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LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE PARA CONCURSOS

| – Prof. Ayres Barros


072/EP

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220 1
CURSO PRIME PARANGABA – Av. Augusto dos Anjos, 1915 (Instalações do Colégio Jim Wilson)
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CONCURSO: POLÍCIA CIVIL – INSPETOR E ESCRIVÃO

ASSUNTO: LEIS COMENTADAS – ESTATUTO DO DESARMAMENTO

ESTATUTO DO DESARMAMENTO

LEI N° 10.826, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2003.


Dispõe sobre o Estatuto do desarmamento.

CAPÍTULO IV
DOS CRIMES E DAS PENAS -

GENERALIDADES
1. INTRODUÇÃO - A Lei N. 10.826/03 pune diversas condutas, como a posse e o porte de arma de fogo sem autorização ou
em desacordo com a legislação, o comércio, o tráfico e o disparo. Com a punição para essas condutas, quer o legislador
evitar que as mesmas citadas acima não evoluam para crimes mais graves. Ora, se alguém porta uma arma de fogo sem
observar as formalidades legais, bem intencionado não está. Desse modo, o Estatuto do Desarmamento pune o perigo
antes que evolua para um efetivo dano, como, por exemplo, crime de homicídio, roubo e sequestro.

2. OBJETO JURÍDICO - O Estatuto do Desarmamento (Lei N. 10.826/03) protege diversos bens jurídicos, tendo como o
principal a incolumidade Pública (incolumidade significa livre de perigo; são e salvo), ou seja, preservação da segurança
pública.
STF - De acordo com o STF, “o objeto jurídico tutelado não é a incolumidade física, mas a segurança pública e a paz
social (...).” (HC 104.206/RS, 1.ª Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 26/08/2010).

Informativo 570 do STJ - Conforme o texto retirado o Informativo 570 do STJ, o “bem jurídico denominado
incolumidade pública que, segundo a doutrina, compreende o complexo de bens e interesses relativos à vida, à
integridade corpórea e à saúde de todos e de cada um dos indivíduos que compõem a sociedade.”

3. OBJETO MATERIAL - é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta criminosa. Nesse caso são objetos materiais: Arma
de Fogo, Acessório, Munição, Explosivo e Incendiário. O Estatuto não traz o conceito desses objetos materiais, sendo
necessário recorrer a outra norma para conceituar, no caso o Decreto 3.665 de 2000 e o Decreto 5.123/2004. Portanto
trata-se uma norma penal em branco heterogênea.
 Norma penal em branco - é aquela que há a necessidade de uma outra norma para conceituar o preceito primário
do artigo ou seu objeto material.
 Normal penal em branco heterogênea - O complemento da norma penal é oriundo de fonte legislativa diversa
daquela que editou a norma que precisa de complemento.
Exemplo - Estatuto do desarmamento cita arma de fogo. A definição de arma de fogo está em outra fonte
legislativa, o decreto 5.123/04.

4. CLASSIFICAÇÃO-
CRIME DE DANO E DE PERIGO ABSTRATO -
 CRIME DE PERIGO ABSTRATO - No crime de perigo abstrato, o perigo de lesão ao bem jurídico é presumido, ou seja,
dispensa a necessidade de prova. Desta forma, com a simples conduta do agente, o crime estará configurado, gerando
uma situação de perigo ao bem jurídico.
Exemplo - os crimes da Lei 10.826/03, arts. 12, art. 14, Art. 16.
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 CRIME DE MERA CONDUTA - Os crimes da Lei 10.826 de 2003 são crimes de mera conduta. Uma vez praticada a conduta
descrita no tipo penal, estará consumado o crime.
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL -

“O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é de mera conduta e de perigo abstrato, ou seja, consuma-se
independentemente da ocorrência de efetivo prejuízo para a sociedade, e a probabilidade de vir a ocorrer algum dano é
presumida pelo tipo penal. Além disso, o objeto jurídico tutelado não é a incolumidade física, mas a segurança pública e a
paz social, sendo irrelevante o fato de estar a arma de fogo municiada ou não.” (HC 104.206/RS, 1.ª Turma, Rel. Min.
Cármen Lúcia, DJe de 26/08/2010

 TIPO PENAL PREVENTIVO -


Informativo 493 do STJ - 2012 - “Segundo se observou, a lei antecipa a punição para o ato de portar arma de fogo; é,
portanto, um tipo penal preventivo, que busca minimizar o risco de comportamentos que vêm produzindo efeitos
danosos à sociedade, na tentativa de garantir aos cidadãos o exercício do direito à segurança e à própria vida. Conclui-se,
assim, ser irrelevante aferir a eficácia da arma para a configuração do tipo penal, que é misto-alternativo, em que se
consubstanciam, justamente, as condutas que o legislador entendeu por bem prevenir, seja ela o simples porte de
munição ou mesmo o porte de arma desmuniciada.” HC 211.823- SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
22/3/2012.

