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ESTRESSE OCUPACIONAL E ENFERMAGEM:


ABORDAGEM EM UNIDADE DE ATENÇÃO A SAÚDE MENTAL

Lucilaine Soares Alves Batista


Graduanda do Curso de Enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais/ Unileste-MG

Helisamara Mota Guedes


Professora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais / Unileste-MG

RESUMO

O objetivo deste estudo é analisar a saúde mental dos profissionais de enfermagem que trabalham com os
portadores de transtornos mentais, e identificar a origem, sinais e sintomas dos estressores nestes
profissionais. A tranqüilidade e satisfação do profissional de enfermagem são importantes porque, entre
outras coisas, oferece ao cliente, portador de distúrbios mentais, uma assistência de qualidade,
aumentando desta forma as chances de recuperação. Qualquer analise que envolva pessoas sempre e
muito complexas, principalmente em relação a suas emoções, alterações físicas e psíquicas. Desta forma
foi aplicado uma metodologia qualitativa, e os dados foram coletados através da entrevista semi-
estruturada. Constituem sujeitos de analise sete profissionais de enfermagem, que equivale a 100% dos
profissionais atuais, que trabalham nas unidades de atenção a saúde mental de Coronel Fabriciano e
Ipatinga, no Estado de Minas Gerais.
Palavras-chave: enfermagem, estresse ocupacional, saúde mental.

ABSTRACT

The objective of this study is to analyze the mental health of the nursing professionals who work with the
carriers of mental upheavals, and to identify the origin, signals and symptoms of the estressores in these
professionals. The tranquillity and satisfaction of the nursing professional are important because, among
others things, offer the customer, carrier of mental riots, a quality assistance, increasing of this form the
recovery possibilities. Any mainly analyzes that it involves very complex people always and, in relation
its emotions, physical and psychic alterations. Of this form a qualitative methodology was applied, and
the data had been collected through the half-structuralized interview. Citizens constitute of analyze seven
professionals of nursing, that is equivalent the 100% of the current professionals, who work in the units of
attention the mental health of Colonel Fabriciano and Ipatinga, in the State of Minas Gerais.

Key-words: nursing, ocupational stress, mental health.

INTRODUÇÃO

Os seres humanos vivem num ambiente propicio a mudanças e alterações que muitas vezes e percebida
como desafiadora, ameaçadora ou lesiva ao equilíbrio dinâmico que acaba ocasionando o estado de
estresse. A adaptação consiste em como a pessoa irá enfrentar o problema, exigindo uma modificação na
estrutura organizacional do mesmo.

O estudo surgiu a partir da necessidade do pesquisador de conhecer quais são os estressores e sua origem
nos profissionais de enfermagem atuantes na área de saúde mental nas cidades de Coronel Fabriciano e
Ipatinga do Estado de Minas Gerais.

O serviço de Saúde Mental atribui aos profissionais de enfermagem e ao seu trabalho características
especiais: o cuidado, o conhecimento, a atenção minuciosa, a compreensão, o medo e o amor pela
profissão. Considera-se que os profissionais de enfermagem são seres humanos, com sentimentos,
emoções e que estão sujeitos a falhas, tanto quando o paciente.
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É importante lembrar que as condições de ambiente de trabalho tais como: espaço físico, ergonomia,
pressão psicológica, falta de equipamentos e medicamentos, atividade ocupacional, podem afetar a
qualidade do atendimento no trabalho. (Guimarães & Grubits, 1999)

Segundo Zakabi (2004) cita na revista Veja que os trabalhadores da área de saúde é uma das profissões
campeãs do stress ocupando o terceiro lugar, ficando atrás somente dos controladores de vôo, motoristas
de ônibus urbano que ocupa o segundo lugar e dos policiais e seguranças privados que está em primeiro
lugar. As provisões da área de saúde em geral sofrem pressões de todos os lados, tanto dos clientes,
pacientes ou subordinados. Aponta ainda que um Instituto especializado estima que o nível de stress na
população brasileira esteja 50% mais elevado que há quarenta anos, sendo muito difícil encontrar uma
pessoa que nunca sentiu sintomas típicos da tensão.

