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ABEL NOGUEIRA

MARCELO DA SILVA LUCAS


RODRIGO GONÇALVES BATISTA
TADEU RABELLO MARTINS
WAGNER RODRIGUES VIANA

REDE DE ENSINO DOCTUM

O DIREITO DOS IDOSOS


UMA QUESTÃO DE RESPEITO

Trabalho apresentado como requisito parcial à


disciplina de Projeto Integrador: Reconhecendo
a Diferença.
Professor: FELIPE TANNUS CHEIM

CARANGOLA
2020
1. INTRODUÇÃO
O avanço científico e tecnológico das últimas décadas criou uma situação favorável
ao alongamento da vida, com uma longevidade inédita na história da humanidade. Esse
fenômeno demanda, de toda a sociedade, políticas que atendam às necessidades da
crescente população com 60 anos ou mais de idade.
Nesse mesmo período, surgiram políticas públicas voltadas ao envelhecimento
populacional originadas no Brasil e no exterior. Esse conjunto de políticas forma um
arcabouço, que serve de base legal e teórico-metodológica, para fazer frente ao acelerado
envelhecimento da população brasileira.
No Brasil, existem políticas, programas, ações, iniciativas e um aparato normativo
que nos permitem afirmar que a sociedade tem levado em consideração a questão do
envelhecimento populacional. Percebe-se, entretanto, que a forma fragmentada de
execução dessas políticas faz com que nem sempre as necessidades do público idoso
sejam atendidas, conforme o necessário, em todos os aspectos que envolvem o processo
de envelhecimento.

2. LEGISLAÇÃO NACIONAL
O Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003) e a Política Nacional
do Idoso (Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994) fundamentaram a concepção da EBAPI
e vêm orientando todo o processo de sua implementação. A participação dos Conselhos
dos Direitos da Pessoa Idosa – em níveis federal, estadual e municipal - é fundamental na
implementação da EBAPI. Tal participação se faz necessária não só pelo zelo dos direitos
da pessoa idosa, mas também pelo combate à violação desses direitos. Mas, antes de
avançar nesses aspectos, é importante conhecer os antecedentes legais.

2.1 ANTECEDENTES LEGAIS


Os principais marcos legais brasileiros voltados para a população idosa se originaram
na década de 1990, embora sejam reconhecidos diversos antecedentes do começo do
século XX. São eles: alguns artigos do Código Civil (1916), do Código Penal (1940), do
Código Eleitoral (1965) e de inúmeros diplomas normativos que, de alguma forma,
concernem ao processo de envelhecimento. A Lei Eloy Chaves, de 1923, por exemplo,
foi determinante para o início da política previdenciária, sobretudo pela instituição das
Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs) para os empregados de empresas ferroviárias,
o que depois se estendeu para outras categorias.
Décadas depois, a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de
1988 marcou a proposição e regulamentação de novas políticas voltadas às pessoas
idosas, consoante o disposto nos arts. 229 e 230.
Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos
maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.
Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas,
assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar
e garantindo-lhes o direito à vida.
§ 1º Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus
lares.
§ 2º Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade
dos transportes coletivos urbanos.