5. CONCEITOS -
 Arma branca - Tudo aquilo que não for arma de fogo, será arma branca por, ou seja, o conceito se dará por exclusão. O
estatuto do desarmamento não prevê as armas brancas.
 porte ostensivo de arma branca - O porte ostensivo de arma branca, em local público, configura contravenção penal,
conforme o artigo 19 do Decreto-Lei nº 3.688/41.
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA -

AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PORTE DE ARMA BRANCA. ALEGADA ATIPICIDADE.
ART. 19 DA LEI DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS. LEI 9.437/1997. REVOGAÇÃO APENAS NO QUE SE REFERE AO PORTE DE
ARMA DE FOGO. SUBSISTÊNCIA DA CONTRAVENÇÃO QUANTO AO PORTE DE ARMA BRANCA. RECURSO DESPROVIDO. A
Lei 9.437/1997, ao instituir o Sistema Nacional de Armas e tipificar o crime de porte não autorizado de armas de
fogo, não revogou o art. 19 da Lei das Contravenções Penais, de forma que subsiste a contravenção penal em relação
ao porte de arma branca. Precedentes. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no RHC 26.829/MG, Rel. Ministra
MARILZA MAYNARD (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/SE), SEXTA TURMA, julgado em 08/05/2014, extraído do
sitewww.stj.jus.br).

REGISTRO DA ARMA DE FOGO, ACESSÓRIO OU MUNIÇÃO -


USO PERMITIDO -
 REGISTRO - O Registro será emitido pela Polícia Federal, com prévia autorização do SINARM. O Registro autoriza o
proprietário a possuir sua arma exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses, ou,
ainda, no seu local de trabalho, conforme previsto na Lei 10.826/03. Vejamos:
Art. 5° O certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em todo o território nacional, autoriza o seu
proprietário a manter a arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência
desses, ou, ainda, no seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo
estabelecimento ou empresa. (Redação dada pela Lei nº 10.884, de 2004)
§ 1° O certificado de registro de arma de fogo será expedido pela Polícia Federal e será precedido de autorização
do Sinarm.

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 PORTE - Como regra, o porte de arma de fogo é vedado em todo território nacional, com ressalvas previstas no art. 6° do
Estatuto do Desarmamento. A própria lei traz, em seu art. 6°, um rol de pessoas autorizadas a portar arma de fogo.

O porte é emitido pela Polícia Federal e somente será concedida após autorização do Sinarm, conforme previsto no
art. 10 do Estatuto do Desarmamento. Vejamos:

DOS CRIMES PROPRIAMENTE DITOS -


POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO (art. 12) - A lei 10.826/03 traz o seguinte texto -
Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de
trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa: Pena – detenção, de 1 (um) a 3
(três) anos, e multa.

6. CARACTERÍSTICAS DO CRIME -
 Sujeito Ativo - “Arma dentro da Residência” - é aquele que pratica o núcleo do tipo previsto no artigo. Dentro da
residência, é crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa, não exigindo qualidade especial.
 Sujeito Ativo - “Local de trabalho” - é crime próprio, exigindo qualidade especial de titular ou responsável legal.
 Sujeito Passivo - coletividade, sujeito passivo indeterminado. Obs. Crime vago - O crime vago é aquele que tem
como sujeito passivo uma entidade sem personalidade, que não possui sujeito passivo determinado.

6.1. LOCAL DO CRIME -


 INTERIOR DA SUA RESIDÊNCIA - O crime se consuma quando o sujeito ativo possui ou mantém a posse da arma de
uso permitido no interior de sua residência, ou seja, intra-muros.
 LOCAL DE TRABALHO - O crime em análise também se configura se for praticado no local de trabalho. Local de
trabalho é aquele onde ele exerce seu ofício, como médico no seu consultório, advogado no seu escritório ou
comerciante no seu comércio.
 TRANSPORTE DE ARMAS EM VEÍCULOS - MOTORISTA DE TÁXI e CAMINHÕES - PORTE ILEGAL -

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA -

1. (...)

3. No mais, melhor sorte não assiste ao agravante, visto que não é possível desclassificar o crime de porte ilegal para o
delito definido no artigo 12 do Estatuto do Desarmamento, conforme pretende a Defesa.

4. Dispõe o art. 12 da Lei n. 10.826/03 que somente caracteriza o delito de posse quando o artefato se encontrar "no
interior da residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável
legal do estabelecimento ou empresa".

5. Ora, conquanto o recorrente seja motorista de táxi e o utilize para sua atividade laboral, este não pode ser
considerado como a extensão do local de trabalho.

6. A adoção de tal entendimento ocasionaria a indevida ampliação do art. 12 do Estatuto do Desarmamento, permitindo a
qualquer profissional o livre transporte de arma de fogo em diversos locais, sob o argumento de que o veículo conduzido
consistiria em extensão do local de trabalho. (STJ, SEXTA TURMA; Julgado em 20.05.2013; Relator Ministro OG
FERNANDES)

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SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - SEXTA TURMA - APREENSÃO DE ARMA EM CAMINHÃO. TIPIFICAÇÃO.