Os sintomas do estresse variam de pessoa para pessoa. Os sintomas físicos podem ser mais evidentes em
alguns, que podem ter reações excessivas ou perda de peso, ter padrões de sono irregular ou desenvolver
problemas de má respiração, em outros, a angustia mental é dominante, causando depressão e
extroversão. Passam a negligenciar a família, não rendem no trabalho ou têm oscilações de humor e
comportamento. (Battison, 1948)

Coleman (1992) afirma que o estresse é um mal que atinge a população em geral, sendo altamente
incapacitante, e interferindo de modo decisivo e intenso na vida pessoal, social, econômica e profissional
do indivíduo, prejudicando a produtividade e a qualidade da assistência. Sendo também uma das maiores
causas do afastamento do trabalho acarretando as empresas e serviços públicos, altos custos.

... durante a vida, o empregado médio perde um ano e meio de


trabalho devido a doenças provocadas pelo estresse [...] pelo menos
três quartos das doenças tratadas pelos médicos são totalmente ou em
grande parte de origem psicossomática (Coleman,1992 , p.9-18).

O estresse ocupacional dos profissionais de enfermagem é um fator importante a ser compreendido, uma
vez que a profissão é caracterizada como estressante em função da intensa carga emocional decorrente da
relação paciente - enfermeiro, e responsabilidades atribuídas a estes profissionais. (Guimarães & Grubits,
1999)

É necessário contemplar os riscos para o adoecimento mental, a fim de preveni-los e minimizar seus
efeitos, criando estratégias. Nesta perspectiva, estão definidos, para este estudo os seguintes objetivos:
Identificar os estressores e sua origem nos profissionais de enfermagem que atuam na área de saúde
mental, através de suas vivências e cotidiano do seu trabalho referentes a situações ameaçadoras e difíceis
de adaptação; Identificar os sinais e sintomas do estresse presentes nestes profissionais; apreender quais
os mecanismos de adaptação dos profissionais de enfermagem ao estresse.

Desta forma será possível trabalhar com a saúde mentaldos profissionais de enfermagem diminuindo sua
exposição aos estressores e otimizar sua assistência. Já que a saúde mental dos profissionais de
enfermagem muitas vezes não é levado em consideração, como veremos a seguir:

“Diante do exposto, chama a atenção que os cuidadores com a saúde


dos enfermeiros, não sejam sequer considerados. Os aspectos
negativos da profissão se repetem em praticamente todas as pesquisas
analisadas e refletem a insensibilidade, o desconhecimento e o
descaso dos administradores.” (Guimarães & Grubits, p. 223)

Para o alcance desses objetivos, está investigação foiconstruída em torno do entendimento que o estresse
ocupacional e a saúde mental desses profissionais de enfermagem, não existem como absolutas, ou
isoladas, mas sim como um conjunto que são influenciadas pelo cotidiano do trabalho e vivências
pessoais. Desta forma a metodologia utilizada foi a analise qualitativa dos dados, através de uma
entrevista semi – estruturada e aplicado um questionários.
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METODOLOGIA

O estudo é de caráter descritivo comparativo utilizando a analise qualitativa dos dados.

“Na pesquisa qualitativa a interpretação dos resultados surge como


totalidade de uma especulação que tem como base a percepção de um
fenômeno num contexto. Por isso, não é vazia mas coerente, lógica e
consistente [...]. A pesquisa qualitativa não segue seqüência rígida a
coleta e a análise de dados não são divisões estanques das
informações, que se recolhem, geralmente, são interpretadas e isto
pode originar a exigência de novas buscas.” (Triviños, 1987. p. 128)

O foco de atenção desta investigação é o profissionalde enfermagem atuante na área de saúde Mental. Os
dados foram coletados no período de 09 há 27 de Abrilde 2005, no Centro de Saúde Mental (CASAM) e
na Clinica Psico Social (CLIPS), localizados respectivamente nas cidades de Coronel Fabriciano e
Ipatinga no Estado de Minas Gerais.

