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Índice

I. Introdução............................................................................................................................................1
II. Aprendizagem Cultural....................................................................................................................2
1. Conceitualização..............................................................................................................................2
2. Interacção cultural...........................................................................................................................2
3. Psicologia social e o encontro transcultural.....................................................................................2
4. Diferenças Culturais a Nível da Comunicação.................................................................................3
5. Uso educado: Etiqueta.....................................................................................................................3
6. Resolução de conflitos.....................................................................................................................4
Abordagens teóricas “Choque Cultural”..............................................................................................5
A comunicação não-verbal..................................................................................................................5
Olhar mútuo.........................................................................................................................................6
Contacto Físico....................................................................................................................................6
Gestos..................................................................................................................................................7
Regras e Convenções...........................................................................................................................8
Formas de tratamento..........................................................................................................................9
Teoria da Comunicação Intercultural.....................................................................................................10
Integrar os Elementos da Comunicação.............................................................................................10
Relações Sociais em Sociedades Multiculturais................................................................................11
Dificuldades na Transição Cultural e Social......................................................................................11
III. Conclusões.....................................................................................................................................13
IV. Referências Bibligráfica................................................................................................................14
I. Introdução

O presente trabalho enquadra-se na disciplina de Psicologia Cultural, visto que a dinâmica da


vida, a procura de melhores condições e a curiosidade de conhecer outros lugares, faz com que as
pessoas se desloquem de um ponto para o outro, submetendo-se desta forma a contactos entre
culturas diferentes. Assumindo que os hábitos, crenças, valores e costumes variam entre as
culturas existentes, surge a necessidade de uma aprendizagem cultural, para que indivíduo
adquira conhecimentos e habilidades sociais que lhe permitam uma inserção e sobrevivência na
nova cultura.

O trabalho tem como propósito abordar aspectos relacionados com aprendizagem cultural, sendo
que o seu objectivo geral cita na compreensão do tema em questão, Aprendizagem Cultural, e os
objectivos específicos centram-se na definição e descrição da aprendizagem cultural e os factores
que a influenciam e, por fim, identificar aspectos que interferem na resolução de conflitos.

Para elaboração do presente trabalho, dada a natureza do mesmo recorreu-se a revisão


bibliográfica, centrada na obra de Ward, Bochner & Furnham (2001).

O trabalho apresenta-se seguindo uma estrutura introdutória, desenvolvimental, conclusitória, e


por fim as referências bibliográficas. O campo correspondente ao desenvolvimento, sob o título
Aprendizagem Cultural, é dedicado a abordagem do tema e dos conteúdos dentro destes cuja
explanação é imperiosa para o entendimento na íntegra das questões abordadas.

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II. Aprendizagem Cultural

1. Conceitualização
Segundo Ward, Bochner e Furnham (2001: 51), Aprendizagem Cultural é um processo no qual
peregrinos adquirem conhecimentos e habilidades sociais culturalmente relevantes para
sobreviver e prosperar em sua nova sociedade.

De início é apresentado um modelo geral de interacção social e, em seguida, revistos alguns dos
elementos-chave que regulam o comportamento interpessoal. Estes incluem vários aspectos da
comunicação não-verbal, uso e função de toque e gestos e todos os temas que têm gerado uma
literatura substancial nos últimos 30 anos (Ward, Bochner & Furnham, 2001: 51).

2. Interacção cultural
Segundo Ward, Bochner e Furnham, (2001: 52), Argyle e Kendon foram, em 1967, os primeiros
a sugerir que o comportamento social das pessoas que interagem umas com as outras constitui
uma solução mutuamente organizada de desempenho qualificado.

De acordo com Burgoon, Buller e Woodall (1989), citado por Ward, Bochner e Furnham (2001:
51), aquando da sua pesquisa foram identificadas algumas habilidades interpessoais que as
pessoas socialmente incompetentes têm em falta ou executam de forma insatisfatória. Tais
habilidades incluem expressar atitudes, sentimentos e emoções, adoptando a postura proxémica
apropriada; compreender os padrões de olhar das pessoas com quem se está a interagir; realizar
rotinas ritualizadas, como saudações, despedidas, auto-revelação (Trower, Bryant & Argyle,
1978; citado por Ward, Bochner & Furnham, 2001: 51).

