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Inclusão

Secretaria de Educação Especial/MEC

R evis t a d a E d uca ç ã o E s p ecia l


V.6 Nº1 JANEIRO/JUNHO 2011 ISSN 1808-8899

Ministério da Educação
Secretaria de Educação Especial
Esplanada dos Ministérios, Bloco L, 6º andar, Sala 600
70047-900 – Brasília/DF – Telefone: 0800 616161
seep@mec.gov.br – www.mec.gov.br/seesp

Formação de ENTREVISTA

Professores Rosângela Machado


Expediente
Presidência da República
Ministério da Educação
Secretaria Executiva
Secretaria de Educação Especial

Comissão Organizadora
Claudia Pereira Dutra
Martinha Clarete Dutra dos Santos
Misiara Cristina Oliveira
Cleonice Machado de Pellegrini
Marizete Almeida Muller

Conselho Editorial
Nacional:
Antônio Carlos do Nascimento Osório – UFMS
Claudio Roberto Baptista – UFRGS
Denise de Souza Fleith – UNB
Dulce Barros de Almeida – UFG
Eduardo José Manzini – UNESP
Marcos José da Silveira Mazzotta – Universidade Mackenzie
Maria Amélia Almeida – UFSCar
Maria Teresa Eglér Mantoan – UNICAMP
Rita Vieira de Figueiredo – UFC
Ronice Müller de Quadros – UFSC
Soraia Napoleão Freitas – UFSM

Internacional:
David Rodrigues – Universidade Técnica de Lisboa, Portugal

Jornalista Responsável
Nunzio Briguglio Filho (007010/SC-MT)

Sistematização
Bárbara Martins de Lima Delpretto

Revista Inclusão é uma publicação semestral da Secretaria de


Educação Especial do Ministério da Educação.
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a fonte. Quando assinadas, indicar o autor. Artigos assinados
expressam as opiniões de seus respectivos autores e, não CIBEC/MEC
necessariamente, as da SEESP, que os edita por julgá-los elementos
de reflexão e debate.
Inclusão: Revista da Educação Especial / Secretaria de Educação
Especial. v. 6, n. 1 (jan/jun) – Brasília: Secretaria de Educação
Indexada em:
Especial, 2011.
Bibliografia Brasileira de Educação (BBE)/Inep
Latindex – Sistema Regional de Información en Linea para Revistas
Cientificas de America Latina, el Caribe, España y Portugal. ISSN 1808-8899

1. Inclusão educacional. 2. Educação especial. I. Brasil.


Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial.
Editorial 1
Stock

A
Revista Inclusão aborda, nesta edição temática, a formação docente, por considerá-la determinante
no processo de construção dos sistemas educacionais inclusivos. A formação continuada de pro-
fessores é um dos objetivos do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE (2007), que define
as ações de colaboração entre a União e os demais entes federados para a efetivação do direito de todos à
educação.
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC/2008) apresenta
dentre as estratégias de apoio aos sistemas de ensino, a formação continuada de professores que atuam
no atendimento educacional especializado – AEE, e de demais profissionais da educação para a inclusão
escolar.
Para tanto, são ofertados cursos de formação continuada de professores na educação especial na moda-
lidade a distância, por meio da rede de instituições públicas de educação superior, abrangendo professores
de escolas públicas de todas as regiões do país.
Assim, a articulação entre a educação básica e superior é enfocada pelas experiências de formação do-
cente apresentadas pelas instituições integrantes da rede de formação. Estas experiências evidenciam o
fortalecimento que a política pública pode proporcionar ao desenvolvimento inclusivo das escolas, direcio-
nando o fomento à formação continuada.
Outro aspecto relevante neste processo é demonstrado pelas oportunidades de apropriação das tec-
nologias digitais pelos professores das escolas públicas que passam a trabalhar com estas ferramentas na
perspectiva do seu desenvolvimento profissional e da prática pedagógica.
As mudanças na formação inicial e continuada de professores, provocadas pela atual concepção de edu-
cação especial na perspectiva inclusiva, permeiam a discussão proposta ao longo desta publicação.
Nesta edição, têm a palavra os professores e gestores envolvidos no processo de formação continuada,
protagonistas de importantes alterações no cotidiano escolar.

Secretaria de Educação Especial

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Sumário

1 4 8 14
Editorial Entrevista Destaque Enfoque
Secretaria de Educação Rosângela Machado Diretrizes para construção da Atendimento educacional
Especial/MEC política nacional de formação especializado: trajetória,
e valorização dos docentes da conceitos e formação
educação básica
Tecnologia assistiva e formação
de professores: construindo uma
sociedade inclusiva

Formação continuada em
educação inclusiva através da
ead: as vozes das cursistas

Colaboração entre gestão


educacional e universidades
para a formação continuada de
professores na perspectiva da
educação inclusiva

Práticas educacionais
em educação a distância

2 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 1-68, jan./jun. 2011


60 61 62 64
Resenha Informe Opinião Veja Também
Quem eu seria se pudesse ser: Política Nacional de Formação Educação Inclusiva e A Formação de Professores no
A condição adulta da pessoa de Profissionais do Magistério Formação de Professores Estado do Piauí: Uma Proposta
com deficiência intelectual da Educação Básica Fabiane Romano de Souza Bridi em Construção
Luciana dos Santos Cordeiro Mello Valquirea Monteblanco Villagran Viviane Faria

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4 Entrevista
Rosângela Machado*

Formação de Professores

A
Política Nacional de Edu- desenvolvimento e altas habilida- para o exercício da docência e co-
cação Especial na Perspec- des/superdotação, a formação de nhecimentos específicos da área”.
tiva da Educação Inclusiva professores para o atendimento
(MEC/2008) apresenta como uma educacional especializado e de- 1. Revista Inclusão: Em sua opi-
das estratégias de apoio aos sis- mais profissionais da educação nião, como se estrutura a formação
temas de ensino, com vistas ao para a inclusão escolar. Conforme de professores para o Atendimen-
alcance do objetivo de garantir o a Política, “para atuar na educação to Educacional Especializado?
acesso, a participação e a apren- especial o professor deve ter como
dizagem dos alunos com defi- base da sua formação inicial e con- Rosângela: O Atendimento Edu-
ciência, transtornos globais do tinuada, conhecimentos gerais cacional Especializado – AEE de-

* Pedagoga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (1990). Especialista em Educação Especial pela Universidade de Gunma/
Japão (2001). Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2006). Doutoranda em Educação pela Universidade Estadual de
Campinas.

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corre de uma nova concepção de atuação com base no que viven- as mesmas necessidades ou que
educação especial, sustentado ciamos e no que conhecemos. É vivem a deficiência da mesma for-
por decretos e resoluções. Ele uma formação que visa o conhe- ma. Uma criança não se define e
está centrado na dimensão de cimento especializado sob o enfo- não se constitui por um único atri-
acessibilidade que garante par- que educacional. buto: a deficiência.
ticipação, atividade e interação A Tecnologia Assistiva – TA, área Quando tematizamos o outro,
no percurso de escolarização que engloba produtos, servi- ou seja, quando destacamos a
dos alunos público da educação ços, recursos, metodologias e deficiência ou o transtorno glo-
especial. As atividades desenvol- práticas que visam promover bal do desenvolvimento como
vidas no AEE se diferem das ati- acessibilidade as pessoas com uma categoria a ser estudada,
vidades desenvolvidas na sala de deficiência, é utilizada no AEE exigimos um atendimento para
aula comum. e suas modalidades, tais como: todos os que se encaixam nestas
Neste sentido, é por meio do AEE Comunicação aumentativa e al- categorias.
que a educação especial se rede- ternativa, informática acessível,
fine o que requer formação de recursos pedagógicos acessíveis,
professores para o desempenho Sistema Braille, técnica do soro-
da nova função e atendimento bã, produção de materiais am-
das novas demandas de trabalho pliados e em alto relevo, entre
diante de um serviço de educa- outras, devem ser estudadas na “A formação
ção especial que não é mais ca- formação de professores do AEE. continuada só tem
racterizado pelo foco clínico ou sentido quando está
pela ação substitutiva de escola- 2. Revista Inclusão: De que ma- atrelada a prática
rização dos alunos com deficiên- neira a reestruturação da forma-
cia, transtornos globais do desen- ção da Educação Especial, antes escolar que nos
volvimento e altas habilidades/ organizada por áreas específicas, possibilita criar
superdotação. modifica a concepção e a prática estratégias de
A primeira estruturação que ocor- do Atendimento Educacional Es- atuação com base
re nessa formação parte da com- pecializado?
no que vivenciamos e
preensão de que o professor do
AEE não é um especialista em Rosângela: Realmente, a forma- no que conhecemos.
uma dada deficiência. Seu objeti- ção de professores para a educa- É uma formação que
vo é conhecer o aluno, identificar ção especial, na perspectiva da visa o conhecimento
suas possibilidades e necessida- educação inclusiva, não tem por
base o estudo de uma área es-
especializado sob
des, traçar um plano de AEE para
que possa organizar os serviços, pecífica. Não foi fácil ter a com- o enfoque
as estratégias e os recursos de preensão de que para atuar na educacional.”
acessibilidade. educação especial o professor
A formação, então, não tem por não é um especialista em uma
base o estudo de uma única defi- dada área.
ciência. Ela deve estabelecer uma Alunos com deficiência, por exem-
interlocução entre os conheci- plo, não podem ser demarcados, Faz-se necessário conhecer a
mentos que são próprios do AEE naturalizados como se a deficiên- criança como ela é: seus de-
com as situações reais do cotidia- cia dissesse tudo sobre eles. sejos, suas necessidades, suas
no escolar. Aliás, a formação con- A categoria unificada sob o rótulo habilidades e dificuldades, seus
tinuada só tem sentido quando de deficiência faz com que pen- modos de traçar caminhos para
está atrelada à prática escolar que semos que todas as crianças com aprender, entre tantos outros
nos possibilita criar estratégias de uma mesma deficiência tenham aspectos. Duas crianças com a

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mesma deficiência podem in- 3. Revista Inclusão: Como pode as necessidades das redes de en-
teragir com o ambiente escolar ser avaliada a expansão da ofer- sino. A formação envolve os pro-
de forma totalmente diferencia- ta da formação para o Atendi- fessores do AEE das redes públi-
da. Desta forma, o professor não mento Educacional Especia- cas de ensino que atuam ou vão
deve se preocupar em ter uma lizado, por meio de cursos de atuar nas salas de recursos mul-
formação que o leve a conhecer aperfeiçoamento e especializa- tifuncionais (espaços escolares
todos os tipos e níveis de com- ção, na perspectiva da promo- destinados ao AEE).
prometimento da deficiência ou ção do pleno acesso, participa- Desta forma, a expansão da ofer-
dos transtornos. ção e aprendizagem dos alunos ta da formação para o AEE pode
A convivência com os alunos é o público alvo da educação espe- ser avaliada como de funda-
melhor caminho para que o ou- cial nas classes comuns do ensi- mental importância para que os
tro seja desvelado e reconhecido no regular? gestores e professores das redes
na medida em que se constrói públicas de ensino possam ter
entre nós uma relação, um vín- Rosângela: Existem muitos pro- a compreensão da nova pers-
culo responsável por nossa cons- fessores que foram formados em pectiva da educação especial ao
tituição como seres que não se cursos de graduação em educa- mesmo tempo em que vão ten-
repetem. ção com habilitação em educação do subsídios para se adequar ao
Daí vem nosso entendimento so- especial na perspectiva de atuar novo trabalho.
bre as diferenças que não podem com pessoas com deficiência ou É bom lembrar que a formação
ser reduzidas ao uno, fixo, cate- transtornos globais do desenvol- continuada de professores para o
gorizável. A diferença é sempre vimento de forma substitutiva ao AEE não pode se encerrar nos cur-
um devir. ensino comum. A mesma pers- sos que o MEC oferta. As secreta-
pectiva substitutiva, ainda, se re- rias de educação devem, também,
pete em cursos de formação con- investir na formação continuada
tinuada. de professores, aprofundando os
Por isso, quanto mais é ofertada a estudos em AEE.
formação continuada de professo-
“Quanto mais é ofertada res para o AEE, por meio de cursos 4. Revista Inclusão: A organiza-
de extensão, aperfeiçoamento ou ção da educação especial como
a formação continuada especialização, com base na pers- modalidade não substitutiva à
de professores para pectiva inclusiva, mais as redes escolarização aponta a neces-
o AEE, por meio de de ensino terão a oportunidade sidade de articulação entre a
cursos de extensão, de aprofundar conhecimentos, educação especial e o ensino re-
romper paradigmas e atualizar as gular. Como esse processo vem
aperfeiçoamento ou práticas. se desenvolvendo no contexto
especialização, com base O Ministério da Educação – MEC escolar?
na perspectiva inclusiva, está investindo em políticas de
mais as redes de ensino formação, por meio da oferta de Rosângela: A articulação entre a
terão a oportunidade cursos de formação de professo- educação especial e o ensino re-
res na modalidade a distância, gular não é mais aquela em que
de aprofundar tanto em nível de extensão quan- a escola comum espera da edu-
conhecimentos, romper to de especialização, que estão cação especial orientações so-
paradigmas e atualizar associadas às mudanças da edu- bre a escolarização de um aluno
as práticas.” cação especial. Não se trata de com deficiência, dificuldades de
formação esporádica, que visa aprendizagem, transtornos do
apenas à transmissão dos novos comportamento, entre outros ou
conhecimentos sem ligação com espera que a educação especial

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escolarize os alunos considerados Não cabe mais, na formação dos dizagem, os instrumentos de
seu público alvo em ambientes professores do ensino regular, avaliação, entre outros compo-
segregados. a busca por receitas universa- nentes do cotidiano escolar que
A educação especial começa a lizadas para resolver os ditos precisam se adequar à educação
ocupar um novo lugar e a estabe- problemas de aprendizagem ou inclusiva.
lecer novas relações com a escola os estudos sobre soluções pa- A educação especial em sua nova
regular. Com base nessas novas liativas, adaptações curriculares perspectiva se contrapõe a força
relações, o professor do AEE esta- como a redução de conteúdo homogeneizadora que faz com
belece articulação com o profes- para alguns alunos, avaliações que pessoas que têm a mesma
sor da sala de aula comum a fim diferenciadas, simplificação de deficiência sejam consideradas
de reconhecer as novas deman- tarefas, entre tantos outros as- com as mesmas necessidades.
das e desafios que o aluno enfren- suntos que sempre apontam o Esta área percebeu que pesso-
ta na escola para a definição e a aluno como fonte de todo fra-
as com a mesma deficiência têm
casso escolar.
disponibilização de recursos que suas particularidades e subje-
favoreçam o acesso do aluno ao tividades próprias e que vão se
currículo comum, sua interação diferenciando o tempo todo. Da
no grupo, participação em todos mesma forma, é chegada a vez
os projetos e atividades pedagó- das escolas regulares romperem
gicas e acesso físico aos espaços com a força homogeneizadora
da escola. “A escola regular que valoriza somente os alunos
A escola regular quando com- quando compreende a que atendem as expectativas do
preende a educação especial, em educação especial, em ensino tradicional.
sua nova perspectiva, a contem- sua nova perspectiva, Celebrar as diferenças não é um
pla em seu projeto político peda- princípio exclusivo da educação
gógico e reconhece a sala de re-
a contempla em especial. Tal qual a educação
cursos multifuncionais como um seu projeto político especial, o ensino comum deve
espaço que faz parte do contexto pedagógico e celebrar as diferenças, entenden-
escolar. reconhece a do que ela não é restrita a um
sala de recursos determinado grupo de alunos,
5. Revista Inclusão: Em que as- mas a todos os alunos. O ponto
pectos a formação dos profes-
multifuncionais como de partida dos alunos é a igual-
sores do ensino regular deve um espaço que faz dade na capacidade de apren-
ser alterada para contemplar a parte do contexto der e o ponto de chegada é as
perspectiva de mudanças que se escolar.” diferenças no aprendizado. Esses
apresentam a partir da elimina- são os fundamentos e princípios
ção de um sistema paralelo de inclusivos que devem orientar a
educação especial? formação de professores do ensi-
no regular.
Rosângela: Se as práticas de en- Outra mudança urgente na for-
sino especial se transformaram a Em tempos de inclusão escolar, mação de professores do ensino
partir de uma nova perspectiva, a formação de professores do regular: há que se ter o compro-
o mesmo deve ocorrer com as de ensino regular deve promover o misso de mudanças na prática
ensino regular, o que exigirá no- delineamento de novas práticas pedagógica de quem participa
vos olhares, novas idéias, novas pedagógicas, revisando a orga- da formação. Não é mais possível
discussões e novas ações com nização curricular, o modo de investir em formação continuada
base em um novo referencial. ensinar, a concepção de apren- sem esse compromisso.

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8 Destaque Nacional
Stock

DIRETRIZES PARA CONSTRUÇÃO DA POLÍTICA


NACIONAL DE FORMAÇÃO E VALORIZAÇÃO DOS
DOCENTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA
Helena Costa Lopes de Freitas
Coordenação-geral de Formação de Professores
Secretaria de Educação Básica – Ministério da Educação

Falar da política de formação Básica – neste tempo de encerra- tamares de produção de sua vida
de professores e dos desafios que mento de uma etapa e de transição social e de desenvolvimento de
se colocam no momento atual para outra, significa enfrentar o de- sua humanidade.
para a construção de um sistema safio da crítica e da autocrítica em Os processos de definição de
nacional de formação de professo- relação às mudanças que puderam políticas educacionais e de forma-
res é falar de uma dívida histórica e às que não puderam ser realiza- ção de professores têm se consti-
do estado brasileiro para com a das. tuído historicamente como mo-
educação pública gratuita e laica, A articulação intrínseca entre mentos polêmicos, conflituosos,
de caráter unitária e articulada ao concepções de educação, escola nos quais se defrontam diferentes
projeto histórico de transformação e sociedade coloca os educado- concepções de formação funda-
social que almejamos. res, em cada época histórica, fren- das em parâmetros teórico-episte-
Falar do lugar que falamos – o te a dilemas e contradições que mológicos distintos e, não raro, em
espaço público de gestão de pro- devem ser enfrentados de manei- projetos históricos antagônicos.
gramas de formação continuada ra positiva. São os conflitos que A discussão das bases para a
de uma Secretaria de Educação movem os sujeitos para novos pa- constituição de políticas de forma-

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ção que têm se materializado nas pios e objetivos construídos pelos e) Garantida a progressivida-
diferentes diretrizes construídas educadores e seus movimentos de das ações de formação,
pelo Conselho Nacional de Educa- sociais nos últimos 40 anos, mui- a níveis elevados, vincula-
ção é uma das questões polêmicas tos dos quais encontram-se mate- da às necessidades forma-
sobre a qual deverá ser construído rializados nos artigos do Decreto tivas dos professores e ao
algum consenso, nos próximos 6.755/09, e aqui sintetizadas. envolvimento com o PPP
anos, sob pena de não lograrmos O desenvolvimento da política da Escola e às exigências
superar os entraves atuais que im- de formação supõe, sobretudo, formativas da infância, da
pedem a formação de professores, que na construção do sistema juventude e dos adultos.
especialmente a formação conti- nacional de formação de profes- f ) Responsabilidade dos vá-
nuada. É urgente colocá-la mais sores, a formação continuada seja rios níveis institucionais: das
sintonizada com as necessidades e informada pelas seguintes con- escolas, dos níveis centrais
expectativas de formação humana cepções orientadoras: em cada secretaria munici-
integral de nossos professores. a) Articulada à formação inicial pal e estadual de educação
Este trabalho pretende contri- e responsabilidade dos edu- e das Universidades.
buir com algumas reflexões que cadores, do estado e da so- g) Sintonizada com a concep-
vêm sendo feitas no âmbito do ciedade, assegurando com ção de escola como espaço
Conselho Técnico Científico da recursos públicos as estrutu- de formação e valorização
CAPES, com colegas de entidades ras necessárias para sua via- do coletivo de professores e
e com instâncias internas do Mi- bilidade e vinculando a for- de incentivo à dimensão so-
nistério da Educação, no processo mação ao plano de carreira lidária e associativa do traba-
de construção da Política Nacio- de cada estado e município. lho docente, nas suas dimen-
nal de Formação de Professores b) Desenvolvida de forma sões pedagógica, científica,
articulada aos Centros de política e profissional;
da Educação Básica.
Formação de estados e mu- h) Mobilizadora da escola e
nicípios e em estreita vincu- estreitamente vinculada à
Sentido de diretrizes lação com as Universidades construção coletiva do pro-
e seus programas de forma- jeto político pedagógico da
para a formação ção continuada, a partir da escola com o envolvimento
contínua de professores demanda de grupos de es- de professores, técnicos ad-
tudo e investigação sobre ministrativos, estudantes,
O Ministério da Educação, atra- as práticas docentes e os pais e movimentos sociais
vés de seus Programas de Forma- processos de formação hu- da comunidade;
ção, tem espaço privilegiado para mana e de aprendizagens. i) Contínua atualização, apro-
poder induzir estados e municípios c) Articulada à produção de fundamento, complemen-
e as Universidades públicas, a cons- conhecimento nas áreas de tação e ampliação de co-
truírem suas políticas de formação formação dos quadros do nhecimentos profissionais
inicial e continuada com vistas a magistério, assegurando a de caráter científico, técni-
superação das condições atuais do diversidade de “modelos” co e artístico, que permi-
exercício do trabalho docente e o formativos e resguardando tam acesso na carreira e a
estabelecimento de planos de car- o direito ao aperfeiçoamen- ocupação de funções mais
reira com percursos claramente de- to permanente, inclusive nos elevadas no coletivo edu-
finidos para atingir estes objetivos. níveis de pós-graduação; cacional, sem afastamento
Nesse sentido, as ações e pro- d) Associada ao exercício do trabalho docente e pro-
posições a serem implementadas profissional e em estreita gressivo aumento das horas
na construção da política de for- vinculação com as neces- de trabalho coletivo.
mação continuada em nível na- sidades educativas, de de- A política de formação contí-
cional, no âmbito dos programas senvolvimento e formação nua constitui-se, assim concebida,
de formação, deveriam assumir integral de nossas crianças, instrumento privilegiado de inter-
a concepção norteadora, princí- jovens e adultos. face das instituições formadoras e

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sistemas de ensino com o profis- a) a unidade entre a ativida- Destacamos em especial, as
sional da educação, permitindo o de científica da formação, proposições da Rede Nacional de
tratamento dos aspectos teóricos o trabalho de reflexão e o Formação Continuada, criada em
epistemológicos da formação em trabalho de direção do pro- 2004, as Redes da Diversidade da
articulação com os problemas cesso pedagógico e educa- SECAD e da Educação Inclusiva da
concretos da escola e da sala de tivo, tomando como centro SEESP.
aula, valorizando os processos de dessa formação a escola Neste período de 4 anos, a ne-
produção de conhecimentos cons- b) articulação das exigências cessidade de um sistema nacional
truídos no trabalho docente. Este institucionais das escolas e de formação e de ações cada vez
processo não se desenvolve de necessidades subjetivas e mais articuladas e sintonizadas en-
maneria emancipadora na cons- particularidades individuais tre si, tomou conta de grande parte
trução da identidade dos profes- dos professores na busca de de nosso tempo e nossas energias
sores como intelectuais, sem o en- sua superação profissional. para construirmos a necessária sin-
volvimento com a investigação e a Tal como explicitada no Decre- tonia entre nossas ações e garantir
pesquisa no campo da educação e to 6.755/09, a construção da polí- o compromisso com a educação
de sua área específica de atuação. tica de formação com este caráter pública, as escolas, os professores
Nesse sentido, a formação é passa a ser de responsabilidade do e os estudantes.
sempre um valioso elemento de poder público nas esferas munici- Assim, duas ações essenciais
avaliação, reformulação e criação pais, estaduais e federal e em regi- foram desenvolvidas no âmbito
dos cursos de formação de pro- me de colaboração e cooperação, do Ministério , buscando o apri-
fissionais da educação, abrindo se articulam nos Fóruns Estaduais moramento da política de forma-
imensas possibilidades de inser- Permanentes de Apoio à Formação ção continuada:
ção dos estudantes licenciandos, Docente, assegurando os objetivos a) a articulação entre SEB,
futuros professores, nos proces- e princípios da Política Nacional de SECAD e SEESP para cons-
sos de trabalho pedagógico e Formação dos Profissionais do Ma- trução de projetos institu-
ainda de motivação da juventude, gistério da Educação Básica. cionais de formação con-
particularmente no ensino médio Há hoje um consenso de que é tinuada de professores da
magistério, para o ingresso na preciso superar a concepção ins- educação básica, cuja Cha-
profissão docente. trumental de formação continuada mada Pública , de fevereiro
Estas condições de formação, como compensatória das lacunas de 2010, teve resposta de
no entanto, pouco significarão da formação inicial. Nessa direção, 72 IES públicas, federais e
se não vierem acompanhadas uma política de formação de ca- estaduais. Este é, sem dúvi-
de uma política de valorização ráter emancipador deve superar da, passo importante para
profissional que indique a per- a concepção ainda vigente nas a construção de projetos
manência e dedicação integral do políticas atuais, de oferta massiva de formação de professores
professor na instituição em que de cursos de formação continua- que contemplem as dife-
atua, de implementação de jorna- da. Necessitamos entendê-la, em rentes dimensões de que se
da em uma única escola, de efeti- contraposição, como um conjun- reveste o trabalho docente,
va implementação do piso salarial to de princípios orientadores que não apenas nas áreas de
profissional nacional que lhe per- perpassam ações, projetos e pro- conhecimento relativas aos
mita tempo para o estudo, para o gramas de formação, valorização e conteúdos disciplinares tra-
trabalho coletivo e para a criação desenvolvimento profissional dos dicionais, mas no campo da
de novos projetos pedagógicos profissionais da educação. diversidade e da inclusão.
que envolvam os sujeitos da ação Esta concepção vem sendo b) a proposição de constitui-
educativa na escola e a comuni- construída por inúmeras produ- ção, no âmbito dessas IES,
dade em que está inserida. ções e proposições no âmbito das de instância institucional
Os diversos desenhos possí- diversas Secretarias do MEC nos articuladora e coordenado-
veis da formação assim concebida últimos anos, mas é necessário ra das ações de formação
devem garantir: consolidá-la nos próximos. continuada propostas nos

10 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 8-13, jan./jun. 2011


projetos. Esta exigência é Professores de sistemas municipais e cionais de Formação Continuada
caminho para a instituição estaduais, onde houver”. (4.9, idem). de Professores a serem instituídos
de Programas Institucionais Indica também como diretriz nas IES formadoras.
de Formação Continuada de na elaboração dos projetos, a “par- Assim, cabe indicar outra ação a
Professores, com o objetivo ticipação de professores das redes ser fortalecida no âmbito da política
de articular orgânica e insti- públicas de ensino em articulação nacional de formação continuada
tucionalmente, os projetos e com profissionais das instituições do Ministério e fomentada pela CA-
ações de formação continua- de ensino superior, no planejamen- PES, qual seja, o fomento aos Cen-
da e as relações institucionais to, desenvolvimento e avaliação do tros de Formação de Professores
com as escolas da rede públi- projeto de formação continuada de estados e municípios, criando
ca e os Fóruns Estaduais Per- (4.8.6.Chamada Pública, MEC 2010), novas relações entre professores da
manentes de Apoio à Forma- participação esta a ser apoiada educação básica e Universidades.
ção Docente de cada estado. pela secretaria de educação a que Esta articulação entre as Secre-
Uma terceira perspectiva que o professor está vinculado. tarias para construir, a partir de suas
vem sendo aprimorada para imple- Os Centros de Formação, espa- ações, uma ação articulada e orgâ-
mentação a partir da nova Rede Na- ços de formação dos profissionais nica inovadora, ainda não se en-
cional de Formação Continuada é o da educação, permitem a sociali- contra totalmente desenvolvida. Os
apoio e fomento aos Centros de zação das experiências docentes entraves administrativos e técnicos
Formação Continuada de Profes- e sua auto-organização em gru- ainda são grandes. Mas também
sores dos estados e municípios. pos de estudos para construção são imensas as amarras que impe-
Atendendo deliberação da CO- de alternativas aos problemas en- dem grande parte das universida-
NEB 2008, que indicou a criação frentados nos processos de apren- des, em seus espaços acadêmicos
dos Centros de Formação como dizagem dos estudantes e de sua eivados pela lógica produtivista im-
espaços de produção e socializa- própria formação. Este processo posta pelos processos de avaliação,
ção de experiências docentes e pode construir-se como caminho de construir novas relações para
auto-organização dos professores promissor para o desenvolvimen- além das possibilidades atuais.
da educação básica, precisamos to e profissionalização do magisté-
avançar na proposição de apoio rio, gerando, a partir do trabalho a
e fomento aos Centros de For- ser desenvolvido, condições espe- Desafios permanentes
mação de Professores de estados ciais para superar o individualismo
e municípios existentes, quando
para o apoio e
e produzir novas relações sociais
articulados a projetos das IES que e culturais na atividade docente. fomento a ações de
terão seus projetos apoiados pelo É espaço privilegiado para o tra- valorização profissional
Ministério da Educação. balho coletivo e solidário, em sin-
tonia com a realidade social onde
dos professores da
A Chamada Pública referida
anteriormente indica como diretri- está inserido, contribuindo para educação básica
zes para os projetos a proposição transformar as condições atuais
de formas inovadoras e eficazes de da escola pública e da educação Para enfrentar a dispersão e
parceria entre instituições de ensino na perspectiva das transformações fragmentação atual, no âmbito de
superior públicas bem como destas sociais almejadas. (Cf. Deliberação nossos cursos ofertados às redes
com os sistemas de ensino, com o CONEB 2008 e CONAE 2010). públicas de ensino a partir do Pla-
objetivo de desenvolver projetos de É nosso entendimento que po- no Nacional de Formação de Pro-
formação continuada, potencia- demos avançar na construção de fessores – PARFOR – será necessário
lizando e articulando a experiên- articulações institucionais mais grande esforço nos próximos anos.
cia acumulada nesta área” (4.8.3. orgânicas entre IES e escolas pú- A indicação de diretrizes para
Chamada Pública, MEC 2010), blicas, apoiando e fomentando a atuação da CAPES no apoio e fo-
induzindo que deve ser feita, pre- diretamente os Centros de Forma- mento à valorização profissional
ferencialmente, por intermédio dos ção de Professores que estejam dos professores da educação bá-
respectivos Centros de Formação de articulados aos Programas Institu- sica, pela formulação das ações,

