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RSC - responsabilidade social corporativa no Brasil

Para o CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento


Sustentável –, Responsabilidade Social Corporativa – RSC –, representa o
compromisso contínuo da empresa com seu comportamento ético e com o
desenvolvimento econômico, promovendo ao mesmo tempo a melhoria da
qualidade de vida de sua força de trabalho e de suas famílias, da comunidade local
e da sociedade como um todo. RSC é hoje um fator tão importante para as
empresas como a qualidade do produto ou do serviço, a competitividade nos
preços, marca comercialmente forte, etc. Estudo recente da Universidade de
Harvard mostra que atualmente 76% dos consumidores preferem marcas e
produtos envolvidos em algum tipo de ação social. E, assim, cada vez mais a
competição entre as empresas passa também pelo volume de investimento na área
social, seja junto a seus funcionários, seja junto aos moradores que habitam na
cidade onde a empresa está instalada, seja para a população em geral. Para
viabilizar a introdução desse conceito e a adoção dessas práticas, CEBDS vem
ampliando as discussões e a troca de experiências sobre o tema. Essa prática tem
sido enriquecedora, demonstrando em toda plenitude a capacidade criativa de
executivos e funcionários das empresas.

Para o Instituto Ethos, responsabilidade social é uma forma de conduzir os negócios


da empresa de tal maneira que a torna parceira e co-responsável pelo
desenvolvimento social. A empresa socialmente responsável é aquela que possui a
capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes – acionistas, funcionários,
prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-
ambiente – e conseguir incorporá-los no planejamento de suas atividades,
buscando atender às demandas de todos e não apenas dos acionistas ou
proprietários.

Responsabilidade social no Brasil

A responsabilidade social empresarial é um tema de grande relevância nos


principais centros da economia mundial. Nos Estados Unidos e na Europa proliferam
os fundos de investimento formados por ações de empresas socialmente
responsáveis. O Sustainability Index, da Dow Jones, por exemplo, enfatiza a
necessidade de integração dos fatores econômicos, ambientais e sociais nas
estratégias de negócios das empresas. Normas e padrões certificáveis relacionados
especificamente ao tema da responsabilidade social, como as normas SA8000 –
relações de trabalho – e AA1000 – diálogo com partes interessadas –, vêm
ganhando crescente aceitação.

No Brasil, o movimento de valorização da responsabilidade social empresarial


ganhou forte impulso na década de 90, através da ação de entidades não
governamentais, institutos de pesquisa e empresas sensibilizadas para a questão. O
trabalho do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - IBASE na
promoção do balanço social é uma de suas expressões e tem logrado progressiva
repercussão.

A obtenção de certificados de padrão de qualidade e de adequação ambiental, como


as normas ISO, por centenas de empresas brasileiras, também é outro símbolo dos
avanços que têm sido obtidos em alguns aspectos importantes da responsabilidade
social empresarial.

As enormes carências e desigualdades sociais existentes em nosso país dão à


responsabilidade social empresarial relevância ainda maior. A sociedade brasileira
espera que as empresas cumpram um novo papel no processo de desenvolvimento:

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sejam agentes de uma nova cultura, sejam atores de mudança social, sejam
construtores de uma sociedade melhor.

Ética e qualidade nas relações

A atuação baseada em princípios éticos elevados e a busca de qualidade nas


relações são manifestações da responsabilidade social empresarial. Numa época em
que os negócios não podem mais se dar em segredo absoluto, a transparência
passou ser a alma do negócio: tornou-se um fator de legitimidade social e um
importante atributo positivo para a imagem pública e reputação das empresas. É
uma exigência cada vez mais presente a adoção de padrões de conduta ética que
valorizem o ser humano, a sociedade e o meio ambiente. Relações de qualidade
constroem-se a partir de valores e condutas capazes de satisfazer necessidades e
interesses dos parceiros, gerando valor para todos. Empresas socialmente
responsáveis estão melhor preparadas para assegurar a sustentabilidade a longo
prazo dos negócios, por estarem sincronizadas com as novas dinâmicas que afetam
a sociedade e o mundo empresarial. O necessário envolvimento de toda a
organização na prática da responsabilidade social gera sinergias, precisamente com
os públicos dos quais ela tanto depende, que fortalecem seu desempenho global.

A empresa é socialmente responsável quando vai além da obrigação de respeitar as


leis, pagar impostos e observar as condições adequadas de segurança e saúde para
os trabalhadores, e faz isso por acreditar que assim será uma empresa melhor e
estará contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa.