Estes elementos de interacção social variam de acordo com a cultura (Argyle, 1982; Brislin,
1993; Furnham, 1979, 1983; Hall, 1959, 1966; Hall e Beil-Warner, 1978; Leff, 1977; citado por
Ward, Bochner & Furnham 2001: 51).

3. Psicologia social e o encontro transcultural


Ward, Bochner e Furnham (2005: 52, 53), afirmam que um dos problemas de interacção social é
a problemática de episódios sociais frustrantes, como instâncias de falha de comunicação verbal
e/ou não-verbal. Sendo que uma vez que estas sucedem são vistas de dois pontos diferentes: do
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ponto de vista do remetente, as mensagens destinadas podem não ter chegado ao receptor, ou, se
o fizeram, elas estavam incompletas, ou distorcidas; do ponto de vista do receptor, as mensagens
podem ter sido de difícil interpretação, forma ambígua e, em casos mais extremos, ofensivas.

Uma vez que em contacto interpessoal os papéis tendem a se inverter (remetente passa a ser
receptor, vice-versa) a espiral de falhas de comunicação pode acelerar rapidamente em um
círculo vicioso de mal-entendidos.

4. Diferenças Culturais a Nível da Comunicação


Foi descoberto em pesquisas a existência de diferenças culturais consistentes e sistemáticas na
forma que as pessoas enviam e recebem informações (Gallois et al, 1995; citado por Ward,
Bochner & Furnham, 2001: 53). Tais diferenças tornam-se evidentes quando pessoas de culturas
diferentes estão em contacto e encontram dificuldades ao nível da comunicação, na medida em
que os seus respectivos códigos diferem (Fox, 1997; citado por Ward, Bochner & Furnham,
2001: 53). Também é bem possível que eles não estejam cientes que existem diferenças nos seus
padrões comunicativos.

De acordo com Triandis et al (1972), citado por Ward, Bochner e Furnham (2001: 53), a situação
apresentada acima é particularmente problemática em encontros entre dois grupos que partilham
as mesmas formas linguísticas (ou pelo menos falam dialectos mutuamente inteligíveis), pois as
semelhanças entre a linguagem podem obscurecer as diferenças que possam existir em suas
culturas subjectivas.

De acordo com Levy et al., (1997), citado por Ward, Bochner e Furnham (2001: 54), em geral, as
evidências indicam que as diferenças (incluindo diferenças de idioma) entre as culturas dos
participantes aumentam, assim como as dificuldades de comunicação, devido em grande parte às
diferenças nos elementos que celebram e regulam o comportamento interpessoal.

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5. Uso educado: Etiqueta
As culturas diferem na medida em que as pessoas são directas ou indirectas, como as solicitações
são feitas, e mais importante ainda, como os pedidos são aceites ou recusados (Dillard et al,
1997; Kim, 1995; citado por Ward, Bochner & Furnham, 2001: 54).

Em muitos países asiáticos a palavra “não” é raramente usada, de modo que “sim” pode
significar “não” ou “talvez”. Regras acerca de convites e como estes devem ser feitos e aceites
são fortemente ligadas à cultura. Por exemplo, de acordo com Triandis (1975), citado por Ward,
Bochner e Furnham (2001: 54), relata como um visitante americano perguntou seu conhecido
grego que horas eles devem vir à sua casa para jantar. O aldeão grego respondeu “qualquer
momento”. No uso da expressão americana “qualquer momento” é um não – convite que as
pessoas dão para parecer educado, mas esperamos que não vai levar a nada. Para o grego, no
entanto, significava que os americanos seriam bem-vindos a qualquer momento, porque em sua
cultura colocar limites em quando um convidado pode vir é considerado um insulto.

Ward, Bochner e Furnham (2001: 55) referenciam que algumas culturas usam formas
linguísticas como "obrigado" para mostrar a sua apreciação, enquanto em outras culturas
"obrigado" não é verbalizado. Um visitante de uma cultura linguística diferente, que desconhece
esse costume pode vir a considerar os anfitriões como rudes e grosseiros e, os anfitriões, por sua
vez, podem esperar em vão que o visitante exponha o gesto apropriado de apreciação. A
intensidade com que o discurso é proferido é também variável. Por exemplo, os árabes tendem a
falar mais alto que os europeus e estes podem interpretar como gritos. Os americanos falam mais
alto do que os ingleses, o que soa ousado e assertivo.