2.2 MARCOS LEGAIS


Os mais recentes marcos legais infraconstitucionais que alcançam a pessoa idosa são:
• Lei Orgânica da Assistência Social - Lei nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993;
• Política Nacional do Idoso - Lei nº 8.842, de 04 de janeiro de 1994;
• Estatuto do Idoso - Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003;
• Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa - Portaria nº 2.528, de 19 de out de 2006;
• Lei do Fundo Nacional do Idoso - Lei nº12.213, de 20 de janeiro de 2007;
• Lei nº13.797, de 03 de janeiro de 2019;
• Estratégia Brasil Amigo da Pessoa Idosa - Decreto nº 9.328 de 3 de abril de 2018.
Em 2002, foi criado o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (Decreto n°
4.227, de 13 de maio de 2002; Decreto n° 5.109, de 17 de junho de 2004, e Decreto n°
9.569, de 20 de novembro de 2018), órgão colegiado de caráter deliberativo e integrante
da estrutura regimental do atual Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos
Humanos. A ele cabe, dentre outras competências, elaborar diretrizes para a formulação
e implementação da Política Nacional do Idoso.
Considerando a atuação específica para a população idosa vulnerável, de acordo com
suas particularidades, os anos de 2016 e 2017 trouxeram considerável avanço com a
criação de dois órgãos ministeriais totalmente dedicados a essa faixa etária. Destinado à
população idosa vulnerável, distinta de grupos populacionais de outras faixas etárias, por
meio do Decreto nº 8.949, de 29 de dezembro de 2016, foi criado o Departamento de
Atenção do Idoso (DAI) - órgão da Secretaria Nacional de Promoção do
Desenvolvimento Humano, do Ministério do Desenvolvimento Social (atual Ministério
da Cidadania).
São competências do Departamento de Atenção ao Idoso:
(Decreto n.° 9.674, de 2 de janeiro de 2019)
• coordenar a Política Nacional do Idoso (com participação dos conselhos nacionais,
estaduais, do Distrito Federal e municipais do idoso);
• promover a articulação intra e intraministerial necessária para implementação da
política nacional do idoso;
• coordenar estratégias nacionais voltadas para criação de incentivos e alternativas de
atenção ao idoso; e
• planejar e implementar estudos, levantamentos, pesquisas e publicações sobre a
situação social do idoso.
Pouco depois, a Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa
Idosa, do então Ministério dos Direitos Humanos (atual Ministério da Mulher, da Família
e dos Direitos Humanos), teve sua estrutura regimental aprovada pelo Decreto nº 9.122,
de 9 de agosto de 2017. Entre as funções, agora estabelecidas pelo Decreto n.° 9.673, de
02 de janeiro de 2019, aquela Secretaria passou a coordenar e a propor ações de
aperfeiçoamento e fortalecimento da Política Nacional do Idoso e de medidas para
promoção, garantia e defesa da pessoa idosa, além de funcionar como Secretaria-
Executiva do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa – importante instância de
participação social dessa população.

2.3 PRINCIPAL BASE LEGAL: O ESTATUTO DO IDOSO


O Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003) define que a pessoa
idosa é aquela com idade igual ou superior a 60 anos. Foi promulgado com o objetivo de
garantir direitos às pessoas idosas em todos os setores, originando a proposição de
políticas públicas com foco nas especificidades dessa faixa etária. O documento
reconhece a prioridade para o envelhecimento no contexto das políticas sociais e seus
direitos fundamentais, no que concerne à saúde física e mental, à vida social e moral, com
liberdade e dignidade. Uma das conquistas do Estatuto é o estabelecimento de penalidades
aos que violam os direitos das pessoas idosas.
A opção pelo Estatuto do Idoso como baliza da Estratégia se deve a seu papel
estruturante na promoção e na defesa dos direitos da pessoa idosa. As características de
coletivo e de demanda popular perpassaram a construção do Estatuto do Idoso desde o
começo, quando foi criada uma comissão especial na Câmara Federal, em 2000, para esse
fim. Tal comissão tratava das questões destinadas a regular os direitos assegurados às
pessoas de idade igual ou superior a 60 anos, incluindo direitos fundamentais e de
cidadania, além da assistência judiciária.
Como o Estatuto foi a base para a Estratégia Brasil Amigo da Pessoa Idosa, é
fundamental que todos os envolvidos tenham pleno conhecimento de seu conteúdo para
que possam garantir, em suas respectivas esferas de competência, os direitos ali
estabelecidos. Destaca-se a relevância da indicação dos Conselhos de Direitos da Pessoa
Idosa como protagonistas da EBAPI, conforme recomendado pelo Estatuto do Idoso.

