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Publicado em NOVA ESCOLA 12 de Julho | 2021

Avaliação

11 dicas para dar feedback aos


alunos no ensino remoto
As devolutivas estruturam o trabalho do docente, constituem parte
essencial do processo de aprendizagem e, no formato a distância,
aproximam estudantes e professores
Dimítria Coutinho

Crédito: Getty Images

O ensino remoto, adotado em virtude da Covid-19, impôs uma série de desafios aos professores. Um
deles diz respeito a como fazer o acompanhamento a distância da aprendizagem dos estudantes e
como dar devolutivas a eles. Com ou sem pandemia, esses feedbacks são essenciais tanto para os
alunos terem ciência de como estão em relação aos objetivos de aprendizagem, como para os
docentes poderem reorganizar suas estratégias pedagógicas.

“Dar feedback é algo que deve permear sempre o processo avaliativo do professor em relação ao
desempenho dos estudantes, a partir dos objetivos de ensino que ele define no seu plano de curso.
Independentemente do modo como esse trabalho esteja sendo desenvolvido, no formato presencial
ou virtual, a avaliação é um dos elementos que estrutura a prática do professor”, afirma Edileuza
Fernandes Silva, especialista em avaliação e professora adjunta da Faculdade de Educação da
Universidade de Brasília (UnB).

Segundo ela, o primeiro passo para pensar nas devolutivas é entender a avaliação como um
processo. É em cada atividade, aula ou projeto, e não apenas nas provas formais, que os professores
conseguem compreender como cada aluno está avançando. E essa avaliação constante precisa
também gerar um feedback para os estudantes, apontando o que tem sido feito de correto e o que
ainda precisa melhorar. Mas isso tem sido bastante desafiador.

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“No ensino remoto, o feedback tem uma importância ainda maior. Pois é no dia a dia da sala de aula
presencial que o professor vai dando essas devolutivas. É em uma conversa ali na mesa, em uma
atividade em que o professor chama o aluno para ir lá no quadro resolver uma questão ou mesmo
em uma aula expositiva. Com o distanciamento, nós perdemos um pouco isso”, diz Edileuza.

Alguns docentes estão testando formas diferentes de dar esses feedbacks aos alunos. É o caso de
Rosemeire Fracaroli Pancoto, professora do 4º ano da Escola Municipal de Educação Básica
Philomena Sálvia Zupardo, em Itatiba (SP), e de Alessandro Araújo Bezerra, professor do 5º ano da
Escola Classe 614 de Samambaia, em Brasília (DF). Abaixo, os professores e a especialista dão dicas
sobre como fazer essas devolutivas no ensino remoto.

1. Busque a devolutiva possível


A pandemia impôs desafios e, na prática, nenhuma etapa da aprendizagem está sendo conduzida da
forma ideal. E isso também vale para os feedbacks. É claro que a devolutiva remota será tão boa
quanto uma conversa olho no olho com os alunos, mas é importante não se deixar paralisar. “Quando
você não consegue oferecer esse feedback ao aluno, ele começa a se sentir um pouco frustrado.
Então, é essencial que esse retorno aconteça, mesmo que não seja 100%. Acredito que nenhum
professor está conseguindo dar 100% dessa devolutiva”, comenta Alessandro.

2. Entenda o feedback como uma atividade constante


Assim como a avaliação, o feedback também precisa ser um processo constante. Os professores não
devem dar retorno do aprendizado ao aluno apenas após uma prova, por exemplo, mas também
depois de atividades, aulas e trabalhos. Dessa forma, tanto o aluno quanto o professor conseguem
perceber a evolução na aprendizagem.

3. Esteja próximo dos alunos


Rosemeire e Alessandro observam que, no ensino remoto, uma das maiores vantagens do feedback é
motivar os alunos a continuarem estudando. Seja com uma mensagem rápida no WhatsApp ou com
uma chamada de vídeo exclusiva, é importante não deixar os estudantes sem retorno, “no escuro”.
“Dar esse feedback é o mesmo que dizer que você está ali, próximo dele. Não existe aprendizado e
pedagogia sem afetividade”, pontua Alessandro.