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 8-13, jan./jun. 2011 11


programas e políticas que compo- responsável pela articulação orgâ- e superação profissional aos
rão o sistema nacional de forma- nica entre as ações e cursos, será professores, em diferentes
ção dos profissionais da educação de importância fundamental de- estágios de formação, de for-
básica é, no nosso entendimento, senvolver de forma articulada aos ma permanente, gradativa e
o principal deles. Fóruns e aos Centros de Formação progressiva mas não linear.
Necessitamos travar um amplo de Professores – buscando uma Tais ações, que caracterizam
debate acerca de novas proposi- sintonia cada vez maior com os a formação contínua no exer-
ções para a formação continuada, saberes e conhecimentos produ- cício do trabalho, poderão
seus fins e objetivos, suas configu- zidos pelas escolas e seus profis- ser apoiadas pelo MEC em ar-
rações e as áreas de formação do sionais para o enfrentamento dos ticulação com as instituições
magistério definidas pelos planos problemas das práticas educativas formadoras e fomentadas
de carreira, pelas necessidades da e processos de aprendizagem. pela CAPES, mediante a cria-
escola pública e pelo desenvolvi- Este processo pretende ofere- ção de programas de apoio:
mento da educação básica. cer organicidade à demanda PAR i) a grupos de estudo e
Decidir sobre os processos de e às necessidade de formação de trabalho de professores
definição pelas escolas e seus pro- estados e municípios, colocando- na escola pública;
fessores das necessidades forma- as sob responsabilidade partilha- ii) a estágios de professo-
tivas, tendo como referência não da das Instituições formadoras res em unidades esco-
apenas as metas indicadas no PAR, e dos sistemas de ensino que lares, em Instituições de
que é um instrumento datado his- participam do Plano Nacional de Ensino Superior e outros
toricamente, sem prejuízo de seu Formação em cada estado. Esta espaços de formação;
aprimoramento e da elevação das decisão permitirá aproximar gra-
iii) a projetos individuais e/
metas qualitativas e quantitativas. dativamente as Universidades e
ou coletivos de investi-
seus Fóruns de Licenciaturas, dos
Identificar as necessidades gação e intervenção na
Centros de Formação de Profes-
formativas dos professores em escola, junto a grupos
sores de estados e municípios,
conjunto com o coletivo da es- de pesquisa e ensino
para o apoio a ações de formação
cola, sistemas de ensino e pelos contínua, em um contínuo movi- vinculados às grandes
dirigentes, é condição para a ges- mento de elevação da condição áreas de formação;
tão democrática dos processos de docente dos nossos professores. iv) programas de acom-
formação criados pela união, esta- panhamento de novos
No entanto, dada a dispersão
dos e municípios. professores, iniciantes na
e amplitude das ações de forma-
Este Plano Estratégico da for- ção continuada hoje presentes carreira docente.
mação, elaborado pelos Fóruns em nossas escolas, nos confronta- As alternativas que se vislum-
Estaduais com a participação de mos com um debate que parece bram são bastante promissoras,
cada escola, município e estado, ser necessário, mas sobre o qual principalmente aquelas que hoje
deverá estabelecer os meios de tampouco há consensos entre as se desenvolvem em muitas esco-
atendimento da formação indica- instâncias do Ministério: las públicas pelo coletivo de seus
dos nesse processo, principalmen- a) definição das áreas de forma- professores.
te os instrumentos de apoio dos ção dos educadores a serem O compromisso do MEC e
dirigentes municipais ao descola- apoiadas e fomentadas pelo da CAPES será o de estabelecer,
mento, estada e suporte dos seus MEC e CAPES e que serão juntamente com as escolas, o
professores às ações de formação. demandadas pelos Centros Conselho Técnico Científico da
Ao Ministério e à CAPES caberá de Formação dos estados e Educação Básica e os professores,
decidir a destinação orçamentária municípios e pelas IES. as bases para uma política de for-
necessária bem como as condi- b) a implementação, pelos sis- mação continuada que ainda não
ções a serem criadas para o pleno temas de ensino, de ações e logramos construir.
desenvolvimento da formação. programas de formação con- Indicar apoio aos inúmeros cur-
No âmbito de cada universida- tínua que ofereçam possibi- sos de especialização hoje existen-
de, criada a instância institucional lidades de aprimoramento tes, que envolvem mais de 40 mil

12 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 8-13, jan./jun. 2011


professores, como curso de pós- de Professores dos estados e das práticas escolares e do
graduação lato sensu; indicar áre- municípios, mediante apre- trabalho docente, conduzin-
as de formação para as diferentes sentação de projetos de for- do a uma aproximação cada
modalidades de extensão – atua- mação em parceria com as IES vez mais concreta entre o co-
lização, aperfeiçoamento e ex- e redes de escolas, estreitando nhecimento teórico e as ações
tensão – a serem apoiados pelo os vínculos com os programas educativas cotidianas na es-
MEC e suas secretarias e fomenta- e cursos de formação continu- cola;
dos pela CAPES e propor alternati- ada das IES, criando novas rela- 4. incentivar a cooperação entre
vas inovadoras de organização de ções entre professores da edu- escolas de educação básica
ações de formação que superem a cação básica e Universidades. e a aproximação de escolas e
lógica dos cursos para certificação Recentemente, o Conselho Téc- Instituições de Ensino Superior
e acumulação de pontos para as- nico Científico da Educação Bási- (IES) em torno de objetivos
censão salarial exclusivamente. ca da CAPES desenvolveu esforço comuns voltados à melhoria
A formação em nível de pós- coletivo significativo ao construir da qualidade do ensino e da
graduação stricto sensu dos pro- uma proposta de fomento a pro- aprendizagem, através do
fessores da educação básica deve- jetos escolares, com o objetivo aprimoramento da competên-
ria ser apoiada e fomentada pela primordial de fortalecer as escolas cia profissional e pedagógica
CAPES, nos projetos de pesquisa como espaço de produção de sa- dos professores em exercício,
que evidenciem áreas em que esta beres, conhecimentos e práticas. nos vários domínios de sua
etapa de progressão na carreira Trago a este texto os princípios atividade como educadores;
docente seja imprescindível para o que norteiam referida proposta. 5. socializar junto aos sistemas
desenvolvimento da escola públi- públicos (com pleno acesso
1. “estimular a auto-formação
ca de educação básica de modo a das escolas, dos professores
dos profissionais da educa-
elevar as possibilidades, capacida- e de comunidades escola-
ção, a prática da investiga-
des e condições de enfrentamento res), as produções realizadas
ção e da inovação educacio-
pelos professores e pelas redes, dos que favorecem a melhoria
nal, através da permanente
problemas e dilemas com a forma- da qualidade da aprendiza-
atualização, aprofundamen-
ção da infância e da juventude. gem e do ensino.
to e socialização de conheci-
Uma ampla área de alternati- mentos entre os componen- 6. criar e estabelecer parâme-
vas de formação tem emergido tes do coletivo da escola e tros para que os sistemas de
nos últimos anos, na tentativa de entre diferentes escolas, nas ensino possam tornar o inter-
superar a lógica produtivista e dimensões teórica e prática; câmbio de experiências entre
cartorial que se impôs à educação escolas política permanente
2. estimular, promover, disse-
básica nos últimos anos. de formação continuada,
minar e fomentar o inter-
Destacamos apenas algumas câmbio de docentes atu- articulada à carreira” (Docu-
delas, que deverão fazer parte da antes nas escolas das redes mento Apoio a Projetos Esco-
pauta para definição da política públicas de ensino, visando à lares – a escola protagonista)
de formação continuada. socialização de experiências As possibilidades estão poten-
• projetos de investigação e pes- e de práticas pedagógicas cialmente criadas. As condições
quisa de grupos de professores reconhecidamente exitosas para seu desenvolvimento são da-
e/ou grupos de escolas que se pela comunidade escolar; das primordialmente pelo exercício
proponham a desenvolver es- 3. estimular o aperfeiçoamento da ação transformadora das idéias
tudos sobre processos didáti- docente para a produção de inovadoras e ousadas que circulam
co-pedagógicos inovadores e material didático e pedagó- em determinada época. Cabe a nós
novas metodologias de ensino, gico em distintos formatos a decisão se pretendemos, como
avaliação institucional e de- e apresentações (do texto nos diz Brecht, permanecer insatis-
sempenho de seus estudantes. impresso à hipermídia) que feito com o que pode ser mudado
• projetos de formação continu- tenham como objetivo o de- ou com o que não pode ser muda-
ada dos Centros de Formação senvolvimento permanente do, nas condições atuais.

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 8-13, jan./jun. 2011 13


14 Enfoque

Atendimento educacional especializado:


trajetória, conceitos e formação
Lorena Resende Carvalho1 Anna Augusta Sampaio de Oliveira2 Nerli Nonato Ribeiro Mori3

Resumo
Este artigo aborda os trabalhos desenvolvidos pela bais do desenvolvimento e altas habilidades/super-
Universidade Estadual de Goiás (UEG/SEDUC), Univer- dotação no contexto da educação inclusiva. Além dos
sidade Estadual Paulista (UNESP) – campus de Marília pressupostos teóricos, estrutura curricular e resulta-
e Universidade Estadual de Maringá (UEM), enquanto dos alcançados, são destacados os desafios da forma-
integrantes da rede de instituições públicas de ensino ção continuada a distância. Apesar das dificuldades, as
superior que realizam formação continuada de profes- três instituições reiteram a importância de participar
sores em Educação Especial, no âmbito do Programa de um processo norteado pelos princípios da inclusão.
Universidade Aberta do Brasil. São apresentados os
cursos de aperfeiçoamento e especialização, voltados Palavras-chave: Atendimento Educacional Especiali-
para a capacitação de professores que atendem ou zado; Inclusão Escolar; Formação de Professores; Ensi-
atenderão alunos com deficiências, transtornos glo- no a Distância.

1 Mestre em Educação. Coordenadora do Núcleo Técnico-Pedagógico da Coordenação de Ensino Especial da Secretaria de Estado da Educação
(SEDUC) de Goiânia.
2 Doutora em Educação. Professora do Departamento de Educação Especial e do Programa de Pós-Graduação da Universidade Estadual Paulista,
campus de Marília (SP). hanamel@marilia.unesp.br
3 Doutora em Educação. Professora do Departamento de Teoria e Prática da Educação e do Programa de Pós-Graduação da Universidade Estadual
de Maringá. nnrmori@uem.br

14 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 14-21, jan./jun. 2011


Abstract
Current research focuses on investigations under- and high capacities (gifted children and young pe-
taken at the State University of Goiás (UEG/SEDUC), ople) within the context of inclusive education. Be-
Paulista State University (UNESP) in Marília, and the sides the theoretical presuppositions, curriculum
State University of Maringá (UEM), Brazil. All three and results already achieved, challenges in distance
institutions integrated public higher institutions that continuous formation are enhanced. In spite of seve-
deal with continuous teachers’ formation in Special ral difficulties, the three institutions are aware of the
Education within the context of the Brazilian Open importance in participating in inclusion processes.
University program. Concluded and Running Specia-
lization Courses are presented which deal with the Keywords: Specialized Education Attendance; Scho-
formation of teachers that (will) attend to students oling Inclusion; Teachers’ formation; Distance Educa-
with deficiencies, with deviancies in development tion.

Introdução vivo é mais do que ter um cora- do. Sob essa perspectiva, os défi-
ção pulsante. cits e as limitações estão relacio-
A Declaração Universal dos Di- O conceito de vida envolve, nados à forma como a sociedade
reitos Humanos (ONU, 1948), em no mínimo, as ideias de interação, se organiza. As barreiras, tanto no
cumprimento à tarefa de anunciar movimento, atividade e trabalho, que tange às atitudes, como em
a paz num mundo que, na ocasião, sendo estas duas últimas, inclu- relação ao meio físico, inviabili-
se reerguia em meio aos fragmen- sive, categorias importantes da zam o acesso e a participação das
tos da guerra, reconheceu a digni- Teoria Histórico-Cultural (THC)4. pessoas com deficiência ou com
dade humana como fundamento Marx enfatiza que o homem “[...] mobilidade reduzida nos vários
da liberdade, da justiça e da paz, põe em movimento as forças na- setores sociais.
e, inspirada nesse valor, concebeu turais pertencentes à sua corpo- Os princípios teórico-meto-
que todas as pessoas, sem ne- ralidade, braços pernas, cabeça dológicos para o delineamento
nhum tipo de distinção, tenham e mão, a fim de sua própria vida” do programa são perpassados
direito à vida. (1988, p. 148). E, em complemen- pela argumentação vygostskiana
Isso, à primeira vista, nos pa- to ao conceito, é dele mesmo a segundo a qual as leis gerais do
rece óbvio. Mas a evidência se ideia de que a atuação do homem desenvolvimento são iguais para
retira no instante em que mer- sobre a natureza externa, por todas as crianças; há, entretanto,
gulhamos na ideia de “vida”. Com meio do movimento, lhe permite peculiaridades na organização
certeza, esse não é um conceito modificá-la e, em consequência, sócio-psicológica da criança com
que pode ser captado exclusiva- modifica a si próprio. deficiência e seu desenvolvimen-
mente pelos receptores da ciên- A THC possibilita compreen- to implica caminhos alternativos
cia biológica. Se nos apropriamos der o desenvolvimento humano e recursos especiais. Nesse sen-
de um conceito mais abrangente como socialmente constituído e tido, a ideia de compensação é
de vida, entendemos que estar não biologicamente determina- um processo fundamental do

4 A Teoria Histórico-Cultural de Vygotsky enfatiza de modo mais específico as qualidades únicas de nossa espécie, nossas transformações e nossa
realização ativa nos diferentes contextos culturais e históricos. Ressalta que, ao longo do desenvolvimento das funções superiores, os aspectos
particulares da existência social humana refletem-se na sua cognição. Os estudos desse teórico foram profundamente influenciados por Friedrich
Engels, especialmente no que diz respeito ao papel dos instrumentos sobre o desenvolvimento humano (JONH-STEINER; SOUBERMAN, 2008,
p. 165-166). Vygotsky apresenta novas perspectivas, quanto à relação entre aprendizagem e desenvolvimento, à influência do meio social
sobre o desenvolvimento psíquico das pessoas, aos níveis de desenvolvimento, discorrendo sobre um princípio por ele intitulado de “defeito-
compensação”.

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 14-21, jan./jun. 2011 15


desenvolvimento do indivíduo ciativa do MEC/SEESP e em par- cesso de ensino-aprendizagem
com necessidades educacionais ceria com a Secretaria de Estado a distância caracteristicamente
específicas. Ainda que esse pro- da Educação/Coordenação de confere aos integrantes do diá-
cesso se faça presente em todos Ensino Especial (SEDUC), desde logo a oportunidade de pensar,
os seres humanos e existam as março de 2010, dá sequência ao repensar, retomar e refazer suas
compensações orgânicas – em programa de formação continu- respostas, considerações e ques-
que um órgão substitui o ou- ada na modalidade a distância, tionamentos. A palavra escrita
tro – Vygostsky (1995) enfatiza ofertando o curso “Atendimen- tem essa virtude que, para nós,
as compensações sócio-psico- to educacional especializado na que “lemos” o outro, favorece as
lógicas; as possibilidades com- perspectiva da educação inclu- trocas, a interiorização dos conhe-
pensatórias concretizam-se nas siva”. O objetivo do curso não é cimentos mediados e, em conse-
relações com outros e nas expe- outro senão formar professores quência, conduz ao desenvolvi-
riências em diferentes espaços que atuam ou atuarão nas salas mento dos potenciais.
da cultura, ou seja, nas que de- de recursos multifuncionais, aten- Segundo Larrosa (1998, p. 51),
pendem das condições concre- dendo a alunos com deficiências,
tas oferecidas pelo grupo social. transtornos globais do desen- [...] ler e escrever é colocar-se em
Como afirma Góes (2002), não é volvimento e altas habilidades/ movimento, é sair sempre para além
o déficit em si que marca o desti- superdotação, possibilitando, de de si mesmo, é manter sempre aler-
no da criança, mas o modo como fato, seu acesso, permanência e ta a interrogação acerca do que se é.
a sua deficiência é significada, a sucesso no contexto da escola in- Na leitura e na escrita o eu não dei-
educação e as experiências que clusiva.
xa de se fazer, de se desfazer e de
lhe são propiciadas. se refazer.
Assim, o curso se constitui de
Se retomarmos, portanto, o cinco módulos, com duração total Nesse contexto, um salto no
conceito de vida mencionado no
de 220 horas e 1000 cursistas ins- plano dos conhecimentos científi-
início do texto, já podemos dizer
critos. No entanto, embora este cos e dos valores é constatado no
que, por força da inclusão edu-
seja um dado significativo, uma caso da maioria dos cursistas. Em
cacional, as pessoas público alvo
vez que levará, em última análise, vários Estados brasileiros, já circu-
da educação especial atualmente
à aprendizagem e ao desenvolvi- la a concepção de que não temos
conquistam um novo espaço so-
mento dos educandos com defi- mais dois tipos de educação, uma
cial, haja vista as interações que
ciência, convém considerarmos geral e outra especial, em que
começam a estabelecer, intera-
também um outro elemento que esta última é comumente conce-
ções estas cada vez mais sofistica-
tem merecido atenção especial. bida como inferior. Felizmente, a
das e, por isso mesmo, responsá-
Referimo-nos aos pensamentos e formação a distância tem favore-
veis pelo desenvolvimento desses
grupos, em todas as dimensões às atitudes que o processo de for- cido a compreensão de que, na
do seu ser. mação a distância está levando a verdade, a educação especial está
concretude, em todos os contex- presente em todos os níveis, eta-
Apresentamos, a seguir, a ex-
tos alcançados. pas e modalidades de educação.
periência de formação continua-
da de três instituições públicas de Ainda é recorrente a ideia de Skliar (1997, p. 6) faz o seguin-
ensino superior. que cursos na modalidade a dis- te questionamento:
tância não conseguem promover
eficientemente diálogos entre [...] em que sentido seria possível
1. A experiência da educador e educando de forma afirmar que, por exemplo, os sur-
dos, os deficientes mentais, os ce-
a gerar aprendizagens significati-
Universidade Estadual vas. Mas não é exatamente isso o gos, etc., são sujeitos educativos
de Goiás (UEG/SEDUC) que se observa. Aliás, nossa expe-
especiais, diferentes de outros gru-
pos também especiais, mas que não
riência tem revelado um aspecto foram submetidos a essa particular
A Universidade Estadual de importante, que emerge das prá- cosmovisão e organização da edu-
Goiás (UEG), através de uma ini- ticas no “cotidiano virtual”. O pro- cação?

16 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 14-21, jan./jun. 2011


As ideias mediadas no cur- gem, criatividade, memória, • Módulo 1 – Introdução aos es-
so condizem com a reflexão do raciocínio-lógico, entre outras; tudos de EaD.
autor, que complementa seu • Enriquecimento curricular – • Módulo 2 – Fundamentos e
comentário, afirmando que o área especificamente voltada princípios da Educação Espe-
“direito à educação [...] deve ser para os casos de Superdota- cial.
analisado, avaliado e planificado ção/Altas Habilidades; • Módulo 3 – Organização do
conjuntamente a partir do con- • Tecnologias assistivas – Atendimento Educacional Es-
ceito de uma educação plena, composta pelos seguintes pecializado.
significativa, justa, participativa” atendimentos: comunicação • Módulo 4 – Práticas Educacio-
(ibid., p. 10). aumentativa e alternativa; nais Inclusivas I: Atendimen-
No presente, mesmo consi- acessibilidade ao computa- to Educacional Especializado
derando que os cursistas intera- dor (ou informática acessível); para áreas específicas – Defici-
gem com conceitos referentes orientação e mobilidade; ade- ência Visual. Deficiência Audi-
ao terceiro módulo do curso em quação postural; órteses e pró- tiva. Surdocegueira. Deficiên-
andamento, no Estado de Goiás, teses, atividades de vida diária, cia Múltipla. Deficiência Física.
já constatamos alguns avanços entre outros. Deficiência Mental.
quanto às propostas e algumas • E, ainda a área de arte, des- • Módulo 5 – Práticas Educa-
ações desenvolvidas pelas es- tinada a quaisquer alunos cionais Inclusivas II: Enrique-
colas em processo de inclusão e atendidos no AEE que neces- cimento Curricular para Altas
pelos atuais Centros de Atendi- sitarem de uma complemen- Habilidades/Superdotação e
mento Educacional Especializa- tação ou suplementação, em Transtornos Globais do De-
do (AEE)5. termos de criatividade, imagi- senvolvimento. Estudos de
No geral, os professores res- nação, interação, linguagem, Casos.
ponsáveis pelo AEE planejam planejamento, senso estético, Acreditamos que os pensa-
seus trabalhos teoricamente sus- ético, entre outras funções e mentos que se esboçam, por
tentados por princípios da Teoria aspectos do desenvolvimen- meio dessa experiência de curso
Sócio-Histórica. Na prática, orien- to, os quais podem ser poten- a distância, começam a resultar
tam-se por uma proposta básica cializados por meio de ativi- em práticas pedagógicas essen-
no qual o AEE apresenta foco em dades artísticas. cialmente inclusivas, conduzindo
cinco áreas. São elas: os educadores ao entendimento
As temáticas propostas pelo
de que a ação educativa, na pers-
• Comunicação e Códigos – curso, de fato, funcionam como
pectiva da inclusão, não implica
envolve temas referentes à um solo por onde os passos se
didáticas, métodos, currículos
Língua Brasileira de Sinais (LI- dão, isto é, por onde as reflexões
e avaliação diferenciada, perso-
BRAS), ao português na mo- e os debates se processam, na
nalizada. Em sala de aula, tudo
dalidade escrita para alunos forma de fóruns, atividades, chats o que é realizado deve ser feito
surdos, ao Sistema Braille, ao e bate-papos, culminando nas pensando-se na heterogenei-
Soroban e à linguagem oral e mudanças atitudinais e nas ações dade e na diversidade de níveis
leitura/escrita; cada vez mais planejadas e inten- de desenvolvimento e ritmos de
• Desenvolvimento cognitivo cionais. aprendizagem. A partir da ofer-
– inclui as funções: atenção, O ementário adotado encon- ta do AEE, possíveis dificuldades
concentração, abstração, ge- tra-se subdividido nos seguintes podem ser minimizadas e os po-
neralização, percepção, lingua- módulos: tenciais identificados e desenvol-

5 A partir de 2009, as Escolas Especiais da Rede Pública de Ensino do Estado de Goiás, sob orientação da Secretaria de Estado da Educação, por meio
da Coordenação de Ensino Especial, em cumprimento ao que estabelece o Decreto nº 6.571/2008, iniciou um processo de redimensionamento de
suas estruturas e ações, buscando efetivar agora um trabalho fundamentalmente voltado para o Atendimento Educacional Especializado.

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 14-21, jan./jun. 2011 17


vidos, favorecendo o acesso do Por intermédio da EaD, pre- Com os cursos de especiali-
aluno ao currículo. tende-se ultrapassar as dimen- zação, espera-se disponibilizar
sões geográficas da Universida- condições institucionais para o
de, aproximando a comunidade aperfeiçoamento e qualificação
2. A experiência da acadêmica na revisão das neces- de professores, com vistas a for-
Universidade Estadual sidades dos sistemas públicas de necer as ferramentas conceituais,
Paulista (UNESP), ensino no que concerne ao pro- metodológicas e técnicas para a
cesso de formação continuada de atuação junto aos alunos com de-
campus de Marília professores sob os princípios da ficiência, transtornos globais do
educação inclusiva. desenvolvimento ou altas habili-
A proposta de oferta do Cur- dades/superdotação.
so de Especialização: Atendimen- A proposta de uma Educação
Inclusiva evidencia a necessidade A garantia de uma formação
to Educacional Especializado na
de as escolas agirem no sentido profissional, que possibilite aos
Perspectiva da Educação Inclusiva
de garantir a matrícula e perma- professores transpor os limites
tem como base a parceria da Fa-
nência de toda criança na escola, impostos por uma perversa po-
culdade de Filosofia e Ciências –
ou seja, impedir todo e qualquer lítica socioeconômico e cultural
UNESP/Marília, através do Depar-
processo de exclusão (OLIVEIRA, de exclusão, exige aprofunda-
tamento de Educação Especial,
2003). A construção de uma esco- mento reflexivo. E é com esse
com a Secretaria de Educação
la inclusiva refere-se à atuação nas pensamento que UNESP, unida-
Especial – SEESP/MEC, no ofe-
classes comuns onde esses alunos de de Marília, através do Depar-
recimento de cursos na área de
estão presentes e em que o pro- tamento de Educação Especial,
Educação Especial, na modalida-
cesso de exclusão poderia vir a almeja oferecer aos professores
de a distância, que favoreçam a
acontecer. Nesse sentido, remete- brasileiros a possibilidade de
melhoria da qualidade de ensino
nos a uma mudança importante aprimoramento e aperfeiçoa-
e as condições necessárias para a
de paradigma, da maneira como mento das práticas pedagógicas
constituição de sistemas educa-
concebemos o papel da escola e junto aos alunos com deficiên-
cionais inclusivos.
do próprio conceito que temos da cia, ou transtornos globais do
Tal experiência possibilita à desenvolvimento, numa pers-
deficiência e das diferenças. Além
Universidade Estadual Paulista pectiva inclusiva.
– UNESP estender seus conheci- da incorporação da diversidade,
aprender a lidar com essas dife- O curso é desenvolvido na mo-
mentos e ampliar sua abrangên-
renças e, entre elas, com as neces- dalidade a distância, no ambiente
cia, veiculando um conjunto de
sidades educacionais especiais. virtual a ser disponibilizado pelo
procedimentos didático-pedagó-
Para tanto, julga-se fundamental Servidor – Reitoria da UNESP/ Pla-
gicos para a formação continua-
oferecer ao professor e ao aluno taforma TelEduc, que contempla
da de professores, assim como a
suporte pedagógico especializa- uma série de ferramentas neces-
produção de material on-line para
do, através do Atendimento Edu- sárias à execução do Curso tais
disseminação da Educação Espe-
cacional Especializado – AEE. como: fóruns, correio eletrônico,
cial como área de conhecimen-
Nem todas as IES possuem, em chats, entre outras.
to, e o Atendimento Educacional
Especializado como suporte à seus quadros, pessoal docente O Curso de Especialização
educação inclusiva. Também pro- capacitado para ministrar o co- Atendimento Educacional Especia-
porciona o desenvolvimento de nhecimento mais específico da lizado conta com 360 horas/aula,
conhecimentos metodológicos, Educação Especial e formar pro- divididas em 10 módulos, cada
científicos e administrativos, os fessores para a atuação no AEE. qual tratando de aspectos espe-
quais poderão subsidiar a SEESP, Além disso, há de se pensar nos cíficos do AEE. Sinteticamente,
na expansão de novos cursos para professores em exercício, em todo os módulos estão apresentados a
atender à demanda da rede públi- território nacional que passam seguir:
ca de ensino inscrita no Plano de a lidar com uma nova realidade • Módulo 1: Ensino a Distância –
Ações Articuladas (PAR). educacional. (30 horas).

18 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 14-21, jan./jun. 2011


• Módulo 2: Atendimento Educa- dático-pedagógico que alimenta Entre 2008 e 2009, foram rea-
cional Especializado – (45 horas) o ambiente de aprendizagem de lizados dois cursos de aperfeiço-
• Módulo 3: Metodologia do Tra- cada módulo, além de acompa- amento (180 horas) e, em 2010,
balho Científico – (45 horas). nhar seu respectivo desenvolvi- foi iniciado um curso de especiali-
mento. zação. O projeto pedagógico dos
• Módulo 4: Deficiência Intelec-
dois primeiros cursos, intitulados
tual – (45 horas). O curso dispôs de 1000 vagas,
Deficiência Sensorial Auditiva e
• Módulo 5: Deficiência Física – num total de 50 turmas, e distri-
Educação Escolar Indígena, foi
(45 horas). buídos em território nacional con-
elaborado com a participação de
• Módulo 6: Deficiência Senso- forme Figuras abaixo.
três instâncias ligadas ao Centro
rial: Visual – (45 horas). Como um novo desafio para de Ciências Humanas da UEM:
• Módulo 7: Deficiência Senso- Universidade, o curso de espe- Grupo de Pesquisa Desenvolvi-
rial: Surdez – (45 horas). cialização em Atendimento Edu- mento, Aprendizagem e Educa-
• Módulo 8: Deficiência Sensorial: cacional Especializado possibilita ção, voltado para a compreensão
surdocegueira – (15 horas). a produção de conhecimentos de questões relacionadas à di-
acadêmicos e científicos, através versidade e educação, Laborató-
• Módulo 9: Transtornos Globais
do delineamento de pesquisas rio de Arqueologia, Etnologia e
do Desenvolvimento – (15 ho-
realizadas a partir da Plataforma Etno-história, especializado em
ras).
e do contato com cursistas, em projetos de pesquisa, etnodesen-
• Módulo 10: Seminários Pre- âmbito nacional. Tal ação permite volvimento, extensão e ensino
senciais – (30 horas) – Elabo- junto às comunidades indígenas
a Instituição analisar seu poten-
ração, orientação e defesa da do Paraná, Núcleo de Educação a
cial de formação com a utilização
monografia. Distância, órgão vinculado à Pró-
dos recursos do Ensino a Distân-
As disciplinas foram prepara- cia, apontando suas fragilidades e Reitoria de Ensino, responsável
das pelos pesquisadores respon- pelo desenvolvimento ensino,
possibilidades.
sáveis por acompanhar sua exe- pesquisa e extensão na modalida-
cução, com titulação mínima de de a distância.
Doutor, pertencentes aos qua- 3. A experiência da Com base na área de atua-
dros docentes da UNESP e com ção e experiência dessas instân-
experiência em Educação Espe- Universidade Estadual cias, definiu-se como objetivo
cial. Eles elaboram o material di- de Maringá – UEM dos cursos formar professores e

Alunos por região do país


45 42,3
40
35
29,8
30
25
20
15
9,6 9
10 8,4
5
0
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Figuras 1 e 2 – Distribuição dos alunos matriculados por Estado.