O veículo utilizado profissionalmente não pode ser considerado local de trabalho para tipificar a conduta como posse de
arma de fogo de uso permitido (art. 12 da Lei n. 10.826/2003). [...] O Min. Relator registrou que a expressão local de
trabalho contida no art. 12 indica um lugar determinado, não móvel, conhecido, sem alteração de endereço. Dessa
forma, a referida expressão não pode abranger todo e qualquer espaço por onde o caminhão transitar, pois tal
circunstância está sim no âmbito da conduta prevista como porte de arma de fogo. Precedente citado: HC 116.052-MG,
DJe 9/12/2008. REsp 1.219.901-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 24/4/2012.

 POSSE (ART. 12) DE MUNIÇÃO SEM ARMA DE FOGO –


Em setembro de 2017, o STF aplicou o princípio a insignificância a um caso, onde o sujeito ativo possuía, em sua
residência, apenas uma munição de calibre 38.

Segundo a Defensoria estadual, a mera posse de uma munição isolada, apreendida dentro da residência de S.L.D., sem a
arma de fogo, atrairia o reconhecimento da atipicidade da conduta tida como delituosa, em consonância com os princípios
da insignificância, proporcionalidade e razoabilidade.

Assim, o STF decidiu que a tipicidade material pode ser afastada na posse de munição se, no caso concreto, a conduta não
se revela perigosa, como no caso da posse, na própria residência do agente, de um projétil desacompanhado de arma de
fogo

Em seu voto, o ministro Lewandowski reconhece que se trata de conduta formalmente típica, mas que, a seu ver, não se
mostra típica em sua dimensão material.

“Não é possível vislumbrar, nas circunstâncias, situação que exponha o corpo social a perigo, uma vez que a única munição
apreendida, guardada na residência do acusado e desacompanhada de arma de fogo, por si só, é incapaz de provocar
qualquer lesão à incolumidade pública” (RHC 143.449/MS, j. 26/09/2017).

 STF - ARMA DE FOGO. REGISTRO VENCIDO -


“Habeas corpus. Penal. Crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art. 12 da Lei nº 10.826/03). Atipicidade
da conduta. Pretendido reconhecimento da existência de mera infração administrativa. (...) Arma de fogo. Registro
vencido. Apreensão no domicílio do paciente. Agente que, em tese, possuía arma de fogo em desacordo com determinação
legal ou regulamentar. Caso que se reveste de peculiaridades que tornam atípica a conduta do paciente (...) Dolo ausente.
Não conhecimento da impetração. Concessão da ordem, de ofício, para determinar o trancamento da ação penal. 05/2016 -
(HC 133468 / MG - 24)

 STJ - ATIPICIDADE DA CONDUTA DE POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO COM REGISTRO VENCIDO -
Não configura o crime de posse ilegal de arma de fogo (art. 12 da lei nº 10.826/2003) a conduta do agente que
mantém sob guarda, no interior de sua residência, arma de fogo de uso permitido com registro vencido. (...) Se o
agente já procedeu ao registro da arma, a expiração do prazo é mera irregularidade administrativa que autoriza a
apreensão do artefato e aplicação de multa. A conduta, no entanto, não caracteriza ilícito penal.
(STJ. 5ªTurma. HC 294.078/SP, Rei. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/08/2014.)
 STJ - Posse e porte ilegal de armas de fogo e munições de uso permitido. Ausência de certificado federal. Delegado
de Polícia Civil. Irrelevância. Conduta Típica.
É típica e antijurídica a conduta de policial civil que, mesmo autorizado a portar ou possuir arma de fogo, não
observa as imposições legais previstas no Estatuto do Desarmamento, que impõem registro das armas no órgão
competente. (...)
A mens legis do denominado Estatuto do Desarmamento foi proteger a incolumidade pública, por meio de tipos penais
e de outros dispositivos destinados ao maior controle de armas de fogo pelo governo. Nesse cenário, foi instituído o

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Sistema Nacional de Armas (SINARM), órgão competente para, entre outras atividades, identificar as características e a
propriedade de armas de fogo. (...)
Afasta-se, ainda, a alegação de que a condição de Delegado de Polícia autorizaria a posse e o porte das armas, pois essa
autorização deve ser complementada com a necessidade do cumprimento das formalidades legais previstas na Lei n.
10.826/2003. Por fim, não é possível a aplicação, à hipótese concreta, do princípio da adequação social, formulado por
Hans Welzel, vetor geral de hermenêutica, segundo o qual, dada a natureza subsidiária e fragmentária do direito penal,
não se pode reputar como criminosa uma ação ou omissão aceita ou tolerada pela sociedade, ainda que formalmente
subsumida a um tipo legal incriminador. (RHC 70.141-RJ, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, por unanimidade, julgado em
7/2/2017, DJe 16/2/2017.)

