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HST2

Aluno: ____________________________________________
Série: _________ Turma: _________ Data: ______

Questão 1

Leia o seguinte pensamento de J. J. Rousseau: "O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a
ferros. O que se crê senhor dos demais, não deixa de ser mais escravo do que eles. A ordem social é
um direito sagrado que serve de base a todos os outros. Tal direito, no entanto, não se origina da
natureza: funda-se, portanto, em convenções".

(Do Contrato Social, /in Os Pensadores. São Paulo, Abril Cultural.)

Assinale a alternativa que analisa corretamente o pensamento de Rousseau citado.

(A) Aproxima-se do pensamento absolutista, que atribuía aos reis o direito divino de manter a ordem
social.

(B) Filia-se ao pensamento cristão, por atribuir a todos os homens uma condição de submissão
semelhante à escravatura.

(C) Filia-se ao pensamento abolicionista, por denunciar a escravidão praticada na América, ao longo
do século XIX.

(D) Aproxima-se do pensamento anarquista, que estabelece que o Estado deve ser abolido e a
sociedade governada por autogestão.

(E) Aproxima-se do pensamento iluminista, ao conceber a ordem social como um direito sagrado que
deve garantir a liberdade e a autonomia dos homens.

Questão 2

“As metáforas da luz vitoriosa das trevas, da vida renascendo do seio da morte, do mundo
reconduzido ao seu começo são imagens que se impõem universalmente por volta de 1789.”

STAROBINSKI, Jean. 1789. Os emblemas da razão. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. p. 38.

O texto se refere à

A) independência dos Estados Unidos e sua influência no resto do mundo.


B) coroação de Luís XIV, intitulado Rei Sol e exemplo de monarca absoluto.
C) reconquista da Península Ibérica, antes tomada pelos mouros.
D) hegemonia britânica sobre os mares após o Ato de Navegação.
E) difusão dos ideais iluministas associados à Revolução Francesa.

Questão 3

Leia o texto a seguir:

A partir do século XIII, foram-se definindo por uma série de batalhas algumas fronteiras da Europa
que, no caso da França, da Inglaterra e da Espanha, permanecem aproximadamente as mesmas até
hoje. Dentro das fronteiras foi nascendo o Estado como uma organização política centralizada, cuja
figura dominante – o príncipe – e a burocracia em que se apoiava tomaram contornos próprios que
não se confundiam com os grupos sociais mesmo os mais privilegiados, como a nobreza. Esse
processo durou séculos e alcançou seu ponto decisivo entre 1450 e 1550.
Também ocorreu uma expansão geográfica da Europa cristã, antecessora em outras condições da
expansão marítima iniciada no século XV, pela reconquista de territórios ou a ocupação de novos
espaços. A península Ibérica foi sendo retomada dos mouros; o Mediterrâneo deixou de ser um 'lago
árabe', onde os europeus não conseguiam sequer colocar um barquinho; os cruzados ocuparam
Chipre, a Palestina, a Síria, Creta e as ilhas do mar Egeu; no noroeste da Europa, houve expansão
inglesa na direção do País de Gales, da Escócia e da Irlanda; no leste europeu, alemães e
escandinavos conquistaram as terras do Báltico e as habitadas pelos eslavos.

(FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: USP: Fundação para o Desenvolvimento da Educação, 1996.
p. 20.)

Com base no texto, considere as afirmativas a seguir:

I. A península Ibérica, que vivenciou a ocupação de parte de seus territórios pelos muçulmanos –
denominados mouros – deu início ao processo de formação de seu Estado com a luta dos cristãos
para a retomada dos espaços ocupados por estes habitantes de origem árabe, e que ficou conhecida
como Reconquista.

II. Um dos aspectos da colonização do continente recém-descoberto – denominado América – deveu-


se à preocupação das nações espanhola e portuguesa em relação à prática religiosa dos habitantes
nativos. Essas nações, católicas, empreenderam um processo de evangelização cristã para as
diferentes culturas indígenas que habitavam o Novo Mundo.

III. Espanhóis e portugueses, que iniciaram conjuntamente o processo de expansão marítima,


acordaram que as terras do Novo Mundo deveriam ser repartidas de maneira igualitária. A Espanha,
com sua superioridade científica e militar, tentou romper o acordo, levando tais nações à arbitragem
do Vaticano que com a bula papal João XXIII deu origem à formulação do Tratado de Tordesilhas.

IV. A Espanha finalizou seu processo de centralização do poder monárquico por volta do ano de 1492,
quando foram expulsos os últimos habitantes árabes de seu território – ainda presentes na região de
Granada. A partir de então, entrou para o ciclo das grandes navegações marítimas pelo Atlântico, que
já vinha sendo desenvolvido por Portugal.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e IV são corretas.


b) Somente as afirmativas II e III são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.

Questão 4

A respeito do Iluminismo, movimento filosófico que se difundiu pela Europa ao longo do século XVIII,
considere as seguintes afirmativas:
1. Muitos filósofos franceses, entre eles Montesquieu, Voltaire e Diderot, foram leitores, admiradores
e divulgadores da filosofia política produzida pelos ingleses, como John Locke com sua crítica ao
absolutismo.

2. Quanto à organização do Estado, os filósofos iluministas não eram contra a monarquia, mas contra
as ideias de que o poder monárquico fora constituído pelo direito divino e de que ele não poderia ser
submetido a nenhum freio.

3. A descoberta da perspectiva e a valorização de temas religiosos marcaram as expressões artísticas


durante o Iluminismo.

4. Em Portugal, o pensamento iluminista recebeu grande impulso das descobertas marítimas.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira.


b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.

Questão 5

Leia o texto abaixo:

"As nossas esperanças quanto à condição humana podem reduzir-se a estes três pontos importantes:
a destruição da desigualdade entre as nações; os progressos da igualdade num mesmo povo; e,
finalmente, o aperfeiçoamento real do homem. Irão todas as nações aproximar-se um dia do estado
de civilização a que chegaram os povos mais esclarecidos [...] tal como os franceses e os anglo-
americanos? Irá desaparecer [...] a distância que separa estes povos [...] da barbárie das tribos
africanas, da ignorância dos selvagens? [...] Respondendo a estas três perguntas encontraremos [...]
os motivos mais fortes para acreditar que a natureza não pôs nenhum limite às nossas esperanças."

(CONDORCERT. Esboço para um quadro histórico do progresso do espírito humano. In: GARDINER, P.
Teorias da história. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1995, p. 69-70.)