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 14-21, jan./jun. 2011 19


equipes pedagógicas que atuam
Fase I Fase II
ou se relacionam com escolas
indígenas, no atendimento edu-
cacional intercultural, na área de
Educação Especial. A equipe pe-
dagógica de cada curso foi com-
posta por 17 professores da UEM
e 20 tutores a distância, selecio-
nados entre professores da rede
pública de ensino de Maringá e
região e alunos de Programas de
Pós-Graduação.
Os cursos foram organizados
sob a forma de cinco módulos6:
Figuras 3 e 4 – Distribuição dos alunos matriculados e concluintes por Estado.
• Módulo 1: Formação em Edu-
cação a Distância (30 horas).
• Módulo 2: Organização socio-
cultural indígena (30 horas). Verificamos, a seguir, a distri- cussão de temas tão específicos e
• Módulo 3: Intervenção peda- buição dos cursistas em cada fase a experiência adquirida pela equi-
gógica na escolar indígena (30 do curso7: pe podem ser consideradas como
horas). A partir do demonstrativo fatores positivos.
• Módulo 4: Fundamentos da evidenciado, é possível destacar Quanto ao curso de especiali-
Deficiência Sensorial Auditiva alguma das dificuldades encon- zação em Atendimento Educacio-
(40 horas). tradas no desenvolvimento do nal Especializado, este é compos-
curso: dificuldades no acesso à to pelos seguintes módulos:
• Módulo 5: Desenvolvimento
internet; formas de indicação dos • Educação a distância (30 ho-
e aprendizagem das pessoas cursistas; dados eletrônicos in-
com Deficiência Sensorial Au- ras).
completos ou incorretos; escassez
ditiva e intervenção pedagógi- de livros; desinteresse pelo tema, • Metodologia da pesquisa (30
ca (50 horas). especialmente no que se refere horas).
O curso foi desenvolvido na aos indígenas; mudança no qua- • Atendimento Educacional
Plataforma Moodle e os módu- dro de gestores das secretarias Especializado (50 horas).
los foram trabalhados por meio municipais de educação, entre • Deficiência Física (50 horas).
dos tópicos: leituras, referências outros. • Deficiência Intelectual (50
e orientações; atividades e fó- Os índices alcançados pode- horas).
runs. Foram feitas leituras media- riam ser potencializados, especial-
• Deficiência sensorial: visual,
das pelos tutores, interação com mente se as condições de acesso
surdez, surdocegueira (50
os recursos disponibilizados na dos cursistas à internet tivessem
horas).
plataforma e participação nos fó- sido melhores, além de uma sele-
runs. Para as avaliações, duas por ção que privilegiasse os mais in- • Transtornos Globais do De-
módulo, os cursistas efetuaram teressados e comprometidos. De senvolvimento (50 horas).
resumos, analisaram e elabora- todo modo, a área de abrangên- • Altas Habilidades/Superdo-
ram textos. cia de formação alcançada, a dis- tação (50 horas).

6 Para cada um dos módulos organizou-se um livro e um DVD, ambos enviados aos cursistas.
7 Foram atendidos 15 estados: RS, SC, SP, RJ, MS, GO, BA, PR, CE, SP, TO, PA, AM, AP e PE.

20 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 14-21, jan./jun. 2011


Para esta nova ação foram ma- Certas desses princípios e re- volvimento dos processos psicológicos
triculados 1200 cursistas de 26 flexões, a UEG/SEDUC, a UNESP superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fon-
tes, 2007.
Estados brasileiros. A equipe vin- de Marília e a UEM envolvem-se
culada à especialização acredita nesse processo, com o intuito de LARROSA, J. Pedagogia profana – danças,
que, com mais essa iniciativa de convergir esforços em torno da piruetas e mascaradas. Porto Alegre: Con-
ta Bando, 1998.
oferta de formação continuada a educação a distância, a fim de
professores da rede regular, nor- dar novos rumos à trajetória de MARX, K. O Capital: crítica de economia
teada pelos princípios da inclu- superação da realidade apresen- política. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural,
tada: uma realidade de equívocos 1988.
são, os professores poderão for-
talecer a educação especial em conceituais e atitudinais em rela- MORAES, M. C. Sentipensar: fundamentos
lugares cada vez mais longínquos. ção às pessoas que apresentam e estratégias para reencatar a educação.
algum tipo de déficit. Mais especi- Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.
ficamente, em resposta às propo-
OLIVEIRA, A. A. S. Educação Inclusiva: con-
Considerações Finais sições da SEESP/MEC, essas três cepções teóricas e relato de experiência.
universidades desenvolvem pro- In: MARQUEZINE, M. C.; ALMEIDA, M. A.;
postas de cursos na área do Aten- TANAKA, E. D. O.; BUSTO, R. M.; SOUZA,
Uma tarefa complexa enfren- S. R.; MELETTI, S. M. F.; FUJISAWA, D. S.
dimento Educacional Especializa-
tada pelos projetos apresenta- (orgs.). Inclusão. Londrina: Eduel, 2003, p.
do; aparentemente distintas, elas 33-43.
dos nesse artigo é a educação são muito semelhantes na sua
a distância, num contexto em essência, visto que favorecem a ONU. Organização das Nações Unidas.
que as condições de acessibili- mediação de conceitos impres- Declaração Universal dos Direitos do Ho-
dade às tecnologias de comu- mem. Adotada e aprovada em Assembléia
cindíveis para a prática do AEE. Geral da ONU no dia 10 de dezembro de
nicação são tão diferenciadas,
Em linhas gerais, as propostas 1948. Disponível em: http://www.dhnet.
tanto em termos técnicos como org.br/direitos/deconu/textos/integra.
vislumbram uma ação educativa
de experiência individual dos que considera as dificuldades, mas
html. Acesso em 16 abr. 2010.
professores. Apesar disso e de também ressalta as possibilidades SKLIAR, C. (Org.). Educação & exclusão –
certa resistência frente às pró- de ampliação de aprendizagem e abordagens sócio-antropológicas em
prias rupturas de ocupação de desenvolvimento àqueles edu- educação especial. Porto Alegre: Media-
ção, 1997.
espaço (presença física) e tem- candos limitados pela ausência
po, constatamos que assistimos de apoio social, de modo a confe- VEER, R.; VALSINER, J. Vygotsky: uma sínte-
a uma nova configuração atenta rir-lhes chances reais de aprender, se. São Paulo: Loyola, 2000.
às possibilidades dos sujeitos relacionar, ser e viver.
quanto à organização pessoal
para acesso às estruturas de for-
mação. Referências
Outra face da questão que se
BRASIL. Ministério da Educação. Política
põe em pauta é a formação de Nacional de Educação Especial na Perspec-
professores para atuação na Edu- tiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/
cação Especial. A ação do educa- SEESP, 2007.
dor, nesse contexto, deve ser mais GÓES, M. C. R. Relações entre desenvolvi-
ampla que apenas a de influenciar mento humano, deficiência e educação:
no aspecto cognitivo, mas deve contribuições da abordagem histórico
social. In: OLIVEIRA, M.K.; SOUZA, D. T. R.;
ter, de forma tão mais enfática,
REGO, T. C. (Org.). Psicologia, Educação e
uma repercussão social devido à as Temáticas da Vida Contemporânea. São
influência que a educação exerce Paulo: Moderna, 2002, p.95-114.
sobre as possíveis mudanças no
JOHN-STEINER, V.; SOUBERMAN, E. Posfá-
meio social e em seus modos de cio – As obras de Vygotsky. In: VYGOTSKY,
produção. L. S. A formação social da mente: o desen-

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 14-21, jan./jun. 2011 21


22 Enfoque

TECNOLOGIA ASSISTIVA E FORMAÇÃO


DE PROFESSORES: CONSTRUINDO UMA
SOCIEDADE INCLUSIvA
Debora Conforto1 Lucila Maria Costi Santarosa2 Elisa Tomoe Moriya Schlünzen3 Danielle Aparecida do Nascimento dos Santos4
conforto@terra.com.br lucila.santarosa@ufrgs.br elisa@fct.unesp.br danielle17@gmail.com

Resumo
No âmbito de dois cursos desenvolvidos no contex- sobre a acessibilidade com Tecnologia Assistiva (TA),
to da Rede de Formação Continuada de Professores, seus impactos e perspectivas na formação de profes-
da Secretaria de Educação Especial do Ministério da sores para o atendimento aos alunos com deficiência,
Educação (SEESP/MEC), na modalidade a distância, visando sua inclusão aos espaços escolares. Nessa
apresentamos, neste artigo, os principais aspectos perspectiva, os cursos têm por objetivo fornecer sub-

1 Dra. em Educação, Pesquisadora do Núcleo de Informática na Educação Especial (NIEE/UFRGS) Pesquisadora e Formadora da UAB/
UFRGS/NIEE
2 Dra. em Educação, Professora do curso de Pós Graduação em Educação e de Informática na Educação da UFRGS, Coordenadora do
NIEE/UFRGS, Pesquisadora IA do CNPq.
3 Dra. em Educação e Currículo, Professora do curso de Pós Graduação em Educação da Faculdade de Ciência e Tecnologia da
Universidade Estadual Paulista – DMEC/FCT/Unesp, Coordenadora do Centro de Promoção para a Inclusão Digital, Escolar e Social.
4 Mestre em Educação, Pesquisadora Científica do curso de Tecnologias Assistivas, Projetos e Acessibilidade: promovendo a inclusão
da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista – EMEC/FCT/Unesp.

22 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011


sídios teóricos e práticos sobre: Acessibilidade com o e podem ser observadas. Uma cultura relacionada à
uso de TA, Plano de Ação Pedagógica e Inclusão de acessibilidade com a TA associadas, principalmente,
Pessoas com deficiência. Um panorama geral da dinâ- às tecnologias digitais, já se faz presente em âmbito
mica desses cursos é descrita por meio dos módulos escolar, cujos resultados aparecem em fóruns de dis-
de conteúdos e estratégias metodológicas que obje- cussão sobre o tema, mas principalmente concreti-
tivam formar profissionais para atuarem nos espaços zam a construção de uma sociedade inclusiva. Assim,
escolares que compõem especialmente as salas de estamos abrindo um espaço de crescimento conjun-
recursos multifuncionais e salas de aula, ambientes to de TODOS no cenário educativo contemporâneo,
de aprendizagem, por excelência, para o uso de re- no que se refere à construção do conhecimento que
cursos de acessibilidade com TA, visando a constru- circunscreve à acessibilidade e à inclusão sociodigital.
ção de uma prática inclusiva. A formação de profes-
sores em todo o Brasil, nessa área, possibilita afirmar Palavras-chave: Tecnologia Assistiva; Inclusão So-
que transformações, com o uso desses recursos no ciodigital; Formação Continuada de Professores;
processo educacional, já estão sendo desencadeadas Acessibilidade.

Introdução Permeiam essa projeção conceitos uma diversidade de habilidades,


fundamentais como o de inclusão potencialidades e aptidões postas
As tecnologias digitais têm dis- que, conforme Oliveira (2004) confi- em interação.
ponibilizado importantes cenários gura-se como um movimento para Agrega-se também a esse
para a interação e comunicação aproximar aqueles que estiveram conceito o que emerge de forma
entre atores sociais, produzindo historicamente excluídos ou deixa- paralela às tecnologias digitais, o
movimentos que começam a con- dos na exterioridade dos espaços da inclusão digital, termo empre-
cretizar práticas de respeito e de socioculturais, como conseqüência gado em contextos diferenciados,
valorização da diversidade huma- da forma dualista de concepção do porém, raramente definido em
na. No rastro desses movimentos, mundo – incluídos versus excluídos. toda a sua positividade. Assu-
processos de inclusão na socieda- Uma abordagem mais coerente, mindo a real dimensão que esse
de e na escola têm sido edificados, para a questão inclusão x exclusão, movimento projeta, o nomeamos
novos tempos e espaços projeta- é apresentada por Ladeira e Ama- como inclusão sociodigital e o
dos, que sob a lógica de novas re- ral (1999) a qual ao abandonar a caracterizamos como pó proces-
lações socioculturais, vem afetan- perspectiva reducionista de um so de apropriação de artefatos e
do substancialmente a dimensão fenômeno determinístico, passa a técnicas digitais para promover e
da vida humana. Potencializa-se a situá-lo como um processo longo e possibilitar a participação de to-
construção de espaços sociocultu- vinculado à qualidade de vida. dos os atores sociais em diferen-
rais alicerçados por princípios de Nesse contexto, o postulado tes tempos e espaços culturais.
equidade e de justiça social, que de inclusão social e educacional Assim, a promoção da inclusão
ao distanciar-se da infoexclusão, consiste em tornar toda a socieda- sociodigital passa, indiscutivel-
ou exclusão digital, aproxima-se de em um lugar para a convivên- mente, pela busca da acessibili-
da inclusão digital e social de TO- cia com a diversidade humana na dade, a qual deve trazer em seu
DOS os seus participantes, consi- efetivação de seus direitos, neces- escopo a flexibilização de acesso
derando principalmente as pesso- sidades e potencialidades. Pontos de usuários que possuam defici-
as com deficiência. de fragilidade humana passam a ência, que revelem algum tipo de
A projeção de tecnologias digi- ser reconhecidos e valorizados, fragilidade que levem a restrições
tais como interfaces de cidadania exigindo da sociedade uma ade- aos mecanismos de navegação,
promove e concretiza o inédito- quação de seus espaços sociocul- à operação com software e com
viável de uma sociedade igualitária. turais e econômicos para atender hardware e às adaptações aos am-

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011 23


bientes e situações (GUIA, 2007). sentido de transpor as barreiras conjunto com os professores deci-
Nessa perspectiva, a acessibilidade impressas junto à dificuldade física dem o que desenvolver, com o uso
deve ser vista como um meio de e/ou intelectual, que abrange ti- do computador, elaborando um
disponibilizar a cada usuário inter- pos e graus de comprometimento projeto que faz parte de sua vivên-
faces que respeitem suas especifi- para acesso aos conteúdos e co- cia e contexto. Nesse ambiente, o
cidades pela remoção de barreiras nhecimentos, além da comunica- importante é desenvolver ativida-
que impedem as pessoas com de- ção e interação com seus pares e des que utilizem as habilidades e
ficiência de participarem de ativi- com a comunidade escolar. Assim, potencialidades de cada um, onde
dades do contexto da sociedade, a necessidade de implementar as tecnologias digitais passam a
incluindo serviços, produtos e in- condições adequadas às pessoas ser ferramentas potencializadoras,
formação (DIAS, 2003). com deficiência está intimamente as quais possibilitam ao aluno pro-
Dos movimentos iniciais de ligada ao Atendimento Educacio- duzir e comunicar-se.
enfrentamento das barreiras ar- nal Especializado (AEE), que abran- Neste sentido, destacamos que a
quitetônicas, característicos das ge um conjunto de condições de TA compreende duas fases ou com-
décadas de 40 a 70, passamos, a acessibilidade para a melhora na posições: o recurso e a ação (BRASIL,
partir dos anos 80, a problematizar sua comunicação e mobilidade. 2008). O recurso é o equipamento
também a modelagem de espa- Tais condições de acessibilida- utilizado pelo aluno, que lhe permi-
ços digitais, projetando uma am- de são viabilizadas pela Tecnolo- te ou favorece o desempenho de
pliação para o conceito de aces- gia Assistiva (TA), que como área uma tarefa, rompendo a barreira
sibilidade. Com a emergência de de conhecimento abrangente de acesso. Já a ação compreende
uma nova perspectiva conceitual engloba recursos como: comuni- a busca de solução de problemas e,
para a acessibilidade, projeta-se e cação alternativa, acessibilidade principalmente, a mudança de pos-
promove-se a construção de con- ao computador5, acessibilidade tura frente ao uso dessa tecnologia
temporâneos acessos que passam de páginas da web6, atividades de e ao papel do professor e do aluno
a operar como pontes e rampas vida diária, orientação e mobili- diante desse processo.
tecnológicas, que efetivamente dade, adequação postural, adap- No entanto, ambas as com-
podem melhorar as condições e tação de veículos, órteses e pró- posições modificam significati-
a qualidade de vida para a diver- teses, entre outros (BRASIL, 2006). vamente o que TYACK e CUBAN
sidade humana, no acesso à infor- Além disso, a TA favorece a re- (1995) denominam como “gra-
mação e formação, na interação solução de problemas funcionais mática da escola”, que consiste
e comunicação, na participação para o desenvolvimento de poten- em um conjunto persistente de
efetiva dos espaços sócio-culturais cialidades humanas, valorizando características organizacionais e
(SANTAROSA e CONFORTO 2009). os desejos, as habilidades, e as ex- de estruturas que, para além de
pectativas positivas e de qualidade todas as reformas e mudanças,
de vida. O ambiente Construcio- mantém e persiste em um padrão
Tecnologias digitais nista, Contextualizado e Significa- de modelo escolar, no qual perdu-
tivo (CCS) definido por SCHLÜN- ram elementos de uniformização
acessíveis no tempo e ZEN (2000), trabalha dentro desta e repressão da diversidade para
no espaço escolar perspectiva, criando ambientes in- a construção de uma única iden-
clusivos, onde existe um problema tidade. Portanto, para a escola,
No ambiente escolar surge a que nasce de um movimento na bem como para toda a socieda-
perspectiva de acessibilidade no sala de aula e onde os alunos em de, configura-se um momento de

5 A  acessibilidade ao computador envolve programas (software) incluindo diferenciados tipos de  recursos e ajudas técnicas para acesso aos 
computadores e periféricos (HOGETOP e SANTAROSA , 2002) (SANTAROSA e BASSO, 2009) . Nesta área englobamos a Tecnologia Assistiva,
concentrando no aporte das tecnologias digitais.
6 A acessibilidade de páginas WEB envolve desde navegadores a todos os tipos de sites , sistemas web, ambientes digitais/virtuais, abarcando várias
dimensões como conteúdo, estrutura e formato (CONFORTO e SANTAROSA, 2003); (SONZA, CONFORTO e SANTAROSA,2008) . O elemento fundamental,
neste caso,  é a construção de páginas com a preocupação de atender aos princípios que possam oferecer maiores possibilidades de acessibilidade.

24 Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011


instabilidade e desafio (SANTOS E Torna-se fundamental a for- Tecnologias digitais
SCHLÜNZEN, 2007), uma vez que mação de professores em uma
existe a necessidade de imple- perspectiva multidimensional e de acessíveis na
mentar as mudanças necessárias forma contínua. Embora nas últi- perspectiva da formação
para que a prática de inclusão so- mas décadas muitos cursos de for-
mação de professores tenham sido
de professores
ciodigital de fato ocorra.
Assim, usar TA e fazer um am- promovidos, tanto pelos organis-
mos governamentais quanto pela Embora, nos últimos anos, o
biente CCS na escola significa crescimento na área da inclusão so-
buscar alternativas para que o iniciativa privada, a grande maioria
coloca em prática uma “reciclagem” ciodigital e escolar sejam inegáveis,
aluno realize o que deseja ou pre- ainda vivencia-se uma realidade
cisa e, mais do que isto, encontrar ou “capacitação”, que se distancia
do contexto escolar onde os pro- brasileira não favorável para a diver-
estratégias para que o aluno faça
fessores estão inseridos e da neces- sidade humana, fato comprovado
e encontre seus caminhos isotró-
sidade e urgente meta de inclusão pela quantidade de sujeitos ainda
picos (VYGOTSKY, 1993) consi-
das pessoas com deficiência. colocados na exterioridade de pro-
derando o seu modo de fazer e
Assim, a formação de profes- cessos educativos na rede escolar
evidenciando suas habilidades e
sores deve ser realizada como um por fragilidade na área sensorial ou
capacidades de comunicação.
processo a ser inserido na prática cognitiva. Somam-se a esse fato a
É uma mudança de postura dura realidade das condições de tra-
contextualizada com o cotidiano
que perpassa por todos os agen- balho docente e a frágil formação
escolar e adequadas ao próprio
tes escolares, principalmente o dos professores, aspectos que têm
espaço de uma escola inclusiva,
professor, que passa a conhecer impulsionado posições reducionis-
efetivando a valorização das dife-
e criar novas alternativas para: tas centradas nas limitações e nas
renças humanas.
comunicação, escrita, mobilida- dificuldades do sistema de ensino
de, leitura, brincadeiras, artes, Nesta perspectiva insere-se o
AEE, cujos professores especiali- regular em atender a diferença e a
utilização de materiais escolares deficiência. Frente a isso, a mudan-
e pedagógicos, exploração e pro- zados dão suporte ao professor
da sala regular, proporcionando ça valorativa e a ação por parte de
dução de temas através do uso
às pessoas com deficiência maior órgãos governamentais, educado-
do computador (BRASIL, 2008).
qualidade na vida escolar, inde- res, pesquisadores e agentes sociais
Neste movimento, a “gramática
pendência na realização de suas levaram a conquista de um  espaço
da escola” passa a considerar não
tarefas, ampliação de sua mobili- para a construção de respostas ao
somente as habilidades lingüís-
dade, comunicação e habilidades desafio de garantir o direito de to-
ticas e lógico-matemáticas das
de seu aprendizado (BRASIL, 2008). das as crianças com deficiência a
crianças, mas desafia seus alunos
Desta forma, o trabalho de ambos, inclusão no ensino regular.
a construir o conhecimento indi-
professores especializados e da A configuração da educação
vidual, dentro de um coletivo.
sala regular, poderá proporcionar inclusiva traz benefícios para a
Embora o discurso apresente uma sólida formação humana que
toda essa gama de alternativas e sociedade e para todos os en-
subsidie a formação das pessoas volvidos no processo educativo,
necessidades, muitas são as dú- para a construção de uma socieda-
vidas dos professores quando se pois propicia a criação de um
de humanizada. Mas para que esse
depara com uma pessoa com de- ambiente escolar e social onde
cenário seja colocado em prática é
ficiência em sua sala de aula. Des- os indivíduos aprendem a respei-
muito importante que a formação
se modo, existe a necessidade de tar, a compreender e a admirar as
de professores seja compreendida
viabilizar não somente os recursos, qualidades de TODOS, indepen-
sob o olhar da experiência, que só
mas as ações, possíveis por meio se transforma em conhecimento dentes de suas diferenças físicas e
da efetiva atuação de professores, a partir de uma sistematização da cognitivas, aspectos que possibi-
que necessitam de adequada for- prática, que é constituída a partir litam que a sociedade com justiça
mação para responder às novas da construção de saberes, esta- e eqüidade social se efetive.
demandas da sociedade de infor- belecendo relações (SANTOS E O Brasil vem desenvolvendo
mação e do conhecimento. SCHLÜNZEN, 2007). um processo de inclusão desde

Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011 25


1992, quando uma nova política geográficas e principalmente, vi- de sujeitos em processo educativo
de fortalecimento da Educação sando aproximar a comunidade tem sido desencadeado, permitin-
Especial foi estabelecida por meio acadêmica às iniciativas de for- do que heterogeneidade e a dife-
da recriação da Secretaria de Edu- mação de educadores para a revi- rença sejam lidas com vantagem e
cação Especial (SEESP), na estru- são das necessidades do sistema não como prejuízo.
tura do MEC (Ministério da Educa- público de ensino básico, no que O saber e a materialidade das
ção) – Lei 8.490/92. A garantia da se refere à produção de materiais tecnologias digitais de informação
educabilidade para todos passou que visem a melhoria da quali- e comunicação têm possibilitado a
a exigir dos professores do ensino dade (SCHLÜNZEN et al, 2009), e construção de interfaces para pro-
regular conhecimentos específi- atendendo a Política de Forma- mover e impulsionar o desenvolvi-
cos sobre os alunos com neces- ção Continuada da Secretaria de mento sociocognitivo da diversida-
sidades educacionais especiais, Educação Especial. Presente no de humana. No entanto, recursos
não mais sob a luz do seu possível Programa de Formação Continu- computacionais, por si só, não de-
déficit, mas, fundamentalmente, ada de Professores na Educação sempenham as funções esperadas
na valorização de suas potenciali- Especial desde 2007, o curso de se não forem mediados por pro-
dades e habilidades. Por meio das Extensão “TECNOLOGIA ASSISTI- fessores formados adequadamen-
Políticas Públicas em apoio à Edu- VA, PROJETOS E ACESSIBILIDADE: te. Para responder ao desafio de
cação Inclusiva e dos projetos de PROMOVENDO A INCLUSÃO” da formação docente no âmbito das
Formação Continuada de Profes- Universidade Estadual Paulista tecnologias digitais, e compondo a
sores, o MEC assumiu como pre- (UNESP) aborda a TA e seu uso no rede de formação continuada pro-
missa a indissociabilidade da te- atendimento educacional espe- jetada pela SEESP/MEC, Universi-
oria-prática e a concepção de um cializado na área da deficiência dade Federal do Rio Grande do Sul
processo educativo que necessita física e sensorial, formando pro- (UFRGS), em especial o Núcleo de
ser transformado e reinventado. fissionais que atuam nas classes Informática na Educação Especial
A estruturação das salas de re- comuns de ensino regular e nas (NIEE) e CINTED, vem desenvolven-
cursos multifuncionais e a garan- salas de recursos multifuncionais. do, ao longo dos últimos oito anos,
tia de operacionalização do AEE O objetivo é fornecer subsídios te- o curso de “FORMAÇÃO DE PRO-
exigem que políticas públicas res- óricos e práticos aos professores FESSORES EM TECNOLOGIAS DE
pondam ao desafio de promover em exercício na rede pública de INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
estratégias de formação dos profis- ensino, por meio dos recursos de ACESSÍVEIS”, com os objetivos de:
sionais que passam a concretizar os EaD, para o uso de TA que possibi- • Aperfeiçoar e formar em servi-
princípios da educação inclusiva. litem ao professor trabalhar com ço, na modalidade a distância,
Visando implementar os ideais as pessoas com necessidades via Internet, professores de es-
supracitados, a Rede de Formação educacionais especiais. colas públicas inclusivas, com
Continuada de Professores, da Se- Das inúmeras possibilidades de efetiva docência na Educação
cretaria de Educação Especial do recursos e de formas de apoio que Básica, na apropriação e apli-
Ministério da Educação (SEESP/ se apresentam no cenário educati- cação pedagógica das Tecnolo-
MEC), proporciona o financiamen- vo contemporâneo, as tecnologias gias da Informação e da Comu-
to de cursos de aperfeiçoamento, digitais têm revelado, em âmbito nicação com vistas à inclusão
extensão e especialização para o nacional e internacional, o gran- de alunos com deficiência;
AEE na modalidade a distância, vi- de potencial do campo de saber • Utilizar, no contexto educa-
sando a formação continuada de da Informática na Educação Espe- tivo, tecnologias de informa-
professores que atuam nas clas- cial na concretização de planos de ção, recursos computacionais
ses comuns de ensino regular em ação para o AEE. Entrelaçando tec- de acessibilidade e objetos de
uma perspectiva inclusiva, e nas nologias digitais de informação e aprendizagem, com criticida-
salas de recursos multifuncionais. comunicação com um qualificado de e autonomia, para projetar
A Educação a Distância (EaD) plano de atendimento especiali- a escola como tempo-espaço
aparece nesse cenário no senti- zado, um ajuste às especificidades integrador de instrumentos de
do de ultrapassar as dimensões e à variedade de histórias de vida inserção sociodigital;

26 Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011


• Experienciar, projetar e de- clusão” já foi ofertado em duas educacionais dos professores par-
senvolver ações pedagógicas edições, sendo que a primeira rea- ticipantes, principalmente como
significativas mediadas pelas lizada no ano de 2008 e a segunda tais recursos poderão ser usados
tecnologias digitais de infor- em 2009, com previsão para mais no seu ambiente escolar. Para tan-
mação e de comunicação e duas edições em 2010 e 2011. Na to, são levantados dados sobre as
de recursos de acessibilidade primeira e na segunda edição, o ferramentas digitais e pedagógi-
alicerçados na premissa da in- curso foi oferecido para profes- cas relacionadas aos recursos de
clusão sociodigital de sujeitos sores da rede pública de ensino TA para potencializar a inclusão
com deficiência no cenário só- de 19 e 23 municípios respectiva- digital, social e escolar e as leis
cio-cultural contemporâneo; mente, que estavam distribuídos que os regem, visando estimular
• Forjar uma ação integrada nas cinco regiões do país com con- um trabalho integrado entre os
– docente e equipe de AEE textos tecnológicos e pedagógicos professores das salas comuns e
– visando à construção de es- diferenciados. Vale destacar que, multifuncionais/recursos. O con-
tratégias educativas para res- após cada edição, realizaram-se teúdo do módulo abarca o Con-
ponder as diferentes deman- modificações de melhoria e atu- ceito e Legislação para compre-
das geradas pela inclusãodas almente ele é desenvolvido sob ender a inclusão das pessoas com
pessoas com deficiência nas a forma de um curso de extensão necessidades educacionais espe-
instituições educativas que universitária, sendo 180 horas para cíficas na rede pública regular de
compõem o Ensino Regular. as próximas edições, distribuído ensino, bem como os conceitos e
em quatro módulos. definições de TA8, para promover
Conhecidos os desafios que es-
No módulo I – Introdução a o entendimento sobre o seu em-
ses dois cursos componentes da
Educação a Distância (EaD) – são prego no contexto de trabalho por
Rede de formação continuada de
oferecidos subsídios de prepara- meio do estudo de caso.
professores da SEESP/MEC buscam
responder, apresentamos a estru- ção do cursista para a utilização O módulo III – Objetos de
tura e a metodologia dos mesmos, e navegação do Ambiente Virtual aprendizagem para Inclusão –
dando visibilidade aos movimen- de Aprendizagem (AVA) – TelE- oportuniza o conhecimento e
tos que a formação de professores duc7. Para tanto, o professor-cur- análise dos Objetos de Aprendi-
para o uso das tecnologias digitais sista é orientado a ler e analisar zagem (OA), implementados es-
acessíveis pode propiciar, de for- textos do Manual do Cursista e pecificamente para serem usados
ma direta, na proficiência docente do TelEduc, vencendo os desafios no curso como ferramentas pe-
e, ainda mais importante, de forma das múltiplas possibilidades de dagógicas que podem auxiliar o
indireta, na educabilidade da di- interação que o ambiente lhe pro- professor no ensino de conteúdos
versidade humana. porciona. Ao final desse módulo específicos em sala de aula, de for-
o cursista fica familiarizado com ma lúdica e prazerosa. Os três OA
o TelEduc e compreende as me- desenvolvidos para o curso estão
Métodos: todologias, meios e materiais que ilustrados nas figuras 1, 2 e 3 .
serão usados ao longo do curso. Em seguida os professores
impulsionando a
O módulo II – Tecnologia As- tomam conhecimento da exis-
Educação Inclusiva sistiva: Perspectivas para Poten- tência do Banco Internacional de
cializar a Inclusão Digital, Social e Objetos Educacionais (BIOE), im-
O curso de “Tecnologia Escolar – é o cerne do curso, onde plementado pela Secretaria de
Assistiva, Projetos e Acessi- são realizadas discussões sobre Educação a Distância (SEED) do
bilidade: Promovendo a In- TA para os contextos e cenários MEC, visando uma articulação do

7 Esse ambiente funciona como uma sala de aula virtual, permitindo: a disponibilização de materiais didáticos elaborados pela equipe de
coordenadores, pesquisadores e formadores do curso fica disponível; a organização das atividades de cada módulo em agendas semanais com o
cronograma das atividades do período; a comunicação entre a coordenação, os formadores, os tutores e os cursistas; o envio de Atividades pelos
cursistas; o registro do processo de realização das atividades.
8 Como por exemplo os softwares DosVox, Teclado Amigo e a Lente Pro que são recursos gratuitos e estão disponíveis para download.

Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011 27


Figura 1 – OA Viagem Espacial Figura 2 – OA Fazendinha Figura 3 – OA Scrapbook
(Alfabetização) (Matemática) (Interdisciplinar)

uso dos recursos disponibilizados riência viabiliza a organização de • Fase Problematização: apro-
pelas duas secretarias. um conjunto de procedimentos priação conceitual por meio
Finalmente, o módulo IV – didático-pedagógicos para a for- de interações síncronas e as-
Projetos para inclusão – cria um mação continuada de professo- síncronas.
espaço de reflexão sobre o uso res para a divulgação do uso dos • Fase Consolidação: constru-
dos recursos de TA, apresentan- recursos de Tecnologia Assistiva ção e reconstrução conceitual,
do estratégias pedagógicas que (TA) visando favorecer o processo apresentando os resultados
possam promover transforma- de inclusão das pessoas com defi- edificados ao longo do proces-
ções dentro do ambiente edu- ciência na sala de aula comum. so de aprendizagem individual
cacional, dentre estas o trabalho O curso de “FORMAÇÃO DE e coletiva.
com projetos. Nessa fase, o cur- PROFESSORES EM TECNOLOGIAS A opção metodológica do cur-
sista é instigado a usar a TA em DE INFORMAÇÃO E COMUNICA- so centra-se na interação de seus
seu ambiente educacional, tendo ÇÃO ACESSÍVEIS”– UFRGS, desen- participantes – professores, for-
como foco principal o enriqueci- volvido na modalidade a distân- madores, tutores, coordenador
mento e o desenvolvimento das cia, utiliza-se das ferramentas de – para edificar uma verdadeira
habilidades das pessoas com mediação e de comunicação dis- comunidade virtual de aprendi-
deficiência. A partir das experi- ponibilizadas pelo seu ambiente zagem. Nessa perspectiva dois
ências, inicia-se a construção de virtual. A metodologia de ensino níveis de uma formação docente
um projeto que poderá ser apli- ajustada à modalidade EAD, prevê em serviço são contemplados:
cado em seu contexto de traba- o desenvolvimento de estratégias Nível 1 – Apropriação técni-
lho, e que poderá até ser previsto de aprendizagem e a publicação co-metodológica: O professor
no Projeto Político Pedagógico na plataforma do curso das ativi- em formação pela constante e
(PPP) da escola considerando a dades previstas para cada compo- qualificada interação com a equi-
perspectiva inclusiva. nente da base curricular, por meio pe técnico-pedagógica do curso
Tendo esse fio condutor, o de uma seqüência de fases: e, por meio de sua participação
curso possibilita a construção do • Fase Sensibilização: apresen- nos fóruns, chats, conferências
conhecimento do professor-cur- tação e sensibilização às temá- via Internet, articulará o domínio
sista, onde é utilizada uma abor- ticas em foco, através de con- tecnológico com a prática peda-
dagem interativa-reflexiva de ferências pela Internet e via gógica mediadas por diferentes
Educação a Distância. ferramentas de comunicação linguagens e ferramentas.
Neste curso, a avaliação da síncrona (chat) e assíncrona Nível 2 – Aplicabilidade na
aprendizagem é formativa e sub- (correio eletrônico, fóruns,...); unidade educativa: O profes-
sidiada pelos seus registros no • Fase de Imersão: vinculação sor em seu contexto educativo
ambiente, pelo material produzi- ao contexto da escola, diag- deverá modelar estratégias de
do, pela freqüência as atividades nosticando a realidade escolar, intervenção pela interface das
propostas no ambiente e pela sua trazendo casos existentes para tecnologias digitais, inicialmente,
auto-avaliação. Considera-se im- a proposição das possíveis for- de forma pontual, experiencian-
portante mencionar que a expe- mas de intervenção. do possibilidades de qualificação

28 Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011


de práticas educativas com as ção, interação e publicação in- teração e a comunicação, para
linguagens e ferramentas digitais dividual e coletiva para mediar garantir uma maior autonomia
desenvolvidas ao longo do curso, o processo de aprendizagem. e inclusão sociodigital e escolar
além de estabelecer um efetivo Reflete sobre as políticas públi- das pessoas com deficiência.
apoio na construção do plano de cas que alicerçam a construção • Módulo III – Recursos de Inter-
AEE para pessoas com deficiência. da Educação na perspectiva in- net Acessíveis – Estuda as pos-
Esse curso de 180 horas, apre- clusiva identificando a diversi- sibilidades educativas da Inter-
senta a seguinte estrutura curri- dade humana beneficiada pelas net acessível. Explora e reflete
cular (Figura 4): estratégias de inclusão, anali- sobre os usos pedagógicos da
Em cada Módulo o professor sando e apontando para a mo- Internet – navegação, comuni-
trabalha diferentes aspectos, as- delagem de planos de interven- cação e produção de conteúdo
sim configurados: ção sociocognitiva, com vistas à para web – na perspectiva de
inclusão qualificada no tempo e uma Educação Inclusiva.
• Módulo I – Tecnologias de In-
formação e de Comunicação no espaço da sala de aula. • Módulo IV – Acessibilidade à
Acessíveis e a Política Nacio- • Módulo II – Introdução à In- Web – Estuda critérios e requi-
nal de Educação Especial – formática Acessível – Define sitos para promover o acesso à
Contextualiza as Tecnologias de e delimita Tecnologia Assistiva. Web para a diversidade huma-
Informação e de Comunicação Apresenta, explora, observa e na. Observa e utiliza sistemas
(TIC) na perspectiva da Educa- manuseia diferentes disposi- de avaliação e validação de
ção Inclusiva. Explora e instru- tivos e interfaces de hardware conteúdo para a Web.
mentaliza professores para as e software que possibilitam
• Módulo V – Objetos de Apren-
possibilidades técnico-metodo- o acesso aos recursos de am-
dizagem Acessíveis – Concei-
lógicas em um curso de forma- bientes computacionais para a
tua dimensões teóricas e meto-
ção na modalidade não-presen- diversidade humana. Identifica,
explora e manuseia recursos e dológicas para a utilização de
cial. Impulsiona a apropriação
de ferramentas de comunica- estratégias para ampliar a in- objetos de aprendizagem no
contexto educacional. Realiza
estudo ergonômico e cognitivo
Formação Continuada de Professores em de objetos de aprendizagem na
Tecnologias de Informação e Comunicação Acessíveis perspectiva da acessibilidade.
TICs Acessíveis e Política
Analisa, avalia e utiliza objetos
10h
Nacional de Educação Especial de aprendizagem como instru-
mentos cognitivos para apoiar
processos de inclusão escolar.
Conferências via Internet
60h Informática Acessível
Nos Módulos II, III, IV e V estuda
casos reais de inclusão escolar pro-
Demonstração de blematizados pelos conhecimentos e
Recursos de Internet Tecnologia Assistiva
60h experiências vivenciados no módulo;
Acessíveis
elabora estratégias técnico-metodo-
lógicas em apoio à diversidade huma-
Vídeos PNEE na para a inclusão sociodigital e esco-
10h Acessibilidade à WEB em interação com
Tecnologias de Informação lar; relata e discute com seus pares e
constrói coletivamente alternativas
de praticas inclusivas.
Objetos de Aprendizagem
30h
Acessíveis 10h • Módulo VI – Estudo de Caso e
Estudo de Casos Plano de Ação Pedagógica –
Plano de Ação Pedagógica
Conceitua e apropria-se da me-
Certificação
todologia de projetos. Identifi-
Figuras 4 – Estrutura curricular. ca, analisa e diagnostica Estudo

Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011 29


de Casos de inclusão em insti- tada pelo curso e forjar práticas de a importância da temática do curso,
tuições educativas regulares. respeito e de valorização da diver- e tal importância se resvala para o
Aproxima a equipe responsável sidade humana, cada participante ambiente escolar impactando sig-
pelo AEE da instituição de ensi- do curso recebe atualmente um nificativamente no modo como as
no para refletir, estruturar e apli- livro Tecnologias Digitais Aces- pessoas com deficiência passam a
car plano de intervenção para a síveis (2010) com todo material ser vistas por estes e na forma que
inserção qualificada de pessoas do curso, de autoria de pesquisa- trabalham com estas pessoas. Em
com deficiência, no tempo e no dores do NIEE/UFRGS, uma obra meio aos diversos retornos e frutos
espaço da sala de aula. Dessa que propicia um aprofundamen- após a capacitação selecionamos
forma, o professor apresenta e to da fundamentação teórica e a dois depoimentos:
discute o seu projeto, junto ao exploração significativas práticas
grupo de participantes do cur- de inclusão sociodigital de pesso- “É realmente imensurável o que aprendi
nesse curso. Foi a primeira vez que en-
so de formação, para uma aná- as com deficiência. trei em contato com as Tec. Assistivas,
lise e enriquecimento do plano Objetos de Aprendizagem, softwares
de intervenção. criativos, além de melhorar meu desem-
Para os módulos descritos an- Resultados: a penho no manuseio do computador.
Nunca havia participado de sala de bate
teriormente, são oferecidos tex- concretização de uma papo, fórum de discussão, etc. Através
tos e materiais de apoio para a
construção conceitual proposta Educação Inclusiva do curso procurei olhar com o olhar do
outro, do diferente, de suas necessida-
em cada módulo. Alem disso, va- des, limites, possibilidades e superações.
rias conferências de renomados As propostas descritas de- Vivenciei de forma real por algumas
especialistas são apresentadas monstram os serviços da TA em semanas. Foi provisório, mas procurei
via Internet, com o objetivo de sua característica multidisciplinar, aproveitar o máximo aquela oportuni-
envolvendo um profundo pro- dade que estava me “sendo oferecida”;
sensibilizar e aproximar o profes- usar outra mão para fazer todas as coi-
sor de temáticas que subsidiam e cesso de transformação da escola
sas, esperar por outra pessoa para fazer
apóiam o processo de inclusão de e uma forte iniciativa da SEESP/ o que momentaneamente não podia re-
pessoas com deficiência na Edu- MEC em viabilizar as perspectivas alizar, ter consciência da minha limita-
cação Básica. Paralelamente tam- apresentadas neste artigo. ção, buscar a superação sem lamentos
diários, apenas achando ruim por conta
bém são disponibilizados vídeos, O AEE é instituído pela consti-
das dores e por me dar conta que fazia
inseridos nos conteúdos do curso, tuição Federal 1.988 e definido pelo tantas coisas importantes com minhas
com demonstração de recursos Decreto nº 6.571/2008 a todo bra- mãos... e compreender que o ritmo do
de TA, que possibilitam garantir a sileiro com deficiência, transtorno outro é diferente do meu... Tudo isso foi
efetiva participação de cursistas global do desenvolvimento ou altas acompanhado da teoria que também
me foi oferecida através do curso. Acre-
com deficiência, e com registros habilidades/superdotação. No cur-
dito que hoje posso melhorar minha
de experiências de uso das tecno- so de TA, a formação de professores prática pedagógica não só com relação
logias digitais em contexto esco- visa, além de simplesmente auxiliar aos surdos com quem atualmente tra-
lar que ilustram a viabilidade de o professor a conhecer novas estra- balho, mas com qualquer criança com
práticas de inclusão sociodigital. tégias, coloca-las em prática a partir necessidades especiais ou não. Adquirir
conhecimento, com certeza, transfor-
A inserção de conferências e de do desenvolvimento de projetos e
ma.” (CURSISTA I, TURMA FORTALEZA 1)
vídeos que demonstram recursos do uso de elementos presentes no
tecnológicos e práticas de inclusão contexto escolar, no cotidiano en- Com essa perspectiva, faz-se
escolar, mediadas por tecnologias frentado junto a cada criança com uma análise positiva em relação
digitais acessíveis, permitem trazer deficiência. ao funcionamento do curso den-
e problematizar para diferentes Na análise minuciosa sobre os tro de uma abordagem de EaD,
contextos as áreas de conheci- apontamentos consignados por tu- permitindo difundir a abordagem
mento fundamentais para toda a tores, formadores e cursistas do cur- construcionista em todo o terri-
dinâmica sociocultural brasileira. so de Tecnologia Assistiva, pode-se tório nacional e gerando expec-
Para ampliar e qualificar a constatar que a totalidade dos en- tativas tão importantes, tal qual a
construção teórico-prática proje- volvidos é unânime em reconhecer que destacamos também:

30 Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011


“Gente, hj esta acontecendo II Mostra pessoas com deficiência , a partir Os dados quantitativos apre-
Cultural na minha escola, entao nós da do uso dos recursos que tornam sentados na Figura 5, já seriam su-
sala de recursos, estamos apresentando
a vida destas pessoas melhor para ficientes para atestar importância
os OAs e o Dosvox para a comunidade
escolar. Está sendo um sucesso absolu-
uma aprendizagem prazerosa. que uma formação continuada na
to!!! Professores, alunos, pais, secretá- O curso “FORMAÇÃO DE PRO- modalidade a distância como a
rias, supervisora, diretora, guarda, ser- FESSORES EM TECNOLOGIAS projetada pela SEESP/MEC, mas o
ventes, pais e visitantes, estão achando DE INFORMAÇÃO E COMUNICA- que de forma significa permite dar
maravilhoso, voces precisam ver a ale- ÇÃO ACESSÍVEIS” ratifica a im- visibilidade a positividade dos cur-
gria deles “brincando” com os OAs. Os sos de formação são as palavras dos
portância de sua realização pela
meus auxiliares são os alunos que fre-
quentam a sala de recursos, eles estão possibilidade de espraiar o saber próprios professores que participa-
achando o máximo ensinar as pessoas e a materialidade da Informática ram do processo de formação con-
a usarem os OA” [cursista L.L.P., Vitória]. na Educação Especial nos diferen- tinuada. A partir de instrumentos
tes pontos de um país continental de avaliação do curso, professores
Assim, hoje contamos com a como o Brasil, como ilustra a Figu- afirmam e valorizam o potencial
formação de aproximadamente ra 5, apresentando o número e o das tecnologias digitais acessíveis
1.000 cursistas, em 46 turmas es- estado de origem dos professores como pontes e rampas para a inclu-
palhadas nos 27 estados de todas certificados pelo curso em dife- são digital e social de pessoas com
as regiões brasileiras que no decor- renciados períodos de sua edição deficiência (SANTAROSA e outros,
rer do curso descrevem as mudan- desde que se iniciou o processo e, 2007): na contribuição do curso no
ças e transformações na sua forma ainda, com previsão de mais duas processo de inclusão e o avanço dos
de ensinar, comunicar-se e ver as edições em 2010-2011. alunos no processo ensino e apren-

Região Nordeste
Região Norte Roraima 39 escolas
Amapá
19 escolas

Amazonas Ceará
Pará Maranhão Rio Grande do Norte
Paraíba
Piauí Pernambuco
Acre
Tocantins Alagoas
Rondônia Sergipe
Mato Grosso Bahia

Distrito Federal
Goiás
Centro-Oeste
Mato Minas Gerais
8 escolas Grosso Espírito Santo
São Região Sudeste
do Sul Paulo Rio de Janeiro 50 escolas Acre (3) Maranhão (5) Rio de Janeiro (6)
Paraná
Alagoas (3) Mato Grosso (5) Rio Grande do Norte (5)
Santa Catarina
Rio Amapá (3) Mato Grosso do Sul (5) Rio Grande do Sul (9)
Grande
do Sul Região Sul Amazonas (4) Minas Gerais (6) Rondônia (4)
36 escolas Bahia (6) Pará (7) Roraima (2)
Ceará (7) Paraíba (6) Santa Catarina (7)
Distrito Federal (6) Paraná (9) São Paulo (8)
Espírito Santo (8) Pernambuco (7) Sergipe (4)
Acre (4) Goiás (5) Piauí (5) Tocantins (5)
Alagoas (8)
Amapá (8)
Amazonas (6)
Bahia (39)
Ceará (16)
Pará (4) Amapá (1)
Distrito Federal (9) Maranhão (3)
Espírito Santo (23)
Goiás (36) Piauí (14)
Maranhão (13) Ceará (18)
Minas Gerais ( 44) Rio Grande do Norte (24)
Mato Grosso (15)
Mato Grosso do Sul (26) Paraíba (3)
Pará (13)
Paraíba (16) Rondônia (12)
Paraná (44) Sergipe (18)
Pernambuco (10) Mato Grosso (8)
Piauí (9)
Rio de Janeiro (24)
Rio Grande do Norte (17) Mato Grosso do Sul (13)
Rio Grande do Sul (59)
Rondônia (12) Goiás (7)
Roraima (2)
Santa Catarina (20) Rio Grande do Sul (29)
São Paulo (50)
Sergipe (9) Distribuição dos professores concluintes do curso por Estado
Tocantins (18) Ano 2008/2009

Figura 5 – Estados atendidos pelos cursos de “Formação de professores em tecnologias de informação e comunicação acessíveis”

Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011 31


dizagem; na grande vantagem que do interior brasileiro, uma ação éti- REDE consolidada pela SEESP/MEC,
o curso oferece para que os profes- ca e estética de respeito e valoriza- procurando estabelecer metas para
sores possam utilizar os recursos dis- ção da diversidade humana, apon- atender as expectativas dos profes-
poníveis com os seus alunos; no que tada nas palavras da professora: sores, dos alunos e do contexto es-
um curso na modalidade a distância colar em que estão inseridos, como
representa na possibilidade e no ca- Não tenho palavras para expressar o é instigado por Brasil (2008).
minho para uma socialização sem quanto o curso em tecnologias digitais
Nesse sentido, é essencial pro-
acessíveis está sendo gratificante para
fronteiras; na possibilidade dos pro- porcionar ao professor que obser-
mim. D. é uma linda menina teve parte
fessores terem condições de estarem dos membros superiores e inferiores am- ve o aluno a partir de atividades
situados em seus locais de trabalho putados aos 3 anos, hoje aos 10 anos de in-loco, tais como as propostas
e aprendendo sobre as novidades do idade, nos surpreendeu com sua alegria pelos cursos. Este acompanha-
mundo tecnológico em uma socie- e vontade de vencer tudo que lhe é pro- mento é de grande valia para o
dade tão excludente onde os alunos posto a fazer. No computador, mesmo levantamento do potencial do
necessitam das tecnologias para es- sem ter contato antes, parece que já é aluno, evidenciando o que con-
intima dessa máquina, dominou o mou-
tarem inseridos no contexto social. segue fazer por meio do uso dos
se como qualquer outra criança, ou até
Ao analisar e avaliar os impac- melhor. Como ainda na temos acessórios
recursos tecnológicos acessíveis.
tos e movimentos desencadeados corretos, ela utilizou para digitar um lápis A partir das experiências cons-
a partir desse curso é possível dar com uma borracha na ponta para não truídas, é importante ressaltar que
visibilidade ao jogo experiencia- escorregar nas teclas, mas em breve vou “a flexibilização de gestão de tempo,
do pela formação a distância, em providenciar um adaptador para que espaços e atividades é necessária”,
ela possa utilizar os dois braços. Fiquei
seus limites e possibilidades de principalmente, se os professores
admirada com o teclado de conceitos, o
intervenção para a superação de ponteiro de cabeça que pode ser afixado
participam dos cursos de formação
práticas educativas que colocaram diversos tipos de acessórios, possibilitan- e atuam simultaneamente nas es-
na exterioridade das atividades so- do teclar, pintar, pegar objetos, a tela sen- colas (SCHLÜNZEN et al, 2009).
cioculturais a diversidade humana. sível ao toque, o reconhecimento de voz. Além disso, deve-se considerar
Entre tantas possibilidades que as Foi fundamental para que eu tivesse uma que professores e alunos necessi-
interfaces de tecnologias digitais visão mais ampla do funcionamento das
tam de tempo para experimentar,
tecnologias acessíveis e de suas possibili-
acessíveis podem disponibilizar aprender e acompanhar cada pas-
dades educativas. Eu não imaginava que
para a construção da escola inclu- isso era possível. [D.G.A.S. – Professora- so do desenvolvimento no uso da
siva reside na apropriação de tec- cursista 2008/2009]. tecnologia. As modificações serão
nologias para edificar projetos de necessárias, assim como novos
vida. Muitos são os aspectos que desafios funcionais aparecerão
podem ratificar a concretização dia a dia, trazendo novos objeti-
desse importante aspecto para Considerações finais: vos para intervenção destes pro-
promoção da inclusão sociodigital. apontando caminhos fissionais (BRASIL, 2008).
Escolhemos um deles, por refletir a Portanto, a iniciativa da REDE
ação de dois atores na apropriação para a construção da
deve ser considerada como uma
dos saberes e da materialidade da Educação Inclusiva importante ação de formação do
Informática na Educação Especial: profissional envolvido no processo
o educador e o aluno. A partir dos resultados apresen- de inclusão educacional e sociodi-
O recorte que apresentamos a tados, percebe-se a importância e a gital de pessoas com deficiência, vi-
seguir ilustra os saberes problema- eficácia da formação de professores sando a melhoria na qualidade do
tizados ao longo de cada módulo para o uso das tecnologias digitais ensino no nosso país. Certamente
do curso, cristalizados na conquis- permitindo ao aluno a comunicar- ações como estas continuarão a
ta de uma menina que, por falta se, pesquisar e produzir para cons- beneficiar os alunos, independen-
de acessibilidade, ficou a margem trução de uma escola inclusiva na temente de serem ou não pessoas
de muitas experiências educativas. prática. Esse contexto atende aos com deficiência. Professores mais
Um novo olhar para a diversidade desafios que nos são propostos bem preparados e confiantes terão
humana aconteceu no município enquanto equipe de formação da condições de recontextualizar o

32 Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011


aprendizado e a experiência vivida no cenário multicultural brasileiro, SANTAROSA, L. M. C. (Org.) Tecnologias
durante a sua formação para a sua que mesmo vivendo a carência de digitais acessíveis. Porto Alegre: JSM
Comunicações Ltda. 2010
realidade de sala de aula, compati- recursos materiais e humanos, são
bilizando as necessidades de seus estimulados e impulsionados pe- SANTAROSA, L. M. C. Paradigmas Edu-
alunos e os objetivos pedagógicos los saberes técnicos e metodológi- cacionais para a construção de Am-
bientes Digitais/Virtuais, visando
os quais se dispõem a atingir (SAN- cos de tecnologias digitais acessí- pessoas com necessidades especiais
TOS E SCHLÜNZEN, 2007). veis, pela construção e vivência de – PNEEs. In: Congreso Tecnoneet – CIIEE
Olhar para o futuro, ao pensar um espaço digital/virtual educati- 2006, 2006, MURCIA. As Tecnologias na
vo, para o convite a um fazer peda- Escola Inclusiva – novos cenários, novas
tempo e espaço de aprendizagem oportunidades. MURCIA – FG Graf, 2006b.
para a diversidade humana, supe- gógico alicerçado no real exercício v. 1. p. 35-42. Palestra da sessão de Encer-
rara o todo normal e homogêneo da lógica da inclusão. ramento do evento
que persiste em muitas práticas es- SANTAROSA, Lucila M. C.; BASSO, Lou-
colares, para visualizar o inédito-vi- renço. Eduquito: Virtual Environment for
ável, sempre tão sonhado pelo edu- Referências Digital Inclusion of People with Special
cador Paulo Freire, ao compreender Educational Needs. In: JUCS – Journal of
BRASIL: Ministério da Educação. Secre- Universal Computer Science, v. 15, no.
a história de vida de cada sujeito 7, pp. 1496-1507, 2009
taria de Educação Especial. Sala de Re-
com deficiência na visão utópica da cursos Multifuncionais: espaços para o
possibilidade que se opõe à visão SANTAROSA, L. M. C. ; CARNEIRO, M.L. ;
Atendimento Educacional Especializado.
PASSERINO, L. ; GELLER, Marlise ; CON-
fatalista do determinismo genético. Brasília: MEC/SEESP, 2006. FORTO, D. . Formacao de Professores: re-
A situação limite que se institui pelo BRASIL: Ministério da Educação. Secreta- ferencias na construção da acessibilidade
isolamento e distanciamento do ria da Educação Especial. Atendimento para ambientes virtuais de educação a
padrão estabelecido de normalida- Educacional Especializado: Deficiência distancia. Educação (Porto Alegre), v. 3, p.
531-545, 2007.
de tem, na mediação tecnológica, a Física. Brasília: MEC/SEESP, 2008.
possibilidade de incluir a diferença CONFORTO, D, ; SANTAROSA, L. M. C. .
SANTAROSA, L. M. C e CONFORTO, D.
para instigar o fazer coletivo como Rampas Tecnologicas: arquitetura de es-
ACCESSIBILITY: Discussing Human-Com-
paços virtuais inclusivos. IN: LICHT, Flavia
forma de compartilhar e modelar puter Interaction on the Web . In: Martin
Boni e SILVEIRA, Nubia. DIVERSIDADE E
projetos de vida (SANTAROSA e Llamas Nistal; Manuel Fernadez Iglesias;
DIREITO À INCLUSÃO, 2010 (no prelo).
LuisAnido Rifon. (Org.). Computers and
CONFORTO, 2010 ). Education: Towards a Lifelong Learn- SONZA, A. ; CONFORTO, D. ; SANTAROSA,
Destaca-se, também, a impor- ing Society. Espanha: Kluwer Academic L. M. C. . Acessibildade nos Portais da edu-
tância de propostas dessa nature- Publischer, 2003, v. 1, p. 127-137. cação profissional e tecnológica do Minis-
za, onde há o estreitamento de la- terio da Educação. Revista Brasileira da
DIAS, C. Usabilidade na WEB. Criando Educação Profissional e Tecnologica, v.
ços entre a universidade pública e portais mais acessíveis. Rio de Janeiro, 1, p. 131-145, 2008.
a escola de educação básica, numa Alta Books, 2003
parceria de via de mão dupla, sem SCHLÜNZEN, E.T.M. el al. Tecnologias
GUIA – Grupo Português pelas inicia- Assistivas, Formação de Professores e
hierarquização de saberes, e de- tivas de Acessibilidade. Disponível em: Educação a Distância. Brasília: I Encon-
senvolvendo um trabalho colabo- http://www.acessibilidade.net. 2007. tro Internacional do Sistema UAB, 2009.
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qualidade para todos, onde se va- logias Adaptiva/Assistiva Informáticas na Formação de Professores de uma esco-
lorizam as diferenças e os saberes. Educação Especial: viabilizando a acessibi- la da Rede Pública Estadual em Serviço
lidade ao potencial individual.. Informá- para o Trabalho com Projetos utilizan-
Vivenciando um exercício de
tica na Educação, v. v.5, p. 103-118, 2002. do as Tecnologias de Informação e Co-
autonomia e de concretização de municação. Presidente Prudente: Disser-
políticas públicas para a inclusão LADEIRA, F.; AMARAL, I. A educação de alu-
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nos com multideficiência nas Escolas de
escolar, a rede de formação conti-
Ensino Regular. Coleção Apoios Educati- TYACK, D.; CUBAN, L. Tinkering toward
nuada projetada pela SEESP/MEC, vos. Lisboa: Ministério da Educação. 1999. utopia: a century of public school reform.
vem possibilitando que profes- Cambridge, Mass.: Harvard University, 1995.
sores conquistem o poder da pa- OLIVEIRA, C.B. Mídia, cultura corporal e
inclusão: conteúdos da educação física VYGOTSKY, L.S. Problems of abnormal
lavra e tornando visível à riqueza escolar. Revista Digital–Buenos Aires– psychology and learning disabilities:
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fessores, em sua maioria, isolados http://www.efdeportes.com. York: Plenum, 1993.

Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 22-33, jan./jun. 2011 33


34 Enfoque

FORMAÇÃO CONTINUADA EM
EDUCAÇÃO INCLUSIVA ATRAVÉS DA EAD:
AS VOZES DAS CURSISTAS
Profª Drª. Neiza de Lourdes Frederico Fumes 1 – CEDU/UFAL Profª MS. Tarciana Angélica Lopes Silva2 – CEDU/UFAL
neizaf@uol.com.br tarciangelica@hotmail.com

Resumo
Estudos indicam que a falta de conhecimento dos sencial, devido a problemas na falta de tempo para
professores acerca da educação inclusiva é uma das conciliar trabalho e formação, problemas com a libe-
dificuldades encontradas para a construção e efetiva- ração do professor, distância dos grandes centros e
ção da inclusão nas escolas. Uma quantidade signifi- gastos financeiros. Na EAD encontramos um aumento
cativa de profissionais da educação necessita da for- da participação dos profissionais, maior flexibilidade
mação continuada para atuar na educação inclusiva espaço-temporal do estudo, maior interação entre os
e com alunos com deficiência. Um número reduzido participantes, estímulos de momentos para reflexão
consegue participar destes cursos na educação pre- e discussão. Nesta pesquisa buscamos conhecer as

1 Doutora em Ciência do Desporto e Educação Física, professora adjunta da UFAL atuando na pós-graduação em Educação CEDU/UFAL. É
coordenadora do Curso de Formação de Professores para o Atendimento do Aluno com Deficiência Intelectual.
2 Mestre em Educação Brasileira e integrante do Núcleo de Estudos em Educação e Diversidade (NEEDI/UFAL).