7. OMISSÃO DE CAUTELA – (Art. 13, CAPUT) - A lei 10.826/03 traz o seguinte texto -
Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de
deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade:
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.

CARACTERÍSTICAS DO CRIME -
 Sujeito Passivo – O sujeito passivo é próprio, uma vez que só poderá ser sujeito passivo desse crime o menor de 18
anos ou portador de deficiência mental. Ressalta-se que o dispositivo só citou o portador de deficiência mental, não
fazendo referência ao portador de deficiência física.
 Consumação – Apoderamento da arma por parte do sujeito passivo – O crime se consuma quando o sujeito ativo
deixa de observar as cautelas necessária e ocorre o apoderamento por parte do sujeito passivo. Dessa forma, não
basta que o agente deixe de tomar as cautelas necessárias, é necessário que o sujeito passivo se apodere do objeto
material (arma de fogo).
 Elemento Subjetivo – Crime Culposo –
 Entregar dolosamente arma de fogo - Se o proprietário ou possuidor da arma de fogo entregar, dolosamente, a
arma de fogo, responderá pelo crime de Porte de arma de fogo de uso permitido (art. 14) ou Porte de arma de fogo
de uso restrito (art. 16), conforme o caso. Vejamos:
Art. 14 – Portar (...) fornecer, (...) ceder... arma de fogo (...) de uso permitido.
Art. 16 – Portar (...) fornecer, (...) ceder... arma de fogo (...) de uso permitido.
 Tentativa – Como se trata de crime culposo, não admite a tentativa.

8. CONDUTA EQUIPARADA À OMISSÃO DE CAUTELA – (Art. 13, parágrafo único) - A lei 10.826/03 traz o seguinte texto -
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança e transporte
de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras
formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro)
horas depois de ocorrido o fato.

8.1. CARACTERÍSTICAS DO CRIME -


 Sujeito Ativo – Como o crime só poderá ser pratica por proprietário ou diretor responsável pela empresa de
segurança e transporte de valores, é crime próprio.
 Sujeito Passivo - é a Coletividade.
 Objeto Jurídico Protegido – O bem jurídico protegido é a incolumidade pública; bem como a veracidade do cadastro
de arma de fogo perante ao Sinarm.
 Objeto Material – é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta.

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 Consumação – Trata-se de um crime a prazo, uma vez que o crime só irá se consumar depois de decorridos 24 horas
da ocorrência do fato.
 Momento do início da contagem - De acordo com a doutrina majoritária, a contagem do prazo de 24 horas começa
a iniciar a partir do momento que o sujeito ativo toma conhecimento do ilícito, apesar de a literalidade do artigo
trazer que é a partir da ocorrência do fato. Caso contrário, estaria configurada a responsabilidade objetiva.
 Crime Omissivo Próprio ou Puro – é classificado com crime omissivo próprio ou puro, uma vez que o artigo traz uma
conduta negativa, o não agir, que se consuma com a mera omissão.
 Tentativa – Como se trata de crime omissivo próprio ou puro, não admite a tentativa.

9. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO – (ART. 14) - A lei 10.826/03 traz o seguinte texto –
Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente,
emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem
autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

9.1. CARACTERÍSTICAS DO CRIME –


 Sujeito Ativo – é crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa, não exigindo qualidade especial.
 Sujeito Ativo – Coletividade.
 Objeto Material – é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta criminosa. Nesse caso são objetos materiais: Arma de
fogo, Acessório, Munição. Esses já foram conceituados acima.
 Objeto Jurídico – Incolumidade Pública; Segurança pública.
 TIPO MISTO ALTERNATIVO – O caput do art. 14 prevê 13 condutas criminosas que, se praticadas pelo sujeito, incorrerá
nesse crime. Temos, portanto, um tipo penal misto alternativo. Dessa forma, em obediência ao princípio da
alternatividade, se no mesmo contexto fático, tratando-se do mesmo objetivo material, o sujeito praticar várias
condutas previstas, incorrerá em um único crime. Nesse caso, não há que se falarem concurso de crimes.
EXEMPLO – “Alfa” empresta um revolver a “Bravo”; adquire uma pistola de “Charlie” e vende munição para “Delta”.
Nesse caso, não há se falar em um único crime, pois são contextos fáticos diferentes e objetos materiais distintos. O
sujeito deverá responder por cada crime de forma isolada, em concurso material, formal, ou, se presente os requisitos,
em crime continuado.
Obs. O “tipo misto alternativo” é também chamado de plurinucleares, crime de ação múltipla ou de conteúdo variado.

9.2. ARMA DE FOGO QUEBRADA – INFORMATIVO 570 do STJ –


Se a arma estiver quebrada e, em razão disso, totalmente inapta a efetuar disparos, não restará configurado o crime em
análise. A demonstração será feita mediante laudo pericial. Desta forma, não há que se falar em crime em razão da
atipicidade da conduta do agente.
Ora, a arma só poderá ser considerada como tal se estiver apta a efetuar disparos, enquadrando-se no conceito técnico
de arma. Do contrário, será um simples pedaço de metal.
Ressalta-se que se a ineficácia for relativa, haverá crime sim.