O CASAM e o CLIPS são estruturas da Rede Básica de Saúde, destinadas a atenção da saúde mental da
população. Ambos tem o principio de inclusão e reabilitação social dos portadores de transtornos mentais,
isto é, constitui um dispositivo terapêutico de controle da trajetória clínica de cada paciente, resgatando a
sua historia. Visando um atendimento substitutivo à internação hospitalar. O CLIPS prioriza a atenção a
transtornos psicóticos e neuróticos graves, assim como crises atuais, aguda, em sujeitos portadores de
sofrimento mental já excluídos ou em vias de exclusão social. O CASAM além deste atendimento,
também prioriza a população em geral que procura o Centro, agendando uma consulta para avaliação de
um especialista, trabalhando com a prioridade de portas abertas.

Os funcionários são formados por uma equipe multiprofissional especializada e orientada em saúde
mental, constituído por: Psiquiatras, Psicólogos, Terapeuta Ocupacional, Assistente Social, Enfermeiro,
Técnicos e Auxiliares de Enfermagem. O serviço utiliza como instrumentos de terapia para os pacientes,
oficinas de trabalhos manuais, reuniões em grupo, palestras e cursos.

Este estudo focalizou a equipe de enfermagem dos locais que são formados por sete profissionais, sendo
dois Enfermeiros, três Técnicos de Enfermagem e dois Auxiliares de Enfermagem. A amostra constitui
100% dos profissionais existentes.

A participação desses profissionais foi voluntária, sendo informados, por meio do Termo de
Consentimento a Pesquisa de sua inteira liberdade de conceder ou não as entrevistas solicitadas. Nenhum
deles se recusou a participar da pesquisa. Após consentimento dos mesmos, foi iniciado a coleta dos
discursos dos sujeitos. Eles tiveram seus depoimentos registrados sendo assegurado o sigilo e anonimato
de seus relatos. Este estudo trata-se de um trabalho de conclusão de curso, como ainda a Faculdade não
disponibiliza de um Comitê de Ética procurou-se contemplar as exigências da Resolução 196/96 do
Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta pesquisas envolvendo seres humanos. (Brasil, 1996)

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde em sua Qüinquagésima Nona Reunião Ordinária, realizada
nos dias 09 e 10 de outubro de 1996, no uso de suas competências regimentais e atribuições conferidas
pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, e pela Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, aprova as
diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos.

Esta Resolução incorpora, sob a ótica do indivíduo e das


coletividades, os quatro referenciais básicos da bioética: autonomia,
não maleficência, beneficência e justiça, entre outros, e visa
assegurar os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade
científica, aos sujeitos da pesquisa e ao Estado. (Brasil, 1996)

As instituições autorizaram a realização dessa pesquisa, e também consentiram em citar o nome dos
mesmos no trabalho.
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Para o estudo e avaliação do estresse nos profissionais de enfermagem que trabalham com saúde mental
foi realizada uma entrevista semi-estruturada e aplicado um questionário. Está pesquisa utiliza a
entrevista semi-estruturada, como principal instrumento de pesquisa e análise, por entender que a mesma
possibilita uma investigação mais ampla do tema, “valoriza a presença do investigador, oferece todas as
perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e a espontaneidade necessária” (
Triviños, 1987, p.146). As questões foram elaboradas para buscar através das falas e expressões
compreender as vivências de enfermagem e portadores de transtornos mentais, assim como as situações
conflitantes e a ação/reação dos mesmos, levandoem consideração os objetivos do trabalho.

O questionário é de avaliação do grau de estresse no trabalho, desenvolvido com exclusividade para a


revista Isto é pela psicóloga Ana Maria Rossi, presidente do “Internacional Stress Management
Association “ no Brasil, que avalia as reações diante dos diversos fatores de risco relacionados com o
estresse profissional. O resultado indica se o indivíduo apresenta tendênciaou se já manifesta o problema,
o resultado e avaliado conforme a pontuação das respostas. O questionário, que coloquialmente
conhecemos por testes rápidos de revistas, está presente em Tarantino (2002, p. 51), sendo de auto-
resposta e possui 25 perguntas que norteiam as questões referentes aos recursos materiais, equipe de
trabalho e sintomas do estresse. Este questionário foi aplicado somente como validação dos dados
coletados na entrevista, sendo assim um complemento do estudo.