Com base no texto de Condorcet (1743-1794), um escritor do Século das Luzes, é CORRETO afirmar
que os iluministas:

a) acreditavam que todas as nações desfrutavam do mesmo nível de desenvolvimento intelectual e


tecnológico.

b) defenderam o ideal de liberdade e de igualdade entre os homens, assim como acreditavam que
todas as nações se encontravam no mesmo nível de civilização.
c) consideravam que a condição humana era marcada pela decadência moral, que impedia o
progresso.

d) acreditavam na ideia de progresso e foram otimistas quanto à superação dos desafios intelectuais
e tecnológicos impostos à humanidade.

Questão 6

A Idade Moderna é definida como um período que apresenta diversos elementos de ruptura com a
Época Medieval e durou aproximadamente três séculos, fase marcada por importantes
acontecimentos políticos e sociais.

Assinale a alternativa que contém características da Idade Moderna.

A) Fim do Império Romano do Ocidente, nascimento das monarquias nacionais, as Cruzadas,


estrutura econômica feudal.

B) Formação dos Estados Nacionais, fim do Império Bizantino, queda de Granada e unificação da
coroa espanhola, início da reforma protestante.

C) Congresso de Viena, Revolução Francesa e Revolução Inglesa, publicação do Manifesto do Partido


Comunista na Alemanha.

D) Revolução Industrial na Inglaterra, Imperialismo e Neocolonialismo europeu.

Questão 7

No século XVIII, alguns soberanos da Prússia, Áustria, Rússia, Itália e Península Ibérica acolheram as
ideias dos filósofos iluministas e adotaram medidas que foram chamadas de Reformismo Ilustrado ou
de Despotismo Esclarecido. Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE uma prática
adotada por esses soberanos:

a) Incentivo ao ensino acadêmico e literário, o que impediu a realização de investimentos que


aumentassem a produção agrícola e de manufaturas.

b) Adoção de medidas que favorecessem a organização racional do Estado através da modernização


de instituições administrativas e do desenvolvimento da economia nacional.
c) Implantação de reformas políticas que substituíssem o regime monárquico pelo republicano e o
voto censitário pelo voto universal no final do século XVIII.

d) Substituição de obras destinadas a drenagens de áreas alagadas e à construção de estradas por


obras que embelezassem as cidades, sob a inspiração da estética neoclássica.

Questão 8

"Nascido da dor, nutrindo-se da esperança, ele é na história o que é na poesia a saudade, uma feição
inseparável da alma portuguesa". Desta maneira, o historiador português João Lúcio de Azevedo
dimensionou a importância do sebastianismo para a cultura e para a história de seu país. Acerca
desse fenômeno é correto afirmar:

A Trata-se de uma tendência literária vinculada à poesia barroca, que influenciou fortemente a
cultura lusitana desde o início do século XVI.

B Trata-se de uma corrente da ilustração portuguesa desenvolvida no século XVIII e ligada a


Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal.

C Trata-se de uma vertente do pensamento liberal português contemporâneo baseada nas obras do
matemático José Sebastião e Silva.

D Trata-se de uma heresia protestante desenvolvida em Portugal, no século XVII, e muito difundida
nas possessões coloniais, baseada no culto a São Sebastião.

E Trata-se de uma crença messiânico-milenarista vinculada ao desaparecimento do rei dom Sebastião


no norte da África, em 1578.

Questão 9

"Quando os holandeses passaram à ofensiva na sua Guerra dos Oitenta Anos pela independência
contra a Espanha, no fim do século XVI, foi contra as possessões coloniais portuguesas, mais do que
contra as espanholas, que os seus ataques mais fortes e mais persistentes se dirigiram. Uma vez que
as possessões ibéricas estavam espalhadas por todo o mundo, a luta subsequente foi travada em
quatro continentes e em sete mares e esta luta seiscentista merece muito mais ser chamada a
Primeira Guerra Mundial do que o holocausto de 1914-1918, a que geralmente se atribui essa honra
duvidosa. Como é evidente, as baixas provocadas pelo conflito ibero-holandês foram em muito menor
escala, mas a população mundial era muito menor nessa altura e a luta indubitavelmente mundial."
Charles Boxer, O império marítimo português, 1415-1825. Lisboa: Edições 70, s.d., p.115.
Podem-se citar, como episódios centrais dessa “luta seiscentista”, a

a) conquista espanhola do México, a fundação de Salvador pelos portugueses e a colonização


holandesa da Indonésia.

b) invasão holandesa de Pernambuco, a fundação de Nova Amsterdã (futura Nova York) pelos
holandeses e a perda das Molucas pelos portugueses.

c) presença holandesa no litoral oriental da África, a fundação de Olinda pelos portugueses e a


colonização espanhola do Japão.

d) expulsão dos holandeses da Espanha, a fundação da Colônia do Sacramento pelos portugueses e a


perda espanhola do controle do Cabo da Boa Esperança.

e) conquista holandesa de Angola e Guiné, a fundação de Buenos Aires pelos espanhóis e a expulsão
dos judeus de Portugal.

Questão 10

I.
Ao longo dos séculos, o país viveu ciclos extrativistas de caráter predatório. Esvaíram-se fortunas
incalculáveis em pau-brasil, ouro, pedras preciosas, cana-de-açúcar, café e borracha.
É por isso que o momento exige um nacionalismo diferenciado. As reservas do pré-sal devem ser
mantidas nas mãos de brasileiros. “O Estado precisa ter o controle do petróleo para fazer políticas
sociais. Se o governo não fizer, quem vai fazer? A Shell, a Texaco, a Chevron?”, questiona o professor
Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As oportunidades despertaram o
interesse de todo o mundo. É evidente que o país precisa manter o relacionamento com o mercado
internacional e fazer esforços para atrair o capital estrangeiro.
Mas é importante também, neste caso, que o Estado brasileiro não abra mão de exercer o controle
sobre suas riquezas.
(COSTA; NICACIO, 2009, p. 38).

II.
Ao propor um novo modelo para explorar petróleo numa camada mais profunda do subsolo oceânico,
conhecida como pré-sal, o governo brasileiro retirou o país da companhia de democracias
desenvolvidas, como Noruega e Canadá, e encaixou-o num grupo bem menos atraente, ao lado do Irã
e Líbia. Nos países desenvolvidos, o modelo adotado é a concessão – o governo cede às empresas o
direito de exploração e recebe por isso. Nos países menos desenvolvidos, o modelo é a partilha.
(CORONATO, 2009, p. 46).

A relação entre o Estado e a economia, no Brasil, se modificou conforme a época histórica e a região.
Em alguns momentos, o controle estatal foi duramente criticado; em outros, foi considerado a solução
para a crise do capitalismo.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre as políticas econômicas dos governos, ao longo da
história, é correto afirmar:

01. Os pressupostos neoliberais adotados durante os governos Collor e FHC possibilitaram a


exploração das riquezas naturais por empresas privadas estrangeiras.