INFORMATIVO 570 - STJ - DIREITO PENAL. ATIPICIDADE DA CONDUTA DE PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO INEFICAZ.
Demonstrada por laudo pericial a total ineficácia da arma de fogo e das munições apreendidas, deve ser reconhecida a
atipicidade da conduta do agente que detinha a posse do referido artefato e das aludidas munições de uso proibido, sem
autorização e em desacordo com a determinação legal/regulamentar. Inicialmente, convém destacar que a Terceira Seção
do STJ pacificou entendimento no sentido de que o tipo penal de posse ou porte ilegal de arma de fogo é delito de mera

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conduta ou de perigo abstrato, sendo irrelevante a demonstração de seu efetivo caráter ofensivo e, assim, desnecessária a
realização de laudo pericial para atestar a potencialidade lesiva da arma de fogo ou da munição apreendida (EREsp
1.005.300-RS, DJe 19/12/2013). Contudo, se tiver sido realizado laudo técnico na arma de fogo e este tiver apontado a total
ineficácia do artefato, descartando, por completo, a sua potencialidade lesiva e, ainda, consignado que as munições
apreendidas estavam percutidas e deflagradas, a aplicação da jurisprudência supramencionada deve ser afastada. Isso
porque, nos termos do que foi proferido no AgRg no HC 149.191-RS (Sexta Turma, DJe 17/5/2010), arma, para ser arma, há
de ser eficaz; caso contrário, de arma não se cuida. (...)Nessa ordem de ideias, a Quinta Turma do STJ (AgRg no AREsp
397.473-DF, DJe 25/08/2014), ao enfrentar situação fática similar - porte de arma de fogo periciada e totalmente
ineficiente - asseverou que o objeto apreendido não se enquadrava no conceito técnico de arma de fogo, razão pela qual
considerou descaracterizado o crime de porte ilegal de arma de fogo. De modo semelhante, embora pacífico que a
incidência da causa de aumento de pena pelo uso de arma de fogo no delito de roubo dispensa a sua apreensão e perícia, as
Turmas de Direito Penal do STJ consolidaram entendimento no sentido de que, caso atestada a ineficácia e inaptidão da
arma, torna-se incabível a aplicação da majorante prevista no art. 157, § 2º, I, do CP. Desse modo, conclui-se que arma de
fogo pressupõe artefato destinado e capaz de ferir ou matar, de maneira que deve ser reconhecida a atipicidade da conduta
de possuir munições deflagradas e percutidas, bem como arma de fogo inapta a disparar, ante a ausência de potencialidade
lesiva, tratando-se de crime impossível pela ineficácia absoluta do meio. REsp 1.451.397-MG, Rel. Min. Maria Thereza de
Assis Moura, julgado em 15/9/2015, DJe 1º/10/2015.

9.3. PORTE (ART. 14) DE MUNIÇÃO SEM ARMA DE FOGO – INFORMATIVO 688 do STF –
É crime sim, uma vez que se trata de crime de perigo abstrato, não sendo necessário demonstrar e perigo efetivo da
conduta do agente.

INFORMATIVO 688 do STF - Porte de munição e lesividade da conduta


A 2ª Turma denegou habeas corpus no qual se requeria a absolvição do paciente — condenado pelo porte de munição
destinada a revólver de uso permitido, sem autorização legal ou regulamentar (Lei 10.826/2003, art. 14) — sob o argumento
de ausência de lesividade da conduta. Inicialmente, não se conheceu do writ quanto à alegada atipicidade em razão de
abolitio criminis temporária, pois não veiculada no STJ. No que concerne ao pedido alternativo de absolvição do paciente,
enfatizou-se que a objetividade jurídica da norma penal em comento transcenderia a mera proteção da incolumidade
pessoal para alcançar, também, a tutela da liberdade individual e do corpo social como um todo, asseguradas ambas pelo
incremento dos níveis de segurança coletiva que a lei propiciaria. Por fim, firmou-se ser irrelevante cogitar-se da lesividade
da conduta de portar apenas munição, porque a hipótese seria de crime de perigo abstrato, para cuja caracterização não
importaria o resultado concreto da ação.

9.4. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA –


“É pacífico nesta Corte Superior o entendimento no sentido de que é inaplicável o princípio da insignificância aos crimes
de posse e de porte de arma de fogo e ou munição, ante a natureza de crimes de perigo abstrato, independentemente da
quantidade de munição ou armas apreendidas” (AgRg no AREsp 1.098.040/ES, DJe 24/08/2017).