4. Conte aos estudantes o que você espera deles


Antes de explicar ao aluno em quais aspectos ele precisa se dedicar mais e em quais ele está indo
bem, é essencial apontar o que você espera da turma. É entendendo onde precisa chegar que o
estudante conseguirá trilhar esse caminho, com o auxílio do professor. Edileuza destaca que essa
transparência também deve levar em consideração as limitações impostas pelo modelo remoto. “Os
objetivos não são alcançados em um passe de mágica, eles requerem trabalho do professor e do
estudante".

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5. Relacione avaliação com devolutiva
Seja com aulas síncronas online ou com atividades impressas enviadas aos alunos, é sempre
importante que o processo de ensino gere formas para o professor compreender o processo de
aprendizagem do estudante, conseguir avaliá-lo e dar uma devolutiva construtiva. Por isso, deve
haver um planejamento conjunto, pensando em maneiras novas de conseguir acompanhar os alunos
a distância.

6. Utilize a autoavaliação
No ensino remoto, a autoavaliação pode dar ao professor subsídios para entender o processo de
aprendizagem do estudante. Assim, ele é capaz de dar feedback de como os estudos podem
melhorar. A autoavaliação não deve ser, porém, uma auto atribuição de nota, alerta Edileuza. “A
autoavaliação que importa é a autorreflexão que o estudante vai fazer sobre o seu próprio processo
de construção do conhecimento. É como ele percebe que ele está aprendendo”.

7. Estabeleça contato com as famílias


As famílias têm se tornado cada vez mais participativas no processo de ensino e aprendizagem no
ensino remoto. Por isso, é essencial conversar também com elas para compreender o contexto de
cada aluno. Dependendo da idade do estudante, os familiares podem estar presentes no momento
do feedback, para ajudá-lo a alcançar seus objetivos.

8. Priorize o feedback individual


Por mais que os momentos de correção de atividades em turma sejam importantes, é essencial dar
retornos individuais a cada estudante. Rosemeire conta que costuma enviar mensagens no WhatsApp
com fotos de correções, áudios ou pequenos vídeos dando dicas e conselhos individuais a cada aluno
-- nem que seja um coração na capa do trabalho, ela nunca deixa de responder os estudantes. Em
projetos mais complexos, ela também aposta em atendimentos individuais por chamada de vídeo.

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9. Utilize ferramentas diferentes


Se os alunos tiverem bom acesso à internet, algumas ferramentas tecnológicas podem ajudar na hora
do feedback. Rosemeire conta que plataformas como Liveworksheets, Wordwall e até o Google
Formulários permitem a criação de atividades gamificadas que podem fornecer devolutivas
automáticas. Além disso, as chamadas de vídeo individuais, caso haja tempo e conexão, são a melhor
opção para um retorno mais “olho no olho” e permitem, inclusive, o compartilhamento de tela com as
atividades. Se o WhatsApp for o único meio disponível, vale a pena apostar em todos os recursos da
plataforma, como fotos de trabalhos com comentários, áudios e vídeos.

10. Elogie
Quando se fala em feedback, é comum que se pense em correção de erros e aspectos nos quais os
estudantes podem melhorar. Sobretudo no contexto da pandemia, porém, os feedbacks positivos são
essenciais, já que podem ajudar os alunos a se manterem motivados. “É importante reconhecer
também todo o empenho e o esforço da parte deles”, diz Rosemeire.

11. Insira o feedback no seu planejamento


Dar atenção individual a cada estudante toma tempo. Por isso, insira os feedbacks no seu
planejamento para conseguir conciliar essa atividade com todas as outras presentes no cotidiano do
professor. Pode ser interessante também impor alguns limites à prática, separando momentos para a
turma tirar dúvidas, por exemplo. Assim, os momentos de feedbacks individuais não acabam se
tornando um atendimento pedagógico longo e individualizado.

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