02. O regime ditatorial militar permitiu a entrada do capital estrangeiro em larga escala, a partir da
privatização das empresas estatais e da quebra do monopólio na exploração das riquezas naturais.

03. O estado de Bem-Estar Social, adotado pelo governo Vargas como meio de superação dos efeitos
da crise de 1929, contribuiu para a formação de sindicatos autônomos e para o estabelecimento de
um regime democrático, nesse período.

04. A crise do sistema colonial foi impulsionada pelo liberalismo, que defendia a autonomia e a
independência econômica da colônia, condição básica para a ampliação do mercado para os produtos
industriais norte-americanos.

05. A liberdade de produção e comércio e a adoção de uma política livre-cambista objetivaram


dinamizar a relação entre a metrópole e a colônia, pressuposto básico da política mercantilista.

Questão 11

Se há muito riso quando um partido sobe, também há muita lágrima do outro que desce, e do riso e
da lágrima se faz o primeiro dia da situação, como no Gênesis. [...] Os Iiberais foram chamados ao
poder, que os conservadores tiveram de deixar. Não é mister dizer que o abatimento de Batista era
enorme.
Batista passeava, as mãos nas costas, os olhos no chão, suspirando, sem prever o tempo em que os
conservadores tornariam ao poder. Os Iiberais estavam fortes e resolutos. D. Cláudia levantou-se da
cadeira, rápida, e disparou esta pergunta ao marido:
— Mas, Batista, você o que é que espera mais dos conservadores?
Batista parou com um ar digno e respondeu com simplicidade:
— Espero que subam.
(Adaptado de: Machado de Assis. Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, v. I. p. 1.003)

Os liberais mencionados no texto assim se denominavam por se considerarem seguidores do


liberalismo. Assinale a alternativa que apresenta alguns dos princípios e bandeiras do liberalismo.

A) Defesa do regime constitucional, respeito às liberdades individuais e aos direitos civis.

B) Apoio às organizações trabalhistas, como os sindicatos, e às organizações empresariais e as


mobilizações sociais.

C) Oposição ao poder absolutista, aos valores do Antigo Regime e ratificação das decisões tomadas
no Congresso de Viena.
(D) Repudio aos valores iluministas, às monarquias constitucionais e aos privilégios nobiliárquicos e
eclesiásticos.

(E) Estímulo à ilustração, ao despotismo esclarecido e à disseminação das ideias mercantilistas do


Antigo Regime.

Questão 12

A história da monarquia inglesa foi marcada por transformações decisivas nos séculos XVI e XVII.

Sobre tais mudanças é correto afirmar:

A. Pelo Ato de Supremacia de 1534, o monarca Henrique VIII regularizou o divórcio na Inglaterra e
dissolveu o Parlamento, consolidando assim seu poder absoluto.

B. Pelo Ato de Sucessão de 1543, o direito ao trono inglês tornava-se restrito exclusivamente aos
herdeiros masculinos.

C. Em 1651, foram promulgados os Atos de Navegação que condenavam o tráfico de escravos e


legitimavam as investidas inglesas contra navios negreiros.

D. A monarquia inglesa foi abolida em 1649, durante a revolução liderada por Oliver Cromwell, e foi
restaurada em 1660.

E. A Carta de Direitos de 1689 restabelecia os privilégios aristocráticos e o poder absolutista,


abalados desde a Revolução Puritana.

Questão 13

A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) é definida como a última grande guerra de religião da Época
Moderna.

É correto afirmar que a guerra em questão

(A) iniciou-se com a proclamação da independência das Províncias Unidas, que se separavam, assim,
dos domínios do império Habsburgo.
(B) levou ao enfraquecimento do império Habsburgo e ao estabelecimento de uma nova situação
internacional com a ascensão da França.

(C) marcou a vitória definitiva dos huguenotes sobre os católicos na França, apoiados pelo monarca
Henrique de Bourbon, desde o final do século XVI.

(D) estimulou a reação dos Estados Ibéricos que, em aliança com o papado, desencadearam a
chamada Contrarreforma Católica.

(E) caracterizou-se pelas intervenções inglesas no continente europeu, através de tropas formadas
por grupos populares enviadas por Oliver Cromwell.

Questão 14

Os africanos não escravizavam africanos, nem se reconheciam então como africanos. Eles se viam
como membros de uma aldeia, de um conjunto de aldeias, de um reino e de um grupo que falava a
mesma língua, tinha os mesmos costumes e adorava os mesmos deuses. (...) Quando um chefe (...)
entregava a um navio europeu um grupo de cativos, não estava vendendo africanos nem negros, mas
(...) uma gente que, por ser considerada por ele inimiga e bárbara, podia ser escravizada. (...) O
comércio transatlântico (...) fazia parte de um processo de integração econômica do Atlântico, que
envolvia a produção e a comercialização, em grande escala, de açúcar, algodão, tabaco, café e outros
bens tropicais, um processo no qual a Europa entrava com o capital, as Américas com a terra e a
África com o trabalho, isto é, com a mão de obra cativa.

(SILVA, Alberto da Costa e. A África explicada aos meus filhos. 2008. Adaptado.)

Ao caracterizar a escravidão na África e a venda de escravos por africanos para europeus nos séculos
XVI a XIX, o texto

(A) reconhece que a escravidão era uma instituição presente em todo o planeta e que a diferenciação
entre homens livres e homens escravos era definida pelas características raciais dos indivíduos.

(B) critica a interferência europeia nas disputas internas do continente africano e demonstra a
rejeição do comércio escravagista pelos líderes dos reinos e aldeias então existentes na África.

(C) diferencia a escravidão que havia na África da que existia na Europa ou nas colônias americanas,
a partir da constatação da heterogeneidade do continente africano e dos povos que lá viviam.

(D) afirma que a presença europeia na África e na América provocou profundas mudanças nas
relações entre os povos nativos desses continentes e permitiu maior integração e colaboração
interna.

(E) considera que os únicos responsáveis pela escravização de africanos foram os próprios africanos,
que aproveitaram as disputas tribais para obter ganhos financeiros.
Questão 15

Leia o fragmento.

(...) entre os séculos XVII e XVIII ocorreram fatos na França que é preciso recordar. Entre 1660-1680,
os poderes comunais são desmantelados; as prerrogativas militares, judiciais e fiscais são revogadas;
os privilégios provinciais reduzidos. Durante a época do Cardeal Richelieu (1585-1642) aparece a
expressão “razão de Estado”: o Estado tem suas razões próprias, seus objetivos, seus motivos
específicos. A monarquia francesa é absoluta, ou pretende sê-lo. Sua autoridade legislativa e
executiva e seus poderes impositivos, quase ilimitados, de uma forma geral são aceitos em todo o
país. No entanto... sempre há um “no entanto”. Na prática, a monarquia está limitada pelas
imunidades, então intocáveis, de que gozam certas classes, corporações e indivíduos; e pela falta de
uma fiscalização central dos amplos e heterogêneos corpos de funcionários.