6. Resolução de conflitos
De acordo com Earley at al (1997), citado por Ward, Bochner & Furnham (2001:55), lidar com
situações difíceis e embaraçosas são adicionais campos minados para os viajantes de cultura. Por
exemplo, num estudo de executivos americanos que supervisionavam os trabalhadores da linha
de montagem mexicana, a maneira pela qual o gestor expatriado repreendia o baixo desempenho
dos trabalhadores foi considerada incompatível com a norma cultural mexicana. Criticar e tornar
pública sua insatisfação foi considerada uma atitude vergonhosa e insultante na cultura

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mexicana, ao contrário de ambientes de trabalho americano onde os gestores consideram como
seu dever fornecer feedback franco sobre o desempenho de sua equipe.

De acordo Hofstede, (1980) citado por Ward et al (2001:55), duas dimensões culturais que
afectam significativamente a comunicação interpessoal, estilo e conteúdo são individualismo-
colectivismo e distância do poder.

A distância de poder refere-se ao grau de que existe uma aceitação generalizada da desigualdade
de status enquanto individualismo e colectivismo refere-se ao grau em que as necessidades do
grupo predominam sobre os de indivíduos (Triandis, 1995, citado por Ward et al, 2001: 56).
Uma pesquisa revelou diferenças sistemáticas na movimentação de discordâncias entre culturas.
Nas nações individualistas, os gestores tendem a confiar em sua própria formação e experiência
na resolução de conflitos enquanto nos países colectivistas regras formais e procedimentos foram
dados mais importância.

Abordagens teóricas “Choque Cultural”


Na resolução de conflitos os brasileiros provenientes de uma sociedade colectivista, preferem um
estilo de negociação que leve em consideração os interesses da outra parte, em contraste os
americanos reflectindo a orientação individualista de sua cultura preferem estratégias que
maximizem seus próprios interesses em detrimento da outra parte (Pearson & Stephan 1998,
citado por Ward, Bochner & Furnham, 2001: 56).

De acordo com Gabrielidis etal (1997) citado em Ward et al (2001:56) não há duvidas que as
diferenças transculturais no individualismo e colectivismo ou entre culturas distantes possam
dificultar a comunicação intercultural eficaz, particularmente quando a interacção ocorre entre
pessoas de status desigual e quando há uma necessidade de chegar a acordo sobre algum assunto
importante.

A comunicação não-verbal
Sinais não-verbais desempenham um papel importante nas atitudes comunicativas, em expressar
emoções, e no apoio a elaboração do que é dito (Argyle 1975, 1980, citado por Ward et al, 2001:

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56). Eles também fornecem feedback dos ouvintes ao remetente e ajudam na sincronização
verbal e na interacção, por indicar aos participantes quando é sua vez de falar, quando é sua vez
de ouvir e quando é apropriado para interromper, embora o significado de alguns sinais não-
verbais é universal, muitos variam entre as culturas.

Olhar mútuo
Os níveis de olhar mútuo variam entre as culturas (Burgoon, Coker e Coker (1986) citado por
Ward et al, 2001: 56). Árabes e latino-americanos exibem uma alta frequência de olhar mútuo,
enquanto os europeus uma menor frequência.

Quando pessoas de culturas de alto e baixo olhar se encontram o comportamento do participante


com baixo olhar pode ser interpretado como grosseiro, não prestando atenção e desonesto
enquanto o comportamento de pessoas com olhar alto pode ser visto como desrespeitoso,
ameaçador e insultuoso.

Contacto Físico
De acordo com Argyle, (1982) citado por Ward, Bochner & Furnham, (2001: 57), as culturas
variam também na medida em que permitem o contacto físico.

Segundo Ward, Bochner & Furnham (2001: 57), as culturas em que o contacto físico é permitido
são Árabe, Latino-Americana, e os grupos do sul da Europa. Nas sociedades sem contacto, o
toque só é permitido em condições muito restritas, como no seio da família, em breves apertos de
mão com estranhos, ou em relacionamentos de funções especializadas (por exemplo médicos,
dentistas e alfaiates), contactos fora a esses ambientes podem ser uma fonte de grande ansiedade
daí quando uma cultura de alto toque encontra uma de baixo toque a pessoa de baixo toque é
visto como frio e os de elevado toque são vistos como predadores sexuais.

