utilizado no caso de fluidos viscosos onde µw é
a viscosidade dinâmica tomada na temperatura da parede. O expoente n é igual a
0,11 para aquecimento e igual a 0,25 para resfriamento.

(f / 8)(Re − 1000 ) Pr
n
 µ 
Nu =  
 2  µ
1,07 + 12 ,7 f / 8  Pr 3 − 1  w 
 

Para escoamento laminar e completamente desenvolvido, Nu = 3,7 para o caso de


temperatura da parede constante e Nu=4,4 para fluxo de calor constante. Na prática,
para o caso de coletores solares, o desempenho térmico teórico situa-se entre os dois
casos e é recomendado então utilizar a condição de temperatura de parede constante
pois é mais conservativa (Nu menor).

Obs.: as propriedades são tomadas na temperatura média do escoamento (Tm).

22
Efeito do vento sobre a cobertura do coletor

O coeficiente de transferência de calor entre a cobertura e o meio externo, pelo


efeito do vento, pode ser dado por diversas correlações empíricas, como por
exemplo:

 8,6V 0 ,6 
hc = max 5;
L = 3 volume da casa [m]

 L0 ,4
 V = velocidade do vento, m/s

ou
1
0 ,5
Nu = 0 ,86 Re Pr 3

ou
Tirando o efeito da
radiação
h = 5,7 + 3,8V h = 2 ,8 + 3,0V

23
Radiação em materiais opacos

A maioria dos materiais encontrados são opacos à radiação térmica e a radiação


então é considerada um fenômeno de superfície. Outros materiais, vidro, água,
etc., permitem a penetração da radiação visível e são considerados como
semitransparentes, pois são praticamente opacos à radiação IV. Já os materiais
poliméricos (PET, policarbonato, etc.) apresentam picos de transmissão para
alguns comprimentos de onda.

Emissividade:

Emissividade direcional monocromática de uma superfície é a relação entre a


intensidade monocromática emitida pela superfície em uma direção particular e
a intensidade monocromática emitida por um corpo negro, na mesma
temperatura, em todas as direções

I λ (µ ,φ )
ε λ ( µ ,φ ) =
I bλ
µ = cosθ 24
Radiação em materiais opacos

Integrando sobre todo hemisfério e em todos os comprimentos


de onda, a solução fica:

∫ ε λ ( T )Ebλ ( T )dλ
E (T )
ε(T ) = 0 =
Eb (T ) σT 4

25
Radiação em materiais opacos

Emissividade ou emitância:

Eb ,λ ( T ) =
5 
C1
C  
(W/m 2µm)
λ exp λT  − 1
2
   
Emitância


∫ ε λ ( T )Ebλ ( T )dλ
E (T )
ε(T ) = 0 =
Eb (T ) σT 4
Emissividade (propriedade) 26
Propriedades da radiação

A absortividade monocromática direcional é uma propriedade de


superfície e é definida como a fração da radiação incidente em
um comprimento de onda λ, na direção (µ, ϕ) onde µ é o cosseno
do ângulo polar e ϕ o ângulo azimutal, que é absorvida pela
superfície, isso é:

I λ ,a (µ ,φ )
α λ ( µ ,φ ) =
I λ ,i (µ ,φ )
Se a absortividade monocromática direcional for independente
da direção:

∫ α λ q λ ,i d λ
α = 0
q λ ,i d λ
27

onde qλ,i é a energia radiante monocromática incidente.


Lei de Kirchhoff

Considerando um balanço térmico, pode-se afirmar que:


Invólucro isolado do meio, a T=const.:

αq = εEb
ε (µ ,φ ) = α (µ ,φ )
→ e α(µ,ϕ) é uma propriedade da superfície.

Se a superfície não apresentar dependência do ângulo azimutal,


do ângulo polar e nem do comprimento de onda, então:

ε =α
28
Propriedades da radiação

29
Refletividade de superfícies

Considerando a distribuição espacial da radiação refletida por


uma superfície.