(POMER, Leon. O surgimento das nações. Apud MARQUES, Adhemar et al. História Moderna através de
textos)

No contexto apresentado, entre as “imunidades de que gozam certas classes”, é correto considerar:

(A) os camponeses e os pequenos proprietários urbanos eram isentos do pagamento de impostos em


épocas de secas ou de guerras de grande porte.

(B) a burguesia ligada às transações financeiras com os espaços coloniais franceses não estava
sujeita ao controle do Estado francês, pois atuava fora da Europa.

(C) a nobreza das províncias mais distantes de Paris estava desobrigada de defender militarmente a
França em conflitos fora do território nacional.

(D) os grandes banqueiros e comerciantes não precisavam pagar os impostos devido a uma tradição
relacionada à formação do Estado francês.

(E) o privilégio da nobreza que não pagava tributos ao Estado francês, condição que contribuiu para o
agravamento das finanças do país na segunda metade do século XVIII.

Questão 16

Leia o fragmento.

Na segunda metade do século XVIII, a preocupação com o “bem governar” era um imperativo tanto
para a manutenção do monarca, de modo a que não se fortalecessem outras pretensões de
legitimidade, quanto para a conservação do próprio regime, da monarquia absolutista, pois tratava-se
de evitar que certas ideias correntes, como governos elegíveis e parlamentos poderosos, tomassem
corpo. (...)
(...) o despotismo esclarecido varia de país para país, dependendo de cada processo histórico e de
sua abertura ao movimento de ideias da ilustração (...)

(MENDES JUNIOR, Antonio et al. Brasil História: texto e consulta, volume 1, Colônia)

Sobre o fenômeno histórico em referência, no caso de Portugal, é correto considerar que

(A) o atraso econômico português gerava dependência política e militar, colocando em perigo
inclusive o império colonial português, e nesse processo ocorreram as reformas pombalinas, que
representaram um maior controle português sobre o Brasil.

(B) as autoridades monárquicas portuguesas se anteciparam às ondas revolucionárias do mundo


atlântico e criaram metas de aumento da participação das diversas classes sociais nas instâncias de
poder, o que gerou o primeiro parlamento na Europa moderna.

(C) coube ao marquês de Pombal o apontamento de um acordo estratégico com a Inglaterra,


concretizado com o Tratado de Methuen, que permitiu a independência econômica de Portugal e
regalias para a mais importante colônia lusa, o Brasil.

(D) as ideias iluministas foram abominadas pelas autoridades portuguesas, assim como pelas elites
coloniais e metropolitanas, pois representavam um forte retrocesso nas concepções de liberdade de
mercado, defendidas pelo mercantilismo.

(E) o contundente crescimento da economia de Angola, por causa do tráfico de escravos e da


produção de manufaturados, e da economia açucareira no Brasil, foram decisivos para a opção
portuguesa em transferir a sede da Coroa portuguesa para a América.

Questão 17

Considere o enunciado a seguir e as três propostas para completá-lo.

A união das Monarquias Ibéricas (1580-1640) foi a solução para uma grave crise político-dinástica em
Portugal diante da morte de Dom Sebastião, que não tinha herdeiros ao trono. Durante sessenta
anos, Portugal foi governado por monarcas da Espanha.

Esse período histórico

1 – fez com que Portugal participasse de sérios conflitos, principalmente aqueles travados pela
Espanha contra Inglaterra, França e Holanda.

2 – determinou o bloqueio econômico dos Países Baixos (Holanda), os quais foram impedidos de
comercializar seus produtos nos portos ibéricos de todo o mundo.

3 – resultou na ocupação e no estabelecimento de uma colônia holandesa no litoral nordeste do Brasil


por mais de duas décadas.

Quais propostas estão corretas?

A) Apenas 1.
B) Apenas 2.
C) Apenas 1 e 3.
D) Apenas 2 e 3.
E) 1, 2 e 3.

Questão 18

“A noção de nobre e de nobreza conserva um lugar eminente entre os valores ocidentais (...) aparece,
ao lado da nobreza de sangue, a ideia de uma nobreza de caráter, de comportamento, de virtude.”

Jacques Le Goff, As Raízes Medievais da Europa, 2007

Com base no texto, e tendo em vista o que se passava nas sociedades europeias do Antigo Regime,
pode-se afirmar que:

A) a nobreza considerava irrelevante a questão de qual critério utilizar para definir o seu
lugar privilegiado na sociedade.

B) o clero, por causa da regra do celibato, era a única ordem a favor da abolição dos
privilégios fundados no nascimento.

C) a burguesia lutava para incluir o mérito pessoal entre os critérios que deveriam constituir a elite
social.

D) os camponeses e trabalhadores urbanos, por não se sentirem afetados com essa questão, eram
indiferentes aos privilégios sociais.

E) a ordem social privilegiada era constituída por indivíduos cujas credenciais decorriam
tanto do sangue quanto do mérito.

Questão 19

“Os navios que ao longo do Danúbio se dirigem para o levante e a Crimeia tornam-se a cada dia mais
numerosos (...) A indústria e a manufatura prosperam (...) Recentemente muitas pessoas deixaram a
Alemanha, a Suécia e até mesmo a Inglaterra, onde trabalhavam nas indústrias locais, transferindo-se
aqui para trabalhar nas nossas manufaturas.” (Carta do imperador José II da Áustria a seu irmão
Leopoldo, maio de 1786) O texto apresenta:

A) uma realidade comum a toda a Europa da época, marcada pelo reformismo ilustrado e pelo
crescimento econômico.

B) uma situação típica apenas dos países em que o despotismo esclarecido foi substituído pela
política do laissez-faire.

C) o contexto muito particular da monarquia austríaca, a única que soube levar à prática os ideais do
iluminismo.

D) a competição entre as monarquias ilustradas da época, desejosas de superar o feudalismo e


implementar o capitalismo.

E) o êxito da política mercantilista dos países europeus continentais diante da política econômica
praticada pela Inglaterra.

Questão 20

O conceito de “Revolução Científica” envolve as novas concepções sobre a natureza e os métodos de


investigação das ciências naturais que predominam a partir do século XVII.
Assinale a opção que combina dois marcos da “Revolução Científica”.
(A) A teoria da evolução, de Charles Darwin, e o desenvolvimento da tabela periódica dos elementos,
por Dmitri Mendeleev.
(B) A teoria do eletromagnetismo, de James Clerk Maxwell, e as leis da hereditariedade, de Gregor
Mendel.
(C) A teoria geocêntrica de Ptolomeu e o teorema de Pitágoras.
(D) A teoria atomística de Demócrito e a medicina científica de Hipócrates.
(E) A teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico e a lei da gravitação universal, de Isaac Newton.