Os europeus do norte são muito sensíveis quanto a ter seu espaço pessoal invadido, ao contrário
dos europeus do Sul, que preferem sentar e ficar muito mais perto dos outros daí se envolverem
em contacto muito mais físico que outros europeus (Collet, 1994, citado por Ward, Bochner &
Furnham, 2001: 57).

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As sociedades árabes têm culturas de contacto elevado, no entanto, isso só se aplica a indivíduos
do mesmo sexo, do contrário o contacto físico entre os membros do sexo oposto em público é
raro e considerado ofensivo (Feghali, 1997, citado por Ward, Bochner & Furnham, 2001: 57)

As sociedades da Ásia Oriental, em particular a China, Coreia e Japão, tendem a ter baixo
contacto táctil, onde a relutância para contacto interpessoal por membros dessas sociedades é
atribuída à influência do confucionismo, com sua ênfase no comportamento social de direito
público (McDaniel & Andersen, 1998, citado por Ward, Bochner & Furnham 2001: 57).

De acordo com McCroskey et al, (1996), citado por Ward, Bochner & Furnham (2001, p.57),
imediatismo refere-se a comportamentos que convidam comunicação e implicam proximidade
psicológica onde esta é principalmente transmitida através de sinais não-verbais que variam
culturalmente.

De acordo com Hinkle (1998) citado em Ward, Bochner, Fumham, (2001), os membros de uma
cultura de alto contexto, como os japoneses confiam mais na comunicação não-verbal do que nos
canais de comunicação verbal e não procuram a proximidade psicológica. Por outro lado, um
baixo contexto cultural, como nos estados Unidos se baseia mais no afecto verbal do que nos
meios não-verbais da comunicação, e seus membros valorizam a proximidade psicológica.

Gestos
De acordo com Collett (1982), Morris et al (1979), citado porWard et al (2001:58), gestos e seus
significados variam amplamente entre as culturas.

Alguns gestos são usados em muitas culturas e não em outras, e o mesmo gesto pode ter
diferentes significados em diferentes culturas (Ward et al, 2001: 58). Por exemplo, nos Estados
Unidos, um polegar levantado é usado como um sinal de aprovação, no entanto, na Grécia o
mesmo sinal é usado como um insulto; o sinal do anel, executado por trazer as pontas do polegar
e do dedo indicador de modo a formarem um círculo, é para a maioria das pessoas que falam
Inglês amplamente conhecido como o gesto de "OK" mas, em algumas regiões da França o anel
significa zero ou sem valor; em países de língua inglesa discordância é sinalizado agitando a
cabeça, mas na Grécia e no sul da Itália, abanar a cabeça é empregado para significar "não".

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Entre os europeus, os italianos são provavelmente os usuários que fazem mais intensamente o
uso de movimentos expressivos de mãos em conversa (Collett, 1994: 65, citado por Ward et al,
2001: 58).

Outros grupos que gesticulam muito são os franceses, judeus da Europa Oriental, gregos,
espanhóis e portugueses, em contrapartida povos nórdicos como os suecos, finlandeses,
noruegueses e dinamarqueses fazem muito pouco uso da gesticulação (Argyle, 1981, citado por
Ward et al, 2001: 58). Os britânicos, alemães, holandeses, belgas e russos usam gestos com
moderação, e também expressões faciais, como sorrir e olhar.

De acordo com Dew e Ward, (1993) citado por Ward et al (2001: 58), os treinamentos de
habilidades sociais sempre colocam muita ênfase em comportamentos não-verbais. A
complexidade e variedade destes sinais em diferentes culturas atestam a sua importância na
interacção transcultural eficaz, e a pesquisa experimental tem mostrado que os comportamentos
não-verbais culturalmente congruentes são um elemento mais poderoso na predição da atracção
interpessoal que a étnica.