Nesta perspectiva, as questões que foram elaboradas e aplicadas aos profissionais de enfermagem para
este estudo, são as seguintes: Como é para você lidar com os portadores de sofrimento mental? Você já
passou por alguma situação de conflito com os pacientes, e como você enfrentou a situação? Você
considera trabalhar nesta área estressante, quais os eventos no trabalho que lhe causam transtornos, e qual
a repercussão disto na sua saúde física e emocional?

As entrevistas foram gravadas com aquiescência dos participantes, assegurando-lhes o sigilo e o


anonimato, somente uma participante que optou em responder por escrito as perguntas. Para tal, utilizou-
se da letra K e os entrevistados foram enumerados seqüencialmente, conforme a ordem da coleta dos
dados. As falas foram transcritas na integra e, depois repetidas leituras de significado foram analisadas, e
assinaladas as expressões que evidenciaram fontes, sintomas e vivências de estresse.

ANÁLISE DOS DADOS

As representações dos profissionais de enfermagem sobre seu trabalho e sobre a relação desse trabalho
com o estresse, evidenciam um conjunto de significados e significações que retratam as concepções sobre
si mesmos, em determinada realidade organizacional. (Guimarães & Grubits, 1999)

Essas representações convergem para um conjunto de idéias elaboradas a partir da relação estabelecidas
por esses profissionais com seu espaço de trabalho, referindo-se a adaptação, medos, ansiedades e
expectativas, estando associadas às alterações psicofisiológicas e relação no trabalho.

As representações advindas das entrevistas do presente estudo constituíram três dimensões, relacionadas
aos objetivos da pesquisa, sendo elas, “I. Percepção do trabalho de enfermagem”, “II. Os fatores de
estresse nos profissionais de enfermagem” e “III. Repercussão do estresse sobre a saúde dos profissionais
focando os mecanismos de adaptação ao mesmo”. Discorreremos a seguir cada uma das categorias.

Percepção do trabalho de enfermagem.

Neste sentido há uma satisfação pessoal, de reconhecimento por aquilo que se está fazendo e uma força
maior da pessoa para suportar as adversidades. Está abordagem faz com que o trabalho seja de fato um
gerador de prazer, pois deixa de ser uma obrigação para ser algo que dá sentido a vida. “Este é o sentido
espiritual do trabalho, que resulta em uma visão construtiva e otimista do trabalho” (Boog, 2005). Esta
visão pode ser ilustrada nos fragmentos a seguir apresentados:
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-“ Pra mim trabalhar com saúde mental é um prazer, eu sempre


gostei de psiquiatria, deste a época de estudante eu já queria
trabalhar com essa área e agora realmente me sinto realizado
trabalhando”. ( K 1)

-“Eu não tenho problema em lidar com eles não, gosto muito [...] me
dou bem com eles graças a Deus. Procuro dá sempre lendo pra dá
ajudando nisso ai “. ( K 6)

Por meio das falas destes trechos, verifica-se que os trabalhadores de enfermagem que atuam na saúde
mental, gostam desta área e se sentem realizados e satisfeitos. E possível perceber em outras falas que o
aprendizado com o paciente é continuo.

-“...a gente tá aprendendo muita coisa com isso gostando muito né,
passando muita coisa diferente, aprendendo muito com eles também.”
(K 2)

- “... Primeira vez que trabalho nesta área, está sendo diferente,
nunca trabalhei antes, estou gostando muito, e aprendendo a lidar
com os pacientes. “ (K 3)

Podemos assim afirmar que “o pensamento é: as atividades, seja um emprego, uma terceirização ou uma
prestação de serviços, são o cenário ideal para o crescimento e a aprendizagem”. (Boog, 2005)

Fatores de estresse nos profissionais de Enfermagem.