Questão 21

Nos séculos XVI e XVII, os conflitos religiosos se disseminaram por toda a Europa, provocando guerras
e impondo um ambiente de perseguição e fanatismo.
Diante desse contexto, o aparecimento de alternativas de paz envolveu o “princípio de tolerância”
que pode ser associado à seguinte opção:
(A) as crenças e opiniões devem ser expressas somente na intimidade.
(B) os seres humanos devem respeitar as crenças e opiniões uns dos outros.
(C) o Estado tem o dever de impedir que os seres humanos adotem crenças e opiniões falsas.
(D) a opinião verdadeira tem o direito de se impor a todos os seres humanos.
(E) a minoria deve adotar as opiniões e crenças da maioria.

Questão 22

Sobre o processo de formação dos Estados-nação na Europa e o papel atribuído à escola nesse
processo, considere as afirmativas:

1. O processo de estatização da escola desenvolveu-se de forma consensual entre os Estados e as


doutrinas religiosas que ofertavam instrução escolar.

2. O grupo dos fisiocratas, que defendia o liberalismo econômico, foi contrário ao processo de
estatização da escola.

3. A instrução pública proposta visava principalmente a um processo de construção do sentimento de


identidade nacional.

4. A necessidade de um sistema de ensino estatal devia-se, em parte, a efeitos da Revolução


Industrial sobre os Estados-nação.

5. Há um razoável consenso entre filósofos como Voltaire, Diderot, Condorcet e Rousseau de que
cabe ao Estado a função de formar cidadãos.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas 3, 4 e 5 são verdadeiras.


b) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 2, 3 e 5 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.
e) As afirmativas 1, 2, 3, 4 e 5 são verdadeiras.

Questão 23
No século XVI, a Espanha oscilava entre períodos de extrema riqueza econômica e bancarrotas
vertiginosas.
Considere as afirmações abaixo, acerca dessa oscilação.

I - A rebelião dos Países Baixos, parte integrante dos domínios imperiais dos Habsburgos, durou
oitenta anos, contribuindo para corroer as finanças espanholas.

II - A política expansionista dos Habsburgos, que incluía planos de invasão da Inglaterra com a
participação decisiva da "Invencível Armada", concorreu para as bancarrotas espanholas.

III- A entrada de capital monetário era destinada em sua quase totalidade à industrialização
espanhola, gerando deficiências crônicas na manutenção do Império.

Quais estão corretas?

(A) Apenas I.

(B) Apenas II.

(C) Apenas I e II.

(D) Apenas II e III.

(E) I, II e III.

Questão 24

O Renascimento e, posteriormente, o Iluminismo caracterizaram-se por estabelecer novos horizontes


em diversas áreas do saber.

Sobre suas semelhanças e diferenças, considere as afirmações abaixo.

I - Os dois movimentos preconizavam a razão como um meio para a compreensão dos dogmas
católicos, no intuito de recolocar a Igreja no centro da sociedade secular.

II - Enquanto o Renascimento se destacou principalmente nos planos das letras, das artes e das
ciências, o Iluminismo mostrou forte vocação filosófico-política, repercutindo nas principais revoluções
da época.

III- Ambos se destacaram por recolocar o foco do pensamento filosófico e crítico no ser humano e na
razão, sem, no entanto, deixar de abordar as questões metafísicas.

Quais estão corretas?


(A) Apenas I.

(B) Apenas II.

(C) Apenas I e III.

(D) Apenas II e III.

(E) I, II e III.

Questão 25

[...] Diderot aprendera que não bastava o conhecimento da ciência para mudar o mundo, mas que era
necessário aprofundar o estudo da sociedade e, principalmente, da história. Tinha consciência, por
outro lado, que estava trabalhando para o futuro e que as ideias que lançava acabariam frutificando.
(FONTANA, J. Introdução ao estudo da História Geral. Bauru, SP: EDUSC, 2000. p. 331.)

Com base no texto, é correto afirmar:

a) As contribuições das ciências naturais são suficientes para melhorar o convívio humano e social.

b) Ideias não passam de projetos que, enquanto não são concretizadas, em nada contribuem para o
progresso humano.

c) Diderot considerava importante o conhecimento das ciências humanas para o aprimoramento da


sociedade.

d) Para o autor, os historiadores recorrem ao passado, enquanto os filósofos questionam a própria


existência da sociedade.

e) A ciência e o progresso material são suficientes para conduzir à felicidade humana.

Questão 26

Aliás, o governo, embora seja hereditário numa família, e colocado nas mãos de um só, não é um
bem particular, mas um bem público que, consequentemente, nunca pode ser tirado das mãos do
povo, a quem pertence exclusiva e essencialmente e como plena propriedade. [...] Não é o Estado
que pertence ao Príncipe, é o Príncipe que pertence ao Estado. Mas governar o Estado, porque foi
escolhido para isto, e se comprometeu com os povos a administrar os seus negócios, e estes por seu
lado, comprometeram-se a obedecê-lo de acordo com as leis.
(DIDEROT, D. (1717-1784) Verbetes políticos da Enciclopédia. São Paulo: Discurso, 2006.)

Com base no texto, é correto afirmar:

a) Mesmo em monarquias absolutas, o soberano é responsável pelos seus súditos.


b) Ao Príncipe são concedidos todos os poderes, inclusive contra o povo de seu reino.
c) O governante é ungido pelo povo, podendo agir como bem lhe convier.
d) O povo governa mediante representante eleito por sufrágio universal.
e) Príncipes, junto com o povo, administram em prol do bem comum.

Questão 27

Leia este trecho:

“[As] camadas sociais elevadas, que se pretendem úteis às outras, são de fato úteis a si mesmas, à
custa das outras [...] Saiba ele [o jovem Emílio] que o homem é naturalmente bom [...], mas veja ele
como a sociedade deprava e perverte os homens, descubra no preconceito a fonte de todos os vícios
dos homens; seja levado a estimar cada indivíduo, mas despreze a multidão; veja que todos os
homens carregam mais ou menos a mesma máscara, mas saiba também que existem rostos mais
belos do que a máscara que os cobre.”

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou Da educação. São Paulo: Martins Fontes, 1985. p. 311.