34 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 34-42, jan./jun. 2011


opiniões das professoras-cursistas acerca de um curso da formação. Percebemos que a formação continu-
de formação continuada voltado para perspectiva da ada dos professores em serviço é fundamental para
educação inclusiva, na modalidade EAD, consideran- a construção do ambiente inclusivo, e a EAD foi im-
do: perspectivas para esta formação, pontos positivos prescindível para a continuidade desta formação. Os
do curso, dificuldades na formação, contribuições professores encontraram, na modalidade on-line, um
para os professores e experiência na EAD. O estudo ambiente rico de interação que proporciona trocas de
teve natureza qualitativa, tendo como estratégia me- ideias e experiências, contribuindo para a democra-
todológica o estudo de caso. Os sujeitos foram 25 tização da informação, a expansão do conhecimento
professoras-cursistas de uma cidade da região oeste sobre educação inclusiva, e consequentemente, uma
do estado de São Paulo. Os instrumentos de coleta de escola voltada para todos e que ofereça uma educa-
dados foram dois questionários abertos, início e final ção de qualidade oportunizando a aprendizagem e a
do curso, com a análise dos dados coletados baseada construção da autonomia.
na análise de conteúdo. Todos os dados foram cole-
tados diretamente do ambiente virtual de aprendiza- Palavras-chave: Educação Inclusiva; Formação con-
gem a respeito de atividades realizadas no decorrer tinuada; Educação a distância.

Introdução aprender com suas experiências” Assim sendo, a modalidade a


(GARCIA, 1999, p. 144). distância tornou-se uma proposta
No paradigma da Educação In- Nesse processo, a formação importante para atender a estas
clusiva, todos têm direito à escola continuada é parte integrante do exigências e aos vários tipos de
de qualidade, em um ambiente contexto de trabalho do professor. formação por ser uma via rápida,
livre de discriminação e precon- Imbernón (2009) sugere que essa abrangente, interativa e que pos-
ceito, que respeite a diversidade formação seja desenvolvida com sibilita momentos de reflexões e
e que possa garantir a aprendiza- base na colaboração, no respeito construção dos conhecimentos,
gem e o desenvolvimento psico- pois:
à diversidade, em um ambiente
físico-social daqueles que ali es- escolar organizado e que apóie o Pelas tecnologias disponíveis, pode-
tão, sem distinção. Para alcançar professor na sua formação. se flexibilizar os tempos formativos e
a educação de qualidade para to-
No entanto, vale destacar que os alunos teriam condições, quando
dos, um dos fatores fundamentais se trata de trabalhadores, de, em al-
a formação não necessariamente
está relacionado à formação dos gumas modalidades de oferta, estu-
deve acontecer no mesmo con-
professores. dar nas horas de que dispõem, não
texto escolar em que o professor precisando ter horários fixos, o que
A formação dos professores trabalha. Segundo Reali, Tancredi permitira compatibilizações com di-
é um processo e como tal exige e Mizukami (2008, p. 81): versos tipos de jornadas de trabalho
continuidade de ações, como ain- (GATTI, 2008, p. 65).
da deve valorizar o contexto do [...], esse centrar-se não precisa referir-
sujeito e orientá-lo para mudan- se apenas ao espaço físico. Mais im- Além do mais, a EAD é um im-
ças. De uma maneira mais especí- portante que isso, é centrar-se nas ne- portante instrumento para for-
fica, o desenvolvimento profissio- cessidades dos professores, essas sim mação não apenas pelo fato de
nal é entendido “como o conjunto contextualizadas em seu local de tra-
permitir um grande número de
de processos e estratégias que fa- balho. Dessa forma, a formação pode
matrículas dos profissionais, mas
ocorrer em outras instâncias (físicas) e
cilitam a reflexão dos professores também pela qualidade da for-
mesmo a distância, sem que a escola
sobre a sua própria prática, que deixe de ser um elemento fundamen- mação que é oferecida, pela flexi-
contribui para que os professo- tal. Ela apenas passa a estar presente bilidade e liberdade, tornando-se
res gerem conhecimento prático, por intermédio de seus professores, o dessa maneira uma ferramenta de
estratégico e sejam capazes de que é da maior relevância. grande relevância na expansão e

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 34-42, jan./jun. 2011 35


democratização dos conhecimen- xas, como também contribuir na curso on-line contribui para estas
tos e informações, colaborando aprendizagem de todos e nas ati- discussões?
de maneira bastante significativa tudes de respeito às diferenças. A partir destas inquietações,
na preparação de profissionais Para Bezerra e Campelo (2007, p. definimos como objetivo desta
que estão em serviço, contri- 246): pesquisa conhecer as opiniões
buindo de forma significante na das professoras-cursistas acerca
construção de uma escola inclu- A formação de professores em ser- de um curso de formação con-
siva. De acordo com Dubeux et al viço é um dos caminhos apontados tinuada voltado para a perspec-
(2007, p. 48): por pesquisadores para a constru-
tiva da educação inclusiva, na
ção de uma prática pedagógica que
A realização de cursos de formação atenda às especificidades de cada
modalidade EAD. Para isto, con-
profissional (técnico, graduação e comunidade escolar. Nesse sentido, sideramos os seguintes aspectos
pós-graduação) na modalidade de é imperativo que a formação em específicos: as perspectivas das
educação a distância vem se con- serviço contribua para a ressignifica- professoras-cursistas para esta
solidando no Brasil como estratégia ção da prática pedagógica da escola formação; os pontos positivos e
eficaz para atender a necessidade numa perspectiva de ação-reflexão- negativos do curso; as contribui-
social da universalização do acesso ação.
ao ensino de qualidade [...], represen- ções para a atuação das profes-
tando a clara intenção de investir na soras-cursistas; e a experiência
educação a distância e nas novas tec- Tendo esses aspectos em con- na modalidade EAD.
nologias como uma das alternativas ta, a Universidade Federal de Ala-
para democratizar e elevar o padrão goas (UFAL), com o financiamento
da educação brasileira. da Secretaria de Educação Espe- Alguns aspectos
cial (SEESP) / Ministério da Edu-
Os cursos a distância voltados cação (MEC), tem atuado na for-
metodológicos da
para a formação dos professores mação continuada de professores pesquisa
não devem focalizar apenas a da Educação Básica das redes
transmissão dos conteúdos. De- públicas de ensino de diferentes A pesquisa orientou-se pelos
vem criar um ambiente de trocas princípios da pesquisa qualita-
estados e cidades brasileiras. São
de experiências e que levem a tiva (BOGDAN; BIGLEN, 1994),
cursos de extensão (de 120 a 180
discussões das necessidades des- tratando-se especificamente de
horas), oferecidos na modalidade
tes profissionais, a construção do um estudo de caso. Este tipo de
a distância, nomeadamente atra-
conhecimento para uma atuação estudo “pode revelar realidades
vés da Plataforma Moodle, com
de qualidade e para que duran- universais, porque, guardadas
enfoque na educação inclusiva.
te o percurso desta formação os as peculiaridades, nenhum caso
cursistas não se sintam sozinhos e Para este artigo, decidimos por é um fato isolado, independente
evadam do curso. fazer um recorte e trazer o que das relações sociais onde ocor-
Com estes diálogos, os profes- uma das turmas participantes re” (CHIZZOTTI, 2006, p. 138) e,
sores podem começar a refletir destas formações pensava sobre sendo assim, poderá também
sobre suas ações e as dos cole- esse processo. Em particular, tí- servir como ponto de reflexão
gas, com um olhar baseado nos nhamos as seguintes indagações: para outras formações que apre-
saberes da própria experiência, quais eram as expectativas dos sentem formatos semelhantes
como ainda podem ser realiza- professores-cursistas em partici- ao do curso que estamos inves-
das discussões coletivas sobre par destas formações? Quais os tigando.
as dificuldades reais que surgem aspectos relevantes da formação Como dissemos anteriormen-
cotidianamente no ambiente de para a atuação em escolas inclusi- te, o caso estava vinculado a um
trabalho. Dessas discussões po- vas, considerados pelos professo- curso de extensão para o atendi-
dem surgir mudanças na atuação res-cursistas? A formação através mento ao aluno com deficiência
do professor, as quais podem da modalidade EAD permite dis- mental, realizado na modalida-
torná-lo mais preparado para cussões, reflexões e a aprendiza- de de educação a distância (on-
as situações novas e comple- gem dos sujeitos? De que forma o line), pela UFAL. Particularmente,

36 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 34-42, jan./jun. 2011


trata-se de uma turma de 25 pro- Em especial, constatamos que Desta forma, percebemos a
fessoras-cursistas3 de um pólo 32% das professoras-cursistas preocupação em conhecer mais
situado na região oeste do Esta- tinham a intenção de ampliar e sobre essa realidade inclusiva e
do de São Paulo. Esta formação adquirir conhecimentos acerca poder desenvolver ações voltadas
foi uma proposta do MEC junta- da inclusão, além de atualizar e/ para a inclusão.
mente com a SEESP, no âmbito ou renovar os saberes prévios Constatamos que 16% das
da Universidade Aberta do Brasil dando-lhes novos significados. É professoras-cursistas esperavam
(UAB). obter conhecimentos para auxi-
o que demonstra os relatos a se-
Os instrumentos utilizados liar a prática pedagógica com os
guir: alunos com deficiência mental,
para a coleta de dados foram 2
provocando mudanças na sua
questionários abertos, início e fi- Espero conhecer melhor sobre o as-
atuação e fornecendo suporte
nal do curso, e os materiais pos- sunto e aprender cada vez mais. (Pc
Mlu) para proporcionar vivências que
tados pelas professoras-cursistas
Ampliar meus conhecimentos, me fomentem a construção da auto-
em chats. A construção e a apli- nomia e da aprendizagem do alu-
atualizar e ter contato com o novo.
cação dos questionários foram no. Assim:
(Pc Crt)
de responsabilidade da equipe Espero que este curso venha somar
de coordenação e organização novos conhecimentos com os que já Mas conhecimentos para melhoria da
deste curso e foram coletados tenho, sobre educação especial. Que prática pedagógica. (Pc Cld)
diretamente do ambiente virtual Propiciar condições e liberdade para
venha trazer novas teorias [...]. (Pc
que o aluno com deficiência mental
de aprendizagem (AVA). Os chats Ang)
possa construir a sua inteligência,
eram disponibilizados e baseados dentro do quadro de recursos intelec-
nos materiais didáticos do módu- 28% das professoras-cursistas tuais que lhe é disponível, tornando
lo e unidade em estudo. relataram que gostariam de ter agente capaz de produzir significa-
A análise dos dados foi realiza- uma formação para lidar com a di- do através de meu conhecimento.
(Pc Sdr) [grifo nosso]
da através da análise de conteú- versidade e alunos com deficiên-
dos (categorias). cia, como podemos verificar nos
Em geral, percebemos a ne-
fragmentos que se seguem:
cessidade das professoras-cur-
sistas em obter conhecimentos
As perspectivas das Espero aprender a lidar com as defici-
sobre inclusão escolar, diversida-
professoras-cursistas ências e suas diversidades no contex-
to da sala de aula. (Pc Drm)
de e prática pedagógica com alu-
para o curso para Espero adquirir novos conhecimen- nos com deficiência mental em
contexto inclusivo, entre outros.
o atendimento do tos para trabalhar com as dificuldades
Pimenta (2002) sustenta que os
dos alunos. (Pc Sln)
aluno com deficiência professores quando participam
mental em contexto 20% das professoras-cursistas de cursos que fornecem uma
pretendiam obter esclarecimen- adequada base teórica articulada
inclusivo à vivência educacional e ao con-
tos sobre a inclusão para apren-
der a trabalhar nesta perspectiva. texto histórico-sócio-cultural em
Percebemos que as perspec- que está inserido, como também
Vejamos;
tivas das professoras-cursistas propostas que estejam vincula-
eram complementares entre si e Subsídios que me possibilitem traba- das às reflexões do conhecimen-
estavam relacionadas à inclusão lhar com a inclusão. (Pc Mre) to teórico e da própria atuação
escolar. Apenas uma professora- Espero obter mais informações sobre pedagógica, podem provocar as
cursista não respondeu a esta a inclusão e como lidar com as dife- mudanças na qualidade da edu-
questão. renças em sala de aula. (Pc Mel) cação.

3 Utilizamos este termo porque os sujeitos da pesquisa eram todos do gênero feminino, como ainda reflete a condição das mesmas: professoras da
Educação Básica e cursistas em Educação Inclusiva.

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 34-42, jan./jun. 2011 37


Pontos positivos Material didático bem elaborado e felizes, dignos de seus direitos e deve-
res. (Pc Cdt)
suporte durante a realização do cur-
do curso para o so. (Pc Gsl)
atendimento do aluno Os conteúdos desenvolvidos durante Outra professora-cursista ale-
o curso foram ótimos. (Pc Ea) gou que a “formação é uma priori-
com deficiência mental dade; as qualidades profissionais
em contexto inclusivo Em relação à flexibilidade de dos educadores afetam a apren-
tempo e o espaço para o estudo, dizagem das crianças. Formação
Ao término da formação, 57% 5%, afirmaram que: continuada é o segredo” (Pc Jsl).
das professoras-cursistas afirma- 5% afirmaram que todos os as-
ram que o curso foi muito bom, Os aspectos positivos foram: horário pectos do curso foram positivos.
36% que foi bom, e 7% que a for- flexível, possibilidade de realização Os pontos positivos da forma-
mação foi regular. do curso em casa (Pc Gsl). ção apontados pelas professoras-
39% das professoras-cursistas cursistas foram: a aprendizagem,
apontaram como ponto positivo Outros 5% afirmaram que a a (re)construção dos conheci-
o esclarecimento e a aquisição de formação foi positiva para a práti- mentos, a melhoria da prática pe-
conhecimentos sobre como lidar ca pedagógica baseada na Educa- dagógica, assim como o material
ção Inclusiva: didático, a comodidade em estu-
com os alunos com deficiência,
dar através da EAD, a interação
como podemos verificar no frag-
É que veio complementar minha prá- e comunicação entre as partici-
mento abaixo:
tica na área de educação inclusiva, pantes. Para Valente (2010), todos
Através do curso ampliei alguns con- evidenciando a importância da inte- estes elementos jogam a favor da
ceitos que tinha sobre a inclusão, me ração entre família, escola sociedade, aprendizagem significativa, sen-
interei de assuntos que não tinha a fim de formarmos cidadãos úteis e do efetivada por meio do acesso
muito conhecimento. (Pc Mel)

Constatamos que 29% das


professoras-cursistas informa-
Gráfico 1 – Local de acesso à internet das professoras-cursistas
ram que a comunicação com as
colegas e com as tutoras foi um
ponto positivo nesta formação, já
que o curso foi realizado na mo- 8% 6%
dalidade a distância, auxiliando 8%
a interação entre as participan-
tes e as trocas de experiências. 46%
É o que relatam as afirmações a
seguir:
32%
[...] a comunicação com Tutores e co-
legas. (Pc Jsl)
As leituras e análises feitas com os co-
legas de curso e com a tutora presen-
cial. (Pc Mt)

Casa
17% das professoras-cursistas
Escola/laboratório de informática
declararam satisfação com o ma-
terial didático, textos, conteúdos. Outros – casa de amigos, familiares, lan-house, etc
Os fragmentos abaixo confir- Sem identificação
mam: Não tem acesso

38 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 34-42, jan./jun. 2011


à informação e da construção dos para conciliar o trabalho e o estu- Os pontos negativos aponta-
conhecimentos pelo aluno. do ao mesmo tempo. dos pelas professoras-cursistas
Um dos grandes desafios da Como algumas professoras- tratam-se de dificuldades ligadas
educação e da EAD é a formação cursistas não tinham acesso ao à tecnologia e ao tempo de ler,
de ambientes que permitam aos computador (GRÁFICO 1), nos mo- refletir, responder e postar as ati-
alunos a construção dos próprios mentos dos chats, eram formados vidades na plataforma. Para Silva,
conhecimentos e que possam grupos de 2, 3 ou 4 pessoas, por Barros e Viana (2009, p. 13), este é
“representar as próprias ideias e computador, na própria escola um dos pontos mais mencionados
participar de um processo cons- em que trabalhavam. pelos cursistas. As autoras desta-
trutivo” através das interações Mesmo havendo um labora- cam ainda que “não saber admi-
(ALMEIDA, 2003, p. 337). tório de informática à disposição, nistrar essa temporalidade pode
muitas vezes, aconteciam pro- acarretar uma série de desapon-
blemas técnicos com os compu- tamentos e desejos de mudanças”
Dificuldades tadores deste laboratório ou de na estruturação interna do curso
quanto ao tempo de leitura dos
encontradas durante acesso à internet, além de serem
interrompidos os momentos de conteúdos, da execução e entrega
o curso para o interação porque as professoras- das atividades e da quantidade de
atendimento do aluno cursistas deveriam retornar às textos e atividades.
com deficiência mental atividades escolares, já que o la-
boratório era dentro da própria
em contexto inclusivo instituição de ensino. Contribuições para as
34% das professoras-cursistas professoras-cursistas
14% das professoras-cursistas apontaram como pontos negati-
declararam que não encontraram na sua atuação
vos o tempo reduzido disponível
nenhum ponto negativo, 6% não para ler e realizar das atividades, profissional
respondeu. 46% das professoras- além da quantidade de textos.
cursistas declararam que senti- Em relação à variável tempo, Sil- Para 43% das professoras-
ram dificuldades nos momentos va, Barros e Viana (2009) realiza- cursistas, a formação contribuiu
do chat. Porém, os motivos eram ram um estudo pormenorizado para a reflexão da prática peda-
variados, desde os problemas nesta mesma formação, apon- gógica através da aprendizagem
com os horários, a conexão, o tando que a maioria das profes- dos conhecimentos propostos no
laboratório disponibilizado para soras-cursistas não postava as curso. Este novo olhar para a pró-
esta formação, a falta de expe- atividades dentro do prazo, e, pria atuação resultou em algumas
riência em manusear o compu- segundo as próprias professoras- mudanças e melhorias na prática
tador, a necessidade de retorna- cursistas, este atraso era devido à pedagógica que as professoras-
rem ao trabalho interrompendo falta de tempo, pois as atividades cursistas relatam a seguir:
as discussões e as reflexões. Os eram extensas e elas tinham ou-
recortes abaixo confirmam: tras responsabilidades (familiar e Proporcionou conhecimentos ne-
profissional), além, do prazo cur- cessários para melhorar e dinamizar
O aspecto negativo foi o horário que to para entrega. o trabalho de educação inclusiva na
era marcado os chats. (Pc Cdt) unidade que estou inserida. (Pc Cdt)
Os recortes abaixo confirmam Adquiri conhecimentos e novas me-
Alguns chats foram marcados em ho-
rário em que eu estava trabalhando, a afirmação anterior: todologias para trabalhar com alunos
isso dificultou um pouco a minha par- que apresentam uma diversidade e
Achei alguns prazos para entrega de singularidade (Pc Sbt)
ticipação. (Pc Ea)
trabalhos muito curtos (Pc Ea)
O curso para mim foi de bom apro-
Esta última professora-cursista veitamento, apenas o tempo para 28% das professoras-cursistas
comentou a dificuldade em parti- responder e ler as apostilas eram pou- afirmaram que a formação am-
cipar dos chats devido ao horário cos. (Pc Mel) pliou e atualizou o conhecimento

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 34-42, jan./jun. 2011 39


sobre inclusão e sua importância atualização e ampliação dos co- As mudanças nas atitudes, re-
do papel de todos. nhecimentos, mudanças na prá- latadas pelas professoras-cursis-
tica pedagógica, valorização do tas, ajudam a enfrentar com mais
Atualização/ Reflexão. (Pc Lin) ser humano e das suas relações
Conhecer e mudar minha forma de
segurança as novas situações, me-
ver o aluno contribuindo para uma
sociais baseadas no respeito à lhorando a qualidade do ensino e
escola inclusiva e mais acolhedora. diversidade. Para tal, foram opor- provocando mudanças na educa-
(Pc Rsv) tunizados momentos de discus- ção. “Este desafio pressupõe uma
sões e de reflexão sobre a própria
mudança na tradição pedagógica
22% das professoras-cursistas atuação e sobre os conhecimen-
indicaram que os conhecimen- e um papel diferente do professor,
tos construídos.
tos adquiridos contribuíram para que terá de ser capaz de analisar
São estas reflexões que le- situações, identificar problemas e
valorizar as relações sociais, em
vam o cursista a repensar os seus procurar soluções” (FREITAS, 2006,
particular do aluno com deficiên-
cia com aquele sem deficiência. conceitos, renovando-os ou mo-
p. 176).
Desta forma, auxiliou para melho- dificando-os, e, assim, “os novos
rar e adequar as atividades que conhecimentos geram novas des-
ressaltem as potencialidades in- crições e, portanto, novas execu- Experiência na
dividuais em favor da construção ções, novas reflexões” (VALENTE,
da autonomia do aluno. Constata- 2009, p. 40), fazendo com que as modalidade EAD
mos esta afirmativa nos trechos a informações não se acumulem,
seguir: mas sejam assimiladas e internali- Investigamos ainda se as pro-
zadas, contribuindo para a apren- fessoras-cursistas fariam outro
[...]. Adequar atividades a cada aluno, dizagem e desenvolvimento dos curso on-line e a maioria (85% das
sempre pensando no que essa crian-
ça pode me oferecer, aceitando que a
seus conhecimentos. participantes) respondeu afirmati-
diversidade faz parte do ambiente de
escolarização. (Pc Mel)
Esse curso veio confirmar e ampliar Gráfico 2 – Motivos para a participação das professoras-cursistas em outro curso na
muitas coisas [...] principalmente em modalidade EAD
relação ao respeito aos limites e pos-
sibilidades de cada um, ao espaço
que deve ser dado às interações so- 7%
6%
8%
7%
ciais, à utilização de materiais diver-
7%
8% 35%
sificados para que todos os alunos
tenham oportunidade de aprender
[...], pois, todos possuem capacidade,
46%
basta que tenham oportunidades, in-
centivo e que tenham professores de- 22%
dicados na busca constante de novos
32%
meios de ensinar. (Pc Ea)
22%
7% alegaram que todas as con-
tribuições da formação foram po-
sitivas, no que se refere à temática
do curso. Reflexões para a melhoria da própria atuação
As contribuições relatadas Mais conhecimentos
pelas professoras-cursistas di-
Comodidade da EAD
zem respeito às novas atitudes
frente à inclusão e ao processo Oportunidade de aprender a usar o computador
de ensino-aprendizagem dos Talvez: necessidade de um computador pessoal
alunos com deficiência mental, Talvez: mais tempo para realização das atividades

40 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 34-42, jan./jun. 2011


vamente, justificando esta opção Talvez. Se eu tivesse oportunidade de novos conhecimentos para res-
por vários motivos (GRÁFICO 2). entregar meus trabalhos com mais ponder às suas necessidades edu-
tranquilidade, sem muita correria
Algumas afirmaram que é ne- cacionais frente à inclusão, com
para realizar as atividades, obtendo
cessário participar de cursos de maior êxito. (Pc Ea).
informações acerca de como re-
formação pelo fato do profissional Talvez. Porque eu preciso comprar ceber, lidar e atuar com os alunos
precisar estar se atualizando devi- meu computador, para ter mais dis- com deficiência em sala de aula,
do às mudanças que ocorrem no ponibilidade de tempo na realização além de subsídios para atuar com
contexto educacional e para que
das atividades. (Pc Sln) as diferenças.
ele tenha uma atuação adequada Para as professoras-cursistas
A variável tempo, mais uma
e de qualidade. O trecho a seguir que estavam em serviço, este
vez, foi apontada como condição momento de formação se carac-
ratifica essa posição: para a participação nos próximos terizou pelas oportunidades de
Porque o ser humano está em cons-
cursos à distância. Para Mill (2007, aprendizagem dos conhecimen-
tante aprendizado, e a cada dia há p. 275) ao participar destes cur- tos sobre inclusão e da experi-
uma mudança no ensino e nós edu- sos, os professores “recebem for- ência na EAD. A maioria nunca
cadores temos que nos qualificarmos mação sem deixar suas atividades tinha participado de um curso
para melhor desenvolver a nossa atu- docentes cotidianas, sem deixar nesta modalidade, o que lhe trou-
ação pedagógica. (Pc Cdt) seu trabalho. [...] A EAD [portanto]
Porque nós professores devemos
xe dificuldades em manusear o
possibilita espaços e tempos de computador e as ferramentas
sempre estar aprendendo para que
ensino-aprendizagem adequá- tecnológicas disponibilizadas no
possamos ensinar da melhor maneira
possível aos nossos alunos. (Pc Mt)
veis a formadores e estudantes ambiente virtual de aprendiza-
distintos e em diferentes lugares e gem. Apesar disso, a formação
Outras consideraram impor- momentos”. propiciou momentos de diálogos
tante continuar participando dos Esta flexibilidade é a oportuni- e de interação, em que as partici-
próximos cursos através da mo- dade que os professores possuem pantes puderam trocar ideias, co-
dalidade EAD, pela comodidade e para continuar desenvolvendo nhecimentos e experiências, com
pela flexibilidade espaço-tempo- suas funções na escola, ao mes- o intuito de (re)construir o próprio
ral e afirmam com os relatos: mo tempo em que participam das conhecimento.
formações. No entanto, não pode- Para Perosa e Santos (2006, p.
Porque gostei da forma de trabalho mos deixar de considerar que essa 153), “nas atividades interativas
e da comodidade em estudar em mi- flexibilidade também traz uma so-
nha própria casa nos horários em que
os alunos não apenas aprendem
brecarga de trabalho para o pro- mais, com mais rapidez e prazer,
eu podia. (Pc Rsl)
fessor, uma vez que quase sempre mas também demonstram aceita-
Por ser mais adequado, dando-nos
oportunidade de realizá-los em perío- ele continua a desempenhar as ção e respeito à ideia do colega”.
do diverso ao do trabalho e em finais suas funções de igual forma. O respeito à ideia do outro parte
de semana. (Pc Sbt) As professoras-cursistas neces- do princípio do respeito à diversi-
sitam da flexibilidade de tempo dade e à individualidade, conse-
Outra aluna virtual relatou a para uma melhor participação quentemente, dentro da sala de
importância da oportunidade de nos cursos (como alunas) e para aula e da escola é construído um
aprender a usar o computador e desenvolver da melhor forma as ambiente inclusivo, onde todos
da forma de interação: atividades no trabalho (como pro- participam de acordo com suas
fessoras). peculiaridades.
Porque foi uma forma mais para eu
me interar mais com o computador, Os cursos de formação devem
um recurso novo de estarmos nos propor momentos de reflexão do
aperfeiçoando na educação (Pc Mel). Conclusões processo inclusivo, das próprias
experiências e as do colega, como
15% condicionaram a partici- Por intermédio desse estu- devem provocar discussões sobre
pação em outros cursos nesta mo- do percebe-se a inquietação das possíveis soluções para as várias
dalidade a algumas condições: professoras-cursistas em buscar dificuldades que cada professor

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 34-42, jan./jun. 2011 41


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42 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 34-42, jan./jun. 2011


Enfoque 43
Stock

COLABORAÇÃO ENTRE GESTÃO EDUCACIONAL


E UNIVERSIDADES PARA A FORMAÇÃO
CONTINUADA DE PROFESSORES NA
PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Vera Lúcia Messias Fialho Capellini1 Thais Cristina Rodrigues Tezani2
verinha@fc.unesp.br thais@fc.unesp.br

Resumo
No contexto atual cujo paradigma é o da escola in- der os conhecimentos essenciais para sua emanci-
clusiva, não há dúvida da necessidade de formação pação. Assim, os gestores públicos, respaldados nas
continuada dos recursos humanos nas diferentes legislações atuais que garantem gestão democráti-
áreas. Especificamente no caso da educação, o Brasil ca, devem estar atentos para prover, acompanhar e
tem uma realidade muito comprometida, pois é alto avaliar a formação continuada de seus profissionais.
o número de excluídos da escola, bem como é alar- Nesse sentido, a universidade pública, que tem pa-
mante o número de crianças que passam pela escola, pel fundamental na formação de recursos humanos,
mas pouco se beneficiam dela no sentido de apren- não pode se eximir desta tarefa. Planejar e avaliar

1 Profa. do Departamento de Educação e do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Aprendizagem e do Desenvolvimento da Faculdade de


Ciências da Unesp de Bauru.
2 Profa. do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru.

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 43-51, jan./jun. 2011 43


programas de formação continuada na perspectiva alizadas com qualidade, sem desperdícios de verbas
da educação inclusiva se faz necessário e demanda públicas e que de fato atendam as reais necessida-
articulação com os sistemas educacionais, para que des das escolas.
Políticas Públicas de Formação Continuada como a
que o Ministério da Educação por meio da Secretaria Palavras-chave: educação inclusiva, formação con-
de Educação Especial está oportunizando sejam re- tinuada, gestão escolar.