9.5. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA –


“A teor dos precedentes desta Corte, o porte ilegal de munição, ainda que não associado a arma de fogo de calibre
compatível, é lesivo à segurança pública e compromete a paz social. Por tal razão, em princípio, é incabível a aplicação do
princípio da insignificância ao crime previsto no art. 12 da Lei n. 10.826/2003. 2. A sentença descreve a apreensão em poder
do acusado de seis munições de uso permitido, em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, o que é suficiente
para caracterizar a tipicidade material da conduta, pois a natureza dos projéteis não estava descaracterizada mediante
utilização em obra de arte, para confecção de chaveiro etc.” (AgRg no REsp 1.621.389/RS, DJe 01/08/2017)

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9.6. EMENTA RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL. PORTE DE MUNIÇÃO DE ARMA DE FOGO DE
USO PERMITIDO. ART. 14 DA LEI 10.826/2003. TIPICIDADE DA CONDUTA. CRIME DE PERIGO ABSTRATO.
1. O porte de munição de arma de fogo de uso permitido constitui crime de perigo abstrato, portanto irrelevante a
presença da arma de fogo para sua tipificação (art. 14 da Lei 10.826/2003). Precedentes. 2. Recurso ordinário em
habeas corpus não provido. (STF - RHC: 119019 ES, Relator: Min. ROSA WEBER, Data de Julgamento: 11/03/2014,
Primeira Turma, Data de Publicação: DJe-060 DIVULG 26-03-2014 PUBLIC 27-03-2014)

9.7. POSSE (ART. 12) DE MUNIÇÃO SEM ARMA DE FOGO –


Em setembro de 2017, o STF aplicou o princípio a insignificância a um caso, onde o sujeito ativo possuía, em sua residência,
apenas uma munição de calibre 38.
Segundo a Defensoria estadual, a mera posse de uma munição isolada, apreendida dentro da residência de S.L.D., sem a
arma de fogo, atrairia o reconhecimento da atipicidade da conduta tida como delituosa, em consonância com os
princípios da insignificância, proporcionalidade e razoabilidade.
Assim, o STF decidiu que a tipicidade material pode ser afastada na posse de munição se, no caso concreto, a conduta não se
revela perigosa, como no caso da posse, na própria residência do agente, de um projétil desacompanhado de arma de
fogo
Em seu voto, o ministro Lewandowski reconhece que se trata de conduta formalmente típica, mas que, a seu ver, não se
mostra típica em sua dimensão material.
“Não é possível vislumbrar, nas circunstâncias, situação que exponha o corpo social a perigo, uma vez que a única munição
apreendida, guardada na residência do acusado e desacompanhada de arma de fogo, por si só, é incapaz de provocar
qualquer lesão à incolumidade pública” (RHC 143.449/MS, j. 26/09/2017).

9.8. USO DA MUNIÇÃO COMO PINGENTE — INFORMATIVO 826 DO STF -


“É atípica a conduta daquele que porta, na forma de pingente, munição desacompanhada de arma. HC 133984/MG, rel. Min.
Cármen Lúcia, 17.5.2016. (HC-133984)

9.9. PORTE DE ARMA DE FOGO POR VIGIA APÓS O HORÁRIO DE EXPEDIENTE.


“O fato de o empregador obrigar seu empregado a portar arma de fogo durante o exercício das atribuições de vigia não
caracteriza coação moral irresistível (art. 22 do CP) capaz de excluir a culpabilidade do crime de “porte ilegal de arma
de fogo de uso permitido” (art. 14 da Lei n. 10.826/2003) atribuído ao empregado que tenha sido flagrado portando,
em via pública, arma de fogo, após o término do expediente laboral, no percurso entre o trabalho e a sua residência.
(...) Ademais, “importa não confundir, aqui, a atividade exercida pelo réu (vigia) com a de um vigilante (profissional
contratado por estabelecimentos 228 financeiros ou por empresa especializada em prestação de serviços de vigilância
e transporte de valores), cuja categoria é regulamentada pela Lei nº 7.102/83, ao qual é assegurado o direito de portar
armas de fogo, quando em efetivo exercício da profissão” (REsp 1.221.960- SP, Sexta Turma, DJe 9/3/2011) REsp
1.456.633-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 5/4/2016, DJe 13/4/2016 (Informativo n. 581).

9.10. PORTE DE ARMA DE BRINQUEDO, SIMULACRO E RÉPLICA — é fato atípico.

10. VEDAÇÃO À FIANÇA - A Lei 10.826/03 traz o seguinte texto -


Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver registrada em nome
do agente. (Vide Adin 3.112-1)
O parágrafo único do art. 14 vedou a concessão de liberdade provisória com fiança. No entanto, o STF, por meio da
ADIn 3.112, declarou inconstitucional esse dispositivo. O argumento usado pelo STF foi que a vedação fere o princípio da
razoabilidade, não podendo ser equiparados aos crimes de tráfico, terrorismo, tortura e aos Hediondos.