A partir dessa leitura e considerando-se outros conhecimentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar
que o autor

a. compreende que os preconceitos do homem são inatos e responsáveis pelos infortúnios sociais e
pelas máscaras de que este se reveste.
b. considera a sociedade responsável pela corrupção do homem, pois cria uma ordem em que uns
vivem às custas dos outros e gera vícios.
c. deseja que seu discípulo seja como os homens do seu tempo e, abraçando as máscaras e os
preconceitos, contribua para a coesão da sociedade.
d. faz uma defesa do homem e da sociedade do seu tempo, em que, graças à Revolução Francesa, se
promoveu uma igualdade social ímpar.

Questão 28
O tempo, como o Mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível, que é o passado, outro inferior e
invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são
esses instantes do presente que vamos vivendo, em que o passado se termina e o futuro começa.
Desde este ponto, toma seu princípio a nossa História, a qual nos irá descobrindo as novas regiões e
os novos habitadores desse segundo hemisfério do tempo, que são os antípodas do passado. Oh! que
cousas grandes e raras haverá que ver nesse novo descobrimento!
Antônio Vieira. História do futuro. José Carlos Brandi Aleixo (org). Brasília: UnB, 2005, p. 126.

Considerando o fragmento de texto acima, de Antonio Vieira, julgue os itens a seguir (certo ou
errado).

• A descoberta da América, com a posterior colonização das novas terras por portugueses e
espanhóis, integrou um contexto de transformação histórica que aprofundou a crise do feudalismo e
descortinou, para a Europa, novos horizontes de exploração.

• A História realiza-se em determinado espaço e é contingenciada pela passagem do tempo, razão


pela qual o estudo do passado assegura o domínio do conhecimento acerca da direção a ser trilhada
pelas sociedades, ou seja, ela permite a previsibilidade do futuro.

• Conforme a analogia entre tempo e espaço apresentada no texto, o tempo presente pode ser
adequadamente denominado como uma espécie de linha do Equador do tempo.

Questão 29

“[...] O racionalismo intelectual consciente dos séculos XVII e XVIII, que costuma ser designado com
uma palavra imprecisa como ‘Iluminismo’, não deve ser entendido, de modo algum, somente no
contexto da racionalidade burguesa e capitalista, já que existem fortes vínculos entre ele e a
racionalidade de corte.”
ELIAS, Norbert. A sociedade de corte: investigação sobre a sociologia da realeza e da aristocracia de
corte. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2001. p. 128.

Considerando o contexto intelectual dos séculos XVII e XVIII na Europa, analise o trecho acima e
marque a alternativa correta.

A) O trecho reforça a tese de que as Revoluções Científicas do século XVII e o Iluminismo são
expressões culturais típicas do mundo burguês, portanto, em nada familiar à sociedade do Antigo
Regime.

B) O trecho afirma que não há qualquer vínculo entre Iluminismo e racionalidade burguesa e
capitalista, sendo, antes, expressão de uma racionalidade aristocrática de corte.

C) O trecho sugere que a sociedade de corte, vigente na Europa antes da consolidação da hegemonia
burguesa, não era irracional, mas possuía sua própria racionalidade, em nada estranha à filosofia e às
ciências da época.
D) No trecho, o termo “Iluminismo” é considerado vago, pois só poderia ser empregado para designar
correntes intelectuais depois da Revolução Francesa e não durante a vigência da sociedade de corte.

Questão 30

O século XVIII europeu foi conhecido como “O século das luzes” em razão de um grande movimento
intelectual que, embora tenha suas origens na Inglaterra do século XVII, teve como epicentro a
França e se disseminou por várias regiões do mundo ocidental. Sobre o Iluminismo, assinale a
alternativa correta.

A) Os pensadores iluministas afirmavam que o poder político é uma criação divina, derivando daí sua
crença de que a democracia é um regime político racional e perfeito, porque a escolha dos eleitores é
guiada pelo Espírito Santo.

B) As concepções dos iluministas eram extremamente coesas; sendo assim, não havia divergências
entre as posições de distintos ilustrados.

C) Embora amplamente disseminada pela Europa, a filosofia iluminista não exerceu influência em
Portugal e Espanha, governados, respectivamente, pelo Marquês de Pombal e pelo Marquês de
Aranda, ministro do Rei Carlos III.

D) Entre os principais pensadores iluministas, destacam-se Frederico II, Rei da Prússia; Catarina II,
Czarina da Rússia e José II, Imperador da Áustria.

E) O Iluminismo atacava a intolerância religiosa e os privilégios jurídicos do clero e da nobreza. As


posições dos iluministas legitimaram os ideais da Revolução Francesa e a luta pelo fim do Antigo
Regime.

Questão 31

A consolidação da industrialização como característica do mundo moderno não foi tarefa fácil. Foram
os pensadores do século XVIII e do século XIX que forneceram os principais argumentos para
legitimar a combinação entre indústria e modernização.
Uma das alternativas a seguir associa, corretamente, um pensador ao sistema de ideias.
Assinale-a.

(A) Marquês de Pombal/Positivismo


(B) Thomas Jefferson/Socialismo Utópico
(C) Voltaire/Evolucionismo
(D) Adam Smith/Liberalismo
(E) Descartes/Existencialismo

Questão 32

O fracasso estrondoso de O contrato social, o livro menos popular de Rousseau antes da Revolução,
levanta um problema para os estudiosos que investigam o espírito radical na década de 1780: se o
maior tratado político da época não conseguiu despertar interesse entre muitos franceses cultos, qual
foi a forma das ideias radicais que efetivamente se adaptou aos seus gostos?

(Darnton, Robert. O lado oculto da revolução. São Paulo, Companhia das Letras, 1988, p.130).

Assinale a resposta que está mais de acordo com as colocações do autor.

(A) A literatura clandestina que circulava na França no século XVIII foi um empreendimento
econômico e uma força ideológica que legitimou o poder de Luis XV e o Antigo Regime.

(B) Ao contrário da afirmativa anterior, O contrato social, de Rousseau foi um best seller da época,
pois traduzia os anseios e expectativas da nobreza francesa em crise.

(C) A progressiva separação entre ciência e teologia no século XVIII não liberou a ciência da ficção.
Neste sentido, a ideia mística sobre a natureza e seu poder transformador traduzia-se numa visão
radical que alimentou o espírito revolucionário dos franceses às vésperas da revolução.

(D) As ideias radicais que alimentaram o espírito revolucionário dos franceses não eram tributárias da
literatura da época, pois a população francesa era majoritariamente analfabeta.

(E) A Revolução Francesa representou o fim dos privilégios da nobreza e a consagração dos
interesses burgueses. Neste sentido, a literatura da época expressou tão somente a tensão entre a
nobreza e a burguesia.