“O estress não é doença, e sim, uma reação instintiva ao perigo real ou imaginário ou a uma situação de
desafio” (Zakabi , 2004). A relação paciente e enfermagem com o estresse emocional é esclarecida
através do componente psicológico citado por Holmes (1997), de resposta ao estresse que envolve
emoções como ansiedade e tensão. E em decorrência da natureza desagradável destas emoções somos
motivados a reduzi-las. Esta teoria pode se ilustrada nos fragmentos a seguir apresentados:

- “No trabalho, um paciente com outro, e um queria agredir o outro,


no primeiro momento tive medo, mas depois conversamos com calma
e enfrentamos e eles acalmaram”. (K 3)

- “Pessoas que se dizem normais você sempre espera que elas vão ter
um comportamento de todo mundo, que é normal né, estas pessoas
você nunca vai saber, as vezes eles entram no serviço, você pensa que
pela fisionomia está tudo bem, derrepente...” (K6 )

Como descreve o médico Paul Rosch presidente do the American Institute of Stress citado por Gomes &
Pastore, (1998, p.72) que o estresse é “uma conseqüência inevitável da vida, e não ter estress é estar
morto”, foi observado nas falas que a causa de estresse mais comum presente nos profissionais de
enfermagem em estudo é o medo do desconhecido, pois os portadores de transtornos mentais são
imprevisíveis em suas ações e reações, uma vez que a própria doença proporciona pensamentos
desconexos, delírios, alucinações, isolamento social, volição e ausência de contato com a realidade,
outros fatores citados é a agressividade, erotismo e desejo sexual de certos pacientes que também gera
medo nos funcionários. Foi destacado em uma fala que os portadores de transtornos mentais são
excluídos pela sociedade e tratados como loucos, e isto causa uma certa ânsia em uma participante, outro
participante já cita o estresse causado pelos familiares dos pacientes.

Outro fator importante que foi identificado nas falas é a ansiedade ligada à recuperação do paciente e o
vinculo criado com eles:

-“Sim, eu acho estressante porquê, primeiro o trabalho nosso é um


pouco limitado, não são todos os problemas de saúde mental que a
gente consegue solucionar, ou seja, não são todas a necessidades dos
portadores de saúde mental a gente consegue solucionar, e algo deixa
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às vezes estressado, porque a gente vai pela ânsia de querer ajudar é


a gente cria um vinculo mesmo com os pacientes e isto torna o
trabalho estressante... às vezes uma doença incurável e isso a gente
naquela vontade de querer ajudar que ele saia dessa crise, acaba
estressando a gente” (K 1)

A ansiedade é uma sensação ou sentimento decorrente da excessiva excitação do Sistema Nervoso


Central conseqüente à interpretação de uma situação de perigo. Parente próximo do medo é distinguida
dele pelo fato de ao medo ter um fator desencadeante real ou palpável enquanto a ansiedade o fator de
estimulo teria características psicológicas mais subjetivas. A ansiedade é o grande sintoma de
características psicológicas que mostra a intersecção entre físicoe psíquico. (QUE É A ANSIEDADE,
2005)

Observa-se que a situação de trabalho sustenta sentimentos muito fortes na equipe de enfermagem e
pacientes: piedade, paixão e amor (Guimarães & Grubits, 1999).

A convivência do funcionário com os pacientes, muitas vezes é constante e acaba criando um vinculo
fonte entre ambos. Por um lado é positivo, pois o funcionário se dedica com uma maior intensidade em
busca da melhora do quadro do paciente, porém existe o lado negativo que após uma crise ou recaída do
paciente o funcionário se sente inútil e ansioso, como se todo aquele esforço fosse em vão.

Os fatores ambientais que inclui falta de equipamentos, estrutura e recursos humanos são fontes
causadoras de estresse (Guimarães & Grubits, 1999). As falas a seguir descrevem está afirmativa:

-“Falta de funcionário, a única coisa que me estressa tá, porque no


mais gosto muito do que faço, gosto do trabalho e faço com muito
amor, porque eu amo mesmo. Igual eu estou aqui sozinha de ferias a
parte da manhã é tudo, e de manhã vem todo mundo, então o estresse
da gente e a falta de profissional, de ajuda mesmo, porque você
trabalhar sozinho, então é só isso.” (K 4)

-“... mas é a falta de equipamentos mesmo, o carro sabe, médico,


profissional adequado para o serviço e o acumulo das atividades,
igual eu do mais de anos sozinha, sempre cobrando alguém pra me
ajudar e..., acumulo de tarefas porque atender recepção, às vezes dá
conta da oficina também entendeu, mas situação de estresse desse
tipo...” (K 5)

Repercussão do estresse sobre a saúde dos profissionais e mecanismos de adaptação.