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11. DISPARO DE ARMA DE FOGO - (ART. 15) - A lei 10.826/03 traz o seguinte texto -

Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em
direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável

11.1. LOCAL DO CRIME - O crime ocorre em vários contextos, vejamos:

- Lugar habitado - Lugar onde há pessoas, que podem estar lá de forma transitória ou permanente.

Ex.: Bares, restaurantes, casa, apartamento, desde que habitados.

- Adjacências do Lugar habitado - em locais próximos; aos arredores do lugar habitado.

- Em via pública ou em direção à via pública - é um meio de acesso terrestre. Pode ser urbana (localizada dentro de
uma cidade) ou rural, como ruas, avenidas e praças.

11.2. DELITO SUBSIDIÁRIO - Trata-se de uma subsidiariedade expressa. Dessa forma, se a intenção do sujeito for matar
alguém, ele responderá somente pelo crime de homicídio, ficando o delito de disparo de arma de fogo absolvido,
uma vez que o homicídio é um delito mais grave.

Delito “soldado de reserva” - Hungria chama o delito subsidiário de “soldado de reserva”. Assim, quando não for
possível aplicar a norma mais grave, aplica-se a menos grave.

11.3. POSSE (ART. 12) ILEGAL DE ARMA DE FOGO E DISPARO -

Se o proprietário o titular ou responsável pela empresa, possuindo de forma ilegal arma de fogo, vier a disparar arma
de fogo de dentro do local de trabalho em direção a via pública, responderá somente pelo delito de disparo, ficando o delito
de posse absorvido, em razão do princípio da consunção.

DISPARO DE ARMA DE FOGO - PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE

Crime Crime Prevalece

Disparo (Reclusão de 2 a 4 anos) Porte ilegal (no mesmo contexto fático) - Reclusão de 2 a 4 Disparo
anos. (art. 15)

Disparo (Reclusão de 2 a 4 anos) Posse ilegal (no mesmo contexto fático) - Detenção de 1 a 3 Disparo
anos. (art. 15)

Disparo (Reclusão de 2 a 4 anos) Lesão leve (3meses a 1 ano) Disparo


(art. 15)

Disparo (Reclusão de 2 a 4 anos) Homicídio (6 a 20 anos) Homicídio


(art. 121)

Disparo (Reclusão de 2 a 4 anos) Lesão grave (1 a 5 anos) Lesão grave (art. 129)

Disparo (Reclusão de 2 a 4 anos) Perigo (3 meses a 1 ano) Perigo (art. 132)

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11.4. VEDAÇÃO À FIANÇA - A Lei 10.826/03 traz o seguinte texto -


Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável. (Vide Adin 3.112-1)
O parágrafo único do art. 14 vedou a concessão de liberdade provisória com fiança. No entanto, o STF, por meio da
ADIn 3.112, declarou inconstitucional esse dispositivo. O argumento usado pelo STF foi que a vedação fere o princípio da
razoabilidade, não podendo ser equiparados aos crimes de tráfico, terrorismo, tortura e aos Hediondos.

12. POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO (Art. 16) - A lei 10.826/03 traz o seguinte texto -
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente,
emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou
restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

12.1. PORTE SIMULTÂNEO DE DUAS ARMAS DE FOGO DE USO RESTRITO – Se, no mesmo contexto fático, o sujeito porta
duas armas de fogo, ou seja, haverá só um crime. Nesse caso, a quantidade de armas será levada em consideração na
dosagem da pena.

12.2. PORTE DE ARMA DE FOGO SEM MUNIÇÃO – É pacífico na jurisprudência do STF e do STJ que o porte de arma de fogo
mesmo sem munição é crime.

12.3. E M E N T A RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PORTE DE MUNIÇÃO DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO.
ARTIGO 16 DA LEI 10.826/2003. CRIME DE PERIGO ABSTRATO. TIPICIDADE DA CONDUTA.

1. O porte de munição de arma de fogo de uso restrito constitui crime de perigo abstrato, portanto, irrelevante a
presença da arma de fogo para sua tipificação.
Precedentes. (STF - RHC: 118304 ES, Relator: Min. ROSA WEBER, Data de Julgamento: 17/12/2013, Primeira Turma,
Data de Publicação: DJe-031 DIVULG 13-02-2014 PUBLIC 14-02-2014)

DIFERENÇA ENTRE AS CONDUTAS DOS ARTs. 14 e 16 (Porte de arma de fogo de uso permitido e restrito) E COMÉRCIO
ILEGAL DE ARMA DE FOGO –
Inicialmente, destaca-se que o exercício do comércio ilegal poderá ser praticado em estabelecimentos cadastrados (ou seja,
habilitados para vender armas de fogo) e clandestinos.
A grande diferença entre aquele cede a outrem arma de fogo, configurando crime do art. 14 ou 16 (porte de ilegal de arma
de uso permitido ou restrito) e aquele que cede arma de fogo na atividade comercial (art. 17) a outrem está na comprovação
dos seguintes requisitos: finalidade de obter lucro e estabilidade/permanência na prática dos atos de comércio.