“A escola faz a política não só pelo que diz, mas pelo que também se
cala; não só pelo que faz, mas também pelo que não faz.”
Francisco Gutièrrez (1988)

O objetivo deste texto é apre- sido contemplados pelo Progra- neiro (2006) e Brasil (2007, 2008
sentar uma reflexão sobre a im- ma de Implantação de Salas de e 2009).
portância da articulação entre Recursos Multifuncionais. A proposta de educação in-
gestão escolar e as universida- Além deste fato, é sabido que clusiva fundamenta-se numa fi-
des para a formação continuada conforme o último censo escolar, o losofia que reconhece e valoriza
de professores na perspectiva da número de alunos com deficiência a diversidade na escola, garan-
educação inclusiva. nos sistemas de ensino aumentou tindo o acesso a todos à educa-
Nos últimos anos o Ministério significativamente, porém, diante ção escolar, independentemente
da Educação, por intermédio da dessa situação, algumas questões de diferenças individuais. O valor
Secretaria de Educação Especial, emergem, principalmente com principal que norteia a idéia da
vem desenvolvendo em parceria relação ao processo de ensino e inclusão está calcado no princípio
com o programa Universidade aprendizagem, pois a educação da igualdade e diversidade, con-
Aberta do Brasil – UAB – o Progra- inclusiva é aquela que atende a comitante com as propostas de
ma de Formação Continuada de todos com qualidade e eficiência sociedade democrática e justa.
Professores na Educação Especial, pedagógica, ou seja, promove o A educação inclusiva com
que tem por objetivo formar pro- desenvolvimento global de todos qualidade pressupõe o respeito à
fessores dos sistemas estaduais e os alunos. Uma destas questões diversidade dos alunos e o aten-
municipais de ensino, por meio que merece atenção é: qual é a dimento às suas necessidades
da constituição de uma rede na- relação entre a gestão educacio- educativas. Isso implica mudanças
cional de instituições públicas de nal e a educação inclusiva e em diante das diferenças e das neces-
educação superior que ofertem que medida ela pode articular este sidades individuais de aprendiza-
cursos de formação continuada processo? gem de cada aluno. Este desafio
de professores na modalidade a Trabalhos que articulem a da qualidade tem mobilizado
distância e semipresencial. O pro- gestão educacional e a educa- gestores na busca de formação
grama tem atendido professores ção inclusiva são escassos devi- continuada para seus sistemas de
da rede pública de ensino que do ao tema ser recente. Diante ensino.
atuam no atendimento educacio- da problemática, utilizaremos A inquietação, a dúvida, a pro-
nal especializado e na sala de aula como referências básicas para vocação de novas idéias, a utiliza-
comum, que tenham solicitado o desenvolvimento do texto os ção de novos métodos que bus-
a formação continuada de pro- escritos de Brasil (1997); Brasil quem soluções para problemas
fessores no Plano de Ações Arti- (1998); Sage (1999); Brasil (2000); reais da sociedade impulsionam
culadas – PAR e prioritariamente Aranha (2001); Brasil (2001); Te- a realização de novas pesquisas. A
aqueles municípios que tenham zani (2004); Sant’Ana (2005); Car- produção do conhecimento e sua

44 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 43-51, jan./jun. 2011


aplicação à comunidade deve ser A escola deve respeitar as dife- um espaço de reflexões, constru-
meta das universidades públicas, renças individuais, saber que toda ções coletivas e principalmente
sobretudo, o atendimento das de- criança é capaz de atingir o máxi- de ressignificação de valores.
mandas dos diferentes segmen- mo e que o máximo de cada um “O conceito de gestão, por-
tos da sociedade, na busca de so- é diferente do outro, sendo assim tanto parte do pressuposto de
lucionar os problemas concretos a escola, como espaço inclusivo, que o êxito de uma organização
e desenvolver as potencialidades deve ter por desafio o sucesso de social depende da mobilização
para a melhoria da qualidade de todos os seus alunos sem exce- da ação construtiva conjunta de
vida da população. ção. Denomina-se escola inclusi- seus componentes, pelo trabalho
Aranha (2001, p.1) analisa que va aquela que garante esse pro- associado, mediante reciprocida-
a “construção de uma sociedade cesso a cada um de seus alunos, de que cria um ‘todo’ orientado
democrática passa pela constru- reconhecendo a diversidade que por uma vontade coletiva” (LÜCK,
ção da inclusão social das pesso- os constitui, respeitando essa di- 2006a, p. 22).
as com necessidades especiais”. versidade e respondendo a cada
Krawczyk (1999, p.7) destaca:
Além dos vários debates sobre um de acordo com suas peculia-
o tema, há necessidade de que ridades e necessidades (BRASIL, (...) a gestão escolar não se esgota no
sejam adotados mecanismos de 2003). âmbito da escola. Ela está estreita-
Talvez um dos maiores de- mente vinculada à gestão do sistema
alteração no sistema, ou seja, no
safios para que a escola possa educativo. A instituição escolar, atra-
contexto político-administrativo, vés de sua prática, “traduz” a norma
para que esta proposta realmente tornar-se realmente inclusiva seja que define uma modalidade políti-
se efetive. como pensar a escola que temos e co-institucional a ser adotada para o
A autora explica que, diante viabilizar ações para sua transfor- trabalho na escola. Essa norma – que
mação sem a colaboração de ou- afeta a prática escolar e, ao mesmo
da situação em que se encontra
tros seguimentos da sociedade. O tempo, é afetada por ela – faz parte
a educação nacional, o processo de uma definição político-educativa
atendimento às necessidades de
de descentralização do poder é mais ampla de organização e finan-
cada um “é determinação privile-
imprescindível, pois a aproxima- ciamento do sistema educativo. Essa
giada nos últimos anos, podemos
ção dos cidadãos das instâncias perspectiva de análise nos permite
afirmar que ainda há muitos pro- diferenciar, pelo menos, três instân-
decisórias é necessária para im-
fessores dos sistemas de ensino cias na constituição da gestão escolar:
plementação da proposta de edu-
com pouca familiaridade teórica e a normativa, as relações e práticas na
cação inclusiva. Isso nos reporta à
prática sobre o assunto” (PRIETO, escola e a gestão escolar concreta. (...)
reflexão sobre a importância da Com base nessas reflexões podemos
2007, p.8).
municipalização como fator de afirmar que, ao pensar a gestão esco-
aproximação da comunidade à Arsênio (2007), e Jesus (2007), lar, estamos necessariamente erguen-
escola. Segundo a mesma: a partir de suas pesquisas, conclu- do uma ponte entre a gestão política,
íram que a formação dos profes- a administrativa e a pedagógica. Ou
De natureza político-administrativa, a sores é essencial para as escolas seja, a gestão escolar não começa
municipalização veio aproximar, dos se tornarem inclusivas. Neste sen- nem termina nos estabelecimentos
escolares, tanto que não se trata de
cidadãos, a instância decisória quan- tido, Mendes, Toyoda e Bisaccione
to aos rumos a imprimir à vida na unidades auto-suficientes para pro-
(2007) concordam com os estu- mover uma educação de qualidade
comunidade. Aproximou, também, dos acima e afirmam que a cola-
a instância do controle social sobre com eqüidade.
boração com as universidades é
a execução das direções escolhidas
e das decisões tomadas (ARANHA, uma estratégia em ascensão para Ressalta ainda que a Gestão
2001, p. 5). formação continuada. Educacional tem como objetivo
Dessa maneira, a Universidade promover a organização, a mobi-
Assim, o estabelecimento de tem um papel primordial no pro- lização e a articulação de todas as
objetivos, a solução de problemas, cesso de desenvolvimento huma- condições materiais e humanas
os planos de ação e sua execução, no e científico-tecnológico, sendo dos estabelecimentos de ensino.
o acompanhamento e a avaliação um espaço privilegiado de con- Assim sendo, este processo de
são responsabilidades de todos. vivência. Neste sentido, deve ser trabalho de equipe gestora dos

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 43-51, jan./jun. 2011 45


sistemas educacionais deve pri- os problemas de ordem adminis- ção, a democratização da gestão
mar pela garantia da aprendiza- trativa e pedagógica; lidar com os educacional e a construção de
gem de todos os alunos. relacionamentos; comandar a es- sua autonomia são fatores decisi-
A gestão educacional demo- cola a partir das normas estabele- vos nesse processo.
crática e participativa proporcio- cidas pelo sistema; considerar os
na à escola tornar-se mais ativa e fatores e as pessoas e constituir Escolas inclusivas devem reconhecer
identidade (TEZANI, 2004). e responder às necessidades diversas
suas práticas devem ser refletidas
de seus alunos, acomodando ambos
na e pela comunidade. A parti- Sabemos que educação inclu- os estilos e ritmos de aprendizagem e
cipação, em educação, é muito siva é um dos novos desafios à assegurando uma educação de quali-
mais do que dialogar, é um pro- gestão educacional, em face das dade a todos através de um currículo
cesso lento, conflituoso, em que novas demandas que a escola apropriado, arranjos organizacionais,
conhecer os conflitos e saber me- enfrenta, no contexto de uma so- estratégias de ensino, uso de recurso
diá-los torna-se imprescindível. ciedade que se democratiza e se e parceria com as comunidades (BRA-
SIL, 1997, p. 5).
Por isso, é necessário ouvir pais, transforma. Diante disso a escola
comunidade e órgãos de repre- encontra-se, hoje, no centro de
sentação. Esses são caminhos que atenções da sociedade, porque A Declaração Universal dos Di-
devem ser trilhados pelos educa- se reconhece que a educação, na reitos Humanos, promulgada pela
dores que almejem a construção sociedade globalizada e econo- Assembléia Geral das Nações Uni-
da educação inclusiva. “A imple- mia centrada no conhecimento, das, em 10 de dezembro de 1948
mentação de práticas alternativas constitui valor estratégico funda- estabelece, no Artigo 26, que a
de organização e gestão da escola mental para o desenvolvimento e educação é um direito de todos;
depende bastante da atuação da condição importante para a quali- deve ser gratuita; o ensino funda-
direção e da coordenação peda- dade de vida das pessoas. mental (elementar) obrigatório; o
gógica da escola” (LIBÂNEO, 2001, ensino técnico e profissional gene-
A exigência atual sobre a es-
p. 87). ralizado e o ensino superior aberto
cola é que esta seja eficaz e que
a todos em plena igualdade.
Para Silva Júnior (1993, p. 77- esta eficiência seja percebida efe-
78), o gestor é “alguém que dirige tivamente pela comunidade, con- A educação é afirmada pelo
o esforço coletivo dos professo- tribuindo para uma evolução nos documento como fator essencial
res, orientando-os para o fim co- resultados de ensino, bem como à expansão da personalidade hu-
mum, ou seja, o domínio do saber da identidade social da escola. As- mana e reforço dos direitos do ser
escolar por seus alunos”. É o líder sim, a grande questão da gestão humano, pois só assim esse será
da organização escolar, sua fun- educacional é saber o que fazer capaz de compreender, tolerar
ção é coordenar e trabalhar junto e como fazer para proporcionar e realizar laços de amizade com
com a equipe de gestão, para que a todos uma educação que ultra- seus pares e com as demais na-
possam alcançar os objetivos da passe os muros escolares. ções, promovendo dessa forma a
escola, não a desvinculando da Esse contexto altera a concep- manutenção da paz. O documen-
interação com a comunidade e ção de educação, de escola e da to é importante para ressaltar a
com a sociedade. Deve ser capaz relação escola/sociedade que se educação como direito de todo
de propor e realizar as mudanças tem. Diante disso, a gestão edu- cidadão, sendo gratuita e obriga-
pertinentes ao cumprimento da cacional precisa, em muitos ca- tória no ensino fundamental, sem
função social escolar, visando à sos, reorganizar a escola, assim discriminação de raça, cor, credo
construção de uma sociedade re- como articular seu talento, com- ou deficiência.
almente democrática. É importan- petência e energia humana, de Diante da proposta de univer-
te ressaltar que esta prática (ges- recursos e processos, com vistas salização do ensino com quali-
tão democrática participativa) é à promoção de experiências de dade e redução da desigualdade,
um processo e como tal deve ser formação de seus alunos, capazes tornam-se fatores primordiais à
construída no cotidiano escolar. de transformá-los em cidadãos educação: o combate da discri-
A prática de gestores envolve participativos da sociedade. Para minação, o comprometimento
capacidade de articular e resolver Lück (2006a, b, c), a descentraliza- com os excluídos, a satisfação

46 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 43-51, jan./jun. 2011


das necessidades básicas de abordam claramente o papel dos di- pois essas ações são necessárias
aprendizagem das pessoas com retores como agentes promotores da para que os alunos tenham acesso
inclusão, criando condições de aten-
deficiência e a garantia do aces- ao conhecimento construído pela
dimento adequado a todas as crian-
so ao sistema educativo regular. humanidade. As adequações não
ças transformando a administração
Pensando no papel do gestor escolar em uma gestão participativa são exclusivamente administrati-
neste processo, o documento e democrática, em que toda a equipe vas, são pedagógicas também.
deixa claro que cabe ao gestor escolar seja responsável pelo bom an- Cabe ressaltar que o PNE – Pla-
o respeito à diversidade e for- damento da escola e pela satisfação no nacional de Educação (2001
talecimento de alianças com as das necessidades de todos os alunos.
-2010) designa responsabilida-
autoridades educacionais para des aos Estados, Municípios e
proporcionar a educação com Ainda pensando em processo Universidades para que as metas
eqüidade. “Novas e crescentes construído coletivamente, Bar- sejam alcançadas. Portanto, no
articulações e alianças serão ne- roso (1996, p. 185), afirma que a PNE (BRASIL, 2001a), primeiro,
cessárias em todos os níveis: en- autonomia prevista na legislação fica estabelecido que somente
tre todos os subsetores e formas incentiva o sistema a adotar um uma política explícita e vigorosa
de educação, reconhecendo o mecanismo que garanta tal pres- de acesso à educação para to-
papel especial dos professores, suposto; no entanto, o que se dos abrange o âmbito social e o
dos administradores e do pesso- observa no cotidiano escolar é a âmbito educacional. Segundo,
al que trabalha em educação...” construção de um modelo de fal- destacam-se os aspectos admi-
(BRASIL, 1990, p. 5). O documen- sa autonomia, pois ela não pode nistrativos (adequação do espaço
to inclui também como co-res- ser construída, segundo o autor, escolar, de seus equipamentos e
ponsáveis por este processo, os de forma decretada. Para ele, a materiais pedagógicos), e quali-
governos federal, estadual e mu- autonomia “afirma-se como ex- ficação dos professores e demais
nicipal quanto ao oferecimento pressão da unidade social que é a profissionais.
de recursos humanos e materiais escola e não preexiste à ação (sic)
De acordo com as Diretrizes
para consolidação da proposta. dos indivíduos. Ela é um conceito
Nacionais para a Educação Espe-
A Conferência Mundial de construído social e politicamen-
cial na Educação Básica (BRASIL,
Salamanca (Espanha, 1994) des- te, pela interação dos diferentes
2001b) os sistemas de ensino são
tacou, entre outros elementos: atores (sic) organizacionais numa
responsáveis pelos recursos hu-
acesso e qualidade relativamente determinada escola”.
manos, materiais e financeiros,
à educação, sendo promulgada a Construir a escola inclusiva sustentando e viabilizando tal
Declaração de Salamanca: sobre significa articular democracia, proposta. Há a necessidade de
princípios, política e prática em participação e autonomia. Sua criação de um “canal oficial e for-
educação especial (BRASIL, 1997). implementação requer uma rees- mal de comunicação, de estudo,
Assinaram-na e se compromete- truturação interna no ambiente de tomada de decisões e de coor-
ram, com suas diretrizes, vários escolar, partindo primeiramente denação dos processos referentes
países. A diretriz que norteia esse de uma reflexão e conscientiza- às mudanças na estruturação dos
documento baseia-se na criação ção sobre as concepções de toda serviços, na gestão e na prática
de condições para a construção comunidade escolar sobre o que pedagógica” (BRASIL, 2001b, p.
de escolas inclusivas. vem a ser diversidade e igualdade, 36-37).
Aos gestores escolares, segun- para a partir daí, buscar meios de Gestores escolares conscientes
do o documento, cabe a respon- se garantir que a prática inclusiva da necessidade de mudanças para
sabilidade de promover atitudes realmente seja vivenciada no dia construção da educação inclusiva
positivas e cooperativas, entre a a dia da escola. Só assim a escola são responsáveis por assegurar a
comunidade interna e externa da cumprirá seu papel de transfor- acessibilidade aos alunos, elimi-
escola com relação à educação in- mação social. nando barreiras arquitetônicas ur-
clusiva. Assim, podemos analisar a re- banísticas, no transporte escolar e
Conforme Carneiro (2006, p. levância da articulação entre ges- nas comunicações. Sobre o proces-
38), esses itens: tão escolar e educação inclusiva, so educativo, cabe à gestão esco-

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 43-51, jan./jun. 2011 47


lar, assegurar os recursos humanos A educação inclusiva constitui uma Sage (1999, p. 129) analisa
e materiais necessários, efetivando proposta educacional que reconhece e a relação entre o gestor educa-
garante o direito de todos os alunos de
o compromisso com o fortaleci- cional e a educação inclusiva,
compartilhar um mesmo espaço edu-
mento da educação inclusiva. cacional, sem discriminações de qual- reconhece que a prática dessa
Carvalho (2004, p. 103) afirma quer natureza. Promove a igualdade e educação requer alterações im-
que as recomendações contidas valoriza as diferenças na organização portantes nos sistemas de ensi-
nos documentos aqui apresenta- de um currículo que favoreça a apren- no e nas escolas. Para o autor, os
dizagem de todos os alunos e que esti- gestores educacionais são essen-
dos provocam “uma nova racio- mule transformações pedagógicas das
nalidade no ato de planejar, subs- ciais nesse processo, pois lide-
escolas, visando à atualização de suas
tituindo-se a tecnocracia de um práticas como meio de atender às ne- ram e mantêm a estabilidade do
pequeno grupo que decide por cessidades dos alunos durante o per- sistema. As mudanças aponta-
maior participação dos envolvi- curso educacional. Compreende uma das para a construção da escola
dos no processo, em especial dos inovação educacional, ao romper com inclusiva envolvem vários níveis
paradigmas que sustentam a maneira do sistema administrativo: secre-
que acumularam conhecimentos
excludente de ensinar e ao propor a
e experiências na área educativa tarias de educação, organização
emancipação, como ponto de partida
e que estão movidos por sincero de todo processo educacional (BRASIL,
das escolas e procedimentos di-
compromisso com os interesses 2008, p. 14). dáticos em sala de aula. “O papel
coletivos”. Já Dutra e Griboski do diretor é de importância vital
(2005, p.13) afirmam que a ges- Diante do exposto, percebe- em cada nível, e diferentes níveis
tão para inclusão pressupõe um mos a relevância do papel da ges- de pessoal administrativo estão
trabalho competente, à luz de um tão educacional diante da constru- envolvidos”.
paradigma dinâmico, mobilizador ção da escola inclusiva, pois cabe O autor destaca ainda que a
da sociedade e responsável pela à gestão educacional garantir a burocracia, nas escolas, reduz o
transformação dos sistemas edu- acessibilidade aos alunos, bem poder de decisão dos professores,
cacionais. como a gestão democrática e par- provocando serviços despersona-
ticipativa que garantam a modifi- lizados e ineficientes, impedindo
A Política Nacional de Educa-
cação do atual sistema educacio- a consolidação do modelo de tra-
ção Especial na Perspectiva da
nal. A proposta é de abertura para balho cooperativo essencial para
Educação Inclusiva – (BRASIL,
uma nova organização da escola. a educação inclusiva.
2008) estabelece como objetivo
assegurar o processo de inclusão Acrescenta que o desenvolvi-
dos alunos público alvo da educa- O papel do gestor mento da equipe proporciona a
ção especial, de modo a garantir: oportunidade de identificar lide-
acesso com participação e apren-
educacional na ranças na unidade educacional,
dizagem no ensino comum; ofer- construção da escola o que encoraja a ajuda mútua en-
ta do atendimento educacional inclusiva tre os professores e assim reforça
especializado; continuidade de comportamentos cooperativos.
estudos e acesso aos níveis mais O diretor deve ser o principal revigo- Neste sentido, caberá ao gestor
elevados de ensino; promoção da rador do comportamento do profes- educacional oportunizar momen-
acessibilidade universal; forma- sor que demonstra pensamentos e tos de interação, trocas de expe-
ações cooperativas a serviço da in-
ção continuada de professores riências e decisões construídas
clusão. É comum que os professores
para o atendimento educacional temam inovação e assumam riscos coletivamente, visando ações que
especializado; formação dos pro- que sejam encarados de forma nega- contribuam efetivamente para a
fissionais da educação e comuni- tiva e com desconfiança pelos pares construção de uma escola inclu-
dade escolar; transversalidade da que estão aferrados aos modelos tra- siva. Assim, é fundamental que
modalidade de ensino especial dicionais. O diretor é de fundamental o gestor considere, como afirma
importância na superação dessas bar-
desde a educação infantil até a Sage (1999), o contexto em que
reiras previsíveis e pode fazê-lo atra-
educação superior; e articulação vés de palavras e ações adequadas atua na comunidade, favorecen-
intersetorial na implementação que reforçam o apoio aos professores do a formação e a consolidação
das políticas públicas. (SAGE, 1999, p. 138). de equipes de trabalho.

48 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 43-51, jan./jun. 2011


Para a consolidação da atual relacionarem as esferas federais, À gestão educacional cabe muito
proposta de educação inclusi- estaduais e municipais, propor- mais do que uma técnica, cabe incen-
tivar a troca de idéias, a discussão, a
va, é necessário o envolvimento cionando um relacionamento in-
observação, as comparações, os en-
de todos os membros da equipe tenso entre União, Estados e mu- saios e os erros, é liderar com profis-
educacional no planejamento nicípios. Vale lembrar que a troca sionalismo pedagógico. Cada escola
dos programas a serem imple- de informações profissionais é tem sua própria personalidade, suas
mentados. “Docentes, diretores e imprescindível à melhoria da qua- características, seus membros, seu
funcionários apresentam papéis lidade educacional, assim, a ação clima, sua rede de relações (TEZANI,
específicos, mas precisam agir co- pedagógica refletida, individual 2004, p. 177).
letivamente para que a inclusão ou coletivamente, possibilita a
educacional seja efetivada nas es- articulação e construção de uma Especificamente, no que tange
colas” (SANT’ANA, 2005, p. 228). nova prática. as políticas de formação continu-
ada na perspectiva da educação
A autora afirma caber aos ges- Portanto, concluímos que a
inclusiva os gestores precisam
tores educacionais tomar as pro- atuação do gestor educacional
primeiramente priorizarem aque-
vidências de caráter administrati- tem grande valia na tarefa de
les professores que atuam ou atu-
vo necessárias à implementação construir uma escola para todos.
A educação inclusiva exige que se arão no atendimento educacional
do projeto de educação inclusi-
priorizem a formação, os recursos especializado, em seguida aque-
va. Acrescentamos a essa idéia
humanos, materiais e financei- les professores que atuam na clas-
que as providências pedagógicas
ros, juntamente com uma prática se comum e já estão com alunos
também envolvam o trabalho do
voltada para o pedagógico. Ga- com deficiência matriculados em
gestor educacional, uma vez que
rantir, ratificamos, a eliminação suas sala, para por fim os demais
sua prática articula os aspectos
das barreiras arquitetônicas, no professores.
administrativos e pedagógicos.
transporte educacional e nas co- Na educação a distância, al-
Aos responsáveis pela gestão edu- municações são algumas de suas guns professores podem incorrer
cacional compete, portanto, promo- funções. Assim, torna-se relevan- na idéia que os cursos são aligei-
ver a criação e a sustentação de um te o contato direto e constante rados, então se faz necessário
ambiente propício à participação uma conscientização das redes
com todos os envolvidos neste
plena no processo social educacional
processo (equipe gestora, profes- de ensino no sentido de desmis-
de seus profissionais, bem como de
alunos e de seus pais, uma vez que sores, pais, funcionários). Outro tificar tais concepções, pois os
se entende que é por essa partici- fator que deve ser ressaltado é a cursos oferecidos exigem estu-
pação que os mesmos desenvolvem promoção do acesso ao currículo do, envolvimento e participação
consciência social crítica e sentido e a oferta do atendimento educa- no ambiente virtual, bem como
de cidadania, condições necessárias cional especializado sempre que realização de atividades teóricas
para que a gestão educacional demo- e práticas em seus próprios am-
o aluno necessitar.
crática e práticas educacionais sejam
Destacamos que não é apenas bientes de trabalho. Este proces-
efetivas na promoção da formação de
seus alunos (LÜCK, 2006c, p. 78). o gestor que apóia seus professo- so requer compromisso como em
res, mas esses também servem de cursos presenciais.
Prieto (2002) afirma que os apoio para a ação da equipe de Como esta modalidade de
gestores devem concentrar es- gestão educacional. Transformar formação na perspectiva da edu-
forços para efetivar a proposta de a escola para garantir a educação cação inclusiva é relativamente
educação inclusiva. Isso implica inclusiva não se resume apenas a nova, ponderamos que os gesto-
união de discursos referentes à eliminar as barreiras arquitetôni- res devem apoiar seus professo-
democratização do ensino e aos cas dos prédios educacionais; é res motivando-os e valorizando a
princípios norteadores da gestão preciso ter um novo olhar para o participação, bem como colabo-
na escola. A educação inclusiva currículo educacional, proporcio- rando nesta parceria MEC, univer-
só será realidade no Brasil quan- nando a todos os alunos o acesso sidade e sistemas educacionais no
do as informações, os recursos, aos processos de aprendizagem e sentido de garantir apoio estrutu-
os sucessos e as adaptações inter- desenvolvimento. ral para a realização dos cursos.

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 43-51, jan./jun. 2011 49


E a universidade neste de produção de conhecimento, o pa-
pel da universidade na construção da
garantindo sua autonomia e inde-
pendência.
contexto? educação inclusiva é essencial.
Nesse sentido, é vital a articu-
Por conseguinte, a autora aci- lação dos gestores educacionais
Para Chauí (2001) a univer-
ma que a universidade, para além com as universidades para imple-
sidade é uma instituição social.
de produzir o conhecimento, tem mentação, acompanhamento e
Significa dizer que “ela realiza e
exprime de modo determinado o papel de qualificar os recursos avaliação de programas de forma-
a sociedade de que é e faz parte. ção e novas pesquisas sobre prá-
humanos envolvidos, na forma-
Não é uma realidade separada e ticas pedagógicas, com vistas à
ção inicial ou continuada, o que se
sim uma expressão historicamen- construção de escolas inclusivas.
constitui em um enorme desafio
te determinada de uma sociedade Esta é uma necessidade para hoje.
para o ensino superior brasileiro.
determinada” (p. 35). Por fim, uma educação inclusi-
As distorções no acesso à edu-
cação no Brasil são históricas e es-
va vindora em nosso país depen- Referências
derá de um esforço coletivo, que
tão basicamente relacionadas ao obrigará a uma revisão na postura ARANHA, M. S. F. Inclusão social e munici-
modelo de desenvolvimento que de pesquisadores, políticos, pres- palização. In: MANZINI, Eduardo J. (Org.).
o País viveu ao longo dos anos. As- tadores de serviços, familiares e Educação especial: temas atuais. Marília:
sim, não é possível conceber que a alunos, para trabalhar numa meta
UNESP, Publicações, 2001.
universidade, por si só, dará conta comum que seria a de garantir ARSENIO. I. Análise dos obstáculos à
da eqüidade social, uma vez que uma educação de melhor quali- inclusão educacional da pessoa com
ela reproduz as diferenças sociais e deficiência: uma revisão da literatura es-
dade para todos.
não pode ser a responsável isolada pecializada. São Carlos: Suprema, 2007.
pelo problema da exclusão.
BARROSO, J. O estudo da autonomia da
No entanto, encontramo-nos, Considerações finais escola: da autonomia decretada à autono-
no auge de um novo paradigma mia construída. In: BARROSO, João (Org).
que se põem para a sociedade O estudo da escola. Porto: Porto Editora.
Consideramos que a aquisição 1996.
– a inclusão social. Desta forma
de competência para a gestão
concordamos com Santos (2004),
inclusiva só poderá ser adquirida BRASIL. Câmara dos Deputados. Pla-
que enfatiza que precisamos de no Nacional de Educação. Brasília:
por meio de uma prática conti-
um pensamento alternativo para 09/01/2001.
nuada, reflexiva e coletiva, pois
construir um outro mundo pos-
a educação inclusiva é o resulta- BRASIL. Declaração de Salamanca e Li-
sível. O envolvimento da univer-
sidade em um projeto de desen- do do comprometimento com a nhas de Ação sobre Necessidades Edu-
educação de todos os alunos e de cativas Especiais. Brasília: Ministério da
volvimento que rompa com esta Justiça – Secretaria Nacional dos Direitos
lógica de injustiças é imperioso. toda a escola. É preciso uma esco- Humano, 2. ed., 1997.
Ademais é importante a passa- la toda para desenvolver um pro-
gem de um conhecimento basea- jeto de educação inclusiva. BRASIL. Declaração Mundial sobre Edu-
cação para Todos. Brasília: Ministério da
do na regulação para um conheci- A educação inclusiva só se efe- Educação, 1990.
mento emancipatório. tivará nas unidades educacionais
De acordo com Mendes (2003, se medidas administrativas e pe- BRASIL. Parâmetros Curriculares Na-
dagógicas forem adotadas pela cionais – Adaptações Curriculares: estra-
p. 5) tégias para educação de alunos com ne-
equipe educacional, amparada cessidades especiais. Brasília: Ministério
A ciência será essencial para que a so- pela opção política de constru- da Educação e do Desporto; Secretaria de
ciedade brasileira busque contribuir, ção de um sistema de educação Educação Fundamental, 1998.
de maneira intencional e planejada,
inclusiva. A educação escolar será
para a superação de uma Educação BRASIL. Parecer n.º 17, Diretrizes Nacio-
Especial equivocada que atua contra melhor quando possibilitar ao nais para a Educação Especial, na Edu-
os ideais de inclusão social e plena homem o desenvolvimento de cação Básica. Brasília: Conselho Nacional
cidadania. Assim, enquanto agência sua capacidade crítica e reflexiva, de Educação, 2001.

50 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 43-51, jan./jun. 2011


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cráticos de gestão educacional. São XXI – Para uma reforma democrática e

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 43-51, jan./jun. 2011 51


52 Enfoque

PRÁTICAS EDUCACIONAIS
EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Ana Cláudia Pavão Siluk – UFSM
Claudia Dechichi – UFU
Eliana Lúcia Ferreira – UFJF
Lazara Cristina da Silva – UFU
Melânia de Melo Casarin – UFSM

Resumo
Este artigo tem como objetivo apresentar as expe- continuada de professores em educação especial.
riências das Universidades Federais de Uberlândia – Desse modo, são relatadas as práticas educacionais
UFU, Juiz de Fora – UFJF e de Santa Maria – UFSM, no desenvolvidas, destacando-se as potencialidades e
desenvolvimento de cursos a distância de formação desafios encontrados nos cursos ofertados.