É importante salientar que alguns aspectos de comportamentos não-verbais são mais importantes
do que outros (Ward et al, 2001: 58). Por exemplo, expressões faciais e olhar desempenham um
papel mais importante na comunicação do que o comportamento espacial. No entanto, em uma
instância específica até mesmo a menor variação no comportamento não-verbal pode levar a uma
grande falha na comunicação.

Regras e Convenções
De acordo com Driskill & Bowns, (1995) citado em Ward et al (2005:58), afirmam que as
diferenças culturais nas regras que governam o comportamento interpessoal são uma das grandes
fontes das dificuldades na comunicação intercultural.

Furnham e Bochner, (1982) citado por Ward et al (2001:58), identificaram quarenta situações
sociais de rotina que peregrinos tinham dificuldades em negociações em diferentes graus, em
parte porque as regras que os regulam variam de cultura para cultura, e pode não ser óbvio para
pessoas que venham de fora.

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Em uma demonstração mais directa da existência e os efeitos das diferenças culturais de regras
sociais, constatou-se haver diferença em temas culturais gerais entre a Indonésia e a Austrália
com relação as suas relações com os outros, os indonésios valorizavam relações sociais
amistosas com todos, valorizavam a conformidade no grupo, em contrapartida, os australianos
privilegiavam relacionamentos exclusivos e privacidade pessoal, enfatizavam o individualismo
(Noesjirwan, 1978, citado por Ward et al, 2005: 59).

Ward et al (2005: 59) afirma que as regras sociais tendem a operar-se de forma inconsciente nas
pessoas. Muitas vezes as pessoas tornam consciência da existência de uma regra quando esta é
quebrada ou rompida.

Formas de tratamento
As formas de tratamento variam entre culturas, principalmente em termos de uso do primeiro
nome, sobrenome e título (Ward et al, 2005: 60).

No cruzamento cultural existe uma variação considerável no que diz respeito ao uso do primeiro
nome (Chaney & Marfin, 1995, citado por Ward et al, 2005: 60). Nos EUA, as pessoas recém-
chegadas muito rapidamente chamam uns aos outros por seus nomes próprios. No entanto em
outras sociedades como Alemanha, Itália e Grã-Bretanha, os primeiros nomes são reservados
para endereçamentos de amigos próximos e membros da família. Os alemães e italianos como
forma de transmitir respeito, usam muitas vezes títulos, como o nível de escolaridade, a
ocupação (Ward et al, 2001: 60).

De acordo Hosftede, (1980) citado por Ward et al(2005:60), o pressuposto de que o poder
distancia varia entre as culturas. Por exemplo, um académico britânico distinto psicólogo visitou
a Austrália e foi ouvido a reclamar da grosseria de alunos de graduação australiana, por ter sido
chamado pelo seu nome durante a aula mas, para os australianos a abordagem informal era um
sinal de respeito.

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Teoria da Comunicação Intercultural

Integrar os Elementos da Comunicação


De acordo com Gallois et al, (1995) citado por Ward et al (2005:61), provavelmente a mais
desenvolvida das teorias de comunicação, e um dos mais relevantes deste tema, é a Teoria da
Acomodação da Comunicação.

Esta teoria inspirou-se em outras anteriores como a Teoria da Acomodação da Fala, Teoria da
Identificação Etnolinguística, Teoria da Vitalidade Etnolinguística e Teoria da Identidade Social.
A Teoria da Acomodação da Comunicação é uma extensão de um trabalho pioneiro feito por
Howard Giles em 1973 e integra aspectos de estratégias de comunicação, motivação do
participante e relações entre membros do grupo para explicar a dinâmica das interacções
interculturais (Ward et al, 2001: 61).

Ward et al (2001:61 – 63), esta teoria pressupõe que os participantes de encontros linguísticos
sejam conduzidos por um dos seguintes motivos:

 Convergência – em que tornam alguns aspectos de seu discurso mais semelhantes aos do
parceiro, como forma de se identificar com a outra pessoa ou obtenção de aprovação da
pessoa;
 Divergência –neste caso os participantes fazem o inverso do caso anterior, como uma
forma de distinguir-se da outra pessoa, ou manter seu próprio estilo.
Recentemente, convergência, divergência e manutenção foram classificadas como estratégias de
aproximação (Ward, Bochner & Furnham,2001: 61).