REQUISITOS PARA CONFIGURAR DO CRIME –


Para que haja a configuração do crime em análise, deverão está presentes os dois requisitos: finalidade da obtenção de lucro
e estabilidade, permanência, constância, continuidade na prática do ato de comércio.
Desse modo, a prática eventual, ocasional, esporádica, não reiterada de vendas de munição de forma irregular não configura
o crime em análise.
TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO (art. 18) – A lei 10.826/03 traz o seguinte texto

Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de arma de fogo,
acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente:

Pena – reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

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PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE – O crime de tráfico internacional de arma de fogo é crime especial em relação aos crimes de
contrabando (art. 334 - A, CP) e facilitação de contrabando (art. 318, CP).

EXPLOSIVO OU INCENDIÁRIO – Como já vimos acima, os objetos materiais do crime são: de arma de fogo, acessório ou
munição. Não foram incluídos os explosivos e incendiários. Dessa forma, se alguém for flagrado nas importando e
exportando explosivo ou incendiário responderá pelo crime do art. 334-A do CP, contrabando.

Competência e julgamento- Compete à Justiça Federal.

TRÁFICO INTERNACIONAL DE MUNIÇÃO E PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA -

A 1ª Turma, por maioria, indeferiu habeas corpus em que se pretendia a aplicação do princípio da insignificância para
trancar ação penal instaurada contra o paciente, pela suposta prática do crime de tráfico internacional de munição (Lei
10.826/2003, art. 18). A defesa sustentava que seria objeto da denúncia apenas a apreensão de 3 cápsulas de munição de
origem estrangeira, daí a aplicabilidade do referido postulado. Aduziu-se que o denunciado faria do tráfico internacional de
armas seu meio de vida e que teriam sido encontrados em seu poder diversos armamentos e munições que, em situação
regular, não teriam sido objeto da peça acusatória. Nesse sentido, não se poderia cogitar da mínima ofensividade da conduta
ou da ausência de periculosidade social da ação, porquanto a hipótese seria de crime de perigo abstrato, para o qual não
importaria o resultado concreto. Vencido o Min. Marco Aurélio, que deferia a ordem por reputar configurado no caso o crime
de bagatela, tendo em vista que a imputação diria respeito tão-somente às 3 cápsulas de origem estrangeira, mas não a todo
o material apreendido. HC 97777/MS, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 26.10.2010. (HC-97777)

LIBERDADE PROVISÓRIA (Art. 21) A lei 10.826/03 traz o seguinte texto –

Art. 21 - Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de liberdade provisória. (Vide Adin 3.112-1)

De acordo com o Código de Processo Penal (CPP), a prisão provisória é uma medida cautelar que deverá estar fundamentada
nos princípios da necessidade e excepcionalidade. Dessa forma, deve-se manter a prisão de alguém quando presentes os
requisitos da prisão preventiva prevista no art. 312 do CPP, conforme orientação jurisprudencial.

Ainda reforça a doutrina, amparada na jurisprudência, que não há previsão de prisão ex lege no nosso ordenamento
jurídico. Isto é, não existe prisão decorrente unicamente de lei, sem observar os requisitos legais, sem motivação, violando os
princípios do contraditório e ampla defesa.

Dito isso, fica claro que a intenção do legislador no sentido de proibir a concessão de liberdade provisória nos arts. 16, 17
e 18 do Estatuto do desarmamento. No entanto, tal dispositivo foi declarado inconstitucional pelo STF na Adin 3112 com
base nos seguintes motivos:

 Inexistência de prisão ex lege, ou seja, decorrente unicamente de lei;

 Afronto ao princípio da presunção de inocência (art. 5°, inciso LVII);

 Afronto ao princípio da Proporcionalidade - A pena prevista no tipo penal deve ser proporcional ao mal causado. Os
crimes que foram objetos dessa Adin 3112 são considerados de mera conduta, dessa forma, merecem um tratamento
menos severo. Diferente dos crimes de máximo potencial ofensivo (tráfico, tortura, terrorismo e os definidos como
hediondos), que por força constitucional recebem um tratamento mais severo. Assim, aqueles crimes (art. 16, 17 e 18 do
Estatuto do desarmamento) não poderão ser tratados de igual modo com esses (tráfico, tortura, terrorismo e os
definidos como hediondos).

Por fim, os crimes previstos nos art. 16, 17 e 18 do Estatuto do desarmamento cabe a liberdade provisória, desde que
ausentes os requisitos que motivam sua manutenção. Nesse sentido, "Insusceptibilidade de liberdade provisória quanto aos
delitos elencados nos arts. 16, 17 e 18. Inconstitucionalidade reconhecida, visto que o texto magno não autoriza a prisão ex
lege, em face dos princípios da presunção de inocência e da obrigatoriedade de fundamentação dos mandados de prisão
pela autoridade judiciária competente". (ADI 3112, DJe-131 25-10-2007)

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