Questão 33

Sobre o Concílio de Trento (1545-1563), é correto afirmar que:

a) originou o Tribunal do Santo Ofício, criado no contexto específico da unificação espanhola. Seu alvo
principal eram os conversos ou marranos, judeus que se converteram ao catolicismo para fugir das
perseguições.
b) determinou as diretrizes da chamada União Ibérica, cujo acontecimento ligou-se ao conturbado
momento político português. Por essa ocasião, o cardeal D. Henrique se viu obrigado a ocupar um
trono sem herdeiros e administrar a crise sucessória.
c) significou um esforço para organizar a Igreja Católica e atingir os fiéis, por meio de resoluções que
almejavam valorizar a figura do sacerdote, reforçar a autoridade dos bispos e implantar mecanismos
de controle e de formação dos crentes.
d) tornou-se o principal órgão religioso estabelecido na Europa após a Reforma Protestante, formando
um conjunto das primeiras tentativas do Sacro Império Romano Germânico de implantar a Inquisição.

Questão 34

[...] quais mecanismos levaram à escravidão nas sociedades africanas do século VII ao século XV?
[...]
Genericamente, a escravidão esteve presente na África como um todo, fazendo-se necessário
observar as especificidades históricas próprias de complexos sociais e políticos e das formas de poder
das diversas sociedades africanas. Mas é fundamental acrescentar que a dinâmica e a intensidade
da escravidão no continente africano tem a ver com a maior ou menor demanda do tráfico atlântico
gerada pelo expansionismo europeu na América. Isso acarreta mudanças sociais na África, como a
expansão e a subsequente transformação da poligenia, o desenvolvimento de diferentes tipos de
escravidão no continente, além do empobrecimento de uma classe de mercadores africanos.
HERNANDEZ, Leila Leite. A África na sala de aula: visita à história contemporânea, 2008, p. 37-38.

A partir do fragmento, é correto afirmar que

a) a maior mudança ocorrida na África, após a imposição do colonialismo ibérico, esteve relacionada
com a passagem da mercantilização do trabalho compulsório para formas mais brandas de
exploração da escravidão, com o avanço de direitos para os africanos convertidos ao cristianismo.
b) a chegada do colonialismo europeu na África subsaariana foi fundamental para o desenvolvimento
do continente, em razão da organização do tráfico intercontinental de escravos, permitindo que a
maior parte das rendas advindas dessa atividade ficasse no próprio continente.
c) a existência da escravidão na África negra era desconhecida até a chegada dos primeiros
exploradores coloniais, caso dos portugueses, que impuseram essa forma de organização do trabalho,
condição necessária para a posterior acumulação de capitais entre as elites regionais africanas.
d) as práticas de utilização do trabalho compulsório em todo o território africano, até a chegada dos
exploradores europeus, estavam articuladas com a essência da religiosidade do continente,
caracterizada pela concepção de que os sacrifícios materiais levavam os homens à graça divina.
e) a escravidão existente no continente africano, antes da expansão marítima, tinha uma
multiplicidade de características, sendo inclusive doméstica, e o tráfico de escravos, para atender aos
interesses mercantilistas europeus, trouxe decisivas transformações para as inúmeras regiões da
África.
Questão 35

“Só para mim nasceu Dom Quixote, e eu para ele: ele para praticar as ações e eu para as escrever
[...] a contar com pena de avestruz, grosseira e mal aparada, as façanhas do meu valoroso cavaleiro,
porque não é carga para os seus ombros, nem assunto para o seu frio engenho; e a esse advertirás,
se acaso chegares a conhecê-lo, que deixe descansar na sepultura os cansados e já apodrecidos
ossos de Dom Quixote [...], pois não foi outro o meu intento, senão o de tornar aborrecidas dos
homens as fingidas e disparatadas histórias dos livros de cavalarias, que vão já tropeçando com as do
meu verdadeiro Dom Quixote, e ainda hão de cair de todo, sem dúvida.”
SAAVEDRA, Miguel de Cervantes. Dom Quixote de la Mancha. 1991.

Sobre a obra em questão, é correto afirmar que

a) Dom Quixote é um homem de valores de cavalaria, instituição típica da modernidade ocidental,


com suas aventuras tragicômicas, fruto de suas leituras, que vão do heroísmo à ingenuidade,
caracterizando a sensibilidade do homem moderno, mais ligado à ciência e à experiência, em
oposição ao primado da fé.
b) o homem medieval, representado por Dom Quixote, considera a cavalaria, instituição típica do
período, o símbolo dos valores cristãos, como a fé, a honra e a justiça, e vê, na guerra santa, forma
de propagar esses valores, em defesa do mundo que crê nas lições dos livros sagrados, sem duvidar
das verdades tradicionais.
c) a figura trágica de Dom Quixote é a representação do homem do mundo antigo, ou seja, aquele
que considera a guerra como missão a fim de louvar os deuses e transformar as ações em mitos,
condenando a injustiça e as civilizações frágeis, o que possibilita localizar o texto no final da
Antiguidade.
d) Cervantes cria Dom Quixote, o cavaleiro andante, um fidalgo cujas proezas o tornam inadequado à
época moderna, marcando o limite entre o heroísmo e a fantasia, pois não só aspira a uma missão
purificadora do mundo como acredita nela, e revela que, na passagem do homem medieval para o
moderno, a cavalaria era algo ultrapassado.
e) o texto de Cervantes nos conta a aventura de um fidalgo que, por meio de leituras de livros de
cavalaria, torna-se um cavaleiro, uma personagem identificada com os valores medievais, de guerra,
honra e justiça, mostrando como, na Idade Moderna, esses valores são importantes, ainda têm lugar
e guiam a ação e a consciência do homem moderno.

Questão 36

“O gênero humano é de tal ordem que não pode subsistir, a menos que haja uma grande infinidade
de homens úteis que não possuam nada.”
(Dicionário filosófico, verbete Igualdade)

“O comércio, que enriqueceu os cidadãos na Inglaterra, contribuiu para os tornar livres, e essa
liberdade deu por sua vez maior expansão ao comércio; daí se formou o poderio do Estado.”
(Cartas inglesas)
Sobre os trechos de Voltaire, é correto afirmar que o autor

a) define, com suas ideias, os interesses da burguesia como classe, no século XVIII: o comércio como
condição para a acumulação de capital, a riqueza como fator de liberdade e do poder de Estado e a
propriedade ligada à desigualdade.
b) crê, como filósofo iluminista do século XVIII, nas igualdades social e política, pois a filosofia
burguesa elabora uma doutrina universalista que confunde a causa da burguesia com a de toda a
humanidade.
c) critica a centralização do poder na medida em que ela breca a liberdade, impedindo o progresso
das técnicas e a expansão do comércio que geram riqueza, e, ao mesmo tempo, aceita a propriedade
como fundamento da igualdade.
d) considera que a burguesia não se constitui em uma classe no século XVIII, e ela precisa do poder
do Estado centralizado para garantir a sua riqueza e, nessa medida, aproxima-se da nobreza para
obter apoio político.
e) defende, como representante da Ilustração, a liberdade ligada à ausência da propriedade e elabora
princípios universais, com direitos e deveres para todos os homens, o que faz a igualdade econômica
ser o fundamento da sociedade.