52 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 52-59, jan./jun. 2011


Introdução papel na garantia de condições de alunos, uma vez que em
necessárias ao sucesso escolar seus cursos de formação
dos alunos com deficiência. Esta inicial estes conhecimentos
O objetivo deste texto é rela-
é uma demanda presente nos di- não foram abordados. De
tar e analisar, no quadro social e
ferentes sistemas de ensino e, por acordo com a política Na-
educacional brasileiro, os desafios
conseguinte, presente também cional de Educação Especial
que temos encontrado para de-
nas instituições formadoras de na Perspectiva da Educação
senvolver os Cursos a distância de
profissionais. Convém conside- Inclusiva, este cenário “[...]
formação de professores na área
rar que as Instituições de Ensino evidencia a necessidade
da educação especial, demons-
Superior raramente possuem em de aprofundar os conceitos
trando mais especificamente nos-
seus quadros docentes qualifica- e conhecimentos visando
sas estratégias de atuação, em
dos atuando nos programas de transformar as práticas pe-
face da política de inclusão, aqui graduação, pós-graduação strictu dagógicas para a educação
entendida como necessária tan- sensu ou latu sensu, que além de inclusiva, efetivando as mu-
to para o aluno com deficiência terem pesquisas, têm vivências de danças necessárias na esco-
quanto para os demais. sala de aula envolvendo alunos la” (BRASIL, 2008, p.03);
Atualmente são poucos os com deficiência, transtornos glo- c) a necessidade de formar
professores que têm dúvidas em bais do desenvolvimento e altas professores para atuar no
relação às possibilidades de in- habilidades/superdotação. Atendimento Educacional
clusão escolar das pessoas com Logo, a realidade não nos Especializado.
deficiência. Hoje nas escolas ten- deixa fugir: temos que pensar a Tais aspectos motivam a ins-
de a prevalecer uma concepção formação continuada, não como titucionalização do Programa de
de homem, corpo e sociedade. um apêndice de nossos afazeres Formação Continuada de Profes-
Estamos falando da diversidade como formadores, mas como uma sores em Educação Especial, na
humana, das diferenças, das desi- frente de trabalho que precisa ser modalidade a distância, no âm-
gualdades. Acreditamos que tudo assumida e sistematizada como o bito da Secretaria de Educação
isso seja fruto de uma longa luta campo de produção de saberes e Especial/ Ministério da Educação,
social envolvendo diferentes seg- ações políticas. por meio do edital nº 02/2007.
mentos de e para pessoas de dife- A formação continuada precisa
rentes tipos de deficiências. O edital apresenta o compro-
ser contemplada no Projeto Político misso de formar uma rede de for-
A política de inclusão, no cená- Pedagógico das instituições de en- mação continuada de professores
rio político educacional brasileiro sino para garantir sua inserção no para o atendimento educacional
tem permitido uma educação que tempo da instituição, a fim de aten- especializado, envolvendo as ins-
se desenvolve no mesmo espaço der às atuais necessidades oriundas tituições públicas de ensino, cujos
e tempo, com pessoas que apre- do processo de construção dos sis- princípios básicos de atuação en-
sentam as mais diferentes formas temas educacionais inclusivos. volvem o tripé ensino, pesquisa e
de habilidades, capacidades, com- Neste contexto, destacam-se extensão e atividades desenvol-
portamentos e histórias de vida. os seguintes aspectos: vidas a distância, vinculadas ao
A educação inclusiva represen- a) a crescente adesão das es- sistema da Universidade Aberta
ta a garantia do direito de todos colas públicas ao paradigma do Brasil.
os cidadãos à escolarização. Nes- da educação inclusiva, com Com este edital, a SEESP/MEC
te sentido, não se trata apenas de ampliação do número de encerra as ações descentraliza-
garantir-lhes a possibilidade de alunos incluídos nas classes das e passa a gerir o processo de
acesso à escola, mas de estarem na comuns do ensino regular; formação continuada dos profes-
escola, aprenderem e se desenvol- b) o reconhecimento de que sores. Neste novo contexto, aos
verem em condições equânimes. muitos professores apre- sistemas de ensino cabe respon-
Neste texto, discutimos a im- sentam a necessidade de der ao edital e, em regime de co-
portância da formação de profes- formação acerca das espe- laboração, realizar os projetos de
sores que assume um relevante cificidades destes grupos formação continuada dos seus

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 52-59, jan./jun. 2011 53


profissionais. Com este processo a Universidade Estadual do Pará 2. As experiências da
SEESP/MEC apresenta-se respon- – Uepa e a Universidade Federal
sável por: de São Carlos – UFSCar com dois
Universidade Federal
a) realizar o cadastro das ins- projetos; e as demais com apenas de Uberlândia
tituições públicas de en- um projeto; Universidade Federal
sino superior, por meio de Santa Maria – UFSM, Universi- A Universidade Federal de
da seleção de propostas dade Federal de Alagoas – Ufal; Uberlândia, por intermédio do
apresentadas de cursos de Universidade Federal de Uberlân- Centro de Ensino, Pesquisa, Ex-
formação continuada para dia – UFU; Universidade Federal tensão e Atendimento em Educa-
professores em exercício de Juiz de Fora – UFJF; Universida- ção Especial – CEPAE, ingressou
nas redes públicas federal, de Estadual da Bahia – Uneb; Uni- na rede de formação continuada
estaduais e municipais de versidade Federal de Mato Grosso de professores em Educação Es-
ensino básico na área de pecial. Neste sentido, ofertamos
do Sul – UFMS; Universidade Esta-
Educação Especial em nível duas edições do Curso de Exten-
dual de São Paulo de Presidente
de extensão, na modalida- são Professor e Surdez:cruzando
Prudente – Unesp; Universidade
de a distância; caminhos, produzindo novos
Estadual de São Paulo de Marília –
b) receber as propostas de olhares, sendo a primeira em
Unesp; Universidade Estadual de 2008 e a segunda em 2009. Ain-
adesão de Secretarias de São Paulo de Bauru – Unesp; Uni-
Educação Municipal, Esta- da em 2009, também foi realiza-
versidade Federal do Amazonas – da a primeira edição do Curso de
dual e do Distrito Federal;
Ufam e o Cefet do Pará. Extensão em Educação Especial e
c) articular as instituições ca-
Todos os projetos, com exce- Atendimento Educacional Espe-
dastradas e suas propostas
ção do curso de especialização, cializado. Em 2010, foi realizada
de cursos aprovadas com as
foram realizados totalmente a dis- a 1ª edição do Curso de Educação
demandas das Secretarias
tância, utilizando-se de ambien- Especial e Atendimento Educacio-
de Educação.
tes via web. Cada curso possuía nal Especializado e a 1ª edição do
Dessa forma, surge um amplo novo Curso de Extensão em Aten-
vinte turmas de 20 a 25 cursistas,
Programa Nacional de Formação dimento Educacional Especializa-
Continuada de Professores na totalizando cerca de quinhentos
participantes por curso. Nesta do para Estudantes Surdos, e teve
Educação Especial: a Rede de For- início a 2ª edição do Curso de
mação Continuada de Professores primeira edição participaram do
Educação Especial e Atendimento
em Educação Especial, cujas bases processo de formação cerca de
Educacional Especializado e do
epistemológicas encontram-se nove mil e quinhentos professo-
novo curso.
comprometidas com os pressu- res. Foram ofertadas duas turmas
na maior parte destes cursos. Os O primeiro curso oferecido
postos da educação inclusiva.
cursos de extensão tinham uma em 2008, o Curso de Extensão
Professor e Surdez: cruzando ca-
carga horária de 120 horas, os de
minhos, produzindo novos olha-
1. A construção da aperfeiçoamento 180 horas e o de
res, destinou-se a professores de
rede e nossa inserção especialização com carga horária
escola comum com matrículas
de 365 horas.
no cenário da de alunos surdos. Os dois últimos
Por meio desta ação, a SEESP/ cursos, com ofertas em 2010,
formação a distância MEC efetiva a parceria com as ins- teve como público principal pro-
de professores em tituições públicas de Educação fessores da rede pública que atu-
Educação Especial Superior no processo de formação am no Atendimento Educacional
continuada de docentes, fortale- Especializado.
Nesse edital foram aprovadas cendo o processo de produção de O Curso de Extensão Profes-
dezoito propostas de cursos de conhecimentos específicos para sor e Surdez: cruzando caminhos,
extensão, aperfeiçoamento e es- atender as demandas da legisla- produzindo novos olhares, obje-
pecialização, envolvendo 14 IES: ção atual. tivou oferecer elementos para

54 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 52-59, jan./jun. 2011


a sensibilização, a discussão e o dos apenas nas cidades sulinas se em participar de espaços de
posicionamento crítico sobre as de Derrubadas – RS e Salete – SC, formação continuada, revelando
especificidades educacionais do representando pouco mais de o compromisso do grupo de pro-
aluno surdo, sendo um espaço 2%, no ano de 2007. E, no ano fessores com o trabalho pedagó-
alternativo de formação conti- de 2009, representaram apenas gico a ser desenvolvido com seus
nuada de professores, contendo 1,67% dos participantes das regi- alunos.
reflexões teóricas pautadas em ões de Goiás, Ceará e Pernambu- Em relação ao Curso de Exten-
conhecimentos específicos e pe- co. Quanto ao grau de instrução, são: Educação Especial e Atendi-
dagógicos para atuar na educa- na edição de 2007, mais da me- mento Educacional Especializado
ção de pessoas surdas na primei- tade dos participantes (53,2%) (AEE), com carga horária total
ra fase do ensino fundamental. possuíam pós-graduação latu- de 180 h, oferecido pela UFU a
Buscou promover uma reflexão sensu; 39,1% graduação; 5,7% partir do segundo semestre de
sobre a problemática que tem se possuíam apenas o ensino mé- 2009, tem como objetivo fun-
instalado no que se refere à edu- dio. Ressalta-se que cinco eram damental capacitar professores
cação dos surdos, apresentando mestres (dois da cidade Pires do da rede pública de ensino (total
discussões teóricas que fornecem Rio – GO; dois de Vila Velha – ES entre 1.000 a 1.300 alunos) para
aos participantes conhecimentos e um de Sete Lagoas – MG), e realizar o atendimento educacio-
necessários para a realização de um aluno da cidade de Pires do nal especializado junto a alunos
uma prática pedagógica que me- Rio – GO era Doutor. No ano de matriculados em instituições pú-
lhor atenda as necessidades des- 2009, 59% dos participantes pos- blicas de ensino que apresentam
te grupo de aprendizes. O curso, suíam Pós-Graduação latu-sensu; deficiência, transtornos globais
propõe-se a ensinar um vocabulá- 29,1% Graduação; 8,7% possu- do desenvolvimento e altas ha-
rio básico da Língua Brasileira de íam apenas o ensino médio, e bilidades / superdotação. Dentre
Sinais via web e DVD, voltando-se 1,85% eram mestres. Esses resul- os objetivos específicos preten-
para a formação de docentes para tados nos demonstram que mais didos, o Curso de Extensão: Edu-
atuar no ensino e aprendizagem da metade possuía um curso de cação Especial e AEE visa formar
de pessoas surdas. Explora os pós-graduação, diferente da re- professores para atuarem no AEE,
conceitos, as políticas públicas da alidade nacional em que menos contribuindo com a melhoria da
inclusão educacional e as garan- de 30% dos professores possuem qualidade deste atendimento na
tias legais que envolvem a surdez. pós-graduação. rede pública de ensino brasileira,
Nesse caso, ele apresenta a surdez Demonstra também que os promovendo, consequentemen-
e seus múltiplos aspectos educa- profissionais de maneira geral es- te, a melhoria na qualidade e efi-
cionais, culturais e sociais, exerci- tão interessados em se preparar ciência educacional do processo
tando uma alternativa de constru- para atuar nos processos de es- de inclusão escolar.
ção de conhecimentos por meio colarização das pessoas com de- A metodologia de ensino uti-
da Educação a Distância. ficiência, transtornos globais do lizada nesse curso de extensão
O perfil dos professores que desenvolvimento e altas habilida- fundamenta-se nos referenciais
procuram o Curso de Extensão des/superdotação. Neste sentido, da Teoria da Aprendizagem Me-
Professor e Surdez: cruzando ca- reforça a necessidade de ofertar- diada (T.A.M) proposta por Revue
minhos, produzindo novos olha- mos cursos que apresentem os te- Fuerstein (1994). Os pressupostos
res, para a formação continuada, mas propostos de forma teórica e teóricos e as estratégias metodo-
são de profissionais com idade prática, buscando contextualizá- lógicas da T.A.M, utilizados ao lon-
entre 30 e 50 anos de idade, o los com o cotidiano escolar dos go do desenvolvimento do curso,
que demonstra um público com participantes. permearam as interações e discus-
mais tempo de docência e espe- Outro elemento a ser ressal- sões pedagógicas relacionadas ao
cialização profissional, fatos que tado é o fato de que os partici- atendimento educacional espe-
comprovaremos mais adiante. pantes com jornada de trabalho cializado, realizadas pelos tutores
Recém-formados com idade en- dupla, e até tripla, ainda encon- e professores formadores junto
tre 18 e 22 anos foram encontra- tram disponibilidade e interes- aos cursistas, assim como também

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 52-59, jan./jun. 2011 55


embasaram todo o processo de 3. As experiências da O corpo docente foi composto
formação em tutoria e as reuniões por professores de diversas uni-
presenciais com o grupo de tuto-
Universidade Federal versidades, tais como: UFJF, UFU,
res e professores formadores. de Juiz de Fora UEPG, UNICAMP, UNIMEP.
Ao avaliarem o curso, os con- A avaliação da aprendizagem
cluintes expressaram seu bom Com o objetivo de formar os foi realizada durante o desenvol-
aproveitamento, destacando que professores de Educação Física vimento dos módulos. Os alunos
foi uma oportunidade de ampliar para atuar na perspectiva da Edu- que não obtiveram o desempe-
seus conhecimentos teóricos e cação Inclusiva, a Universidade nho exigido tiveram uma segunda
aprofundar as reflexões sobre a Federal de Juiz de Fora propôs o chance, recebendo o atendimen-
sua prática profissional. Curso de Atividade Física para Pes- to especial previsto no Sistema de
soas com Deficiência. Apoio à Aprendizagem.
Também foi possível observar
que alunos oriundos de regiões As propostas metodológicas As atividades gerais do curso
geográficas extremante afasta- inclusivas são baseadas na socia- abordaram fortemente os prin-
das dos grandes centros urbanos, lização e na cooperação, visando cípios que regem a educação in-
como o caso de cidades localiza- uma educação que atenda a to- clusiva. As principais dificuldades
das no extremo norte do país, en- dos os alunos. foram encontradas na Educomu-
Geralmente nas atividades nicação – mais especificamente no
frentaram condições de enorme
que diz respeito à utilização dos
dificuldade para terem acesso a desenvolvidas as regras são dina-
recursos tecnológicos básicos.
um computador para realizar as micamente estabelecidas, não há
atividades do curso. limite de idade para os participan- O ensino online necessita do
tes, não existem necessariamente computador para a comunicação.
Apesar da avaliação positiva
ganhadores/perdedores. O prestí- E é justamente esse “meio” que
da maioria dos profissionais que
gio que se dá a cada um junto ao muitas vezes ainda constrange al-
concluíram o curso, também foi
coletivo e as experiências que são guns usuários. Há um numero sig-
possível registrar as imensas di- nificativo de pessoas que chegam
ficuldades apresentadas por um incorporadas pelo grupo e pelo
indivíduo tornam-se o grande tro- até o ambiente de ensino – pla-
significativo grupo de alunos. Tais taforma MOODLE –, mas muitos
dificuldades envolviam os mais féu das atividades.
não se encorajam a dar continui-
diversos aspectos, desde a falta É importante notar que nas dade aos estudos. No entanto, os
de familiaridade com o uso do propostas de Educação Física to- alunos que superam o constran-
computador, a falta de competên- dos os alunos, com suas mais di- gimento presente, conseguem
cia para acessar a plataforma do versas características individuais, então estabelecer uma relação de
curso e utilizar as ferramentas da aprendem a conviver e conhecer ensino-aprendizagem. O compu-
web, a falta de facilidade de aces- o outro. tador deixa de ser um obstáculo
so ao computador e restrições Os cursos são organizados em para ser uma nova experiência
na sua utilização (por exemplo, 03 (três) módulos, divididos da se- educacional.
alunos que utilizavam os compu- guinte maneira: Módulo I – Com- O processo do ensino a distan-
tadores da escola, em horários di- posto por disciplinas que abor- cia propiciou um riquíssimo diálo-
vididos com outros profissionais), dam sobre o Ensino a distância e a go entre os participantes. O que
até a falta de conhecimentos es- utilização do ambiente virtual de mais se destacou foi a construção
pecíficos sobre a metodologia da ensino – Módulo II – Disciplinas de propostas pedagógicas reali-
educação a distância. É impor- que abordam sobre os Aspectos zadas por meio de um trabalho
tante reconhecer as imensas e Históricos, Filosóficos e Sociológi- colaborativo, ou seja, os alunos
ainda desconhecidas possibilida- cos da Deficiência e os Fundamen- em muitos momentos escolheram
des que a formação docente, por tos da Inclusão através da Educa- com o auxílio dos professores, ca-
meio de processos em educação ção Física. Módulo III – Disciplinas minhos e conteúdos para desen-
a distância, tem para oferecer aos que abordam sobre os Esportes e volverem efetivamente uma edu-
educadores do Brasil. atividades físicas inclusivas. cação inclusiva.

56 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 52-59, jan./jun. 2011


Constatamos ao final de cada Trabalhar com a educação fí- blica de ensino, com experiência
proposta do curso que 93,65% sica inclusiva não é algo tão sim- efetiva de sala de aula em escolas
dos alunos concluintes possuem ples. Não é supor e nem adaptar de educação básica, e graduação
escolaridade de nível superior, gestos corporais, nem tampouco em licenciatura plena.
sendo que do total de alunos, um afrouxamento do rigor, das A primeira edição do Curso de
68,25% já cursaram outros cursos exigências técnicas para o desen- AEE se propôs a formar aproxi-
de pós-graduação em nível de volvimento de qualquer ativida- madamente mil professores para
especialização e outros 1,59% já de. O exercício da prática corporal atuar nas salas de recursos mul-
concluíram o Mestrado. Este dado requer uma instrumentalização tifuncionais, realizando o Atendi-
demonstra que o Ensino a Distân- capaz de propiciar a construção mento Educacional Especializado,
cia é uma poderosa ferramenta de uma ordem de movimentos por meio da oferta de seis módu-
para o processo de educação con- que sejam adequados à percep- los distribuídos em 120 horas e
tinuada do indivíduo e suas possi- ção de padrões estruturantes de desenvolvidos em cinco meses.
bilidades de aplicação como polí- uma técnica que permita a reali- Os módulos atendiam aos seis ei-
tica pública forma os professores zação de gestos corporais que te- xos temáticos previstos, ou seja,
vinculados aos órgãos públicos nha sentido para todos os alunos. Atendimento Educacional Espe-
de gestão da educação. cializado para alunos com defici-
Verificamos ainda que 71,43% ência mental, física, visual, surdez,
dos alunos concluintes do curso 4. As experiências da altas habilidades/superdotação e
atuam como docentes nas escolas Universidade Federal recursos de tecnologia assistiva.
de educação básica. Entre todos Foram organizadas 43 turmas,
os professores participantes, mais de Santa Maria com 20 a 25 alunos cada, respei-
de 90% atua há mais de 05 anos tando a região em que os alunos
no magistério, sendo que 31,75% A Universidade Federal de residem. Um professor formador
deles tem mais de 20 anos de do- Santa Maria, UFSM, ingressou na atendia duas turmas, cada uma
cência. Estes dados reiteram as Rede de Formação de Professo- com um tutor a distância. Onze
possibilidades da Educação a dis- res, no âmbito do Programa de turmas contavam também com
tancia como modalidade de ensi- Desenvolvimento da Educação um tutor presencial, pois eram
no que permite a atualização de – PDE, com a oferta de dois cur- turmas em que os alunos foram
conhecimentos nas diversas áreas sos, um de extensão com 120 ho- selecionados pela secretaria do
de atuação profissional. ras em Atendimento Educacional município ou do estado. O mate-
Outro dado relevante é que Especializado, AEE, e outro Latu rial didático acessível, produzido
87,30% dos professores partici- Sensu, de Especialização em Edu- por professores pesquisadores,
pantes do curso dedicam às tare- cação Especial: Déficit Cognitivo foi disponibilizado online no am-
fas profissionais mais de 06 horas e Educação de Surdos. O Curso biente de aprendizagem Eproin-
diárias. A flexibilidade de horários de Especialização, único oferta- fo, no qual foram utilizadas as
e a possibilidade de organização do no primeiro Edital, resulta da ferramentas de interação, além de
do próprio tempo permitida pela tradição de 30 anos da UFSM de videoconferências, para debates
EAD representam um importante ser instituição formadora de edu- online.
aliado para os interessados em cadores especiais. Além disso, o Mesmo com os desafios en-
obter novos conhecimentos e in- grupo de professores envolvidos contrados, é possível afirmar que
formações para seu desenvolvi- já havia ofertado o mesmo Cur- o Curso apresenta potencial po-
mento profissional. so na modalidade a distância, em sitivo para realizar a formação de
Em relação à avaliação que os atendimento a outro edital. professores para o atendimento
professores concluintes fizeram Assim, o Curso de Formação educacional especializado na mo-
do curso, 98,41% avaliaram como de Professores para o Atendimen- dalidade a distância, permitindo
satisfatório e muito satisfatório. to Educacional Especializado teve o conhecimento, compreensão e
Isto evidencia que o curso aten- abrangência nacional e foi des- exercício de conceitos, que fazem
deu às expectativas dos alunos. tinado a professores da rede pú- parte da prática do atendimento

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 52-59, jan./jun. 2011 57


educacional especializado. Do atendesse às especificidades das a realização de interações síncro-
mesmo modo, propicia a intera- comunidades surdas, ofereceu o nas e assíncronas, por meio de
ção, possibilitando maior convívio atendimento educacional espe- ferramentas que favoreceram o
e troca de experiências, a partir do cializado aos alunos das áreas de registro de desenvolvimento da
intercâmbio com os colegas, pro- concentração do curso. aprendizagem do aluno e o acom-
fessores e tutores. A oferta do curso previu o nú- panhamento qualitativo e quan-
Já o Curso de Especialização a mero total entre 400 a 500 alunos, titativo da sua participação no
distância em Educação Especial – sendo que cada turma teve entre Curso, permitindo uma avaliação
Déficit Cognitivo e Educação de 20 e 25 alunos. Para o desen- contínua e formativa sobre o pro-
Surdos, teve o objetivo de contri- volvimento da aprendizagem e cesso de evolução do aluno, por
buir com a produção de conheci- atendimento aos alunos, o curso meio dos recursos como Fórum
mentos e com a formação de pro- contou com professores coorde- de discussão, Bate-Papo, Exercí-
fessores em Educação Especial. A nadores de disciplinas, professo- cios, Livro, Tarefas e Wiki, entre
abrangência do Curso foi nacional res formadores e tutores. Assim, outros, além do material digital e
e propôs a formação a professores houve um coordenador para das apostilas que foram elabora-
efetivos da rede pública de ensi- cada disciplina ofertada. Esse das por uma equipe de produção
no, com graduação em licencia- coordenador contou com dez de material didático para cursos a
tura e experiência de sala de aula professores formadores, e cada distância, previamente seleciona-
nas escolas de educação básica professor formador teve dois tu- da pela Coordenação do curso
das redes Municipal, Estadual e tores, atendendo assim, entre 40 A análise dos TCC – Trabalhos
do Distrito Federal, além de uma e 50 alunos, sendo que cada tutor de Conclusão de Curso – foi fei-
turma de alunos egressos do Cur- atende uma turma. ta por dois pareceristas, que ao
so de Graduação em Educação Es- A orientação e elaboração do elaborarem enviaram, por meio
pecial, da UFSM. artigo monográfico aconteceram eletrônico, para a Coordenação
O projeto de Curso é composto concomitante ao desenvolvimen- do Curso. Esses pareceres foram
de 12 disciplinas1, distribuídas em to do 2º e 3º Módulos do Curso. apresentados no ato da defesa do
três módulos, totalizando uma car- As monografias foram defendidas artigo junto a Banca Avaliadora,
ga horária de 420 horas/aula, que nos pólos2 regionais perante uma designada pela coordenação do
se desenvolveram ao longo de de- banca constituída segundo as Curso. Houve a defesa de 315 alu-
zoito meses, oportunizando um normas dos Cursos de Pós-Gradu- nos.
conjunto de informações teóricas ação da UFSM, obedecendo a um O egresso do Curso de Espe-
e vivências práticas que especiali- cronograma previamente elabo- cialização em Educação Especial
zou o aluno: promoveu as intera- rado e amplamente divulgado. – Déficit Cognitivo e Educação de
ções necessárias para a inclusão, O desenvolvimento do Curso Surdos desenvolveu competên-
deu suporte aos demais profes- se deu observando as estratégias cias para dominar o referencial
sores das classes comuns, mediou pedagógicas para utilização do teórico básico correspondente
as interações entre a comunida- ambiente virtual de aprendiza- as áreas de déficit cognitivo e da
de surda e comunidade ouvinte, gem, MOODLE. Todas as ativida- educação dos surdos e transferir
deu condições para a construção des a distância foram desenvolvi- esses conhecimentos aplicando-
de um espaço pedagógico que das nesse ambiente, que permite os em sua prática educacional.

1 Módulo 1: TIC’s aplicadas à Educação, Política e Gestão em Educação Especial, Desenvolvimento e Aprendizagem,Língua, Cultura e Identidade,
Representações e Paradigmas em Educação Especial. Módulo 2: Educação de Surdos: comunidade, intérprete e instrutores, Escola, Currículo e a
Educação de Surdos, Metodologia da Pesquisa, Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, Caracterização e Avaliação do Aluno com Déficit Cognitivo.
Módulo 3: Metodologia Atendimento do Aluno Déficit Cognitivo, Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, Seminário de Aprofundamento na Área
da Surdez, Seminário de Aprofundamento na Área do Déficit Cognitivo.
2 Pólos do Curso: Rio Grande do Sul: Pelotas, Encruzilhada do Sul, São Gabriel, Santa Maria, Capão da Canoa, Passo Fundo, Gravatai, Roraima: Boa
Vista, Minas Gerais: Lagamar, Conselheiro Lafaiete, Teófilo Otoni, Divinolândia de Minas, Governador Valadares, Januária, Tocantins: Palmas. Rio
de Janeiro: Rio de Janeiro, Rio Bonito. Bahia: Feira de Santana, Rondônia: Ji-Paraná, Paraiba: Pombal.

58 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 52-59, jan./jun. 2011


Considerações finais Isso não é possível se não garan- cação Da Região Sul, 2004, Curitiba.
In: BAPTISTA, C. R. Mediação pedagógi-
tirmos a compreensão do outro
ca em perspectiva: fragmentos de um
e de suas diferenças no processo
A formação continuada precisa conceito nas abordagens institucional,
de escolarização. Não é garantin- sócio-histórica e sistêmica. Curitiba: Edi-
ser encarada como um trabalho a
do a igualdade, em muitos casos, tora da PUC, 2004.
ser assumido pelas instituições
que lhes garantimos o direito de
públicas formadoras com muita APLLE, M. Consumindo o outro: Branqui-
aprender e se desenvolver inte-
seriedade. Há necessidade emi- dade, educação e batatas fritas baratas.
gralmente enquanto seres huma- In: COSTA, M. V. (Org.). Escola básica na
nente de que se busque conhecer
nos que são. virada do século: cultura, política e cur-
os espaços legais nos quais en- rículo. 3. ed., São Paulo: Cortez, 2002. p.
contra inserida, bem como seus A perspectiva de educação in- 25-44.
limites e possibilidades. clusiva exige intensificação, quan-
titativa e qualitativa, na formação BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro
Enquanto muitos formadores de 1996. Dispõe sobre as Diretrizes e Ba-
de recursos humanos e na garan-
desconhecem as peculiaridades ses da Educação Nacional. Brasília: Con-
tia de serviços de apoio pedagó- gresso Nacional, Diário Oficial da União,
deste salutar processo de for- gico especializados, públicos e 23 de dezembro de 1996.
mação dos profissionais da edu- privados, para assegurar o desen-
cação, o trabalho, muitas vezes, volvimento educacional de alunos ______. Secretaria de Educação Especial.
pode acontecer de forma con- com necessidades educacionais Política nacional de educação especial
trária aos objetivos propostos e na perspectiva da educação inclusiva.
especiais. A política de inclusão Brasília: Ministério da Educação, 2008.
suas intenções, por mais sensatas de alunos que apresentam neces-
e coerentes que pareçam. Não se sidades educacionais especiais na ______. Secretaria de Educação Especial.
trata de transpor os modelos de rede regular de ensino não con- Decreto n. 6.571, de 17 de setembro de
educação inicial aos projetos de 2008. Dispõe sobre o Atendimento Edu-
siste apenas na permanência físi- cacional Especial. Brasília, Ministério da
formação continuada. Cada fase ca desses alunos junto aos demais Educação, 18 set. 2008.
de formação possui demandas e educandos, mas representa a ou-
peculiariedades. ______. Constituição da República Fe-
sadia de rever concepções e para-
derativa do Brasil, 1988. Brasília: Con-
Neste sentido, também, não se digmas, bem como desenvolver o gresso Nacional, Diário Oficial da União,
trata de ficar na inércia aguardado potencial dessas pessoas, respei- 05 de outubro de 1988.
que outros desbravem os cami- tando suas diferenças e atenden-
FEUERSTEIN, P. S, KLEIN, P & Tennenbaun,
nhos, para que no futuro possa- do suas necessidades. O respeito
A. J (1994) Mediated Learning Expe-
mos caminhar com mais seguran- e a valorização da diversidade rience (MLE): Theoretical, psychologi-
ça. Esta é uma tarefa de todos dos alunos exigem que a escola cal and learning implivations. London:
nós, formadores e professores da redefina sua responsabilidade no Freund Publishing House.
educação básica. Precisamos, por estabelecimento de relações que
MAIA, Marta de Campos. Pesquisa revela
meio de um processo avaliativo possibilitem a criação de espaços índice de evasão em educação superior
sério, ir construindo algumas ex- inclusivos, bem como procure a distância. WebAula, Brasília, abr 2005.
periências positivas de formação superar a produção, pela própria Disponível em:<http://portal.webaula.
escola, de necessidades especiais. com.br/noticia.aspx?sm=noticias&codno
continuada. Nestes processos, ticia=530>. Acesso em: 05 dez. 2008. 
ambos estamos imersos e em pro-
cesso contínuo de aprendizagem,
pois sempre podemos aprender Referências
sobre algo e com alguém.
ALVARADO PRADA, Luis Eduardo. Dever e
O desafio está posto. Temos que
Direito à formação continuada de pro-
formar muitos profissionais para fessores (1997). www.uniube.br/propep/
garantir o mínimo de condições mestrado/revista/.../ponto_de_vista.pdf.
reais para a escolarização das pes- Consultado em 22 de outubro de 2009.
soas com deficiências, transtor- ANDRADE, S. G. Pensamento sistêmico e
nos globais do desenvolvimento docência no contexto da educação inclu-
e altas habilidades/superdotação. siva. Seminário de Pesquisa em Edu-

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 52-59, jan./jun. 2011 59


60 Resenha

Quem Eu Seria Se Pudesse Ser


A condição adulta da pessoa com deficiência intelectual

Luciana dos Santos Cordeiro Mello


Fundação Síndrome de Down
Serviço de Formação e Inserção no Mercado de Trabalho

Nos últimos 20 anos na cidade fronteiras, muitas vezes intrans- ficam proibidas de crescer e desta
de Genova, Itália, acontece uma poníveis, esta publicação desta- realidade somos todos altamente
importante iniciativa pública de ca a complexa e sensível questão cúmplices.
inserção profissional de pessoas do amadurecimento das pessoas A partir deste ponto de vista,
com deficiência intelectual e de com síndrome de Down. Este li- o jovem Down assume um este-
pessoas com doença mental. vro também nos oferece a opor- reótipo bastante emblemático, e
Essa iniciativa tem como base a tunidade de refletir sobre outros mesmo com a capacidade de po-
transformação ocorrida nos anos casos humanos de pessoas com der tornar-se adulto, permanece
70, quando a luta contra as “insti- deficiência intelectual. preso a uma eterna infância.
tuições totais” conduziu ao fecha- De um lado, o jovem Down se Essa reflexão torna-se funda-
mento dos hospitais psiquiátricos apresenta com suas característi- mental para o desenvolvimento
e escolas especiais e às novas leis cas especificas: seus traços mor- profissional dos educadores e
no país, dentre elas a inserção de fológicos e consequentemente pais, que juntos compartilham o
todas as pessoas com deficiência um diagnóstico precoce que os processo educacional na perspec-
nas escolas comuns. expõe desde muito cedo a certos tiva da formação para a autono-
Nesta obra, dois grandes espe- riscos tanto no ambiente familiar mia e independência.
cialistas nos possibilitam compar- como também no entorno social. Enrico Montobbio, neuropedia-
tilhar a trajetória de seu país na Há uma proibição social e cul- tra infantil, é responsável pelo Cen-
construção do conhecimento e tural que se manifesta em todas tro e Estudos “l´Integrazione Social
no desenvolvimento de uma prá- as pessoas (inconscientemente) e Lavorativa degli Handicappati”.
tica que garante às pessoas com que impossibilita que as pessoas Carlo Lepri, psicólogo do Ser-
deficiência o direito a educação com deficiência intelectual, e de viço Público de Saúde de Gênova
no sistema comum de ensino. maneira peculiar as pessoas com – Professor de psicologia e Recur-
De maneira lúdica e utilizan- síndrome de Down, acessem o sos Humanos da Università di Ge-
do a metáfora da viagem e suas mundo dos adultos, desta forma nova – Itália.