Estratégias de aproximação que visam tornar os participantes mais perto são chamadas de
acomodação e as que visam enfatizar as diferenças interpessoais entre os grupos são chamadas
de não-acomodação (Ward, Bochner & Furnham,2001: 61).

Para Ward, Bochner e Furnham (2001:63), esta teoria torna-se especialmente relevante para
discussão devido ênfase que esta dá ao alojamento como determinante no contacto intergrupal
harmonioso.

Uma outra contribuição para a presente exposição é a distinção da Teoria da Acomodação da


Comunicação entre os determinantes interpessoais e intergrupais de acomodação. Acomodação

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com base nos membros do grupo é mais susceptível de afectar amplamente o comportamento a
longo prazo, como as redes sociais dos recém-chegados e aquisição da linguagem e em última
análise, a sua identidade cultural.

Relações Sociais em Sociedades Multiculturais


Existem muito poucas sociedades culturalmente homogéneas no mundo de hoje. A maioria dos
países têm ou estão a tornar-se culturalmente pluralistas, através de uma política deliberada de
imigração, ou devido as circunstâncias não totalmente ao seu gosto/escolha (Ward, Bochner &
Furnham, 2001: 63).

Segundo Ward, Bochner e Furnham (2001: 63), muitas nações têm dentro das suas fronteiras
grupos consideráveis de colonos permanentes que assim se consideram e são vistos por outras
pessoas por possuírem características diferentes, tais como a etnia, identidade, práticas,
costumes, formas linguísticas e, muitas vezes a aparência distingui-os claramente dos outros
grupos. Na maioria dos casos, essas pessoas podem ser caracterizadas como pertencentes a
grupos minoritários, distingui-os da maioria da definição do grupo cultural (local).

Dificuldades na Transição Cultural e Social


Ward, Bochner e Furnham (2001: 63), a abordagem da aprendizagem cultural fornece um amplo
quadro teórico para a compreensão do choque cultural. No nível mais básico reconhece que os
problemas vividos pelos viajantes podem ser atribuídos à ausência ou distorção de sinais
ambientais e sociais familiares.

Resultados de pesquisas feitas sob o assunto demonstraram que os viajantes observaram, por
exemplo, que o desconhecimento de algum ou todos os aspectos de uma nova sociedade (físicos,
tecnológicos, climatéricos, políticos, jurídicos, educacionais, linguísticos e socioculturais) pode
contribuir para o choque cultural, mas argumentam que as dificuldades mais fundamentais
experimentadas por viajantes transculturais ocorreram em situações sociais, episódios e
transacções (Ward, Bochner e Furnham, 2001: 64). Consequentemente, eles têm enfatizado a
importância da coesão social, habilidades e interacções sociais e se concentraram na aquisição

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das competências comportamentais culturalmente relevantes necessárias para forasteiros,
imigrantes e refugiados para sobreviver e prosperar em suas novas sociedades.

Para Ward, Bochner e Furnham (2001: 64), a abordagem de aprendizagem cultural sugere que
deficits de habilidades devem ser incluídos no estudo de contacto intercultural

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III. Conclusões

Durante a elaboração o trabalho foi possível verificar que os viajantes deparam-se com vários
problemas que são consequência de contacto cultural, facto que se deve as diferenças culturais.
Estas, por sua vez, fazem com que os hábitos, as crenças, os valores, os sentimentos variem de
uma sociedade para outra.

Os aspectos referentes a cultura determinam a maneira como as pessoas se comportam, bem


como a forma como interpretam o seu próprio comportamento e o dos outros.

Constatou-se ainda que certos comportamentos podem merecer múltiplas interpretações


completamente diferentes, em conformidade com o contexto cultural em que são manifestados.
A diferença nas características culturais pode influenciar em grande medida a maneira como as
pessoas resolvem conflitos do seu quotidiano.

Assumindo as diferenças culturais entre as sociedades, surge a necessidade de uma


aprendizagem cultural para que o indivíduo possa se inserir com sucesso numa nova sociedade,
evitando assim choque cultural e o surgimento de conflitos, produtos desse choque.

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IV. Referências Bibligráfica

Ward, C., Bochner, S., & Furnham, A. (2001). The Psychology of Culture Shock. Philadelphia:
Routledge

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