Em geral, a magnitude da intensidade refletida por uma


superfície em uma direção particular é uma função do
comprimento de onda e da distribuição espacial da radiação
incidente.
πI λ ,r (µ r ,φr )
ρ λ ( µ r ,φr , µi ,φi ) = lim
{
∆ω →0 I λ ,i µi ∆ωi
i
30
Refletividade de superfícies

Em termos de energia, a refletividade pode ser definida como:


qλ ,r
ρλ =
qλ ,i

A refletividade hemisférica é obtida integrando-se a equação


acima em todos os comprimentos de onda. Assim:


∫ qλ ,r dλ
qr 0
ρ= =
qi ∞
∫ qλ ,i dλ
0

31
Propriedades da radiação

Considerando a energia incidente em uma superfície, por unidade de


área e por unidade de tempo (G):
Rad. absorvida Gabs
Absortividade: α = =
Rad. incidente G

Rad. refletida Gref


Refletividade: ρ = =
Rad. incidente G

Rad. transmitida Gtr


Transmissividade: τ = =
Rad. incidente G

32
Propriedades da radiação

Assim:
G = Gabs + G ref + G tr
Dividindo-se a expressão acima por G:
Para superfícies
1 = α + ρ +τ semi transparentes

Para superfícies
1=α + ρ opacas → τ = 0

α, ρ e τ são consideradas propriedades médias. Entretanto, como foi


dito antes, são propriedades espectrais. Assim:
Gλ , abs Gλ , ref Gλ ,tr
αλ = ρλ = τλ =
Gλ Gλ Gλ
Pela Lei de Kirchhoff, para um corpo negro →
ε (T ) = α (T ) ⇒ ε λ (T ) = α λ (T ) 33
Superfícies seletivas

Para um coletor solar térmico é desejável elevada absortividade da


radiação no espectro solar e baixa emissividade para ondas longas,
evitando assim perdas por transferência de calor por radiação.
98% da radiação emitida pelo Sol é até 3 µm enquanto apenas 1% da
radiação emitida por um corpo negro a 200 ºC é menor que 3 µm.
Nesse caso é necessário buscar-se superfícies que possuam elevada
absortividade solar e baixa emissividade em ondas longas, que são
chamadas “superfícies seletivas”.
Superfície semi-cinza idealizada Coletores planos apresentam temperaturas da
superfície menores que 200 °C enquanto que
a temperatura efetiva do Sol é de ≈ 6000 K.
ελ = αλ = 1- ρλ
ρλ = 1-ελ = 1-αλ

98% da radiação solar extraterrestre está em


comprimentos de onda menores que 3 µm
ρλ = 0,95 enquanto que apenas 1% da radiação de corpo
negro de uma superfície a 200 °C é para
ρλ = 0,10 comprimentos de onda menores que 3 µm.
λc = 3µm

λ
αλ = 1- ρλ 34
Superfícies seletivas

Mecanismos de seletividade:

Coberturas que possuem elevada absortividade para radiação solar são aplicadas
sobre substratos de baixa emissividade.
A maioria dos materiais de cobertura usados são óxidos metálicos e os substratos
também são metálicos.

Por exemplo: óxidos de cobre sobre alumínio, óxidos de cobre sobre cobre,
sulfetos de níquel, etc.

Superfície α ε
Alumínio 0,09 0,03
Cobre 0,05 0,04

Óxido Ni preto 0,92 0,08


Cromo preto 0,97 0,09

35
Superfícies seletivas

36
Superfícies seletivas

PVD (Physical Vapor Deposition) é um processo de deposição de um metal de


alta pureza sob um substrato através de um processo de evaporação térmica ou
através de bombardeio de íons (sputtering), realizado sob vácuo a temperaturas
entre 150 e 500 ºC.
Ao mesmo tempo, um gás reativo (nitrogênio ou outro gás contento carbono) é
introduzido, formando um composto com o vapor metálico, depositando-se no
substrato.

37
Superfícies seletivas

1. Argon
2. Reactive gas
3. Planar magnetron evaporation source (coating material)
4. Components 38
5. Vacuum pump
Outros mecanismos de aumentar a α

Uso de estruturas ranhuradas: Exemplos de células solares de Si

39
Transmissão da radiação em meio semitransparente

A transmissividade, absortividade e refletividade são funções da


radiação incidente, espessura do material, índice de refração e do
coeficiente de extinção do material, sendo os dois últimos função do
comprimento de onda da radiação, mas que na maioria das aplicações
são considerados independentes de λ.
O índice de refração n e o ângulo da radiação incidente, θ, estão
relacionados através da Lei de Snell:

n1senθ1 = n2 senθ 2
Ii Ir
θ1
n1

n2
θ2 It

40
Transmissão da radiação em meio semitransparente

n1 = 1 → ar e n2 = 1,33 → água

41
Transmissão da radiação em meio semitransparente

Na verdade, essa lei define: onde VL1 e VL2 são as velocidades da


onda longitudinal nos materiais 1 e 2.
VL1 VL1’
θ1 Como:
C
n1 n≡
υ fase
n2
θ2 sendo vfase a velocidade e
VL2
senθ1 senθ 2
=
VL1 VL 2
Substituindo:

senθ1 senθ 2
= n1senθ1 = n2 senθ 2
C C
n1 n2 42
Transmissão da radiação em meio semitransparente