3 O COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA O IDOSO


O 15 de junho foi declarado Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a
Pessoa Idosa pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a Rede Internacional de
Prevenção à Violência à Pessoa Idosa.
Aumenta número de denúncias de violação aos direitos de idosos durante pandemia.
Negligência, violência psicológica e abuso financeiro e econômico estão entre os tipos de
violência mais praticados contra as pessoas idosas, de acordo com dados do Disque 100
de 2019. E com a pandemia do novo coronavírus, as denúncias de violações contra essa
parcela da população tem aumentado.
Para chamar a atenção para essa realidade, neste 15 de junho é celebrado em todo o
mundo o dia de conscientização e enfrentamento da violência contra a pessoa idosa.
“No começo de março tivemos 3 mil denúncias, em abril esse índice passou para 8
mil e, em maio, foi para quase 17 mil. Isso se dá devido ao isolamento social, ao convívio
maior desses idosos que estão em casa, são pessoas vulneráveis e, por isso esse aumento
de denúncia”, disse o secretário nacional de promoção e defesa dos direitos da pessoa
idosa, Antonio Costa.
“Nem sempre o aumento da denúncia corresponde ao ato de ter cometido a violência,
mas é importante que as denúncias ocorram porque isso mostra que a comunidade está
preparada para denunciar esses casos no Disque 100 do Ministério da Família, Mulher e
Direitos Humanos”, explicou Costa.
A atenção do Governo Federal a pessoa idosa foi intensificada no período de
pandemia, já que eles são mais suscetíveis não só aos efeitos da Covid-19, mas também
aos efeitos do isolamento social.
Foi criado um canal exclusivo do Disque 100 para atender idosos em situação de
isolamento social. Serão prestadas informações sobre os cuidados com a doença. A equipe
de atendimento também fará o acolhimento social para confortar os idosos e atenuar
problemas provocados pelo isolamento prolongado.
O secretário destacou que o idoso não é uma vítima da pandemia e merece todo
cuidado da população. “A gente gostaria de pedir a comunidade brasileira que nesse
momento nos ajude nessa campanha de solidariedade e faça parte desse compromisso de
proteção, defesa do idoso, porque é o idoso responsável pela cultura, pela tradição e até
pelo sustento de toda a família. Esse é o momento de parar, pensar e, a partir desse dia
15, dar um pouco mais de amor aos idosos no Brasil”.
As denúncias de casos de violência contra a pessoa idosa mais do que quintuplicaram
de março até maio, aponta levantamento do Ministério da Mulher, da Família e dos
Direitos Humanos. Segundo Antonio Costa, titular da Secretaria Nacional dos Direitos da
Pessoa Idosa (SNDPI), os casos passaram de cerca de 3 mil, em março, para quase 17
mil, em maio.

4 A PESQUIESA DE CAMPO: ENTREVISTAS


Foi realizada uma pesquisa de compo, por meio de entrevistas, utilizando os meios
eletrônicos de comunicação, com familiares e conhecidos idosos, a fim de identificar
alguns pontos importantes relacionados aos direitos dos idosos no nosso país e destacar a
importância da legislação para seus esses direitos sejam efetivados.
As entrevistas foram feitas com dez pessoas, essas pessoas responderam a três
perguntas conforme descritas à seguir e as respostas serão demonstradas por meio de um
resumo que levanta os pontos principais e mais relevantes informados pelos entrevistados.
Pergunta 1. Sabemos que existe um Estatuto que rege os Direitos dos Idosos. Você
tem conhecimento ou já ouviu falar? Você sabe para que serve ou já fez uso de algum
direito garantido no Estatuto do Idoso?
Respostas: A soma dos entrevistados que afirmaram conhecer os direitos e conhecer
alguns direitos totalizou 6 dos 10 entrevistados ou seja 60% dos idosos.
Foi solicitado que eles citassem quais direitos conheciam, foram quatro áreas: direitos
relativos ao transporte, à prioridade no atendimento, à saúde e direitos fundamentais.
A maior reclamação salientada foi que, apesar do direito à saúde ser assegurado por
lei, ele nem sempre é respeitado pelo próprio governo.
A principal queixa foi a distância que precisa ser percorrida para chegar a uma
unidade de atendimento e que, ao chegar, não existe uma fila prioritária para idosos.
A fila é única para todos os usuários e, na maioria das vezes, não há bancos
disponíveis para o idoso sentar, tendo que, além de esperar, permanecer em pé por longo
tempo.
Relataram que a demanda nos hospitais é excessiva, que os recursos disponíveis não
são suficientes e, com isso, ocorre a demora no atendimento.
Além disso, foi referido também, que, nem todos os funcionários são capacitados para
trabalhar com os idosos, desconsiderando as alterações do envelhecimento, como a
diminuição da acuidade auditiva e as dificuldades de locomoção, resultando em
atendimento insatisfatório.
Outro fator que dificulta o acesso do idoso à saúde é que, algumas instituições
realizam agendamento de consultas e exames, apenas por telefone, tornando impossível
aos idosos com comprometimento auditivo fazer uso desse serviço.