A prática da responsabilidade social revela-se internamente na constituição de um


ambiente de trabalho saudável e propício à realização profissional das pessoas. A
empresa, com isso, aumenta sua capacidade de recrutar e manter talentos, fator
chave para seu sucesso numa época em que criatividade e inteligência são recursos
cada vez mais valiosos.

A competição acirrada torna vital a fidelização dos consumidores e clientes, que


têm cada vez mais acesso à informação e à educação. A adoção de um
comportamento que ultrapassa as exigências legais agrega valor à imagem da
empresa, aumentando o vínculo que seus consumidores e clientes estabelecem com
ela.

A empresa demonstra sua responsabilidade social ao comprometer-se com


programas sociais voltados para o futuro da comunidade e da sociedade. O
investimento em processos produtivos compatíveis com a conservação ambiental e
a preocupação com o uso racional dos recursos naturais também têm importante
valor simbólico, por serem de interesse da empresa e da coletividade.

Com iniciativas desse tipo, a empresa revela sua crença no preceito de que só uma
sociedade saudável pode gerar empresas saudáveis.

Qual a diferença entre responsabilidade social e filantropia?

A filantropia trata basicamente de ação social externa da empresa, tendo como


beneficiário principal a comunidade em suas diversas formas – conselhos
comunitários, organizações não governamentais, associações comunitárias etc. – e
organização. A responsabilidade social foca a cadeia de negócios da empresa e
engloba preocupações com um público maior – acionistas, funcionários, prestadores
de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente –,
cujas demandas e necessidades a empresa deve buscar entender e incorporar em
seus negócios. Assim, a responsabilidade social trata diretamente dos negócios da
empresa e como ela os conduz.

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Como a ética se relaciona com responsabilidade social?

Ética é a base da responsabilidade social e se expressa através dos princípios e


valores adotados pela organização. Não há responsabilidade social sem ética nos
negócios. Não adianta uma empresa, por um lado pagar mal seus funcionários,
corromper a área de compras de seus clientes, pagar propinas à fiscais do governo
e, por outro, desenvolver programas junto a entidades sociais da comunidade. Essa
postura não condiz com uma empresa que quer trilhar um caminho de
responsabilidade social. É importante seguir uma linha de coerência entre ação e
discurso.

Posso ser socialmente responsável mesmo possuindo problemas em


alguma área da empresa?

A responsabilidade social é um processo que nunca se esgota. Não dá para dizer


que uma empresa chegou ao limite de sua responsabilidade social, pois sempre há
algo a se fazer. Assim, o primeiro passo é a empresa fazer uma auto-avaliação que
possa indicar onde é necessário melhorar suas políticas e práticas e, a partir daí,
estabelecer um cronograma de ações que devem ser realizadas pela empresa. É um
processo educativo que evolui com o tempo.

Quais são as vantagens da empresa que adota políticas e práticas de


responsabilidade social?

A prática demonstra que um programa de responsabilidade social só traz resultados


positivos para a sociedade e para a empresa, se for realizada de forma autêntica. A
empresa precisa ter a cultura da responsabilidade social incorporada ao seu
pensamento. Desenvolver programas sociais apenas para divulgar a empresa, ou
como forma compensatória, não traz resultados positivos sustentáveis ao longo do
tempo. Porém, para aquelas empresas que incorporarem os princípios e os
aplicarem corretamente, alguns resultados podem ser sentidos, como a valorização
da imagem institucional e da marca, maior lealdade do consumidor, maior
capacidade de recrutar e manter talentos, flexibilidade e capacidade de adaptação e
longevidade.

Em quais áreas a empresa pode desenvolver projetos de responsabilidade


social?

Em diversas áreas, com diversos públicos e de diferentes maneiras. Com cada um


dos parceiros – acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores,
consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente – a empresa pode
desenvolver atividades criativas. Entre as opções estão: incorporação dos conceitos
de responsabilidade social na missão da empresa, divulgação deste conceito entre
os funcionários e prestadores de serviço, estabelecimento de princípios
ambientalistas como uso de materiais reciclados e a promoção da diversidade no
local de trabalho.

Fonte
RSC - responsabilidade social corporativa no Brasil. Jornal do Meio Ambiente,
Niterói. Disponível em:
<http://www.jornaldomeioambiente.com.br/GestaoAmbiental/RSC.asp>. Acesso
em: 08 dez. 2005.

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