Para uma radiação não polarizada, passando do meio 1 para o meio 2, a


reflexão da radiação é dada por:

sen 2 (θ 2 − θ1 )
r=
sen 2 (θ 2 + θ1 )

tan 2 (θ 2 − θ1 )
r= Por Fresnel
tan 2 (θ 2 + θ1 )

Ir r+r
r= =
Ii 2

43
Transmissão da radiação em meio semitransparente

Para um ângulo de incidência normal θ1 =0 e θ2 =0. Assim:

r (0 ) =
Ir
=
(n1 − n2 )
Ii (n1 + n2 )
E quando um dos meios é o ar (n≈1):

r (0 ) =
Ir
=
(n1 − 1)
Ii (n1 + 1)

44
Transmissão da radiação em meio semitransparente

Para aplicações de energia solar e desprezando a absorção pela


cobertura:

1 r (1-r)2r

Vidro
(1-r) (1-r)r

(1-r)2

(1-r)-(1-r)r = (1-r)-(r-r2) = 1-2r+r2=(1-r)2

45
Transmissão da radiação em meio semitransparente

Somando os termos transmitidos para a radiação não polarizada, para a


componente perpendicular:

τ = (1 − r )2 ∑
∞ (1 − r )2
1− r
n =0
r 2n =
(1 − r 2 ) =
1+ r
A mesma expansão é feita para a componente paralela e a transmissividade
para a radiação refletida média para ambas as componentes é dada por:

1 1− r 1− r 
τr =  + 
2 1+ r 1+ r 

onde o sub-índice r indica que foi considerado apenas as perdas por


reflexão.
46
Transmissão da radiação em meio semitransparente

A transmissividade solar para vidros não absorvedores tendo um índice


de refração igual a 1,526, no espectro solar, para todos os ângulos de
incidência, é apresentado abaixo:

47
Absorção pela cobertura

A absorção da radiação por um meio semi-transparente é descrita pela


lei de Bouguer, baseada na hipótese que a radiação absorvida é
proporcional a intensidade local no meio e a distância x percorrida pela
radiação no meio:
dI = − IKdx
onde K é uma constante de proporcionalidade, chamada de coeficiente
de extinção. Integrando a eq. acima no percurso percorrido pela
radiação (0 até L/cos θ2) → o sub a lembra que apenas perdas de
absorção foram consideradas :
I transmitida  KL 
τa = = exp − 
θ1 I incidente  cos θ 2 

L θ2 x

L L
cos θ 2 = ⇒x=
x cos θ 2 48
Absorção pela cobertura

Índices de refração para alguns materiais utilizados para cobertura de


coletores solares é apresentado na tabela abaixo:

Material de cobertura n médio Coeficiente de extinção, K, m-1


Vidro 1,526 4 a 32
Polimetil metacrilato 1,49 8,8
Fluoreto de polivinil (Tedlar) 1,46 140
Policarbonato (Lexan) 1,586 22,5
Fluoreto de polivinilideno (Kynar) 1,413 137,5
Fonte: O`Brien-Bernini (1984)

49
Absorção pela cobertura

50
Transmitância pela cobertura

A transmissividade da cobertura do coletor pode ser simplificada em


função da ordem de grandeza dos diversos termos como:

τ ≅τa τr
A absortividade de uma cobertura de coletor solar pode, então, ser
aproximada por:
α ≅ 1−τ a
A refletividade de uma cobertura simples pode ser encontrada através
de:

ρ = 1 − α − τ ≅ τ a (1 - τ r ) = τ a - τ

51
Transmissividade da radiação difusa

A análise anterior aplica-se somente para a componente direta da


radiação solar. Como a distribuição angular da radiação difusa não é
claramente definida, a integração da radiação difusa transmitida em
todos os ângulos é de difícil execução.
De uma forma simples se poderia utilizar a integração do modelo
isotrópico (que é independente do ângulo de incidência). A apresentação
dos resultados é simplificada definindo-se um ângulo equivalente para a
radiação direta que fornece a mesma transmissividade da radiação
difusa.
Para uma ampla faixa de aplicações esse ângulo é igual a 60°.