Pergunta 2. A Política Nacional do Idoso – Lei n° 8.842/1994 – tem por objetivo


assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia,
integração e participação efetiva na sociedade. Você acredita nos princípios que regem
essa Política?
Respostas: A maioria respondeu que o segredo da longevidade é ter uma vida social
na terceira idade.
3 disseram que os problemas começaram com a aposentadoria. Depois que pararam
de trabalhar, deixaram de frequentar os locais que costumavam ir, perderam o contato
com os colegas de serviço e, por conta disso, se sentem pouco úteis e se tornam cada vez
mais introspectivos.
Entretanto, para a maioria deles, 7, é possível viver bem na velhice! Segundo eles, o
segredo é se adaptar às mudanças, equilibrar suas limitações e potencialidades e manter
suas relações sociais.
Para todos eles, os princípios que regem essa política são válidos, mas para que haja
a sua eficácia, necessário se faz a conscientização da sociedade.
Pergunta 3. De acordo com o artigo 4º do Estatuto do Idoso, no que se refere ao
transporte coletivo inter-municipal, você já utilizou ou faz uso frequente desse direito?
Respostas: Todos responderam que necessitam e utilizam esse direito.
Os entrevistados neste estudo relataram que, algumas vezes, a gratuidade no
transporte gera transtornos e desconfortos para os usuários idosos.
As queixas mais comuns foram que, muitos motoristas, ao perceberem que somente
idosos é que vão embarcar, não param no ponto.
Em relação ao embarque, enfrentam degraus altos nos ônibus.
Ainda, quanto aos usuários jovens que se sentam nos bancos preferenciais, fingem
que estão dormindo e não cedem o lugar aos idosos, fazendo com que o idoso viaje em
pé. O desrespeito, segundo os entrevistados, faz com que alguns cobradores solicitem aos
usuários mais jovens que cedam o lugar aos idosos e, mesmo assim, não são atendidos.
Foi sugerido que as frases "bancos preferenciais" sejam substituídas por "bancos
exclusivos".
O lado positivo dos transportes também foi destacado pelos idosos.
Um dos entrevistados, que não era brasileiro, referiu que, no Brasil, o idoso deve
sentir-se no céu, pois em seu país até idosos de muleta pagam passagem.
Uma idosa relatou que pintava os cabelos, mas com o tempo deixou que ficassem
brancos e, com isso, tem sido mais respeitada.
Disse, ainda, que nos ônibus as pessoas lhe dão o lugar, que os motoristas sempre
param nos pontos e que, até as crianças conversam com ela.
Outro mencionou, ainda, que antes das leis de proteção aos idosos, era muito ruim,
pois os motoristas olhavam e diziam: "Quanto velho! Por que não ficam em casa?"
Considera que, atualmente, os condutores têm mais respeito.