Zakabi (2004) comenta que em uma pesquisa realizada no Brasil por um instituto especializado comprova
que é foi muito difícil encontrar um brasileiro quenunca sentiu pelo menos uma vez na vida sintomas
típicos do estresse.

As falas abaixo, afirmam que os profissionais de enfermagem já tiveram alguns sintomas de estresse no
trabalho:

-“... ansiedade sim, fico muito ansioso, fico ansioso principalmente


vai chegando assim sexta-feira a tarde, é às vezes dá uma sensação de
isolamento também, umas coisas assim. Ai eu procuro final de semana
distrair o máximo né? Sair, acampar, sair com os amigos, passear,
viajar, pra poder na Segunda voltar com o gás todo né?.” ( K 1)

- “Eu sou muito ansiosa neste sentido, então, tanto que sou uma
pessoa aqui no trabalho, eu nunca tenho 30 dias de ferias direto,
quando acho que estou no meu limite eu tiro dez, quinze dias e fico em
casa, eu dou uma controlada nisso “. ( K 6)
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A dor de cabeça é identificada em uma das falas dos participantes, sendo um sintoma típico do estresse.
“A dor de cabeça atinge 90% das pessoas em maior ou menor grau” (Pastore, 2003, p.83). O mesmo
autor afirma que quase ninguém escapa deste tormento, sendo que nove em cada dez pessoas já passaram
por esse sofrimento, às vezes pode doer pouco, doer de vez em quando, mas em algum momento a cabeça
dói. A dor de cabeça primária ocasionada por um dia de muito estresse é conhecida como dor de cabeça
tensional episódica, que é facilmente tolerável e controlada por um analgésico, mas se constante pode se
tornar crônica.

O provérbio “é melhor prevenir do que remediar” encerra uma sabedoria popular na medida em que
realizar ações preventivas significa, em outras palavras, antecipar-se de maneira a evitar danos e males
que de certa forma trariam prejuízos aoindivíduo. (Guimarães & Grubits, 1999)

Nesta visão, a organização do trabalho desencadeia, portanto, estressores aos profissionais, que
desenvolvem mecanismos de adaptação. Todos os funcionários relatam que recuperam sua energia em
casa, pois conseguem relaxar com a família e amigos, um funcionário prefere solicitar ferias quando se
sente sobrecarregado. Outros já afirmam que não repercute na sua vida pessoal. Apenas uma participante
que relatou cefaléia, mas nada incapacitante. Pode-se perceber que o enfrentando do estresse dos
profissionais de enfermagem tem resposta positivas na sua vida pessoal e profissional.

O questionário de avaliação de estresse no trabalho, elaborado pela psicóloga Ana Maria Rossi,
presidente do “Internacional Stress Management Association” no Brasil, (ANEXO C) que avalia as
reações diante dos diversos fatores de risco relacionados com o estresse profissional, e foi aplicado como
complemento da análise, ou seja, validação dos dados. O resultado indica se o indivíduo não apresenta
tendência, se apresenta tendência ou se já manifesta o problema, o resultado é avaliado conforme a
pontuação das respostas. O questionário de auto-resposta possui 25 perguntas de múltipla escolha. O
resultado e representado pelas luzes verde, amarela e vermelha. A luz verde é ate 30 pontos e indica boa
administração às pressões e limites das atividades profissionais, a luz amarela é de 30 até 55 pontos e
indica sinal de alerta, a luz vermelha é de 55 pontos acima e indica que o indivíduo está estressado.

Figura 1: Resultado de Estresse no Trabalho

Fonte: Profissionais de Enfermagem. 2005

Conforme a FIG. 1, pode-se perceber que 71% dos participantes possuem o resultado de luz verde, isto é,
de normalidade, conforme resultado proposto pelo próprio teste. Somente 28%, ou seja, somente duas
pessoas apresentam o resultado luz amarela, com a soma dos resultados de 36 e 32 pontos, que indica
sinal de alerta. Nenhum dos participantes apresentou luz vermelha que indica perigo em relação ao
estresse.