60 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 60, jan./jun. 2011


Informe 61
Stock

Instituída em 2009 por meio do so à formação docente, buscando propostas de formação e habili-
Decreto n° 6.755, de 29 de janeiro a redução das desigualdades so- dades docentes, a fim de atender
de 2009, a Política Nacional de ciais e regionais. as orientações da Política Nacio-
Formação de Profissionais do Ma- No âmbito da educação es- nal de Educação Especial na Pers-
gistério da Educação Básica define pecial, a Secretaria de Educação pectiva da Educação Inclusiva
os fundamentos e as estratégias Especial, por meio do Programa (2008), do Decreto nº. 6571/08,
para a formação inicial e continu- de Formação Continuada de Pro- Resolução CEB/CNE nº. 04/09, e
ada dos profissionais da educação fessores em Educação Especial demais dispositivos legais, os cur-
básica. Em decorrência da Política, – Modalidade a distância, dispo- sos subsidiam os sistemas de en-
houve a criação dos Fóruns Per- nibilizou em 2010 na Plataforma sino na transformação da cultura
manentes Estaduais de Apoio à Freire cerca de vinte e quatro mil organizacional para a concretiza-
Formação Docente, e o lançamen- vagas divididas entre doze cur- ção dos princípios da educação
to da Plataforma Paulo Freire. sos de aperfeiçoamento. Com inclusiva. Além disso, o Programa
A Plataforma Paulo Freire é cargas horárias que variam entre apóia a produção de conheci-
uma ferramenta, criada pelo MEC, 180 horas a 220 horas, os cursos mentos, o desenvolvimento e a
com o objetivo de possibilitar a de formação continuada foram disseminação de metodologias
inscrição de professores em exer- disponibilizados nas áreas de educacionais na área de educa-
cício na educação básica em cur- atendimento educacional espe- ção especial.
sos de formação inicial e continu- cializado, deficiência intelectual, Informações a respeito dos
ada nos níveis de especialização, deficiência auditiva, deficiência cursos disponibilizados pela
extensão e aperfeiçoamento nas visual, tecnologias assistivas e ati- SEESP podem ser obtidas por
mais diversas áreas do conheci- vidade física adaptada. meio da Plataforma Paulo Freire
mento. A partir desse sistema, o Neste sentido, ciente da im- (http://freire.mec.gov.br) ou
MEC garante a equidade no aces- portância da transformação entre formacaoseesp@mec.gov.br.

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 61, jan./jun. 2011 61


62 Opinião

Educação Inclusiva e
Formação de Professores
Fabiane Romano de Souza Bridi
Valquirea Monteblanco Villagran

A discussão sobre Educação bilidade da mesma a realização Como parte das ações que vi-
Inclusiva é de grande relevância do Atendimento Educacional Es- sam dar concretude às diretrizes
no contexto atual, uma vez que pecializado (AEE) de forma articu- presentes no texto da Política,
é um movimento mundial, uma lada com ensino comum. tem-se acompanhado a expansão
jornada com um propósito que O Decreto 6.571 de 2008, que da Educação Especial através da
impulsiona as Políticas Públicas dispõe sobre o Atendimento Educa- ampliação da oferta do Atendi-
Educacionais, que tem por obje- cional Especializado, e a Resolução mento Educacional Especializa-
tivo oferecer uma escola de qua- n° 4 de 2009, que Institui Diretrizes do (AEE) no contexto das redes
lidade para todos, enfatizando o Operacionais para o Atendimento de ensino. A oferta desse serviço
respeito às diferenças e negando Educacional Especializado na Edu- vem acompanhada da implemen-
qualquer tipo de segregação, pre- cação Básica, modalidade Educa- tação das Salas de Recursos Multi-
conceito ou exclusão. ção Especial, constituem-se em funcionais e de forte investimento
Nesse sentido, tornou-se um documentos que normatizam e na formação de professores para
tema presente no cotidiano das legalizam as orientações e dire- atuarem em tal espaço. Frente às
escolas e das redes de ensino em trizes apresentadas no texto da novas exigências da atuação do
diferentes regiões do Brasil. Em Política Nacional de Educação Es- professor do Atendimento Edu-
especial, após a publicação da Po- pecial na Perspectiva da Educação cacional Especializado que visam
lítica Nacional de Educação Espe- Inclusiva. Nestes documentos en- o trabalho pedagógico com as
cial na Perspectiva da Educação In- contramos as orientações para a diferentes categorias de alunos
clusiva (2008) acompanha-se, de organização e o funcionamento da educação especial, bem como
forma mais enfática, o ingresso de do Atendimento Educacional Es- a realização de um trabalho arti-
alunos considerados da Educação pecializado no contexto das es- culado com o ensino comum pre-
Especial no sistema comum de colas e das redes de ensino, bem visto na proposta pedagógica da
ensino. Tal situação ganha maior como a delimitação dos alunos escola, temos acompanhado a re-
visibilidade frente à eliminação que configuram o público-alvo da formulação nos cursos de forma-
do caráter substitutivo da Educa- educação especial – alunos com ção de professores no âmbito da
ção Especial e a defesa na sua fun- deficiências, transtornos globais Educação Especial, tanto na for-
ção complementar e suplementar, do desenvolvimento e altas habi- mação inicial como na formação
constituindo-se como responsa- lidades/superdotação. continuada. Segundo a Política:

1 Educadora Especial, Professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) da Escola Municipal de Ensino Fundamental Pão dos Pobres
Santo Antônio – Santa Maria/RS. Aluna do Curso de Especialização no Atendimento Educacional Especializado (AEE) ofertado pela Universidade
Federal do Ceará.
2 Educadora Especial, Professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) da Escola Municipal de Ensino Fundamental Pão dos Pobres Santo
Antônio – Santa Maria/ RS. Tutora-aluna do Curso de Especialização no Atendimento Educacional Especializado (AEE) ofertado pela Universidade
Federal do Ceará.

62 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 62-63, jan./jun. 2011


Para atuar na educação especial, o Atendimento Educacional Espe- aluno, construindo, desta forma,
professor deve ter como base da sua cializado no contexto do ensino um trabalho articulado entre edu-
formação, inicial e continuada, co- cação especial e ensino comum.
comum, o conhecimento sobre os
nhecimentos gerais para o exercício
processos de aprendizagem dos A efetivação de práticas in-
da docência e conhecimentos espe-
cíficos da área. Essa formação possi- alunos público-alvo da Educação clusivas é desafiadora, requer a
bilita a sua atuação no atendimento Especial (alunos com deficiência, construção de novos referenciais
educacional especializado, aprofunda transtornos globais do desen- teóricos e práticos visando a eli-
o caráter interativo e interdisciplinar volvimento e altas habilidades/ minação de dificuldades e barrei-
da atuação nas salas comuns do ensi- superdotação), bem como a uti- ras existentes nos processos de
no regular, nas salas de recursos, nos lização de recursos e estratégias escolarização dos alunos. Para tal,
centros de atendimento educacional
necessárias à garantia de aprendi- temos observado a necessidade
especializado, nos núcleos de acessi-
bilidade das instituições de educação
zagem destes alunos. de formação continuada tanto
superior, nas classes hospitalares e A organização do curso e a do professor que atua no Atendi-
nos ambientes domiciliares, para a proposta metodológica facilitam mento Educacional Especializado
oferta dos serviços e recursos de edu- a aprendizagem do professor. A como do professor da sala de aula
cação especial. (BRASIL, 2008, p. 11) realização dos debates, por meio comum, acreditando no trabalho
dos Fóruns de Discussões pos- coletivo, colaborativo e articulado
No que tange à formação sibilita a articulação entre a prá- entre estas diferentes instâncias.
continuada, a Secretaria de Edu- tica diária e a teoria estudada,
cação Especial do Ministério da esclarecimentos de dúvidas refe-
Educação (SEESP/MEC), em par- rentes ao planejamento da ação Referências
ceria com diferentes Instituições pedagógica no contexto escolar,
de Ensino Superior, tem ofertado estratégias de trabalho, ativida- BRASIL. Política Nacional de Educação Es-
cursos de formação a professores pecial na Perspectiva da Educação Inclusi-
des e recursos possíveis de serem va. Brasília: MEC/SEESP, 2008.
de diversas redes de ensino em utilizados. Os estudos de casos
diferentes regiões do nosso país. reais enriquecem a construção de BRASIL. Decreto 6.571 de 2008. Dispõe so-
Através de uma articulação entre hipóteses e ações possíveis de se- bre o Atendimento Educacional Especiali-
SEESP, instituições formadoras zado. Brasília: MEC/SEESP, 2008.
rem desenvolvidas com os alunos,
e redes de ensino, um número orientam a prática e a elaboração BRASIL, Resolução CNE/CEB nº 4 de 2009.
significativo de professores tem de um plano de ação pedagógi- Institui as diretrizes operacionais para o
recebido formação para atuarem ca. A participação no Curso de atendimento educacional especializado
no espaço das Salas de Recursos na educação básica. Brasília: MEC/SEESP,
AEE nos possibilita ter um maior 2009.
Multifuncionais e na realização do conhecimento para podermos
Atendimento Educacional Espe- orientar a escola sobre o Projeto
cializado (AEE). Político Pedagógico, para que o
Dentre os diferentes cursos, mesmo contemple a Educação
referendamos o Curso de Espe- Inclusiva e o Atendimento Educa-
cialização em Atendimento Edu- cional Especializado nas Salas de
cacional Especializado, ofertado Recursos Multifuncionais.
pela Universidade Federal do Ce- Seguindo este foco, é indispen-
ará (UFC), do qual temos tido a sável a interlocução com o profes-
oportunidade de atuarmos como sor da sala de aula comum para
aluna e tutora-aluna. O referido que haja uma interação entre os
curso é proposto através de uma profissionais na escola, visando à
modalidade de educação a dis- construção coletiva de estratégias
tância, com a previsão de um de trabalho, recursos necessários
encontro presencial no início de e atividades que contemplem,
cada módulo. Tem como objetivo de maneira significativa, o desen-
o estudo sobre a organização do volvimento e a aprendizagem do

Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, v. 6, n. 1, p. 62-63, jan./jun. 2011 63


64 Veja também

A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ESTADO


DO PIAUÍ: UMA PROPOSTA EM CONSTRUÇÃO
Viviane Faria1
vivianeffaria@uol.com.br

Um dos maiores desafios que tação e de resistência à inclusão e Percebemos, contudo, algu-
encontramos na transformação assim, negar o direito à educação mas dificuldades quanto a efeti-
do sistema de educação do es- de alunos e alunas que historica- vação da proposta da educação
tado do Piauí em um sistema de mente viveram um processo de inclusiva. Com o intuito de supe-
educação inclusivo é a supera- segregação e exclusão social nes- rar estas dificuldades, estamos re-
ção do discurso que a escola se país. alizando ações que as minimizem,
não está preparada para receber dentre elas o investimento em
A Política Educacional do Piauí
os educandos com deficiência e políticas de formação de profes-
tem seguido as diretrizes da Polí-
transtornos globais do desenvol- sores.
tica Nacional de Educação Espe-
vimento. Neste relato, apresento A ênfase dada à formação dos
cial na Perspectiva da Educação
como a SEDUC-PI vem trabalhan- professores vai além da transmis-
Inclusiva e nos últimos três anos
do para que as escolas superem são de conteúdos teóricos, mas
as resistências e se transformem deixou de ofertar a matrícula em
classes especiais, transformando priorizam-se o compartilhamen-
em escolas inclusivas. to das práticas e um novo olhar
as escolas especiais em Centros
Assim, partimos do pressu- do profissional do magistério
de Atendimento Educacional Es-
posto de que as escolas devem em relação ao outro e, conse-
pecializado e ampliou de 04(qua-
atender todos os estudantes, quentemente, em relação a suas
tro) para 170(cento e setenta) as
respeitando as especificidades próprias concepções, valores e
Salas de Recurso Multifuncionais.
de cada um, tendo em vista que atitudes. Enfim, uma formação
uma escola inclusiva é aquela que Ações que refletiram nas matrí- que contemple as três dimensões
contesta as fronteiras entre o re- culas da educação inclusiva, que propostas por Rodrigues(2006), a
gular e o especial, o normal e o em 2009 aumentaram 45% em dimensão dos saberes, das com-
deficiente e promove ações edu- relação ao ano anterior, segundo petências e das atitudes.
cativas que tenham como eixo dados do Censo Escolar de 2009.
A política de formação con-
o convívio com as diferenças, a A expansão da Educação Inclu- tinuada de educação inclusiva
aprendizagem como experiência siva na rede estadual de educação contempla o núcleo gestor das
relacional, participativa e que pro- apresenta indicadores significati- escolas, os docentes das salas
duz sentido para o aluno. (MAN- vos para a construção de escolas comuns e das Salas de Recurso
TOAN, 2006) inclusivas, na qual identificamos Multifuncionais e demais profis-
Nessa perspectiva, não é con- a participação e o envolvimento sionais de educação. A proposta
cebível a idéia de que a escola se de alunos e alunas em atividades não se resume apenas a oferta de
sustente no discurso de não acei- escolares e no contexto social. cursos, mas no desenvolvimento

1 Psicóloga, especialista em Gestão de Processos comunicacionais pela Universidade de São Paulo. Diretora da Unidade de Ensino e aprendizagem
da Secretaria Estadual de Educação e Cultura do Piauí, e conselheira do Conselho estadual dos Direitos da Pessoa com deficiência, CONEDE-PI

64 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 64-65, jan./jun. 2011


de ações que levem estes profis- tinuada, que promove apro- exposto no início do nosso relato.
sionais a uma reflexão cotidiana ximação das universidades A reflexão do fazer tem sido uma
de sua prática. públicas do Piauí e contribui prática constante, mas a certeza
Essa ação é realizada em regi- na oferta de cursos presen- de onde queremos chegar nos
me de colaboração com o MEC, ciais e a distância na área da impulsiona para seguirmos em
com as secretarias municipais de educação inclusiva; frente. E depoimentos como o
educação, com os municípios-pó- c) Instituição da Rede de da professora Vívien Maria Cortez
los do programa educação inclu- Apoio a Educação Inclusiva, Veloso, do Centro de Ensino de
siva: direito à diversidade e com que realiza palestra e en- Jovens e Adultos Professor Artur
a participação das instituições de contros em todas as escolas Furtado, e da professora Márcia
defesa dos direitos da pessoa com da rede pública estadual da Lima Verde, da sala de recursos
deficiência, como o Conselho Es- capital com a finalidade de multifuncional, confirmam a im-
tadual de Direitos das pessoas discutir e refletir ações que portância da formação de profes-
com deficiência – CONEDE-PI, do promovam o respeito a di- sores e indicam que é possível a
Centro de Apoio Operacional de versidade; construção da escola que conviva
Defesa da Pessoa com Deficiência d) Participação da equipe da e respeite as diferenças.
e do Idoso do Ministério Público Gerência de Educação Es-
do Estado do Piauí. “Uma política de educação de qualida-
pecial nos encontros pro- de tem que promover a formação con-
Destacamos a existência no movidos por programas es- tinuada do professor, através de novas
estado da Secretaria Estadual de pecíficos na área de gestão experiências compartilhadas, propi-
Inclusão da Pessoa com Deficiên- escolar e nas formações so- ciando um novo olhar, um novo hori-
cia – SEID, que articula todas as bre currículo, projeto políti- zonte, uma nova proposta de trabalho.
políticas públicas intersecretariais co-pedagógico e avaliação, As capacitações das quais participei
na área do atendimento à pessoa promovidos pela Diretoria na área da educação especial apri-
moraram as minhas ações docentes.
com deficiência, e tem como uma de Ensino e Aprendizagem
Desenvolveram habilidades e compe-
das prioridades a educação inclu- da Educação Básica; tências através de uma reflexão crítica
siva. Este órgão, em 2009, em par- e) Formação continuada, su- do que é ser docente. Além de passar a
ceria com a Secretaria Estadual pervisão pedagógica e ideia que não estamos desprotegidos e
de Educação, realizou 11 fóruns produção de material pe- abandonados, o governo quer investir
regionais com a realização de pa- na nossa formação, é uma forma de
dagógico realizadas pelos
lestras e oficinas de práticas peda- valorização profissional.., venho de-
Centros de Atendimento senvolvendo um trabalho com mais
gógicas inclusivas, promovendo o Educacional Especializado: segurança e qualidade.”
debate sobre educação em todas CAS1, CAP2, NAAH´S3 e CIES4
as regiões do estado.
f ) Acompanhamento siste-
No âmbito da Secretaria Esta- mático para monitoramen-
dual de Educação, destacamos te e apoio pedagógico, pela Referências
como estratégias de formação na equipe técnica da gerência
área da educação inclusiva: de educação especial aos MANTOAN, Maria Teresa E. O desafio
a) Oferta de cursos presen- professores das salas de re- das diferenças nas escolas. Petrópolis,
ciais e a distância, financia- cursos multifuncionais. RJ:Vozes, 2008.
dos pelo MEC/SEESP/FNDE Essas ações traduzem um ca- RODRIGUES,David. Inclusão e Educação:
b) Articulação com o Fórum minho que ainda estamos tri- Doze olhares sobre a educação inclusiva.
Estadual de Formação Con- lhando para superação do desafio São Paulo, Summus, 2006.

1 Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez


2 Centro de Apoio Pedagógico para as Pessoas com Deficiência Visual
3 Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação
4 Centro Integrado de Educação Especial

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 64-65, jan./jun. 2011 65


Normas para apresentação de artigos

Política editorial Consultivo da Revista que indi- 4 Abstract e Key words: o resumo
cam a aceitação, a recusa ou as em inglês deve ser apresentado
1 A Revista Inclusão publica arti- reformulações necessárias. Em logo após o resumo em portu-
gos cujo foco é a Educação Es- caso de pareceres contrários à guês e seguindo as mesmas nor-
pecial na perspectiva da educa- aceitação, o artigo é analisado mas apontadas anteriormente.
ção inclusiva. pelos editores que definem ou
não a sua publicação com base 5 Texto: os artigos devem estar
2 As colaborações podem ser nas indicações dos pareceres. A organizados em: Introdução,
apresentadas como: revisão da normalização técni- Desenvolvimento e Conclusão,
ca é realizada pelos editores. podendo receber subdivisões.
2.1 Artigos inéditos de caráter
opinativo ou científico, fun- No caso de relatos de pesquisa,
5 Não há remuneração pelos tra- devem ter as seguintes seções:
damentados em pesquisas
balhos. O autor de cada artigo Introdução, Método, Resulta-
e/ou relatos de experiên-
recebe 05 (cinco) exemplares da dos, Discussões e Conclusões
cias;
revista; no caso do artigo assina- (com numeração).
2.2 Resenhas. do por mais de um autor, serão
No caso de resenha de livros e
entregues 5 (cinco) exemplares
3 Os artigos devem ser inéditos teses, o texto deve conter todas
para cada. Os artigos aprovados
(de preferência em português), as informações para a identifi-
são publicados na forma im-
cabendo à revista a exclusivida- cação do trabalho comentado.
pressa e digital acessível.
de da sua publicação. Precisam Os textos, conforme orienta-
atender aos seguintes critérios: ções, deverão ser entregues im-
3.1 Adequação ao escopo da pressos em arquivo de texto em
revista;
Constituição dos artigos papel A4, e em CD em formato
3.2 Qualidade científica, atesta- .docx. O arquivo em formato
1 Identificação: folha de rosto con- .docx será convertido em Livro
da pela Comissão Editorial tendo o título (em português e
e ouvido o Conselho Con- Digital Falado, que é uma repre-
inglês); autor (titulação, institui-
sultivo; sentação acessível e multimídia
ção, departamento, quando for
3.3 Cumprimento das presen- de uma publicação impressa.
o caso), endereço completo e
tes Normas; e-mail (de todos os autores). Obs: O arquivo .docx será utili-
3.4 Após aceitos, os artigos po- zado para geração do formato
dem sofrer alterações não 2 Resumo: deve ser informativo, digital acessível MecDaisy – um
substanciais (reparagrafa- expondo o objetivo, metodo- tipo de texto digital que con-
ções, correções gramaticais logia, resultados e conclusões, siste num sistema de marca-
e adequações estilísticas) quando se tratar de relato de ção que permite a navegação
na etapa de editoração de pesquisa. Deve conter em torno por meio de teclas de atalho
texto. de 250 palavras, não contendo às diferentes partes do texto
parágrafos e nem citações de (capítulos, itens, subitens, pá-
4 Aceitação e revisão dos textos: autores e datas. ginas, parágrafos, linhas, entre
os artigos recebidos são envia- outros); disponibiliza a leitura
dos (com exclusão do nome 3 Palavras-chave: fazer a indicação em áudio, a formatação para
dos autores) a dois pareceris- após o resumo (mínimo de três impressão Braille e a ampliação
tas pertencentes ao Conselho e máximo de cinco palavras).  dos caracteres.

66 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 1-68, jan./jun. 2011


6 Para conversão do artigo em de colunas utilizadas; c) quan- 8.3 Formatação: papel A4 e
formato MEC Daisy, os autores do necessário, usar cabeçalho com páginas numeradas
deverão descrever de maneira e rodapé, que devem ser apre- com, no mínimo, 12 laudas
específica e detalhada os ob- sentados sucintamente; d) de- e, no máximo, 16 laudas
jetos imagéticos utilizados no ve-se minimizar a introdução incluindo as referências (es-
artigo: ilustrações (foto, figura, de elementos de formatação paço um e meio, letra Times
gravura, pintura, entre outros), e cor, pois estas são caracterís- New Roman, tamanho 12,
tabelas (disposição espacial ticas eminentemente visuais, justificado, parágrafos com
de textos e números); dia- limitando a acessibilidade ao 2 cm);
gramas (fluxogramas, grafos, conteúdo expresso; e) quando 8.4 Após ser aprovado para
organograma, entre outros); a tabela tiver uma estrutura publicação, enviar uma
gráficos de base matemática complexa, deve-se converter cópia em papel A4 e outra
(barra, diagrama, circulares, em texto as informações de- em CD (em formato .docx),
função, entre outros); mapas; monstradas nos diferentes ní- nas quais tenham sido pro-
fórmulas (matemática, quími- veis da tabela. videnciadas as eventuais
ca, física); símbolos (logotipo, adaptações exigidas pela
logomarca) e tabelas, gráficos, 7 Citações, notas e referências Comissão Editorial.
(desenhos, mapas e fotogra- (livros, periódicos, artigos de
fias). Essa descrição deverá ser jornal, dissertações e teses, 9 Os artigos devem ser enviados
fidedigna aos objetos apre- meio eletrônico, artigo em jor- para:
sentados, explicitando todas nal científico, trabalho em con- Ministério da Educação
as informações no texto do gresso, etc.): devem obedecer Secretaria de Educação Especial
artigo, de modo a permitir que às normas da ABNT.
Revista Inclusão – Revista da
o leitor tenha compreensão do Educação Especial
assunto tratado. 8 Apresentação de artigos
Esplanada dos Ministérios
A descrição de objetos em ge- 8.1 Os artigos, para serem sub-
Bloco “L” – 6º andar – sala 600
ral deve responder as seguin- metidos à apreciação, de-
vem ser encaminhados à CEP: 70047 – 900 – Brasília – DF
tes questões: a) o quê?, quem?
Comissão Editorial, acom- revistainclusao@mec.gov.br
e onde?, associado ao objetivo
do texto (quando necessário panhados de:
enfatizar como a relação entre a) ofício;
os elementos da imagem se b) duas cópias do texto im-
estabelece); b) a relevância da presso;
imagem em relação ao texto; c) c) CD com artigo em forma-
destaque dos elementos signi- to.docx;
ficativos (que contribuem para
contextualizar o tema central d) carta de cessão dos direi-
abordado). Para a descrição tos autorais, assinada por
específica de tabelas, deve-se todos os autores, segun-
privilegiar uma apresentação do a ordem de autoria
dos dados contidos nelas de (primeiro autor, segundo
modo a garantir significação autor, etc.).
no formato áudio. As regras e) carta de cessão de direi-
básicas a seguir podem ser tos de imagem para pu-
utilizadas como parâmetros blicação de fotos.
gerais: a) as tabelas devem ser 8.2 Quando se tratar de relato
constituídas com linhas e colu- de pesquisa, deve ser en-
nas, sem subdivisões internas; viada uma cópia da autori-
b) deve-se minimizar o número zação do comitê de ética;

Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 1-68, jan./jun. 2011 67


ANEXO 1

Carta modelo:
Venho por meio desta ceder os direitos autorais sobre o artigo (nome do artigo) para a Revista In-
clusão, a ser publicado na forma impressa e eletrônica, mantida pela Secretaria de Educação Especial do
Ministério da Educação. Declaro que o mencionado artigo é inédito, como consta nas normas de publicação
da referida Revista, e não foi publicado nem em outra revista e nem em meio digital, como páginas de Asso-
ciações, sites ou CDs de eventos. 

Assinatura do primeiro autor


Nome completo (sem abreviatura) do primeiro autor 

Assinatura do segundo autor


Nome completo (sem abreviatura) do segundo  autor

ANEXO 2

Autorização
 
Venho por meio desta, AUTORIZAR o uso de fotografias enviadas para fazerem parte do Artigo
_______________________________ para a Revista Inclusão, a ser publicada na forma impressa e eletrôni-
ca, mantida pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação.

Local, data e ano.

Assinatura

68 Inclusão: R. Educ. Esp., Brasília, v.6, n. 1, p. 1-68, jan./jun. 2011


Expediente
Presidência da República
Ministério da Educação
Secretaria Executiva
Secretaria de Educação Especial

Comissão Organizadora
Claudia Pereira Dutra
Martinha Clarete Dutra dos Santos
Misiara Cristina Oliveira
Cleonice Machado de Pellegrini
Marizete Almeida Muller

Conselho Editorial
Nacional:
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Claudio Roberto Baptista – UFRGS
Denise de Souza Fleith – UNB
Dulce Barros de Almeida – UFG
Eduardo José Manzini – UNESP
Marcos José da Silveira Mazzotta – Universidade Mackenzie
Maria Amélia Almeida – UFSCar
Maria Teresa Eglér Mantoan – UNICAMP
Rita Vieira de Figueiredo – UFC
Ronice Müller de Quadros – UFSC
Soraia Napoleão Freitas – UFSM

Internacional:
David Rodrigues – Universidade Técnica de Lisboa, Portugal

Jornalista Responsável
Nunzio Briguglio Filho (007010/SC-MT)

Sistematização
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Revista Inclusão é uma publicação semestral da Secretaria de


Educação Especial do Ministério da Educação.
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CEP: 70047-900 Brasília / DF.
Telefone: 0XX (61) 2022-7635
Cadastro via e-mail: revistainclusao@mec.gov.br
Distribuição gratuita
Tiragem desta edição: 100 mil exemplares

As matérias publicadas podem ser reproduzidas, desde que citada


a fonte. Quando assinadas, indicar o autor. Artigos assinados
expressam as opiniões de seus respectivos autores e, não CIBEC/MEC
necessariamente, as da SEESP, que os edita por julgá-los elementos
de reflexão e debate.
Inclusão: Revista da Educação Especial / Secretaria de Educação
Especial. v. 6, n. 1 (jan/jun) – Brasília: Secretaria de Educação
Indexada em:
Especial, 2011.
Bibliografia Brasileira de Educação (BBE)/Inep
Latindex – Sistema Regional de Información en Linea para Revistas
Cientificas de America Latina, el Caribe, España y Portugal. ISSN 1808-8899

1. Inclusão educacional. 2. Educação especial. I. Brasil.


Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial.
Inclusão
Secretaria de Educação Especial/MEC

R evis t a d a E d uca ç ã o E s p ecia l


V.6 Nº1 JANEIRO/JUNHO 2011 ISSN 1808-8899

Ministério da Educação
Secretaria de Educação Especial
Esplanada dos Ministérios, Bloco L, 6º andar, Sala 600
70047-900 – Brasília/DF – Telefone: 0800 616161
seep@mec.gov.br – www.mec.gov.br/seesp

Formação de ENTREVISTA

Professores Rosângela Machado

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