Questão 37

Na Europa, as forças reacionárias que compunham a Santa Aliança não viam com bons olhos a
emancipação política das colônias ibéricas na América. […] Todavia, o novo Império do Brasil podia
contar com a aliança da poderosa Inglaterra, representada por George Canning, primeiro-ministro do
rei Jorge IV. […] Canning acabaria por convencer o governo português a aceitar a soberania do Brasil,
em 1825. Uma atitude coerente com o apoio que o governo britânico dera aos EUA, no ano anterior,
por ocasião do lançamento da Doutrina Monroe, que afirmava o princípio da não intervenção europeia
na América.

Ilmar Rohloff de Mattos e Luis Affonso Seigneur de Albuquerque. Independência ou morte: a


emancipação política do Brasil, 1991.

O texto relaciona
(A) a restauração das monarquias absolutistas no continente europeu, a industrialização dos Estados
Unidos e a constituição da Federação dos Estados Independentes da América Latina.
(B) a influência da Igreja católica nos assuntos políticos europeus, o controle britânico dos mares
depois do Ato de Navegação e o avanço imperialista dos Estados Unidos sobre o Brasil.
(C) a disposição europeia de recolonização da América, o Bloqueio Continental determinado pela
França e os acordos de livre-comércio do Brasil com os países hispano-americanos.
(D) a penetração dos industrializados britânicos nos mercados europeus, a tolerância portuguesa em
relação ao emancipacionismo brasileiro e a independência política dos Estados Unidos.
(E) a reorganização da Europa continental depois do período de domínio napoleônico, os processos de
independência na América e a ampliação do controle comercial mundial pela Inglaterra.
Questão 38

Jean-Baptiste Debret. Retrato de El Rei Dom João VI, 1817. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de
Janeiro.

Hyacinthe Rigaud. Retrato de Luís XIV, 1701. Museu do Louvre, Paris.

A partir das fontes visuais reproduzidas e de seus conhecimentos, assinale a alternativa correta.
a) A única monarquia americana precisou afirmar a figura do governante e sua memória política,
recorrendo à imagética da autoridade real francesa do Antigo Regime. Este mecanismo foi enaltecido
pela imprensa do liberalismo constitucional.
b) Debret usou o quadro de Rigaud como referência visual e preparou retratos em seu estúdio no Rio
de Janeiro. Isto era importante, pois a autoridade monárquica joanina assentou-se na liturgia política
e no pouco uso da violência.
c) O retrato de D. João não foi pintado para ser exposto, embora existisse no Rio de Janeiro da época
um circuito expositivo de salões de belas artes, pinacotecas, museus, onde pudesse ser visto. Tais
espaços foram renomeados na República.
d) O projeto de europeização da corte do Rio de Janeiro e a necessidade de afirmar a autoridade de D.
João VI levaram a uma política de fomento à imagética do poder baseada, aqui, na da monarquia
francesa.

Questão 39

Na Era da Catástrofe (1914-1945), com a Grande Depressão desencadeada pela crise de 1929,
tornava-se cada vez mais claro que a paz, a estabilidade social, a economia, as instituições políticas e
os valores intelectuais da sociedade liberal burguesa entraram em decadência ou colapso.

E. J. Hobsbawm, Era dos extremos: o breve século XX, 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras,
1995, p. 112. Adaptado.

A partir do excerto mencionado e dos conhecimentos sobre o período histórico que vai de 1914 a
1945, é correto afirmar:
a) A crise de 1929 e as guerras mundiais levaram ao colapso do liberalismo político e econômico na
Europa e, ao mesmo tempo, à expansão das democracias liberais em países africanos e do Oriente
Médio.
b) As soluções para a crise de 1929 centraram-se em um aprofundamento das políticas liberais do
New Deal, que promoviam responsabilidade fiscal e diminuição do papel do Estado como motor de
desenvolvimento.
c) São marcos da crise do liberalismo na Europa: o colapso das principais democracias, a ascensão de
governos totalitários e autoritários e a descrença no livre-mercado após a crise de 1929.
d) Verificou-se nesse período o colapso das democracias liberais, com a ascensão do totalitarismo na
Europa, e o aumento das liberdades econômicas, com a diminuição do papel do Estado como solução
para a crise de 1929.

Questão 40

E, afinal, pergunta ele [Rousseau], como é esse negócio de "ricos" e "pobres", como é que é? Esta
desigualdade, para Rousseau, não é "natural", não decorre da Natureza – pois naquela época se
falava assim – do próprio Homem. Ela decorre da história dos homens e das nações múltiplas que
entre eles se estabelecem e que provocam como produtos derivados, uma porção de males como: a
miséria e a opulência, o poder de um lado, e, de outro, os pobres desditados; os governates, de um
lado, e, de outro, os pobres governados. Tudo isso, dizia Rousseau, tudo isso que vemos hoje em
nossa frente, essas diferenças todas entre nobres, burgueses, camponeses, etc. não são nada
naturais e precisam acabar. Sim, precisam acabar, pois é esta "desigualdade" a fonte absoluta e
única de todos os males sociais.

(FONTES, Luiz Salinas. O iluminismo e os reis filósofos. São Paulo: Brasiliense. 1982, p. 67)

A descrição a que o texto faz referência permite afirmar que se

(A) o Iluminismo se propõe acabar com as desigualdades sociais por meio da razão, Rousseau
defende a socialização dos meios de produção para romper com a ideia de desigualdades natural dos
homens.

(B) a sociedade moderna reforça a desigualdade ao estimular a busca do prazer baseada na razão e
na riqueza material, Rousseau faz uma dura crítica a essas formas de escravização do homem na
época.

(C) as sociedades tradicionais consideravam natural a desigualdade entre os homens, Rousseau


defende a ideia de que as desigualdades se produzem na História e são fontes dos males sociais.

(D) a produção do saber considerado renovador, ao circular apenas entre as elites, promovia as
desigualdades sociais, Rousseau acredita que somente a razão podia ajudar o homem a superar
essas dificuldades.

(E) os intelectuais consideravam que todos os homens eram naturalmente livres, independente de
sua origem, Rousseau argumenta que o consentimento de todos é essencial para se instalar a
igualdade social.