Entre as respostas marcadas pelos participantes algumas questões foram identificadas como indicadores
do estresse por se encaixarem em seu cotidiano. Foi assinalado que: “os equipamentos tecnológicos no
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trabalho não são atualizados”; “não consigo concluir tarefas por falta de recursos financeiros”; “não
tenho recursos materiais para fazer meu trabalho” e “sinto-me constantemente cansado”.

Esses resultados confirmam as falas dos participantes, que indicam a falta de materiais e equipamentos
como problemas presentes na sua realidade de trabalho, gerando estresse nos mesmos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo demonstra que o nível de estresse dos profissionais de saúde do Centro de Saúde Mental é
normal a baixo, apesar dos profissionais trabalharem com pessoas portadoras de distúrbios mentais, elas
conseguem manter o equilíbrio e adaptarem-se ao ambiente de trabalho. Os profissionais de enfermagem
do Centro de Saúde Mental sempre são instruídas pelapsicóloga da unidade, que trabalha muito com a
educação. Isto é um fator positivo para diminuir o nível de estresse, pois sempre estão se atualizando,
além de prestar uma assistência de qualidade.

O estressores, na realidade, existem mais de forma compreendida pelos profissionais que são
conseqüências das patologias que eles acompanham, e apesar de seus esforços, às vezes não é possível
mudar o estado de saúde mental dos pacientes. Foi possível observar que os profissionais de enfermagem
vêem o trabalho com amor, carinho, dedicação e se sentem realizados profissionalmente e pessoalmente,
e que o trabalho em si traz mais gratificações do que reprovações.

Como a área de psiquiatria é muito complexa, e as crises e transtornos dos pacientes mantêm–se
constantes em um ambiente como este, isto acaba desencadeando angústias nos trabalhadores. O
comportamento inexplicável dos pacientes, as ações agressivas e pensamentos sem conexão com a
realidade são geradores de medo nos funcionários e causam estresse nos mesmos. Outro fator significante
e a falta de recursos materiais e recursos humanos, que muitas vezes sobrecarregam os funcionários.

Os mecanismos de adaptação ao estresse pelos profissionais de enfermagem são individuais, conforme a


necessidade de cada um. O final de semana é usado para repor as energias pessoais, através do convívio
com a família, descansar, passeio com os amigos e férias são os mecanismos identificados para relaxar e
enfrentar os problemas dos dias de trabalho.

Fica como proposta para amenizar os estressores e otimizar a assistência da equipe de enfermagem uma
maior oferta de profissionais e equipamentos para atender a demanda, cursos de capacitação profissional
na área de saúde mental, programas de relaxamento durante o horário de trabalho e principalmente
programas de integração social não só para os portadores de transtornos mentais, mais também para a
comunidade em geral.

Acredita-se, portanto, que para preservar a saúde, é necessário que o funcionário esteja inserido, não só
no universo de seu trabalho, mais também no mundo exterior que o beneficia interiormente, visto que este
conjunto complementa-se para que ele permaneça em equilíbrio e obtenhaa satisfação no seu cotidiano.

A cura do estresse só começa quando reconhece que as pressões na vida individual atingiram um ponto tal
que estão causando problemas. Por isso é extremamente importante identificar a fonte dessas pressões e
compreender a diferença entre estresse construtivo e estresse destrutivo.

Fica patente a necessidade de um número maior de pesquisas sobre o estresse ocupacional nos
profissionais de enfermagem que dedicam atenção à saúde da população, que poderão contribuir ainda
mais na compreensão da dinâmica do trabalho e na elaboração de condutas que promovam à saúde destes
profissionais, propondo ações que minimizem ainda mais os impactos do estresse ocupacional. Espera-se
que esta pesquisa possa fornecer subsídios para a prevenção do estresse, abordando a concepção
psicológica dos profissionais de enfermagem, juntamente com outras pesquisas já existentes.
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