52
Transmissividade da radiação difusa

Como os coletores solares estão geralmente inclinados β graus em


relação a horizontal, eles “vêem” tanto o céu quanto o chão.
Considerando esses dois componentes como isotrópicos e integrando a
transmissividade direta para um ângulo de incidência apropriado, pode-
se encontrar os valores da transmissividade da componente difusa.
Como exemplo:

Ângulo efetivo da refletida pelo solo

θ e,g = 90 − 0, 5788β + 0, 002693β 2

θ e,d = 59, 7 − 0,1388β + 0, 001497β 2

Ângulo efetivo da difusa

53
Produto transmissividade-absortividade

O produto (τα) é necessário para avaliar a quantidade de radiação solar


efetivamente incidente na placa de um coletor solar. Esse produto deve
ser pensado como uma propriedade da combinação cobertura-
absorvedor e não como o produto de duas propriedades.
Pela fig. abaixo, verifica-se que parte da radiação solar que passa pela
cobertura e incide na placa absorvedora do coletor é refletiva de volta
para a cobertura. Entretanto, nem toda radiação é perdida pois parte
dela retorna à placa por reflexão.

cobertura
(1-α)τρd
τ (1-α)τ
placa
absorvedora
τα τα(1-α)ρd

*ρ é a refletividade do sistema de cobertura, considerando que a radiação


d 54
incidente à partir da cobertura é difusa.
Produto transmissividade-absortividade

Para reflexões múltiplas:

∞ n
τα
(τα ) = τα ∑ [(1 − α )ρ d ] =
n =0 1 − (1 − α )ρ d

Na prática:

(τα ) ≅ 1, 01⋅ τα

55
Produto transmissividade-absortividade

A dependência de α e τ em relação ao ângulo de incidência da radiação


foi vista anteriormente. Para facilidade na determinação do produto (τα)
foi desenvolvida a figura abaixo:

56
Dependência espectral da transmissividade

A transmissividade (incluindo perdas por reflexão) de diversos vidros,


com diversos teores de óxido de ferro é apresentada abaixo:

57
Dependência espectral da transmissividade

Transmissividade do policarbonato em função do comprimento de onda:

58
Degradação da transmissividade para polímeros em função do UV

59
Degradação da transmissividade para polímeros em função do UV

Resultado da análise por FTIR comparando duas amostras de acrílico após 15 meses de exposição ao Sol.

60
Degradação da transmissividade para polímeros em função do UV

Testes de envelhecimento

• Na Fig. (a) abaixo é apresentada uma imagem do material utilizado (acrílico), de 2 mm de espessura, não
exposto ao tempo e na Fig. (b) do material exposto durante 15 meses.

(a) (b)

Figura 5. Imagem do material da cobertura (acrílico) não exposto ao tempo (a) e (b) exposto(aumento de 200x)

61
Radiação solar absorvida

Para a estimativa do desempenho de um coletor solar necessita-se


conhecer a energia absorvida pela placa do coletor. A radiação incidente
sobre a superfície do coletor pode ser determinada a partir de um dos
modelos de cálculo de radiação global inclinada vistos anteriormente e
cada parte da radiação deve ser tratada independentemente. Assim,
considerando o modelo isotrópico, a radiação absorvida pela placa
absorvedora de um coletor solar é:

 1 + cosβ   1 − cosβ 
S = I b R b (τα )b + I d (τα )d   + ρ g I (τα )g  
 2   2 
onde os sub-índices b, d e g representam, respectivamente, as
componentes direta, difusa e refletiva pelo solo.

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Radiação solar absorvida

Gbt
Gb Gbn θ s
Gbn
θz
β
O fator geométrico Rb representa a relação entre a radiação direta
incidente em uma superfície inclinada em relação a radiação direta
incidente em uma superfície horizontal.

Gbt Gbn cos θ s cos θ s


Rb = = =
Gb Gbn cos θ z cos θ z

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Radiação solar absorvida média mensal

Para estimativas de longo prazo do desempenho de sistemas solares


costuma-se utilizar valores médios mensais da radiação absorvida. Como
a transmissividade e a absortividade são funções do ângulo de incidência
da radiação solar, utiliza-se o produto transmissividade-absortividade
médio mensal:

(τ α ) = S
HT

 1 + cosβ   1 − cosβ 
S = H b R b (τ α )b + H d (τ α )d   + ρ g H (τ α )g  
 2   2 

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