5 CONCLUSÃO
A inclusão dos princípios da dignidade da pessoa humana e da solidariedade no
âmbito do direito constitucional representou uma nova concepção de Estado, que concebe
o homem como sua razão de ser. Destarte, toda atividade do Poder Público deve ser
direcionada para construção de uma sociedade na qual todos possam usufruir de uma
existência digna.
O envelhecer é decorrente da ação concomitante da natureza e do tempo. Os avanços
medicinais e da ciência foram capazes de prolongar os anos de vida, mas não estão aptos
a promover a dignidade dos seres humanos, muito menos, a qualidade de vida. Tal
conquista depende de vários fatores que, talvez, nem mesmo os doutrinadores ainda
tenham definido corretamente, visto que orbitam nesse conceito diversos elementos,
como qualidade de vida, respeito, saúde, educação, auto-estima, etc.
Nessa alquimia jurídica, em que se almeja a promoção da dignidade da pessoa humana
e do princípio da solidariedade, bem como quaisquer outros princípios, que visem
assegurar o bem-estar do indivíduo, é preciso que se considere de forma pontual os
métodos a serem utilizados para obtenção de tais valores. Nesse sentido, as políticas
públicas de proteção e amparo aos idosos representam a principal medida para efetivação
das normas no plano fático.
O Estado tem o dever de proporcionar ao idoso os meios necessários ao exercício de
sua cidadania, atuando de forma positiva para que suas políticas públicas possam garantir
uma parcela mínima, que oferte ao idoso uma velhice com dignidade. Analisando as
normas existentes no ordenamento jurídico percebe-se que existem diversos direitos e
garantias que amparam os idosos, todavia, na realidade fática essas prerrogativas ainda
não são amplamente experimentadas. Desse modo, não é necessário que se criem novas
leis com o escopo de reforçar a proteção legal, mas sim que se promovam recursos
materiais que promovam tais direitos.
O Estatuto do Idoso representa, enquanto lei especial, ponto de partida para o
estabelecimento dessas referidas políticas, considerando que reafirma os princípios
constitucionais destinados ao amparo destes indivíduos. É preciso que se pratique tudo
aquilo que está disposto na Lei, sob pena de se produzir letra morta, condenando os idosos
à vitimização constante dos problemas sociais e culturais.
Os problemas que atingem os idosos, no Brasil, não começam na velhice.
Considerando o contexto de vida brasileiro, no qual todos os dias milhões de cidadãos
entre jovens, adultos e idosos são privados dos seus direitos, seja de qual ordem for,
percebe-se que se trata de verdadeiro problema estrutural. Nesse sentido, todos os seres
humanos são credores de uma dívida ainda não paga pelo Estado, que é falho na tentativa
de reduzir as desigualdades sociais.
Em meio ao contexto descrito é válido destacar a importância da unidade familiar na
(co) existência dos idosos. Sem dúvidas, é no seio da família que muitos problemas
podem ser evitados nas práticas sociais, visto que um idoso amparado tende a se sentir
mais seguro para enfrentar os dissabores da vida. Como já mencionado, a família, junto
ao Estado e à sociedade, é responsabilizada constitucionalmente pela proteção aos idosos.
Essa tríplice aliança deve ser levada às últimas consequências quando se fala em
atuação articulada desses institutos. Somente com a conscientização geral da sociedade
acerca da obrigação de se respeitar os idosos, como espelho de um futuro iminente de
todos, é que se chegará a um patamar mínimo de garantia daquilo que é necessidade
básica para a existência de qualquer indivíduo.
Ao respeitar os idosos estamos preservando aquilo que há de mais sagrado para um
ser humano, que é a sua dignidade, independente da cor, etnia ou idade. Famílias cientes
do dever de amparo aos seus idosos resultarão em uma sociedade preparada para a
convivência com as diferenças que estes possuem, o que, por sua vez, estimula o Estado
para a manutenção dessa cidadania e dignidade. E nessa solidariedade, certamente,
estaremos caminhando de forma efetiva para que os seres humanos vivam em harmonia
social.
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARGOLO, Diêgo E; FURTADO, Natália Maria. Os direitos dos idosos no Brasil: uma
investigação dos planos fático e legislativo. Publicado em: 01 mai 2013. Disponível em:
<https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-112/os-direitos-dos-idosos-no-brasil-
uma-investigacao-dos-planos-fatico-e-legislativo/>. Acesso em: 14 jun 2020.
BARROS, Airton Florentino de. O campo de concentração dos idosos na Covid-19.
Publicado em: 31 mar 2020. Disponível em: <https://www.conjur.com.br/2020-mar-
31/florentino-barros-campo-concentracao-idosos-covid-19>. Acesso em: 14 jun 2020.
BRASIL. Ministério da Cidadania. Estratégia Brasil Amigo da Pessoa Idosa. Disponível
em: <http://mds.gov.br/area-de-imprensa/pagina-inicial-1>. Acesso em: 14 jun 2020.
Conselho Nacional de Justiça. CNJ Serviço: saiba quais são os direitos dos idosos.
Publicado em: 15 jun 2016. Disponível em:
<https://cnj.jusbrasil.com.br/noticias/346295703/cnj-servico-saiba-quais-sao-os-
direitos-dos-idosos>. Acesso em: 14 jun 2020.

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